sexta-feira, maio 03, 2013

Fora do tom - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 03/05
São comuns em matéria criminal tentativas variadas de postergar a execução das penas, a partir mesmo dos embargos de declaração. Mas a sensação generalizada no Supremo Tribunal Federal é a de que, se o processo fosse contra qualquer outro político de qualquer outro partido, os advogados teriam até vergonha de apresentar recursos como os que estão chegando em relação à Ação Penal 470, popularmente conhecida como do mensalão.

O tom militante de alguns embargos de declaração demonstra que os réus estão defendendo uma causa política e querem desmoralizar o Supremo, com afirmações de que o acórdão é "ridículo". Pedidos para anular o acórdão, ou mudar o relator, "são pura militância política", na definição de um dos ministros.

Os limites para os embargos de declaração estão fixados por três parâmetros: "obscuridade, omissão ou contradição". As partes que foram cortadas no acórdão, e que as defesas acusam de tornar o documento ininteligível, são geralmente apartes sem maior significação, ou então a questão está tratada de maneira mais aprofundada no voto escrito, e não há necessidade de repetir o que foi dito de improviso.

O que há de substancial está nos votos, o resto às vezes são apenas interjeições, afirmam os ministros. Como a ampla maioria dos embargos de declaração apresentados não trata dessas questões, a impressão é que os advogados estão na verdade dando efeitos infringentes aos embargos de declaração, querendo modificar o acórdão.

Provavelmente o presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa, deve encaminhar ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o teor dos embargos de declaração, para o seu parecer. Se quiser abreviar a discussão, ao mesmo tempo em que não aceitará os embargos de declaração, pode colocar em discussão os embargos infringentes, que já estão incluídos nos embargos declaratórios apresentados.

Os ministros consideram que diversas questões apresentadas nos recursos já foram superadas no próprio julgamento, tudo foi discutido amplamente, os advogados acompanharam atentamente, e suscitavam indagações. O melhor exemplo de que na verdade estão tumultuando na tentativa de melar o julgamento é a retomada de questões já resolvidas, como a do não desdobramento do processo para a primeira instância.

Esse debate foi feito na abertura do julgamento, por meio de uma petição extemporânea do advogado Márcio Thomaz Bastos, e foi resolvido com a composição completa do plenário do Supremo Tribunal Federal. A proposta de desmembramento do processo é tese que já havia sido rejeitada nada menos que três vezes pelo Supremo antes do julgamento.

A estratégia da defesa, na ocasião, era atrasar o julgamento para impedir que o ministro Cezar Peluso participasse da sua integralidade, o que foi conseguido, pois ele teve que se aposentar tendo julgado apenas o primeiro item. Na base da defesa do desmembramento está a tentativa de descaracterizar a conexão entre os diversos crimes. À medida que cada um dos 38 réus fosse julgado isoladamente, ficaria mais fácil manobrar as diversas instâncias de recursos processuais.

Ministro Gilmar Mendes foi direto ao ponto no julgamento, lembrando que, se os processos fossem encaminhados isoladamente para a primeira instância judicial, quase certamente não teriam chegado a julgamento e os crimes prescreveriam.

Essa recente crise entre o Legislativo e o Judiciário, que acabou sendo superada pelo entendimento direto entre os presidentes da Câmara e do Senado e o Ministro Gilmar Mendes, teve o efeito de chamar a atenção dos ministros para o que pode ameaçar o Tribunal.

O sentimento que prevalece é o de que o Tribunal precisa se reorganizar internamente, fortalecer-se diante dos ataques que vem sofrendo, e os embargos apresentados só confirmam que a questão está sendo tratada como uma ação política para tentar desqualificar a condenação dos réus do mensalão.

A velha senhora - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 03/04

Fazia tempo que não se ouviam vozes de oposição nos atos de 1.º de Maio, nos últimos anos apenas celebrações governistas. Fazia tempo também que Dona Inflação não subia em palanques.

A velha senhora já vinha frequentando os salões, motivo de análises e debates entre especialistas e interessados em acompanhar mais de perto a economia. Caiu na boca do povo com a história do tomate, virou piada de programa de televisão.

Neste 1.º de Maio tornou-se o centro das atenções político/eleitorais. Foi tema de pronunciamento presidencial, mote de discurso de provável candidato a presidente pelo PSDB, objeto de réplica na voz de um ministro, tópico de entrevista de dissidente da base governista e alvo de uma sandice proposta por dublê de deputado e presidente de central sindical.

A presidente Dilma Rousseff foi ao rádio e à televisão dizer que a luta contra a inflação é "constante, imutável, permanente"; o senador Aécio Neves discursou para trabalhadores alertando para o "fantasma que ronda a mesa dos brasileiros"; no mesmo ato, o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, assegurou que Dilma "zela como uma leoa para que a inflação não coma nossos salários".

Em Caruaru (PE), o governador Eduardo Campos reafirmava críticas à política econômica enquanto em São Paulo correligionários do PSB avalizavam as palavras do senador tucano; no mesmo palanque o anfitrião, deputado e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, dava o toque picaresco propondo a volta do gatilho salarial para reajustar a inflação de três em três meses.

Queira o bom senso que governantes e governados já tenham aprendido os males desse caminho; que determinados instrumentos de suposta defesa contra a corrosão inflacionária não sejam nem precisem ser reincorporados ao cotidiano do País.

Mas, convenhamos: o simples fato de a inflação voltar a ser assunto, argumento de embate político e ocupar de novo um espaço do qual havia sido expulsa, desanima. Não foi para isso que se fez tanto sacrifício, não foi para isso que tanto se comemorou a inclusão da estabilidade como um valor sólido, patrimônio da sociedade.

É lamentável constatar que a oposição começa a ganhar espaço pelo pior dos motivos: o flanco aberto pelo governo (o atual e o anterior, que produziu passivos cujos efeitos são sentidos agora) na tarefa de garantir a firmeza e a perpetuação dos fundamentos que deram ao Brasil a chance de ter uma geração de cidadãos que nunca souberam o que é conviver com uma moeda deteriorada.

Por ora, dizem os especialistas mais isentos, não há risco de retorno àquele dantesco cenário. Mas os buracos profundos são cavados aos poucos e o ideal é que não se dê sorte ao azar, acreditando que paliativos curam doenças graves.

O governo hesita, desconsidera os alertas de quem entende do riscado. Faz isso por convicção de que pode reinventar a receita da roda, por apreço à governança eleitoreira ou por ambos os motivos. Se não tomar cuidado, arrisca-se a morrer do próprio veneno e perder a próxima eleição.

Está escrito. O deputado Roberto Freire, presidente do MD (Mobilização Democrática) resultante da fusão do PPS com o PMN, diz que o ex-prefeito Gilberto Kassab está equivocado quando afirma que, para a Justiça, "fusão" não tem o mesmo significado de "novo partido" no tocante aos casos em que se permite a troca de legenda sem perda de mandato.

"Kassab não leu o artigo 29 da Lei dos Partidos (n.º 9.096, de 1995) que deixa muito claro que uma legenda resultante de fusão é um novo partido." Por essa legislação, acrescenta Freire, não correm risco de punição os parlamentares que se filiarem ao MD.

Pragmatismo versus tradição DENISE ROTHENBURG

CORREIO BRAZILIENSE - 03/05

Os petistas vão passar os próximos dias num dilema. Seguir pelo mesmo caminho das disputas internas ou pular essa etapa para buscar o enfrentamento direto com tradicionais adversários — e até aliados, leia-se, o PSB. Com a obrigação de defender o próprio governo e cuidar da reeleição da presidente Dilma Rousseff, parte das tendências petistas revê a ideia da disputa entre petistas que, invariavelmente, marca o processo de eleição direta (PED) da agremiação. E a facção que deve sair na frente nesse quesito é o Movimento PT, que se reúne neste fim de semana, em Brasília.

O Movimento PT é a terceira maior corrente partidária. Ali, estão o ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia; a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário; o senador Delcídio Amaral e muitos deputados, como Geraldo Magela, do Distrito Federal; Gabriel Guimarães, de Minas Gerais; Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte; e Fernando Ferro, de Pernambuco. Entre hoje e amanhã, cerca de 200 delegados vão se reunir com a perspectiva de não lançar candidato à presidência petista, algo difícil para a tendência desde a sua criação.

Criada em 1999, no congresso do partido em Belo Horizonte, o Movimento PT sempre foi defensor da cabeça de chapa, seja para si nas disputas internas, seja para o PT, quando o tema era a Presidência da República. Aliás, esse foi um dos motivos que ensejaram a sua criação. “José Dirceu defendia que o PT tinha que estar numa frente de centro-esquerda, mesmo que não obtivesse a cabeça de chapa. Nós defendíamos essa frente, mas não abríamos mão da cabeça de chapa”, lembra o deputado Magela.

