quarta-feira, março 06, 2013

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

FOLHA DE SP - 06/03

Com R$ 240 mi, empresa construirá novo shopping na zona leste de SP
A Enplanta Engenharia vai instalar um shopping center na zona leste de São Paulo, entre os bairros Itaim Paulista e São Miguel Paulista.

Batizado de Estação Jardim, o empreendimento receberá aporte de R$ 240 milhões e será construído na avenida Marechal Tito. A previsão é que as obras comecem no final deste ano.

"É uma área de influência de 1 milhão de habitantes e que ainda é bastante carente de serviços e lojas", afirma o presidente da companhia, Henrique Falzoni.

Esse é o segundo projeto implementado pela empresa desde que Falzoni reassumiu a presidência, no fim de 2012.

O primeiro, em Sorocaba -cidade que tem hoje quatro shoppings em construção-, demandará R$ 300 milhões em investimentos.

"Considerando a capacidade do mercado, a cidade comporta todos esses projetos. O problema é que as empresas estão disputando os lojistas", afirma Falzoni.

"Cada shopping precisa mostrar o que seu empreendimento tem para atrair as marcas que quer."

Do total das 240 lojas do shopping de Sorocaba, quase 40% já foram comercializadas, segundo o empresário.

O terceiro centro de compras será em Piracicaba, mas ainda não há previsão do início das obras.

Em janeiro, a companhia passou a administrar o Pátio Brasil, em Brasília, que será reformado nos próximos dois anos. As obras custarão aproximadamente R$ 40 milhões.

EMPRÉSTIMO NO CELULAR
O Banco do Brasil desenvolveu uma tecnologia que observa as necessidades dos clientes para oferecer empréstimos via celular.

Se uma pessoa, por exemplo, tenta adquirir uma mercadoria e não consegue realizar a compra por falta de saldo em conta corrente, o celular recebe uma mensagem com as opções de crédito do banco.

"Ele [o cliente] poderá pedir e receber o empréstimo na mesma hora. Sem precisar ir até uma agência bancária", diz o vice-presidente de tecnologia do banco, Geraldo Dezena.

A ferramenta também permite que o banco localize onde o cliente está e o avise sobre promoções de estabelecimentos próximos.

As pesquisas para desenvolver a tecnologia levaram seis meses.

O limite dos empréstimos concedidos via celular é o valor que a pessoa tem aprovado de acordo com a análise normal de seu cadastro.

O Bradesco oferece crédito pelo celular desde 2006.

Apenas no mês de janeiro deste ano, o banco liberou cerca de R$ 11, 3 milhões em empréstimos realizados por meio dos telefones.

ENSINO DESONERADO
A Abraes, associação que representa o ensino básico e superior particular, vai pedir que o setor seja incluído na política de desoneração fiscal da folha de pagamento que está sendo feita pelo governo federal.

O pedido será oficializado, na manhã de hoje, durante a reunião da comissão mista do Congresso Nacional, em Brasília, que trata do assunto.

"Os salários representam 63% da folha de uma instituição. O peso fiscal dos tributos dificulta que as instituições invistam em melhorias", diz Elizabeth Guedes, presidente da Abraes.

COMPRA VERDE
As vendas de produtos sustentáveis das micro e pequenas empresas para o governo federal cresceram mais de 115%, segundo levantamento do Sebrae.

Computadores, aparelhos de ar condicionado e papel foram os principais itens comercializados.

No ano passado, dos R$ 40 milhões gastos pelo governo com esse tipo de produto, mais de R$ 22 milhões foram vendidos pelas micro e pequenas empresas.

"A sustentabilidade é um diferencial de negócio. Queremos estimular esse tipo de produção nas pequenas empresas e o consumo desses produtos pelas prefeituras do país", diz Luiz Barretto, presidente do Sebrae.

Os órgãos que mais adquiriram bens sustentáveis em 2012 foram os Ministérios da Justiça (R$ 12,2 milhões), da Educação (R$ 11,4 milhões) e da Defesa (R$ 4,2 milhões).

O Ministério do Planejamento informou também que, como a política de aquisições sustentáveis tem apenas dois anos, esse tipo de compra respondeu a 0,1% dos R$ 72,6 bilhões gastos pelo governo federal em 2012.

Novidade... A Baram Energy, fabricante de minigeradores, vai instalar dois postes de luz híbridos na BR-116, no município de Canoas (RS). Os equipamentos armazenam energia solar e eólica e não serão ligados à rede elétrica.

...na estrada A empresa investiu R$ 20 milhões no desenvolvimento da tecnologia e trabalha no projeto desde 2010. Testes devem ser feitos nos próximos seis meses em parceria com a Prefeitura de Canoas.

RESTITUIÇÃO FINANCIADA
Além da preparação do Imposto de Renda, sua grande especialidade, a norte-americana H&R Block, em parceria com o Banco Rendimento, vai financiar a restituição.

O banco será o responsável pela emissão do cartão pré-pago com o valor contratado (até 80% da restituição). Os juros serão de 2,99% ao mês e a tarifa, de R$ 30.

"A expectativa é que 2.000 pessoas contratem o serviço no primeiro ano", diz Roger Ades, do Rendimento.

Direito O escritório PLKC Advogados ganha reforço com a chegada de Roberto Pasqualin, presidente do Centro de Arbitragem da Amcham, e de Priscila Pasqualin Afonso de Souza para as áreas de arbitragem, tributária e societária do escritório.

CURTO-CIRCUITO
Os danos elétricos causados por tempestades e oscilações de energia representam 62% das solicitações de atendimentos a residência, segundo uma pesquisa da Liberty Seguros.

O levantamento analisou 5.715 chamadas feitas entre dezembro de 2011 e dezembro de 2012 em todo o país.

As ocorrências são mais frequentes em municípios do interior de São Paulo, como Ribeirão Preto, Araçatuba, Franca, Marília e Presidente Prudente, além de cidades do Paraná e de Santa Catarina.

"Muitos acidentes em residências poderiam ser evitados caso o país tivesse uma melhor rede de energia", afirma Francisco Minarelli, diretor da seguradora.

Os danos elétricos têm maior incidência em março (53% dos casos), fevereiro (50%) e janeiro (46%).

FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA

O GLOBO - 06/03

Agenersa, do Rio, vai fiscalizar Light e Ampla
Governo fluminense acertou com Aneel a transferência de funções. Plano de ação começa a ser traçado semana que vem

A Aneel inicia na semana que vem o plano de ação para transferir à Agenersa a fiscalização das distribuidoras de energia do Estado do Rio. O acerto saiu de reunião, anteontem, em Brasília, com Nelson Hubner (diretor-geral da Aneel), Julio Bueno (secretário estadual de Desenvolvimento Econômico), José Bismarck (presidente da Agenersa), Paulo Roberto Pinto (presidente da Light) e Mário Santos (presidente do conselho da Endesa Brasil, dona da Ampla). A Aneel, agência federal que regula o setor elétrico, aceitou passar para o Rio as ações de fiscalização. Estados como São Paulo e Rio Grande do Sul já passaram por processos semelhantes. A Agenersa vai contratar uma equipe de engenheiros, que serão qualificados pela Aneel. Julio Bueno acredita que, em seis meses, o Rio terá condições de assumir as funções, incluindo aplicação de multas. A agência fluminense será remunerada pela Aneel. A Agenersa tomará decisões de primeira instância. As distribuidoras poderão recorrer à Aneel. O governo do Rio reivindicava a transferência de funções por causa da proximidade com a área de atendimento das empresas. A CEG, concessionária do gás, já é regulada pelo estado.

R$ 200 milhões
É o investimento que a Ampla pretende fazer em Angra dos Reis e arredores para melhorar o fornecimento de energia. A empresa espera o sinal verde da Aneel ao plano de desembolsos adicionais.

É seguro
A Susep finaliza proposta de regulamentação do seguro de carro popular. Valerá para veículos com mais de três anos de uso. Para baratear as apólices, seguradoras vão poder usar peças de 2ª mão no conserto de automóveis. A resolução sai até junho.

Em tempo
É o Inmetro que vai certificar os fornecedores das peças recondicionadas.

Antecipada
A H&R Block, de preparação de IR, fechou parceria com o Banco Rendimento. Clientes poderão receber restituição antecipada em cartões pré-pagos. Dois mil devem contratar serviço este ano. É movimento de R$ 4 milhões.

Frota elétrica
Eletrobras Furnas comprou um dos 50 carros elétricos fabricados no Brasil pela Fiat, em parceira com Itaipu Binacional. Até o fim do ano, terá 20. É parte da renovação da frota da estatal.

"High tech"
O Rio abriga, até sexta, a 2ª edição Founders Forum Brazil. O evento reúne cem empreendedores digitais e investidores mundiais. A Rio Negócios prepara plano de fomento ao setor.

Dobrou
Incubadas e graduadas no Instituto Genesis (PUC-Rio), geraram R$ 420 milhões em receitas no ano passado. É mais que o dobro de 2011.

