terça-feira, setembro 07, 2010

MERVAL PEREIRA

Lula rebaixa a cidadania 
Merval Pereira
O GLOBO - 07/09/10

O mais espantoso na atuação do presidente Lula no episódio das quebras múltiplas de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB, até mesmo a filha do candidato tucano à Presidência da República, é como ele manipula seus seguidores, explorando-lhes a boa-fé e, sobretudo, a ignorância. José Serra lamentou que Lula tenha "debochado de coisa séria" quando fez análises nada republicanas sobre o episódio.


Segundo o presidente, em cima de um palanque, o episódio não passa de "futrica", e o candidato do PSDB "está nervoso" com a previsão de derrota e está usando sua família "para se fazer de vítima".

Seriam comentários ofensivos à cidadania, partidos de um presidente que deveria ser imparcial quando o assunto são as garantias dos direitos individuais dos cidadãos, sejam eles petistas ou não, lulistas ou não.

Mas o mais grave, do ponto de vista da manipulação do eleitorado, está na frase que jogou no ar como se fosse um desafio: "Cadê esse tal de sigilo que ninguém viu?" O presidente Lula se utiliza assim da dificuldade que o brasileiro comum tem de compreender os meandros da disputa política, muito mais quando se trata de questões técnicas ligadas a computadores e senhas eletrônicas, para tentar desmoralizar a questão, reduzindo-a a uma "futrica" de perdedor.

Se o tal do "sigilo" não apareceu, é porque não existe, quer levar a crer o nosso nada republicano presidente.

É conhecida a piada que circula entre os petistas segundo a qual Lula teria dito que essa questão de dossiê não abala seu eleitorado, pois eles não sabem o que quer dizer a palavra, e muitos a confundem com "doce".

Há também o raciocínio segundo o qual como apenas 40 milhões de brasileiros declaram o Imposto de Renda, a imensa maioria dos eleitores não estaria preocupada com o assunto.

Para se ter uma noção do que esse raciocínio perverso embute, dos 130 milhões de eleitores, cerca de 60% são formados por analfabetos, analfabetos funcionais ou pessoas que não completaram o ensino fundamental.

Ora, a esta altura dos acontecimentos, todo cidadão de boa-fé e minimamente informado sabe que os dados colhidos em diversas instâncias da Receita Federal, em várias partes do país, estão espalhados em diversos documentos que circularam no comitê da candidata oficial Dilma Rousseff.

Não foram usados formalmente, nem nunca seriam, pois trata-se de material ilegal.

Mas estão sendo espalhados há muito tempo em diversos blogs e continuam sendo usados com insinuações contra as vítimas dos atentados.

A própria candidata Dilma Rousseff, abusando da inteligência de seus interlocutores e seguindo por um caminho perigoso, insinuou em entrevista coletiva que os dados levantados sobre Verônica Serra seriam usados por membros do próprio PSDB contra Serra, que àquela altura ainda disputava com o ex-governador de Minas Aécio Neves a escolha do partido para concorrer à Presidência da República.

Os petistas engendraram uma pseudoexplicação que culpa a vítima, e Dilma se encarregou de tornar essa intriga em fato de campanha na sua entrevista.

A disputa entre Serra e Aécio seria a verdadeira origem do tal dossiê, que eles negavam existir e agora, diante das evidências, querem jogar no colo de Aécio Neves, numa mesquinha tentativa de confundir os eleitores.

Mais uma vez coube à chamada grande imprensa, para ódio dos governistas e seus blogueiros chapas-brancas, demonstrar que essa versão não se sustenta.

Tanto os acessos em Santo André quanto os de Formiga, em Minas Gerais, foram feitos por pessoas filiadas ao PT, o que deixa evidente o caráter político das quebras de sigilo.

Essa é uma prática comum ao Partido dos Trabalhadores e tem uma longa história, desde quando o partido era de oposição, mas já mantinha nos principais órgãos públicos uma grande influência graças aos sindicalistas enfronhados na máquina pública.

