quarta-feira, setembro 23, 2009
DIRETO DA FONTE
A menos de 80 dias da Conferência sobre Mudanças Climáticas em Copenhague, mais um grupo do empresariado nacional tenta costurar com o Itamaraty proposta única para o encontro. "Se o Brasil não fizer a lição bem feita e liderar as negociações, vamos ter problemas seríssimos mais à frente", explica Carlo Lovatelli, representante do agrobusiness e dos processadores de soja.
Lovatelli, mais Marcos Yank, da Unica, e Elizabeth Carvalhaes, da Bracelpa, entregaram ao principal negociador brasileiro da área, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, um denso paper com sugestões. Entre elas, segundo Yank, o reconhecimento dos créditos de carbono que o setor de álcool proporciona.
Para Lovatelli, EUA e Europa, que causaram a maior parte dos prejuízos ao planeta, "não têm a menor intenção de pagar a conta e querem que o 3º Mundo o faça. Já derrubaram suas florestas e nós temos o pulmão do mundo. Temos de negociar a nosso favor."
De pai para filho
O filho do ministro Carlos Alberto Direito, homônimo do pai, vai dia 30 à sabatina de José Toffoli no Senado.
"Torço por ele. Meu pai tinha com o dr. Toffoli uma relação fraternal e declarou que gostaria de tê-lo como companheiro no STF", diz.
Crise "de grátis"
Acolher na embaixada Manuel Zelaya "é uma coisa esdrúxula, um problema que não tínhamos a menor necessidade de criar", avalia Luiz Felipe Lampreia.
Por quê? Não se trata de caso clássico de asilo, segundo o ex-chanceler: o ex-presidente não estava sendo perseguido. Faria mais sentido deixar essa iniciativa nas mãos da OEA.
Jucalipso
Juca Ferreira acaba de voltar de Cuba, onde se encontrou com dois astros da sua geração: Danny Glover e Harry Belafonte - o criador do calipso. Ambos simpatizantes de Fidel.
Fidelizando
Quem está na ilha agora é Tarso Genro. Foi articular a indicação de seu secretário, Pedro Abramovay, para o Programa da ONU contra Crimes e Drogas.
Mi matriz preferida
Discreto, como sempre, o espanhol Emilio Botin, principal acionista do Santander, esteve em São Paulo por cinco dias.
A visita coincidiu com a megaoferta de ações do banco anunciada esta semana - que tem tudo para ser a maior da história do mercado financeiro nacional.
Chamei o Zé
Maria Christina Mendes Caldeira justifica a constante presença de José Dirceu em seu Facebook.
Ele estaria ajudando a moça em sua disputa para receber a herança de seu pai, Cito Mendes Caldeira.
Bebeu? Chame Mika
Mika Hakkinen faz pit stop em Salvador em outubro. Dará carona a um bebum saído de bar. Na campanha Piloto da Vez, contra dirigir bêbado.
Paraíso perdido
As Ilhas Cayman, quem diria, pedem socorro. Os investidores sumiram, os hotéis andam vazios e os salários no governo... Atrasando.
Noite de Bach
João Carlos Martins e Dave Brubeck comandam noite especial, dia 2, no Lincoln Center, em Nova York.
Martins regendo a Bachiana Filarmônica e Brubeck executando seu Brandenburg Gate, em festa tripla de 50 anos. Os da estreia do brasileiro nos EUA, do 1º álbum de Brubeck e da morte de Villa-Lobos.
Na Frente
Rubens Barrichello foi convidado por meio do Twitter para participar do Roda Viva. O programa será em outubro.
Maria Helena Monteiro, da SulAmerica Seguros, lança hoje o SulAmerica Lab. No Espaço Nespresso.
Marina De La Riva grava seu primeiro DVD, hoje, no Teatro Bradesco. A entrada é um quilo de alimento.
Alexandre Birman desfilou seus sapatos na London Fashion Week. Na apresentação da Clements Ribeiro.
Fabrizio Giannone lança linha verde de acessórios, inspirada na Amazônia. Amanhã, no espaço A Estufa.
Augusto Cury, o brasileiro que anda desbancando até Paulo Coelho, tem novo romance. Filiado ao PV e sempre citado por Marina Silva, ele lança o livro pela Planeta.
Carlos Augusto Kalil, da Secretaria da Cultura, emprestou um filme - feito por ele em 79 - sobre o artista plástico José Antonio da Silva. Para a exposição que abre, quinta, na Galeria Estação.
Os flamenguistas andam tão solidários com o lanterna Fluminense que lançaram até campanha; "Fluminense Esperança - para doar um ponto, ligue 0800-001..."
