Serra em bytes
| Correio Braziliense - 30/04/2009 | |||||||||||
|
| Correio Braziliense - 30/04/2009 | |||||||||||
|
| O Estado de S. Paulo - 30/04/2009 |
O Congresso é um colegiado e, como tal, guiado e julgado pelas atitudes da maioria. Nesse sentido, não se pode saudar a decisão de restringir o uso de passagens aéreas como um sinal de que o Parlamento está realmente disposto a se enquadrar aos princípios da moralidade, impessoalidade, publicidade, probidade e eficiência, como convém à administração pública. Ao contrário. O fato de a decisão ter sido assumida pelas Mesas Diretoras da Câmara e do Senado sem passar pelo crivo dos plenários, indica que a maioria ainda não entendeu da missa a metade e continua resistente ao fim dos anacrônicos privilégios. E que joga a culpa no "baixo clero" porque esse pessoal, sozinho, jamais ganhou uma. Nem a eleição de Severino Cavalcanti. Não por outro motivo, a não ser a certeza da derrota, os presidentes José Sarney e Michel Temer entenderam por bem tentar estancar a sangria dos escândalos em série por meio de um acordo de líderes. Foi um gesto de habilidade política, tirada a fórceps e pautada na necessidade do momento. Isso nada tem que ver com autocrítica, recuo, percepção ou convicção de que o orçamento de qualquer entidade oficial deve ser administrado com parcimônia, transparência e, sobretudo, nítida separação entre o público e o privado. Na semana passada mesmo, quando decidira levar a questão ao plenário, o presidente da Câmara, Michel Temer, dissera que só assim as novas regras teriam "legitimidade". Pois bem, com 48 horas de consultas, Temer e os líderes das bancadas perceberam que era melhor abrir mão da autenticação coletiva do que serem desautorizados coletivamente e solapados na legitimidade de suas funções. Não se trata de uma imprecisão, mas de um equívoco crasso considerar que o Congresso tenha passado por algum teste de moralização. Primeiro porque, como já exposto, não se submeteu a prova alguma. Na realidade, desviou-se dela. Em segundo lugar, porque seria uma incongruência da crítica aceitar como moral o simples corte parcial em uma, e apenas uma, das inúmeras exorbitâncias cometidas em nome do patrimonialismo, sob a proteção do corporativismo. Note-se que o Senado, discreto e no momento mais distante do foco, manteve o uso de passagens para terceiros: parentes, amigos, afilhados, apaniguados. Nas duas Casas o passivo de infrações foi anistiado e, sobre o crime de vendas de passagens (obtenção de vantagem econômica na comercialização de um bem público), fala-se apenas levemente em "necessidade de investigação". Na Câmara, o pacote "moralizador" passa ao largo do corte de passagens para custear viagens dos deputados do Distrito Federal aos Estados de origem. A menos que se considere como origem o registro nas certidões de nascimento de suas excelências, são R$ 3.764, 58 para ir a lugar nenhum. Ou, pior, para ir a qualquer lugar. Isso para não falar no valor das cotas. Já reduzidas em 20%, garantem, por exemplo, ao deputado de São Paulo, R$ 8.501,07 para ir e voltar todo mês. Quatro semanas, R$ 2.125,25 cada uma, pagaria cada ida e volta. Mais de R$ 1.000 por bilhete que pode ser encontrado por cerca de R$ 200 em promoção e custa em média entre R$ 400 e R$ 800, as mais caras. A isso não se pode dar o nome de gestão de recursos, convenhamos. Levantamento publicado ontem no Estado mostra que nos Estados Unidos o congressista é obrigado a pagar, e comprovar, a passagem pelo menor valor possível, bem como são proibidas viagens de natureza pessoal ou para fins políticos. Aqui a cabeça é outra. O parlamentar acha que deve ser pessoalmente sustentado pelo contribuinte e considera ainda uma obrigação o eleitor financiar suas visitas "às bases". Ou seja, alimentar durante quatro anos a campanha da eleição seguinte. Esse tipo de raciocínio é que produz essa e outras "farras" na administração pública. Como é a Câmara