sexta-feira, janeiro 15, 2010

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

O jogo da paz fora de campo

O ESTADO DE SÃO PAULO - 15/01/10


A segurança da Copa de 2014 poderá se beneficiar dos mais avançados métodos de controle e prevenção da criminalidade. É que acaba de ser escolhida, para presidir o Internacional Center for Prevention of Crime, com sede em Montreal, a antropóloga brasileira Paula Miraglia.
A nova indicada avisou que pretende acompanhar de perto a integração que vem sendo feita entre a polícia alemã e o pessoal que cuidará da segurança da Copa da África do Sul, em julho.
Ela acha que o ICPC, respeitado pelos estudos e campanhas na prevenção do crime, tem muitos meios de aproveitar a experiência internacional dos grandes eventos esportivos. "Vamos levar o assunto à discussões e fazer nossas recomendações", diz a antropóloga.

Sem lei, sem verba

A restauração do Copan emperrou. Sem receber um único cuidado sério desde sua inauguração, em 1966, o prédio, um dos símbolos de São Paulo, já tem projeto para recuperar os 50 mil metros quadrados de pastilhas.
O problema é que os patrocinadores que podem bancar a reforma querem em troca um destaque visual que ignora o Cidade Limpa.

Coelho virtual

Paulo Coelho e a Amazon ficaram amigos de vez.
A empresa comprou o direito de venda de 17 dos livros do autor, em português. Os livros que já estavam disponíveis naquela plataforma eram apenas em inglês.

Lá e cá

Paulo Vanucchi esclarece: estava de férias no litoral paulista e voltou a Brasília, na terça à noite, para o encontro da quarta com o presidente e Nelson Jobim.
E foi do próprio Lula a decisão de mandar ao Haiti seu segundo, Rogério Sottili.

Noite na Sé

A pressa de alguns amigos produziu na quarta, na Catedral da Sé, uma missa para poucos, em homenagem a Zilda Arns.
O padre Julio Lancelotti e a Pastoral da Criança reuniram cerca de 150 pessoas - nenhuma autoridade. "Veio quem tinha que vir. Importantes são os líderes da pastoral, não os políticos", diz ele.

Por tim-tim

Multada pelo Procon SP, a TIM avisa que "tomará as providências necessárias".
Está em jogo uma autuação de R$ 3,192 milhões.

Pessoa no museu

Uma exposição sobre vida e obra de Fernando Pessoa vai ocupar o Museu da Língua Portuguesa, em agosto.
Com trechos de seus livros e atividades educativas.

As 1.985.347 crianças de Zilda Arns


Janeiro era sempre mês de Zilda Arns juntar a família e ir descansar na praia da Gaivota, no litoral paranaense. Interrompeu o hábito, este ano, porque não queria adiar, de novo, o contato com amigos da Pastoral no Haiti.

Dela ficou, na família, a memória da última e alegre reunião - todos juntos na virada do ano, em Curitiba. E, para a equipe, a lembrança de sua rápida passagem na sexta, dia 8, quando foi à sede pegar o passaporte para a viagem.

Seu plano para 2010 era dar força total à atuação internacional da Pastoral da Criança. Tinha viagens marcadas para Uruguai, Colômbia, México, Paraguai, Angola...

O tamanho de sua perda, além de espiritual, está num parágrafo do discurso que ela fazia, contando o seu rebanho, antes de o teto desabar. "Atualmente são 1.985.347 crianças e 108.342 grávidas, de 1.553.717 famílias."


Na Frente

Marco Nanini vai ganhar uma biografia para chamar de sua. Assinada pelo jornalista Marco Antonio Rocha, com direito a depoimentos de Ariano Suassuna e Jô Soares.

Já tem data e tema escolhidos a próxima edição do Fashion Rio. Os 100 anos do Porto do Rio de Janeiro serão repassados entre os dias 28 de maio e 2 de junho.

Paula Mariani se prepara para viver a filha de Fernanda Montenegro, em Passione, próxima novela das nove.

Duda Ferreira e Amir Slama armam o Salão Casa Moda. A partir de amanhã, no Unique.

Marcelo Jeneci faz show, quarta, no Sesc Vila Mariana.

Abre segunda a mostra Olhar Urbano, com fotos de Bob Wolfenson, Cassio Vasconcellos e Renata Castello Branco, entre outros. No MuBe.

Deu no jornal A Bola. Luiz Felipe Scolari vai comandar, dia 25, em Lisboa, o time dos amigos de Ronaldo Fenômeno. Que enfrenta os amigos de... Zidane.

Vida longa para Beyoncé e Mulher Melancia. Pesquisa da Universidade de Oxford revelou que mulheres com nádegas grandes e quadril largo estão mais protegidas contra doenças cardiovasculares.

Interinos: Doris Bicudo,Gabriel Manzano Filho, Marilia Neustein e Pedro Venceslau.

GILBERTO SCOFIELD JUNIOR

Em nome de Deus?

O Globo - 15/01/2010


Em sua avaliação anual dos acontecimentos mundiais, o Papa Bento XVI tratou de condenar o que ele chama de “casamento gay”, alegando que sua existência é uma “ameaça à criação”.

O raciocínio embutido nesta tese é tão absurdamente primário que qualquer pessoa com o mínimo de compreensão de mundo e de psicologia jamais perderia tempo tentando debatêla não fosse por um simples fato: ela não é verdadeira. Gays e lésbicas não querem entrar de terno, véu e grinalda na igreja e receber de padres católicos ou protestantes suas bênçãos diante de Deus. O assunto nunca foi e nunca será da esfera dos conceitos religiosos. Tratase da discussão de um tema de ordem do direito civil e das garantias individuais, direito que já há muito deveria constar dos nossos códigos civis e cujo lapso transforma gays e lésbicas, em vários países do mundo, em cidadãos de segunda categoria.

O que se prega, aqui e em outros países do planeta, é o direito à união civil, um direito que dará aos parceiros de casais estáveis do mesmo sexo benefícios civis dos quais gozam casais heterossexuais, como o direito aos bens construídos pelo casal no caso de falecimento de um deles, direito de declarar imposto de renda em conjunto, direito de usar a renda do casal para a compra de casa própria, entre outros itens. Céu? Inferno? Purgatório? Não, não. O que preocupa gays e lésbicas do mundo inteiro não é o julgamento de Deus, mas a opressão dos homens, e está no terreno dos vivos, e não dos mortos.

A Igreja Católica possui um histórico no mínimo polêmico em termos de direitos humanos, que exige do Papa e de todos os representantes desta religião uma boa dose de cautela antes de saírem pelo mundo pregando intolerância.

A História está repleta de exemplos que vão dos abomináveis tribunais da inquisição até o recente caso da Igreja Católica irlandesa, que se calou diante das 320 queixas de pedofilia envolvendo 60 crianças molestadas em quatro décadas. E o que dizer de Galileu, condenado pela Igreja em 1633 por sua teoria heliocentrista (segundo a qual a Terra gravita em torno do Sol, e não o contrário), também considerada na época “uma ameaça à criação”? Há os exemplos individuais e, neste caso, me exponho. O sonho de muitos jornalistas é, em algum momento de sua carreira, atuar como correspondente internacional, especialmente em países que são o centro das atenções mundiais, como a China e os EUA, onde passei meus últimos seis anos (quatro e meio na China e pouco mais de um ano nos EUA, onde ainda resido).

