domingo, fevereiro 24, 2013

Sonháticos e performáticos na Rede - GAUDÊNCIO TORQUATO

O Estado de S.Paulo 24/02


O leitor pode enxergar excesso na comparação, mas a carga litúrgica que embalou a recém-lançada Rede Sustentabilidade (quantos sabem o significado desse termo, 3%?) dá a entender que a ex-ministra Marina Silva, ao tentar imprimir diferenciação ao seu movimento, organiza um modelo mais assemelhado à religião que a um ente político. A começar pelo tratamento com que correligionários a saúdam - "a missionária" -, passando pela semântica seletiva que abriga proibições e tempo de exercício de mandatos, culminando com a estética de véus coloridos que animaram uma tribo disposta a marcar contraste "entre nós e eles".

O termo tribo, usado aqui de maneira proposital, vem ao encontro do eco dos "povos da floresta", cerne da mensagem marineira e, por conseguinte, do discurso da sustentabilidade, servindo ao propósito dos fundadores da Rede de fixar identidade asséptica, limpa de impurezas da velha política e longe de tramoias que se leem na cartilha do espectro partidário. Não há dúvida que o partido de Marina (ops, a Rede) sairá do papel, não devendo surgir dificuldades para alcançar as 500 mil assinaturas necessárias para a legalização. A estética de "santa" - vestimenta comedida, cabelos trançados à moda de nossas tataravós, fio de voz agudo e marcante - funciona como logomarca a puxar a lista de sonháticos, os aderentes da nova igreja.

Considere-se ainda a poderosa cadeia que se cria a partir do nome Rede Sustentabilidade, cujas pistas apontam para a inserção de segmentos jovens sob o empuxo da mensagem de segurança ambiental, eixo atual do discurso das nações e com eco nas frentes sociais. Nesse sentido, não se pode duvidar que o marketing ecológico reforçará os fios dessa teia. A questão é sobre a eficácia do novo ator. A meta de um partido é alcançar o poder. O mestre Aristóteles ensinava que a política é a ciência mais suprema e sua missão é investigar a melhor forma de governo e instalar as instituições capazes de garantir a felicidade coletiva. Para tanto precisam dos meios. Os sonháticos de Marina chegarão um dia ao poder nestas plagas? Negar tal possibilidade é não acreditar na dinâmica social brasileira, na capacidade de uma ex-seringueira chegar ao topo do poder e, mesmo, na mobilização de grupos organizados para dar vida a um partido. Nosso passado recente demonstra que todas as alternativas são possíveis. A ascensão do ex-metalúrgico Lula ao pódio do poder que o diga. Para chegar ao topo, porém, a seita vai carecer de meios.

Os obstáculos dizem respeito às condicionantes adotadas pela Rede, a começar de "transparência e visibilidade" e do "processo de depuração por constrangimento ético daqueles que não estão de acordo com esse tipo de procedimento". Se um político ficha-suja entrar na legenda, será constrangido a deixá-la. O partido se encarregará de fazer a rejeição. Interessante observar que o banho de ética pregado pela ex-senadora se assemelha ao que o PT defendia quando de sua criação, há três décadas. A assepsia também se faz presente no limite para doação de pessoas físicas e jurídicas, na proibição de doações por empresas de tabaco, álcool, agrotóxicos e armas, e até em decisões polêmicas como a limitação de mandatos. A proposta é que o prazo máximo de um mandato seja de 16 anos, equivalente a dois períodos de senador.

O escopo marineiro, convenhamos, reveste-se de um tecido ético que condiz com o histórico dessa ambientalista e evangélica que se alfabetizou no Acre aos 16 anos de idade. O desafio é ter de sujeitar o novo ente aos procedimentos que regulam as relações políticas sem deixá-lo correr na via esburacada de práticas que alimentam o cotidiano da nossa democracia representativa.

Os partidos políticos no Brasil tornaram-se homogêneos na planilha de compromissos e na forma de fazer política. O eleitorado não consegue estabelecer diferenças entre eles. Em 2002, por ocasião da campanha vitoriosa do PT, era possível divisar a clivagem governo x oposição. Quatro anos mais tarde, tal distinção desapareceu, a demonstrar a equalização partidária. A Rede de Maria Osmarina Silva de Souza (o apelido Marina ganhou de uma tia) tende a ser arrastada pela pororoca que devasta a esfera política, jogando todas as agremiações na mesma praia. A Realpolitik acaba modelando a fisionomia de um partido. Todos os partidos, sem exceção, se submetem aos raios de sol da política como ela é. Principalmente quando se trata de uma organização que sinaliza desapreço pelas regras do jogo.

Marina diz, por exemplo, que a Rede não será de esquerda nem de direita, tampouco situação ou oposição. Trata-se de ode a um ponto vago no espaço. Não combina tal peroração com os valores centrais de um partido, que tem como finalidade interpretar e defender parcela do pensamento social. Ao se dizer contrário ou favorável ao casamento entre pessoas do mesmo sexo ou ao aborto de anencéfalos, um partido toma posição, dizendo-se a favor disso ou contra aquilo. Nessa perspectiva, o discurso da candidata a presidente da República que obteve quase 20 milhões de votos deixa a desejar.

Por mais que se enalteça o conjunto de virtudes que impregnam a história e o perfil de Marina Silva, não escapa à análise o clima espetaculoso que cercou o lançamento do movimento, a comprovar que os sonháticos podem condenar a cultura de massas, mas dela se valem para dar visibilidade às suas ações. Todos os ingredientes do Estado-espetáculo ali se fizeram presentes. Celebridades desceram do Olimpo para prestigiar a nova entidade, ao lado de dândis, os performáticos, aqueles que praticam o culto de si mesmos. Donde se conclui que as duas categorias de Umberto Eco, os apocalípticos (que rechaçam a cultura de massa) e os integrados (que nela veem avanços civilizatórios), se deitam lado a lado na Rede de Marina, a "missionária amazônica do meio ambiente".

Um pobre começo - JANIO DE FREITAS

FOLHA DE SP - 24/02

Aécio Neves enfraqueceu-se muito; Eduardo Campos alimenta o noticiário criado em torno do seu nome


A semana política teve a sua graça, com o teatrinho mambembe do senador Aécio Neves e do governador pernambucano Eduardo Campos. O primeiro pôs a cabeça para fora do armário, pressionado a fazer um discurso que deveria projetá-lo à liderança da oposição. O outro quis entrar no armário, para diminuir as atenções postas em sua alegada pretensão presidencial.

Aécio Neves apoiou sua "denúncia" dos "13 erros" do governo petista na ideia de que "quem governa o Brasil é a lógica da reeleição". Muito bem visto. Com toda a certeza, Dilma Rousseff não governa com a lógica da derrota eleitoral. No que tem o exemplo deixado por todos os políticos. E, em particular, por um certo Aécio Neves no governo de Minas, que chegou até a espalhar no Estado placas de autopromoção em obras devidas ao governo federal. A queixa federal não deu resultado, mas a propaganda do então governador deu.

Desde o ano passado Fernando Henrique Cardoso e Sérgio Guerra, presidente do PSDB, insistiam com Aécio Neves, inclusive publicamente, para assumir o encargo de falar ao país pela oposição. Insistência duplamente justificada, por ser no partido o único possível candidato a presidente e pela oportuna ausência de liderança na oposição. Mas, se os erros e deficiências dos dois governos petistas fossem só os que Aécio Neves encontrou, para afinal lançar a pretendida liderança oposicionista, não haveria mesmo por que fazer oposição.

A crítica de maior alcance produzida por Aécio Neves, como uma síntese de todas, ficou na afirmação de que "tivemos um biênio perdido" (2011-12). Perdido por quem? Não por aqueles milhões que, não tendo emprego antes e não sendo herdeiros, obtiveram trabalho, salário, carteira assinada na redução do desemprego a históricos 4,4%. Também não por aqueles que, dizem os jornais apesar de si mesmos, entraram na classe média. Muito menos pelos resgatados de carências opressoras por programas assistenciais, pelas cotas universitárias, as oportunidades de consumo, e o mais que Aécio Neves sabe.

Eduardo Campos protegeu sua coerência com a criação de um neologismo: reclamou de "se eleitorizar" tanto e tão cedo a política. E tratou de se eleitorizar ali mesmo, em discurso para cerca de 200 prefeitos e sob os brados de "presidente! presidente!"

Seu discurso se eleitorizando tinha que ser crítico ao governo, do qual Eduardo Campos e o seu PSB são "aliados": "A população está preocupada com um Brasil que não cresceu como se esperava". Só se fosse a população pernambucana, mas nem ela, ao que se saiba fora de Pernambuco e conste sobre o governo de Eduardo Campos, no mínimo mediano.

