O GLOBO - 29/06
Eles já ouvem as ruas, mas ainda não entendem o idioma da indignação
As surpreendentes mobilizações dos últimos dias podem ser explicadas em dez letras: “Caiu a ficha.” Não se sabe exatamente o que levou a ficha a cair neste exato momento, mas todos os ingredientes já estavam dados. A maior surpresa foi a surpresa. Caiu a ficha de que o Brasil ficou rico sem caminhar para a justiça: chegou a sexta potência econômica, mas continua um dos últimos na ordem da educação mundial. Também caiu a ficha de que sem educação não há futuro, e de que, por isso, 13 anos depois de criada, a Bolsa Família continua necessária, sem abolir sua necessidade.
Caiu a ficha de que em 20 anos de governos socialdemocratas e dez anos do PT no poder ampliamos o consumo privado, mas mantivemos a mesma tragédia nos serviços sociais, nos hospitais públicos e nas escolas públicas. Caiu a ficha de que o aumento no número de automóveis em nada melhora o transporte, ao contrário, piora o tempo de deslocamento e endividamento das famílias. Caiu a ficha de que o PIB não está crescendo e se crescesse não melhoraria o bem-estar e a qualidade de vida. Caiu a ficha de que, no lugar de metrópoles que nos orgulhem, temos “monstrópoles” que nos assustam.
Caiu a ficha do repetido sentimento de que a corrupção não apenas é endêmica, ela é aceita; e os corruptos, quando identificados, não são julgados; e se julgados não são presos; e se presos não devolvem o roubo. E de que os políticos no poder desprezam as repetidas manifestações de vontade popular.
Caiu a ficha de que o povo paga a construção de estádios, mas não pode assistir aos jogos. E de que a Copa não vai trazer benefícios na infraestrutura urbana das cidades-sede, como foi prometido. Aos que viajam ao exterior, caiu a ficha da péssima qualidade de nossas estradas, aeroportos e transporte público.
Caiu a ficha de que somos um país em guerra civil, onde 100 mil morrem por ano por assassinato direto ou indireto no trânsito.
Caiu a ficha também de que as mobilizações não precisam mais de partidos que organizem, de jornais que anunciem, de carros de som que conduzam, porque o povo tem o poder de se autoconvocar por meio das mídias sociais. A praça hoje é do tamanho da rede de internet, e é possível sair das ruas sem parar as manifestações e voltar a marchar a qualquer momento. Na prática, caiu a ficha de que é fácil fazer guerrilha-cibernética: cada pessoa é capaz de mobilizar milhares de outras de um dia para o outro em qualquer cidade do país.
Mas, entre os dirigentes nacionais, ainda não caiu a ficha de que mais de dois milhões de pessoas nas ruas não se contentam com menos do que uma revolução. Mais de dois milhões não param por apenas 20 centavos nas passagens de ônibus. Eles já ouvem as ruas, mas ainda não entendam o idioma da indignação. Nem caiu a ficha de que só manifestações não bastam. É preciso fazer uma revolução na estrutura, nos métodos e nas organizações da política no Brasil: definir como eleger os políticos, como eles agirão, como fiscalizá-los e puni-los.
sábado, junho 29, 2013
Abertura de novos tribunais, por que não? - ANTONIO CLAUDIO MARIZ DE OLIVEIRA
O ESTADO DE S. PAULO - 29/06
O tormentoso e crescente problema da demora na distribuição da prestação jurisdicional no Brasil, atribuído ao acúmulo de processos existentes em todos os graus de jurisdição e nos tribunais superiores, está ainda carente de uma análise que atinja seu âmago e detecte suas verdadeiras raízes. Reconhece-se o acúmulo de demandas, resultante de uma sociedade marcada por conflitos em todos os seus níveis e segmentos. Parte deles deságua no Judiciário, parte mantém-se na forma de litigiosidade contida e uma fração insignificante é resolvida pelos meios alternativos de solução desses conflitos.
Uma resposta ditada pelo bom senso para que o Judiciário possa acompanhar o crescimento de demandas é a criação e instalação de mais órgãos jurisdicionais. Aliás, é o que se tem feito, embora com grande defasagem. Imagine-se se o número de juízes e de tribunais fosse hoje o mesmo de 40 anos atrás. À guisa de ilustração, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) há 40 anos era composto por, salvo engano, 30 desembargadores- atualmente mais de 300 nele têm assento. No entanto, surpreendentemente na direção oposta à ditada pela lógica e pelos princípios da proporcionalidade e da realidade, alguns representantes da cúpula do Poder Judiciário se opõem à criação de mais juízos e tribunais.
Poucas e nada convincentes explicações foram dadas para essa estranha e inusitada posição. Entre elas, a única que pode receber alguma atenção, embora não se aceite,refere-se às consequentes despesas que o aumento de órgãos no Judiciário acarretará. Claro que o erário será atingido. Mas opor-se usando argumentos econômicos é, na verdade, impedir que os recursos arrecadados da sociedade com a cobrança dos tributos tenham destinação consentânea com as necessidades, os anseios e as aspirações sociais. Assim, saúde, educação, saneamento, transporte e, não se olvide, justiça são bens sociais a serem atendidos pelo Estado.
Portanto, impedir a instalação de novos juízos e de novos tribunais não difere de inimagináveis obstáculos a novos hospitais, escolas, estradas ou quaisquer outros benefícios imprescindíveis. E mais, impedir novos tribunais, especialmente por motivos daquele jaez, constitui uma posição que vai de encontro ao desiderato maior do Judiciário: dizer o Direito para manter a paz e a harmonia em sociedade.
Não se nega que a abertura de novos espaços, por si só, não basta para atender à demanda. Há outros fatores que embaraçam a fluidez normal dos serviços judiciários, que deveriam ser reconhecidos e sanados, mas não o são. Um desses fatores é o incompreensível anacronismo burocrático que ainda impera na Justiça. À guisa de exemplo, um pedido de informações em habeas corpus é enviado ao destino pelo malote do TJSP. Inexplicável ranço numa época em que está sendo, compulsoriamente, implantada a Justiça eletrônica.
Outras razões da morosidade existem, mas também não são objeto das preocupações dos dirigentes do Judiciário. O excesso de litigância por parte dos órgãos públicos, que abusam dos recursos para não cumprirem suas obrigações, anão observância por parte dos juízes de teses já consagradas pelos tribunais superiores, a inexistência de real autonomia financeira, a carência de funcionários e outras.
O panorama é claro,não comporta contestação nem justifica a inércia, até agora presente e responsável pelo agravamento do problema. O Judiciário não atende às necessidades da sociedade brasileira porque seus dirigentes são absolutamente refratários a encarar as causas do quase colapso. E mais: relutam em adotar as providências cabíveis, que saltam aos olhos de quem queira ver.
Há de se reconhecer que a inércia não é absoluta. Não, vez ou outra, em nome de abreviar o tempo para os julgamentos e aliviar a carga de serviços, surge alguma ideia posta como panaceia para todos os males. E, interessante notar, em regra, elas não são dirigidas às questões intestinas, como burocracia, problemas com o primeiro grau de jurisdição, mau funcionamento dos cartórios, mas, sim, apontam para os alvos que lhes são externos, especialmente para restringir a utilização dos recursos, a atividade dos advogados e, agora, para diminuir a incidência da garantia constitucional do habeas corpus.
Há cerca de três anos procurou-se, por meio de emenda constitucional, antecipar o trânsito em julgado das decisões, que ocorreria após o julgamento em segundo grau, possibilitando a imediata execução das mesmas decisões e limitando, em tese, a interposição dos recursos especial e extraordinário. Uma pronta e equilibrada reação, com base em sólidos fundamentos jurídicos e pragmáticos, mostrou que, na área penal, a liberdade e a dignidade não poderiam ser subtraídas da apreciação do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. Como reforço dessa imperiosa necessidade da cidadania, mencionou-se uma informação prestada pelo Ministro Enrique Ricardo Lewandowski, no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n.° 144, no sentido de que 28,55% dos recursos interpostos haviam sido providos pelos citados tribunais. Portanto, um terço dos condenados teve sua inocência reconhecida ou o respectivo processo anulado.
Agora, elegeu-se o habeas corpus, instrumento de garantia constitucional da liberdade, como um dos fatores responsáveis pelos problemas do Judiciário. Alguns entraves para o conhecimento de várias espécies de habeas corpus estão sendo postos pelos tribunais, em nome do excesso de impetrações.
Enquanto não houver uma tomada de consciência sobre as causas reais do problema da morosidade da Justiça, acompanhada de providências efetivas para solucioná-lo, estaremos testemunhando apenas a adoção de medidas inócuas, desprovidas de efetividade e que,o que é mais grave, põem em risco direitos e garantias individuais, que deveriam ser tutelados pelo Poder Judiciário.
Mudar para ficar igual - LEONARDO CAVALCANTI
CORREIO BRAZILIENSE - 29/06
Na real, os políticos estão satisfeitos com o atual modelo político. São contra o jogo democrático. Qualquer ensaio de alteração nas regras é uma tentativa de manter as coisas no devido lugar
Os políticos poderiam considerar, pelo menos uma vez na vida, os limites da ingenuidade do eleitor. As tentativas do Congresso e do Planalto em apresentar respostas às manifestações nas cidades serviram apenas para demonstrar o quanto as autoridades atrapalham o jogo democrático. Todas as medidas, entre promessas e projetos aprovados para diminuir o barulhos dos protestos, estão longe de resultados. E, sabe-se, entraram na pauta efetiva da Esplanada depois das imagens do mar de gente com cartazes improvisados a reivindicar de tudo. Um tudo resumido em transparência, algo difícil ao poder político.
Reportagem de Amanda Almeida, Juliana Colares e Diego Abreu publicada na edição de ontem deste Correio mostrou que todas as medidas apresentadas até agora têm grandes entraves para serem colocadas em prática. Mesmo com os sustos das manifestações, os políticos voltaram a fazer o que sabem: burocratizar a pauta. Primeiro, com ideias sobre plebiscito, tão desamarradas que é impossível apostar ou botar alguma fé. Pelo menos no que depender das reuniões feitas até agora entre Dilma e a base aliada. Ali, a cada encontro aumenta o pacote de propostas do tal plebiscito.
Depois de o Palácio do Planalto anunciar que as perguntas serão centradas no financiamento público de campanha e o sistema eleitoral - o que já daria uma confusão danada -, a pauta de itens do plebiscito só tem aumentado. Apareceu um com a ideia de ouvir a população sobre a reeleição e sobre se é possível esticar o mandato presidencial para cinco anos. Daqui a pouco, outro vai querer diminuir o número de parlamentares no Congresso. A lista será infindável, tudo para melar o plebiscito. É o que a maior parte dos políticos quer.
Satisfação
Na real, os políticos estão satisfeitos com o atual modelo. Qualquer ensaio de mudanças na verdade é uma tentativa de manter as coisas no devido lugar. Os exemplos são os mais variados. E os mais tristes. Por mais de 60 anos, parlamentares receberam 15 salários anuais, dois a mais do que qualquer trabalhador. E só pararam de receber este ano depois de uma campanha efetiva deste Correio, e com a troca do comando da Câmara dos Deputados, que, a partir de uma agenda positiva, viu na proposta a chance de reabilitar a imagem. Agora, com as manifestações, decidiu-se acabar com o voto secreto.
O fim do voto secreto chegou a ser estampado em uma das faixas da manifestação de quinta-feira da semana passada em Brasília. E foi considerado pelos políticos como uma reivindicação das ruas. Assim, apresentaram uma resposta, aprovando o texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. O detalhe é que o projeto que está na pauta põe fim ao voto secreto apenas nos casos de cassação de parlamentares. Todos os outros, como veto presidencial, continuam fechados.
As dificuldades de implementação das propostas também aparecem na destinação dos royalties, responsabilidade fiscal, destinação de dinheiro para mobilidade urbana, aceleração de julgamentos por improbidade - uma meta do Judiciário -, passe livre para estudantes, redução do grande número de ministérios de Dilma e a rejeição do projeto de "cura gay". Sem contar com a própria mudança de tipificação da corrupção, que passa a ser considerada crime hediondo. A alteração no rigor da lei nem sempre reduz a roubalheira dos políticos, como mostram alguns estudos. Como em quase todos os crimes.
Assim, as mudanças políticas estão longe da urgência das ruas. Os eleitores sabem disso, sem ingenuidade.
Quem precisa de oposição?
Depois de cometer todos os erros políticos nos primeiros dias das manifestações, Dilma Rousseff parece disposta a ouvir setores sociais. Mesmo que por sobrevivência política, a ação foi festejada por parte do PT, que espera um suspiro nos próximos dias dentro do Palácio do Planalto. Tal parte trata-se dos petistas mais ligados a Dilma. Os correligionários de Lula no partido preveem dias mais conturbados.
Reportagem de Amanda Almeida, Juliana Colares e Diego Abreu publicada na edição de ontem deste Correio mostrou que todas as medidas apresentadas até agora têm grandes entraves para serem colocadas em prática. Mesmo com os sustos das manifestações, os políticos voltaram a fazer o que sabem: burocratizar a pauta. Primeiro, com ideias sobre plebiscito, tão desamarradas que é impossível apostar ou botar alguma fé. Pelo menos no que depender das reuniões feitas até agora entre Dilma e a base aliada. Ali, a cada encontro aumenta o pacote de propostas do tal plebiscito.
Depois de o Palácio do Planalto anunciar que as perguntas serão centradas no financiamento público de campanha e o sistema eleitoral - o que já daria uma confusão danada -, a pauta de itens do plebiscito só tem aumentado. Apareceu um com a ideia de ouvir a população sobre a reeleição e sobre se é possível esticar o mandato presidencial para cinco anos. Daqui a pouco, outro vai querer diminuir o número de parlamentares no Congresso. A lista será infindável, tudo para melar o plebiscito. É o que a maior parte dos políticos quer.
Satisfação
Na real, os políticos estão satisfeitos com o atual modelo. Qualquer ensaio de mudanças na verdade é uma tentativa de manter as coisas no devido lugar. Os exemplos são os mais variados. E os mais tristes. Por mais de 60 anos, parlamentares receberam 15 salários anuais, dois a mais do que qualquer trabalhador. E só pararam de receber este ano depois de uma campanha efetiva deste Correio, e com a troca do comando da Câmara dos Deputados, que, a partir de uma agenda positiva, viu na proposta a chance de reabilitar a imagem. Agora, com as manifestações, decidiu-se acabar com o voto secreto.
O fim do voto secreto chegou a ser estampado em uma das faixas da manifestação de quinta-feira da semana passada em Brasília. E foi considerado pelos políticos como uma reivindicação das ruas. Assim, apresentaram uma resposta, aprovando o texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. O detalhe é que o projeto que está na pauta põe fim ao voto secreto apenas nos casos de cassação de parlamentares. Todos os outros, como veto presidencial, continuam fechados.
As dificuldades de implementação das propostas também aparecem na destinação dos royalties, responsabilidade fiscal, destinação de dinheiro para mobilidade urbana, aceleração de julgamentos por improbidade - uma meta do Judiciário -, passe livre para estudantes, redução do grande número de ministérios de Dilma e a rejeição do projeto de "cura gay". Sem contar com a própria mudança de tipificação da corrupção, que passa a ser considerada crime hediondo. A alteração no rigor da lei nem sempre reduz a roubalheira dos políticos, como mostram alguns estudos. Como em quase todos os crimes.
Assim, as mudanças políticas estão longe da urgência das ruas. Os eleitores sabem disso, sem ingenuidade.
Quem precisa de oposição?
Depois de cometer todos os erros políticos nos primeiros dias das manifestações, Dilma Rousseff parece disposta a ouvir setores sociais. Mesmo que por sobrevivência política, a ação foi festejada por parte do PT, que espera um suspiro nos próximos dias dentro do Palácio do Planalto. Tal parte trata-se dos petistas mais ligados a Dilma. Os correligionários de Lula no partido preveem dias mais conturbados.
Protagonismo popular - HÉLIO SCHWARTSMAN
FOLHA DE SP - 29/06
SÃO PAULO - Se a presidente Dilma Rousseff quer mesmo fazer uma reforma política que contorne o Congresso Nacional ou pelo menos reduza muito sua influência, minha sugestão é que se nomeie meia dúzia de comissões de notáveis, compostas por juristas, cientistas políticos e membros da sociedade civil, que teriam a missão de apresentar diferentes pacotes de mudanças.