Agora, vejo meu momento singular na carreira jornalística ser interrompido justamente porque não tenho, aqui ou nos EUA, a proteção da lei de um casal que está há sete anos junto.

Na China, meu parceiro possuía seu visto de trabalho individual. Eu tinha o meu de jornalista estrangeiro.

Nos EUA, um país mergulhado numa crise econômica sem fim, meu parceiro tem que entrar com um visto de turista em que está anotado que seu visto se liga ao meu porque somos uma união estável há sete anos. O Consulado Americano no Rio sempre foi extremamente compreensivo e atencioso com a situação, buscando a melhor saída possível para o problema.

Mas, como a entrada depende da mente mais ou menos homofóbica do funcionário da imigração americana (as leis de união civil são leis estaduais, e não se aplicam ao processo de imigração dos EUA, que é assunto federal), meu parceiro já foi parar na famosa “salinha de interrogatório da imigração americana” para explicar que ele não estava ali disposto a entrar nos EUA para ilegalmente limpar privadas. Era parte de uma união estável, união esta que não possui o amparo da lei porque não há visto de cônjuge para parceiros de mesmo sexo. Nos EUA ou no Brasil, diga-se de passagem.

O resultado é que estou voltando ao Brasil porque não quero que meu parceiro se arrisque a estes momentos de humilhação desnecessária.

Momentos de humilhação que só se tornam piores à medida em que o representante maior da Igreja Católica me chama de “ameaça à criação”. Isso num mundo onde as ameaças à criação de verdade andam com explosivos colados ao corpo ou sequestram aviões e os jogam sobre arranhacéus.

Tudo em nome de Deus, curiosamente.

Há algo estranhamente fora do contexto nisto tudo ou são apenas divagações de uma “ameaça à criação” ambulante

GILBERTO SCOFIELD JUNIOR é jornalista.

GOSTOSA

ABRAM SZAJMAN

Desindexar é preciso

FOLHA DE SÃO PAULO - 15/01/10


Vivemos uma espécie de adolescência econômica: vícios do passado conspiram contra nossa passagem a um estágio de maturidade


NOS ÚLTIMOS 30 anos, a economia brasileira experimentou duas fases distintas.
A primeira, na década de 1980 e na seguinte, até o advento do real, caracterizou-se por um crescimento medíocre e uma inflação exuberante, que poderíamos chamar de jabuticaba, porque, diferentemente de outros países em situação semelhante, só aqui todos os mecanismos econômicos funcionavam graças a um artifício que encontrou clima favorável nestes tristes trópicos: a indexação.
Naquela época, os agentes econômicos criavam regras e inventavam formas de conduzir o dia a dia sem o risco de uma explosão, embora a inflação fosse sempre crescente. Período de ilusões, a administração eficiente de uma empresa significava antecipar elevações de preços e ganhar nas oportunidades financeiras, em vez de obter resultados nas ações operacionais.
Os consumidores que podiam defendiam seus recursos com antecipações de compra. Os outros? Ora, os outros, sobretudo as maiores vítimas da inflação, os assalariados de baixa renda. A concentração de renda caminhava lentamente, ampliando o abismo secular entre os detentores do capital, defendidos pela indexação, e a maioria dos assalariados, abandonados à própria sorte.
A indexação reinava e mantinha a economia funcionando. Não importava a relação entre o poder de compra da moeda e o valor dos bens e serviços. Já não se trabalhava mais com a inflação passada ou presente. O que interessava é se os ajustes dos preços hoje permitiriam repor estoques amanhã. A inflação futura era o alvo.
Uma atitude corriqueira nos negócios era aumentar os preços em um dia para que alcançassem os índices do dia seguinte. Assim, a inflação passava a ser a que acreditássemos que seria. As crenças e consequentes ações dos agentes econômicos é que configuravam a inflação do futuro.
Essa situação levou os economistas a imaginar diferentes estratégias de estabilização. Processos heterodoxos, congelamentos e tantos outros transformaram o Brasil em laboratório de testes. Ao final, verificou-se que a receita não era mirabolante: como fazem os pais diante dos maus hábitos dos filhos, o Plano Real agiu para tirar a inflação da cabeça das pessoas, o que exigiu tempo e constância na condução da política econômica. Hoje pode-se dizer que a doença infantil da inflação foi debelada, o que permitiu retirar milhões de pessoas da pobreza e da miséria, incorporando-as aos mercados de trabalho e de consumo.
Vivemos, porém, uma espécie de adolescência econômica, com a permanência de vícios do passado que conspiram contra nossa passagem a um estágio de maturidade.
Apesar do sucesso do real, conquistas obtidas ainda não foram -e precisam ser- consolidadas. A leviandade renitente na condução dos gastos públicos faz recordar que o grande arquiteto da inflação é o Estado, que soube impor à sociedade as regras da estabilidade, mas se recusa, ele próprio, a fazer sua parte.
Outra mazela que persiste é a indexação: os contratos de aluguel (comerciais e residenciais) são reajustados pelo IGP-M, e as tarifas públicas (contas de luz, gás, telefonia, planos de saúde), pelo IGP. Como resultado, os preços desses serviços acabam indevidamente contaminados por um processo que lhes é completamente alheio, como é o caso da variação cambial, à qual o IGP está atrelado.
São indexadas ainda as mensalidades escolares, prestações de serviços e contratos que poderiam ser ajustados ou não pela livre negociação entre as partes, com base nas condições de mercado. Culturalmente, porém, preserva-se o vínculo com reajustes, o que ocorre também na questão salarial, na prática atrelada ao INPC. Para completar, o salário mínimo está indexado pelo PIB do ano anterior, mais a inflação medida pelo IPCA.
No atual quadro de estabilidade monetária, não há mais justificativa para qualquer forma de indexação.
Em nome do equilíbrio e do bom senso, toda e qualquer cláusula de eventual proteção de valores e reajustes de contratos deve ser resultado de negociação, com a prevalência das especificidades e das circunstâncias, e não dos índices.
Para que o Brasil possa ingressar e se manter na era de uma economia definitivamente consolidada e madura, é imperioso acabar com a indexação, que foi no passado, é no presente e continuará a ser no futuro um perigoso combustível para a inflação.