que se propõe a fazer uma reestruturação geral nos gastos em 30 dias, é ali que as cabeças deverão exibir sinais consistentes de mudança de mentalidade. A composição do grupo não anima. Nele está Inocêncio Oliveira, o pai da tese da "sagrada família" usada para defender o direito de levar mulher e filhos ao exterior à custa do alheio. Tem assento também Nelson Marquezelli, patrocinador de excursões internacionais, segundo ele, com os "créditos acumulados no exercício do mandato". Integram ainda a comissão Rafael Guerra, que em fevereiro se opôs à divulgação das notas fiscais dos gastos da verba indenizatória por "envolver terceiros", e Odair Cunha, encarregado de informar, dias atrás, que o caso do ex-namorado de Adriane Galisteu nem sequer seria "examinado pela Mesa" dando, portanto, o assunto das passagens por "encerrado". Junte-se o pensamento da comissão renovadora à resistência da maioria assumidamente conservadora e não se vê a luz no fim do túnel nem o fim do fundo do poço. |
| O Globo - 30/04/2009 |
DEPOIS DE LULA, no desenho americano “South Park”, há duas semanas, lembra?, o Brasil volta a ser alvo de uma série de animação para adultos nos EUA. Dessa vez, sobrou para o nosso... Congresso Nacional. No episódio dos “Simpsons” exibido domingo na terra de Obama, houve na escola da cidade um concurso de maquetes de monumentos mundiais. Pois um aluno da classe, o cê-dê-efe bobalhão Martin Prince, fez (veja na reprodução) uma escultura do “Brazilian National Congress”. Na avaliação do juiz do concurso, a escultura do Congresso brasileiro ficou “irrepreensível”. É. Pode ser. Já na vida real... você sabe Alívio no pregão A Previ, fundo de pensão do BB, já recuperou uns R$ 4 bi dos R$ 20 bi que tinha perdido depois que as bolsas derreteram. Clima quente I Paulo Skaf, presidente da Fiesp, que é de origem árabe, autorizou ontem a entidade, conforme proposta de alguns diretores, a não receber Mahmoud Ahmadinejad, o presidente do Irã que virá visitar Lula dia 6. Haveria uma pressão do Itamaraty por uma recepção para o iraniano na Fiesp. Dilma x Serra.com Ainda nem começou 2010, mas Dilma e Serra já duelam no Twitter, o site de relacionamentos, nova mania das celebridades, em que, em vez de amigos, a pessoa tem seguidores. Entraram no ar o Dilma Rousseff (http://twitter.com/dilmarousseff) e o Serra 2010 (http://twitter.com/Serra_2010). Velha guarda Nelson Sargento, o grande compositor, fez um périplo por Brasília, terça, em defesa de uma causa nobre: a aposentadoria de sambistas da velha guarda sem vínculo formal de trabalho — caso dele. O mestre conversou no Congresso com os senadores Flávio Arns, Ideli Salvatti e Demóstenes Torres, e com o ministro Fernando Haddad. Samba que segue... Ficou combinado que será realizada uma audiência pública no Senado com bambas como Nelson, Monarco e Ney Lopes para discutir uma saída. Sarah, número um Sob o comando de Aloysio Campos da Paz e Lúcia Braga, o Centro Internacional Sarah de Neurorreabilitação e Neurociências, que Lula inaugura amanhã no Rio, é a mais avançada das dez unidades da Rede Sarah. |
| O Globo - 30/04/2009 |
O paradoxo de a política brasileira estar polarizada entre um partido estruturado que está no governo, mas não tem candidato natural à sucessão presidencial, e outro, na oposição, que tem dois candidatos viáveis, mas não tem uma organização nacional que lhe dê suporte, mostra o quanto nosso sistema partidário é frágil e necessita de uma ampla reforma. PT e PSDB monopolizam a política nacional desde que, em 1989, na primeira eleição depois da redemocratização do país, Lula apresentou-se pela primeira vez como candidato a presidente da República. Os dois outros grandes partidos brasileiros, o PMDB e o DEM, antigo PFL, têm tido nas últimas eleições papel de coadjuvantes, abstendo-se de apresentar candidatos à Presidência da República. Anteriormente, quando o fizeram, “cristianizaram” figuras de peso da política