sexta-feira, setembro 11, 2009

BRASÍLIA - DF

Lula adia mudança nos royalties


Correio Braziliense - 11/09/2009

Depois de colocar fogo na discussão entre os estados, o que agastou o governador fluminense Sérgio Cabral (PMDB) com seu governo, o presidente Luiz Inácio da Silva resolveu retirar de pauta a mudança na lei dos royalties de petróleo. Mais especificamente, do dispositivo constitucional que garante participação especial para estados e municípios produtores também no pré-sal.
O pedido foi feito pelo presidente da República ao relator da comissão especial que examinará o projeto de partilha das riquezas do pré-sal, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Líder do PMDB, o parlamentar vai ao Rio de Janeiro na segunda-feira para discutir com os técnicos da Petrobras as propostas da empresa. Deve se encontrar também com Cabral, que chutou o pau da barraca e não aceita a mudança de jeito nenhum.

Não abre// O prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Faria (PT), não vai recuar no grito da intenção de disputar o governo do Rio de Janeiro. Avalia que já queimou o filme com Cabral e, aos 39 anos, não tem nada a perder. Se for candidato ao Senado e não se eleger, Lindberg poderá ser visto como político que voa baixo.

Prestígio

Com um pé no Tribunal de Contas da União (TCU) e outro no “bolo de noiva”, anexo do Itamaraty onde fica seu gabinete, o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro (PTB), recebeu a solidariedade do líder do PMDB. “Ele nos ajudou muito na retirada do regime de urgência”, garante Alves, que defende a indicação de um petista para o lugar de Múcio.

Sacoleiros

O governo resolveu limitar a importação-formiguinha. Pelo regime, ao atravessar a fronteira, os sacoleiros pagarão uma única tarifa de 25% sobre o pr eço de aquisição das mercadorias importadas. O limite será de R$ 110 mil por ano.

Ficha-suja

O Senado arrasta a aprovação da minirreforma eleitoral e cria nova polêmica entre os deputados. Emenda do senador Pedro Simon (PMDB-RS) aprovada tarde da noite de quarta-feira veta os ficha-suja. O texto prevê que a Justiça Eleitoral poderá negar candidatura a políticos que não comprovem idoneidade moral e reputação ilibada.

Invocado



Governador da Bahia, Jaques Wagner (foto) resolveu partir com tudo para cima dos traficantes baianos, que estão atacando a polícia local, a exemplo do que já aconteceu no Rio e em São Paulo. Foram transferidos mais 14 líderes da facção criminosa Comando da Paz para a penitenciária federal de segurança máxima de Catanduvas (PR), onde já se encontrava o traficante Perna. Cláudio Campanha, chefão baiano do tráfico, comanda a rebelião direto de Campo Grande (MS).



Urgência



O governo quer adotar o regime de urgência no Senado porque lá não existe comissão especial. Teme que os projetos do pré-sal encalhem na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida pelo senador Demostenes Torres (foto), do DEM goiano. Curiosamente, o senador de oposição é a favor da redistribuição dos royalties.


Bancada/ Governador em exercício, Paulo Octavio almoça com a bancada federal, hoje, para discutir a posição sobre o pré-sal. O GDF está de olho nos novos critérios da partilha e quer a sede da Petro-Sal em Brasília.

Missa/ Amanhã, aniversário de Juscelino Kubitschek, com uma missa, às 10h, na Catedral de Brasília, começa a programação dos 50 anos de fundação da capital. Várias obras serão anunciadas.

Explicações/ O ministro da Defesa, Nelson Jobim, vai à Comissão de Relações Exteriores do Senado, na próxima quarta-feira, para tentar baixar a poeira sacudida com o inoportuno anúncio da compra dos caças franceses Rafale pelo presidente Lula. Em seguida, será a vez do comandante da Aeronáutica, Juniti Saito.

Simancol


A cúpula do PSDB prepara uma conversa franca com a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, cujo impeachment começou a tramitar ontem, na Assembleia Legislativa gaúcha. Sob comando do deputado petista Ivar Pavan, o processo de cassação foi a resposta ao anúncio de que a governadora pretende se candidatar à reeleição apesar das denúncias contra ela. Só o PMDB pode salvá-la, mas o preço é entregar o governo ao aliado.

NELSON MOTTA

Cenas obscenas


O Estado de S. Paulo - 11/09/2009

Só não é uma comédia de erros porque é dramático e constrangedor demais para todos os protagonistas e para os que acompanham o caso do italiano acusado de beijar na boca a filha de 8 anos, na piscina de um hotel de Fortaleza.


Por que o molestador, que vivia com a menina, procuraria um lugar público e cheio de gente para perpetrar seus crimes horrendos? Só se fosse também um exibicionista patológico. A ironia é que foi justamente um casal de funcionários de Brasília, onde as cenas obscenas de políticos com a ética e o dinheiro público são explícitas, que, indignado, o denunciou.

Como a criança era morena como a mãe e o pai branquelo como um europeu, a conclusão dos denunciantes foi imediata e definitiva — era evidente a exploração sexual de uma brasileirinha pobre, escura e indefesa, por um estrangeiro tarado e racista.

Pior, só se fosse um americano.

Assim como a beleza, a maldade quase sempre está nos olhos de quem vê. Em Nova York, onde a idiotice politicamente correta e a hipocrisia sexual americana levam ao paroxismo os conflitos entre expressões de afeto e abuso sexual, sofri com minhas filhas inúmeros olhares peçonhentos, e perversamente invejosos.

Sempre fomos muito carinhosos entre nós, nos beijamos e abraçamos com afeto e naturalidade, com alegria e inocência, e não iríamos mudar só porque vivíamos em Nova York. Pelo contrário, resolvemos nos divertir.

Nos restaurantes sempre alguns olhavam com suspeita para aquele cinquentão grisalho que entrava abraçado e dando beijinhos em uma bela garota de 17 anos. Eu e minha filha Nina nos sentávamos e continuávamos à vontade, rindo e cochichando, próximos e carinhosos. Um bom exercício para uma estudante de arte dramática. Vocês precisavam ver as caras indignadas que se fechavam enquanto nos divertíamos e eles bebiam seu próprio veneno. Golpe final: Nina pedia a conta. O garçom trazia, ela sacava do seu cartão de crédito (pago por mim, naturalmente) e assinava, enquanto os maliciosos e perversos espumavam de ódio e frustração: “E ela ainda paga a conta!” Eu agradecia com um selinho e saíamos às gargalhadas.

