sábado, janeiro 24, 2009

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO

REVISTA VEJA

Roberto Pompeu de Toledo
A reinvenção do rei

"O presidente dos Estados Unidos, à semelhança dos antigos monarcas, apresenta-se como herdeiro de uma história e continuador de uma linhagem"

O presidente dos Estados Unidos é o mais bem-sucedido sucedâneo do rei já concebido pela engenharia política. Eleger um chefe é o passo natural dado pelos primitivos agrupamentos humanos, tão logo se elevam a um grau mínimo de organização. Fazer do chefe um rei, ungindo-o com a mística de um ser especial, por cujas veias corre sangue de cor diferente, e que goza de conexão privilegiada com o divino, é o passo seguinte. Muito mais adiante, quando o cérebro do bicho-homem passa a antepor a razão à superstição e o direito ao arbítrio, a figura do rei entra em obsolescência. Já não se acredita em seres especiais. Mas como, sem um personagem central, investido de suprema autoridade e confirmado pelo sagrado, evitar a anarquia e a dispersão? Os fundadores da nação americana, em resposta a esse temor, inventaram o presidencialismo e, no centro, puseram a figura do presidente. A cerimônia da semana passada em Washington foi a coroação de um rei sem coroa, eleito pelo voto do povo e com mandato fixo – mas de toda forma uma cerimônia de coroação, mais bonita e mais bafejada pela mística do que as cerimônias em muitos dos países que ainda cultuam um rei.

Entre a proclamação da independência, em 1776, e a promulgação da Constituição, em 1787, os EUA não existiram como unidade, mas como frouxa aliança entre as antigas treze colônias inglesas. Quando se chegou à conclusão de que mais valia criar um país único, e para tal instituiu-se um governo central, optou-se pela república, um sistema pedestre e democrático, em lugar da solene e autocrática monarquia, mas com concessões aos antigos costumes. Um comitê do Senado, temendo que a singela fórmula "presidente George Washington" diminuísse o prestígio do primeiro presidente da nação, concedeu-lhe o título de "Sua Alteza o Presidente dos Estados Unidos e Protetor dos Direitos dos Iguais".

Hoje o presidente dos EUA não é "sua alteza", mas, à semelhança dos reis, apresenta-se como herdeiro de uma história e continuador de uma linhagem. Foi isso, sobretudo – mais que o passeio a pé pela avenida, o juramento, a multidão, os desfiles militares ou os bailes –, que conferiu à cerimônia da semana passada uma mística que outros regimes presidencialistas, a começar pelos da América Latina, estão longe de poder apresentar. No cenário pontilhado pela Casa Branca e pelo Capitólio, pelo monumento a Washington e pelo memorial de Lincoln, mais de 200 anos de história contemplavam o novo presidente. Desde o primeiro minuto no cargo, envolvia-o um entorno que, como outrora aos reis, em Versalhes ou em Windsor, intimava à integração e ao respeito.

Barack Obama é o 44º presidente dos EUA. Não se inscreve numa estirpe como a das monarquias, tecida pelo sangue, mas numa linhagem que, resultante de uma construção institucional respeitada sem interrupção, proporciona uma sucessão impecavelmente regular e previsível. Em outros países a linhagem se anula pelas guerras, golpes e revoluções. No Brasil, tantas são as dúvidas (Ranieri Mazzilli, que assumiu interinamente duas vezes, conta? Juntas militares valem por um ou por três?) que Lula pode ser considerado qualquer coisa entre o 31º presidente e o quadragésimo e pico.

E no entanto, numa cerimônia tão embebida de passado como a da semana passada, dá-se um salto para o futuro. Há uma continuidade entre o primeiro presidente e o 44º, mas numa linha que vai de um presidente proprietário de escravos a um presidente negro. Eis o segredo dos EUA. A estabilidade institucional é o trampolim do qual se dá o salto para a renovação. Nós, latino-americanos, babamos de inveja.

P.S.: E por falar em renovação… O discurso de posse, menos literário do que se poderia esperar de Obama, mas elegante e preciso, primou por duas espetaculares  sim, espetaculares  novidades. A primeira foram acenos de paz que contemplaram desde "o mundo muçulmano" (objeto preferencial da "guerra ao terror" de George W. Bush) até os "antigos inimigos" (Coreia do Norte? Irã?  o "eixo do mal" de Bush?) com quem Obama espera trabalhar contra a proliferação das armas nucleares. A segunda foi a definição dos EUA como um país de cristãos, muçulmanos, judeus, hindus  "e não crentes". Eis os ateus contemplados, na pia América do Norte, num discurso presidencial! E ainda por cima na sequência do governo Bush, em que se rezava nas reuniões e em que políticas como a das células-tronco e a do ensino do evolucionismo eram contaminadas pelo fundamentalismo cristão.

SAÚDE EM NATAL


SÁBADO NOS JORNAIS

Folha: Petrobras anuncia plano recorde de investimento 

Estadão: Brasil faz célula-tronco sem embrião

JB: Lei seca no maracanã

Valor: Término de concessões nos portos preocupa empresas

Gazeta Mercantil: Reestruturada, TIM vai brigar pela liderança

Estado de Minas: Grande BH terá piscinões para evitar enchentes

sexta-feira, janeiro 23, 2009

COMIDA PARA SEXTA FEIRA


GOSTOSA

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FIM DE SEMANA EM NATAL

Roteiro: humor em dose dupla


Música e festas

Música no Terraço
A programação do Terraço do Relógio do Sesc para hoje começa às 19h e segue até às 22h, com o show do cantor Juca Camargo. O Sesc Centro fica na rua Junqueira Aires, s/n. Centro. A entrada é gratuita.

Forró na BR
O circuito Pé de Serra tem continuidade hoje no palco do Forró do Jerimum (BR 101 - em frente ao posto do Dudu), com o Trio de Zé Moré e o Trio Bicho no Mato. A festa começa às 19h e se encerra às 2h. O ingresso custa R$ 10.

Programa no Peper’s
A programação do Sgtº Peper’s de Petrópolis começa às 22h de hoje, com a banda Revolver. Amanhã tem DJ Magão e convidados. No sábado se apresenta no local a Banda Café. No Sgtº Peper’s de Ponta Negra, no sábado tem show da banda Yanks. Toda programação começa às 22h.

Festa no Aprecie
Na Sexta Rock Revival do Aprecie Pub (Rua das Algas 2282, em frente a praça do Alagamar - Ponta Negra), a partir das 23h de hoje tem show com Zack Glass, nova iorquino com diversas passagens pelo Brasil. Ele é filho do renomado compositor e produtor musical Philip Glass. Na mesma noite também haverá show com Kentucky. A entrada custa R$ 10 e o evento começa às 22h. Amanhã, às 23h, tem a festa Vitrola, com muito rock, blues e country rock. A entrada também custa R$ 10.

Música no Orla Sul
Nesta sexta, a programação musical do Orla Sul começa às 18h, com o grupo Toca Trio, seguido por André Leli que apresenta um repertório de MP a partir das 19h e do Lual do Boteco, às 22h. No sábado tem Giovanne Martins, às 12h; samba a partir das 16h, Lavu e Moura no piano e violão, respectivamente, às 18h, e Elielson com repertório pop e de MPB, às 19h. No domingo tem Olga Spínola fazendo show de MPB e músicas internacionais a partir das 12h30.

Show dos Beatles
Amanhã Natal recebe, pela primeira vez, o premiado musical Beatles Abbey Road, reconhecido como um dos maiores musicais sobre os Beatles do mundo, e referendado pelo próprio George Martin (produtor dos Beatles). O show será no Vila Hall (Hotel Vila do Mar, Via Costeira), com vendas na La Femme Lingerie, do Midway Mall (3646 3292). 

