sexta-feira, janeiro 09, 2009

COLUNA PAINEL

Lula: "Jornais estão obsoletos"


Folha de S. Paulo - 09/01/2009
 

Mais do que "sentir azia" quando exposto diretamente ao noticiário, o presidente Lula acha também que os jornais estão "obsoletos" e diz confiar mais nas informações de assessores do que naquilo que sai publicado. As declarações fazem parte de trechos inéditos da entrevista à revista "Piauí" deste mês. A Presidência divulgou o que diz ser a íntegra da conversa.
"É muito melhor ficar na mão de um assessor em quem eu confio do que na mão de um artigo. (...) Prefiro alguém que eu recruto, da maior seriedade, e que me dá as informações corretas", afirma Lula, que ressalta o papel da internet: "Alguns companheiros da imprensa não descobriram isso porque continuam agindo como se estivessem 40 anos atrás".

Em off
Em outro trecho, Lula afirma considerar "promíscua" a relação entre políticos e jornalistas baseada no anonimato da fonte. "Você passa a ser uma espécie de informante privilegiado. (...) O cara [a fonte] planta laranja para colher manga."

Mágoa
Lula também manifestou contrariedade com José Dirceu pela entrevista, à mesma revista, em que o ex-ministro teria criticado um de seus filhos. "Eu acho uma loucura alguém que exerce um cargo público ficar uma semana totalmente desnudado diante de uma jornalista."
Dirceu nega ter se referido ao filho do presidente.

0 a 0
A criação de um adicional aos servidores da Câmara que fazem cursos, ao custo anual de R$ 60 mi, joga por terra toda a economia com o pagamento de horas extras do ano passado, feito que o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), não se cansa de propagandear.

De bem
De saída, Chinaglia ainda fez um mimo a Aldo Rebelo (PC do B-SP), hoje seu opositor internamente. Foi remontada na Casa a galeria dos "Construtores do Brasil", idealizada pelo antecessor.

A fila anda
A ida de Leonardo Picciani (PMDB) para o governo do Rio promoverá uma dança de cadeiras: dois suplentes, Rodrigo Bethlem (PMDB) e Fernando William (PMN), continuarão secretários municipais. A vaga irá para Paulo Rattes (PMDB).

Precursor
Em documento enviado ao Congresso no final do ano sobre a visita que fez ao Irã em novembro, o chanceler Celso Amorim, que embarca hoje para o Oriente Médio, diz que entregou ao presidente Mahmoud Ahmadinejad carta em que Lula "expressa o interesse brasileiro de aprofundar as relações bilaterais, particularmente na vertente econômico-comercial, e menciona a possibilidade de troca de visitas presidenciais no futuro". 

Classificados
Emissários do ex-prefeito de BH Fernando Pimentel, o deputado Miguel Correa e o atual vice-prefeito, Roberto Carvalho, ambos petistas, procuraram o chefe-de-gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, pedindo uma vaga para o mineiro na Esplanada. Disseram que falta uma vitrine a ele para concorrer ao governo em 2010. 

Prévias
Pimentel mede forças com Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) na disputa pela vaga. "Nosso projeto afirma o compromisso histórico do PT. Do outro lado está a visão mais pragmática, da realpolitik", diz o ministro, em alusão à aliança de Pimentel com Aécio Neves (PSDB). 

Boquinha
O governador Roberto Requião (PMDB-PR) arrumou um jeito de driblar a lei antinepotismo e mandará o irmão, Eduardo, para chefiar a representação do Estado em Brasília. Ele teve de deixar a administração dos Portos de Paranaguá. 

Estreia
Depois de romper com a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), o vice, Tin Gomes (PHS), será investigado pelo Ministério Público por ter saído férias já na primeira semana de trabalho.

Tiroteio

"O MST se especializou em dar consultorias a países sul-americanos contra os interesses brasileiros. Depois do Mercosul e da Unasul, em breve teremos também o "MST Sul"".

Do deputado RAUL JUNGMANN (PPS-PE), sobre os contatos mantidos entre MST e o governo do Paraguai para rever o tratado de Itaipu.

Contraponto

Imagem é tudo

No início da campanha municipal, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), saía da inauguração do comitê de campanha do candidato do PMDB em Recife, Raul Henry, que tinha o apoio dos tucanos, quando engatou conversa com um jornalista cuja fisionomia lembra a do então candidato rival e hoje prefeito, João da Costa (PT).
Na porta do evento, um locutor de campanhas no Estado aguardava o tucano e se espantou com a semelhança. Resolveu se certificar, foi até a metade do caminho, mas, ainda em dúvida, declinou:
-Puxa senador, eu vim fazer uma proposta, mas agora percebi que houve uma reviravolta na eleição...

DORA KRAMER

Paus para toda obra


O Estado de S. Paulo - 09/01/2009
 

 dora.kramer@grupoestado.com.br

As medidas provisórias se tornaram uma espécie de panaceia obsessiva do Congresso. Servem para simular independência em relação ao governo, para robustecer discursos eleitorais, são usadas como instrumento de pressão ou mesmo de afirmação individual e coletiva quando se faz necessário.

Legítimos paus para toda obra, prestam também um excelente serviço ao voluntário exercício de miopia galopante de senadores e deputados que fixam o foco de suas reclamações no excesso de MPs editadas pelo Palácio do Planalto e desviam o olhar da profundidade do buraco onde está no Poder Legislativo.

Fiéis à regra, os senadores Tião Viana e Garibaldi Alves, candidatos a presidir o Senado no biênio 2009/2010, fazem delas a principal peça de suas campanhas. 

Viana voltou-se, em carta divulgada no início da semana, contra a “gana legiferante do Executivo” e Garibaldi convoca - também em carta, distribuída ontem - o Parlamento a dar uma resposta à altura da “exorbitância” do Planalto, que, segundo ele, “teima em confrontar a Constituição”.

Com todo o respeito que o Congresso Nacional não confere a si, a instituição não anda moralmente autorizada a falar em confrontos de natureza legal.

Quando pode, subverte preceitos constitucionais. Seja resistindo ao cumprimento de decisões judiciais referidas no texto da Carta (e não tiradas das cabeças dos magistrados como quer fazer crer a tola tese da “judicialização” da política), seja ignorando princípios como o da impessoalidade no serviço público ou da probidade para exercício de mandato eletivo.

Aniquila o que diz a Constituição principalmente quando insiste em ignorar - para ficar no tema da predileção do Parlamento - o trecho que dá aos congressistas a prerrogativa de devolver quaisquer medidas provisórias ilegais ou que não se enquadrem nas exigências de relevância e urgência.

A abordagem desse tema é recorrente. Mas justifica-se, porque recorrente também é a insistência do Congresso em fazer das medidas provisórias uma tradução exclusiva e equivocada de todos os seus problemas.

Ainda que fosse o único foco de infecção, a queixa permanente continuaria sendo injustificada. O Parlamento não é uma agremiação indefesa, presa à sanha do Executivo - nem do Judiciário. É um poder que, quando quer, faz valer os seus poderes.

Impõe à sociedade absolvições ao arrepio dos fatos, ameaça criar leis vingativas, inventa regras para derrubar correções de rumo, patrocina acertos os mais escandalosos possíveis, pinta, borda, usa e abusa do poder de legislar.

Fala em confronto da Constituição num assunto que o próprio Congresso resolveria não confrontasse ele mesmo a Constituição para atender ao Executivo em troca de senhas de acesso a cobiçados nichos da máquina pública. 

Desvio

Durante os (muitos) anos em que se debateu a reforma do Judiciário, o ponto principal foi a necessidade da existência de uma instância de controle do Poder.

O chamado controle externo ficou a cargo do Conselho Nacional de Justiça, saudado quando da aprovação da reforma como um instrumento de fiscalização da sociedade. Não sobre as sentenças, mas sobre os procedimentos do Judiciário.

A realidade, contudo, mostrou que essa expectativa era ilusória. Prova está na recente decisão do CNJ de permitir aos servidores da Justiça acumular cargos públicos cuja soma de salários ultrapasse o teto de R$ 24, 5 mil. 