Uma delas se encarregaria de formular um projeto coerente em torno do voto distrital, por exemplo. A outra faria uma proposta com foco, digamos, no voto em listas fechadas. Os modelos seriam então levados a consulta popular, com direito a debates públicos e campanha na TV, e aquele que saísse vencedor seria depois chancelado pelo Congresso, que não ficaria assim tão alijado do processo. É improvável que nossos deputados e senadores rechacem algo que tenha sido aprovado diretamente nas urnas pelo eleitor.
Não sei bem se isso seria mais bem descrito como referendo ou plebiscito, mas é fato que reserva ao cidadão um protagonismo muito maior do que em consultas convencionais e ainda evita que o resultado final seja uma coleção dispersa de disposições que não casam umas com as outras.
Poderíamos enriquecer o sistema incorporando variantes. Se o distrital é a proposta 1, então o cidadão simpático a esse modelo poderia escolher entre adotá-lo com financiamento público exclusivo (1a) ou admitindo também dinheiro privado (1b).
Meu "blend" pessoal de reforma política inclui o distrital puro, com doações privadas, mas restritas a pessoas físicas, não empresas. Eu também acabaria com o voto obrigatório, com os cargos de vice e permitiria candidaturas independentes, desvinculadas de partidos políticos.
Aproveitaria o ensejo para corrigir as distorções de representação na Câmara. No atual sistema, que estabelece pisos e tetos para as bancadas estaduais, o voto de um eleitor de Roraima vale pelo de 12 paulistas.
SÃO PAULO - Se a presidente Dilma Rousseff quer mesmo fazer uma reforma política que contorne o Congresso Nacional ou pelo menos reduza muito sua influência, minha sugestão é que se nomeie meia dúzia de comissões de notáveis, compostas por juristas, cientistas políticos e membros da sociedade civil, que teriam a missão de apresentar diferentes pacotes de mudanças.
Uma delas se encarregaria de formular um projeto coerente em torno do voto distrital, por exemplo. A outra faria uma proposta com foco, digamos, no voto em listas fechadas. Os modelos seriam então levados a consulta popular, com direito a debates públicos e campanha na TV, e aquele que saísse vencedor seria depois chancelado pelo Congresso, que não ficaria assim tão alijado do processo. É improvável que nossos deputados e senadores rechacem algo que tenha sido aprovado diretamente nas urnas pelo eleitor.
Não sei bem se isso seria mais bem descrito como referendo ou plebiscito, mas é fato que reserva ao cidadão um protagonismo muito maior do que em consultas convencionais e ainda evita que o resultado final seja uma coleção dispersa de disposições que não casam umas com as outras.
Poderíamos enriquecer o sistema incorporando variantes. Se o distrital é a proposta 1, então o cidadão simpático a esse modelo poderia escolher entre adotá-lo com financiamento público exclusivo (1a) ou admitindo também dinheiro privado (1b).
Meu "blend" pessoal de reforma política inclui o distrital puro, com doações privadas, mas restritas a pessoas físicas, não empresas. Eu também acabaria com o voto obrigatório, com os cargos de vice e permitiria candidaturas independentes, desvinculadas de partidos políticos.
Aproveitaria o ensejo para corrigir as distorções de representação na Câmara. No atual sistema, que estabelece pisos e tetos para as bancadas estaduais, o voto de um eleitor de Roraima vale pelo de 12 paulistas.
A aventura e o vespeiro - EDITORIAL O ESTADÃO
O ESTADO DE S. PAULO - 29/06
Bastou uma jornada de conversas com os líderes da base aliada e os presidentes da Câmara e do Senado - três sessões somando 11 horas - para a presidente Dilma Rousseff se deparar com a enrascada em que se enfiou ao propor a reforma política por plebiscito, a fim de se manter à tona depois do naufrágio da convocação, também por plebiscito, de uma Assembleia Constituinte para mudar, à revelia do Congresso, as regras do sistema eleitoral e da atividade política. Lançando às águas o Titanic saído dos estaleiros do Planalto, sem lastro político e muito menos jurídico, Dilma queria que se acreditasse que ela navegava no mesmo rumo da esquadra de protestos populares que percorre o País. A sua intenção primeira, na verdade, era efetuar uma manobra para desviar as atenções gerais do fracasso de seu governo em fazer o Estado servir ao povo - que é o que as manifestações exigem. A alternativa a que se agarrou, porém, é quase tão catastrófica quanto o disparate original.
Na maratona de reuniões de anteontem, Dilma viu que o Congresso quer assumir o controle da consulta popular que, por ela, se concentraria no financiamento das campanhas e na fórmula de eleição de deputados. Só que os políticos destamparam um vespeiro ao incluir na agenda o fim da reeleição, a partir de 2018, com mandato único de cinco anos para presidente, governadores e prefeitos. Será um retrocesso, diga-se de imediato. Na soma algébrica de prós e contras, o Brasil saiu ganhando com a adoção, em 1995, do modelo que na prática confere um mandato de oito anos aos governantes, com um recall a meio caminho. O esquema favorece a continuidade administrativa sem privar o eleitor da chance de substituir os titulares que não tiverem correspondido às suas esperanças. Há ainda uma baciada de outras propostas que, se incluídas no plebiscito, o transformariam numa inviável lista de compras.
Por exemplo, a extinção das coligações partidárias nas disputas para a Câmara Federal e os Legislativos estaduais e municipais; o fim do voto obrigatório; a adoção da cláusula de barreira para as siglas que não tiveram obtido determinada porcentagem de votos nas eleições parlamentares; a participação, nesses pleitos, de candidatos não filiados a partidos; e a coincidência dos mandatos em todas as esferas. A amplitude e a variedade dos dispositivos que podem compor o sistema político-eleitoral deixam claro outra coisa, além do absurdo de serem escolhidos mediante plebiscito, quanto mais não seja pelo risco de serem aprovados nas urnas quesitos conflitantes entre si. Demonstram que não é apenas a resistência interesseira dos congressistas que trava, entra ano, sai ano, a reforma política. Efetivamente, não é trivial construir consensos para a implantação de um conjunto presumivelmente articulado de normas dessa ordem de complexidade. Ainda mais quando falta clareza sobre o que, afinal de contas, se pretende com a mudança e faltam lideranças políticas aptas a dar um norte ao debate.
Em face disso, chega a ser escandaloso - e prova cabal de despreparo, oportunismo e irresponsabilidade -que a mais alta autoridade do País queira que a consulta seja formatada, explicada e realizada a toque de caixa, para que os seus resultados possam virar lei até 5 de outubro próximo e, assim, valer para as eleições de 2014. A menos, como o PT espertamente sugere, que se recorra à gambiarra de uma emenda constitucional que suspenderia a regra de ouro da anualidade para a entrada em vigor de alterações nos estatutos eleitorais. Na reunião com os líderes aliados, Dilma teve o dissabor de descobrir que o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, concorda com o que a oposição defende desde a primeira hora: no lugar do plebiscito, o eleitorado seria chamado a julgar a reforma que o Congresso aprovar.
Para a anfitriã, seria o fim do mundo se a maioria rejeitasse as suas decisões (a exemplo do que aconteceu com a proposta do desarmamento, no referendo de 2005). Na realidade, como já se observou, ela não quer dar o braço a torcer para não passar vergonha: seria o seu segundo recuo político em questão de dias. E a Nação que arque com os efeitos da aventura dilmista.
Na maratona de reuniões de anteontem, Dilma viu que o Congresso quer assumir o controle da consulta popular que, por ela, se concentraria no financiamento das campanhas e na fórmula de eleição de deputados. Só que os políticos destamparam um vespeiro ao incluir na agenda o fim da reeleição, a partir de 2018, com mandato único de cinco anos para presidente, governadores e prefeitos. Será um retrocesso, diga-se de imediato. Na soma algébrica de prós e contras, o Brasil saiu ganhando com a adoção, em 1995, do modelo que na prática confere um mandato de oito anos aos governantes, com um recall a meio caminho. O esquema favorece a continuidade administrativa sem privar o eleitor da chance de substituir os titulares que não tiverem correspondido às suas esperanças. Há ainda uma baciada de outras propostas que, se incluídas no plebiscito, o transformariam numa inviável lista de compras.
Por exemplo, a extinção das coligações partidárias nas disputas para a Câmara Federal e os Legislativos estaduais e municipais; o fim do voto obrigatório; a adoção da cláusula de barreira para as siglas que não tiveram obtido determinada porcentagem de votos nas eleições parlamentares; a participação, nesses pleitos, de candidatos não filiados a partidos; e a coincidência dos mandatos em todas as esferas. A amplitude e a variedade dos dispositivos que podem compor o sistema político-eleitoral deixam claro outra coisa, além do absurdo de serem escolhidos mediante plebiscito, quanto mais não seja pelo risco de serem aprovados nas urnas quesitos conflitantes entre si. Demonstram que não é apenas a resistência interesseira dos congressistas que trava, entra ano, sai ano, a reforma política. Efetivamente, não é trivial construir consensos para a implantação de um conjunto presumivelmente articulado de normas dessa ordem de complexidade. Ainda mais quando falta clareza sobre o que, afinal de contas, se pretende com a mudança e faltam lideranças políticas aptas a dar um norte ao debate.
Em face disso, chega a ser escandaloso - e prova cabal de despreparo, oportunismo e irresponsabilidade -que a mais alta autoridade do País queira que a consulta seja formatada, explicada e realizada a toque de caixa, para que os seus resultados possam virar lei até 5 de outubro próximo e, assim, valer para as eleições de 2014. A menos, como o PT espertamente sugere, que se recorra à gambiarra de uma emenda constitucional que suspenderia a regra de ouro da anualidade para a entrada em vigor de alterações nos estatutos eleitorais. Na reunião com os líderes aliados, Dilma teve o dissabor de descobrir que o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, concorda com o que a oposição defende desde a primeira hora: no lugar do plebiscito, o eleitorado seria chamado a julgar a reforma que o Congresso aprovar.
Para a anfitriã, seria o fim do mundo se a maioria rejeitasse as suas decisões (a exemplo do que aconteceu com a proposta do desarmamento, no referendo de 2005). Na realidade, como já se observou, ela não quer dar o braço a torcer para não passar vergonha: seria o seu segundo recuo político em questão de dias. E a Nação que arque com os efeitos da aventura dilmista.
O país das oportunidades perdidas - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE
CORREIO BRAZILIENSE - 29/06
Em 1941, o escritor austríaco Stefan Zweig, exilado aqui durante a Segunda Guerra, publicou um livro que deu ao Brasil a famosa alcunha de país do futuro. Naquela época, quase 70% da população vivia no campo e metade das exportações era de produtos agrícolas. De lá para cá, a economia nacional deu saltos, ganhou destaque mundial e ofereceu à sociedade o melhor nível de vida de sua história. Mesmo assim, os brasileiros ainda não chegaram à terra prometida, embora não tenha faltado chances para isso. Pior: pagam caro hoje pela crise de confiança no futuro.
Há várias situações nas quais o governo ignorou nos últimos anos vantagens próprias do território e do perfil populacional, além de raros momentos favoráveis da conjuntura externa. Se os tivesse levado em conta, importantes avanços poderiam ter ocorrido e as badaladas conquistas nas áreas social e econômica seriam consolidadas.
A espetacular onda de crescimento global verificada na primeira década do século, com grande fluxo de capitais especulativos e forte valorização dos alimentos e dos minerais vendidos ao mundo pelo Brasil, foi a folga perdida para a administração federal realizar reformas estruturais. Boa parte do desequilíbrio das contas externas e do desconforto fiscal da União é resultado dessa negligência diante da chamada bonança externa.
Da mesma forma ocorreu com a janela aberta pelo bônus demográfico - como é classificado o período no qual a proporção de gente em idade ativa é bem maior em relação aos dependentes de auxílio previdenciário. Essa seria uma chance para ajustar as contas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no vermelho há 15 anos, que corre o risco de acabar sem ser em nada aproveitada.
Os disparates se repetem no dia a dia dos negócios do país, como recursos hídricos cada vez mais escassos se perdendo no esgoto e toneladas da safra recorde de grãos se espalhando pelas estradas esburacadas. É também de impressionar que a mais promissora zona agrícola do planeta, o Mato Grosso, apenas consegue armazenar um quinto da sua produção. Apesar de Zweig e outros analistas vislumbrarem infinitos alvos para o Brasil se desenvolver econômica e socialmente, a história mostra que a desatenção com as oportunidade de hoje cobram muito caro amanhã.
O economista, diplomata e ex-ministro do Planejamento, Roberto Campos, apontou a classe dirigente como o maior gargalo do progresso nacional. Numa frase, ele resumiu bem as sucessivas frustrações com os cochilos do gigante: "O Brasil não perde a oportunidade de perder oportunidades". Oxalá os protestos populares que ganham as ruas possam produzir mudanças também na forma de se planejar o futuro. Em vez de o populismo abusar dos dias de fartura, em nome dos índices eleitorais, a racionalidade de Estado deveria estar presente, desarmando bombas e adubando o sucesso duradouro.
Há várias situações nas quais o governo ignorou nos últimos anos vantagens próprias do território e do perfil populacional, além de raros momentos favoráveis da conjuntura externa. Se os tivesse levado em conta, importantes avanços poderiam ter ocorrido e as badaladas conquistas nas áreas social e econômica seriam consolidadas.
A espetacular onda de crescimento global verificada na primeira década do século, com grande fluxo de capitais especulativos e forte valorização dos alimentos e dos minerais vendidos ao mundo pelo Brasil, foi a folga perdida para a administração federal realizar reformas estruturais. Boa parte do desequilíbrio das contas externas e do desconforto fiscal da União é resultado dessa negligência diante da chamada bonança externa.
Da mesma forma ocorreu com a janela aberta pelo bônus demográfico - como é classificado o período no qual a proporção de gente em idade ativa é bem maior em relação aos dependentes de auxílio previdenciário. Essa seria uma chance para ajustar as contas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no vermelho há 15 anos, que corre o risco de acabar sem ser em nada aproveitada.
Os disparates se repetem no dia a dia dos negócios do país, como recursos hídricos cada vez mais escassos se perdendo no esgoto e toneladas da safra recorde de grãos se espalhando pelas estradas esburacadas. É também de impressionar que a mais promissora zona agrícola do planeta, o Mato Grosso, apenas consegue armazenar um quinto da sua produção. Apesar de Zweig e outros analistas vislumbrarem infinitos alvos para o Brasil se desenvolver econômica e socialmente, a história mostra que a desatenção com as oportunidade de hoje cobram muito caro amanhã.
O economista, diplomata e ex-ministro do Planejamento, Roberto Campos, apontou a classe dirigente como o maior gargalo do progresso nacional. Numa frase, ele resumiu bem as sucessivas frustrações com os cochilos do gigante: "O Brasil não perde a oportunidade de perder oportunidades". Oxalá os protestos populares que ganham as ruas possam produzir mudanças também na forma de se planejar o futuro. Em vez de o populismo abusar dos dias de fartura, em nome dos índices eleitorais, a racionalidade de Estado deveria estar presente, desarmando bombas e adubando o sucesso duradouro.
Reforma sem plebiscito - EDITORIAL ZERO HORA
ZERO HORA - 29/06
Seria mesmo uma situação ideal que o povo brasileiro, movido pela indignação que vem demonstrando nas ruas, pudesse decidir diretamente cada uma das linhas da reforma política que está parada no Congresso há mais de 15 anos. Mas só o debate entre plebiscito e referendo que divide governistas e oposicionistas já mostra a dificuldade, senão a impossibilidade, de uma democracia direta neste caso. De qualquer forma, é incoerente que num momento de manifestações contra desperdício de recursos públicos se vá gastar mais de R$ 500 milhões, como estima a Justiça Eleitoral, para decidir sobre temas complexos, que a maioria da população desconhece. É uma vergonha que a reforma política já esteja sendo debatida há tanto tempo sem avançar, devido a interesses subalternos dos parlamentares. Então, que os deputados e senadores assumam suas responsabilidades, tentem interpretar a vontade do povo, votem logo a reforma e depois arquem com as consequências na eleição de 2014, quando o eleitor brasileiro utilizará o seu poder constitucional de julgar seus representantes. O verdadeiro plebiscito (ou referendo) será a eleição de outubro do ano que vem, quando os eleitores poderão dizer, pelo voto, se mantêm seus atuais representantes ou se buscam alternativas.