Preocupados aparentam estar uma corrente empresarial e os economistas do mercado. Mas, se confrontados os seus ganhos e as tais preocupações, pode-se desconfiar (ou mais do que isso) de uma onda bem arranjada para extrair do governo sempre mais vantagens. E o fato é que o governo as tem concedido sem cessar.

Aécio Neves e Eduardo Campos não foram suficientes para evitar a atribuição a Lula e Dilma do lançamento da disputa sucessória. Para isso, bastou que Lula brindasse os petistas, na sua festa, com um "vamos reeleger Dilma!". Quem precipitou essa historiada de sucessão foi, de fato, a imprensa, a partir do blablablá de Lula candidato. Na realidade, Aécio Neves enfraqueceu-se muito; Eduardo Campos alimenta o noticiário criado em torno do seu nome, mas ainda não criou fatos que substituam a artificialidade; e Dilma, como sua Minas, está onde sempre esteve. Ou seja: a rigor, por ora nada de novo.

Vai um cafezinho aí? - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 24/02

BRASÍLIA - Imagino o que você, médico (a), engenheiro (a), professor (a) ou arquiteto (a) do serviço público, por concurso, sente ao saber que, no Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), funcionários com o quarto ano do ensino fundamental podem receber até R$ 12.820,51 e os de nível médio, até R$ 19.115,36.

Não sabia? Pois fique sabendo. A mamata é resultado de uma lei local promulgada em 2 de janeiro, pela qual mais da metade dos servidores do tribunal pode ganhar igual aos ministros do Supremo e à presidente da República.

Mas o pior é o que devem sentir os aposentados do INSS. Ou os que pagam impostos -e, portanto, os salários do serviço público. Ou, pior ainda, a grande maioria de brasileiros que não têm alternativa senão recorrer a hospitais e escolas públicas, onde jogam sua vida e o destino dos seus filhos nas mãos de profissionais muitas vezes esfolados por baixas remunerações, altas responsabilidades e estímulo zero.

Em vez de atender pacientes, que tal servir cafezinho? Com todo o respeito a copeiras, ascensoristas, porteiros e motoristas, não parece justo que eles, com o ensino fundamental, ganhem duas, três, quatro vezes mais do que quem ralou no ensino médio, no ensino superior, às vezes até com mestrado ou doutorado, e também trabalha no Executivo, no Legislativo ou no Judiciário.

Alguma coisa está errada, em meio a tanta coisa que continua tão errada. Mas, nesse caso, com uma particularidade que oscila entre ironia e deboche: os Tribunais de Contas, como o próprio nome já diz, existem exatamente para zelar pelo bom uso do dinheiro público e apontar desperdícios e superfaturamentos.

Se um Tribunal de Contas é o primeiro a dar mau exemplo, a garantir desperdício e a permitir superfaturamento de salários pagos pelo público, a quem se queixar?

"Ao papa!", dirão os empanturrados de ira e descrença. Mas nem isso. O papa renunciou, lembra?

O jogo em Minas Gerais - DENISE ROTHENBURG


CORREIRO BRAZILIENSE - 24/02

Da mesma forma que o pré-candidato do PSDB à Presidência da República, senador Aécio Neves, tenta quebrar a aliança que Lula construiu em torno de Dilma Rousseff, a presidente Dilma busca formas de arrefecer a largada do tucano em Minas Gerais. Ela tem plena consciência, hoje, de que só assim terá uma campanha mais confortável daqui a um ano e meio e, antes mesmo do discurso de Aécio da última quarta-feira, em que ele listou o que considera as mazelas do governo petista, ela já se dedicava a essa tarefa.

Um dos primeiros sinais desse movimento de Dilma foi dado na conversa com a cúpula do PR, quando discutiu o reingresso do partido no governo. Primeiro, a presidente sugeriu que o PR ficasse com o Ministério dos Transportes e levantou a hipótese de o ministro Paulo Sérgio Passos receber status de nome indicado pelo partido. O PR, obviamente, aceitou de bom grado o Ministério, mas descartou a permanência do atual ministro. Foi então que Dilma, muito delicadamente, perguntou se havia algum nome de Minas Gerais que o partido pudesse lhe apresentar.

O gesto não deixa dúvidas: a presidente fará o que estiver ao seu alcance para tentar reduzir a vantagem de Aécio entre os mineiros. E vai começar pela tentativa de lhe tirar potenciais aliados, caso do PR.

Obviamente, o governo jamais admitirá o uso minirreforma ministerial para segurar ao seu lado políticos simpáticos ao senador Aécio. Afinal, o PR estava há tempos disposto a retomar o seu lugar na base do governo federal. O mesmo raciocínio vale para o PMDB de Minas Gerais. Cansados de esperar a recompensa pelo apoio a Patrus Ananias na eleição de Belo Horizonte, os peemedebistas se aproximaram do PSDB de Aécio e do governador Antonio Anastasia. Agora, receberam acenos do governo da mesma forma que o PR.

Para contemplar o PMDB de Minas no primeiro escalão, talvez Dilma tenha que adiar o projeto de levar o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP) para o governo ainda este ano. Afinal, os peemedebistas de São Paulo têm a vice-presidência da República, com Michel Temer. A decisão, entretanto, não está tomada.

Enquanto isso, em São Paulo…

Daqui para frente, tudo o que for feito será com um olho no governo e outro na eleição de 2014. Nessa seara, entretanto, é de se estranhar a quietude dos petistas em relação ao governo de São Paulo. Há um elenco de pré-candidatos discretíssimos. Especialmente os ministros Aloizio Mercadante, da Educação; Alexandre Padilha, da Saúde; Marta Suplicy, da Cultura; e José Eduardo Cardozo, da Justiça.

O comportamento deles difere totalmente daquele adotado no plano nacional, onde a campanha começou cedo. Essa discrição toda é porque, como diz o ditado, gato escaldado tem medo de água fria. Ninguém quer se expor demais e terminar sendo constrangido a desistir da empreitada porque o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu outro nome, como ocorreu na sucessão paulistana. Ali, vários petistas se apresentaram para disputar uma prévia e Lula mandou que acabassem com a história porque o candidato seria Fernando Haddad. Antes que se diga que o partido não se movimenta porque existe a perspectiva de entregar a cabeça de chapa ao PMDB, vale registrar que os petistas paulistas rechaçam essa ideia . Eles acreditam que, se levaram a prefeitura com Haddad, podem perfeitamente tirar Geraldo Alckmin do governo. Basta, para isso, que o prefeito mostre serviço até a eleição estadual.

Em outras praças, entretanto, o PT não adota a mesma postura dos paulistas. No Rio de Janeiro, o partido já começou a trabalhar a campanha de Lindebergh Farias. Em Minas, a perspectiva é que o candidato seja o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel. Dos três maiores colégios eleitorais, só falta São Paulo.

Semana de vaias e ofensas - PERCIVAL PUGGINA

ZERO HORA 24/02
Resulta inevitável denunciar o caráter totalitário, antidemocrático e fascista dessa fraternidade

Já me defrontei várias vezes com alguns desses cãezinhos que, embora aparentemente apenas barulhentos, a qualquer descuido te atacam os calcanhares. Lembrei-me deles ao assistir as manifestações que militantes do PT e do PC do B prepararam para recepcionar Yoani Sánchez em sua visita a algumas capitais brasileiras. Latiam palavras de ordem e só não morderam a senhora porque não sairia bem nas fotos.
Essas manifestações correspondem ao que foi previamente denunciado pela revista Veja: a embaixada de Cuba organizou, dias atrás, reunião com representantes dos dois partidos mencionados. Nesse encontro, visando a preparar essas manifestações através das redes sociais, foram distribuídos CDs com informes sobre a visitante. A reunião de fato ocorreu e o Planalto confirmou o inimaginável: um membro da equipe do ministro Gilberto Carvalho foi convidado e compareceu! A embaixada de Cuba proporcionou mais uma demonstração de que continua tratando o Brasil como quintal de Fidel Castro. Há uma boa lista de precedentes.
Tenho grande dificuldade de compreender como Yoani Sánchez consegue fazer o que faz em Cuba. A personagem não se encaixa no bom conhecimento que tenho da situação cubana. Quando colocada diante dessa perplexidade, ela explica que se tornou demasiadamente conhecida para que as autoridades atuem com rigor contra ela. A resposta é quase satisfatória, mas tropeça na segunda pergunta: como foi que ela, desconhecida, conseguiu afrontar as barreiras do sistema repressivo até ganhar, de fato, grande notoriedade? Por dever de consciência, digo aos leitores o que sei e não vou além porque não me exponho ao risco de cometer injustiça. Meu tema, aliás, é outro. Tomarei Yoani Sánchez pelo que diz ser, a embaixada de Cuba pelo que organizou e os manifestantes pelo que são. Nessa perspectiva, resulta inevitável denunciar o caráter totalitário, antidemocrático e fascista dessa fraternidade ideológica e partidária organizada em matilha no Foro de São Paulo. Mordem quem se atreve a divergir deles. E mordem quem diz que eles fazem isso. Depois, dormem tranquilos, recostados no travesseiro de pedra de suas consciências.
Eis por que, leitores, tanto me interesso pela questão cubana. Cuba não é apenas um museu da arqueologia política, onde ainda passeiam como senhores da terra os dinossauros do totalitarismo comunista. Ela é, também, nas opiniões que se emitem aqui sobre o regime lá incrustado, um excelente filtro para identificar muitos charlatães da democracia. Dize-me a quem vaias e dir-te-ei quem és.

