quinta-feira, fevereiro 19, 2009

PAINEL

Direito autoral


Folha de S. Paulo - 19/02/2009
 

A julgar pelo discurso de Dilma Rousseff ontem na Força Sindical, o PT não pretende deixar para José Serra, caso este concorra à Presidência em 2010, nem mesmo a bandeira da redução dos juros, historicamente empunhada pelo tucano. A ministra e pré-candidata não foi tão longe quanto o anfitrião Paulinho, que exortou o governo a "enquadrar o Meirelles" -nesse momento, ela apenas sorriu. Mas disse que os sindicalistas ali reunidos "têm razão" e que "é preciso baratear o custo do capital". De quebra, caracterizou Lula como o paladino dessa causa: "O responsável por estarmos discutindo isso aqui hoje é o presidente, que sempre defendeu a necessidade de baixar os juros".

Pop 1
De Paulinho, sobre o presidente do BC, Henrique Meirelles: "Ou ele baixa mais os juros, ou faremos tanta confusão que vamos acabar derrubando ele". O auditório veio abaixo em aplausos, e Dilma fez cara de paisagem. 

Pop 2
Coube a Elza de Fátima, mulher de Paulinho e tesoureira do sindicato dos metalúrgicos de São Paulo, bater na tecla que deverá ser martelada exaustivamente pela campanha de Dilma. Disse à ministra, "de mulher pra mulher", que "já está mais do que na hora de ver uma mulher comandar o nosso país". Nova onda de aplausos. 

Ame-o...
Em Brasília, na reunião do Conselho Político, Lula afirmou que o Brasil "foi o último a entrar e será o primeiro a sair da crise". 

...ou deixe-o
Em São Paulo, Dilma mais uma vez incorporou palavras de Lula. Referindo-se à oposição, disse aos sindicalistas que "tem gente que torce para dar errado". 

Cutucão
Ao avisar, no Conselho Político, que Dilma continuará a viajar pelo Brasil para inaugurar obras do PAC, Lula falou de Serra: "Ele é que não tem motivo para estar em cima de um trator no Paraná". 

Vida que segue
Apesar de protestar contra a "injustiça" da cassação de Cássio Cunha Lima, a cúpula tucana nada fará para dificultar a vida do novo governador da Paraíba, José Maranhão (PMDB). Recebeu sinais de que ele pode apoiar o PSDB em 2010. 

Laços
Contratada sem licitação pela Prefeitura de São Paulo para entregar a domicílio as latas do "Leve Leite", a ECT é comandada na capital por José Furian Filho, da cota do PMDB, aliado na reeleição de Gilberto Kassab (DEM). 

No forno
O senador Morazildo Cavalcanti (PTB-RR) colocou ontem no papel um dos maiores pleitos do baixo clero do Congresso: uma Proposta de Emenda Constitucional que incorpora a verba indenizatória de R$ 15 mil ao salário dos parlamentares. O resultado seria um gordo aumento nos vencimentos, de R$ 16,5 mil para R$ 24,5 mil, e o fim da necessidade de notas fiscais para comprovar gastos. 

Linha muda
Governo e oposição já acertaram que o relatório final da CPI dos Grampos, a ser apresentado no dia 4, não pedirá indiciamento de figuras centrais dos episódios das escutas, Paulo Lacerda (ex-Abin) à frente. Para marcar posição, o PSDB apresentará voto alternativo. 

Para lembrar
A assessoria do Ministério da Defesa envia diariamente, desde sexta passada, e-mail com a seguinte mensagem: o ministro Nelson Jobim está em férias. 

Visita à Folha
Cláudio Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do Brasil, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Henry Chmelnitsky, presidente da Federação Israelita do Rio Grande do Sul, Fernando K. Lottenberg, secretário-geral da Conib, e Jaime Spitzcovsky, diretor de Relações Institucionais da Conib. 

Folha, 88
Folha completa hoje 88 anos. 

Tiroteio

"Somos um grande parceiro do governo, e o PT deveria entender que precisa abrir mão, de vez em quando, de comandar tudo." De JOVAIR ARANTES , líder da bancada petebista na Câmara, sobre a disputa entre as duas siglas por cargos nas comissões do Congresso; no Senado, Fernando Collor (PTB) tenta abocanhar Infra-estrutura, também ambicionada por Ideli Salvatti (PT).

Contraponto

Dia da mentira

Encerrada, anteontem, a reunião em que a Mesa da Câmara resolveu dar publicidade (limitada) às notas fiscais da verba indenizatória dos deputados, jornalistas cercaram o primeiro-secretário, Rafael Guerra (PSDB-MG). O tucano explicou que a ideia é mostrar apenas as futuras notas, e mesmo assim só a partir do segundo trimestre.
-Pelas minhas contas, lá pelo dia 10, 12 de abril as notas estarão disponíveis no site da Câmara- disse Guerra.
Os repórteres insistiram em saber por que tanta demora, e o deputado decidiu acenar com alguma antecipação:
-Quem sabe conseguimos divulgar em 1º de abril?
Mas logo se corrigiu:
-Pensando bem, acho que esse não seria um bom dia...