ABRAM SZAJMAN, 70, empresário, é presidente da Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), dos conselhos regionais do Sesc (Serviço Social do Comércio), e do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e do Sebrae-SP (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

PAINEL DA FOLHA

Porta de saída

SILVIO NAVARRO
Folha de S. Paulo - 15/01/2010

Governistas que acompanham a escalada de críticas de Reinhold Stephanes (Agricultura) ao governo, por conta do Programa Nacional de Direitos Humanos, afirmam que ele já emitiu todos os sinais de que deverá deixar o ministério antes de abril -prazo legal para a desincompatibilização. Stephanes tentará novo mandato de deputado pelo PMDB do Paraná. Sua base eleitoral é majoritariamente formada de ruralistas.
Aliados do ministro dizem que ele se queixou das articulações da ala do PMDB ligada ao presidente da Câmara, Michel Temer (SP), que já teria sugerido o nome de Wagner Rossi, presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), para sucedê-lo, descartando o adjunto, José Gerardo Fontelles.



Infiltrado. Em conversas reservadas sobre as críticas abertas de Stephanes, Lula brincou com auxiliares: "É o nosso ministro de oposição".

Tabuleiro. O presidente sinalizou a assessores que deverá abrir três exceções à ideia de substituir os ministros que sairão para disputar as eleições pelos secretários-executivos das pastas. São elas: Justiça, Integração Nacional e Previdência Social.

Recado. Resolvida a polêmica sobre o terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos, que apesar de levar a assinatura de 26 ministros não foi encampado no governo, Lula fez questão de citar um a um os auxiliares presentes anteontem no evento de lançamento do PAC da Copa.

Haiti 1. Após mandar um hospital de campanha, medicamentos, água e alimentos em socorro às vítimas, a Aeronáutica preparou a segunda fase do plano de emergência com o envio ao país do Mapre (Módulo de Alimentação em Pontos Remotos), um "restaurante de guerra".

Haiti 2. O modelo foi utilizado pelo Exército durante a operação de resgate das vítimas do acidente da GOL na Serra do Cachimbo (região amazônica) em 2006. É capaz de suprir a alimentação do efetivo militar por até 30 dias, com tecnologia de acondicionamento de comida desidratada em contêiners.

Esqueceram de mim. O ministro Geddel Vieira Lima (Integração) se irritou com a convocação da reunião para tratar das obras da Transnordestina ontem, justamente o dia da tradicional Lavagem do Bonfim na Bahia, que reuniu todos seus adversários políticos. Na última hora, ele acabou sendo liberado por Lula.

Passar bem. Aloizio Mercadante (PT) responde à pressão do grupo ligado a Marta Suplicy, que colocou na praça a versão de que o nome dele é o melhor para disputar o governo: "Vou de senador. Não quero reabrir essa discussão".

Justificativa. O senador (32% no Datafolha) alega à direção do PT, para ira dos martistas, que Dilma Rousseff, se eleita, não teria a habilidade de Lula e precisaria de uma bancada articulada na Casa.

Modo petista. Diferentes correntes do PT explicam o empenho de aliados da ex-prefeita em lançar logo a candidatura de Mercadante ao Bandeirantes: nesse cenário, ela disputaria o Senado e não arrebanharia os votos de pelo menos quatro deputados que tentarão a reeleição.

Plano C. Com a aliança PV-PSDB-DEM no Rio, o PSOL voltou a falar em Heloísa Helena para a Presidência.

3D. Piada que correu ontem durante instalação da CPI do Panetone na Câmara Legislativa: a Durval (Barbosa) Filmes lançará o "Abafar", em referência ao domínio de aliados de José Roberto Arruda para esfriar a investigação.

Cronologia. O ex-governador Joaquim Roriz (PSC) enviou emissários à CPI para tentar negociar que o depoimento de Durval Barbosa se limite à gestão Arruda.

Tiroteio

A "cidade limpa" do Kassab é só uma fachada. O paulistano é punido diariamente pela incompetência gerencial da prefeitura.

Do vereador ANTONIO DONATO (PT), sobre a decisão da Prefeitura de São Paulo de adiar a instalação de contêiners de lixo nas ruas.

Contraponto

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O presidente Lula discursava no evento de lançamento da segunda etapa do Minha Casa, Minha Vida para cidades com menos de 50 mil habitantes, na terça-feira, quando resolveu fazer piada com a forma física de alguns petistas. Ao comentar a dificuldade para fazer chegar postes de luz a regiões do interior do país, citou como solução uma fábrica que passará a fazer postes de lã de vidro.
-Porque esse tipo de poste pesa só 130 quilos...
Em seguida, olhou para o rechonchudo Cândido Vaccarezza (SP) e disparou para gargalhada da plateia:
-Um cara como o Vaccarezza pesa mais que o poste!
Em tempo: o deputado petista afirma pesar 134 quilos.

CADELA AMESTRADA

NELSON MOTTA

Os cordeiros da folia

O Globo - 15/01/2010


Antes, o cordeiro era só um protagonista da fábula com o lobo, sempre atual, em que acaba comido. Ou então, metaforicamente, na Bíblia, como símbolo de pureza e sacrifício. Já na Bahia, os cordeiros têm uma missão crucial: são eles que seguram as cordas que cercam os trios elétricos no carnaval, isolando e protegendo os foliões do bloco, que pagaram caro pelos seus abadás. Agora, os cordeiros se tornaram o centro de uma polêmica que está abalando o carnaval baiano.

A prefeitura de Salvador promulgou um “Estatuto da Folia” que obriga os blocos a fornecerem calçados fechados, protetor solar, luvas, chapéu, camisas de algodão, três litros de água, alimentação adequada e duas caixas de sucos de frutas ou duas latas de refrigerantes por dia para cada cordeiro. Os donos dos blocos e dos trios dizem que não foram ouvidos e estão em pé de guerra, ameaçam até parar o carnaval. Reclamam da generosidade oficial com dinheiro alheio. No fim, o mais provável é que repassem as novas despesas para os compradores de abadá.

É dura a vida de cordeiro. A corda é grossa, áspera e pesada, e a massa atrás dela faz pressão violenta o tempo todo. Eles são milhares, recebem R$ 10 por oito horas de trabalho, e, diz a prefeitura, só água, uma caixinha de suco e outra de biscoito. Uns sofrem de dar pena, outros se divertem o tempo todo, cantam e dançam junto com os foliões, flertam, dão beijo na boca, já vi vários cordeiros esfuziantes na televisão dizendo que amam o seu trabalho.

Os cordeiros também são um dos pratos prediletos da demagogia dos políticos, turbinada pela natural verbosidade e veemência dos baianos. Como símbolo da exploração e da segregação, como barreira humana que separa os ricos, opressores e malvados de abadá, dos pobres descamisados do outro lado da corda. O cordeiro se sacrifica para que a burguesia possa festejar sem ser incomodada. O populismo carnavalesco exige a festa sem cordas.

Quem pagaria os trios elétricos, músicos, técnicos e produtores que fazem a festa acontecer? Os impostos de todos, até dos pobres.

Só falta um mais exaltado propor a Bolsa-Folia.

NELSON MOTTA é jornalista.

WASHINGTON NOVAES

Botar os impostos em cima da mesa

O ESTADO DE SÃO PAULO - 15/01/10


Apesar de ser tarefa quase impossível em ano eleitoral, quando graves questões são empurradas com a barriga - para não comprometer alianças políticas, financiamentos de campanha, etc. -, é impossível deixar passar sem registro problemas graves na área fiscal, que, postos sobre a mesa e solucionados, poderiam resolver ou atenuar deficiências alarmantes na área social.