Pode vir a ser um atalho para futuras reivindicações de isonomia nos outros Poderes. 

Esmola muita

Por uma questão tática, o governo pode até dar a entender que apoia duas candidaturas simultâneas do PMDB às presidências da Câmara e do Senado, sustentando os nomes de Michel Temer e de José Sarney, este em função das dificuldades que o petista Tião Viana teria de se eleger.

Estrategicamente, porém, tal atitude fere a lógica. Ao patrocinar dois grupos antagônicos para o comando do Congresso Nacional, o governo estaria promovendo a entrega ao PMDB de um naco amazônico de poder, muito mais importante que os cinco ministérios ocupados pelo partido e mais os cargos administração federal afora. 

Presidentes de casas legislativas não são - como ministros e presidentes de estatais - demissíveis.

A boa vontade do Planalto com o PMDB parece excessiva. Mais ainda porque desde o início o governo identificou a insistência do partido em presidir o Senado como fruto das disputas internas entre o grupo que ficou com Lula já na campanha eleitoral de 2002 e o outro que aderiu após a reeleição, em 2006.

Convém desconfiar de que o jogo pode não ser exatamente aquele exposto nas cartas já baixadas à mesa. Há um aroma de blefe no ar: ou no Senado a história de Sarney não é para valer, ou na Câmara o acerto com Temer pode subir no telhado.

ILIMAR FRANCO

Chinaglia, Mello & Farias

Panorama Político 
O Globo - 09/01/2009
 

Quando os integrantes da Mesa Diretora chegaram à reunião de anteontem, já estavam reunidos o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), o presidente do Sindilegis, Magno Mello, e o corretor da Amil, Farias Pereira de Souza. Os demais membros da Mesa imaginavam que Farias fosse do sindicato. Farias interveio na reunião e ajudou a convencer a Mesa. Mais tarde, em outra reunião, na sala do diretor-geral da Câmara, Sérgio Sampaio, Magno Mello afirmou que não haverá licitação e que a operadora será escolhida pelo sindicato. E que o novo plano será implantado em 20 dias, antes da eleição do novo presidente da Câmara. 

Entre 1989 e 2008, os neoliberais lavaram a égua, como se diz no meu Rio Grande" - Tarso Genro, ministro da Justiça, encontrando aspecto positivo na crise 

Negocinho 

O novo plano de saúde dos funcionários da Câmara dos Deputados é um jogo de cartas marcadas. Foi tudo montado para que o Sindilegis (Sindicato dos funcionários do Legislativo) entregue o atendimento para a Amil, sem licitação. A Câmara repassará à operadora R$43 milhões. A empresa ainda receberá as contribuições de 15 mil servidores estatutários e 12 mil comissionados. 

Uma candidatura no telhado 

A candidatura de Tião Viana (PT-AC) à presidência do Senado não decolou. A oposição não quer um petista no comando, e o PMDB não abre mão do posto. A avaliação da maioria é a de que ele não conseguiu adquirir densidade política. O PT, que mesmo sendo a quarta bancada almejou a presidência da Casa, precisa agora encontrar uma saída. Tenso, Tião ligou para senadores ontem negando que poderia abrir mão da candidatura em troca de um ministério. 

Um nome em ascensão 

O senador José Sarney (PMDB-AP) fala sobre a sucessão na presidência do Senado: 1. "Não vou entrar em disputa nenhuma"; 2. "Se isso ocorrer (virar presidente do Senado), será um sacrifício imenso"; 3. "Como político, não posso dizer que essa situação não vai chegar (a presidência), mas as coisas estão muito longe disso". Sarney continua dizendo não à candidatura, mas sua resistência não é mais a mesma. 

Corinthiano roxo 

A piada que corre no Ministério da Fazenda é que o presidente Lula está disposto a nomear o economista Luiz Gonzaga Belluzzo até para a presidência do Banco Central. Tudo para impedir que ele assuma a presidência do Palmeiras. 

Minc contesta o "camarada" Stephanes 

O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) contesta o mapa da Embrapa Monitoramento sobre as áreas intocáveis para a produção. Minc diz que "os dados são superestimados" e que "nem toda atividade econômica é proibida nas áreas de conservação". Na negociação do novo Código Florestal, ele promete "uma guerra amistosa, mas contundente". E adverte Reinhold Stephanes (Agricultura): "Como ministro, ele não pode se comportar como líder dos ruralistas". 

DIZ O PRESIDENTE do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), em carta aos senadores, sobre a legalidade de sua reeleição: "O Senado é autônomo para decidir, de acordo com seus próprios critérios". 

O PRESIDENTE da Assembleia do Rio, Jorge Picciani (PMDB), está ligando para seus aliados para dizer que é candidato ao Senado. Esta coluna havia publicado informe de que ele tinha desistido da candidatura. 

O PETISTA Tião Viana (AC) ligou ontem para o vice-presidente José Alencar. Queria sondar o ânimo do Palácio do Planalto com sua candidatura. 

PAC da Copa 

Focado na Copa de 2014, o Ministério do Turismo vai investir na infraestrutura turística de 65 cidades. O objetivo é incentivar as pessoas a viajar para cidades próximas no intervalo entre os jogos, que serão às quartas e sábados.

O IDIOTA


SEXTA NOS JORNAIS


- Globo: Estados quintuplicam os gastos e investem menos

 

- Folha: Fuga de dólares é a maior desde 1982

- Estadão: Governo quer limitar uso do FAT em acordos

- JB: Israel exige saída de civis e amplia ataque

- Correio: Em alta - Preço da cesta básica no DF dá o maior salto desde 1997

- Valor: Fundos de pensão têm o pior ano de sua história

- Gazeta Mercantil: Saldo do fundo 157 pode superar R$ 1 bi

- Estado de Minas: Mais dinheiro para quem vende 10 dias de férias

quinta-feira, janeiro 08, 2009

PARA...HIHIHIHI


O  ALEMÃO

Duas velhinhas bem velhinhas estão jogando sua canastra semanal.
Uma delas olha para a outra e diz:
- Por favor, não me leve a mal. Nós somos amigas há tanto tempo e agora eu não consigo me lembrar do seu Nome, veja só a minha cabeça. Qual é o seu Nome, querida?
A outra olha fixamente para amiga, por uns dois minutos, coça a testa e diz:
- Você precisa dessa informação pra quando?

CARLOS BRICKMANN

O assessor que sabia javanês


Folha de S. Paulo - 08/01/2009
 

Tentar importar para nosso país a luta entre israelenses e palestinos, justo aqui, onde árabes e judeus convivem bem, brasileiros que são?