GOSTOSA


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EILIANE CANTANHÊDE

Minas, fiel da balança


Folha de S. Paulo - 19/02/2009
 

Com tantas coisas em comum, para o bem e para o mal, PT e PSDB têm agora a mesma avaliação: alavancada pelos 80% de Lula e pelo PAC, Dilma vai indo; com Aécio pela frente, Serra empaca. Parece espremido entre a desenvoltura de uma e a pressão do outro. 
Petistas e seus aliados estão prestes a acender velas para Aécio, mas os tucanos ficam onde eles têm fama de ficar: em cima do muro. Mas, como há dois candidatos, parece haver também dois PSDBs. 
Enquanto há um certo consenso fora do Congresso de que a vez é de Serra, que está disparado na frente, tem 66 anos e se preparou a vida inteira para ser presidente, entre senadores e deputados não é tão evidente assim. Exceto um caso ou outro, como Jutahy Jr. (Serra até debaixo d"água) ou Nárcio Rodrigues (aecista roxo), os parlamentares elogiam igualmente os dois pré-candidatos e parecem levar Aécio muito mais a sério do que o eleitorado, a imprensa e os que se interessam por política. 
Lembra um pouco o descompasso em 2006, quando as pesquisas davam Serra na cabeça e a bancada federal, surpreendentemente, preferia Alckmin. Que levou. Ao que tudo indica, Aécio não tem força para ser candidato, mas tem para evitar que Serra seja presidente. De tanto engrossar o coro suprapartidário mineiro contra "os paulistas", pode inviabilizar o voto de Minas em Serra, mesmo subindo pro forma no palanque dele. 
Prévias são naturais e consolidadas nos EUA, onde envolvem rituais, regras e compromissos morais. No Brasil, fora o PT, elas são sinônimo de racha. Quem perde pode fazer o que quiser -e quer atrapalhar. Dilma tende a ter o Norte, o Nordeste e boa parte do Rio; Serra é forte em São Paulo e no Sul; Aécio, por enquanto, está limitado a Minas.
Com o PSDB dividido, ou Serra perde Minas, ou Aécio perde São Paulo. Dilma fecha o jogo. Aliás, a "gaúcha" Dilma nasceu em Minas. Na campanha, pode vir a ser mais mineira do que nunca.

MÓNICA BÉRGAMO

Despedida


Folha de S. Paulo - 19/02/2009
 

A ex-prefeita Marta Suplicy e Luis Favre estão separados. Depois de oito anos juntos, eles tomaram a decisão nesta semana e já passam o Carnaval solteiros.

DESPEDIDA 2 
O casal já enfrentava crises há algum tempo e tentava superá-las. Na sexta passada, Favre participou do jantar em que Marta homenageou a ministra Dilma Rousseff em sua casa, em SP. Mas as divergências não foram superadas.

MENOS É MAIS
O ministro Joaquim Barbosa, do STF (Supremo Tribunal Federal), levará ao plenário até março a proposta de reduzir o número de testemunhas a que os réus do mensalão têm direito, para no máximo 16. Só o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), por exemplo, elencou mais que o dobro: 33.

MAIS É MENOS
E, além de estabelecer prazos para que os juízes de mais de dez cidades ouçam as testemunhas do mensalão, Barbosa determinou que eles recebam ainda em março toda a documentação do caso. Abrevia, assim, o tempo que os magistrados vão precisar para se informar direito sobre o processo.

DOBRADINHA
O governador José Serra (PSDB-SP) pode liderar, no Carnaval, comitiva de empresários da Fiesp para Dubai. Geraldo Alckmin, secretário do Desenvolvimento, também vai.

PONTEIRO 
Fernando Henrique Cardoso e o banqueiro Armínio Fraga combinaram de jantar no restaurante La Brasserie, anteontem, em SP. Esperaram um tempão pelo terceiro convidado, que só chegou depois de uma hora. Era Serra.

NA BOCA DO SENADO 
A cantora Paula Toller recebeu nesta semana um voto de aplauso do Senado.

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) solicitou a homenagem por suas músicas terem atingido a marca de 100 mil downloads pagos.


LUPA
Diretores de escola, juízes, promotores e outros profissionais se reunirão, a partir de março, em todas as cidades paulistas, para debater o respeito ao ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) em suas localidades. Batizado de Ecâmetro pelo governo de SP, o projeto termina em junho.

CLÓVIS ROSSI

O medo venceu a alegria


Folha de S. Paulo - 19/02/2009
 

Fiquei com uma dúvida, que compartilho com o leitor, a propósito do belo texto de Tostão ontem publicado por esta Folha
Diz ele que "mesmo as pessoas de bem se acostumam com tudo isso", sendo "tudo isso", se Tostão me permite um resumo apertado, a violência dentro e fora dos estádios, a falta de cidadania, a corrupção, a impunidade, "a prática disseminada do jeitinho brasileiro". Minha dúvida é simples: as pessoas acostumam-se ou sentem-se absolutamente impotentes diante de "tudo isso"? 
Fiquemos no território da violência nos estádios. Está em discussão o veto ao que é uma das maiores graças do futebol, a possibilidade de gozar o torcedor adversário (sou pré-antigo, do tempo em que havia apenas adversários, não inimigos como hoje). 
Refiro-me à ideia de limitar a apenas 5% a venda de ingressos aos torcedores do time que não é mandante da partida. Se é que não se vai chegar à proibição total da presença de mais de uma torcida no mesmo estádio. Significa o seguinte: desistimos de conviver com o "outro". É preciso bani-lo, como fazem vários países com os imigrantes ilegais. Aqui, ilegais somos nós mesmos, se torcemos para o Corinthians e jogamos no Morumbi ou se torcemos para o São Paulo e jogamos no Parque Antártica. 
Ouvi no domingo, no "Bate Bola" da ESPN Brasil, Juca Kfouri dizer que desistira de levar o filho mais novo aos estádios devido ao risco implícito (ou explícito) que há nessa atividade antes trivial, contrariando prática que adotara com os mais velhos, no que era um exercício de troca de afetos. Juca renunciou não só à alegria -um direito fundamental- mas a uma fatia da paternidade. 
Conformou-se, como diz Tostão, ou se sente impotente para mudar alguma coisa do "tudo isso" que revolta Tostão e tantos outros?

DORA KRAMER

PMDB repõe Aécio na agenda


O Estado de S. Paulo - 19/02/2009
 
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, retomou o diálogo interrompido com o PMDB sobre a possibilidade de se candidatar pelo partido a presidente da República em 2010. Na semana passada, aproveitou uma agenda em Brasília para conversar com Michel Temer, presidente do PMDB, e com o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves.

Desta vez, o governador foi assertivo e falou em data. Disse que se até 31 de março o PSDB não resolvesse realizar as prévias para escolher o candidato a presidente ele deixaria o partido e poderia se filiar ao PMDB.