Pode-se começar pela premência de solução para a questão da "guerra fiscal", algumas vezes já abordada neste espaço. Não há uma quantificação precisa dos "incentivos fiscais" concedidos em quase todos os Estados, a pretexto de estimular a instalação de mais empresas, com geração de postos de trabalho, mas que contribuem fortemente para a concentração da renda, já que a quase totalidade dos impostos estaduais e/ou municipais sobre produtos nelas gerados é paga pelos consumidores, pela sociedade, porém não precisa ser recolhida pelas beneficiárias. Não será exagero, entretanto, dizer que esses "incentivos" no País já somam muitas centenas de bilhões de reais. Basta ver o exemplo de Goiás (poderiam ser outros Estados), onde eles já passaram de R$ 80 bilhões e só em 2009 estiveram próximos de R$ 10 bilhões, quando em um ano a receita tributária ali foi pouco superior a isso e a dívida estadual chega a R$ 12 bilhões. A contrapartida alegada - os postos de trabalho "gerados" - fica apenas no terreno das estimativas, pois não é exigida nos contratos. Mesmo que concretizada, naquele Estado cada posto de trabalho (160 mil alegados) custou R$ 500 mil em "incentivos", valor muitas vezes acima da média habitual.

Não é preciso repetir aqui todas as estatísticas preocupantes em várias áreas dos serviços públicos no País. Basta relembrar números comentados em editorial por este jornal (15/12/2009, A3), segundo o qual, no ritmo de hoje, a coleta de esgotos no País, por deficiência de recursos, só será universalizada em 66 anos (atende atualmente a 42% da população). Entre outras razões, porque, dos recursos alocados - em 2008, por exemplo, R$ 12,2 bilhões -, menos de metade foi utilizado. E a saúde? A educação?

E não são apenas essas as variáveis do problema fiscal. Para assegurar a produção na mais recente crise econômica numerosas isenções de impostos foram concedidas - mais uma vez, beneficiando somente certos setores, mas prejudicando áreas carentes de serviços públicos. E de novo sem exigir nenhuma contrapartida (por exemplo, menores níveis de poluição para carros). Segundo o ministro da Fazenda, essas "desonerações" na área federal chegaram a "12 ou 13 bilhões de reais".

Mais um ângulo: a gigantesca "dívida ativa" da União, que soma os impostos não pagos e já reconhecidos: R$ 650 bilhões, segundo a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (Agência Estado, 23/8/2009). É outro processo infindável, em que boa parte dos devedores se inscreve em programas (Refis) para parcelar o pagamento, não cumpre, inscreve-se de novo. Da mesma forma no eterno parcelamento de dívidas de parte dos produtores rurais, que, ao fim de longos períodos, acabam sendo perdoadas. O que não daria para fazer com esses recursos?

Na atual crise da renegociação da dívida (R$ 4,1 bilhões) da empresa estatal de energia de Goiás, acumulada ao longo de quase três décadas, outro ângulo está sendo posto em evidência: o dos subsídios no preço da energia para empresas do chamado setor de eletrointensivos (alumínio, ferro-gusa e outros). Nesse caso, relatório da Fundação Instituto de Pesquisas da Universidade de São Paulo afirma que os subsídios a uma única empresa no nordeste goiano chegaram nessas décadas a R$ 1,5 bilhão - incentivos federais repassados ao Estado e que hoje significam mais de 36% da dívida da empresa.

Mas o relatório também ressalta mais um ângulo, costumeiro em processos de privatização: a empresa de energia goiana, que possuía uma usina de geração, foi levada pelo governo do Estado em 1996 a vendê-la a uma empresa privada. A receita da venda não foi repassada à estatal, que ainda passou a comprar energia de outras geradoras por preços mais de 50% superiores aos vigentes até então.

Por aí se entra em outro terreno minado: o dos subsídios em geral ao setor de eletrointensivos, tantas vezes já posto em evidência por questões como a de Tucuruí, uma usina que exigiu altos investimentos do poder público e gerou graves questões sociais e ambientais, já comentadas neste espaço. E que em duas décadas concedeu subsídios no valor de muitos bilhões, repassados à conta de cada residência ou empresa no País. Os críticos dizem que o quadro se repetirá se liberada a construção da Usina de Belo Monte. Adicionando material para a discussão desse problema, muitas vezes já apontado pelos relatórios do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud): países industrializados repassam aos demais a produção de bens dessa natureza, de alto custo (no alumínio, por exemplo, a energia representa mais de 50% do custo final), sem compensá-los pelos ônus sociais e ambientais dessa produção.

Neste momento, dois países estão engolfados nessa questão. O primeiro é a Venezuela, onde o governo ameaça fechar as empresas estatais do setor, que consomem um quarto da energia no país, às voltas com uma crise energética (Estado, 5/1). E o Vietnã, onde um general da guerra da década de 1960 comanda a oposição ao projeto de exploração intensiva de bauxita por uma empresa da China, por entender serem os riscos sociais e ambientais muito altos. No Brasil mesmo, são muitas as polêmicas que cercam projetos de novas hidrelétricas, nas quais seria alto o consumo de energia por empresas eletrointensivas. Em países capitalistas ou socialistas, não muda a questão.

São muitos os ângulos da questão fiscal a serem postos na mesa. Se não o forem, continuará subindo a carga tributária total, já em R$ 1 trilhão.

JAPA GOSTOSA

MERVAL PEREIRA

O Brasil e o Haiti

O GLOBO - 15/01/10


Desde que assumiu em 2004, a pedido dos Estados Unidos, o comando da Força de Paz da ONU no Haiti, o governo brasileiro vem fazendo gestões junto aos organismos internacionais, inclusive a própria ONU, para que se empenhem com mais vigor na recuperação do país mais pobre do ocidente, com programas de ajuda humanitária, mais apoio de forças de outros países, máquinas para limpar as ruas, dinheiro para programas sociais

O impacto da tragédia em Porto Príncipe está fazendo, afinal, com que a situação do Haiti ganhe relevância no discurso de líderes internacionais como os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da França, Nicolas Sarkozy.

É preciso agora que promessas antigas da comunidade internacional, como apoio financeiro do BID e da Comunidade Europeia, se tornem realidade, juntamente com o apoio indispensável, financeiro e político dos Estados Unidos.

O governo brasileiro jamais admitiu formalmente, mas viu desde cedo, no pedido dos Estados Unidos, uma boa oportunidade para reforçar sua pretensão de obter uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU.

As experiências anteriores, lideradas por militares dos Estados Unidos e da França, fracassaram redondamente sobretudo porque se limitaram à repressão militar violenta, criando um clima permanente de confrontação que era estimulado pelas gangues que dominavam a maior parte do território, especialmente em Porto Príncipe.

