terça-feira, agosto 11, 2009

ANCELMO GÓIS

SARNEY PÕE ORDEM

O GLOBO - 11/08/09

Um experiente político defende a permanência de Sarney no comando do Senado, recordando um diálogo entre Geisel e Mário Henrique Simonsen. O saudoso ex-ministro teria dissuadido o presidente a mandar prender o bicheiro Castor de Andrade com um argumento:
– Deixa ele lá. Castor ajuda a pôr um pouco de ordem no bas-fond.
Faz sentido.
GRANA DE CHÁVEZ
Em breve, a Petrobras receberá uns US$ 400 milhões da venezuelana PDVSA. É a grana inicial que cabe à estatal de Hugo Encrenca Chávez por ter ficado com 40% da futura Refinaria Abreu Lima, em Pernambuco.
No total, o projeto custará aos dois sócios uns US$ 7 bi.
VEJA SÓ...
O comércio com a Venezuela rende, acredite, um saldo a nosso favor de uns US$ 5 bi anuais.
Este saldo pode crescer mais com o acirramento das relações entre Chávez e o colombiano Álvaro Uribe. É que os venezuelanos compram, ainda hoje, mais da Colômbia que do Brasil.
ONDA VERDE
A ideia dos verdes de lançar Marina Silva ao Planalto ganha corpo entre intelectuais.
Surgiu na internet o movimento Marina Silva Presidente, de “cidadãos por um Brasil democrático e sustentável”. Já tem 3.125 adeptos (entre eles, o cientista político Luiz Eduardo Soares e o cineasta Walter Lima Jr).
CASA FORTE
O rapper americano Mos Def é acusado de plagiar a música Casa forte, de Edu Lobo.
A ação é movida nos EUA por herdeiros de Claudinho Stevenson, guitarrista da velha banda Black Rio, cujo arranjo em ritmo de funk teria sido copiado.
PEDE PARA SAIR
O canal a cabo National Geographic está exibindo nos EUA o documentário Shadow Soldiers (Soldados das sombras), feito pelo repórter Chris Ryan, no Rio. O coleguinha participa do treinamento do Bope, a tropa de elite da PM carioca, e veste o uniforme da corporação para acompanhar uma equipe que invade uma favela de Caveirão, com direito a tiroteio.
SEGUE...
É aquela visão estereotipada de que o Rio está aprisionado por uma guerra. O tom do programa é dramático, claramente exagerado.
Veja no site da coluna (oglobo.com.br/ancelmo) um clipe do coleguinha “em combate”.
O QUENTE É BAHUAN
De Nana Caymmi, antes de cantar Não se esqueça de mim, tema dos personagens Maya (Juliana Paes) e Bahuan (Márcio Garcia) em Caminho das Índias, numa participação no show do irmão, Danilo, no Rio:
– Essa mulherada toda babaca atrás do Raj (Rodrigo Lombardi). O quente é o Bahuan.
É. Pode ser.
BOFE BEM-VINDO
Gilles Lascar, o dono da Le Boy, a boate gay do Rio, avisa ao modelo carioca Jesus Luz, o “ex” de Madonna, que, ali, “o lindo é vip vitalício, a começar pela festa de 17 anos da casa, dia 28”.
É que, como saiu aqui, Jesus pediu quatro convites para a festa, no Joá, de outro dono de boate e não levou. Ah, bom!
LULA NO PERU
Lula vai ao Peru em novembro.
Celso Amorim estará em Lima de quinta a domingo agora para preparar a viagem.

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CLÓVIS ROSSI

Antes, a neta: agora, a filha

FOLHA DE SÃO PAULO - 11/08/09

SÃO PAULO - Ofereço, de graça, ao senador Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, uma defesa infalível para a eventualidade de ele vir a ser denunciado ao Conselho de Ética por ter pago viagem da filha aos Estados Unidos com dinheiro público.
É grátis porque se trata de cópia da defesa que o presidente do Senado, José Sarney, usou para justificar a sua interferência para empregar o namorado da neta às custas do meu, do seu, do nosso bolso.
Basta que Guerra diga, como Sarney, que pai nenhum se recusaria a atender a um pedido da filha para acompanhá-lo no delicado momento de uma consulta médica nos Estados Unidos (a propósito, o Senado não tem um belo corpo médico, também pago com o meu, o seu, o nosso dinheirinho?).
Se o argumento de Sarney serviu para que todos os pedidos de investigação fossem arquivados por aquele sub do sub do sub que preside o Conselho de Ética, por que Guerra também não seria sumariamente absolvido?
Aliás, o sub do sub do sub acaba de inventar um artigo novo na praça. Antes, havia condenação sumária; agora, há absolvição sumária. Investigação, que seria o correto, nadica de nada.
Repetir a, digamos, "defesa Sarney" teria tudo a ver. Afinal o, digamos, "espírito Guerra" é idêntico. A qualquer mortal comum jamais ocorreria usar dinheiro público para levar a filha para viajar. Para um senador é o normal.
Mesmo que, em uma urgência urgentíssima, o senador tivesse que fazer a filha viajar por conta do Senado, imediatamente depois ele correria, não fosse o "espírito Sarney/Guerra", a devolver o dinheiro aos donos (eu, você, todos nós).
Mas, como senador é um animal acima dessas miudezas, Guerra diz que não devolveu nem vai devolver porque não foi cobrado. Aposto que o sub do sub do sub aceita também esse argumento.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Esses governos do PT me dão nojo...”
SENADOR MÃO SANTA (PMDB-PI) CRITICANDO O GOVERNO LULA E OS GOVERNOS ESTADUAIS