JACKSON SCHNEIDE
Nem herói, nem vilão: necessário
| Folha de S. Paulo - 23/09/2009 | |
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VINÍCIUS TORRES FREIRE
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Governo pode ficar com quase metade da segunda maior hidrelétrica do país, que deve ir a leilão neste ano |
CELSO MING
Aprovação popular
| O Estado de S. Paulo - 23/09/2009 |
Nada menos que 81% da população entende que o governo Lula é ótimo ou bom. E 80% concordam que 2009 é um ano bom ou muito bom para sua vida. A primeira observação que se pode fazer é que os números refletem o que já se sabia: a economia brasileira atravessou a crise sem avarias graves. É verdade que a indústria sofreu e teve de ser socorrida. Mas os demais setores, especialmente o comércio, atravessaram a turbulência com cintos atados, porém sem prejuízos relevantes. Este foi o primeiro teste importante de resistência que a economia enfrentou com sucesso depois do Plano Real. Esse bom desempenho não foi construído apenas nos últimos oito anos. A rigor, começou em 1994, durante o governo Itamar, foi reforçado na administração Fernando Henrique e mantido durante o período Lula. Segunda observação, boa parte da percepção de que este ano não foi tão ruim, especialmente para o emprego, tem a ver com a forte disparada das despesas públicas, que acionaram o consumo e apontam para forte deterioração das finanças da União. Cerca de 1,5% do PIB em novos gastos públicos correspondeu a renúncias fiscais (isenção de impostos, estímulos à construção civil, etc.). São despesas temporárias e serão revertidas a partir de 2010. A outra parte tem a ver com o aumento dos salários dos funcionários do governo, contratados antes do início da crise, e das aposentadorias, que estão sendo pagos apesar da mudança da paisagem econômica e pressionam as finanças públicas. Trata-se de um aumento de gastos permanente que só poderá ser enfrentado com aumento da arrecadação. Não dá para negar que houve falha na captação de receitas. A crise por que passou o sistema arrecadatório da União mostrou que o governo errou ao permitir que os principais postos da Receita fossem exercidos por técnicos cuja prioridade foi garantir a ocupação de repartições por companheiros de corporação da então secretária Lina Vieira. Baseado na expectativa de que a economia cresça perto de 1% ainda neste ano e outros 4% em 2010, o ministro Guido Mantega assegura que não haverá prejuízo para a formação do superávit primário (de 2,5%) neste ano. Ele aposta em que a arrecadação reaja a ponto de suplantar os aumentos de gastos. Mas, diante da determinação do governo de obter bons resultados nas próximas eleições, o que exigirá mais aumento de despesas, pouca gente acredita nisso, especialmente se a candidata do governo à sucessão não reagir nas pesquisas. Em todo o caso, a gastança federal vai rendendo pontos de aprovação ao governo Lula.
Isso muda alguma coisa a favor do Brasil porque investidores mais exigentes devem agora se interessar por títulos brasileiros sem medo de calote. Mas é difícil avaliar o quanto isso muda tudo. As análises dessas empresas estão sob suspeita na medida em que a crise mostrou suas graves falhas. Elas distribuíram certificados AAA a títulos que depois foram classificados como lixo tóxico ou ativos podres. |
ELIANE CANTANHÊDE
Único diplomata brasileiro remanescente em Honduras relata caos na embaixada com superlotação e cerco promovido por golpistas
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse ontem que não combinou sua volta ao país e sua ida para a Embaixada do Brasil previamente com o Planalto e o Itamaraty por temer que a operação fosse descoberta pelo governo golpista e abortada.
"O Brasil não sabia dos meus planos. Tomei a decisão de vir direto à embaixada por uma questão de estratégia, uma posição de reserva, para que o plano não corresse risco", disse Zelaya à Folha por celular em meio ao caos na embaixada.
Segundo ele, a decisão pela embaixada brasileira foi "por causa da vocação democrática do Brasil, do presidente Lula e de Marco Aurélio Garcia [assessor internacional da Presidência]. E também pelo peso internacional que eles têm".
Único diplomata brasileiro em Honduras, o ministro-conselheiro Francisco Catunda Resende confirma que foi tudo de surpresa e diz que o primeiro contato com a embaixada foi feito pela deputada Gloria Oqueli, presidente do Parlamento Centro-Americano.
"Ela bateu aqui com a história de que a mulher do presidente [Xiomara de Zelaya] tinha um assunto urgente para tratar", relatou Catunda à Folha, também por celular.
Só quando a mulher dele chegou, no final da manhã, é que a intenção ficou clara. "Aí é que eles abriram o jogo. Ela entrou primeiro, seguida por ele, com mala e tudo", disse o diplomata.
Depois de trocas de telefonemas entre Tegucigalpa, Brasília e Nova York, onde estava o chanceler Celso Amorim, finalmente chegou a autorização para acolher o casal.
Com Zelaya e Xiomara, entraram em torno de dez pessoas. Ontem à noite, já haviam passado pela embaixada exatas 303 pessoas, entre políticos, líderes de movimentos sociais, amigos e até curiosos que pularam os muros para se proteger do ataque de soldados munidos com gás lacrimogêneo.
Nem Catunda escapou dos efeitos. Ao abrir a porta para uma mulher que gritava desesperadamente por socorro, ele diz que recebeu uma lufada de gás e passou horas com os olhos vermelhos e ardendo.
Em outro momento, ele se recusou a receber um oficial de Justiça e um promotor que lhe levavam um documento: "Provavelmente, era uma ordem de captura, e eu não ia receber documento de um governo que o Brasil não reconhece, de um governo inexistente".
O pior, porém, foi a decisão do governo golpista, liderado por Roberto Michelleti, de impingir um cerco à embaixada, cortando luz, água e telefone a partir da noite de segunda-feira. E a única comida em 24 horas se resumia a pizza contrabandeada por uma vizinha e o resto de leite e biscoitos dos 12 funcionários.
Às 15h45 (19h45 de Brasília) de ontem, Catunda relatou que ainda havia gente comendo resto de pizza fria da véspera. Àquela hora, eles aguardavam dois socorros: as quentinhas enviadas por representantes da ONU (Organização das Nações Unidas) e a van que a embaixada americana emprestou para retirar oito funcionários, entre brasileiros e hondurenhos.
Um dos brasileiros é diabético, outro toma remédio controlado. Só ficaram com Catunda um assistente de Chancelaria, um motorista e um mecânico (para o gerador de luz).
Em alguns momentos, a embaixada chegou a acolher 70 pessoas simultaneamente o que, combinado com falta de água, luz e telefone, gerou um caos: "Hoje está sendo muito penoso. Os banheiros estão de fazer dó", relatou Catunda, cearense de 61 anos, reclamando que estava há dois dias "só com a roupa do corpo".