Esse foi o ambiente inicial que as tropas brasileiras encontraram em Porto Príncipe, e houve mesmo uma tentativa de grupos parlamentares de não aprovar a renovação da autorização para as tropas ficarem por lá, devido às notícias de que a rejeição da população era grande.

A estratégia de passar a prestar serviços básicos à população, depois de dominar as partes de Porto Príncipe que estavam controladas por gangues, foi fundamental para o êxito da força internacional de paz que o Brasil comanda no Haiti.

Uma das primeiras decisões para libertar a Cité Soleil, uma das maiores favelas do país, dominada por gangues armadas, foi participar da retirada do lixo que se acumulava nas ruas e era usado até mesmo como barricadas.

O clima de simpatia em relação aos militares brasileiros passou a predominar, consolidado pelo Jogo da Paz, em que a seleção brasileira jogou no Haiti. Até bem pouco, era comum ver bandeiras brasileiras pintadas nos muros da cidade, e crianças com camisas da seleção.

A necessidade de maior financiamento está explícita justamente nessa estratégia de dominação do território, onde o combate às gangues tem que ser seguido de uma atuação social imediata, levando escolas, postos de saúde, delegacias de polícia à população.

Da mesma forma que acontece nas favelas cariocas que eram dominadas pelos traficantes, se não houver depois a ocupação “do bem”, com o cumprimento efetivo do que se espera do Estado, a situação voltará ao que era.

A experiência que o Exército brasileiro está tendo no Haiti é considerada algo que tem sido efetivamente inovador no campo militar, por não se limitar à tarefa de polícia e dar aos militares treinamento em uma nova forma de atuação que pode ser útil em outras operações que envolvam a ocupação de territórios dominados por bandidos.

O Ministério da Defesa, por isso mesmo, está promovendo uma reforma na legislação, que depende da aprovação do Congresso, para dar poder de polícia às Forças Armadas que atuem em conflitos urbanos e também no patrulhamento das fronteiras.

A atuação junto às comunidades carentes em casos como o do Haiti é também uma aplicação da experiência que o Exército brasileiro já adquiriu na atuação em território nacional, como na Amazônia, por meio de ações cívico-sociais (as operações Acisos).

A importância estratégica que o Brasil ganhou com a atuação no Haiti coloca o país no centro das decisões sobre sua reconstrução, e o governo brasileiro pretende assumir a tarefa dentro do contexto de liderança regional: o que acontece nas Américas tem que ser do nosso interesse, é a definição do Itamaraty.

A mudança que o presidente Lula fez no texto, que ele não havia lido, do Programa Nacional de Direitos Humanos, no que se refere à criação da Comissão Nacional da Verdade, esvaziou a crise militar por uma simples razão: o recuo retirou do texto a carga de revanchismo que poderia justificar uma investigação tendenciosa. E deixou claro que na Lei de Anistia não se mexe.

Mas a abrangência de tempo — de 1946 a 1988 — já estava lá no texto original.

A Comissão da Verdade, em que pese o nome mal definido, pois chegar à verdade completa é impossível, por ela ser, por definição, inexaurível, poderá, mesmo com sua função podada de ideologia, “identificar e tornar públicas” as violações dos direitos humanos.

Não há nada que impeça que o governo, através dela, abra os arquivos dos tempos do regime militar.

Anistia é perdão, mas não é esquecimento.

Tem cabido à imprensa nos últimos anos a revelação de fatos obscuros do tempo ditatorial. Cito aqui duas grandes reportagens do GLOBO, entre tantas, como exemplo desse trabalho: Em 1995, a partir de documentos obtidos junto a fontes militares, um profundo trabalho investigativo reconstituiu a história da Guerrilha do Araguaia, proporcionando a descoberta de ossadas em cemitérios clandestinos, a identificação de uma guerrilheira dada como “desaparecida” e pagamento de indenizações às famílias.

Em 1999, uma série de reportagens do GLOBO provocou a reabertura do caso do Riocentro, provando oficialmente o que todos sabiam: que os militares foram os responsáveis pela explosão da bomba. Ninguém foi preso pois o crime havia prescrito, mas a história foi revelada

ARI CUNHA

Democracia de Hugo Chávez


Correio Braziliense - 15/01/2010


A Venezuela tem agonia para manter o orçamento. O presidente Chávez baixou medidas de restrições. A coisa começou quando Hugo Chávez fez a reforma do câmbio. O bolívar forte é desvalorizado em 50% em relação ao dólar. Cada dólar ganho na venda de petróleo aumenta a capacidade de investimento do governo. Com o resultado financeiro, Chávez quer dar aumento a funcionários públicos perto das eleições parlamentares. A Guarda Nacional fiscaliza a remarcação de preços. Golpe em marcha põe o “Exército como polícia da compressão no país”.


A frase que não foi pronunciada

“Corrupção é um negócio para o qual não fomos convidados.”
Barão de Itararé, de onde estiver, se preparando para dormir tranquilo.

Visita
Em uma foto, Hugo Chávez visita o metrô da capital. Não há ninguém. Os que o acompanham estavam vestindo roupas vermelhas. De longe era possível notar muita gente também de vermelho. Foi encenação para a visita quase em segredo.

Solução
Jack Szimanski, em carta dos leitores ao Estadão: “Que relatório que nada. Ponham os três caças no meio do Atlântico num confronto. Está aí a solução”. A carta explica que a solução é dada à moda Lula de resolver assuntos discutíveis.

Habitação
Preferindo se atirar em favor da habitação, Dilma Rousseff segue no pensamento de Lula. Minha Casa, Minha Vida é programa que não entusiasmou. Pouca coisa fez. Os poderes ofereciam tudo. Agora é pegar ou largar.

Imóveis
Tateando na realidade histórica de Brasília, o povo chega à conclusão. Os preços de construção estão acima da realidade do mercado. Não se entende o financiamento para os apressados. Paulo Octávio colocou os preços dos imóveis no último patamar. No Setor Noroeste são registrados os maiores absurdos. Além da aprovação duvidosa do Pdot, há dúvida quanto à legalidade da área. Isso pode salvar o povo.

Gasolina
Depois da propaganda mostrando mão tisnada de petróleo, a coisa murcha. A gasolina está sem controle. Produtores se negam a aceitar interferência da Bolsa de São Paulo. Seria maneira correta de lidar com o produto. Especulação aberta.

Direitos autorais
Barretão saiu às ruas. Foi conferir a venda do filme sobre Lula. Ficou acanhado. Um camelô vendia cópias piratas por R$ 10. Reclamando, o camelô não podia baixar nada. Dez reais era preço arbitrado. Não podia haver bonificação. Oito eram do camelô e R$ 2 pertenciam ao policial que facilitava a venda.

Um lado só
Lula deu o brado: “Calem a boca”. Repreendeu: os ministros não devem discutir o Programa Nacional de Direitos Humanos. A comissão da verdade sugere investigações de tortura. Apenas de um lado. Ou a moeda tem cara e coroa, ou então foi cunhada com apenas uma.

Alerta
Quem cumprimenta com um “Salve, salve!” deve pensar duas vezes. Na atualidade, quem adota a saudação são os traficantes.

