sexta-feira, outubro 23, 2009

ARI CUNHA

Pré-sal só ano que vem

CORREIO BRAZILIENSE - 23/10/09


Há no Congresso relatório com levantamento geral sobre o pré-sal. Já poderia ter sido votado, mas aos poucos o governo vai protelando a apresentação ao plenário da Câmara e do Senado. Os estados desejam participação nos resultados. O governo tem outro pensamento. O dinheiro arrecadado com o pré-sal deve ser dividido entre as empresas estrangeiras que participarão nas despesas e nos lucros como sócias. É muito alta a quantia para começar a exploração. O Brasil não tem dinheiro para tanto. Entende, como melhor, verba separada para o setor. A presença de sócios é necessidade, para que o Brasil não arque com todas as custas sozinho. Como a oposição não reclama, o propósito é que o assunto fique para o próximo ano.


A frase que não foi pronunciada

“Na política, o que foi veneno pode virar remédio.”

» Pensamento para as alianças de 2010.


Igualdade

» Forma-se na consciência pública que a situação dos tóxicos não deve excluir ninguém. O traficante, quando flagrado, é preso. Com bons advogados, logo consegue libertação. O usuário da cocaína sustenta os traficantes, não tem advogado para isso. Fica como responsável por tudo. Quando os dois forem emparelhados, a sociedade vai entender como a culpa é de ambas as partes.

Crime

» Até hoje não se conhece o resultado da investigação sobre o assassinato do ministro Villela, esposa e empregada, no apartamento da 113 sul. Todas as esperanças estavam no envolvimento dos profissionais. Até hoje persistem o sigilo e a falta de coragem da polícia para contar a verdade, que deve saber.

Manga verde

» Mangueiras estão sobrecarregadas de manguitas ainda verdes. Os meninos que fazem entregas ou passam pelo Eixo Monumental e algumas superquadras jogam pedras e paus. As mangas verdosas são consumidas com voracidade. Fazem o papel de uma refeição. Com sal, a garotada se satisfaz e está pronta para nova marca no trabalho, sem fome.

Mutreta

» Autoridades também são criativas. Hoje é raro ver carros oficiais estacionados em supermercados ou em escolas de balé. O que se faz é ocupar o motorista do serviço público para dirigir o carro da família.

Ônibus parados

» Pelos pontos de estacionamento, o povo vai vendo dezenas de ônibus parados esperando o rush para serem postos em circulação. Não é bem aceita a iniciativa por parte dos passageiros. Quando um ônibus viaja lotado, facilmente haverá quebra na viagem. Passageiros descem e ficam à espera do próximo. Quase sempre lotado. Não é bom o transporte público em Brasília.

Posição

» Uma pessoa que deseja ver a mata jamais deve ficar embaixo de uma árvore. Ali vê apenas uma. Essa poderá ser sugestão aos que lutam pela manutenção das selvas. De longe ou do alto, tanto poderá ver descampado como mata virgem. Quem vê a Amazônia fica triste com a destruição e a sequência de criadores de gado.

Voz

» Comissão de Assuntos Sociais do Senado criou um Programa Nacional de Saúde Vocal para os professores da rede pública. Em parecer, o senador Papaléo Paes concordou que o professor que tiver lesão diagnosticada nas cordas vocais poderá ter a carga horária reduzida.

Dor

» De braços cruzados, o mundo faz ouvidos moucos aos frequentes apelos do povo da Etiópia. A fome atinge 6,2 milhões de pessoas.

Escrita

» Uma pena a publicação no Diário Oficial não ter tratado também da letra dos profissionais da saúde. A partir de 2011, as bulas virão com letras maiores e textos acessíveis aos leigos. Mas, para chegar ao medicamento correto, é preciso ter sorte com a letra do médico.

História de Brasília

Hoje é sábado, dia de ver chapa-branca só até o meio-dia. Pode dirigir tranquilo. (Publicado em 11/2/1961)

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PAINEL DA FOLHA

Marcação cerrada

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 23/10/09

Recém-prometido em casamento a Dilma Rousseff, o PMDB está disposto a não desgrudar um minuto do pai da noiva. Dois dias depois do jantar no Palácio da Alvorada, a cúpula decidiu ontem, em almoço na casa de Michel Temer, chamar os governadores do partido para um encontro com Lula na próxima semana.

Os peemedebistas querem vender ao presidente a ideia de que será possível chegar à convenção de junho com 85% de apoio interno à aliança em torno de Dilma. Criou-se uma comissão, formada pelos ministros Geddel Vieira Lima e Hélio Costa e os líderes Henrique Eduardo Alves, Renan Calheiros e Romero Jucá, para negociar com o PT os palanques estaduais.

Santa ceia - Comentário de um peemedebista que participou do almoço de ontem: ‘Estava todo mundo querendo saber quem é o Judas...’.

Um olho lá - Mesmo vestindo o terno do noivado com Dilma, o chamado PMDB governista permanece atento à oposição: ‘O drama todo é que os tucanos não definem quem é o candidato deles’.

Amigo secreto - Pela primeira vez, o PT fará em dezembro uma grande festa de fim de ano. Oficialmente, para dar início às comemorações pelos 30 anos do partido. Na real, para fazer mais uma pajelança em torno de Dilma. Líderes de siglas aliadas também serão convidados.

Calor - A tentativa do PSDB de tomar na Justiça o mandato do vereador paulistano Gabriel Chalita, que trocou o partido pelo PSB, gerou bate-boca na Câmara Municipal. O tucano Floriano Pesaro subiu à tribuna para criticá-lo: ‘O próprio Chalita defenderia sua renúncia’. Este devolveu afirmando que Pesaro apenas prestava serviço ‘ao chefe dele’. Leia-se, José Serra.

Deixa disso 1 - O líder da bancada de deputados federais do PT, Cândido Vaccarezza, recebeu telefonema do presidente do TCU, Ubiratan Aguiar, tão logo o partido apresentou na Comissão de Fiscalização e Controle requerimento de informações sobre gastos com viagens e diárias dos ministros do tribunal. A turma do TCU também chiou em jantar oferecido por Michel Temer.

Deixa disso 2 - A demora em despachar o requerimento para o TCU não resulta apenas do lobby dos ministros. Há uma ala significativa de deputados que não quer problema com o tribunal.

Holofotes - A oposição tentará levantar a todo custo as fontes de financiamento do MST. Escalará para a CPI os mais duros críticos dos sem-terra, como a senadora Kátia Abreu (TO) e os deputados Onyx Lorenzoni (RS) e Ronaldo Caiado (GO), ‘demos’.

Pá de cal - Já a CPI da Petrobras terá seus últimos suspiros nas próximas duas semanas. Serão ouvidos técnicos do TCU e da Petrobras sobre irregularidades em reformas de plataformas. Depois, o presidente da estatal, Sérgio Gabrielli, visitará a comissão, mas a convite do governo.