O favorito
Eike Batista, mesmo em má fase, é o empresário brasileiro mais admirado por pequenos empreendedores. A pesquisa sai hoje na revista "PEGN". Foi citado, espontaneamente, por 11% dos três mil consultados.

Emprego
A construção da Ferrovia Norte-Sul vai gerar 940 vagas este ano. O Ministério do Desenvolvimento Social vai formar trabalhadores. Ainda este mês, começam cursos de pedreiro, carpinteiro e outros.

Quem vai
A World Study levou 7.200 alunos brasileiros ao exterior em 2012. Este ano, serão oito mil. 

Saúde
O tratamento de câncer de mama no Brasil, em 2012, custou a planos de saúde e seguradoras R$ 300 milhões. Foi alta de 11% sobre 2011. A pesquisa é da Orizon.

Dinheiro
Vinte empresárias turcas participam de rodada de negócios hoje, na Fiesp. 

É a primeira que a entidade faz só com mulheres.

Livre Mercado
A Armadillo, de roupa masculina, fará ação para o Dia da Mulher. Dará 50% de desconto a elas, na sexta. Quer vender 20% mais.

A Valen, multimarcas do Leblon, lança hoje o inverno 2013. A coleção própria equivale a 70% das peças. Prevê alta de 20% nas vendas.

São do IPP (não ISP) e da Fazenda municipal os dados do ISS no Rio.

A razão do "pibinho" - ALEXANDRE SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 06/03

A desaceleração não é um fenômeno cíclico, mas o sintoma de esgotamento de um modelo


Não é a crise internacional. Se fosse, o "pibinho" não seria uma exclusividade nacional, mas compartilhado com vários outros países, em particular os mais parecidos conosco, seja geograficamente, seja pela composição das exportações (a predominância de commodities) ou ainda pela renda per capita.

Sob qualquer perspectiva, porém, o Brasil se destacou negativamente em termos de crescimento no ano passado, indicando que, ao contrário da alegação do ministro da Fazenda, nosso desempenho ruim tem origens domésticas.

Na verdade, a crise externa, mais que uma desculpa, foi também diagnóstico. As medidas de política econômica adotadas desde meados de 2011 seguiram um desenho semelhante àquelas utilizadas no período que se seguiu à grande crise financeira de 2008-2009. Da mesma forma que se costuma dizer que os generais lutam sempre a última guerra, nossos gestores de política econômica parecem estar ainda enfrentando aquela crise.

Para quem não se lembra, o BC iniciou seu ciclo de afrouxamento monetário argumentando que a crise teria um impacto equivalente a um quarto do observado em 2009, o que faria a inflação convergir à meta no ano passado, um equívoco exposto por uma taxa inflacionária que teima em se desviar dela.

Da mesma forma, o Ministério da Fazenda retomou as medidas de desoneração tributária e colocou os bancos públicos na linha de frente de financiamento ao consumo.

Adicionalmente, elevou o gasto público, apesar das juras de que cumpriria fielmente a meta fiscal e, no final do ano, usou e abusou da contabilidade criativa para tentar esconder o que ficou à plena vista: que não chegou perto do que havia prometido.

Em outras palavras, seguiu um roteiro muito parecido ao adotado em 2009: juros em queda, bancos públicos expandindo o crédito, gasto governamental em alta.

Essa combinação funcionou bem àquela época, mas, como se vê pelo "pibinho", fracassou espetacularmente no ano passado.

O fiasco é resultado do diagnóstico equivocado. O governo viu a desaceleração da economia como um fenômeno cíclico, induzido pela crise externa, quando as raízes são, na verdade, mais profundas e locais.

Ao contrário de 2009, não se observa no país uma situação de folga do ponto de vista de recursos produtivos. Nem o desemprego é alto (muito pelo contrário), nem os níveis de ocupação de capacidade instalada na indústria são anormalmente baixos.

Assim, enquanto uma política de incentivo ao consumo àquela época tinha grande chance de reativar (como reativou) a economia, a mesma política, sob condições distintas, falhou visivelmente.

Crescemos nos últimos anos com base na expansão do consumo e na ocupação da mão de obra desempregada, com pouca ênfase no investimento e na expansão da produtividade. Funcionou a contento enquanto havia mão de obra disponível, mas isso acabou à medida que a economia se aproximou do pleno emprego.

A desaceleração do crescimento não é, portanto, um fenômeno cíclico, mas o sintoma de esgotamento de um modelo que, a bem da verdade, não poderia ser sustentado indefinidamente, mas foi tratado como se pudesse.

Baseado nessa crença, o país não se preparou para o que viria depois do binômio "consumo e emprego".

Em particular, o abandono das reformas, assim como a relutância em transferir ao setor privado responsabilidades pela infraestrutura, estão por trás tanto do fraco investimento quanto do crescimento medíocre da produtividade.

Assim, para o crescimento continuar ao ritmo observado entre 2004 e 2010, será necessário mudar os incentivos do consumo para o investimento.

Isso, porém, fere interesses já enraizados no país, assim como o padrão de política econômica que se cristalizou no período, sublinhando as dificuldades para operar a mudança.

Cresceremos em 2013 mais do que no ano passado, mas nem perto daquilo que foi um dia o objetivo do governo.

A inflação e o Copom - CELSO MING

O Estado de S.Paulo - 06/03

Fossem outros os tempos, todos saberiam que na reunião de amanhã o Copom puxaria os juros implacavelmente para cima. Agora, no entanto, persistem as dúvidas sobre qual é de fato o compromisso do Banco Central: se conduzir a inflação para dentro da meta ou se criar condições adicionais para cumprir o frustrado "pibão" da presidente Dilma Rousseff.

Mais complicada ainda, a derrubada dos juros básicos (Selic) para 7,25% ao ano se transformou numa espécie de tabu da atual administração, no sentido original da palavra: uma vez violado, coisas terríveis podem acontecer - é o que parecem pensar. Caso fosse por aí, seria melhor deixar tudo como está.

Uma comunicação clara, não sujeita a exegeses da hora, poderia até mesmo compensar a insegurança passada pela ambiguidade de objetivos perseguidos. Mas nem a isso o Banco Central se dá ao trabalho. Desde outubro, quando baixou a Selic de 7,50% para 7,25% ao ano (veja a trajetória dos juros no gráfico ao lado), passa o recado de que os juros permanecerão onde estão "por um período de tempo suficientemente prolongado". Pretendeu, evidentemente, dizer que não mexeria neles meses a fio. Ninguém poderia mesmo entender que, cinco meses depois, o Copom poderia desistir do que disse e voltar a subir os juros. Mas qualquer analista admite agora que o Banco Central pode estar revendo tudo, inclusive a intenção de manter os juros parados. O compromisso com o conteúdo dos comunicados anteriores parece relativo e cambiante.

Ou seja, o próprio mercado compreende que o Banco Central vem sendo surpreendido pelo comportamento dos preços e conserva em relação a eles uma atitude vacilante. Às vezes, por exemplo, passa indicações de que usa o câmbio para ancorar a inflação; logo em seguida, após protestos do ministro da Fazenda, Guido Mantega, admite que há limites para enfrentar o problema com derrubada das cotações da moeda estrangeira. Outras declarações são no sentido de não haver muito o que fazer para enfrentar a piora da inflação, porque tende a recuar espontaneamente, a partir do segundo semestre - em parte, graças aos bons serviços da safra agrícola recorde. Ao mesmo tempo, o controle da inflação tem a ajuda inestimável de outras áreas da política econômica: desempenho mais responsável da administração das contas públicas; achatamento das cotações dos combustíveis; congelamento dos preços no transporte público das grandes cidades; derrubada das tarifas da energia elétrica, etc.

As coisas se complicam ainda mais quando se sabe que o Banco Central não mira mais o centro da meta de inflação, de 4,5% neste ano. Ficou claro que a referência passou a ser o teto, de 6,5%, já admitida a área de escape. Decisões assim elevam o nível de risco assumido pelo Banco Central.

No próximo dia 8 a inflação em 12 meses poderá chegar ainda mais perto dos 6,5% ao ano e ficar por aí também por um período de tempo suficientemente prolongado. E, nesse caso, não se saberá se os agentes econômicos e os fazedores de preços terão confiança para esperar suficientemente até que os preços voltem para os trilhos.

Incerteza em Caracas - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 06/03

O presidente Hugo Chávez deixa a Venezuela em profunda crise econômica e política. O chavismo permanece no poder, mas já estão contratados vários conflitos no grupo governista e na oposição. No Brasil e nos Estados Unidos, há uma grande torcida por estabilidade no país. O comércio com os Estados Unidos é 10 vezes maior do que o comércio entre Venezuela e Brasil.

Depois de 14 anos de governo chavista, a Venezuela avançou no campo social, mas ficou com as sequelas de um líder que por temperamento acirrava os conflitos. Não houve uma revolução bolivariana no sentido de transformação estrutural da sociedade para melhor. Houve mais políticas de transferência de renda, mais investimentos nas favelas, novos projetos sociais, mas tudo foi montado como benesses de um líder paternalista.