***

A generosa renúncia da Bento XVI abriu sinal verde, manchetes e microfones para os inimigos ideológicos da Igreja. Eles aprenderam, na lida da Agitprop (fração do Comitê Central do PC soviético para agitação e propaganda internacional), que suas ideias não avançaram no oeste da Europa e na América por afrontarem os consolidados valores cristãos da população. Então, cheirando a enxofre, atacam a Igreja Católica por dentro e por fora. Mas não prevalecerão contra ela! A renúncia abriu tráfego e mídia, também, para os devotos da religião do non credo. Cruzes! O mundo quase acabou onde influenciaram o poder! Mas investem, arrogante e desrespeitosamente, sobre a fé do povo simples. Fé, também, dos mais sábios dentre os sábios. Dize-me a quem ofendes e dir-te-ei quem és.

Segundo round - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 24/02

A disputa pela vaga de Carlos Ayres Britto no Supremo Tribunal Federal entre Heleno Torres e Humberto Ávila virou uma guerra nos bastidores. O Palácio do Planalto brecou a escolha diante da informação de que os dois travaram "batalha sangrenta" em 2010 e 2011 por uma cadeira da Faculdade de Direito da USP. Torres conseguiu anular o concurso vencido por Ávila. Diante de sinais de revanche em curso, interlocutores dizem que Dilma Rousseff pode escolher um "tertius".

Dossiês
Aliados de Heleno Torres atribuem ao desafeto Ávila a tentativa de queimar o advogado pernambucano sob a justificativa de que ele é muito próximo do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, que enfrentou desgaste por conta da Operação Porto Seguro.

Medida certa
Logo que desembarcou em Malabo, na Guiné Equatorial, Dilma chamou a atenção dos jornalistas, que perguntaram se ela havia perdido peso. "Ela fechou a boca" após a lesão no pé direito, confirmou a ministra Helena Chagas (Secom).

1 + 1
Em conversa com Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) na sexta, Lula disse estar convicto de que Dilma terá melhor desempenho em 2014 que na primeira eleição. Segundo o ex-presidente, em 2010 o resultado foi muito atribuído a ele. Agora, seria uma soma de ambos.

Narrativa
O petista disse ainda que "direita radical'' tentou intrigá-lo com a aliada no começo do governo, como se ela tivesse conquistado a classe média avessa a Lula. "A intriga não prosperou, e ela ficou com o patrimônio de Lula e com esse novo", reproduz o presidente da Câmara.

Lado B
Já aliados do governador e presidenciável Eduardo Campos fazem leitura inversa: acham que, ao lançar a campanha da reeleição com a mesma antecedência da de 2010, o PT mostra que a articulação em torno da presidente ainda é frágil.

Sonho meu 
Decidida a contemplar Minas Gerais na reforma ministerial, a presidente gostaria que a vaga fosse para Josué Gomes da Silva. Filho de José Alencar, que foi vice de Lula, o empresário é sondado para se filiar ao PMDB desde o ano passado.

Vida...
O governo investiga rota de tráfico de pessoas, principalmente travestis e transexuais, da Paraíba para a Itália. É a segunda operação desde que a novela global "Salve Jorge" passou a abordar o tema. A primeira quadrilha agia na Espanha.

... real
Funcionários dos ministérios da Justiça e das Relações Exteriores e das secretarias de Mulheres e Direitos Humanos embarcam hoje para Roma para reuniões com autoridades italianas.

Wi-fi
Geraldo Alckmin passou a usar mais o Twitter para divulgar suas ações. Pediu a assessores que abasteçam páginas oficiais com boletins de inaugurações. Anteontem, posou para foto com a blogueira Yoani Sánchez.

Quilometragem
O governador monitora os passos dos secretários, de quem exigiu que ponham o pé na estrada em ano pré-eleitoral. Na última semana, registrou: sete deles viajaram pelo interior, atendendo 262 prefeitos.

Bunker 1 
Funcionará na Secretaria de Segurança Pública, no centro de São Paulo, a agência de ação integrada dos governos paulistas e federal no combate ao crime organizado. O prédio passa por reforma para abrigar o QG.

Bunker 2
Em reunião reservada, na quinta-feira, o secretário Fernando Grella e o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) definiram detalhes da atuação do grupo, que será coordenado pelo promotor Fábio Bechara.

Tiroteio

Junte-se algum estrategista Jim Jones e a relação romântica que o PT ainda vive com a Revolução Cubana e temos esse tiro no pé.
DO EX-DEPUTADO FERNANDO GABEIRA (PV-RJ) sobre a repercussão dos protestos contra a blogueira Yoani Sánchez insuflados por petistas e aliados.

Contraponto


Vai por mim

Em jantar há 15 dias no Rio, José Dirceu ouvia comentários de amigos sobre o anúncio de que o ator José de Abreu gostaria de se candidatar a uma vaga de deputado federal pelo PT do Rio. Enquanto os demais brindavam, o ex-ministro manteve a expressão séria e preocupada com o destino do amigo e comentou:

-Eu disse para ele que voto não é fácil. Não se encontra voto em árvores.

Diante da surpresa dos convidados, desabafou:

-Eu disse mais: a política não é feita de caminhos, a política é feita de descaminhos.

Apagão olímpico - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 24/02

Irritação no Planalto com o presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto. Ele decidiu retirar o apoio da empresa ao basquete olímpico brasileiro. Quando a presidente Dilma anunciou o Plano Brasil Medalhas, de R$ 1 bi, para apoiar os atletas olímpicos, 50% dos recursos sairiam da União, e o restante, das estatais. A medalha de prata Hortência já fez reclamação formal.

Os próximos passos de Aécio
Mesmo antes de ser eleito presidente do PSDB, o que vai ocorrer na convenção de 25 de maio, o senador Aécio Neves (MG) já está negociando a contratação de um instituto de pesquisa e de uma empresa de marketing para as eleições presidenciais. A primeira tarefa do novo time será planejar o programa nacional de TV do partido (30 de maio) e as 40 inserções que vão ao ar dias 23, 25 e 29 de maio e 1º de junho. Integrantes de sua coordenação política dizem que essa janela na mídia será um divisor de águas. Em termos de estratégia, já há uma definição: "Não vamos discutir a herança do passado, mas apresentar nossas propostas para o futuro."

“Na Bíblia, os judeus chegaram à terra prometida, mas não seu líder, Moisés. No PMDB, os cardeais chegam lá, e a bancada fica do outro lado do Mar Vermelho”
Lúcio Vieira Lima Deputado federal (PMDB-BA)

Guerra nas estrelas
O ministro Alexandre Padilha está vencendo Aloizio Mercadante. Padilha é seguido por 74 mil no Twitter, enquanto Mercadante é por 70 mil. O Ministério da Saúde tem interação com 181 mil usuários e o da Educação com 170 mil.

Investimento
O Palácio do Planalto decidiu turbinar o ministro Leônidas Cristino (Portos). Contratou um curso de media training para melhorar o seu desempenho nos debates públicos e na mídia sobre a MP dos Portos, que tem dominado as preocupações do governo. Cristino é ligado ao governador do Ceará, Cid Gomes (PSB).

Rompendo os limites
O ministro Celso Amorim (Defesa) esteve em Angola para ver de perto o trabalho da Engeprom, ligada à Marinha do Brasil, para que a ONU aprove a ampliação de seu mar territorial para fins de exploração econômica do petróleo.

Pente-fino
Os órgãos de segurança do governo estão realizando força-tarefa para checar a ficha de todas as pessoas que trabalharão na Copa das Confederações. São mais de 200 mil credenciados. Para o sorteio da Copa das Confederações, o governo checou cinco mil perfis, 300 com problemas. Cabe à Fifa e ao Ministério da Justiça decidirem cortar ou não.

Ghost writer
O jornalista André Lacerda, que redigia os textos e os discursos do ex-candidato tucano à Presidência José Serra, foi incorporado à equipe do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Estreou com o discurso de Aécio sobre os "13 fracassos" do PT.

