quinta-feira, outubro 22, 2009

PLÍNIO FRAGA

O Hamlet de Pindamonhangaba


Folha de S. Paulo - 22/10/2009

Ciro Gomes (PSB) vive momento hamletiano: ser ou não ser candidato a presidente? A resposta é mais difícil do que parece à nossa vã politicologia. Como alardeia fidelidade ao presidente Lula, Ciro submeterá seu projeto pessoal -a disputa da Presidência- ao que melhor convier a Lula -por exemplo, disputar o governo de São Paulo, como bom cidadão pindamonhangabense que é.
Qual o fator fundamental para decidir se a base governista terá um ou dois candidatos? A maior ou menor possibilidade de Serra vencer já no primeiro turno. Na pesquisa Ibope mais recente, o tucano tem 35% dos votos, contra 40% da soma de Ciro, Dilma (PT) e Marina Silva (PV), com margem de erro de dois pontos percentuais. Ou seja, não é uma ideia improvável.
Para tal, a seguir os conselhos de marqueteiro próximo ao núcleo PSDB-DEM, Serra terá de fazer um discurso não raivoso contra Lula, naquela linha que Aécio Neves mais repete: nem a favor, nem contra, mas pós-Lula. Serra, que passou a campanha de 2002 dizendo que não era o momento de olhar para o retrovisor, na tentativa de escapar da herança de FHC, teria de continuar a propor que se olhe para a estrada, sem satanizar a era Lula, para não se indispor com 67% dos eleitores que o aprovam.
A saída de Ciro dessa disputa ajudaria mais a Serra (que poderia liquidar a fatura no primeiro turno) ou mais a Dilma (que poderia ganhar corpo com votos governistas hoje dados ao pré-candidato do PSB)? Ninguém tem essa resposta, apesar de pesquisas poderem indicar possibilidades, mas nunca permitir certezas absolutas.
Daí por que Lula deve adiar ao máximo o bater do martelo sobre se é melhor ter um ou dois candidatos contra Serra. Como diria o aliado lulista Fernando Collor, o tempo será outra vez o senhor da razão.

TODA MÍDIA

"Good choice"

NELSON DE SÁ

FOLHA DE SÃO PAULO - 22/10/09


Em editorial, o "Financial Times" faz longa defesa da taxação em 2% da entrada de capital no Brasil. Começa dizendo que, "diferentemente da garota de Ipanema, o rebolado do real tem sido tudo menos gentil", resultado de uma "paixão cega dos investidores estrangeiros -até que o governo disse basta".
"Apesar dos investidores ofendidos", escreve o "FT", "foi uma boa escolha".

Afirma que ela se justifica, não para conter a valorização do real, e sim diante da "causa profunda" que é a entrada de capital em crescente intensidade. Falando em "atração fatal", diz que "este amor pelo samba pode ser coisa boa demais: tem os ingredientes de uma bolha emergente clássica".
Avalia que "o governo é sábio em se preocupar antes que seja tarde". Que "implantou sua política com sensibilidade, a taxa é modesta e trata os investidores com honestidade, cobrando na entrada e não quando eles quiserem o dinheiro de volta".

Em suma, "o Brasil bem-sucedido terá de viver com um real forte", o que a taxação não muda, "mas ajuda a manter a tarefa administrável".

JUROS ALTOS ATRAEM
No Brasil Econômico, 18h40, "Copom mantém juros inalterados em 8,75%". Pouco antes, na Bloomberg, "Real sobe com aposta de que juros altos vão atrair investidores", apesar da taxação de 2%.
Na TV Bloomberg original, "os investidores olham a alta taxa de juros e você realmente pode ver a diferença, 8,75%, Europa 1%, EUA 0%. É outra razão por que os investidores são atraídos ao real".

FRUSTRANTE, MAS
A CNBC debateu a taxação e se "outros países vão seguir o Brasil". De Tim Seymour, da Seygem Asset Management: "Para "hedge funds" como o nosso, foi frustrante". Mas com Jogos, Copa "e sobretudo sua economia" o país é "fantástico". Sugeriu comprar, "mas não pule na Petrobras amanhã", espere "alguns dias".

A BOLHA
O "Wall Street Journal" destacou as "palavras de medo de uma nova bolha" ouvidas num evento do Fed de San Francisco, sobre os emergentes. "Graças aos baixos juros nas economias desenvolvidas", basta "emprestar dólares, usá-los para comprar, digamos, no Brasil, e você faz dinheiro (bem, você podia, até o Brasil pôr controles limitando a entrada de capitais)".
Em outro texto, noticiou a "reação global ao declínio do dólar", com o alerta de que "o Brasil não está sozinho". Canadá e França ameaçam intervenção.

JARDIM PAULISTA
No "WSJ", "o Citigroup cancelou reforma em sua sede brasileira que incluía um terraço chamado pelos funcionários de jardim suspenso", ressaltando "sua situação delicada desde que obteve US$ 45 bi do governo americano"

RIO LÁ E CÁ
E o "JN", de novo, destacou que o "NYT" noticiou que a violência no Rio "agita o Brasil".
Já o tabloide inglês "Daily Mirror" deu longa coluna de Oliver Holt, que veio ao Brasil, com o título "A violência que eu vi não mudou minha visão de que os Jogos no Rio são uma das maiores ideias do COI".

O PAU QUE FODE O BRASILEIRO

MÍRIAM LEITÃO

Batalha do Rio

O GLOBO - 22/10/09



Rio é diferente do país porque aqui há arma pesada, há grupos rivais. Mas seria injusto dizer que o Rio está sob o controle do tráfico”, me disse o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.

“Temos feito progressos e até o final do ano serão dez áreas com a polícia pacificadora.” Ele faz críticas à burocracia para a compra de equipamentos e ao regime de progressão de pena

Conversei ontem de manhã com o secretário sobre a crise de segurança do Rio e ele deu várias explicações que mostram a complexidade do assunto.

— Se o Rio quiser comprar um colete balístico leve para a proteção dos policiais, não pode, porque o Ministério da Defesa estabelece limites para produtos que têm similar nacional. Se quiser comprar fuzis para as tropas especiais, tem que ser o da Imbel, e após o Exército dar autorização.