Passados oito dias do pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV no qual a presidente Dilma Rousseff propôs seus cinco pactos para responder ao clamor das ruas, já é possível fazer um balanço preliminar de seus efeitos. De todas as ideias avançadas pela primeira mandatária, nenhuma mostrou-se mais problemática do que a de se apelar a mecanismos extracongressuais para aprovação de uma reforma política. Dias antes, o PT lançou em sua página na internet uma campanha por um projeto de lei de iniciativa popular sobre mudanças na legislação eleitoral. Na prática, em seu pronunciamento do dia 21, Dilma apenas tomou para si a tese do PT, sob o invólucro da proposição de Constituinte, já contida no texto do PT.
Desde a fala presidencial, e também sob o efeito da mobilização popular, Legislativo e Judiciário moveram-se em direção às demandas dos que protestam. Assim, é oportuno exigir também do Congresso que aprove logo as mudanças necessárias na legislação eleitoral e partidária.
Que deputados e senadores assumam com coragem as suas atribuições e, depois, se confrontem com o julgamento dos eleitores nas urnas.
Seria mesmo uma situação ideal que o povo brasileiro, movido pela indignação que vem demonstrando nas ruas, pudesse decidir diretamente cada uma das linhas da reforma política que está parada no Congresso há mais de 15 anos. Mas só o debate entre plebiscito e referendo que divide governistas e oposicionistas já mostra a dificuldade, senão a impossibilidade, de uma democracia direta neste caso. De qualquer forma, é incoerente que num momento de manifestações contra desperdício de recursos públicos se vá gastar mais de R$ 500 milhões, como estima a Justiça Eleitoral, para decidir sobre temas complexos, que a maioria da população desconhece. É uma vergonha que a reforma política já esteja sendo debatida há tanto tempo sem avançar, devido a interesses subalternos dos parlamentares. Então, que os deputados e senadores assumam suas responsabilidades, tentem interpretar a vontade do povo, votem logo a reforma e depois arquem com as consequências na eleição de 2014, quando o eleitor brasileiro utilizará o seu poder constitucional de julgar seus representantes. O verdadeiro plebiscito (ou referendo) será a eleição de outubro do ano que vem, quando os eleitores poderão dizer, pelo voto, se mantêm seus atuais representantes ou se buscam alternativas.
Passados oito dias do pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV no qual a presidente Dilma Rousseff propôs seus cinco pactos para responder ao clamor das ruas, já é possível fazer um balanço preliminar de seus efeitos. De todas as ideias avançadas pela primeira mandatária, nenhuma mostrou-se mais problemática do que a de se apelar a mecanismos extracongressuais para aprovação de uma reforma política. Dias antes, o PT lançou em sua página na internet uma campanha por um projeto de lei de iniciativa popular sobre mudanças na legislação eleitoral. Na prática, em seu pronunciamento do dia 21, Dilma apenas tomou para si a tese do PT, sob o invólucro da proposição de Constituinte, já contida no texto do PT.
Desde a fala presidencial, e também sob o efeito da mobilização popular, Legislativo e Judiciário moveram-se em direção às demandas dos que protestam. Assim, é oportuno exigir também do Congresso que aprove logo as mudanças necessárias na legislação eleitoral e partidária.
Que deputados e senadores assumam com coragem as suas atribuições e, depois, se confrontem com o julgamento dos eleitores nas urnas.
Economia e quatro razões da revolta - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR
GAZETA DO POVO - PR - 29/06
Inflação, corrupção, desperdício e uma carga tributária incompatível com a qualidade do serviço público deixam o cidadão cada vez mais indignado
Assim que os gigantescos protestos passarem e se arrefecerem as exaltações, será possível analisar melhor a extensão do movimento e também que medidas são possíveis para melhorar o país. Ninguém tem todas as explicações, e muito menos as saídas para a enorme insatisfação demonstrada pelas multidões nas ruas, o que não impede cada grupo de oferecer as soluções consideradas mais adequadas.
Na terça-feira, em um encontro no Instituto Lula, o ex-presidente pediu a sindicatos e movimentos sociais alinhados com o petismo para “ir à rua” e “enfrentar a direita e empurrar o governo para a esquerda”, na descrição de um participante que não quis ser identificado. Antes mesmo dessa reunião, CUT, sindicatos e outros movimentos já tinham marcado um ato para a manhã de hoje, em Curitiba. Na pauta estão a “desmilitarização da polícia”, um “novo marco regulatório das comunicações” e outros itens que pouco têm em comum com quatro razões muito claras para os protestos e a indignação das massas.
A primeira delas é a corrupção. A população se cansou de ver jogados em sua cara, todos os dias, os casos de desvios, fraudes, superfaturamentos e todo tipo de falcatrua praticada pelos agentes do Estado. Desde vereadores, prefeitos, deputados, senadores, funcionários e fornecedores do governo, chegando até os mais altos cargos da República, como ministros, é extensa a lista de homens públicos pegos nos mais variados tipos de corrupção. Assim, não era de estranhar que uma das primeiras bandeiras levantadas nas ruas tivesse sido o arquivamento da PEC 37, que retiraria o poder do Ministério Público de fazer investigações criminais. A demanda foi bem-sucedida e a PEC caiu na Câmara dos Deputados. Mas, a julgar pelas reivindicações divulgadas pela CUT e pela APP-Sindicato, a corrupção não está entre os temas que serão levados à rua.
Outro fator que revolta o brasileiro é o desperdício. Num país com tantas carências, postos de saúde sem medicamentos e escolas caindo aos pedaços, a construção de estádios de futebol bilionários em cidades que nem futebol têm é um escárnio. Funcionários fantasmas, marajás do serviço público, excesso de pessoal nos três poderes, aposentadorias de funcionários do governo muito acima dos trabalhadores privados... esses são alguns exemplos de que o Estado brasileiro vive para si mesmo, de costas para a população que é quem paga a conta. A Copa está na mira do protesto de hoje, mas e o inchaço e o aparelhamento do Estado, que provocam danos muito mais duradouros?
Apenas na crítica aos péssimos serviços públicos há uma maior convergência com a pauta das entidades aliadas ao petismo, embora pouco seja feito para entender as causas do caos atual. A população se cansou de pagar impostos tão altos e receber serviços públicos tão precários. O mau atendimento nas repartições públicas, a baixa qualidade da saúde e da educação, a infraestrutura destruída – como as estradas esburacadas, os portos congestionados, os aeroportos superlotados e o infernal trânsito nas grandes cidades – são exemplos do sofrimento imposto ao povo, cuja paciência se esgotou. O aumento nas tarifas dos transportes foi apenas o estopim para a explosão de ódio e raiva.
E, por último, a inflação. Quando o mundo desenvolvido sabe que qualquer inflação acima de 3% já é motivo para nervosismo social, a inflação de alimentos no Brasil a 14% em 12 meses é um estopim contra a incapacidade governamental de controlar a elevação de preços. Em todas as grandes crises políticas das últimas décadas, a inflação estava lá, como elemento detonador de raiva e de protestos. Assim foi em 1964, na crise do governo Goulart, e o mesmo se deu em 1992, na crise de Collor. Mas a desastrosa política econômica do governo atual passa ao largo das reivindicações de hoje.
Isoladamente, cada um desses problemas tem seu poder de enfurecer as massas. Juntas e parecendo piorar a cada dia, essas quatro razões produziram uma bomba de insatisfação, raiva e desalento, e levaram as massas às ruas em protestos como jamais o país havia presenciado. O recado é claro: o povo não aceita mais viver sob um Estado corrupto, ineficiente, falido e desmoralizado. Que os políticos sejam capazes de entender o recado das ruas e fazer as reformas necessárias.
Inflação, corrupção, desperdício e uma carga tributária incompatível com a qualidade do serviço público deixam o cidadão cada vez mais indignado
Assim que os gigantescos protestos passarem e se arrefecerem as exaltações, será possível analisar melhor a extensão do movimento e também que medidas são possíveis para melhorar o país. Ninguém tem todas as explicações, e muito menos as saídas para a enorme insatisfação demonstrada pelas multidões nas ruas, o que não impede cada grupo de oferecer as soluções consideradas mais adequadas.
Na terça-feira, em um encontro no Instituto Lula, o ex-presidente pediu a sindicatos e movimentos sociais alinhados com o petismo para “ir à rua” e “enfrentar a direita e empurrar o governo para a esquerda”, na descrição de um participante que não quis ser identificado. Antes mesmo dessa reunião, CUT, sindicatos e outros movimentos já tinham marcado um ato para a manhã de hoje, em Curitiba. Na pauta estão a “desmilitarização da polícia”, um “novo marco regulatório das comunicações” e outros itens que pouco têm em comum com quatro razões muito claras para os protestos e a indignação das massas.
A primeira delas é a corrupção. A população se cansou de ver jogados em sua cara, todos os dias, os casos de desvios, fraudes, superfaturamentos e todo tipo de falcatrua praticada pelos agentes do Estado. Desde vereadores, prefeitos, deputados, senadores, funcionários e fornecedores do governo, chegando até os mais altos cargos da República, como ministros, é extensa a lista de homens públicos pegos nos mais variados tipos de corrupção. Assim, não era de estranhar que uma das primeiras bandeiras levantadas nas ruas tivesse sido o arquivamento da PEC 37, que retiraria o poder do Ministério Público de fazer investigações criminais. A demanda foi bem-sucedida e a PEC caiu na Câmara dos Deputados. Mas, a julgar pelas reivindicações divulgadas pela CUT e pela APP-Sindicato, a corrupção não está entre os temas que serão levados à rua.
Outro fator que revolta o brasileiro é o desperdício. Num país com tantas carências, postos de saúde sem medicamentos e escolas caindo aos pedaços, a construção de estádios de futebol bilionários em cidades que nem futebol têm é um escárnio. Funcionários fantasmas, marajás do serviço público, excesso de pessoal nos três poderes, aposentadorias de funcionários do governo muito acima dos trabalhadores privados... esses são alguns exemplos de que o Estado brasileiro vive para si mesmo, de costas para a população que é quem paga a conta. A Copa está na mira do protesto de hoje, mas e o inchaço e o aparelhamento do Estado, que provocam danos muito mais duradouros?
Apenas na crítica aos péssimos serviços públicos há uma maior convergência com a pauta das entidades aliadas ao petismo, embora pouco seja feito para entender as causas do caos atual. A população se cansou de pagar impostos tão altos e receber serviços públicos tão precários. O mau atendimento nas repartições públicas, a baixa qualidade da saúde e da educação, a infraestrutura destruída – como as estradas esburacadas, os portos congestionados, os aeroportos superlotados e o infernal trânsito nas grandes cidades – são exemplos do sofrimento imposto ao povo, cuja paciência se esgotou. O aumento nas tarifas dos transportes foi apenas o estopim para a explosão de ódio e raiva.
E, por último, a inflação. Quando o mundo desenvolvido sabe que qualquer inflação acima de 3% já é motivo para nervosismo social, a inflação de alimentos no Brasil a 14% em 12 meses é um estopim contra a incapacidade governamental de controlar a elevação de preços. Em todas as grandes crises políticas das últimas décadas, a inflação estava lá, como elemento detonador de raiva e de protestos. Assim foi em 1964, na crise do governo Goulart, e o mesmo se deu em 1992, na crise de Collor. Mas a desastrosa política econômica do governo atual passa ao largo das reivindicações de hoje.
Isoladamente, cada um desses problemas tem seu poder de enfurecer as massas. Juntas e parecendo piorar a cada dia, essas quatro razões produziram uma bomba de insatisfação, raiva e desalento, e levaram as massas às ruas em protestos como jamais o país havia presenciado. O recado é claro: o povo não aceita mais viver sob um Estado corrupto, ineficiente, falido e desmoralizado. Que os políticos sejam capazes de entender o recado das ruas e fazer as reformas necessárias.
A distância entre a intenção e o possível - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 29/06
No atendimento febril às demandas, a Educação receberá mais dinheiro, assim como a Saúde. A questão é saber se haverá PIB suficiente para todos
Alvos de denúncias de corrupção tratam de trabalhar pelo aumento das penas para criminosos de colarinho branco, e defensores militantes da colocação do Ministério Público em camisa de força votam para derrubar a PEC 37. Estes são dois exemplos de como as manifestações de rua produzem metamorfoses na política brasileira. Não é uma crítica ao Congresso e aos políticos em geral, inclusive do Executivo. Eles precisam, afinal, estar atentos à opinião pública. A questão é saber o que é ou não factível, e a que preço, neste surto de atendimento febril a demandas feitas pela onda de manifestações.
Caso típico é o corte de tarifas de transporte público, iniciado em São Paulo e ampliado para quase todo o país. Num primeiro momento, com razão, o prefeito Fernando Haddad considerou “populismo” cortar tarifa por pressão das ruas. Mas foi forçado a recuar. Ele, petista, e o governador Geraldo Alckmin, tucano, se perfilaram diante de microfones e câmeras para anunciar um alívio tarifário geral. Outros prefeitos e governadores foram pelo mesmo caminho. O próprio Alckmin suspendeu reajuste de pedágio, e já existe congelamento de conta luz em algumas regiões, apesar da inflação elevada e persistente.
Suas Excelências devem saber que estão gerando passivos. Em algum momento, eles precisarão ser cobertos, sob o risco de a tão criticada qualidade dos serviços públicos se deteriorar ainda mais, por falta de investimentos.
No caso da Educação, outro assunto cativo nas passeatas, e com razão, apressa-se para atender à reivindicação de que sejam gastos 10% do PIB no ensino público, algo como dobrar a verba do setor em dez anos, meta do Plano Nacional de Educação (PNE), cuja tramitação no Congresso será acelerada.
Parte dos recursos já começou a ser definida, na Câmara, com a destinação de 75% dos royalties do petróleo para as escolas — Dilma queria 100% — e os restantes 25% para a Saúde. A regra precisa ser carimbada agora no Senado. Não haverá dificuldades.
Nada é simples. Também aqui, aprovar a ampliação do orçamento da área não significa que a guerra será ganha. Não se discute que é preciso aumentar o salário do professor — mas isso não basta.
Mais dinheiro é condição necessária para o país dar o imprescindível salto na melhora de qualidade das escolas públicas, porém não é condição suficiente. Se não for seguido um plano estratégico de qualificação do professorado e da infraestrutura pedagógica em geral, será dinheiro jogado fora.
Bem ou mal, governo e organizações sociais caminham nesta direção. E já existe experiência suficiente para saber que há outros obstáculos a vencer além da falta de recursos.
Passada esta semana de trabalho intenso no Congresso e Planalto, no eco da “voz rouca das ruas”, fica a pergunta se existe PIB suficiente para atender a todas as reivindicações.
No atendimento febril às demandas, a Educação receberá mais dinheiro, assim como a Saúde. A questão é saber se haverá PIB suficiente para todos
Alvos de denúncias de corrupção tratam de trabalhar pelo aumento das penas para criminosos de colarinho branco, e defensores militantes da colocação do Ministério Público em camisa de força votam para derrubar a PEC 37. Estes são dois exemplos de como as manifestações de rua produzem metamorfoses na política brasileira. Não é uma crítica ao Congresso e aos políticos em geral, inclusive do Executivo. Eles precisam, afinal, estar atentos à opinião pública. A questão é saber o que é ou não factível, e a que preço, neste surto de atendimento febril a demandas feitas pela onda de manifestações.
Caso típico é o corte de tarifas de transporte público, iniciado em São Paulo e ampliado para quase todo o país. Num primeiro momento, com razão, o prefeito Fernando Haddad considerou “populismo” cortar tarifa por pressão das ruas. Mas foi forçado a recuar. Ele, petista, e o governador Geraldo Alckmin, tucano, se perfilaram diante de microfones e câmeras para anunciar um alívio tarifário geral. Outros prefeitos e governadores foram pelo mesmo caminho. O próprio Alckmin suspendeu reajuste de pedágio, e já existe congelamento de conta luz em algumas regiões, apesar da inflação elevada e persistente.
Suas Excelências devem saber que estão gerando passivos. Em algum momento, eles precisarão ser cobertos, sob o risco de a tão criticada qualidade dos serviços públicos se deteriorar ainda mais, por falta de investimentos.