Hoje, entretanto, a conjuntura política e econômica deve levar o Moivmento PT a economizar nas disputas. No papel de expoente da tendência, Magela dirá neste fim de semana a todos os integrantes do grupo que, em vez de dedicar energia à disputa pelo comando do partido, os petistas devem optar pela reeleição de Rui Falcão, de modo a dar tranquilidade para que ele possa, desde já, empreender a costura de aliados e do discurso rumo a 2014.

No artigo que escreveu para seus partidários, Magela expõe as razões que o levaram a fazer essa proposta. Primeiro, a situação internacional não está clara sob os aspectos econômicos. No Brasil, há as dificuldades “naturais” da economia e da política, algo que afeta todos os estados. Portanto, o PT não tem um ambiente tranquilo externamente para passar seis meses dedicado à disputa interna — isso porque as inscrições das chapas estão marcadas para 12 de julho, e a eleição, para 11 de novembro. Ou seja, a campanha para presidente do partido é mais longa do que a de presidente da República!

Na avaliação de Magela, esse período em que o PT estará dedicado à campanha interna será crucial para tentar cercar os aliados nos estados. E ele não deixa de ter razão. Afinal, hoje, enquanto os petistas discutem seu PED, pré-candidatos a presidente da República — em especial, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB, e o senador Aécio Neves, do PSDB — avançam sobre aliados de Dilma. Eduardo, por exemplo, tem conversado com PTB, PP e até setores do PMDB.

Até aqui, quem tem tratado de podar as asas de Eduardo na política tem sido o vice-presidente da República, Michel Temer. Foi dele, por exemplo, a iniciativa de tirar o Júnior (do JBS-Friboi) do PSB, atraindo-o para o PMDB. O PT, até o momento, não fez nenhum grande movimento de bastidores no sentido de tentar sufocar Eduardo na política, sem deixar claro o confronto. O maior gesto foi de conflito, no sentido de pressionar a presidente Dilma a tirar o PSB do governo, o que não parece ser o modo mais correto de se preservar um aliado.

Se o Movimento PT fechar este fim de semana com a reeleição do presidente Rui Falcão, os cálculos indicam que ele poderá angariar cerca de 70% dos votos petistas, ficando numa situação interna mais confortável para se dedicar à montagem dos palanques estaduais e à defesa da presidente Dilma Rousseff. Dilma, avalia Magela, deve ser a prioridade. E, em nome dela, o PT deve deixar de lado a tradição da disputa interna para buscar o pragmatismo da reeleição. Afinal, se tem uma coisa que nenhum partido gosta é de perder poder.

Enquanto isso, no Distrito Federal…

O escândalo das capas de chuva da Polícia Militar serviu de pedagogia. Tanto para o governador Agnelo Queiroz, que agiu rápido evitando que o episódio virasse uma crise em seu governo, quanto para o cidadão, que agora estará mais atento em acompanhar os gastos feitos em nome da Copa das Confederações e da Copa do Mundo. Quanto mais transparência nas despesas melhor.

Triângulo mineiro - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 03/04

BRASÍLIA - A guerra eleitoral foi transferida hoje para Uberaba, no rico Triângulo Mineiro, onde estarão, para a abertura da tradicional Expozebu, a presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula e o senador e presidenciável tucano Aécio Neves. Taí, vai ser divertido.

O cenário e o ambiente de agropecuaristas favorecem Aécio, que já governou o Estado e estará em casa. Já Dilma, que nasceu em Minas, mas fez carreira no Sul, convive com uma má notícia atrás da outra na economia e acaba de receber vaias de ruralistas em Mato Grosso do Sul.

Mas serão dois contra um, reproduzindo a propaganda eleitoral de rádio e TV do PT, na qual é sugerida uma simbiose entre Lula e Dilma, o abstrato e o concreto.

A solenidade oficial deve reproduzir o embate do Dia do Trabalho, quando Aécio usou o palanque da Força Sindical e outras centrais para atacar o governo pela inflação e pelo baixo crescimento, enquanto Dilma ocupou o palanque eletrônico e deu o troco. Só que Dilma terá o reforço de Lula.

Mas a maior excitação fica por conta da concorrida feijoada que o empresário e pecuarista Jonas Barcellos oferece depois da discurseira. Irão todos os três? Se forem, vai ser uma boa saia justa.

Esperto como ele só, o também presidenciável Eduardo Campos agradeceu muito o convite, mas cancelou a ida, meio em cima da hora, para não ficar de coadjuvante numa festa na qual Lula, Aécio e Dilma disputam protagonismo.

Mais esperto ainda, o ex-prefeito Gilberto Kassab confraternizou ontem com Aécio num jantar na casa do deputado Marcos Montes, do seu PSD, mas inventou "compromissos inadiáveis em São Paulo" para cair fora do almoço de hoje.

Não terá, assim, de se dividir entre Aécio, Dilma e Lula. Afinal, o PSD tende para Dilma em 2014, mas está em cima do muro, esperando para pular no lado certo, na hora certa.

Peter Drucker e a tirania empresarial - JOSÉ PIO MARTINS

GAZETA DO POVO - PR - 03/05

Em meados de 2007, quando grandes bancos dos Estados Unidos apresentaram gigantescos rombos financeiros, começou a estourar a crise imobiliária norte-americana. Daí em diante, a crise se alastrou e contaminou toda a economia do país. A partir de 2008, a tragédia ganhou o epíteto de “crise financeira mundial”, em razão de sua força destruidora nos Estados Unidos e na Europa.

Em meio ao cipoal de problemas, George Bush anunciou um imenso pacote de ajuda financeira para salvar bancos e empresas, na tentativa de evitar o fundo do poço. Logo após ser salva com dinheiro público, a gigante de seguros AIG decidiu pagar 165 milhões de dólares de bônus aos mesmos executivos que arruinaram a empresa e ajudaram a quase levar o sistema financeiro nacional para o buraco. Esse episódio nos remete a Peter Drucker.

Austríaco radicado nos Estados Unidos, onde veio a falecer em 2005 aos 96 anos, Peter Drucker é considerado o pai da administração moderna e seu principal expoente. Ao longo de sua extensa carreira, Drucker escreveu 39 livros e foi ironizado algumas vezes por dizer coisas que pareciam não fazer sentido ou por parecerem um tanto exageradas. No prefácio da edição de 1973 do livro Management: Tasks, Responsibilities, Practices, Drucker fala da tirania empresarial e do perigo que ela representa.

“No período curto de 50 anos, nossa sociedade tornou-se uma sociedade das instituições, na qual cada tarefa social relevante tem sido confiada às grandes empresas, desde a produção de bens econômicos até os serviços de assistência médica, seguro social, previdência e educação”, dizia ele; para acrescentar que “fazer nossas instituições atuarem de forma responsável, autônoma e em alto nível é a única salvaguarda da liberdade e da dignidade. Mas são os administradores que fazem as instituições atuarem. Uma administração responsável é a alternativa à tirania e nossa única proteção”.

Nesse texto de 1973, Drucker dizia estar horrorizado com a ganância dos executivos, e muitos acharam que ele estava sendo pessimista e sentimental demais. “As empresas estão longe de ser perfeitas. Como os gestores sabem, elas são muito difíceis; cheias de frustrações, tensão e atritos; desajeitadas e incômodas. Mas elas são as únicas ferramentas que temos para alcançarmos propósitos sociais tais como produção e distribuição de bens, assistência médica, serviços pessoais, educação”, assim ele expressava.

Diante dos desmandos e desatinos de alguns empresários e executivos, cabe à sociedade e ao governo dotar o país de legislação eficiente para regular as atividades empresariais e punir exemplarmente o comportamento antiético e fraudulento. Drucker ainda queria que as empresas colocassem o ser humano no foco de suas preocupações. Sem descuidar dos imperativos da eficiência e da competição, os executivos deveriam impedir que a empresa se tornasse uma máquina trituradora de gente e geradora de infortúnio e infelicidade para funcionários e clientes.

Relendo Peter Drucker, vemos que, quando o bolso do acionista ou do executivo é abastecido à custa do empregado, do cliente e do contribuinte – como ocorreu no caso dos bônus aos homens que destruíram a AIG – é hora de a sociedade e dos políticos reagirem com regulação inteligente. Como disse o filósofo André Comte-Sponville: “Na ausência da ética, a lei”.

Liberdade sem medo - EDITORIAL ZERO HORA

ZERO HORA - 03/05

O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa deve reforçar a vigilância diante das tentativas, muitas vezes dissimuladas, de controle da informação.



