sábado, agosto 07, 2010

PAINEL DA FOLHA

Fila de espera
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 07/08/10

Convencido de que conseguirá eleger Dilma Rousseff (PT), Lula tem dito a auxiliares que pretende discutir com sua candidata as indicações mais importantes em aberto no plano federal, pois elas terão mais impacto no futuro governo do que no atual. Além do substituto de Eros Grau no STF, está em "stand by" a definição de nomes para agências como Anvisa (saúde), ANP (petróleo) e Anatel (telecomunicações).
O presidente quer evitar novas disputas entre aliados em plena campanha eleitoral. Por isso, tentará esticar a corda: tudo o que puder esperar será resolvido apenas depois do fechamento das urnas.

Gasolina 1 Em entrevista a uma rádio de Pernambuco, Alexandre Padilha (Relações Institucionais) ouviu do apresentador a recomendação de não levar os governadores de Estados que abrigarão jogos da Copa a conhecer Joanesburgo, porque "aquilo é uma m.". O ministro respondeu: "Quem for para São Paulo [assistir a jogos em 2014] vai falar a mesma coisa. Aquilo lá é feio". 

Gasolina 2 Padilha, que é paulista, acrescentou: "Até hoje não definiram nem onde vai ser o estádio. Se bobear, Pernambuco ganha a oportunidade que São Paulo está perdendo de sediar coisas importantes de Copa". 

Com que roupa? Até o início da noite de quinta, estava combinado que Dilma iria ao debate da Band com o tradicional vermelho petista. Foi ela que sugeriu trocar pelo bolero branco. O marqueteiro João Santana aprovou. 

Linha vermelha Dilma estava de saída quando recebeu o telefonema de Lula elogiando seu desempenho. "Aprendi com o senhor", retribuiu ela, que após desligar avisou à primeira-dama, Marisa Letícia: "O chefe ligou"!. 

Protesto! De José Eduardo Dutra (PT), sobre a menção de Serra ao ex-ministro da Fazenda de Lula: "No próximo debate, o Palocci pedirá direito de resposta".

SOS 1 A ida de Serra ontem à noite a Recife foi um afago ao aliado Jarbas Vasconcelos (PMDB), que a seu pedido aceitou ser candidato ao governo e hoje enfrenta dificuldades na campanha. 

SOS 2 Depois da debandada de prefeitos do PSDB para o barco de Eduardo Campos (PSB) em Pernambuco, causou rebuliço a notícia de que o prefeito de Toritama, Flávio Lima (DEM), também anunciará apoio ao adversário de Jarbas. 

Engessada Aliados de Marina Silva (PV) rejeitam a avaliação de que ela se intimidou no debate. Argumentam que as regras a isolaram dos líderes Dilma e Serra, e pretendem lutar por mudanças nos próximos encontros. 

Duas palavras De Heloisa Helena, rompida com Plínio de Arruda Sampaio, que se tornou candidato presidencial do PSOL à sua revelia, sobre o debate da Band: "Não assisti". 

Na corrente Geraldo Alckmin (PSDB-SP) enviou carta ao embaixador do Irã no Brasil para apelar por Sakineh Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento. Líder nas pesquisas para o governo, levará o tema ao blog da campanha e ao Twitter. 

Tô de olho Da Argentina, onde esteve na terça-feira, Lula avisou que entraria em campo no dia seguinte caso o PMDB insistisse em mudar a pauta pré-combinada com o governo para as votações na Câmara. O presidente chegou a dizer que, se necessário, ligaria para Michel Temer. O telefonema revelou-se desnecessário, pois o PT conseguiu reverter o movimento peemedebista. 
com LETÍCIA SANDER e ANDREZA MATAIS

tiroteio

Até dá para entender a preocupação do ministro Eros Grau. Mas não agora que o Congresso se sujou tanto. 
DO DEPUTADO PAULO DELGADO (PT-MG), comentando declaração do ministro que se despede do Supremo Tribunal Federal; segundo ele, a lei da Ficha Limpa coloca em risco o Estado democrático de direito.

contraponto

Cada um no seu quadrado Ao chegar ao debate na Band, Aécio Neves cumprimentou dirigentes do PMDB já acomodados na ala da plateia reservada aos aliados de Dilma Rousseff.
Bem relacionado com todos eles, o tucano brincou:
-Tem um lugarzinho pra mim ai?
Sentado ao lado do vice de Dilma, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves, logo ofereceu:
-Aqui ao lado do Michel, eu alugo a minha cadeira!
Aécio olhou para o outro lado, onde estavam seus correligionários, e optou por sair de fininho:
-Acho que tem um lugarzinho vago ali...