ENTRE AS tradições da diplomacia brasileira, há duas mais fortes do que todas as outras:
1 - O Itamaraty, nosso Ministério das Relações Exteriores, é extremamente profissional e competente, um celeiro de quadros de excelente qualidade para todas as áreas do governo;
2 - Os curiosos que se arvoram em diplomatas sempre dão errado, mesmo quando assumem com a fama de gênios. São como "O Homem que Sabia Javanês", de Lima Barreto: valem enquanto não aparece ninguém que fale javanês de verdade e fique demonstrado que não entendem nada.
A fauna de curiosos que atrapalharam a diplomacia brasileira é rica. Envolve um ex-presidente que, embaixador em Portugal, teve como principal feito a construção de um galinheiro na residência oficial, para fornecer-lhe a matéria-prima essencial para o frango à mineira; e, transferido para a Itália, morando no magnífico palácio Doria Pamphili, não se sentia bem e passou a maior parte do tempo no Brasil.
Houve um general de pijama, que fez parte da Junta Militar de 1969 (aquela que o deputado Ulysses Guimarães imortalizou com o nome de "Os Três Patetas"), que foi embaixador em Paris.
Outro general, chefe dos subterrâneos das informações, virou embaixador em Lisboa -obrigado, Portugal, pela paciência que teve conosco!
Apoiar a eleição de Evo Morales, que logo depois de tomar posse ocuparia militarmente as instalações da Petrobras?
Apoiar a eleição de Rafael Correa, cujo maior sonho é não pagar o que deve ao Brasil?
Ficar ao lado dos narcoterroristas das Farc, que a Colômbia atacou em território equatoriano?
Tentar importar para nosso país a luta entre israelenses e palestinos -justo aqui, onde árabes e judeus convivem bem entre si, brasileiros que são?
Intervir na política interna de um país vizinho, fornecendo gasolina para que o presidente venezuelano Hugo Chávez pudesse derrotar os grevistas da Petroleos de Venezuela e apoiando sua polêmica decisão de fechar a TV oposicionista?
Vestir-se com roupas de colonizador inglês na Índia para esperar, na selva colombiana, uma libertação de reféns que não ocorreu?
Nada disso é Itamaraty: nossos diplomatas não fazem papel ridículo.
Tudo isso é Marco Aurélio Garcia, o estranho especialista em política latino-americana que jamais escreveu nenhuma obra sobre o assunto, mas conseguiu se transformar em conselheiro do presidente Lula.
Garcia, é bom que se recorde, não se limita às atividades paradiplomáticas: foi também aquele que fez o famoso "top, top", o obsceno "top, top" para comemorar o fato de que não era o governo o responsável pelo acidente da TAM que matou 199 pessoas -isso enquanto o país, de luto, não tinha como aceitar nenhuma comemoração.
E é Marco Aurélio Garcia que, tomando partido numa luta com a qual o Brasil nada tem a ver, dá total razão aos palestinos do Hamas.
A briga é deles, não nossa; mas Garcia conseguiu convencer Lula de que o Brasil pode ter êxito onde Estados Unidos, França, Rússia, Inglaterra e ONU falharam.
O Brasil, como país neutro, como ponto de convergência de árabes e judeus, poderia ter um papel importante na busca da paz. Mas, tomando partido, perdeu quaisquer condições de influir na região.
Há poucos dias, o presidente Lula afastou Marco Aurélio Garcia da função de palpiteiro-mor de política externa, mas o manteve como assessor.
Entretanto, sua influência sobre o presidente é tamanha, ou foi tamanha, que as coisas que diz são tomadas internacionalmente como o pensamento de Lula. É ruim para o presidente, é ruim para o Itamaraty, é pior para o Brasil.
Talvez a solução fosse enviá-lo para a França, onde estudou, e onde estão os trotskistas que, há 40 anos, influenciaram sua cabeça stalinista.
O ex-primeiro-ministro alemão Konrad Adenauer tem uma frase clássica, que é impossível não citar aqui: "O bom Deus, que limitou a inteligência humana, bem que poderia ter limitado também a estupidez".

CARLOS BRICKMANN
, jornalista e consultor de comunicação, é diretor da Brickmann & Associados. Foi editor e repórter especial da Folha e editor-chefe da "Folha da Tarde" (1984 a 1991).

EDITORIAL-O ESTADÃO

Por que Lula não lê jornais

O Estado de S. Paulo - 08/01/2009
 
As opiniões que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva externa sobre a imprensa brasileira são de há muito conhecidas. Ele próprio diz que elas não mudaram desde que chegou ao Planalto - o que faz lembrar a anedota do jornalista irritado com um colega: "Não me venha com fatos novos, que já tenho as minhas ideias formadas." E, decerto por tê-las e por querer poupá-las do contágio com eventuais novidades no comportamento da mídia capazes de pôr em perigo crenças assim viscerais, Lula afirma que se dispensa de ler jornais, revistas, sites e blogs. "Porque eu tenho problema de azia", alegou, tentando exercitar o sarcasmo, numa entrevista publicada na edição deste mês da revista Piauí. (A crer nas suas palavras, ele tampouco assiste a telejornais, nem sequer aos da TV Brasil, nesse caso "por falta de tempo".) 

A imprensa lhe faz mal ao fígado, queixou-se. A mesma imprensa à qual creditou, como já fizera, a sua ascensão à Presidência da República. Foi "produto direto da liberdade de imprensa", repetiu, alheio à incoerência entre essa constatação irrefutável e a sua visão gástrica do jornalismo. Paradoxos, aliás, não faltam quando Lula é instado a falar do assunto - sintoma, quem sabe, de que não o digere com facilidade. O presidente que se guarda de acessar as novas mídias porque também essas, a exemplo das tradicionais, lhe causariam desconforto estomacal, não hesita em saudar a diversidade de comentários disponível em "300 blogs". "Hoje a informação é mais plural", acredita. "Isso democratiza a imprensa, aumenta a capacidade do cidadão de interpretar o que lê."

Lula, ao que diz, não só não lê, não ouve e não vê o noticiário, como recomenda "a qualquer presidente" que se afaste da imprensa - e ainda dos políticos - nos fins de semana. A mídia, insiste, não lhe faz falta. "Um homem que conversa com o tanto de pessoas que eu converso por dia deve ter uns 30 jornais na cabeça todo santo dia", argumenta. "Não há hipótese de eu estar desinformado." Só há. "O tanto de pessoas" que conseguem escalar o gabinete presidencial evidentemente não pediram audiência para criticar o seu titular; têm, todas, interesses a defender, o que aconselha os seus porta-vozes a guardar para si as verdades inconvenientes de que tenham conhecimento sobre o desempenho do anfitrião. Além disso, Lula se informa nas sessões matinais de meia hora com o ministro da Comunicação do Governo, Franklin Martins, que o põe a par do noticiário do dia. 

"Quando sai alguma coisa importante, a Clara (a assessora especial Clara Ant) e o Franklin me trazem o artigo ou mesmo o vídeo de uma reportagem de televisão", conta. Lula talvez não saiba, mas certa vez o presidente americano, George W. Bush, deu uma explicação semelhante para o fato de só bater os olhos nas manchetes - "eu raramente leio as matérias", admitiu, também numa entrevista. Ele se basta com os briefings diários do seu chefe de gabinete e do assessor de segurança nacional, "que provavelmente (sic) leram eles próprios as notícias". A diferença é que Bush, embora observando que muitas vezes as opiniões se misturam às notícias, não deixou de manifestar o seu "grande respeito" pela imprensa. "Nossa sociedade é uma boa, sólida democracia", disse, "porque temos uma boa, sólida mídia."

Eis a questão de fundo, mais ainda do que saber como o presidente da República se informa ou se é verdade que o jornalismo brasileiro lhe dá azia a ponto de ele manter uma distância profilática de jornais, revistas, sites e blogs. Líderes nacionais que conhecem a função não apenas informativa, mas, principalmente instrutiva da imprensa escrita não dispensam a sua leitura, como faz Lula - que, aliás, não lê nada. Quaisquer que sejam as suas mágoas em relação aos órgãos de comunicação de seus países e qualquer que seja a procedência das suas críticas ao modo como eles os tratam - e está para nascer o governante que não se sinta injustiçado pela mídia -, têm a devida noção da importância de sua contribuição, para a preservação e o aperfeiçoamento da democracia. 

Desde o discurso de posse de 2003, a toda hora Lula se refere à sua escassa escolaridade em tom de quem se vangloria da facilidade com que aprende as coisas "de ouvido". Na verdade, não é o "problema da azia" que o afasta da leitura dos jornais, É, isso sim, a aversão natural que ele tem a qualquer espécie de leitura.

NAS ENTRELINHAS

A coluna que Lula não vai ler


Correio Braziliense - 08/01/2009
 

A principal queixa do presidente é que a imprensa não mostra as coisas boas feitas pelo governo. Não é verdade e ele sabe disso

Em entrevista à revista Piauí, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não lê jornais e revistas. Argumentou que isso lhe faz mal ao fígado. Pode parecer frase de efeito, mas é a mais pura verdade. Lula não gosta de ler notícias e essa aversão não é nem mesmo conseqüência das pauladas que levou desde que assumiu o Palácio do Planalto. Vem de antes, é parte do seu jeito de ser e de fazer política. Mas a relação com a imprensa, ou a falta dela, influencia diretamente sua forma de governar. Até porque vai além do presidente. Atinge sua equipe e o PT. É um fenômeno sobre o qual vale a pena escrever. Mesmo sabendo que o presidente não vai ler. 