Bate... - A decisão de Lula de dar posse na terça ao novo ministro de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, pegou o Itamaraty de surpresa. Seu sucessor na secretaria-geral, Antônio Patriota, voou para Brasília na segunda, deixando no comando da embaixada em Washington seu braço direito, Carlos Martins Ceglia.

...e volta - Patriota retorna aos EUA para despedidas, em novembro, antes da posse do novo titular, Mauro Vieira.

Canetada - Antes de assumir hoje sua vaga no Supremo, José Dias Toffoli assinou novo parecer mantendo o entendimento de que a Anvisa não tem competência para proibir celebridades de fazer campanha publicitária de medicamentos. Segundo ele, tal decisão depende de mudança na lei e, portanto, só pode ser tomada pelo Congresso.

Tiroteio

Lula diz não ter ressentimentos, mas demonstra rancor contra Marconi Perillo, que antes da crise do mensalão o alertou sobre oferta de dinheiro para que uma deputada apoiasse o governo.

Do líder do PSDB na Câmara, JOSÉ ANÍBAL , sobre a entrevista do presidente à Folha, na qual ele diz que o tucano Perillo, primeiro vice do Senado, ‘não dá mais garantia ao Estado brasileiro do que o Sarney’.

Contraponto

Você por aqui?

Marco Aurélio Garcia, assessor de Lula para assuntos internacionais, saía da sede da TV Brasil após participar de um programa quando deu de cara com um homem que usava um chapelão igual ao do presidente deposto de Honduras.

- E aí, Zelaya, como vai? - brincou.

O dono do chapéu era ninguém menos que Eriberto França, o motorista que ajudou a derrubar Fernando Collor ao revelar, em 1992, que pagava despesas pessoais do presidente com dinheiro de uma conta fantasma. Eriberto é funcionário da emissora.



DIONISIO DIAS CARNEIRO

Eternizando o absurdo

O Estado de S. Paulo - 23/10/2009


Um dos problemas da atual recuperação é que ela se dá sem que tenham sido eliminadas as anomalias que deram início à crise mundial. O título deste artigo se inspira em uma frase de Goethe, em seu diário de viagem à Itália: "? aqui em Roma, ? onde o poder e o dinheiro eternizaram tanto absurdo." Extasiado pela beleza da arte romana e pelo longo período em que floresceu - em meio à decadência de costumes e à ruína de valores -, o escritor alemão sublinha o contraste entre arte e destruição, associando-as aos excessos de riqueza e de poder.

Esses elementos estão presentes nas patologias que a crise não foi suficiente para remover.

Há suficiente entendimento de que o aumento exagerado da demanda por ativos, que levou os preços dos mesmos a ultrapassarem os valores realistas, teve sua origem em duas falhas de gestão pública. Políticas monetárias expansionistas para prevenir quedas prolongadas de preços e políticas regulatórias fracas estimularam uma alavancagem excessiva das instituições financeiras. Encorajados pelo manejo das expectativas, que permitiam ajustes finos nas taxas de juros sem perturbar o crescimento, os banqueiros centrais ofereciam um seguro implícito contra a alta turbulência que estimulou a ousadia com o dinheiro alheio. A crença na capacidade autorreguladora dos mercados financeiros abriu espaço para que técnicas financeiras mal compreendidas pelos seus usuários dessem aos aplicadores uma falsa medida de segurança; aos devedores, a certeza de que não faltaria liquidez para seus projetos; e aos bancos, a confiança para vender ou estocar produtos de alta periculosidade. Parecia não haver limites para o crescimento da atividade bancária, dado o potencial global para a expansão da oferta de crédito.

Os desequilíbrios internos dos EUA, que provocaram a expansão da dívida da principal economia do mundo, não serão corrigidos no mandato de Obama. Forçam os limites da confiança no dólar, que nada mais é do que a confiança na capacidade de auto-correção da economia mais flexível do mundo. A combinação única de flexibilidade de preços relativos, governança monetário-fiscal e boa supervisão financeira colocava o dólar acima de qualquer desafio. Hoje, causa insegurança econômica para a economia global. Como emissores de moeda internacional de reserva, os EUA precisavam pagar pouco aos que financiavam sua dívida pública, pois estes buscavam, antes de mais nada, segurança. Em paralelo, o capital deixado sob a guarda dos gestores abrigados pela previsibilidade da economia americana podia render altas taxas. Por muito tempo os economistas podiam atribuir as altas remunerações do capital à eficiência na sua alocação. Os gestores se convenceram de que conseguiam medir bem os riscos e, assim, adequá-los ao apetite de cada classe de investidor. Esse engano produziu a abundância de financiamento barato - que multiplica a riqueza e o poder -, mas parecia eternizar, na expressão de Goethe, absurdos.

Infelizmente, dois anos depois de haver estourado a bolha de financiamento imobiliária poucos desses absurdos foram corrigidos. Restaurada a sua rentabilidade e livres dos prejuízos associados aos erros anteriores, os bancos desejam funcionar sob as mesmas regras de antes da crise. Isso tem gerado incômodo na opinião pública, mas influenciará pouco a reforma regulatória. Tudo se passa como se os lucros dos bancos não tivessem nada que ver com a enxurrada de dinheiro público. Os governos emitem dívida para absorver passivos impagáveis. Os déficits fiscais aumentam por causa das novas despesas com a saúde do sistema financeiro. Nos EUA o presidente tem dificuldade para mediar os conflitos entre os que cobram a necessidade de coerência fiscal em meio a escolhas cruéis: as despesas de guerra, a universalização do acesso ao sistema de saúde e a guarda dos ativos tóxicos dos bancos. O resultado é o risco de um deslizamento não controlado do dólar.

O Brasil se beneficia da recuperação do comércio e da confiança dos investidores, que voltam a buscar maiores rentabilidades. Vale aqui um conselho citado por Goethe: "Em Roma, devemos procurar todas as coisas com fleuma, senão nos tomam por um francês." Não nos devem surpreender os absurdos que começam a surgir no front doméstico. A abundância de financiamento pode produzir riquezas e certamente aumenta o poder dos governantes para explorar as fronteiras da imprudência. Sem cuidado, podem nos tomar por venezuelanos.


Dionísio Dias Carneiro, economista, é diretor da Galanto Consultoria e do Iepe/CdG

JESUS NO MENSALÃO

TODA MÍDIA

Os controles voltaram

NELSON DE SÁ

FOLHA DE SÃO PAULO - 23/10/09


No alto da home do "Financial Times", "Crise tirou estigma dos controles de capital". Abrindo o texto, "o mundo foi inundado de liquidez pelos bancos centrais das economias desenvolvidas e agora ela brota por toda parte", da Indonésia ao Peru. "Eventualmente, podem quebrar", avisa a coluna Lex. "Daí a nova taxa sobre entrada de capital no Brasil, que outros países podem seguir." Antes "desespero", hoje os controles são "medidas anticíclicas e prudentes". Na fila puxada pelo Brasil, lista África do Sul, Turquia, Chile e Colômbia.