Um fenômeno forte como Chávez não chega ao poder e se mantém tanto tempo se não houver condições para isso. A dissolução da confiança nos políticos tradicionais foi ocorrendo como consequência dos erros dos velhos Copei e Ação Democrática, o duopólio oligárquico que dominava a política até então.

Chávez executou um projeto de captura das instituições. Seu sistema foi corroendo as bases que são fundamentais em qualquer democracia: a independência dos poderes, a alternância do poder, a liberdade de imprensa. Sua estratégia foi aproveitar momentos de maior popularidade para realizar plebiscitos e referendos. Os que ganhava, seguia. Os que perdia, refazia até ter o resultado desejado. Sempre realizou eleições. Este foi seu truque para dar uma aparência democrática a um governo que foi ficando cada vez mais ditatorial.

A incompetência da oposição ajudou. Ela tentou a pior das reações: um golpe de Estado em abril de 2002. Nisso se igualou a ele, que em 1992 tentou uma quartelada, que fracassou. Hoje, ainda a oposição está dividida.

A lei venezuelana determina uma nova eleição. Quem tem que assumir, até a realização da eleição, é o presidente da Assembleia, Diosdado Cabello, que foi seu companheiro na tentativa de golpe de Estado em 92 e hoje está envolvido em negócios os mais obscuros. Nicolás Maduro é a escolha de Chávez e deve ser o candidato com chance de ser eleito, mas ele não tem o carisma do líder morto e jamais terá a sua força.

A morte de Chávez deixa um enorme espaço vazio entre seus adoradores e divisão entre as suas hostes. Ninguém se iguala a ele em termos de capacidade de liderança e em carisma. As Forças Armadas têm hoje comandantes nomeados por Chávez e um dos cenários é um governo diretamente militar.

A economia cresceu no ano passado pelo aumento do gasto público para ele ganhar a eleição, mas o país se desindustrializou ao longo dos últimos anos e perdeu substância econômica no governo Chávez. O crescimento dificilmente se sustenta. A inflação já alta subirá ainda mais pelos efeitos da desvalorização do bolívar. A PDVSA, principal empresa e fonte de arrecadação está depauperada. Os investidores estão ressabiados. A elite enviou parte da fortuna para Miami. Serão difíceis os momentos que o país tem pela frente.

O Brasil tem um superávit comercial enorme com a Venezuela. Em 2012, foram US$ 5 bilhões exportados contra apenas US$ 1 bi de importação. Saldo de US$ 4 bilhões. Carne bovina, de frango e açúcar são os três principais produtos exportados pelo Brasil. Já nossas importações estão concentradas em naftas petroquímicos e coque de petróleo. A corrente de comércio triplicou nos anos 2000, de US$ 1 bilhão para a casa de US$ 5 a 6 bilhões. A tendência desse ano é uma exportação menor, por causa da desvalorização cambial na Venezuela. Os Estados Unidos e a Venezuela têm uma corrente de comércio de US$ 56 bilhões. Em 2011, quase a metade de toda a exportação venezuelana teve como destino os Estados Unidos. Quase 30% da importação veio de lá. O antiamericanismo era pura retórica.

Nunca, em tempos recentes, a América Latina pareceu tanto com seus estereótipos como na novela da doença de Chávez. Cercado pelo paredón armado pelo governo de Cuba, contra toda a circulação de informação confiável, sua doença teve uma evolução que não pode ser acompanhada por quem de direito: os milhões de cidadãos que ele governava.

Conformismo - ANTONIO DELFIM NETTO

FOLHA DE SP - 06/03

Finalmente, baixou o pano da tragédia penosamente esperada. A taxa de crescimento do PIB em 2012 foi de apenas 0,9%. Todos erramos feio.

A única honrosa exceção foi a competente e corajosa convicção da equipe de análise econômica do Credit Suisse Brasil, que foi duramente criticada na ocasião. Para provar isso, basta lembrar as previsões do setor financeiro expressas no boletim "Focus" da primeira semana de 2012: previsão do PIB: 3,3%; previsão da inflação: 5,31%.

Mesmo depois do desastre anunciado pelo crescimento com ajuste sazonal do PIB de 0,1% entre o primeiro trimestre de 2012 e o último de 2011 e de 0,3% entre o segundo e o primeiro trimestres de 2012, o mercado ainda projetava o seguinte (na primeira semana de julho, segundo o boletim "Focus"): previsão do PIB: 2,01%; previsão da inflação: 4,85%.

É hora de virar a página e aceitar que o acréscimo de 0,9% (estagnação do PIB per capita), com uma taxa de inflação de 5,8%, revelou velhos problemas estruturais e institucionais -alguns dos quais começam a ser atacados pelo governo.

Há, entretanto, um excesso de pessimismo no ar, agora mais estimulado pela lamentável antecipação da campanha eleitoral. Ela introduz um viés político na análise que dificulta o acordo sobre o que se deve fazer para recuperar um crescimento mais robusto sem pressionar a taxa de inflação.

Mas há esperança. Os números sugerem, pela primeira vez nos últimos trimestres, o início de uma recuperação na formação bruta de capital fixo e o fim do ciclo dos estoques acumulados em 2010, o que pode ser uma mudança significativa. Eles também revelam um crescimento lento, firme e consistente do PIB de cada trimestre sobre o anterior (com ajuste sazonal): 4º trimestre 2011: 0,1%; 1º trimestre 2012: 0,1%; 2º trimestre 2012: 0,3%; 3º trimestre 2012: 0,4%; 4º trimestre 2012: 0,6%.

O PIB já está rodando em torno de 2,4% ao ano. Pois bem, se, nos quatro trimestres de 2013, a taxa do trimestre contra o anterior permanecer no intervalo de 0,65% a 1%, o que parece factível diante da orientação mais amigável do governo em relação ao setor privado e recentes medidas facilitadoras do crédito, o crescimento do PIB poderá ficar entre 3% e 4%. A nossa saída da crise de 2008, que parecia um V, está mais para um W.

O que surpreende não é essa possibilidade. É o aparente conformismo da sociedade brasileira com o baixo crescimento que vimos registrando desde o Plano Real (1996-2012) o que se vê: crescimento do PIB: 2,95%; taxa de inflação: 6,48%.

Já consumimos quase 1/4 do ano de 2013, mas ele ainda não está escrito nas estrelas: será o que, em cooperação, governo e setor privado souberem e fizerem dele!

A apologia do vale-tudo - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

GAZETA DO POVO - PR - 06/03

Ao dizer que, em época de eleição, pode-se “fazer o diabo”, Dilma dá mostras do ânimo que guia seu partido quando se trata de conseguir ou manter o poder


Num momento de surpreendente honestidade, a presidente Dilma Rousseff deixou claros os métodos do seu partido em discurso feito anteontem, em João Pessoa (PB), durante a entrega de um conjunto do Minha Casa, Minha Vida. “Nós podemos disputar eleição, nós podemos brigar na eleição, nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição”, afirmou, antes de fazer a ressalva de que “quando a gente está no exercício do mandato, nós temos de nos respeitar, porque fomos eleitos pelo voto direto do povo brasileiro”.

Que não há partido santo em época de eleições, todos sabem. Mas é fato que o Partido dos Trabalhadores levou o “fazer o diabo” a um novo nível de baixeza. Ficou célebre, por exemplo, o escândalo do “dossiê dos aloprados”, de 2006, que tinha como alvo José Serra, então candidato ao governo do estado de São Paulo, acusando-o de envolvimento com a máfia dos sanguessugas. Ou, em 2010, a quebra de sigilo bancário de Verônica, filha de Serra – então candidato à Presidência da República – e de outros quatro políticos tucanos. Sem falar do terrorismo eleitoral segundo o qual todo adversário, se eleito, vai eliminar o Bolsa Família – verdade seja dita, terrorismo do qual o PT foi vítima em 1989, quando Fernando Collor (hoje aliado de Dilma) acusava o PT de querer confiscar o dinheiro depositado em cadernetas de poupança.

“Fazer o diabo” também inclui lavar e sujar reputações de acordo com a conveniência do partido. Só isso explica os elogios recentes de Marilena Chauí, uma das intelectuais do PT, a Paulo Maluf, classificado como “grande administrador”. Afinal, o antigo desafeto é hoje aliado do petismo – mesma situação dos ex-presidentes Fernando Collor e José Sarney, aquele que Lula quis blindar no escândalo dos atos secretos do Senado afirmando que Sarney “tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum”. São inúmeros os episódios em que o PT “fez o diabo”, fiel à lógica do vale-tudo em que os fins justificam os meios, noção levada às últimas consequências no mensalão.