nacional, fosse o presidente do PMDB Ulysses Guimarães, fosse o vice-presidente Aureliano Chaves pelo PFL. O PSDB, que fora fundado pouco mais de um ano antes da primeira eleição democrática depois da ditadura militar, numa dissidência do PMDB, apresentou como candidato em 1989 o senador de São Paulo Mario Covas, que não chegou ao segundo turno na eleição em que Fernando Collor derrotou Lula. Com a chegada do senador Fernando Henrique Cardoso ao posto de ministro da Fazenda no governo de Itamar Franco, em 1993, o PSDB passaria a predominar na vida política brasileira pelos anos seguintes, com a elaboração do Plano Real e a eleição de Fernando Henrique para a Presidência por duas vezes no primeiro turno, sempre derrotando Lula. Dez anos depois, foi a vez de o PT chegar ao poder com o mesmo Lula, que derrotou o candidato do PSDB, José Serra, no segundo turno na eleição de 2002. Nos últimos 20 anos, portanto, o Partido dos Trabalhadores apresentou-se ao eleitorado na pessoa de seu líder máximo, sem que houvesse uma renovação de quadros em nível nacional, apesar de estar no poder a seis anos e ter elegido diversos governadores nas eleições de 2006. Na única vez em que houve uma tentativa de substituir Lula como candidato à Presidência, em 2002, o partido fez uma prévia em que o senador Eduardo Suplicy foi derrotado fragorosamente. O PSDB, desde 2002, tem como candidato natural o atual governador de São Paulo, José Serra, embora essa tendência tenha sido contestada internamente com êxito em 2006, pelo então governador paulista Geraldo Alckmim, e hoje pelo governador de Minas Gerais, Aécio Neves, o que prova que o partido tem uma renovação interna de quadros mais efetiva que o PT. Para se ter uma ideia de como o PSDB é desarticulado em termos nacionais, basta ver que o partido não tem deputados em nada menos do que oito estados brasileiros. Criado em torno de figuras nacionais de peso, continua girando em torno delas, assim como o PT gira em torno de Lula, sem ter líderes com luz própria em nível nacional. O PT tem recuperado a militância política que sempre foi o seu forte, depois de perdê-la em grande parte devido ao trauma do mensalão, em 2005. O partido, que passou por uma ameaça de dissolução na eleição de 2006 devido às denúncias de corrupção envolvendo sua cúpula, conseguiu sobreviver ao escândalo, embora perdendo peso político, que vem sendo recuperado aos poucos graças em grande parte à alta popularidade do presidente Lula. A contestação interna no PSDB à candidatura Serra, em 2006, também deu certo por uma decisão do próprio, que levou em conta o perigo de o PSDB perder tanto o governo paulista quanto a própria Presidência, devido à recuperação de popularidade de Lula no pós-mensalão. Caso isso acontecesse, o PSDB corria o sério risco de desaparecer do cenário político. Governando dois dos mais importantes estados brasileiros — São Paulo, com Serra, e Minas Gerais, com Aécio —, o PSDB permanece como um peão importante no panorama político nacional, embora tenha perdido representatividade no Congresso Nacional e nas prefeituras. Os dois sabem que somente unidos poderão se contrapor ao PT turbinado pela popularidade de Lula, e por isso, à medida que a campanha presidencial avança, mais vai alcançando um entendimento, com vistas à retomada do poder nacional. A reunião que tiveram na noite de segunda-feira em Belo Horizonte parece ter marcado um acordo definitivo em torno das prévias que, definidas para janeiro ou fevereiro, serão precedidas de viagens nacionais dos dois para mobilizar os líderes regionais do partido. O que definirá a escolha, no entanto, devem ser mesmo as pesquisas nacionais de opinião. Se a posição de liderança que o governador José Serra ostenta hoje se mantiver inalterada, é provável que o próprio Aécio abra mão da candidatura. O que não está certo é se aceitará ser o vice da chapa, embora essa possibilidade esteja mais próxima de se viabilizar