GOSTOSAS


CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIAR

PARA....HIHIHIHI

GRAVIDEZ NA 3ª IDADE


Com toda esta nova tecnologia recente sobre a fertilidade, uma senhora de 78 anos foi capaz de dar à luz um menino. Quando ela teve alta hospitalar, foi para casa, e seus familiares e amigos vieram visitá-la.
- Podemos ver o novo bebê? – alguém perguntou.
- Ainda não – disse a mãe – Vou fazer um café e poderemos conversar um pouco antes.

Trinta minutos se passaram e outro perguntou:
- Podemos ver o bebê agora?
- Não, ainda não – disse a mãe.
Depois de mais alguns minutos, eles perguntaram de novo.
- Podemos ver o bebê agora?
- Não, ainda não. – respondeu a mãe.

Já meio impacientes, eles perguntaram:
- Bem… então quando poderemos ver o bebê?
- Quando ele chorar! – ela disse a eles.
- Quando ele chorar??? E por que temos que esperar ele chorar?
- Porque eu esqueci onde o coloquei!

CONFIDENCIAL

Burocracia nos portos

AZIZ AHMED

JORNAL DO COMMÉRCIO - 11/09/09



Em novembro de 2007, o titular da Secretaria Especial de Portos (SEP), Pedro Brito, arrancou do presidente Lula Medida Provisória que abria o serviço de dragagem a estrangeiros. A decisão radical tinha explicação: afinal, 98% das exportações e importações fluem pelos portos. A MP virou lei e, além disso, o ministro Brito garantia haver obtido R$ 1,5 bilhão para dragar 17 portos. E quais os resultados obtidos até agora? Quase nada. No maior porto do Brasil, o de Santos, responsável por quase metade de toda a operação nacional com contêineres, a mais que urgente dragagem continua emperrada. Primeiro, por problemas de licitação; agora, de burocracia ambiental. A última notícia é que o órgão federal (Ibama) aguarda parecer da estadual Cetesb. Recentemente, o vice-presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e diretor da Fenavega, Meton Soares, lembrou que o mundo já opera navios de mais de 13 mil contêineres, enquanto em Santos só podem atracar embarcações com menos da metade desse volume, muitas vezes ainda tendo de esperar a subida da maré.
Até tu, Ideli?



A líder do Governo no Senado, Ideli Salvatti (PT-SC), explica mas não justifica o fato de a Casa haver torrado R$ 70 mil para ela e um assessor participarem, no exterior, do curso The Art of Business Coaching, promovido pela Newfield Consulting. Não colou a alegação de que o curso serviu para melhorar gestão de seu gabinete e o desempenho de sua equipe. Afinal, o fundador da Newfield no Brasil, Luiz Sérgio Gomes da Silva, é filiado ao PT, ex-funcionário do Palácio do Planalto e ex-assessor da CUT.
Preço da beleza



Jessica Simpson (foto) parou Ipanema nesta quarta-feira. Conta Lu Lacerda que a cantora americana chegou à cidade para gravar cenas do reality show "The price of beauty" (O preço da beleza). Entrevistou a turbinada Angela Bismarchi (que já fez mais de 40 cirurgias plásticas) e tomou umas caipirinhas enquanto filmava. Depois da entrevista, pediu a Angela que fizesse um topless para conferir os seios siliconados.
Jornalista Niemeyer



O arquiteto Oscar Niemeyer, de 101 anos, está convocando os candangos que trabalharam na construção de Brasília. É para uma matéria especial sobre os 50 anos da capital federal que vai publicar na sua revista, "Nosso caminho".
Cumprimento, nem à francesa



Autoridades de saúde francesas pedem à população que evite qualquer tipo de contato físico para reduzir as chances de contágio por gripe suína. Algumas escolas e empresas proibiram até o beijo no rosto, cumprimento tradicional na França.
Know how de toxicologia



O diretor do Centro Internacional de Toxicologia (CIT) da França, Roy Foster, desembarca este mês em São Paulo. Em evento sobre fármacos e medicamentos, vai apresentar resultados do estudo de validação de um novo teste oferecido pelo CIT: o Tissue Cross-Reactivity, feito com placas de tecidos humanos e animais.
Brasil ocupa a rede virtual



Dois de cada três dos 95,6 milhões de computadores da América Latina estão no México e no Brasil, embora o país da região com mais aparatos por habitante seja o Chile. Segundo a empresa de consultoria Everis, que elaborou o estudo com dados de 50 países, há 42,9 milhões de computadores no Brasil, enquanto no México há 20,6 milhões.
Perguntar não ofende



Do leitor Carlos Grand: "Sua coluna informa que o Governo do Pará vai gastar R$ 100 milhões para colocar em 18 meses um linhão que levará energia elétrica à Ilha de Marajó. Não sairia mais barato e mais rápido o investimento em energia eólica?"



FÓRUM. O ex-ministro Reis Velloso comanda, dias 17 e 18 próximos, mais um Fórum Especial, no BNDES. Tema: "Na crise - esperança e oportunidade, desenvolvimento como sonho brasileiro, oportunidade para favelas.



DO RELATÓRIO. O private equaly Axxon, que comprou o controle da rede Mundo Verde, pretende abrir a primeira loja nos Estados Unidos no início de 2010.



HISTÓRIA. Contratado pela Nova Fronteira, o cantor, compositor e guitarrista Lobão, de 52 anos, está escrevendo a autobiografia.

MUITO GOSTOSA


LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS

Padrões da recuperação econômica


Folha de S. Paulo - 11/09/2009

A recuperação econômica vai depender muito do consumo de americanos, de alemães, de japoneses e de ingleses