Na oposição os petistas usavam seu poder de quebrar sigilos e de conseguir documentos para fazer denúncias contra o governo de Fernando Henrique Cardoso.

No governo, montaram uma máquina de informações não apenas para difundir notícias falsas sobre seus adversários como para usar as informações como arma política de chantagem nas negociações de bastidores.

O cérebro desse esquema de informações paralelo e ilegal foi o ex-ministro e deputado federal cassado José Dirceu, que se vangloria até hoje dos métodos que aprendeu quando esteve exilado em Cuba.

À medida que vão se acumulando as evidências de que o PT não sabe disputar eleições dentro da normalidade democrática, acumulamse também as provas de que o que um dirigente petista disse ontem na oposição não tem a mesma correspondência no futuro e em situações similares quando o partido está no poder.

Eleito em 2002, Lula reconheceu que o então presidente Fernando Henrique Cardoso havia se comportado como "um estadista" e que, se não fosse essa sua postura imparcial, talvez não vencesse a eleição.

Justamente o que não está fazendo hoje, quando se comporta como o chefe de uma facção política tentando fazer sua sucessora, sem se incomodar com as limitações que a legislação impõe.

Lula usa seu enorme carisma e sua popularidade, e o PT utiliza a máquina do Estado, para acobertar as ilegalidades cometidas e manipular o eleitorado.

Ele trabalha permanentemente para reduzir a cidadania a uma reivindicação elitista, neutralizando a política e dando pão e circo à sua massa de manobra.