EDITORIAL - O ESTADO DE SÃO PAULO

Superávit imaginário
EDITORIAL
O ESTADO DE SÃO PAULO  07/08/10


Tudo indica que o governo está escondendo o jogo com relação às contas públicas. O secretário do Tesouro, Arno Augustin, afirma categoricamente que o setor público (União, Estados, municípios e empresas estatais) cumprirá a meta de superávit primário de 3,3% do PIB. O ministro Guido Mantega, porém, já deixou entrever que podemos não chegar à "meta cheia". Isso pode significar que, nos últimos meses de 2010, ou seja, decorrido o período eleitoral, o governo fará o arranjo que lhe parecer mais conveniente para disfarçar o descumprimento da meta. Para muitos analistas, a dúvida está em saber que tipo de casuísmo contábil o governo vai colocar em prática este ano.

Se a economia estivesse crescendo no mesmo ritmo do primeiro trimestre, a arrecadação poderia amenizar o problema, mas essa saída é cada vez mais improvável. Embora os últimos números não tenham sido divulgados, o Tesouro já admite que, com o relativo desaquecimento da economia, a arrecadação federal deixará de bater recordes a cada mês, como vinha ocorrendo. Pela mesma razão, as receitas dos Estados e municípios tenderão a ser menores, o que se refletirá em sua contribuição para o superávit.

Se desse lado a situação não é tão confortável como o governo desejaria, as despesas correntes tomaram o espaço das disponibilidades para investimento, especialmente no tocante às empresas estatais. Previa-se que as empresas sob o controle do governo apresentassem, em termos primários, um saldo positivo de 0,20% do PIB (R$ 7,04 bilhões) em 2010, mas o que se verifica é que, no primeiro semestre, elas apresentaram um déficit de R$ 1,96 bilhão, correspondente a 0,12% do PIB, que dificilmente será revertido, se obedecidos seus cronogramas de investimentos.

Segundo dados do Ministério do Planejamento, as estatais investiram R$ 37,9 bilhões no primeiro semestre, uma expansão de 27% com relação aos primeiros seis meses de 2009. Mas o grosso deve ser gasto na segunda metade do ano, uma vez que os investimentos das estatais, apesar desse grande aumento, só alcançaram 40% da dotação orçamentária de R$ 94,4 bilhões. O Grupo Eletrobrás, por exemplo, investiu R$ 1,7 bilhão nos últimos seis meses, mas a intenção é acelerar os seus investimentos, que poderão somar R$ 9 bilhões até o fim do ano, não se sabendo se isso inclui as aventuras internacionais que a estatal planeja.

Uma forma de driblar esse obstáculo seria excluir a Eletrobrás das contas do setor público, a exemplo do que já foi feito com a Petrobrás. Assim, não se teria de cortar fundo nos investimentos para cumprir a meta ou chegar próximo dela. O governo tem ainda outros truques na cartola. Um deles seria abater da meta de superávit 0,9 ponto porcentual do PIB, taxa que, alegadamente, corresponderia a um excesso de investimentos no PAC. Outra opção seria usar os recursos do Fundo Soberano do Brasil (FSB). Um dos sustentáculos do FSB, como anunciou o governo, seria um superávit nominal das contas públicas (receitas menos todas as despesas, inclusive juros). Acontece que, em termos nominais, o setor público apresenta um déficit de 3,02% do PIB nos últimos 12 meses terminados em junho. Esses expedientes, portanto, pertencem ao reino da imaginação.

O economista Raul Velloso, especialista em contas públicas, tem razão para ser cético. Sua estimativa é de que o superávit primário ficará em 2% do PIB este ano, taxa muito próxima da que se verificou nos últimos 12 meses (2,07% do PIB), se não houver um fator extraordinário - como foi no ano passado a apropriação contábil, para efeito do cálculo do resultado das contas públicas, dos depósitos judiciais, e este ano pode ser o FSB. Velloso considera que o governo, se achar que essa taxa é muito baixa, poderia reduzir os investimentos, elevando o superávit primário para 3% do PIB.

Isso, porém, é altamente improvável em um ano eleitoral. O governo, por certo, vai dar um jeito de maquiar as contas públicas. Retornar à estabilidade fiscal, de modo a garantir o crescimento sustentável, permanecerá como desafio para o seu sucessor.