A IMPRENSA tem chamado nossa atenção para a comemoração de um ano do colapso do banco Lehman Brothers e que jogou a economia mundial no limiar de um precipício. Esse evento, devido aos seus efeitos sobre a vida de milhões de seres humanos, será certamente incorporado à nossa história. A lista de heróis e vilões de nosso passado vai ganhar os nomes de atores maiores e menores desses acontecimentos.
Na sua tarefa de informar, a imprensa internacional tem lembrado pequenos e grandes dramas vividos por pessoas comuns e que foram apanhadas no turbilhão financeiro iniciado em Wall Street. Mas esse não é o objetivo deste espaço da Folha. Para mim, o colapso do Lehman Brothers é um fato superado e hoje me preocupo com as questões voltadas para o crescimento nos próximos anos.
Vivemos um período de recuperação da atividade econômica em praticamente todas as regiões do mundo. Em relação a 2010, assistimos a uma repetição tediosa de revisões -para maior- das expectativas de crescimento. Existe um clima de quase otimismo no ar. As cassandras do colapso inevitável das principais economias de mercado balbuciam -sem o sucesso do passado- advertências contra a euforia exagerada.
A recuperação das principais economias de mercado segue três padrões bastante claros. Um primeiro grupo -do qual nosso Brasil faz parte- retoma o crescimento de forma saudável. As fontes de dinamismo são internas e pouco dependentes da demanda de países no centro da crise mundial. A Austrália me parece outro exemplo claro desse grupo. A economia desses países deve crescer perto de seu potencial já na virada do ano de 2010. Somente um novo colapso das economias mais ricas pode comprometer esse cenário no curto prazo.
Um segundo grupo -do qual a China é o exemplo mais importante- incorpora países que estão retomando o crescimento com base no dinamismo interno de seu setor privado, mas que dependem ainda de um forte estímulo de gastos do setor público. No caso chinês, são as obras de infraestrutura que, ao substituir as exportações para os países ricos como polo dinâmico da economia, preservam o nível de gastos e de demanda interna.
Finalmente, um terceiro grupo, formado pelas economias mais ricas (G7), apresenta maiores riscos associados à sustentabilidade do crescimento. Nesses países, o ajuste de gastos dos consumidores tem sido mais profundo e o corte na disponibilidade de crédito mais acentuado do que ocorreu nas economias dos grupos anteriores.
Além disso, a situação fiscal do governo e o crescimento da dívida pública nos próximos anos limita em muito a manutenção dos estímulos fiscais -hoje, parte importante da recuperação da economia- por um prazo mais longo. Os riscos de uma recaída na recuperação em curso -chamada pelo mercado de Double Dip- são razoáveis em países como os Estados Unidos, o Japão, a Alemanha e a Inglaterra.
Nos próximos meses, todos os olhos do mundo financeiro estarão voltados para o nível de gastos dos consumidores nessas economias. Com a recuperação da produção em curso, se os consumidores não voltarem a gastar nos próximos meses, teremos um novo acúmulo de estoques e, em seguida, uma nova queda no ritmo de atividade. Dada a importância das economias desse grupo, um novo recuo pode comprometer a retomada do crescimento no resto do mundo.

TODA MÍDIA

Um ano de crise

NELSON DE SÁ

FOLHA DE SÃO PAULO - 11/09/09

No UOL, "Bolsa sobe e atinge o maior nível" desde julho de 2008. No Valor Online, "Bolsa fecha em nova máxima". Pouco antes, no Valor Online, "Bolsa já sobe 98% desde outubro".
Para marcar o aniversário da quebra do Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008, a BBC Brasil vem postando especial sobre os efeitos no país, "Um ano de crise", com o logo acima. Ontem na manchete, entrevista com o ministro da Fazenda e o enunciado "Brasil pode ser quinta economia na próxima década, diz Mantega". No enunciado do dia anterior, "Crise fortaleceu papel do Brasil no mundo, dizem analistas" de Economist Intelligence Unit e outras.
Por outro lado, manchete do "Wall Street Journal" à Folha Online, ontem no início da noite, o "preço alto da recessão nos EUA", segundo o Census Bureau, com queda na renda familiar e "maior pobreza".

"DESMAMAR"
economist.com

Nada de 11/9. A nova "Economist" também abre com o aniversário da crise global, 15/9, e a avaliação de que foi "Seleção não natural". As Bolsas "sobrevivem graças ao apoio estatal e precisam desmamar, agora". Apoia "regular os bancos para torná-los mais seguros"


"ESPLENDOR"

Regalado produziu vídeo de testes dos blindados e até se colocou "na linha de tiro"
Na capa do "WSJ", ao lado, "Nas ruas cruéis de São Paulo, os ricos rodam em esplendor blindado". No subtítulo, "Alta taxa de crime e gosto apurado levam a "upgrade" dos carros; para jovem de 19 anos, Fusca rosa à prova de bala".
A longa e irônica reportagem de Antonio Regalado relata que o salto na indústria de carros blindados ocorreu há dez anos, quando filhos de um banqueiro escaparam de sequestro graças, segundo uma revista, ao "carro herói". "Conforme o dinheiro e o crime se cruzaram, mudaram os hábitos" e São Paulo é hoje considerada "a capital mundial do carro blindado, segundo algumas estimativas".


"THE END"?
news.yahoo.com
Biggs, nos despachos
Noticiado dias atrás por aqui, o lançamento do projeto "Fim da Linha" ou "The End of the Line", da
Polícia Federal, ecoa no exterior com fotos do mais célebre dos muitos criminosos que se esconderam no Brasil, Ronald Biggs.
O correspondente da BBC, Gary Duffy, escreveu que "o Brasil quer mudar sua imagem de destino promissor para os fugitivos da Justiça", presente em Hollywood desde pelo menos "Notorious" (1946) até "Inimigos Públicos", agora. Abrindo a reportagem da AFP, o país está "cansado de sua imagem de santuário para criminosos".


"YOU LIE"
Repercutiu menos o discurso de Barack Obama, ontem no Congresso, do que a interrupção por um republicano, gritando "você mente". Foi manchete on-line o dia todo, por Huffington Post, Drudge Report etc. Com alguma boa vontade, o site Politico arriscou que pode até "unificar os democratas". Mas ontem mesmo o ataque já ganhou apoio de referências ultraconservadoras como o radialista Rush Limbaugh.


INTIMIDAÇÃO
clarin.com

O "Clarín" destacou operação "intimidatória" contra o próprio jornal, por "batalhão de inspetores" do fisco argentino, após dar reportagem sobre o próprio fisco. Ressaltou a "grande repercussão" por Brasil etc.


GOOGLE & JORNAIS
Deu no blog do Nieman Lab, de Harvard, e ecoou por toda parte que o Google avisou à Associação Americana de Jornais que se prepara para disponilizar uma ferramenta de micropagamentos on-line até meados de 2008.

GOSTOSA


ARI CUNHA

São Paulo virou mar

CORREIO BRAZILIENSE - 11/09/08


Houve época em que a Cantareira deixava de cuidar do pequeno riacho. Os restos do Mercado Central eram jogados em suas águas. Vinha a chuva e transbordava. Morria gente afogada e as casas da 25 de Março eram invadidas. Prejuízos enormes. O riacho recebia toda espécie de lixo. Veio a organização. Água sem sujeira passou a ser a novidade. São Paulo virou mar. Invadida pelas águas. Tudo pára. A cidade grande vira lagoa. A Marginal do Tietê vira mar. Desespero. A prefeitura fecha os olhos. Esgotos clandestinos entram no rio sujo que há anos se fala em voltar às águas tranquilas. Debalde. São Paulo se curva à realidade e naufraga. Os impostos pagos entopem os ralos. Mesmo a 800 metros de altura, a cidade virou mar.