Como Zelaya e a mulher preferiram ficar no escritório, em vez de ocupar o setor residencial da embaixada, o jeito foi acomodar hondurenhos e brasileiros por sofás, cadeiras, colchonetes e tapetes, para passarem a noite e o dia de ontem. O casal presidencial ocupa o gabinete do embaixador, vago desde que o titular, Brian Neele, foi chamado de volta após o golpe.
Além do desconforto, havia um grande temor entre os sitiados: o de que o governo golpista determinasse a invasão da embaixada. Por telefone, tanto Lula quanto Amorim fizeram apelos para que Zelaya não fizesse nada que pudesse servir de pretexto para a invasão e que mandasse seus aliados de volta para casa, mantendo o menor número possível de pessoas na embaixada.
Para Catunda, Amorim deu uma ordem precisa: "Não vamos bancar os Quixotes!" Ou seja, em caso de invasão, a orientação é ninguém reagir nem abrir a boca, deixando toda a negociação para a ONU e a OEA (Organização dos Estados Americanos) em Nova York.
Quanto a Zelaya, parece tudo bem: "Estou ótimo, muito tranquilo", disse à Folha.
RUY CASTRO
Dinheiro voando
| Folha de S. Paulo - 23/09/2009 |
Acabo de receber um intrigante e-mail. De algum ponto do ciberespaço, um homem que se assina Patrick -sem sobrenome- me escreve em inglês oferecendo-me sociedade num negócio que não diz qual é, mas para o qual afirma dispor de "US$ 20 milhões", de que planeja investir "uma parte" numa "economia estável" e visando "grandes lucros a longo prazo". |
TODA MÍDIA
Sob cerco golpista
NELSON DE SÁ
FOLHA DE SÃO PAULO - 23/09/09
Foi manchete ao longo de manhã e tarde nos sites brasileiros, cedeu lugar ao grau de investimento, mas retornou à noite, telejornais inclusive. Nos enunciados, "Embaixada tem serviços básicos cortados", "Amorim diz que não tolerará ação contra embaixada", "Lula pede que Zelaya não dê razão para ataque", "Governo aciona Conselho de Segurança da ONU". E alternativas como "Zelaya diz ter buscado embaixada por lição de democracia".
O "New York Times" destacou a repressão policial e a rejeição por Lula, em Nova York, de "mais golpes militares". No "Wall Street Journal", atenção ao risco de "violência renovada".
Ambos avaliam que "a volta surpresa põe Brasil em posição desconfortável, longe do papel de estadista frio que preza". Na americana AP, Lula cobrou que Zelaya não dê pretexto para ataque. Na chinesa Xinhua, o governo "de facto" prometeu não atacar.
No topo das buscas de Brasil no fim do dia, Reuters e AFP destacavam que o Departamento de Estado dos EUA pediu "respeito à inviolabilidade da embaixada", um "princípio de relações internacionais que é aceito universalmente", até por ditadura militar.
TV BRASIL ANTES
A rede estatal ouviu Zelaya anteontem. "Queria agradecer ao presidente Lula, ao chanceler Amorim e ao [assessor] Marco Aurélio Garcia, que abriram as portas para iniciar o diálogo. Que a luta pela democracia sirva para a América Latina".
GLOBO & RECORD
Ontem foram as redes privadas, também por telefone. No destaque do "Jornal Nacional" e antes do portal G1, Zelaya afirmou ter pedido "proteção" e não "asilo" ao Brasil. No "Jornal da Record", disse que "avisou" as autoridades brasileiras.
"ESPETACULAR"
newsweek.com
O "Christian Science Monitor" destacou de Honduras que "Zelaya esnobou Hugo Chávez pelo Brasil", que de sua parte "agarrou o papel de líder".
A "Newsweek", em edição já programada, deu a longa reportagem "O político mais popular do mundo", dizendo que "por sete anos ele fez um trabalho espetacular como presidente do Brasil. Mas Lula pode resistir às tentações para jogar isso fora?" (abaixo, na home).
A revista postou separadamente a íntegra da entrevista com o "carismático Lula", "homem do momento". E fez até uma relação com os "transformadores" ou "líderes que refizeram radicalmente os seus países" encabeçada por Lula, mais Margaret Thatcher, Deng Xiaping, Nelson Mandela, Kim Dae-jung etc.
"DURACELSO"
A nova viagem de Lula estimulou também análises com títulos como "Brasil alvoroça a ordem mundial", no espanhol "El País", e "Como Lula posicionou o Brasil no mundo", no argentino "La Nación". O primeiro diz que ele vai falar na ONU "com a autoridade de quem chega com os deveres de casa muito bem feitos". O segundo elogia a ação de Celso Amorim pelo mundo e sublinha seu "apelido no Itamaraty", Duracelso, referência à pilha.
BRASIL & ÍNDIA
Dos muitos encontros do Brasil em Nova York, na ONU, resultou reportagem no indiano "Business Standard", com repercussão no "WSJ", anunciando que "Brasil e Índia vão se opor à União Europeia na Organização Mundial do Comércio", sobre propriedade intelectual.
Por outro lado, em agências indianas como PTI, o fórum Ibsa (Índia, Brasil e África do Sul) se reuniu para articular pressão por cadeira no Conselho de Segurança.
NOTA ALTA
Na escalada, os telejornais tentaram explicar grau de investimento como "atestado de bom pagador", na Globo, ou crédito "recomendado", na Band.
Na manchete da Reuters Brasil, a partir do fim do dia, "Moody's vê Brasil 'vencedor' e dá grau de investimento".
Quer dizer, a agência de classificação de risco vê o país "como vencedor da crise global". No portal Exame, com ironia, "A Moody's demorou".