ISABEL LUSTOSA

A invenção do 7 de Setembro

Isabel Lustosa 
O Estado de S.Paulo - 07/09/10

Quando se deu realmente a Independência do Brasil? Porque, quando consultamos os jornais de 1822, não há nenhuma referência ao que se passou nas margens do Ipiranga em 7 de setembro? Porque aquele episódio foi escolhido em detrimento de outros, quando sabe que, em 1822, a data tomada como marco da Independência foi o 12 de outubro, dia do aniversário de dom Pedro I e de sua aclamação como imperador? Essas e outras questões foram respondidas, em artigo de enorme valor acadêmico, porém pouco conhecido, publicado em 1995, pela historiadora Maria de Lourdes Viana Lyra, sócia titular do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
Intrigada com o silêncio da documentação e das publicações do ano de 1822 sobre o 7 de setembro, Lourdes Lyra devassou essa história e estabeleceu ponto por ponto o processo e os interesses envolvidos na escolha do 7 de setembro como data da Independência. Um ponto que merece realce é que os documentos que supostamente dom Pedro I teria lido às margens do Ipiranga no dia 7 só teriam chegado ao Rio de Janeiro em 22 de setembro. Outro é que o primeiro relato detalhado do episódio do Ipiranga só foi publicado em 1826, em momento de desprestígio do imperador diante dos brasileiros que tinham feito a Independência e que se indignaram com as bases do tratado assinado com Portugal.
A Inglaterra, que representou junto à Corte do Rio de Janeiro seus próprios interesses e os da Coroa portuguesa, pressionara o imperador. Dom Pedro foi convencido a aceitar que, no tratado pelo qual Portugal reconhecia a nossa Independência, ao contrário de todos os documentos do ano de 1822 que a davam como uma conquista dos brasileiros, constasse que esta nos fora concedida por dom João VI. Este era também reconhecido como imperador do Brasil que abdicava de seus direitos ao trono em favor do filho e ao qual ainda tivemos de pagar vultosa indenização. O patente interesse de dom Pedro em conservar seus direitos à sucessão do trono de Portugal, que essa fórmula do tratado revelava, apontava no sentido de uma posterior reunificação dos dois reinos.
Um príncipe que se declarara constitucional, que desde o Fico (9 de janeiro de 1821) vinha sendo aclamado até pelos setores mais liberais, que rompera com Lisboa e convocara eleições para uma Assembleia Constituinte, tão amado que recebera da Câmara o título de Defensor Perpétuo do Brasil, fora pouco a pouco se convertendo num tirano. Primeiro, ao dissolver a Assembleia Constituinte, depois, pela forma violenta com que reprimiu a Confederação do Equador e, finalmente, pela assinatura do vergonhoso tratado.
É nesse contexto que a escolha do 7 de setembro como data da Independência ganha sentido. Segundo Lourdes Lyra, até então tinham sido consideradas as seguintes datas decisivas para o processo: o 9 de janeiro, dia do Fico; o 3 de maio, dia da inauguração da Assembleia Constituinte Brasileira; e o 12 de outubro, dia da Aclamação. Foi o esforço concentrado do Senado da Câmara (atual Câmara Municipal) do Rio de Janeiro, durante o mês de setembro de 1822, enviando mensagem à Câmaras das principais vilas do Brasil - num tempo em que eram as vilas e cidades as instâncias decisivas da política portuguesa -, que fez com que, na fórmula consagrada, constasse que dom Pedro fora feito imperador pela "unânime aclamação dos povos". Foi o apoio das Câmaras e de setores da elite e do povo do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Minas Gerais que deu forças ao príncipe para se contrapor às decisões de Lisboa.
Segundo bem demonstra Lourdes Lyra, a opção pelo 7 de setembro casava bem com a ideia de que a Independência fora obra exclusiva de dom Pedro e essa data foi estrategicamente escolhida para a assinatura do tratado de 1825. Foi a partir de então que começaram a surgir referências mais entusiásticas ao 7 de setembro no Diário Fluminense, que fazia as vezes de órgão oficial do governo, e, em 1826, esse dia foi incluído entre as datas festivas do Império. Essa obra in progress foi reforçada ainda naquele ano pela publicação do famoso relato do padre Belchior, a primeira descrição minuciosa dos fatos que se verificaram às margens do Ipiranga por uma testemunha ocular da História. Ao lado deste, dois outros relatos publicados bem mais tarde por membros do grupo que acompanhou dom Pedro a São Paulo passariam a ser a fonte privilegiada para o estudo da data.
O coroamento da obra se deveria ao Visconde de Cairu, intelectual respeitado que se conservou sempre aos pés do trono. Em sua História do Brasil, publicada em partes entre 1827 e 1830, Cairu afirma que a Independência do Brasil foi "obra espontânea e única" de dom Pedro, que a tinha proclamado "estando fora da Corte, sem ministros e conselheiros de Estado, sem solicitação e moral força de requerimento dos povos". Estava entronizado o mito do herói salvador, e postos na sombra os outros protagonistas, como José Bonifácio, Gonçalves Ledo e os membros de todas as Câmaras que impulsionaram e sustentaram o príncipe em suas decisões. Sem esse poderoso elenco de coadjuvantes, ao contrário do que afirma Cairu, não teria ocorrido a Independência.
É interessante como símbolos forjados a partir de circunstâncias fortuitas se podem transformar com o tempo. Prova de que na memorabilia pátria menos que os fatos importam o peso que a tradição lhes imprimiu. Foi assim, durante todo o Império com a Constituição de 1824. O gesto de sua criação - ela foi outorgada, e não resultou da deliberação de uma Assembleia - não impediu que ela fosse respeitada e sacramentada até muito depois da deposição de dom Pedro I. O mesmo se deu com o 7 de setembro. A data impôs-se sobre as demais, hoje esquecidas, e continuou a ser festejada com o mesmo entusiasmo depois da abdicação, em 7 de abril de 1831, e bem depois de proclamada a República.
CIENTISTA POLÍTICA PELO IUPERJ, É HISTORIADORA DA CASA DE RUI BARBOSA NO RIO DE JANEIRO

SUJEIRA

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

"Cristianização cruzada" 
RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 07/09/10

