domingo, junho 06, 2010

PAINEL DA FOLHA

Cartas na mesa
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 06/06/10

Após a desastrada passagem de Dilma Rousseff (PT) pelo Ceará no início da pré-campanha, Lula desembarca em Fortaleza na terça disposto a reforçar o discurso do PT, contrário a um ‘acordo branco’ do governador Cid Gomes (PSB) para facilitar a reeleição do senador Tasso Jereissaiti (PSDB). 
O PT não aceita a oferta de indicar o vice de Cid, deixando Eunício Oliveira (PMDB) sair sozinho ao Senado. Os petistas reivindicam que o segundo nome na chapa ao Senado seja o do ex-ministro José Pimentel. Do contrário, já falam inclusive em pular fora. 

Feridas  - De volta a Brasília depois de um período de reclusão desde que foi alijado da disputa à Presidência, Ciro Gomes (PSB) será chamado para uma conversa com Dilma. A reaproximação é conduzida pelo governador Eduardo Campos (PSB-PE), autorizado a lhe ofertar um papel na campanha. 

Sparring - Dilma tem treinado quase que diariamente para os debates ainda por vir, com confronto direto entre os candidatos. O cardápio de temas inclui declarações recentes de José Serra. 

Cenários - O encolhimento de Fernando Pimentel (PT) na condução da campanha de Dilma só tende a crescer. Se confirmada sua candidatura ao Senado em Minas, ele terá de dedicar boa parte do seu tempo à própria eleição. ‘Ele vai ter de correr atrás da bola. Não vai poder ficar na cozinha’, diz um aliado. 

Para entender - O presidente da CNT (Confederação Nacional do Transporte), Clésio Andrade (PR), defende enfaticamente a candidatura de Pimentel ao governo de Minas porque ela lhe garantiria uma das vagas da chapa ao Senado. 
Roteiro - De um integrante da cúpula do PC do B, comentando o recado dado a Lula anteontem sobre a candidatura de Flávio Dino no Maranhão: ‘O gênio saiu da lâmpada. Não tem volta’. 

Isola - Aliados de Serra cobraram o afastamento de Eduardo Jorge Caldas, vice-presidente do PSDB, da campanha. Tucanos se queixam que ele tenta infiltrar seu pessoal no futuro comitê e coordena uma rede de blogs e sites ‘apócrifos’. 

Sinto muito - Marina Silva (PV), que havia meses tinha acertado participar da Confint (Conferência Internacional Infanto-juvenil), que ocorre nesta semana em Brasília, foi discretamente ‘desconvidada’ pelo MEC. Lula falará no evento. 

Criatividade - A equipe da candidata verde torceu o nariz para o slogan ‘preste atenção neste cara’, que Duda Mendonça criou para Paulo Skaf (PSB) em São Paulo. No início da pré-campanha, ela usou o ‘preste atenção na Marina’. 
Militar - A habitual pontuação de Skaf nas pesquisas ao governo paulista rendeu à candidatura do presidente licenciado da Fiesp o apelido de ‘ordem unida’: 1, 2, 1, 2... 

Pós-Planalto - Amigos têm sugerido a Lula que, a pleitear um cargo internacional, o presidente não deveria investir na ONU, e sim no Banco Mundial. Seja lá o que for fazer, Lula disse aos mais próximos que, antes, vai ‘dar uma sumida’ em 2011. 

Trem da alegria - Gerou ruído na Esplanada o tamanho da comitiva brasileira credenciada pelo governo para a Conferência da OIT (Organização Internacional do Trabalho), neste mês, em Genebra: 134 pessoas. No ano passado, com a presença de Lula, foram cerca de 60. 
Tiroteio
Depois das últimas eleições, se o Serra achava que o Alckmin se engajaria na campanha dele esperava um milagre. 

DO DEPUTADO DEVANIR RIBEIRO (PT-SP), sobre as queixas do comando da campanha serrista à reclusão de Alckmin, que lidera as pesquisas para o governo de São Paulo, nas últimas semanas. 
Contraponto
Em evento do PSDB no final de maio, o candidato tucano ao governo paulista, Geraldo Alckmin, divertiu a plateia narrando que em Pindamonhangaba o candidato a vereador Antônio Leopolde percorria casas pedindo votos. Ao abordar uma moradora, ouviu: 
O senhor não está me reconhecendo, mas sou mulher de um adversário seu na eleição. 
Constrangido, ameaçou ir embora, mas, já com um pé na calçada, fez meia volta e sugeriu: 
Olha, faltam 30 dias para a eleição. Caso a senhora brigue com seu marido... Meu nome é Leopolde! 

EDITORIAL - O ESTADO DE SÃO PAULO

Demagogia no ensino superior
EDITORIAL
O Estado de S.Paulo - 06/06/10

Das 13 universidades federais criadas nos dois mandatos do presidente Lula - o que lhe permite afirmar que é o governante que mais investiu na expansão do ensino superior público desde a descoberta do País - 2 chamam a atenção por terem sido especialmente criadas com o objetivo de reforçar sua imagem externa e reafirmar as "novas responsabilidades" que o Brasil vai assumindo no cenário internacional.