Lula se informa das principais notícias no início do dia. O ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, ou a assessora especial, Clara Ant, lhe fazem um resumo do que saiu e passam recortes das reportagens mais importantes. Diga-se de passagem que é um avanço. No início do primeiro mandato, esse resumo chegava por meio das “Cartas ácidas”, elaboradas pelo assessor Bernardo Kucinski. Os textos faziam jus ao nome e viam em qualquer reportagem de tom crítico sinais de uma conspiração contra o governo. A acidez descia direto ao fígado presidencial. Franklin Martins faz o relato em tom profissional e desapaixonado. 

Governos têm razões para se queixar da imprensa. É inevitável que aconteçam erros ou injustiças, em especial em momentos mais tensos, como escândalos políticos ou durante o trabalho de comissões parlamentares de inquérito. O governo do PT se queixa mais. Em parte, com motivos. Lula é mesmo alvo de uma feroz vigilância da mídia. Mas é bom lembrar que foi o PT quem criou a fórmula de unir-se à mídia a fim de fazer das CPIs motivo para exigir a queda de governantes. Além disso, Lula pavimentou seu caminho para a presidência contando com a simpatia militante de boa parte dos jornalistas do país. 

Ninguém gosta de abrir o jornal e ler algo desfavorável. Fernando Henrique Cardoso, ao contrário de Lula, era um leitor voraz. Sabia o que tinha sido escrito, onde e por quem. Isso muitas vezes fazia com que seu governo reagisse com cara feia para veículos que assumiam uma postura mais crítica. No caso de Lula, o problema é a generalização. O presidente coloca todos no mesmo saco: a “imprensa”. E está convencido que ela trabalha para derrubá-lo. Já deixou isso claro em mais de uma entrevista e vive batendo na tecla em seus pronunciamentos. 

A generalização é injusta e embute um perigo. Há no PT segmentos que não veem com bons olhos a liberdade de expressão e para quem imprensa boa é imprensa a favor. O próprio Lula pensou em expulsar do país o correspondente do New York Times, Larry Rohter, quando esse escreveu uma reportagem na qual o acusava de beber demais. Foi salvo pela intervenção decidida do então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e do jornalista Ricardo Kotscho, à época seu chefe de comunicação. O mesmo governo já tentou criar um conselho para regulamentar o jornalismo. As iniciativas não deram certo, mas deixaram no ar um cheiro esquisito. 

A principal queixa do presidente é que a imprensa não mostra as coisas boas feitas pelo governo. Não é verdade e ele sabe disso. O governo viveu seu pior momento no final de 2005. À época, o escândalo do Mensalão contaminava o ar do Palácio do Planalto. A popularidade de Lula despencou e as pesquisas apontavam que ele se encaminhava para uma derrota certa nas eleições do ano seguinte. O presidente percebeu isso e decidiu inverter o jogo. Passou a adotar uma agenda positiva, cheia de medidas populares: dinheiro para grandes obras, aumento nos programas sociais, crédito mais barato. Em pouco tempo, a curva das pesquisas tinha se invertido. Lula foi reeleito e hoje chega aos 80% de aprovação. Como o país ficou sabendo de todas essas medidas? Pela imprensa, presidente. Quando a notícia é importante, ela sai. 

É preciso reconhecer que não ler jornais dá a Lula uma vantagem tática. Ele se informa de forma semelhante a de seus eleitores. Fica sabendo das grandes histórias, as que geram mais barulho e repercussão. Dessa forma, só reage quando a encrenca é grande o suficiente para gerar problemas reais. Não entra em qualquer marola. Assim, evita ser pautado pela imprensa. 

Mas a falta dessa leitura também lhe cobra um preço. O de não perceber que a imprensa é maior que as generalizações. Erra, como os governo erram. Mas acertam bastante. Ao não ler, o presidente está exercendo sobre a mídia o mesmo olhar enviesado que condena nos jornalistas. Fica apenas com a imagem ruim. 

Se alguém encontrar o presidente em suas férias na Bahia e quiser comentar esta coluna, fique à vontade.

O IDIOTA CARA DE PAU


ELIANE CANTANHÊDE

Simples assim: pela paz!


Folha de S. Paulo - 08/01/2009
 

Só fui a Israel uma vez, como turista. Visitei do norte, na fronteira com o Líbano, até o extremo sul, entre Egito e Jordânia, rodando pela Cisjordânia nos limites com a Síria. O que mais impressiona é que judeus e árabes vivem lado a lado, bairro a bairro, numa proximidade inimaginável.
Olhando Jerusalém do alto, é possível distinguir, pela disposição e pela nuance de cores, onde moram uns e outros. E, de baixo, cruza-se o tempo inteiro, ora com as famílias muito claras dos judeus, ora com as famílias morenas dos árabes, ambas geralmente numerosas.
Um judeu ali pelos 70, engraçado e falando várias línguas, levou meu grupo de apenas quatro pessoas a um restaurante árabe. A chegada foi esfuziante, com abraços e sorrisos de velhos conhecidos. Daí a pergunta: "E numa guerra?". Do nosso companheiro, sem titubear: "Ou eles me matam, ou eu mato eles".
A milhares de quilômetros dessa história, dessa cultura e das dores do Oriente Médio, convém evitar defesas ou acusações apaixonadas e o erro de reagir aos atuais ataques a partir só de 1947, de 1967 ou de 2005, cortes que nos empurram para um lado ou para outro, inevitavelmente. A questão vem de muito antes, é daquelas em que todos têm razão e ninguém tem razão, enquanto potências movem peças de acordo com suas conveniências.
O que podemos e devemos é discordar tanto dos foguetes inconsequentes do Hamas quanto da "reação desproporcional" de Israel -como acusam os governos, inclusive o do Brasil, que apita pouco, mas não se omitiu e tem sido coerente com sua política externa.
Agiu contra a unipolaridade norte-americana e sua tendência pró-Israel. E respaldou a ação combinada da França e do Egito -os dois países que Celso Amorim primeiro procurou- pelo cessar-fogo e pela reabertura de canais de negociação.
Ou seja, pela paz. Que, aliás, é justamente o que nos cabe fazer nesse momento de sangue e de dor.

COLUNA PAINEL

CPI, parte três


Folha de S. Paulo - 08/01/2009
 

Desta vez é uma escuta que remete ao telefone da secretária do líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), que faz a oposição vislumbrar um caminho para tentar um terceiro sopro de vida à CPI dos Grampos. A fórmula funcionou no meio do ano passado quando estourou a Operação Satiagraha da Polícia Federal.
A avaliação é que a comissão foi uma das raras trincheiras de resistência ao governo no Congresso. Ou seja, mais do que investigar o caso do tucano, a ideia é deixar aberta até março a janela que expôs a cúpula da PF e da Abin. Além de preparar um parecer alternativo na CPI, centrando fogo no governo, o PSDB acionará o Ministério Público Federal e usará o caso para pressionar a Anatel sobre o sigilo de dados.

Mercado
De R$ 250 a R$ 300 foi o valor negociado pelos integrantes da quadrilha de escutas clandestinas, presa pela Polícia Civil, para obter dados do telefone da secretária de Aníbal. O tucano havia sido informado há 45 dias de que o aparelho fora monitorado, num encontro com um promotor no aeroporto. 

Rede
Na sequência, o deputado tucano acionou Carlos Sampaio (PSDB-SP), que interveio junto à cúpula da polícia paulista. Depois de ouvir a gravação ontem, Aníbal pediu ao secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, que tente identificar quem "comprou" o grampo. 

Presente de grego
Após brigar na Justiça Eleitoral para assumir a Prefeitura de Campos (RJ), Rosinha Matheus (PMDB) reclama que o gabinete está sem telefone e internet, os carros oficiais sem combustível e muitas escolas tiveram a luz cortada por falta de pagamento. 

Aperto
O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), que cortou 10% do seu orçamento, também criou grupo para passar um pente fino nos contratos acima de R$ 70 mil. 