A "Economist" é mais contida. Diz em editorial que "o declinismo sobre o dólar é exagerado", que "um colapso é improvável", mas se assegura registrando que "não quer dizer que os temores sejam infundados". Em reportagem, destaca que "a queda do dólar está complicando a vida para os países com câmbio flutuante". Lista Brasil, que partiu para a reação "direta", Canadá, Austrália e a União Europeia.

NÃO SOBE NEM DESCE
Nas manchetes de Folha Online, UOL e outros, o dólar fechou "estável". Na explicação do Valor Online, também manchete, "não houve força suficiente para sustentar nem alta nem baixa".

E NADA MAIS
Na manchete do iG, "Mantega descarta novas medidas contra alta do real". Em entrevista, disse estar satisfeito com os resultados da taxação e que o câmbio flutuante será mantido.

CASAL ESTRANHO
A nova "Economist" dedica capa e o primeiro editorial, "The Odd Couple" ou o estranho casal, para as relações entre EUA e China, sugerindo que Obama "deve ser mais confiante em suas tratativas com o rival mais próximo". Por exemplo, recebendo o Dalai Lama e até, na viagem a Pequim marcada para novembro, "alguns dissidentes"

RESPEITO DESCONFIADO
A revista encarta o especial "Um respeito desconfiado", com dez reportagens. Em suma, "EUA e China precisam um do outro, mas estão distantes de acreditar um no outro". Destaca, entre outros, o crescimento militar da China, mas avisa que Obama não deve "superestimar o poder chinês", ainda pequeno diante dos EUA

INTERVENÇÃO NO BOLSO
Nas manchetes americanas, do "New York Times" ao "Wall Street Journal", os EUA anunciaram ontem normas para limitar os vencimentos de banqueiros.
O primeiro sublinha que é para "desencorajar práticas de risco na busca descontrolada de lucro rápido". O segundo destaca que as regras da Fazenda (Tesouro) e do Banco Central (Fed) "marcam um divisor de águas para a intervenção no setor privado".

"TALK RADIO"
Na NBC, Obama disse "não perder o sono" com a guerra da Casa Branca com a Fox News, mas deu o canal por "talk radio" como são chamados os radialistas republicanos de grande audiência

PARTIDO & MÍDIA
O site Politico deu manchete para o temor eleitoral dos líderes republicanos, com a crescente associação do partido a "personalidades de mídia de retórica exibicionista e raivosa" como o radialista Rush Limbaugh e o âncora Glenn Beck, da Fox News.

PAREDE ON-LINE
O "Newsday", tabloide que circula em Nova York, anunciou que na próxima quarta a maior parte de seu site "será acessível apenas para assinantes", ao custo de US$ 5 por semana ou US$ 260 por ano. O "NYT" noticiou como "sinal do que vem por aí".

NO MORRO
Acima da manchete on-line do espanhol "El País", o relato do correspondente no Rio, que subiu o Morro dos Macacos em meio a ameaças de morte lançadas com ironia pelos muitos traficantes

CELSO MING

De paliativo em paliativo


O Estado de S. Paulo - 23/10/2009

Vão na direção correta as advertências do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, de que não é com o controle do fluxo de capitais estrangeiros que se garante a competitividade do produto brasileiro. Ele pede "investimento em inovação, produtividade e eficiência", e não um IOF sobre aplicações de estrangeiros em renda fixa e em ações.


Ficou difícil exportar um pouco porque o consumo global caiu e os mercados externos encolheram com a crise. Mas este não é um problema conjuntural. O produto brasileiro tem o pecado original de chegar caro demais ao mercado externo por um punhado de problemas graves, que vêm lá de trás.

Começa pela carga tributária excessiva em toda a cadeia de produção. No fim da linha de montagem, a mercadoria chega pesada demais com IPI, ICMS, IOF, Cide, ISS, mais um mundaréu de taxas. Os juros escorchantes são outra conversa. Nos Estados Unidos, uma empresa média paga de capital de giro entre 4% e 5% ao ano. Aqui, no desconto de duplicatas são 40%; no vendor, 17%; no desconto de promissórias, 53%. Mesmo as empresas que não dependem de financiamento bancário se entortam sob o custo financeiro, pois ele vai embutido no preço da matéria-prima, da peça ou do componente.

Outro problemão são as deficiências de infraestrutura. Boa parte do PIB físico do Brasil (excluídos aí os serviços) é carregada em carroceria de caminhão. E há os buracos da estrada que esmigalham amortecedores e pneus. É um custo enorme que se acumula porque as estradas estão no estado em que estão. Quanto não aumenta o custo da soja, que vem queimando óleo diesel lá de Mato Grosso e precisa ser descarregada no Porto de Paranaguá, mas antes tem de enfrentar a já conhecida fila de quilômetros na BR-277? E aí entramos em outro tipo de deficiência de infraestrutura: a falta de investimentos em terminais portuários e em condições de estocagem, o que obriga o caminhão a servir de armazém da produção.

São Paulo e Rio de Janeiro são servidos por uma linha ferroviária que, no entanto, está praticamente parada em consequência das baixas condições operacionais. Se o transporte ferroviário não funciona entre os dois maiores centros econômicos do País, imagine-se o que acontece com os outros. E, no entanto, a partir do momento em que for inaugurada a Norte-Sul, o custo da soja e do milho produzidos no Centro-Oeste cairá mais do que pela metade. Isso mostra como infraestrutura e logística podem mudar muita coisa.

O empresário brasileiro está mal-acostumado. Em vez de se bater por mais investimentos, por incentivos fiscais, por emprego de tecnologia de ponta, por implantação das reformas (do sistema tributário, da Previdência Social, das leis trabalhistas) e por maior agilidade do sistema judiciário, no qual as soluções dos conflitos ficam emperradas durante anos e anos, enfim, em vez de batalhar pela derrubada do custo Brasil e pela modernização do sistema produtivo, o empresário pede câmbio camarada. Lá pelas tantas sempre há no governo quem aceite esse jogo e despache uma desvalorização cambial, que compensa alguma coisa, mas não resolve o principal, que é proporcionar condições que garantam mais competitividade ao produto brasileiro.