SAÚDE DE BARBOSA PREOCUPA MINISTROS
Já preocupa os ministros do Supremo Tribunal Federal e Tribunal Superior Eleitoral o estado de saúde do ministro Joaquim Barbosa. Ele tirou uma nova licença de 90 dias do TSE e simultaneamente de 20 dias do STF, para fazer exames, após haver passado um mês de férias durante o recesso na Justiça. A preocupação é quanto às condições físicas de Barbosa para presidir o TSE durante as eleições de 2010.
FORTES DORES
É a segunda licença de 90 dias que Joaquim Barbosa pede ao TSE, em 2009, para tratamento de saúde. Ele se queixa de dores nas costas.
TROPA DE CHOQUE
A Petrobras escalou 40 funcionários qualificados, inclusive executivos, para monitorar a CPI do Senado que investiga suas malfeitorias.
COM A TURMA
Lula viaja no dia 22 à Bolívia para encontrar o cocaleiro Evo Morales. No dia 23, vai a Caracas fazer mesuras ao semiditador Hugo Chávez.
BRASIL BRASILEIRO
Motociclista exibia ontem em sua moto (placa JCE-6441), na Esplanada dos Ministérios, a seguinte inscrição: “Eu sem juízo, ela muito louca”.
GRIPE SUÍNA: BRASIL É 8º NA TAXA DE MORTALIDADE
O Brasil está em oitavo lugar entre os países onde mais morreram pessoas vitimadas pela gripe suína. O levantamento é do próprio Ministério da Saúde e leva em conta o número de mortos pelo total da população do País. A Argentina lidera o “ranking da letalidade” da gripe suína seguido por Chile, Austrália e Canadá. A taxa de mortalidade no Brasil é quase dezessete vezes menor que no país vizinho.
CRIME HEDIONDO
A Polícia Federal investiga em Porto Alegre a venda do remédio Tamiflu falsificado. Pelo Código Penal, é crime hediondo.
MINGUANDO
Mais um duro golpe nas combalidas finanças dos Correios: a partir de outubro, os bancos pretendem enviar boletos e extratos via internet.
HIDRELÉTRICA
Brasil e Estados Unidos vão se unir na construção de uma hidrelétrica no Haiti. Os americanos entram com os dólares, o Brasil com a expertise.
OS INSACIÁVEIS
Apesar de enrolado no Tribunal de Contas da União sob suspeita de desvios bilionários durante os Jogos Panamericanos, o Comitê Olímpico vai receber mais R$ 10 milhões da Caixa, a título de patrocínio.
ENTUSIASMO
O líder do PV na Câmara, deputado Sarney Filho, é um entusiasta da candidatura da senadora Marina Silva à Presidência da República. Ele acha que Marina tem, de saída, 10% a 14% das intenções de voto.
CALOTE
Lula não cumpre a promessa de repor a queda da receita do IPI, após as isenções fiscais (carros, “linha branca”, etc): os repasses de agosto do Fundo de Participação dos Municípios caíram mais de 18%.
FINALMENTE
Até a novela Paraíso, de Benedito Ruy Barbosa, critica o governo. Enquanto discutiam o analfabetismo no Brasil, um dos personagens disse: “E tem gente que vira presidente e se orgulha de nunca ter lido um livro”.
PELO RALO
O déficit da Previdência de janeiro a junho, jura o governo, acumula R$ 21 bilhões, 10,7% superior ao do mesmo período de 2008. Até o fim do ano, cálculos otimistas prevêem déficit de R$ 41 bi.
ISENÇÃO PETEBISTA
O ex-deputado Roberto Jefferson diz que o PTB não quer compensação de cargo pela saída do ministro José Múcio (Relações Institucionais). O partido quer “decidir com serenidade” seu caminho em 2010, diz.
JUSTIÇA LENTA
Uma semana depois, ainda não foi derrubada a liminar, considerada espúria, que proíbe o jornal o Estado de São Paulo de publicar notícias sobre as investigações envolvendo o empresário Fernando Sarney.
CONDECORAÇÃO
O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, ministros como José Pimentel (Previdência) e o governador do DF, José Roberto Arruda serão condecorados nesta terça-feira pelo Tribunal Superior do Trabalho.
PENSANDO BEM...
... Com a CPI da Petrobras, o Senado pretende chegar de uma vez por todas no fundo do poço.

PODER SEM PUDOR
CARECA INTOLERANTE
No governo Ernesto Geisel, a Sala de Imprensa ficava no 3º andar do Planalto, a poucos metros do gabinete presidencial. O chefe do Gabinete Militar era o todo-poderoso general Hugo Abreu, que desfilava a vistosa careca nos corredores palacianos. Os mesmos onde circulava também o cinegrafista Normando Parente, o “Careca”, já morto, quando certa vez um colega da TV Globo gritou: “Careca! Careca, vem cá!”. Naquele exato instante, general passava pelo corredor. Mais tarde, Hugo Abreu confessou a um jornalista amigo que por pouco não deu voz de prisão ao repórter da Globo. Percebeu, a tempo, que o Careca desejado era outro.