Sediada em Foz do Iguaçu, na fronteira com a Argentina e o Paraguai, uma delas é a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), que está funcionando provisoriamente num prédio da Usina Binacional de Itaipu. A outra, que será erguida em Redenção, a 55 quilômetros de Fortaleza, é a Universidade Federal de Integração Luso-Afrobrasileira (Unilab). Com cerca de 27 mil habitantes, a cidade foi escolhida por ter sido a primeira a libertar todos os seus escravos antes da Lei Áurea, de 1888. Esse critério dá a medida das intenções do governo.

Como a criação das duas instituições decorreu mais de marketing político do que de critérios acadêmicos, as autoridades educacionais querem implantá-las o mais rapidamente possível, a fim de criar um fato consumado. Há o receio de que, se a oposição ganhar a eleição de outubro, o próximo governo possa cancelar essas iniciativas que, além de caras, primam pela demagogia. Ao justificar a criação da Unilab, assessores de Lula invocam a necessidade de resgatar uma "dívida histórica com a África" e reforçar a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), por meio de intercâmbio acadêmico e oferta de ensino superior gratuito a alunos vindos de Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e até do Timor Leste e de Macau. No caso da Unila, que pretende valorizar a adaptação de novos conhecimentos à "realidade regional" e os "elementos centrais da problemática latino-americana", os assessores de Lula enfatizam a necessidade de um "projeto político-pedagógico" destinado a aumentar a influência do País na região do Mercosul.

Das 5 mil vagas que a Unilab pretende oferecer em seus cursos de graduação, nas áreas de produção de alimentos, saúde pública, proteção ambiental, gestão de pequenos negócios e formação de docentes para educação básica, metade será para alunos brasileiros e metade para estrangeiros. O mesmo critério também será adotado na Unila, cujas aulas deverão começar no próximo semestre, com professores recrutados em toda a América Latina ? e não só no Brasil. Na Unila, cujos prédios começarão a ser construídos em setembro num terreno de 40 hectares, com base num projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer, o reitor será sempre brasileiro, enquanto o vice-reitor virá dos países da região, com a condição de que tenha o título de doutor. O primeiro reitor será o cientista político Hélgio Trindade, da UFRGS, e o vice-reitor será o sociólogo uruguaio Gerónimo Sierra.

Nas duas instituições não haverá cobrança de taxas e mensalidades e os alunos receberão bolsas para alimentação, alojamento e transporte. Na Unila eles serão selecionados com base numa prova que, além de não ser eliminatória, será realizada em seus respectivos países de origem. Na Unilab a ideia é conjugar políticas de "inclusão social" com "distribuição étnico-socioeconômica dos países da CPLP", tomando-se por base as notas obtidas no Enem pelos estudantes da região do Maciço de Baturité, onde se situa a cidade de Redenção.

Além da Unilab e da Unila, o governo estuda a criação de mais uma instituição "temática" ? a Universidade Federal da Integração da Amazônia Continental. Em matéria de ensino superior, o governo continua atirando para todos os lados. Tentou promover uma reforma universitária, em 2004, e fracassou. Tentou usar o Enem para unificar os vestibulares das universidades federais, em 2008, e desmoralizou esse mecanismo de avaliação. E, enquanto a maioria das universidades federais enfrenta déficit de equipamentos e de professores motivados, desperdiçam-se recursos escassos com iniciativas demagógicas.

BAR ZIL

ANNIE MORRISSEY

São Paulo celebra a diversidade
ANNIE MORRISSEY
FOLHA DE SÃO PAULO -06/06/10

A mais paulista de nossas avenidas dá uma pausa nos negócios para receber 3,5 milhões de pessoas, na 14ª Parada do Orgulho LGBT


Palco de grandes eventos, como Fórmula 1, espetáculos da Broadway e shows de bandas internacionais, a capital paulista, pelo 14º ano consecutivo, abre os braços para a celebração da diversidade com mais uma edição da Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros). A mais paulista de nossas avenidas dá uma pausa nos negócios para receber mais de 3,5 milhões de pessoas, que participam da maior parada gay do mundo neste domingo, dia 6 de junho.
A expectativa dos órgãos oficiais de turismo é a de que o evento gere R$ 189 milhões em receita, lotando hotéis da região da Paulista, além de bares e restaurantes, e movimentando a economia local. Em receita, a parada perde apenas para a F1, que gera R$ 230 milhões. Em público, só não é maior que a Virada Cultural.
A parada tem programada uma grande variedade de atrações em celebração à diversidade. A festa começou em 1997, com a participação de apenas 2.000 pessoas, foi crescendo a cada ano e chega em sua 14ª edição apresentando números gigantescos.
Em 2004, em sua oitava edição, a parada GLS se tornou o maior encontro homossexual do mundo, reunindo mais de 1,5 milhão de pessoas, superando São Francisco, nos Estados Unidos.
Com o crescimento do público GLS na cidade, o São Paulo Convention & Visitors Bureau (SPCVB) tem a preocupação de oferecer um atendimento de qualidade a este público específico.
Em 2007, a entidade criou o programa Bem Receber, com treinamentos para "concierges" e recepcionistas da rede hoteleira, para qualificar o atendimento ao público GLS. Entre os temas do programa estão: perfil do consumidor, como entender as exigências desse público, como distinguir e tratar sem preconceito todas as minorias sexuais, as dinâmicas desse segmento e, por fim, mostrar como um ambiente de inclusão na empresa se reflete na captação de novos consumidores.
Ao final, os participantes recebem o Guia da Diversidade, que apresenta as credenciais de São Paulo para atrair esse segmento e inclui dicas culturais, de compras, lazer e gastronomia, com endereços e mapas. Em três anos, mais de mil profissionais já participaram desse treinamento. Certamente, com a continuidade do programa, o público GLS será ainda mais bem acolhido em nossa cidade.
Com parceria do SPCVB, São Paulo Turismo (SPTuris), Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual (Cads), Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes (Abrat-GLS) e Casarão Brasil foi inaugurada a primeira Central de Informação Turística GLS do Brasil, que passou a funcionar no último dia 17 de maio.
O objetivo do espaço é oferecer informações atualizadas e completas sobre eventos na cidade, seus atrativos turísticos e outros locais de interesse a esse público.A iniciativa comprova a capacidade de São Paulo de atrair todos os públicos e, ao mesmo tempo, o engajamento de todas as entidades para receber bem e fidelizar nossos visitantes.
Um brinde à diversidade!
ANNIE MORRISSEY é presidente do São Paulo Convention & Visitors Bureau (SPCVB).