Não obstante a esperada aparição de Lula amanhã ao lado de Hélio Costa (PMDB), o comando da campanha de José Serra (PSDB) se convenceu de que Minas assiste a uma "cristianização cruzada": o presidente cumpre tabela em relação ao aliado local, que perde terreno para Antonio Anastasia (PSDB), cujo padrinho, Aécio Neves, tampouco se empenha por Serra. 
A percepção do QG serrista foi consolidada pela notícia, vinda do entorno de Aécio, de que ele e Lula tiveram longa e recente conversa por telefone. Na avaliação de aliados do candidato presidencial tucano, a contínua expansão do voto "Dilmasia" vale mais para o Planalto que a eleição de Costa. 


Sem tela A campanha de Serra já pediu mais de uma vez aos tucanos de Minas que o incluam na propaganda de TV de Anastasia. Um dos apelos foi feito pelo próprio Serra, sem resultado. 

Senha Ao defender a aproximação do PSDB com o PSB e o PDT em 2011, Aécio teria, na interpretação de petistas, sinalizado a intenção de se integrar ao projeto lulista para 2014. Disso resultaria a relativa indiferença do presidente para com as aflições de Hélio Costa. 

Zodíaco Manchete do "Jornal de Uberaba", município cujo prefeito licenciado, Anderson Adauto, coordena a campanha peemedebista em Minas: "Mapa astral garante vitória de Hélio Costa". 

Com louvor Em meio a dissabores, Serra é só elogios para dois candidatos tucanos a governador: Geraldo Alckmin (SP) e Beto Richa (PR). Diz que ambos, líderes nas pesquisas, têm lhe dado todo o apoio. 

Oh, vida... Já Osmar Dias (PDT), que abandonou a oferta de aliança com o PSDB e deu palanque a Dilma Rousseff no Paraná, está cheio de queixas. Alega que lhe faltam recursos para a campanha e que o "aliado" Roberto Requião (PMDB), candidato ao Senado na chapa, só faz infernizá-lo. 

Água fria Com histórico de rigor em ações contra o PT, a vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, considera pouco consistentes os indícios apresentados até aqui pela coligação de Serra para caracterizar crime eleitoral no "Receitagate". 

Ampulheta Ela questiona ainda a tese da procrastinação da investigação no âmbito do governo dada a usual morosidade nos ritos no serviço público. "É uma apuração que começaria muito tarde, uma corrida contra o tempo", diz. 

Calendário O PSDB espera que as duas representações levadas ao Ministério Público ensejem novas diligências para a produção de "provas robustas" e mantenham o tema em evidência. 

DNA Entre os dirigentes tucanos, é sólido o diagnóstico de que o eleitorado tem se mostrado particularmente sensível ao fato de a violação de sigilo fiscal atingir a filha de José Serra, Verônica.

Regra 3 Oferecida ao PMDB após a renúncia de Orestes Quércia à corrida pelo Senado, a suplência de Aloysio Nunes (PSDB) abriu ontem uma disputa velada entre os peemedebistas. O vereador paulistano Antonio Goulart resiste à indicação do ex-deputado Airton Sandoval para a vaga. 

Cobertura Presidente do PTB-SP, o deputado Campos Machado manifesta disposição de levar adiante a candidatura de Romeu Tuma ainda que o senador, doente e afastado praticamente desde o início da campanha oficial, não compareça a nenhum evento até 3 de outubro. 
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELLI 

tiroteio 

Esses computadores devem ter problema com bichos. Só ligam sozinhos quando percebem um tucano voando por perto. 
DO DEPUTADO FEDERAL GUSTAVO FRUET (PSDB-PR), sobre explicação dada pela servidora Adeildda Leão dos Santos, suspeita de acessar dados fiscais de pessoas ligadas ao PSDB. Segundo ela, seu computador, embora desligado ao final do expediente, "ligava sozinho" no início do dia seguinte. 

contraponto 

Best-seller 

Presente ao lançamento em Rio Branco, no domingo passado, da biografia de sua ex-correligionária Marina Silva, Jorge Viana justificou o fato de que ainda não tinha comprado um exemplar da obra: 
-Peguei emprestado do Binho Marques, mas não sou pão duro... Vou comprar o meu hoje- afirmou. 
Ao assumir o microfone, o governador reforçou a fama do colega: 
-Eu não sou miserável como o Jorge. Comprei o livro logo que saiu. Acho que fui um dos primeiros!