Ampla margem
Apesar de o Tesouro Nacional ter anunciado ontem a captação de US$ 1,025 bilhão no mercado internacional, a margem de manobra era bem mais ampla. No despacho em que autorizou a emissão dos títulos no exterior, Guido Mantega (Fazenda) estipulou limite de US$ 2 bilhões.

Bola de cristal
O governo brasileiro vê com bons olhos a afirmação de Barack Obama de que depois de sua posse, no dia 20, terá "muito mais a dizer" sobre o conflito na faixa de Gaza. "Talvez seja uma estratégia para ter uma posição mais contundente no futuro. Obama também não está apoiando a posição de George Bush", diz o assessor internacional de Lula, Marco Aurélio Garcia. 

Róseo
Lula enviou carta aos 5.563 prefeitos eleitos em que não faz nenhuma menção à crise. Ele propõe parceria para acelerar investimentos e reduzir a pobreza. "Você vai encontrar no governo federal um parceiro para cumprir este compromisso", diz. 

Supermercado
Na carta, Lula também os convida para encontro de dois dias em Brasília, em 10 e 11 de fevereiro. Dez ministros, além dos presidentes do BB, Caixa, BNDES e Funasa, "venderão" seus programas para os novos administradores. 

Resistência
O deputado Paulinho da Força (SP) é um dos que ainda tentam evitar que o PDT desembarque da candidatura de Aldo Rebelo (PC do B-SP) à presidência da Câmara. "O PMDB insiste em ficar com as duas Casas, mas não vai conseguir", diz. 

Distância
Michel Temer (PMDB-SP) informou ao Palácio do Planalto que prefere se reunir com o presidente Lula sem a presença dos senadores do partido. Ele tenta desvincular a sucessão da Câmara da do Senado, aonde PMDB e PT não estão se entendendo. Além disso, não aceita dividir a sala com seu arqui-inimigo Renan Calheiros (PMDB-AL).

Tiroteio


"Que o presidente Lula não gosta de ler, todo mundo já sabia. Agora ele revela possuir um forte espírito antidemocrático, de quem não sabe lidar com as críticas." 
Do deputado 
ARNALDO MADEIRA (PSDB-SP), comentando a entrevista em que Lula diz, à revista "Piauí", que não acompanha diretamente o noticiário porque isso lhe dá "azia".

Contraponto 

Que vontade que dá...

Com o presidente Lula em férias, o vice José Alencar convocou a imprensa para uma entrevista coletiva anteontem. Como de hábito, falou sobre seu tema predileto: os juros. Em determinado momento, os jornalistas perguntaram se ele pretendia disputar um cargo no Executivo em 2010. O vice, que se recupera de um câncer, disse que não. A próxima pergunta foi se ele tinha informação sobre um possível desejo de Lula de se candidatar a algum cargo daqui a dois anos. Alencar abriu um sorriso:
-Olha, eu torço para isso! Porque daí ele teria de se licenciar por seis meses e eu assumiria. Daria tempo suficiente para eu mandar abaixar os juros para 0,5 ponto...

DORA KRAMER

Muito além do panfleto


O Estado de S. Paulo - 08/01/2009


Não é um debate na acepção da palavra. Nem uma discussão. Para o primeiro faltam as ideias e, para a segunda, há carência de contraditório. Chamemos, então, de palco o ambiente em que evoluem os candidatos às presidências da Câmara e do Senado.

É um cenário, com paredes falsas onde nada tem consistência nem conteúdo. O principal candidato ao comando da Câmara, deputado Michel Temer, informa que tem “propostas sérias de reestruturação da Casa”.

Quais? Ontem deu notícia de uma delas: “Vou acabar com essa história de baixo clero e alto clero.” Igualdade na fraternidade, pois. 

O principal candidato ao comando do Senado, senador Tião Viana, divulgou uma carta de duas páginas e meia em que uma única vez diz direta e objetivamente a palavra “proponho”. O quê? 

“Construirmos o Legislativo do tempo presente.” Como?

Mediante a adoção de uma “agenda ousadamente positiva”. Com qual finalidade? 

“Sobrepor-se à agenda da crise e impedir que o Parlamento fique a reboque dos acontecimentos.” Uma locomotiva em ritmo de Brasil grande, presumidamente.

E assim, em tom de panfletagem eleitoral, se desenrolam as preliminares das eleições de fevereiro. Concepções genéricas sobre a afirmação da “altivez” do Legislativo, chavões sobre a “judicialização” da política não atendem “as crescentes demandas da sociedade em torno de um Congresso Nacional afirmativo e propositivo”, como o senador Viana considera necessário em sua carta aos eleitores da corporação.

Atendem, quando muito, ao que demanda a performance dos candidatos na batalha do voto a voto, a fim de se compor o cenário com algo mais que os acertos interpartidários, estes sim as reais referências na troca de comando do Parlamento.

A preocupação dos personagens é a de arregimentar apoios ao custo que for. Inclusive o da compostura. Como faz o Executivo em relação ao Legislativo, que incorpora o pior e não presta atenção no melhor dos outros dois Poderes. Ao contrário, ataca o ativismo do Judiciário no lugar de buscar ser tão ou mais ativo.

O presidente da República tem 37 ministérios e milhares de cargos de confiança à disposição para lotear na formação de sua maioria parlamentar. Aos presidentes da Câmara e do Senado cabem duas dezenas de cargos das Mesas Diretoras para entregar aos partidos ali representados e, assim, tentar obter a maioria dos votos dos colegas.

Antigamente a coisa não era assim tão escancarada. Hoje, no caso da Câmara principalmente, faz-se a divisão de maneira desabrida, sem pejo: é a primeira secretaria para um partido, a segunda para outro, as suplências para os menos cotados, as vice-presidências para os mais importantes e está feita a receita.

Se resulta em boa coisa, não interessa. Exatamente como a lógica do Executivo: arma-se a maioria, mas não necessariamente se faz um bom uso dela. Se Michel Temer assegura a vitória com essa prática de loteamento, não é o que está em questão. Pode até perder como vários outros candidatos “do poder” já perderam.

Lamentável é o processo. Este por si só já consolida a degradação do Poder Legislativo e invalida quaisquer manifestações contra alegadas injustiças de avaliação cometidas contra a instituição.

Não existe maior prova da degenerescência que o ambiente na antessala da escolha dos novos presidentes das duas Casas do Congresso Nacional.

Faz algum sentido um candidato a presidir a Câmara dos Deputados abraçar a causa da extinção do “baixo clero e do alto clero?” Nenhum, a não ser como exercício de demagogia. E autorreferida, como se o Congresso fosse um grêmio recreativo e não a entidade de representação popular com todas as responsabilidades públicas inerentes a este papel.

Viana, Temer, Aldo Rebelo, Garibaldi Alves e todo o plantel de candidatos dispõem de uma gama de assuntos para ser abordados que passam pelo aprimoramento do processo legislativo e vão muito além do panfleto. 

Isonomia

Se não é eticamente adequado que um presidente de partido acumule essa função com a chefia de um ministério - conforme indicam a regras da Comissão de Ética Pública da Presidência da República -, não é aconselhável também que um político presida ao mesmo tempo um partido e a Câmara dos Deputados.

O conceito de conflito de interesses (mesmo presumido) é o mesmo. Daí o plano inicial, já abandonado, de o presidente do PMDB, Michel Temer, se licenciar do posto caso venha a se eleger presidente da Câmara.

Temer é um jurista e desses bastante referidos no formalismo, várias vezes cotado para o cargo de ministro da Justiça. Por essas e muitas outras mais, certamente saberia muito bem ao paladar geral, e ao decoro legislativo em particular, a retomada da ideia original do afastamento.

Mais não seja como medida preventiva a eventuais questionamentos de conduta.

ILIMAR FRANCO

Enfrentar a crise

Panorama Político

O Globo - 08/01/2009
 

O governo Lula vai reunir empresários, trabalhadores e personalidades que integram o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social para atualizar a agenda de desenvolvimento do país. O governo espera que surjam propostas novas para superar os efeitos da crise. Seminário semelhante em 2006 resultou no PAC. Virão ao Brasil, em março, participar desse debate os economistas James Galbraith, Robert Guttmann e Ignacy Sachs.


