sábado, fevereiro 01, 2014

Sinais de desaceleração - EDITORIAL O ESTADÃO

O Estado de S.Paulo - 01/02

O comportamento do mercado de trabalho, no qual o governo fundamentou suas projeções otimistas - e desmentidas na prática - para o crescimento da economia em 2013, continua a justificar previsões oficiais igualmente otimistas para 2014. Dados recentes, porém, mostram que pode estar se esgotando o vigor desse mercado. Se, mesmo pujante em 2013, não foi suficiente para impulsionar mais a atividade econômica, parece pouco provável que, tendo perdido parte de seu dinamismo, o mercado de trabalho continue a manter a demanda interna em nível elevado, estimulando a produção, como espera o governo.

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre desocupação e renda nas seis principais regiões metropolitanas continuam positivos. O desemprego médio de 2013 ficou em 5,4%, a menor taxa desde 2002, quando esses dados passaram a ser tabulados (a desocupação em dezembro, de 4,3%, também foi a menor taxa mensal desde o início da pesquisa). O resultado de 2013 é 0,1 ponto porcentual inferior ao de 2012 e 7 pontos porcentuais abaixo do resultado de 2003 (desemprego de 12,4%).

Igualmente positivos são os dados referentes ao número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, que, na média de 2013, passou da metade das pessoas ocupadas (50,3%), fato que ocorre pela primeira vez desde que a pesquisa começou a ser feita. Também importante indicador da evolução das relações de trabalho é o crescimento do porcentual de trabalhadores que contribuem para a Previdência. No ano passado, 74,4% das pessoas ocupadas eram contribuintes da Previdência, índice bem superior ao verificado em 2003 (61,2%).

Mas importantes indicadores mostram desaceleração e alguns começam a piorar. O crescimento do número de trabalhadores com carteira assinada no ano passado, de 3%, foi o menor desde 2009. Também a variação da população desocupada (queda de 1,5% em relação a 2012) foi a pior desde 2009. Já a população ocupada em dezembro do ano passado foi 0,5% menor do que a constatada em dezembro de 2012. O rendimento real médio continua a crescer (aumentou 1,8% no ano passado), mas a um ritmo menos intenso (o crescimento de 2013 foi o menor desde 2005).

A pesquisa do IBGE mostra a persistência do processo de encolhimento do mercado de trabalho na indústria. Em 2013, do total de ocupados no País, o setor manufatureiro empregava 15,8%, índice inferior aos de 2012 (16,1%) e de 2003 (17,6% do total). Vem crescendo, em contrapartida, a fatia dos empregos na área de serviços prestados às empresas, atividades imobiliárias, intermediação financeira e outros serviços.

Essas mudanças no comportamento do mercado de trabalho não foram suficientes para reduzir o peso que o governo atribui a ele em suas previsões para 2014. E, para ampliar os fundamentos de suas projeções, o governo lança mão de dados externos. Além da evolução do emprego e da renda média dos trabalhadores, o governo aponta, como fatores que impulsionarão a economia brasileira, alguns sinais positivos que vislumbra no exterior. Mas ignora as rápidas transformações que já ameaçam as economias emergentes.

As novas projeções para o crescimento mundial são citadas pelos economistas do governo para explicar seu otimismo. Com base na recuperação da atividade produtiva e da evolução do comércio internacional no segundo semestre do ano passado, o Fundo Monetário Internacional prevê que a economia mundial crescerá 3,7% em 2014 e 3,9% em 2015.

O Brasil seria muito beneficiado pela reativação da economia mundial. Mas, ao aquecimento da produção no exterior e à maior expansão do comércio internacional, agora se junta o crescente temor dos investidores internacionais com relação à estabilidade das economias emergentes.

No caso brasileiro, o temor vem se acentuando por causa da persistência da inflação, das expectativas pessimistas do empresariado - que não acredita nas projeções do governo - e, mais recentemente, do temor de contaminação da economia brasileira pela crise argentina.

Tensões e ajustes - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 01/02

Autoridades precisam mostrar que aprenderam com os erros recentes e agir para proteger o país da crescente turbulência global


Não tem cabimento esperar que governos expressem opiniões pessimistas a respeito do ambiente econômico, doméstico ou global. Poderiam parecer quase anódinas, por esse motivo, as recentes manifestações de autoridades brasileiras em relação aos efeitos que a turbulência financeira internacional terá no Brasil.

Em resumo, integrantes graduados do governo Dilma Rousseff (PT) têm dito que o país não foi engolfado pela "crise dos emergentes".

Não obstante serem verdadeiras as afirmações de que o Brasil dispõe de defesas, tais como grande volume de reservas internacionais em moeda forte, e de que indicadores econômicos fundamentais não estão em estado crítico, teme-se que a demonstração de tranquilidade possa traduzir uma predisposição para novas negligências.

O governo corre o risco de subestimar o problema da finança internacional. Pode ser que nem venha a ocorrer uma "crise" propriamente dita, com desfechos dramáticos para as tensões que abalam países emergentes, como o Brasil. Mas tais tensões já causam efeitos muito concretos.

Economias relevantes fora do mundo desenvolvido elevaram os juros a fim de se protegerem de desvalorizações extremas de suas moedas e de fugas de capital. Como resultado, devem crescer menos.

O crescimento mais lento de China e demais emergentes reduz pressões inflacionárias no mundo inteiro. Essa aparente boa notícia, porém, tem potencial para afetar a Europa, que enfrenta risco oposto, o de deflação. Na prática, isso se traduziria numa alta da taxa de juros num continente que mal saiu da recessão.

Os problemas do momento são fruto, de resto, de um processo que mal teve início --o ajuste da política monetária americana (redução de estímulos e alta de juros) e a redução do ritmo chinês de crescimento. Novas rodadas de tensão e ajuste ocorrerão. Nesse ambiente, podem ocorrer acidentes financeiros, em parte devido ao comportamento de manada dos mercados financeiros.

O Brasil nada pode fazer a respeito dessa reconfiguração financeira, a não ser reforçar os alicerces de sua economia, fragilizados no último triênio. Países com deficit, inflação e desequilíbrios negativos nas transações com o exterior ficarão especialmente expostos a riscos de reveses nessa transição.

Muito mais do que palavras tranquilizadoras, as autoridades precisam demonstrar que aprenderam com os erros recentes e agir de modo a proteger o país da turbulência. O primeiro passo é evitar incertezas na gestão do Orçamento.

A vitrine dos vândalos - EDITORIAL ZERO HORA

ZERO HORA - 01/02

É estarrecedora a constatação de que, a cada dia, cerca de oito ônibus são incendiados ou depredados nas 27 regiões metropolitanas das capitais brasileiras. Do início de 2013 até esta semana, 230 veículos de transporte coletivo foram queimados e mais de 3 mil foram depredados. Trata-se de uma onda de vandalismo sem precedentes, que causa transtornos de toda ordem para a população, inclusive colocando a vida de pessoas em risco, além de prejudicar terrivelmente a imagem do país no Exterior, já que as cenas de veículos em chamas ganham natural destaque na mídia nacional e internacional.
O mais apavorante é o agravamento do clima de insegurança resultante da crueldade dessas ações. Basta lembrar o doloroso episódio da morte de uma menina no Maranhão, em decorrência do incêndio do ônibus em que viajava com sua família. De acordo com especialistas, são variados os motivos dessa brutalidade, entre os quais a reação de criminosos presos por meio de seus cúmplices, os protestos de moradores com a má qualidade de serviços públicos, o vandalismo em dias de futebol e também os movimentos reivindicatórios de rodoviários. O ônibus é a vitrine dos delinquentes, pois é um alvo vulnerável e, até pelo seu tamanho, dá grande visibilidade aos atos criminosos.
Tais atentados, porém, causam mais danos à população do que aos eventuais proprietários das frotas atingidas, em muitos casos os municípios _ portanto, mantidos com os impostos dos cidadãos. Ao danificar um veículo de transporte público, os vândalos acabam provocando atrasos, suspensões de viagens e obstáculos para as pessoas chegarem aos seus destinos. Quantas pessoas não perdem compromissos, como consultas médicas, trabalho, encontro de negócios, compras importantes e até mesmo visitas a familiares?
O transporte público precisa melhorar e ter preços acessíveis, mas a destruição de veículos não contribui em nada para tais propósitos. Cada ônibus danificado é uma dificuldade a mais para a renovação da frota e para o barateamento das tarifas.
Queimar e depredar, seja lá o que for, não podem ser considerados atos aceitáveis, tanto que se verificam apenas em manifestações reivindicatórias fora de controle ou nas tentativas de represálias de criminosos que querem passar a mensagem do medo à sociedade. Diante da dimensão que está tomando esse tipo de crime no país, é impositivo que o governo federal e os governos estaduais desenvolvam estratégias conjuntas de vigilância permanente e de contenção do vandalismo.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Deixe passar a Copa e aí vamos reivindicar o que estão roubando”
‘Rei’ Pelé, que não quer estragar a festa com ‘bobagens’ como roubo e desvio de verbas



‘COMANDANTE’ DILMA SE DIVERTE ALTERANDO ROTAS

Habituados aos desvios de rota determinados pela presidente Dilma nas viagens ao exterior, o Itamaraty e a Força Aérea Brasileira (FAB) agora elaboram planos de voo detalhando apenas a ida, e deixando a volta ao Brasil em aberto, a cargo da chefa. Diplomatas são obrigados a ficar de plantão, aguardando decisão de madame, para providenciar de última hora a estrutura e autorizações de sobrevoo nos países.