FRIA

TERÇA NOS JORNAIS

- Globo: Líderes não condenam acordo da Colômbia e isolam Chávez

- Folha: Universal é acusada de lavar dinheiro

- Estadão: Indústria já prevê alta de exportação no 2º semestre

- JB: Indústria volta a fazer contratações

- Correio: Lote em terreno da União terá m² a R$ 70

- Valor: Setor automotivo já vive 3ª onda de investimentos

- Estado de Minas: Cruzada para deter a gripe

- Jornal do Commercio: Vaga certa para quem passa em concurso

segunda-feira, agosto 10, 2009

ROGÉRIO GENTILE

A gente vai levando


Folha de S. Paulo - 10/08/2009

O socorro financeiro do governo Lula, via BNDES, às faculdades particulares é umas daquelas histórias típicas do "vai levando" brasileiro, em que um erro se sobrepõe a outro e um apuro privado vira uma fatura coletiva.
Não foi a crise mundial que "quebrou" as faculdades. O problema é anterior, causado pelo crescimento desenfreado do setor, inflado por quem não tinha fôlego para tanto.
Entre 2004 e 2007, a rede particular ampliou em 482,7 mil o número de vagas no vestibular, mas a quantidade de alunos ingressantes no ensino superior aumentou em apenas 167,6 mil. Assim, sem demanda, não há negócio que resista.
O pior é que o sistema engordou, sobretudo, no quarto dos fundos, com instituições de péssima qualidade e muitos cursos para carreiras já saturadas -direito, por exemplo.
Por conveniência política, o Ministério da Educação fechou os olhos para esse crescimento -mesmo sabendo que o ensino médio vinha diminuindo de tamanho (9,1 milhões de estudantes em 2004 para 8,2 milhões em 2007, em decorrência da evasão escolar e do envelhecimento da população).
Em vez de impor exigências prévias e rígidas para garantir a qualidade dos novos cursos nas universidades e tentar direcioná-los para as áreas nas quais o mercado de trabalho é carente (engenharia, física etc.), o governo priorizou as estatísticas -situação, vale ressaltar, que ocorre desde FHC.
Claro, enche o peito de qualquer político poder dizer que mais brasileiros estão na faculdade e coisa e tal. O duro é fazer isso com responsabilidade. O resultado está aí: centenas de instituições com o pires na mão e milhares de jovens iludidos, com diplomas de baixa serventia.
E a situação não deve melhorar: a tal linha de crédito de R$ 1 bilhão do BNDES praticamente não distingue o ensino sério do picareta -instituições que possuam cursos considerados ruins pelo próprio governo federal também terão direito de abocanhar uma parte.

INFORME JB

O Senado e os quatro bombeiros

Leandro Mazzini
Jornal do Brasil - 10/08/2009

A ideia nasceu na sexta à tarde, numa conversa entre dois senadores, adversários ferrenhos. Chegaram a um consenso de que a história do Senado é maior que todos eles juntos e suas vaidades. Decidiram recomeçar o papo hoje e criar um quarteto suprapartidário na tentativa de acalmar os ânimos. Querem evitar que os bate-bocas se repitam. Sérgio Guerra (PSDB), Gim Argello (PTB), Romero Jucá (PMDB) e José Agripino (DEM) serão convocados como os bombeiros da Casa. Caberá a eles levar o recado: do jeito que está, não dá mais. O primeiro resultado pode aparecer na terça: no fim de semana, de ambos os lados, já se falou em armistício. Renan Calheiros e Tasso Jereissati pensam em recuar.

Meta

O Conselho Nacional de Justiça calcula que metade dos tribunais do país vai concluir, até o fim do ano, os julgamentos dos processos distribuídos até 2005. Para agilizar, em setembro haverá outra Semana da Conciliação.

Brasil em guerra
Os números assustam, no entanto, a cada ano. Só em 2008, foram 74 milhões de ações, em todas as instâncias.

Integração
Por falar em celeridade da Justiça, Minas já é laboratório do Programa Justiça Integrada: o cidadão pode recorrer a varas federais para ações de competência da Justiça estadual, e vice-versa.

Mais um
O país ganhou mais um partido, o PPL-Partido da Pátria Livre. Foi fundado em Brasília, no fim de semana. Com ele, já são 28 as legendas - o Congresso Nacional só abriga 19.

Às mães
A AGU quer abrir caminho para a prorrogação da licença maternidade para servidoras públicas comissionadas, inclusive adotantes, e a militares. O Departamento de Análise de Atos Normativos já elaborou nota técnica.

Deu m.
O TCU condenou Inês Baranda Hortêncio, ex-prefeita de Santo Antônio do Içá (AM), a devolver R$ 4,5 milhões à Funasa. Ela só concluiu e pagou 40% das obras de esgotamento sanitário. O cheiro está horrível.

Antigripe
Contra a ameaça de gripe suína, a Câmara dos Deputados instalou em vários pontos da Casa - inclusive na entrada do plenário - um recipiente com álcool gel para a turma da gravata lavar as mãos, literalmente.

A praça sumiu
Ministério da Integração Nacional está atrás do ex-prefeito de Pacaraima (RR) Hiperion de Oliveira Silva. Ele desapareceu com R$ 1,6 milhão destinado à construção de uma praça.

A rede
O Rio vai sediar de amanhã até quinta, a II Reunião Latinoamericana e Caribenha Preparatória ao Fórum de Governança da Internet. O evento vai debater os desafios para a privacidade na rede.

Memória
A família Magalhães concluiu a reforma do túmulo de ACM, em Salvador. O mais vistoso do cemitério, que já virou ponto de visitação.

“Marina representa ideias e aspirações hoje compartilhadas por milhões de brasileiros”
Alfredo Sirkis, da Executiva do PV, sobre a iminente filiação de Marina Silva