Música no Praia
A programação musical no Praia Shopping hoje conta com a voz e o talento de Khrystal, no show Coisa de Preto, a partir das 20h30. No sábado Dodora Cardoso apresenta o show Cofrinho de Amor, às 20h30. No domingo Alexandre Moreira faz a Noite Instrumental de Bandolim, às 20h. Na segunda Arnaldo Farias apresenta os Clássicos do Forró, às 20h.

Mundo Livre S.A. na praia
O Baile Barulhinho Bom hoje recebe a banda pernambucana Mundo Livre S.A. Ainda completam a festa o Camarones Orquestra Guitarrística e o Dj Magão, tocando o melhor da música brasileira. Toda a programação do baile em janeiro rola no Sancho Pub, Ponta Negra que começa às 22h.Ingresso: R$12,00 até meia noite e R$15,00 depois desse horário Informações: 3219 - 0181 OU www.sanchopub.com.br

Dança

Curso de dança
Estão abertas as inscrições para o Curso de Verão da Edtam - Dança Contemporânea, que será promovido entre 2 e 6 de fevereiro. O professora será Aírton Tenório, bailarino, coreógrafo e professor de dança. As aulas ocorrerão das 15h às 16h30, na própria Edtam. O curso custa R$ 40 e a aula avulsa R$ 15. Informações e inscrições: 9409-6655.

Balé na Capitania
A Fundação Cultural Capitania das Artes abriu uma turma de ballet voltada somente para homens, uma ação pioneira em Natal. A iniciativa do Núcleo de Dança da Funcarte, chefiado por Anízia Marques, pretende buscar novos talentos para a dança, propondo um trabalho diferenciado para o corpo masculino. Meninos e jovens entre 8 e 25 anos podem se inscrever gratuitamente até o dia 30 de janeiro, na própria Capitania. O Núcleo de Dança da Capitania das Artes também abre curso de Balé Contemporâneo para iniciantes. Os interessados em participar da turma mista (formada por homens e mulheres) podem se inscrever até o dia 6 de fevereiro na Funcarte. O curso será ministrado por professores convidados. Inscrições gratuitas. Informações: 3232-4949/4952.

Teatro

Comédia no TAM
A peça teatral Cinderela em: Vôo do riso, que tem no elenco a irreverente Cinderela interpretada por Jeison Wallace, será encenada hoje, a partir das 21h, no Teatro Alberto Maranhão. Ingressos à venda na Braz Digital (3231 3333, ao preço de R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

Teatro infantil
No próximo domingo estará em cartaz, no Teatro Alberto Maranhão, a peça infantil Os três porquinhos, a partir das 17h. Vendas ma Livraria Siciliano, do Midway Mall. A entrada custa R$ 16 (inteira) e R$ 8 (criança, estudante e idoso). Informações: 3222 4722.

Monológo no TCP
O monólogo Não matei, mas sei quem fui, interpretado pelo ator potiguar César Amorim, que também é o autor do texto, estréia hoje no Teatro de Cultura Popular, às 21h. A montagem, que tem direção de Diego Molina, também estará em cartaz neste sábado (às 21h) e domingo (às 20h) e nos dias 30 e 31 de janeiro e 1º de fevereiro. A entrada custa R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (estudante). Vendas na bilheteria do teatro.

Show Extra amanhã
O humorista Nairon Barreto decidiu prolongar suas férias em Natal. Com shows apresentados na quarta e e quinta, o criador de Zé Lezin abre uma sessão extra amanhã no Teatro Alberto Maranhão. Os ingressos para o show Zé Lezin de Férias estão à venda na bilheteria do teatro, ao preço de R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). Também pode ser adquirido no restaurante Tábua de Carne, da avenida Roberto Freire.

Eventos

Feira de artesanato
Começa sexta e prossegue até o dia 1º de fevereiro, no Pavilhão das Dunas do Centro de Convenções, a 14ªedição da Feira Internacional de Artesanato do RN, que funciona das 15h às 22h, com variada programação cultural. Além de desfiles, mostras de danças, quadrilhas juninas, mamulengo e teatro, a Fiart apresenta shows de encerramento com vários artistas. Hoje estão escalados Raniere Mendes e Forasteiros do Forró.

Férias culturais
Férias culturais do Natal Shopping, é o título da programação diária promovida até 1º de fevereiro, no referido empreendimento. Sempre das 15h às 21h, a trupe do Circo Grock comanda uma série de atividades na Praça de Eventos do shopping. 

Prospecta
Termina hoje o Prospecta, promovido na Capitania das Artes, com o objetivo de debater o panorama das Artes Visuais no Brasil por meio de oficinas, mesas redondas e mostras de vídeo arte. Hoje tem continuidade a mostra de vídeos e as mesas redondas, cujos convidados são: Flávia Vivacqua e João Natal que irão discutor ‘‘Políticas Públicas’’.

DORA KRAMER

De sedutores e ilusionistas


O Estado de S. Paulo - 23/01/2009
 

 Para todos os efeitos, PT, PMDB e PSDB atuam nas eleições das presidências da Câmara e do Senado já na condição de protagonistas da campanha eleitoral de 2010.


Mas as ações em curso não se entendem com a lógica da sucessão presidencial. Vejamos o PSDB, tido como o fiel da balança no Senado.

Diz que apoia o nome de José Sarney a fim de assegurar o apoio do PMDB ao candidato tucano a presidente da República e de não dar a presidência da Casa ao PT para não reforçar o adversário de daqui a dois anos.

Ora, se o candidato for o governador José Serra, como parece hoje, Sarney não ficará com ele em nenhuma circunstância. Ou, se ficar, será por conta dos ditames do poder, o que independe dos votos tucanos na disputa de agora.

Além disso, a adesão a Sarney não agrada, para dizer o mínimo, ao grupo do PMDB dito "da Câmara" - de vínculos estreitos com o tucanato - pelo potencial de prejuízo que essa candidatura pode causar aos planos de Michel Temer, presidente do partido, de se eleger à presidência da Câmara. 

Por que interessaria ao PSDB pôr em risco os projetos da ala amiga para agradar à inimiga? Seria se arriscar a perder o certo e não ganhar o duvidoso.

Quanto ao apoio ao PT, não seria novidade nem teria necessariamente o condão de produzir desdobramentos.

Em 2007 muito se especulou a respeito do apoio do PSDB, notadamente dos governadores José Serra e Aécio Neves ao petista Arlindo Chinaglia para a presidência da Câmara.

O PSDB alegava respeito ao princípio da proporcionalidade, sendo que o PMDB era a maior bancada da Casa. Os tucanos ponderaram, então, que seguiam o acordo firmado entre PT e PMDB para um rodízio futuro.

Ninguém acreditou. A interpretação à época foi a de que Aécio queria mesmo é ter a primeira vice-presidência, na figura do deputado Nárcio Rodrigues, e que Serra já se ajeitava com o PT com vistas a amenizar conflitos e, no ensejo, levar o PSDB à presidência da Assembleia Legislativa da Bahia, onde dispunha de dois deputados. Uma ode à proporcionalidade, não? 

O futuro chegou e aquele rodízio tão celebrado anda na corda bamba. O PMDB resolveu levar os termos do acerto ao pé da letra e ignorar que nas entrelinhas estava implícita a inclusão do Senado no acordo pelo qual a vez agora caberia ao PT na presidência.

Se não mudar de ideia nos próximos dez dias, o PSDB estará linha contrária ao compromisso que dizia seguir dois anos atrás. 

Se decisão é mesmo produto de duas intenções - não fortalecer o PT, adversário em 2010, e reforçar os músculos do PMDB com o intuito de conquistar para a candidatura Serra o partido em geral e o grupo de Sarney em particular -, então era falsa a conclusão sobre os agrados de Serra ao PT com vistas a 2010.

