sábado, maio 01, 2010

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO

REVISTA VEJA
Roberto Pompeu de Toledo


O pai do Neymar

"Neymar, o velho, é uma esperança contra a ansiedade 
que surge tão logo desponta um talento, mesmo quando 
bem inferior ao de Neymar, o moço: até quando o teremos 
no Brasil?"

Pode-se imaginar os sentimentos de que um pai brasileiro é tomado quando pela primeira vez se dá conta de que, com a bola nos pés, seu rebento é um prodígio. A palavra "prodígio", tal qual "profético" e "presságio", indica uma conexão com o divino. Revelar-se um prodígio nos campos de futebol significa que um sopro dos deuses moldou aqueles pés. Para o pai, dar-se conta de que tem um filho desses é como se um anjo lhe baixasse na humilde morada e anunciasse que seu menino, entre todos os outros, é o escolhido do céu. Na conexão direta com a terra, quando o pai vai dormir, naquele dia, repassa as promessas com que lhe acenam os próximos anos. Misturam-se todas, das mais modestas às mais gloriosas – comida garantida, bons médicos, mudança para um bairro decente, adeus aos malditos ônibus, e logo empregados, mansões, piscinas, viagens, férias, Real Madrid, euros.
A esta altura, não há mais dúvida de que o menino Neymar, do Santos, é um prodígio. Não é que, com 18 anos recém-completados, sua vida esteja a ponto de mudar. Já mudou. O pai, que também foi jogador de futebol, chegou ao fim de uma carreira que o empurrou de time pequeno para time pequeno com um patrimônio que se resumia a um terreno, segundo reportagem da jornalista Débora Bergamasco publicada na semana passada no jornal O Estado de S. Paulo. O filho já acumulou dinheiro suficiente para acomodar a família num apartamento tríplex com piscina e sauna e manter um carro Volvo XC-60 na garagem.
O pai de Neymar também se chama Neymar. Tem 45 anos, cursa faculdade de educação física e administra a vida do filho, do dinheiro e dos contratos à hora em que deve voltar para casa. Neymar, o filho, tem família estruturada, com pai, mãe e irmã sob o mesmo teto. Nisso se diferencia de tantos de seus companheiros de bola. Claro que o pai não terá outra coisa a fazer na vida, nos próximos anos, senão cuidar dos interesses do filho, que são também seus interesses. E claro que, quando não tiver nem mesmo de cuidar dos interesses do filho, não terá outra coisa a fazer senão gozar as delícias de ter sido premiado com a visita do anjo. Mas engana-se quem pensa em Neymar, o velho, como um desfrutador do baú do filho. Suas entrevistas à imprensa revelam uma pessoa com a cobiça sob controle, e cuidados que vão além da vil matéria.
Neymar, o velho, é uma esperança contra uma ansiedade que toma conta de quem gosta de futebol tão logo desponta um talento, mesmo quando bem inferior ao de Neymar, o moço: até quando o teremos nos gramados brasileiros? Sabe-se que é por pouco tempo. O Brasil entregou-se gostosamente à condição de exportador de matéria-prima. A volúpia da volta ao passado colonial impôs-se com sobras à potência incrustada na mente do atual primeiro mandatário da nação. Neymar, o pai, não nega que o filho vai acabar num grande clube europeu. Mas diz que há etapas a cumprir, e que não tem pressa. Quer ver o filho amadurecer e conquistar títulos no Brasil.
Quando Neymar Jr. tinha 13 anos, o pai aceitou um convite do Real Madrid para ir à Espanha. Pensava que era só para conhecer o clube. Lá puseram o filho para treinar e lhe ofereceram um contrato. O menino, depois de três semanas, declarou-se farto e quis voltar. O pai deu-lhe razão. Numa entrevista à TV ESPN, no ano passado, ao relembrar o episódio, Neymar pai disse que, seja onde for, quer o filho jogando futebol com alegria, e não de forma "mecânica" (a palavra é dele).
Eis uma declaração que, além de enaltecê-lo como pai, enche de esperança os admiradores do futebol. Praticá-lo com alegria, como Pelé e Garrincha, é a condição primeira para alçá-lo à condição daquele esplêndido espetáculo que se convencionou chamar de futebol-arte. É futebol-arte, tangido pela necessária alegria, como não se via pelo menos desde Robinho, o que Neymar tem apresentado. Ele é o condutor de uma volta à inocência perdida que contaminou o time do Santos e até, para quem reparar bem, transbordou para alguns adversários. Para que não seja por pouco tempo, só confiando no paizão.
***
E os estudos? Neymar parou cedo, e nesse ponto não há notícia de empenho do pai em sentido contrário. O jogador Henry, da seleção francesa, disse uma vez que a grande vantagem dos jogadores brasileiros é que desde meninos eles não têm outra coisa a fazer senão jogar bola, na rua, nas praias ou nos campos, enquanto os europeus passam o dia na escola. O argumento leva à conclusão de que o sucesso do futebol brasileiro se deve ao fracasso do sistema escolar do país.

GOSTOSA

BRASIL S/A

A Selic por dentro
Antonio Machado

CORREIO BRAZILIENSE - 01/05/10

Se o BC acertar, juros de prazo curto vão subir, os longos, cair, e a inflação voltará à meta 


Ainda que muita gente não visse razão alguma para a Selic subir, decisão, segundo o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo, Paulo Skaf, tomada “por um Banco Central acuado, refém de certos setores do mercado”, o fato é que a inflação acumulada em doze meses até março, de 5,17%, e a projetada para 2010, de 5,41%, eram como se o governo tivesse sido apeado do controle da situação.