GOSTOSA


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MELCHIADES FILHO

A Receita desandou


Folha de S. Paulo - 10/08/2009

São gravíssimas, mas não surpreendentes, a acusação da ex-secretária da Receita de que o Planalto lhe pediu que acelerasse a conclusão de auditoria determinada pela Justiça nos negócios da família Sarney e a apuração, feita pela Folha, de que a recusa dela em se curvar à pressão política acabou contribuindo para sua demissão.
Não surpreendem porque as coisas estavam mesmo mal contadas. O governo não havia produzido explicação plausível para a dispensa de Lina Vieira. Em 11 meses, ela não teve senão uma atuação discreta e corajosa, rebatendo tentativas de anistiar maus contribuintes e ordenando aperto inédito a grandes empresas e sonegadores, aquilo para o que havia sido nomeada.
Não surpreendem, também, porque o governo Lula coleciona episódios em que as fronteiras das instituições e os limites republicanos foram desconsiderados em razão de interesses mais imediatos.
Parte disso se deve ao entendimento de que o Estado precisa ser protagonista, não se omitir nas grandes questões, se defender e se impor, tanto no campo político como no gerencial. Nada é trivial na administração pública, gosta de dizer, com razão, Dilma Rousseff.
Parte disso, porém, se deve à aplicação distorcida dessa ideia.
A tratorada na Anac, o arranjo dos arquivos da Casa Civil, a normatização da Polícia Federal, tudo seria justificável não fossem os bastidores mais tarde desvendados: o favorecimento ao compadre de Lula em negócios do setor aéreo, o bombardeio de rivais com dossiês, o engavetamento de investigações que se aproximavam do Planalto.
Lula deixará legados positivos, mas não no campo institucional, no aperfeiçoamento de um Estado transparente e eficiente. Há o belo cadastro do Ministério de Desenvolvimento Social. Mais o quê?
Segundo a moral do lulismo, o Estado só é protagonista se Lula ou seu grupo estiverem no poder.

NELSON DE SÁ

TODA MÍDIA

FOLHA DE SÃO PAULO - 10/08/09

DESUNIÃO
Na manchete do site da "Economist", o encontro da "nascente" União de Nações Sul-Americanas, que será "inusualmente vigoroso, demonstrando sua desunião"
Norte vs. Sul

Agências abrem a semana com atenção às reuniões da Unasul em Quito, no Equador, onde "Colômbia é o foco, mesmo ausente", e do Nafta em Guadalajara, no México, onde "Honduras está na agenda".
Artigo no "Guardian" prevê que a "Unasul será o show de Lula", como "figura dominante" e oposta a Álvaro Uribe, que não vai . E artigo no Huffington Post afirma que "a Amazônia brasileira é o novo Rio Grande", referência à fronteira entre EUA e México.
Opina que "a última coisa que Lula e a democracia brasileira precisam é dos EUA na sua fronteira Norte, usando a guerra contra o tráfico para interferir na sua política interna, como fizeram antes no México".
No sábado, o correspondente do "New York Times" cobriu a "defesa do papel militar dos EUA" por Uribe e citou fonte do Departamento de Estado, dizendo que o acordo visa a apoiar a Colômbia "no combate ao crime transnacional e ao narcotráfico dentro de suas fronteiras".
Também o "Washington Post" destacou, mas sublinhando a "ira na América Latina".

NORTE & SUL
No site da Casa Branca, o assessor de Segurança Nacional, Jim Jones, descreveu sua própria viagem ao Brasil e a de Barack Obama ao México como sinais do "compromisso do presidente de maior envolvimento com o nosso hemisfério, de maior foco no nosso próprio hemisfério", ao contrário do que acontecia antes. Prevê encontros assim "em bases frequentes".

SUL & SUL
"China Daily" e "Diário do Povo" deram "entrevista exclusiva" com Márcio Pochman, presidente do Ipea, destacando que "as relações econômicas [com a China] são importantes e devem ser melhoradas com a integração maior na produção e a cooperação tecnológica". Sublinhou a decisão do governo brasileiro de buscar novas parcerias, Sul-Sul, em 2003.

O SUOR DO "BIG OIL"
A "Forbes", que escolheu a Exxon "a companhia verde do ano", também destaca esta semana que o "Big Oil" ou as grandes empresas de petróleo "estão suando enquanto o Brasil debate os novos controles". Ouve as reações de Shell e Chevron.
Por outro lado, cita analista de Houston, no Texas, para quem o plano de Lula para o pré-sal, com "parcerias minoritárias" para as estrangeiras, "permite manter os benefícios da concorrência".
Já a Reuters ouve um "consultor" do Rio, ex-diretor da agência de petróleo sob FHC, garantindo que, "com esta situação no Congresso, será difícil aprovar as mudanças antes do fim do mandato de Lula".

OBAMA E OS INTERESSES
Colunista liberal do "NYT", Frank Rich escreveu ontem "Obama está nos enganando?". Diz que ele parece ceder ao que chamava, durante a campanha, "interesses dos lobistas e dos ricos que dirigem Washington há tempo demais". E que tudo começou quando reuniu, na equipe econômica, os "velhos meninos" de Bill Clinton e do Goldman Sachs

CLINTON E OS INTERESSES
Sexta-feira no "Guardian", escrevendo sobre a missão no Haiti, o colunista Conor Foley fez extenso elogio à "Nova diplomacia do Brasil", que está "na vanguarda de um novo modelo de intervenção mútua e multilateral que promete romper com as táticas do passado".
Mas já ontem o ex-presidente Bill Clinton surgiu em Miami, na Flórida, anunciando via agências uma "missão de investidores" ao Haiti, para negócios em energia etc. O agora enviado especial da ONU destacou "investidores brasileiros interessados em expandir a produção de etanol de cana para novas regiões".