PODERIA SER PIOR

O pernoite de Dilma em Portugal, no hotel Ritz, embora previsto e o governo português ciente, só foi confirmado por ela dois dias antes.

SAI CARO

Além do mal-estar diplomático, devido à comunicação sempre em cima da hora aos governos locais, os gastos da viagem multiplicam.

DIVERSÃO

O ex-presidente Lula também se divertia mudando os planos de voo, como Dilma, mas com regularidade bem menor que a sucessora.

PREVISÍVEL

Já o ex-presidente FHC, segundo palacianos, decidia tudo com antecedência, e cumpria à risca os planos de voo de ida e volta.

AGNELO DECIDE PUNIR PMs AMOTINADOS NO DF

Após reunião com o secretário de Segurança Pública e o comando da Polícia Militar do Distrito Federal, o governador do DF, Agnelo Queiroz, decidiu instaurar processos administrativos para eventualmente punir os policiais que fazem corpo mole, em “operação tartaruga”, para deixar a população à mercê dos bandidos. Pelo menos cinco policiais militares já foram identificados e serão punidos até com demissão.

ANO DE ELEIÇÃO

O comando da Polícia Militar do DF se convenceu de que os líderes da “operação tartaruga” estão em campanha para deputado, em outubro.

FALTOU GENTE

O governo do DF e a Polícia Militar decidiram colocar na rua até os coronéis, “para garantir a segurança da população”.

VÍTIMAS DA LEVIANDADE

Nos 31 dias de janeiro, 75 pessoas foram assassinadas em Brasília, a capital da 7ª maior economia do mundo, 41% a mais que em 2013.

DEMISSÃO DE PIRRO

O ex-ministro Franklin Martins celebrou a demissão da ministra Helena Chagas (Comunicação), quinta à noite, no bar Expand, em Brasília. Deve ter sido uma luta: ele parece ter envelhecido uns vinte anos.

IRONIA DO DESTINO

O novo ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Thomas Traumann, atuou na Veja, conquistando reputação de profissional competente e bem preparado. Ironia do destino: hoje, os petistas devotam ódio incurável pela revista.

AGENDA POSITIVA

O Solidariedade organiza um encontro mundial de partidos ligados à questão trabalhista no fim de março, na Itália, onde os líderes tentarão, de quebra, agendar uma visitinha ao papa Francisco, no Vaticano.

#VEMPRARUA

O corpo mole proposital de PMs, que provocou a explosão de crimes no DF, despertou a população: tem protesto marcado, neste sábado, em frente à residência oficial do governador Agnelo Queiroz (PT).

MEDO DE PERDER

Diante da popularidade do governador Eduardo Campos (PSB), o deputado João Paulo (PT-PE) disse a amigos que avalia até abrir mão da candidatura ao Senado e disputar nova reeleição à Câmara.

NEM PENSAR

O governador Sérgio Cabral (PMDB) nem cogita negociar palanque a Eduardo Campos (PSB), a quem não perdoa pelas críticas a Luiz Pezão e por ter “lutado contra o Rio”, na questão dos royalties.

RECESSO PROLONGADO

Apesar de o recesso parlamentar acabar na segunda (3), deputados se preparam para voltar aos trabalhos só na segunda quinzena, após o presidente Henrique Alves e os líderes definirem cargos nas comissões.

FORÇA EVANGÉLICA

O Pastor Everardo se reunirá com lideranças do PSC em fevereiro para discutir candidatura à Presidência. Pesquisas internas apontam que, com 30 milhões de evangélicos no País, ele despontaria com 5 pontos.

OLHO NO 2º TURNO

Dilma mandou flores para Miguel, filho de Eduardo Campos, e Lula até verteu lágrimas sinceras pela Síndrome de Down do bebê.


PODER SEM PUDOR

MONTARIA DEMOCRÁTICA

Revoltado com o Estado Novo de Getúlio Vargas, instaurado em 1937, o jovem vereador Tancredo Neves decidiu protestar na Câmara de São João Del Rey: afinal, o ditador fecharia câmaras e assembleias legislativas. Mas, enquanto esperava a vez de discursar, um experiente colega ponderou:

- Vamos ver se nós apeia do mesmo lado de amontar...

Traduzindo: para não correr o risco de coice, era melhor descer do cavalo pelo mesmo lado que usou para montar. Tancredo desistiu da valentia. Dezesseis anos depois, seria nomeado ministro da Justiça de Getúlio.

SÁBADO NOS JORNAIS

Globo: Com crise, Bolsa tem pior janeiro em 19 anos
Folha: Governos fazem menor poupança em 15 anos
- O Estadão: Planalto prepara campanha publicitária para defender a Copa
Correio: MP vai à Justiça contra a operação tartaruga
Jornal do commercio: Água sobe pelo menos 8,9%
Zero Hora: Transporte público na capital: Sem trégua, greve continua

sexta-feira, janeiro 31, 2014

O sol na cabeça - FERNANDO GABEIRA

O Estado de S.Paulo - 31/01

Nestes tempos de muito calor, tempestades e milhares de raios, uma carioca da Gávea teve muita sorte porque lhe caiu na cabeça apenas um porco-espinho. A frase de Milton em O Paraíso Perdido tem valor universal, mas parece ter sido escrita para o Brasil deste verão tenso, pré-Copa do Mundo e eleições: a mente humana pode fazer do céu um inferno e do inferno um céu.

Comentando uma conferência budista, Alan Lighting escreveu: "Como cientista, acredito firmemente que os átomos e moléculas são reais e existem independentemente de nossas cabeças". Lighting observa, entretanto, que, enrascados na teia de 1,5 kg de neurônios, temos dificuldade de determinar o que é real. Constantemente, no esforço de representar o mundo, ignoramos dados essenciais ou inventamos algo que não está diante de nós.

Como todo mundo parece esperar alguma coisa em 2014, os rolezinhos foram recebidos com excitação e uma tonelada de interpretações. Racismo, luta de classes, desejo de entrar nos templos do consumo, cada um atirou para o lado, deixando de fora uma realidade que os americanos descrevem de forma direta e simples: boy meets girl. Como foi possível ignorar essa força elementar e fixar nos grandes traços políticos e sociológicos?

Em 2010, no Rio, houve de fato um rolezinho em que moradores de uma favela entraram num shopping e foram retirados por seguranças e forças policiais. Na época a esquerda oficial ignorou o episódio. Sérgio Cabral era o governador, em plena campanha de renovação do mandato, e o PT estava junto - são aliados antigos que até hoje hesitam diante da separação.

A morte de um jovem gay em São Paulo também foi interpretada com excessiva rapidez. Os militantes apostaram num assassinato homofóbico antes de concluídas as apurações.

Estamos entrando no período eleitoral. Os debates assumem tom apaixonado, a verdade naufraga como numa guerra.

No livro Mishima ou a Visão do Vazio, Marguerite Yourcenar faz uma observação sobre autores que estabelecem uma ligação da obra e vida de Mishima usando cabos, sem perceber que as conexões, nesse caso, são finos capilares. O pensamento militante costuma ter essa tendência: ligar com cabos uma realidade que emerge apenas através de delicados capilares.

O resultado disso é um debate enlouquecido, em que a raiva predomina. Recentemente disse pelo rádio que havia uma cela vermelha, com o n.º 13, na Papuda e que poderia abrigar os dirigentes do PT. Foi tomado como um insulto. Não tive outra saída senão mostrar a imagem da cela vermelha com o n.º 13. Aí o debate se deslocou para discutir se a cor era mesmo vermelha ou vinho. Limitei-me a lembrar que em outros idiomas o vinho tinto é chamado de vinho vermelho.

Imagens, que também são discutíveis, ajudam a criar um mínimo de consenso sobre o real. Dilma, em Davos, disse que o Brasil está preparado para a Copa. No mesmo dia passageiros da Gol forçaram a porta de emergência e protestaram em cima das asas do avião. Isso não quer dizer que Dilma estivesse mentindo em Davos. Mas a imagem nos conduz a uma reflexão sobre o nível de preparo do Brasil, alguns meses antes do evento.

No Rio, o vice-governador Pezão afirmou que o sistema de trens estava ganhando cada vez mais credibilidade. As imagens diziam o contrário: passageiros caminhando pelos trilhos, sufocados pelo calor, lamentando a degradação dos serviços.

Outro dia, tuiteiros do PT afirmaram que os presos de Pedrinhas não me deixaram entrar no presídio porque eu seria uma ave de mau agouro, sempre atrás de tragédias. Quem conhece crises penitenciárias sabe que a entrada ou não de alguém num presídio depende das autoridades, não dos presos. Os tuiteiros do PT viraram samurais eletrônicos da família Sarney. Que destino, bro!

Os debates, que se davam em baixo nível, devem cair mais na Copa e nas eleições. Toda a efervescência artificial do momento já revela o medo do desconhecido, dos desdobramentos incontroláveis que podem surgir da revolta popular. É preciso saber antes, interpretar antes, emplacar logo uma versão que resolva o único problema com que realmente vale a pena se preocupar: como continuar no poder. Se dependesse de mim, veria as coisas com calma e até um certo distanciamento. As emoções virão, não é preciso vivê-las antecipadamente.