A frase que foi pronunciada

“A FAB não fará escolha, porque está feita. Poderá indicar prós e contras de cada avião a ser comprado no exterior.”
» Nelson Jobim, ministro da Defesa do Brasil.



Licitação

» Brasil abriu licitação para a compra de aviões. A França avançou e ofereceu mais. Outros países não desistiram. Os Estados Unidos podem oferecer a Boeing para fabricar aviões. Perguntado pela imprensa, Lula minimiza. “Daqui a pouco vou receber tudo de graça.” Outros países não desistem da licitação. Alguma coisa séria vai acontecer.

CPI

» Câmara Legislativa resolve criar CPI. São investigações rápidas. A Mesa deu meio ano para decidir, com direito a se prolongar. Vai se passar um ano para se registrar fofoca. Quem sabe não tem nada a esconder. É dizer logo, e pronto. O segredo não é guardado. É intriga política em época eleitoral.

Ônibus

» Brasil produz os melhores ônibus, e são exportados. Transporte do povo é feito com modelo antigo e impróprio. Bom seria que se incentivasse a produção de ônibus para o povo viver feliz. Os nossos são desenhos velhos por economia. Saudade dos ônibus da Light no Rio. Construídos em alumínio, davam segurança aos passageiros.

Ministro Temporão

» Todo brasileiro é doido ou entende de medicina. Ministro Temporão é da Saúde e sustenta seu pensamento com energia e dignidade. Não faz segredo do que acontece no mundo. Muita gente morrerá por causa do progresso. Gente de todos os países enche os aviões e leva o mal ao mais longínquo recanto.

Férias

» Governo americano sabe usar férias. Barack Obama tira o paletó e a gravata. Se for a algum lugar, vai em trajes esportivos. Vê-se que a gravata é imposição social a quem não precisa dela. Usa para honrar o cargo ou receber o respeito que mereceria como simples cidadão.

Encontro

» Vice-governador Paulo Octávio se uniu ao deputado federal Alberto Fraga. Encontro com Michel Temer, presidente da Câmara, para discutir o plano de cargos e salários da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.

Voos da TAP

» A TAP descobriu que no Brasil é importante viajar pelo mundo. Novas viagens estão sendo inauguradas partindo do Rio, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, Natal e Salvador. Pelo litoral, o passageiro atinge 62 destinos em 30 países. A operação soma em torno de 1.850 voos por semana.

Ecologia

» Chevron Corporation tem tecnologia para descobrir petróleo em qualquer profundidade. Brasil fica com o pé atrás. A Chevron, participa do escandaloso uso da floresta amazônica equatoriana. Herdou da antiga Texaco quase 70 bilhões de litros de água contaminada. Sessenta e quatro milhões de litros de petróleo são despejados no Lago Agrio, perto de 1 mil pontos de lixo tóxico.

Da Fonte

» Deputado Eduardo da Fonte, que preside a CPI das Contas de Luz, chegou ontem a Boa Vista. Foi à Câmara Municipal da cidade para a primeira oitiva. Ele quer saber a razão para a região Norte do Brasil pagar tarifas tão caras pela energia elétrica e com aumentos tão constantes. Ainda sem holofotes, a CPI promete abrir a caixa-preta das companhias, concessionárias e distribuidoras de energia elétrica.


História de Brasília

A campanha de estabilidade dos funcionários da Novacap está tomando impulso. Apenas achamos que a data deveria ser 21 de abril, porque, desse dia em diante, muita gente foi admitida para satisfazer a pedidos políticos, o que não acontecia com os antigos que vinham para Brasília, pelo espírito pioneiro, que é, no caso, o que se deve premiar. (Publicado em 8/2/1961)

CLÓVIS ROSSI

Fim da mudança que nem houve?

FOLHA DE SÃO PAULO - 11/09/09



SÃO PAULO - Mudança, lembra-se? Era a palavra-chave da campanha eleitoral de Barack Obama.
Vitoriosa como foi, deu-se por assegurado que os Estados Unidos haviam sofrido uma mudança de proporções históricas.
Parece que não é bem assim. A formidável resistência que está encontrando o plano de cobertura de saúde que Obama enviou ao Congresso demonstra que uma parcela substancial dos norte-americanos (a maioria?) continua sendo profundamente conservadora, reacionária até e impregnada de um individualismo feroz.
Tudo bem que o poderoso lobby das empresas de seguro-saúde contribuiu fortemente para a resistência. Até aí, é uma questão de negócios: o presidente deixou claro, em seu discurso de anteontem no Congresso, que seu projeto tapa os buracos que permitem aos planos de saúde deixar seus segurados ao sereno, com truquinhos que os brasileiros conhecem bem.
Que os órfãos do "bushismo" reagissem com mentiras estapafúrdias, também era compreensível.
Baixaria é um componente da política, aqui como lá.
Mas que uma parte do público comprasse mentiras e engodos indica uma invencível resistência no tecido social norte-americano a aceitar qualquer coisa que venha do Estado, até o bem.
Afinal, os Estados Unidos é o país rico que mais gasta com saúde e o que mais pobre atendimento oferece a seus cidadãos. Ou, como disse Obama, "nosso fracasso coletivo em enfrentar esse desafio -ano após ano, década após década- levou-nos a um ponto de ruptura".
Atingido esse ponto, rejeitar a mudança em nome de defender escolhas individuais, sem que o poder público se meta, só pode aprofundar o "fracasso coletivo". E, de quebra, destruir no percurso a promessa mais ampla de mudança, "comprada" pela maioria dos eleitores enquanto era slogan.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO


MERVAL PEREIRA

Mudou de tom

O GLOBO - 11/09/09


O presidente Lula, que é um político muito hábil e sabe para que lado o vento sopra, já começou a corrigir o rumo de sua estratégia eleitoral, admitindo implicitamente que a corrida presidencial não tem mais chance de ser travada apenas entre a candidata petista, Dilma Rousseff, e o representante tucano, provavelmente o governador de São Paulo, José Serra. Mas ele continua querendo que a eleição seja um plebiscito sobre o seu governo, e agora diz que “um candidato da base aliada” será eleito, e cita, além de Dilma, o deputado federal Ciro Gomes, que sairia pelo PSB, e a senadora Marina Silva, que disputaria pelo Partido Verde.