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RUY CASTRO

De volta aos 12 anos


Folha de S. Paulo - 10/08/2009

Um comboio de 15 carretas transportando cigarros vindos do Paraguai foi apreendido na semana passada pela Polícia Federal em Bataguassu, MS. A carga era composta de cerca de 10 mil caixas de cigarros, contendo 500 mil pacotes ou 10 milhões de maços, num total de 200 milhões de unidades.
O carregamento se destinava a São Paulo, o Estado mais hostil do Brasil à prática do tabagismo. Significa que os contrabandistas não se intimidaram com a ideia fixa do governador José Serra.
Tudo isso antes que a lei antifumo de Serra entrasse em vigor, o que aconteceu neste fim de semana. A partir de agora, fumantes que insistam em frequentar boates ou botequins deverão submeter-se a revistas por fiscais façanhudos, comprar uma pulseira para se identificar e pedir permissão ao bedel para ir fumar lá fora -desde que o estabelecimento não tenha um toldo na porta, o que, segundo a lei, caracterizaria aquele espaço na via pública como um lugar fechado. Em outras casas, estarão sujeitos à delação oficialmente estimulada e poderão ter seus cigarros apreendidos. Se Serra queria tornar irresistível o prazer de fumar, conseguiu.
É também a infantilização maciça da população, uma volta geral aos doce 12 anos, idade em que meninos e meninas costumam fumar escondido. A maioria das carreiras tabagistas começa ali, nas escadas de serviço, na burla à proibição dos adultos. É no que apostam os contrabandistas de cigarros, agora equiparados aos traficantes de drogas -no natural fascínio da juventude pelo proibido.
Algo me diz que o rigor dessa lei criará uma vasta geração de jovens fumantes. As estatísticas dirão melhor, e a quantidade de cigarros apreendidos pela Polícia Federal logo será o novo índice de consumo, assim como acontece com as apreensões de maconha e cocaína.

PAINEL DA FOLHA

"Não vou cair sozinha"

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 10/08/09

Acuada pela denúncia do Ministério Público Federal, Yeda Crusius disse à cúpula do PSDB, no fim de semana, que seu eventual afastamento inviabilizará aliança com o PMDB contra o PT de Tarso Genro em 2010. "Não vou cair sozinha", avisou a governadora gaúcha, cuja administração é suspeita de desviar recursos públicos. "Se existem irregularidades, começaram no governo do PMDB. As pessoas vão saber."
O PMDB é fiador da permanência de Yeda. O partido deve se reunir na quinta-feira para decidir se fica na base aliada. Suas principais áreas de influência são o Banrisul, alvo de CPI, e a secretaria de Habitação, ocupada por indicado do deputado Eliseu Padilha.




Termômetro. No sobe-desce das especulações sobre o papel a ser desempenhado por Ciro Gomes (PSB) em 2010, voltou a ganhar pontos a hipótese vice na chapa de Dilma Rousseff (PT). O movimento começou depois de recente encontro entre Lula e o governador Eduardo Campos (PE), presidente do PSB.

Tudo é relativo. Integrantes do círculo próximo de Dilma defendem a dobradinha com Ciro. Argumentam que, além de ser um nome nacional, ele suaviza, por comparação, a fama de brava da ministra da Casa Civil.

Bebês trocados. Pesquisa feita por governistas no Nordeste indica baixo conhecimento da marca PAC, carro-chefe da campanha de Dilma. "Deram o filho errado pra ela criar", diz um aliado. "O Bolsa Família era mais vistoso".

Irmãos. Evangélica da Assembleia de Deus, Marina Silva tem ligado para lideranças de várias denominações e representantes da Igreja Católica. A senadora petista, convidada a ingressar no PV e disputar a Presidência, termina as conversas sempre com o mesmo pedido: "Ore para que Deus me ilumine e me mostre o melhor caminho".

História. Na quinta-feira passada, aniversário da Revolução Acreana e feriado local, o PT fez reunião o dia todo em Rio Branco para discutir "a revolução que Marina está fazendo", nas palavras de um observador do processo.

Faxina. A vencedora da licitação para limpeza do Senado é a empresa Fiança, que já executava os serviços na Casa e devia R$ 5 milhões à Previdência. O novo contrato é de R$ 8 milhões, um terço do valor do acordo anterior.

Nas ruas. Adesivo visto em carros circulando em capitais como Brasília, Campo Grande e Goiânia: "Não vou engolir nem digerir: Fora Sarney".

Protesto. O serviço de internet do Senado foi alvo de diversos ataques de hackers, especialmente na quarta-feira passada, durante o discurso de José Sarney (PMDB-AP). O Prodasen prometeu blindar o site nesta semana.

Zoológico. Explicação de quem acompanhou a feitura da representação contra Arthur Virgílio (PSDB-AM) para a agressividade dos termos empregados na peça lida por Renan Calheiros (PMDB-AL): "É preciso uma jaula forte para conter o leão".

Afinidades. A despeito da guerra aberta no Senado, o careca Demóstenes Torres (DEM-GO) e o cabeludo Wellington Salgado (PMDB-MG), membros de facções rivais, estão cada vez mais amigos. Vivem de cochicho no plenário e no Conselho de Ética.

E o Senado? A Câmara instalou recipientes com álcool em gel na entrada do plenário para que todos desinfetem as mãos ao entrar e ao sair, precaução para evitar o contágio pela gripe suína.

Aliste-se! O PT abriu uma Jornada Nacional de Formação. O objetivo é capacitar mil pessoas para o partido chegar a março de 2010 com a marca de 100 mil novos filiados.


com VERA MAGALHÃES e SILVIO NAVARRO

Tiroteio

A demissão sumária de Lina Maria Vieira até agora não foi bem explicada. Com a entrevista, vamos ver se o caso da Petrobras jogará alguma luz.

Do doutor em Ciência Política DAVID FLEISCHER, da UNB, sobre a ex-secretária da Receita atribuir ao presidente Sergio Gabrielli a polêmica da manobra contábil da empresa.

Contraponto

Bolsa-solenidade Lula prestigiou, em 1º de agosto, a formatura de alunos de cursos profissionalizantes para beneficiários do Bolsa Família. Foram chamados ao palco, em BH, os ministros mineiros Patrus Ananias e Luiz Dulci, além de uma penca de políticos locais. O cerimonial "esqueceu", porém, do ex-prefeito da capital Fernando Pimentel, adversário de Patrus na disputa pela candidatura ao governo do Estado.
Percebendo a encrenca, Lula, que pouco antes de subir ao palco conversara a sós com Pimentel, resolveu intervir:
-Vejo que está faltando aqui o companheiro Pimentel. Ele não é mais prefeito, mas continua a ser uma liderança importante. Quando eu não for mais presidente, quero ver se vocês vão arrumar uma cadeirinha pra mim aqui...