GOSTOSA

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Curriculum vitae
Sonia Racy 
O Estado de S.Paulo - 07/08/10

A quem critica a nomeação de Eduardo Artur Rodrigues Silva, novo diretor de operações dos Correios empossado por Lula segunda-feira, vai aqui sua experiência.
Sob a bênção incondicional de Roberto Teixeira, compadre do presidente da República, ele foi, durante seis meses de 2008, conselheiro e presidente da VarigLog. Saiu da empresa em outubro do mesmo ano, não sem antes viabilizar a constituição, em São Paulo, da cargueira Master Top Linhas Aéreas (MTA).
Companhia aérea esta que tem como acionistas Jorge Augusto Dale Craddock e Anna Rosa Pepe Blanco Craddock, sogros de Tatiana, filha de Silva, conhecido como Coronel Artur.
Curriculum vitae 2
E não é que a empresa está dando certo?
A MTA hoje tem direito a operar cobiçadas frequências de voos para EUA, Colômbia e Equador e foi vencedora, em julho, de licitações para transporte de carga dos Correios de São Paulo a Salvador e Recife no valor de mais de R$ 36 milhões. Mesmo ela tendo protestos e com sua certificação suspensa pela Anac por falta de segurança.
A certificação foi restabelecida dia 26 de julho.
Cetro e coroa
Lula vai dar de cara quinta-feira, em Divinópolis, MG, com Débora Lyra, a nossa Miss Brasil 2010. A moça pedirá a bênção do presidente antes de viajar para Las Vegas, onde disputará, dia 23, o concurso Miss Universo.
$$$$$$$
Após longa espera, o governo de São Paulo conseguiu esta semana mais US$ 507,7 milhões aprovados pelo Senado. São operações de crédito externo para infraestrutura, meio ambiente e gestão.
Em contrapartida, o governo aplicará US$ 229,3 milhões. O total de investimento na área somará US$ 737 milhões.
Do coração
Tom Zé, fiel torcedor do Timão, compôs um hino só para celebrar o centenário do Corinthians. Estará no livro o Corinthians - 100 Anos de Paixão.
Xodó de mago
Gilberto Gil cantava em Saint Julien, na França, esta semana, quando chamou ao palco um convidado ilustre da plateia: Paulo Coelho, que deu canja com Eu Só Quero um Xodó, de Dominguinhos.
Ela merece
A cidade agradece. O Conpresp deu o OK e a Biblioteca Mário de Andrade terá o paisagismo externo completamente reformado.

Ecos do debate
Indio da Costa, o vice de José Serra, saiu de hospital do Rio, onde estava internado, para assistir in loco ao debate da Band, anteontem. E para lá voltou de helicóptero assim que o evento acabou.
Sentado na plateia na área reservada aos tucanos, do lado esquerdo, Indio não desgrudou do BlackBerry. Abasteceu seu Twitter com provocações a Dilma Rousseff: "Dilma gagueja em suas respostas", postou. Também gripadíssimo, José Eduardo Dutra, presidente do PT, segurou a tosse enquanto pode até que saiu do estúdio para se recuperar. A produção chegou a oferecer-lhe ajuda médica, que foi prontamente recusada.
Se os dois fizeram um esforço para estarem lá, o mesmo não aconteceu com Quércia e Aloysio Nunes Ferreira. Antes do debate começar, foram flagrados pela coluna combinando de sair antes do fim. "Em casa vejo melhor", disse Nunes Ferreira. O que de fato aconteceu. Entre os convidados, despercebida, Mayara, filha de Marina Silva. Quem prestou atenção, no entanto, fez logo a relação: bela e maquiada, ela é uma versão jovem da mãe. Ao lado de Guilherme Leal, no espaço reservado aos verdes, acompanhou cada fala de sua candidata com entusiasmo. Os petistas, aliás, ocuparam o lado direito da plateia. Incluindo aí o aliado Paulo Skaf, cujos assessores faziam questão de frisar que ele havia sido convidado por Dilma.
Assim que chegou no estúdio, ao lado de sua mulher, Monica, Serra foi recebido por Aécio Neves. O ex-governador mineiro encostou as mãos nos braços do correligionário e cochichou em seu ouvido: "Relaxa, seja quem você é".
Ao fim do segundo bloco, Guilherme Afif só tinha uma preocupação. "Quanto está o jogo do São Paulo?" Questionado pela coluna onde ele preferia estar se no estúdio da Band ou no estádio do Morumbi, o vice de Alckmin apontou para a arena: "Eu preferia estar nesse jogo".
Marisa Letícia e sua inseparável nora Marlene representaram Lula. Passaram o debate na plateia, sentadas ao lado de Marta Suplicy.
Entre os ilustres que apareceram por lá, Fernando Meirelles assistiu, pela primeira vez, a um debate ao vivo. E foi também prestigiar a filha Cacá Meirelles, que é fotógrafa da campanha de Marina. Depois do debate Carlos Eduardo, 18, neto de Plínio de Arruda Sampaio estava exultante. "Meu vô é o assunto mais comentado do Twitter". Ele tinha razão. PAULA BONELLI
Direto da Flip
Wendy Guerra, escritora cubana, está impaciente. Quando perguntada sobre a política da ilha, desconversa agressivamente. E faz questão de esclarecer que não tem nada em comum com Yoani Sanchéz: "Ela é uma blogueira, eu sou uma autora". E acrescenta: "Ela não seria nada fora de Cuba. O lugar dela é lá".
Figura esperadíssima da 8ª edição da festa, Azar Nafisi se acabou em fazer compras... na farmácia. É que autora iraniana está gripada.
William Kennedy já tem programação para depois da Flip. Foi convidado para jantar, na próxima terça, na casa de Hector Babenco. O cineasta venceu a disputa dos direitos autorais de Ironweed, do autor, com ninguém menos que David Lynch, em 1987. Na ocasião, Kennedy disse ao brasileiro que não cedeu a Lynch porque o cineasta queria colocar uma televisão nos olhos dos personagens - ideia que o irritou profundamente.
Collum McCann andava por Paraty indagando as pessoas sobre "nomes próprios de brasileiros de classe média". Pesquisa para um futuro romance. Ao contrário da mulher, Isabel Allende, William Gordon teve seu ataque de estrela. Pediu que seu crachá de acompanhante fosse trocado por um "de escritor".
William Boyd é um autor independente. Além de alugar a própria casa para se hospedar com a família em Paraty, o escritor africano já programou viagem para Petrópolis onde conhecerá a casa que foi de Elizabeth Bishop para escrever um artigo para o The Guardian.
A direção da Flip pediu para Ciro Lilla, da Mistral, vinhos sul americanos de alta qualidade para servir aos convidados. Entre os escolhidos, Viña Montes (Chile) Catena (Argentina) e Vallontano (Brasil).
Um desafortunado parou o carro em lugar proibido em Paraty. Além de multa, ganhou um bilhete especial escrito: "Parado na porta da casa do prefeito".
MARILIA NEUSTEIN