do que já esteve. Se, eventualmente, os ventos eleitorais mudassem até o começo do próximo ano, o caminho de Serra seria a tentativa de reeleição ao governo de São Paulo. Do lado do PT, a doença da ministra Dilma colocou um ponto de interrogação no jogo armado há mais de um ano pelo presidente Lula. Essa desarrumação do tabuleiro certamente dará uma nova dinâmica à aliança com o PMDB, partido conhecido como fiel apenas à expectativa de poder. Além da popularidade de Lula na crise econômica, o PMDB tem agora que avaliar até que ponto a doença da candidata oficial terá influência na escolha dos eleitores. O PSDB, um partido fragilizado pelos oito anos fora do poder, tem no momento melhores perspectivas que o PT, que é um partido bem organizado, mas não conseguiu renovar suas lideranças, pela característica centralizadora e especialíssima de Lula. |
| Leandro Mazzini |
| Jornal do Brasil - 30/04/2009 |
A tão peculiar discrição dos mineiros para fazer negócios não seria diferente na arte da política. A coluna falou ontem de dois petistas que já disputam internamente, quietinhos, cada qual a seu modo, a indicação do partido para o governo do estado: Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, e Patrus Ananias, o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Pois Patrus não só confirmou à coluna que está em pré-campanha como também entregou a agenda. Todo fim de semana, visita municípios mineiros para reforçar seu nome. A exemplo de Pimentel. Ambos tomam os cuidados necessários, aliás, para não esbarrarem pelas estradas ou gabinetes de alcaides. O fato é que a campanha de Minas já começou. Pelo menos no PT. Bonde dos reitores A educação do Brasil não é a melhor do mundo, mas os reitores das federais que se reuniram na terça com o ministro da Educação, em Brasília, não abrem mãos de carros turbinados, com ar condicionado e bancos de couro (foto). Folga O ministro Patrus Ananias vai entrar de férias durante 15 dias, a partir de 4 de maio. Trabalho Está pronto o modelo de prévias do PSDB para escolher o candidato à Presidência para 2010. Será encaminhado a partir de segunda-feira para José Serra e Aécio Neves. Torpedo, amém Vejam como a Igreja entra nos novos tempos, pelo menos fora da liturgia. Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio, tem se comunicado por torpedo estes dias com a equipe, em Itaici (SP), onde acontece uma reunião de bispos. Na rede Dom Orani, aliás, antenado na internet, avisou à coluna que não descarta lançar um blog para se aproximar do público jovem: "Até teria interesse, mas teria de encontrar tempo necessário para isso". Lula lá O presidente Lula já vai lançar o seu blog, dica do parceiro Barack Obama, em dois meses. Golpe na pista Há um papo nos corredores do setor de aviação. Tudo o que as aéreas queriam como pretexto para manter os preços das passagens internacionais, contrariando a determinação da Anac, que prevê desconto, era o aumento do querosene de aviação em 6,2%. Ao mar Rosinha Matheus, prefeita de Campos, disse à coluna que não foi convidada para ir com o presidente Lula e o governador Sérgio Cabral para alto-mar, no evento em Tupi. Mas, se quiserem, ela vai. É ela mesma Do presidente do PT, Ricardo Berzoini, sobre a candidatura ao Planalto: "A ministra (Dilma) tem amplo apoio do partido, e essa questão da doença, pelo tipo de diagnóstico, não dá razão para avaliarmos qualquer alternativa". Corredor de BH Com a capital mineira prestes a ser escolhida uma das sedes para a Copa de 2014, o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, quer investir no corredor de ônibus para o evento. Disse que serão 44 quilômetros de vias exclusivas. Pampulha, não Apesar de ser assunto da esfera federal, Lacerda disse ter certeza de que o Aeroporto da Pampulha, no Centro, alvo de cobiça das grandes companhias, continuará só para aviação regional. A bela... O prefeito negou que tenha havido debate para contratar uma atriz mineira para a propaganda dos 100 dias de governo. "A Patrícia Pillar, além de ótima atriz, já atuou em outras campanhas em BH". ... e a fera Patrícia é mulher do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), que andou xingando no microfone da Câmara semana passada. Clausura Paula Oliveira, a brasileira que se enrolou na Suíça com a autoflagelação, e perdeu o namorado, continua em prisão domiciliar, com tratamento psicológico. |