Além do fato de que os eventuais votos em Marina não podem ser contabilizados diretamente para o governo, agora o presidente já parece conformado com a tese do PSB de que ter mais de um candidato da base é a melhor estratégia.

Mesmo porque a ministra Dilma aparece nas pesquisas de opinião estacionada, na melhor das hipóteses, ou mesmo em queda, como na consulta do Sensus para o CNT esta semana, em que ela caiu de 23,5% para 19%.

A pesquisa nacional do Ibope divulgada pela coluna de Ancelmo Gois no GLOBO, que mostra Serra com 42%, Ciro com 14%, Dilma com 13% (caindo 5 pontos), Heloísa Helena com 7% e Marina Silva com 3%, foi encomendada pelo PMDB, e há indicações de que o partido já se mostra sensível à tese de que deveria ter um candidato próprio no primeiro turno, diante da performance nada animadora de Dilma.

Uma visão mais otimista com relação à candidatura da ministra Dilma Rousseff, como a do marqueteiro e publicitário Hayle Gadelha, vai buscar os números de março passado para mostrar que quem está em queda é o governador Serra, que naquela ocasião chegou a marcar 45,7%, enquanto Dilma tinha 16,3%.

Na pesquisa Sensus, Serra caiu para 40,4%, e Dilma subiu para 23,5%. A queda de setembro de Dilma, para 19%, a colocaria no mesmo patamar de março, dentro da margem de erro, enquanto Serra manteve-se na faixa dos 40%, caindo quase 6 pontos percentuais em relação à marca de março.

Como com as estatísticas pode-se fazer qualquer malabarismo, o melhor é se ater à tendência, que mostra uma sólida diferença a favor de Serra. A disputa parece mesmo estar dentro da base aliada do governo, onde Ciro Gomes volta a ser um plano B com mais chances de disputar o segundo turno com o candidato do PSDB.

Tudo indica que, com a candidatura da senadora Marina Silva, a possibilidade de a eleição ser decidida no primeiro turno ficou menor, embora até o momento o governador José Serra vença no primeiro turno em todas as simulações e em todos os institutos.

E há ainda a candidatura de Heloísa Helena pelo PSOL, que aparece nas pesquisas com índices que variam de 7% a 10%, e com picos próximos de 15% em alguns cenários, o dobro do que consegue a senadora Marina Silva.

Sua candidatura ainda não deve ser descartada, embora seja forte a possibilidade de que ela venha a ser candidata ao Senado.

Segundo o ex-deputado Milton Temer, dirigente do PSOL, o raciocínio de quem quer Heloísa Helena como candidata a presidente da República parte de duas preliminares: “Não aceitamos abrir mão de uma disputa polarizada entre o seis e o meia dúzia, dando à candidatura patrocinada por Lula uma falsa imagem de ‘esquerda possível’.

A esquerda estratégica, aquela que não abre mão do que sempre defendeu no combate ao neoliberalismo, não se veria representada”.

Além do mais, questiona, quem garante ser inevitável a vitória de Heloísa Helena numa eleição para o Senado em Alagoas, estado de Collor e Renan Calheiros , onde “de sapatão a prostituta, valeu tudo nas manchetes de jornal e noticiário de rádio e TV, que ambos controlam, para tentar impedir a brilhante eleição que ela conquistou como vereadora, proporcionalmente, mais votada do Brasil”.

Milton Temer admite que existe uma “baita pressão local” para mudar a representação do estado no Senado, mas diz que a parada não está decidida. Hoje há uma reunião em Maceió, mas a decisão final deve sair apenas no final do ano.

Quanto à possibilidade de uma aliança com o PV da senadora Marina Silva, amiga de Heloísa Helena, por enquanto é a alternativa mais difícil. Temer faz parte do grupo que considera a hipótese inviável e garante que Marina “não vai comover o partido para uma aliança em torno do ‘ecocapitalismo generoso’ que defende”.

“Por que entregar 54 segundos de horário de TV para uma campanha onde praticamente nada haverá de referencial em relação aos objetivos táticos e estratégicos do PSOL?”, pergunta Temer.

Já o deputado federal Chico Alencar não é tão definitivo, embora já tenha dito que o PV era legenda de aluguel.

Alencar acha difícil, no entanto, que o PV faça uma reformulação tão profunda em seus quadros que venha a permitir uma aliança política com o PSOL. De qualquer maneira, o partido tende a ter uma candidatura própria à Presidência, para marcar posição.

A versão do ex-ministro Roberto Amaral sobre os fatos narrados na coluna de ontem não difere fundamentalmente da que apresentei, mas acrescenta novos detalhes a seu favor. Ele diz que a demissão do major-brigadeiro Antonio Hugo Pereira Chaves foi pedida pelo presidente da Agência Espacial Brasileira, Carlos Ganem, logo após o incidente, “pois, antes de mim, na reunião citada, fora ele desrespeitado pelo seu hoje ex-auxiliar”.

Para Amaral, a versão publicada na coluna “é fantasiosa”.

Segundo ele, “o ex-diretor foi grosseiro com o diretor-geral da parte ucraniana, O. Serdyuk, e com o vice-diretor técnico brasileiro, João Ribeiro Jr.

Cumpri o dever de defendêlos e daí resultou o incidente, muito medíocre, sem os lances rocambolescos (à maneira dos westerns italianos) que lhe descreveram”.

PAINEL DA FOLHA

Se colar, colou

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 11/09/09

Incomodado com a destruição, pelo relator Cezar Peluso, da tese de Tarso Genro pró-concessão de refúgio a Cesare Battisti, o governo, e em especial o Ministério da Justiça, procura estimular uma ideia lançada pelo advogado do italiano, Luís Roberto Barroso: a de que, caso o julgamento caminhe para 4 votos a 4, como se espera depois do pedido de vista de Marco Aurélio Mello, o presidente do STF, Gilmar Mendes, não poderá desempatar contra Battisti. Isso por analogia com o que diz o regimento em casos de habeas corpus.
Na Corte, ministros consideram a argumentação descabida: não se trata em absoluto de pedido de habeas corpus. Mas a defesa tentará provocar o debate.

Fala, Lula - Se for derrotada a interpretação de que o presidente não pode desempatar, e caso Gilmar vote pela extradição, a defesa insistirá na tese de que a palavra final sobre devolver ou não Battisti à Itália caberia a Lula, pela jurisprudência do próprio STF.