MERVAL PEREIRA

Por pontos
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 07/08/10

O clima morno, quase anestesiante, imposto ao debate da TV Bandeirantes pelos dois principais concorrentes à Presidência da República, na noite gélida de quinta-feira em São Paulo, parece ter sido fruto de um acordo de bastidores, pois interessava aos dois lados.
O tucano José Serra, com maior domínio cênico pelo hábito de participar de debates televisivos e pela própria experiência em campanhas, saiu-se melhor, mas não se arriscou a procurar um nocaute da sua contendora, talvez contando que ela se enrolasse nos próprios erros — o que realmente aconteceu, mas não ao ponto de inviabilizá-la.

A candidata oficial Dilma Rousseff estava nervosa, dava para sentir na abertura do debate, mas terminou razoavelmente bem, com algum controle da situação que lhe permitiu até ser irônica a certa altura, quando disse que “não achava prudente” esquecer o passado, numa alusão ao governo FHC.

Mas houve quem cronometrasse: Dilma levou uma hora e meia para falar pela primeira vez em Lula.

Nos bastidores, a questão era uma só: o que estava por trás desse aparente esquecimento? A resposta era dada pelos próprios petistas. Dilma queria marcar uma imagem de independência.

Mas no encerramento, que pode ser considerado bom para seus objetivos, foi quando falou mais longamente da experiência de trabalhar com seu líder Lula, e chegou a demonstrar toda a veneração que nutre por aquele que está lhe dando a chance de uma vida.

Para seus seguidores, não deve ter sido constrangedor tamanha submissão.

A jornalista Olga Curado, responsável pelo media training de Dilma, tem o que comemorar: sua pupila está aprendendo.

Mas como ficou claro que ainda tem muito a aprender, Olga pode ficar tranquila que tem emprego garantido pelo resto da campanha.

A indecisão inicial de Dilma, e mais a radicalização do candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, provocaram um comentário maldoso que o dirigente do Partido Verde Alfredo Sirkis atribuía a um presente não identificado, provavelmente para não assumilo diretamente: “O Plínio está gagá e a Dilma, gaga”.

De fato, a candidata de Lula chegou a gaguejar em vários momentos do debate, principalmente no início, quando teve dificuldades de começar a falar, deixando um silêncio no ar que pareceu demorar vários minutos.

Já o candidato do PSOL resolveu assumir o papel de “macaco em casa de louças”.

Plínio quer se apresentar como alternativa, mas, com posições políticas mais à esquerda do que o PSTU, não parece uma possibilidade real de poder.

Plínio foi ao debate para afirmar sua posição socialista, e parecia ter entrado na máquina do tempo para voltar à época em que foi um dos fundadores do PT.

Atingiu o auge da dessintonia com a realidade quando, dirigindo-se às câmeras, chamou a atenção para algum fato “de você camponês que nos vê”.

Passava da meia-noite, e nem mesmo o trabalhador paulistano que tem televisão devia estar sintonizado no debate da “Bandeirantes”, que terminou com cerca de 2% de audiência.

Imagine o camponês do Plínio, a quem ele anunciava que seu projeto de impedir propriedades privadas de mais de mil hectares provocaria uma farta distribuição de terras para os pequenos lavradores.