IBOPE ALTO
Em meio à atenção com Honduras, saiu enfim o Ibope. Reuters Brasil, Valor Online, Agência Brasil e outros ressaltam que o otimismo com juros e empregos permitiram até "ligeira alta" para o governo.
Por Folha Online e outros, "Ciro Gomes cresce e empata com Dilma Rousseff". No portal iG, Ciro comentou a queda da petista e chegou a ser manchete, "Dilma sofre agressão".
Diz ele que "há contra ela um fenômeno que já aconteceu comigo, que é uma desequilibrada agressão, um processo de difamação permanente". Ainda no iG, críticas à ausência de cenários alternativos, na pesquisa, só com Ciro ou Dilma.
DANTE SICA
Uma relação ao ritmo da crise
| O Estado de S. Paulo - 23/09/2009 |
Nos últimos 15 anos, o comércio e as relações bilaterais entre a Argentina e o Brasil têm-se movimentado ao ritmo de variadas e sucessivas crises. Períodos de expansão seguidos por momentos de contração e acordos que impulsionaram os investimentos, para logo sofrerem uma freada ou serem executados apenas parcialmente, são circunstâncias que se intercalaram uma após a outra e marcam o andamento dessa relação. Até o momento, essa conjuntura contribuiu com a música para a dança dessa dupla, que nem sempre baila ao som do tango ou do samba. Depois da criação do Mercosul, o comércio bilateral expandiu-se em grande velocidade graças à redução das tarifas alfandegárias e à interdependência de ambas as economias. Mas, no final da década passada, a crise das economias emergentes pôs fim a essa etapa e desde então as divergências econômicas e comerciais entre a Argentina e o Brasil passaram a se ampliar. De 2005 em diante, iniciou-se um período de distensão, possibilitado pelos bons resultados da Comissão de Monitoramento do Comércio Bilateral, que determinou o tratamento a setores sensíveis dos dois países, particularmente da Argentina. E, embora a balança comercial tenha sido cada vez mais deficitária para a Argentina, em razão do desequilíbrio no intercâmbio de bens industriais, o comércio bilateral cresceu de maneira acelerada até 2008, com uma redução dos conflitos. Para tanto também contribuíram a boa sintonia política e o elevado crescimento da Argentina, o que possibilitou uma diminuição do fosso macroeconômico. Entre 2003 e 2008, o comércio bilateral sofreu um incremento da ordem de 233%, passando de US$ 9,295 bilhões para US$ 30,956 bilhões, com um crescimento mais acelerado das importações argentinas (+ 276%) do que de suas exportações (+ 189%). Além disso, foi inaugurado um novo eixo na relação bilateral: os investimentos diretos, impulsionados pela recente internacionalização das empresas brasileiras, que, daqui em diante, determinarão o ritmo da relação, uma vez que, do ponto de vista comercial, o Mercosul não tem um peso relevante para o Brasil. Na verdade, os investimentos brasileiros na Argentina já são uma realidade: nos últimos seis anos, os investimentos de origem brasileira situaram-se em torno de 20% do total dos investimentos estrangeiros diretos (IEDs) recebidos pela Argentina entre 2002 e 2007. Somente os anúncios de investimentos de empresas brasileiras somaram, de 2004 até agosto de 2008, US$ 10,714 bilhões. Cerca de 52% desse total se destina ao setor industrial e quase 40% ao de petróleo e gás, enquanto 8% iriam para a construção e 0,3% para serviços. Esperava-se que nessa nova etapa de expansão, além do aumento do comércio bilateral e dos investimentos, houvesse um avanço nos temas pendentes da integração do Mercosul. Mas, enfim, esse avanço não se verificou e, agora, essa tarefa será muito mais difícil, num mundo em que se observa uma nova onda de medidas protecionistas. Mais uma vez, a música muda de acordo com a crise. Ruído de jazz - Nos primeiros sete meses deste ano de 2009, a queda do comércio bilateral já chegou a 32,5%, retornando a níveis semelhantes aos de 2006. O ruído do "efeito jazz" - como a presidente Cristina Kirchner chamou, sem muita repercussão ou propriedade, a atual crise - irrompeu com estrondo numa festa de tango e samba. Para enfrentar esse contexto a Argentina decidiu implementar medidas de restrição às importações, por meio de instrumentos como as licenças não-automáticas, direitos antidumping e valores-critério (valor-critério: um preço mínimo para a entrada de produtos importados no país), que afetaram com maior intensidade os fluxos de comércio com o Brasil. E, portanto, voltou a aumentar o clima de conflito bilateral, que se tentou resolver com uma nova rodada de negociações setoriais, incluindo os setores sensíveis tradicionais e outros novos. Essa disputa se baseia nas diferentes percepções do conflito que têm ambos os países. Para a Argentina, as medidas justificam-se como uma maneira de compensar o escasso avanço das questões pendentes da integração, que foram responsáveis pelo elevado déficit no intercâmbio industrial com o Brasil. Para este último, negociar nos mesmos setores representa um passo atrás no avanço conseguido nos últimos anos, mas o pior é que os novos acordos alcançados não vêm sendo cumpridos por causa da demora da Argentina na autorização das licenças, aumentando a incerteza quanto ao futuro. As medidas de restrição implementadas pela Argentina chegam a 17,2% do montante importado do Brasil. Portanto, os temas de maior repercussão na agenda atual são o aprimoramento da operacionalidade do sistema de licenças, a continuidade e o monitoramento do cumprimento dos acordos setoriais, a análise de eventuais desvios de comércio e seguir com a implementação das medidas de defesa comercial. Essas negociações se darão num contexto pré-eleitoral no Brasil, no qual surgem vozes internas que reclamam uma atitude não tão branda com relação à Argentina. A crise atual provocou a perda de parte do terreno ganho, não somente em termos de intercâmbio comercial, mas também no tratamento diferenciado para os setores sensíveis. Está faltando analisar formatos, mecanismos e os demais assuntos de interesses. Mas, ao mesmo tempo, o mais imprescindível e que está em falta é a consolidação das estruturas de consulta e tomada de decisões no âmbito bilateral, a fim de que os sócios mais importantes do Mercosul não terminem sempre dançando ao ritmo imposto pelas crises. |
FERNANDO RODRIGUES
Democracia desorganizada
FOLHA DE SÃO PAULO - 23/09/09
BRASÍLIA - O presidente Lula recebeu um prêmio em Nova York. Disse que o "Brasil é país de instituições sólidas e democráticas". Sobre democracia, não se discute. Já solidez das instituições é um conceito relativo, sobretudo no aspecto organizacional.