SERRA PRESIDENTE

PAULO PANOSSIAN

Estamos órfãos de um estadista
Paulo Panossian

JORNAL DO BRASIL - 07/09/10


Pobre nação que elege um presidente como Luiz Inácio Lula da Silva, que há oitos anos desrespeita o cargo que ocupa e principalmente a sociedade..
E neste exato momento em que uma eleição majoritária está em curso, é que a Receita Federal dá um golpe nos contribuintes escancarando o sigilo fiscal.
Mesmo tudo regiamente comprovado, e sob auspícios do PT, ainda assim vem o presidente zombar deste grave crime, questionando: "Cadê esse tal de sigilo que não apareceu
Em inúmeras ocasiões, Lula tem deixado de agir com pulso firme e não penalizou integrantes do seu partido
até agora? Cadê o vazamento das informações?".
Sabemos que o Lula é inculto, mas não acredito que não saiba o que é quebra de sigilo fiscal, ou bancário, porque o Palocci deve ter lhe explicado por que quebrou o do France-nildo.
Não dá mais para digerir tanta desfaçatez deste chefe de Estado que a cada dia se mostra mais inconveniente e ram-peiro com o poder.
O Lula pela sua forma dócil e irresponsável de acomodar seus companheiros, que têm cometido graves ilícitos, promove uma escola de bandidagem institucional no país, na medida em que manda às favas a ética, acoberta a corrupção no seu governo. É só verificar quantos petistas históricos estão denunciados por formação de quadrilha no STF.
Sabemos que a máquina federal é composta por milhares de servidores públicos, e assim como em qualquer atividade humana encontramos os vis.
Mas o presidente em inúmeras ocasiões tem deixado de agir com pulso firme, e não tem penalizado esses componentes de seu partido, consagrando assim que o crime contra o erário, e no caso o da invasão de privacidade do sigilo fiscal de contribuintes e opositores, pela Receita Federal, compensa.
As duas caras do Lula também são frequentes! E pela pressão da opinião pública sobre a quebra de sigilo fiscal de membros da cúpula do PSDB, e em seguida da filha do candidato Serra, ele afirmou que isso é "uma bandidagem".
Mas, posteriormente, discursando em Guarulhos, cinicamente demonstrando não ter nenhum pudor com relação aos contribuintes, disse: "Cadê esse tal de sigilo? Cadê o vazamento das informações". É muito deprimente.
Apesar de o próprio secretário da Receita Federal ter confirmado este crime indige-rível, e sabendo que seu autor é um filiado ao PT, em Mauá (SP), o Lula, com a rara facilidade que tem para mentir, tenta negar este fato escabroso e continua zombando da população.
É assim que o nosso presidente vem agindo desde sua posse. Transforma, há muito, crimes graves contra nossas instituições, como o mensalão, dossiês fajutos fabricados por Dilma Rousseff contra FHC, e tantos outros, como se fossem maro-linhas! Coisas da oposição, etc. Foge da verdade, e manda a sociedade deixar para lá.
Não à toa, e sempre que pela imprensa aparecem denúncias de falcatruas do petismo, o que infelizmente acontece muitas vezes, a cúpula do partido e o Lula procuram com mentiras deslavadas diminuir o impacto político destas acusações, achando que o povo é idiota.
Lula transforma crimes graves, caso dos dossiês fajutos fabricados contra FHC, como se fossem marolinhas
Ou, como sempre, o presidente diz não saber nunca denada! Como se este senhor, ex-metalúrgico, não tenha nada a ver com a nação.
Certamente até 3 de outubro, muitas outras denúncias verdadeiras virão, como esta mais recente, que em Formiga, Minas Gerais: a de que outro filiado ao PT também e por 10 vezes acessou os dados fiscais de Eduardo Jorge, do PSDB.
Esta tem sido a vocação do Partido dos Trabalhadores, que pela tentativa de se perpetuar no poder faz qualquer negócio, não importando a forma, mesmo que macule a imagem da nação.
Até quando vamos ter que conviver com esta mediocridade?