O produzido no Brasil é pesado, e os traficantes estão comprando por telefone produtos leves de outros países. Se precisarmos de um carro blindado para deslocamento das tropas, o Exército entende que não pode, porque a partir de um nível de blindagem é só para situações de guerra. Estamos aguardando dois helicópteros desde o começo do ano.

Estamos em desigualdade de condições — disse ele.

Beltrame sabe que a luta no Rio exige o cuidado de proteger a população inocente: — Não é simples, nós temos que saber como trabalhar.

Não podemos simplesmente entrar, do contrário morre muita gente inocente.

Temos que agir com responsabilidade, inteligência e estratégia.

Mas os policiais precisam estar protegidos.

Ele elogia alguns programas federais, como o Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) que está qualificando policiais no Brasil todo, inclusive no Rio, mas acha que falta entender no que o Rio é diferente de outros estados: — Aqui, há três grupos de bandidos rivais lutando por partes do território e a milícia; as armas são mais pesadas.

A maior parte da cidade está normal, a maioria das comunidades não está sob o controle do tráfico, mas há áreas onde as forças de segurança podem até ir, mas não podem ficar. Isso tem que mudar.

Conversei também com um general do Exército. Ele admite que a burocracia da compra de armas pela polícia pode ser simplificada, mas alerta que é preciso haver restrições para evitar que armas exclusivas das Forças Armadas sejam roubadas como aconteceu em São Paulo no centro de treinamento da Polícia Civil.

Acha que o problema do Rio não é de armas: — Nós doamos vários fuzis 762, belgas, para várias policias do país. Produzimos no Brasil equipamentos bons e temos que fortalecer a indústria nacional. A ideia de combater de helicóptero uma área superpovoada com gente inocente é loucura. Helicóptero só pode ser blindado na parte inferior, do contrário fica pesado demais.

Mas concordo que a burocracia precisa diminuir, que a atribuição de combater o tráfico de drogas é da Polícia Federal, basta ler a Constituição. Eu, sinceramente, não invejo o secretário de segurança do Rio.

Ele não deve dormir.

Beltrame trabalha muito, de fato, e tem conseguido avanços. Mas os erros na segurança do Rio são velhos, em vários pontos há controvérsias insanáveis. O ponto central do pensamento de Beltrame é indiscutível: o que não pode haver é o controle de nenhum pedaço do território por bandidos: — Nestas áreas, 99% das pessoas são boas, bons cidadãos.

Nós temos que tirar o controle da mão dos bandidos e começar nosso trabalho novo, como está sendo feito nas UPPs. Até o final do ano, teremos mais cinco áreas ocupadas. Não posso dizer quais. O total que pretendemos é de 43. Foram escolhidas por uma série de critérios, depois de estudos e análise estratégica. Pacificar é parte do trabalho, mas não é o único. Temos que reprimir, lutar contra os criminosos. O ciclo da criminalidade tem que ser quebrado no Rio.

Os policiais que têm ido trabalhar nas UPPs são novos, sem os vícios que se encontram numa parte da polícia, e que saem da academia preparados para a nova realidade da convivência cooperativa com os moradores.

Até o fim do ano serão mais 300, e até o mês de abril do ano que vem, mais 1.300.

Beltrame disse que de cada dez pessoas que prendem, oito são reincidentes. Isso seria, segundo ele, mais uma prova de que é preciso rediscutir a questão da progressão da pena em casos de tráfico de drogas e armas.

O general, com quem conversei, fez a mesma reclamação que Beltrame em relação à desigualdade de condições na luta contra o crime na fronteira: — Em termos de dissuasão e controle territorial, não temos problema. Mas para reprimir o ilícito transfronteiriço, nossa mobilidade é pequena.

Nossas voadeiras são de 60 HP, as dos traficantes têm 250 HP. Não alcançamos.

A luta é desigual. Nossos pelotões são clareiras na selva distantes às vezes mil quilômetros um do outro. Nossa fronteira terrestre tem 15 mil quilômetros. Os Estados Unidos e o México têm 3.100 quilômetros de fronteira e não controlam tudo.

Uma lição que o Exército aprendeu no Haiti, segundo o general, foi que não adianta entrar numa favela dominada pelos bandidos e sair. Isso demonstra força dos bandidos.

É preciso ir e ficar como nas UPPs do Rio.

DIRETO DA FONTE

Evo e seu pagodeiro

SONIA RACY

O ESTADO DE SÃO PAULO - 22/10/09


Evo Morales escolheu: Netinho de Paula será seu garoto-propaganda em São Paulo. É que os bolivianos que vivem fora do país poderão, pela primeira vez, votar em uma eleição presidencial - e Evo concorre a novo mandato no dia 6 de dezembro.
O presidente e o vereador encontram-se hoje em Cobija, na fronteira do Acre com a Bolívia, para selar a aliança. O trabalho do pagodeiro, na verdade, será um reforço mais psicológico do que numérico. "Dos 150 mil bolivianos que vivem no Brasil, 25 mil estão aptos a votar", esclareceu Andres Guzman, senador aliado de Evo, que veio a SP assinar acordos com PT e PC do B.

Fornada quente

A Objetiva prepara lançamento do seu livro Lula, o Filho do Brasil. Os originais de Denise Paraná foram para a gráfica e contêm episódios que não aparecem no filme, baseado no livro-tese de doutorado de Denise.
Entre eles, o do velório da primeira mulher e do filho de Lula, quando o chão da casa dele cedeu com o peso dos caixões e das pessoas presentes.

Berço esplêndido

Kassab tem dito a assessores que não vai perder o sono por causa dos vereadores aliados ameaçados com perda de mandato. Baseia-se no fato de o TSE já ter analisado casos semelhantes de doações e não ter encontrado irregularidades.

Primeiro, a mãe

Representantes do Timor Leste estão no Brasil para conhecer mais detalhes do Bolsa-Família.
Querem melhorar a versão timorense do programa, que lá se chama... Bolsa-Mãe.

Jeito enviesado

Um paulistano recebeu, dias atrás, estranho telefonema de alguém que se dizia do INSS. Procurava por seu pai, aposentado, dizendo que ele tinha direito a um "adiantamento salarial".
O cidadão esticou a conversa e contaram que o que se oferecia era um empréstimo. Por fim, pressionada, a atendente esclareceu: trabalhava para a BB Financeira...