Enquanto Lula continua nos EUA, um documento da Presidência foi divulgado na Câmara, aqui em Brasília. Informa, de novo, que o Planalto guarda as imagens do seu circuito interno de segurança apenas por um prazo médio não superior a 30 dias. A história vai para o lixo porque falta memória no disco rígido do sistema.
Trata-se ainda do episódio do final do ano passado entre a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e a então secretária da Receita Federal, Lina Vieira. Sem imagens, ficou a palavra de uma contra a da outra sobre a existência da reunião na qual o governo teria pedido para "agilizar" um processo a respeito de empresas da família Sarney.
A indigência gerencial nos órgãos públicos é de dar dó. No documento de ontem, o Planalto informava como registra os carros no principal edifício da administração federal: "Os veículos que transportam autoridades, após reconhecidos, não têm suas placas anotadas".
Como é característico nessa cultura da desídia, nenhuma medida foi anunciada para corrigir tamanha esculhambação. O desmazelo não é de hoje, é verdade. Mas a atual gestão já teve tempo suficiente para adotar as ações necessárias. Não custaria nada obrigar todos os órgãos federais a registrar quem entra e sai de prédios públicos.
Outro exemplo é a decisão do Supremo Tribunal Federal, há um mês, determinando a liberação de notas fiscais usadas por deputados para justificar o uso de verbas indenizatórias. A Câmara desdenha do STF. Não cumpre a decisão. Se essas são instituições sólidas, como disse Lula, há um novíssimo conceito sobre solidez na praça.
PAINEL DA FOLHA
Cabo de guerra
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 23/09/09
Ninguém cedeu um milímetro na tensa conversa peemedebista que opôs, de um lado, Michel Temer e Henrique Alves, e, de outro, Orestes Quércia, Jarbas Vasconcelos e Ibsen Pinheiro. O trio queria convencer o presidente da Câmara a recuar da ideia de fechar já em outubro uma pré-aliança com Dilma Rousseff.
Quércia ponderou que Temer sabia de seu acordo com José Serra. ‘Respeito você no plano local, você me respeita no nacional’, respondeu Temer. Em seguida, ele e Alves perguntaram a Quércia por que resistia tanto a Paulo Skaf. ‘É a mesma situação. Deixa ele se filiar e depois a convenção decide a que ele será candidato’. O máximo que Jarbas Vasconcelos conseguiu foi adiar tudo para uma próxima reunião.
Virtual - Num dos momentos mais duros da conversa, Quércia perguntou a Temer (SP) e Alves (RN) como podem querer firmar um acordo antes da convenção se nem ao menos controlam o partido em seus respectivos Estados.
Barreira - Paulo Skaf disse a um colaborador de Lula que a perspectiva da candidatura de Ciro Gomes ao Planalto inibiu suas tratativas com o PSB, uma das várias siglas prospectadas pelo presidente da Fiesp na tentativa de disputar o governo paulista. Tal circunstância impediria Skaf de oferecer o palanque a Dilma ou flertar com os tucanos.
Anabolizado - Na esteira de seu desempenho na pesquisa CNI/Ibope, Ciro intensificará a agenda de viagens. No próximo sábado terá compromissos em Bauru (SP), Campo Grande (MS) e Florianópolis (SC). Todos avalizados pela direção do PSB, agora empenhada em turbiná-lo.
Carro alegórico - Além de Romário, no Rio de Janeiro, a nova ala dos famosos no PSB será engrossada pelo ex-BBB Kleber Bambam, pela ex-cantora mirim Simony e pela ex-chacrete Rita Cadillac, todos com domicílio em São Paulo.
Vermelhos - Cenário que vai se desenhando no PC do B-SP: vereador Netinho para o Senado e deputado Aldo Rebelo novamente para a Câmara, destino também do neocomunista Protógenes Queiroz.
Pilha - Mato Grosso do Sul, cujo governador, André Puccinelli, xingou ontem o ministro petista Carlos Minc (Meio Ambiente), é um dos Estados onde o arranjo PMDB-PT está mais complicado. Nos bastidores, Zeca do PT estimula a confusão na tentativa de impedir que seu partido apoie a reeleição do peemedebista.
Cinema, aspirina... - Para garantir que ‘Lula, o Filho do Brasil’ chegue aos municípios onde não há salas de exibição (mais de 90%, segundo o Ministério da Cultura), existem os cinemas itinerantes. Um dos projetos com apoio governamental é a ‘Mostra Brasil Candango’, que inicialmente percorria apenas o interior de Goiás, mas hoje já chega a Minas Gerais. Seus ônibus e caminhões trazem o logotipo da patrocinadora Petrobras.
...e urubus - Parte dos equipamentos do projeto, tocado por ONG do Distrito Federal, foi adquirida por meio de emendas do senador Gim Argello (PTB). A Petrobras mantém ainda o ‘Cinema BR em Movimento’, com exibições em pontos remotos do país.