Ou a estratégia de 2007 não resistiu ao tempo e à imposição das circunstâncias. Do mesmo modo como as jogadas de agora podem não sobreviver aos fatos. 

Se é que o fato no horizonte é mesmo a sucessão presidencial e não uma mera disputa de poder no âmbito do Congresso. 

O método

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra chega aos 25 anos, carcomido pelo desgaste. É uma sombra do que já foi, um best-seller do passado, quando chegou a amealhar 70% do apoio da população nas pesquisas de opinião.

Muito da situação minguante se deve ao governo Luiz Inácio da Silva, o mais leniente com as ilegalidades do MST e companhia, mas o mais indiferente às reivindicações do movimento.

Talvez porque o conheça por dentro e sabe que não há reivindicações de fato em jogo. O que há é uma maneira de confrontar o Estado e a sociedade sob a ótica do conflito pelo conflito.

Objetivamente, a indulgência traduzida na indiferença resultou em perdas: redução brutal dos assentamentos, do número acampamentos, das verbas federais carreadas para a sustentação do movimento por iniciativa do governo Fernando Henrique Cardoso, compelido pelo PT a tratar com fidalguia os "movimentos sociais". Ainda que ilegais, sem razão social nem reconhecimento jurídico para escapar da responsabilidade legal.

Seria um mérito, não tivesse sido alcançado ao custo da parceria do Estado com a agressão sistemática às leis. Considerando que os fins não justificam os meios, no balanço de perdas e ganhos saiu derrotado o Estado de Direito. 

Assim é

A nomeação de Geraldo Alckmin para a Secretaria de Desenvolvimento de São Paulo não significa necessariamente a abertura da porta de acesso à candidatura para o governo do Estado em 2010.

Até poderá vir a ser, embora seja difícil. Por enquanto, quaisquer que tenham sido os termos das conversas entre o governador e o ex-governador, por enquanto Alckmin foi convidado para não criar confusão antes da hora. E, de preferência, muito menos na hora H.

EDITORIAL

Governo sem comando

O Estado de S. Paulo - 23/01/2009
 
O estilo do presidente Lula de governar, permanecendo pouco tempo em Brasília e aproveitando qualquer pretexto para fazer discursos nas mais longínquas regiões do País ou no exterior, como se estivesse permanentemente em campanha eleitoral, impede a coordenação das decisões e a ação harmoniosa dos principais órgãos da administração direta. 

A desastrada concessão do status de refugiado político ao terrorista Cesare Battisti pelo ministro da Justiça, que desprezou uma decisão contrária do Comitê Nacional para os Refugiados, ignorou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e acabou gerando uma crise diplomática com o governo italiano, foi uma amostra da desarticulação decisória do governo. Outra são as sucessivas interferências do assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, e do ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, em assuntos de política externa, à revelia do ministro do Exterior quando não contra a sua orientação. A confusão, porém, não se limita à área diplomática. A mais recente foi provocada pela tramitação do projeto do novo Código Florestal, no Congresso, onde quatro ministros vêm trombando entre si. 

Endossando várias propostas formuladas por entidades ambientalistas, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, apoia a proibição do cultivo nas margens de rios, defende a adoção de severas restrições ao desmatamento e quer que as propriedades rurais na Amazônia preservem 80% da floresta. Pressionado por ruralistas, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, quer impor a preservação de apenas 50% da floresta. Seus assessores classificam a proposta de Minc como "catastrófica" para a agricultura. 

De tanto ser criticado por ambientalistas e por Minc, Stephanes decidiu não mais participar de reuniões em dependências do Ministério do Meio Ambiente. Cansado do que chama de "versões fantasiosas" divulgadas por Minc, como informou uma reportagem do Estado, de sábado, ele exigiu que as discussões relativas aos aspectos mais polêmicos do projeto do novo Código Florestal sejam travadas em salas do Ministério da Agricultura. 

Por sua vez, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, que sempre esteve em rota de colisão com o ministro da Agricultura, agora o apoia na luta contra o ministro do Meio Ambiente, formando uma inusitada aliança política. Cassel não perdoa a Minc ter acusado o Instituto Nacional da Reforma Agrária (Incra) de ser ineficiente no combate aos desmatamentos promovidos por assentados na Amazônia e discorda da proposta dos ambientalistas de estabelecer pena mínima de 3 anos de prisão para quem plantar em encostas de morros. Se for convertida em lei, afirma Cassel, a medida poderá levar para a cadeia os pequenos agricultores que, há décadas, plantam café e frutas nas encostas. "Não dá para toda semana alguém  descobrir a Amazônia", diz o ministro. 

Para tentar fortalecer-se politicamente, o ministro do Meio Ambiente pediu à chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que o apoiasse na luta contra os ruralistas. Mas, ao mesmo tempo, ele investiu contra o ministro de Assuntos Estratégicos, que é o responsável pelo Plano Amazônia Sustentável, reclamando da morosidade com que preparou o projeto de lei que possibilitará a rápida regularização de 297 mil posses de terras na Amazônia. O problema é que, nessa questão, Dilma ficou ao lado de Mangabeira, pois pretende converter esse projeto, juntamente com as obras do Programa de Aceleração do Crescimento, em bandeira na campanha eleitoral de 2010. Enfraquecido, Minc mudou subitamente de posição. Depois de retirar o apoio à metade das propostas encaminhadas por entidades ambientalistas, ele agora quer se reaproximar de um antigo aliado, o ministro do Desenvolvimento Agrário. 

A exemplo do que ocorreu em outras acirradas polêmicas travadas por integrantes de seu governo, o presidente Lula não se pronunciou até agora sobre o novo Código Florestal nem tomou qualquer iniciativa para tentar pôr fim ao confronto interministerial que mostra a falta de comando e a confusão administrativa reinantes na Esplanada dos Ministérios. 

Sua prioridade agora, em termos de conflitos, é acabar com o do Oriente Médio.

TV - FOFOCA

Zapping

Fabíola Reipert


Cicarelli está fora da grade da Band, em 2009

A Band vai anunciar sua grade de programação para 2009, no próximo dia 28, e reunirá seu elenco para falar das novidades. O evento vai acontecer no Terraço Daslu, em São Paulo, com a presença de jornalistas. A única que não foi incluída na nova grade e não terá o que dizer seráDaniella Cicarelli. Pelo menos por enquanto, a Band não tem projeto de um novo programa para ela. Apesar de estar no ar, no "Band Verão", Cicarelli não vai participar do "Band Folia", no Carnaval. Já Adriane Galisteu, que entrou depois dela na emissora, irá para Salvador, no Carnaval, e vai estrear programa em março. Sobre Cicarelli, a assessoria da Band afirma que o novo programa dela ainda está em fase de formatação.

Vai vingar

O diretor Wolf Maya disse, durante a SP Fashion Week, que o seriado "Cinquentinha", deAguinaldo Silva, vai sair do papel. Estreia no segundo semestre deste ano.

Sessentinha

O seriado contará histórias de mulheres de 50 anos. Susana VieiraMarília Pêra e Renata Sorrahestão confirmadas no elenco. Mas elas são todas sessentonas.

Mais gente

O SBT liberou a contratação de nove profissionais (entre eles, três repórteres) para o programa vespertino "Olha Você". Já o entrosamento entre os apresentadores continua difícil nos bastidores. E no ar.

Neto reprovado

Tiago Abravanel, filho de Cíntia Abravavel e neto de Silvio Santos, esteve na Fashion Week. Ao passar pelo lounge da Oi, o ator disse que não foi aprovado para "Revelação", novela de Íris Abravanel, atual mulher de Silvio, mas não desistiu da carreira artística.