Posto avançado do Planalto
Grupo do PDT irá à casa de Carlos Araújo, ex-marido da presidente Dilma, para pedir a manutenção de Brizola Neto no Ministério do Trabalho. A reunião foi chamada pela irmã do ministro, Juliana, deputada no Rio Grande do Sul.

Chororô. As mesmas queixas, de falta de prestígio político e no governo, que o PMDB tem contra o PT, são as que o DEM nutre contra o PSDB.

Organização é essencial - TOSTÃO

FOLHA DE SP - 24/02

Os técnicos europeus são melhores na organização, e os brasileiros, no posicionamento dos atletas


A absurda morte de um jovem boliviano, por causa de um sinalizador, jogado por um torcedor do Corinthians, retrata bem a falta de civilidade, a desorganização e a violência (na arquibancada, no gramado e fora do estádio) no futebol sul-americano. Não foi uma fatalidade, foi um assassinato, mesmo sem intenção de matar. Poderia ter acontecido com torcedores de todos os clubes e em todos os estádios, o que não exime o Corinthians de culpa. A punição dada é provisória, até o julgamento pela Conmebol.

Se pessoas equilibradas fazem besteiras quando estão em grupo, por se sentirem poderosas, audaciosas, liberarem suas agressividades e por não se sentirem culpadas, como se a responsabilidade fosse do grupo, imagine um marginal, desequilibrado, com um sinalizador, no meio de uma multidão.

Além da violência, falta organização ao futebol sul-americano.

Isso é essencial, até para armar uma retranca, como fez o Milan. O Barcelona tem algumas deficiências e, por isso, perde, como todas as outras grandes equipes. Acho até que, pelo risco que corre, por causa da maneira de jogar, poderia perder mais vezes.

O Milan colocou dez jogadores perto da área, sem espaço entre eles, e ainda contra-atacou. O Barcelona não criou chances de gol, o que é raríssimo, mesmo contra adversários que usam a mesma estratégia. Faltou também desarmar mais à frente, uma de suas virtudes.

Os times europeus são mais organizados que os brasileiros. Há muitas equipes e atletas fracos na Europa, mesmo na fase de grupos da Copa dos Campeões, mas é raro ver uma equipe desorganizada. Na derrota para a Inglaterra, Neymar não sabia se era um segundo atacante ou se era um jogador pela esquerda, com a obrigação de marcar o lateral. Oscar correu todo o campo, atuou bem, mas ninguém soube quais foram sua posição e função.

Organizar não significa compartimentar e repetir sempre as mesmas movimentação e jogadas, mas as equipes precisam ter uma estratégia muito bem definida e exigir que os jogadores, craques ou não, a cumpram.

Por outro lado, os treinadores europeus erram muito mais que os brasileiros, nas escalações, substituições e posicionamento dos jogadores. Sir Alex Fergusson adora colocar o atacante Rooney pelos lados, para marcar o lateral, como fez contra o Real Madrid e em muitos outros jogos. Na vitória recente do Bayern sobre o Arsenal, Arsène Wenger escalou o velocista Walcott, que joga pela direita, de centroavante. O time ficou sem sua melhor jogada e sem centroavante.

Um ótimo técnico precisa organizar bem um time e escalar os atletas nos lugares certos, além de saber formar e comandar um grupo, ter gana por vitórias e compromisso com a qualidade do jogo. O resto é conversa fiada, exibicionismo.

PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV - 24/02


8h30 - Sampdoria x Chievo, Italiano, Fox Sports

8h30 - Feyenoord x PSV, Holandês, ESPN Brasil

8h30 - Múrcia x Barcelona, Espanhol de basquete, Bandsports

9h - Circuito Brasileiro de vôlei de praia, etapa de João Pessoa, SporTV 2

10h - Ferroviária x Monte Azul, Paulista A2, RedeTV

10h - Lyon x Lorient, Francês, SporTV

10h15 - Torneio de Marselha (final), tênis masc., ESPN +

10h30 - Manchester City x Chelsea, Inglês, Fox Sports

10h30 - Newcastle x Southampton, Inglês, ESPN Brasil

11h - Santo André x São José, Liga de Basquete Feminino, SporTV 2

11h30 - B. M'gladbach x B. Dortmund, Alemão, ESPN

12h - Golfe, PGA Tour, ESPN +

13h - Judô, Grand Prix de Dusseldorf, Esporte Interativo

13h - Bordeaux x Brest, Francês, SporTV

13h - Bradford x Swansea, Copa da Liga Inglesa (final), ESPN Brasil

13h30 - Greuther x Leverkusen, Alemão, ESPN

14h - Torneio de Buenos Aires (final), tênis masc., Bandsports

15h - Toluca x Jaguares, Mexicano, ESPN Brasil

15h - Rúgbi de 7, Sulamericano, SporTV 2

15h - Nascar, Daytona 500, Fox Sports

16h - Bragantino x Corinthians, Paulista, Band e Globo (para SP)

16h - Duque de Caxias x Vasco, Estadual do Rio, Band e Globo (menos SP)

16h - ASA x Ceará, Copa do Nordeste, Esporte Interativo

16h15 - Benfica x Paços Ferreira, Português, Bandsports

17h - Betis x Málaga, Espanhol, ESPN

17h - PSG x O. de Marselha, Francês, ESPN Brasil e SporTV 2

18h30 - Ponte Preta x São Bernardo, Paulista, SporTV

18h30 - Fortaleza x Campinense, Copa do Nordeste, Esporte Interativo

19h - Atibaia x Brasil, Superliga masc. de vôlei (Série B), SporTV 2

20h - Florida State x Virginia Tech, basquete universitário, ESPN +

20h - Northwestern x Purdue, basquete universitário, Bandsports

21h - Monte Cristo x Chapecó, Superliga masc. de vôlei (Série B), SporTV 2

Brigadeiros - LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

O GLOBO - 24/02

Cena: festa de aniversário de criança. Dois pais lado a lado.

– Você é o pai da...

– Da Laura. Você?

– Do Miguel. Aquele ali com a espada, batendo na... Miguel! Não se bate assim nas pessoas. Pede desculpa!

– Nós não nos vimos no...?

– No aniversário da Luiza.

– Certo. Estou me lembrando. Bolo de chocolate com amêndoas.

– Isso. E sorvete de creme.

– Sou eu que sempre trago a Laurinha nos aniversários.

– Sua mulher já desistiu...

– Não. É que eu gosto.

– Sabe que eu também?

– São um inferno, claro. É preciso ter paciência. Mas tem seu lado bom.

– Exatamente. Eu... Miguel! Me dá aqui essa espada! Você ainda vai quebrar alguma coisa!

– Eu sou tarado por brigadeiro de aniversário.

– Eu também! Brigadeiro e guaraná morno, tem coisa melhor?

– Notei que você pega dois brigadeiros cada vez que passa a bandeja, mas não come. Põe de lado.

– Para comer depois dos cachorrinhos quentes. De tanto vir a festas de aniversário com o Miguel, desenvolvi uma técnica. Primeiro como os cachorrinhos quentes...

– Ou as empadinhas.

– Ou as empadinhas, ou os croquetes, e depois os brigadeiros.

Primeiro o salgado, depois o doce.

– O problema é que estas festas geralmente são desorganizadas. Servem os doces antes dos salgados. Não há nenhum critério. As crianças não ligam. A Laurinha não parou de comer brigadeiro desde que chegou. Ela é aquela ali, com o vestido marrom. Era branco quando ela saiu de casa, agora é marrom.

– Outra coisa. Só servem o bolo depois de cantarem o “parabéns a você” e assoprarem as velinhas.

– E nós aqui, namorando o bolo de longe. Do que você acha que esse é?

– Meu palpite é morangos com nata batida.

– Mmmmm...

– Mas vamos ter que esperar.

– Paciência...

– Olha, acho que estão vindo as empadinhas. E croquetes!

– Até que enfim...

– Miguel, desce daí!

Tudo pelo eleitoral - DORA KRAMER

O ESTADÃO - 24/02

Sob a direção da presidente Dilma Rousseff, efeitos especiais a cargo do ex-presidente Luiz Inácio da Silva e aplausos da arquibancada, o Brasil está assistindo à reprise de um filme cujo desfecho é conhecido: o prejuízo vence no final.

Economistas, empresários e especialistas no tema vêm alertando para os desacertos na condução da política econômica, para o excesso de intervencionismo estatal, para os efeitos nefastos da manipulação de dados, para o abandono, enfim, dos alicerces de uma estabilidade a duras penas construída desde o início da década dos 90.

O governo não lhes dá ouvidos. Ao contrário: menospreza os alertas, qualifica a todos como inimigos de um projeto de País "glorioso", inovador e progressista. Nas palavras da presidente Dilma Rousseff, as críticas decorrem da "falta de compreensão dos conservadores".