Alguns problemas reais, como a crise argentina, estão passando ao largo. E podem ter repercussão aqui. O mesmo vale, em menor escala, para a crise na Venezuela. O fracasso de duas economias de peso na América Latina merece estar, creio eu, na ordem do dia. Lembro que, apesar de tudo, a Argentina vai crescer 2,8%, talvez um pouco mais que o próprio Brasil. O índice de crescimento não é tudo. O FMI olha com apreensão para a Argentina e é inevitável que as dificuldades hermanas tenham repercussão no nosso país.

É preciso ainda achar um espaço nessa batalha polifônica em torno do funk ostentação, de biografias de cantores, e discutir um rumo para um país que, a meu ver, já o perdeu com o esgotamento do modelo de puro estímulo ao consumo e coalizão presidencial fisiológica.

Um ocupante da casa do Big Brother fez pipi na piscina e se defendeu: "Quem não faz pipi na piscina?". Todos os que não fazem deveriam levar isso em conta. Há muitos fios soltos por aí, tão importantes para conhecer o País como o fenômeno dos rolezinhos, que na imaginação desvairada é o prenúncio do grande arrastão que descerá dos morros e da periferia.

Há 50 anos os militares tomavam o poder. Muitos dos sobreviventes já estão naquela idade em que chaves e óculos desaparecem com frequência, numa aparente conspiração para nos enganar. Discordo da afirmação budista de que o mundo é um produto da mente. Reconheço nele uma existência autônoma. Mas concordo com a tese de que tudo passa, tudo passará.

Eu me divirto com o reflexo dessa realidade essencial no desespero dos que querem o poder para sempre. Adoro vê-los rangendo bytes e pixels nos blogs envenenados. E a vida vindo em ondas, como o mar.

A casa da amante - JOSÉ CARLOS TEIXEIRA GIORGIS

ZERO HORA - 31/01

O STJ entendeu que o direito de habitação também se estende à concubina


Um dos temas recorrentes nos tribunais é sobre as “famílias simultâneas”, ou seja, a existência de núcleos paralelos ao matrimônio com o reconhecimento de efeitos jurídicos para um dos integrantes desta parceria. Se o cônjuge está separado de fato de sua esposa, a situação está protegida como união estável; mas se o casamento persiste, instalou-se no código figura híbrida e mal desenhada que se denomina “concubinato” para as relações não eventuais entre homem e mulher impedidos de casar.
Assim são frequentes as refregas previdenciárias em que a viúva e a concubina disputam a pensão deixada; ou o patrimônio havido, com resultados pendulares conforme a natureza da Corte.
Em palestras, procura-se alvoroçar os alunos advertindo-os de que, em breve, os manuais cuidarão do assunto como “direitos da amante”, em prol do desgaste que o vocábulo concubina sofre há centúrias, o que exige sua substituição por outro que lhe dê dignidade jurídica, como aconteceu já com outros preconceitos empalidecidos.
É verdade que tais células pouco manifestas, em muitos casos, abrigam típicas famílias, com notoriedade, descendência e até comunhão de vida, embora o varão persista (con) jungido aos laços originais, em esperta duplicidade de vida: aqui o julgador titubeia ante a forte aparência de um concubinato puro e nas sérias consequências de seu veredicto.
A lei ordena que a viúva (ou viúvo) tem o direito de permanecer morando no imóvel em que a família residia desde que único daquele tipo a inventariar; essa garantia, embora não escrita para a companheira (ou companheiro), é admitida pelos tribunais também na união estável, repita-se, vínculo entre pessoas desimpedidas ou separadas de fato.
Pois bem, em decisão recente, o Superior Tribunal de Justiça entendeu, por escassa vantagem, que o direito de habitação _ nome do instituto acima referido _ também se estende à concubina.
O caso julgado foi o seguinte: um respeitável cidadão habitava com sua família em imóvel alugado; e há muitos anos convivia com outra, mas num apartamento que estava em seu nome, sem que sua linhagem soubesse, fato que despertou no falecimento; partilhado esse único bem, tentou-se desalojar a ocupante que, por óbvio, retrucou com seu privilégio. E venceu.
Como diz o jargão forense, é necessário examinar os argumentos em que se ancora o acórdão, pois cada precedente tem sua peculiaridade e nem sempre veste todas as hipóteses.
As amantes estão atentas aos derradeiros recursos.

Puxar o cabelo para sair do chão - VINICIUS TORRES FREIRE

FOLHA DE SP - 31/01

Números de emprego, salários e consumo são bons; mas não dá para melhorar sem crescer mais


DILMA ROUSSEFF ontem fez festa com os números do emprego. Publicou vários "tuítes", no Twitter, a respeito da baixa do desemprego, do aumento da ocupação e das várias melhorias qualitativas do mercado de trabalho. É tudo verdade.

A presidente comparava, de resto, os números de agora aos de 2003, "quando assumimos [o PT] o governo".

Nos últimos dois anos do governo FHC (2001-02) e nos dois primeiros de Lula (2003-04), a taxa de desemprego teve picos horríveis de 13%. O desemprego ainda flutuaria em torno de 10% até meados de 2007. Foi então que a taxa começou a descer a ladeira até chegar aos minúsculos 4,3% de dezembro passado, ou de 5,4% na média do ano, as menores da história conhecida (desde 2002).

O desemprego caiu ainda mais rapidamente depois da recessão de 2009, com o crescimento fenomenal e exorbitante de 7,5% de 2010, com o aumento do crédito, em particular do crédito concedido por bancos públicos. Mais adiante, a partir de 2011, o governo passaria a ter mais deficit, os juros básicos baixariam a níveis também historicamente baixos.

Foi também a partir de 2008 que a inflação se tornou persistentemente alta e chatinha. No mesmo ano, o país voltou a registrar deficit em conta-corrente (a comprar mais bens e serviços do que vendê-los no exterior). Inflação persistente, relativamente alta, e deficit em conta-corrente são sinais de algum excesso de consumo.

Não, não se pretende aqui dizer que desemprego baixo e salários melhores sempre acabam em inflação e deficit preocupantes. Em parte, porém, foi isso mesmo o que aconteceu.

A proporção precisa de desemprego e inflação é uma mistura da alquimia econômica praticamente impossível de calcular. Porém, ainda que incalculável e mesmo que não se acredite nessas taxas magicamente equilibradas, elas existem, como as bruxas. A prova do pudim é comê-lo. Descontadas eventuais desgraças econômicas (como choques de escassez, de petróleo ou comida, por exemplo), desemprego baixo além da conta dá em inflação.

Não se trata de uma maldição. É possível ter taxas menores de desemprego com inflação mais baixa, desde que a produtividade da economia seja maior (fazer mais com menos, fazer "mais barato"). Como aumentar a produtividade geral da economia é outra pesquisa quase mística, digamos, uma espécie de Santo Graal dos economistas. Mas, mesmo bem longe da perfeição, sabe-se o bastante sobre o assunto, sobre aumento de produtividade.

Investir em mais equipamentos e máquinas, de preferência tecnologicamente mais avançados, ajuda bem. Diminuir custos de transporte e outros relacionados com uma infraestrutura melhor ajuda bem. Para tanto, é preciso uma aplicação mais balanceada dos recursos da economia, uma dosagem melhor de consumo e investimento, dosagem que não sai bonitinha de uma planilha de cálculos, mas que existe, como as bruxas.

Temos exagerado para mais ou menos em todas as doses: gastos, juros, inflação, salários, investimento, poupança, crédito. A taxa de crescimento da economia é cadente, assim como a de consumo, salários e, agora, da população ocupada. Não, não houve desastre. Mas não é possível sair do chão puxando os cabelos, como temos tentado fazer.

Formas de devaneios - MILTON HATOUM

 Estado de S.Paulo - 31/01

Tia Tâmara zelava tanto por suas joias e baixela de prata que só raramente as usava. Guardava os recipientes e peças na cristaleira da sala, como se fossem troféus de grandes conquistas. Ninguém podia sequer abrir a porta de vidro, nem mesmo tio Adam, o marido de Tâmara. Quando ele recebia amigos, ela mostrava a casa aos visitantes e parava diante da cristaleira, que era o ápice da visita, espécie de apoteose de uma cerimônia da província.

Mas nas minhas visitas, Tâmara ficava tensa, vigilante, me enxotava da sala e me ordenava a catar mangas, jambos e sapotis no quintal. A proibição me impelia à transgressão, e quando Tâmara ia à cozinha, eu me aproximava da cristaleira para espiar os totens de prata. Os talheres, sopeiras e molheiras não me atraíam, mas os caracóis e cavalos-marinhos, sim. Ali, ao meu alcance, pareciam tão perfeitos e vivos, que eu conversava com eles e os acariciava com a ponta dos dedos. Sonhava com o oceano distante, sentia cheiro de maresia e perguntava aos seres marinhos se um dia brincaríamos juntos na beira de uma praia. Eles me olhavam com tristeza, e o brilho da prata esmaecia. Às vezes ficávamos em silêncio, trocando olhares de amigos cativos, até ouvirmos o grito agudo da guardiã do tesouro.

Uma manhã, a cristaleira amanheceu vazia. Inconformada com o roubo, Tâmara injuriava a polícia e o marido, cujo ar blasé a irritava. Meus tios eram primos irmãos, e essa promiscuidade de clã afetava três gerações de parentes, comuns a duas famílias. Tâmara dizia que as peças de prata eram insubstituíveis, evitava entrar na sala nua, o roubo era um desrespeito à memória de sua querida avó, que comprara o tesouro de uma família portuguesa, riquíssima até 1912, mas em franca decadência no decênio seguinte.