GOSTOSA COTISTA

ENTROU NO BLOG PELO SISTEMA DE COTAS

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CLÁUDIO HUMBERTO

EUA querem o Brasil fora do Irã e da Nigéria


A arrogância norte-americana não arrefeceu, com a posse do presidente Barack Obama. Em visita ao Brasil, o general Jim Jones, seu assessor de Segurança Nacional, "recomendou" que a Petrobras diminua seus investimentos no Irã e na Nigéria, maior presença brasileira no exterior em extração e produção de petróleo. Jones ouviu de Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, que o País continuará investindo nesses países.

Nigéria é um "terror"


O assessor de Obama disse que a Nigéria é um "projeto de nação que não dará certo" e que em dez anos vai virar um "abrigo de terroristas".

Energia é segurança


Jim Jones foi general (aposentado em 2007) e cuida também de energia porque Barack Obama acha que é assunto de segurança nacional.

Forte parceria


A visita do assessor de Segurança Nacional de Obama deu a certeza de que os Estados Unidos consideram o Brasil forte parceiro para o futuro.

Dólar a R$ 1,75


Pelas contas dos economistas do Bradesco, o dólar chega a R$ 1,75 no final de 2010. E o PIB cresce 8% no último trimestre deste ano.

STJ julga devolução de compulsório à Eletrobrás


O Superior Tribunal de Justiça julga quarta-feira (12) um processo que pode beneficiar milhares de consumidores de energia que, por 30 anos (1963-93), recolheram "empréstimos compulsórios" à Eletrobrás. A ministra relatora, Eliana Calmon, é favorável à ação ajuizada por um consumidor. Estima-se que a Eletrobrás vai desembolsar entre R$ 1,5 bilhão a R$ 3 bilhões para restituir, na forma de correção monetária.

Dinheiro, há


A estatal Eletrobrás já provisionou, no balanço da empresa de 2008, divulgado em abril, o valor correspondente à devolução do compulsório.

Vontade, não há. O governo não quer restituir o compulsório à Eletrobrás, e faz terrorismo: alega que o valor, superior a "R$ 100 bilhões", poderia quebrar a estatal.

Gracinha


Após uma "voltinha" em um jato Legacy, a primeira-dama da República Dominicana se apaixonou. O maridão vai encomendar um à Embraer.

Quem pagou?


O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) quer saber quem bancou a revista do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares lançada com festa da CUT em São Paulo. A companheirada diz que custou R$ 9,2 mil.

Lobby do caça


Aterrissa em Brasília nesta segunda-feira comitiva da Boeing, que concorre junto com a francesa Rafale e a sueca SAAB ao fornecimento de 36 caças à Força Aérea Brasileira.

Projetos na fila


O marco regulatório do pré-sal, o projeto da reforma eleitoral para 2010 e o projeto de inclusão da Venezuela no Mercosul são algumas das matérias a serem votadas pelo Senado no segundo semestre do ano.

Suplente de peso


No caso de perda de mandato do senador Arthur Virgílio (foto), assumirá o cargo o suplente Frank Luiz Garcia, prefeito de Parintins (AM). "Bi", como é conhecido, foi investigado em 2004 pela Controladoria-Geral da União por irregularidades no gasto de verbas repassadas pelo Governo Federal.

Caixa de compras


Seguindo os conselhos expansionistas de Lula, a Caixa Econômica Federal negocia a aquisição de carteiras de outras instituições financeiras. Deverá anunciar novidades no início do ano que vem.

Barraca na Corte


O Movimento dos Sem Terra monta barraca em Brasília a partir desta segunda-feira até o dia 21, a pretexto de comemorar seus 25 anos. Resta saber se recorrerá a manifestantes profissionais, que recebem R$ 40 de diária para fazer número, como revoltou o site Consultor Jurídico.

Comércio em baixa


O governo trabalha com a hipótese de redução do superávit comercial no segundo semestre. A expectativa deve-se à queda do dólar e ao fim da bolha que tinha elevado artificialmente os preços dos produtos agrícolas e minerais no mercado internacional, desde o início da crise.

Máscara das Palavras


Orlando Muniz lança seu segundo livro, "Máscara das Palavras", com um desfile de personagens que transitam entre a ficção e a realidade, resultando em situações hilárias, burlescas. O lançamento do livro será em Brasília na quarta (12), às 19h, no restaurante Carpe Diem (104 Sul).

Pensando bem...

... no Senado, tudo não passou de "representação".

Poder sem pudor


A arma do humor

No regime militar, uma arma dos cidadãos era ridicularizar os ditadores, à boca pequena. Caso do general Costa e Silva, tido como uma anta até por colegas. Contavam que, numa viagem, ele apontou uma placa e suspirou:

– Nossas estatais estão indo bem, mas a melhor de todas é esta tal de Emobrás. Está em toda parte!...

Um assessor, educadamente, o corrigiu:?- Não é "Emobrás", presidente. É "em obras"...

CARLOS ALBERTO SARDENBERG

Por uma caixa de Tamiflu

O ESTADO DE SÃO PAULO - 10/08/09

A obrigação do Ministério da Saúde é garantir que todo brasileiro vítima da gripe suína seja bem atendido e receba os medicamentos indicados, no caso o Tamiflu. O ministro da Saúde José Gomes Temporão banca essa garantia. Isso posto, qual o problema se um brasileiro preferir comprar o Tamiflu numa farmácia, tendo para isso a receita passada por um médico particular ou do seu plano de saúde? Não haveria concorrência com o setor público, pois o ministro assegura que já tem os remédios na quantidade suficiente para atender a todos os que podem sofrer com a gripe. Ainda assim, permanece a restrição de venda nas farmácias. Por quê?