Há 20 anos, o mundo faz, todo dia 3 de maio, uma homenagem à liberdade de imprensa, por iniciativa da Organização das Nações Unidas. Como ocorre desta vez, em conferência na Costa Rica, a data inspira menos comemoração e mais vigilância, para que um patrimônio de todos não seja vilipendiado por regimes autoritários, por governantes inseguros e por criminosos. Preservar o livre pensar, como determina o artigo 19 da Declaração dos Direitos Humanos, é uma tarefa cotidiana das instituições, das comunidades e dos cidadãos. O tema da reunião mundial da ONU na Costa Rica _ Falar sem medo: assegurando a liberdade de expressão em todas as mídias _ amplia a preocupação para variadas formas de comunicação, contemplando as novas tecnologias que se deparam com os mesmos riscos de cerceamento já enfrentados pelos meios tradicionais.
Diariamente, a imprensa sofre ameaças visíveis, em especial as registradas em áreas de conflito, onde regimes acossados, como o da Síria, veem o jornalismo como inimigo. Nessas circunstâncias, de confronto com interesses de políticos ou bandidos, ocorreu a maioria dos 120 assassinatos de jornalistas em 2012 em todo o mundo. Há, no entanto, as outras faces da repressão, da censura ou da restrição à informação, muitas vezes dissimuladas, que se manifestam inclusive em democracias. O poder ocupado por políticos propensos a gestos autoritários também produz danos à informação, não raramente com a mesma intensidade de governos que suprimem direitos individuais e coletivos, com o argumento de que agem pelo interesse das maiorias. A estratégia se dissemina com os mais variados nomes, na tentativa de disfarçar suas reais intenções.
É assim que grupos políticos propõem a criação de conselhos de comunicação, com a alegação de que a produção da imprensa independente deve ser democratizada, quando o objetivo encoberto é o de exercer alguma forma de controle sobre a informação. O que também não se revela, em meio ao debate de propostas como essa, é o desejo de perpetuação de pessoas, ideias e projetos no poder. Os defensores dos controles acusam, pela reação, o desconforto com a liberdade que pretendem combater. A imprensa brasileira é reconhecida mundialmente pela diversidade e pelo respeito às normas orientadoras da conduta do bom jornalismo internacional. O poder político centralizador, constrangido por manifestações contrárias, nunca soube conviver com a pluralidade sustentada pela livre escolha de leitores, ouvintes, telespectadores, internautas.
As tentativas de restringir as atividades da imprensa têm, como pretensão maior, o controle de vozes discordantes. Não são poucos os exemplos governamentais de perseguição a jornalistas no Equador, do confisco de empresas de comunicação na Venezuela e de ações que tentam amordaçar economicamente grupos do setor na Argentina. No Brasil, o Executivo federal sensatamente se mantém afastado da bandeira do controle da mídia, que chegou a ser defendida pela administração anterior e continua sendo empunhada por setores de sustentação ao atual governo. Falar sem medo, como diz o slogan da ONU, significa defender a informação dessas e de outras ameaças. É vigiar também pelo direito de divergir e de questionar, sem que tais atitudes resultem em retaliações. O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa é a data da liberdade de expressão de todos os cidadãos.

Ciência de menos - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 03/05

MEC prepara programa mais ambicioso para formar professores de matemática e exatas e interromper círculo vicioso da mediocridade


A situação do ensino de ciências no Brasil é tão calamitosa que qualquer iniciativa do governo federal para revertê-la seria bem-vinda, só por existir. Um programa em preparo pelo Ministério da Educação vem interromper, em boa hora, a inércia que tem condenado nossos jovens à mediocridade científica.

Não é de hoje que esse setor da educação básica vive em crise. Faltam não só bons professores --há carência até dos menos preparados. Sem aulas de matemática, física, biologia e química, decentes ou não, os estudantes se desinteressam e aprendem pouco. Raros deles consideram seguir a carreira docente, menos ainda nessas áreas, o que realimenta o preconceito geral contra a ciência.

Várias medidas estão em consideração, de bolsas de estudo para alunos do ensino médio que se interessem por ensinar tais disciplinas a aulas de reforço para universitários que já estejam nos cursos de licenciatura dessas áreas.

Mais controversa se mostrou a proposta de uma pós-graduação em prática de ensino para os já licenciados. Não pela orientação do curso -com efeito, é de ferramentas pedagógicas e não de teorias de aprendizagem que os docentes brasileiros carecem-, mas pela ideia de vincular a concessão do diploma ao desempenho dos alunos na matéria que o pós-graduando lecionar na rede pública.

Há que debater mais essa vinculação. É difícil medir o progresso de alunos atribuível ao desempenho de um único professor; além disso, soa excessivo cobrar dele resultados antes mesmo de concluído o curso de aperfeiçoamento.

Alguma coisa, por certo, é urgente fazer. O resultado da negligência até aqui observada -que não é só do governo, mas de toda a sociedade- se encontra visível nas estatísticas do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), baseadas em exames padronizados que se aplicam em dezenas de países e classificam os alunos em seis níveis de proficiência.

Em 2009, última prova de ciências do Pisa, o Brasil ficou em 53º lugar entre 65 nações. Apesar de alguma melhora, 83% de nossos alunos param no nível dois, provando-se incapazes de formular explicações e tirar conclusões de pesquisas que não sejam triviais.

É preciso muito mais que isso para construir e desenvolver um país.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“O importante é cada macaco no seu galho”
Ex-presidente Lula, que não vê crise entre os Poderes


DILMA JÁ PLANEJA VETOS À MP QUE REGULA PORTOS

A presidente Dilma foi alertada ontem pelo vice Michel Temer, pelo presidente Renan Calheiros (Senado) e pelo cacique José Sarney que será difícil aprovar – do jeito que governo quer – a MP dos Portos, que regulamenta o setor. Ciente da insatisfação na base, que só espera a primeira chance para dar troco no governo, Dilma cobrou empenho na votação da matéria, mas já contando que terá de vetar emendas depois

TERMÔMETRO

A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) concordou que o clima está complicado no Congresso, sobretudo após estresse com o STF.

CRONOGRAMA APERTADO

Aprovada em comissão no dia 24 de abril, a MP dos Portos tem até 16 de maio para ser votada na Câmara e no Senado, sob risco de caducar.

Agravante

Somado à rebeldia da base, o presidenciável Eduardo Campos (PSB-PE) tem usado a MP dos Portos para fazer frente à gestão petista.

QUEM CANTA...

Roqueiro assumido, senador Delcídio Amaral (PT-MS) posta no Twitter letras celebrizadas por artistas como Rita Lee, Titãs, Fernanda Abreu...

PIMENTEL DESCOBRIU O TALENTO DE CANDIDATO À OMC

Durante visita a Genebra, em 2012, o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) foi interpelado por embaixadores de vários países junto à Organização Mundial do Comércio porque o Brasil não lançava a candidatura do embaixador brasileiro Roberto Azevedo à direção-geral da OMC. Impressionado com a liderança do diplomata, Pimentel levou o assunto à presidente Dilma e a Guido Mantega (Fazenda).

PAI DA MATÉRIA

Fernando Pimentel viabilizou a candidatura de Roberto Azevedo à OMC, não o Itamaraty, que depois a abraçou e pela qual se empenha.

NEGOCIADOR HÁBIL

Chefe da missão do Brasil junto à OMC há anos, Roberto Azevedo conquistou a reputação de negociador hábil e admirado pelos colegas.

DIAS DECISIVOS

Os próximos dias serão decisivos na disputa pela direção-geral da OMC. O Brasil enfrenta a candidatura do mexicano Hermínio Blanco.

SEGUROU

Entre janeiro e março deste ano, o governo gastou R$ 6,4 bilhões em seguro-desemprego. O valor é o mais baixo dos últimos quatro anos, diz o Contas Abertas. No ano passado, R$ 28 bilhões foram pagos, 5,5% menos do que os R$ 29,6 bilhões desembolsados em 2011.

LONGE DA REALIDADE

Para o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), o discurso da presidente Dilma no Dia do Trabalho foi um “elogio em boca própria”, com a mesma fala ufanista de sempre. “O país não é o paraíso que Dilma tenta construir”.

SAÚDE NA CABEÇA

O ministro Alexandre Padilha (Saúde) aposta na valorização de quem atua em Atenção Básica para turbinar seu projeto político. Eram 357 médicos em 2012, serão 4,3 mil este ano e 8 mil em 2014.

RUMO À DITADURA

Do líder do PSB, Beto Albuquerque, sobre a pressão do governo para liquidar o tempo de TV e fundo partidário de novos partidos: “Daqui a pouco, vão impedir a criação de novas igrejas, sindicatos, associações”.

TE CUIDA, LULA

O ditador Kim Jong-un é sério concorrente de Lula no New York Times: escreve sobre selos, erradicação do analfabetismo e o “renascimento” da Coreia do Norte, numa revista em inglês para audazes “turistas”.

DEIXA VER

Eleito deputado federal com 212 mil votos, o secretário da Casa Civil na Bahia, Rui Costa, é o favorito do governador Jaques Wagner para disputar sua sucessão. Falta o PT bater o martelo.

POR NOSSA CONTA

Os deputados Robério Negreiros (PMDB) e Celina Leão (PSD), de Brasília, embarcam no dia 5 para o Reino Unido. Segundo eles, a convite. Mas a conta do passeio, como sempre, vai para o contribuinte.