Confira

A nova locomotiva - Enquanto a economia dos países ricos vai parando, a da China dá show de desempenho. O PIB do terceiro trimestre cresceu 8,9% em termos anuais em relação ao trimestre anterior. Somente o avanço da produção industrial em relação ao mês anterior foi de 13,9% em setembro e de 12,3% em agosto.
Os fatos desmentem algumas projeções feitas no início da crise de que o país não cresceria mais do que 6% neste ano.
Bom para o mundo e melhor ainda para o Brasil, que pode aumentar suas exportações de matérias-primas e de alimentos para a China.

GOSTOSA


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ELIANE CANTANHÊDE

Matando cachorro a grito

FOLHA DE SÃO PAULO - 23/10/09



BRASÍLIA - Segundo dados macroeconômicos do IBGE, o desemprego caiu e a renda cresceu, voltando aos patamares pré-crise.
Mas, segundo dados da realidade, colhidos pela Folha numa quilométrica fila de inscrição de concurso no Rio, a coisa é bem feia.
São 1.400 vagas para gari. Fora tíquete alimentação, vale-transporte e plano de saúde, o salário é de R$ 486,10. O suficiente para atrair 109.193 inscritos até ontem, dos quais 45 doutores, 22 mestres, 1.026 com nível superior completo e 3.180 incompleto.
Seria uma competição injusta com os que só têm até a quarta série do ensino fundamental -o mínimo exigido para a inscrição-, não fosse a inclusão de testes como flexões abdominais e corrida, literalmente mais suados e mais úteis que títulos e canudos para uma profissão tão sofrida quanto necessária. O risco é o sujeito ou a sujeita sair com a sensação de que estudou tanto, mas nem para gari serve.
Mal tiram a beca da formatura, a engenheira corre para um concurso de fiscal da Receita, o jornalista disputa qualquer vaga em qualquer repartição pública, o administrador de empresas aceita ser digitador no Itamaraty. Advogados caem às pencas de toda parte, até de táxis e quadros de portaria.
Na posse do ministro Samuel Pinheiro Guimarães (SAE), terça-feira, Lula encheu o peito para dizer que o ProUni colocou quase o mesmo número de estudantes que as universidades federais desde elas que existem. Mas para quê?
Há muito investimento a fazer em educação, inclusive no ensino público superior e no profissionalizante, e há dúvidas sobre essa multiplicação de vagas particulares.
Enche as burras de entidades privadas e tende a frustrar profissionais com diplomas inúteis na parede da sala. Será que é assim que se melhora o IDH, a qualidade do emprego e a própria educação? PS: Ainda dá tempo. As inscrições para gari no Rio só terminam hoje.

DIRETO DA FONTE

Olhos nos olhos

SONIA RACY

O ESTADO DE SÃO PAULO - 23/10/09


Um dia antes de reafirmar, na Britcham, no Rio, que "gostaria de ver a Vale mais bem administrada", Eike Batista recebeu para jantar, em sua casa, uma pessoa diretamente ligada à administração da quase-estatal: Roger Agnelli.
Teve "pax" no cardápio?

Sidernauta

A siderurgia brasileira tem capacidade de produzir hoje mais que 100% da sua demanda interna. "Mesmo assim, encontramos nicho na laminação de chapa grossa", observou ontem Jorge Gerdau, justificando o anuncio de investimento de US$ 1,7 bilhão.
E a pressão para a Vale entrar na siderurgia? "Sobre isto, não falo", desconversa.

Duas patas

Amantes do tênis, vem aí a moça do "Úúúú..." Maria Sharapova faz jogo-demonstração dias 6 e 7 de dezembro, trazida pela Maior. O lugar? Fazenda Boavista, empreendimento da JHSF.
Eleita pela People uma das 10 mulheres mais bonitas do mundo, calcula-se que já faturou US$ 12,5 milhões.

Quatro patas

Álvaro Coelho da Fonseca inaugura amanhã, com festão e concurso hípico, o Centro Eqüestre Geraldo Bordon, no Haras Larissa.
Coordenado pelo casal Patrícia e Caio Carvalho, da Confederação Brasileira de Hipismo, o centro fica em condomínio de Monte Mor onde ginetes como Doda Miranda já têm terreno.

Potro ao pé

Gisele Bündchen renovou com a Colcci. Vem para a São Paulo Fashion Week, em janeiro. Com status de mãe.

Milton forever

Persona gratíssima na cidade de Búzios, Milton Nascimento foi nomeado Membro Imortal da Academia de Letras e Artes Buziana.

Memória de guerra

Quarenta anos depois de assassinado pelos militares, Carlos Marighella, fundador da ALN, vai virar cidadão paulistano.
A homenagem póstuma acontece dia 4, na Câmara Municipal , com apoio do ministro Paulo Vannuchi.

E, pelo jeito, sua reintegração não para por aí: Isa Grinspun trabalha para transformar em filme a
história de sua vida.

Medo ou temor?

Palmério Dória reclama: nenhuma livraria do Maranhão aceitou fazer o lançamento do seu livro.
"Honoráveis Bandidos, um Retrato do Brasil na Era Sarney" será lançado dia 4, no Sindicato dos Bancários na cidade de São Luís.

Pechinchas do Baú

O SBT e o canal de vendas Shop Tour fecharam negócio. A partir de novembro, infocomerciais de 1 minuto entram na programação do canal de Silvio Santos.

Na Frente

FHC, Serra e Kassab marcaram presença, anteontem, na abertura da mostra O Pequeno Príncipe na Oca. Mas não chegaram a entrar no pique do evento. Fizeram seus discursos e... saíram sem ver a exposição.

O documentário 13 Minutos será exibido hoje, no Cine Bombril. Com debate com Denis Mizne, do Sou da Paz.

Fábio Assunção tem novo projeto: será protagonista do longa Amor Sujo, de Paulo Caldas. No papel de um padre. Polêmico, claro.

Serra e Reinhold Stephanes estarão no jantar dos 90 anos da Sociedade Rural Brasileira, dia 9, na Sala São Paulo.

Armando Monteiro jogou a toalha. Depois de fazer algumas pesquisas, resolveu abrir um escritório de representação da CNI em São Paulo. O que vai acontecer na terça.

Emanoel Araujo comemora hoje os 5 anos do Museu Afro Brasil com duas mostras: Sonhos e Utopias pela Liberdade e a instalação Oriki in Corpore.

A Wizo promove jantar dançante em benefício da entidade. Amanhã, no Gallery.

PT e PC do B convidaram Jiang Yuande, embaixador da China, para homenagear os 60 anos da Revolução Chinesa, segunda-feira, em Brasília . " Para o bem ou para o MAO"?