O interessante é que todos os candidatos discordaram da proposta do PSOL, mas não houve nenhum que tivesse a coragem de explicitar que a medida destruiria o agronegócio brasileiro, o grande sustentáculo da economia do país.

Paradoxalmente, depois do debate Plínio aderiu ao Twitter, modernizando a maneira de divulgar suas ideias antigas. Virou uma febre no Twitter, e corre o risco de se transformar no Cacareco moderno.

A radicalização de Plínio favoreceu Dilma, que pode se colocar como uma moderada diante daquela série de propostas radicais anacrônicas, mas prejudicou a candidata verde Marina Silva, que não encontrou seu espaço entre PT e PSDB para se apresentar como uma alternativa viável.

Serra saiu-se bem, sem parecer arrogante ou querer sobressair-se muito, contido de maneira pensada.

Em algumas ocasiões, no entanto, não conseguiu disfarçar o menosprezo pelo que diziam seus adversários.

Ficava de costas para eles, olhando para a plateia, mas para sua sorte as regras do debate não permitiam que as câmaras mostrassem a reação dos candidatos quando alguém estava falando.

Serra conseguiu defender o governo de Fernando Henrique Cardoso sem prejudicar sua intenção de falar mais do futuro do que do passado, e mesmo quando Dilma falou do número de empregos criados no governo Lula em comparação com os do governo FHC, não houve dano para o tucano, que conseguiu colocar os números dentro do contexto da economia internacional.

Dilma, no entanto, demonstrou claramente que encaixara um golpe ensaiado com o marqueteiro João Santana. Fora do alcance das câmeras, ela sorriu com malícia para seus assessores logo depois de citar os números.

Entre os assessores estava o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que acabou virando tema de uma das melhores intervenções de Serra, que lembrou que Palocci elogiava a política econômica tucana quando ministro.

Serra escorregou feio quando se referiu a propriedades de 80 hectares na reforma agrária do Chile como sendo, no Brasil, de “chácaras de fim de semana”.

Em que mundo o candidato José Serra vive, em que as “chácaras de fim de semana” têm 800 mil metros quadrados?

SACO!

ZUENIR VENTURA

O amigo dos idosos
Zuenir Ventura
O GLOBO - 07/08/10


Os jovens que me desculpem o paradoxo, mas o futuro é nosso, dos idosos. O Brasil está ficando cada vez mais velho, e isso é bom sinal. Envelhecer ainda é a melhor alternativa à morte. Hoje, são 21 milhões os que tem mais de 60 anos (a população acima dos 80 cresceu 70% nos últimos dez anos).

Em 2025, seremos 32 milhões. "Seremos", no meu caso, é força de expressão. Pelas estatísticas, já estou na prorrogação.

Talvez por isso, por ter ultrapassado o limite da expectativa de vida do brasileiro, que é de quase 73 anos, mantendo em funcionamento alguns sinais vitais, fui convidado a participar de dois encontros sobre o tema, acho que como curiosidade: do XVII Congresso de Geriatria e Gerontologia, em Belo Horizonte, realizado há dias, e da Jornada de Saúde, que vai acontecer no Rio em setembro.

Na capital mineira, nada menos que 3.500 participantes assistiram a seminários e palestras sobre uma preocupação que perpassou os debates: como melhorar a qualidade de vida do idoso. Aprendi muito. Graças, por exemplo, ao médico gerontologista Alexandre Kalache, autoridade internacional no tema, soube de um importante trabalho que vem desenvolvendo.

Em 2007, então diretor do Departamento de Envelhecimento da Organização Mundial da Saúde, Kalache implantou um projeto piloto em Copacabana para saber o que pensavam os mais velhos. A pesquisa chegou a três resultados: a grande preocupação deles era com a segurança, o maior inimigo eram os motoristas de ônibus, e o maior amigo, os porteiros dos prédios.

O modelo correu o mundo. "Com base no piloto Copacabana", conta Kaleche, "fomos para Vancouver, onde sofisticamos a metodologia, já com a participação de doze cidades que queriam se tornar 'amigas dos idosos'". Em seguida, o estudo se estendeu para outras 35 metrópoles.

Mas o projeto exigia uma resposta do poder público, que no Brasil, para variar, não veio. Ele apelou então para a parceria privada, e assim vai implantar pelo menos uma de suas ideias. Nascido e criado em Copacabana, Kalache observava que os porteiros desempenhavam papel importante junto àqueles que muitas vezes moram sozinhos ou passam o dia sem companhia.

É do porteiro em geral a primeira ajuda. É a ele que se recorre numa emergência.