AH, ‘LELEK!’

A PM do DF fez festa com a saída de Suamy Santana do comando-geral da entidade. Ele era considerado linha dura pelos PMs, principalmente por não ter promovido ninguém. Alguns policiais comemoraram pelo rádio cantando o hit popular: “Ah, lelek”.

PENSANDO BEM...

...o problema não é a “maioridade penal”, mas a “desigualdade penal”.


PODER SEM PUDOR

MINISTRO SEM-TÊNIS

O ministro das Relações Exteriores do governo FHC, Celso Lafer, inaugurou o vexame de tirar os sapatos ao desembarcar em Washington durante visita oficial, conforme revelou esta coluna com exclusividade, na época. Mas não foi a única autoridade brasileira a sofrer a humilhação. O então ministro Pratini de Morais (Agricultura) também passou por isso. Um amigo conferiu se ele havia mesmo tirado os sapatos, como Lafer, e Pratini respondeu com o bom humor possível:

- Não, meu caro, eu estava calçando tênis...

SEXTA NOS JORNAIS


Globo: Nas garras do leão: País tem novo recorde de declarações de IR
Folha: Piora do saldo comercial até abril ameaça contas do ano
Estadão: Condenados no mensalão recorrem por pena menor
Correio: Condenados do mensalão jogam a última cartada
Valor: Consumo em alta provoca déficit recorde na balança
Estado de Minas: Impunidade mata
Zero Hora: Propina na Fepam
Jornal do Commercio: Goteiras consomem registros do Estado
Brasil Econômico: Alckmin vai a Dilma e pede que não ceda na unificação do ICMS

quinta-feira, maio 02, 2013

O custo Brasil - CORA RÓNAI

O GLOBO - 02/05

Hoje eu queria escrever uma crônica bem levinha, que deixasse todo mundo de bom humor, mas está difícil. Passei as últimas horas às voltas com o Imposto de Renda, e tive o desgosto de constatar que um terço do que ganho vai para o governo. Como todo mundo, eu também já sabia disso, mas uma coisa é encontrar descontos mensais no contracheque, e outra, bem diferente, é ver ali, na tela, o total que mando para Brasília. Claro que aí não estão incluídos outros impostos, como o ISS ou o famigerado ICMS, que levam boa parte do que gasto. A sorte é que não sou boa de matemática e não sei calcular quanto isso dá por ano, ou corria o risco de ficar seriamente deprimida ao descobrir que, na minha conta, entra menos da metade do que recebo.

O que me consola é saber que este dinheiro todo será empregado de forma séria e judiciosa, garantindo aos brasileiros bons serviços, boa educação e um sistema de saúde próximo da perfeição, conforme constatou o ex-presidente Lula (antes de ir se tratar num hospital particular, mas isso são outros quinhentos). Fico reconfortada em saber que estou contribuindo para que se paguem salários de R$ 15 mil para os cidadãos que servem cafezinho no Congresso, o que é sinal de que somos um país rico e poderoso: assim mostramos à península escandinava do que somos capazes. Toma, Noruega!

Também me aquece a alma pensar na vida dos nossos parlamentares, que tanto se esforçam para que o Brasil se transforme numa Democracia bolivariana. Quando eu morava em Brasília, me explicaram que é muito importante que os homens públicos tenham excelentes salários para que não caiam na tentação de se corromperem. Foi bom ter aprendido isso, caso contrário eu poderia fazer mau juízo deles.

Já pagar a aposentadoria da Roseana Sarney não chega a ser uma alegria, mas reconheço que ela fez por merecer. Afinal, trabalhou seis anos inteiros no Congresso, naquele ambiente que é, notoriamente, o lugar mais podre do país.

Uma vez fui assaltada a mão armada. Estava num táxi com a Mamãe e a Laura, e caímos num arrastão. Um marginal tão marginal que poderia interpretar marginais no cinema levou as nossas bolsas, enquanto seus comparsas limpavam os cidadãos e os carros vizinhos. A sensação de impotência foi horrível: o que se pode fazer diante de uma arma?

Pois apesar de estar em casa, em suposta segurança, a sensação que tive ao preencher a declaração de imposto de renda foi pior. O assalto é um ato completo em si mesmo. Ele não depende de nós e, com alguma sorte, não se repete. Não vemos o destino do nosso dinheiro e, com o tempo, esquecemos o que nos levaram. Preencher a declaração de imposto de renda, porém, é uma violência que praticamos contra nós mesmos, como se fossemos simultaneamente assaltante e assaltado: apontamos a arma para as nossas próprias cabeças indignadas e fazemos a limpa. Não temos outra opção. Temos que juntar uma papelada seiscentista e perder um tempo precioso, informando ao governo quanto ele pode levar: “Olhaí, seu ladrão, nessa bolsa tem duzentas pratas, ticket de refeição, um talão de cheques, dois cartões de crédito, óculos Rayban...” Com a agravante de que, se não praticarmos o assalto muito bem assaltado, ainda corremos risco de levar multa e sermos ainda mais depenados.

A violência não acaba aí. Ao longo do ano, somos constantemente provocados pelas autoridades federais, estaduais e municipais, que tratam o nosso dinheiro como papel higiênico usado. É superfaturamento de obra, ministério inútil, hotel de luxo em Roma, merenda escolar que vai para o lixo, aparelho hospitalar que apodrece sem sair da embalagem, auxílio moradia com dez anos de retroatividade para juízes sem teto, demolição de equipamentos esportivos recém-construídos — a lista não acaba nunca e desafia a imaginação mais pervertida.

Antes que alguém me acuse de ser uma burguesa elitista que só pensa nos próprios caraminguás, esclareço (é preciso?) que não sou contra o imposto de renda em si, assim como não sou contra o condomínio ou contra as mensalidades do clube. Quem vive em sociedade deve participar do rachuncho. Apenas me sinto otária — muito otária! — em pagar impostos suecos por serviços dignos do Afeganistão.

Nosso alcaide teve uma ideia de gênio: juntar a OSB com a Orquestra da Petrobras para formar uma única grande orquestra, bem representativa do Rio de Janeiro. Tenho uma ideia melhor: por que não juntar todos os times de futebol da cidade para fazer um único timão bem grandão e verdadeiramente representativo do Rio? Seria muito mais econômico e teria uma torcida muito maior.

Pois é. Ainda por cima, somos obrigados a ouvir uma besteira dessas em plena entrega do Imposto de Renda.

Finalmente: vocês sabiam que, em São Paulo, é proibido entrar com livro nos estádios de futebol?

Depois de maio - CONTARDO CALLIGARIS

FOLHA DE SP - 02/05

Meu eu de hoje faria o que fiz em Maio 68 e nos anos 70? E ter me transformado, isso é bom ou ruim?


Por sorte, não perdi "Depois de Maio", de Olivier Assayas.

Nas últimas semanas, eu tinha visto o trailer repetidamente, e imaginava que o filme me aborreceria com um amontoado de chavões ideológicos, ou seja, daquelas frases que, em Maio de 1968, estofavam nossos peitos e, hoje, são inertes, quase desprovidas de sentido.

Ora, tanto na nossa vida quanto na história coletiva do século 20 e 21, Maio de 68 e os anos 1970 foram muito mais do que as convicções e as palavras de ordem da luta política.

Claro, na época, nada nos parecia mais importante do que o sucesso ou o fracasso daquelas convicções. Mas fazer o quê? Foi assim: saímos à rua para fazer uma revolução e acabamos fazendo outras, que não eram previstas, mas talvez fossem melhores do que a que tínhamos planejado.

Não estou falando da revolução nos costumes e na tolerância das diferenças. Falo de outra revolução ainda, que, nos últimos anos, começou a ser contada, indiretamente, nos filmes que tratam de Maio 68.

Os melhores, para mim, eram "Os Sonhadores", de Bernardo Bertolucci, e "Amantes Constantes,", de Philippe Garrel. Agora há "Depois de Maio", de Olivier Assayas, que não é apenas o filme sobre Maio que mais me tocou até hoje. É também um dos filmes (sobre Maio ou não) que mais me tocaram nos últimos anos.

Assayas é mais jovem do que eu. Eu tinha 20 anos em 68; ele tinha 13. Mas ambos fomos jovens nos anos 1970 na França; eu estava, por exemplo, nas manifestações de setembro de 70, durante a greve de fome de Alain Geismar.

Há uma pergunta que se colocam quase todos os que viveram "de dentro" Maio 68 e os 1970: o que eu fiz que, assim como eu sou hoje, eu não faria? E ter me transformado, isso é bom ou ruim?

No filme "Depois de Maio", é citado um grande poeta beat dos anos 1950. Em "Gasoline", de Gregory Corso, há um poema ("Tenho 25 Anos"), em que, depois de evocar os poetas que morreram jovens (Shelley, Chatterton, Rimbaud), Corso declara que ele odeia os velhos poetas, "especialmente os que se retratam" e que contam sua juventude sussurrando: "Eu fiz aquilo então, mas isso foi então"¦".