Nome da vez

Pelo que se apurou, tem motivo simples o fato de o nome de Sérgio Rosa, da Previ, estar sendo "usado" para incomodar Roger Agnelli, da Vale.
É que seu mandato acaba em maio e ele não pode ser reconduzido à presidência. A não ser que mudem os estatutos do fundo de pensão.

Saber Oiticica

Enquanto a família de Helio Oiticica faz uma triagem do prejuízo do incêndio em sua obra, o poeta Ferreira Gullar - que foi grande amigo do artista plástico - se propôs a dar uma aula sobre sua obra e sua trajetória.
Que acontece sábado, na Casa do Saber dos Jardins.

Bresser e o direito de crescer

Para crescer, é preciso ser nacionalista. E, além disso, ter uma estratégia nacional de desenvolvimento. Foi esse o recado central de Luiz Carlos Bresser-Pereira à platéia de economistas, professores e alunos que foram ouvi-lo anteontem na Livraria da Vila - onde lançou, pela Campus, o livro Globalização e Competição.

"Mas eu falo de um nacionalismo como o inglês, o sueco... não tanto o dos americanos", advertiu. "Significa uma sociedade inteira pensar na mesma direção, que é se desenvolver. Coisa que já fizeram tantos outros países, que faz a China."

"Eu me considero um economista estruturalista keynesiano", definiu-se. Não poderiam faltar, na sua fala, as farpas ao neoliberalismo, tão caro a certos ninhos tucanos. Rodeado de amigos como Yoshiaki Nakano e Fernão Bracher, o ex-ministro afirmou que "para os neoliberais, um país só cresce quando garante a respeitabilidade dos contratos". Ora, rebate ele, "o Brasil respeita os contratos muito mais que a China, mas esta é que cresce bem mais. Por quê? Porque ela tem uma estratégia nacional de desenvolvimento". Não mencionou que isso é mais simples de conseguir em regime ditatoriais.

O livro - que para honrar o título sai também em inglês e francês - fala do desafio entre Estado e globalização, de crescimento com poupança externa e até da... doença holandesa. Que aparece em países como Venezuela ou Iraque, donos de uma grande riqueza, como o petróleo, e que não se desenvolvem.

Por fim, atacou o populismo cambial. Aquele pelo qual "a inflação cai, os salários se valorizam e você é reeleito". GABRIEL MANZANO FILHO


NA FRENTE
A equipe da Villa Daslu organiza exposição com 40 joalheiros. De 4 a 7 de novembro. Com direito a leilão beneficente.

Marcilio Moraes ganhou reforço para escrever a novela Ribeirão do Tempo, para a Record. O da dramaturga Consuelo de Castro.

O Prêmio Portugal Telecom de Literatura acontece dia 10, na Casa Fasano.

A Pacha São Paulo celebra 3 anos hoje, com participação do DJ René Vailtl.

Abre hoje a mostra Tesouros da Coleção Roberto Marinho. Na BMF&Bovespa.

A revista Rolling Stone brasileira comemora 3 anos. Hoje, no Bourbon Street.

Esbaforido, Sarney foi o último a chegar ao jantar oferecido ao PMDB, na terça. Não era nenhum "jantar secreto". Mas não o avisaram de que ele mudou do Torto para o Alvorada..

GOSTOSA


CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIAR

KENNETH MAXWELL

Obama: fraco ou astuto?

FOLHA DE SÃO PAULO - 22/10/09


OS SABICHÕES estão confusos. Seu temor parece ser o de que o presidente Barack Obama seja "mais conversa que ação". Richard Cohen, em artigo para o jornal "Washington Post" nesta semana, avaliou que Obama era bom demais para ser verdade: "A busca pela perfeição pode nos impedir de ser bons o bastante".
E há alguma verdade nessa crítica. O governo Obama, por exemplo, vem demorando muito a indicar novos juízes federais. Obama prometeu durante a campanha eleitoral do ano passado que avançaria de forma agressiva na frente judicial. Mas até esta semana, nove meses depois de sua posse, Obama só enviou ao Senado, encarregado de confirmá-los, os nomes de 23 juízes. E destes Obama só conseguiu confirmação para três -um para a Corte Suprema, um para a instância de recursos e um para a primeira instância.
No mesmo período, o presidente George W. Bush apontou 95 juízes, e já havia conseguido a confirmação de oito. Bill Clinton conseguiu confirmar oito juízes federais de primeira e segunda instâncias e um juiz para a Corte Suprema.
É verdade que as audiências de confirmação da juíza Sonia Sotomayor requereram muito tempo no Senado. A indicação de Obama foi confirmada, e a juíza Sotomayor agora integra a Corte Suprema.
Mas a inação quanto aos postos nos tribunais de recursos e de primeira instância significa que existem 90 postos judiciais vagos, ou 10% do total nacional.
Os liberais estão irritados porque acreditam que essa demora só sirva para encorajar os republicanos do Senado a bloquear indicações, especialmente no ano que vem, quando as eleições legislativas estarão próximas.
Mas nem todo mundo é tão pessimista. No "London Sunday Times" do último final de semana, Andrew Sullivan defendeu Obama.
Sullivan foi editor da revista "New Republic", tem um doutorado por Harvard e é um comentarista político e colunista respeitado. Ele em geral representa a direita do espectro político.
A mensagem de Sullivan é que é cedo demais para descartar Obama. O pragmatismo do presidente, ele escreve, "pode parecer hesitação, fraqueza, indecisão. Mas, embora haja momentos em que ele parece fraco, uma das palavras que o descrevem melhor é bastante diferente: implacável. Sob os ternos elegantes e o sorriso fácil existe um cerne de aço estratégico".
Acima de tudo, Obama sabe esperar. No momento exato, ele toma a iniciativa. A mais recente pesquisa de opinião pública da rede de TV ABC parece confirmar a percepção de Sullivan: a aprovação a Obama é de 57%, enquanto apenas 27% dos entrevistados aprovam os republicanos, a porcentagem mais baixa para o partido em 26 anos.