Mas o PT não “faz o diabo” o tempo todo, afirma Dilma – só “quando é a hora da eleição”. Ocorre que, no Brasil, a eleição já começou. “Em 2013 o bicho vai pegar”, prometeu ainda no ano passado o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho. E o partido já faz valer a previsão de Carvalho, ao dirigir suas baterias contra a imprensa livre. Na sexta-feira, o Diretório Nacional do PT divulgou uma resolução que exorta os militantes a colher assinaturas para um Projeto de Lei de Iniciativa Popular que estabeleça um novo marco regulatório das comunicações.

O texto desse projeto de lei ainda não está pronto, mas, segundo o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), ele será escrito “com base nas diretrizes aprovadas na 1.ª Conferência Nacional da Comunicação, realizada em 2009”. Algumas dessas diretrizes estabelecem desde assuntos “obrigatórios” nas pautas jornalísticas até a maneira como certas realidades devem ser tratadas pelos veículos de comunicação. Mais preocupantes, no entanto, são as propostas de “submeter o rádio e a televisão abertos (...) à regulação e fiscalização por parte de agência reguladora (...) no que se refere ao conteúdo divulgado”, ou ainda criar uma “comissão sobre violações de direitos humanos nas comunicações, com a função de (...) encaminhar sugestões de reparação ou punição” – item que soaria inofensivo se não fosse o peculiar entendimento que o PT tem sobre o que sejam “direitos humanos”, enunciado na versão mais recente do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) do governo.

As diretrizes aprovadas na Confecom de 2009 são uma versão atenuada do ideário do FNDC, que inclui a “inclusão, na estrutura das empresas de rádio e tevê, de mecanismos que estimulem e permitam o controle público sobre a programação” e pede que o “Marco Regulatório leve efetivamente à regulação da mídia, e contenha também mecanismos de controle, pela sociedade, do seu conteúdo e da extrapolação de audiência”. É neste clima de hostilidade contra o jornalismo livre que o PT se move; vão se acumulando episódios como o narrado pelo jornalista Merval Pereira, de O Globo, no dia 3, quando ele quase foi agredido por manifestantes de esquerda após ser reconhecido por um deles durante um evento. Tudo sob o olhar de aprovação de Rui Falcão, presidente do PT e um dos maiores críticos de qualquer imprensa que não seja subserviente ao partido.

Marcha da discórdia - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 06/03

Com a pretensão de reunir 40 mil pessoas em Brasília, hoje, a marcha dos trabalhadores acontece em clima de conflagração entre Força Sindical e CUT. Enquanto a primeira tenta transformar a mobilização em protesto contra a medida provisória dos Portos, a segunda defende o governo. Vágner Freitas, presidente da CUT, vê risco de o evento "se curvar aos interesses dos patrões", em referência ao fato de a Força ter articulado com empresários do setor portuário a reação à MP.

Atracadouro Dirigentes da Força pretendem instalar dois contêineres similares aos usados nos portos na Praça dos Três Poderes para dar visibilidade ao protesto contra a MP. Oito ônibus de portuários partiram de Santos para engrossar a marcha.

Sem sinal O Palácio do Planalto sabia desde a manhã de ontem que o quadro de saúde de Hugo Chávez era gravíssimo. Dilma Rousseff tinha conversa marcada com Nicolás Maduro no mesmo horário em que o sucessor anunciou a morte do presidente venezuelano.

Plantão Dilma estava em seu gabinete com o assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia quando soube, pela TV, da morte de Chávez.

Day after Apesar de ter cancelado viagem à Argentina, a presidente mantinha, até a noite de ontem, evento comemorativo de lançamento de nova fase do PAC com todos os governadores hoje.

Impedido José Dirceu gostaria de ir a Caracas para o funeral do amigo Chávez. Mas, condenado pelo mensalão, está com o passaporte retido por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal).

Bonde O PT fechou ontem mais duas escalas da caravana de Lula e dos dez anos do partido no governo federal: dia 15 de abril, em Belo Horizonte, sobre Educação. E dia 25, em Porto Alegre, para tratar de "nova geopolítica".

Onde dói 1 Apontada como justificativa por Joaquim Barbosa, a crônica dor nas costas do presidente do STF não é o motivo do destempero verbal com que ele se dirigiu a um jornalista ontem.

Onde dói 2 A irritação do ministro se deve a levantamentos em curso por parte da imprensa sobre gastos com reformas nos gabinetes e apartamentos dos ministros, além de viagens. Os dados referentes ao presidente da corte teriam chamado a atenção.

Vai fundo O líder do PT no Senado, Wellington Dias (PI), usou a reunião de bancada ontem para tranquilizar Lindbergh Farias (RJ) e Eduardo Suplicy (SP). Mandou recado do presidente da sigla, Rui Falcão, de que a direção do partido não impedirá suas candidaturas em 2014.

Só que... Quem ouviu notou que Dias falou mais de uma vez que Lindbergh e Suplicy poderão "pleitear" a candidatura ao governo do Rio e à reeleição por São Paulo, respectivamente. Mas não garantiu legenda para nenhum dos dois.

Photoshop O novo procurador do Senado, Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP), promete fazer "ampla publicidade reparadora de matérias veiculadas na imprensa com o objetivo de ofender a Casa e seus integrantes".

Acordo O PT acertou ontem apoio ao tucano Samuel Moreira à presidência da Assembleia paulista. Petistas indicaram Enio Tatto à secretaria-geral da Casa. A eleição ocorre no dia 15.

Visita à Folha Carlos Oliveira, bispo responsável pelas Relações Institucionais da Igreja Universal do Reino de Deus, visitou ontem a Folha. Estava com Renato Parente, assessor de imprensa.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio
"Equilíbrio e serenidade são pressupostos do exercício da magistratura, sobretudo para o presidente do Supremo Tribunal Federal."
DE NINO TOLDO, presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), sobre críticas de Joaquim Barbosa aos magistrados e o ataque a um jornalista.

contraponto


Não existe amor na internet


Assíduo no Twitter, o ministro Alexandre Padilha (Saúde) costuma divulgar realizações da pasta e interagir com seguidores - inclusive com a versão "fake" da presidente Dilma Rousseff. Nesta segunda, ele postou:

- Ganhei o dia! Marianna, que esperava há anos, evolui bem após mutirão de cirurgias para escoliose.

A "Dilma Bolada" respondeu com um coraçãozinho.

-Eu também! -, retribuiu o ministro para a "chefe".

-Padilha, o coração não era para você, era para a Marianna! -, fustigou a personagem, famosa por fazer paródias das famosas "broncas" da Dilma real.


A reforma vem aí - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 06/03

A presidente Dilma deve iniciar a reforma ministerial pelo PMDB. O partido vai ganhar uma nova pasta: Transportes ou Aviação Civil. O novo ministro tem que ser agregador. A presidente não quer repetir o erro do PDT, onde se verificou que Brizola Neto não tem o respaldo do partido. O nome mais forte é o do presidente do PMDB mineiro, Antônio Andrade. Leonardo Quintão corre por fora.

Pisar no acelerador
A palavra de ordem no governo é investimento. É fundamental para o governo fazer a economia crescer para manter o consumo e o apoio popular. Hoje, para prefeitos e governadores, a presidente Dilma vai anunciar a liberação de recursos para três setores: saneamento, cerca de R$ 17 bilhões; mobilidade urbana, em torno de R$ 7 bilhões; e pavimentação, por volta de R$ 6 bilhões. No dia 18, na presença das entidades empresariais, será lançado um pacote de R$ 30 bilhões para inovação tecnológica. Desses, R$ 10 bilhões serão de dinheiro novo. No dia 1º de maio será a vez de a presidente anunciar novas desonerações e medidas para facilitar o trabalho.

Mudando de lado
Dirigentes e parlamentares do PPS dizem que a tendência do partido é apoiar a candidatura presidencial do governador Eduardo Campos (PE), do PSB, caso ele seja mesmo candidato. A reedição da aliança com os tucanos perde força.

Impacto
O maior impacto da redistribuição dos royalties do petróleo, segundo o secretário de Energia de São Paulo, José Anibal, não será nos estados produtores, mas nos municípios confrontantes com o pré-sal. Dá o exemplo da migração desordenada, em busca de oportunidades, em direção a Guarujá, Ubatuba e Caraguatatuba .

Novos ares
Depois de longa batalha judicial, o governador Agnelo Queiroz (DF) vai concluir este ano a licitação de todo transporte coletivo da capital. Ele interviu em três empresas privadas. Elas tinham que ter 350 ônibus na rua. Tinham só 186.

Marcando passo
Aprovada sua criação no ano passado, a Comissão Estadual da Verdade no Rio não funciona até hoje. O governador Sérgio Cabral convidou apenas o ex-presidente local da OAB Wadih Damous para presidi-la, mas não anunciou ainda os demais membros. Essas comissões já funcionam em 12 estados do Brasil.

Livro de cabeceira
O deputado José Genoino (PT-SP) comprou um estoque da biografia do ex-presidente Abraham Lincoln. Distribui a petistas. Diz que ele foi um grande articulador. Há registros que ele comprou votos para aprovar a abolição da escravatura.