A inflação é sempre a que resulta do aumento de preços promovido pelas empresas e, nesse sentido, se compreende a bronca de Skaf — hoje dublê de político, já que tenta sair candidato ao governo de São Paulo pelo PSB. Para ele, a capacidade instalada da indústria pode atender a demanda “sem que aconteça pressão sobre os preços”.

Para a Fiesp, haveria uma capacidade “escondida” de 15% acima do nível de produção medido em março, da ordem de 69,2%, considerada uma amostra de 247 empresas. A tanto se chegaria com horas extras, turnos adicionais e a ativação de novas máquinas. É possível, mas isso é o que as empresas já fazem e está dentro do índice medido.

O quadro da oferta pela chamada “economia real”, o contraponto de tijolo e aço ao mundo virtual das finanças, está em crescimento em duas frentes: da ocupação da capacidade instalada, tornada ociosa pela recessão breve do ano passado, e expansão da produção física, resultado de investimentos que tem feito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) o endereço mais quente da praça, complementado pela tomada de recursos externos.

Entre a ativação do maquinário existente e novas instalações, há um atraso em processo, que chega, em média, a 18 meses, segundo as estimativas usuais, com ambos, além disso, correndo atrás do ritmo da demanda impulsionada pelo aumento da renda, emprego e crédito.

Seria um quadro administrável em termos de controle inflacionário se não estivesse a demanda agregada também vitaminada pelos gastos fiscais do governo em expansão acelerada. E isso em meio a um dado pouco falado da realidade empresarial brasileira: a oligopolização da maioria dos setores, com poucas e grandes empresas com poder de mercado para impor preços — além de favorecidas por uma estrutura tarifária protecionista de uma época em que o dólar era escasso e a substituição de importações, uma política de governo.
Pragmatismo sindical
Com inflação ninguém brinca, nem os sindicalistas que também, a cada reunião do BC para discutir a Selic, unem-se aos industriais para criticar em coro a decisão, seja ela qual for. Confiantes de que o BC, escorado no presidente Lula, que é do meio e conhece as manhas de seus pares, jamais deixará o balde entornar, eles falam grosso contra os juros altos. Mas mudarão o disco, se precisarem.

Como? À menor cobrança das suas “bases”, se o salário começar a terminar antes que o mês acabe. É o que já está acontecendo.
Salário já é corroído
Conforme a Pesquisa Mensal do Emprego do IBGE relativa a março, a massa de rendimento real cresceu 5,2% em relação a março de 2009, quando aumentou mais, 5,8% sobre 2008. Foi a menor expansão para o mês de março desde 2006, segundo análise da consultoria LCA.

“A aceleração da inflação corrente tem mitigado em alguma medida a evolução dos ganhos reais dos salários”, diz. “Não por acaso, o rendimento médio real registrou alta interanual de 1,5% em março contra 5% nessa mesma comparação em março de 2009.” Inflação bate direto no bolso. Mas o mercado financeiro a pressente bem antes.
A mecânica dos juros
O aumento dos juros no interbancário já estava consolidado antes de o BC elevar a Selic de 8,75% ao ano para 9,5%. Como parâmetro do espectro dos juros, conforme o prazo de vencimento dos papéis de dívida de emissão de bancos, empresas e do Tesouro, a Selic já mal dava para repor o capital aplicado, abatida a inflação realizada. E o levava ao prejuízo, se descontado também o Imposto de Renda.

Os juros no Brasil são dos mais altos no mundo. Mas também são a carga tributária e a inflação, 2ª maior do mundo nos últimos vinte anos até 2008. Para a Selic ser contracionista, objetivo do ciclo iniciado quarta-feira, quando passou de 8,75% para 9,5% — ou 4,1%, abatida a inflação e antes do IR —, ela precisa alinhar-se à taxa do interbancário, 11,5% na mesma data. Assim era como reflexo da inflação então prevista. O interbancário é que impacta a inflação.

Se a Selic for competitiva, a banca estaciona mais que de hábito suas disponibilidades na manjedoura do BC e começa o aperto. Os juros de prazo curto sobem, os longos caem e a inflação tenderá à meta definida pelo governo (4,5%). Para ser diferente, o governo deveria contribuir com o lado fiscal. Mas isso não vai acontecer.
Caos na fila do gasto
A política fiscal, no Brasil, é rígida para baixo e elástica para cima. Sua contribuição para a estabilidade tem sido nula. E quando tudo expande a demanda, não acompanhada pela oferta crescendo a um ritmo maior — fruto do investimento que enquanto em curso também a impulsiona —, abre-se um buraco nas contas externas, decorrente da importação avançar sobre a exportação. E muitos ficam com vontade, das grandes empresas às bibocas da esquina, de faturar em cima da vontade do consumidor de gastar. A política econômica deveria dar ordem ao gasto conforme prioridades, que por ora é o investimento. Como não tem feito isso, todo o peso do ajuste recai sobre o BC.