No caso da Educação, outro assunto cativo nas passeatas, e com razão, apressa-se para atender à reivindicação de que sejam gastos 10% do PIB no ensino público, algo como dobrar a verba do setor em dez anos, meta do Plano Nacional de Educação (PNE), cuja tramitação no Congresso será acelerada.
Parte dos recursos já começou a ser definida, na Câmara, com a destinação de 75% dos royalties do petróleo para as escolas — Dilma queria 100% — e os restantes 25% para a Saúde. A regra precisa ser carimbada agora no Senado. Não haverá dificuldades.
Nada é simples. Também aqui, aprovar a ampliação do orçamento da área não significa que a guerra será ganha. Não se discute que é preciso aumentar o salário do professor — mas isso não basta.
Mais dinheiro é condição necessária para o país dar o imprescindível salto na melhora de qualidade das escolas públicas, porém não é condição suficiente. Se não for seguido um plano estratégico de qualificação do professorado e da infraestrutura pedagógica em geral, será dinheiro jogado fora.
Bem ou mal, governo e organizações sociais caminham nesta direção. E já existe experiência suficiente para saber que há outros obstáculos a vencer além da falta de recursos.
Passada esta semana de trabalho intenso no Congresso e Planalto, no eco da “voz rouca das ruas”, fica a pergunta se existe PIB suficiente para atender a todas as reivindicações.
Não é só pelo dinheiro - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 29/06
Saúde e educação decerto necessitam de mais recursos, mas verbas adicionais serão desperdício se poder público não melhorar a gestão
Os movimentos de rua que eclodiram nas últimas semanas aparentam ter destravado o impulso para que algo de mais profundo comece a mudar no país. Se ele conduzirá a algum lugar, e quando, ainda é difícil prever.
É particularmente animador que a melhoria da educação e da saúde públicas tenha encontrado espaço entre as bandeiras. Ao lado de segurança e transporte, elas fecham o quadrilátero de agruras sociais do Brasil, porém na condição de fatores com maior potencial para alavancar a massa crítica de que o país precisa para se desenvolver.
A prioridade para a educação é um consenso. Mas a sociedade brasileira ainda tateia na busca de meios para traduzir as melhores intenções em resultados palpáveis.
A métrica criada em 2007 pelo governo federal, o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), indica que as metas bienais traçadas vêm sendo cumpridas. Só que elas são tímidas demais.
Para escapar desse avanço apenas incremental --e insuficiente--, ganha cada vez mais apoio a proposta de destinar ao setor parcelas crescentes do PIB, até alcançar 10% em 2020. Hoje se investe algo entre 5% e 6% (a depender de como se faz a conta), nível similar ao de países desenvolvidos.
Para ter uma ideia, com o PIB de 2013 estimado em R$ 4,9 trilhões, é como se o gasto anual com educação saltasse de menos de R$ 300 bilhões anuais para R$ 490 bilhões.
O candidato indicado para tentar cobrir esse acréscimo bilionário é o ainda intangível petróleo do pré-sal. A Câmara já aprovou projeto que destina para a educação 75% das receitas com royalties dos novos campos --o governo preferiria repassar 100% desses recursos para o setor. Em qualquer dos casos, o valor é insuficiente.
Mesmo nas contas hiperbólicas do deputado federal André Figueiredo (PDT-CE), relator da proposta, o pré-sal carrearia em dez anos recursos acumulados de R$ 295 bilhões para educação e saúde (esta destinatária dos outros 25%). Ou seja, menos de R$ 25 bilhões a mais para o ensino, na média anual. Nem de longe o necessário para atingir os 10% do PIB.
Especialistas em petróleo afirmam que uma estimativa mais realista seria de R$ 180 bilhões acumulados ao longo da década, chegando ao ápice de renda anual (R$ 60 bilhões) apenas em 2022.
Em todo caso, seria mais prudente aumentar o dispêndio com educação de forma escalonada, sem fixar um número mágico como meta inarredável. Aliás, exatamente em qual projeto educacional se despejariam tantos bilhões? Como de hábito, o poder público se preocupa mais com o aumento de verbas do que com mecanismos para tornar seu uso mais eficiente.
A educação não vai melhorar sem bons professores. Mas, hoje, os docentes já são formados e recrutados num sistema deficiente. Pior, os baixos salários e o desprestígio da carreira não atraem as melhores cabeças para o magistério.
Não há como escapar de uma paulatina valorização salarial, desde que atrelada a compromissos dos professores com metas de qualidade e assiduidade.
Diretores de escola e supervisores de ensino também precisam passar pelo mesmo processo de incentivo (que deveria generalizar o bônus por desempenho), reciclagem e cobrança, pois são muitas as deficiências de gestão que transformam várias escolas em antros.
A situação da saúde não destoa muito: seria uma irresponsabilidade multiplicar de afogadilho as verbas para uma estrutura confusa e desarticulada como é hoje o SUS (Sistema Único de Saúde).
A proposta em debate no Congresso se limita a vincular, no papel, outra cifra de 10% --neste caso, sobre as receitas da União (e não sobre o PIB). A parcela atual (R$ 79 bilhões) não chega a 7%. Como a previsão de receitas para este ano é de R$ 1,2 trilhão, os 10% demandariam acrescentar R$ 41 bilhões ao dispêndio.
Os 25% dos royalties do pré-sal tampouco serão suficientes para a saúde. Ficará, para o poder público, o risco de ceder à tentação de criar ou aumentar tributos. Seria um resultado ruim para a justa mobilização por mais verbas.
Assim como na educação, não é possível avançar de forma consistente na saúde sem um programa de reforma gerencial. Organizações sociais, desde que devidamente fiscalizadas, decerto têm muito a contribuir nesse sentido. Além disso, metas claras e monitoráveis de melhora no atendimento, por exemplo, deveriam ser fixadas.
Nenhum processo de mudança do Brasil pode deixar saúde e educação em segundo plano. Pouco adiantará torná-las prioridades, no entanto, se o poder público não abandonar a leviandade com que trata os recursos do contribuinte.
Saúde e educação decerto necessitam de mais recursos, mas verbas adicionais serão desperdício se poder público não melhorar a gestão
Os movimentos de rua que eclodiram nas últimas semanas aparentam ter destravado o impulso para que algo de mais profundo comece a mudar no país. Se ele conduzirá a algum lugar, e quando, ainda é difícil prever.
É particularmente animador que a melhoria da educação e da saúde públicas tenha encontrado espaço entre as bandeiras. Ao lado de segurança e transporte, elas fecham o quadrilátero de agruras sociais do Brasil, porém na condição de fatores com maior potencial para alavancar a massa crítica de que o país precisa para se desenvolver.
A prioridade para a educação é um consenso. Mas a sociedade brasileira ainda tateia na busca de meios para traduzir as melhores intenções em resultados palpáveis.
A métrica criada em 2007 pelo governo federal, o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), indica que as metas bienais traçadas vêm sendo cumpridas. Só que elas são tímidas demais.
Para escapar desse avanço apenas incremental --e insuficiente--, ganha cada vez mais apoio a proposta de destinar ao setor parcelas crescentes do PIB, até alcançar 10% em 2020. Hoje se investe algo entre 5% e 6% (a depender de como se faz a conta), nível similar ao de países desenvolvidos.
Para ter uma ideia, com o PIB de 2013 estimado em R$ 4,9 trilhões, é como se o gasto anual com educação saltasse de menos de R$ 300 bilhões anuais para R$ 490 bilhões.
O candidato indicado para tentar cobrir esse acréscimo bilionário é o ainda intangível petróleo do pré-sal. A Câmara já aprovou projeto que destina para a educação 75% das receitas com royalties dos novos campos --o governo preferiria repassar 100% desses recursos para o setor. Em qualquer dos casos, o valor é insuficiente.
Mesmo nas contas hiperbólicas do deputado federal André Figueiredo (PDT-CE), relator da proposta, o pré-sal carrearia em dez anos recursos acumulados de R$ 295 bilhões para educação e saúde (esta destinatária dos outros 25%). Ou seja, menos de R$ 25 bilhões a mais para o ensino, na média anual. Nem de longe o necessário para atingir os 10% do PIB.
Especialistas em petróleo afirmam que uma estimativa mais realista seria de R$ 180 bilhões acumulados ao longo da década, chegando ao ápice de renda anual (R$ 60 bilhões) apenas em 2022.
Em todo caso, seria mais prudente aumentar o dispêndio com educação de forma escalonada, sem fixar um número mágico como meta inarredável. Aliás, exatamente em qual projeto educacional se despejariam tantos bilhões? Como de hábito, o poder público se preocupa mais com o aumento de verbas do que com mecanismos para tornar seu uso mais eficiente.
A educação não vai melhorar sem bons professores. Mas, hoje, os docentes já são formados e recrutados num sistema deficiente. Pior, os baixos salários e o desprestígio da carreira não atraem as melhores cabeças para o magistério.
Não há como escapar de uma paulatina valorização salarial, desde que atrelada a compromissos dos professores com metas de qualidade e assiduidade.
Diretores de escola e supervisores de ensino também precisam passar pelo mesmo processo de incentivo (que deveria generalizar o bônus por desempenho), reciclagem e cobrança, pois são muitas as deficiências de gestão que transformam várias escolas em antros.
A situação da saúde não destoa muito: seria uma irresponsabilidade multiplicar de afogadilho as verbas para uma estrutura confusa e desarticulada como é hoje o SUS (Sistema Único de Saúde).
A proposta em debate no Congresso se limita a vincular, no papel, outra cifra de 10% --neste caso, sobre as receitas da União (e não sobre o PIB). A parcela atual (R$ 79 bilhões) não chega a 7%. Como a previsão de receitas para este ano é de R$ 1,2 trilhão, os 10% demandariam acrescentar R$ 41 bilhões ao dispêndio.
Os 25% dos royalties do pré-sal tampouco serão suficientes para a saúde. Ficará, para o poder público, o risco de ceder à tentação de criar ou aumentar tributos. Seria um resultado ruim para a justa mobilização por mais verbas.
Assim como na educação, não é possível avançar de forma consistente na saúde sem um programa de reforma gerencial. Organizações sociais, desde que devidamente fiscalizadas, decerto têm muito a contribuir nesse sentido. Além disso, metas claras e monitoráveis de melhora no atendimento, por exemplo, deveriam ser fixadas.
Nenhum processo de mudança do Brasil pode deixar saúde e educação em segundo plano. Pouco adiantará torná-las prioridades, no entanto, se o poder público não abandonar a leviandade com que trata os recursos do contribuinte.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
“Queremos sinergia”
Geraldo Alckmin (SP), sobre extinção de secretaria para cobrir a tarifa do metrô
PLEBISCITO E REFORMA GOELA ABAIXO DO PT
Dilma teve de enquadrar o PT para manter a decisão do plebiscito sobre a reforma política. O líder do PT, José Guimarães (CE), e o presidente petista Ruy Falcão avisaram serem contra a proposta, que obriga o Congresso a parar de enrolar e ouvir o grito das ruas. Ela nem quis saber da resistência. Fez ver aos correligionários que o plebiscito não resolve apenas problemas imediatos do país, mas do próprio PT.
ELEIÇÃO É O QUE IMPORTA
A presidente Dilma quer as regras valendo para 2014. Acha que pode usar as mudanças da reforma política como bandeira da sua reeleição.
CAUSA PRÓPRIA
Dilma enfrenta resistência de líderes da base e da oposição quanto à reforma política, que mudará as regras que os elegeram em 2010.
AGENDADO
Cândido Vaccarezza (PT-SP) acertou com o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), de votar reforma eleitoral próximo dia 9.
AGORA, VAI
O Ministério da Saúde já importou as ambulâncias, antes dos médicos: são cem minivans chinesas, por R$ 28 mil cada, que chegam em breve.
TENTOU SE ASSOCIAR À COPA E SE DEU MAL
Os estádios nunca foram responsabilidade da presidente Dilma, mas ela mandou com tal frequência o ministro Aldo Rebelo (Esporte) visitar as obras, cobrando dos governos estaduais e expondo o governo federal, tentando associar-se à imagem da Copa, que acabou fazendo o povo acreditar que o dinheiro é público. Agora, tenta convencer do contrário todos os principais veículos de comunicação do país.
QUEIMAÇÃO
Aldo findou chamuscado no Planalto por não avisar a Dilma o problema. E por estimular a versão de que o governo manda nas arenas.
TIM-TIM!
O povão nas ruas já pode comemorar à altura: a célebre marca francesa Taittinger será o champanhe oficial da Fifa na Copa de 2014.
MAIS UM
Secretários parlamentares e servidores comissionados do Congresso tentam criar um sindicato. Só falta registro no Ministério do Trabalho.
CAI FORA, IDELI
É grande a torcida no Congresso para que Ideli Salvatti (Relações Institucionais) rode na reforma ministerial que Dilma ameaça fazer no recesso, em resposta às reivindicações no país.
ÚLTIMA QUE MORRE
Relator da reforma política, Henrique Fontana (PT-RS) tenta convencer o Planalto a voltar atrás sobre fazer plebiscito e apostar em seu projeto: “Podemos construir um consenso e votá-lo até dia 5 de outubro”.
TIRANDO CASQUINHA
Na tentativa de salvar a pele, após forte rejeição do povo, os deputados disputaram a tapas espaço na tribuna para mostrar a cara defendendo “royalties do petróleo para educação e saúde” e repulsa à PEC 37.
‘MIZINFIO’
Na agenda do ministro Mercadante (Educação) só constam “despachos internos”. Tem tudo para se tornar “macumbeiro oficial” de Dilma, após acumular os cargos da Justiça, da Casa Civil e Relações Institucionais.
DEIXA PRA LÁ
O senador Romero Jucá (PMDB-RR) recuou sobre classificar como terrorismo atos com motivo ideológico, religioso, político ou preconceito racial ou étnico. A medida poderia demonizar os protestos no país.
EXPECTATIVA
Nas contas do presidente do DEM, José Agripino (RN), segundo os diretórios estaduais, o partido poderá alcançar entre 40 e 50 deputados federais em 2014, quase a bancada que tinha antes da criação do PSD.
TUDO É PASSAGEIRO
Conhecido pelo marketing abilolado, senador Eduardo Suplicy (PT-SP) postou foto ontem nas redes sociais de sua experiência no transporte público paulista: andando num ônibus quase vazio no Capão Redondo.
DEMOCRACIA DEMAIS...
Assessores da presidente Dilma brincam nos corredores do Palácio do Planalto citando o secretário-geral da Fifa, Jerôme Valcke, agora elevado à condição de “sábio”: “Menos democracia é melhor, às vezes”. Ele se referia às decisões para organizar uma Copa do Mundo.
ALERTA VERMELHO
Após 12 anos dormindo em berço esplêndido, o Congresso também acordou, com o Projeto Ambulância: só vota em “regime de urgência”.
PODER SEM PUDOR
Inocêncio, o cangaceiro
Certa vez baixou o espírito de Lampião em Inocêncio Oliveira, sertanejo de Serra Talhada (PE) como o célebre cangaceiro. Era o primeiro vice-presidente da Câmara e chegou ao plenário quando a sessão era presidida por João Caldas (PL-AL). O alagoano ficou enrolando e não lhe passava o lugar. Inocêncio nem se intimidou com a transmissão da TV Câmara, ao vivo:
- Ou você sai daí agora ou vai sair debaixo de porrada!
A turma do “deixa disso” entrou em ação, levando Inocêncio para tomar chá de maracujá, enquanto outros retiravam Caldas da cadeira da presidência.
Geraldo Alckmin (SP), sobre extinção de secretaria para cobrir a tarifa do metrô
PLEBISCITO E REFORMA GOELA ABAIXO DO PT
Dilma teve de enquadrar o PT para manter a decisão do plebiscito sobre a reforma política. O líder do PT, José Guimarães (CE), e o presidente petista Ruy Falcão avisaram serem contra a proposta, que obriga o Congresso a parar de enrolar e ouvir o grito das ruas. Ela nem quis saber da resistência. Fez ver aos correligionários que o plebiscito não resolve apenas problemas imediatos do país, mas do próprio PT.
ELEIÇÃO É O QUE IMPORTA
A presidente Dilma quer as regras valendo para 2014. Acha que pode usar as mudanças da reforma política como bandeira da sua reeleição.
CAUSA PRÓPRIA
Dilma enfrenta resistência de líderes da base e da oposição quanto à reforma política, que mudará as regras que os elegeram em 2010.