De fato, a cristaleira perdera sua magia. O ladrão roubara meus sonhos marítimos, minhas conversas com seres inofensivos, enclausurados numa caixa de vidro. Odiei esse ladrão de devaneios.

Uns dois anos depois do roubo, Tâmara e Adam foram passar o carnaval em Belém. Voltaram a Manaus na noite de uma Quarta-feira de Cinzas. Cansados da viagem de barco e da folia paraense, subiram a escada e entraram no quarto, mas só Adam dormiu. Tâmara - conforme nos contou depois - sentiu o sopro de um milagre, saiu da cama, desceu de mansinho e parou num dos cantos da sala; pensou que estava sonhando e acordou aos gritos o marido, um sonhador inato. Adam desceu a escada com passos de sonâmbulo e viu o que eu veria no dia seguinte: os berloques e as peças da baixela arrumados no mesmo lugar da cristaleira.

Não sei por que, o fascínio pelos pequenos seres prateados arrefeceu. Não me pareciam tão vivos como antes do roubo. Alguma coisa tinha acontecido com eles ou comigo. A infância procurava outras formas de solidão, os devaneios haviam migrado da cristaleira às páginas de um livro, habitados por seres mais verdadeiros.

Tempos depois, tio Ghodor, um dos irmãos de Adam, me revelou essa história: Adam, endividado e desesperado por ter falido mais uma vez, simulou o roubo da prataria. Na verdade, pediu um empréstimo a um agiota e, como garantia, entregou as peças de prata ao usurário. Fez isso à revelia de todos os membros dos dois clãs.

E quem pagou a dívida? Tia Tâmara soube disso?

"Ninguém soube, só eu", disse Ghodor. "Por que eu quitei a dívida: paguei 24 parcelas, com juros absurdos. Quer dizer, paguei para o agiota, porque se desse o dinheiro para Adam, o colecionador de fracassos abriria outro negócio desastroso. E ainda paguei a viagem do casal a Belém, porque teu tio, com aquela pose de magnata bondoso, não tinha dinheiro nem para ir ao Careiro da Várzea. Tâmara é uma alma simples... Não desconfiou de nada. Ela acabou acreditando num milagre. E tu sabes: contra a crença, não há argumentos."

Ueba! Errar é o Mano! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 31/01

O Corinthians perdeu de 5 a 1 pro Santos! Como disse aquele santista: 'Cinco muito'. Rarará!


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Manchete do Piauí Herald: "Álbum de figurinhas da Copa só ficará pronto em novembro". Pacote com três figurinhas vai custar R$ 650! Rarará!

E sabe como eu vou colar as figurinhas dos jogadores da Argentina? Tudo de cabeça pra baixo! Pra dar zica. Zica Padrão Fifa!

E adorei a charge do Sinfronio com o black bloc pichando o muro. No muro, estava escrito Copa Fifa. E aí ele pixou e ficou: COPA PIFA!

E esse cartaz do torcedor: "Amor, não fui trabalhar. Estou em Quito. Vamos, Fogão". Melhor recado do dia. Volta derrotado, desempregado e sem mulher. Apanhou em Quito e vai apanhar na volta pra casa!

E esses ônibus incendiados em São Paulo? São João fora de época? Agora em São Paulo temos os ônibus articulados, biarticulados e queimados.

E um amigo pediu pra eles queimarem o seu Chevette 1984, ele agradece! Rarará!

Falando em queimados, e o Timão? O Corinthians perdeu de 5 a 1 pro Santos! Como disse aquele santista: "Cinco muito!". Rarará! Tá perdendo de tudo quanto é bicho: de cachorro São Bernardo, peixe! Errar é o Mano e perder tudo é corintiano. E prometo nunca mais fazer trocadilho com Mano!

E o site Futirinhas tem uma fotomontagem do Sheik com o Pato. Sheik: "Acorda, amor, já são seis". E o Pato: "O que? Mais um gol do Santos?".

E a torcida do Santos? Sabe onde a torcida do Santos foi comemorar? No baile da Melhor Idade! Sabe dançando juntinho? Dois pra cá e três pra lá? E sabe qual a semelhança entre o Corinthians e o Bin Laden? Ambos viraram comida de peixe! Peixe, nem no Ceasa. O mar não tá pra peixe!

E o tuiteiro Jorge Miranda me disse que o pai do Neymar virou o pay do Neymar. Rarará!

É mole? É mole, mas sobe!

Os Predestinados! Sabe como se chama o ex-primeiro ministro da Ucrânia? Mycola AZAROV! E direto de Vitória, Espírito Santo, o treinador de armamento e tiro: Adriano MATTOS PINTO! O alvo não podia ser em outro lugar? Rarará!

E essa funcionaria da empresa Keppel de plataformas marítimas: Márcia Maria Bóia Altomar! Predestinadíssima! Rarará!

Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã.

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Trens sem aumento - ANCELMO GOIS


O GLOBO - 31/01

Sérgio Cabral não vai aumentar a tarifa da SuperVia. Ela permanece a R$ 2,90, mesmo valor desde fevereiro de 2012. Cabral encomendou estudos à Secretaria de Fazenda para compensar a concessionária nos custos de energia.

Além do futebol
Veja como os estádios construídos para a Copa já nascem de olho em negócios além do futebol. A OAS Arenas, que administra a Arena das Dunas, em Natal, recebeu 28 pedidos para realização de eventos em 2014. Entre eles, estão um show da banda Jota Quest e o Carnatal.

Aliás...
Será no Maracanã o esquenta do carnaval da Brahma deste ano. A cervejaria está preparando uma festança onde reunirá celebridades e estrelas do futebol no dia 18 agora. O estádio ficará com a iluminação toda vermelha.

De volta
Spike Lee volta ao Rio em fevereiro para finalizar seu documentário sobre o Brasil. Entrevistará Milton Nascimento.

Vinicius 23
As ruas do Rio passarão a ser numeradas. A ideia é facilitar a vida dos cariocas e, principalmente, a dos turistas. As novas placas com o nome e o número das ruas, como esta acima da Vinicius de Moraes, começam a ser instaladas agora, em fevereiro.

Do Leme ao Leblon...
O prefeito Eduardo Paes decidiu iniciar a colocação das placas pela orla, do Leme ao Leblon, mas depois quer estender para outros bairros. 

MAIS SEGURANÇA
O consulado geral dos EUA no Rio está gradeando sua sede na Avenida Presidente Wilson, no Centro. O objetivo é aumentar a segurança. Com autorização da prefeitura, a grade vai avançar sobre a calçada. A assessoria de imprensa do consulado nega que a expansão tenha a ver com a onda de protestos do ano passado. "São diretrizes mundiais de segurança estipuladas pelo Departamento de Estado para postos diplomáticos norte-americanos em todo o mundo", explica a assessoria

UPP em Londres
O jornalão britânico "The Guardian" pediu aos produtores de "5xpacificação" uma cópia do documentário, que fala sobre as UPPs no Rio, feito por moradores das favelas. O filme vai fazer parte do acervo do site do jornal.

O rei da pista
A Zahar comprou os direitos do livro "Le freak: an upside down story of family, disco and destiny", do músico e produtor Nile Rodgers. Rodgers, autor de clássicos das pistas de dança, conta os bastidores de sua carreira, fala sobre drogas, vida pessoal, sua relação com os músicos e também a superação de um câncer. Deverá ser lançado em 2015.

Lei Roberto Carlos
De Leny Andrade, que gravou um CD só com músicas de Roberto Carlos em espanhol, falando sobre a posição do Rei a favor das biografias autorizadas: - Acho isso uma bobagem. Sou totalmente a favor das biografias não autorizadas.
Como se sabe, o STF deve julgar se libera ou não as biografias nos próximos meses.

A farda do imortal
O escritor Antônio Torres experimentou, ontem, o fardão para sua posse, dia 11 de março, na ABL, no lugar de nosso saudoso Luiz Paulo Horta. A vestimenta, que custa uns R$ 60 mil, foi paga pelo governo da Bahia. Aliás, o livro "Essa Terra", do futuro imortal, será o tema da inauguração da Biblioteca Estação Leitura, na Estação Central do Metrô do Rio, em fevereiro.

Dor de mãe
O grupo Mães Pela Igualdade, formado em sua maioria por mães de LGBTs que já sofreram discriminação e violência homofóbica, fará, hoje, um ato pela criminalização da homofobia e da transfobia, às 18h, na Cinelândia. É que, só neste ano, 34 LGBTs já foram assassinados no Brasil.

Biblioteca Scarlet
Os filhos de Scarlet Moon doaram o acervo de livros da coleguinha para uma escola pública. São quase mil exemplares, entre eles livros de Rubem Fonseca autografados. Ficarão na Escola Estadual João Cabral de Melo Neto, no Méier.

De bondinho
Dom Orani Tempesta vai levar, na próxima quarta, 97 bispos, de todo o Brasil, para um passeio no Pão de Açúcar, no Rio. Dias depois, como se sabe, dom Orani será empossado cardeal, no Vaticano.

Adeus, Ipanema
O Bloco AfroReggae vai desfilar na Av. Rio Branco, no Centro do Rio, a partir deste carnaval. É que passou a atrair muita gente. Até o ano passado, a turma saía na Av. Vieira Souto, em Ipanema.