"Se eles já são amigos espontaneamente", raciocinou o gerontologista, "o que dirá se receberem algumas dicas de como lidar com os idosos?" É o que se propõe a fazer agora, esperando contar com o apoio dos síndicos. Ele lança no dia 18, no Clube Marimbás, a campanha "Porteiro amigo dos idosos". Trata-se de um treinamento básico no Senac, financiado pela Bradesco Seguros e com direito a diploma para pendurar com orgulho no hall de entrada dos prédios. Depois, o médico espera civilizar os vilões, os condutores de ônibus.

ANCELMO GÓIS

País do panetone
ANCELMO GÓIS
O GLOBO - 07/08/10

A Câmara de Comércio Exterior reduziu de 14% para 2%, até junho de 2012, a alíquota de importação de 400 tipos de máquinas.

Na lista de equipamentos que poderão entrar no país a preços baratinhos estão umas maquinetas automáticas para embalar...

panetones. A capacidade é de embalar até 60 por minuto.
Sei não...
Parece provocação com José Roberto Arruda, o ex-governador do DF preso naquele escândalo no qual alegou, lembra?, que o dinheiro de uma suposta propina era para... comprar panetone para os pobres.
Arrumando a casa
Lula convocou todos os ministros para uma reunião na manhã de terça.

Quer planejar os cinco meses finais de governo.
Brasil no Oscar
Em 2010, pela primeira vez, a comissão que escolhe o representante brasileiro no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro terá quatro indicados pela Academia Brasileira de Cinema, reivindicação antiga da classe.

Os outros três serão nomeados pelo ministro da Cultura, pela Secretaria do Audiovisual e pela Ancine. O filme eleito será anunciado dia 16 de setembro.
Cena carioca
Quarta, por volta de 11h, um mendigo dormia sob a marquise do bar GLS Galeria, em Ipanema, na Rua Teixeira de Melo, abraçado a um pôster de tamanho natural, desses de banca de jornal, da atriz toda boa Paola Oliveira.
A conferir
A Rádio Corredor do Itamaraty diz que, por trás da audiência concedida por Lula ao chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez, quinta, estaria a engenharia de uma visita do adoentado Fidel Castro ao Brasil.

É. Pode ser.
Aliás...
O ditador Fidel completa 84 anos na sexta-feira 13 agora.
Ficha limpa
A respeito de reportagem da revista “Piauí”, motivo de nota aqui ontem, o STF esclarece que os ministros Eros Grau e Antonio Dias Toffoli recorreram de suas condenações em primeira instância e foram absolvidos em segunda pelos TJs de São Paulo (Grau) e do Amapá (Toffoli).

Portanto, teriam ficha limpa.
Licitação no samba
Começa finalmente dia 20 a licitação do desfile das escolas de samba do Rio em 2011.

Será a segunda tentativa da prefeitura. A Liesa, como se sabe, pode concorrer.
Ação de despejo
Corre na 15° Vara Cível do Rio ação de despejo do Rio Design Leblon movida contra a loja Armazém Digital.

Um acordo havia sido feito para a desocupação do imóvel: a loja pagaria R$ 900 mil de aluguéis atrasados, parcelados, em 2009. Mas o trato não vingou e o caso foi parar na Justiça.
Showbol no morro
Começa dia 21 agora, no Morro Dona Marta, o Campeonato Carioca de Showbol.

As partidas serão disputadas nas favelas pacificadas. É parceria da Secretaria estadual de Esporte com os ex-jogadores Djalminha e Ricardo Rocha.
Marcha capixaba
Amanhã, às 11h, uma passeata deve chamar a atenção na orla do Rio, do Leme ao Leblon.

Batizada de “Caminhada dos corruptos”, terá atores de terno e até uma limusine. É farra para badalar o livro “Um novo Espírito Santo, onde a corrupção veste toga”, dos coleguinhas Rogério Medeiros e Stenka Calado.
Saliência na praia
A Associação de Naturistas da Praia do Abricó, no Rio, enfrenta crise. Acabou o dinheiro para manter a segurança.

Dias atrás, a praia foi invadida por uns salientes que esperaram o fim do dia para iniciar uma sessão de... nheconheco — o que as normas da associação proíbem.
ZONA FRANCA
Maria Oiticica foi selecionada para III Bienal Brasileira de Design, Curitiba, a partir de 14 de setembro.

A Amasco acertou com o estado criação, dentro do Complexo Esportivo da Rocinha, de um miniterminal rodoviário para as vans.

A Dulcaacaba resgata receita familiar para coquetel, hoje, com autores de editora, em Paraty.

A Cufa, depois de receber dois candidatos a presidente para debate na Cidade de Deus, recebe hoje Dilma Rousseff.

Tânia Malheiros canta hoje, às 13h, com grupo Chapéu de Palha, feijoada do Cariocando.

Miramar Mangabeira e Marcelus Villaça cantam no Teatro Ipanema.