Gesto de conciliação
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também nomeou um adversário nas eleições da Casa, para a comissão destinada a reformar o funcionamento do Congresso. A escolhida foi a senadora Ana Amélia (PP-RS).

O deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS) ligou para dizer que defende candidatura própria ao Planalto em 2018, em 2014 está com a chapa Dilma-Temer.

Falta governança - FERNANDO RODRIGUES

FOLHA DE SP - 06/03

BRASÍLIA - Os repórteres Rubens Valente e Matheus Leitão prestaram um serviço à causa da transparência. Revelaram que milhares de documentos produzidos durante a ditadura militar (1964-1985), muitos secretos, estavam escondidos do público atulhados em ministérios.

A notícia levou a presidente Dilma Rousseff a baixar uma ordem. Tudo será remetido ao Arquivo Nacional para catalogação e posterior abertura ao público.

Há duas formas de analisar esse episódio. Uma petista condescendente e outra pela ótica da boa governança.

Uma análise partidária alegaria a boa intenção da presidente. Sancionou a Lei de Direito de Acesso a Informação. Mas é ilógico esperar que ela saiba tudo o que se passa no governo. Quando toma conhecimento de algum ato para esconder dados públicos, Dilma reage e ordena que seja feito o contrário.

Já uma visão menos edulcorada e mais próxima da realidade precisa começar pela seguinte pergunta: como é possível, num governo com 500 mil servidores, ninguém ter sido comissionado para vasculhar ministérios à caça de documentos históricos? Até porque a Lei de Acesso foi sancionada em novembro de 2011.

A resposta à indagação acima é simples. A governança dentro da administração pública federal é frouxa. As reações são lentas. A cadeia de comando não é eficaz. Ordens são descumpridas. Pode-se argumentar que Dilma reage com vigor. É verdade. Mas esse tipo de atitude não tem bastado. Talvez a presidente deva considerar uma outra abordagem.

Ontem assisti na TV a um comercial no qual Dilma testa o slogan que pretende usar em sua campanha pela reeleição ("o fim da miséria é apenas o começo"). Deve ter custado milhões. O mesmo slogan valeria para a transparência. A Lei de Acesso é apenas o começo. Sem boa governança no dia a dia não haverá avanços significativos nessa área.

Os holofotes - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 06/03
Parece que estávamos adivinhando. No lançamento do meu livro, em São Paulo, na segunda-feira, conversava com o Carlos Alberto Sardenberg sobre o sucesso que o presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, havia feito em Trancoso, no fim de semana anterior, aplaudido de pé durante vários minutos pela plateia do festival internacional de música.

Sua presença, aliada ao fato de que estava acompanhado de uma jovem namorada, foi o assunto dominante no fim de semana. Ontem, conversamos na CBN sobre a popularidade dos ministros do Supremo depois do julgamento do mensalão, e Sardenberg se preocupava com as consequências desses holofotes sobre o comportamento dos ministros, que por onde passam são objeto de homenagens pelos populares.

Analisei a questão por dois ângulos, um positivo, outro negativo: a confiança dos cidadãos no Supremo, e a possibilidade de um ministro se deslumbrar com a súbita fama e passar a dar mais atenção à opinião pública do que à letra fria da lei, como acusam os ministros de terem feito no julgamento do mensalão.

Não acredito que se os ministros do Supremo tivessem se reunido a portas fechadas, sem a televisão ao vivo e a cores, o resultado fosse diferente, isto é, não concordo com os que consideram que as condenações foram fruto de pressões da opinião pública sobre os ministros.

O fato de os ministros do Supremo estarem sendo vistos pela população como personagens importantes significa que a atuação deles no mensalão foi aprovada pela opinião pública, e é bom para a democracia que um dos Poderes da República seja reconhecido como instrumento de fazer Justiça.

O que seria ruim é se um dos ministros hoje em evidência passasse a se exibir como se fosse celebridade, buscasse os holofotes. E mesmo se surgisse como candidato a algum cargo político, como se fala de Joaquim Barbosa para a Presidência da República e ou da ministra Eliana Calmon para governadora da Bahia.

Todas as atitudes que tomaram até hoje, e que contaram com o apoio da opinião pública na maioria das vezes, passariam a ser vistas como se tivessem sido geradas justamente com o objetivo de torná-los famosos e populares para que entrassem na política.

Com relação a Joaquim Barbosa, havia além das questões de saúde, seu temperamento irascível e a falta de tarimba política, que o tornam avesso aos acertos por baixo dos panos e incapaz de ouvir desaforo sem responder imediatamente, como vimos várias vezes no julgamento do mensalão.

Esses "defeitos" do ponto de vista da política tradicional podem torná-lo um candidato atraente para eleitores que já estão cansados dessa maneira de se fazer política, mas tornariam extremamente difíceis os acordos partidários que teria forçosamente de fazer. O destempero de ontem com um jornalista, a quem mandou "chafurdar no lixo", é uma prova de que os holofotes estão sendo prejudiciais a Joaquim Barbosa. Se desculpar em seguida não apaga a ação.
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Do dia 17 de março de 2012, quando dei a primeira notícia sobre a piora do estado de saúde do presidente venezuelano Hugo Chávez, até ontem, quando sua morte foi anunciada oficialmente, passou-se pouco menos de um ano. Como a eleição presidencial aconteceria em outubro, os prognósticos médicos eram de que provavelmente chegaria "na reta final em condições físicas muito difíceis para manter uma campanha eleitoral competitiva com candidatos da oposição unificada".

Chávez, no entanto, conseguiu a duras penas, e provavelmente à custa de piorar sua saúde, participar da campanha e se reeleger, embora não tenha tido condições de assumir o cargo formalmente. O caso da doença do presidente venezuelano Hugo Chávez é exemplar dos transtornos que um regime quase ditatorial pode causar na sua tarefa cotidiana de esconder os fatos e manipular informações.

Nem tanto às chamas - DORA KRAMER

O ESTADO DE S. PAULO - 06/03
É como se diz: de boas intenções o inferno está cheio. A presidente Dilma Rousseff não teve - isso fica evidente no exame do contexto da declaração - o propósito de pregar a lógica da terra de ninguém em períodos de campanhas eleitorais.

"Se a gente está no exercício do mandato, temos que nos respeitar porque fomos eleitos pelo voto direto do povo brasileiro", disse a presidente durante encontro com prefeitos e o governador da Paraíba ao defender a idéia de que "desde o início do governo Lula" mudou a forma de relacionamento do governo federal com os partidos.

Segundo ela, o tratamento é igual para todas as administrações, independentemente de serem comandadas por governistas ou oposicionistas. Até aí, nada demais, a não ser o distanciamento da realidade pintada com cores mais leves do que na verdade se apresenta. No cotidiano, prefeitos e governadores não fazem declarações de caráter crítico na política justamente para não correrem o risco da retaliação política.

Há prestadores de serviços ao governo federal que recentemente foram sutilmente alertados de que não estavam sendo bem vistas tentativas de aproximação deles com a equipe do governador de Pernambuco Eduardo Campos, do PSB, por causa de possível candidatura à Presidência. Se tivesse parado na defesa de sua isenção, Dilma teria incorrido apenas no pecadilho da inverdade oratória. Mas a presidente resolveu dizer mais e aí contrariou a tese que acabara de defender e traiu o dever de, como governante, guardar a devida reverência às regras.

"Nós podemos fazer o diabo quando é hora de eleição", afirmou a presidente, talvez referida no exemplo de seu antecessor e criador, Luiz Inácio da Silva que, de fato, fez o diabo a quatro para elegê-la: usou o cargo, abusou da máquina, afrontou a Justiça Eleitoral e contrariou seu juramento de posse de prestar obediência à Constituição.

Queira o respeito devido à legalidade que a presidente da República não acredite que o que se viu durante a campanha de 2010 seja normal.

Em época de campanha os ânimos ficam acirrados, coisas são ditas com o único intuito de conquistar votos - a promessa do PT em 2002 de "mudar" a política econômica -, há mesmo certa liberalidade inerente ao ambiente de disputa.

Não podemos ir tanto ao mar, exigindo que se façam trocas de gentilezas entre adversários, mas tampouco devemos ir tanto à terra, imaginando que, porque há eleições, não há regras.

Dilma foi às chamas ao invocar o vale-tudo eleitoral contido nessa frase, em tudo e por tudo um palpite infeliz. E, do ponto de vista de quem vai disputar votos daqui a dois anos, até contraproducente, pois os adversários ou aliados ma non troppo, podem tomar a declaração ao pé da letra e se sentir no direito de "fazer o diabo" para tentar impedir a presidente de se reeleger.

Ontem já havia gente no PMDB anotando a frase no caderninho para mais adiante devolvê-la à presidente em caso de cobrança de fidelidade irrestrita.

Vai mal. Não há dor nas costas, excesso de trabalho nem pedido de desculpas por intermédio da assessoria de comunicação que justifique ou amenize a gravidade da atitude do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa.