UM POUCO MAIS - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 31/01

O Tribunal de Justiça de São Paulo já começa o ano com um deficit de R$ 935 milhões no orçamento. O novo presidente da corte, José Renato Nalini, deve cortar despesas --e também apelar para o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), que pode aumentar as verbas destinadas ao judiciário paulista.

EQUIPE
Do total de R$ 8 bilhões já orçados para o TJ-SP em 2014, mais de 90% são destinados ao pagamento de pessoal. A Justiça tem 2.400 juízes e 50 mil funcionários.

DO CORAÇÃO
A Rede e o PSB não devem lançar candidato ao Senado em SP. Marina Silva já decidiu que pedirá voto para Eduardo Suplicy (PT-SP).

EM CASA
Luiza Erundina (PSB-SP), até então citada como possível candidata ao Senado, deve disputar novamente vaga para a Câmara dos Deputados. Pedro Dallari segue como nome cotado para disputar o governo do Estado.

COM TODOS
E, depois de lançar programa em Brasília no dia 4, a Rede e o PSB preparam reunião em São Paulo com potenciais aliados e movimentos sociais. Estão sendo chamados PPS e PV.

DESFALQUE
A regente titular da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de SP), Marin Alsop, teve que cancelar às pressas a vinda para os concertos de pré-temporada. A mãe dela morreu na semana passada e, agora, o pai está internado em estado grave, nos Estados Unidos. Com a ausência da americana, o maestro Roberto Tibiriçá foi chamado para reger a Osesp nas apresentações marcadas para a capital e em uma turnê por cinco cidades do interior.

CARÃO
O fotógrafo peruano Mario Testino terá exposição individual em São Paulo. "In your Face" chegará em agosto à Faap depois de passar pelo Malba (Buenos Aires) e por Boston (EUA) no ano passado. São 150 fotos "de várias épocas da carreira dele, tanto de modelos como de celebridades", diz Pieter Tjabbes, organizador da mostra.

OUVIU BEM?
Dilma Rousseff fez aquela festa ao se encontrar com o escritor Fernando Morais no lobby de um hotel em Havana, Cuba. "Adoro os seus livros", disse. Cumprimentou outras pessoas, voltou-se de novo para ele: "Eu sou sua macaca de auditório".

ANTI-BLACK BLOC
O projeto de lei que proíbe máscaras em manifestações será um dos primeiros a ir a votação na Assembleia Legislativa na volta do recesso, segundo o deputado Campos Machado (PTB-SP). O autor do texto diz já ter o apoio dos líderes partidários. "Recortei as notícias do protesto de sábado [contra a Copa] e mandei para eles. O povo está me pressionando. Ninguém aguenta mais o vandalismo, a inconsequência."

DOIS TEMPOS
Moraes Moreira lança em fevereiro, pela Discobertas, uma caixa de quatro CDs reunindo originais que fez nos anos 1970. Pepeu Gomes e A Cor do Som têm participação em muitas faixas --para lembrar os tempos pré-axé music, quando eram eles que animavam os trios elétricos.

SAMBA A DOIS
O príncipe de Mônaco, Andrea Casiraghi, e Tatiana Santo Domingo contrataram a cantora Mart'nália para embalar o seu casamento amanhã em Gstaad, na Suíça. Os dois, que já se uniram no civil no ano passado, fizeram o convite à filha de Martinho da Vila há três anos. "O único pedido é que seja um show bem brasileiro, com samba", diz Marcia Alvarez, empresária da artista.

MAR E TERRA
Depois de brilhar no prêmio Bola de Ouro da Fifa, a top Adriana Lima, 32, quer tempo para curtir as duas filhas, Valentina, 4, e Sienna, 1.

A baiana, que mora nos Estados Unidos, quer fazer uma viagem para algum lugar quente. "Acabei de comprar um iate Zeelander e mal posso esperar para viajar nele e passar o tempo com a minha família em alto-mar!", disse ela à "Harper's Bazaar".

A edição de fevereiro, que traz a top na capa, chega hoje às bancas. "Nada é mais sexy do que uma boca vermelha", declarou ela, sensual também com batom cor de boca.

TOMANDO PARTIDO
A especialista em marketing político Cila Schulman abriu seu apartamento nos Jardins para o lançamento do Projeto Sonho Brasileiro da Política, anteontem. Uma das idealizadoras da ação, que pretende pesquisar a relação de jovens com a política, a advogada Marcella Monteiro de Barros falou a convidados como o cientista político Luiz Felipe d'Avila, com a mulher, Ana Maria Diniz. O presidente da GVT, Amos Genish, e sua mulher, Heloísa, também foram ao evento.

DE REPENTE CINQUENTÃO
O apresentador do "Video Show" e colunista da Folha Zeca Camargo lançou anteontem o livro "50, Eu?", na livraria Saraiva do shopping Pátio Higienópolis. O escritor Alberto Villas e a atriz Eliete Cigaarini estiveram na noite de autógrafos.

CURTO-CIRCUITO
A professora Lúcia Camargo, da SP Escola de Teatro, entrou para o júri paulista do Prêmio Shell.

O espetáculo "Florilégio Musical II - Nas Ondas do Rádio" reestreia no Teatro Eva Herz, hoje, às 21h. Livre.

Alessandro Penezzi faz show no Sesc Belenzinho, hoje, às 21h. 12 anos.

O chef Tsuyoshi Murakami, do Kinoshita, cozinha em festival gastronômico neste fim de semana no Sofitel Guarujá Jequitimar.

Regis Figueiredo canta no bar Olaria, no Paraíso, hoje, a partir das 19h. 14 anos.

Vem aí o jornal do PT - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 31/01

A Executiva do PT aprovou, na segunda-feira, a criação da “Agência PT de Notícias”. A proposta do secretário de Comunicação, José Américo Dias, prevê a montagem de uma redação. O novo portal petista, na internet, vai publicar reportagens de economia, do Congresso, dos movimentos sociais e de temas diversos, como cultura, esportes e comportamento, além de artigos de opinião e informações orgânicas do partido.

O significado da mudança
A saída da ministra Helena Chagas da Secretaria de Comunicação gera interrogações que explicam a mudança. A primeira: no ano eleitoral, a mídia técnica será mantida na destinação das verbas publicitárias? A segunda: o projeto de regulação da mídia será desengavetado? No mais, o PT queria o lugar. E o ex-ministro Antonio Palocci emplacou o afilhado. Assessores do Planalto relatam que ela já havia colocado o cargo à disposição em novembro. Um ministro próximo a presidente Dilma comentou: “Ela já estava querendo ir embora. O vazamento não foi bom para o Thomas Traumann e foi péssimo para a Helena”.


“Para o PROS, melhor do que se equiparar ao lugar comum do fisiologismo é ter acesso ao governo, reforçar o bloco com o PP e ter como foco o crescimento nas eleições”
Cid Gomes
Governador do Ceará (PROS), sobre a reforma ministerial

Tensão
É grande a inquietação no PMDB com a demora da presidente Dilma em definir seu espaço na reforma ministerial. O partido também não se conforma porque o partido não terá uma pasta a mais. O vice Michel Temer está sob pressão.

Espiritualidade
O médium João de Deus, que atende na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO), foi chamado ao Rio, ontem, pelo senador Aécio Neves (PSDB). Nesses dias, sob seus cuidados, participam de uma imersão as atrizes Juliana Paes e Cláudia Abreu. O senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) também fez consulta ontem com o médium.

Rádio corredor
Ex-presidente da Apex e assessor especial da Presidência, Alessandro Teixeira deixará o Planalto nas próximas semanas para trabalhar na campanha à reeleição da presidente Dilma.

O candidato de Pimentel
O ministro Fernando Pimentel defende uma solução doméstica para substituí-lo na pasta do Desenvolvimento. Seu nome é o do presidente da ABDI, Mauro Borges Lemos, seu amigo há cerca de 30 anos. E foi um dos formuladores das políticas do ministério nesses três anos. Sua nomeação estaria apenas à espera de um sinal verde do PT.

Pegadinha
O novo ministro José Henrique Paim (Educação) brincou dia desses com sua equipe. Ele anunciou: “A presidente Dilma me convidou”. Foi uma festa. Em seguida, ele complementou, rindo: “Para a inauguração do Beira-Rio. Peguei vocês”.

Na telinha
A ex-prefeita de Fortaleza Luizianne Lins (PT) terá um programa diário de entrevistas numa TV do Ceará. Ela já deixou o Rio e se prepara para estrear no novo emprego. A emissora, União, não transmite a programação de redes nacionais.

O CANDIDATO DO PSOL ao governo do Rio é o professor do Colégio Pedro II Tarcísio Motta. O PSOL quer dobrar sua bancada na Câmara e na Assembleia.

Saideira em casa - VERA MAGALHÃES - PAINEL

FOLHA DE SP - 31/01

Às vésperas de deixar a Casa Civil, Gleisi Hoffmann fará a última viagem como ministra à sua base eleitoral: ela entrega 600 unidades do programa Minha Casa, Minha Vida amanhã em Umuarama, na região noroeste do Paraná. Na segunda-feira, a petista deixa o cargo para disputar a eleição para o governo do Estado. Ela vai percorrer vários municípios, assim como o colega paulista Alexandre Padilha, e reassumirá a cadeira no Senado pelo menos até o início da campanha.