| Folha de S. Paulo - 30/04/2009 |
Cá para nós, Lula nunca se identificou com o Congresso nem valorizou a sua importância. Mas setores do governo, à frente o ministro da Justiça, Tarso Genro, já se mobilizam para tentar neutralizar o preocupante nível de desgaste do Legislativo. |
| Correio Braziliense - 30/04/2009 | |||
Desde que criado por Getúlio Vargas, o salário mínimo sempre foi a preocupação dos trabalhadores. Às vésperas de entrar em vigor, ainda não se sabia qual a decisão do presidente. Havia manifestações em vários estados. Sem resultados, porque a determinação do salário mínimo era feita de maneira decisiva e em cima da hora. No governo Lula da Silva, a coisa muda de figura. O próximo salário mínimo será de R$ 506,14. Terá validade somente a partir de janeiro de 2010. Mas será respeitado. O trabalhador terá exigências profissionais a cumprir, mas vai ganhar muito mais. Aulas serão ministradas para que o povo sinta a necessidade de melhorar a parte profissional. A prática mostrava que os aumentos eram mínimos. A sua divulgação sempre foi motivo de reclamações para quem estava empregado. O trabalhador, no mais das vezes, apertava o cinto e sempre dava para viver. Outros, afoitos, protestavam, mas não tinham direitos a tanto. Com a inversão das coisas, a mudança foi total. O salário mínimo sempre é de bom alvitre para quem vive dele. A dificuldade do momento são as prefeituras pobres e os estados de salários baixos. Há lugares em que o salário mínimo não é atendido pelos governos. Quem trabalha para empresas particulares tem a vantagem de o dinheiro estar em dia na data exata.
|
| O Globo - 30/04/2009 |
A economia, onde havia maior emergência, foi o ponto em que o presidente Barack Obama teve o desempenho mais fraco. Em 100 dias ele fez mudanças históricas nas áreas ambiental, política internacional, científica. Mas ainda patina na crise econômica. O fantasma da crise bancária ainda não foi afastado, as montadoras continuam quebradas, o plano de estímulo não chegou às pessoas. Na época da campanha eleitoral, Obama falava sempre do conflito entre Wall Street e Main Street, numa alegoria da encruzilhada entre o mundo das grandes finanças e o mundo do cidadão comum. Prometeu que sua prioridade seria Main Street. Nenhuma das duas respira aliviada, mas seu governo passou pelo dissabor de ver que os executivos de uma seguradora quebrada, onde o contribuinte pôs mais de uma centena de bilhões de dólares, pagou bônus aos seus executivos. Wall Street levou a melhor neste caso. Ontem foi divulgado o terceiro trimestre consecutivo de encolhimento do PIB americano. Um tombo maior do que o esperado, acima de 6%. Três trimestres de queda é um fato que só aconteceu 34 anos atrás. A utilização da capacidade ociosa está no mais baixo nível desde que o dado existe: 1967. É resultado ainda da herança maldita. Ele recebeu um país em recessão grave, sob risco de depressão. Ninguém resolve isso em 100 dias. Qualquer pessoa sabe que a economia tem seu tempo e decisões de hoje demoram a fazer efeito. O programa de estímulo só começará a ter impacto realmente relevante em meados do atual trimestre, mas é mais seguro esperar reflexos no segundo semestre. A pedra da crise bancária está no mesmo lugar. Ele anunciou pacotes de trilhões que ainda não levaram a nada de concreto. Sem a solução desse problema, não haverá remédio duradouro para a crise econômica. O secretário do Tesouro, Timothy Geithner, já entrou enfraquecido no cargo, por causa do