Não quis nem ouvir a pergunta do repórter do Estado que, junto com outros profissionais o abordava em local público, sobre assunto de interesse público inerente à sua função de funcionário público: chamou o jornalista de "palhaço" e o mandou ir "chafurdar no lixo". É de se parafrasear Fernando Gabeira e indagar: o que é isso, excelência?

Tão festejado nas ruas, reconhecido pelo trabalho como relator no processo do mensalão, Joaquim Barbosa demonstra, assim, não estar à altura da notoriedade. Desqualifica o Supremo.

De Lacerda.edu para EduardoPaes.gov - ELIO GASPARI

O GLOBO - 06/03

O Eike Batista quer tirar proveito daquilo que a Lota previu: a ‘extrema leviandade dos poderes públicos’



Senhor prefeito do Rio de Janeiro,

Escrevo-lhe com autoridade: fui eu quem fiz o Aterro do Flamengo. Se não fosse a maluca da Lota Macedo Soares, miúdo vulcão de amor à cidade, aquilo seria um carrascal, parecido com as avenidas marginais dos rios de São Paulo. Foi ela quem concebeu a maravilha e eu quem pedi ao Instituto do Patrimônio Histórico, em 1964, que tombasse o parque. Tombado, não pode ter edificações adicionais que comprometam o seu espírito de área pública.

Aquela terra é do povo carioca. No governo do general Figueiredo, numa das tenebrosas transações da ditadura que ajudei a criar, ele transferiu a posse da área da Marina para a prefeitura do Rio e esta, concedeu-a a um grupo privado. Em bom português: surrupiaram um pedaço do parque. (De vez em quando vejo o Figueiredo por aqui. A Lota já tentou bater nele, mas o sujeito só conversa com cavalos.)

A “extrema leviandade” dos poderes públicos transformou a área da Marina num mafuá e agora o filho do Eliezer Batista, a respeito de quem nada digo, porque não se pode contar aí o que se ouve por cá, anuncia que pretende revitalizá-la.

Quer construir um shopping center (50 lojas), um estacionamento (600 vagas) e um centro de convenções com capacidade para 900 pessoas anexos ao Hotel Glória, que é dele. Sei da extensão dos poderes do moço e lastimo que o senhor esteja fora dessa discussão. (Sei também que circula com assessores que carregam numa sacola o projeto do doutor, defendendo-o.) O Iphan de Brasília teria dado um sinal verde preliminar ao projeto. A Lota, com sua fúria habitual, não entende como a presidente do Instituto, Jurema Machado, deixou a bola passar, pois numa reunião, há anos, lembrou que as obras, mesmo abaixo do nível do chão, poderiam impactar a intensidade do uso do parque. Há mais de vinte anos, conselheiros do Iphan usam a palavra “privatização” para condenar a velhacaria. Eu não gosto disso, porque tenho horror ao PT. O que não não devemos aceitar é que se tome ao povo um espaço que é dele, transformando-o num empreendimento comercial. O senhor sabe que o Rio precisa de centros de convenções. Sabe também que há um espaço reservado ao lado da estação da Leopoldina exatamente para isso. Sabe mais: que iniciativas desse tipo estimulam a revitalização de áreas degradadas, como fez Nova York com o Javits Center. O Aterro não está degradado, degradados estão os interesses que degradam-no.

O filho do Eliezer diz que fez um concurso internacional de arquitetura para escolher o projeto. O senhor acredita? Se o Iphan não defende o patrimônio da cidade, o senhor deve protegê-la. Basta zerar o velho cambalacho. Se o moço quer fazer uma marina, pode juntar-se à prefeitura. Esquece o centro de convenções, joga fora o estacionamento e põe as lojas no Hotel Glória. Peçamos a arquitetos de todo o mundo uma marina simples, pública.

Os mafuás erguidos no parque, e são muitos, nasceram do interesse predador de empresários amigos de presidentes, governadores e prefeitos. Eles são apenas espertos. Responsabilizá-los pela nossa leviandade é uma injustiça. Vá à luta. Defenda o parque que dei à cidade.

Saudações de um governante que amou o Rio, e é visto assim, mesmo por aqueles que o chamavam de Corvo.

Carlos Lacerda

Acorda, Planalto - MATIAS SPEKTOR

FOLHA DE SP - 06/03

A política externa, no quesito direitos humanos, tem sido um obstáculo à transformação do Brasil


A CRÍTICA mais improdutiva que se pode fazer à diplomacia de direitos humanos de Dilma é de cunho moralista. "Como assim o governo não condena os abusos cometidos em países como Sri Lanka e Cuba?!"

O esporte continuará em alta porque o Brasil acaba de ocupar assento no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, foro no qual, por motivos diversos, anda de mãos dadas com Zimbábue e Coreia do Norte.

Este artigo é para os leitores que não acreditam na moralidade como melhor guia para a diplomacia.

Esses leitores sabem que denunciar Cuba e Venezuela não mudará em nada o comportamento de seus governantes, mas dificultará a vida do Brasil na região.

Reconhecem que, sob a bandeira dos direitos humanos, países fortes avançam seus interesses geoestratégicos mais espúrios.

Esses leitores também são sensíveis ao fato de que a cleptocracia autoritária que governa Angola desde 1979 é boa aliada e excelente cliente do Brasil, gerando dilemas sem fácil resolução.

Não se surpreendem ao saber que Dilma, ao esboçar a mais tímida crítica ao regime de Bashar Assad, recebeu um pito do governo russo e pressões explícitas da comunidade sírio-libanesa de São Paulo.

Compreendem que, para alguns assessores presidenciais, a Comissão da Verdade seja uma contribuição suficiente aos direitos humanos.

Esses leitores não fustigam o governo por ter apelado para as bazucas quando um órgão internacional meteu o bedelho em Belo Monte, obra modificada para atender demandas de populações locais.

Contudo esse leitor não está satisfeito. Quer uma crítica inteligente e construtiva. Talvez fosse mais ou menos assim.

A política externa, no quesito direitos humanos, tem sido um obstáculo à transformação do Brasil em sociedade justa e de classe média.

Ou seja, a diplomacia de direitos humanos de Dilma atrapalha o projeto político da própria Dilma.

Como assim?

O Brasil é signatário de um arsenal de compromissos internacionais em direitos humanos, mas o governo os subaproveita ou simplesmente ignora. Muitas vezes trata-se de instrumental antipobreza.

O Brasil é um dos países mais inspecionados das Américas por observadores internacionais, mas seus relatórios ficam sem resposta e não informam as políticas públicas.

O Brasil reconhece a autoridade da Corte Interamericana de Direitos Humanos, mas, na prática, dificulta o acesso que a ela poderiam ter os cidadãos comuns. Se mudasse tal postura, Dilma permitiria à população pressionar os governadores responsáveis pelo tenebroso sistema prisional e pelas chacinas das polícias. Quiçá as mães de Carandiru até dormissem em paz.

Finalmente, neste governo há embaixadores que, para justificar as posturas brasileiras na matéria, usam os raciocínios cunhados pela ditadura militar. Para eles, um vigoroso pé no traseiro e o degredo.

É perfeitamente possível adotar uma diplomacia de direitos humanos progressista, benéfica à maioria da população e, ao mesmo tempo, livre de ingenuidade.

Acorda, Planalto.

O diabo está na reeleição - EDITORIAL O ESTADÃO

O Estado de S.Paulo - 06/03

É o que dá fazer-se passar pelo que não se é. A presidente Dilma Rousseff, de quem não se pode dizer que tenha a facilidade para se expressar entre os seus presumíveis atributos, tentou imitar o patrono Lula - imbatível em matéria de se comunicar com o grande público. Querendo dizer uma coisa, numa linguagem que não domina, acabou atropelada pelas próprias palavras. Em um comício em João Pessoa, a pretexto da entrega de um conjunto habitacional, a presidente pregou a civilidade política no trato com os adversários, quando se ocupa um cargo eletivo, em contraposição à crueza das batalhas eleitorais. No primeiro caso, "temos que nos respeitar, pois fomos eleitos pelo voto direto do povo", discursou. Já nas campanhas, "podemos brigar, podemos fazer o diabo".

Pode-se deduzir que ela se traiu ao legitimar o vale-tudo na disputa pelas urnas, quanto mais não fosse porque é assim que o seu mestre opera. Mas pode ser também que o diabo entrou na história apenas porque a discípula, diria aquele, "forçou a barra", na ânsia de ser coloquial e aparentar sintonia com o léxico de sua plateia. Prova disso, decerto, foi ela incluir o desfrute de "uma cervejinha" entre as alegrias de quem passa a morar em casa própria - puro Lula.

De todo modo, a questão de fundo é mais grave. Suponha-se que Dilma tivesse conseguido morder a língua a tempo, guardando-se de invocar o tinhoso e poupando-se de ganhar, pelo avesso, as manchetes da imprensa. Não faria a menor diferença para o fato de que, sob a batuta de Lula, o "presidente adjunto", na precisa qualificação do seu antecessor Fernando Henrique, ela faz o diabo para permanecer por mais quatro anos no Planalto.