Pôs as coisas nos seguintes termos: continuaria nas próximas semanas a "bater o bumbo" em defesa das prévias e, se não conseguisse, estaria à vontade, teria motivação e discurso para sair.

Provavelmente também uma justificativa para evitar a perda do mandato de governador um ano antes do prazo de desincompatibilização, por causa da restrição legal à troca de partidos.

O discurso de Aécio, caso viesse mesmo a concretizar a decisão, incluiria a denúncia da "ditadura das elites partidárias" e o anúncio da disposição de cumprir o destino desejado "pelo povo de Minas", além da retomada da trajetória do tio-avô, Tancredo Neves, interrompida pela morte antes da posse na Presidência, em abril de 1985. 

Talvez não por coincidência o governador tenha dado o prazo de 31 de março na conversa com o PMDB. Teria abril à disposição caso a providência se fizesse necessária.

O PMDB, cujo presidente, Michel Temer, dias antes considerara "fato vencido" a hipótese de Aécio Neves trocar de partido, deu à conversa a devida proporção: acha que há mais chance de o PSDB ceder para Aécio ficar que os tucanos comprarem uma briga do tamanho do segundo colégio eleitoral Brasil. 

De qualquer modo, os pemedebistas se sentiram fortalecidos. Começaram a sonhar com palanques regionais robustos, livres da dicotomia PSDB-PT e com uma candidatura própria passível de vir a conquistar o apoio do presidente Luiz Inácio da Silva como alternativa a Dilma Rousseff. 

Um acréscimo considerável ao cacife político do partido e um sinal de que a sorte definitivamente se decidira por uma aliança com o PMDB, um colecionador de vitórias.

O estigma

Assim estava em regozijo o espírito pemedebista até o fim de semana passado, quando a entrevista do senador Jarbas Vasconcelos à Veja tachando o partido de "corrupto" fez baixar a apreensão e acendeu a desconfiança. 

Teria o senador escolhido estrategicamente esse momento de glória para dizer de público o que há muito diz em particular?

Se o lance obedeceu a uma lógica política, entraria ele nesse jogo desguarnecido, sem munição suficiente para revidar a um contra-ataque imprudente? 

Sob a marca de "corrupto" impressa na testa por um correligionário, o PMDB não veria se esvaziar seu papel até agora tido como decisivo na definição dos rumos da sucessão presidencial?

E Aécio Neves, ficaria tão à vontade para entrar no partido, como dissera havia poucos dias, se à legenda fosse pregado o estigma de má companhia? 

Logo agora que corria tudo bem e o País já se esquecera daquele dia de dezembro de 2002 quando o recém-eleito Luiz Inácio da Silva desistira na última hora de entregar três ministérios ao PMDB por não considerá-lo à altura do governo "plural" e imune a "feudos" com o qual iniciaria a era da mudança.

O mal-estar, o constrangimento e a cautela pautaram a decisão da Executiva do PMDB de sair pela tangente com uma nota oficial de sete linhas totalmente anódinas. 

Qualquer movimento brusco poderia ser fatal.

Havia dois caminhos a seguir: partir para a briga de rua na base da desqualificação do senador ou questionar ponto a ponto as acusações, exigir provas e perguntar a ele por que não fizera denúncias formais aos canais competentes.

Uma terceira possibilidade foi sugerida - a intervenção da Executiva Nacional no diretório regional de Pernambuco, sob a alegação de mau desempenho político-eleitoral -, mas, por ora, arquivada. 

Analisadas as perdas e os ganhos, decidiu-se tentar não provocar, trabalhar em silêncio para a poeira baixar e esperar o carnaval passar.

Do PMDB diga-se tudo, menos que lhe falta senso de realidade para perceber que Jarbas Vasconcelos prega em terreno fértil, atira em dois símbolos do estigma (José Sarney e Renan Calheiros) e, por mais dispersas que possam ser suas razões para bater, o partido sabe precisamente porque apanha. 

Assim é

Autoridades governamentais, partidárias e parlamentares, situacionistas e oposicionistas, cumprem o acerto tácito de formalizar o vácuo em torno das declarações do senador Jarbas Vasconcelos sobre o PMDB.

É de se notar, porém, que, se todas elas evitaram corroborar as afirmações, nenhuma delas tampouco se dispôs a oferecer as mãos ao fogo em prol do desmentido.

FERNANDA KRAKOVICS

Além PAC

Panorama Político 

O Globo - 19/02/2009
 

O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) vai incluir as empresas estaduais de energia no fundo garantidor de empreendimentos do setor elétrico. Os governos estaduais, no entanto, terão de pôr dinheiro. Cunha é relator da MP que cria o fundo, considerado fundamental para o PAC. Há ainda forte lobby para que as garantias dadas a financiamentos concedidos por instituições financeiras federais sejam estendidas a fontes de financiamento privado e organismos multilaterais. 

Inversão de papéis 

A oposição reclama que a base do governo usurpou suas funções no Senado desde a abertura do ano legislativo. Os partidos da base aliada estão obstruindo os trabalhos devido à disputa por cargos e comissões. Primeiro foi PTB x PDT por um cargo na Mesa Diretora, agora é PTB x PT pela presidência da Comissão de Infraestrutura. "Estou achando extremamente interessante. É Kramer x Kramer", ironizou o líder do DEM, senador José Agripino (RN). O PTB, pivô da discórdia, é o partido do ministro José Múcio, responsável pela articulação política do governo. Ele não tem ascendência sobre o partido. 

Se fosse uma ata do Banco Central sobre a taxa de juros, diria que é mais do mesmo, com tendência de piora acentuada" - Arnaldo Madeira, deputado (PSDB-SP), sobre a proposta de reforma política do governo 

FALTA ROSQUINHA. O ministro Guido Mantega (Fazenda) discorria ontem sobre a recuperação de alguns setores da economia, na reunião do conselho político, quando foi interrompido pelo líder do PR, deputado Sandro Mabel (GO). "Na minha empresa estamos trabalhando até aos domingos", disse o deputado. "Está faltando rosquinha no Brasil. Isso é que dá não acreditar na política econômica brasileira", brincou Mantega. 