FERNANDO RODRIGUES


Ideologia zero

FERNANDO RODRIGUES

FOLHA DE SÃO PAULO - 01/05/10

BRASÍLIA - Está aberta a temporada de leilão dos tempos de TV e de rádio no horário eleitoral. O partido mais cobiçado do momento é o PP (ex-Arena, ex-PDS). É a legenda que sustentou a ditadura militar (1964-1985) e hoje abriga Francisco Dornelles e Paulo Maluf.
Quando começar a propaganda para presidente, o PP terá perto de um minuto e meio na TV e outro tanto equivalente no rádio durante os blocos mais longos. Além disso, poderá veicular cerca de três comerciais diários de 30 segundos cada. Esses spots, como se diz no jargão da publicidade, são um canhão. Passam em todas as emissoras de TV e rádio do país ao longo de 45 dias, sem interrupção.
Nem Casas Bahia ou Petrobras têm tantos comerciais assim. Vale ouro esse benefício. Ocorre que várias legendas não terão candidato a presidente. O Brasil tem 27 agremiações e bem menos de 15 vão se aventurar na corrida ao Planalto.
No caso do PP, o episódio tem uma peculiaridade. A sigla é hoje aliada do governo Lula no plano federal. Comanda o Ministério das Cidades. Ainda assim, seus dirigentes saem por aí afirmando terem dúvida sobre se apoiam Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB) para presidente. Por que um partido estaria dentro de um governo e apoiaria o candidato de oposição? Simples: para obter vantagens.
Não há ideologia envolvida nesse processo. É só um escambo de caráter utilitário. Primeiro, o PP verificará se elegerá mais deputados, senadores e governadores apoiando o candidato a presidente do PT ou o do PSDB. Em seguida, avaliará qual dos dois tem mais chance de vitória. Por fim, dará seu apoio jurando fidelidade ao escolhido -que receberá os preciosos minutos na TV.
Esse horário eleitoral custa dinheiro. As emissoras têm compensação fiscal para ceder o tempo aos políticos. Quem paga, portanto, é o eleitor. Mas quem faz a festa da ideologia zero são os partidos.

JAPA GOSTOSA

CLÓVIS ROSSI

Exércitos, os do "povo" e os outros
CLÓVIS ROSSI

FOLHA DE SÃO PAULO - 05/05/10

Crise no Paraguai mostra falta de coordenação nas políticas de segurança regional entre os países da América Latina.

TEM TODA a razão o professor José Aparecido Rolon (USP, especialista em Paraguai) quando diz, na Folha de ontem, que o caso do EPP (Exército Popular Paraguaio) pode ser apenas "um bode expiatório" e que "há várias questões mais profundas" a examinar.
Proponho uma delas e que vai bem além do Paraguai: falta na América do Sul e, mais amplamente, na América Latina, uma política de segurança regional.
Sendo ou não o EPP um bode expiatório, o fato claro é que, nas presentes condições de temperatura e pressão no subcontinente, qualquer grupo ilegal que se diga político-ideológico acabará, mais cedo que tarde, cruzando o caminho de um grupo também ilegal e sem pretensões a verniz político-ideológico.
São apenas delinquentes. Ponto.
Quando esse cruzamento se der, o grupo supostamente político ou é cooptado pela criminalidade ou eliminado. Nenhum bando criminoso gosta de confusão na sua área provocada por terceiros porque força o governo a atuar com mais vigor, atrapalhando os negócios.
O caso das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) é o mais ilustrativo: nasceu sob o impulso do castrismo, em uma era em que a revolução socialista seduzia os jovens e, mais ainda, parecia factível. Nos últimos muitos anos, virou um grupo narcoguerrilheiro.
Acontece que, quando os governos apertam tais grupos, como o fez o presidente colombiano Álvaro Uribe, tem sido inescapável o, digamos, vazamento das atividades criminosas para países vizinhos e, às vezes, não tão vizinhos.
Os cartéis mexicanos, hoje os maiores símbolos do narcoterrorismo, encorparam depois que emagreceram os cartéis colombianos. E, quando o presidente Felipe Calderón pôs o Exército no combate a eles, ao tomar posse há três anos, parte de suas atividades delinquenciais vazou para a América Central.
Não é por acaso que recente levantamento da consultoria FTI apontou México e três países centro-americanos (El Salvador, Honduras e Guatemala) como aqueles em que mais cresceram, neste ano, os problemas de segurança (a lista inclui também Venezuela e Haiti).
A esses inevitáveis vazamentos, deve-se acrescentar o fato de que o narcotráfico, além do contrabando e do tráfico de armas, é o mais transnacional dos negócios, o que torna inevitável uma coordenação no mínimo regional se se quiser de fato enfrentar o crime organizado.
A Unasul (União de Nações Sul-Americanas) até que ensaiou promover mecanismo regional de defesa, mas esbarrou nas divergências entre Uribe e seu colega venezuelano, Hugo Chávez, agora acusado pelo general Douglas Fraser, chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, de dar apoio financeiro às Farc.
Claro que sempre há quem despreze as acusações do "império", mas o fato é que Chávez afirmou, lá atrás e nunca desmentiu depois, que "respeita" o projeto político das Farc. Logo, deve respeitar também o do EPP. O Brasil, que faz fronteira com todas as fontes de vazamento de problemas na América do Sul, não tem nada a dizer?

PAINEL DA FOLHA

Atracados
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 01/05/10

A proposta de José Serra de extinguir a Secretaria Especial de Portos, que tem status de ministério, foi rebatida por Dilma Rousseff, e, na sequência, defendida de novo pelo tucano. Em Santos, ela disse que "essa secretaria é essencial". E completou: "De nenhuma maneira é compatível com o futuro do país desmontar essa secretaria, que faz um bom trabalho". O ministro é Pedro Britto (PSB), indicado por Ciro Gomes.
Em SP, Serra revidou: "Cuidaremos melhor dos portos, e para isso não precisaremos de um "Ministério dos Portos'". Voltou então à sua agenda: "Mas é fundamental elevar o status das políticas para segurança e deficientes físicos. Serão prioridades nossas".