AGENDADO
Cândido Vaccarezza (PT-SP) acertou com o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), de votar reforma eleitoral próximo dia 9.
AGORA, VAI
O Ministério da Saúde já importou as ambulâncias, antes dos médicos: são cem minivans chinesas, por R$ 28 mil cada, que chegam em breve.
TENTOU SE ASSOCIAR À COPA E SE DEU MAL
Os estádios nunca foram responsabilidade da presidente Dilma, mas ela mandou com tal frequência o ministro Aldo Rebelo (Esporte) visitar as obras, cobrando dos governos estaduais e expondo o governo federal, tentando associar-se à imagem da Copa, que acabou fazendo o povo acreditar que o dinheiro é público. Agora, tenta convencer do contrário todos os principais veículos de comunicação do país.
QUEIMAÇÃO
Aldo findou chamuscado no Planalto por não avisar a Dilma o problema. E por estimular a versão de que o governo manda nas arenas.
TIM-TIM!
O povão nas ruas já pode comemorar à altura: a célebre marca francesa Taittinger será o champanhe oficial da Fifa na Copa de 2014.
MAIS UM
Secretários parlamentares e servidores comissionados do Congresso tentam criar um sindicato. Só falta registro no Ministério do Trabalho.
CAI FORA, IDELI
É grande a torcida no Congresso para que Ideli Salvatti (Relações Institucionais) rode na reforma ministerial que Dilma ameaça fazer no recesso, em resposta às reivindicações no país.
ÚLTIMA QUE MORRE
Relator da reforma política, Henrique Fontana (PT-RS) tenta convencer o Planalto a voltar atrás sobre fazer plebiscito e apostar em seu projeto: “Podemos construir um consenso e votá-lo até dia 5 de outubro”.
TIRANDO CASQUINHA
Na tentativa de salvar a pele, após forte rejeição do povo, os deputados disputaram a tapas espaço na tribuna para mostrar a cara defendendo “royalties do petróleo para educação e saúde” e repulsa à PEC 37.
‘MIZINFIO’
Na agenda do ministro Mercadante (Educação) só constam “despachos internos”. Tem tudo para se tornar “macumbeiro oficial” de Dilma, após acumular os cargos da Justiça, da Casa Civil e Relações Institucionais.
DEIXA PRA LÁ
O senador Romero Jucá (PMDB-RR) recuou sobre classificar como terrorismo atos com motivo ideológico, religioso, político ou preconceito racial ou étnico. A medida poderia demonizar os protestos no país.
EXPECTATIVA
Nas contas do presidente do DEM, José Agripino (RN), segundo os diretórios estaduais, o partido poderá alcançar entre 40 e 50 deputados federais em 2014, quase a bancada que tinha antes da criação do PSD.
TUDO É PASSAGEIRO
Conhecido pelo marketing abilolado, senador Eduardo Suplicy (PT-SP) postou foto ontem nas redes sociais de sua experiência no transporte público paulista: andando num ônibus quase vazio no Capão Redondo.
DEMOCRACIA DEMAIS...
Assessores da presidente Dilma brincam nos corredores do Palácio do Planalto citando o secretário-geral da Fifa, Jerôme Valcke, agora elevado à condição de “sábio”: “Menos democracia é melhor, às vezes”. Ele se referia às decisões para organizar uma Copa do Mundo.
ALERTA VERMELHO
Após 12 anos dormindo em berço esplêndido, o Congresso também acordou, com o Projeto Ambulância: só vota em “regime de urgência”.
PODER SEM PUDOR
Inocêncio, o cangaceiro
Certa vez baixou o espírito de Lampião em Inocêncio Oliveira, sertanejo de Serra Talhada (PE) como o célebre cangaceiro. Era o primeiro vice-presidente da Câmara e chegou ao plenário quando a sessão era presidida por João Caldas (PL-AL). O alagoano ficou enrolando e não lhe passava o lugar. Inocêncio nem se intimidou com a transmissão da TV Câmara, ao vivo:
- Ou você sai daí agora ou vai sair debaixo de porrada!
A turma do “deixa disso” entrou em ação, levando Inocêncio para tomar chá de maracujá, enquanto outros retiravam Caldas da cadeira da presidência.
SÁBADO NOS JORNAIS
- Globo: Donadon se entrega e Brasil tem 1º deputado presidiário
- Folha: Aprovação a Dilma despenca de 57% a 30% em três semanas
- Estadão: Donadon se entrega e é o 1º deputado preso desde 1974
- Correio: Do Congresso para a Papuda
- Estado de Minas: Impasse nas estradas
- Zero Hora: Fracassa acordo para resolver crise da areia
- Jornal do Commercio: Justiça enfraquece a greve dos ônibus
sexta-feira, junho 28, 2013
Eike Sempre Ele Batista - ANCELMO GOIS
O GLOBO - 28/06
Eduardo Paes resolveu endurecer em relação a Eike Batista. Vai montar uma comissão, inclusive com gente do Iphan, para definir o que pode ser feito na Marina da Glória, no Rio.
Depois, fará, com o Instituto dos Arquitetos do Brasil, um concurso internacional para definir um projeto para o lugar.
Segue...
Se Eike quiser seguir com a concessão terá que executar o projeto definido pelo governo. Se não quiser, Paes fará nova licitação.
Calma, gente
Tem deputado do PT chamando ministros do partido de “Dilmetes”.
Ou seja: a exemplo de Dilma, eles também não escutariam ninguém.
Só que...
Um ministro petista choraminga que Dilma abortou uma sugestão de Ideli Salvatti para que a presidente se reunisse com os ministros do partido.
Pelo menos isso
Em meio à turbulência das manifestações de rua, é dura a vida do ministro José Eduardo Cardozo.
Ontem, ele teve um refresco. Os índices de crimes violentos em Maceió, onde o Ministério da Justiça tem uma parceria com a polícia local, caíram 18% em 12 meses.
Arco-íris paulista
A Mangueira, como se sabe, vai falar em 2014 sobre as festas do Brasil.
As alas serão dedicadas às manifestações regionais, como a de Parintins, no Amazonas.
Já...
São Paulo entrará com a Parada Gay, que é a maior do mundo.
Mas, na minha opinião... deixa pra lá.
Sobrou para Blatter
Os protestos de rua no Brasil são contra a ditadura — não de Dilma Rousseff, mas de Joseph Blatter e sua Fifa.
Este diagnóstico aparece em coluna no respeitado jornal londrino “The Guardian”, o mesmo que deu o furo sobre a megaespionagem eletrônica internacional dos EUA.
Quem assina é a colunista de esporte Marina Hyde.
A bola da fortuna
Um empresário de São Paulo pediu a um amigo carioca para comprar um camarote de seis lugares para a final da Copa das Confederações, domingo, no Maracanã.
Um cambista quis cobrar 60 mil dólares.
Atchim!
Com exceção de Parreira, toda a comissão técnica da seleção, inclusive Felipão, amanheceu gripada e com febre.
Os jogadores estão bem.
No mais
Que venha a Espanha, de preferência, cansada de guerra.
Muso da Copa
Pesquisa da Textual Novas Mídias com 1.400 internautas revela que o goleiro espanhol Iker Casillas (foto) foi apontado como o mais bonito da Copa por 30% dos votos.
Em segundo lugar, aparece o nosso goleiro reserva Diego Cavalieri. No quesito beleza, Neymar teve apenas 3,57% da preferência. Faz sentido.
Down no soçaite
Uma mulher de meia-idade e de classe média alta foi jantar dia destes num badalado restaurante na Serra do Rio. Apresentou-se como esposa de um ex-jogador famoso. Comeu, bebeu, bebeu mais e... armou um barraco. Depois, saiu sem pagar.
A turma descobriu que se trata da filha de um bem-sucedido dono de churrascaria.
Diário de Justiça
O Liceu Franco-Brasileiro terá que indenizar um aluno em R$ 8 mil. É que o garoto foi agredido duas vezes por um colega de classe.
A desembargadora Elisabete Filizzola, da 2ª Câmara Cível do Rio, relatora da decisão, disse que o serviço prestado pelo colégio “foi defeituoso” por não dar segurança ao aluno.
Pega o rato!
Foi uma gritaria generalizada em uma das academias mais caras do Rio.
Ontem, por volta das 10h, na Bodytech do Città America, na Barra, um rato daqueles bem gordos desfilava pelo hall.
Corre-corre...
No meio da correria do mulherio, os funcionários até que tentaram matar o bicho, mas em vão.
O ratão se escafedeu.
Depois, fará, com o Instituto dos Arquitetos do Brasil, um concurso internacional para definir um projeto para o lugar.
Segue...
Se Eike quiser seguir com a concessão terá que executar o projeto definido pelo governo. Se não quiser, Paes fará nova licitação.
Calma, gente
Tem deputado do PT chamando ministros do partido de “Dilmetes”.
Ou seja: a exemplo de Dilma, eles também não escutariam ninguém.
Só que...
Um ministro petista choraminga que Dilma abortou uma sugestão de Ideli Salvatti para que a presidente se reunisse com os ministros do partido.
Pelo menos isso
Em meio à turbulência das manifestações de rua, é dura a vida do ministro José Eduardo Cardozo.
Ontem, ele teve um refresco. Os índices de crimes violentos em Maceió, onde o Ministério da Justiça tem uma parceria com a polícia local, caíram 18% em 12 meses.
Arco-íris paulista
A Mangueira, como se sabe, vai falar em 2014 sobre as festas do Brasil.
As alas serão dedicadas às manifestações regionais, como a de Parintins, no Amazonas.
Já...
São Paulo entrará com a Parada Gay, que é a maior do mundo.
Mas, na minha opinião... deixa pra lá.
Sobrou para Blatter
Os protestos de rua no Brasil são contra a ditadura — não de Dilma Rousseff, mas de Joseph Blatter e sua Fifa.
Este diagnóstico aparece em coluna no respeitado jornal londrino “The Guardian”, o mesmo que deu o furo sobre a megaespionagem eletrônica internacional dos EUA.
Quem assina é a colunista de esporte Marina Hyde.
A bola da fortuna
Um empresário de São Paulo pediu a um amigo carioca para comprar um camarote de seis lugares para a final da Copa das Confederações, domingo, no Maracanã.
Um cambista quis cobrar 60 mil dólares.
Atchim!
Com exceção de Parreira, toda a comissão técnica da seleção, inclusive Felipão, amanheceu gripada e com febre.
Os jogadores estão bem.
No mais
Que venha a Espanha, de preferência, cansada de guerra.
Muso da Copa
Pesquisa da Textual Novas Mídias com 1.400 internautas revela que o goleiro espanhol Iker Casillas (foto) foi apontado como o mais bonito da Copa por 30% dos votos.
Em segundo lugar, aparece o nosso goleiro reserva Diego Cavalieri. No quesito beleza, Neymar teve apenas 3,57% da preferência. Faz sentido.
Down no soçaite
Uma mulher de meia-idade e de classe média alta foi jantar dia destes num badalado restaurante na Serra do Rio. Apresentou-se como esposa de um ex-jogador famoso. Comeu, bebeu, bebeu mais e... armou um barraco. Depois, saiu sem pagar.
A turma descobriu que se trata da filha de um bem-sucedido dono de churrascaria.
Diário de Justiça
O Liceu Franco-Brasileiro terá que indenizar um aluno em R$ 8 mil. É que o garoto foi agredido duas vezes por um colega de classe.
A desembargadora Elisabete Filizzola, da 2ª Câmara Cível do Rio, relatora da decisão, disse que o serviço prestado pelo colégio “foi defeituoso” por não dar segurança ao aluno.
Pega o rato!
Foi uma gritaria generalizada em uma das academias mais caras do Rio.
Ontem, por volta das 10h, na Bodytech do Città America, na Barra, um rato daqueles bem gordos desfilava pelo hall.
Corre-corre...
No meio da correria do mulherio, os funcionários até que tentaram matar o bicho, mas em vão.
O ratão se escafedeu.
Governo Dilma não fala a mesma língua das ruas - ROBERTO FREIRE
BRASIL ECONÔMICO - 28/07
Apesar do clamor popular que ganhou as ruas do país nas últimas semanas, Dilma Rousseff vem mostrando que não entendeu a mensagem transmitida por milhões de brasileiros descontentes com os rumos da nação. O discurso da petista na última segunda-feira (24), na reunião com governadores e prefeitos no Palácio do Planalto, seria adequado se proferido por uma presidente recém-eleita, jamais por uma líder que exerce o cargo máximo da República há dois anos e meio e cujo partido está no poder há uma década.
Como se não tivesse qualquer responsabilidade pelos equívocos cometidos por sua própria administração, Dilma se comporta como mera espectadora da realidade brasileira. Ao anunciar “pactos” nacionais em áreas cruciais como saúde, educação e transporte, com medidas que já poderiam ter sido colocadas em prática, a presidente cria um factoide para esfumaçar a inescapável constatação de que os principais alvos das manifestações são o PT e o governo federal. Segundo uma pesquisa do Datafolha, a indignação com a corrupção foi apontada como o grande motivo para a participação nos protestos realizados em São Paulo, sendo mencionada por 50% dos manifestantes. Em resposta, a presidente prometeu mais transparência e defendeu uma nova legislação que classifique os crimes de corrupção como hediondos. Mas a realidade insiste em desmentir a propaganda petista.
Recentemente, o governo colocou sob sigilo todas as informações e os gastos relativos às viagens internacionais de Dilma, que só poderão ser consultados quando ela não estiver mais exercendo a função. Outro escândalo que escancara a desfaçatez da presidente é o estouro no orçamento da Copa do Mundo de 2014, competição que deve se transformar na mais cara da história, alcançando R$ 33 bilhões só em despesas de governos. Apesar da promessa do ex-presidente Lula de que o Brasil não desembolsaria dinheiro público para a Copa, a União já comprometeu R$ 1,1 bilhão nos estádios que receberão jogos do torneio, entre incentivos fiscais e subsídios em empréstimos.
O chamado “padrão Fifa”, que criou arenas assépticas às quais o torcedor pobre não tem acesso, se contrapõe à degradação dos hospitais ou à precariedade da educação, entre outras mazelas do país. Além da leniência do governo com a corrupção, que resultou em episódios históricos como o caso do dinheiro na cueca e o escândalo do mensalão, a sociedade brasileira se vê diante de outro tipo de ameaça às instituições. Dilma flertou perigosamente como golpismo ao propor um plebiscito sobre a convocação de uma Constituinte exclusiva que tratasse da tão desejada reforma política.
Detentora de uma gigantesca base aliada no Congresso, a presidente teve 30 meses para encampar alterações no sistema político- eleitoral e não o fez. Agora, tentou atropelar a Constituição e o Parlamento, ignorando uma prerrogativa que é dos deputados e senadores, e só recuou graças à repercussão negativa de sua proposta. Encurralada pela pressão popular, que não aceita mais o discurso vazio da propaganda e clama pelo fim da impunidade, pelo respeito às instituições e por serviços públicos de qualidade, Dilma não conseguiu decifrar o grito que emerge das ruas. E a cada nova tentativa de entender esse fenômeno, fica ainda mais distante dos reais anseios do povo.
Apesar do clamor popular que ganhou as ruas do país nas últimas semanas, Dilma Rousseff vem mostrando que não entendeu a mensagem transmitida por milhões de brasileiros descontentes com os rumos da nação. O discurso da petista na última segunda-feira (24), na reunião com governadores e prefeitos no Palácio do Planalto, seria adequado se proferido por uma presidente recém-eleita, jamais por uma líder que exerce o cargo máximo da República há dois anos e meio e cujo partido está no poder há uma década.
Como se não tivesse qualquer responsabilidade pelos equívocos cometidos por sua própria administração, Dilma se comporta como mera espectadora da realidade brasileira. Ao anunciar “pactos” nacionais em áreas cruciais como saúde, educação e transporte, com medidas que já poderiam ter sido colocadas em prática, a presidente cria um factoide para esfumaçar a inescapável constatação de que os principais alvos das manifestações são o PT e o governo federal. Segundo uma pesquisa do Datafolha, a indignação com a corrupção foi apontada como o grande motivo para a participação nos protestos realizados em São Paulo, sendo mencionada por 50% dos manifestantes. Em resposta, a presidente prometeu mais transparência e defendeu uma nova legislação que classifique os crimes de corrupção como hediondos. Mas a realidade insiste em desmentir a propaganda petista.