SEMPRE CAGANDO

WASHINGTON NOVAES

Rumo a Copenhague pisando em ovos


O Estado de S. Paulo - 23/10/2009


Que significará exatamente a afirmação do presidente da República (Estado, 24/9) de que o Brasil está disposto a discutir metas e compromissos de reduzir suas emissões de poluentes que contribuem para mudanças climáticas? Significará assumir compromissos obrigatórios no âmbito da Convenção do Clima, em Copenhague, em dezembro - compromissos que até agora tem recusado? E, se aceitar, como ficará sua posição perante os demais países emergentes, que até aqui se recusam a assumir esses compromissos, por entenderem que eles devem caber aos países industrializados, que emitem há muito mais tempo e, até há pouco, em maior volume?

Terão o mesmo sentido afirmações do ministro do Meio Ambiente de que o Brasil quer assumir compromissos "externos e obrigatórios" de reduzir o desmatamento na Amazônia em 80% até 2020? Segundo o ministro Carlos Minc (Estado, 25/8), o Brasil assumirá metas de redução, mas cobrará recursos, parcerias e tecnologias dos países industrializados, uma vez que nosso país já aceitou a meta de lutar para que o aumento da temperatura do planeta não passe de dois graus. Hoje, diz ele, embora o desmatamento tenha caído, a participação da indústria e da geração de energia no total das emissões nacionais subiu de 18% para 30% do total.

Na questão do desmatamento, a intenção brasileira há tempos anunciada é de reduzi-lo em 40% no período 2006-2009, tomando por base a média do período 1996-2005. Na verdade, meta já atingida, uma vez que o desmatamento médio no período-base foi de 19,5 mil km2 por ano, enquanto em 2006 foram 14,1 mil, em 2007 chegaram a 11,5 mil e em 2008, a 12,7 mil km2 - e a meta seria de 13,6 mil km2. Para chegar à redução de 70% em 2017 - outra intenção anunciada - o desmatamento terá de baixar para 5.700 km2 anuais. E para reduzir em 80% até 2020 precisará cair para 3.800 km2/ano.

Tudo isso, neste momento, parece estar no limbo, diante das dificuldades encontradas em Bangcoc nas discussões entre países industrializados, emergentes e demais nações, encerradas há duas semanas. Um impasse, na verdade, pois não se avançou em compromissos de redução de emissões, nem na transferência de recursos e tecnologias dos países desenvolvidos para os demais e que os ajudem a enfrentar os "desastres naturais" decorrentes do clima. Os países emergentes chegaram a acusar os industrializados de "sepultar" o Protocolo de Kyoto, que estabelece obrigação de esses países industrializados reduzirem, em conjunto, suas emissões em 5,2% sobre os níveis de 1990, no período 2008-2012. Só a Noruega se dispôs a reduzir suas emissões em 40% (sobre 1990) até 2020. E o diagnóstico dos cientistas é de que todos os industrializados precisariam fazer esse corte e chegar a 2050 com redução de 80%.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chegou a dizer que "só temos um par de sapatos (Kyoto), a lógica é ficar com ele", enquanto o Massachusetts Institute of Technology (MIT) divulgava estudo afirmando que o aumento da temperatura poderá até o fim do século subir até sete graus, bem mais do que o previsto pelo próprio Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). "A criação está ameaçada", afirmou o papa Bento XVI. O economista sir Nicholas Stern, consultor do governo britânico, autor de estudo sobre o clima e a economia, diz que é preciso, no mínimo, reduzir as emissões globais dos atuais 50 bilhões de toneladas anuais para 35 bilhões em 2030 e 20 bilhões em 2050. Para isso Estados Unidos, Japão e Europa precisariam baixar suas emissões em 80%, tomando por base as de 1990. E os demais países também precisariam reduzir, já que eles estão superando os industrializados em emissões. A Índia, que hoje emite 4 bilhões de toneladas anuais, passará a 7 bilhões em 2031, na tendência atual (emite hoje 1,27 tonelada/ano por pessoa, ante a média global de 4,82). A China poderá duplicar suas emissões até 2050.

Ainda haverá mais uma reunião preliminar da Convenção do Clima, em Barcelona, no começo de novembro. É possível que até lá se avance. Mas está difícil. Enquanto isso, o Brasil deveria prestar atenção a uma discussão que ocorre no âmbito do IPCC e que pode ter consequências importantes para o País.

Até aqui os estudos sobre emissões afirmam que o metano tem uma equivalência em relação ao dióxido de carbono de 23 vezes - isto é, uma tonelada de metano emitida para a atmosfera equivale a 23 toneladas de carbono, quando se mede a contribuição para o aumento do calor e as mudanças no clima. Para o Brasil é um complicador, já que, com o maior rebanho bovino do mundo, tem aí contribuição forte para as mudanças climáticas - cada boi emite 58 quilos de metano por ano em seus arrotos, no processo de ruminação de alimentos (medição da Embrapa Meio Ambiente). Com cerca de 170 milhões de bovinos, essas emissões podem chegar a quase 10 milhões de toneladas anuais, que equivaleriam a mais de 200 milhões de toneladas de carbono. No inventário brasileiro de emissões referentes a 1994 (o único até agora), elas foram quantificadas em 9,37 milhões. Somadas às emissões de metano por mudanças no uso da terra e de florestas e às decorrentes do tratamento de resíduos, chegaram a 12,29 milhões de toneladas. Que devem ser multiplicadas por 23.

A nova discussão num painel no IPCC - da qual participa o físico brasileiro Luiz Gylvan Meira Filho, que coordenou a área do clima no governo federal até 2002 - parte do princípio de que o método até aqui utilizado para aferir a equivalência do metano, o GWP (ou Global Warming Potential), deve ser substituído pelo GTP (Global Temperature Increase Potential), porque o aquecimento causado pelo metano é dissipado por radiação. E muda a equivalência, de 23 para 4 ou 5. No âmbito da química, os números não se alteraram - pelo menos até aqui.

Os pecuaristas, principalmente, têm muito interesse no tema. Precisam discuti-lo.

MÍRIAM LEITÃO

Evitar bolhas

O GLOBO - 23/10/09


O ministro Guido Mantega estava ontem numa situação curiosa: criticado aqui no mercado pelo IOF do capital estrangeiro e elogiado pelo “Financial Times” pelo mesmo motivo. “O IOF não é para impedir a entrada de capital na bolsa, mas evitar uma bolha; não é para barrar entrada de capital, mas evitar exageros, não desestimula investimento de longo prazo”, me disse Mantega

Mas o imposto de 2% sobre operações financeiras na entrada de capital para bolsas e aplicações em títulos públicos divide até o próprio governo.

O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, criticou a medida em entrevista ao “Estadão”.

— Estranhei muito a declaração do ministro porque ele participou comigo de uma reunião na véspera com empresários de todos os setores.

A decisão foi elogiada por todos e ele não disse nada — afirmou Mantega.