Desses velhos poetas, Corso quer arrancar a língua fora, para que parem de se desculpar.

Será que sou um desses velhos poetas? Vistos de hoje, aqueles dias me parecem uma comédia de erros? E, se não foram, qual foi seu valor?

É que aqueles dias e anos inventaram um novo hedonismo da vida (que talvez já tenha sido perdido, de novo): era um prazer de viver, mas cuidado --levando a vida extremamente a sério. Esse prazer tinha a ver com o quê?

Por exemplo, com uma custosa fidelidade ao desejo da gente, que fosse de ser pintor, militante ou perdido nas drogas.

Ou ainda, com uma extraordinária densidade cultural, uma raiva de ler e estudar, como se colocar as questões certas fosse a condição para viver a vida intensamente.

Em 1970, num seminário de literatura inglesa contemporânea, na Universidade de Genebra, cada estudante foi convidado a apresentar um autor preferido. Escolhi Gregory Corso. No meio da exposição, me empolguei e confesso que atribui a Corso, como se fossem dois versos de um poema dele, as primeiras linhas (memoráveis) de um romance de espionagem de Len Deighton, que eu acabava de ler.

Por sorte minha, ninguém parecia conhecer nem Corso nem Deighton, e não fui desmascarado.

O começo de "An Expensive Place to Die", de Len Deighton ("O Preço da Morte", Nova Fronteira), tinha se tornado meu hino pessoal à vida que se justifica por si só, pela aventura que ela é.

Deighton começa assim: "The birds flew around for nothing but the hell of it" (o sentido é: os pássaros voavam pelo céu pelo puro prazer de voar --mas em inglês é muito melhor).

O filme de Assayas fala do prazer da vida levada a sério em duas sequências magníficas e surpreendentemente longas: a abertura, com os estudantes fugindo de um ataque da polícia, e uma pichação noturna, também com fuga dos estudantes perseguidos pelos vigias.

Nessas cenas, há o fôlego dos estudantes e dos policiais, que correm, há o fôlego do cineasta que consegue manter a sequência, há o fôlego dos espectadores e há, enfim, mais um fôlego, do qual talvez todos precisemos: é o fôlego de se levar a sério, ou seja, por exemplo, de ousar ir às ruas, pelo prazer de declarar o que a gente pensa, desafiando o medo.

O melhor - LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

O Estado de S.Paulo - 02/04

Era uma época cheia de perigos. Sarampo, caxumba, catapora, bicho do pé. Engolir chiclete era perigoso porque colava nas tripas. Fazer careta era perigoso porque se batesse um vento você ficaria com o rosto deformado pelo resto da vida. Pé descalço em ladrilho: pneumonia. Melancia com leite: morte certa. Banho depois de comer: congestão.

Um dia fizeram uma cabana num terreno baldio. Ainda havia terrenos baldios. A cabana era o mundo secreto deles, da turma. Ganhou um nome: Clube da Sacanagem. Ninguém precisava saber o que acontecia lá dentro. Os cigarros roubados de casa. As revistinhas. Mas a primeira coisa que o menino fez dentro da cabana foi comer melancia com leite e não morrer.

Com o tempo, os perigos mudavam. Desatenção na escola, falta de estudo, notas baixas: fracasso, nenhum futuro, ruína. Sexo sem camisinha: doença, gravidez indesejada, ruína. Amizades perigosas: drogas, dependência, nenhum futuro, ruína, morte.

- E banho depois da comida?

A ironia não era entendida.

- Pode.

O grande amor deixava olhar, mas estabelecera um ponto nas suas coxas do qual era proibido passar. Como o Paralelo 38, que dividia as duas Coreias. E ela era rigorosa. No caso de transgressão, soavam os alarmes e havia o perigo até de intervenção americana.

Mas bom, bom mesmo, era o orgulho de um pião bem lançado, o prazer de abrir um envelope e dar com a figurinha rara que faltava no álbum, o volume voluptuoso de uma bola de gude daquelas boas entre os dedos, o cheiro de terra úmida, o cheiro de caderno novo, o cheiro inesquecível de Vick Vaporub. Mas melhor do que tudo, melhor do que acordar com febre e não precisar ir à aula, melhor até do que fazer xixi em piscina, era passe de calcanhar que dava certo.

É ou não é?

Poder Judiciário, o novo inimigo do povo - CÉSAR FELÍCIO

Valor Econômico - 02/05

Garantir o direito de um indivíduo ou de um grupo faz parte da própria razão de ser da Justiça, em qualquer país que siga o modelo de Montesquieu. Conflitos institucionais, antepondo o Judiciário aos dois outros eleitos pelo povo, portanto, são previsíveis e pertencem à crônica mundial. O caso dos últimos dias no Brasil, com seu jogo de ameaças mútuas entre o Congresso e o STF, não foi o primeiro e não será o último. O problema ganha gravidade quando o conflito entre Poderes é um método de ação política e a desinstitucionalização é uma meta.

Na Argentina, a presidente Cristina Kirchner deve conseguir do Congresso na próxima semana a aprovação de uma reforma do Judiciário que encerra a sua breve experiência como poder independente (apenas dezesseis anos).

Pela reforma, uma liminar contra o Estado só poderá ter vigência caso a Presidência não recorra da decisão. Se recorrer, fica automaticamente suspensa. Sem recurso, vale por seis meses no máximo, prorrogáveis por outros seis.

Atualmente, os juízes são escolhidos ou removidos por um Conselho Nacional de Magistratura, em que o governo tem cinco vagas em 13. O número de conselheiros agora sobe para 19 e 12 das vagas serão decididas em eleições diretas, disputadas pelos partidos. Como o quórum para deliberação passou de maioria de dois terços para a absoluta, basta ao governo eleger a metade dos conselheiros para ter controle do órgão.

A reforma não fica nisso: foi criada uma nova instância do Judiciário, que passa de dois para três foros antes da Corte Suprema. Os futuros integrantes da nova jurisdição serão escolhidos pelo novo Conselho de Magistratura politizado e rateado entre os partidos.

Esta será a quarta reforma do Judiciário na Argentina nos últimos vinte e cinco anos. Foi para conter o leilão de vagas da magistratura no Congresso, patrocinado por Menem, que surgiu na revisão constitucional de 1994 a criação de um modelo autônomo, inspirado na legislação francesa. A independência do Conselho já havia sido atenuada na penúltima reforma, a de 2006, quando o peso do governo dentro do colegiado aumentou e a Presidência ganhou poder de veto sobre a indicação de juízes.

"Com certeza haverá uma nova reforma caso a oposição ganhe as eleições presidenciais de 2015. A disputa pelo controle político da Justiça é tão grande que impede qualquer modernização. Continua em vigor uma norma que obriga a acondicionar os expedientes judiciais em envelopes que são lacrados com costura de linha e agulha. "É uma regra criada há 150 anos e ninguém se lembrou de revogá-la", disse o advogado Rafael Gomez Diez, diretor de assuntos legais de uma petroleira.

O populismo na Argentina está longe de ser um termo pejorativo. É condição assumida e reivindicada para si pelo kirchnerismo. Um dos principais teóricos deste modo de atuar politicamente é o argentino Ernesto Laclau, autor de "A Razão Populista" e um dos intelectuais admirados por Cristina.

Laclau afirma que há pressupostos básicos para a construção de uma liderança: a dimensão anti-institucional, em que a ordem usual das coisas é desafiada; e a construção de uma fronteira interna ideológica, em que a base sempre está mobilizada contra um inimigo. O vilão da ocasião é o Poder Judiciário. No recente encontro de Cristina com a presidente Dilma Rousseff, o secretário jurídico do governo argentino, Carlos Zanini, fez a jornalistas brasileiros uma definição que sintetiza esta lógica: "Quem está contra a reforma está a favor da defesa dos monopólios".

"É preciso definir quem é o inimigo do povo e constantemente renová-lo. O inimigo é necessário para a explicação de todos os problemas. Sempre há uma corporação nova contra quem lutar. É um truque velho. Repugnante mas eficaz", comentou o historiador Luis Alberto Romero, que aposentou-se em 2011 do Conicet, uma mistura de IPEA com CNPq da Argentina, protestando contra a politização do órgão.

No próximo dia 25, se completam dez anos da posse de Nestor Kirchner, marido e antecessor de Cristina. Como o mandato da atual presidente irá até 2015, serão, pelo menos, doze anos ininterruptos de uma mesma hegemonia política, algo que não ocorre na Argentina desde 1930.

O primeiro inimigo do povo definido pelo kirchnerismo veio dos quartéis. De forma espetacular, Kirchner colocou toda uma guarnição em forma e disse, em cerimônia gravada: "Eu não tenho medo de vocês".