Recentemente, o governo colocou sob sigilo todas as informações e os gastos relativos às viagens internacionais de Dilma, que só poderão ser consultados quando ela não estiver mais exercendo a função. Outro escândalo que escancara a desfaçatez da presidente é o estouro no orçamento da Copa do Mundo de 2014, competição que deve se transformar na mais cara da história, alcançando R$ 33 bilhões só em despesas de governos. Apesar da promessa do ex-presidente Lula de que o Brasil não desembolsaria dinheiro público para a Copa, a União já comprometeu R$ 1,1 bilhão nos estádios que receberão jogos do torneio, entre incentivos fiscais e subsídios em empréstimos.
O chamado “padrão Fifa”, que criou arenas assépticas às quais o torcedor pobre não tem acesso, se contrapõe à degradação dos hospitais ou à precariedade da educação, entre outras mazelas do país. Além da leniência do governo com a corrupção, que resultou em episódios históricos como o caso do dinheiro na cueca e o escândalo do mensalão, a sociedade brasileira se vê diante de outro tipo de ameaça às instituições. Dilma flertou perigosamente como golpismo ao propor um plebiscito sobre a convocação de uma Constituinte exclusiva que tratasse da tão desejada reforma política.
Detentora de uma gigantesca base aliada no Congresso, a presidente teve 30 meses para encampar alterações no sistema político- eleitoral e não o fez. Agora, tentou atropelar a Constituição e o Parlamento, ignorando uma prerrogativa que é dos deputados e senadores, e só recuou graças à repercussão negativa de sua proposta. Encurralada pela pressão popular, que não aceita mais o discurso vazio da propaganda e clama pelo fim da impunidade, pelo respeito às instituições e por serviços públicos de qualidade, Dilma não conseguiu decifrar o grito que emerge das ruas. E a cada nova tentativa de entender esse fenômeno, fica ainda mais distante dos reais anseios do povo.
Tudo indefinido - TOSTÃO
FOLHA DE SP - 28/06
Enfim, teremos o jogo tão esperado, entre Espanha e Brasil. Itália e Espanha fizeram um jogo equilibrado, lento, por causa do calor (30 graus de temperatura). As equipes estavam exaustas.
A Espanha mostrou, mais uma vez, que não tem bons atacantes. Fernando Torres e Pedro não jogariam na seleção brasileira. Com a prorrogação, a Espanha estará mais cansada na final de domingo.
Na coluna anterior, escrevi que o Brasil está com pinta de campeão. É apenas um palpite. Pode dizer também que é sorte de campeão. Obviamente, não disse isso porque a equipe está uma maravilha.
Acho que está com pinta de campeão pelo calor, por jogar em casa e saber aproveitar essa vantagem, pela vibração e seriedade da equipe e porque tudo tem dado certo.
Pelos mesmos motivos, o Brasil é forte candidato ao título mundial, mesmo sem ter uma grande equipe. Na Copa, será muito mais difícil, pelo número maior de rivais fortes.
Discordo que o Brasil vá evoluir muito até a Copa. Quase todos os titulares eram também de Mano Menezes. Não haverá nada novo.
O Brasil já está definido, na qualidade e na maneira de atuar. A única novidade, que poderia mudar a equipe para melhor, seria Ronaldinho ou Kaká (ou os dois, se estiverem em forma).
Noto que muitos comentaristas valorizam demais o tempo, como se muitos treinos e jogos fossem motivo para formar sempre um ótimo conjunto. Isso pode acontecer, mas é mais comum em clubes, que treinam todos os dias e jogam toda semana.
Além disso, é frequente uma equipe atingir o máximo que pode jogar, em pouco tempo, e cair, rapidamente. As grandes seleções surgiram de repente, sem avisar.
Discordo que o Brasil tenha vários jovens que se tornarão craques. Neymar é exceção. Ele já é um fora de série, embora precise brilhar por mais tempo, contra fortes rivais.
Os outros são bons, mas não são nem parece que se tornarão excepcionais. Os grandes atletas, mesmo os que demoraram a ser reconhecidos, já mostravam, desde o início, grandes talentos.
Um dos fascínios do futebol é não saber o que vai ocorrer na frente, em um instante ou daqui um ano. Um lance pode mudar toda a história.
Assim é também na vida. "Um instante-já é um pirilampo que acende e apaga, acende e apaga. O presente é o instante em que a roda do automóvel em alta velocidade toca minimamente no chão. E a parte da roda que ainda não tocou, tocará num imediato que absorve o instante presente e torna-o passado" (Clarice Lispector).
Enfim, teremos o jogo tão esperado, entre Espanha e Brasil. Itália e Espanha fizeram um jogo equilibrado, lento, por causa do calor (30 graus de temperatura). As equipes estavam exaustas.
A Espanha mostrou, mais uma vez, que não tem bons atacantes. Fernando Torres e Pedro não jogariam na seleção brasileira. Com a prorrogação, a Espanha estará mais cansada na final de domingo.
Na coluna anterior, escrevi que o Brasil está com pinta de campeão. É apenas um palpite. Pode dizer também que é sorte de campeão. Obviamente, não disse isso porque a equipe está uma maravilha.
Acho que está com pinta de campeão pelo calor, por jogar em casa e saber aproveitar essa vantagem, pela vibração e seriedade da equipe e porque tudo tem dado certo.
Pelos mesmos motivos, o Brasil é forte candidato ao título mundial, mesmo sem ter uma grande equipe. Na Copa, será muito mais difícil, pelo número maior de rivais fortes.
Discordo que o Brasil vá evoluir muito até a Copa. Quase todos os titulares eram também de Mano Menezes. Não haverá nada novo.
O Brasil já está definido, na qualidade e na maneira de atuar. A única novidade, que poderia mudar a equipe para melhor, seria Ronaldinho ou Kaká (ou os dois, se estiverem em forma).
Noto que muitos comentaristas valorizam demais o tempo, como se muitos treinos e jogos fossem motivo para formar sempre um ótimo conjunto. Isso pode acontecer, mas é mais comum em clubes, que treinam todos os dias e jogam toda semana.
Além disso, é frequente uma equipe atingir o máximo que pode jogar, em pouco tempo, e cair, rapidamente. As grandes seleções surgiram de repente, sem avisar.
Discordo que o Brasil tenha vários jovens que se tornarão craques. Neymar é exceção. Ele já é um fora de série, embora precise brilhar por mais tempo, contra fortes rivais.
Os outros são bons, mas não são nem parece que se tornarão excepcionais. Os grandes atletas, mesmo os que demoraram a ser reconhecidos, já mostravam, desde o início, grandes talentos.
Um dos fascínios do futebol é não saber o que vai ocorrer na frente, em um instante ou daqui um ano. Um lance pode mudar toda a história.
Assim é também na vida. "Um instante-já é um pirilampo que acende e apaga, acende e apaga. O presente é o instante em que a roda do automóvel em alta velocidade toca minimamente no chão. E a parte da roda que ainda não tocou, tocará num imediato que absorve o instante presente e torna-o passado" (Clarice Lispector).
IndigNação ou crônica da revolta anunciada - IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO
O ESTADO DE S. PAULO - 28/06
O clichê: Custou, mas o povo descobriu, o rei está nu.
A verdade: O rei é o PT e foi também PSDB, PMDB e todos.
Com tanto shopping abrindo, tantas lojas e as belas roupas do rei não existem.
O povo foi às ruas e como quando há multidão há aproveitamento. Como não existe segurança, aumentaram os baderneiros de plantão.
Quem garante que não eram, foram ou são pagos? Nós, e somos milhões, não estamos a favor da violência, do vandalismo, da bagunça, da desordem.
O que está acontecendo? Ainda perguntam? Só os tapados não sabem. Lula nunca soube de nada. E agora? O pavio foi aceso. O rastilho percorreu o Brasil. Na ponta, dinamite.
Movimento sem partidos, sim. Partidos estão falidos. Desde que Lula apertou a mão do Maluf, os partidos decretaram a falência, entraram em colapso, acabaram. A ideologia desceu pelo esgoto. Aquele aperto demão foi igual à queda do Muro de Berlim.
Ninguém suporta mais cinismo, hipocrisia, blindagem de políticos,ministros, governadores, empresários, corrupção, dinheiro no bolso,em paraísos fiscais, em caixa dois, dinheiro de lavagem. Lavagem,antigamente, era comida que se dava aos porcos.
Deixemos as análises e interpretações para os que estudaram. Sociólogos, filósofos, cientistas políticos, antropólogos, historiadores. Serão mais de mil ensaios. Enquanto isso, fiquemos de plantão, junto à porta, prontos para sair à rua.
Alguns cartazes estavam mal escritos? Estavam. O pessoal termina o fundamental completamente analfabeto.
Não tem educação, não tem ministério, não tem dinheiro, não tem vontade,não tem professores formados,ainda que tenha Enem.
Gostei de cartazes, como: Desculpe o transtorno, estamos reformando o Brasil.
País rico não é país onde pobre tem carro. É país onde rico anda de transporte público.
E este belo, poético, sintético: indigNação.
Havia também um espertinho: Vendo Palio 98. (Andaram dizendo que foi do Eike Batista.) Com meu caderninho (sou um repórter), fui ouvindo as pessoas. Cada um tem uma reivindicação, e não pessoal, e sim ligada à política, à estrutura de governo, à vida do brasileiro no que depende das instituições. Listei: Que o Lula deixe de ser o ex-presidente em exercício.
Assuma,Dilma, assuma, queremos a guerrilheira de volta. Lute agora pelo que você lutou.
Que diminua o número de ministérios, assessores, sub assessores, assessores dos assessores e assim ao infinito.
Que diminua o número de senadores, deputados, vereadores.
Que diminua os salários dos parlamentares.
Que não haja mais votações secretas nas Câmaras altas.
Que caia fora o Feliciano.
Caiam fora o Genoino, o João Paulo Cunha, o Renan, o Marco Aurélio TocToc Garcia (Sumiu, como Doril), aposentem o Sarney. Fora também o Gilberto Carvalho.
Que os ministros Toffoli e o Lewandowski parem de falar em diminuição das penas do mensalão e transformação da prisão em multas.
Que se reinstaure a CPI da Bancoop, a Cooperativa que ludibriou milhares de pessoas que pagaram e receberam esqueletos de prédios. Teve gente que perdeu tudo,poupança, economias de uma vida, fundo de garantia, ficou no miserê.
Olho em cima dos convênios médicos.
Escolas, salas de aulas, carteiras, computadores,merendas, material escolar, praças de esporte para as crianças.
Professores, salários para que professores possam viver e não apenas sobreviver. Para que possam ter casa, sustentar família, pagar escola, se divertir.
Hospitais, equipamentos, médicos, salários para os médicos.
Acabem com as máfias dos transportes, as confrarias. Queremos ônibus, metrô, seja o que for. Decentes e em quantidade.
Empregos, empregos, e não esmolas.
Terminem a transposição do Rio São Francisco.
Olho nas empreiteiras. E a CPI da Delta? E o que anda fazendo a Rose Noronha, a famosa Rose Madame Pompadour do PT? Ou seria a Du Barry? Chega da indústria da multa! Ou acabem os pedágios ou acabe o IPVA Tribunal de Contas nas contas da Copa.
Por mim, a Copa pode ser no Tahiti, tão simpáticos.
Que Sérgio Cabral e seus amigos de guardanapos na cabeça e suas mulheres com sapato de solado vermelho sejam enviados a Paris (como dinheiro deles, claro) e ali permaneçam. Polícia Federal crie a CPI Louboutin.
Que o Pelé vá morar em Mônaco junto como Galvão Bueno. Ele ficou preocupado com a confusão. O Pelé se acha entidade. Divindade à parte.
Ele só se cita na terceira pessoa.
Levem junto o fenômeno, Ronaldo.
Que a Eletropaulo e a CPFL contratem o Lula para plantar postes, já que é especialista. O poste de São Paulo vergou, entortou, não é de ferro, concreto, é borracha mole.
E que a Fifa pare de se intrometer em assuntos internos. Ela pensa ser um país dentro do Brasil.
E agora? A imprensa é a culpada de tudo? Fui ouvindo: que o Lula deixe de ser o ex-presidente em exercício; fora Genoino; fora Renan...
A verdade: O rei é o PT e foi também PSDB, PMDB e todos.
Com tanto shopping abrindo, tantas lojas e as belas roupas do rei não existem.
O povo foi às ruas e como quando há multidão há aproveitamento. Como não existe segurança, aumentaram os baderneiros de plantão.
Quem garante que não eram, foram ou são pagos? Nós, e somos milhões, não estamos a favor da violência, do vandalismo, da bagunça, da desordem.
O que está acontecendo? Ainda perguntam? Só os tapados não sabem. Lula nunca soube de nada. E agora? O pavio foi aceso. O rastilho percorreu o Brasil. Na ponta, dinamite.
Movimento sem partidos, sim. Partidos estão falidos. Desde que Lula apertou a mão do Maluf, os partidos decretaram a falência, entraram em colapso, acabaram. A ideologia desceu pelo esgoto. Aquele aperto demão foi igual à queda do Muro de Berlim.
Ninguém suporta mais cinismo, hipocrisia, blindagem de políticos,ministros, governadores, empresários, corrupção, dinheiro no bolso,em paraísos fiscais, em caixa dois, dinheiro de lavagem. Lavagem,antigamente, era comida que se dava aos porcos.
Deixemos as análises e interpretações para os que estudaram. Sociólogos, filósofos, cientistas políticos, antropólogos, historiadores. Serão mais de mil ensaios. Enquanto isso, fiquemos de plantão, junto à porta, prontos para sair à rua.
Alguns cartazes estavam mal escritos? Estavam. O pessoal termina o fundamental completamente analfabeto.
Não tem educação, não tem ministério, não tem dinheiro, não tem vontade,não tem professores formados,ainda que tenha Enem.
Gostei de cartazes, como: Desculpe o transtorno, estamos reformando o Brasil.
País rico não é país onde pobre tem carro. É país onde rico anda de transporte público.
E este belo, poético, sintético: indigNação.
Havia também um espertinho: Vendo Palio 98. (Andaram dizendo que foi do Eike Batista.) Com meu caderninho (sou um repórter), fui ouvindo as pessoas. Cada um tem uma reivindicação, e não pessoal, e sim ligada à política, à estrutura de governo, à vida do brasileiro no que depende das instituições. Listei: Que o Lula deixe de ser o ex-presidente em exercício.
Assuma,Dilma, assuma, queremos a guerrilheira de volta. Lute agora pelo que você lutou.
Que diminua o número de ministérios, assessores, sub assessores, assessores dos assessores e assim ao infinito.
Que diminua o número de senadores, deputados, vereadores.
Que diminua os salários dos parlamentares.
Que não haja mais votações secretas nas Câmaras altas.
Que caia fora o Feliciano.
Caiam fora o Genoino, o João Paulo Cunha, o Renan, o Marco Aurélio TocToc Garcia (Sumiu, como Doril), aposentem o Sarney. Fora também o Gilberto Carvalho.
Que os ministros Toffoli e o Lewandowski parem de falar em diminuição das penas do mensalão e transformação da prisão em multas.
Que se reinstaure a CPI da Bancoop, a Cooperativa que ludibriou milhares de pessoas que pagaram e receberam esqueletos de prédios. Teve gente que perdeu tudo,poupança, economias de uma vida, fundo de garantia, ficou no miserê.
Olho em cima dos convênios médicos.
Escolas, salas de aulas, carteiras, computadores,merendas, material escolar, praças de esporte para as crianças.
Professores, salários para que professores possam viver e não apenas sobreviver. Para que possam ter casa, sustentar família, pagar escola, se divertir.
Hospitais, equipamentos, médicos, salários para os médicos.
Acabem com as máfias dos transportes, as confrarias. Queremos ônibus, metrô, seja o que for. Decentes e em quantidade.
Empregos, empregos, e não esmolas.
Terminem a transposição do Rio São Francisco.
Olho nas empreiteiras. E a CPI da Delta? E o que anda fazendo a Rose Noronha, a famosa Rose Madame Pompadour do PT? Ou seria a Du Barry? Chega da indústria da multa! Ou acabem os pedágios ou acabe o IPVA Tribunal de Contas nas contas da Copa.
Por mim, a Copa pode ser no Tahiti, tão simpáticos.