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

São Paulo S. A.
SONIA RACY
O ESTADO DE SÃO PAULO - 06/06/10
 
A Secretaria de Desenvolvimento pós-Alckmin ganhou ares corporativos. Luciano Almeida, o novo secretário, é dono da Velho Barreiro e do Hotel Casagrande. Seu adjunto, João Carlos Maranha, era diretor industrial da Caterpillar.
E Hans Schaefer, coordenador de desenvolvimento regional, foi executivo de empresas de engenharia.
Cadê o site? 
Antonio Carlos Rodrigues instalou no hall da Câmara terminal com acesso ao site da casa, para torná-la "mais próxima do povo".
A ideia é boa, só falta funcionar. Quem recorre à máquina geralmente é avisado: "A página não pode ser exibida."
Navalha e tesoura
A Presidência da República abre concorrência para mudar o... cabeleireiro da casa.
O novo salão terá dois cabeleireiros e duas manicures.
Grande alma
No embalo de Guimarães Rosa, Fernando Pessoa terá dicionário exclusivo. 
Mais de mil verbetes serão incluídos na obra dedicada ao poeta português.
Criatividade 
Paulo Borges fechou parceria para o SPFW dentro do conceito Economia Criativa. 
O projeto será lançado terça, no MAM-SP, em debate com Maria Helena Estrada, Humberto e Fernando Campana, Ronaldo Fraga e Waldick Jatobá, entre outros convidados.

"Ter estilo não se restringe a comprar boas roupas." Palavras de Helena Montanarini. A especialista em moda brinca: "Sou como psicanalista para os clientes. Eles me contam o problema e eu mostro como se modernizar e corrigir erros." Hoje consultora de compras para a Chanel, a moça também foca em cursos especializados, como as aulas de estilo e tendências que ministra na Escola São Paulo. E é categórica: "Ao estimular a autoestima de seus funcionários, uma empresa ganha em produtividade e bem-estar no trabalho."

Responsabilidade social
Gastronomia do Bem. Bistrô Charlô, Sallvattore e Rodeio, entre outros restaurantes, destinarão 30% de seu faturamento desta terça para a Aliança de Misericórdia. É o projeto Noite Especial Aliança Gourmet.
Em clima de Dia dos Namorados e de solidariedade, acontece amanhã coquetel da grife Zapälla com a Chivas Regal. Em prol do Conjunto Assistencial Nossa Senhora da Conceição Aparecida, no Mercatto Caffé.
Ana Khouri ousa: convidou dez mulheres para criarem joias exclusivas. Donata Meirelles, Fernanda Abdalla, Luiza Setubal e Natalie Klein, entre outras, aceitaram o desafio. A coleção, será lançada quinta, com 10% da renda destinados a projetos sociais.
Para marcar a Semana do Meio Ambiente, a Duke Energy promove amanhã visita de estudantes de escolas públicas à Estação de Salto Grande, no interior paulista. Com lições, in loco, sobre manejo pesqueiro e ecologia.
A Competition faz gol de placa. A renda das inscrições da Copa Competition de Futebol Society será revertida para a Fundação Gol de Letra.
O Museu TAM, em São Carlos, reabre dia 13 com novidade: um serviço de informação videoguide programado para deficientes auditivos.
Ponto para a Pague Menos. A rede doará 65 berços para clientes de baixa renda.
Será lançada amanhã a campanha Boa Visão, Boa Educação, do médico Rubem Cunha. Com mutirões em escolas públicas para tratar alunos com doenças oculares.
Detalhes
nem tão pequenos...

1.Mesmo bonitas com o que Deus lhes deu, Marinas, morenas ou modelos sucumbem à pintura.
2. Com quantas garrafas de champanhe se faz uma boa recepção? Com muuuuuuuitas.
3. Francesinha que nada. Black é o power das unhas neste inverno
4. Na Lua? Não, no teatro. O santo guerreiro protege dançarinos da cidade.
5. Apimentada foi a noite no teatro Sérgio Cardoso.
6. Meio desligado, em noite publicitária, alguém nem sentiu os pés no chão...
Colaboração
Débora Bergamasco debora.bergamasco@grupoestado.com.br
Marilia Neustein marilia.neustein@grupoestado.com.br
Paula Bonelli paula.bonelli@grupoestado.com.br 