KENNETH MAXWELL escreve às quintas-feiras nesta coluna.
Tradução de PAULO MIGLIACCI

CLÓVIS ROSSI

Da metamorfose à rendição

FOLHA DE SÃO PAULO - 22/10/09



SÃO PAULO - Que Luiz Inácio Lula da Silva foi, a partir de sua vitória de 2002, uma "metamorfose ambulante", nem precisava que ele próprio o dissesse. Os fatos falavam alto e claro.
O triste, como revela a entrevista que ele concedeu a Kennedy Alencar desta Folha, é que Lula passou da metamorfose à rendição a uma realidade política horrorosa.
Disse Lula: "Qualquer um que ganhar as eleições, pode ser o maior xiita deste país ou o maior direitista, ele não conseguirá montar o governo fora da realidade política.
Entre o que se quer e o que se pode fazer tem uma diferença do tamanho do oceano Atlântico. Quem ganhar a Presidência amanhã, terá de fazer quase a mesma composição, porque este é o espectro político brasileiro".
O presidente ainda acrescentou: "Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão".
Se Frei Betto, o confessor ou ex-confessor de Lula, tivesse ensinado seu amigo direitinho, o presidente aprenderia que Cristo foi crucificado justamente porque não fez coalizão com os judas da vida.
Que Lula tivesse obsessão com a governabilidade até dá para entender. Que desista de ao menos tentar reformar a "realidade política" é um irremediável desastre.
Só para qualificar o que é essa realidade: a Fundação Konrad Adenauer, ligada à democracia-cristã alemã, divulgou há dez dias o índice de desenvolvimento político da América Latina. O Brasil consegue a proeza de ficar só no 8º lugar entre os 18 países listados. E estamos falando de América Latina, que é essa mixórdia arquiconhecida.
Tudo somado, dá para entender por que o presidente prefere que a imprensa não fiscalize o poder, apenas informe. Lula e seu partido trocaram a fiscalização do tempo de oposição pelo gozo do poder uma vez nele instalados.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

PAINEL DA FOLHA

Superdosagem

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 22/10/09


Executada a coreografia PT-PMDB, o próximo passo da campanha de Dilma Rousseff será usar essa parceria como trunfo numa nova rodada de conversas. Em breve, os presidentes Ricardo Berzoini e Michel Temer entrarão em campo na tentativa de amarrar partidos menores à candidatura da ministra.

Entre as siglas que já foram procuradas, o PDT não esconde certo desconforto com o que considera ‘postura dúbia’ de Lula em relação ao projeto presidencial de Ciro Gomes (PSB). ‘Para estarmos juntos de fato, precisamos entender o jogo todo, e não apenas uma parte dele’, reclama o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), da Força Sindical.

Linha dura - No jantar de anteontem, Lula sugeriu aos peemedebistas que recorram até à intervenção nos Estados em que o partido insistir em marchar com a oposição.

Uau! - Os aliancistas mais entusiasmados saíram do Alvorada com dois números na cabeça. Percentual do PMDB hoje com Dilma: 70%. Chance de Temer ser o vice: 80%.

Veja bem - Já uma raposa peemedebista envolvida na negociação diz que tudo vai depender da evolução da candidatura: ‘A gente vai até a porta do cemitério. Só não nos peçam para entrar na cova’.

Amuleto - Cristão novo no PMDB, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi ao jantar com a mesma gravata verde e amarela usada pela comitiva brasileira no anúncio do Rio como sede da Olimpíada de 2016. ‘Ele deve achar que dá sorte’, comentou um ministro presente.

Bananas... - A pesquisa Ibope em que José Serra obtém 41% de intenção de voto não pode ser comparada com a anterior do instituto, na qual o tucano havia registrado 35%. Encomendado pelo PSDB, o levantamento mais recente não apresentou ao entrevistado o nome do candidato sozinho, mas sim acompanhado de um vice.

...e laranjas - Serra atingiu 41% tendo o correligionário Aécio Neves como vice. No caso de Dilma (17%), o companheiro de chapa foi Temer.

A cobrar - O presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, recebeu telefonema enquanto conversava numa roda após a posse da ministra Ellen Gracie anteontem no tribunal. Numa conversa tensa, comentou as críticas de Gilmar Mendes à viagem de Lula ao São Francisco. Britto chamava o interlocutor de ‘presidente’. Mas nega que fosse Lula do outro lado da linha.

República - Lula foi surpreendido em Ouro Preto por estudantes que pediam sua intervenção para liberar vagas em moradias universitárias. Prometeu 300 unidades.

Pode - Com um pé no STF, o advogado-geral da União, José Antonio Toffoli, assinou ontem parecer que dá à Fundação Padre Anchieta, administradora da TV Cultura de SP, a mesma liberdade que tem a TV Brasil para captar recursos de empresas privadas, a título de apoio cultural e publicidade institucional.

Cabide - Enquanto procuram reverter a cassação na Justiça Eleitoral, os 13 vereadores paulistanos que receberam doações da AIB tentam driblar a exoneração dos 18 funcionários que cada um indicou nos gabinetes.

Vida nova - Enterrado o pedido de impeachment, Yeda Crusius (PSDB-RS) tentará virar a página votando a reformulação no plano de carreira dos servidores.

Tiroteio

Ao afirmar que transformaram um evento de governo em comício, imagino que o presidente do Supremo se referia às viagens do Serra.

Do deputado FERNANDO FERRO (PT-PE), sobre as críticas de Gilmar Mendes aos três dias de visita de Lula, com Dilma a tiracolo, às obras de transposição do São Francisco.

Contraponto

Primeiro e único

Embora os peemedebistas tenham chegado ao Palácio da Alvorada, anteontem à noite, já bastante acertados quanto ao que reivindicar em troca do apoio a Dilma Rousseff, houve no jantar com Lula alguma discussão sobre os termos da nota que seria divulgada à imprensa sobre o ‘pré-compromisso’ para a eleição de 2010.

Depois de ouvir o termo ser repetido várias vezes pelos comensais, o presidente resolveu corrigir:

- Não tem nada de ‘pré’. É ‘compromisso’ mesmo. O único ‘pré’ que nós queremos é o ‘pré-sal’!

Por algum motivo, entretanto, acabou saindo ‘pré-compromisso’ no texto tornado público na manhã de ontem.



JOSÉ AGRIPINO

Brasil na zona de rebaixamento?

O GLOBO - 22/10/09


A estagnação do Brasil em referências como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e os recentes números de receita e despesa da União são fatos preocupantes, para dizer o melhor.