Ladainha 

O presidente Lula prometeu aos aliados ontem, mais uma vez, diminuir o uso de medidas provisórias. Mas alegou que elas são necessárias devido ao ritmo do Congresso, onde um projeto de lei leva mais de um ano para ser aprovado.

Incansável 

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) aproveitou reunião com parlamentares italianos anteontem, no Ministério da Justiça, sobre o caso Cesare Battisti, para distribuir exemplares de seu livro sobre a renda básica de cidadania. 

Presidente Lula dialoga com o PSDB 

Em almoço no Itamaraty anteontem com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, o presidente Lula pediu ao líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), a aprovação da entrada da Venezuela no Mercosul. O tucano reiterou que seu partido é contra. "Mas são R$6 bilhões de fluxo comercial entre os dois países", insistiu Lula. Virgílio defendeu que a manutenção das relações comerciais não depende da entrada da Venezuela no bloco. 

Contrapartida ambiental 

Assim como as centrais sindicais, que exigiram garantia de emprego, o líder do PV, deputado Sarney Filho (MA), pediu ontem ao governo condicionantes ambientais nas medidas anticrise. No pacote da construção civil, defendeu que as casas tenham aquecimento solar. O ministro Guido Mantega pediu a ele uma planilha de custos. E nos incentivos para a indústria automobilística, o deputado defendeu como contrapartida a pesquisa de combustíveis menos poluentes. 

CARNAVAL. Além de assistir ao desfile da Beija-Flor, o presidente Lula deve ficar no Rio nos quatro dias de Carnaval. Ele deve passar o feriado na base da Marinha na Restinga da Marambaia. 

ESTREIA. O líder do PMDB, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), estreou ontem no conselho político. Preferiu uma atuação discreta. Ficou calado. 

DREW WESTEN, um dos coordenadores da campanha de Barack Obama, fará palestra para PSDB e DEM em março. Ele é autor do livro "O cérebro político: o papel da emoção na decisão dos destinos do país".

OS IDIOTAS



QUINTA NOS JORNAIS

Globo: Hidrelétrica privada terá 69% de recursos públicos

 

Folha: Carga dos impostos aumenta e bate recorde

 

Estado: Pacote imobiliário de Obama ajudará 9 milhões de famílias

 

JB: Rio resiste à crise

 

Correio: 6 mil vagas no serviço público

 

Valor: Desvios na política regional deixam buraco de R$ 12,2 bi

 

Gazeta Mercantil: Varejo prevê inflação com novo ICMS

 

Estado de Minas: Chefe de bando matou até senador

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

MÓNICA BÉRGAMO

COBRA E PAPAGAIO


Folha de S. Paulo - 18/02/2009
 

O Ibama de SP vai convocar uma reunião com todas as emissoras de televisão neste semestre. Pretende alertar sobre os limites do uso de animais silvestres em programas de TV. Segundo o órgão, as imagens podem deseducar o telespectador, pois sempre que são exibidas, chovem ligações de interessados em adquirir bichos não-domésticos. Como a compra legal envolve burocracias e preço alto, teme-se que o público procure o mercado negro.

FÊNIX
A Biblioteca Nacional acaba de conseguir a liberação de R$ 370 mil do BNDES para a restauração de 120 obras raras que estão fora de consulta pública. Entre os primeiros itens a serem tratados está o livro "Divina Proportione", que contém ilustrações feitas por Leonardo da Vinci e foi escrito em 1509 por Luca Pacioli. A segunda etapa do projeto inclui a digitalização das obras.

DEMO-COMUNISTA
O ministro do Esporte, Orlando Silva, e o secretário municipal de Esportes, Walter Feldman (PSDB-SP), costuram uma aproximação entre o PC do B paulistano e o prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP). O trio almoçou na segunda-feira com os vereadores do partido, Netinho de Paula e Jamil Murad. "Vamos defender nossos ideais, mas sem fazer oposição irracional. Será uma experiência nova", diz Netinho.

MOBÍLIA
O presidente do Senado, José Sarney, decidiu que não ocupará a residência oficial a que teria direito. Ele tem uma casa no Lago Sul de Brasília e vai continuar morando lá.

PROCURA-SE 
E Sarney continua em busca de um porta-voz. O jornalista Carlos Marchi, convidado para o cargo, tinha decidido ontem recusar a proposta.

LADRÕES, CANALHAS, CORRUPTOS....


FERNANDO RODRIGUES

Simulacro de transparência


Folha de S. Paulo - 18/02/2009
 

Os deputados e os senadores ganham uma bolada extra por mês. Além dos salários, embolsam mais R$ 15 mil para gastar praticamente como bem entenderem. Apresentam notas fiscais mantidas em sigilo absoluto. 
Tudo ia bem até o deputado do castelo, Edmar Moreira, comunicar o consumo de R$ 140 mil em 2008 com segurança privada -logo ele, cuja fortuna deriva desse setor. 
Pressionado, o mundinho político adotou uma variável da máxima de Lampedusa: simulou mudanças para manter tudo como está. A Câmara decidiu e o Senado copiará a seguinte ideia: daqui a 45 dias, passarão a divulgar os valores das notas fiscais e os nomes dos fornecedores. CNPJs e fac-símiles dos recibos? Nem pensar. O simulacro de transparência não chega a tanto. 
O prazo de 45 dias é injustificável do ponto de vista gerencial. Se há desejo de divulgar os dados, nada impediria alguns dos 30 mil funcionários do Congresso de fazer o serviço em um ou dois dias. 
Trata-se de operação de baixa complexidade -digitar nomes e números. Deputados e senadores discordam. Analfabetos em informática, propagam a noção de que seria tudo complicadíssimo. 
Complicado é proteger atos espúrios, como foi a decisão de ontem, de estabelecer o esquecimento oficial de notas fiscais de anos anteriores. Nada do passado será divulgado. Irregularidades cometidas estão perdoadas. Essa autoanistia ainda vem com o bônus de 45 dias de prazo para todos terem tempo de encontrar recibos quentes. 
É uma decisão corajosa. Mas deputados e senadores nunca perdem viagem quando apostam na abulia popular. O Carnaval está aí para esfriar os ânimos. Assim, o arquivo morto do Congresso receberá, de uma só vez, as notas fiscais antigas e a capacidade dos políticos de sentirem vergonha por atos tão antirrepublicanos como esse.