escândalo da não declaração do dinheiro recebido quando era funcionário do FMI. Só por ficar na defensiva ele já perdeu parte do impulso inicial. Seu plano, que foi anunciado como a grande solução, ainda não produziu efeitos concretos. Quando surgiu, no dia 10 de fevereiro, foi recebido com dúvidas e ceticismo. O mercado despencou. Quase um mês depois ele foi detalhado, e o mercado reagiu bem. O governo americano anunciou que usaria algumas armas: um plano de capitalização dos bancos, desde que eles se mostrassem viáveis através dos testes de estresse; um fundo formado por capital público e privado para a compra de ativos podres; outra parte seria dinheiro do Fed, para reativar o mercado de papéis lastreados em diversas dívidas, como cartão de crédito, financiamento de estudante e ativos imobiliários. Tudo isso era para evitar a estatização dos bancos, mas se parece com uma espécie de estatização envergonhada, pela porta dos fundos. Os 19 maiores bancos estão sendo auditados nesses testes de estresse, mas o que se sabe é que até os mais fortes, como o Citibank e o Bank of America, receberão novas montanhas de dinheiro do contribuinte. Aí fica uma grande questão: qual a diferença em relação aos cheques distribuídos aos banqueiros pelo governo Bush? A outra ferramenta de capitalização dos bancos — o fundo com capital privado e público — não virou realidade. A novidade neste ponto é que o governo encontrou uma fórmula para sair da armadilha de arbitrar quais ativos dos bancos seriam podres e que valor eles teriam: realizar leilões dos papéis que os bancos decidissem que são podres e, nos lances que dessem, os eventuais compradores é que arbitrariam o valor. A solução foi encaminhada, mas o governo se perdeu no temor de fazer uma estatização assumida. Tenta encontrar uma saída que o afaste dos extremos: a estatização ou a quebra de bancos. Obama tem que remover os destroços da crise bancária e conseguir fazer com que o sistema volte a funcionar, para que a economia retome o crescimento em algum momento. Em outras áreas, Obama fez muita diferença em pouco tempo. Mudaram de água para vinho a atitude e a política do governo americano em relação ao tema mais decisivo do século XXI: a mudança climática. O presidente já retirou o veto dos Estados Unidos a um acordo climático global e fez reuniões com os principais emissores dos gases de efeito estufa para mostrar a eles que o caminho, agora, é o da conciliação com o planeta. O órgão ambiental do governo tomou uma decisão histórica ao reconhecer a letalidade dos gases de efeito estufa e agora ele busca, no Congresso, uma lei que restrinja as emissões. Na área científica, a chegada de Obama equivale ao fim da visão medieval de Bush, que proibia pesquisas com célulastronco e censurava cientistas na questão climática, para o mundo novo do iluminismo. A Ciência voltou a respirar o ar da inteligência livre com Obama no poder. Na política internacional, ele fez gestos aguardados há décadas, como anunciar o fechamento de Guantánamo e ter uma palavra serena em relação ao mundo árabe. Nas reuniões da Cúpula das Américas e do G20, o país de Obama mostrou um jeito diferente: mais humilde, mais sedutor, mais moderno. |
| Folha de S. Paulo - 30/04/2009 |
Perdoe o leitor se insisto no tema da desigualdade. Mas, se o presidente Lula pôde dizer uma vez que, qualquer dia, alguém o apontaria como "o chato do etanol", de tanto que fala no assunto, não me incomoda tornar-me "o chato da desigualdade". |
- Globo: Alerta mundial cresce e OMS diz que pandemia é iminente
- Folha: OMS alerta para "pandemia iminente"
- Estadão: OMS eleva ainda mais alerta para gripe suína
- JB: Juro brasileiro cai de 1º para 3º do mundo
- Valor: Abril termina com um novo ânimo no mercado de ações
- Gazeta Mercantil: Gripe suína beira a pandemia, mas bolsas sobem no mundo
- Estado de Minas: Risco maior de gripe está em BH e São Paulo
- Jornal do Commercio: Leão nas alturas