Ao mesmo tempo em que o governo se gaba de ter vencido a crise econômica, apresenta a conta da turbulência ao cidadão brasileiro para ser paga com o atraso no Fundo de Participação dos Municípios (FPM) ou com a tentativa de rasteira na devolução do Imposto de Renda. Tudo isso devido ao inchaço da máquina pública com gastos de custeio e pessoal. Este ano, em comparação com 2008, a receita do governo caiu 1,5% e a despesa cresceu 15,9%. Não é preciso muita matemática para perceber que há um rombo na contabilidade oficial.

Outro resultado perverso dessa política marcada pela má qualidade dos gastos públicos é a diminuição no volume dos investimentos no país. Dados do Tesouro Nacional mostram que a administração do PT investe, por ano, R$ 18,4 bilhões ou 1,33% do que arrecada. Na gestão Fernando Henrique Cardoso, as mesmas fontes indicam que se aplicavam anualmente R$ 20,3 bilhões, equivalente a 1,78% da arrecadação.

Os números mostram que a administração comandada por FHC foi mais eficiente em estimular o setor produtivo brasileiro com a construção de estradas, aeroportos, escolas, portos ou hospitais. Ao todo, em oito anos, foram R$ 163 bilhões investidos no Brasil. Em 6,5 anos, os petistas só conseguiram investir R$ 119,5 bilhões. Pode-se concluir que, a despeito do formidável aumento de arrecadação, este governo em vez de melhorar a infraestrutura, optou por agigantar o Estado.

O montante que o Planalto tira em impostos da sociedade tem voltado cada vez menos para a sustentação do desenvolvimento. Isso sem levar em conta o fato de a arrecadação ter subido progressivamente até meados de 2008. A dura realidade é que, se o critério for o cuidado com a infraestrutura do Brasil, estamos em franca decadência.

Enquanto isso, continuamos estacionados num humilhante 75º lugar no IDH e ainda ostentando a condição de sétimo país mais desigual do mundo.

Uma outra comparação é imperiosa: nos anos 90, a evolução do Brasil no IDH se dava ao ritmo de 1,5% ao ano. A progressão atual caiu para 0,41%.

No tocante aos investimentos do chamado Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para citar um exemplo emblemático e relevante, observa-se o desempenho das obras da transposição do Rio São Francisco: dos R$ 1,7 bilhão previstos no orçamento de 2009, o governo só conseguiu gastar R$ 61,8 milhões, 3,7% do planejado. O que dizer das obras dos metrôs de Belo Horizonte, Fortaleza, Recife e Salvador? Dessa forma, é fácil para nossos vizinhos nos ultrapassarem. Se formos analisar a evolução do PIB de todos os países da América Latina entre 2002 e 2008, o Brasil cresceu 26,44% — a 14acolocação entre os 18 maiores países. Com 38,4% de crescimento no mesmo período, até a conturbada Honduras está à nossa frente. Se fizermos uma analogia com um campeonato de futebol no qual os times são os países latinoamericanos, estaríamos próximos ao rebaixamento

JOSÉ AGRIPINO é senador (DEM-RN).

CASO PERDIDO?

ROLF KUNTZ

Luiz Inácio XIV

O ESTADO DE SÃO PAULO - 22/10/09


Ninguém se iluda. O Estado forte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assunto de mais uma de suas arengas, na posse do novo ministro de Assuntos Estratégicos, não se confunde com a ordem política legal e impessoal típica da modernidade. Lula não distingue entre Estado e governo, não separa governo de partido, e seu partido se reduz cada vez mais à sua pessoa. Não há outra maneira de explicar seus surtos cada vez mais frequentes de autoconsagração como instância suprema de todos os poderes - censor do Tribunal de Contas, limpador das teias de aranha da Constituição, zelador do pré-sal, comandante da Petrobrás, orientador da Vale, censor da Embraer e autor de todas as mudanças importantes na história do Brasil moderno. Sem contar, é claro, seus conselhos a Barack Obama, sua indisfarçável intervenção nos assuntos internos de Honduras e sua cobrança de explicações ao presidente Álvaro Uribe sobre uma decisão soberana da Colômbia.

A inegável inépcia do governo explica, sem dúvida, boa parte de seu fracasso na execução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e, de modo geral, o insucesso de seus programas de investimento, com desembolsos sempre muito abaixo dos valores orçados. Mas a incompetência, é preciso repetir, é apenas uma das causas dos tropeços. Outro fator, não menos importante, é a incapacidade de Lula e de seus auxiliares de aceitar instituições fundadas em regras impessoais e superiores ao arbítrio de um presidente da República.

Essa incapacidade se revela mais uma vez nos projetos sobre exploração do pré-sal. Há pelo menos cinco dispositivos inconstitucionais nesses projetos, segundo a Consultoria Legislativa do Senado. Os cinco pontos foram enumerados em reportagem publicada ontem no Estado (página B10).

Juristas podem ter opiniões divergentes sobre o assunto e não faltará quem se disponha a defender a posição do governo. Mas para isso será preciso algum malabarismo. Pesquisa e lavra de recursos minerais "somente poderão ser efetuadas mediante autorização ou concessão da União", segundo o parágrafo 1º do artigo 176 da Constituição. Será preciso anular o advérbio "somente", ou interpretá-lo de modo muito inovador, para justificar a criação do contrato de partilha por meio de lei. Este é só um exemplo dos problemas apontados pela consultoria. Todos são facilmente visíveis, mesmo para o não especialista em direito constitucional. Ninguém, na assessoria do Executivo, terá notado esses pontos vulneráveis?

O aparente desleixo fica mais notável quando se considera o tempo gasto na elaboração dos projetos. O trabalho durou mais de um ano e as propostas foram discutidas em vários encontros pela cúpula do governo. Um dos conselheiros do presidente para assuntos legais era o seu candidato à primeira vaga no
Supremo Tribunal Federal. Seu saber supostamente notório, uma das condições para a aprovação de seu nome, talvez tenha sido subutilizado nesse trabalho.

Apesar da advertência da Consultoria Legislativa, talvez os congressistas acabem aprovando os projetos com poucas modificações e vários pontos duvidosos quanto à sua constitucionalidade. Qualquer previsão é insegura, neste momento, mas o desempenho recente dos congressistas autoriza todas as dúvidas. Este é um detalhe importante, porque as vocações autoritárias prosperam muito mais facilmente quando falha a resistência de quem representa as instituições.