Abre amanhã o Restaurante do Hotel Arena Copacabana.

Nelson Freire e a OSB se apresentam hoje no Theatro Municipal pelos 10 anos do Instituto Souza Cruz.
BENJAMIN MOSER, o biógrafo americano de Clarice Lispector, continua interessado na vida da escritora, mesmo depois de já ter lançado seu livro pela Cosac Naify. Ao chegar ao Brasil, antes de ir para a Flip, em Paraty, Moser comprou de um livreiro em São Paulo a primeira edição de “A via-crúcis do corpo” (1974). A obra estava autografada por Clarice para uma tal dona Nadir. Trata-se da cartomante citada em “A hora da estrela”, apresentada à escritora, especulase, pela colega Marina Colassanti. Dizem que era a cartomante suburbana a quem todas as mulheres da Zona Sul recorriam
A APOTEOSE de beleza da foto é Cleo Pires, numa das imagens de seu ensaio para a “Playboy”. A revista, aliás, será lançada no Rio, segunda, numa festa na Hípica
ENCONTRO DE príncipes na Flip, em Paraty: o da sociologia, o ex-presidente FH, e o da realeza, Dom João Henrique de Orleans e Bragança
DAVI MORAES capricha no chamego com o pai, Moraes Moreira, nos bastidores de um show dos dois num shopping do Rio.

Aliás, feliz Dia dos Pais a todos

GOSTOSA

RUY CASTRO

Redescoberta do sambista
RUY CASTRO
FOLHA DE SÃO PAULO - 07/08/10


Você conhece esses sambas. Só não se lembra do autor, certo? 'Você conhece o pedreiro Valdemar?/ Não conhece?/ Pois eu vou lhe apresentar...' ('O Pedreiro Valdemar'). 'Louco/ Pelas ruas ele andava/ O coitado chorava/ Transformou-se até num vagabundo...' ('Louco'). 'Etelvina, minha nega/ Acertei no milhar/ Ganhei 500 contos/ Não vou mais trabalhar...' ('Acertei no Milhar'). 
'Aquele mundo de zinco que é Mangueira/ Desperta com o apito do trem...' ('Mundo de Zinco'). 'Quem trabalha é quem tem razão/ Eu digo e não tenho medo de errar/ O bonde São Januário leva mais um operário/ Sou eu que vou trabalhar...' ('O Bonde São Januário'). 'Lá vem a mulher que eu gosto/ De braço com o meu amigo/ Ai, meu Deus/ Até parece castigo...' ('A Mulher Que Eu Gosto'). 
'Hoje não tem ensaio/ Na escola de samba/ O morro está triste, o pandeiro, calado/ Maria da Penha, a porta-bandeira/ Ateou fogo às vestes/ Por causa do namorado...' ('Mãe Solteira'). 'Alô, padeiro/ Bom dia/ De amanhã em diante/ Eu vou suspender o pão...' ('Alô, Padeiro'). 'Flamengo joga amanhã, eu vou pra lá/ Vai haver mais um baile no Maracanã...' ('Samba Rubro-negro'). 
'Meu chapéu de lado/ Tamanco arrastando/ Lenço no pescoço/ Navalha no bolso...' ('Lenço no Pescoço'). 'Quero uma mulher/ Que saiba lavar e cozinhar/ E que de manhã cedo/ Me acorde na hora de trabalhar...' ('Emilia'). 'Cheguei cansado do trabalho/ Logo a vizinha me chamou/ Oh, seu Oscar/ Tá fazendo meia hora/ Que a sua mulher foi embora...' ('Seu Oscar'). 
De quem são? De Wilson Batista (1913-1968), com parceiros. Outros 30 sambas poderiam ser citados. O Rio está redescobrindo um de seus maiores sambistas, num show de Rodrigo Alzuguir e Claudia Ventura, dedicado a Wilson Batista, num teatro do Leblon. Já era tempo.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Ela gagueja por insegurança, inexperiência ou desconhecimento”
ÍNDIO DA COSTA (DEM), VICE DE JOSÉ SERRA, SOBRE DILMA ROUSSEFF, NO DEBATE DA BAND

DEBATE: ‘MENTIRÔMETRO’ REPROVA DILMA E SERRA 
Especialista em veracidade da Truster Brasil, Mauro Nadvorny analisou com exclusividade os momentos mais “quentes” dos candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) no debate da Band, quinta: o equipamento israelense detectou que o tucano mentiu afirmando que vai criar o ministério da Segurança, e Dilma também mentiu dizendo que “dará prioridade à qualidade e ao salários dos professores”. 

NÚMEROS FATAIS
Na análise da Truster, Serra mentiu prometendo mais de 150 centros especiais de Saúde e um milhão de vagas no ensino técnico. 