Cerveja belga
A Bélgica vendia as melhores cervejas do mundo. O mercado foi invadido. Fábricas brasileiras compraram rótulos universais. O país da cerveja vai usar produto com finanças controladas.


História de Brasília

Nosso repúdio ao judeu Maurício L. Perlzweig, representante do Congresso Mundial Judaico perante a ONU e Unesco. Ser contra o casamento de judeus com católicos é negar a amizade universal, pela qual tanta gente tem sofrido e lutado. É restringir o âmbito social de uma humanidade, que perde pela falta de ajuda mútua e sofre pela ausência de compreensão. (Publicado em 22/2/1961)

AJUDA

LUIZ GARCIA

Haiti

O GLOBO - 15/01/10

Há algo digno de nota no terremoto do Haiti: é uma das poucas vezes que a Natureza leva morte e destruição em grande escala a essa triste e trágica nação caribenha.

Até recentemente, foram os homens — tanto brancos como haitianos — que quase sempre encarregaramse disso, com terrível eficiência. O primeiro europeu que lá chegou foi Colombo, poucos meses depois de descobrir a América. O descobridor genovês logo voltou para casa, e os visitantes seguintes foram espanhóis que logo entraram em choque com os franceses.

Quando a França ganhou a parada, no fim do século XVIII, a população nativa já tinha sido dizimada, por doenças e pelas tropas da potência colonial.

Colônias desertas não são muito lucrativas, e os franceses importaram mão de obra escrava da África. No fim do século XVIII, os negros já eram a maioria da população. E tomaram o poder. Mas quase todos os seus líderes não tinham grande amor pela democracia: nas décadas seguintes, 21 deles tiveram fim trágico, diversos foram depostos e condenados à morte; um foi linchado; outro morreu numa explosão em seu palácio.

Já no século XX, o Haiti penou sob a ditadura violenta de François Duvalier, o Papa Doc. Ele ficou 14 anos no poder, graças em grande parte à eficiente violência da milícia secreta dos tontons macoute e à exploração do vodu como magia negra.

Exploração e deformação: na sua origem africana, o vodu é uma tradição religiosa respeitável, da qual se originou o candomblé brasileiro.

Papa Doc foi sucedido pelo filho, o Baby Doc, só diferente do pai na falta de competência para se aguentar no poder.

Acabou deposto pelos militares. Os terremotos políticos não cessaram imediatamente, mas a situação é bem diferente hoje. O país é governado pela segunda vez por René Préval, primeiro chefe de governo haitiano que entregou o poder voluntariamente ao fim do primeiro mandato. Com certeza, Préval não merecia o terremoto. Já o sofrido povo haitiano, também com certeza, merece ter um presidente como ele — tão diferente de muitos de seus antecessores — nestes dias de tanto sofrimento.

JOSÉ SIMÃO

"BBB" Urgente! Biba não tem osso!

FOLHA DE SÃO PAULO - 15/01/10



E o novo patrocinador do Rubinho? RBS. Que, na verdade, é Rubens Barrichello Segundo!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! 2012 no Haiti! Como diz uma amiga minha: "O mundo é cruel mesmo. Precisava terremoto no Haiti? Já não basta aquela miséria desgraçada?". Eu tô falando que é o fim do mundo, e ninguém tá acreditando!
E recado de um leitor direto de Ubatuba: "Não comi, mas também não dei. Empate fora de casa é vitória". Rarará!
Novidades no "BBB"! Tem uma PM que gosta de apanhar. O quê? PM que gosta de apanhar? Ela é o lado errado do cassetete. PM gosta é de BATER! E aquela emo bibinha fervendo na festa? Vai acabar talhando. De tanto que ferve. Ela é invertebrada? É a carne louca que fugiu do pão! BIBA NÃO TEM OSSO! Rarará.
E essa vem de Portugal: tem a serra da Estrela, cujo pico mais alto é de 1.993 metros. Aí eles construíram um obelisco de sete metros. Pra arredondar a altura. Rarará! E essa: "Arrecadação de multas bate recorde em São Paulo". Claro, marronzinho não faz autuação, faz emboscada. Tá sempre escondido atrás do poste, de moita, de roupa no varal.
E eu tenho uma amiga modelo que tem um book, como toda modelo. Só que essa tem um book no Detran. De tanto que foi fotografada. Tem foto dela tomando cervejinha, foto falando no celular, foto avançando o sinal e foto sem ela, quando ela se abaixou pra fazer um boquete no namorado. Rarará!
E a foto de um carro de autoescola em Natal: "Não Buzine! ARRUDEIE!". Mas não é arrudear do Arruda do panetone. Aliás, eles podiam botar essa placa na CPI do Panetone: "Não buzine, ARRUDEIE!" Rarará!
E vocês viram o novo patrocinador do Rubinho? RBS. Diz que é um banco britânico. Errado. RBS é Rubens Barrichello Segundo. Rarará! É mole? É mole, mas sobe! OU como disse aquele outro: é mole, mas rela pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que no Maranhão tem uma localidade chamada Saco das Almas. Tudo parente do Sarney, o saco e as almas. Ueba! Mais direto, impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Banhista": companheira que leva as banhas pro banho de mar. Rarará. Quanto mais infame, melhor. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

GOSTOSA

DORA KRAMER

Triângulo das Bermudas

O ESTADO DE SÃO PAULO - 15/01/10


Com São Paulo sob jurisdição do governador e candidato a presidente, José Serra, Minas Gerais sob administração do governador e por ora candidato a senador, Aécio Neves, é fundamental para o PSDB resolver sua equação eleitoral no Rio de Janeiro, hoje terra de ninguém para o campo oposicionista.

O PSDB já governou os três Estados ao mesmo tempo, no governo Fernando Henrique Cardoso. Nunca perdeu o controle nos dois maiores colégios eleitorais, mas no Rio, depois de Marcelo Alencar, só fez definhar. A ponto de não contar com uma só liderança de expressão nacional nem de influência eleitoral no Estado.

Recuperar esse terreno é crucial para os tucanos, que precisam arrumar uma maneira de compensar a vantagem do presidente Luiz Inácio da Silva nas regiões Norte e, principalmente, Nordeste.

A fórmula seria "fechar" boas estruturas nos três maiores colégios eleitorais do País que, juntos, somam 54.990.759 dos 131.883.788 eleitores brasileiros.

Em São Paulo vivem 29.498.433 eleitores; em Minas estão registrados 14.150.093 votantes; no Rio eles são 11.342.233, um número importante demais para ser tratado com displicência e deixado ao sabor dos pré-candidatos hoje em primeiro lugar nas pesquisas: o governador Sérgio Cabral e o ex-governador Anthony Garotinho.

Isso posto, expõe-se também a razão pela qual não só o PSDB, mas todas as forças de oposição a Sérgio Cabral - em tese dono do capital eleitoral do presidente Lula - investem na composição de uma aliança em torno do deputado Fernando Gabeira como candidato a governador.