GOSTOSA

JOSÉ SIMÃO

Ueba! Gerson é araponga do PT!
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 07/09/10


A Dilma não é búlgara. Ela é pittbúlgara! E é mais fácil achar gato preto em sala escura que eleitor do Serra

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O Esculhambador-Geral da República! Ereções 2010! Como disse aquele candidato de Munhuaçu: "Não vos desanimeis. ANIMAIS COMO EU!".
E eu sei qual é o segredo do Gerson de "Passione". Ele é araponga do PT! Rarará! Gerson é araponga do PT e quebra sigilo fiscal de Luan Santana. Aí sim ia ter segundo turno.
Aliás, quer ver ter segundo turno? Dilma cancela show de Ivete Sangalo! E essa: "Serra lamenta: foi a Dilma quem me aconselhou o xampu". Rarará!
E a Dilma não é búlgara como estão dizendo. Ela é pittbúlgara! Rarará! E é mais fácil achar um gato preto numa sala escura que um eleitor do Serra!
E hoje! Dia da Pátria! Feriadão ou Morte! Manchete do dia: "Lula será recebido no palanque com 21 tiros de canhão". Errado. "Lula será recebido no pileque com 21 tiros e UM CANHÃO". A DILMA! Rarará!
E um amigo, pra comemorar a independência, foi transar com uma portuguesa. E na hora do clímax ela gritava: "FURA-ME! RACHA-ME!". Rarará .
E o Brasil ficou independente de Portugal mas os portugueses voltaram. Tão comprando tudo: praia, hotel, nordeste e celular. Isso se chama reintegração de posse! Rarará! E sabe por que Portugal instalou celular no Brasil? Pro povo parar de usar o telefone da padaria!
E quem é esse Eduardo Jorge que falam tanto, gente? Dei um google imagens nele e acho que ele trabalha em "Malhação". É um gato! Rarará! Quebraram a dentadura do Eduardo Jorge! Vulgo EJ! Quem em sã consciência no Brasil sabe quem é Eduardo Jorge? Esse escândalo da quebra de sigilos dos tucanos parece um texto chinês de cabeça pra baixo. Ninguém entende nada. Nem eu!
E a notícia mais piada pronta desse escândalo: "desativada área de inteligência do PT". E TEM?! Rarará. Depois dessa burrada? Petista fica mais inteligente quando desativa a inteligência. Rarará. Burro comanda a área de inteligência! A situação tá ficando psicodélica.
Ainda bem que nóis sofre, mas nóis goza. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Comércio prevê aumento de até 16,5% no Dia da Criança
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 07/09/10 