Serra não quer nem marolinha 

Líder nas pesquisas de intenção de voto e com 90% de conhecimento, a tarefa eleitoral prioritária do governador José Serra, neste ano, é governar bem São Paulo. Acredita, dizem os serristas, que assim imporá com naturalidade sua candidatura ao PSDB. Com um programa de investimento de R$18 bilhões, Serra vai acompanhar com lupa a evolução das receitas estaduais. No campo político, já tem amarrado ao seu projeto o DEM, o PPS e parcela do PMDB. Internamente, agirá com cautela e paciência para costurar a aliança interna, sobretudo com o governador Aécio Neves (MG), que também postula concorrer à Presidência. 


A fragilidade jurídica impede que os senadores e partidos assumam compromisso" - Henrique Alves, líder do PMDB na Câmara (RN), sobre a reeleição do primo Garibaldi Alves (PMDB-RN) para a presidência do Senado 

PREOCUPAÇÕES DE LULA. No programa de rádio "Café com o presidente", canal direto de Lula com a população, o tema mais abordado por ele em 2008 foi a geração de empregos, citado 21 dias. Em segundo lugar está o PAC, bandeira do segundo mandato, levantado em 17 programas. Depois vem a crise internacional e a dos alimentos, acarretada pelo aumento do preço das commodities, presente em 15 dos 51 programas. 

Pragmatismo 


Além de prestar um serviço ao Palácio do Planalto, o PDT quer garantir um cargo de suplente na Mesa Diretora e a presidência de uma comissão ao apoiar Michel Temer (PMDB-SP) para presidente da Câmara, abandonando Aldo Rebelo (PCdoB-SP). "Somos intrépidos para defender nossos direitos", disse o deputado Mário Heringer (PDT-MG), que até o fim do mês passado era líder do Bloco de Esquerda. 

CNJ e cartórios 


Nota técnica do Conselho Nacional de Justiça recomenda a rejeição, pela Câmara dos Deputados, da proposta de emenda constitucional que permite a efetivação de titulares de cartórios sem concurso público. Para o CNJ, a proposta "caminha na contramão" do sistema de recrutamento de pessoal para o poder público e seria um "descompasso histórico". O documento afirma ainda que o STF já considerou a medida inconstitucional ao julgar outras matérias.

Bate-boca 

Michel Temer (PMDB-SP) ligou ontem para Osmar Serraglio (PMDB-PR) e pediu que ele retire sua candidatura à presidência da Câmara. "Se eu conversar muito com você, fico sem ânimo para fazer campanha", encerrou Serraglio. 

Sem discurso 

Serraglio, aliás, terminou o dia ontem desanimado. A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados discutiu e encampou uma de suas principais propostas de campanha: a concessão de plano de saúde para funcionários comissionados. 


A PREFEITA de Natal, Micarla de Sousa, declara hoje situação de calamidade pública na saúde, o que lhe permitirá dispensar licitação para a contratação de médicos e compra de material. 

TROCA-TROCA. Rogério Guedes assumiu ontem a diretoria-geral do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) no lugar de Marcelo Lopes, que será o novo superintendente do Sebrae no Rio Grande do Sul. 

O PRESIDENTE da Fundação Milton Campos, Francisco Turra, quer o PP fora do governo. Diz que o partido virou coadjuvante na política nacional.

MERDA NÃO AFUNDA


QUINTA NOS JORNAIS


- Globo: Estados quintuplicam os gastos e investem menos

 

- Folha: Fuga de dólares é a maior desde 1982

- Estadão: Governo quer limitar uso do FAT em acordos

- JB: Israel exige saída de civis e amplia ataque

- Correio: Em alta - Preço da cesta básica no DF dá o maior salto desde 1997

- Valor: Fundos de pensão têm o pior ano de sua história

- Gazeta Mercantil: Saldo do fundo 157 pode superar R$ 1 bi

- Estado de Minas: Mais dinheiro para quem vende 10 dias de férias

quarta-feira, janeiro 07, 2009

PARA....HIHIHIHI


SAUDADES

Depois de algum tempo viajando, o sujeito entrou num bordel, deu R$
2.000,00 para a cafetina e pediu:

- Eu quero a mulher mais feia da casa e um prato de macarrão bem
gorduroso!!
A tia, muito intrigada, disse-lhe:
- Olhe, cavalheiro, por esse dinheiro o senhor pode ter uma mulher
lindíssima, de belas pernas, bumbum redondinho e seios fartos, e um prato
finíssimo, com lagosta e muito champanhe!
- Minha senhora, eu quero que a senhora entenda:

eu não estou com tesão...

só estou com saudades de casa!!!

DORA KRAMER

Mentes opacas


O Estado de S. Paulo - 07/01/2009


O Congresso nem reabriu os trabalhos e já está cheio de ideias. Algumas até mereceriam comparação com fabulações produzidas em cérebros rudimentares, não fosse o risco de se entrar no perigoso terreno da injustiça. Para com os irracionais de nascença.

Não bastasse a ausência do item recuperação moral do Legislativo na agenda do debate sobre a eleição nas novas presidências da Câmara e do Senado, diante do quadro de autodesmoralização galopante aos parlamentares só ocorre abrir combate contra o Poder Judiciário.

Grosso modo, as propostas visam a retirar prerrogativas do Supremo Tribunal Federal e fixar mandato para o posto de ministro, hoje assegurado até a aposentadoria aos 70 anos de idade.

No detalhe, fala-se em garantir agilidade a julgamento de processos eleitorais, em modificar as regras de acesso ao cargo de juiz, em criar punições a procuradores que divulgarem denúncias infundadas, uma série de providências que à primeira vista parecem muito bem-intencionadas.

À segunda, entretanto, revelam-se o que realmente são: uma tentativa de vingança contra o chamado ativismo dos magistrados. O Congresso faz parecido quando se sente muito criticado e ameaça endurecer a lei de imprensa. Para intimidar, nada mais.

Sob a alegação de impedir a usurpação de poderes, o Legislativo se propõe a interferir diretamente no processo judicial, inclusive determinando o tempo de julgamento de uma ação; oito meses da primeira à última instância, no caso de crimes eleitorais.

Uma barbaridade que equivaleria ao Judiciário determinar ao Legislativo quanto tempo uma proposta deve tramitar - da apresentação à votação no plenário - na Câmara e do Senado. 

Não que o Poder Legislativo não possa - aliás, deve - corrigir distorções, interferir quando necessário sem que isso signifique extrapolação. Assim faz o Judiciário.

Mas o propósito aqui não é aprimorar processo nenhum, é retomar a situação anterior à qual o deputado Flávio Dino define como a de "um tribunal historicamente mais técnico que político". 

De maneira oblíqua, o deputado fala de episódios de omissão travestidos de respeito à independência dos Poderes - uma condição realmente bastante mais confortável que a fustigação permanente por parte do Judiciário, provocada não apenas pelo perfil dos magistrados, mas, sobretudo, pelo fato de o Legislativo abrir mão de suas prerrogativas de uma maneira tão leviana quanto preocupante.

O elenco de exemplos é farto e amplamente citado. Mas um pouco lembrado é o dos processos contra parlamentares. Critica-se o Judiciário pela ausência de punições a autoridades com foro privilegiado, mas hoje ao menos são abertos inquéritos e vários se transformam em processos.

Quando (até 2001) a Justiça dependia de autorização do Legislativo, na quase totalidade dos casos nem se iniciavam ações. O Congresso simplesmente não autorizava e ponto final.

Esse tipo de situação pode ser melhor para os parlamentares individualmente, mas é ruim para a instituição e bem pior para a República.

Fala-se do perigo de concentração de poder. Um sofisma, pois se todos os Poderes atuarem à altura do que lhes confere (e obriga) a Constituição não há ultrapassagem de limites. Há, sim, o cumprimento correto, e natural, do conceito de equivalência entre eles.