Na semana passada, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, estava praticamente convencido de que essa solução não seria possível, porque Gabeira havia decidido disputar a reeleição para deputado.

O PSDB, então, estava inclinado a considerar o Rio um caso perdido e concorrer apenas para assegurar o tempo de televisão com algum candidato frágil no tocante à densidade de votos, mas que defendesse a candidatura de Serra no horário eleitoral.

Começou até a haver uma paquera com Anthony Garotinho, conduzida por intermédio do ex-prefeito Cesar Maia, não para uma aliança formal, mas talvez para um acerto mediante o qual haveria várias candidaturas no campo oposicionista com o objetivo de quebrar o favoritismo de Cabral.

A partir do seguinte raciocínio: quanto menos votos o governador tiver, menos terá também a candidata de Lula.

Mas a partir do último fim de semana as coisas evoluíram para outro lado, embora sem prejuízo das conversações entre os adversários de Cabral e Lula.

Na nova versão, ainda em fase de modelagem, Gabeira seria o candidato, digamos, "principal" de uma coligação em princípio integrada por PSDB, PV e PPS. Ele faria a campanha nacional de Marina Silva e os candidatos nas proporcionais (deputados) apoiariam Serra.

Uma construção ainda nebulosa do ponto de vista do funcionamento. Gabeira diz que topa, vai conversar em breve a respeito com José Serra, mas condiciona o fechamento do acordo a um acerto prévio das regras do jogo. Em que termos?

"Nos termos de um entendimento nacional onde todos se sintam confortáveis", diz Gabeira, sem esclarecer grande coisa.

Pelo jeito, de propósito, pois por ora ainda há uma infinidade de problemas a resolver antes de a solução final se apresentar.

À francesa

A solução dada à crise provocada pelo ato que quase revoga a Constituição por decreto é solução nenhuma. O ministro da Defesa e o secretário de Direitos Humanos se declaram satisfeitos com a mudança do texto na parte relativa à Comissão da Verdade.

Considerando que sabem muito bem o que significa a frase "examinar as violações dos direitos humanos" - ou seja, nada -, satisfeitos mesmo só podem estar os militares, pois a nova versão avança menos que o acordo anterior (não cumprido) que previa o reexame das ações repressivas do Estado e as ofensivas da luta armada.

Não se discutiram os outros pontos que provocaram tanta reação contrária, simplesmente porque não serão levados adiante. O presidente Luiz Inácio da Silva debelou a crise como sempre faz: deixando o dito pelo não dito.

Mas pode ter criado um problema para sua candidata Dilma Rousseff ao dar margem à interpretação de que as metas contidas no decreto equivalem a uma plataforma de governo a respeito das quais Dilma será questionada durante a campanha pela oposição e pelos setores a cuja insatisfação não se deu a menor satisfação.

Vácuo

A estratégia do Planalto de distanciar Dilma Rousseff de qualquer situação ou discussão adversa é arriscada. Pode acabar dando a impressão de que ela não opina como candidata nem palpita na Casa Civil como ministra e, portanto, flana.

ANCELMO GÓIS

Tisto é Dilma

O GLOBO - 15/01/10

Dilma Rousseff, como se sabe, chamou Ricardo Teixeira de “presidente da Fifa” na cerimônia de lançamento do PAC da Copa, quarta, em Brasília. Mas o pior é que a ministra não entendeu por que Gilmar Mendes, presidente do
STF, em seu discurso, no fim, fez “votos para seu prognóstico em relação a Teixeira um dia se concretizar”.

SEGUE...
Foi preciso Lula explicar baixinho a Dilma que Teixeira não preside a Fifa, mas a CBF.
ALIÁS...
A apatia de Dilma na reunião levou um conhecido governador do PMDB, sarcástico, a comentar no ouvido de um colega do PT:
– Olha só o carisma da nossa candidata.
DITADURA NUNCA MAIS
Ontem, na posse do novo comandante do 2º Batalhão da PM do Rio, a locutora oficial lembrou os 120 anos da unidade e sua participação em alguns momentos históricos do País, “como a Revolução Redentora de 1964”. Ou seja, o Batalhão se vangloria de ter ajudado a implantar uma ditadura.
ILEGAL, E DAÍ?
O site de extrema direita www.ternuma.com.br traz um documentário, Carlos Lamarca, mitos e lenda”, contra o guerrilheiro comunista. Ocorre que a trilha musical usa, sem autorização, claro, duas músicas de Chico Buarque, Apesar de você e Cálice.
CONY, XEXÉO, VIVIANE
Um dos melhores programas do rádio brasileiro, Liberdade de expressão, na CBN, com Carlos Heitor Cony e Artur Xexéo, vai ganhar um terceiro participante a partir de segunda, dia 18. É a filósofa Viviane Mosé.
PENSE NO HAITI
Moradores de Santa Clara do Tinguá, numa das áreas mais pobres de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, decidiram arrecadar donativos na vizinhança carente o Haiti. A entrega das doações (leite em pó, água, moedas... O que for) começa hoje, às 8 horas, na Praça do Km 34.
NIZAN CONTRA O AXÉ
A briga de Nizan Guanaes com Bell, do Chiclete com Banana, parece ter ultrapassado o circuito Barra-Ondina. Fernando Barros, dono da Propeg, aproveitou para alfinetar o colega do mundo da propaganda: “A crítica ao pessoal do Chiclete foi um dos piores momentos do talentoso Nizan”.
BARROS CONTRA NIZAN...
Barros acha que Nizan não terá coragem de aparecer no carnaval como sempre faz.
– O que tem de vaia prometida para ele não está no mapa.
POXA, BAIXINHO...
Terça, com o Galeão-Tom Jobim apinhado e sem ar-condicionado, Romário furou a fila compriiiiiiiiiiiiiida de verificação de passaporte no embarque. O Baixinho foi num voo da American Air Lines para Miami.
CORRIDA NOS ARES
O Rio volta a receber a Red Bull Air Race, corrida de aviões conhecida como a F-1 dos ares, que teve uma etapa realizada aqui em 2007. Mas, desta vez, o evento, transmitido para 115 países, não será na Praia de Botafogo, onde 1 milhão de pessoas se reuniram para ver as manobras, mas na Praia do Flamengo, de 5 e 10 de maio.
NEJAR EM ROMA
Veja só. O Guia Telefônico de Roma traz agora em janeiro um conto de Carlos Nejar, da ABL.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