JAPA GOSTOSA

CLÓVIS ROSSI

Por falar em coração
CLÓVIS ROSSI
FOLHA DE SÃO PAULO -06/06/10

SÃO PAULO- Quer dizer, então, que Dilma Rousseff, para os tucanos, não tem coração? Parece mais letra de bolero que alta política.
Por isso, prefiro falar do coração que tende a ser o que definirá a eleição de outubro. Antes, um "flashback" para a eleição francesa de 1974. O conservador Valéry Giscard d'Estaing conseguiu virar o jogo no segundo turno, depois de perder no primeiro, ao vender ao público a tese de que a esquerda "não tem o monopólio do coração".
Claro que esse coração não é a máquina que supostamente não pulsa no peito de Dilma, mas a compaixão pelos deserdados da fortuna. Com esse bordão, Giscard bateu por poucos votos, mas bateu, o socialista François Mitterand.
No Brasil-2010, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende, sim, ter o "monopólio do coração", no sentido "giscardiano". E é geralmente aceito que tem mesmo, de que dá prova o fato de que seu adversário José Serra disse, não faz muito, que Lula está acima do bem e do mal.
Falta que Dilma Rousseff, a candidata de Lula, seja plenamente identificada como coproprietária desse monopólio, o que ainda não ocorreu, a julgar pela pesquisa mais recente do Datafolha.
A Serra compete repetir Giscard e tentar tirar da cabeça do eleitorado a ideia da copropriedade, com a dificuldade agregada de não poder atingir Lula no percurso porque não seria crível.
Ou, então, tentar mexer com outras emoções que, para ser bem franco, não consigo ver bem quais possam ser, pelo menos não a esta altura do jogo.
O que parece óbvio é que o diz-que-diz em torno de dossiês não emociona a massa. É coisa de políticos, que não chegam a compor a raça mais amada do planeta. Para fazer efeito, seria preciso uma radiografia exibida na TV, para provar que Dilma de fato não tem coração. Difícil, não?

WASHINGTON OLIVETTO

A "puta" ideia
WASHINGTON OLIVETTO
FOLHA DE SÃO PAULO - 06/06/10

Só a grande ideia continua tendo o poder de seduzir, porque só ela é sexy; para ser uma Maria Sharapova das agências de publicidade, é preciso grandes criadores e ideias surpreendentes


Neste mundo globalizado e digitalizado, para uma agência de publicidade ser realmente fora de série, ela precisa ser uma espécie de Maria Sharapova das agências: grande e sexy.
Presente na maioria dos países, associada a uma das maiores redes, forte na América Latina, (no Brasil, principalmente) confiável para gerir contas locais, regionais e globais, com capacidade de monitorar as áreas de interesse dos clientes e descobrir o que pode trazer verdadeiras vantagens competitivas.
Mais do que isso, tem que saber detectar, testar e entender novas soluções e serviços, ter capacidade de criar encontros personalizados, trazendo os seus mais brilhantes talentos mundiais para junto dos clientes locais e buscar soluções inovadoras.
Deve também ser capaz de contar com uma plataforma que acione digitalmente os seus melhores cérebros, para gerar respostas rápidas a desafios que necessitem de uma solução imediata. A Maria Sharapova das agências tem ainda que ter especialistas em construção de marcas, planejamento de mídia, soluções digitais, ativação, eventos, pontos de venda e relações públicas.
Tem que ter uma ferramenta própria de ROI (Retorno sobre Investimento), que simule milhares de variáveis e saiba responder qual ponto de contato traz mais resultados entre todas as alternativas existentes e qual combinação de pontos de contato garante maior retorno.
Tem também que saber detectar os hábitos e valores dos públicos-chave, saber como se comportam os construtores de identidades (adolescentes), os construtores de carreira (jovens adultos), os construtores de família (jovens casais) e os construtores de uma nova vida (pessoas na maturidade).
Saber as escolhas e preferências do consumidor de alta renda, descobrir para onde vai a classe C e antecipar quais são as novas tendências que estão prestes a virar comportamento de massa. Esses são, basicamente, alguns dos ingredientes para uma agência ser fora de série, mas só eles somados ainda não são suficientes.
Sem grandes criadores, capazes de gerar ideias surpreendentes, nenhuma agência chega a ser uma Maria Sharapova, mesmo contando com grande aparato intelectual e tecnológico.
Chega no máximo, a ser uma Maria Vai com as Outras, particularmente aquelas outras que também são grandes, mas não são sexy. A verdade é que, apesar de todas as mudanças que aconteceram no quadro social e no universo da comunicação, uma coisa continua absolutamente igual. Só a grande ideia continua tendo o poder de seduzir, porque só a grande ideia é sexy.
Só a grande ideia é capaz de produzir "excelence in advertising". A grande ideia ("puta ideia", para os íntimos) é a origem e a razão dessa profissão. Foi assim na idade do "lay" lascado, é assim nestes tempos de iPads ambicionados e será assim no futuro, que a nós pertence.
WASHINGTON OLIVETTO, publicitário, é chairman da agência W/McCann.