Bifinho - Em razão da chiadeira do Exército por verbas, precipitada pelo pacote de compras para Marinha e Aeronáutica, o governo resolveu liberar para a Força R$ 300 milhões dos R$ 580 milhões que estavam represados.
Com motorista - Na reunião emergencial promovida pela Comissão de Relações Exteriores do Senado com Gonçalo de Barros Carvalho e Mello Mourão, do departamento de América Central e Caribe do Itamaraty, circulou a informação de que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, teria chegado à embaixada brasileira em carro cedido pela própria.
Diplomata - Depois de uma sessão repleta de louvações a seu nome, José Múcio procurou contemporizar sobre o único voto contrário à sua indicação para o TCU recebido na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado: ‘A pessoa deve ter se enganado’.
Tiroteio
Com a chegada de Toffoli ao Supremo, venceu a ala do PT que defende o Estado forte. Estatizaram o advogado do partido.
Do senador ALVARO DIAS (PSDB-PR), sobre a indicação do advogado-geral da União para vaga de ministro do STF.
Contraponto
Reflorestamento
Cerca de quatro meses depois de se submeter a um implante, o senador Tião Viana (PT-AC) começou a exibir cabeleira mais farta no cocoruto. Diante dos cumprimentos recebidos, comentou com a conterrânea Marina Silva (PV-AC), que senta a seu lado no plenário:
- Viu só como cresceu?
- Pois é! Aí é desmatamento zero! - brincou a ex-ministra do Meio Ambiente.
Para estimular o colega, ela completou:
- Eu acho que se trata de um dos maiores sucessos já vistos em termos de recuperação de área degradada!
DORA KRAMER
Os russos estão chegando
O ESTADO DE SÃO PAULO - 23/09/09
O resultado da última pesquisa Ibope fotografa o momento em que PT e PSDB testemunham o abalo do jogo muito bem combinado e previsível da disputa plebiscitária entre governo e oposição. Se era o projeto do presidente Luiz Inácio da Silva pôr sua força à prova, tampouco não desagradava aos tucanos concorrer com Dilma Rousseff, uma candidata inexperiente, cujo atributo mais visível nem é a antipatia pessoal, mas a apatia política.
Estavam ambos confortáveis, na convicção de que a sorte estava lançada de acordo com as regras previamente determinadas, quando a senadora Marina Silva apresenta a candidatura, o deputado Ciro Gomes reafirma a sua e entra em cena a evidência de que faltava um dado fundamental para aquele acerto dar certo: combinar com o eleitorado sempre ávido por novidades.
Os dois principais oponentes foram os que mais perderam. O governador de São Paulo, José Serra, quatro pontos porcentuais; a ministra da Casa Civil, três pontos. Com a agravante, para ela, de ter caído do segundo para o terceiro lugar.
Ultrapassada - pouca coisa em termos numéricos, mas suficiente para provocar um efeito psicológico negativo - por Ciro Gomes, que, em relação à pesquisa anterior, ficou no lucro de cinco pontos porcentuais.
No cenário mais provável, o que põe na disputa Serra, Ciro, Dilma e Marina, o governador tem 34%, o deputado 17%, a ministra 15% e a senadora do PV, 8%. Ciro ganhou muito, mas, em termos relativos, Marina Silva ganhou mais. É a única sem padrinho e sem “recall” de cargos e eleições anteriores. Se levarmos em conta que Dilma teve quase um ano de exposição diária na companhia de Lula para entrar na casa dos dois dígitos das intenções de votos, os 8% de Marina em um mês de candidatura não assumida, representam um desempenho e tanto.
A rejeição da senadora (37%) beira a marca do pênalti. Segundo os especialistas no tema, candidato com 40% de rejeição dificilmente se elege. Foi o único quesito em que Dilma subiu. Está com exatos 40%. Ciro fica com 33% e Serra com a menor, 30%. Esta poderia ser a boa notícia para o governador, como contraposição à perda na vantagem.
Afinal, ele é conhecido por 66% dos entrevistados. Marina por apenas 18%, Ciro por 45% e Dilma por 32%. De Serra e Ciro um bom naco do eleitorado já conhece qualidades e defeitos. Sobre Marina quase ninguém sabe nada, o que tanto pode apontar para um bom futuro como pode resultar em decepção. Por ora, Marina ainda é um símbolo. E para poucos.
Ciro faz o impetuoso, adversário dos erros e companheiro dos acertos do governo Lula. Estabelece contraponto com o desempenho anódino dos postulantes da oposição, embora possa a qualquer momento se tornar seu maior inimigo.
Seja como vier a ser, fato é que a campanha presidencial desponta fugir à fórmula elaborada nos laboratórios tucano-petistas. O que, em algum momento, poderá resultar numa circunstancial, mas inusitada aliança.
AOS COSTUMES
O ex-governador Orestes Quércia desembarcou ontem em Brasília para uma conversa com o presidente da Câmara, Michel Temer, também presidente licenciado do PMDB, já agastado com o fato de Temer vir adiando um encontro para tratar do assunto com ele.
Quércia fecha com José Serra, domina a máquina do PMDB paulista, da qual Temer dependeu para se eleger deputado federal em 2006, com a mais modesta das votações entre os eleitos pela legenda.
Em miúdos: para ser vice Michel Temer pode até depender da vontade do PT, mas para ter assegurada a sobrevivência política precisa mesmo é se acertar com o PMDB.
CONTRATO DE RISCO
Até a concessão de asilo político ao presidente deposto de Honduras, entende-se.