Último recurso - Se até isso falhar, a defesa de Battisti deverá tentar fazer com que a Justiça italiana se comprometa por escrito a aceitar a conversão da pena de prisão perpétua para detenção de no máximo 30 anos, como estabelece a lei brasileira.

Em armas 1 - De Aécio Neves (PSDB-MG), sobre a ausência de recursos na LDO para compensar perdas causadas pela isenção de ICMS aos exportadores: “O governo pensa que atinge os Estados, mas o maior prejudicado é o setor exportador, que daqui a pouco não terá mais crédito”.

Em armas 2 - Continua o governador: “Não há chance de se votar o Orçamento enquanto não for resolvida essa questão”. Em coro, fala Ana Júlia (PT-PA): “O Pará não tem como abrir mão de meio centavo desses recursos”.

Bedel - Partiu do próprio PT o pedido para que Antonio Palocci trocasse a relatoria do projeto de capitalização da Petrobras pela do texto que cria o fundo social do pré-sal. A ideia é filtrar emendas que estabelecem as mais esdrúxulas destinações aos recursos - a maioria de petistas.

Petro-tour - Relator do projeto que define o regime de partilha na exploração do pré-sal, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) iniciou uma rodada de conversas com governadores de Estados produtores. Na segunda visitará a Petrobras, no Rio, para conhecer o processo de exploração.

Sócios - A estapafúrdia emenda de Marcelo Crivella (PRB-RJ) que pretende legislar sobre a metodologia dos institutos de pesquisa chegou ao plenário do Senado, anteontem, com parecer favorável dos relatores Marco Maciel (DEM-PE) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Na hora da votação, nem os líderes sabiam do endosso da dupla à ideia, no final aprovada.

Emenda PAC - Maciel e Azeredo alteraram o texto da emenda que define o prazo de quatro meses antes das eleições como limite para propaganda oficial e inaugurações, incluindo a expressão “lançamento de pedra fundamental”. Trata-se de uma das modalidades preferidas de Lula.

Shopping 1 - Está em curso um flerte entre o PV e o ex-governador Fleury Filho, hoje no PTB. Para alavancar suas bancadas, o novo partido de Marina quer ter candidatos no maior número possível de Estados. Fleury seria opção em SP. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, também foi cogitado para o papel (e também negocia com o PMDB).

Shopping 2 - Em ‘on’, a presidente do PV-SP, Regina Gonçalves, minimiza as chances de Fleury: “Ele não tem o perfil”. Mas a conversa existe. Fleury é cunhado do ‘verde’ Herculano Jr., prefeito de Itu.

Afinidades - Recém-filiada ao PV, a senadora Marina Silva (AC) entrou na discussão da reforma eleitoral para defender a participação de partidos nanicos em debates. E citou Heloísa Helena, do PSOL, partido que pode apoiá-la em 2010. “Se ela não tivesse tido espaço no nascedouro, talvez não fosse a expressão política que é hoje”, afirmou.

Tiroteio

A candidatura de José Serra a presidente vai acabar naufragando na obra da marginal do Tietê, que agride o meio ambiente.
Do deputado estadual ADRIANO DIOGO (PT), comentando afirmação do governador tucano, que atribuiu os estragos causados pela chuva desta semana em São Paulo a “um problema da natureza”.

Contraponto

Sem antecedentes

Na tumultuada sessão do Senado para votar mudanças nas regras eleitorais, anteontem à noite, o plenário debatia um modelo de pleito indireto para ser usado em caso de cassação no meio do mandato. O relator da proposta, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), fez questão de destacar a exigência de que os candidatos desfrutem de “reputação ilibada”.
Contrário à ideia de eleição indireta, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), foi enfático:
- Reputação ilibada? Quem é que vai atestar isso? Daqui a pouco vão querer convocar ex-mulher para dar depoimento!

GOSTOSA


CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR

ELIANE CANTANHÊDE

Turbulência

FOLHA DE SÃO PAULO - 11/09/09



BRASÍLIA - Mais uma reviravolta no processo de seleção dos 36 novos caças que a FAB pretende adquirir, a um preço que pode chegar a 4 bilhões de euros: apesar da expectativa de que a comissão técnica não indicasse nenhum vitorioso, é exatamente isso que ela vai fazer.
Segundo o brigadeiro Dirceu Tondolo Noro, um oficial aviador com MBA em projeto pela Fundação Getulio Vargas, a comissão, que se chama Copac, vai, sim, indicar "o mais pontuado" entre os três finalistas: o Rafale, da francesa Dassault, o F-18, da americana Boeing, e o Gripen, da sueca Saab.
O que isso significa? Que, se a comissão apontar o Rafale como "mais pontuado", será um alívio geral para Jobim, Amorim, Marco Aurélio Garcia e principalmente Lula, que já deram mil indicações de que preferem o francês.
Mas, e se a comissão indicar o F-18 ou o Gripen? Vai ser uma saia justa, com Lula numa situação desconfortável: ou ele escolhe o Rafale assim mesmo e diz, com todas as letras, que a opção é política e prerrogativa dele, ou desiste do projeto original e fica com o indicado.
Daí, a confusão continua. No primeiro caso, vai piorar a indisposição dos norte-americanos, que já apresentaram cartas, notas e declarações jurando que aceitam transferir tecnologia e não entendem porque estão sendo preteridos. Vai que resolvam retaliar...
No segundo, se ganhar o F-18 ou o Gripen, já imaginou como os franceses vão ficar? Fecharam submarinos, helicópteros, compras de aviões da Embraer, fizeram tudo direitinho e estavam convencidos -como todo mundo- que é do Rafale e ninguém tasca.
Aliás, mais um dado curioso: o Sukhoi russo foi desclassificado porque... não oferecia transferência de tecnologia. Ou seja: os três que ficaram oferecem. Então, por que o governo insiste em dizer que esse é o grande trunfo só da França?
Ainda tem muito chão, ou muito ar, para esse voo do FX-2.