2014: COPA DAS MÃOS SUJAS

GAUDÊNCIO TORQUATO

Não vale a pena ser do bem?
Gaudêncio Torquato 
O Estado de S.Paulo - 06/06/10

Falta ao País, neste momento, a visão de um general como Sun Tzu, o lendário personagem do livro A Arte da Guerra, adaptado por James Clavell. Chamado por Ho Lu, rei de Wu, para treinar seus exércitos, o militar, de pequena estatura física e grande estatura moral, recebeu a missão de provar, inicialmente, suas habilidades com o treinamento das 180 mulheres do palácio. Dividiu o grupo em duas companhias, comandadas pelas concubinas favoritas do soberano. Tinha de fazer as mulheres reagirem às ordens: "Sentido, direita volver, meia volta, esquerda volver." Gritou posição de sentido. As moças caíram na gargalhada. Sun Tzu, paciente, ensinou: "Se as ordens do comando não foram bastante claras, se não foram compreendidas, então a culpa é do general." Tentou novamente. O grupo esbaldava-se de tanto rir. O general continuou: "Se as ordens são claras e os soldados, mesmo assim, desobedecem, então a culpa é dos seus oficiais." Ordenou, então, que as comandantes das duas companhias fossem decapitadas. No alto do pavilhão, o rei tomou um susto. Chamou o general e disse: "Estamos muito contentes com sua capacidade. Mas não podemos nos privar de nossas duas companhias."

Pois é, por aqui as ordens também são claras: não se pode fazer propaganda eleitoral neste momento. Candidatos e partidos parecem não ouvir. As decisões dos juízes não deixam dúvida: ilícitos estão sendo cometidos. Mas as multas irrisórias e seguidas são vistas com desdém. Os infratores, em tom de deboche, exclamam: "Ganhei mais uma!" Não apareceu, até agora, nenhum general Sun Tzu para ordenar a decapitação de quem não quer se sujeitar ao peso da lei. Quem mais chegou às proximidades do velho militar chinês foi a vice-procuradora eleitoral, Sandra Cureau, que encaminhou parecer ao Tribunal Superior Eleitoral pedindo a cassação do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) por desvios cometidos na campanha de 2006. Mesmo diante de ameaças de punição mais rigorosa, os atores participam de cenas eleitorais abertas. Ou não acreditam em decisões fatais da Justiça, ou sabem que terão garantido, sob quaisquer circunstâncias, o direito de usar o longo percurso do Judiciário para jogar as decisões nas calendas.

A leitura que se faz é sombria: "A lei mostra que não tem força alguma para segurar a ilicitude eleitoral; quando a Justiça sinaliza que funciona mal, ela está dizendo para o político de bem que não vale a pena ser do bem." As enfáticas afirmações são de autoria do novo procurador regional eleitoral de São Paulo, Pedro Barbosa Pereira Neto, em entrevista a este jornal (31/5). Trata-se de uma das mais contundentes sentenças que um servidor público já fez sobre a Justiça. Os fatores que maculam o processo eleitoral, expostos por ele, levantam muitas hipóteses, entre as quais a de que candidatos, partidos, estruturas e normas atravessarão um corredor escuro até chegarem às urnas de outubro. A engrenagem montada para sujar o processo eleitoral vale-se de elementos que se fundem ou se complementam, um alimentando o outro, sendo inconsequente ajustar um parafuso e deixar outro solto. Veja-se o fator impunidade. Se os participantes sabem que não serão punidos com rigor, mas com "multas pífias", continuarão a cometer infração. O crime vale a pena. Afinal de contas, R$ 5 mil ou R$ 10 mil são quantias irrisórias. Basta anotar que 30 segundos em rede nacional, no horário nobre de uma grande emissora, custam em torno de R$ 400 mil. Os maiores partidos têm direito a 20 minutos por semestre.

Por que a impunidade impera? A lei não é suficientemente clara? Ela é, sim. Mas é incongruente com a realidade? Pode ser. Ante uma das mais acirradas campanhas vividas no País e dentro de um ano tipicamente eleitoral, é razoável dispor de uma legislação que coíba o palavrório, os palanques, os eventos e manifestações de candidatos e patrocinadores, mesmo que isso ocorra nos primeiros meses? Vale lembrar, ainda, que a legislação eleitoral é mutante, ganhando disposições diferentes a cada ciclo, e dessa forma adquire o carimbo de casuística. Ora, se essas questões têm relevância, deveriam ter sido equacionadas muito antes de os contendores entrarem na liça. Porém, se há uma legislação definindo regras, deveres e direitos, esta deve ser cumprida, sob pena de o País continuar a escancarar os buracos de sua fachada moral. É o caso de parodiar Sólon, a quem se perguntou se as leis que outorgara aos atenienses eram as melhores. O sábio grego respondeu: "Dei-lhes as melhores que eles podiam aguentar." Entre nós, a resposta poderia ser: "As melhores que os brasileiros podem burlar."

Há outra pista para desvendar a raiz da impunidade. O procurador Pedro Barbosa afirma que os tribunais interpretam as leis de modo liberal. A questão, nesse ponto, é muito mais complexa. Abriga a índole dos juízes e invade a seara cultural. A imbricação entre o terreno individual e o espaço da res publica é intensa em nossa cultura política, ensejando, evidentemente, leitura pródiga dos códigos. Nas entrelinhas, persiste o argumento de que parcela dos quadros jurídicos considera ter algum parentesco com o corpo político, a partir do processo de indicações e legitimações de perfis por detentores de mandatos. Se esticados, os fios do novelo revelam complexa trama. Não é de admirar, portanto, que as campanhas escudem figuras com fichas sujas e personagens que se ancoram no poder monetário para cooptar o voto.