Em conversas com fontes do governo, as respostas são as seguintes:

Embora a receita seja obrigatória, acredita-se que muitas farmácias venderão sem a receita, o que levaria a um uso abusivo e indiscriminado do medicamento;

médicos despreparados podem também exagerar na prescrição do medicamento, com as mesmas consequências;

os ricos, com medo da epidemia, comprarão tudo das farmácias, esgotando os estoques.

Faz sentido?

Primeiro ponto: a análise considera que os brasileiros não sabem cuidar de si e, com liberdade de escolha, agirão de modo contrário aos seus verdadeiros interesses. Quem sabe quais são os seus interesses? O governo, é o que estão a nos dizer.

É claro que muita gente, tendo a oportunidade, correrá para a farmácia comprar Tamiflu. Poucos conseguirão, entretanto, se o governo fizer o que é sua função determinada, a de fiscalizar e garantir que a venda se faça apenas com receita. Deve ser mais fácil exercer essas fiscalização, sobretudo considerando que as redes de farmácia estão concentradas, do que, digamos, organizar a distribuição a tempo do Tamiflu para todos os doentes, Brasil afora.

Do mesmo modo, não se pode restringir a venda de um medicamento antigripe com base na expectativa de que poderia ser prescrito por médicos despreparados. Se isso fizesse sentido, então seria necessário proibir a venda em farmácia de todos os medicamentos sensíveis, como antidepressivos e antibióticos, e reservar prescrição e venda para o setor público. Mais ainda, por que os médicos do setor privado (incluindo os dos planos e seguros-saúde) seriam mais despreparados que seus colegas do setor público?

Em resumo, há nessas objeções do pessoal do governo não apenas a ideia de que as pessoas não sabem cuidar de si mesmas, como também a desconfiança de que os médicos do lado privado, que atendem mais de 45 milhões de pessoas com planos ou seguros de saúde, são despreparados ou movidos por outros interesses.

Mas imaginemos que aconteça tudo o que o pessoal do governo teme: que se vendam milhões de frascos sem receita, que os médicos distribuam ou vendam milhões de receita e que ocorra uma corrida às farmácias, com esgotamento dos estoques e alta de preços no câmbio negro (pois os preços na farmácia estão tabelados).

E daí? Se o setor público estiver preparado para atender a todos, universalmente, qual o problema? Os ricos - estúpidos - estariam torrando dinheiro e se entupindo de um medicamento sem necessidade, com a cumplicidade de seus médicos. E os pobres estariam sendo bem atendidos na rede pública.

Ora, gente, vamos reparar. As pessoas ricas ou pobres, tirante os hipocondríacos e os malucos, são razoáveis, sabem o que lhes convém. Mães, preocupadas, não sairão por aí entupindo suas crianças de Tamiflu. Será que as grávidas, que só pensam em seus bebês, tomarão o antiviral a qualquer espirro?

Também é mais razoável supor que a maioria dos médicos saberá cumprir suas obrigações e seu juramento. E não faz sentido imaginar que os planos de saúde pudessem forçar seus médicos a prescrever mais Tamiflu. Em resumo, o setor da medicina privada funcionaria exatamente como funciona, com seus méritos e seus pecados. E continuaria sendo uma demonstração viva da incapacidade do setor público de prestar assistência a todos os brasileiros.

Diz a Constituição que saúde é direito de todos e dever do Estado e que o Sistema Único de Saúde (SUS) é o guardião e executor dessa universalidade. Está dito aí que todo brasileiro tem de receber do Estado assistência médica de boa qualidade, a tempo e gratuita. Mas 45 milhões de brasileiros pagam planos e seguros de saúde. Pela Constituição, a rede privada, apenas tolerada, tem função acessória. Mas um acessório de 45 milhões de pessoas quer dizer alguma coisa, não é mesmo?

E diz a mesma coisa que o comércio de Tamiflu nos camelôs de Porto Alegre, no Paraguai e pela internet: a falta de confiança na ação do governo. Se todos tivessem certeza de que seriam bem atendidos na rede pública, por que pagariam por um outro serviço?

Isso mostra também, e mais uma vez, que a proibição do comércio legal leva, como sempre, aos caminhos tortuosos do ilegal. Por outro lado, a existência de um setor privado alivia o setor público. Se uma pessoa com plano de saúde pudesse ir a seu médico, ser consultada, receber a receita e comprar o Tamiflu na farmácia ao lado, seria uma demanda a menos nos postos públicos. Essa é a questão que deveria ocupar as autoridades do setor. Até faz sentido exigir que o setor público tenha prioridade na compra dos medicamentos em caso de escassez. Mas, uma vez tendo o setor público garantido seu estoque, continuar proibindo o comércio privado não é apenas equivocado. Pode ser uma ameaça a muitas vidas.