Um governo preocupado com os meandros da lei teria produzido projetos muito mais cuidadosos para a regulação das operações do pré-sal. Seu desleixo recende a desprezo, tanto quanto a escancarada campanha eleitoral nas margens do São Francisco, as críticas ao Tribunal de Contas da União (TCU) e as tentativas de comandar as maiores empresas do País, sem distinguir sua condição privada ou estatal e sem respeitar os acionistas.

O TCU apenas cumpre as funções de controle prescritas pela Constituição de 1988, disse o seu presidente, Ubiratan Aguiar, discursando diante de Lula - um dos constituintes, segundo lembrou. Lula de fato assinou a Constituição, mas naquele tempo ele não era o mandachuva e ainda não se apresentava como o fundador do Brasil moderno, progressista, soberano, justo e destinado a iluminar - com as luzes de seu grande líder, é claro - o caminho da nova ordem mundial. Quem mais poderia fazê-lo? Este é o cara, disse Obama. O Rei Sol teria morrido de inveja.

ELIANE CANTANHÊDE

Nem Judas escapa

FOLHA DE SÃO PAULO - 22/10/09


BRASÍLIA - A metralhadora giratória de Lula não deixou de pé um único partido governista disponível para se coligar com o PSB e assim dar impulso e tempo de TV para o eventual candidato Ciro Gomes.
Já caíram a cúpula do PMDB e mais PR, PP, PRB e, na outra ponta, o PC do B, enquanto Lula mira também o PDT. Com o PT, são sete siglas. Sobra o PTB, que tende a marchar com a oposição (PSDB-DEM-PPS), dividindo-se no caminho. Vencidas as resistências dos partidos, Lula recarrega a metralhadora giratória e aponta para o peito (ou o coração) dos candidatos.
Primeiro, botou Ciro debaixo do braço e saiu com ele e com Dilma por aí, para fotos e trocas de elogios às margens do São Francisco. Chega a vez de Marina Silva (PV), que vem sendo coberta de elogios por lulistas. Nem Aécio Neves, teoricamente de oposição, escapa.
Bastou Ciro se mostrar mais robusto nas pesquisas do que Dilma para ele engrossar a voz. Mas bastou que Lula o enchesse de elogios, gentilezas e viagens para que afinasse rapidamente. Com Marina, queridinha de círculos intelectuais ou de vanguarda, Lula vai tentar repetir o enredo. Ele diz que Marina é "uma pessoa boa"; Marco Aurélio Garcia, o quanto ela tem tudo a ver com o projeto petista; Dilma, o quanto é bom ver as mulheres tão combativas, defendendo causas tão nobres.
Por fim, Aécio. Ao mesmo tempo em que desidrata as chances de apoio partidário a Ciro e a Marina, Lula infla o ego, as idiossincrasias e o poder de fogo de Aécio contra Serra, adversário mais temido. Rodrigo Maia, presidente do DEM, colabora com a estratégia lulista ao declarar preferência por Aécio. Ciro colabora mais ainda ao dizer que, contra Aécio, não concorre.
Em entrevista a Kennedy Alencar, da Folha, Lula explica o porquê da metralhadora giratória: No Brasil, até "Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão".

GOSTOSA


CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIAR

JOSÉ SIMÃO

Socuerro! É a Riolência 2016!

FOLHA DE SÃO PAULO - 22/10/09



E a última declaração do Rubinho: "O problema é humano". HUM ANO jogado fora! Rarará


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
Traficantes invadem o morro dos Macacos. Até aí, normal. Piada pronta é o percurso: um grupo foi pela avenida MARTIN LUTHER KING e outro foi pela avenida DOM HELDER CÂMARA! Isso é provocação, não é invasão. Percurso da Paz Mundial! E a última declaração do Rubinho: "O problema é humano". HUM ANO jogado fora. Rarará!
E o Senado aprovou o divórcio pela internet. E como vai ser o email? divorcio@tudodomarido! E um amigo meu vai dar uma cama redonda pra sogra dele. Porque cobra gosta de dormir enrolada! E o Rio 2016? RIOLÊNCIA 2016! E sabe quem vai compor o hino da Olimpíada? O Latino e o McMedalha. E bala por bala, chama o Zeca Baleiro.
E o Galvão vai passar a Olimpíada dizendo que vaiar é bom, mas vaiar argentino é melhor ainda. E que o Zeca Pagodinho vai ser proibido de se aproximar da pira. E que uma ex-BBB vai ficar grávida de um atleta de hóquei americano. Aí a mãe vai chorando pro programa da Luciana Gimenez. Dizendo que a filha ainda era virgem. Aí ela posa pra "Playboy" e ganha um programa de fofocas na TV!
E tá provado, o Serra é vampiro mesmo! Olha o que ele disse na revista "Piauí": "Não gosto de alho e só como carne sangrando, rosbife". Só faltou dizer que dorme em caixão! Vampiro mesmo. O endereço do Serra é o cemitério da Consolação, tumba 3, carneira 4!
E um leitor me disse que em São José do Rio Preto tem a Pensão Sarney: "Servimos almoço e marmita". E o inferninho se chama Dalva Chupeta. Programão: almoça no Sarney e estica na Dalva Chupeta. Rarará. É mole? É mole mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Niterói tem uma oficina de lanternagem chamada Martelinho de Ouro do Caolho! Seu carro vai sair do caolho. Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Nudez": antes NUDEZ do que no nosso! Rarará. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Que o ingrêis do Joel Santana.
Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