Sua vez. A área jurídica da campanha de Serra acertou um rodízio com DEM e PPS para dar sequência à série de representações na Justiça Eleitoral a cada evento protagonizado pela dupla Lula-Dilma. O sistema deve entrar em vigor na próxima semana.
Vade retro. Serra foi orientado a evitar políticos ao máximo hoje em Santa Catarina, durante evento com evangélicos. O motivo é a encrenca em seu palanque no Estado: há dois pré-candidatos, Raimundo Colombo (DEM) e Leonel Pavan (PSDB), mais o "híbrido" Eduardo Moreira (PMDB), que poderá estar tanto com o tucano como com Dilma.
Embarque 1. O PMDB ganhou dois postos no primeiro escalão do governo paulista, agora comandado por Alberto Goldman. A partir de hoje, Almino Affonso, vice no mandato de Orestes Quércia (1987-1990), é o secretário de Relações Institucionais.
Embarque 2. Na Secretaria de Assistência Social entra o ex-presidente da Abimaq Luiz Carlos Delben Leite, ligado a Quércia, que disputará o Senado aliado ao PSDB.
De casa. O "Diário Oficial" de hoje traz ainda as efetivações dos adjuntos Marcos Monteiro (Gestão Pública), José Benedito Fernandes (Esportes, Turismo e Lazer), Luciano Almeida (Desenvolvimento) e Ricardo Dias Leme (Justiça e Cidadania).
Reviravolta. A cadeira de presidente do conselho curador da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura de São Paulo, não será mais preenchida pelo secretário estadual de Ensino Superior, Carlos Vogt. Gabriel Jorge Ferreira, ex-Febraban, é um dos nomes cotados para assumir o posto, hoje ocupado por Jorge da Cunha Lima.
Fila. Jornais de nove países já pediram entrevista com Dilma Rousseff. "La Nacion" e "The Wall Street Journal" querem acompanhar a candidata petista em suas viagens.
#&@*!!! Segundo correligionários, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, se põe a reclamar da imprensa tão logo conclui a leitura do noticiário pela manhã. Há quem defenda esconder os jornais.
Olho mecânico. Embora muitos apontem favoritismo de Fernando Pimentel sobre Patrus Ananias, há uma dose de imprevisibilidade na prévia que o PT faz amanhã em Minas. Ninguém espera placar folgado, para um lado ou outro. A crer no roteiro bancado pelo Planalto, o vencedor se contentará em disputar o Senado, apoiando Hélio Costa (PMDB) ao governo.
Tira-põe. A secretária de Comunicação Eletrônica da pasta das Comunicações, Zilda Beatriz, será assessora especial do ministro José Artur Filardi. Foi a solução para que ela "aceite" deixar o cargo atual. José Vicente, que assessorou o ministro anterior, Hélio Costa, substituirá Zilda.
Visita à Folha. Wilson P. Ferreira Jr., presidente da CPFL Energia, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Augusto Rodrigues, diretor de Comunicação Empresarial e Relações Institucionais.

com SILVIO NAVARRO e ANDREZA MATAIS
Tiroteio 
O Brasil é o único país no mundo onde a chamada social-democracia foge dos sindicatos. 

De JOÃO CARLOS GONÇALVES, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, sobre o fato de Serra não ter aceitado o convite para participar dos festejos de 1º de Maio promovidos pelas centrais, que estão com Dilma.
Contraponto 
Consenso rápido Michel Temer (PMDB-SP) reuniu na terça-feira passada os líderes dos partidos e representantes de movimentos que defendem a aprovação imediata do projeto da "ficha limpa", em busca de um acordo para a votação da matéria. Depois de muita conversa, o presidente da Câmara obteve um requerimento de urgência, instrumento que lhe permite pautar a proposta no plenário.
Pouco antes, Temer fez um alerta para fossem sanadas as divergências internas nos partidos quanto ao projeto:
-Temos de ter cuidado com o compromisso de votar, porque ainda há muita discordância nas bancadas.
-Na nossa não há!- cortou Chico Alencar (PSOL-RJ).
-Bem, Chico, em bancada de três é difícil divergir...

PARA HIHIHI

PAUL KRUGMAN

A euroarmadilha
Paul Krugman
O GLOBO - 01/05/10

Há pouco tempo, os economistas europeus costumavam gozar seus colegas americanos por terem questionado a marcha da Europa rumo à união monetária. “No conjunto”, declarou um deles num artigo publicado em janeiro passado, “o euro se saiu, até agora, bem melhor do que previram os economistas americanos”.

O artigo resumiu as visões “eurocéticas” como tendo sido algo do tipo: “não pode acontecer, não é uma boa ideia, não vai durar”. Bem, o euro aconteceu, mas agora parece ter sido uma má ideia. Quanto à questão se irá durar, isso agora é uma discussão em aberto.

Para compreender a “eurobagunça”, é preciso ver além das manchetes. Neste momento, todos estão concentrando suas atenções na dívida pública, que faz a coisa parecer um problema de governos que não conseguiram controlar seus gastos. Porém, isto é apenas parte da história.

O fato é que há três anos nenhum dos países agora mergulhados em crise ou próximos do abismo pareciam estar vivendo algum problema fiscal.

Inclusive o déficit fiscal da Grécia de 2007 não era, na relação com o PIB, maior do que os déficits dos EUA nos anos 1980. Já a Espanha teve superávits.

E todos os países estavam atraindo grandes fluxos de capital estrangeiro, sobretudo porque os mercados acreditavam que pertencer à zona do euro tornava os títulos de Grécia, Portugal e Espanha um investimento seguro.

Mas aí veio a crise financeira global. Esses fluxos de capital secaram; as receitas caíram e os déficits saltaram. E se pertencer ao clube do euro antes havia encorajado os mercados a apostar nos países hoje em crise sem muito critério, agora isso criou uma armadilha.

Qual é a natureza da armadilha? Nos anos de dinheiro fácil, salários e preços nos países em crise subiram mais rapidamente do que no resto da Europa. Agora que não há dinheiro, essas nações precisam pôr os gastos em ordem.

Mas isso é algo mais difícil de fazer agora do que quando cada nação europeia tinha sua própria moeda. Naquele então, os custos podiam ser corrigidos ajustando a taxa de câmbio — por exemplo, a Grécia poderia cortar seus salários relativamente aos da Alemanha reduzindo o valor do dracma em relação ao marco alemão.