É sério. Se a pessoa, na rede pública, leva horas para ser atendida e dias para conseguir o medicamento, isso é um risco que está sendo imposto pelas autoridades e pelo qual deveriam ser cobradas

O PAI METRALHA

SEGUNDA NOS JORNAIS

- Globo: Aumento de aposentado será de 7% em janeiro

- Folha: 33% do Senado é alvo de inquérito ou ação judicial

- Estadão: Indústria se recupera e volta a contratar

- JB: 200 projetos contra a propaganda

- Correio: Gripe suína mata no DF

- Valor: Novo plano põe Telebrás na gestão de banda larga

- Estado de Minas: Paraguai na rota dos remédios da morte

domingo, agosto 09, 2009

MERVAL PEREIRA

Suicídio institucional

O GLOBO - 09/08/09

O arquivamento sumário das denúncias e representações contra o presidente do Senado, José Sarney, sem que nem mesmo o Conselho de Ética tenha se reunido, por decisão unilateral do senador sem votos do PMDB do Rio Paulo Duque, e o desaparecimento dos anais do Senado do trecho da fala do senador Renan Calheiros em que ele se dirige com palavrões ao senador tucano Tasso Jereissati são faces da mesma moeda, a truculência política em favor da manutenção da situação atual, a política arcaica tentando impedir a renovação dos costumes

O professor de filosofia da Unicamp Roberto Romano considera que a defesa incondicional da permanência do senador José Sarney na presidência do Senado “é suicida em termos institucionais”. O que ele considera muito grave “é essa prática de legisladores desacreditarem a lei. A lei não pode ser um ídolo imóvel, como dizia Platão, tem que ser uma coisa viva.

Mas você não pode dizer que a lei não vale, ou só vale para alguns”. Que o presidente Lula tenha dito que Sarney não é uma pessoa comum, Roberto Romano acha normal dentro das circunstâncias, “mas que uma classe inteira pense assim é preocupante”.

Especialmente, diz ele, os que não têm voto, como os suplentes de senador Wellington Salgado, que faz parte da “tropa de choque” governista, e Paulo Duque, o presidente do Conselho de Ética que arquivou todas as representações contra Sarney.

“Esses são os piores, a cicatriz do que há de mais doente no Senado”.

Uma dimensão antropológica que Romano gosta de analisar é a dos mitos, e ele adverte que, “quando você ataca um mito, como foi o caso do senador Pedro Simon, você já de antemão tem uma parcela forte da população contra você.

“Aquela demonstração explícita de falta de respeito, de violência, de truculência, de chantagem, cria um clima desfavorável a quem está atacando o mito”.

Para Roberto Romano, “eles estão afundando a legitimidade do Senado e confirmando todos os estereótipos, o que é muito preocupante”.

O ataque aos jornais é desesperado, segundo ele: “Uma hora o Mão Santa (senador do PMDB pelo Piauí) usa jornais para falar da corrupção no Piauí, e no mesmo instante o Paulo Duque arquiva as representações contra Sarney por que são baseadas em jornais. Fica claro que eles estão batendo de frente com a opinião pública por uma causa que não tem tamanha justificativa”.

Roberto Romano acha que “essa defesa intransigente do Sarney por causa do esquema de campanha da Dilma Rousseff em 2010 é estranha, porque em política não existem espaços vazios que não sejam ocupados, a qualquer momento um fato novo pode aparecer”.

Ele cita o exemplo da possível candidatura da senadora Marina Silva, que “abalou a estratégia inteira, mostrando sua fragilidade”.

O professor de filosofia da Unicamp acha que entramos em um terreno perigoso quando “já há sugestões de se acabar com o Senado”.

Isso traz em seu bojo, diz ele, a sequência lógica de que não precisamos de Congresso. “E nós temos uma longa tradição ética de extrema direita na cultura européia e na brasileira inclusive, o positivismo é uma delas, que desacredita a instituição parlamentar como inútil, que só serve para debater, e com isso vem o elogio da ditadura. E nesse momento, com Chavez no horizonte, com seus Evos Morales, os Correa, nós sabemos em que isso pode redundar”, diz Roberto Romano.

Outro aspecto que o deixa “enojado” é a prática da chantagem.

“Usa um instrumento importante como a representação no Conselho de Ética e o banaliza com a total falta de valores, com tentativa de calar e depois de retaliar”.

Para ele, esse procedimento “não tem nenhuma diferença em termos éticos do sequestro, da ameaça, você está tentando retirar ou o corpo ou a alma do indivíduo de circulação”.

O ex-ministro Marcilio Marques Moreira, na sua experiência como presidente do Conselho de Ética Pública, lembra que “os próprios códigos de ética nos Estados Unidos vêm sendo reforçados desde o primeiro, que foi do presidente Kennedy”.

No Brasil, “talvez por ser uma sociedade mais patrimonialista, que confunde, como diz o Roberto da Matta, a casa com a rua”, a evolução tem sido mais lenta, comenta.

Na experiência que teve, Marcílio diz que nos níveis superiores do governo há uma resistência maior, mas que não é homogênea. “Havia muitos ministros, presidentes de empresas, que eram muito respeitadores das normas, muito rigorosos consigo mesmo”.

Mas o respeito às normas era muito maior, ele admite, nos níveis mais baixos. “A autoridade tem que dar o exemplo.” Já o presidente da Academia Brasileira de Filosofia, João Ricardo Moderno, professor da Uerj, considera que a crise política tem também a origem em uma causa moral: “Temos que infundir valores da cidadania desde a educação de base, reformar a moralidade do país”.

Ele lembra que, desde a crise dos anões do Orçamento, “imaginávamos que esses problemas estariam sendo superados, mas depois tivemos o Collor e também pensávamos que tudo mudaria”.

A reforma da administração pública não aconteceu, e criaram-se “mecanismos mais sofisticados, até mesmo decretos secretos. Uma mentalidade predadora sem paralelos, parece que não tem fim”.

Ele considera que “o povo brasileiro é muito melhor do que sua representação política do ponto de vista moral e ético” e diz que Brasília “é como se fosse uma vida paralela”.

A megalomania, expressa nos prédios suntuosos e nas mordomias de Brasília, “é uma face da mitomania, que se tornou sistêmica”, analisa Moderno, para quem a transferência da capital para Brasília “multiplicou essa cultura no restante do país”. Do ponto de vista moral, diz ele, o que acontece no Senado e em Brasília de maneira geral “é uma fraude, não corresponde ao que é o Brasil”.

GOSTOSAS


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