Com este gesto e outros, dos quais o mais concreto foi o de revogar todas as normas que preservavam a impunidade dos líderes de um regime militar genocida, Kirchner se apropriou de uma causa que até então era transversal na sociedade argentina.

Em seguida surgiram como adversários os monopolistas do comércio, o sistema financeiro internacional, o grande latifúndio e, já no governo de Cristina, o conglomerado de mídia Clarín. No ano passado, reingressou no repertório o nacionalismo, com o relançamento da reivindicação sobre as ilhas Malvinas e a expropriação da YPF.

"O governo tem sido muito eficiente em levantar bandeiras inquestionáveis. Quando o governo abraça causas que já fazem parte do subconsciente argentino, a oposição não consegue estabelecer uma linha congruente. O espaço para a construção de um discurso opositor desaparece, ninguém pode se identificar com o inimigo", comentou Romero.

Ao mirar suar artilharia contra o Judiciário, Cristina não só remove uma eventual barreira contra o exercício pleno de seu poder, mas escolhe um alvo que só é avaliado positivamente por 27% da população, segundo o informe Latinobarometro de 2011, da pesquisadora chilena Marta Lagos. Adestrada a justiça, uma avenida se abriria para Cristina para escolher a próxima vítima e controlar o jogo de 2015. Sua debilidade é que há uma eleição parlamentar decisiva em outubro deste ano. O coquetel de inflação alta, disparada do dólar, baixo crescimento e pouco investimento sugere que o resultado é incerto.

Ueba! Rodízio de arrastão! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 02/05

Adoro quando o Maluf aparece na televisão: "Eu tirei os bandidos da rua". E botou todos na prefeitura!


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!

E adorei a charge do Duke com o discurso da Dilma: "No que se refere à educação, o nosso governo foi o que mais investiu. A prova disso é que o DUDU TÁ LENDO". Rarará!

E adorei que a argentina que virou rainha da Holanda se chama Máxima. Como todo argentino, ela deve gritar todo dia: "eu sou a Máxima!".

E como disse o tuiteiro Daniel Brandão: "Se o Papa é argentino e a rainha da Holanda é argentina, quando Jesus voltar, eles também vão dizer que é argentino?". Rarará!

E o Real Madri entrou pro Desliga Campeões!

E o Cristiano Ronaldo perde gol porque fica se olhando no telão. O Cristiano Ronaldo namora a Miss Bumbum mas não dá uma bola dentro. E continuo impressionado como o Cristiano Ronaldo joga 90 minutos sem tirar um fio de cabelo do lugar! E o Kaká tá um kokô! Rarará!

E atenção! Aqui em São Paulo o único que trabalhou no Dia do Trabalho foi o assaltante! Bagurança Pública!

Faixa de Gaza: "Zona oeste de SP tem dois arrastões e três baleados em assaltos em menos de 12 horas".

Aí o Alckmin vai criar o rodízio de arrastão: o roubodízio! Quem fizer arrastão em prédio às segundas não pode assaltar na Faria Lima às sextas. E quem assaltar na Mooca às terças não pode fazer arrastão em restaurante japonês às quintas!

E controle de tráfego para as roubovias: "Evite a Paulista, fluxo intenso de assaltantes".

E um amigo disse que "São Paulo tá boa pra sair na rua tomar um ar, um AR-15 na testa". Rarará!

E adoro quando o Maluf aparece na televisão: "Eu tirei os bandidos da rua". E botou todos na prefeitura. Rarará!

Trilha sonora de São Paulo vai ser aquela música da Elis: "Ei, ei, ei, hoje tem arrastão".

E fila de caixa eletrônico agora é assim: um pra tirar dinheiro e oito sequestradores atrás gritando "rápido que eu tô com uma sequestrada esperando no carro!".

E restaurante em São Paulo tá tão caro que o arrastão começa no couvert! E o garçom, quando traz a conta, grita: "ARRAAAASTÃO!".

E uma amiga bem perua mandou blindar a coleira do cachorro!

E agora temos três tipos de paulistas: armados, desarmados e alarmados! Nóis sofre mas nóis goza! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

VOZES AFINADAS - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 02/05

Os direitos autorais e o Ecad, escritório que centraliza a arrecadação e a distribuição de recursos para os compositores, voltaram a ser tema de grandes estrelas da MPB como Gilberto Gil e Chico Buarque. Nesta semana, um grupo de artistas se reuniu no Rio de Janeiro para discutir problemas ligados à área.

PONTO
Um dos motivos de tensão é a multa de R$ 38 milhões que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aplicou ao Ecad em março. O órgão concordou com acusação da ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura) de que os preços cobrados pelo escritório pela reprodução de músicas dos artistas são abusivos e que não há margem para negociação, já que o Ecad e outras seis associações de artistas formariam um cartel.

LUZES
O temor é o de que algumas associações tenham que se valer dos recursos que arrecadam para os artistas para fazer frente à multa, diminuindo o bolo recebido por eles. Outra discussão que voltou à pauta é a necessidade de maior transparência no Ecad. Um projeto que tramita no Congresso Nacional propõe mudanças de gestão e a volta de agência que regule o setor.

DEBATE
Na reunião dos artistas, a segunda em poucos dias, houve troca de informações e de ideias. Não houve conclusão que permitisse a adoção de uma postura conjunta em relação aos temas.

TORCIDA
Eduardo Campos (PSB-PE) tem convicção de que José Serra deixará o PSDB, com chance de se lançar candidato a presidente por um novo partido, o Mobilização Democrática. É o que tem dito a interlocutores. Para ele, que é pré-candidato também, quanto mais oposição a Dilma Rousseff, melhor, para forçar um segundo turno.

TORCIDA 2
Para isso ocorrer, no entanto, é crucial que o STF (Supremo Tribunal Federal) mantenha a possibilidade de novos partidos acessarem recursos e tempo de TV em 2014, viabilizando o Mobilização Democrática.

SUSPENSE
O ministro Gilmar Mendes, que deu a liminar do STF que favorece os novos partidos, só deve levar a questão ao plenário do tribunal no fim do mês.

VAI, MAS VOLTA
O Studio SP, que fecha as portas hoje, já prepara um retorno em formato de festival anual. O primeiro deve ocorrer em junho de 2014. Serão dois dias de shows gratuitos em praça pública no centro de SP, com artistas e bandas independentes.

EM FAMÍLIA
A cantora Luciana Mello tem novo empresário: o marido, o fotógrafo Ike Levy. Os dois criaram a empresa "Cantarolar". Em junho, ela fará shows em Nova York.

O CASAL NÚMERO UM

O cineasta Alain Fresnot se prepara para um dos grandes desafios de sua longa carreira: dirigir dois dos maiores artistas vivos do Brasil, Lima Duarte e Fernanda Montenegro. Eles vão ser os personagens principais de "Uma Noite Não É Nada", seu próximo longa-metragem, para o qual ainda busca financiamento.

É a história de um casal em que ele, professor, se apaixona por uma aluna portadora do vírus HIV. Acaba infectado e, ao mesmo tempo, desprezado. No fim da vida, no hospital, pede para a mulher, interpretada por Fernanda, encontrar sua derradeira paixão. E ela parte atrás da jovem aluna.

Enquanto o filme não começa, Fresnot, "escultor de fim de semana", se dedica às obras que faz com as próprias mãos, como a girafa que tem na sala de casa, batizada provisoriamente de "Elefante n° 1".

EMOÇÕES

Roberto Carlos iniciou temporada de shows em SP, anteontem, no Espaço das Américas. Carlos Alberto Braga, irmão do Rei, o ator Tiago Abravanel, com a mãe, a diretora Cintia, e o secretário estadual da Segurança, Fernando Grella, com a mulher, Maria Olívia, estavam na plateia.

MUITAS GRAVURAS

Rossini Perez ganhou exposição com retrospectiva de sua obra na Estação Pinacoteca. O ex-ministro Rubens Ricupero e os artistas Lena Bergstein e Sergio Fingermann foram ao vernissage de "Rossini Perez- Um Passante e Duas Margens", no fim de semana.

CURTO-CIRCUITO

A exposição "130 anos de Khalil Gibran" será aberta para convidados hoje, às 20h30, no Memorial da América Latina.

A Lacoste lança polos assinadas pelos irmãos Campana, às 18h, na FirmaCasa, no Jardim Paulistano.

A quarta edição do programa "Lado Bi", apresentado por James Cimino e Marcio Caparica, entra no ar hoje, no site da rádio UOL.

Alessandra Blanco ministra hoje a primeira das quatro aulas do curso Comer e Escrever, na Casa do Saber. Até o dia 23.

Buchecha faz show, hoje, na Outlaws, com participação do cantor Marquinhos Osócio. 18 anos.

A loja Meu Amigo Pet passará a vender produtos da Joy Art by Karina Bacchi.