Porém, agora que Grécia e Alemanha repartem a mesma moeda, a única forma de reduzir os custos relativos da Grécia é através de uma combinação de inflação alemã com deflação grega. E como a Alemanha não vai aceitar inflação, tem que ser deflação grega.

O problema é que deflação é sempre e em qualquer lugar um profundo e doloroso processo. Invariavelmente envolve uma queda prolongada com alto desemprego.

E isso também agrava os problemas da dívida, pública e privada, pois se a receita cai, o peso da dívida, não.

Este foi o alerta dos céticos.

Desistir da capacidade de ajustar a taxa de câmbio, disseram eles, atrairia crises. E foi o que ocorreu. E agora? O que acontecerá com o euro? Se antes achava-se impossível que os países se desfizessem do euro, agora a possibilidade existe. E a lição da crise não são os gastos excessivos dos governo, mas o fato de estarem numa camisa de força.

ANNA RAMALHO

Mais do que aposta 
ANNA RAMALHO
JORNAL DO BRASIL - 01/05/10

Em Minas não se fala em outra coisa: o ex-presidente Itamar Franco será o vice de José Serra. A costura foi toda feita por Aécio Neves.
Vamos ver.
Nomes aos bois Formada por parlamentares de todos os partidos, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara ouve, quarta-feira, em audiência pública, nove diretores de hospitais federais no estado. O intuito é o de investigar denúncias de compra de medicamentos e prestação de serviços irregulares por tais instituições.

Com a palavra 
Entre os convocados, Luiz Antônio Rodrigues da Silva, diretor do Inca, e Marcos Antônio de Mattos, do Instituto Nacional de Cardiologia. Coordenador do Núcleo Estadual do Ministério da Saúde, Oscar Berro, também será ouvido.

Na audiência estarão presentes representantes do TCU e da Procuradoria-Geral da República.
Quem diria Informações de um agente incrustado no serviço de inteligência do Planalto dão conta de que existem cubanos assessorando o governo no que diz respeito a rastreamento e monitoramento de interesse dos órgãos de informação...
A confirmar, sem dúvida.
Porém...

Dada a intimidade da cúpula do nosso governo com Havana e Caracas, tudo é possível, né, não?

Preciosidade 
Vai a leilão no Fórum Central do Rio, terça-feira, o arquivo fotográfico e jornalístico da Bloch Editores. São fotos, negativos e cromos, somados a coleções completas das revistas da editora – Manchete, 
Fatos & Fotos, Desfile e Ele & Ela.

Quem se habilita?
 O material, avaliado em R$ 1.874.362,30, guarda a memória de acontecimentos marcantes ocorridos no Brasil e no exterior, entre 1952 e 2000 – das guerras aos concursos de miss, das Copas do Mundo às manifestações contra o regime militar.

Prata da casa
 O ex-prefeito Fernando Jordão (PMDB) deve abocanhar a imensa maioria dos votos da população de Angra para a Câmara dos Deputados.

Sondagem da Tráfego Pesquisa, registrada no TRE sob o número 26546/2010, mostrou que nada menos do que 47% dos eleitores que já sabem em quem votar para deputado federal vão optar por Jordão.
E ainda Para governador, Sérgio Cabral tem 34%; Garotinho, 25% e Gabeira, 15% das intenções de voto. Serra lidera a corrida presidencial em Angra, com 28%.

Dilma tem 25%; Ciro Gomes, 11%; e Marina, 7%.

Justo na Princesinha?
 Os fãs de Isa TKM, que se apresenta no Rio com sua trupe, amanhã, pediram à produção que não reservasse nada para a manhã de hoje. Pretendem ir à Praia de Copacabana.
Tal desejo acompanha os artistas desde sua primeira vinda ao país, quando conheceram o litoral pela janela do ônibus.
Isso, se os muitos adolescentes fãs do grupo deixarem.

Puro poder 
O casal Biza Viana e Zózimo Bulbul chegou do Senegal, onde foi recebido pelo presidente daquele país, Abdoulaye Wade. Em Dacar, Zózimo rodou cenas de seu filme sobre a Renascença africana, que deve ser lançado no 4º Encontro de Cinema Negro BrasilAacute;frica, em novembro, no Espaço Tom Jobim e noCineOdeon.Uma canção de Gilberto Gil pode ser usada na trilha.

Sacada e tanto
 Muita gente não sabe, mas Kleiton, da dupla com Kledir, além de mestre em música eletroacústica, é o criador do curso de maior sucesso da Universidade Católica de Pelotas: tecnologia em produção fonográfica.
O entusiasmo da instituição é tanto que um estúdio profissional foi construído. A felicidade do gaúcho, que canta hoje no Rival, é ainda maior: neste semestre, forma-se a primeira turma do curso.


Conhece bem

 O advogado Jair Leite Pereira – que defende a procuradora Vera Lúcia Gomes, acusada de torturar uma menina de 2 anos que estava sob sua guarda para adoção – tem conhecimento de causa para falar que sua cliente é “uma mulher ríspida, impaciente com as pessoas e que só aceita que façam o que ela quer”.

