segunda-feira, março 23, 2009

PAINEL

Sem fundo


Folha de S. Paulo - 23/03/2009
 

A segunda parcela de março do FPM, repassada pelo governo federal na sexta-feira, aprofundou o quadro de adversidade para mais de 80% dos municípios do país, que têm no fundo sua principal fonte de recursos. O valor ficou 14,4% abaixo da previsão do Tesouro, o que aponta para um fechamento de mês com queda maior que os 18% inicialmente estimados.
No Norte e no Nordeste, há cidades que não receberam nenhum centavo. A capital mais problemática é Fortaleza. No norte de Minas, algumas prefeituras cortaram 50% do expediente. No dia 7, a Confederação dos Municípios vai a Brasília para uma reunião com o ministro José Múcio (Relações Institucionais).

Colaterais
O Fundo de Participação dos Municípios é calculado com base no IR e no IPI, cuja redução deverá ser prorrogada como medida de combate à crise. O reajuste do salário mínimo e o novo piso dos professores ajudam a sangrar o caixa das prefeituras. 

Datafolha SP
Ninguém sabe o dia de amanhã, mas a pesquisa endossa o que nove entre dez petistas dizem em privado: que a eleição em São Paulo é para perder. A meta real seria fazer um resultado que não comprometa as chances da candidatura nacional. 

Datafolha MG
A vantagem de Fernando Pimentel sobre Patrus Ananias, expressiva porém não acachapante, reforça a ideia de que o PT dificilmente escapará de realizar prévias para definir o seu candidato em Minas. 

Datafolha RS
O bom desempenho do prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, na pesquisa fragiliza o projeto petista de, superando rivalidades históricas, atrair o PMDB para uma aliança em torno de Tarso Genro. 

Datafolha RJ
O Rio é um problema para José Serra (PSDB), mas a situação pouco confortável de Sérgio Cabral (PMDB) na pesquisa indica que também o palanque de Dilma Rousseff (PT) não está lá muito firme no Estado. 

Prospecção
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) se movimenta para ser candidato ao Senado pelo PDT do Rio, na chapa de Sérgio Cabral. 

Cafezinho
O PP faz hoje uma visita cordial a Aécio Neves. Francisco Dornelles, presidente da sigla e tio do governador, quer manter uma brecha para o partido apoiar o mineiro caso ele viabilize sua candidatura a presidente.

Água no chope
A nota dissonante do encontro festivo da Mensagem, no Rio, em torno de Dilma Rousseff foi dada pela economista Maria da Conceição Tavares, que discorreu longamente sobre a gravidade dos efeitos da crise econômica no Brasil. 

Timing
Na fase de aproximação com o PMDB, Dilma aprovou em tempo recorde a inclusão de duas obras do Rio Grande do Norte no PAC: um projeto de irrigação em Apodi e a construção de um novo braço no porto-ilha de Areia Branca, usado para escoar sal, orçada em R$ 155 milhões. 


Nelson Jobim mandou dizer em alto e bom som que não aceitará indicações do partido para a direção da Infraero. Lembrou que, quando topou assumir o abacaxi da Defesa, foi na cota pessoal de Lula, e não do PMDB. 

Cartilha
O Ministério das Cidades lançou concorrência para contratar, por R$ 2,6 milhões, um instituto para produzir o estudo que vai embasar o Plano Nacional de Saneamento Básico. 

Aposta de risco
Câmara e Senado estão dispostos a quebrar o tabu e votar a legalização do jogo no país. O lobby conta com apoio de líderes do governo e da oposição. "O sujeito sai daqui para gastar horrores em cassinos em Punta del Este", diz um deputado favorável à proposta. 

Tiroteio

"Se a oposição pensar com a cabeça, e não com o fígado, verá que essa nova interpretação sobre as medidas provisórias é muito mais preocupante para o governo." 
Do deputado 
FLÁVIO DINO (PC do B-MA), sobre a mudança proposta pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), para que possa haver votações quando a pauta estiver trancada por MPs.

Contraponto

De papel passado

Durante recente corrida de táxi em Belo Horizonte, o senador Wellington Salgado (PMDB) ouvia do motorista uma torrente de elogios ao governador Aécio Neves (PSDB). Até que resolveu perguntar:
-Me diga uma coisa: se ele fosse presidente, o fato de ter fama de namorador não atrapalharia?
O taxista pensou um pouco e opinou:
-Só se a moça for mineira.
Como o passageiro pareceu intrigado diante da resposta, o motorista resolveu explicar sua teoria:
-É porque aí ele teria que casar...

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