Na verdade, quem não parece compreender a distinção entre o que é bom para o País e o que é bom para o partido no poder é o governo, com sua clara opção por proporcionar satisfação imediata aos seus eleitores (reais e potenciais) em detrimento das bases sobre as quais foi construído o edifício da estabilidade. Quais foram elas? Sistema de livre movimentação de preços, controle fiscal e foco firme e constante no combate à inflação.

Da segunda metade do segundo mandato de Lula para cá houve uma clara troca de prioridade. Deixou-se de lado o conceito de crescimento com estabilidade para privilegiar o agrado ao eleitor a qualquer custo, notadamente à chamada nova classe média que sustenta em alta a popularidade, obviamente rende votos e assegura a sobrevivência política não só do PT, mas de todo o espectro partidário de sua área de influência.

O preço congelado dos combustíveis agrada ao consumidor, ainda que ponha em risco o desempenho da Petrobrás; a redução das tarifas de energia agrada ao consumidor, ainda que leve a um aumento de consumo e comprometa as empresas de energia; a interferência no Banco Central para forçar a baixa de juros, mesmo quando seria necessária uma margem de autonomia para calibrar a demanda, agrada ao consumidor de bens a prestação, mas põe em risco a meta de inflação.

Preço baixo é bom e todo mundo gosta, mas tem um custo que não é visível (ainda) ao público. Uma hora aparece, e da pior maneira possível. Como para manter essa situação o governo tem que entrar com dinheiro, o resultado é_o aumento do gasto público, o descontrole fiscal. Daí para a volta de um cenário de inflação alta, o perigo é concreto.

Trata-se de uma lógica populista que seduz o eleitor, rende vitória nas urnas. Em contrapartida, planta as sementes do desajuste que, mais dia menos dia, apresenta a conta.

Queira o bom senso que os atuais locatários do poder, a pretexto de "construir" um Brasil de faz de conta em nome de vitórias eleitorais, não levem o Brasil de volta aos tempos de desorganização interna, descrédito internacional e aos malefícios decorrentes das concessões ao imediatismo que provoca sensação de bem estar agora e adiante pode levar a pique o patrimônio de todos.

Adeus às ilusões. Os tucanos que ficaram encantados com as mesuras da presidente da República a Fernando Henrique Cardoso no início do governo acabaram de ver a vida como ela é.

No rugir do palanque, Dilma Rousseff não teve dúvida: "Não herdamos nada, construímos tudo", disse, compartilhando a versão criacionista sobre o surgimento do Brasil sob a ação divina do PT.

Esses tucanos, entre os quais se incluem diplomatas, alguns intelectuais e até gente inteligentíssima na economia (pais do real), mas ingênua na política, chegaram a considerar seriamente os gestos de Dilma como sinal de que ela logo se afastaria de Lula.

O melhor cabo eleitoral do PT é a oposição - ELIO GASPARI

O GLOBO - 24/02

Anunciado como se pudesse vir a ser o discurso do então desconhecido companheiro Obama na convenção democrata de 2000, o grito de guerra do senador Aécio Neves foi um pronunciamento pedestre. Suas críticas à década petista têm alguma procedência, mas terminam caindo na armadilha de quem tem muitas opiniões sem que elas formem um ponto de vista. Viu o futuro no retrovisor. Se a exibição das contradições morais, políticas e econômicas do comissariado levasse a algum lugar, Lula não teria sido reeleito, muito menos colocado os postes Dilma Rousseff no Planalto e Fernando Haddad na prefeitura de São Paulo.
O tucanato continua encantado pela crença segundo a qual se uma pessoa ficar com duas vezes mais raiva do PT, terá direito a dois votos nas próximas eleições. Só a falta de assunto explica o fato de os tucanos terem caído numa finta petista, aceitando uma antecipação precoce e descosturada da sucessão presidencial do ano que vem.

Tome-se o espaço que o senador dedicou à Educação. Exatamente 21 palavras: "O governo herdou a universalização do ensino fundamental, mas foi incapaz de elevar o nível da qualidade na sala de aula". Médio. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, o Inep, em 2007 havia 7,1 milhões de crianças matriculadas na zona de mau ensino, com avaliações abaixo de 3,7 no Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico. Em 2011, esse número baixou para 1,9 milhões. Há tucanos que fazem melhor? Em Minas Gerais, com certeza. Em Alagoas, não.

Do outro lado da mesa estão as políticas sociais do governo. Se a oposição admitir que algumas delas funcionam, todo mundo lucra, sobretudo ela. Dois exemplos: o desempenho escolar das crianças beneficiadas pelo Bolsa Família, e a discussão do estímulo à criação do turno único nas escolas.

A velha demofobia ensina que dar dinheiro a pobre é assistencialismo barato. No século XIX dizia-se que a abolição da escravatura estimularia o ócio e a embriaguez dos negros. Hoje há gente que acredita que o Bolsa Família remunera a preguiça da miséria e, como o ensino público é ruim, as crianças fogem das aulas ou, quando comparecem, não aprendem. É a ignorância a serviço da demo-fobia. Em 2011 a evasão escolar da meninada do programa no ensino básico da rede pública foi de 2,9%. Já a evasão no universo das escolas públicas, segundo o Censo Escolar, ficou em 3,2%. No desempenho, perderam de 86,3% a 83,9%. Indo-se para o ensino médio, a garotada do Bolsa Família fez melhor tanto no desempenho (79,9% x 75,2%) como na evasão (7,1x10,8%).

Enquanto a oposição mostra-se incapaz de erguer a bandeira do turno único, o governo correu atrás da expansão do tempo integral nas escolas onde a maioria dos alunos são beneficiados pelo Bolsa Família. Em 2010 havia 10 mil escolas públicas com esse regime. Nelas, só 2.869 (29%) tinham maioria de alunos cobertos pelo programa. Em 2012, as escolas com tempo integral triplicaram (32 mil) e 17.575 (54%) são frequentadas por crianças do Bolsa Família. Isso foi conseguido com recursos do Orçamento e parcerias com prefeitos. Nem um tostão federal foi gasto com tijolos, quadras de esporte ou salas para diretores. Muito menos com clipes publicitários ridículos.

E o mensalão? Pois é, pobre não sabe votar. Ou será que sabe, apesar do mensalão?

SUBIU NO TELHADO

A caciquia tucana deu-se conta de que a reeleição do governador paulista Geraldo Alckmin está subindo no telhado. O único alívio do PSDB está na rivalidade dos comissários Alexandre Padilha (Saúde) e Aloizio Mercadante (Educação) pela cadeira.

PISTA

A Comissão da Verdade dispõe de um prato cheio para conferir a atuação do consulado americano em São Paulo durante a ditadura. Estão na internet dezenas de telegramas do vice-cônsul Francis Lambert e do cônsul-geral Frederick Chapin. Um estava no posto em 1971, quando a ALN incendiou seu carro. Seus telegramas são um prodígio de mistificação, vendendo mentiras para encobrir a tortura. Chapin, que assumiu em 1972, virou o jogo, denunciando o porão. Ele foi mais longe: em 1976 procurou D. Paulo Evaristo Arns para informá-lo que se preparava algo contra o PCdoB. No dia seguinte deu-se o massacre da Lapa, numa operação em que foram assassinadas duas pessoas dentro de um aparelho.

VATICANÓLOGO

Os vaticanólogos são uma espécie que aparece às vésperas dos conclaves, acertam quando apostam no favorito (Bento XVI, Paulo VI ou Pio XII) e somem quando percebem que esqueceram de mencionar o cardeal escolhido (João Paulo II, João Paulo I e João XXIII). A sucessão de Bento XVI vitaminou em Pindorama um vaticanólogo que estava fora do noticiário desde 2003. É o empresário Giancarlo Nardi. Na sua primeira encarnação ele frequentou os autos da Operação Anaconda, que pegou o juiz Rocha Mattos e quitanda de venda de sentenças.

PIO XII E OS NEGROS QUE CHEGARIAM A ROMA

Fala-se muito na remota possibilidade de um papa africano ao mesmo tempo em que se acusa a Igreja Católica de não mudar. Vai aí um exagero, tanto em relação aos avanços ocorridos como em relação ao atraso em que andou o Papado. Em janeiro de 1944, quando as tropas aliadas estavam a caminho de Roma, o secretário de Estado, cardeal

Luigi Maglione, chamou ao Vaticano o embaixador inglês para transmitir-lhe um pedido de Pio XII. Segundo o telegrama que o diplomata mandou para Londres, Sua Santidade "esperava que não houvesse negros na pequena guarnição que permaneceria em Roma durante a ocupação".