Fator Odebrecht - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 02/05

Neste encontro com Cristina Kirchner, Dilma advogou para as empreiteiras brasileiras que disputam uma bolada de 5 bilhões de dólares para a construção de duas hidrelétricas no Rio Santa Cruz, na Patagônia argentina.

O complexo terá o nome de Néstor Kirchner. Faz sentido.

Bomba no Pedro II
Uma bomba feita com cabeças de nego foi jogada dentro do banheiro do Colégio Pedro II, no Humaitá, na quarta-feira, durante o recreio.

Apenas um aluno estava no local na hora. O artefato explodiu ao lado dele.

Segue...
O jovem, de 17 anos, perdeu 20% da audição do ouvido direito. Seus pais deram queixa na delegacia.

Lei Beatriz Segall
A querida atriz Beatriz Segall, 86 anos, ganhou o título de “Musa da meia-entrada” entre os colegas de luta desta lei, que limitou a 40% o número de ingressos com o benefício.

Segundo o ator Odilon Wagner, a eterna Odete Roitman iniciou esta campanha há 15 anos. Não é fofa?

Pop sessentão
Lulu Santos vai festejar seus 60 anos amanhã com um festão no Copacabana Palace para mil pessoas. A festa promete.

Ele chamou o DJ Fabiano Moreira para fazer “mashups”. A voz de Lulu cantando seus sucessos será misturada a melodias de outros artistas, como Lady Gaga.

A poesia de Míriam
Veja só. Três poemas da coleguinha Míriam Leitão, ela mesma, a craque da economia, serão publicados na revista literária italiana “In Limine”.

Em português e italiano, vertidos pelo editor Fabio Pierangeli.

Fator Ronaldo
Galvão Bueno, no “Bem, amigos” de segunda, no SporTV, esqueceu de citar entre os convidados o cantor Naldo, que é empresariado por Ronaldo Fenômeno.

Naldo saiu antes de o programa acabar.

Mas...
O prestígio do Fenômeno tem rendido frutos a Naldo.

Além de ter cantado, sábado, “Amor de chocolate”, na reabertura do Maracanã, ele participou do jogo no time dos Amigos de Ronaldo contra os Amigos de Bebeto.

Burocracia argentina
A família do cardiologista carioca Roberto Bittencourt, que morreu dia 7, na Argentina, espera trazer o corpo dele para o Rio até amanhã, quase um mês após o infarto fatal.

É que a liberação depende de uma assinatura da médica que fez o atestado de óbito. Mas ela saiu de férias.

Duro recomeço
O líder comunitário William da Rocinha, solto depois de 17 meses preso, acusado de envolvimento com o traficante Nem, vai trabalhar como auxiliar de pesquisa no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais.

O convite foi do professor Paulo Baía, ex-secretário de Estado de Direitos Humanos.

O mistério do tomate
Como mostra a foto ao lado, o preço da caixa do tomate-cereja em um supermercado nos EUA é 99 centavos de dólar.
No Brasil, a mesma caixa custa R$ 5,99, quase três vezes mais. 

Lá vem o noivo
O jogador Adriano procurou esta semana um advogado especialista em direito de família para conhecer mais sobre pacto pré-nupcial.

Ele está noivo de Renata Fontes, uma estudante de odontologia.

Mais Imperador....
Fora dos campos desde novembro, Adriano perdeu seis quilos. Diz que volta a jogar no segundo semestre.

Barraco na orquestra
Não é fácil unir, como sugeriu Eduardo Paes, as duas orquestras, a OSB e a Sinfônica da Petrobras.

Isaac Karabtchevsky, maestro da orquestra da Petrobras, não frequenta os concertos da OSB por incompatibilidade com o maestro Roberto Minczuk.

Ajuda para a OSB...
Aliás, o vereador Cesar Maia fez uma emenda à lei de diretrizes orçamentárias do Rio para destinar R$ 700 mil por mês à OSB.

No mais...
Eduardo Paes tem, eventualmente, o direito de não gostar de música clássica. Aliás, o primeiro espetáculo-teste na Cidade das Artes foi sobre o Rock in Rio.

Mas, neste caso do corte de verba para a OSB, o prefeito foi, no mínimo, mal assessorado. É pena.

Freio de arrumação - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 02/05

O ministro Gilmar Mendes (STF) saiu satisfeito da conversa com os presidentes do Senado e da Câmara. O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) garantiu que, se a PEC 33 for aprovada, não será promulgada. O regimento permite que ela seja engavetada, porque não dá prazo para sua promulgação. O deputado Henrique Alves (PMDB-RN) assegurou que não a colocará em votação.
"Vivemos atualmente um regime anárquico em termos de produção legislativa. Votam o que bem entendem"
Pedro Simon
Senador (PMDB-RS)

Deputados: escolham o seu partido
Estão em formação no país 27 partidos, além da Rede, de Marina Silva, e do Solidariedade, do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). A maioria, na fase de coleta de assinaturas e checagem nos cartórios eleitorais. Apenas um, o PLB (Partido Liberal Brasileiro), já pediu ao TSE seu registro. Há partidos para todos os gostos, como o PSPB: Partido dos Servidores Públicos e dos Trabalhadores da Iniciativa Privada. Tem a volta da Arena (Aliança Renovadora Nacional) e dois PMBs, um para as Mulheres do Brasil e outro para os Militares do Brasil. Tem também o PEC, o Partido Ecológico Cristão, e o PN, cuja sigla quer dizer, simplesmente, Partido Novo. Que tal?

Resposta pronta em Comandatuba
Cobrado sobre o atraso nas obras de mobilidade urbana para a Copa, o ministro Aldo Rebelo (Esportes) explicou que elas decorrem da falta de parceria de estados e municípios, da ação dos órgãos de controle e de questões ambientais.

Frente ampla
Ex-fundador da UDR, o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado, que também é candidato ao governo de Goiás, teve conversa promissora com o governador Eduardo Campos (PE), candidato do PSB à Presidência. Caiado, adversário do governador Marconi Perillo (PSDB), pode colocar seu palanque à disposição do candidato socialista.

O estágio da batalha
Explica o prefeito de Duque de Caxias, Alexandre Cardoso: "Hoje, minha luta é no PSB. Não podemos ter um candidato de oposição integrando o governo. Um partido de esquerda não pode ter candidato sustentado pela direita".

Colocando os pingos nos is
Apesar das reações, o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), defende a criação da comissão da PEC 37, que define limites para a atuação do Ministério Público. Sustenta que ela é destinada a buscar um entendimento e evitar que a proposta seja votada em clima de radicalismo. Depois deste trabalho, caberá aos parlamentares debater, formular e votar o texto final.

Queda de braço
Escanteado pela Casa Civil, o presidente da EPL, Bernardo Figueiredo, recebeu uma boa notícia do Planalto. A presidente Dilma mandou devolver para o seu comando a execução do Programa de Investimentos em Logística.

Sem glamour
O empresário José Batista Júnior (Friboi) desistiu da festa, para 50 mil pessoas, pela sua entrada no PMDB. O vice Michel Temer o tirou do PSB. Mas o PMDB goiano não gostou muito da ideia nem garante para Júnior a candidatura ao governo.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador Eduardo Campos (PSB) terão companhia amanhã em Uberaba. A presidente Dilma vai à Expozebu.

Tensão pré-eleitoral - VERA MAGALHÃES - PAINEL

FOLHA DE SP - 02/05

Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e Paulinho da Força (PDT-SP) bateram boca ontem no showmício do Dia do Trabalho. Antes de subir ao palanque, o ministro questionou a proposta de reajuste salarial trimestral do pedetista: "Isso é inconsequente. Indexação é um erro". Paulinho atacou: "O responsável pela inflação é o governo, não sou eu". Fernando Haddad (PT), que estava próximo, tentou contemporizar: "Paulinho, você não pode ser intransigente".

Onde pega O que contrariou as centrais sindicais foi o fato de Carvalho ter chamado o presidente da CUT, Vagner Freitas, ao Planalto na véspera para apresentar a proposta de mesa de negociações permanente sobre a pauta trabalhista. "A CUT não fala pelas centrais", disse Paulinho.

Assim não Informadas de que o fim do fator previdenciário e a jornada de 40 horas não estarão em discussão na rodada de conversas proposta pelo governo, outras centrais ensaiam boicote à mesa, prevista para o dia 14.

Repeteco Aécio Neves acusa Dilma Rousseff de se aproximar dos sindicatos apenas em ano eleitoral. "Ela procurou as centrais na campanha, mas hoje está distante da agenda do trabalhador."

Fauna Após Gilberto Carvalho ter dito que a presidente age como uma "leoa" para deter a inflação, um tucano ironizou: "A briga é boa. O adversário é um dragão".

Recolhido Depois de cancelar a ida ao ato da Força, Eduardo Campos (PSB) também desistiu de comparecer hoje ao jantar de boas-vindas da Expozebu, em Uberaba (MG), promovido pelo deputado Marcos Montes (PSD).