Que Sérgio Cabral e seus amigos de guardanapos na cabeça e suas mulheres com sapato de solado vermelho sejam enviados a Paris (como dinheiro deles, claro) e ali permaneçam. Polícia Federal crie a CPI Louboutin.
Que o Pelé vá morar em Mônaco junto como Galvão Bueno. Ele ficou preocupado com a confusão. O Pelé se acha entidade. Divindade à parte.
Ele só se cita na terceira pessoa.
Levem junto o fenômeno, Ronaldo.
Que a Eletropaulo e a CPFL contratem o Lula para plantar postes, já que é especialista. O poste de São Paulo vergou, entortou, não é de ferro, concreto, é borracha mole.
E que a Fifa pare de se intrometer em assuntos internos. Ela pensa ser um país dentro do Brasil.
E agora? A imprensa é a culpada de tudo? Fui ouvindo: que o Lula deixe de ser o ex-presidente em exercício; fora Genoino; fora Renan...
Júlio César! O Franguêro Acordou! - JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 28/06
"Por causa dos protestos, Superman cancela vinda ao Brasil." Bundão! Chama o Chapolin Colorado!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
E o Congresso trabalhando freneticamente? O Congresso tá parecendo viúva tirando atraso de dez anos! E com medo do fantasma do marido! Rarará!
E o Renan Escandalheiros, que pautou corrupção como crime hediondo. Virou casaca!
Esse Renan já virou casaca umas 20 vezes! Tem casaco com 20 avessos! O casaco do Renan tem 20 avessos! Rarará!
Tão votando tão rápido que nem sabem mais os nomes dos projetos! E atenção! Sofremos mais uma baixa internacional: "Por causa dos protestos, Superman cancela vinda ao Brasil". Bundão! Chama o Chapolin Colorado! Rarará!
E o Superman vinha pro Brasil pra divulgar o filme "O Homem de Aço"! O Homem de Aço tem medo de bala de borracha! Rarará!
Eu achava que o Superman tivesse problemas com kriptonita, não com vinagre!
E Brasil X Uruguai? Adorei o Júlio César defendendo o pênalti! O frangueiro virou herói! O FRANGUÊRO ACORDOU! #obrasilmudou!
E a velhinha no meio das manifestações, sem ônibus, querendo ir pra casa: "Moço, por favor, essa passeata passa na 23?". Passa! Agora é assim: vai com o fluxo!
E a manchete do Sensacionalista: "Marco Feliciano condena beijo que o Neymar mandou para o uruguaio".
E o Piauí Herald mostra a Dilma aderindo às manifestações com o cartaz: "IPI Zero Para o Laquê!". Rarará!
E esta aqui: "Shopping em Curitiba prevê derrubada de área verde". Cuidado! Olha a Turquia! Tudo começou com o projeto de derrubar área verde pra construir shopping!
E mais uma frente de luta: agora temos que derrubar o foro privilegiado dos políticos: Fora o Foro! Manifestação "FORA O FORO". Mais um trava-línguas! Rarará!
É mole? É mole, mas sobe!
Os Predestinados! Mais dois para a minha série Os Predestinados! É que aqui em São Paulo tem um empresário de ônibus chamado: José RUAS PAZ! Empresário de "ôinbus" como falava o Levy Fidelix!
E no Méier, no Rio, temos o endocrinologista: Carmine Osso! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!
Hoje só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
"Por causa dos protestos, Superman cancela vinda ao Brasil." Bundão! Chama o Chapolin Colorado!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
E o Congresso trabalhando freneticamente? O Congresso tá parecendo viúva tirando atraso de dez anos! E com medo do fantasma do marido! Rarará!
E o Renan Escandalheiros, que pautou corrupção como crime hediondo. Virou casaca!
Esse Renan já virou casaca umas 20 vezes! Tem casaco com 20 avessos! O casaco do Renan tem 20 avessos! Rarará!
Tão votando tão rápido que nem sabem mais os nomes dos projetos! E atenção! Sofremos mais uma baixa internacional: "Por causa dos protestos, Superman cancela vinda ao Brasil". Bundão! Chama o Chapolin Colorado! Rarará!
E o Superman vinha pro Brasil pra divulgar o filme "O Homem de Aço"! O Homem de Aço tem medo de bala de borracha! Rarará!
Eu achava que o Superman tivesse problemas com kriptonita, não com vinagre!
E Brasil X Uruguai? Adorei o Júlio César defendendo o pênalti! O frangueiro virou herói! O FRANGUÊRO ACORDOU! #obrasilmudou!
E a velhinha no meio das manifestações, sem ônibus, querendo ir pra casa: "Moço, por favor, essa passeata passa na 23?". Passa! Agora é assim: vai com o fluxo!
E a manchete do Sensacionalista: "Marco Feliciano condena beijo que o Neymar mandou para o uruguaio".
E o Piauí Herald mostra a Dilma aderindo às manifestações com o cartaz: "IPI Zero Para o Laquê!". Rarará!
E esta aqui: "Shopping em Curitiba prevê derrubada de área verde". Cuidado! Olha a Turquia! Tudo começou com o projeto de derrubar área verde pra construir shopping!
E mais uma frente de luta: agora temos que derrubar o foro privilegiado dos políticos: Fora o Foro! Manifestação "FORA O FORO". Mais um trava-línguas! Rarará!
É mole? É mole, mas sobe!
Os Predestinados! Mais dois para a minha série Os Predestinados! É que aqui em São Paulo tem um empresário de ônibus chamado: José RUAS PAZ! Empresário de "ôinbus" como falava o Levy Fidelix!
E no Méier, no Rio, temos o endocrinologista: Carmine Osso! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!
Hoje só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Nada será como antes - NELSON MOTTA
O GLOBO - 28/06
Se a histórica semana passada tivesse acontecido antes, os deputados não teriam dado a Comissão de Direitos Humanos a Marco Feliciano, e os condenados do mensalão já estariam na cadeia
Antes, os políticos justificavam o baixo nível do Congresso dizendo que, para o bem e para o mal, ele era um reflexo do Brasil, representava o que os brasileiros tinham de melhor e de pior. Ou seja, não se podia almejar um Congresso de primeira com um povinho de quinta. E durante muito tempo nos fizeram acreditar que os representantes não eram piores do que os representados. Na semana passada, o povo nas ruas provou o contrário.
As palavras de (des)ordem atingiram frontalmente os partidos, com sua cultura patrimonialista, seus privilégios afrontosos e seu distanciamento da indignação popular, como uma corporação que se apossou do Estado e se une quando seus interesses são ameaçados — como agora. Mas eles querem mais dinheiro (nosso) para os seus partidos.
Contra a corrupção eleitoral, eles propõem o financiamento público das campanhas, com a bolada sendo distribuída proporcionalmente às bancadas dos partidos no Congresso. Ou seja, PT e PMDB, enquanto para a oposição sobraria uma verba do tamanho da sua pequenez. É a forma mais fácil, e cínica, de um partido se eternizar no poder às custas do dinheiro publico. Por que o Zé Dirceu e o Rui Falcão não mandam a militância para a rua defender esta proposta?
O horário eleitoral e os fundos partidários — que já nos custam muito caro — bastam para equalizar as oportunidades e garantir eleições democráticas. Empresas não votam, só têm interesses, investem e depois cobram a conta. São os eleitores que devem ajudar as campanhas de seus candidatos com doações individuais limitadas. Na Itália, o Movimento Cinco Estrelas fez 25% dos votos sem verbas públicas, só com pequenas doações individuais. E ideias.
Se a histórica semana passada tivesse acontecido antes, Renan não teria sido eleito presidente do Senado, os juizes não ousariam se dar dez anos retroativos de vale-refeição, os partidos não apresentariam projetos para afrouxar o Ficha Limpa e a Lei de Responsabilidade Fiscal, não dariam a Comissão de Direitos Humanos a Marco Feliciano, e os condenados do mensalão já estariam na cadeia. Foi por essas e outras que ela aconteceu.
Se a histórica semana passada tivesse acontecido antes, os deputados não teriam dado a Comissão de Direitos Humanos a Marco Feliciano, e os condenados do mensalão já estariam na cadeia
Antes, os políticos justificavam o baixo nível do Congresso dizendo que, para o bem e para o mal, ele era um reflexo do Brasil, representava o que os brasileiros tinham de melhor e de pior. Ou seja, não se podia almejar um Congresso de primeira com um povinho de quinta. E durante muito tempo nos fizeram acreditar que os representantes não eram piores do que os representados. Na semana passada, o povo nas ruas provou o contrário.
As palavras de (des)ordem atingiram frontalmente os partidos, com sua cultura patrimonialista, seus privilégios afrontosos e seu distanciamento da indignação popular, como uma corporação que se apossou do Estado e se une quando seus interesses são ameaçados — como agora. Mas eles querem mais dinheiro (nosso) para os seus partidos.
Contra a corrupção eleitoral, eles propõem o financiamento público das campanhas, com a bolada sendo distribuída proporcionalmente às bancadas dos partidos no Congresso. Ou seja, PT e PMDB, enquanto para a oposição sobraria uma verba do tamanho da sua pequenez. É a forma mais fácil, e cínica, de um partido se eternizar no poder às custas do dinheiro publico. Por que o Zé Dirceu e o Rui Falcão não mandam a militância para a rua defender esta proposta?
O horário eleitoral e os fundos partidários — que já nos custam muito caro — bastam para equalizar as oportunidades e garantir eleições democráticas. Empresas não votam, só têm interesses, investem e depois cobram a conta. São os eleitores que devem ajudar as campanhas de seus candidatos com doações individuais limitadas. Na Itália, o Movimento Cinco Estrelas fez 25% dos votos sem verbas públicas, só com pequenas doações individuais. E ideias.
Se a histórica semana passada tivesse acontecido antes, Renan não teria sido eleito presidente do Senado, os juizes não ousariam se dar dez anos retroativos de vale-refeição, os partidos não apresentariam projetos para afrouxar o Ficha Limpa e a Lei de Responsabilidade Fiscal, não dariam a Comissão de Direitos Humanos a Marco Feliciano, e os condenados do mensalão já estariam na cadeia. Foi por essas e outras que ela aconteceu.
Se Snowden fosse equatoriano... - MOISÉS NAÍM
FOLHA DE SP - 28/06
Snowden e Assange têm sorte: não são jornalistas equatorianos e denunciam Obama e não Rafael Correa
Em meio a suas vicissitudes, Julian Assange e Edward Snowden podem alegrar-se com a boa sorte em ao menos um aspecto: não são jornalistas equatorianos. Ambos têm sorte pelo fato de o presidente do país prejudicado por seus vazamentos ser Barack Obama e não Rafael Correa.
O presidente Correa, autoungido protetor dos delatores globais, não vê com bons olhos repórteres equatorianos que denunciam a corrupção e os abusos de seu governo.
Em 2012, segundo o grupo equatoriano Fundamedios, houve 173 "atos de agressão" a jornalistas, incluindo uma morte e 13 ataques.
Em 16 de fevereiro de 2012, a relatora especial para a liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Catalina Botero, e o relator especial das Nações Unidas para a liberdade de opinião e expressão, Frank La Rue, expressaram preocupação com uma decisão da Corte Nacional de Justiça do Equador.
No julgamento de três executivos e um jornalista do jornal "El Universo" pela publicação de uma coluna que ofendeu Correa, eles foram sentenciados a três anos de prisão e ao pagamento de US$ 40 milhões.
A Associação Interamericana de Imprensa descreve nova lei equatoriana de mídia proposta pelo presidente como "o mais grave retrocesso para a liberdade de imprensa e de expressão na história recente da América Latina". O Comitê para Proteger Jornalistas diz: "Esta legislação promulga um objetivo chave da Presidência: amordaçar os críticos."
No entanto, numa explosão de hipocrisia e de dois pesos, duas medidas, o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, em discurso na Organização dos Estados Americanos em agosto de 2012, disse: "O asilo concedido ao sr. Assange é a luta pela liberdade de expressão, pelos direitos humanos, a luta para que o asilo seja respeitado em qualquer lugar do mundo". Isso mesmo.
Sobre um encontro com Assange, ele disse: "Pude lhe dizer cara a cara, pela primeira vez, que o Equador continua firmemente comprometido com a proteção de seus direitos humanos. Durante o encontro, falamos sobre as ameaças crescentes à liberdade das pessoas para se comunicar e saber a verdade, que vêm de certos Estados que põem toda a humanidade sob suspeita."
Seria agradável se o ministro se preocupasse com igual determinação com os direitos humanos e as ameaças à liberdade de expressão de seus compatriotas equatorianos.
Ao mesmo tempo em que o governo equatoriano agressivamente amordaça seus críticos internos, apresenta-se no palco mundial como campeão do direito de criticar os governos. Jornalistas que sofreram com o comportamento agressivo de Correa sabem que a propaganda dele e de Patiño por Assange e Snowden não passa disso --propaganda política vazia e hipócrita.
E todos sabemos que, por enquanto, os vazamentos alvejaram um governo apenas: o dos Estados Unidos. Aguardamos com grande interesse e expectativa a versão do WikiLeaks ou de Snowden sobre as comunicações secretas dos governos russo, iraniano, chinês ou cubano. Ou mesmo do governo equatoriano.
Tradução de CLARA ALLAIN
Snowden e Assange têm sorte: não são jornalistas equatorianos e denunciam Obama e não Rafael Correa
Em meio a suas vicissitudes, Julian Assange e Edward Snowden podem alegrar-se com a boa sorte em ao menos um aspecto: não são jornalistas equatorianos. Ambos têm sorte pelo fato de o presidente do país prejudicado por seus vazamentos ser Barack Obama e não Rafael Correa.
O presidente Correa, autoungido protetor dos delatores globais, não vê com bons olhos repórteres equatorianos que denunciam a corrupção e os abusos de seu governo.
Em 2012, segundo o grupo equatoriano Fundamedios, houve 173 "atos de agressão" a jornalistas, incluindo uma morte e 13 ataques.
Em 16 de fevereiro de 2012, a relatora especial para a liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Catalina Botero, e o relator especial das Nações Unidas para a liberdade de opinião e expressão, Frank La Rue, expressaram preocupação com uma decisão da Corte Nacional de Justiça do Equador.
No julgamento de três executivos e um jornalista do jornal "El Universo" pela publicação de uma coluna que ofendeu Correa, eles foram sentenciados a três anos de prisão e ao pagamento de US$ 40 milhões.
A Associação Interamericana de Imprensa descreve nova lei equatoriana de mídia proposta pelo presidente como "o mais grave retrocesso para a liberdade de imprensa e de expressão na história recente da América Latina". O Comitê para Proteger Jornalistas diz: "Esta legislação promulga um objetivo chave da Presidência: amordaçar os críticos."
No entanto, numa explosão de hipocrisia e de dois pesos, duas medidas, o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, em discurso na Organização dos Estados Americanos em agosto de 2012, disse: "O asilo concedido ao sr. Assange é a luta pela liberdade de expressão, pelos direitos humanos, a luta para que o asilo seja respeitado em qualquer lugar do mundo". Isso mesmo.
Sobre um encontro com Assange, ele disse: "Pude lhe dizer cara a cara, pela primeira vez, que o Equador continua firmemente comprometido com a proteção de seus direitos humanos. Durante o encontro, falamos sobre as ameaças crescentes à liberdade das pessoas para se comunicar e saber a verdade, que vêm de certos Estados que põem toda a humanidade sob suspeita."
Seria agradável se o ministro se preocupasse com igual determinação com os direitos humanos e as ameaças à liberdade de expressão de seus compatriotas equatorianos.
Ao mesmo tempo em que o governo equatoriano agressivamente amordaça seus críticos internos, apresenta-se no palco mundial como campeão do direito de criticar os governos. Jornalistas que sofreram com o comportamento agressivo de Correa sabem que a propaganda dele e de Patiño por Assange e Snowden não passa disso --propaganda política vazia e hipócrita.
E todos sabemos que, por enquanto, os vazamentos alvejaram um governo apenas: o dos Estados Unidos. Aguardamos com grande interesse e expectativa a versão do WikiLeaks ou de Snowden sobre as comunicações secretas dos governos russo, iraniano, chinês ou cubano. Ou mesmo do governo equatoriano.