A propaganda fascista apresentava os soldados americanos como macacos que saqueavam museus. O Papa estaria mais preocupado com casos de estupros praticados por negros, não necessariamente americanos. Tropas de todas as cores e nações estupraram mulheres na Europa, inclusive a FEB. Dois pracinhas violentaram uma menina de 15 anos e um deles matou-lhe o tio. Foram condenados à morte, voltaram para o Brasil e acabaram indultados. Quem viu "Duas Mulheres", de Vittorio De Sica, pode lembrar que Sophia Loren e sua filha foram violentadas por soldados marroquinos, africanos e negros. Não há documento capaz de informar se o pedido de Pio XII tramitou no comando aliado. Os negros americanos entraram em Roma, inclusive uma jornalista.

Avanços ilusórios - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 24/02


Durante os governos petistas, a estrutura econômica brasileira iniciou ou aprofundou tendências que comprometem a capacidade de desenvolvimento do país no longo prazo, afirma o professor titular de Economia Internacional da UFRJ Reinaldo Gonçalves em análise da economia brasileira nos 10 anos de governos petistas em trabalho intitulado "Brasil Negativado, Brasil Invertebrado: Legado de 2 governos do PT".

Estas tendências, entre outras, segundo ele, são desindustrialização; reprimarização das exportações; maior dependência tecnológica; desnacionalização; perda de competitividade internacional; crescente vulnerabilidade externa estrutural; maior concentração de capital e política econômica marcada pela dominação financeira.

Até mesmo no campo social o professor da UFRJ vê ilusão onde o governo vende "conquistas notáveis". Para ele, as políticas distributivas não atingem a estrutura de concentração de riqueza e não alteram a distribuição funcional da renda (salários versus juros, lucros e aluguéis). No que se refere ao desenvolvimento social, tomando o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) como referência, Gonçalves constata "a total ausência de ganhos do país relativamente ao resto do mundo".

O Brasil Negativado também aparece em outro importante indicador de desempenho econômico, a inflação. Durante os governos petistas a taxa média de inflação é 6,1% (preços ao consumidor). Segundo o estudo, a taxa de inflação no Brasil é maior do que média mundial em 6 anos e maior do que a mediana mundial em 9 anos.

A melhora na distribuição de renda, na visão de Gonçalves, não é vigorosa ou sustentável em decorrência da própria natureza do modelo de desenvolvimento, que envolve trajetória de desempenho fraco e instável. Ele alega que os indicadores capturam fundamentalmente os rendimentos do trabalho e os benefícios da política social, e a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (PNAD), que serve de base para o cálculo dos indicadores de desigualdade, subestima os rendimentos do capital (juros, lucros e aluguéis).

Segundo o estudo, a distribuição da riqueza, muito provavelmente, não se alterou tendo em vista a vigência de elevadas taxas de juros reais no governo Lula, o reduzido crescimento do salário médio real, a concentração de capital e a ausência de medidas que inibam
práticas comerciais restritivas (abuso do poder econômico) das
grandes empresas.

Também como exemplo de concentração de capital e de riqueza, Gonçalves ressalta que no início do século XXI o valor dos ativos totais dos 50 maiores bancos era igual aos ativos totais das 500 maiores empresas; em 2011 os ativos dos 50 maiores bancos eram 78% mais elevados do que os ativos das 500 maiores empresas.

A base de dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com coeficientes de Gini (que mede a desigualdade) num painel de 110 países mostra que, apesar de haver queda da desigualdade na América Latina na primeira década do século XXI, os países da região continuam com os mais elevados indicadores de desigualdade de renda no mundo.

Em meados desta década, lembra Reinaldo Gonçalves, 4 entre os 5 países com maior desigualdade estão na região (Colômbia, Bolívia, Honduras e Brasil). No conjunto dos 10 países mais desiguais, há 8 países latino-americanos. Segundo o levantamento, o Brasil experimentou melhora marginal na sua posição no ranking mundial dos países com maior grau de desigualdade entre meados da última década do século XX e meados da primeira década do século XXI, saiu da 4ª posição no ranking mundial dos mais desiguais para a 5ª posição.

Gonçalves ressalta que os avanços que ocorrem no Brasil não implicam ganhos em relação ao resto do mundo durante os governos petistas. Ele toma como exemplo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do PNUD. Embora ao longo do período 2000-11 o IDH do Brasil tenha aumentado de 0,665 em 2000 para 0,718 em 2011, este mesmo fenômeno ocorreu com a maioria dos países. Em consequência, destaca Gonçalves, não há mudanças nas diferenças entre o IDH do Brasil, que se manteve praticamente estável (70ª posição) durante os governos petistas, e a média dos IDHs dos outros países.

Insensatez - SUELY CALDAS

O ESTADO DE S. PAULO - 24/02

Com aval do ex-presidente Lula, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), voltou a Brasília, na quarta-feira, para pedir dinheiro à sua administração. Na mala, levou propostas que oscilam entre reduzir o pagamento de dívidas e gerar novas receitas. E tem conseguido êxito em sua missão: com apenas um mês de gestão, ele conseguiu arrancar do governo federal projeto (rapidamente enviado ao Legislativo) que muda o indexador das dívidas de Estados e municípios: do IGP-DI mais juros de 6% a 9%para o IPCA mais 4% ou a taxa Selic - o que for mais vantajoso para a prefeitura. A proposta deve passar sem problemas no Congresso, porque é de interesse de governadores e prefeitos e, portanto, também dos partidos, incluindo os de oposição.

O respaldo do influente padrinho, no entanto, tem servido para aumentar o olho grande do prefeito. Na quarta-feira ele partiu para outra proposta, tão ousada quanto insana: quer ter o poder de fabricar dinheiro. "Não estamos trabalhando apenas com a troca do indexador. Também considero a possibilidade de o município emitir títulos", declarou. Funciona assim: a Prefeitura de São Paulo emite títulos e vende no mercado financeiro, oferecendo determinado rendimento para o comprador. Com isso, consegue um bom dinheiro extra para gastar. Como no texto da música, dinheiro na mão de político é vendaval. Melhor ainda se ele tem o poder de fabricá-lo quando quiser. Já pensou? Seria a suprema felicidade de governadores e prefeitos, solução perfeita para financiar campanhas eleitorais, compra de apoio político, mensalões e tudo o mais a que os brasileiros estão cansados de assistir desde sempre.

A contrapartida de tal esquema é o rápido e descontrolado crescimento da dívida mobiliária do Estado ou município. E, como dívida é para ser paga, na hora da conta o governador ou prefeito aumenta impostos e o peso recai sobre o bolso ou a bolsa da população local.

Justiça seja feita, Haddad não inovou. Até 1996 Estados e municípios podiam emitir papéis e vender no mercado financeiro. Uma farra monumental de gastos e endividamento estrangulava a administração do novo governador ou prefeito que chegava. Aí o recém-eleito pedia e obtinha socorro do governo federal e deixava a conta para o próximo, que passava para o seguinte, numa bola de neve interminável, sempre debitada da conta do contribuinte de impostos.

Em 1997 o governo FHC aprovou uma lei com regras para dar fim à farra: as dívidas dos governos estaduais foram zeradas e transferidas para a União, que as financiou pelo prazo de 30 anos e com base no IGP-DI mais juros mínimos de 6%. Em 2001, fez o mesmo com 180 prefeituras. E a Lei de Responsabilidade Fiscal tratou de fazer o resto: proibiu Estados e municípios de emitirem títulos e contrair novas dívidas mobiliárias. Foi um avanço, uma vitória do contribuinte brasileiro: pelo menos dessa conta ele se livrava. É isso que Haddad quer ressuscitar. Já imaginou, caro leitor, prefeitos e governadores com suas intermináveis demandas políticas por gastos recuperarem o poder de fabricar dinheiro?

É aceitável e justo mudar o indexador da dívida com a União. Afinal, quando as regras foram definidas, em 1997, a conjuntura política era outra. Habituados a gastar dinheiro sem freios, governadores e prefeitos precisavam de tratamento enérgico para mudar hábitos e cultura. Hoje a realidade é outra. A lei os obriga a manter seus orçamentos equilibrados e cumprir uma série de requisitos para poderem contrair novas dívidas, contratar funcionários, aumentar salários e outras espertezas que praticavam no passado. Além disso, a queda da taxa Selic para 7,25% reduziu o custo de captação do governo federal e permitiu tomar mais barato o carregamento das dívidas dos Estados e municípios.

Usar o influente apoio político do padrinho Lula para propor um retrocesso insano para a saúde das finanças públicas até pode estar no direito do prefeito paulistano. O que não pode é a presidente Dilma Rousseff embarcar nessa aventura. Dela o contribuinte espera respeito, racionalidade e sensatez.