Ele é ex-marido da louraça destrambelhada

GOSTOSA

DIOGO MAINARDI

REVISTA VEJA
Diogo Mainardi


O Lanzetta da "Laranza"

"Luiz Lanzetta comanda a assessoria de imprensa 
de Dilma Rousseff, mas nenhum dos assessores de imprensa 
de Dilma Rousseff é comandado por Luiz Lanzetta. De fato, 
ele só contratou quem o PT mandou contratar"

O PT contratou Luiz Lanzetta para comandar a assessoria de imprensa de Dilma Rousseff. Isso mesmo: Luiz Lanzetta. Ninguém sabe quem ele é. Ninguém sabe por que ele foi contratado. Está na hora de tentar saber.
Luiz Lanzetta comanda a assessoria de imprensa de Dilma Rousseff, mas nenhum dos assessores de imprensa de Dilma Rousseff é comandado por Luiz Lanzetta. De fato, ele só contratou quem o PT mandou contratar. De Helena Chagas, apadrinhada por Franklin Martins, a Oswaldo Buarim, que pertence à quota da própria Dilma Rousseff. Luiz Lanzetta simplesmente assinou seus contratos de trabalho e passou a pagar seus salários. A empresa usada por ele para contratar e para pagar os assessores de imprensa do PT chama-se Lanza. No meio jornalístico brasiliense, ela já ganhou o apelido de "Laranza".
Em 2002, Marcos Valério pagou um monte de profissionais escolhidos pelo PT para cuidar da campanha presidencial de Lula. Agora, em 2010, Luiz Lanzetta paga um monte de profissionais escolhidos pelo PT para cuidar da campanha de Dilma Rousseff. De lá para cá, tudo melhorou. O tesoureiro do PT, em 2002, era Delúbio Soares. O tesoureiro do PT, em 2010, é o homem da Bancoop. Ufa.
Luiz Lanzetta tem um jornalzinho e um site na internet: brasiliaconfidencial.inf.br. Nas páginas do site, o nome de seu autor é mantido em segredo. A rigor, o site inteiro é mantido em segredo, considerando que praticamente ninguém o conhece. Mas seus artigos costumam ser reproduzidos por blogueiros pagos pelo lulismo. Uma de suas manchetes: "Pesquisa aponta disparada de Dilma". Outra manchete: "Tropa tucana agride professores". Outra manchete: "Serra comanda baixaria na internet".
A campanha de Dilma Rousseff está ruindo. Fernando Pimentel, seu coordenador, é conhecido por suas patetices. Quando era terrorista, ele tentou sequestrar um diplomata americano cinco vezes, e fracassou em todas elas. Mesmo baleado pelas costas, o diplomata americano conseguiu fugir. Na sede da campanha, dois assessores de imprensa pagos por Luiz Lanzetta já pegaram dengue: Helena Chagas e Giles Azevedo. No Rio de Janeiro, um apaniguado da Petrobras, Wagner Tiso, tentou organizar um encontro de artistas com Dilma Rousseff. Só compareceram oito deles, e o de maior prestígio era o cartunista Aroeira.
Lula, alarmado com o desempenho de sua candidata, ordenou que Dilma Rousseff tomasse umas aulas para aprender a falar em público. Sua professora, Olga Curado, treinou também Roger Abdelmassih, aquele médico acusado de ter estuprado dezenas de pacientes. Quem contratou a professora de Dilma Rousseff foi Luiz Lanzetta. Quem pagou a conta foi o homem da Bancoop.

RUY CASTRO

Mortos sem sepultura
RUY CASTRO

FOLHA DE SÃO PAULO - 01/05/10

RIO DE JANEIRO - Quando Alfred Hitchcock morreu, há 30 anos (29 de abril de 1980), foi só uma formalidade. Para Hollywood, Hitch já estava morto. Seu último filme, "Trama Macabra", de 1976, fracassara, e era improvável que, aos 80, o deixassem dirigir outro. Não importava que, num passado quase recente, ele tivesse feito "Janela Indiscreta", "Um Corpo que Cai" e "Os Pássaros". Naquele momento, a Universal o mantinha apenas para visitação, como se empalhado vivo.
É verdade. O estúdio lhe dera uma sala, um telefone e uma secretária, com o que todos os dias Hitchcock ia "trabalhar". Seu expediente consistia em receber aspirantes a roteiristas, analisar projetos e, quem sabe, desenvolver um deles em função de um filme que nunca seria rodado. Ou dar entrevistas para livros a seu respeito. Ou ser apresentado a turistas em excursão pelo estúdio, sendo um dos "highlights" a casa de "Psicose", que nunca foi derrubada.
Assim, os últimos anos de Hitchcock resumiam-se a contar, pela enésima vez, como Grace Kelly era seu ideal de mulher -esperava convencê-la a voltar a filmar com ele-, a falar dos filmes que sonhava fazer e a pensar que ainda era Hitchcock.
A United fez o mesmo com Billy Wilder. O gênio de "Crepúsculo dos Deuses" e "Quanto Mais Quente, Melhor" rodou seu último filme, "Amigos, Amigos, Negócios à Parte", em 1981, aos 74 anos, e passou os 21 anos seguintes encostado, lúcido e amargurado. Mas nada se compara ao desterro de Frank Capra: o diretor de "A Mulher Faz o Homem" encerrou a carreira aos 64 anos, em 1961, com "Dama por um Dia", e só morreu 30 anos depois.
Por que isso? Porque as companhias de seguros não bancavam cineastas a partir de certa idade. Hoje isso não é problema. O português Manuel de Oliveira tem 101 anos e continua lampeiro e dirigindo.

JAPA GOSTOSA

MAÍLSON DA NÓBREGA

REVISTA VEJA
Maílson da Nóbrega

Quem descobriu o Brasil? 
Lula ou Cabral?

"A história reconhecerá Lula pelas corajosas decisões 
de preservar a política econômica – que condenava – e de não 
buscar o terceiro mandato"



Os menos avisados que escutam Lula podem pensar que fomos descobertos em 2003, e não em 1500. Seus discursos buscam deslustrar seus antecessores e propagandear o que entende como seus feitos. Não exagera a ponto de reivindicar a glória do descobrimento, mas chega perto. Diz que mudou o Brasil.