Lotação No jantar, Campos iria se encontrar com Aécio. E Dilma confirmou presença na abertura oficial do evento, amanhã. De novo o governador de Pernambuco alegou agenda no sertão para sair da cena nacional.

Calhamaço Os advogados de José Genoino (PT-SP) apresentarão hoje no STF embargos de declaração com 290 páginas apontando omissões e contradições no julgamento do mensalão.

Tem mais No documento, a defesa do petista pede ainda a reabertura do prazo de contestação para que seja complementado o recurso.

Muita calma... A comissão criada por Henrique Alves (PMDB-RN) para rever a PEC que tira poder de investigação do Ministério Público revoltou deputados governistas e da oposição. Eles alegam que Alves acertou a estratégia com o Executivo, sem o aval de parlamentares.

... nessa hora Rodrigo Maia (DEM-RJ) acusa Alves de retirar poderes da Casa ao delegar a missão a grupo "externo". A comissão terá congressistas, promotores, policiais e um emissário do governo. "O texto é ruim, mas foi aprovado em comissão. Poderíamos mudá-lo", diz.

Petit comité Na conversa com Michel Temer, na segunda, Alves, Aloizio Mercadante (Educação) e Cândido Vaccarezza (PT-SP) discutiram, além de palanques para 2014, problemas na articulação política do governo.

Em todas Mercadante também despachou anteontem com Dilma, no Alvorada, sobre política e cenários estaduais. Participaram José Eduardo Cardozo (Justiça) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento e Indústria).

Digestivo Prestes a assumir o comando do PSDB-SP, Duarte Nogueira se reúne hoje com o secretário José Aníbal (Energia), um dos apoiadores do atual presidente, Pedro Tobias, que desistiu de disputar novo mandato após pressão de Geraldo Alckmin.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"Como capitão do time dos mensaleiros, Dirceu confunde os papéis. A seleção do Supremo jamais será escalada por ele."
DO SENADOR ÁLVARO DIAS (PSDB-PR), sobre o pedido do ex-ministro da Casa Civil para afastamento de Joaquim Barbosa da relatoria do mensalão.

contraponto


Duro de engolir
Durante a festa do Dia do Trabalho, ontem, em São Paulo, a tônica dos discursos era crítica ao governo de Dilma Rousseff. Em dado momento, foi dada a palavra ao ministro Manoel Dias (Trabalho). O pedetista, então, começou a abordar os feitos da presidente.

--É preciso que reconheçamos os avanços-- disse, antes de engasgar, fazendo uma pausa forçada em sua fala.

Um assessor ofereceu copo d'água ao ministro, que continuou seu pronunciamento enaltecendo o governo.

--Deus castiga quando a fala não condiz com as ações-- gritou, rindo, um dos sindicalistas no palco.

FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA

O GLOBO - 02/05

CRESCE A VENDA DE PASSAGENS DE ÔNIBUS VIA WEB
Um site vendeu um milhão de bilhetes em 2012 e planeja alta de 60% este ano. Outro espera bater mil operações por dia

Empresas de venda de passagens de ônibus pela internet estão expandindo operações. É efeito da popularização do serviço e da massificação do acesso à web no país. O Netviagem, site da G&M Soluções criado em 2005, vendeu um milhão de passagens em 2012. Prevê 1,6 milhão este ano. Mês passado, pôs no ar aversão para smartphones. Em junho, lança totens para troca de bilhetes similares àqueles do check-in dos aeroportos. As primeiras máquinas ficarão em 15 rodoviárias das regiões Nordeste, Sudeste e Sul. Hoje, a empresa é parceira de 30 viações. Serão 50 até dezembro. lá o Embarcou-.com quer chegar a mil passagens vendidas por dia, até outubro. Há cinco meses em operação, comercializa de 300 a 500 bilhetes a cada 24 horas. O ecommerce oferece aos usuários o pagamento com boletos bancários. "Abrimos o leque de clientes. Atingimos até os que não têm conta em banco", diz o sócio Henrique Rangel. Quer vender R$ 25 milhões este ano. A demanda pelo serviço deve ganhar fôlego com a vinda de turistas para eventos esportivos no Brasil. Este ano, o site da Rodoviária Novo Rio bateu um milhão de acessos em 15 dias em janeiro, período próximo ao carnaval.

R$ 68 M1LHÕES
Foi o volume financeiro do NetViagem com bilhetes de ônibus em 2012.0 site recebeu 26 milhôes de acessos de usuários de 179 países. A venda on-line ganhou força com as empresas aéreas.

Turbulência
A Firjan vai reagir à suspensão pela TAM dos voos do Rio para Paris e Frankfurt. Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, presidente da entidade, envia, hoje ainda, carta contra a decisão ao governador Sérgio Cabral, à presidência da aérea e à Anac. "É incoerente com o momento do Rio', desabafa.

Florida
A Ceasa, em Irajá, inaugura mercado de flores sábado. Vai concorrer com o Cadeg. Começa com 50 produtores. Espera o triplo no fim do ano. A Secretaria estadual de Desenvolvimento Regional estima que serão vendidas 200 mil toneladas no 19 mês.

FAZENDO A CABEÇA
A Alta Moda É..., marca de cosméticos para cabelos do Grupo Alfaparf, estreia hoje comercial de TV. Quem estrela é a atriz Adriana Birolli. A campanha terá ainda peças para mídia impressa e redes sociais. A previsão é de crescimento de 25% nos negócios e de 30% na distribuição dos produtos. É criação da agência Comunicação Estratégica.

DIREÇAO SEGURA
A Dinisa, concessionária Nissan, estreia amanhã campanha pela segurança no trânsito. Brinca com personalidades históricas, como Santos Dumont, Einstein e Shakespeare (ao lado), que escreve "Hamlet° montado num cavalo. É provocação aos que dirigem falando ao celular. A PS10 assina.

`Gelato'
A Venchi, marca italiana de chocolates e gelatos, abre filial no Leblon este mês. Será a 1á unidade na América do Sul. O plano é inaugurar outra no Rio este ano e mais cinco no país em 2014, diz Irajá Guimarães, sócio. O investimento médio é de R$ 1,5 milhão por filial.

Da fruta 1
A marca brasileira Do Pomar lança a Petit Fruit, linha de purês de fruta. Projeto de R$ 1 milhão do francês Rapahël Feuilloy, tem os cinco primeiros sabores fabricados na França. Os produtos já estão à venda em Rio, São Paulo e Minas. Chegam este mês às lojas do Pão de Açúcar.

Em tempo
Feuilloy planeja produzir mais sabores de purê com frutas nacionais, para o mercado brasileiro e para exportação. "Isso pode acontecer num par de anos', prevê o empresário.

Da fruta 2
Chega ao varejo este mês o suco Camp de laranja com gominhos. A General Brands investiu R$ 1 milhão em máquinas para produzir a linha. As vendas devem crescer 10%. 

Do mar
A Frescatto, de pescados, lança o lombo de salmão defumado fatiado na 29á edição da Feira APAS, semana que vem, em São Paulo. Prevê alta de 15% nas vendas da linha premium.

PROPAGANDA PREMIADA
0 Prêmio Colunistas, um dos mais tradicionais do setor de propaganda, apresenta hoje a campanha nacional. Anuncia, com frases divertidas, a abertura das inscrições para a edição 2013. Os anúncios vão circular em mídia impressa, internet, TV e rádio. A agência 11:21 assina.

FREGUESIA
A Calçada lança condomínio na Freguesia na 14 quinzena deste mês. 0 1llimitato terá 84 apartamentos de quatro e cinco quartos. Parceria com a Newserrat, deve somar R$ 65 milhões em vendas. A Percepttiva assina campanha em jornais e rádio. É investimento de R$ 350 mil.

ENGENHO DE DENTRO 
0 Grupo Avanço Aliados lança, dia 18, o Elo Residencial Clube, no Engenho de Dentro. É o terceiro empreendimento
da construtora na Zona Norte carioca. 0 condomínio terá 120 apartamentos de dois e três quartos. A estimativa é
totalizar R$ 40 milhões em vendas. 

Demanda
A imobiliária Judice&Araujo registrou alta de 47,7% nas operações de simulação de crédito no 19 trimestre de 2013 sobre um ano antes. Saíram de R$ 34,2 milhões para R$ 50,5 milhões.

Mobiliário
A Riccó espera vender, até o fim do ano, 18 mil projetos da linha Citizen Office, de móveis corporativos.

Livre Mercado
A Gaoli, multimarcas de moda praia, começa a vender peças da grife MOS hoje. Quer faturar 40% mais.
A Ganish vai repassar à Fundação do Câncer a renda dos colares com a logo da entidade. A joalheria tem loja no Rio e vende pelo site.

A Fiszpan lançou a campanha Skullmania ontem. Dará como brinde bolsas decoradas com caveiras. Espera vender 15% mais.