A ofensiva do Legislativo contra o Judiciário é uma típica tentativa de criar um caso onde não existem desavenças nem deformação institucional alguma. Trata-se apenas da defesa unilateral do retrocesso em causa própria.

Acesa a chama

Ao que parece o deputado Aldo Rebelo se candidata a presidente da Câmara por motivos assemelhados aos que o levaram a se candidatar a prefeito de São Paulo, no ano passado, até tornar-se vice de Marta Suplicy.

No início de 2008, o deputado do PC do B justificou sua candidatura a prefeito dizendo que "a esquerda" não tinha muito mais o que fazer na base de apoio a Lula depois que o presidente optou por uma aliança preferencial com o PMDB, a "centro-direita" no jargão vigente. 

Quando os pemedebistas aderiram ao prefeito Gilberto Kassab, Aldo - muitíssimo a contragosto, diga-se - foi convencido a fazer o caminho de volta e ficou com o PT, sabendo que seu grupo acabaria engolido e continuaria sendo tratado como prata da casa, fava contada.

Se o critério agora for o mesmo adotado na época, a candidatura de Aldo Rebelo à presidência da Câmara tem a finalidade de preservar espaços dos pequenos, tradicionais, mas não necessariamente eternos aliados do PT.

Quanto ao desfecho, pode haver dois: se a disputa no Senado provocar um rompimento entre PT e PMDB, Rebelo será chamado a reforçar a tropa petista; na hipótese mais provável do entendimento entre os dois principais parceiros da coligação, fica mantida a candidatura.

ÉLIO GASPARI

Aposentadoria em meia hora, parecia piada


O Globo - 07/01/2009
 

Admita-se que em dezembro de 2003 uma pessoa resolvesse listar cinco coisas impossíveis e produzisse algo assim: 

1- Em 2008 os Estados Unidos elegerão um presidente negro com nome muçulmano. 

2- José Dirceu, o "capitão do time" de Lula, será defenestrado, terá o mandato cassado e ficará exposto até mesmo ao furto da memória de seu computador. 

3- Os Estados Unidos acabarão atolados numa guerra civil no Iraque e os dois lados pedirão a saída de suas tropas. 

4- O INSS concederá aposentadoria por idade em meia hora. 

5- Wall Street irá à garra. 

A previsão da boa-nova para os trabalhadores brasileiros talvez fosse a mais estapafúrdia. Todas aconteceram, mas a vitória obtida pelo governo de Nosso Guia merece respeito. É sucesso na veia do andar de baixo, precisamente numa faixa social onde "espera" e "INSS" significavam malogro, fraude e desrespeito. Ninguém se esquece do momento-Calígula do ministro Ricardo Berzoini, que convocou todos os velhinhos do país para um recadastramento. 

As paixões políticas turvam a cena em que ocorrem mudanças que beneficiam o andar de baixo. À esquerda e à direita há um certo desconforto para se reconhecer que o general Garrastazu Medici lançou a base do que é hoje a aposentadoria do trabalhador rural e que João Goulart defendeu e sancionou a lei que criou o 13º salário. 

O tempo de espera para quem busca a aposentadoria por limite de idade já estava na faixa decente dos 21 dias, mas uma tramitação de meia hora era coisa na qual ninguém seria capaz de acreditar. O sistema começou a funcionar nesta semana, com alguns enguiços. Talvez em um ano todas as outras modalidades de aposentadorias tramitarão com rapidez semelhante. 

Imagine-se a ridícula situação em que fica um daqueles médicos da rede privada que condenam seus pacientes a esperas intermináveis: "Doutor, sua consulta está demorando mais que tramitação de processo de aposentadoria no INSS." A patuleia se livrou de uma aporrinhação, numa época em que é chique ficar na fila para entrar em cercadinho VIP, para comprar jatinhos e reservar mesa em restaurantes que servem espumas. A maison Hermès gosta de dizer que a fila de espera para a sua bolsa Birkin é de dois anos. (Mentira, mas ficar numa fila-Hermès dá status.) 

A benfeitoria do INSS deriva de avanços tecnológicos, mas seria injusto atribuir a eles o êxito conseguido. Os computadores poderiam ter feito esse serviço há mais de dez anos. Basta ver que em São Paulo o governador Mário Covas criou em 1997 o Poupa Tempo, para a rápida obtenção de documentos que consumiam semanas. Num e noutro caso, havendo tecnologia, houve vontade de usá-la em benefício da choldra. 

Há questões em que há a tecnologia, mas, como faltam vontade e trabalho, nada acontece. É esse o caso do ressarcimento devido ao SUS pelas operadoras de saúde privada e da regularização da propriedade de lotes urbanos em terrenos públicos. 

Em outubro de 2005 Nosso Guia prometeu: "A ordem é acabar com as filas (do INSS), dando dignidade ao cidadão. A partir de março, começo de abril, podem me cobrar." Ninguém cobrou a bufonada, mas, três anos depois, pelo menos uma das esperas do INSS vai-se embora. As coisas boas também acontecem. 

FERNANDO RODRIGUES

A política como ela é


Folha de S. Paulo - 07/01/2009
 

A cada dois anos repete-se, em janeiro, uma novela manjada. Políticos se digladiam na disputa para presidir a Câmara e o Senado pelo biênio seguinte.
É raro, mas às vezes surge alguma novidade. Desta vez, a tentativa de ser o "fator diferencial" veio de Tião Viana, candidato a presidir o Senado -e eleito pelo PT do Acre.
O petista conseguiu produzir uma carta-compromisso com 1.527 palavras sem fazer uma única promessa concreta. Eclético, misturou Lei Áurea, Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves e Antonio Carlos Magalhães. No trecho obrigatório "vou-agradar-a-oposição", transbordou ambivalência ao mencionar sua posição a respeito do uso indecente de medidas provisórias pelo Poder Executivo:
"Enfatizo minha posição contrária à (...) gana legiferante do Executivo, de que o excesso de medidas provisórias seria a perfeita ilustração, prática que subverte terrivelmente a agenda legislativa".
E daí? Daí, noves fora, nada. Não ajuda muito considerar uma perfídia as MPs baixadas por Lula. O importante é alterar o sistema. Mas o tom melífluo de Tião Viana esclarece sua intenção a respeito. Ele afirma estar "convencido de que há saídas para o problema" e que vai "debatê-las com os colegas".
Em resumo, se vencer e vier a se sentar na cadeira de couro tingido de azul da presidência do Senado, Tião Viana já tem uma desculpa.
Depois de alguns meses de inação, será indagado por que não cumpre a promessa de alterar a regra das MPs. Responderá: "Eu tentei, mas meus colegas não quiseram".
O mais estapafúrdio nessa história é a empreitada de Tião Viana estar sendo, em grande parte, apoiada por senadores de oposição. PSDB e DEM não têm candidato próprio.
Acreditam ou fingem acreditar na promessa vaga do petista Viana contra o petista Lula. É difícil saber quem engana quem.

ANCELMO GOIS

Aécio vai à luta


O Globo - 07/01/2009
 

O governador Aécio Neves recebeu pesquisa na qual tem 83% de intenções de voto, em Minas Gerais, para a Presidência da República. Concluiu que não tem como abdicar da disputa para ser o candidato do PSDB. Neste ano, pretende tornar-se mais conhecido no país, e sua primeira investida será no Nordeste. Os aecistas já avisaram à cúpula tucana: os mineiros não vão votar naquele que derrotar Aécio Neves no PSDB. Muitas emoções. 

Múcio e Erenice cotados para o TCU 

Depois da indicação do ex-senador José Jorge (DEM-PE) para o Tribunal de Contas da União no final do ano passado, feita pelo Senado, haverá mais uma vaga para o TCU até o meio deste ano, com a aposentadoria do ministro Marcos Vilaça. Desta vez, a indicação cabe ao presidente Lula. Estão na roda os nomes do ministro José Múcio (Relações Institucionais) e da secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra. Ela esteve no centro do escândalo do dossiê com gastos do governo FH. É uma oportunidade para Lula tentar equilibrar a correlação de forças no tribunal. Ele tem reclamado da predominância da oposição no TCU. 