ANCELMO GOIS

No mais


O Globo - 18/02/2009
 

Será que Lula, que fala dia sim e outro também sobre qualquer assunto em qualquer palanque - de brasileira metida em confusão na Suíça a italiano metido em confusão no Brasil -, tem algo a dizer sobre as acusações de corrupção feitas por Jarbas Vasconcelos?

GOSTOSA



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DORA KRAMER

Degeneração progressiva

O Estado de São Paulo - 18/02/09

A despeito das disposições em contrário, ainda há gente – e muita – de bem fazendo política no Brasil. Inclusive no PMDB. É mesmo o que se depreende da afirmação do senador Jarbas Vasconcelos quando se refere na entrevista à revista Veja ao interesse de “boa parte do PMDB” em usar o partido para fazer corrupção e fisiologismo.

Isso quer dizer que outra “parte” está fora disso. Como é mais silenciosa, não está todo dia no noticiário reivindicando cargos, protagonizando escândalos, armando jogos de pressão, participando dos mais insidiosos conchavos, acaba integrando um todo de imagem nefasta.

A essa parcela muito provavelmente desconforta mais a reação anódina da Executiva à entrevista do senador do que propriamente as declarações dele.

Ao não esboçar defesa, a cúpula do PMDB deixa o que ainda lhe resta de saudável exposto ao sol e ao sereno. Confirma a impressão de que não responde porque não tem resposta.

A generalização da má fama não é invenção de Jarbas Vasconcelos, que nem de longe pode ser responsabilizado por tudo o que de mal se fala a respeito do PMDB. É produto de uma série de escolhas, do afrouxamento de padrões de qualidade no exercício da atividade pública.

O processo de degenerescência começou no primeiro governo civil pós-64 com a transformação da distribuição de poder entre os fundadores da Nova República, arquitetado por Tancredo Neves, em um acintoso “é dando que se recebe” no governo José Sarney e consolidado durante a Assembleia Nacional Constituinte (1987–1988) para assegurar cinco anos de mandato ao então presidente.

De lá para cá o PMDB foi se reconstruindo. Abandonou a feição de frente de resistência à ditadura, de gerador de movimentos como o das Diretas Já, para assumir o perfil de confederação de interesses regionais, agora uma grande organização com objetivo centralizado de se incrustar em definitivo nas estruturas de poder de todas as esferas, municipal, estadual e federal.

Por artimanha do destino, o MDB que serviu de abrigo aos opositores do regime militar se transformou na democracia no PMDB desenhado à imagem e semelhança da versão preferida do autoritarismo para sistemas democráticos e sua base de representação política.

Os ditadores menosprezam os políticos, os autoritários se regozijam desqualificando uma atividade cujo princípio é dos mais nobres: o equilíbrio das vontades. Sem ela, prevalece a força.

Lamentável sob todos os aspectos é que não só o PMDB, mas os outros partidos e uma ala considerável da sociedade informada e influente não se deem conta da importância do tema levantado pelo senador Jarbas Vasconcelos, preferindo ignorá-lo ou questionar suas motivações.

Sejam elas quais forem, não modificam a realidade: o descrédito crescente com a política motivado por um comportamento deformado, referido na obtenção de vantagens. Isso inclui partidos governistas e oposicionistas.

Não por acaso todos mantiveram um silêncio reverencial, buscando pelos cantos desvendar as razões do senador, agindo como se o conteúdo das declarações guardasse relação exclusiva com a economia doméstica do PMDB, quando o assunto é do interesse de todos (até de quem não sabe que é) e em algum momento terá de ser enfrentado com seriedade.

Ao bispo

A nota do PMDB de resposta a Jarbas Vasconcelos não saiu ao gosto dos senadores Renan Calheiros e José Sarney, os únicos políticos citados nominalmente na entrevista à Veja.

O presidente do Senado e o líder do partido na Casa queriam que a Executiva fosse mais assertiva na defesa da honra de ambos. Sarney foi chamado de “retrógrado” e Calheiros acusado de não ter moral para ser senador.

Ainda assim, a cúpula preferiu dizer que as acusações eram “genéricas”. Por um motivo: não comprometer ainda mais a já tão comprometida legenda com duas figuras tão estigmatizadas na opinião pública.

Sem contar a rasteira que Sarney e Calheiros tentaram dar na candidatura do presidente do partido, Michel Temer, à presidência da Câmara, para tirá-lo do comando do PMDB.

Depois da reunião de segunda-feira durante o dia, uma nova tentativa de pressão em prol da tomada de dores foi feita à noite na casa da senadora Roseana Sarney. Inútil, porém.

Duas vidas

O deputado Eduardo Cunha foi dos primeiros a defender a saída de Jarbas Vasconcelos do PMDB por causa da análise feita pelo senador sobre a situação em que se encontra o partido que ajudou a fundar no regime militar.

Cunha entrou mais recentemente na agremiação. Pelas mãos do ex-governador Anthony Garotinho, que o herdou do PRN, legenda que levou Fernando Collor à presidência da República em 1989 e entronizou Eduardo Cunha na vida pública, à época com a credencial de representante de Paulo César Farias (o tesoureiro) no Rio de Janeiro.