Em família

Tiago está à procura de um musical para ser produzido ao lado da mãe, diretora e produtora de teatro.

Reportagens

Nesta semana, o "Jornal Hoje" está exibindo série de reportagens com Ernesto Paglia, no Quênia. A Record fez o mesmo, em agosto do ano passado, com Heloisa Villela.

ARTIGO - O GLOBO

MST contra o Brasil

Douglas Falcão e Renato Pacca
O Globo - 23/01/2009
 

Recentes reportagens noticiam a mobilização de movimentos sociais brasileiros, patrocinada pelo Paraguai, que busca apoio para as mudanças propostas pelo presidente Fernando Lugo em relação ao contrato da hidrelétrica de Itaipu. 

Emissários do governo paraguaio vêm mantendo contato com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Confederação Única dos Trabalhadores (CUT), entre outros movimentos ligados ou simpáticos à chamada Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), criada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a fim de pressionar o governo brasileiro a aumentar o valor pago pela energia de Itaipu e reavaliar a dívida referente à obra da hidrelétrica, de modo que o Paraguai, na prática, deixe de honrar com sua parte. 

O eterno líder do MST, João Pedro Stédile, já vestiu uma improvável fantasia de embaixador informal do Paraguai no Brasil e confirmou a distribuição, entre a "militância", de "documentos e argumentos do povo do Paraguai". Se preciso for, fará "manifestações de solidariedade ao povo do Paraguai". Um dos negociadores paraguaios confirmou a estratégia "de guerrilha" . A campanha também está sendo levada a universidades e ao Partido dos Trabalhadores (PT) no Brasil. 

O viés ideológico é claro. Os governos "bolivarianos" fazem uso de sua principal tática: esvaziar as instituições democráticas dos países latino-americanos, apelando para grupos que se movimentam fora das instâncias formais, como o MST, desde que sob controle dos "líderes bolivarianos". Tudo sob o argumento de que governo e "vontade do povo" se exercem sempre por meio de assembleias. 

O tabuleiro da diplomacia entre governos é relegado a segundo plano e um obscuro jogo passa a ser travado com base em velhos conceitos de informação e contrainformação, que devem povoar o imaginário das viúvas saudosas do falido regime soviético. 

O MST e outros movimentos supostamente defensores de ideais "sociais", negando de antemão os direitos do Brasil sobre Itaipu, cuja construção foi integralmente paga pelo contribuinte brasileiro, mobilizam-se pela duvidosa demanda paraguaia. Mostram-se subservientes ao interesse estrangeiro e buscam conquistar nossa opinião pública por meio do assembleísmo de massas, uma das maiores ameaças à democracia. Nele, o indivíduo perde sua condição de cidadão, titular de um voto, e passa a integrar um rebanho que aguarda o sinal de seu líder. 

De se notar que o assembleísmo tem vida curta. Após a tomada do poder pelos "valorosos" bolivarianos, como se deu na Venezuela, na Bolívia e no Equador, a liberdade de expressão e os direitos individuais são rapidamente cerceados ou suprimidos, sob o argumento de que a "revolução" não pode ser ameaçada por quem defenda "ideias discrepantes", tudo sob o manto do governo "eleito". É a nova roupagem das ditaduras na América Latina do século XXI. 

E o Brasil? O que faz para enfrentar a situação de Itaipu? Por determinação do Palácio do Planalto, a tão criticada Agência Brasileira de Inteligência (Abin) entrou em cena e deverá monitorar os passos do MST e o governo do presidente paraguaio Fernando Lugo, enquanto o Itamaraty mostra-se tímido. Na prática, o governo joga essencialmente o mesmo jogo obscuro, inclusive levando funcionários de Itaipu a reuniões com movimentos sociais. 

Assim, a reação diplomática oficial fica relegada a segundo plano e o governo brasileiro limita-se a disputar o apoio "popular" dos nossos sem-terra com o governo paraguaio. O parlamento brasileiro, tão desgastado, sequer é ouvido e a democracia representativa, garantidora da defesa dos direitos individuais, mais uma vez aparece soterrada por uma dúzia de líderes de "movimentos sociais" . 

O governo brasileiro, mais uma vez, confere ao MST um status indevido, ao dar satisfação de sua política externa soberana a um movimento "social" que, não satisfeito em sequer possuir registro formal e reiteradamente optar pelo caminho da ilegalidade ao violar direitos de cidadãos e descumprir decisões de tribunais brasileiros, ainda resolveu patrocinar os interesses do sr. Fernando Lugo - tão legítimos quanto o uísque paraguaio -, contra o Brasil e, por consequência, contra o contribuinte brasileiro, que periga pagar duas vezes pela obra da hidrelétrica. A ressaca promete ser dolorosa e duradoura. 

DOUGLAS FALCÃO e RENATO PACCA são advogados.

COLUNA PAINEL

Superpoderes


Folha de S. Paulo - 23/01/2009
 

Em queda-de-braço com o Ministério da Fazenda, contrário à ampliação das parcelas do seguro-desemprego, o ministro Carlos Lupi (Trabalho) enviou ao Palácio do Planalto minuta de decreto para se tornar presidente do conselho do FAT (Fundo de Amparo do Trabalhador), responsável em administrar os recursos do benefício. O documento, já nas mãos do presidente Lula, prevê ainda aumentar o colegiado de 12 para 18 integrantes. Atualmente, o conselho é presidido em rodízio por representantes de governo, centrais sindicais e empresários.
"O objetivo é dar maior peso político ao Codefat. As decisões hoje são ignoradas pela área econômica, e os recursos do FAT, reduzidos", diz um assessor de Lupi.

Alto lá
A ideia de Lupi de alterar as regras do Codefat esbarra, porém, na resistência dos ministérios do Desenvolvimento Social e Educação, que não teriam representantes no colegiado, e na posição de atuais conselheiros que são contra o fim do rodízio. 

Reforço
Oscar Niemeyer, que há alguns dias elogiou livro que, em sua visão, reabilita "a figura do grande líder soviético" Josef Stálin, adicionou ontem sua assinatura ao abaixo-assinado em apoio à decisão de Tarso Genro (Justiça) de conceder refúgio ao italiano Cesare Battisti. 

Tréplica
A avaliação do PT sobre o conflito em Gaza terá novo capítulo na segunda. Em reunião da Executiva, o partido deve reafirmar a nota em que acusou Israel de fazer "terrorismo de Estado". Será resposta à carta em que Tarso Genro e Jaques Wagner, entre outros, cobraram menção ao terrorismo do Hamas. 

Um por dia
Depois do ex-prefeito de BH Fernando Pimentel (PT), Lula almoçou ontem com o ex-prefeito de Recife João Paulo (PT), cotado para assumir o Turismo. 

Campo minado
A nomeação de Pimentel para o Conselhão desagrada à direção do PT, que desaprovou sua aliança com Aécio Neves (PSDB), e o atual responsável pelo órgão, José Múcio (Relações Institucionais). Sem falar que Luiz Dulci (Secretaria Geral), rival no PT mineiro, será seu vizinho no Planalto.

No escuro
Pressionado pela entrada de José Sarney (PMDB-AP) na corrida pela presidência do Senado, Tião Viana (PT-AC) se reuniu com o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), na noite de anteontem. Pediu que, apesar do discurso de unidade, os tucanos não "fechem questão" a favor de Sarney. 

Caderneta
O petista argumentou "ter a preferência" de pelo menos 4 dos 13 tucanos: Tasso Jereissati (CE), Marisa Serrano (MS), Lúcia Vânia (GO) e Mario Couto (PA). Além disso, Tião promete atender dois pleitos do partido: a primeira-vice-presidência, cargo que ele ocupa hoje, e a Comissão de Infraestrutura, que fiscaliza obras do PAC. 