ELIANE CANTANHÊDE

O plano Fênix

FOLHA DE SÃO PAULO - 15/01/10



BRASÍLIA - O terremoto no Haiti criou uma pausa, mas não soterrou as críticas e pressões para novas mudanças no 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, depois das que Jobim (Defesa) já conseguiu para os militares. O primeirão na fila é Reinhold Stephanes (Agricultura), mas a igreja e as entidades de comunicação estão esperando a poeira baixar em Porto Príncipe para agir em Brasília.
Cada um desses setores tem discordâncias específicas, pontuais, mas eles vocalizam duas reclamações comuns a todos: a de que o plano "ressuscitou" questões que já estavam mais do que debatidas e resolvidas dentro do próprio governo e a de que só foram contempladas as contribuições e ideias da turma e dos setores mais à esquerda, como Meio Ambiente. O resto foi para as gavetas, ou para o lixo.
É para remexer o lixo que os descontentes estão a postos. A questão do aborto, por exemplo, já foi mais do que debatida no governo, com o próprio Lula dando a posição oficial: apoio ao aborto só quando entrelaçado a questões de saúde. A "autonomia da mulher para decidir" (que eu apoio) é coisa da Secretaria da Mulher, não do Planalto. Mas está lá no plano.
As precauções em relação aos transgênicos também foram mais do que debatidas nesses anos, com a decisão de delegar decisões à CTNBio (comissão de biossegurança) e a possibilidade de recurso a um conselho de ministros coordenado por Dilma Rousseff. Mas tudo isso foi desconsiderado, e quem está lá no plano como donos do assunto são o Meio Ambiente e a Saúde, por exemplo. A Agricultura? O gato comeu.
O plano, portanto, serviu para ressuscitar várias questões em que a esquerda foi derrotada no governo, servindo como revanche, ou terceiro turno, para cada uma. Jobim resolveu a parte dele, e Lula foi, digamos, salvo pela tragédia haitiana. Mas "a luta continua".
Desta vez, do outro lado.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Essa questão do caça não é uma questão comercial comum”
PRESIDENTE LULA SOBRE A COMPRA DOS CAÇAS RAFALE, OFERECIDOS À ÍNDIA PELA METADE DO PREÇO

FORÇA DE LULA DEIXA SERRA INSEGURO PARA 2010
O governador de São Paulo, José Serra, pré-candidato do PSDB à Presidência da República, tem demonstrado insegurança quanto às próprias possibilidades eleitorais. Ele se isolou do partido, recusando-se a assumir a candidatura, mas nas poucas conversas com aliados ele revela surpreendente insegurança ante da força eleitoral do presidente Lula e o crescimento da petista Dilma Rousseff nas pesquisas.
MEDO DOS 35%
O maior temor de José Serra é Dilma Rousseff atingir os 35% nas pesquisas. Se isso ocorrer, o governador paulista cai fora da
disputa.
ESTADO POLICIAL
Em conversas com amigos e aliados, José Serra se queixa também do “estado policialesco” implantado por Lula, para acuar adversários.
FHC CRITICA
O ex-presidente FHC é um dos críticos do imobilismo de José Serra. Acha que está passando da hora de ele concretizar sua candidatura.
NA ATIVA
O majestoso “Sucatão” foi o avião que levou bombeiros brasileiros ao Haiti. Fabricado em 1968, o Boeing 707 é orgulho dos pilotos da FAB.
DEPUTADOS SUSPEITOS CONTROLAM O DETRAN-DF
O presidente da Câmara Legislativa do DF, Leonardo Prudente (ex-DEM), aquele que enfiou dinheiro nas meias e aparece em vídeo rezando aos deuses da pilantragem, está entre os deputados suspeitos que indicaram os atuais dirigentes do Detran-DF, que fatura mais de R$ 200 milhões por ano. Outros ligados ao recente escândalo, como Milton Barbosa (PSDB), irmão de Durval Barbosa, controlam áreas do Detran.
LOTERIA
A empresa, do filho de Prudente, recebia R$ 2,4 milhões do Detran até 2007. Após ele virar presidente da Câmara, passou a R$ 19,6 milhões.
FATURANDO ALTO
No DF, há 1,1 milhão de veículos, mas somente em 2009 a “Indústria Detran S/A” aplicou 1,3 milhão de multas.
LEI IGNORADA
Ao contrário do que determina o Código Brasileiro de Trânsito, o Detran-DF não aplica o produto das multas em campanhas educativas.
CPI DA CORRUPÇÃO
A CPI da Câmara Legislativa, criada para “investigar” (sic) o escândalo na política do DF, consumiu sua primeira sessão, ontem, discutindo a própria denominação. A ala governista impôs “CPI da Codeplan”, órgão que foi dirigido por Durval Barbosa. Mas é CPI da Corrupção mesmo.
BLINDAGEM
O Comando do Exército tem afastado dos jornalistas, em Brasília, os familiares de militares que ainda são considerados desaparecidos no Haiti. Até agora, foram confirmadas 14 mortes.
SERRA CULTURAL
José Serra esteve sozinho no Rio de Janeiro para conversar com Cesar Maia, e ir ao lançamento do livro Charles Möeller & Claudio Botelho, Os Reis dos Musicais, onde conversou com Sérgio Cabral (pai), uma grande figura. Foi também ao teatro, mas chegou atrasado e nem
entrou.
REPAGINADO
O sisudo diretor da Polícia Civil do DF, delegado Cléber Monteiro, pediu licença para se tratar com o nutrólogo Marcos Sandoval. Vai encarar repaginado a campanha para deputado federal pelo PPS.
EM VÃO
O senador Valter Pereira perambulou pelo Senado, na quarta, procurando algum companheiro. Esteve em Brasília para saber como anda a liberação das emendas de 2009. Só encontrou sua sombra.
NO BALCÃO
O ex-ministro Murilo Badaró contou ao jornalista Petrônio Gonçalves o desafio de um amigo, dono de bar em Minas Nova (MG), a um bêbado: “Quanto é 51 dividido por dois?” E o bêbado: “Meio litro para cada!”.
CABO DE NOVO
O vice-presidente da Câmara Legislativa do DF, deputado cabo Patrício (PT-DF), retomou a patente de cabo. Ele foi expulso da PM após uma greve em 2000, mas está entre os anistiados por Lula em oito Estados.
PARA OTÁRIO VER
A CPI da Corrupção da Câmara Legislativa do DF faz lembrar a máxima do Barão de Itararé: “De onde menos se espera, daí é que não sai nada”.

PODER SEM PUDOR
LIMPEZA PROIBIDA
Em lugar de homenagear o empresário Michel Klein, ao encontrá-lo num evento da Casa Hope, em São Paulo, a ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy optou pela descortesia, chamando o “rei do varejo”, um dos maiores contribuintes do País (ele é dono das Casas Bahia), de “campeão de multas”. Ele devolveu:
– Melhor do que ser campeão da ineficiência e da burocracia.
Tudo porque seu Michel gosta de renovar a pintura externa de sua loja no centro de São Paulo, mas a prefeitura dificulta e retarda a autorização. Ele faz a opção pela limpeza e ordena a pintura, e por isso acaba multado.

O ABILOLADO

SEXTA NOS JORNAIS

- Globo: Horror, fome e revolta


- Folha: Estado frágil dificulta socorro às vítimas da tragédia no Haiti


- Estadão: Países ampliam socorro ao Haiti


- JB: Drama até para ajudar


- Correio: Brasil e EUA tentam tirar o Haiti do caos


- Valor: CVM nega acordo sobre 'insider' no caso Suzano


- Jornal do Commercio: Haiti pede socorro