ANCELMO GÓIS

A turma da partilha

O GLOBO - 11/09/09


O debate é sobre a partilha da produção de petróleo. Mas a partilha de que o PMDB entende é mesmo de... Cargos.
O partido, essencial para aprovar o projeto do pré-sal, avisa que deseja duas diretorias na Petrobras Distribuidora para sua coleção de postos no governo.
BOLA DIVIDIDA
A Rádio Corredor do Planalto diz que Dilma Rousseff e a subchefe da Casa Civil, Mirian Belchior, tiveram grande entrevero.
Viúva de Celso Daniel, o prefeito assassinado de Santo André, Mirian cuida das ações do governo para a Copa de 2014.
MAL ACOSTUMADO
Agora, com a poeira mais baixa, o Senado retoma as votações com Sarney no comando.
Mas a crise ocupou tanto os senadores que quarta, na votação da reforma eleitoral, Antônio Carlos Valadares confessou:
– Faz tanto tempo que a gente não vota que desaprendemos.
Ah, bom!
VELINHA OU VELHINHA?
Ontem, no programa de Marina Silva na TV, uma derrapada.
Quando ela falava da avó, aparecia na legenda “uma velinha”. Para piorar, foi na hora em que Marina contava o quanto a avó havia influenciado em sua alfabetização.
EXPLODE CORAÇÃO
Lula chamou cinco grandes empreiteiros para uma conversa anteontem, às 16h30m.
Disse que o trem-bala é uma prioridade e pediu colaboração. A turma do cimento, que adora uma obra, ficou comovida.
SUBIU NO TELHADO
Clarín, o jornalão argentino, perguntou se a seleção de Maradona vai conseguir se classificar para a Copa, depois das duas derrotas seguidas, para Brasil e Paraguai.
E 69% dos pesquisados responderam que...
Não.
NÃO É FOFO?
Nelson Pereira dos Santos, quando dirigiu Como era gostoso o meu francês, em 1970, não imaginava que um dia isto ia acontecer. Lula volta a encontrar Sarkozy este mês mais duas vezes: dia 21, na ONU, em Nova York, e, dia 24, na reunião do G-20, em Pittsburgh, também nos EUA.
AQUÁRIO NEGRO
Aquário negro, livro de contos de Frei Betto, lançado há 30 anos, ganhará nova edição da Agir, com quatro contos inéditos, agora na Bienal do Rio.
MAMÃE NÃO ACHA
O Senado discutia se os candidatos deviam ou não apresentar um atestado de idoneidade à Justiça Eleitoral, uma espécie de certidão de bons antecedentes, como as que se pegavam nas delegacias antigamente, quando Wellington Cabelo Salgado expôs seu ponto de vista:
– Quem me deu educação foi meu pai e minha mãe. Só aceito se meu pai e minha mãe assinarem a declaração.
É. Pode ser.
ALIÁS...
No Senado, todos parecem ter esquecido das denúncias contra Sarney. Quase todos... Menos Eduardo Suplicy, que ontem falava no telefone no fundo do plenário quando Sarney saía, o petista interrompeu a ligação, parou Sarney e pediu que ele aproveitasse uma sessão do Senado para dar explicações aos colegas.

OITO ANOS

DORA KRAMER

Na base da chantagem

O ESTADO DE SÃO PAULO - 11/09/09

Qualquer pesquisa de opinião atesta: as principais demandas da população brasileira são serviços de saúde de qualidade, educação ao alcance de todos e combate do Estado à segurança para o público.
Diante dessa agenda, seria de se imaginar que a “Casa do Povo”, o “Poder mais transparente e acessível da República” - como gosta de se autonomear o Congresso -, optasse por exercer seu papel de representante de acordo com a pauta proposta pelos representados.
Nesse caso, os assuntos em debate no Parlamento guardariam relação com projetos de alcance futuro e visão estratégica. No lugar disso, o que vemos é um empenho quase obsessivo por questões de interesse exclusivo do Parlamento.
Nelas, se destaca a emenda constitucional que recria a maior parte das cadeiras de vereadores anuladas em 2005 pela Justiça Eleitoral - em decisão corroborada pelo Supremo Tribunal Federal -, mediante uma conta de chegar entre a população dos municípios e a quantidade de representantes com direito a uma cadeira nas Câmaras Municipais.
A questão central é: qual a utilidade de se confrontar um dado técnico da Justiça Eleitoral? É anseio da sociedade a recuperação de mais de 7.700 vagas de vereador Brasil afora? Estariam os munícipes a se sentirem subtraídos em seus direitos?
Nem uma coisa nem outra. O assunto só tem relevância para os vereadores. E por que assumem importância capital para os parlamentares com representação federal, ao ponto de conferirem ao assunto prioridade absoluta, um caráter de guerra a ser vencida desde 2005?
A resposta está no relato do deputado Chico Alencar a respeito do que vê no dia a dia do Parlamento: “Os corredores da Câmara estão alvoroçados pela presença de centenas de representantes de uma nova ‘categoria social’, a dos suplentes de vereadores, que ameaça os que têm visão crítica” sobre o projeto de ampliação das vagas.
De acordo com o relato do deputado, a pressão se expressa numa frase dirigida aos deputados federais e senadores: “Cuidado, o ano que vem está aí.” Ameaçam os parlamentares cujos mandatos estarão em jogo em 2010 de negar-lhes os serviços de cabos eleitorais para a renovação dos respectivos mandatos.
Exercem essa pressão de maneira retumbante. Nada contra o sagrado direito dos grupos de pressão. A menos que ele se configure numa chantagem explícita, como é o caso em questão.
Junte-se a isso a dita reforma eleitoral ora em tramitação no Senado, com alterações que visam apenas a atender as conveniências imediatas dos partidos - restrição ao uso da internet, autorização às doações “ocultas” e liberação das “fichas-sujas”- e o que se tem é o que o deputado Chico Alencar chama de operação de miudezas.
Em prejuízo de questões de interesse nacional, pois não se ouvem vozes no Congresso a reverberar os desejos, as demandas, as necessidades da maioria.

DEMOLIÇÃO
O italiano Cesare Battisti pode até se livrar da extradição para o País de origem, ao final do julgamento no Supremo Tribunal Federal. Mas, na primeira etapa de votação, quem se deu mal foi o ministro da Justiça, Tarso Genro. Em seu voto como relator, o ministro Cesar Peluso fez picadinho da argumentação do ministro da Justiça. “Fantasioso”, “impertinente”, “falacioso”, “desprovido de compromisso com a história” foram apenas alguns dos conceitos aplicados por Peluso ao arrazoado de Tarso Genro em defesa de sua decisão de dar a Battisti a condição de refugiado político.
Perdendo ou ganhando, a conta do enorme desgaste que o episódio rendeu, e ainda poderá render, sobrará para o ministro. Ele materializou a vontade dos que dão ao caso uma conotação pessoal de caráter ideológico em detrimento do aspecto jurídico-criminal, que é o que está de fato em jogo.