Incêndio
O PT tenta debelar foco de rebeldia na bancada baiana, que ameaça não votar em Michel Temer (PMDB) em razão das disputas locais com Geddel Vieira (Integração Nacional). "Com as duas Casas o PMDB fica muito maior do que todo mundo. Tenho sérias dúvidas sobre se isso deve acontecer", diz Geraldo Simões (PT-BA). 

Loteamento
Ao detectar temor de outros partidos em perder espaço na Esplanada, Temer correu ontem para se explicar a aliados: "O PMDB já tem espaço no governo e não pleiteará mais nada". 

Atalho
A Secretaria de Portos, vinculada à Presidência, dispensou licitação para a reconstrução do porto de Itajaí (SC), atingido pelas enchentes do ano passado. As obras, no valor de R$ 200 milhões, serão feitas pelas empreiteiras Triunfo, Serveng, Constremac e Construtec. A secretaria argumenta que as obras têm caráter emergencial.

Tiroteio

"O MST torce pela crise porque ajuda a recrutar desempregados para o movimento. A última coisa com que eles estão preocupados é com a reforma agrária." 

Do deputado 
WALDEMIR MOKA (PMDB-MS), da bancada ruralista, sobre a avaliação do MST de que a crise financeira favorece a aquisição de terras para a reforma agrária ao descapitalizar o agronegócio.

Contraponto

Providência divina

O senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO) se desdobrava para conseguir manter o quórum em uma sessão da Comissão do Meio Ambiente, em agosto do ano passado, mas tinha apenas a companhia da dupla de Rondônia, Valdir Raupp (PMDB) e Expedito Júnior (PP). Raupp tinha o objetivo de aprovar um projeto de sua relatoria, mas faltava mais um voto, até que, subitamente, Renato Casagrande (PSB-ES) apareceu na sala.
Aliviado, o peemedebista não perdeu a deixa:
-Até o momento só Tocantins e Rondônia estavam sustentando a comissão, mas agora chegou o Renato, e o Espírito Santo se faz presente!

ELIANE CANTANHÊDE

Serrinha paz e amor


Folha de S. Paulo - 23/01/2009
 

José Serra costuma dizer que é "mais aplicado do que inteligente". E tem sido aplicadíssimo, além de surpreendente, ao armar seu jogo superando a fama de egocêntrico e desagregador.
Seu último lance foi o anúncio de Geraldo Alckmin para a Secretaria do Desenvolvimento, que tem orçamento de R$ 1,41 bilhão e, na prática, reintroduz o ex-governador no palco e na própria cena da sucessão do Bandeirantes em 2010.
Num repouso forçado em Pindamonhangaba, depois de peitar Serra e perder a Presidência para Lula e a prefeitura para Kassab, Alckmin ficaria pairando nos bastidores de uma eventual dissidência paulista pró-Aécio Neves. Sob a secretaria, ele praticamente fecha São Paulo com Serra e deixa Aécio falando só para mineiros e para setores menos cotados do PSDB.
Outro lance serrista foi a aliança com Quércia. Disputado a tapa por todos e em particular pelo PT na eleição municipal, ele acabou com Kassab e completando o círculo PSDB, DEM, PMDB e PPS no Estado de maior economia e de maior eleitorado. O que pesa, e muito, na balança peemedebista de 2010.
E há aquele lance intrigante da ponte "administrativa" ou "republicana" entre Lula e Serra, com milhões de reais para o setor automotivo, para a compra da Nossa Caixa pelo BB, para o encontro de contas do funcionalismo paulista. Enfim, para manter o barco, ou os barcos, navegando em meio às "marolinhas" da crise.
Além do conteúdo, a forma: não faltam fotos de Lula e Serra em salões, reuniões e lançamentos, e em pose de amigos, não de adversários.
As deduções são livres. Por ora, a única conclusão é a de que nenhum dos dois quer briga.
Serra gera fatos, ocupa espaço na mídia, engole tabus, doma o temperamento, tudo para subir a rampa do Planalto. Aprendeu com FHC e Lula e tenta virar o "Serrinha, paz e amor". A dúvida é o quanto isso está custando à sua úlcera.

ANCELMO GOIS

A palavra é... investir


O Globo - 23/01/2009
 

Na reunião de hoje do Conselho da Petrobras, em Brasília, será anunciado o novo plano de investimento da empresa. 

Na primeira versão, por causa da crise, previam-se os adiamentos da Refinaria de Pernambuco e do Polo Petroquímico de Itaboraí, RJ. Avisado, Lula deu um esporro: nada de pisar no freio. Quer obras a todo o vapor. 

Falcão x urubu 

Um programa da Infraero de uso de falcões treinados para afastar outras aves reduziu em 27% os incidentes aéreos com urubus e outros penosos no Aeroporto da Pampulha, em 2008. 

A idéia é levar o programa em 2009 para Porto Alegre, São Paulo e Rio, onde ocorre a maioria desses acidentes. 

Sobel fica 

Clifford Sobel, embaixador dos EUA no Brasil, foi mantido no posto. Não permanentemente. Mas não está entre as prioridades de Obama removê-lo já. 

Sobel agilizou os vistos para brasileiros e aumentou a validade de cinco para dez anos. 

ProGay 

O MEC passou a aceitar como renda familiar para concessão de bolsas do ProUni rendimentos de casais homossexuais. 


O tamanho da marola 

A ONU acaba de projetar o crescimento mundial em 2009 e (conservadoramente) prevê 2,9% para o Brasil. 

Comparando com os 5,1% que crescemos ano passado, a diferença dá uma idéia do tamanho da onda que afetará o país: 2,2 pontos percentuais. 

Só que... 

A grande surpresa está na comparação com os outros. 

O impacto aqui será muito maior que na China (só 0,7), na Índia (0,5) e na média dos emergentes (1,3). Será pior que na média dos países ricos (1,6), epicentro da crise. 

Festa da raça 

O sambista Luiz Carlos da Vila, autor de "Kizomba, festa da raça", recentemente falecido, será homenageado com o nome de uma escola em Manguinhos, no Rio, que será inaugurada dia 3 com a presença de Lula. 

Três mosqueteiros 

Aliás, dia 3, Lula, a convite de Eduardo Paes, vai almoçar no Palácio da Cidade com Cabral.

ILIMAR FRANCO

Eles estão fora

Panorama Político 
O Globo - 23/01/2009
 

Os ex-prefeitos Fernando Pimentel, João Paulo e Marta Suplicy não serão chamados para o Ministério. O presidente Lula tem dito que não vai abrir uma temporada de caça aos cargos. A um petista, Lula completou: "Como trago o João Paulo e não nomeio o Pimentel? Como aproveito o Pimentel e não trago de volta a Marta? E ainda tem o (José de) Filippi (Diadema), de quem gosto muito". 

Os palanques nos estados 

A direção nacional do PT está correndo atrás do prejuízo. Percebeu que o PSDB já começou a montar seus palanques nos estados para 2010, enquanto os petistas estavam deixando o barco correr solto. O presidente, Ricardo Berzoni, e o secretário-geral, José Eduardo Cardozo, começam agora a alinhavar alianças e candidaturas que farão dobradinha com a ministra Dilma Rousseff. Uma de suas tarefas é podar no nascedouro candidaturas petistas sem chances, para marcar posição, onde os aliados na sucessão presidencial são governadores que vão concorrer à reeleição ou estão mais bem posicionados na disputa. 