Tradução de CLARA ALLAIN
CHAMA O POVO - MÔNICA BERGAMO
DE SP - 28/06
É LEI
Celso de Mello prossegue: "Não se pode prescindir da participação do povo no processo de governo da República, pois essa possibilidade é um importante fator de legitimação política das decisões tomadas no âmbito do aparelho do Estado. A participação ativa do cidadão traduz medida estimulada pela própria Constituição brasileira, que consagrou a ideia de que o povo tem o direito de exercer diretamente o poder nas hipóteses previstas em nossa lei fundamental".
COISA NOSSA
O magistrado diz ainda que comparações com outros países, como a Venezuela, que fez vários plebiscitos nos últimos anos, não passam por sua cabeça, "pois é a própria Carta brasileira que prevê isso. A democracia participativa foi expressamente acolhida no texto constitucional. Temos que dar efetividade a essa tese". Ele lembra que esse tipo de consulta é frequente em países como Itália e EUA.
COISA NOSSA 2
Celso de Mello aplaude também a proposta de um recall para políticos, lançada pelo presidente do STF, Joaquim Barbosa. "Este não é um modelo inédito no Brasil. O recall já funcionou no país, previsto expressamente nas constituições estaduais de São Paulo, Rio Grande do Sul e Goiás, de 1891, e na de Santa Catarina, de 1892." Pela regra, o eleitorado pode votar para interromper o mandato de um parlamentar.
JÁ ERA
A OAB-RJ pedirá ao Senado a atualização da lista de membros da Comissão da Reforma Política. Demóstenes Torres, cassado, e Itamar Franco, já morto, seguem no site.
CORAÇÃO, DIZ PRA MIM
Roberto Kalil Filho, médico de Dilma, de Lula e de muitos outros políticos e empresários, vai escrever um livro sobre como cuidar bem do coração. Na obra, que será lançada em 2014 pela editora Paralela, o cardiologista falará de casos clínicos e histórias pessoais. A autoria será dividida com a jornalista Adriana Dias. A agente de Kalil é a produtora cultural Lulu Librandi.
LEGIÃO DIVIDIDA
Lee Martinez, ex-empresário de Dado Villa-Lobos, afirma ter repassado o convite de Giuliano Manfredini, filho de Renato Russo, para que o guitarrista se apresentasse no show "Renato Russo Sinfônico", amanhã, em Brasília. "Ele [Dado], acredito, não deu sequência ao assunto. Apenas isso", diz.
LEGIÃO DIVIDIDA 2
Villa-Lobos nega contato e alfineta a participação do vocalista, morto em 1996, em um holograma: "Nunca vi um, tirando o da princesa Léa do primeiro episódio do [filme] Star Wars'".
Marcelo Bonfá, que foi baterista da Legião, também ficará fora do evento, embora tenha sido convidado para cantar "Será", na semana passada, segundo ele. "Meio em cima da hora."
SELEÇÃO MUNIZ
O artista plástico Vik Muniz escolheu dois dos jovens que vão carregar as bandeiras das seleções na final da Copa das Confederações, no Maracanã, no Rio. Um dos eleitos é Clara Ellis, filha do catador Tião Santos, personagem do documentário "Lixo Extraordinário".
SEM TOGA
O coquetel de posse de Luís Roberto Barroso no STF, anteontem, em Brasília, reuniu o presidente da corte, Joaquim Barbosa, e atuais ministros, como Dias Toffoli, Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski, acompanhado da mulher, Yara. Estavam presentes ainda o ex-deputado Sigmaringa Seixas e Luciana Lóssio, ministra do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
MINNIE FALCÃO
Clarice Falcão posou para a revista "Elle", em ensaio inspirado nas fotos do britânico Tim Walker. Atriz, cantora e roteirista de TV e de teatro, ela está em turnê pelo Brasil com o show do CD "Monomania". Clarice também participa dos vídeos de humor da produtora Porta dos Fundos.
CURTO-CIRCUITO
A cantora Cibelle faz show de lançamento de seu novo álbum, hoje, no D.Edge. 18 anos.
A Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Juventude promove hoje conferência sobre jovens no Mercosul, em Santos.
Thammy Miranda ganha sala com seu nome no karaokê Coconut, em Santa Cecília, hoje, às 20h.
Os atores Jason Biggs ("American Pie") e Taylor Schilling ("Argo"), da nova série da Netflix, "Orange Is the New Black", vêm ao Brasil no mês que vem.
Matemática é assim - SONIA RACY
O ESTADÃO - 28/06
Alckmin anuncia hoje um a série de medidas para cortar gastos do governo. A mais política delas será a extinção de uma de suas 26 secretarias. Na segunda-feira, em longa reunião no Palácio dos Bandeirantes, o tucano levantou, com integrantes do governo, de onde sairia o corte de custos.
A intenção,como corte,é bancar a redução da tarifa do metrô e a suspensão da alta do pedágio - evitando, assim, mexer em investimentos.
De volta ao cofre
A AGU acaba de fechar acordo com o Banco Morada. A instituição falida vai devolver R$ 21 milhões destinados ao Minha Casa Minha Vida.
A quantia estava bloqueada por decisão judicial
Feitiço e feiticeiro
Luiz Roberto Demarco queixou-se ao STF de suposta quebra de sigilo no inquérito da Operação Satiagraha. Esta semana, o ministro Dias Toffoli, "melhor refletindo, e para que insinuações dessa espécie não mais se repitam", acabou com o sigilo dos autos.
Contraproposta
O Condephaat recebeu proposta, segunda-feira, de representantes daXYZ e do Jockey para resolver o impasse da arena que está sendo construída no clube. Mantêm o projeto do j eito que está - forma que foi recusada pelo órgão de patrimônio - mas prometem doar 10% da receita para restauração do Jockey. Segunda-feira haverá novo encontro na sede do órgão para discutir o pleito.
Sumiu
A sempre low profile Joana Havelange se tomou uma "no profile". Filha de Ricardo Teixeira e integrante do COL, não apareceu até agora em eventos públicos da Copa das Confederações.
Vai na final, domingo?
Dó-ré-mi
Trabalho à vista no Municipal: há 60 vagas para elenco de apoio da ópera Aida. Mas a direção do teatro já recebeu mais de... 600 inscrições. As récitas começam em agosto
Bumba-meu-boi
O Festival de Parintins, neste fim de semana, está sendo considerado pela Infraero como mais um teste pré-Copa para o aeroporto de Manaus.
São esperados cerca de 500 voos e 18 mil passageiros nos três dias de folia.
A intenção,como corte,é bancar a redução da tarifa do metrô e a suspensão da alta do pedágio - evitando, assim, mexer em investimentos.
De volta ao cofre
A AGU acaba de fechar acordo com o Banco Morada. A instituição falida vai devolver R$ 21 milhões destinados ao Minha Casa Minha Vida.
A quantia estava bloqueada por decisão judicial
Feitiço e feiticeiro
Luiz Roberto Demarco queixou-se ao STF de suposta quebra de sigilo no inquérito da Operação Satiagraha. Esta semana, o ministro Dias Toffoli, "melhor refletindo, e para que insinuações dessa espécie não mais se repitam", acabou com o sigilo dos autos.
Contraproposta
O Condephaat recebeu proposta, segunda-feira, de representantes daXYZ e do Jockey para resolver o impasse da arena que está sendo construída no clube. Mantêm o projeto do j eito que está - forma que foi recusada pelo órgão de patrimônio - mas prometem doar 10% da receita para restauração do Jockey. Segunda-feira haverá novo encontro na sede do órgão para discutir o pleito.
Sumiu
A sempre low profile Joana Havelange se tomou uma "no profile". Filha de Ricardo Teixeira e integrante do COL, não apareceu até agora em eventos públicos da Copa das Confederações.
Vai na final, domingo?
Dó-ré-mi
Trabalho à vista no Municipal: há 60 vagas para elenco de apoio da ópera Aida. Mas a direção do teatro já recebeu mais de... 600 inscrições. As récitas começam em agosto
Bumba-meu-boi
O Festival de Parintins, neste fim de semana, está sendo considerado pela Infraero como mais um teste pré-Copa para o aeroporto de Manaus.
São esperados cerca de 500 voos e 18 mil passageiros nos três dias de folia.
Convicções em xeque - VERA MAGALHÃES - PAINEL
FOLHA DE SP - 28/06
A despeito do discurso de apoio ao governo, petistas e peemedebistas defenderam anteontem, na casa do presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), onde se encontraram para assistir ao jogo do Brasil, que se faça referendo em vez de plebiscito para a reforma política. O vice-presidente, Michel Temer, telefonou para Aloizio Mercadante (Educação) e avisou do impasse. O ministro disse que o governo não recuaria, e o Planalto entrou em campo para enquadrar os petistas.
Noite e dia Segundo deputados presentes, o líder do PT, José Guimarães (CE), defendeu o referendo, mas ontem se posicionou publicamente pelo plebiscito. "Guimarães abandona o PT para defender o governo'', diz um correligionário. Ele nega que tenha mudado de opinião.
Bloquinho O PT vai tentar traçar uma agenda única para pautar a reforma política com o apoio de outras legendas de esquerda. Dirigentes petistas se encontrarão com líderes do PC do B, do PDT e do PSB hoje de manhã, em São Paulo, na sede do partido comunista.
Desligado Dilma fez um apelo aos presidentes de partidos aliados para convencê-los a embarcar na tese do plebiscito. Segundo um dirigente, ela afirmou que, diante do sentimento de ceticismo com a política, uma reforma feita pelo Congresso correria risco de ser referendada nas urnas.
Na pele Carlos Lupi (PDT) e Alfredo Nascimento (PR), ambos defenestrados por Dilma na "faxina'' de 2011, concordaram, durante a reunião de ontem, que o plebiscito era melhor que referendo e também usaram o mesmo argumento sobre a falta de credibilidade do Congresso.
Céu é o limite A presidente quer que o plebiscito seja enxuto, mas os partidos disseram a ela que querem discutir no Congresso temas como a cláusula de barreira, o fim das coligações e até o fim do voto obrigatório.
Boa vizinhança Líderes da Câmara querem incluir no plebiscito proposta do PDT de consulta sobre a implantação do sistema unicameral no Legislativo, que poderia levar à extinção do Senado.
Calma lá O presidente nacional do PTB, Benito Gama, chegou a defender o fim da reeleição durante a reunião com Dilma, que pode tentar novo mandato em 2014. Encarado com perplexidade pelos demais, o petebista logo ressaltou que a regra só valeria a partir de 2018.
Frequência Eduardo Campos aconselhou Dilma a melhorar a comunicação do governo. "A política ainda é analógica, e a sociedade é digital'', disse o governador de Pernambuco e virtual rival de Dilma no ano que vem.
Em todas Após conversas com partidos, parlamentares, governadores, centrais sindicais e o Movimento Passe Livre, Dilma vai receber hoje militantes da causa LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais).
Mãos de... Geraldo Alckmin ficou tão empolgado com as reuniões para cortes de despesas no governo paulista, querendo aumentar a economia a ser anunciada, que assessores chegaram a temer por seus empregos.
... tesoura "Estava vendo a hora em que ele ia mandar cortar o bigode do Meirelles'', diz um auxiliar, numa referência ao assessor especial João Carlos Meirelles, conhecido pelo bigodão.
Na gaveta Está parado na Câmara de São Paulo, desde outubro, um projeto que altera a Lei Cidade Limpa e autoriza a publicidade em ônibus e táxis, com o objetivo de arrecadar recursos para financiar o passe livre para estudantes no município.
com ANDRÉIA SADI e BRUNO BOGHOSSIAN
tiroteio
"Pressionado pelas ruas, Haddad cancelou a licitação dos ônibus, mas cria uma CPI chapa-branca, que não vai investigar nada."
DO VEREADOR GILBERTO NATALINI (PV), sobre a CPI que vai apurar contratos de transporte em São Paulo, com 7 aliados do prefeito Fernando Haddad (PT).
contraponto
Nós não vamos pagar nada
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, repetiu ontem, na reunião de Dilma e ministros com presidentes dos partidos, uma história que costuma repetir sempre sobre a dificuldade de implementar financiamento público no Brasil, ainda mais por plebiscito.
Ele citou uma descompostura que seu correligionário João Fernando Coutinho, deputado estadual em Pernambuco, levou de uma eleitora ao defender a proposta:
--Quer dizer que, além de tudo que nós já pagamos, vocês, políticos, agora não querem mais pagar nem mesmo a campanha de vocês?
A despeito do discurso de apoio ao governo, petistas e peemedebistas defenderam anteontem, na casa do presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), onde se encontraram para assistir ao jogo do Brasil, que se faça referendo em vez de plebiscito para a reforma política. O vice-presidente, Michel Temer, telefonou para Aloizio Mercadante (Educação) e avisou do impasse. O ministro disse que o governo não recuaria, e o Planalto entrou em campo para enquadrar os petistas.
Noite e dia Segundo deputados presentes, o líder do PT, José Guimarães (CE), defendeu o referendo, mas ontem se posicionou publicamente pelo plebiscito. "Guimarães abandona o PT para defender o governo'', diz um correligionário. Ele nega que tenha mudado de opinião.
Bloquinho O PT vai tentar traçar uma agenda única para pautar a reforma política com o apoio de outras legendas de esquerda. Dirigentes petistas se encontrarão com líderes do PC do B, do PDT e do PSB hoje de manhã, em São Paulo, na sede do partido comunista.
Desligado Dilma fez um apelo aos presidentes de partidos aliados para convencê-los a embarcar na tese do plebiscito. Segundo um dirigente, ela afirmou que, diante do sentimento de ceticismo com a política, uma reforma feita pelo Congresso correria risco de ser referendada nas urnas.
Na pele Carlos Lupi (PDT) e Alfredo Nascimento (PR), ambos defenestrados por Dilma na "faxina'' de 2011, concordaram, durante a reunião de ontem, que o plebiscito era melhor que referendo e também usaram o mesmo argumento sobre a falta de credibilidade do Congresso.
Céu é o limite A presidente quer que o plebiscito seja enxuto, mas os partidos disseram a ela que querem discutir no Congresso temas como a cláusula de barreira, o fim das coligações e até o fim do voto obrigatório.
Boa vizinhança Líderes da Câmara querem incluir no plebiscito proposta do PDT de consulta sobre a implantação do sistema unicameral no Legislativo, que poderia levar à extinção do Senado.
Calma lá O presidente nacional do PTB, Benito Gama, chegou a defender o fim da reeleição durante a reunião com Dilma, que pode tentar novo mandato em 2014. Encarado com perplexidade pelos demais, o petebista logo ressaltou que a regra só valeria a partir de 2018.
Frequência Eduardo Campos aconselhou Dilma a melhorar a comunicação do governo. "A política ainda é analógica, e a sociedade é digital'', disse o governador de Pernambuco e virtual rival de Dilma no ano que vem.
Em todas Após conversas com partidos, parlamentares, governadores, centrais sindicais e o Movimento Passe Livre, Dilma vai receber hoje militantes da causa LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais).
Mãos de... Geraldo Alckmin ficou tão empolgado com as reuniões para cortes de despesas no governo paulista, querendo aumentar a economia a ser anunciada, que assessores chegaram a temer por seus empregos.
... tesoura "Estava vendo a hora em que ele ia mandar cortar o bigode do Meirelles'', diz um auxiliar, numa referência ao assessor especial João Carlos Meirelles, conhecido pelo bigodão.
Na gaveta Está parado na Câmara de São Paulo, desde outubro, um projeto que altera a Lei Cidade Limpa e autoriza a publicidade em ônibus e táxis, com o objetivo de arrecadar recursos para financiar o passe livre para estudantes no município.
com ANDRÉIA SADI e BRUNO BOGHOSSIAN
tiroteio
"Pressionado pelas ruas, Haddad cancelou a licitação dos ônibus, mas cria uma CPI chapa-branca, que não vai investigar nada."
DO VEREADOR GILBERTO NATALINI (PV), sobre a CPI que vai apurar contratos de transporte em São Paulo, com 7 aliados do prefeito Fernando Haddad (PT).
contraponto
Nós não vamos pagar nada
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, repetiu ontem, na reunião de Dilma e ministros com presidentes dos partidos, uma história que costuma repetir sempre sobre a dificuldade de implementar financiamento público no Brasil, ainda mais por plebiscito.
Ele citou uma descompostura que seu correligionário João Fernando Coutinho, deputado estadual em Pernambuco, levou de uma eleitora ao defender a proposta:
--Quer dizer que, além de tudo que nós já pagamos, vocês, políticos, agora não querem mais pagar nem mesmo a campanha de vocês?
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