Por último, não se deve acreditar que moral e ética, virtudes tão reclamadas pela sociedade, sejam fruto de leis. Como lembra Montesquieu, "quando uma República está corrompida, não se pode remediar nenhum dos males que nascem, a não ser eliminando a corrupção". Eliminar a corrupção implica, sobretudo, educar o povo, eliminar as desigualdades, banir a miséria. Tarefa para duas ou três gerações.

ELIO GASPARI

O tucanato está tonto e zangado
ELIO GASPARI
FOLHA DE SÃO PAULO - 06/06/10


Serra entrou na disputa aveludado como Tancredo Neves e em poucas semanas enfureceu-se como Collor



O TUCANATO ESTÁ tonto, sem motivo. A prova da falta de rumo está na insistência de José Serra em fazer oposição vigorosa... ao governo da Bolívia. Campanhas presidenciais têm momentos mágicos, como o dia em que Fernado Henrique Cardoso viu eleitores empunhando cédulas do real durante um comício na Bahia. Serra precisa perseguir esses momentos. Ele entrou na disputa com um discurso aveludado, lembrando Tancredo Neves, e em poucas semanas crispou-se, tentando ficar parecido com Fernando Collor.
A perplexidade tucana não tem amparo na realidade. A percentagem de eleitores dispostos a tirar o PT do governo é igual à daqueles que gostariam de votar em Dilma Rousseff. Trata-se apenas de batalhar pelo votos com uma plataforma real, livre de marquetagens. Se perder, paciência.
Em 2008, nos Estados Unidos, o jogo bruto detonou a candidatura de Hillary Clinton, que parecia invencível. Em vez de falar macio, ela e o marido, Bill, decidiram pegar pesado. Ciscaram para fora. Num episódio típico, empurraram Ted Kennedy para o colo de Obama. É verdade que ele namorava a hipótese, mas a gota d"água se deu quando Bill Clinton disse-lhe: "Esse sujeito nunca fez nada. (...) Ele nos servia café!". Kennedy ouviu e fechou a conta.
Tanto Serra como Dilma se parecem mais com madame Clinton do que com o companheiro Obama. O problema de Serra é que Dilma tem Lula ao seu lado. Com estrondos, não ganhará a eleição.

FONTES SECAS
O presidente do Supremo, Cezar Peluso, estabeleceu um padrão capaz de tirar do noticiário as declarações habituais de "fontes do Supremo". Se depender dele, as únicas fontes da Casa serão os bebedouros.

CIRURGIA
O comissariado da Fazenda gostaria de expelir do Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, o CRFSN, a cadeira cativa da Secretaria de Comércio Exterior, ligada ao Ministério do Desenvolvimento.
Esse conselho tem oito membros, quatro do governo e quatro das representações empresariais, e compete-lhe julgar, em última instância, as penalidades impostas ao mercado pelo Banco Central e pela CVM.
Desde 2005, quando um procurador da Fazenda foi posto para fora por conta de suas relações com o mensaleiro Marcos Valério, o CRFSN vive longe dos holofotes. Seria bom que retornasse, para que se entenda o motivo da pretendida cirurgia.

VULGARIDADE
Carla Bruni, mulher do presidente francês, Nicolas Sarkozy, pisou no colchão durante uma conversa banal com Michelle Obama.
Forçando uma intimidade que a companheira não dá a ninguém, La Bruni contou-lhe que numa ocasião o casal deixou um chefe de Estado esperando, enquanto concluía um sessão de saliência, como diria Ancelmo Gois.
Indo além, perguntou se isso já lhe acontecera com Obama. Michelle respondeu com uma negativa sorridente e nervosa.
A história chegou ao ouvido do jornalista Jonathan Alter, que contou o caso em seu livro "The Promise" ("A Promessa"), sobre o primeiro ano de Obama na Casa Branca.

MADAME NATASHA
Madame Natasha é uma veterana de todas as guerras em defesa do idioma e, vestindo um uniforme do Bope, concedeu mais uma de suas bolsas de estudo ao embaixador de Israel no Brasil, Giora Becher.
Narrando a interceptação da flotilha multinacional que pretendia chegar a Gaza, ele escreveu o seguinte:
"Durante a madrugada de 31 de maio, soldados da marinha israelense embarcaram em uma frota de seis navios que tentavam violar o bloqueio marítimo em Gaza".
Ele quís dizer o seguinte:
"Durante a madrugada de 31 de maio, soldados da marinha israelense abordaram e capturaram uma frota de seis navios que tentavam violar o bloqueio marítimo em Gaza".
Quem embarcou nos navios foram os militantes da organização Gaza Livre. Os comandos os invadiram.

EREMILDO, O IDIOTA
Eremildo é um idiota e jura que já viu o filme de um navio tentando chegar a Israel. Em 1947 a organização Aliya Belt, apoiada por combatentes da Haganah, embarcou no porto de Marselha 4.500 judeus que pretendiam entrar ilegalmente na Palestina. O barco chamou-se Exodus.
A Marinha inglesa interceptou o navio, matou três e feriu trinta imigrantes. A viagem terminou no porto de Hamburgo, de onde os judeus foram levados para dois campos de refugiados. Mais tarde, quase todos chegaram a Israel.
A comovente história do Exodus virou romance e, no cinema, Paul Newman viveu o papel de Yossi Harel, o comandante do barco. Ele morreu em 2008, em Jerusalém.