Não é preciso ser o provável candidato presidencial da oposição, o senador Aécio Neves, para constatar que Dilma "não está de olho em 2013, mas na reeleição em 2014". Mesmo no Brasil, onde as campanhas começam na prática muito antes do que admitem as regras da Justiça Eleitoral, foi acintoso Lula lançar a recandidatura Dilma em fevereiro último, a um ano e sete meses do pleito. Desde que lhe passou a faixa, ele só desceu do palanque reeleitoral quando a saúde o impediu. Em seguida, tendo recebido alta, o adjunto precisou trabalhar em dobro para correr atrás dos prejuízos do desastroso governo da pupila, que, entre outras consequências, produziu o pibinho de 0,9% no ano passado. Orientou-a, de um lado, a ouvir as elites empresariais e, de outro, a circular pelo País para que o povo - o mesmo que aprova o seu desempenho, graças ao binômio emprego e renda, mas está pronto a cantar "Lula lá" a qualquer momento - não a perca de vista.

O que o eleitorado lulista-dilmista ainda não consegue vislumbrar é o nexo entre a absoluta prioridade dada pela dupla ao segundo mandato dela e a incontida sequência de desastres da atual gestão. A esta altura, para as parcelas mais bem informadas da população, já há de estar claro que estes descendem daquela em linha direta. Não é a incompetência que permeia o Executivo federal, a começar de sua titular, a causa primeira da disfuncional administração Dilma. A incompetência se dissemina pela estrutura do poder porque ela está infestada de quadros despreparados, que só ocupam os lugares com que foram aquinhoados para garantir em 2014 uma coligação eleitoral ainda mais enxundiosa, se possível, do que Lula montou para a apadrinhada em 2010. E pelo mesmo motivo, ainda que o quisesse, Dilma não se atreveria a empreender uma faxina técnica no governo.

Além disso, ela se especializou em tomar decisões eleitoreiras por atacado. É o caso, para citar apenas as mais recentes, da apregoada extinção da "miséria visível", no jargão oficial, para garantir a fidelidade do voto pobre. Ou a espantosa dispensa do conhecimento dos idiomas dos países onde pretendem estudar os candidatos do agigantado programa Ciência sem Fronteiras, para agregar à clientela eleitoral da presidente a classe média monoglota.

Dilma está pronta para tomar medidas populares a torto e a direito, indiferente ao efeito bumerangue de muitas delas. Já as outras, benéficas mais adiante, nem pensar. Ao diabo com o interesse nacional!

O chavismo sem Chávez - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 06/03

A morte de Hugo Chávez, após mais de um ano e meio de luta contra o câncer, deixa a Venezuela órfã do seu grande protagonista dos últimos 21 anos, se levarmos em conta a tentativa de golpe de 1992. Ele atropelou a velha política “das elites” e prometeu o paraíso à grande maioria de pobres de um país com uma das maiores reservas de petróleo do mundo e um de seus maiores exportadores. Populista, criou marcas só aparentemente inovadoras. Fez de Bolívar o grande inspirador da Revolução Bolivariana e chamou seu grandioso projeto de “socialismo do século XXI”.

Embora no velho figurino do caudilho latino-americano, ele acumulou poder a partir de uma nova e sibilina estratégia: usar as instituições democráticas para corroer a própria democracia. O chavismo é um regime autocrata que mantém aparências democráticas, enquanto funciona na prática como uma ditadura “constitucional”. Para isso, fez intervenções arbitrárias, como expurgos e nomeações no Judiciário, para domesticá-lo, e alterações na distribuição dos colégios eleitorais para que a oposição, mesmo com mais votos, não conquistasse a maioria das cadeiras no Legislativo. Neste sentido, faz lembrar a ditadura militar brasileira, em que havia troca de generais na presidência, mas sem qualquer possibilidade de ocorrer alternância de forças políticas no poder, como numa democracia de fato.

As instituições republicanas venezuelanas foram destroçadas pelo chavismo. A oposição, vítima de erros como o boicote às eleições de 2006, teve um bom momento nas eleições de outubro de 2012, quando Henrique Capriles obteve 45% dos votos, embora insuficientes para evitar nova vitória chavista.

O grande problema de regimes assim, autorreferenciados e personalistas, é justamente quando o chefe morre e entra em pauta a inevitável sucessão. O tratamento dispensado pela liderança chavista à doença do caudilho, confirmada em 10 de junho de 2011 pelo então chanceler Nicolás Maduro como um “abcesso pélvico”, assemelha-se ao que se passava na antiga URSS, quando o chefe do Partido Comunista tinha problemas de saúde. Caía uma “cortina de ferro” entre o enfermo e o resto do mundo, que dele só sabia através de comunicados oficiais que quase nada diziam.

O mesmo segredo cercou a volta de Chávez à Venezuela, na madrugada do dia 18 de fevereiro, após uma internação de 70 dias em Havana para a quarta cirurgia. O presidente anunciou o retorno pelo twitter e foi internado num hospital militar sob tanto mistério que muitos chegaram a duvidar de sua presença em solo venezuelano.

Foi essencial para seu projeto de poder o colchão de petrodólares inflado com a disparada do preço do hidrocarboneto. Quando assumiu de fato o poder, há 14 anos, o barril custava cerca de US$ 25. Nos últimos anos, mantém-se ao redor dos US$ 100. Com isto, pôde lançar um dos maiores projetos assistencialistas do mundo, com programas nas áreas de saúde, educação, habitação e transferência de renda, que de fato reduziram a pobreza, mas ficaram a dever na melhoria da qualidade de vida, além de ser apenas uma forma de assistencialismo demagógico, sem sustentação a longo prazo. Prova disto é que a insegurança se tornou a maior causa de preocupação popular, e a capital, Caracas, uma das cidades mais violentas do mundo. Mas o assistencialismo assegurou-lhe imensa popularidade.

Os petrodólares permitiram-lhe, também, a projeção externa de seu projeto. A partir da visão míope, maniqueísta, de que o mundo é dividido entre o “império” (os EUA) e os demais países, ele comandou uma frente antiamericana anacrônica, tendo como modelo Cuba, e discípulos, Bolívia, Equador, Nicarágua, além de influenciar a Argentina kirchnerista. Teve a amizade do Brasil lulopetista, da Rússia, do Irã. E a simpatia de Dilma Rousseff, essencial para sua entrada no Mercosul numa manobra conduzida por Brasília em associação com a Casa Rosada. Nunca deixou, porém, de vender petróleo ao “império”, além de abastecer Cuba em condições camaradas.

O “novo” socialismo não dispensa conceitos ultrapassados. O chavismo produziu uma estatização em massa das empresas venezuelanas, com resultados desastrosos na produtividade, estímulo à fuga de investimentos estrangeiros e recursos dos próprios venezuelanos para o exterior. A economia passou a depender ainda mais do petróleo. A estatal PDVSA foi transformada em cabide de empregos, além de funcionar como caixa dos projetos do governo. Descapitalizou-se, e a produção despencou. Os desequilíbrios na economia produziram alta inflação, de 23,2% em 2012, segundo o FMI, que projeta 28,8% para este ano. O recurso ao controle de preços levou ao desabastecimento. A infraestrutura sofre com a falta de investimentos e a população, com os frequentes apagões.

Uma das piores heranças do caudilho, ao lado da supressão da liberdade de expressão, é uma economia em frangalhos. Ele ainda se encontrava internado em Havana quando a Venezuela executou sua décima desvalorização cambial desde 1983, uma década antes do chavismo, de pouco mais de 30%. Apenas no período de Chávez as desvalorizações somaram 992%.

O governo fez o possível a fim de retardar mais esta alteração cambial, empurrá-la para o mais distante possível do período eleitoral, de que Chávez saiu vitorioso, com mais um mandato. Explica-se: a cada desvalorização da moeda nacional, o “bolívar forte”, adjetivo irônico, as importações ficam mais caras. E como o país é importador maciço de quase tudo — graças à desarticulação do parque produtivo causada pelas expropriações chavistas de empresas privadas — o impacto na inflação não seria desprezível. E não será.

Mas a desvalorização ajuda as desequilibradas contas públicas, pois aumenta a arrecadação de impostos que incidem sobre o petróleo, cujo preço sobe na moeda nacional. A contrapartida, entretanto, é a inflação, também alimentada pela gastança desenfreada para facilitar a reeleição do caudilho, em outubro: as despesas públicas subiram 52% e a emissão total, 62%. Todos são ingredientes infalíveis no estímulo à alta dos preços. Algo como jogar um fósforo aceso no palheiro.