VERDADE DESEMPREGADA 
Serra mentiu na contribuição paulista para o emprego, fugindo da resposta. Dilma, confusa, exagerou nos números do Bolsa Família.

PROMESSA É DÍVIDA 
Dilma mentiu ao defender o envolvimento do Ministério da Educação com as Apaes, e Serra, ao acusar o governo de retirar o apoio a elas. 

COM ELE OU SEM ELE? 
O “intensivão” dos marqueteiros falhou: Dilma dizia “o que temos de fazer”, esquecendo que é o Lula II. Até nos erros de português. 

VESTÍGIOS DE UM DEBATE SEM POLÊMICAS NA TV
O melhor do debate entre os presidenciáveis na Band foram os “teasers” antigos na introdução, com desaforos entre Brizola, Maluf e Requião. Contidos pelo excesso de regras impostas pelos próprios assessores, Marina (PV), Serra (PSDB), Dilma (PT) e Plínio Sampaio (PSOL) mostraram como falar de vários temas sem dizer nada, num “alto nível” que evitou questões polêmicas de alta relevância. 

ERRO FASHION 
Os marqueteiros petistas também erram no branco usado por Dilma: pareceu ainda mais gorda. Até o rosto ganhou alguns quilos extras.

SEM OPINIÃO 
Não se falou de aborto, drogas, peso do Estado na economia, redução efetiva da carga tributária, política externa, MST, índice educacional. 

DESPERTADOR 
Marina parecia falar na Feira Literária de Paraty (Flip), restando ao “radical” Plínio o papel de “vovô maluquinho”. Acordou o telespectador. 

HUMILHAÇÃO 
Dilma Rousseff distribuiu os 25 convites que recebeu da Band entre dirigentes petistas, primeira-dama Marisa Letícia, amigos, assessores, aspones, gatos e sapatos. Só não mandou para o vice Michel Temer. Para entrar, ele teve de “cavar” um convite junto à emissora.

ZOMBARIA 
Tucanos na plateia do debate da Band só se referiam a Dilma Rousseff por “Lady Gaga”, para chamar a atenção para sua insegurança e sua gagueira. Mas é a petista quem ri por último, nas pesquisas.

FOGO BAIXO 
O confronto entre os candidatos, na Band, foi tão morno, quase frio, que ao serem anunciadas as “considerações finais”, alguém comentou: “Ué, mas o debate nem começou...”

VOCÊ SOUBE ANTES 
Nossos leitores sabiam desde a semana passada que os Correios não realizariam seu concurso, com mais de 1 milhão de inscritos, diante da carga da contratação irregular da Cesgranrio. Não deu outra.

MÚSICA PARA OUVIR
Lula deu uma gargalhada quando contaram a ele que o senador José Agripino (RN), líder do DEM e duro crítico do seu governo, reconheceu que ter feito oposição ao presidente atrapalha sua reeleição.

SARA NOSSA TEVÊ 
Os bispos evangélicos RR Soares e Rodovalho ampliam suas redes de tevê com o aval do Ministério das Comunicações. A generosidade é atribuída ao novo secretário de Comunicação Eletrônica, José Vicente.

ASSEPSIA 
O TRE do Ceará usa de maneira implacável a Lei do Ficha Limpa. Barrou os candidatos a governador do PSOL, do PCB e do PV, além de quatro pretendentes a deputado federal e seis a deputado estadual.

HERANÇA BENDITA
Em Minas, o jovem estreante Gabriel Guimarães desponta como provável campeão de votos, na disputa para deputado federal. Ele é filho e herdeiro político do deputado Virgílio Guimarães (PT-MG).

PENSANDO BEM...
...nunca antes na história dos debates, a língua portuguesa apanhou tanto... 

PODER SEM PUDOR
ALKIMIN, O SOLIDÁRIO
Assim que soube da cassação do deputado mineiro Carlos Murilo, sobrinho de JK, José Maria Alkimin telefonou, compungido:
– Olha, meu querido, estou com você na hora dessa terrível injustiça...
Lembrou-se de que o telefone poderia estar grampeado, e corrigiu:
– ...quero dizer, meu caro, que eu continuo solidário com a Revolução, que só tem feito coisas certas, apesar de alguns equívocos como esse que cometeu com você, mas a gente tem que compreender que tudo isso é para o bem da nossa Pátria...
E desligou.

UM PUTEIRO CHAMADO BRAZIL

SÁBADO NOS JORNAIS

Globo: Candidatos escorregam em números

Folha: MP de R$ 80 bi embute benefícios para elétricas

Estadão: Ibope mantém diferença de 5 pontos a favor de Dilma

JB: Ligação direta coma a máfia

Correio: Casa própria mais cara no DF

Jornal do Commercio: Clássico bem além da rivalidade

Zero Hora: Justiça pressiona Anac a punir atrasos em vôos