ARI CUNHA

Antecipar sem cumprir


Correio Braziliense - 18/02/2009
 

Há um vesgo nos anúncios de novas obras ou instituições do governo brasileiro. Até hoje o presidente Lula tem anunciando verbas e obras para o futuro. E nem sempre são cumpridas as previsões. Quando fala ao povo, anuncia belezas e progressos. No correr dos dias, o assunto vai ao esquecimento. Ninguém cobra. A secretária de um amigo catalogou várias dessas promessas e poucas viu cumpridas. Com a Petrobras, o presidente anunciou que vai fazer prospecção na zona do pré-sal. Ora, pelo que fomos informados, a Petrobras é especialista em prospecção de petróleo em grande profundidade. Há necessidade de encomendar plataformas próprias, navios-tanque de maior capacidade. As brocas para vencer o pré-sal têm especificações não usadas no mundo. No Atlântico Sul, a idéia é latente e não passada do computador. A crise econômica reduziu em muito os orçamenvos. 

Há outros exemplos de anúncio presidencial que entram no esquecimento. Lula se vale de sua popularidade. Jamais foi alcançada por qualquer chefe de governo. Ainda bem que o presidente vive preparado para novas surpresas, inclusive no auxílio em dinheiro para o trabalhador.


A frase que não foi pronunciada

“É contra? Fora do meu país!”
Reizinho mandão, de Ruth Rocha, encarnando no presidente Hugo Chávez.


Escambo 
Café com café se paga. Aconteceu na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados. A dívida de R$ 2 bilhões com o Funcafé poderá ser paga com 5% da produção anual. A proposta inicial é que aconteça durante 20 anos até quitar a dívida. A ideia foi apresentada por José Ximenes, do Conselho Nacional do Café. 

Acerto 
Cogita-se no governo criar um instituto que tenha a competência de tratar da legalização fundiária de escolas, prédios, hospitais. Sem sede regulamentada, nenhum projeto recebe recursos do Orçamento. 

Ruído 
Foi uma confusão a conversa sobre as reivindicações dos pequenos produtores de Castelo dos Sonhos. Depois que os prefeitos foram entender a conversa. Era outro castelo. Não o do deputado Edmar Moreira. Castelo dos Sonhos fica em Altamira, entre Santarém e Cuiabá. 

Eficiência 
Continua na Mesa do Senado Mônica Freitas. O trabalho de toda a equipe do cerimonial para a inclusão de pessoas portadoras de deficiências foi reconhecido. 

São Tomé 
Heráclito Fortes e Mão Santa têm compromisso em dezembro. Vão à inauguração do porto de Luiz Correia, no Piaui. Mão Santa liberou o recurso para a construção do porto. Heráclito até agora não viu nenhum saco de cimento. Qual São Tomé, só acredita no que vê e pega. 

Sem remediar 
Anac, DER e Marinha que tracem estratégia para diminuir os acidentes fora dos grandes centros. Helicópteros, embarcações de travessia, ônibus interestaduais irregulares aumentam a insegurança dos transportados. Só consternação pelos acidentes não adianta. Melhor prevenir. 

Cuidados 
O ministro Fernando Haddad, da Educação, entregou nas mãos do presidente Lula projeto que obriga a presença nas escolas de alunos desde os 4 anos de idade até os 17. O que parece um sonho pode vir a ser pesadelo. Falta pensar em nova estrutura.

História de Brasília

O comandante do Durango, com toda sua fleuma inglesa, perdeu, por alguns instantes, seu fair play quando viu o navio cercado pela esquadra brasileira saudando o presidente Jânio Quadros. É que o comandante, informado sobre a América do Sul, pensava que se tratasse de atentado contra o sr. Jânio Quadros, seu passageiro mais importante.(Publicado em 22/1/1961)

FERNANDA KRAKOVICS

Contra-ataque

Panorama Político 

O Globo - 18/02/2009
 

Partindo do diagnóstico de que está sem foco e perdendo a batalha de comunicação contra o presidente Lula, o PSDB montou um núcleo para acompanhar as ações do governo e apontar suas contradições. Serão fiscalizados o andamento das obras do PAC, as ações da Petrobras e o perfil do gasto público. E serão feitas pesquisas de opinião para medir como a crise está afetando o país. 

O debate sobre a crise 

Na primeira reunião do Conselho Político neste ano, os novos líderes da base aliada no Congresso serão municiados hoje com dados para defender o governo no debate sobre a crise. O ministro Guido Mantega (Fazenda) fará uma análise da conjuntura, destacando a reação de setores como automobilístico, construção civil e alimentos. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deve ser cobrado por um aumento maior no ritmo de redução da taxa básica de juros. E o presidente Lula deve dizer que o país passa pela fase mais intensa da crise neste momento e que o quadro deve melhorar a partir de setembro. 

Ninguém precisa forçar a porta. Ela está aberta. Vai ter prévias" - Sérgio Guerra, presidente do PSDB, depois que José Serra aceitou disputar com Aécio Neves 

CANDIDATÍSSIMA. A faixa acima, defendendo a candidatura de Dilma Rousseff, estava pendurada na cerca do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília, inaugurado ontem pelo presidente Lula. Já vestindo o modelito de candidata, Dilma se dispôs a falar ontem com a imprensa, após solenidade no Palácio do Planalto. Ela mudou de tom ao ser perguntada sobre a acusação de que o PMDB se especializou em corrupção, feita por Jarbas Vasconcelos: "Ah, não, gente. Tem dó". 

Desemprego 

A expectativa das centrais sindicais é que o Caged de janeiro, que será divulgado amanhã, ainda será negativo. Em dezembro foram fechados 654 mil postos de trabalho. Já em janeiro de 2008, foram criadas mais de 142 mil vagas.

Metralhadora 

A avaliação de governistas e da oposição é que Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) cometeu dois erros para a campanha de José Serra: bater no Bolsa Família e, ao generalizar os ataques, dificultar uma aliança mais ampla com o PMDB. 

Blindagem 

O presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), não vai permitir ao Tribunal de Contas da União o acesso às notas fiscais da verba indenizatória dos deputados. O procurador do Ministério Público junto ao TCU, Marinus Marsico, requisitou os comprovantes de 2007 e 2008 do deputado Edmar Moreira (sem partido-MG). Esse trabalho será feito apenas pela Corregedoria da Câmara. 