O que será do chavismo sem Chávez e no aguçamento da crise econômica? Não se pode descartar uma luta pelo seu espólio entre os mais próximos seguidores, como o vice-presidente Nicolás Maduro e Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional e ex-companheiro de armas do ditador. Para adiar o desfecho, Maduro e Cabello, ouvido o governo cubano, fizeram letra morta da Constituição, que marcava a nova posse de Chávez para 10 de janeiro. O argumento era de que, entubado ou não, ele continuava governando. Mas, sempre que um autocrata morre, o regime que o representa paga um preço: faltam instituições democráticas que patrocinem a sucessão de forma natural, sem turbulências. Qual será o custo de tudo isso ainda se saberá.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Quem pode ser favorável à tentativa de censurar a imprensa?”
Deputado Lucio Vieira Lima (PMDB-BA), dando nome ao “controle social da mídia”


CAMPOS ANTECIPA CAMPANHA EM VISITAS AO SUDESTE

Entrando no clima de antecipação da campanha para presidente, que chegou a criticar, o governador pernambucano Eduardo Campos (PSB) planeja percorrer, nos próximos meses, os maiores colégios eleitorais do país: Rio de Janeiro, São Paulo e Minas, o “Triângulo das Bermudas”. Ele também vai a seminários sobre desenvolvimento e encontros regionais do PSB. Gasto público e boa gestão serão motes da campanha.

RECORDAR É VIVER

O PSB vai usar os programas de rádio e tevê, que vão ao ar em abril, para resgatar a história da sigla e lançar Campos como estrela.

ONDA 40

Para o líder Beto Albuquerque, 95% do PSB querem Campos em 2014: “Não somos ‘antiLula’ nem ‘antiDilma’, só pensamos o futuro”.

RECALCULANDO A ROTA

O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), ofereceu o Conselho de Ética ao PDT, mas PSD e PTB vetam a indicação.

PENSANDO BEM...

...Dilma pegou no SUS o diagnóstico do Brasil “sem pneumonia” com a crise internacional.

ACUSADO DE ASSÉDIO MORAL É MARAJÁ NO ITAMARATY

Recebendo R$ 42.139,29 por mês dos cofres públicos e listado entre os supersalários do Itamaraty, o embaixador Américo Fontenelle deveria tratar melhor os subordinados. Mas é acusado de assédio moral, por insultar e humilhar funcionários no consulado em Sidney (Austrália), como em Toronto (Canadá). Há queixas idênticas em vários consulados. O de Barcelona (Espanha) pode ser o próximo na lista.

PRA FRANCÊS VER

O canal France 24 exibiu longa incursão no tráfico do Rio, mostrando que o Comando Vermelho se reorganiza em favelas “pacificadas”.

NOVA DIREÇÃO

O diplomata Leonardo Sotero Caio foi convidado pelo senador Renan Calheiros para a diretoria de Relações Internacionais do Senado.

LINCOLN 51

Além de ex-presidente americano pirata e presidente emérito do Brasil, Lula agora também é candidato a presidente adjunto, em 2014.

LIÇÃO DE GEOGRAFIA

Dois mandatos após o nordestino Lula, Dilma afirma que o Nordeste ficou “esquecido”. Na campanha, explicou que em Vidas Secas, Graciliano Ramos falou da saídas de nordestinos para o Brasil (sic)”.

GELO SECO

Nem a CUT crê nos números manipulados pelo IBGE: pede hoje em Brasília a redução da jornada de trabalho por “mais empregos”, sacando números do Dieese com o baixo valor da hora trabalhada.

PAGANDO O PATO

O presidente do Senado paga um pato que não é dele: opositores e até aliados demitem assessores de cargos comissionados, inclusive para substituí-los, alegando que “Renan Calheiros mandou” ou “pediu”.

SEM COBERTURA

O secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Sergio Côrtes, frequenta alegremente a balada nas noites cariocas, mas já não exibe o guardanapo em forma de asa Delta cobrindo-lhe a calva.

OLHO NO CARGO

Partidos governistas já estão de olho no Ministério do Desenvolvimento Industrial e Comércio Exterior, certos de que atual ministro Fernando Pimentel (PT) deverá sair candidato ao governo de Minas, em 2014.

LINDBERGH 2014

O ex-presidente Lula avaliou, com petistas, que é “legítima” candidatura do senador Lindbergh Farias (PT) ao governo do Rio contra o vice-governador Luiz Pezão (PMDB). Sérgio Cabral que se cuide.

UM PARTO

Laboratórios se queixaram a Dilma sobre um demorado órgão do Ministério da Saúde chamado Conitec. Leva até nove meses para aprovar um novo medicamento já liberado para uso pela Anvisa.

MUSCULATURA

Carlos Araújo, ex-marido de Dilma, o ex-governador Alceu Collares (RS) e o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, estão empenhados em conduzir o ministro Brizola Neto (Trabalho) ao comando do PDT.

PENSANDO BEM...

...finalmente, ontem, Chávez estava Maduro para morrer.


PODER SEM PUDOR

O PRIMEIRO MILAGRE DE LULA

Ramez Tebet acabara de receber Lula, então presidente eleito, na entrada do gabinete da presidência do Senado. Amassos de todo lado, multidão se espremendo para ver o petista, câmeras de TV, flashes espoucando, empurra daqui, empurra dali. Lula finalmente chega ao gabinete, coalhado de políticos. Um deles, o ex-governador da Paraíba Ronaldo Cunha Lima (PMDB), num esforço muito grande, conseguiu se levantar da cadeira de rodas que usava. Queria cumprimentar Lula de pé. O senador Ney Suassuna (PMDB-PB) percebe e toma um susto:

- Ronaldo, você está andando?!!

QUARTA NOS JORNAIS



Globo: A morte de Chávez – Encruzilhada venezuelana
Folha: Câncer mata Hugo Chávez, líder populista da Venezuela
Estadão: Morre Chávez e Exército dá apoio ao vice da Venezuela
Correio: Morte de Chávez abre caminho para a sucessão num país dividido e em crise – O fim de uma era
Valor: Investidor externo prefere as ações do ‘Brasil Novo’
Estado de Minas: Saudáveis, só no rótulo
Jornal do Commercio: Câncer mata Hugo Chávez
Zero Hora: A morte de Chávez

terça-feira, março 05, 2013

DIRETO DO INFERNO: O Diabo mostra com exclusividade...


DIRETO DO INFERNO: 


O Diabo mostra com exclusividade para o blog, a 


fornalha onde o canalha Chaves vai arder.

Segundo explicou o Diabo, a fornalha já está ligada na 


temperatura máxima.


CHAVES VAI PARA INFERNO!

MORREU UM VAGABUNDO!

O BLOG COMEMORA!

O INFERNO NÃO PODE ESPERAR!

TE CUIDA LULA, A FILA COMEÇOU A ANDAR

PIB da Copa - ANCELMO GOIS


O GLOBO - 05/03

Estão sendo recrutados 400 motoristas bilíngues para trabalhar, durante a Copa das Confederações, nas cidades sedes (Rio, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Recife e Salvador).

Segue...
Esta frota de carros de luxo vai ser usada, em grande parte, por turistas de 78 países, que virão pelo Programa de Hospitalidade , espaços vips vendidos pela Fifa.

Por falar...
O governo brasileiro ainda não engoliu as palavras de Thierry Weil, diretor de marketing da Fifa.

Na semana passada, em Fortaleza, com patrocinadores, ele malhou a organização da Copa. Disse que estava tudo atrasado.

Golpe no Rio
Veja como o destino do Rio está sendo, em grande parte, jogado hoje em Brasília.

Pela última conta que chegou à mesa de Cabral, uma eventual derrubada do veto de Dilma à lei dos royalties provoca uma perda de uns R$ 4 bilhões para o estado e municípios fluminenses este ano.

Em resumo
O Rio perde R$ 1,64 bilhão em 2013 e R$ 26,7 bi entre 2014 e 2020.

Já os municípios perdem R$ 2,4 bilhões este ano e R$ 32,6 bi entre 2014 e 2020.

Libera, Dilma
Dilma, em seu discurso, sexta, na inauguração do Museu de Arte do Rio, na Praça Mauá, contou que esteve presa, no início de 1971, no prédio ao lado, onde funciona a Polícia Federal.

Foi a deixa para Eduardo Paes pedir a ela, depois, a cessão do prédio da PF para a prefeitura.

Segue...
O prédio, que ocupa quase um quarteirão, poderá se transformar numa praça ou ter um destino mais condizente com o Porto Maravilha.

Análise de conjuntura
O ministro Guido Mantega se reúne, amanhã, em Brasília, com os presidentes de seis confederações patronais: Robson Andrade (indústria), Kátia Abreu (agricultura), Antonio Oliveira Santos (comércio), Luiz Trabuco (instituições financeiras), Clésio Andrade (transportes) e José Carlos Abrahão (serviços).

Dilma com Cristina
Dilma estará em El Calafate, terra dos Kirchner, na Patagônia, na quinta-feira agora.

Outro lado
Antonio Grassi, da Funarte, sai em defesa de Antônio Gilberto, diretor da casa, acusado de favorecer José Mauro Brant para gerir o Teatro Dulcina:

- A escolha foi feita por cinco pessoas, sendo três delas de fora. Desabilitar os profissionais que têm relação com Gilberto seria dispensar grande parte dos concorrentes.