Mas, se o governo brasileiro não impuser limites à ação de Manuel Zelaya dentro da embaixada brasileira, compreendendo também as próprias limitações, vai se tornar parte num conflito que não se resume ao embate entre um presidente constitucional contra um governo golpista.
Trata-se, antes, de um choque entre duas concepções autoritárias forjadas na violência. De um lado o governo de facto impondo a regra do jogo a ferro e fogo e, de outro, o deposto a bordo de seu lema “pátria, restituição ou morte”.
Zelaya tem contra ele o Legislativo, o Judiciário, parte considerável da opinião pública e o fato pretender ignorar - ao molde de Hugo Chávez - as outras instituições em nome de um projeto de prolongamento anticonstitucional de permanência no poder.
A maneira de se lidar com essas situações é pela via legal e não por meio da força, isso é ponto pacífico. Só que não cabe ao Brasil se imiscuir nos meios e modos internos de outro país, muito menos quando o asilado em questão não demonstra dispor de organização e apoio político suficientes para fazer valer seu mandato em termos negociados.
ANCELMO GÓIS
O valor não era corrigido há oito anos. No total, serão R$ 9,5 milhões do município repassados às escolas.
E A CONTA...
Agora, com todas as receitas, cada uma terá em torno de R$ 5 milhões para produzir o desfile.
Dá e sobra.
A ARTE DE FALAR MAL
Lula e Eike Batista ficaram no maior ti-ti-ti no jantar em homenagem aos dois, segunda, no Hotel Waldorf Astoria, em Nova York.
Como se diz na minha terra, a orelha de Roger Agnelli, presidente da Vale, deve ter ardido.
ALIÁS...
A declaração do ex-ministro Delfim Netto ao Globo de que “Lula salvou o capitalismo” chegou aos ouvidos do presidente em Nova York, que comentou:
– Veja como são as coisas. Passei 30 anos da minha vida brigando com Delfim. Hoje ele é um dos meus melhores amigos.
É. Pode ser.
ESTE EU NÃO QUERO
O resultado da última pesquisa do Ibope mostra que na eleição do ano que vem periga os candidatos terem mais rejeição do que voto.
Dilma Rousseff possui, com Heloísa Helena, o maior nível de rejeição: 40%. Já José Serra e Ciro Gomes têm rejeição de 30% e 33%, respectivamente.
CARTA-TESTAMENTO
O senador Mão Santa entregou ontem aos seus colegas a carta de renúncia do PMDB. A quem dava uma cópia, dizia:
– A carta está melhor que a de Getúlio Vargas, mas eu não dei um tiro no ouvido para não deixar a Adalgisa viúva.
Adalgisa é a patroa de sua excelência.
DEU NO D.O.
José Alencar exonerou ontem o vice-presidente do Cade, Paulo Furquim de Azevedo, que renunciou depois de brigar com o presidente do órgão, Arthur Badin.
A decisão saiu no Diário Oficial de ontem, mas a briga começou há tempos, acirrou-se no caso da AmBev e de lá para cá esquentou até ferver.
ESTAGIÁRIO CAMPEÃO
Bebeto, o atacante tetracampeão, está levando a sério a história de ser técnico de futebol.
Toma aulas com Carlos Alberto Parreira, seu treinador na seleção de 1994, e depois vai estagiar com Mano Menezes, do Corinthians, e Ricardo Gomes, do São Paulo. Que seja feliz!
PENÉLOPE
Ontem, rolou um clima na CPI da Petrobras. A petista Ideli Salvatti, que tem fama de invocada, falava calmamente do direito de a maioria vencer, quando o tucano Sérgio Guerra brincou:
– Vossa Excelência me surpreende com o tom suave.
No que ela respondeu:
– É que hoje vim de Penélope Charmosa, tô de rosinha.
CRISE? QUE CRISE?
A editora Record faturou nesta bienal 87% a mais do que na bienal de dois anos atrás.
CLÓVIS ROSSI
Muito além de 2010
FOLHA DE SÃO PAULO - 23/09/09
PITTSBURGH - Admito que é divertido ficar se distraindo com a gangorra nas pesquisas eleitorais.
Mas, como já escrevi, a propósito de pesquisa anterior, do Datafolha, que a novidade real era a intenção de voto em Ciro Gomes, o único dos três mais "votados" que não tem tido forte exposição à mídia, dispenso-me de voltar agora ao assunto, em cima do Ibope.
Na verdade, o que incomoda em relação à eleição de 2010 é que não parece estar no horizonte o futuro pós-pleito, ao contrário do que está acontecendo no mundo ou, ao menos, nos Estados Unidos.
Agora, na reunião do G20 que se inicia amanhã, duas expressões aparentadas tendem a ser dominantes: crescimento econômico sustentável e crescimento econômico equilibrado.
À parte conceitos genéricos e fáceis de puxar aplausos, querem dizer o seguinte: como transitar de uma economia que gera gases em excesso para uma mais limpa. Essa discussão até que entra na agenda brasileira, mas de leve, o que talvez mude com Marina Silva.
Já crescimento equilibrado significa que os Estados Unidos, avisa reiteradamente o presidente Barack Obama, não voltarão tão cedo a ser a pantagruélica máquina de consumo que foram até a crise, o que pede que outros países (e ele mira especialmente a China) consumam mais internamente e exportem menos.
O presidente Lula ficou impressionado quando ouviu ao vivo e em cores essa avaliação de Obama durante o G8 ampliado da Itália. Como o Brasil entra nesse jogo?
Afinal, os Estados Unidos ainda são o maior comprador de produtos brasileiros. Se tiverem menos apetite, quem os substitui como comprador principal? A ideia de reequilibrar a economia global não é operação trivial. Quais dos candidatos presumíveis tem propostas a respeito? Eu não sei. Você sabe?