Retrovisor quebrado - HENRIQUE MEIRELLES

FOLHA DE SP - 24/02

Nossos "hermanos" argentinos decretaram congelamento de preços válido até 1º de abril. Um congelamento curto, com data para terminar, significa basicamente um mero adiamento do aumento de preços e incentivo à falta de produtos, porque fornecedor, comerciante e produtor, sabendo que os preços subirão no dia 2 de abril, terão incentivos para reter mercadorias, o que parece já ocorrer.

É um filme que brasileiros, argentinos e muitos dos nossos outros irmãos latino-americanos conhecemos bem. Já tivemos vários congelamentos, todos fracassados, com a inflação voltando depois mais forte do que antes. Incrível que seja tentado novamente, dado esse histórico de fracassos.

A metodologia para o combate da inflação evoluiu muito. Na década de 1970, desenvolveu-se a teoria monetarista, baseada na definição de uma meta para a quantidade de moeda em circulação, a chamada Meta de Agregados Monetários, na qual o Banco Central procurava manter determinado volume de dinheiro em circulação. Maior quantidade de moeda em circulação gera aumento de preço, e vice-versa.

Essa metodologia revelou-se parcialmente eficaz, mas tinha desvantagens importantes, como variação grande da taxa de juros e, mais tarde, variação grande da própria quantidade de dinheiro circulante, em função, principalmente, da criação das moedas eletrônicas que fugiam do controle do Banco Central.

Esse processo trouxe melhor entendimento da inflação e aperfeiçoamento do sistema. Eventualmente, levou ao estabelecimento, no final dos anos 1980, na Nova Zelândia, do sistema de metas de inflação. Uma meta intermediária, que era a meta de quantidade de moeda em circulação, foi trocada pela meta final, a inflação. E a taxa de juros foi consolidada como o instrumento mais eficiente dos bancos centrais para controlar a inflação. O objetivo: a inflação. O instrumento: a taxa de juros.

Havendo inflação acima da meta, o BC sobe juros e, por meio de diversos canais de comunicação (créditos, expectativas, câmbio etc.), a inflação recua. Havendo inflação abaixo da meta, o BC corta juros, aumentando a demanda e levando a inflação de volta à meta.

Esse sistema, cada vez mais aperfeiçoado e adotado por grande número de países, revelou-se o mais eficaz e o menos custoso contra a inflação, levando ao abandono gradual de outros mecanismos.

Mas, infelizmente, parece que nós latino-americanos muitas vezes fazemos questão de insistir no erro e tentar metodologias já suficientemente provadas em fracassos sistemáticos, como congelamentos ou controle de preços específicos.

Arte e análises velhas - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 24/02

A arte da capa do folheto e dos cartazes comemorativos dos 10 anos do PT foi comparada à estética gráfica dos regimes totalitários de direita e de esquerda. Parece mesmo. Aquelas fotos enormes das duas cabeças em um corpo, e um povo miúdo em comemoração, evoca a idolatria personalista de regimes autoritários. O texto é ainda mais discutível.

A versão de que a virtude absoluta está de um lado, e toda a maldade se concentra nos adversários, é bizarra. Hoje, após quase três décadas de democracia, o país foi exposto ao contraditório, teve decepções, aprendeu nuances, vê com espírito crítico mesmo aqueles nos quais vota.

É fazer pouco da inteligência dos brasileiros. Eles não são adoradores infantilizados de líderes macrocéfalos, mas cidadãos capazes de pensar criticamente.

A história democrática recente não está dividida em dois períodos - os anos desastrosos e os anos gloriosos. É uma simplificação grosseira, só aceitável em regimes que controlam a opinião pública, o que é impossível na democracia. Há nuances, virtudes e defeitos nos dois períodos de governo. Há diferenças até dentro de um mesmo período presidencial. O período Palocci é diferente da gestão Mantega, por exemplo, com superioridade para o primeiro, que preservou a estabilidade da moeda, conquistada no governo anterior. O segundo tem tomado decisões perigosas na área fiscal e monetária.

No texto, há um trecho que diz: "A teoria do bolo, de que somente após a economia crescer seria possível distribuir, se tornou uma referência a não ser questionada." Tal teoria do bolo não foi invenção de nenhum adversário do PT, mas do seu neoamigo Delfim Netto.

Os redatores da cartilha não conseguem provar a tese de que um período concentrou renda e o outro distribuiu. Nos números que contrapõe, admite que houve redução da desigualdade, medida pelo Índice Gini, nos dois períodos. Houve mais redução no governo Lula, mas o processo virtuoso começou após a estabilização da moeda. Só é possível fazer políticas sociais eficientes quando há inflação sob controle.

O PT tem erros a omitir e virtudes a exibir. Fiquemos na segunda parte: a ampliação da rede de proteção social. Mas os dados do próprio governo mostram que o programa anterior estava transferindo R$ 4 bilhões no fim do governo Fernando Henrique. No governo Lula, R$ 15 bilhões, e agora, R$ 23 bilhões. O programa mudou de nome e foi ampliado e aperfeiçoado. Omite-se que a ideia original da campanha de 2002 era distribuir vales para trocar por alimentos. Felizmente, a ideia obsoleta foi abandonada.

O texto alega que nos anos petistas foi feita a organização das finanças públicas, o que na verdade foi um trabalhoso esforço que consumiu anos até se chegar à Lei de Responsabilidade Fiscal. Isso tem sido ameaçado pela alquimia contábil. Em dado momento da cartilha, eles dizem que nos anos petistas o crescimento do PIB por habitante foi de 2,2%. No final desta semana, será confirmado que em 2012 o PIB per capita teve crescimento zero.

Peça de propaganda publicitária não é para dialogar com sinceridade, mas para construir uma versão a ser vendida ao eleitorado. O problema é que faltam 18 meses para o período oficial da campanha eleitoral e o governo precisa governar.

Explicações maniqueístas têm um defeito básico: elas anulam o espaço para a conversa inteligente. O início extemporâneo de campanha põe em risco a ação sóbria do governo para corrigir o rumo na direção do que o país quer, seja quem for que o governe: desenvolvimento com moeda estável.

A inflação assusta - CELSO MING

O ESTADÃO - 24/02
Mais do que simplesmente "desconfortável" com a inflação, como já admitira o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, o governo Dilma está assustado. E vai reagindo de maneira confusa.

Nessa semana, por exemplo, colocou em marcha uma ofensiva orquestrada para tentar convencer os agentes do mercado futuro de juros e os remarcadores de preços - somente com a falação - de que "a inflação não saiu do controle".

Usaram para isso os microfones da hora: o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, e o próprio Tombini. Os argumentos usados não passam firmeza - como se verá - e essa é a principal razão pela qual o governo Dilma dá sinais de não estar seguro sobre o que fazer.

Sexta-feira, o IBGE divulgou a evolução do IPCA-15 (veja gráfico ao lado), que é a mesma medida dos preços ao consumidor (custo de vida) em 30 dias, mas com período iniciado e terminado a cada dia 15. O que se viu foi o que já se esperava. A inflação anual, que uma quinzena antes estava nos 6,15%, subiu mais um pouco, para 6,18%. Mais do que isso, a desaceleração aparente tem a ver com a redução pontual das tarifas de energia elétrica (algo que não se repetirá); e a alta dos preços persiste muito espalhada, em mais de 70% dos itens que compõem a cesta de consumo avaliada.

O governo Dilma reluta em acionar o instrumento mais adequado para combater a alta: os juros básicos (Selic), hoje nos 7,25% ao ano. Diante da

atividade econômica estagnada, da inflação elevada e do investimento devagar-quase-parando, a derrubada dos juros se tornou um dos únicos troféus que pode ostentar.

O governo Dilma também não pode abusar da âncora cambial (baixa do dólar) para baratear os importados. Não quer acentuar ainda mais a baixa competitividade da indústria. E os mecanismos não convencionais, como a já mencionada redução das tarifas de energia elétrica e o congelamento dos preços dos combustíveis, deram o que tinham de dar.

A atuação verbal sobre as expectativas não foi convincente. A aposta de que a virada da inflação no segundo semestre é inevitável esbarra no consumo excessivo. O crescimento das vendas no varejo continua acima dos 8% em 12 meses, já descontada a inflação, e vai sendo propulsionado pelo crédito, que avança a 15% ao ano.

Trabalham também contra o controle da inflação a força da inércia (alta propensão às remarcações em toda a economia), a baixa disposição do governo de reduzir as despesas públicas e sua incapacidade de conter a disparada no setor de serviços.

As projeções oficiais de que a inflação cederá no segundo semestre não são inteiramente confiáveis. Apontar a força das safras agrícolas como fator de contenção dos preços, por exemplo, é despiste. A produção agrícola recorde se refere aos grãos, cujos preços são determinados em Chicago, não no Brasil. A atual disparada dos preços dos alimentos não está concentrada nos grãos, mas nos hortigranjeiros (tomate, cebola, cenoura, hortaliças e batata inglesa).