Desafinados 

Enquanto a direção do PSDB se esforça para pôr o partido nos trilhos, deputados tucanos colocaram em prática ontem sua dissidência votando contra a orientação do líder José Aníbal (SP). Ele anunciou que a bancada estava em obstrução, mas 12 votaram a favor da retirada de pauta de uma medida provisória, entre eles os paulistas Paulo Renato, Arnaldo Madeira e Antonio Carlos Pannunzio. O grupo também mudou de lugar no plenário: agora senta no fundo. 

NOSSA HILLARY. Os tucanos estão chamando o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que será presidente da Comissão de Relações Exteriores, de "a nossa Hillary". 

A DIRETORA da Anvisa Maria Cecília Brito deve ser reconduzida ao cargo. Ela foi indicada pelo então senador Maguito Vilela (PMDB-GO). 

DISPUTAM a presidência da Comissão de Educação da Câmara as petistas Maria do Rosário (RS) e Fátima Bezerra (RN).

BRASÍLIA - DF

Pauta preventiva


Correio Braziliense - 18/02/2009
 

Kleber sales/CB/D.A Press
 
 
Na reunião que terá hoje com o conselho político, o governo pretende começar a definir uma série de projetos para votação e, com isso, evitar que o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), termine por colocar em pauta propostas que não gostaria de ver aprovadas, caso do fator previdenciário e da vinculação do reajuste das aposentadorias ao do salário mínimo. E, para atrair os parlamentares a essa empreitada, o Poder Executivo incluiu no pacote iniciativas dos deputados, caso do cadastro positivo, proposto por William Woo (PSDB-SP). No rol, está ainda a nova lei das agências reguladoras, o papel de estados, municípios e União na gestão previdenciária e a licença médica por parte do INSS. A ordem é deixar os deputados tão ocupados que não haverá espaço para análise de algo fora da agenda governamental. Se vai colar, o tempo dirá.


De olho

Para evitar dúvidas no parecer do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) sobre a MP 450, aquela que permite ao Poder Executivo atuar como fundo garantidor para empreendimentos de geração de energia elétrica, o Ministério de Minas e Energia chamou o relator para um encontro hoje cedo. Sabe como é, onde o PMDB do Senado comanda, caso do MME, eles não querem os deputados do partido atuando em carreira solo. 

Assim não

Entidades e conselhos ligados às áreas de saúde e de seguridade social se mobilizam para se opor à aprovação da reforma tributária. Argumentam que o texto do relator Sandro Mabel (PR-GO) deixa descoberta a rede de proteção social, hoje financiada pelas contribuições que seriam extintas com a aprovação da matéria. O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), agendou encontro em 4 de março para ouvir as ponderações do setor. 

Só pra contrariar

A ala dissidente tucana na Câmara exerceu ontem pela primeira vez sua autonomia desde a reeleição de José Aníbal (SP) ao posto de líder do PSDB. Em três oportunidades,18 votaram contra a orientação oficial da bancada. Quando era para obstruir, votaram sim e por aí foi. 

Duas versões

A prévia entre Aécio Neves (MG) e José Serra (SP) começa a dividir ainda mais o PSDB: “Não dá para, neste ano de 2009, com a crise que está aí, tirar os governadores de seus estados para percorrer o país em campanha. A eleição é só no ano que vem. Falo isso como eleitor de José Serra, que está na frente nas pesquisas”, diz o deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA). “Isso não é problema para quem tem equipe. O vice-governador não vai assumir no ano que vem? Então, já começa a tomar pé desde já enquanto os dois governadores percorrem o país. Eles devem isso ao partido”, afirma o deputado Nárcio Rodrigues (MG). 

Vai sobrar...

O mesmo PTB que há dois dias brigava com o PSDB pela Comissão de Relações Exteriores do Senado voltou suas bateiras contra o aliado PT, que deseja a Comissão de Infraestrutura. Já tem gente no PT correndo para ver se o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, resolve essa parada. O Senado, realmente, ainda não engatou nesse período pré-carnaval. 

No cafezinho
Hiram Vargas/Esp. CB/D.A Press - 9/9/08
 
 

Ferino/ O deputado Ciro Gomes (foto) decidiu entrar na polêmica da entrevista de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e do seu jeito: “Não sei por que a cúpula do PMDB está aborrecida com Jarbas. Afinal, se eles juntarem 20 políticos decentes e honestos, basta fazer um manifesto protestando contra o que disse o senador, não entendo qual é a dificuldade”, diz com um sorriso pra lá de maroto. 

Gente forte/ Das três comissões que ficaram para os deputados do PMDB, duas têm as bênçãos da bancada do partido no Rio de Janeiro: a de Minas e Energia ficará com Bernardo Ariston ou Edson Ezequiel, a ser decidido pelo grupo. A de Constituição e Justiça (CCJ) ficou para Tadeu Fillippeli (DF), com o apoio da turma do Rio. A terceira, de Seguridade Social, ficará com a deputada Elcione Barbalho (PA), recompensada por ter desistido de concorrer a um cargo na Mesa Diretora, o que ajudou a eleger Michel Temer. 

Ai, que saudade!/ Chegaram a tal ponto de ebulição as disputas em torno das comissões do Senado que o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), tem se embananado ao comentar o assunto. “Eu, como presidente da República, não posso ser o coordenador desse processo”, confundiu-se ontem a velha raposa, enquanto falava aos colegas no plenário. 

Tudo em família/ O Democratas da Câmara ofereceu ao deputado Fábio Souto (BA) a presidência da Comissão de Agricultura da Casa. Mais do que atender a um pedido da vitaminada bancada baiana, o gesto tem como destinatário o ex-governador Paulo Souto, há meses alvo de flertes dos tucanos da boa terra que sonham em lançá-lo ao Palácio de Ondina em 2010. 

