sexta-feira, setembro 23, 2011

PAULO SANT’ANA - A engrenagem


A engrenagem
PAULO SANT’ANA
ZERO HORA - 23/09/11 

O que vem a ser uma engrenagem? O que vêm a ser nossas engrenagens?

Eu penso que, quando, por exemplo, suas decisões não influem nada sobre a existência de sua família, sobre a organização da sua família, sobre a desorganização da sua família, você está sendo apenas um joguete na sua família, nesta sua engrenagem.

O mesmo com seu emprego. Quando, em seu emprego, você só obedece às ordens superiores, quando você não contribui em nada para a alteração, a ampliação, a organização dos objetivos de seu emprego, você está sendo apenas um joguete na sua empresa ou repartição.

Ou seja, para que você não se submeta à sua engrenagem, é preciso que participe ativamente da movimentação de conteúdo dela.

Você só não será joguete de sua engrenagem se ela permitir que você afirme a sua soberania.

Em suma, quando sua família passa por cima de sua soberania pessoal como um trator, não se importando com suas opiniões ou ideias ou despreza com método a sua capacidade de decisão ou influência, você acaba de ser um mero joguete da engrenagem.

Você tem o direito de manter e modificar a engrenagem, quando ela o imobiliza à inércia e à desimportância, aí é que se verifica a sua escravidão à engrenagem.

Já fui e sou submetido – e também não o sou – a várias engrenagens, uma roda de amigos, um clube, entidades de comércio e de lazer das quais sou usuário.

Mas, quando tentam me submeter ou conseguem me submeter, precisam ver como eu esperneio. Porque uma mania que eu tenho é a de fazer parte ativa da engrenagem, principalmente pelas minhas ideias. Eu estou sempre dando ideias a respeito de tudo o que me cerca. Em suma, eu sou um reformador.

A minha engrenagem tem de ter, se não meu rosto, pelos menos algumas das minhas feições.

Nada que venha de cima ou de baixo nas minhas engrenagens deixa de receber a minha concordância ou o meu protesto. Procuro ser cordial nesse relacionamento, mas sou muito atento.

Porque eu sempre reservei para mim o direito de decidir sobre o metabolismo das minhas engrenagens.

E confesso que, em matéria de minha família, eu nada mais sou do que um mero joguete dessa minha engrenagem. Essa minha engrenagem passou por cima de mim como um trator, fez o que quis de mim, me despersonalizou, acabou comigo.

Mas o que é que eu vou fazer? As engrenagens têm poder destrutivo.

Mudando de assunto, saúdo efusivamente o lançamento ontem da Ciclovia da Avenida Ipiranga, que terá um percurso de 9,4 quilômetros, da Edvaldo Pereira Paiva até a Antônio de Carvalho.

É um velho sonho dos ambientalistas, dos melhores urbanistas, enfim, dos munícipes.

Saúdo também a parceria entre a prefeitura, o Shopping Praia de Belas e a Companhia Zaffari, estas duas empresas custearão com seus recursos próprios a construção da ciclovia de duas mãos, no valor de R$ 2,5 milhões.

Sonho que essa ciclovia seja inspiradora da construção de inúmeras outras ciclovias em nossa cidade, lógicas soluções urbanas para o lazer, o esporte e a economia de custos individuais dos cidadãos no que se refere ao preço dos transportes.

Ave, Ciclovia da Ipiranga!

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