REI DE FRANÇA
Na toada da ironia, o presidente Lula tentou disfarçar o constrangimento causado pelo precipitado anúncio sobre a compra dos aviões franceses. Para fazer bonito diante de Nicolas Sarkozy, fez um feio danado diante dos outros concorrentes comerciais, da Aeronáutica e das regras que regem esse tipo de negócio.
Ademais, deixou-se capturar pela síndrome de Luís XIV - “L’État c’est moi” -, ao trocar o Brasil pelo singular majestático na frase “daqui a pouco vou receber os caça de graça”.

É FANTÁSTICO
Se o curso para melhorar a gestão do espaço quase exíguo de um gabinete no Senado - o da líder do governo, Ideli Salvatti - custou R$ 70 mil, a melhoria da administração da Casa como um todo custaria mais de R$ 5 milhões, levando-se em conta só os gabinetes das excelências.
Não é nada, não é nada, é mais ou menos o equivalente ao pagamento de horas extras aos funcionários no recesso.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Não nascemos para ser só pedreiros”
PRESIDENTE LULA, AO DEFENDER OS ESTADOS DO NORDESTE COMO PRIORIDADE DE INVESTIMENTOS

FÁBRICA DE SENSOR DO AF-447 LUCRARÁ COM CAÇAS
O anunciado boom de pelo menos seis mil empregos na França, com a compra dos 36 caças de combate Rafale, vai favorecer não só a Dassault como a Thalès, fabricante dos tubos Pitot – os sensores de velocidade apontados até agora como uma das causas da queda do Airbus A330 no oceano Atlântico, em maio, matando 228 pessoas, entre elas dezenas de brasileiros (e franceses) no vôo Rio-Paris.
REVÉS FINANCEIRO
A compra dos caças pode tirar do buraco a Thalès, depois que aéreas de todo o mundo substituíram os sensores de velocidade da francesa.
MERCI, LULA
A Dassault, fabricante dos Rafale, também vai tirar o pé da lama com a venda ao Brasil: não exportou nenhum desses caças até agora.
ESTÁ FEIA A COISA
O ministro Guido Mantega (Fazenda) faz muxoxo quando querem saber sua opinião sobre as chances presidenciais de Dilma Rousseff.
AVISO BREVE
Um gerente jurídico do Banco do Nordeste, do governo federal, aderiu com nome e sobrenome à campanha na rede “Não reeleja ninguém”.
GABEIRA EXIGIU LIDERANÇA PARA TER “VISIBILIDADE”
Candidato ao governo do Rio pelo PV, o deputado Fernando Gabeira (RJ) exigiu o cargo de líder de sua bancada na Câmara, alegando que precisa de “visibilidade”. A conversa com a direção foi tensa e Gabeira até ameaçou sair do partido. Mas mudou de ideia, após a adesão da senadora Marina Silva (AC). Mas, para se vingar, seria dela a fofoca de um “expurgo” no PV, afinal desmentida pelo presidente “verde”.
NOVO LÍDER
Apesar da pressão de Fernando Gabeira, o líder do PV na Câmara, em substituição a Sarney Filho (MA), está definido: Edson Duarte (BA).
DINHEIRO A RODO
As reservas internacionais do Brasil cresceram mais de US$ 15 bilhões em um mês. Agora somam impressionantes US$ 220,2 bilhões.
AUMENTO NO GÁS
Com a inflação em baixa, a Petrobras aproveita para fazer caixa. Já está programado um aumento de 6,9% no botijão de gás de cozinha.
VOU DE JATINHO
Presidente da CBF e comandante da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, Ricardo Teixeira cansou de atrasos e maus-tratos das empresas aéreas: agora só viaja a bordo de um belo jatinho Cessna Citation Sovereign.
ESCAFEDEU-SE
Um oficial de Justiça passou esta quarta (9) diante da sala do deputado e ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) para citá-lo no caso do mensalão. Inútil. Plantou-se no aeroporto, ontem, em Brasí-
lia.
CHANTAGEM
Deputados dizem ter sido coagidos por vereadores e suplentes a aprovar a vigarice que eleva em mais de 7 mil o número de vagas em câmaras municipais. Deveriam denunciar a chantagem, não aceitá-la.
JOGADA ESPERTA
O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), dá sinais de que viu nas supostas “divergências” sobre o pré-sal uma chance para se afastar da candidatura de Dilma Rousseff a presidente, na qual não acredita.
BRIGA DE FOICE
O vereador Marcelo Ramos, de Manaus, saiu do PCdoB alegando “perseguição”, por se negar a nomear fantasmas e privilegiar uma ONG ligados ao partido. E o deputado Eron Bezerra, marido da deputada Vanessa Grazziotin (AM), chefiaria esquema de repasse de salários.
PAZES FEITAS
Os senadores Tião Viana (PT-AC) e Arthur Virgílio (PSDB-AM) aproveitaram a sessão plenária de quarta-feira para colocar o papo em dia. A conversa terminou com um grande abraço e tapinhas nas costas.
PAPELÃO
O bobalhão Eduardo Suplicy (PT-SP) largou o debate sobre reforma política no Senado para se solidarizar a Cesare Battisti, condenado por quatro homicídios, sem contar acusações de assalto, estupro, etc.
QUEDA E COICE
A nova parcela do Fundo de Participação dos Municípios depositada ontem na conta das Prefeituras veio com uma nova perda de 11%. O que deve engrossar a passeata que os prefeitos, dia 23, em Brasília.
11 DE SETEMBRO
Hoje, há oito anos, o mundo parecia não ter amanhã.

PODER SEM PUDOR
EXEMPLO PATERNO
Em agosto de 1990, Jânio Quadros recebeu os publicitários que criaram a campanha de reeleição de sua filha, deputada Dirce Tutu Quadros. Entre eles estava Giano Betting, filho do jornalista Joelmir Betting.
– Obra de arte, obra de arte! – derramou-se o ex-presidente.
Depois, dirigindo-se a Giano, observou:
– Os filhos em geral puxam aos pais, quando são talentosos. É o seu caso. E o da deputada em questão... Ele se amava.

PRESO

SEXTA NOS JORNAIS

- Globo: Trânsito melhora sem vans mas ônibus e trens lotam


- Folha: Países vão refazer propostas de venda de caças ao Brasil


- Estadão: Governo vai aumentar royalties da mineração


- JB: Cai preço dos alimentos, mas sobre nos restaurantes


- Correio: Custo de moradia dispara em Brasília


- Valor: Penhora on-line já bloqueou R$ 47 bi e intimida empresas


- Estado de Minas: Impasses


- Jornal do Commercio: De volta à vida