ANCELMO GÓIS

TORRE DE OBSERVAÇÃO

O GLOBO - 22/10/09


Chegou a dom Orani Tempesta a informação de que a igreja da Penha tem sido invadida frequentemente por traficantes de favelas vizinhas.
Os bandidos usariam a torre da igreja para controlar a chegada de policiais. A Arquidiocese está preocupada.
NO FRONT...
Aliás, a Unidos de Vila Isabel cancelou o ensaio hoje de sua bateria por causa da guerra no Morro dos Macacos.
A favela, onde mora a maioria dos integrantes, fica bem perto da quadra da escola.
PRÉ-SAL
A Rádio Corredor da Câmara diz que Michel Temer, presidente da Casa, ameaça levar os projetos de regulamentação do pré-sal direto para a votação do plenário, caso a comissão criada para isso não os analise logo.
DÈJA-VU
A taxação do capital estrangeiro é a primeira medida econômica de Lula que consta do programa histórico do PT, antes de aderir às teses tucanas (meta de inflação, BC independente, câmbio flutuante e superávit primário).
Agora, só faltam auditoria da dívida externa, romper com o FMI e reestatizar a Telebrás.
NO MAIS
Da série “o Brasil não é para principiantes”. Com discurso nacionalista e de esquerda, Samuel Pinheiro Guimarães tomou posse no Ministério do Futuro.
Para assumir, precisou da benção do PRB de Edir Macedo, “dono” do cargo. Como dizia o macaco do programa de Jô Soares, “eu só queria... Entender”.
LÁ VAI O NOIVO
Thiago de Mello, 83 anos, o grande poeta brasileiro, autor de clássicos como O estatuto do homem e Canto do amor armado, casou-se pela vigésima-oitava vez.
A mulher, Poliana, tem pouco mais de 30.
SUNGÃO NOVO
Eduardo Suplicy, o senador boa gente que vestiu um sungão vermelho para o Pânico na TV e se arrependeu, contava a alguém ontem pelo celular, num corredor do Congresso, que superou o episódio e até ganhou uma sunga nova de presente.
SUCESSÃO NO STJ
Começou no STJ a sucessão do ministro Paulo Gallotti, que se aposentou. Sua vaga será preenchida por um desembargador da Justiça comum.
Desde terça, já corre um prazo de dez dias para inscrições. Três serão selecionados e um será escolhido por Lula, que, com a nomeação, já terá indicado 15 ministros do tribunal.
OS VIAJANTES
Cabral e Aécio estavam juntos ontem no congresso da Associação Brasileira de Viagens.
Sem querer antecipar temas da coluna “Nhenhenhém”, faz sentido. Com todo o respeito.
DOMINGO MAIOR
Por causa do horário de verão, a Prefeitura do Rio aumentou em uma hora o período de fechamento dos 1.618 logradouros da cidade transformados em áreas de lazer aos domingos.
SALIÊNCIA COMPRIDA
Lembra da perereca ameaçada de extinção que parou a obra do Arco Metropolitano do Rio, em setembro, porque estava se reproduzindo ali? Está de saliência até hoje, acredite. O governo do Estado ainda aguarda o sim do Ibama para recomeçar as obras.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

DORA KRAMER

Pão, pão, queijo, queijo

O ESTADO DE SÃO PAULO - 22/10/09

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Ayres Britto, sustentou a posição do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e sinalizou que está na hora de pôr ordem na casa. Ambos pareceram dizer que o Judiciário deve ser acionado como o recurso da sociedade contra abusos de poder.

Até aí, nada de excepcional ou que suscite discordância. O problema reside na interpretação do que sejam abusos. O governo apega-se ao conceito de “campanha antecipada” e, nesse aspecto, de acordo com o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, o Palácio do Planalto tem-se conduzido dentro da mais perfeita legalidade.

Não tendo sido iniciado oficialmente o período de campanhas nem escolhidas formalmente as candidaturas, nada do que se faz pode ser examinado sob o prisma eleitoral. O presidente do TSE acompanha de certa forma o raciocínio quando vê dificuldade em se distinguir, no ano antes das eleições, atos de governo de ações com propósito eleitoral, ou seja, de favorecimento a uma força política específica.

Ambos os argumentos levam em conta a Lei Eleitoral, mas desconsideram a Constituição. No artigo 19, veda à União, cuja representação se expressa na figura do presidente da República, a criação de “distinções entre brasileiros ou preferências entre si”. No artigo 37, obriga a administração pública, chefiada pelo presidente, a obedecer a determinados princípios, entre os quais o da “impessoalidade”.

Qualidade, caráter ou condição de “impessoal” – desapaixonado, neutro, isento, objetivo, não faccioso. Tudo o que o presidente da República não é quando circula com sua candidata pregando a realização de eleições ao molde de um plebiscito, na base do “nós contra eles, pão, pão, queijo, queijo”.

No entendimento do ministro Genro, o presidente da República só estaria impedido de “aparecer ao lado de candidatos, quaisquer que sejam eles”, a partir da realização das convenções partidárias em junho de 2010.

Nesse legítimo monumento ao sofisma de resultados, o ministro da Justiça imprime aos atos do presidente Luiz Inácio da Silva uma naturalidade que eles não têm. Tarso Genro procura dar o mesmo peso às aparições de Dilma Rousseff e de pré-candidatos como os governadores José Serra e Aécio Neves, ao lado dele.

É desmentido pelo comportamento do presidente Lula, que não só não confere tratamento igual aos governadores citados pelo ministro da Justiça, como os trata claramente como adversários. Estaria em seu perfeito direito caso não o fizesse a expensas do erário e ao arrepio da Constituição.

Coisa, aliás, que não faz de hoje. Lula não governa como presidente, antes o faz como chefe político de um grupo. Pode ser amplo, mas é um grupo no sentido de uma parte e não da totalidade dos cidadãos.

Daí o parâmetro tradicional previsto exclusivamente na Lei Eleitoral não servir para medir o que seja ou não abuso, pois o conceito da transgressão não se circunscreve aos períodos eleitorais. Mais correto seria recorrer à Lei Maior para um bom exame sobre a adequação, ou não, da conduta do presidente ao juramento de fidelidade à Constituição.

Foi o presidente quem escolheu, desde o princípio, atuar na base do “nós contra eles”. Tanto que permite que seus ministros cumpram desde já agenda de candidatos e, por isso, não disponham da impessoalidade necessária para fornecer balizas de comportamento.

Tarso Genro e Marco Aurélio Garcia, por exemplo. O primeiro é candidato ao governo do Rio Grande do Sul e o segundo desde já nomeado coordenador da campanha (suposta?) de Dilma. Evidente que, sob a ótica de ambos, tudo transcorre dentro da mais absoluta normalidade e legalidade.

Mas não são as vozes mais confiáveis para avaliar a situação nem para impor os parâmetros de conduta a serem seguidos por governantes e candidatos, governantes candidatos ou vice-versa.

Briga interna

O presidente do DEM, Rodrigo Maia, atira no paulista José Serra, mas, segundo consta, quer acertar mesmo é seu antecessor, o ex-senador Jorge Bornhausen. Assim como Bornhausen, Maia sempre foi partidário da candidatura Serra e seguidor da estratégia do Palácio dos Bandeirantes de tratar Aécio Neves como protagonista, não como coadjuvante de José Serra.