RUY CASTRO

O ovo na legalidade

Folha de São Paulo - 18/02/09


RIO DE JANEIRO - É a mais completa reabilitação de um suposto criminoso na história da humanidade. O ovo -o querido ovo, o fruto da galinha (às vezes, com participação do galo como astro convidado), objeto cujo design é uma maravilha de projeto e acabamento-, volta ao círculo social depois de décadas como inimigo público nº 1.
Durante quase toda a segunda metade do século 20, médicos e cientistas dedicaram-se a acusar o ovo dos piores crimes contra o coração e a responsabilizá-lo pela elevação dos níveis de colesterol a placares de basquete americano. Quem fosse cardíaco, não chegasse perto; quem não fosse, idem, para prevenir. Às galinhas só restava submeter-se ao holocausto reservado à sua espécie e ao opróbrio para o seu produto.
Pois, desde algum tempo, depois de pesquisas mais sérias e profundas, esses mesmos médicos e cientistas começaram a emitir sinais de que talvez tivessem sido injustos com o ovo. E, na semana passada, saiu o relatório definitivo da Universidade de Surrey, na Inglaterra: o ovo não faz o menor mal à saúde -ao contrário, é riquíssimo em nutrientes- e pode ser comido na legalidade e em qualquer quantidade. Só faltam dar-lhe a medalha de alimento do ano.
Ótimo, ótimo. Mas cabe a pergunta: E nós, que sempre fomos loucos por ovos -fritos, na manteiga, com ou sem bacon- e tivemos de nos privar deles por décadas, como ficamos? Eu, por exemplo: a uma média de três por semana, quantos ovos não deixei de comer nos últimos 30 anos? Se medido em graus de deleite, prazer ou orgasmos do paladar, a quanto não montará esse prejuízo?
Assim como certos países e regimes pediram desculpas póstumas às populações que dizimaram, a comunidade científica também nos deve um pedido de perdão -que não sei se concederei.

ÉLIO GASPARI

Alto lá, Jarbas não é Roberto Jefferson
Folha de São Paulo - 18/02/09

O PMDB ofendeu a Lei de Serpico: "É o policial corrupto quem deve ter medo do honesto e não o contrário"


O PMDB OFENDEU-SE com a entrevista que o senador Jarbas Vasconcelos deu ao repórter Otávio Cabral. Um dos seus caciques, o deputado Eduardo Cunha (RJ) indignou-se: "Ele generalizou e não deve se sentir confortável no PMDB depois das críticas. Deve sair".
A reação de Cunha ofendeu a Lei de Serpico, o detetive americano (Al Pacino no filme) que levou um tiro na cara durante uma diligência contra traficantes acumpliciados com seus colegas: "É o policial corrupto quem deve ter medo do honesto e não o contrário".
O que disse Jarbas?
"O PMDB é um partido sem bandeiras, sem propostas, sem um norte. É uma confederação de líderes regionais, cada um com seu interesse, sendo que mais de 90% deles praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos."
O que se pode dizer do deputado Eduardo Cunha?
O doutor tem 40 anos, está no seu segundo mandato federal e o PMDB é seu terceiro domicílio partidário. Cunha começou sua carreira pública presidindo a falecida Telerj (1991-1993), durante o governo de Fernando Collor, e a Companhia Estadual de Habitação do Rio de Janeiro (1999-2000), durante o mandarinato de Anthony Garotinho. Sua contribuição republicana para o governo Lula foi a indicação do arquiteto Luiz Paulo Conde para a presidência das Centrais Elétricas de Furnas. Nas suas cercanias fica o fundo de pensão dos funcionários, o Real Grandeza, com ativos de R$ 5,8 bilhões ao final de 2007.
No collorato, Cunha era respeitado pelo acesso que tinha ao empresário-tesoureiro Paulo César Farias. Na virada petista, era visto por Rosinha Garotinho como intermediário fiel em algumas negociações com o PT. Em 2005, numa transação que poderia sepultar a criação da CPI dos Correios, foi desatendido pelo Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Bernard Appy.
Cunha lidera com descortínio parte da bancada de deputados federais do PMDB. Quando necessário, atua em sintonia com o governador Sérgio Cabral, outro crítico das generalizações de Jarbas. Recentemente, Ronaldo Monteiro Francisco, irmão caçula de Roberto Jefferson, foi nomeado por Cabral para a presidência de uma empresa estatal. O ex-deputado, nacionalmente conhecido desde que implodiu as caixas do mensalão, lavou as mãos e atribuiu a escolha às "qualidades intelectuais e relações políticas de meu irmão" bem como "à amizade de Sérgio e Eduardo Cunha".
O deputado foi inquilino do doleiro Lúcio Funaro, um dos coadjuvantes da crise do mensalão. Explicando-se, disse que se tratava de um aluguel inocente. Quando lhe atribuem nomeações em diretorias de Furnas, da Caixa ou da Petrobras, responde: "Estão exagerando. Eu só indiquei o Luiz Paulo Conde para Furnas. Os outros foram indicados pelas bancadas e eu apenas apoiei".
As críticas de Jarbas Vasconcelos às práticas de uma banda (e que banda) do PMDB diferem das denúncias de Roberto Jefferson porque vêm de fora para dentro das caixas amigas. Todos os seus críticos sabem do que ele está falando e não querem saber de falar nisso. Michel Temer, presidente do partido e da Câmara dos Deputados, diz que elas não têm "especificidade". Se a generalização foi infame, Temer pegou leve. Se não se quer especificar, daqui a pouco começa o Carnaval e, quem sabe, muda-se de assunto.

O IDIOTA


QUARTA NOS JORNAIS

Globo: Montadoras pedem mais US$ 21 bilhões a Obama

 

Folha: Montadoras dos EUA preveem maos 50 mil demissões

 

Estadão: Montadoras dos EUA pedem mais US$ 21,6 bi

 

JB: Governador caça quem protege o meio ambiente

 

Correio: Câmara abre caixa-preta. Mas não muito...

 

Valor: Capital externo volta, mas bolsa tem queda de 4,77%

 

Gazeta Mercantil: Cinco mil advogados se unem contra Madoff

 

Estado de Minas: Cerco ao novo cangaço

 

Jornal do Commercio: Vai com tudo, Leão!