CLÁUDIO HUMBERTO
CHANCELER CELSO AMORIM, SOBRE O ASILO DE MANUEL ZELAYA NA EMBAIXADA DO BRASIL EM HONDURAS
GOVERNO PRIVILEGIA EMPREITEIRAS E LABORATÓRIOS
Entre os quinze maiores recebedores de verba federal, este ano, estão três construtoras brasileiras e quatro laboratórios estrangeiros, setores que são tradicionais financiadores de campanhas eleitorais. As sete empresas juntas receberam mais de R$ 1,085 bilhão em 2009. As construtoras Delta Construções, Queiroz Galvão e SPA Engenharia, levaram R$ 600 milhões do DNIT, em obras de rodovias em todo País.
MEDICAMENTOS
Os laboratórios Abbot Laboratories, Baxter Healthcare e F. Hoffman-La-Roche e Glaxo-SmithKline vendem remédios e hemoderivados ao País.
VIA EXPRESSA
Com o fracasso do Dia sem Carros, o Congresso poderia criar o Dia Nacional sem Criação de Cargos.
AGENTE 000
Pela “surpresa” da chegada de Zelaya na em baixada em Tegucigalpa, conclui-se que o governo de fato de Honduras, nem Abin de direito tem.
EI, VOCÊ AÍ...
O “neonacionalista” Eike Batista está em Nova York cercando o presidente Lula, com cara de pidão.
MP GAÚCHO NÃO INVESTIGA MORTE DE JANGO
Há dois anos dormita no Ministério Público gaúcho um pedido de investigação sobre a morte do ex-presidente João Goulart. Ele morreu oficialmente de ataque cardíaco, em dezembro de 1976, na Argentina, mas um ex-agente da ditadura militar uruguaia, Mario Neira Barreiro, preso em Porto Alegre, confessou haver participado do assassinato de Jango por envenenamento, no âmbito da Operação Condor.
TESTEMUNHA
O uruguaio Mario Neira Barreiro, preso por tráfico de armas, diz que o serviço secreto substituiu o remédios de Jango por pílulas de veneno.
CONSPIRAÇÃO
O Instituto Jango decidiu recorrer à Argentina, ao Uruguai e ao Chile para esclarecer o eventual assassinato de Jango na Operação Condor.
DETALHES
O envenenamento de Jango foi relatado por Mario Neiva Barreiro com detalhes aos deputados da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
CHÁVEZ É O CARA
Manuel Zelaya usou um avião cedido pelo semiditador venezuelano Hugo Chávez e, por sua orientação, asilou-se na nossa embaixada para forçar o envolvimento do Brasil na confusão hondurenha. E Lula, “constrangido”, aceitou o papel determinado pelo coronel falastrão.
CARGA DUPLA
Para uma republiqueta que já deu asilo político ao bandido Cesare Battisti, ter Manuel Zelaya como hóspede na embaixada de Honduras é refresco. Devagar, o Brasil vai se transformando na lixeira do mundo.
GIGANTE DESARMADO
Ao meter o bedelho na crise alheia, Lula pode nos levar a um vexame, porque se a embaixada for invadida, ficará por isso mesmo. O Brasil não tem como reagir, nem ameaçar Honduras militarmente.
QUEM É VIVO...
... Sempre aparece: o “empresário de jogos” Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que gravou a propina dele a Waldomiro Diniz, acompanhou atento na Câmara o projeto que ressuscita os bingos.
QUE VENHAM OS CUBANOS
O ministro Tarso Genro (Justiça) foi a Cuba tratar da regularização da migração entre os dois países. E receber os agradecimentos do ditador Raul Castro por aquela repatriação dos boxeadores cubanos, na marra.
MILAGRE GLOBAL
O 1º secretário do Senado, Heráclito Fortes, deu um passa fora na rede de TV CNT, se recusando a falar sobre servidores que fizeram cursos no exterior. No segundo seguinte, ao ser abordado pela Globo sobre o mesmo assunto, Fortes ficou subitamente afável e concedeu a entrevista.
TROCA DE GENTILEZAS
Segunda à noite, na Comissão de Infraestrutura do Senado, Eduardo Suplicy (PT) atendeu o celular e passou para Fernando Collor (PTB-AL): era o vice José Alencar, agradecendo os votos de recuperação.
BOQUINHA NO EXTERIOR
O Ministério da Agricultura abre processo de seleção para “adido agrícola” na África do Sul, Argentina, Bélgica, China, Estados Unidos Rússia, Japão e Suíça. A boquinha assistirá o agrobusiness lá fora.
PENSANDO BEM...
... O retorno do ex-deputado Hildebrando “Motoserra” Pascoal ao noticiário político serve para lembrar que o Congresso já foi pior.
PODER SEM PUDOR
FARDAS ALAGOANAS
Em reunião da bancada alagoana em Brasília, certa vez, ao observar que o então governador Ronaldo Lessa (PSB) se vestia como o senador Teotônio Vilela, formando autêntico par de jarros, a ex-senadora Heloísa Helena não perdoou:
– Só falta o outro da trupe – disse, referindo-se ao senador Renan Calheiros.
– Pode deixar, Heloísa. Da próxima vez, eu venho de calça jeans e camiseta branca – devolveu Lessa, aludindo à manjada indumentária de HH.
QUARTA NOS JORNAIS
- Globo: Ação do Brasil acirra crise e tensão cresce em Honduras
- Estadão: Dívida no cartão de crédito é recorde
- JB: Governo vai cobrir buracos da Rio- 2016
- Correio: Árabes e chineses cobiçam o pré-sal
- Valor: Santander amplia a disputa bancária com salto no crédito






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