Para assegurar o apoio de Minas, para prestigiar uma liderança prestigiada pelo eleitorado e para fortalecer alguém que, no limite ou no imprevisto, pode até vir a ser o candidato a presidente.

Orestes Quércia, o comandante da dissidência do PMDB, esteve outro dia em Minas pelos mesmos e mais um motivo: pedir apoio de Aécio ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, como candidato ao governo do estado.

O tiroteio na seara oposicionista, no momento, ocorre no DEM. Serra e Aécio entram na história como Pilatos no Credo.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Tem coisas que o mercado não sabe fazer... Não quer fazer”
PRESIDENTE LULA, AO DEFENDER UM ESTADO MAIOR, NA POSSE DE SAMUEL GUIMARÃES NA SEALOPRA

BRASIL ESCOLHE RAFALE AMANHÃ, DIZEM FRANCESES
O Ministério da Defesa informou que o anúncio será em novembro, mas o governo da França aguarda “em princípio” para amanhã a confirmação do Brasil de que comprará os 36 caças Rafale, “ainda que sejam muito complicadas as relações de Lula com a FAB”. Segundo o jornal francês La Tribune, Lula teria vencido a “queda-de-braço” com as Forças Armadas, após a visita de Nicolas Sarkozy em 7 de setembro.
ANO DA FRANÇA
O anúncio da FAB coincidiria com os 103 anos do voo inaugural de Santos Dumont, no campo de Bagatelle, Paris, em 23 de outubro.
SUSPEITAS
Baseado em fontes do governo francês, o La Tribune desqualifica o concorrente sueco Gripen, “misteriosamente o favorito da FAB”.
PÉ DE ANJO
O que já era frio vai congelar. O presidente Lula pisará em solo de Kiev, na Ucrânia, no início de dezembro.
O RETORNO
Ex-Tribunal de Contas da União, o ministro Marcos Villaça vai suceder Cícero Sandroni na presidência da Academia Brasileira de Letras.
STF EXAMINA CONTRATOS ILEGAIS DA GEAP
O Supremo Tribunal Federal já analisa as ilegalidades nos convênios da Fundação Geap com 89 órgãos públicos. Entidade privada, a Geap finge ser plano de saúde estatal para tomar mais de R$ 1 bilhão por ano do Tesouro, sem que o Tribunal de Contas ou a Corregedoria Geral da União a fiscalize. Os contratos são mascarados de convênios para driblar a licitação. E pode virar estatal sem lei que a tenha criado.
GOLEADA
O TCU foi unânime (8x0): entidade de “autogestão”, a Geap só pode prestar serviços a dois ministérios e duas autarquias que a criaram.
VELHA CHANTAGEM
Recorre-se sempre a uma velha chantagem para a Geap manter seus contratos ilegais: “A interrupção do serviço prejudicaria os servidores”.
APARELHAMENTO
A Geap se define como entidade de “autogestão”, mas é aparelhada por militantes do Partidos dos Trabalhadores.
TOMA LÁ, DÁ CÁ
A principal atração no jantar com deputados do PP, dia 27, não será Dilma Rousseff, mas quem vai pagar essa conta, por meio de emendas parlamentares: o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais).
TEMPOS DE CAÇA...
O novo secretário de Indústria e Comércio do governo Jaques Wagner (PT) na Bahia, James Correia, recebeu a missão de caçar eventuais malfeitorias do antecessor, indicado pelo ministro Geddel Vieira Lima.
...TEMPOS CARLISTAS
Hoje petista e sindicalista de carteirinha, antes de virar secretário na Bahia James Correia já era sócio de empresas de exploração de gás, ao lado de carlistas “puros sangue”, como Carlos Laranjeira.
LA VIE EN CLOSE
O site da tradicional revista francesa L’Express mostrou, ontem, longa sequência de fotos de mortos, moradores assustados e policiais entrincheirados nos morros em confronto na zona norte do Rio.
REPÚBLICA DAS ARMAS
O tenente PM Melquisedec Nascimento, presidente da Associação dos Militares Auxiliares e Especialistas sustenta que, além de metralhadora antiaérea, os bandidos derrubaram o helicóptero da PM com tiro de raspão de AT-4, um lança-míssil sofisticado, sueco, de um só disparo.
A VIDA AO VIVO
O governo planeja banda larga para todos os brasileiros até as Olimpíadas de 2016, num projeto de R$ 10 bilhões. Que maravilha ver, em tempo real, as disputas no Rio – dos traficantes, inclusive.
SOB PATROCÍNIO
Nestlé, Embratel e Cyrela são alguns dos patrocinadores da palestra de Dilma sobre o pré-sal, segunda (26), em São Paulo, com a presença do neoanistiado Paulo Okamoto, presidente do Sebrae.
DIA DO FERIADÃO
Assim como no ano passado, o Dia do Servidor vai ser comemorado no Distrito Federal em uma segunda (26) e não no dia 28 como dita o calendário, transformando mais um fim de semana em “feriadão”.
PENSANDO BEM...
O Haiti é aqui, sem tropa de paz da ONU.

PODER SEM PUDOR
O PODER ENGORDA?
Nomeado ministro do Trabalho de João Goulart, logo Almino Afonso (PTB) ganhou uns quilos a mais. O deputado José Maria Alkimin (PSD) não perderia a chance de alfinetar o adversário, ao encontrá-lo na Câmara:
– Vejo que o poder lhe faz muito bem... O poder engorda mesmo...
Almino parou, olhou Alkimin de cima a baixo, e respondeu:
– A tese é pelo menos discutível. Você sempre esteve no poder ou perto dele e, mesmo assim, continua magro como um palito!

A MENTIROSA

QUINTA NOS JORNAIS

- Globo: Contra novas invasões, PM ataca facção em 10 morros


- Folha: No Brasil, Cristo teria de se aliar a Judas, diz Lula


- Estadão: Governo propõe livrar da prisão pequenos traficantes


- JB: Fuzis das Farc a caminho do Rio


- Correio: Brasiliense vive três anos mais


- Valor: Bancos disputam clientes para o boleto eletrônico


- Estado de Minas: Vestido, calça, camisa e... plano odontolóigico?


- Jornal do Commercio: Vestibular da UFPE muda mais uma vez