Vamos votar, na eleição para a presidência do Senado, no candidato que nos der maior garantia de independência" - Arthur Virgílio, senador (PSDB-AM) 

BAIXO ASTRAL. O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), que deixará o cargo em dez dias, foi se despedir ontem do presidente do STF, Gilmar Mendes. Ao sair, olhou para os repórteres e disparou: "Vocês vão ter que tirar leite de pedra, porque eu já virei pedra", afirmou ele, que chorou na missa de fim de ano, por ter que deixar a presidência. Garibaldi até tentou se reeleger, respaldado por pareceres jurídicos, mas não colou. 

Em baixa 

A Vale e seu presidente, Roger Agnelli, já não são mais o xodó do Palácio do Planalto. O governo diz que as demissões anunciadas pela empresa foram precipitadas. Elas teriam gerado um efeito contágio, provocando mais demissões.

Salve, simpatia! 

O ministro Eros Grau, do STF, que se aposenta no ano que vem, está em campanha por uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Eros tem ido com frequência ao Rio participar de eventos da ABL, como leituras e concertos. 

Serra quer pacificar disputa na bancada 

Depois de ter fechado São Paulo em torno de seu projeto presidencial, o governador José Serra quer que a escolha do novo líder do PSDB na Câmara seja feita por acordo. Ele quer evitar um confronto, no voto, entre os dois candidatos, os paulistas José Aníbal e Paulo Renato de Souza, ambos alinhados com Geraldo Alckmin. Um parlamentar tucano contou que Serra não vai se meter, mas que não quer mais saber de brigas entre paulistas. 

Eleição no Senado divide PSDB 

Ao contrário do DEM, que está majoritariamente apoiando a candidatura de José Sarney (PMDB-AP) à presidência do Senado, no PSDB há quatro senadores que pendem para Tião Viana (PT-AC): Tasso Jereissati (CE), Mário Couto (PA), Lúcia Vânia (GO) e Marisa Serrano (MS). Os outros nove estão inclinados para Sarney. Esse quadro vai mudar até o dia da votação. A direção tucana pretende tirar uma posição comum e fazer um apelo para que todos os senadores a acompanhem.

OS PRESIDENTES Hugo Chávez e Evo Morales pediram para participar do mesmo painel, sobre a crise econômica, no Fórum Social Mundial, que terá como principal palestrante o presidente Lula. 

O FÓRUM Social Mundial levará a Belém, na semana que vem, 12 ministros do governo Lula. 

O MINISTÉRIO da Saúde e o governo do Pará montaram uma Unidade de Resposta Rápida para garantir o bem-estar das cerca de 90 mil pessoas que vão participar do Fórum.

DEMISSÕES


SEXTA NOS JORNAIS

Globo: Tesouro dá R$ 100 bi para BNDES socorrer empresas

Folha: BNDES terá mais R$100 bi para investir

Estadão: BNDES vai ter R$100 bi para 'PAC privado'

JB: R$ 100 bi para criar empregos

Correio: R$ 100 bi na praça

Valor: Término de concessões nos portos preocupa empresas

Gazeta Mercantil: Reestruturada, TIM vai brigar pela liderança

Estado de Minas: Grande BH declara guerra à dengue

Jornal do Commercio: Mutirão alivia crise na ortopedia

quinta-feira, janeiro 22, 2009

TV - FOFOCAS

ZAPPING
Fabíola Reipert
22/01/2009

Claudete Troiano chora e deixa gravação no SBT

Claudete Troiano deixou uma gravação pela metade, nervosa, e saiu chorando pelos corredores do SBT. Ela não gostou das mudanças que ocorreram no programa, que a fizeram perder espaço no ar. A produção toda presenciou o estresse de Claudete. A cúpula da emissora foi avisada da confusão. Procurada pela coluna, a assessoria do SBT diz que desconhece o assunto.

Química

Juliana Paes e Márcio Garcia estão gerando comentários nos bastidores da Globo devido à perfeita química de seus personagens na novela "Caminho das Índias".

Não é de hoje

A sintonia dos dois atores vem desde as gravações de cenas na Índia. Ontem, Juliana Paes esteve em São Paulo para cumprir compromissos com uma grife de sapatos que a contratou para ser sua nova garota-propaganda.

Menos um

Por falar em "Caminho das Índias", a nova novela das oito perdeu um ponto no Ibope, em seu segundo dia de exibição. Registrou 38.

Segunda pior

Nesta terça, o paredão do "BBB 9" foi o segundo pior em audiência da história do reality show da Globo. Teve 32 pontos no Ibope. A menor foi a do "BBB 2", com 30 pontos. A maior foi a da quinta edição, com 48 pontos.

Detector

Na nova sede da Rede TV!, em Osasco, os funcionários têm de passar por um detector de metais. Alguns já protestaram e bateram boca com os seguranças, como costuma acontecer na porta de bancos.

Acesso diferenciado

Mas os apresentadores e os diretores não precisam enfrentar o detector. Eles entram por outra portaria.

DORA KRAMER

Monumento à obsolescência


O Estado de S. Paulo - 22/01/2009
 

 

De volta à planície depois do discurso de posse de Barack Obama celebrando a tolerância, a coragem, a honestidade, a lealdade e o patriotismo entre outros valores caros à humanidade, Brasília nos oferta a volta de Renan Calheiros à cena, por intermédio do ex-presidente (da República, do Senado, da Arena, do PDS) José Sarney.

É de se perguntar: é tudo o que o Parlamento tem a oferecer ao cidadão brasileiro? Duas décadas e tanto de democracia plena e consolidada, inserção do Brasil na economia global, quebra de monopólios, ampliação do acesso a bens e serviços, formação de uma sociedade mais crítica, provas institucionais vencidas com louvor, nada parece afetar a firmeza do anacronismo na política.

Aquela velha esperteza do vai não vai, do dito pelo não dito, do jogo de simulações, ainda é saudada como demonstração de grande habilidade, digna de louvor e reconhecimento, quando se trata, na realidade, de um legítimo monumento à obsolescência.

O problema não é a pessoa do senador José Sarney, mas o uso que ele aceita que se faça da figura de um ex-presidente da República de reconhecido valor pelo papel exercido na transição democrática, com dotes de moderação e equilíbrio que já prestaram bons serviços ao País.

Não é admissível que agora se ponha a serviço de um senador envolvido em denúncias graves, obrigado por causa delas a renunciar ao mandato de presidente do Senado e salvo da cassação por conta da indulgência de seus pares e pelo que há de mais arcaico na política brasileira: a conjugação do fisiologismo com o corporativismo.

O senador Sarney desponta - faltando mais de 10 dias para a eleição - como o favorito. É bem possível que venha a se eleger porque conta com a maioria dos votos de seu partido, o PMDB, e até agora com a reverência de boa parte da oposição, DEM e PSDB.

Nem tucanos nem democratas ignoram os fatos subjacentes à alegação formal de que, sendo a maior bancada, o PMDB tem todo o direito de reivindicar a presidência da Casa.

Sabem muito bem que o jogo se dá em torno de uma disputa de hegemonia dentro do PMDB entre o grupo que durante o primeiro mandato de Lula prevaleceu na condução dos negócios governamentais do partido sob o comando de Renan e Sarney e a ala que aderiu na reeleição, sob a liderança de Michel Temer e Geddel Vieira Lima.

Ambos os lados lutam pelo lugar de interlocutor privilegiado deste e do próximo governo. PSDB e DEM confrontaram Renan Calheiros e o exortaram a deixar a presidência do Senado, imagina-se que convencidos da veracidade das denúncias que o atingiam.

Como ficam diante da sociedade emprestando os respectivos apoios à volta do canto da antiga musa? Darão o dito pelo não dito? Dirão que não sabiam dos detalhes? Alegarão que a História absolveu Renan Calheiros? Neste caso, ficam devendo desculpas ao senador por tudo o que disseram dele naqueles terríveis meses de 2007, da denúncia até a renúncia.