Lula se gaba de ser o autor das boas transformações do país. É o que disse na Bahia, em março passado: "Este país começou a mudar, e isso incomoda muita gente". Bajuladores não faltam, como o que lhe atribuiu o epíteto de "nosso guia".

No lançamento do PAC 2, Jaques Wagner, governador da Bahia, disse que "Lula está refundando o Brasil". Para a então ministra Dilma Rousseff, "este é o Brasil que o senhor, presidente Lula, recuperou para nós e que os brasileiros não deixarão escapar de suas mãos". Adulado e popular, Lula se imagina o marco zero.

Mudanças como essas não acontecem em curto prazo. A Europa começou a emergir no século XV – suplantando a China e o mundo islâmico, até então centros de inovação e poder –, mas o processo de sua ascensão se iniciara muito antes, com destaque para a Carta Magna inglesa (1215) e para o Renascimento, que começou no fim do século XIII.

Antes, mudanças ocorreram em áreas cruciais: cultura, sociedade, economia, política e religião. Copérnico, Vesálio e Galileu criaram a ciência moderna, abrindo caminho para o avanço tecnológico. Gutenberg revolucionou a imprensa. Depois, a reforma protestante de Lutero (século XVI) e a Revolução Gloriosa inglesa (1688) se tornaram fonte do moderno sistema capitalista e do predomínio econômico e militar do Ocidente.

Indivíduos à frente de seu tempo contribuíram para mudanças ciclópicas. Entre 1776 e 1787, os pais fundadores da nação americana – os que participaram da Declaração de Independência, da Revolução ou da elaboração da Constituição – moldaram os princípios formadores dos alicerces sobre os quais se erigiria seu grande futuro.

Felipe González, o governante socialista espanhol (1982-1996), abandonou velhas ideias e conduziu reformas estruturais, incluindo ampla privatização. Preparou seu país para a integração europeia e para longo ciclo de crescimento. Margaret Thatcher reverteu a trajetória de declínio da Inglaterra. Ronald Reagan renovou o capitalismo americano.

O Brasil tem seus líderes transformadores. Entre outros, José Bonifácio, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. No período militar, sobressaem Ulysses Guimarães e Tancredo Neves, este em grande parte responsável pelo fim pacífico do autoritarismo.

Ao proclamar-se o início de tudo, o presidente presta um mau serviço à história e aos brasileiros que gostam de ouvi-lo. Despreza o papel de Tancredo Neves na transição para a democracia, sem a qual não teria chegado ao poder. Obscurece a participação de Fernando Henrique Cardoso na construção da plataforma de lançamento da qual decolou.

Lula gostaria de ser lembrado como um Getúlio ou um Juscelino, mas creio que a história – a quem cabe apontar o lugar dos atores políticos – o reconhecerá pelas corajosas decisões de preservar a política econômica – que condenava – e de não buscar o terceiro mandato. Evitou, assim, o retorno da inflação e o abalo das instituições políticas, que precisam de tempo para se consolidar.

A continuidade deu tempo para o amadurecimento de mudanças anteriores. Permitiu-nos colher frutos da expansão da economia mundial e da emergência da China, hoje forte demandante de nossas commodities. Crescemos acima da média dos últimos 25 anos. As exportações triplicaram. Com estabilidade, crescimento e baixa inflação, foi possível alargar políticas sociais e assim reduzir as desigualdades sociais e a pobreza.

Lula é um líder de massas sem paralelo na América Latina. Politicamente populista, não foi desastrado na economia, embora deixe más heranças, como o aparelhamento do estado, a piora da qualidade do regime fiscal e os efeitos da inconsequente política externa.

Lula não descobriu o Brasil nem foi um líder transformador, mas não fez o estrago que se temia. Não é pouco. Não precisava, todavia, desconstruir as realizações do passado para marcar seu lugar na história, que parece garantido.