Pavimento Hoje a titular da Casa Civil vai ao Ministério dos Transportes para assinar os contratos de concessão das rodovias BR-060, BR-153 e BR-262. O programa foi um dos carros-chefes da gestão da ministra.

Selado A mudança na Secretaria de Comunicação Social do Planalto estava em estudo por Dilma Rousseff desde o fim de 2013. Mas a troca só foi decidida antes de a presidente embarcar para Davos, na semana passada.

Test drive 1 Auxiliares de Dilma lembram que, após o susto das manifestações de rua, em junho do ano passado, o Planalto precisou montar uma estrutura para fazer a interlocução com os movimentos e reestruturar sua ação nas redes sociais, o chamado gabinete digital.

Test drive 2 A equipe ficou sob comando do porta-voz da Presidência, Thomas Traumann, que vai assumir a Secom, e de Valdir Simão, que caiu nas graças de Dilma e será o novo secretário-executivo da Casa Civil.

Time Além de Franklin Martins e João Santana, o nome de Traumann foi defendido para a vaga por Aloizio Mercadante, um dos mais próximos ministros de Dilma.

Sem bênção Diferentemente do que fez com Fernando Haddad quando o pupilo deixou o MEC para se candidatar à Prefeitura de São Paulo, Lula não irá à cerimônia de despedida dos ministros-candidatos, segunda.

Personalizado Mas o ex-presidente já confirmou presença no dia 8 na primeira parada da caravana de Alexandre Padilha, em Ribeirão Preto. Lula e o pré-candidato, indicado por ele, devem ter uma conversa mais alentada antes do evento público.

Com lupa O Metrô de São Paulo suspendeu por 90 dias os contratos de reforma de 98 trens das linhas 1 e 3, estimados em R$ 2,5 bilhões. O Ministério Público quer investigar indícios de superfaturamento envolvendo o cartel denunciado pela Siemens.

Parceiro O Metrô disse à promotoria que não identificou vícios nos contratos, mas decidiu suspendê-los para colaborar com a apuração.

Workshop O Planalto chamou donos de shoppings populares em vários Estados, nos quais os rolezinhos são tolerados e geralmente pacíficos, para se inteirar sobre o fenômeno e a estratégia dos estabelecimentos para conviver com os grupos de jovens.

Cartão... Representantes do Itaquerão se reúnem hoje com o Ministério das Comunicações e com a Anatel. Levarão advertência do governo pelo atraso para permitir que as operadoras de telefonia façam as obras para a instalação da infraestrutura de telefonia 4G e internet.

... vermelho As teles dizem que será inviável cumprir os prazos estabelecidos se só puderem realizar as obras quando o estádio ficar pronto, em março.

Visita à Folha Luiz Fernando Pinto Veiga, presidente da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) visitou anteontem a Folha. Estava com Cleber Martins e Ricardo Bonatelli, assessores de comunicação.

tiroteio
"A forma como Padilha trata os recursos do ministério lembra uma grande família, onde o mais importante é dividir o bolo em casa."
DO VEREADOR FLORIANO PESARO (PSDB-SP), sobre o convênio de R$ 199,8 mil que Alexandre Padilha (Saúde) assinou com uma ONG fundada por seu pai.

contraponto


La garantía soy yo
Fidel Castro recebeu um grupo de artistas brasileiros em Cuba em meados dos anos 90, pouco depois do lançamento do Plano Real. O líder cubano pediu para ver uma cédula da nova moeda. Fidel olhou a efígie da República na nota e disse à cantora Beth Carvalho:

--Essa mulher é branca e tem um nariz grego. O país de vocês não é miscigenado? Essa nota é racista.

Depois, colocou a nota na mesa e discursou:

--O peso cubano não vale nada. Quando Che Guevara era ministro, ele assinou alguns pesos cubanos e eles passaram a valer. Com o dinheiro, construí um hospital!

PT.com/Lula - DENISE ROTHENBURG

CORREIO BRAZILIENSE - 31/01

Demorou seis meses, mas o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT finalmente entenderam que, para atingir o público que lotou as ruas em junho do ano passado e que tem marcado rolezinhos nos shoppings de todo o país, não adianta infiltrar militantes nas manifestações. É preciso falar com eles pelas redes sociais. Foi isso que o ex-presidente fez ontem, em um vídeo de pouco mais de sete minutos, postado em sua página oficial no Facebook.

Mais uma vez, Lula atacou a imprensa, ao dizer que acorda às 6h15 e é bombardeado com notícias de assaltos e mortes. “Será que não nasce uma criança, uma pessoa não é atendida no hospital?”, questiona ele. E pede o fim do jogo rasteiro na internet. “Eu tenho liberdade de pegar uma estrada e fazer uma viagem com minha família, mas se eu for irresponsável, eu posso matar alguém ou posso morrer”.

Um dos estrategistas da campanha do PT alertou, em conversa ontem com a coluna, sobre a importância das redes sociais este ano. “A internet terá um peso enorme nesta campanha, embora a propaganda de rádio e de televisão seja preponderante. Mas a influência das mídias sociais no debate político será bem maior do que foi em 2010”, confirmou o estrategista.

Teacher Obama
Apesar da aversão política a Obama — herdada desde os tempos de Lula e agravada após as espionagens promovidas pelo NSA, os petistas admitem que o presidente dos Estados Unidos soube, antes de todos os demais políticos do mundo, capitalizar o uso da internet em uma campanha eleitoral. Mas ressaltam: “Ele não cabalou votos. Usou as mídias sociais para conseguir financiamento e custear a campanha na televisão”.

Meio a meio

Articuladores da campanha dilmista reconhecem que, nos 40 dias destinados ao programa de rádio e televisão, os eleitores se interessam pelos primeiros 10, para conhecer as propostas dos candidatos, e pelos últimos 10, para sedimentar a decisão. Nesse intervalo, nem adianta caprichar muito que ninguém dá bola para a propaganda política.

Um brinco…


Depois da polêmica em torno da escala em Lisboa e da necessidade de descascar abacaxis para acomodar todos os aliados na reforma ministerial, a presidente Dilma Rousseff terá, pelo menos, um alento. Integrantes de uma cooperativa de catadores de lixo levaram ontem ao secretário geral da Presidência, ministro Gilberto Carvalho, um brinco para ser entregue à presidente.

…Que já foi bolsa

Ele é feito de plástico reciclado derivado de um cartão do bolsa-família entregue por um ex-beneficiário do programa. Em dezembro, na festa de Natal dos catadores de lixo de São Paulo, Dilma foi a um desfile em que uma das modelos usava saia e camiseta feitas com o mesmo material.

Faixa de Gaza I/Quanto mais a reforma ministerial demora, mais fratricida ela fica. Secretária executiva da Secretaria de Direitos Humanos, Patrícia Barcelos sonha em substituir a titular, Maria do Rosário, que será candidata a deputada. Mas vem apanhando do PT, que desejar emplacar lá a atual ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti.

Faixa de Gaza II/Prêmio para Ideli? Nada. A bancada do PT na Câmara quer na vaga de articulador político do governo o deputado Ricardo Berzoini (foto). Mas, se não der certo — há quem diga que não haveria espaço para ele e Mercadante (novo ministro da Casa Civil) no quarto andar do Planalto —, Berzoini poderia ser alojado no Ministério das Comunicações. Paulo Bernardo, titular da pasta, jura que não sabe de nada.

Faixa de Gaza III/Depois da substituição de Alexandre Padilha por Arthur Chioro no Ministério da Saúde, agora é a vez de a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) tornar-se alvo de cobiça dos partidos, mais especificamente do PT e do PMDB. A autarquia, com um orçamento de R$ 2,5 bilhões, foi comandada por um peemedebista entre 2005 e 2010: Danilo Forte. Ele caiu sob a acusação de distribuir verbas para as bases eleitorais no Ceará. Foi eleito deputado federal com 100 mil votos.

Faixa de Gaza IV/ Com a queda de Danilo, o PT passou a comandar a autarquia. Agora, o PMDB quer retomar o espaço, já que poderá ter dificuldades para conseguir um novo posto no primeiro escalão. Mas, como o partido não se entende na indicação dos nomes, os petistas tentam convencer a presidente Dilma a manter tudo como está.

Vale tudo mesmo? - PRISCILA PEREIRA PINTO

GAZETA DO POVO - PR - 31/01

Lendo blogs e ouvindo argumentos a favor dos encontros marcados por grupos diversos via rede social e denominados movimentos cívicos ou manifestações, surgiu uma dúvida: hoje, na sociedade brasileira, vale tudo mesmo?

Cada sociedade tem seus padrões de organização, que se revelam tanto na forma de comportamento coletivo quanto na de regras gerais. Os hábitos ou comportamentos coletivos são modos de conduta constantemente repetidos. Como a tendência dos brasileiros de torcer por um time de futebol, festejar o carnaval e passear em shoppings. A normalidade desses comportamentos faz com que exista uma expectativa de repetição, mas a nenhum deles nossa cultura atribui um sentido obrigatório.

Todavia, há condutas que uma cultura impõe como obrigatórias. Trata-se de designar direitos e deveres cuja observância é exigida de todos. Esses direitos e deveres são estabelecidos por uma série de regras que compõem o sistema normativo de uma sociedade.

Os conceitos de bem e de dever raramente são diferenciados. Até a geração de meus pais, era muito claro no imaginário social que tudo o que era bom era devido. Naquela época, os sistemas normativos da nossa sociedade não se subdividiam. Era um conjunto único de normas obrigatórias. Há regras de trato social que definem o comportamento adequado, sem que exista um conteúdo especificamente moral. Como as exigências de se usar certas roupas em ocasiões formais ou de se comportar educadamente em restaurantes, shoppings, locais de trabalho ou de culto etc.