O IPAD REVOLUCIONA A MÍDIA E A PUBLICIDADE

Com dois meses de existência, a tabuleta iPad, da Apple, deu os primeiros sinais da revolução que essa plataforma de comunicação provocará na imprensa e, sobretudo, no mercado publicitário.
A editora Condé-Nast ("Vanity Fair", "Vogue" e "The New York") botou no ar uma edição da revista "Wired" concebida especialmente para a tabuleta. Simples, criativa e inteligente, estourou. Esperavam vender 5.000 cópias e baixaram 24 mil em apenas 24 horas, tornando-se o maior sucesso da Apple durante um dia, mesmo cobrando US$ 5 pelo exemplar. (A "Wired" vende 82 mil nas bancas e tem 672 mil assinantes). Outras revistas testaram o mercado, mas atolaram por falta de qualidade. Os anúncios interativos da "Wired" são um espetáculo a parte.
A revista "Sports Illustrated" promete sua versão com recursos de vídeo. Por hipótese: a capa traz Kaká matando a bola no peito, o freguês toca a tabuleta, ele dispara e marca.
Noutra ponta do negócio, dois jovens indianos, engenheiros formados por Stanford, trabalharam cinco dias e fizeram um aplicativo que junta vinte canais de informações, à escolha do cliente, cada um com vinte notícias, fotos e textos. Chama-se Pulse, custa US$ 4,99 e conseguiu 15 mil clientes em poucos dias. Os rapazes embolsaram pelo menos US$ 40 mil e, pelo andar da carruagem, o sucesso da marca pode transformá-los em milionários.
Quando a patuleia vê qualidade, paga. Pão dormido, só de graça.
A Apple já vendeu dois milhões de iPads no mundo. Ele custa US$ 500 lá fora e R$ 2 mil no Brasil. É caro, mas pelo menos os cartões de crédito brasileiros já podem entrar na loja iTunes, a partir da qual opera-se o iPad.
Em 2001, quando o iPod foi lançado, custava US$ 400 e guardava mil músicas. Hoje o Nano sai por US$ 150 e guarda 2.000, com direito a vídeos. Pode-se esperar que o iPad caia para uns US$ 250, ou mesmo que algum tipo de tabuleta seja dado de graça pelas empresas na compra de pacotes de assinaturas daquilo que virão a ser novas versões dos jornais e revistas.

GOSTOSA

LUIS FERNANDO VERISSIMO

Bola e corneta
VERISSIMO

O GLOBO - 06/06/10

Johannesburg – Seus habitantes têm um nome carinhoso para Johannesburg: Josi. É difícil imaginar um lugar que inspire menos ternura do que esta coleção de centros interligados por vias expressas – várias aldeias à procura de uma cidade, como já disseram de Los Angeles. Passa-se de uma favela horizontal paulista para um moderno subúrbio americano em poucos minutos, ou em poucos metros de estrada. “Josi” deve ser uma maneira de reduzir este contraste violento a algo mais amável e de integrar a dispersão ao menos numa palavra. E, afinal, o contraste não é novidade para quem mora em grandes centros brasileiros, onde também se vai da miséria a Miami em instantes.
Enquanto não começam os jogos para valer, tudo é assunto. E os assuntos dominantes são a bola da Copa, de quem ninguém gosta, e as vuvuzelas, as cornetas de plástico da torcida sul-africana que certamente serão responsáveis por algumas crises de nervos e internações antes que a Copa acabe. Imagine visitar uma casa em que as crianças não param de tocar cornetas no seu ouvido – e os pais incentivam! Na África do Sul as vuvuzelas não só são toleradas como foram transformadas numa espécie de símbolo do entusiasmo nacional pelo time da casa. As outras torcidas adotarão a vuvuzela, nem que seja por simpatia por um costume local, e o resultado é que assistiremos a todos os jogos em meio a um vespeiro infernal. Nos filhos dos amigos se pode dar um cascudo corretivo, quando os pais não estiverem olhando. Aqui temos que encarar as cornetas como interessantes exemplos da cultura nativa. Estou seriamente pensando em usar tapa-ouvidos, com todo o respeito.
Quanto à bola, ela está sendo mais falada do que a mulher número dois do presidente sul-africano Jacob Zuma, cuja infidelidade (com um guarda-costa) era a manchete principal do jornal The Star de hoje. A bola da Copa, como a alegada adultera Nompumelelo Ntuli Zuma, não seria confiável. Chutada (a bola, não a senhora Zuma), não faria o esperado, ou daria voltas e quebradas enlouquecedoras. Partindo do princípio que em véspera sem assunto de Copa vale qualquer delírio, imaginei uma entrevista com a bola. Para lhe dar a oportunidade de se defender.
– Dizem que a senhora...
– Você, por favor. Sou uma bola como qualquer outra.
– Mas dizem que você não é como as outras. Que se comporta mal. Que é difícil de controlar, de chutar, de pegar...
– Eu só sou um pouco mais espevitada. E daí? Quer saber de uma coisa? Acho que esse pessoal está procurando desculpa para a própria ruindade. Quem fracassar, vai dizer que fui eu.
– E as críticas, comparando você com a mulher do Zuma? 
– Fazer o quê? Nem todo o mundo gosta de sexo.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Eu acho uma falsidade, uma ignomínia”
CANDIDATA PETISTA À PRESIDÊNCIA, DILMA ROUSSEFF, SOBRE O SUPOSTO DOSSIÊ CONTRA O PSDB

SENADO: R$ 3,5 MILHÕES EM VERBA INDENIZATÓRIA
Enquanto apenas seis senadores não utilizaram da verba indenizatória de R$ 15 mil por mês em 2010, até o fim de maio o restante do Senado já havia conseguido torrar R$ 3,56 milhões. Os campeões de gastos com a verba indenizatória este ano são os senadores João Ribeiro (PR-TO), com R$ 75 mil; César Borges (DEM-BA), com R$ 72,9 mil; e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), com R$ 72,5 mil.