Oficialmente, justificam que não é politicamente interessante para a oposição dar ao PT a presidência do Senado em período pré-sucessão. Paralelamente apostam no rompimento da aliança PT-PMDB, se incentivarem o apoio a Sarney contra o petista Tião Viana, pondo em risco a eleição do presidente do PMDB, Michel Temer, para a presidência da Câmara.

Estrategistas de fancaria. Ou dissimulados, porque ainda que o mundo se acabe, o PMDB não romperá com o governo faltando dois anos, cinco ministérios, presidências e diretorias de estatais para terminar o mandato de Lula.

Reserva técnica

Pelo balanço que exibiu a carruagem, o presidente do Senado, Garibaldi Alves, jamais foi de fato candidato à reeleição.

Esteve para a candidatura de José Sarney mais ou menos como a ministra Dilma Rousseff está para o campo governista na sucessão de 2010. 

Em domicílio

Consta que o governador Aécio Neves ficou aborrecido com o governador José Serra por causa da nomeação do ex-governador Geraldo Alckmin, agora secretário estadual de Desenvolvimento.

A razão, segundo as versões correntes, residiria na frustração da expectativa de Aécio de ter em Alckmin um arrimo na luta interna pela legenda do PSDB à Presidência da República. 

Mas a razão - no sentido de racionalidade - não sustenta a possibilidade de Aécio de fato esperar que Alckmin possa apoiar um candidato de Minas em detrimento de um nome paulista.

O mesmo compromisso com o eleitor de origem que faz Aécio se apresentar como candidato levaria Alckmin necessariamente a ficar, no máximo, neutro. A menos que estivesse pensando em mudar de domicílio eleitoral.

Só que o primeiro a saber disso é o próprio Aécio Neves, cujos aliados, ao transmitir a insatisfação do governador com a cooptação de Alckmin, devem estar querendo passar outra mensagem. Por ora indecifrável.

ANCELMO GOIS

BNDES socorrerá Petrobras com até R$20 bi


O Globo - 22/01/2009
 

Medida ajuda estatal a obter recursos para o pré-sal em hora de escassez de crédito, informa Ancelmo Gois. 

Em tempo de escassez de crédito em todo o planeta, o governo Lula vai abrir uma linha de financiamento de R$15 bi a R$20 bi para a Petrobras. 

A linha de crédito será feita pelo BNDES, que, por sua vez, receberá recursos suplementares do Tesouro para bancar o megadesafio. 

Pré-sal do BNDES... 

A ideia é que esta montanha de recursos "escore" (a palavra é usada pelos técnicos que costuram a operação) os projetos de investimento da estatal - especialmente, no pré-sal. 

A linha também vai aliviar a pressão da Petrobras por créditos na rede bancária nacional, e o aval do BNDES deve ajudar a abrir mais portas nos bancos estrangeiros. 

Grande Conselho... 

A operação será aprovada na reunião do Conselho da Petrobras.

Óleo de Ogum 

A ExxonMobil anunciou ontem a descoberta de petróleo no bloco BM-S-22, na Bacia de Santos, numa área batizada, preliminarmente, de Ogum. 

Agora, na empresa, estuda-se a mudança do nome para Azulão. Teme-se que Ogum, o orixá, possa ser considerado politicamente incorreto. 

Queixa de novo 

Guido Mantega recebe hoje Roger Agnelli. 

A pedido de Lula, o ministro da Fazenda vai insistir com o presidente da Vale no discurso do descontentamento do governo com as recentes demissões na mineradora. 

Naji perde processo 

Naji Nahas perdeu o primeiro round nesta ação em que pede R$10 bi de indenização da Bolsa de Valores por suposto preju dele em 1989, ano em que o pregão derreteu. 

A juíza Márcia Cunha, da 2ª Vara Empresarial do Rio, julgou improcedente e o condenou a pagar R$1 milhão de honorários aos advogados das bolsas. 

Para a juíza... 

Naji não foi vítima: 

- Se sofreu prejuízos daí resultantes, estes são de sua inteira e única responsabilidade - escreveu a juíza na sentença.

Sumiço na Biblioteca 

A Polícia Federal investiga o sumiço de 30 monitores de computador e de duas TVs, tudo novo em folha, de um depósito da Biblioteca Nacional, na Praça Mauá, no Rio. 

O suposto ladrão teria deixado tijolos nas caixas das TVs. Os equipamentos iriam para bibliotecas do interior do estado.

COLUNA PAINEL

Contramão


Folha de S. Paulo - 22/01/2009
 

Chega hoje ao TCU (Tribunal de Contas da União) ofício do Ministério da Fazenda que desaconselha claramente o governo a elevar de cinco para 12 as atuais parcelas do seguro-desemprego. Na linha oposta do que é discutido entre o Palácio do Planato e as centrais sindicais, a Fazenda defende redução dos gastos com o seguro, já que o fundo que o sustenta deve apresentar déficit nos próximos anos, mesmo se mantidas as atuais parcelas.
O ofício, assinado pelo secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, e corroborado pela Fazenda, integra resposta do governo à determinação do TCU que cobrava adoção de medidas contra o rombo no fundo. "Ratifica-se a tendência deficitária do FAT e a necessidade de reversão desse cenário", diz a Fazenda.

É meu
A área econômica também diz "não" à solicitação do Ministério do Trabalho e do Codefat (conselho do FAT) para que os recursos do fundo fiquem livre da DRU, que corta 20% das receitas para compor o ajuste fiscal do governo. "Esse fato pode estimular a tomada de decisões que agravem este desequilíbrio [financeiro], uma vez que o FAT passaria a contar temporariamente com recursos adicionais", diz o ofício. 

Tesoura
Para equilibrar o FAT, a Fazenda apoia restringir o Abono Salarial -espécie de 14º dos trabalhadores de baixa renda- aos que ganham até um salário mínimo mensal. Hoje têm direito os que recebem até dois mínimos. 

Prato feito
A atual direção nacional do PT trabalha para deixar seus cargos apenas em março de 2010, no 4º congresso da legenda, quase quatro meses após a eleição para a nova cúpula. Quer sair apenas quando a candidatura de Dilma Rousseff (Casa Civil) estiver sacramentada e o programa de governo, esboçado. 

Estrela
O PT fará um ato político na Câmara dos Deputados em 10 de fevereiro, dia de seu aniversário de 29 anos. Para o evento estão sendo convidados ministros, governadores e o presidente Lula. Deverá ser mais uma chance para Dilma brilhar. 

Emprego
A Presidência diz que Lula recorreu a outro banco de dados ao falar em mais de 10 milhões de empregos criados desde 2003, apesar de o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) registrar 7,7 milhões de vagas. Trata-se da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), que inclui na conta empregos temporários, avulsos e do setor público.

Segundo round
Enquanto recebia a visita do presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), em BH, Aécio Neves fez questão de avisar que trabalhará pela eleição de José Sarney (PMDB-AP) à presidência do Senado. Motivo: além da amizade com o peemedebista, o mineiro avalia que José Serra (PSDB) trabalha na linha contrária. 

Placar
Na bancada tucana, o foco real de resistência à candidatura de Sarney é Tasso Jereissati (CE). O restante deve aderir ao discurso do líder, Arthur Virgílio (AM), de que é difícil apoiar Tião Viana (PT-AC) em detrimento de um nome mais "neutro". 

Apelo
Em reunião ontem na casa de Michel Temer (PMDB-SP), os apoiadores do candidato à presidência da Câmara saíram com um novo mote para enquadrar deputados dispostos a trai-lo: não se pode deixar Renan Calheiros (PMDB-AL) novamente com o comando das duas Casas do Congresso, o que aconteceria com a vitória de Sarney no Senado e de seu amigo Aldo Rebelo (PC do B-SP) na Câmara. 