Há vários tipos de críticas à medida. Uma é que é inócua, não vai impedir a queda do real, outra é que ela provocaria distorções como por exemplo desviar recursos que viriam para aplicação na Bovespa para as ADRs de empresas brasileiras em Nova York. Mantega disse que ontem mesmo iria se reunir com Edemir Pinto, da BM&F Bovespa, para avaliar se há necessidade de alguma correção, mas avisou que nem pensa em voltar atrás: — Uma decisão como essa não pode ser conversada antes, a não ser entre a Fazenda, Receita, Banco Central. Depois, podem ser feitos ajustes, mas o IOF vai continuar.

Sobre o risco de desvio de recursos daqui para bolsas no exterior, ele também não acredita: — Nem todas as ações brasileiras têm ADRs, os IPOs (lançamentos de ações) não devem ser afetados. A tributação afeta quem tinha interesse de aplicação de curto prazo, mas no longo prazo um custo como esse se dilui.

Mas a questão é que a medida não segurou a queda do dólar, ele caiu num dia, para subir no dia seguinte. O aumento do IOF seria inócuo para evitar a valorização da moeda brasileira porque na verdade é um movimento global de apreciação de moedas principalmente de países exportadores de commodities.

Mantega disse que a tributação não foi feita para evitar a entrada de capital: — Queremos evitar os excessos, atenuar os exageros.

Não queremos que se crie uma bolha na Bolsa brasileira.

O IOF não vai impedir a valorização, tanto que a bolsa voltou a subir, mas acho que países-alvo, como Brasil, Austrália, outros produtores de commodities, precisam tomar decisões para atenuar o excesso de atratividade de seus mercados. Existe neste momento excesso de liquidez mundial e falta de ativos atrativos.

O Brasil depois da crise ficou ainda mais atrativo.

O jornal “Financial Times” elogiou a medida e disse que o governo brasileiro foi sábio ao tentar evitar uma bolha especulativa “antes que seja tarde demais.” O jornal mostrou que está entrando muito mais dinheiro para a bolsa do que para investimentos diretos e disse que esse é um ingrediente clássico para a formação de bolhas. O “FT” também defendeu a taxação do capital na entrada, e não na saída, e afirmou que o status do país como futura potência exportadora de petróleo só tende a agravar o problema.

Mantega explicou que o IOF não foi feito para aumentar a arrecadação, não é um controle do câmbio, e nem mesmo abandono do regime de câmbio flutuante: — É uma medida regulatória e não tem o objetivo de arrecadação. Em outros momentos, como no ano passado, foi colocado e tirado.

Não vai impedir a valorização do real e ninguém está pensando em abandonar o câmbio flutuante. Esse é apenas um pequeno obstáculo ao ingresso para evitar bolhas e excessos. Há um desequilíbrio cambial no mundo, por isso, acho que outros países vão pensar em maneiras para evitar distorções em seus mercados.

Ele tinha falado no dia anterior que o governo está pensando em outras medidas, e eu quis saber quais seriam. Mantega disse que estão sendo estudadas formas para reduzir o custo financeiro do setor exportador, ou para aumentar a competitividade.

Propostas inclusive que vêm sendo sugeridas no grupo de setores empresariais que se reúne com o governo e que se chamava Grupo de Acompanhamento da Crise, e que agora trocou de nome.

Mesmo assim, o debate vai continuar. O IOF criado pelo governo provoca dois tipos de críticas: o de ser inócuo e não atingir o objetivo que o exportador quer, que é deter a queda do dólar; e o de ser nocivo por derrubar a Bolsa.

Mantega estava ontem diante de outra situação curiosa.

O procurador-geral da Fazenda Nacional, Luis Inácio Lucena Adams, foi indicado advogado-geral da União: — Perco um excelente procurador e ganho um advogadogeral. Como 70% das questões que chegam à AGU são tributárias e fazendárias acho que só temos a ganhar.

Adams foi, junto com sua equipe, responsável pela maior vitória da Fazenda este ano e maior derrota dos exportadores.

A PGFN defendeu que o governo nada devia aos exportadores de crédito-prêmio de IPI. Era uma conta que podia superar R$ 200 bilhões se o governo tivesse que pagar os atrasados desde 1990 de uma isenção de imposto que a Constituição havia derrubado.

Apesar da divisão da base aliada e dos sinais ambíguos de algumas alas do governo, a PGFN foi firme na defesa da questão e o Supremo decidiu que o benefício ao exportador se extinguiu mesmo em 1990.

JAPA GOSTOSA


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JOSÉ SIMÃO

Ueba! Sabrina Sato sem calcinha!

FOLHA DE SÃO PAULO - 23/10/09



Kit "Ai Que Vergonha" tem camisa do Flu, boné do Rubinho, cueca do Suplicy e DVD do Joel!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Polícia acha maconha dentro de sanduíche no interior de São Paulo. Qual é o nome da cidade? BAURU! Rarará! PM acha sanduíche de maconha em rua de Bauru!
E a faixa numa loja de sapatos: "Na compra acima de R$ 300, ganhe uma rasteira de brinde". Rasteira é sandália. Você gasta R$ 300 e leva uma rasteira. Do segurança! Vupt! Se gastar R$ 600, então? Leva uma voadora! No peito! E adorei a charge do Duke sobre a Riolência 2016: dois cariocas conversando. "Rio 2016?" "Não, M-16."
RIO M-16! E o Zé Mayer, hein? O Galã Galinha! Ele é igual ao Romário: atacante da terceira idade! Viagra pro Zé Mayer é calmante. E a filosofia do Zé Mayer: Deus é dez, Robinho é 11, uísque é 12, Zagallo é 13 e acima de 18 eu tô pegando! E todo mundo sabe que quem botou a cueca vermelha no Suplicy foi a Sabrina Sato. E o site Éramos6 tá lançando a campanha: "Não queremos a cueca do Suplicy, queremos a Sabrina sem calcinha!".
E a Dilma casou com o PMDeiBem. Ueba! Agora sim. Pomos a Mão no Dinheiro do Brasil. Partido da Mutreta da Demência Brasileira! E depois do escândalo do Enem, o MEC mudou de significado. MEC quer dizer Melhor Estudar em Casa!
Rarará! E cresce o kit "Ai Que Vergonha": uma camiseta do Fluminense (mas um torcedor do Flu me disse que não é camiseta, é "manto sagrado"), a cueca vermelha do Suplicy, um DVD do Joel Santana falando ingrêis e o boné do Barrichello. Usou o boné do Rubinho, cai uma tartaruga na cabeça! E tem mais: o hino da Vanusa e o Galvão torcendo pra chover! É mole? É mole mas sobe! Ou, como diz aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão! Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha "Morte ao Tucanês". Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Mudé, no Pará, tem um motel chamado COME CRU! Deve ser o motel dos apressados. Mais direto impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Pensão alimentícia": companheiro que teve filho com a dona da pensão.
O lulês é mais fácil que o ingrêis. O ingrêis do Joel Santana. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! E vai indo que eu não vou!