O Brasil é o país mais ecológico do universo. O lugar das ONGs é na Holanda, na Alemanha..." - Reinhold Stephanes, ministro da Agricultura 

O ESTRANGULAMENTO. O trabalho apresentado pela Embrapa ao ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) revela que apenas 33,14% do território nacional (2,8 milhões de km²) podem ser explorados economicamente sem infringir a legislação ambiental. A área do país com maior disponibilidade de terras para a produção é o Centro-Oeste, com 1,1 milhão de km², ou 41,6% do Cerrado. A área total dos biomas brasileiros é de 8,5 mi de km². 

Cadeia para um milhão 

O grupo de trabalho formado pelos ministérios de Meio Ambiente, Agricultura e Desenvolvimento Agrário para a revisão do Código Florestal vive um impasse. O clima azedou de vez quando os ambientalistas propuseram pena de prisão de três anos para quem descumprir a legislação ambiental. Presente na reunião, o deputado Assis do Couto (PT-PR) deu um pulo. Disse que isso levaria à prisão de um milhão de pequenos e médios produtores no Centro-Sul do país. 

O governo Lula e o triunfalismo da crise 

O presidente Lula não é o único analista de mídia em seu governo. Numa entrevista para o Instituto Humanitas, da Unisinos (RS), o chefe-de-gabinete Gilberto Carvalho critica a cobertura da crise: "A reação de Lula é uma reação à maneira como a imprensa e a oposição estão abordando a crise (...). Mal disfarçam a torcida para que a crise venha e crie problemas para o governo. O ar triunfalista com que certos veículos da imprensa anunciam a chegada da crise trai essa atitude". 

Campanha 

O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), ligou para o líder do PDT, Osmar Dias (PR), pedindo apoio para ser reconduzido ao cargo. Não dele levar. "O apoio a Tião Viana é irreversível", adverte Cristovam Buarque (PDT-DF).

Cabo-de-guerra 

Em meio à briga para a validação automática do diploma de formados em medicina em Cuba, o PT abriu ontem seleção para bolsistas do curso na ilha. O governo Lula é a favor do reconhecimento; e o Conselho de Medicina, contra. 

O PRESIDENTE do PMDB, deputado Michel Temer (SP), esteve ontem com o vice-presidente, José Alencar. Pediu apoio para a presidência da Câmara. 

CABO ELEITORAL. O principal cabo eleitoral da eventual candidatura do senador José Sarney (PMDB-AP) para o Senado não é mais a ala do PMDB comandada por Renan Calheiros (AL), e sim o DEM. 

JOÃO SALGUEIRO está assumindo a Embaixada de Portugal no Brasil. Seu posto anterior foi representar os interesses portugueses na ONU.

COLUNA PAINEL

Alívio seletivo


Folha de S. Paulo - 07/01/2009
 

Diante do anúncio do maior baque na produção industrial em 13 anos, o governo fez chegar ontem às centrais sindicais que o aumento em duas parcelas do seguro-desemprego vai ocorrer, mas sem pressa. "Queremos primeiro ver como a economia está reagindo às medidas de estímulo à produção", disse o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que conversou com a Força Sindical e a CGTB. Março é a data provável, segundo ele, apesar de os sindicalistas pressionarem para que a medida entre em vigor ainda neste mês.
As parcelas extras -o teto subiria de cinco para sete- irão apenas para setores que mais têm demitido. Ministro e centrais concordam que três estão no começo da fila: metalurgia, construção civil e vestuário.

Mantra
Mensagem eletrônica de fim de ano enviada pelo governador Blairo Maggi (PR-MT): "Meu pai me falava: "Dizem que tem uma crise, aliás sempre ouvi falar de crise, mas nunca a encontrei"". 

Animal Planet
A Presidência da República lançou licitação para comprar 36 toneladas de alimentos para os peixes e aves do Palácio do Planalto, Alvorada e Granja do Torto, ao custo de R$ 45 mil. Só os avestruzes receberão 49 sacos com uma tonelada e meia de ração, ao todo. 

Arquibancada
Dilma Rousseff (Casa Civil) marcou ontem para o dia 15 uma reunião com os ministros Luiz Barretto (Turismo), Márcio Fortes (Cidades) e Alfredo Nascimento (Transportes) para definir o plano de investimentos para as cidades que devem ser sede da Copa-2014. 

Do baú 1
A assessoria jurídica da Câmara finalizará em duas semanas a resposta que o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), dará ao Supremo na polêmica sobre a criação de cargos de vereador. O Senado quer que o STF obrigue a Câmara a promulgar a emenda constitucional que cria as vagas. Chinaglia defende nova votação. 

Do baú 2
Será lembrada a emenda de 1999 que prorrogou a cobrança da hoje extinta CPMF. Com origem no Senado, ela foi modificada pela Câmara e depois promulgada. Na ocasião, o Supremo forçou nova votação pelos senadores.

Últimas
A Câmara dos Deputados lançou ontem a sua primeira licitação do ano: procura-se empresa para fornecer aos congressistas e aos órgãos técnicos da Casa 76 diferentes títulos de jornais e revistas durante 2009. 

Olho no...
O custo estimado aos cofres públicos é de R$ 1,8 milhão. Os deputados podem escolher entre receber as publicações em casa ou no gabinete. Entre os que solicitaram o mimo, dois incluíram na sua "lista de assinaturas" o diário esportivo "Lance!". 

Casa Alta
O Senado saiu na frente. Renovou no final de dezembro o serviço de fornecimento de jornais e revistas aos seus parlamentares. Embora tenha apenas 16% de cadeiras em comparação com a Câmara (81 contra 513), o custo previsto, R$ 764 mil, representa 43% do que os deputados esperam gastar. 

Fórmula
O prefeito de Osasco, Emídio de Souza (PT), decidiu criar duas subprefeituras na cidade. Elas serão batizadas de Norte e Sul. Também anunciará duas novas secretarias: a do Trânsito e a de Segurança Urbana. 

Cinto
Passada a euforia pela vitória sobre o PT, a nova prefeita de Natal, Micarla de Souza (PV), também avisou que fará um pacote de cortes em cargos na máquina e em contratos com terceirizados. 

Laboratório
O vice-governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), diz que os primeiros CEUs que oferecerão cursos técnicos noturnos -Parque Paulistano (norte) e Capão Redondo (sul)- servirão de teste para a intenção do Estado de expandi-los a todas as outras unidades.

Tiroteio 

"Já que o prefeito discursou sobre a importância da transparência, podia começar apoiando a criação de uma CPI sobre os fiscais da cidade." 
Do vereador 
ANTONIO DONATO (PT), relacionando a fala de Gilberto Kassab (DEM) no dia da posse com a prisão de funcionários da Subprefeitura da Mooca, em julho, acusados de extorsão contra ambulantes.

Contraponto 

Famoso quem?

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), recepcionava em um gabinete lotado os suplentes que tomaram posse ontem. Em dado momento, decidiu apresentar, um a um, os candidatos à sua sucessão. Anunciou Michel Temer (PMDB-SP) e Aldo Rebelo (PC do B-SP), a quem se referiu como "ex-presidentes da Casa". Osmar Serraglio (PMDB-PR) foi lembrado como o "primeiro-secretário da Mesa". Então chegou a vez de Ciro Nogueira (PP-PI), com quem o petista teve atritos.
-Ali está o Ciro, que é, que é...-travou Chinaglia.
Diante do silêncio, foi socorrido ao pé do ouvido:
-Ah, sim, é o segundo-secretário!

O IDIOTA


QUARTA NOS JORNAIS

- Globo: Gastos com manutenção de rodovias despencam

- Folha: Israel bombardeia escolas da ONU

- Estadão: Israel ataca abrigos da ONU e mata ao menos 30 palestinos

- JB: Caça-níqueis ainda livres

- Correio: Que guerra é essa?

- Valor: Mercados mostram 'bom humor' apesar da crise

- Gazeta Mercantil: Aumentam os estoques no varejo da construção

- Jornal do Commercio: Caem os índices de violência no Estado