Rebeldia
Apesar da blitz, petistas começam a atacar abertamente o apoio a Temer diante do fato de que o PMDB não apoiará o PT no Senado. "O jogo está zerado. O PT precisa discutir outras opções, inclusive a de lançar candidato próprio", diz o deputado Nilson Mourão (AC). 

Luxo
O "programa de governo" de Temer, que começa a ser distribuído, inclui ampliar o já caríssimo serviço de atendimento médico a deputados e servidores. Já a construção do anexo para ampliar gabinetes seria feita "se possível".


Tiroteio


"Para o PT, que já foi o partido da boquinha, deve ser mesmo difícil compreender a grandeza da participação de Alckmin no governo Serra."

Do deputado estadual PEDRO TOBIAS (PSDB-SP), em resposta às críticas do colega Enio Tatto (PT-SP), para quem o ex-governador Geraldo Alckmin "se contenta com a condição de sub" ao aceitar ser secretário estadual de Desenvolvimento.

Contraponto

Foto instantânea

O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) foi anteontem à Embaixada dos EUA para renovar seu visto. Convidado pelo embaixador Clifford Sobel para ir até sua sala, Heráclito notou o retrato oficial de Barack Obama já na parede, momentos após a posse em Washington.
-Mas que rapidez! Que eficiência!
Sobel ficou intrigado, ao que o senador explicou:
-É que aqui no Brasil teve presidente que caiu antes mesmo de posar para a foto oficial...

ELIANE CANTANHÊDE

A festa acabou


Folha de S. Paulo - 22/01/2009
 

Enquanto Barack Obama tomava posse, desfilava a pé pelas ruas de Washington com Michelle e pegava embalo para o baile da noite, num dia emocionante e transmitido para todo o planeta, as Bolsas despencavam lá e cá: o Ibovespa recuou 4% no Brasil. 
A festa acabou. Sai de cena o candidato, guardam-se os vestidos de gala, empurram-se para as gavetas os discursos de palanque. Chegou a hora da verdade. E dos problemas. 
No discurso de posse, Obama foi sóbrio, mas falou à alma dos norte-americanos. Usou todo o carisma e a voz grave e poderosa para admitir os tempos difíceis e chacoalhar a garra, a esperança e o decantado patriotismo dos concidadãos, acirrados pela chegada dos negros ao poder e pela expectativa dos pobres de que tudo será diferente. 
Falou também para o mundo, que está ansioso, cheio de dúvidas e temores: "O mundo mudou, e precisamos mudar com ele", disse, trocando o tom ameaçador da potência pelo tom contemporizador do líder natural (um fato, não uma vontade ou opção). Estendeu a mão aos muçulmanos, aos amigos e aos "inimigos anteriores". 
Um discurso, assim resumido, de guerra interna e mutirão contra a crise e de paz e parceria com o mundo. E com referências, que caíram especialmente bem no Brasil, ao aquecimento global e ao uso comedido de energia, para não dizimar os recursos naturais do planeta e não fortalecer "os adversários". Uma clara defesa dos biocombustíveis, bandeira brasileira. 
Foi, como convinha, um discurso genérico que mostra quem veio e a que veio. O passo seguinte será a apresentação da plataforma anual ao Congresso, quando estabelecerá não apenas princípios, mas programas, objetivos, metas. Pelos quais poderá ser aplaudido ou cobrado, objetivamente, já, logo adiante ou no futuro. 
A eleição e a posse de Obama foram grandes momentos da história. Que seu governo também seja.

ILIMAR FRANCO

Pré-sal

Panorama Político 
O Globo - 22/01/2009
 

A crise deve empurrar os investimentos da Petrobras no pré-sal para o Espírito Santo. Lá as reservas ficam a 70 km da costa, enquanto na Bacia de Santos, a 300 km. Além disso, no Espírito Santo a camada de sal é mais fina. Esses fatores diminuem o custo de extração do petróleo. Num momento de restrição do crédito, a empresa contará com a ajuda do BNDES. O anúncio do programa de investimentos da Petrobras deve ser feito em fevereiro. 

O xadrez da Câmara 

Além da candidatura de José Sarney (PMDB-AP) no Senado, problemas regionais também pesam contra o nome de Michel Temer (PMDB-SP) para a Câmara. O PT da Bahia não quer fortalecer ainda mais o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional); o PR está preocupado em perder espaço para o PMDB nas superintendências regionais do Dnit; e o PT de São Paulo está com um pé atrás, devido à aliança com José Serra. O prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, também cobra que os petistas resistam à hegemonia do PMDB: "Se o PT aceitar calado o PMDB na presidência das duas Casas, vai ficar de joelhos". 

APELO. Os senadores do PDT tentaram condicionar o apoio a Michel Temer à retirada da candidatura de José Sarney (PMDB-AP). O coro foi engrossado pelo governador Jackson Lago (MA), que teme o aumento da influência de Sarney no TSE. O ministro Carlos Lupi (Trabalho) fez então um apelo. Disse que não poderia ser desautorizado pelo partido, tendo em vista que já havia anunciado o apoio a Temer. Os deputados João Dado (SP) e Wolney Queiroz (PE) foram contra a saída do Bloco de Esquerda. 

Raio X 

O Ibase fará uma pesquisa no Fórum Social Mundial para traçar um perfil dos participantes. Na edição de Porto Alegre, em 2005, 60% declararam-se de "esquerda", 58% afirmaram não confiar nos partidos e 70% tinham até 34 anos.

Sonegação? 

A Anatel abriu um processo administrativo, que corre em sigilo, contra a Serpro. Quer receber 1% para o Fust e 0,5% para o Funttel pelos serviços de comunicação prestados pela Infovia a 52 órgãos da administração pública em Brasília.

O PAC será redimensionado 

A crise, além de pendências ambientais e com o TCU, forçou a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) a reestruturar o PAC. Em sucessivas reuniões com o ministro 
Paulo Bernardo (Planejamento), ela está tirando dotação das obras mais lentas e colocando mais recursos naquelas que estão saindo do papel. Essas mudanças, ilustradas por filmagens da evolução das obras, serão apresentadas pela ministra mês que vem. 

PT faz cobrança a José Múcio 

Seis partidos assinaram o registro da candidatura do senador Tião Viana (PT-AC) à presidência do Senado. Entre eles não estava o PTB, que tem sete senadores. Por isso, Ideli Salvatti (PT-SC) foi ontem ao ministro José Múcio (Relações Institucionais) cobrar o apoio dos trabalhistas. O principal argumento é o de que o presidente Lula defende o equilíbrio entre PMDB e PT na Câmara e no Senado. "O ideal é que o partido do ministro dê apoio a Tião", diz Ideli. 

O GOVERNO quer injetar mais R$10 bilhões na economia com o pacote para a construção civil. Pretende construir 200 mil casas populares a mais do que em 2008, quando foram 260 mil. 

FÉ. Em reunião ontem com o presidente do PT, Ricardo Berzoini, e com a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), Tião Viana (PT-AC) disse que tem 34 votos garantidos para a presidência do Senado. 

O PRESIDENTE Lula fala sobre a sucessão no Senado para seus ministros: "Não vou interferir, tenho dois companheiros disputando a presidência"

DE BOSTA


QUINTA NOS JORNAIS


Globo: Obama congela salários, limita o lobby e intervém em Guantánamo

Folha: Juro cai um ponto; BC indica mais cortes

Estadão: Juros têm maior corte em 5 anos

JB: Pancada nos juros

Correio: Juros caem para salvar empregos

Valor: BC reduz juro em 1 ponto e descarta cortes maiores

Gazeta Mercantil: Decisão do Copom força bancos a reduzir juros

Estado de Minas: Logo na primeira canetada, Obama congela salários