A consolidação dos modernos Estados de Direito deu relevância especial à distinção entre as regras de trato social e as regras jurídicas. As autoridades do Estado somente podem punir os cidadãos pela desobediência ao direito. Assim, por mais que a moralidade seja um âmbito normativo, as punições ligadas a seu descumprimento não podem atingir propriedade, integridade corporal e liberdade dos indivíduos. Esses tipos de intervenção somente podem ser fundadas nas leis do Estado.

Grupos denominados movimentos dentro da sociedade brasileira vêm marcando encontros e reunindo até 6 mil pessoas em espaços que atrapalham trânsito, transporte e trabalho do cidadão. As pessoas podem frequentar lugares públicos ou privados, sob a condição de que não se coloque em risco os direitos fundamentais dos outros.

Quando o caos domina, qualquer associação (do setor público ou privado) tem o direito de impedir eventos e encontros, alegando motivos como logística, silêncio, ordem e segurança. O Estado de Direito jurídico protege a maioria.

Por que aceitamos ações aterrorizantes e violentas? Vale mesmo chamar o caos de manifestação e criar uma pauta com especialistas para explicar os excessos que são praticados nas redes sociais e que viraram o novo comportamento do brasileiro na área pública e privada? Por que a norma da organização do carnaval e réveillon não é vista como modelo democrático e civilizado da cultura brasileira? Vale a pena adotar os padrões de organização que param a vida e a economia do país, segregando os grupos sociais e incitando violência contra a polícia, a imprensa e pessoas públicas?

Eu espero não perder o Estado de Direito que promove e protege o direito de organização, liberdade de expressão e reivindicações nas eleições e comissões políticas. Hoje o direito de muitos está sendo tripudiado no caos.

Dilma, Davos e 2015 - ROGÉRIO FURQUIM WERNECK

O GLOBO - 31/01

Não há nada que indique que a presidente resolveu abandonar a aventura desenvolvimentista


A presença da presidente no Fórum Econômico Mundial, em Davos, causou irritação em segmentos mais empedernidos do PT. Foi vista como evidência de suposta disposição do governo de “beijar a cruz” e convencer o mercado financeiro de que abandonou a “aventura desenvolvimentista”. Quem dera. Seria muito bom se fosse verdade. Mas podem ficar descansados os zelosos guardiães do ideário petista. Nos pronunciamentos da presidente em Davos, não há nada que permita concluir que o governo tenha resolvido desembarcar da “aventura desenvolvimentista”.

Para dirimir dúvidas, nada melhor que a declaração peremptória do ministro da Fazenda sobre a “nova matriz econômica”, feita na entrevista concedida ao “Estado de S. Paulo”, lá mesmo, em Davos, na semana passada. “Não concordo de jeito nenhum com a ideia de que a nova matriz tenha fracassado.”

É bem verdade que, para atender a demanda quase desesperada por otimismo que viceja no setor privado, certos analistas, às custas de notável contorcionismo poliânico, têm dado alento à história de que nem Guido Mantega nem Arno Augustin serão mantidos em seus cargos, caso a presidente seja reeleita. E de que o abandono da “aventura desenvolvimentista” será comandado por Nelson Barbosa, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, que, afastado do governo no ano passado, retornaria como ministro no segundo mandato.

Quem está tentado a acreditar nessa história deve ler com cuidado o artigo coautorado, de 42 páginas, que Nelson Barbosa publicou no ano de 2010, sob o título “A inflexão do governo Lula: política econômica, crescimento e distribuição de renda”, disponível na internet, por exemplo, em <http://migre.me/hEprG>.

Escrito em meio à euforia de 2010, com a economia crescendo a 7,5% ao ano, o artigo, em tom triunfalista, apresenta relato quase épico dos grandes feitos que vinham sendo logrados pela “opção desenvolvimentista”, desde o embate decisivo de 2005, entre Dilma Rousseff e Antonio Palocci, que teria marcado a derrota da “visão neoliberal” no governo Lula, com o abandono da proposta de ajuste fiscal de longo prazo.

Tal derrota teria permitido que prevalecesse a ideia de que “somente com a aceleração do crescimento, a economia poderia iniciar um círculo virtuoso no qual o aumento da demanda agregada geraria aumento nos lucros e na produtividade, o que por sua vez, produziria um aumento no investimento e, dessa forma, criaria a capacidade produtiva necessária para sustentar a expansão”.

Para dar início ao círculo virtuoso, “seria necessário adotar medidas monetárias e fiscais de estímulo ao crescimento”. Bem diferente da visão neoliberal, “que respeitava com temor quase religioso a suposta barreira estimada para o produto potencial, a visão desenvolvimentista procurou testar na prática a existência de tais limites, de forma a ultrapassá-los”.

A avaliação da experiência desenvolvimentista, em tom autocongratulatório, é particularmente impressionante. “A opção estratégica fundamental em apostar no crescimento, ao invés de radicalizar a incerta proposta de ajuste fiscal contracionista, baseada nos cânones neoliberais, terminou sendo validada com base em resultados imediatos”.

O artigo termina com uma louvação ao voluntarismo. “É também fundamental reconhecer o papel dos governos de ‘testar os limites’, ou seja, prospectar as maneiras pelas quais o avanço pode ocorrer, sem se fazer refém de axiomas e modelos que negam, de antemão, a possibilidade de políticas macroeconômicas que integrem inclusão e desenvolvimento.” E, afinal, conclui que o país teria revelado “grande capacidade de escapar das limitações autoimpostas”.

Passados quatro anos, e estando a economia como está, o artigo tornou-se imperdível. Especialmente para quem, agora, se vê diante do desafio de, sem se deixar levar pelo autoengano, vislumbrar cenários prováveis para 2015.

Aprender a aprender - CELSO MING

O Estado de S.Paulo - 31/01

Mais relevante do que a nova queda no desemprego, desta vez para o nível recorde de 4,3% da população ativa, é a informação de que a participação dos trabalhadores na indústria em 2013 caiu para 15,8%. Dez anos antes, eram 17,6%. (Nesse segmento estão incluídos também os empregados na indústria extrativa, distribuição de eletricidade, água e gás.)

Isso poderia ser tomado como mais uma indicação de desindustrialização. É mais consequência do forte crescimento do setor de serviços, que hoje pesa quase 70% no PIB. Em 2003, o subsetor de serviços prestados às empresas (mais aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira) empregava 13,4% da mão de obra. Hoje já são 16,2%.

O principal recado passado por essas estatísticas é o de que a indústria de transformação e também os sindicatos dos trabalhadores da área estão perdendo a capacidade de pressão, na proporção em que o setor de serviços vai absorvendo cada vez mais a força de trabalho: "A Volks vai dispensar 4 mil antes ocupados com a linha de montagem da Kombi? Ora, não é uma tragédia. O resto da economia absorverá essa gente...".

Além disso, o mais baixo índice de desocupação da série histórica do IBGE reafirma o diagnóstico do Banco Central de que o mercado de trabalho continua atuando como importante fator de aumento de custos para o setor produtivo e, nessas condições, de foco de inflação.

Economistas se perguntam o que pode ser feito para aumentar a produtividade do trabalho. As soluções definitivas são de longo prazo: implicam melhoria no nível da educação e do treinamento.

Mas há um fator cujo resultado vem sendo pouco avaliado, que é o emprego crescente de Tecnologia da Informação, com sua enorme bateria de recursos, que começa no chip, passa pelos grandes sistemas operacionais e alcança hoje a impressão em terceira dimensão (3D).

A simples transmissão de informações instantâneas dispensa recursos de todos os níveis: instalações, máquinas, almoxarifados, estoques, capital de giro e, inclusive, mão de obra. Mas são recursos que encurtam os prazos, reduzem os erros e facilitam o planejamento.

Com mais Tecnologia da Informação à sua disposição, a mão de obra, mesmo a não especializada, se torna mais eficiente e, portanto, mais produtiva. O caixa do supermercado ou o auxiliar de funilaria podem ser hoje muito mais eficientes do que trabalhadores de sua idade há apenas dez anos.

Na última terça-feira, em artigo no Estadão, o especialista em Economia do Trabalho José Pastore advertiu para impressionantes mudanças no setor de logística que começam a surgir com o emprego intensivo de drones (pequenos aviões teledirigidos) na distribuição. Em Israel, leituras automáticas a distância de consumo de água e eletricidade são feitas há anos por meio de drones.

É claro, o aumento da produtividade da mão de obra depende substancialmente da qualidade da educação e do ensino. No entanto, essas novidades sugerem que, mais do que simplesmente enfiar informações na cabeça das pessoas, o maior desafio consiste em levar a população a aprender a aprender.

Poupar o que é valioso - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 31/01

O ano na energia começou com um perigo a mais. Fontes dizem que o preço do mercado livre disparou dos atuais R$ 484 para R$ 820 o megawatt/hora. Esse é o problema conjuntural. O estrutural é a ausência de programas de consumo eficiente. Estados Unidos e China têm programas agressivos de economia de energia e de redução do consumo. O governo Dilma diminuiu as tarifas e incentivou o consumo, mas os programas de economia de energia patinam.