ANCELMO GÓIS

Aço do Pará

O GLOBO - 23/10/09


A Vale apresenta quarta-feira agora o estudo de impacto ambiental e o pedido de licença para construir a siderúrgica de Marabá, no Pará.
Negócio de uns R$ 5 bi.
LAVOISIER
O Programa Monumenta, relançado por Lula na quarta com o nome de PAC das Cidades, é, na verdade, uma ideia original do então ministro do Planejamento José Serra.
Serra o apresentou em 1995 ao presidente do BID, Enrique Iglesias, em Tel Aviv, na reunião anual do órgão. Como se sabe, na natureza, nada se cria, tudo se copia.
O ANO QUE COMEÇOU
Ricardo Teixeira, presidente da CBF, e Luiz Barreto, ministro do Turismo, convocaram representantes das 12 cidades-sede da Copa de 2014 para uma reunião dia 5 de novembro.
Vão discutir a promoção turística do Brasil até lá. O objetivo é unificar a imagem do país a ser projetada lá fora.
DEPRESSA, MEU REI...
Aliás, a Bahia saiu na frente, e a licitação para concessão à iniciativa privada do Estádio da Fonte Nova já está na rua.
Já a do Maracanã, como se sabe, foi adiada mais uma vez. Depois dizem que baiano é que é devagar.
Com todo o respeito.
MASCOTE DO IMPERADOR
Quarta, Adriano, o Imperador, ídolo do Flamengo, comprou um cachorrinho buldogue para lhe fazer companhia.
Pagou R$ 3.800.
TEMPORÃO DO CAVACO
O ministro Temporão vai festejar na Lapa, logo mais, seu aniversário de 58 anos.
Reunirá os amigos no Clube dos Democráticos. A atração da noite é o grupo Sereno da Madrugada, de seu filho violonista, Fernando Temporão.
A CAPITAL DO RISO
O Rio, apesar dos pesares, foi tema ontem de um apaixonado artigo no jornalão espanhol El País, assinado por Juan Cruz.
O mote foi a entrega do Prêmio Quevedo a Ziraldo, nosso cartunista. “O que se passa com os brasileiros é que eles riem”, escreveu Cruz. “Quando a Espanha lançou Madrid aos Jogos de 2016, não contava com isso, que o Brasil ri. E o Rio é a capital do riso até no nome”.
Segue...
ESCREVEU AINDA
JUAN CRUZ: – Um dia, perguntei a Fernando Henrique Cardoso como estava seu País. Ele disse: “Mal, mas os brasileiros não sabem”. É que os brasileiros riem.
MEIRELLES 2010
A Rádio Corredor do PMDB tem falado cada vez mais em Henrique Meirelles, presidente do BC, recém-filiado ao partido, como candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff. É. Pode ser.
PAZ NO RIO
O movimento Rio de Paz promove amanhã, em Copacabana, um ato contra 20.000 mortes violentas registradas no estado nos últimos 1.000 dias.
Voluntários desfilarão pela Avenida Atlântica a bordo de 20 carrinhos de supermercado, imitando mortos, para reproduzir a cena de um dos corpos encontrados na guerra do Morro dos Macacos.
BENÇA, VÔ CHICO
Nasceu ontem Leila, filha de Helena Buarque com Carlinhos Brown, na Casa de Saúde São José, no Rio. Com ela, já são sete os netos de vovô Chico Buarque e vovó Marieta Severo.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO


DORA KRAMER

Jogo de profissional

O ESTADO DE SÃO PAULO - 23/10/09


Há duas maneiras de analisar o anunciado acordo entre PT e PMDB. Sob a ótica da eleição presidencial, o aludido "pré-compromisso" não significa nada em termos definitivos.

Tanto é que a presidente em exercício do partido, deputada Íris de Araújo - integrante da chamada ala governista -, disse que o rumo do PMDB só será definido na convenção de junho do ano que vem.

Agora, do ponto de vista das eleições estaduais, para governadores, senadores e deputados, o acerto firmado entre as cúpulas do PT e do PMDB significa muito.

Para o PMDB, bem entendido, que apenas cumpre sua vocação de federação de interesses regionais.

Se dependesse do PT, que em nenhum momento pediu para que se firmasse compromisso algum, o assunto só entraria na pauta mais adiante.

O acordo foi a maneira que o PMDB encontrou de se prevenir contra manobras do PT para se apropriar com exclusividade da marca Lula, uma vez que o presidente não conseguiu - ou não quis - que os petistas se enquadrassem às exigências do parceiro de abrir mão de candidaturas próprias em Estados considerados importantes pelos pemedebistas.

A saída foi forçar um compromisso de divisão da coordenação presidencial, pois com isso o PMDB acredita que terá mais força para negociar as alianças regionais em melhores condições.

Os próprios termos do acordo deixam isso muito claro. São quatro pontos. O primeiro - "os dois partidos se comprometem a construir a aliança" - é mera manifestação de intenção. O segundo - "os dois partidos comporão, necessariamente, a chapa de presidente e vice-presidente a ser apresentada ao eleitorado em 2010"- é um certificado de venda de terreno na Lua, pois trata de uma decisão a ser tomada pelas convenções partidárias daqui a oito meses.

O terceiro ponto - "os dois partidos dividirão a coordenação da campanha e a elaboração do programa de governo"- dá uma pista sobre o que realmente interessa.

O quarto vai direto ao ponto: "Esse compromisso será levado às instâncias partidárias para construir soluções conjuntas nas eleições regionais."

Tendo assento na coordenação nacional, o PMDB ganha força para influir nas alianças regionais sem que dependa de uma ação de Lula.

Note-se uma incongruência nos termos do acordo: no item 2 diz que os dois partidos integrarão "necessariamente" a chapa presidencial e no item 4 informa que o compromisso será "levado às instâncias partidárias". Trata-se, portanto, de uma questão em aberto segundo os próprios signatários.

Não houve falha de redação e sim propósito de parte a parte. Ao PMDB pouco se lhe dá quem sucederá a Lula. Ao partido interessa eleger o maior número possível de governadores, senadores e deputados para garantir o cacife de principal parceiro do presidente. Seja ele, ou ela, quem for.

Esse acordo interessa até à ala dita dissidente do PMDB, pois o fortalecimento do partido para firmar alianças regionais conforme sua conveniência é algo benéfico para todos, aliados da candidatura presidencial governista ou não.

Lá na frente, se Dilma Rousseff, Ciro Gomes ou quem venha a ser o preferido do Planalto estiver bem, o compromisso fica mantido.