Os lojistas de shoppings são os que estão mais otimistas para as vendas do Dia da Criança deste ano. A expectativa da Alshop (associação de lojistas de shopping) é de crescimento de 16,5% na comparação com 2009..
"Este será o melhor mês de vendas para o Dia da Criança dos últimos três anos", afirma Nabil Sahyoun, presidente da Alshop. 
As vendas serão impulsionadas pelo maior poder de compra da população, principalmente das classes C e D, pelo aumento da confiança do consumidor e pela expansão do crédito. 
"Uma confiança maior indica mais consumo", diz Fabio Pina, assessor econômico da Fecomercio SP, que projeta crescimento de 4% a 5% nas vendas deste ano. 
O presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, faz um alerta para o nível de inadimplência. "É importante que se irrigue a economia com crédito, mas de uma forma racional." 
A associação prevê crescimento das vendas de 8,5%. 
Os fabricantes de brinquedos venderam para o varejo 7% a mais neste ano na comparação com as entregas feitas para a mesma data no ano passado, segundo a Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos). 
Foram enviados para as lojas aproximadamente 90 milhões de brinquedos. A Abrinq projeta faturamento de R$ 2 bilhões para a data, considerando o preço da loja. 
A indústria brasileira lançou cerca de 800 brinquedos neste ano. "É para enfrentar os chineses a tapa", diz Synésio Batista da Costa, presidente da Abrinq. 
O objetivo dos fabricantes é retomar o mercado conquistado pelo produto chinês, que detém uma fatia de 50%, segundo Costa. 
O setor de vestuário também deve apresentar maior movimento, mas as grandes vedetes são brinquedos, jogos eletrônicos, eletroeletrônicos e celulares. 
O tíquete médio das compras está estimado entre R$ 80 e R$ 120, com aumento de cerca de 20% sobre o ano passado, segundo a Alshop. 
O Dia da Criança é considerada a quarta maior data do varejo, atrás de Natal, Dia das Mães e Dia dos Namorados. Para o setor de brinquedo, é a data mais importante, à frente inclusive do Natal. 

CRISTALIZADO 
A Swarovski Architecture, uma linha de luminárias da Swarovski elaborada por designers da própria marca de cristais, passa a ter representação no Brasil. As peças serão comercializadas no país pela multimarcas PuntoLuce. 
O que existia no Brasil até então eram lustres com cristais da marca austríaca, mas sem a assinatura do design da Swarovski Architecture, segundo a empresária Marília Queiroz, responsável pela importação. 
"Nós criamos um espaço especial no showroom, que foi inspirado em joalherias, só para apresentar essas peças", afirma. 
A "aliança" menor, como Queiroz chama uma das luminárias, custa cerca de R$ 18 mil. A maior, R$ 32 mil. As peças podem ser vendidas separadamente ou compostas. 

Em busca do ouro O bom desempenho econômico no último ano fez com que os Brics se tornassem mais atrativos para trabalhadores estrangeiros, segundo pesquisa do HSBC Bank International. A situação dos expatriados nesses países foram maiores que a média quando observados fatores como rendimento, carreira, cenário econômico e possibilidade de poupar. 

CABEÇA DE EMPRESÁRIO 
Com o aumento do número de empresas estrangeiras no Brasil, cresce o investimento de grandes escritórios de advocacia em estruturas empresariais, com processos internos definidos e planos de carreira. 
No entanto, os valores da advocacia tradicional, com relações de trabalho subjetivas, ainda persistem e atrapalham o desenvolvimento no mercado global, em especial com a perda de mão de obra, segundo pesquisa de Clóvis Castelo Jr., da EAESP-FGV. 
"Ainda falta um longo caminho até que tenham mentalidade totalmente empresarial e seus profissionais sintam segurança na carreira", afirma Castelo Jr. 
Baseados na confiança pessoal de um sócio e sem avaliar riscos, é comum escritórios investirem em profissionais que se desligam após a formação. 