A reportagem de domingo no GLOBO, escrita pela jornalista Ramona Ordoñez, mostrou dois defeitos do setor no Brasil: a matriz está se tornando mais suja e o desperdício chega a meia Itaipu.

O fato de que o país demandará muita energia no futuro é usado para justificar projetos caros, com subsídios embutidos e cheios de problemas, como os de Santo Antônio, Jirau e Belo Monte. Sem falar na forma controvertida como foram licenciados pelo Ibama ou o atraso nas compensações ambientais de Belo Monte. Os especialistas têm mostrado evidências de que, hoje, as hidrelétricas financiadas pelo governo federal e as rodovias são os principais vetores do desmatamento na Amazônia, que subiu em 2013 depois de oito anos de queda.

Mas os setores ligados às construtoras de barragens, descontentes com a opção pelas usinas a fio d’água, aumentam a pressão para a construção de mais usinas e com grandes reservatórios. Pouco se fala do potencial de redução de mais de 30% com programas efetivos de economia de energia e eliminação dos subsídios à energia convencional, principalmente de fontes fósseis.

O resultado é que as energias fósseis aumentaram sua participação na matriz elétrica brasileira de 6,8%, em 2009, para 12,7%, em 2012. O uso de fontes não renováveis cresceu 42,6% entre 2003 e 2012. Já a geração de energia renovável aumentou menos: 37%. A geração a carvão, a mais poluente de todas, cresceu 41%.

Houve movimentos positivos, como o crescimento e a consolidação da energia eólica na matriz elétrica brasileira. A geração eólica cresceu exponencialmente. Aumentou quase dez vezes entre 2003 e 2007. Entre 2007 e 2012, sete vezes. A primeira fase de crescimento é, na verdade, menos significativa, porque ela sai praticamente do zero. Mas na segunda, saltamos de menos de 0,6 GW para 5,0 GW. No ano passado, pela primeira vez, foram habilitados projetos de energia solar nos leilões. Não conseguiram ofertas, porque o preço do kW/h ainda é muito alto. Mas é importante que essa fonte já tenha sido admitida nos leilões, o que estimulará a indústria a tentar chegar a preços mais competitivos. Deveria ter sido muito mais estimulada a energia solar. A participação da energia renovável na produção de energia primária cresceu de 47% em 2003 ao pico de 48,7% em 2007. Infelizmente, a partir de 2008, essa participação começou a cair, chegando a 46% em 2012.

O aumento da participação de fontes poluentes, como carvão, e o crescimento do consumo subsidiado de diesel e gasolina nos transportes tiveram como resultado imediato um incremento de 30% nas emissões de gases estufa do setor de energia, entre 2006 e 2012. As emissões totais do Brasil caíram 28%, por causa da queda do desmatamento, mostram as estimativas do Observatório do Clima, uma rede independente de entidades de pesquisa. O setor de energia representava 16% das emissões em 2006. Em 2012, passou a responder por 29,4%. Infelizmente, como se sabe, o desmatamento cresceu em 2013.

Na reunião do Fórum Econômico Mundial, o secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría, disse aos empresários, lá reunidos, que o último relatório do IPCC, divulgado parcialmente no ano passado, deixa claro que não estamos fazendo o suficiente para enfrentar o desafio climático. Convocou governos e empresas a buscar a meta de emissão zero na segunda metade do século. “Nada menos que uma transformação geral da economia da energia será suficiente", disse. No Brasil, estamos caminhando na direção contrária. E o país ainda se dá ao luxo de ter eólicas rodando à toa, sem linhas de transmissão, em momento em que falta energia boa, limpa e barata no sistema. Hoje, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica e o
Operador Nacional do Sistema Elétrico informarão o preço no mercado livre. As informações são de que ele está disparando.

Governo vê pais fora da crise dos emergentes - CLAUDIA SAFATLE

VALOR ECONÔMICO - 31/01

O real teve, ontem, a segunda melhor performance entre as moedas de economias emergentes, atrás apenas do rand sul-africano. O dólar fechou em queda de 0,90% a R$ 2,4150. No fluxo positivo de US$ 2,7 bilhões (ingresso de recursos externos) da semana passada havia não só operações comerciais, mas também real money de grandes investidores estrangeiros. Esses são dois indicadores que, embora pontuais, animaram os gestores da política econômica nos últimos dias. Há pelo menos três dias o Brasil está fora do centro da crise que pune os emergentes, salientam os economistas oficiais.

O governo brasileiro está empenhado em tomar cuidados para não dar um tiro no pé nesse momento de turbulências externas. Exemplo de tiro no pé seria anunciar uma meta fiscal frouxa agora ou, ainda, comemorar uma taxa de inflação de 6% ao ano. Tenta, também, lançar âncoras para o futuro - indicando expansão dos investimentos e foco no aumento da produtividade - para descongelar 2014.

Esse será um ano difícil, seja por causa das eleições que acabam gerando volatilidades, seja pelas turbulências causadas pela mudança nas condições monetárias globais após cinco anos de grande liquidez. Uma forma de contornar essas dificuldades é acenar com um futuro promissor.

Não há uma crise nas economias emergentes, na avaliação do governo brasileiro. Nem a situação dada pelo cenário internacional é de fim de festa para esses países, pois lá é que estão as oportunidades de crescimento no médio prazo. O que há é uma transição comandada por mudança de preços relativos.

É hora do vamos ver e é preciso muita perícia para mostrar nossas qualidades e diferenças , disse uma autoridade. Para manejar essa transição com o menor custo possível será necessária a ajuda de uma política fiscal sólida, crível, que pode afastar o risco de um rebaixamento do grau de investimento do país pelas agências de rating.

A meta de superávit primário para este ano será anunciada até o dia 20 de fevereiro, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O que se discute é o tamanho exato do compromisso fiscal - 2% do PIB ou, talvez, algo um pouquinho menor. Sobre isso Mantega não quis falar. Para a gestão da política monetária, quanto maior for a contribuição das contas públicas, melhor.

Não basta, no entanto, anunciar a meta. O Ministério da Fazenda vai ter que explicá-la de forma convincente e sem tergiversações. É aconselhável, também, evitar tomar medidas com sinais ruins, como foi a elevação do IOF sobre gastos em viagens internacionais no fim de 2013.

O governo está preocupado não só em dar a direção da política fiscal, mas em como anunciá-la e defende-la para que não caia rapidamente em descrédito.

Após falar pela primeira vez para a elite das finanças do mundo, em Davos (Suíça), na semana passada, a avaliação que se faz no Palácio do Planalto é de que o discurso da presidente Dilma Rousseff naquele fórum foi positivo. Esse foi o retorno que autoridades brasileiras tiveram do presidente do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, esta semana.

Não é confortável, no entanto, estar entre os cinco frágeis mais uma vez listados na edição de ontem da The Economist , ao lado da Turquia, África do Sul, Índia e Indonésia.

Uma boa meta fiscal é fundamental para o país navegar sem grandes sobressaltos, mas não é suficiente para funcionar como bala de prata , sobretudo nos momentos de estresse nos mercados internacionais. A Noruega, por exemplo, tem dívida líquida negativa como proporção do PIB, não tem qualquer problema fiscal, mas a coroa norueguesa está perdendo valor frente ao dólar de forma rápida, citou ontem uma fonte. Há outras questões em jogo e, no caso da Noruega, a desvalorização está muito provavelmente ligada ao petróleo. Ontem a moeda teve desvalorização de 1,32%.

Para os momentos de estresse, o que conta mais é o poder de fogo das reservas cambiais.

O governo parece agora convencido, porém, de que o rigor fiscal é um sinal importante para readquirir credibilidade junto aos agentes econômicos, melhorar as expectativas e desafogar a política monetária.

O conceito que rege a questão fiscal e que inspirou o discurso da presidente em Davos é o da contração fiscal expansionista , ou seja: uma meta de superávit primário contracionista, capaz de reduzir a dívida pública líquida como proporção do PIB, agora, pode melhorar tanto o humor dos agentes econômicos internos e externos e restabelecer a confiança que, ao final das contas, ela representará expansão da demanda e do crescimento econômico no futuro próximo.

O real teve uma desvalorização nominal de mais de 55% de julho de 2011 até agora. A expectativa do governo é que neste ano os efeitos do câmbio associado a um maior crescimento das economias avançadas se materializem num reforço das contas do balanço de pagamentos. Conta, para isso, com a expectativa de crescimento do comércio mundial de 2,7% em 2013 para 4,5% estimados para 2014. Com uma meta fiscal sólida e um déficit em conta corrente do balanço de pagamentos estável, o governo acredita que atravessará essa transição que, ao final, será positiva, porque representa a normalização das economias avançadas após uma crise de longa duração.

A inflação caiu cerca de um ponto percentual do pico de 6,7% em junho de 2013 para cá e o Banco Central elevou os juros em 325 pontos-base desde abril. Para este ano, não há uma meta informal explícita do BC, como havia no ano passado, quando a autoridade monetária se comprometeu com um IPCA menor do que os 5,84% de 2012 mas não conseguiu entrega-la. O IPCA de 2013 foi de 5,91%. Há, para 2014, apenas a meta formal de 4,5%.

Crescimento mais ou menos igual ao do ano passado, de pouco mais de 2%; uma inflação que indique convergência para a meta ainda que não este ano; e o auxílio da política fiscal à política monetária para dosar o aumento dos juros são três elementos que vão orientar a política econômica do último ano do mandato de Dilma Rousseff.