É GRANDE
A assessoria de Ribeiro justificou os gastos dizendo que o Tocantins é grande (muitas viagens) e o senador elabora um estudo para o estado.

NA VERDADE... 
A verba indenizatória compensa o senador em até R$ 15 mil/mês. Mas o valor é cumulativo e se traduz em R$ 90 mil a cada seis meses

FERIADÃO
Ninguém trabalhou na assessoria de imprensa do Senado, na sexta-feira. Assim como a maioria dos parlamentares, enforcaram.

SEM RASTRO 
A Agência Nacional do Cinema vai gastar mais de R$ 10 mil para comprar “máquinas fragmentadoras de papel”. 

PETROBRAS PODE “ABANDONAR” REFINARIA DE MANAUS
Setores da Petrobras temem que a estatal desista de modernizar a refinaria de Manaus, relegando-a terminal, dentro do plano estratégico 2011-2015, trazendo enormes prejuízos à economia amazonense. A obra, de R$ 1,5 bilhão, teria sido preterida por duas novas refinarias de R$ 30 bi no Nordeste. O assessor top-top Marco Aurélio Garcia teria iniciado o movimento, derrubado por pressão da base aliada. Mas... 

VINTE E UM DIAS
Veterano cinegrafista das Copas, Jorge Ventura vai ganhar R$ 26,5 mil da TV do Lula para filmar a preparação da Seleção na África do Sul.

SENA POLUÍDO
Não cheira bem a embaixada do Brasil em Paris: uma funcionária ameaça denunciar o assédio de um colega diplomata.

PORCALHADA 
Fernando Haddad (Educação) precisa educar melhor seus servidores, que lascaram um cacófato “por cada”, em portaria no D.O.U. do dia 12.

TORCIDA MINEIRA
O ex-governador Aécio Neves acompanha as negociações PMDB-PT para fazer de Hélio Costa o candidato lulista ao governo de Minas. Aécio torce para que o amigo Fernando Pimentel (PT) seja eleito senador.

PÉSSIMAS ESCOLHAS
A Latma TV, um programa de comédia israelense, fez um video onde o presidente Lula é apresentado como um fanfarrão, que bebe e vive cercado por mulheres. E não entende nada do conflito no Oriente Médio. Conclusão: ele é “simpático, mas não sabe escolher os amigos”.

DÓLARES VERDES 
O Greenpeace, que recebe milhões de dólares do exterior todos os anos, deve apoiar seu antigo advogado João Alfredo, hoje vereador de Fortaleza, como candidato a deputado federal pelo PSOL.

CAMPO MINADO
Quem conhece bem o presidenciável tucano José Serra, avesso à publicidade de sua família, acha que ainda vai dar muita encrenca o episódio do dossiê envolvendo sua filha, que o PT nega. Ele está furioso.

ARTES DO DEMO
O deputado federal Jerônimo Reis (DEM-PB) vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral da cassação do mandato por suposta improbidade quando era prefeito de Lagarto. Teria nomeado dois fantasmas. 

UVAS DA DISCÓRDIA 
Produtores de uva da região de Juazeiro, na Bahia, estão indignados com o deputado Edson Duarte (PV-BA), a quem atribuem campanhas na internet contra a uva baiana alegando que polui o Rio São Francisco.

AGORA VAI
O Senado, presidido pelo maranhense José Sarney (PMDB-AP), aprovou empréstimo de R$ 13,2 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento ao Maranhão, para financiar “projeto de fortalecimento da gestão fiscal” no Estado, o Profisco. A União garante. 

MAIS UMA 
O presidente Lula vai a Fortaleza (CE) na próxima semana inaugurar o primeiro banco público de cordão umbilical do Nordeste. Os bancos de cordão umbilical facilitam a busca por doadores de medula óssea.

PERGUNTA IMPOSTA 
Se você não mora no Palácio do Planalto, por que manda tanto dinheiro para lá? 

PODER SEM PUDOR
CHEGA PRA LÁ 
João Magno (PT-MG) presidia a sessão da Comissão de Fiscalização da Câmara, que discutia acusações da fabricante de refrigerantes Dolly contra a Coca-Cola. Magno agiu com certa isenção, mas não por muito tempo. Foi interrompido por André Luiz (PMDB-RJ), da “bancada da Dolly”:
– Sai daí, você é terceiro vice-presidente e eu o segundo. O lugar é meu!
O clima esquentou e a sessão foi interrompida

BOLAS E BUNDAS

DOMINGO NOS JORNAIS

Globo: Ninguém nasce Fernandinho Beira-Mar

Folha: Bancos ajudam Planalto em lobby pró-Petrobras

Estadão: Ibope mostra Serra e Dilma empatados

JB: O poder de um homem ético

Correio: Construir no DF ficou mais difícil

Estado de Minas: Tráfico fatura no país quase R$ 1,5 bi por ano

Jornal do Commercio: Planos de saúde mudam amanhã