DORA KRAMER

A hora das alterosas
Dora Kramer 
O Estado de S.Paulo 01/05/10

Fazia tempo que os políticos mineiros andavam ressentidos com o fato de as eleições presidenciais não "passarem por Minas". Entrava eleição saía eleição e todas "passavam" mesmo por São Paulo, deixando, Minas há de reconhecer, o restante do País ao largo em matéria de relevância de peso nas decisões.
Pois bem, eis que chegou o momento tão ansiado por essa gente tão brejeira das alterosas: as campanhas presidenciais de governo e de oposição só querem saber de Minas Gerais, é o Estado que atrai todas as atenções, tido como o colégio (o segundo maior do País, com quase 14 milhões de eleitores) que vai definir o vencedor.
A campanha nem começou e os dois principais pré-candidatos, Dilma Rousseff e José Serra, não tiram os olhos de lá.
O tucano só não está com a vida ganha pela vantagem do apoio de Aécio Neves porque ainda precisa convencer os mineiros de que não deu uma rasteira em Aécio, tirando dele a chance de ser o candidato a presidente.
A história de fazer dele vice na chapa presidencial tampouco é vista como uma honraria. Antes como mais uma tentativa de deixar Minas no papel secundário de sempre.
Quanto ao PT, Minas Gerais é protagonista pelos votos que possa dar a Dilma Rousseff, mas também por articulações preliminares em face da eleição nacional, da disputa regional e da aliança com o PMDB, que guarda relação com os dois cenários.
O PT joga ali sua aliança local mais complicada. Não tem margem para erro. Realiza amanhã uma prévia entre Fernando Pimentel e Patrus Ananias alegadamente para escolher o candidato a senador na chapa encabeçada pelo PMDB com Hélio Costa como candidato a governador.
Como nunca se ouviu falar em prévias nesse molde, o PMDB desconfia das boas intenções do parceiro. Baseia sua suspeita em declarações do PT local segundo as quais a prévia é para escolher o candidato a governador.
O que faz o PMDB? Abre conversações com outros partidos, inclusive o PSDB, e espalha que se não houver acerto em Minas fica "difícil" a aliança nacional. Blefe? Tem todo jeito.
Mas o presidente Lula faz saber ao PT mineiro 48 horas antes da prévia que a intervenção no diretório local está no gatilho. Tradução: Minas é assunto de Estado.
Tempo ao tempo. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, poderia ter manifestado seu desagrado com a manutenção do texto da Lei da Anistia sem precisar ser ofensivo com o passado da entidade que hoje preside e foi capitã do movimento pró-anistia em 1979.
"Ouvi aqui o mesmo discurso do passado, o discurso do medo", disse, no conforto da vigência das liberdades democráticas conquistadas graças à coragem de homens como Seabra Fagundes, então presidente da OAB.
Nesse aspecto, Cavalcante não é locutor mais abalizado para acusar, como acusou o Supremo Tribunal Federal, de ter perdido "o bonde da história".
O atual presidente da Ordem não parece compreender ? bem como alguns críticos da decisão ? que não há no STF nem em setor algum "medo" de reação militar. A correlação de forças hoje é inversa.
Tampouco se trata de celebrar a impunidade. Para se excluir os torturadores da anistia o caminho é a alteração dos termos do pacto firmado em 1979. Isso se faz via Congresso, por proposta de mudança da Lei de Anistia.
Sem hostilidade, na lógica do tempo presente.
Assim é. A foto da atriz Norma Bengell que provocou a polêmica sobre a tentativa de fabricar a "presença" de Dilma Rousseff na passeata dos 100 mil em 1968, continua no mesmo lugar no blog dilmanaweb.com.br.
Só pode ser teimosia baseada na avaliação de que a insistência "prova" que não houve má-fé no ato e sim "interpretação equivocada" de quem enxergou fraude numa sequência de fotos em que na primeira Dilma é Dilma, na segunda é Norma e na terceira é Dilma de novo.

ANCELMO GÓIS

Saída para o Iuperj
ANCELMO GÓIS
O GLOBO - 01/05/10

Veja que legal. Sérgio Cabral resolveu ajudar a salvar o Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro), o grande centro carioca de ciências sociais: — O Instituto é patrimônio intelectual e acadêmico do Rio.

O estado vai pôr recursos por intermédio da Uerj e da Faperj
Segue...
A crise do Iuperj tem mobilizado a comunidade acadêmica brasileira.

O Instituto é, atualmente, vinculado à endividada Universidade Candido Mendes
PAC da saliência
Segunda, o ministro Temporão recomendou mais sexo para combater a pressão alta do brasileiro. Quarta, o 
STJ quebrou a patente do Viagra.

Semana que vem, a turma do “Casseta & Planeta” vai às ruas perguntar se depois deste “programa de incentivo à saliência” o cidadão comum tem feito mais nheco-nheco.

Hubert, que imita Lula, foi eleito para fazer a enquete
Aliás...
Os gaiatos do MMM (Movimento Machista Mineiro) avisam que Temporão é forte candidato ao título de Homem do Ano
RiposateviA exposição “Lúcio Costa, Arquiteto”, que será inaugurada dia 13 de maio, em Brasília, terá uma réplica em tamanho natural do Riposatevi, o pavilhão do Brasil projetado por ele para a XIII Trienal de Milão, em 1964.

Lula deve ir.
Sem discriminarO ator Milton Gonçalves esteve ontem em Goiânia no lançamento de um programa da prefeitura para dar incentivo fiscal a empresas que trabalham contra a discriminação ou desenvolvem projetos de inserção racial.

Eu apoio.
DEU O MAIOR quiproquó, esta semana, a foto de um grupo de artistas na histórica Passeata dos 100 Mil contra a ditadura militar, em 1968. É que, na hora de contar a biografia de Dilma Rousseff, o site da candidata reproduziu um rosto desta imagem (veja ao lado), deixando a impressão de que se tratava da petista — quando, na verdade, era a atriz Norma Bengell. A partir daí, a imprensa tratou de citar os outros artistas que aparecem acima. Mas muita gente identificou a atriz e produtora teatral Ruth Escobar como a última manifestante à direita. Na verdade, é Cacilda Becker, cuja morte, em 1969, levou Carlos Drummond de Andrade a escrever: “Morreram Cacilda Becker/Não eram uma só. Eram tantas...”. Da esquerda para a direita, enfeitam a foto famosa Tônia Carrero, Eva Wilma, Odete Lara, Norma Bengell e Cacilda Becker. Sem Ruth e... sem Dilma
Ou ele ou eu
Lula cancelou sua ida a Madri para a Cúpula América LatinaCaribe-União Europeia, agora em maio.

O motivo é a insistência do governo espanhol em convidar Porfírio Lobo, que não é reconhecido como presidente de Honduras pelo Brasil
Leitinho Saboroso
O Senado comprou da empresa Comércio de Alimentos PC Ltda. R$ 33.081,75 de leite C em embalagem plástica da marca Saboroso.

A informação é da ONG Contas Abertas.
Vale verde
Vale, Petros e Funcef se uniram num fundo de R$ 600 milhões, administrado pela Global Equity, para replantar 150 mil hectares (área do tamanho da cidade de São Paulo) de floresta nativa no Sudeste do Pará

O ESGOTO DO BRASIL

VAGABUNDO PADRÃO

SÁBADO NOS JORNAIS

Globo: 1º de Maio - Centrais fazem ato para Lula e Dilma com verba pública

Folha: Número de homicídios cresce 23% na capital

Estadão: Petrobrás prevê capitalização de US$ 60 bilhões até julho

JB: UPP vira lei

Correio: Eurides e Brunelli têm bens bloqueados