Do contrário, bastará alegar que a convenção decidiu rejeitar a aliança e ninguém poderá falar em quebra de contrato. O mesmo vale para o PT se por algum motivo não lhe interessar fazer par oficialmente com o PMDB.

Gato escaldado

O presidente Lula, consta, teria sugerido ao PMDB intervenções nas seções do partido que discordem da aliança com o PT.

Foi mais ou menos o que o PMDB pediu a Lula meses atrás que fizesse com as regionais petistas que insistissem em candidaturas próprias.

Nenhum dos dois, porém, tem a menor intenção de patrocinar intervenções nas seções regionais.

O PMDB por falta de moral para falar em disciplina partidária e o PT porque não esquece da notória intervenção no Rio para se aliar a Anthony Garotinho, que pouco depois lhe daria o apelido de "partido da boquinha".

Pé atrás

Vamos e venhamos: está esquisita essa história da agenda da ex-secretária de Receita Federal Lina Vieira. O governo conferiu credibilidade a Lina quando tratou com desfaçatez a questão do encontro entre ela e a ministra Dilma Rousseff, contando uma história mal contada sobre o sumiço das imagens das câmeras de segurança.

Agora, que a ex-secretária não contribui com a própria versão ao afirmar, como afirmou quando foi depor no Senado, que uma reunião ocorrida no início de outubro acontecera perto do Natal, lá isso não contribui.

Judas

A entrevista do presidente Lula à Folha de S. Paulo, um marco, requer análise detalhada e, portanto, espaço. Vamos a ela amanhã.

CLÁUDIO HUMBERTO

“O governo não vai querer analisar nada”
SENADORA TUCANA MARISA SERRANO (MS), SOBRE AS INVESTIGAÇÕES DA CPMI DO MST

PT CRIA PROBLEMAS PARA MARQUETEIRO DE LULA
Como Lula não consultou a direção do PT para definir seu marqueteiro João Santana no comando da campanha de Dilma Rousseff, o ainda presidente petista Ricardo Berzoini deu o troco: confiou a um militante paraense a produção do próximo programa do partido em rede de rádio e TV, no horário gratuito. Berzoini não admite a crise em público. Nem se importa com a alegação de “dar a cara de Dilma” a esse programa.
PERGUNTA PARA DEUS
Lula disse à Folha que “no Brasil, Cristo teria que se aliar a Judas”. Em troca de qual boquinha para o traidor?
AI, QUE FOME
Enquanto não termina a licitação, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) paga R$ 1,2 milhão por três meses de restaurante.
VERSAILLES REVISITADO
A Presidência da República tem 617 cargos em comissão, os populares aspones. Não tem como invejar a Câmara ou o Senado...
AO MÉRITO
Ontem foi o Dia do Paraquedista. Os milhares de “cumpanhêros” que caem no serviço público lulista devem ter achado que era com eles.
PELEGADA ACHA PENSÃO MILIONÁRIA INSUFICIENTE
O Ministério da Justiça analisa a revisão da “anistia política” da presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas Graziella Baggio. Ela achou pouco R$ 7 mil mensais e R$ 648 mil retroativos. Pensionistas do Aerus sustentam que ela não seria mais aeroviária e não poderia presidir o sindicato. Há um ano, os aeronautas suspenderam na Justiça uma eleição fraudada e o mandato de Graziella já venceu.
ASSIM NÃO É LEGAL
Diante do quadro eleitoral, os eleitores, não só os bandidos, também poderiam ter progressão da pena. De votar.
LANCHONETE AIR
A Gol continua oferecendo um lanchinho muito mixuruca aos clientes, mas quem quiser pagar R$ 10 leva um sanduíche não menos sofrível.
AGENDA
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Ayres Britto, participa no próximo dia 13, em Teresina, do 1º Fórum Ibero-Americano de Direito.
MUNDO INSEGURO
Com o Rio pegando fogo, o ministro Nelson Jobim (Defesa) discute segurança com... a Eslovênia. Vai também aprender muito, até o fim do mês, na Espanha e Itália, que pelo visto está na moda no ministério.
BOLSA RECHEADA
O Ministério da Educação paga a excursão de dez servidores no exterior por uma semana. Um acompanha o chanceler Celso Amorim em visita a Mali, Guiné Equatorial e Togo, na África.
MAIS ESSA
Após a derrubada do helicóptero por traficantes, a imprensa internacional destacou os PMs liberando, e tomando os pertences, de dois assaltantes de um rapaz, que morreu sem socorro no Rio.
OS DESCONTENTES
A criação da CPI do MST contou com o apoio de 37 parlamentares do PMDB. É mais ou menos o número de descontentes com o acordo dos do partido para apoiar a campanha presidencial de Dilma Rousseff.
MST NO PODER
Decidido: Neuri Mantovani, que integrou a primeira direção do Movimento dos Sem Terra, vai substituir Marcos Lima na Subsecretaria de Assuntos Parlamentares da Presidência da República.
TROCA DE EXPERIÊNCIAS
A Infraero explica que seu presidente, Murilo Barboza, vai à Itália “trocar experiência no setor aeronáutico” e já visitou “com profundidade dez aeroportos administrados pela estatal”. Verá quanta diferença...
DINHEIRO (NOSSO) DE VOLTA
O Grupo Otimismo, de apoio a portador de Hepatite, recuperou R$ 231 milhões para o Ministério da Saúde, após denunciar ao Ministério Público, em 2005, erro nos repasses para comprar interferon peguilado.
REFLEXO
Ontem, como é de praxe, a internet no Congresso Nacional parou de funcionar ao primeiro sinal de chuva. Servidores e jornalistas ficaram de braços cruzados esperando o retorno do serviço. Ou o fim da chuva.
PERGUNTAR NÃO MATA
Também caçarão traficantes os 36 caças de combate que o governo vai comprar?

PODER SEM PUDOR
TERMÔMETRO POLÍTICO
Em 1966, o pai do jovem advogado Marco Maciel arranjou para ele um emprego de assessor do governador Paulo Guerra, no Palácio Campo das Princesas. Dias depois, Guerra seria visitado pelo amigo Chico Heráclito, chefe político de Limoeiro, que ao entrar no gabinete passou pela figura alta e esquálida de Maciel, vestido num terno branco e gravata vermelha. Chico Heráclito foi logo perguntando ao governador:
– Quem é aquele termômetro na sua antesala?

CPI

SEXTA NOS JORNAIS

- Globo: PM que roubou tênis era quem fiscalizava policiais


- Folha: Bolsa chora de barriga cheia, diz Mantega


- Estadão: Reforma do Senado fica só na promessa


- JB: Desemprego volta ao nível pré-crise


- Correio: A intocável hora extra do Senado


- Valor: Investidor tira R$ 1,6 bi da bolsa, mas já retorna


- Jornal do Commercio: Motorista mata, paga e é liberado