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK e FLÁVIA MARCONDES

TRABALHO

MARIO MESQUITA

Meta de inflação exige atualização
MARIO MESQUITA
FOLHA DE SÃO PAULO - 07/09/10



O novo governo deveria anunciar, em seu início, uma trajetória gradual de redução da meta

O REGIME brasileiro de metas para a inflação completou dez anos em 2009. Nesses 11 anos, a economia enfrentou diversos choques, como o estresse pré-eleitoral de 2002 e o pânico financeiro global de 2008, mas seguiu na rota da consolidação da estabilidade macroeconômica.
Embora seja vítima de críticas de interesses setoriais contrariados, o regime de metas para a inflação, com taxa de câmbio flutuante, tem forte amparo entre os formadores de opinião e -a julgar pela posição dos principais candidatos à Presidência, que o apóiam ou pelo menos não o criticam diretamente- também de vasta parcela do eleitorado.
Nesse sentido, pode-se dizer que o regime de metas encontra-se consolidado. Isso não significa que não possam ocorrer aprimoramentos. O principal seria sua atualização. A meta encontra-se em 4,5% desde 2005, em um intervalo de mais ou menos dois pontos percentuais. Esse índice difere consideravelmente do que a literatura acadêmica considera ser consistente com o conceito de estabilidade de preços, algo entre 2% e 3%. A meta brasileira supera também, em muito, a média (3,6% em 2009) das metas de 25 países que praticam esse regime.
Aliás, apenas dois países, que não se notabilizam como exemplos de estabilidade monetária, possuem índices centrais de meta superiores ao brasileiro: Turquia e Guatemala.
Na região, a comparação nos é desfavorável: a meta é de 3% no Chile, na Colômbia e no México, e de 2% no Peru. É verdade, contudo, que a nossa é inferior, por enquanto, à praticada no Paraguai, de 5%.
Note-se que caiu por terra nos últimos anos a tradicional justificativa que, comparando-se por exemplo com o Chile e com o México, o Brasil precisaria de uma meta para a inflação maior por não ter atingido ainda o grau de investimento.
Não só o índice central da meta é elevado, mas também o intervalo de tolerância de 4 pontos percentuais (2 pontos para cima ou 2 para baixo) adotado pelo Brasil fica entre os maiores -se não for o maior- entre os países que praticam o regime.
Os benefícios de reduções da meta de inflação e do intervalo de tolerância seriam vários. Em primeiro lugar, propiciaria maior proteção do poder de compra dos assalariados, além de reduzir os incentivos a práticas de indexação na economia -o que aumentaria a eficácia da política monetária.
Haveria, também, redução da incerteza inflacionária e dos prêmios de risco, o que aumentaria a previsibilidade da economia, favorecendo o investimento. A redução da meta deveria interessar também ao Tesouro Nacional: com a redução do prêmio de risco inflacionário, cairia o custo da dívida prefixada e a inflação menor reduziria diretamente o custo dos títulos indexados ao IPCA. Quanto aos títulos indexados à Selic, uma inflação menor e menos volátil implicaria menos esforço da política monetária e custos menores.
Evidentemente, seria complexo reduzir de uma só vez a meta de 4,5% para os 3%, que caracterizam a melhor prática nos países emergentes. Um processo gradualista seria mais indicado.
Por essas razões, o novo governo, qualquer que seja o resultado da eleição, daria uma grande contribuição para o funcionamento da economia se anunciasse, logo em seu início, uma trajetória gradual, mas consistente, de redução da meta para inflação, para algo como 4,25% em 2011, 4% em 2012, 3,5% em 2013 e 3% em 2014, com estreitamento também paulatino do intervalo de tolerância.
Se é verdade, como sugerem certas análises, que o ambiente mundial seguirá exercendo importante influência desinflacionaria sobre a economia brasileira, então faria sentido aproveitar essa influência favorável para reduzir a meta -ou, colocando de outra forma, a meta de 4,5% fica ainda mais fora de esquadro em um ambiente global desinflacionário.
Vale lembrar que a meta para a inflação é determinante importante das expectativas inflacionárias e, assim, das taxas de juros praticadas na economia. Isso significa que não pode haver a tão esperada convergência das taxas de juros brasileiras para padrões internacionais sem convergência também da taxa de inflação, e isso não se consegue com a meta congelada em 4,5%.


MARIO MESQUITA, 44, doutor em economia pela Universidade de Oxford, escreve quinzenalmente, às quartas-feiras, neste espaço.