O reduzido crescimento global também não pode ser tomado como elemento estabilizador dos preços. Nos últimos 12 meses, a economia dos países ricos ficou estagnada e, no entanto, a inflação anual no Brasil saltou para acima do patamar de 6,00% ao ano. O que se espera para este ano é um avanço maior da economia mundial do que o de 2012.

Sexta-feira, Tombini declarou que o mercado de trabalho não está tão apertado e que vai contribuir para segurar a inflação. E, no entanto, o Banco Central há meses vem afirmando em seus documentos que o aquecimento excessivo do mercado de mão de obra é forte propulsor da inflação. E, se é verdade que o setor produtivo crescerá ao menos 3% neste ano, num ambiente de pleno emprego, fica difícil descartar sumariamente esse fator.

No mais, o Banco Central assumiu riscos demais e já não consegue coordenar as expectativas. E o governo vem atuando nos limites.

Com esse nível de consumo, mesmo uma inflação alta, de 5,5% ao final deste ano, como projeta o ministro Guido Mantega, é aposta de risco.

O balanço inflado do PAC - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S. PAULO - 24/02

Com a fanfarra de sempre, o governo divulgou mais um balanço triunfal da segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2), muito mais bem-sucedido como empreendimento imobiliário do que como esforço de modernização e ampliação da infraestrutura econômica e social. Foram investidos R$ 472,4 bilhões nos dois primeiros anos da nova fase, segundo anunciou em Brasília a ministra do Planejamento, Míriam Belchior. O valor aplicado corresponde a 47,8% do total previsto para o período 2011-2014. Isso deve indicar, segundo o discurso oficial, um desempenho satisfatório, especialmente porque a soma investida em 2012 foi 31% maior que a do ano anterior. Não se pode menosprezar esse ponto, embora alguma melhora entre o primeiro e o segundo ano do governo da presidente Dilma Rousseff fosse quase obrigatória. O balanço fica bem menos entusiasmante, no entanto, quando se examinam alguns detalhes do relatório e outros obtidos em fontes diferentes.

Como nos balanços anteriores, o resultado geral foi consideravelmente favorecido pelos valores aplicados na política habitacional. Só os financiamentos para compra de casas e apartamentos absorveram R$ 151,6 bilhões. Isso corresponde a 32,1% - quase um terço - dos R$ 472,4 bilhões investidos no biênio. Note-se o pormenor: trata-se de financiamentos, isto é, de liberação de recursos, algo diferente da aplicação direta de verbas na realização de obras ou na compra de equipamentos. Quando se considera o valor dos empreendimentos concluídos, o peso dos projetos imobiliários se torna ainda mais notável. O dinheiro destinado ao programa Minha Casa, Minha Vida (R$ 188,1 bilhões) equivaleu a 48,9% dos R$ 384,9 bilhões de investimentos concluídos.

Não se pode negar o valor social dos gastos em habitação, nem menosprezar a demanda de mão de obra, materiais e equipamentos gerada pela construção civil. Mas é preciso discriminar: os grandes entraves ao crescimento brasileiro são de outra natureza e incluem deficiências no sistema de transportes, na geração e na distribuição de energia e no sistema de comunicações. Basta pensar nos investimentos necessários à ampliação e ao melhoramento de rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos para perceber a diferença entre cuidar da infraestrutura e financiar o acesso à habitação.

Para avançar nos detalhes, é preciso distinguir o PAC orçamentário, financiado diretamente pelo Tesouro, e o PAC dependente das estatais e de outros agentes. A execução da parte prevista no Orçamento-Geral da União continua, como de costume, bem abaixo dos valores autorizados. O total desembolsado em 2012, de R$ 39,3 bilhões, correspondeu a 69,3% da dotação prevista para o ano, de R$ 56,7 bilhões, de acordo com o relatório. No ano anterior, os pagamentos efetivos haviam ficado em 69,3%. Dos R$ 39,3 bilhões pagos em 2012, no entanto, só R$ 18 bilhões saíram da verba prevista para o exercício. A maior parte do dinheiro (R$ 21,3 bilhões) foi formada por restos a pagar - também uma tradição na vida financeira do governo central.

Também os investimentos das estatais continuaram de acordo com o padrão bem conhecido nos anos anteriores. As empresas controladas pela União aplicaram nos dois anos R$ 128,9 bilhões, de acordo com o relatório. Também de acordo com o costume, cerca de 90% foram realizados pela Petrobrás, apesar da piora de suas condições financeiras.

As proporções são praticamente as mesmas quando se considera o investimento geral das estatais, dentro e fora do PAC. Em 2011 e 2012 foram investidos, em valores atualizados, R$ 185,2 bilhões, de acordo com números do Ministério do Planejamento coletados pela organização Contas Abertas. A Petrobrás aplicou R$ 161,4 bilhões, 87% do total. A empresa é uma grande investidora há muito tempo. Seria obviamente um abuso atribuir aos formuladores do PAC qualquer mérito por esse desempenho. Mas pode-se perfeitamente fazer o contrário e atribuir à intervenção do Palácio do Planalto, normalmente desastrada, a deterioração das finanças da empresa. Sem isso, a Petrobrás poderia investir muito mais e com muito mais eficiência.

Desvios de emergência - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 24/02

O governo federal vai emprestar dinheiro a bancos privados a fim de incentivá-los a financiar obras de infraestrutura que serão concedidas a empresas particulares.

Na prática, o governo vai endividar-se ao custo da taxa de juros pela qual capta recursos no mercado e emprestá-la a custo menor, ou seja, com subsídio.

O procedimento é quase rotineiro no caso dos fundos destinados ao BNDES. Tem se tornado frequente, desde 2008, para os grandes bancos comerciais federais, Caixa e Banco do Brasil, uma forma de capitalizá-los para que ocupem o mercado aberto diante da timidez dos bancos privados.

O objetivo parece ser acelerar o exame de pedidos de financiamento e, assim, a concessão e as obras de infraestrutura de transporte.

Trata-se de outro recurso súbito à privatização, providência à qual o governo tem de recorrer para incentivar o investimento, que decaiu e atrapalhou o crescimento no primeiro biênio de Dilma Rousseff.

No curto prazo, a iniciativa pode ser eficaz. Porém, chama a atenção pela sua extravagância. Caso o financiamento da produção e o mercado financeiro fossem adequados, não seria necessário esse arranjo improdutivo.

Como o governo faz nova dívida e gasta recursos públicos com subsídios, precisa recolher impostos da sociedade a fim de financiar tais despesas. Tudo isso para, no fim das contas, devolver tais recursos ao setor privado, pois o governo admite que não é capaz de lhes dar destinação eficaz.

Esse processo obviamente causa distorções. Torna-se necessário apenas porque é preciso contornar, por desvios longos, obstáculos causados pelo próprio governo (captura excessiva de recursos privados devido a gasto público exagerado e intervenções como a desmedida estatização do mercado de crédito).

O governo relutava em privatizar gestão e obras de serviços públicos. Só fez isso, inopinadamente, quando ficou evidente sua incapacidade de investir, deteriorada também por irregularidades em ministérios-chave.

Baixou normas que previam excessiva participação estatal em projetos de infraestrutura, ou que reduziam o interesse privado por tais empreendimentos, só para depois relaxá-las.

O governo, enfim, remenda seguidamente seu programa sem revisá-lo. Ou seja, nem abre espaço para que a iniciativa privada atue de modo desimpedido nem revê o papel do Estado de modo a concentrar atenções em áreas nas quais o país carece de iniciativa, como no caso de inovação tecnológica.

Em suma, o governo improvisa devido aos equívocos e insuficiências de seu programa.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Se o PT indica o Temer, o Alckmin papa no primeiro turno”
Presidente do PT, Rui Falcão, sobre disputa ao governo de São Paulo em 2014


BRIZOLA LIVRA MINISTÉRIO DA ‘FÁBRICA’ DE SINDICATOS

Torpedeado pela banda podre do PDT, que deseja apeá-lo do cargo, o ministro Brizola Neto decidiu publicar na próxima semana uma portaria cujo objetivo é acabar com a chamada “fábrica de sindicatos” existente no Ministério do Trabalho. O ex-ministro Carlos Lupi, dono cartorial do PDT, que exige sua cabeça, foi demitido pela presidente Dilma em meio a denúncias de corrupção na concessão de registros sindicais.

NEGÓCIO RENTÁVEL

No submundo do sindicalismo, o registro de um sindicato pode valer até R$ 300 mil, dependendo da categoria que pretende filiar.

ESPANTA ONGS

Brizola Neto decidiu nomear um delegado da Polícia Federal para o cargo de diretor de Qualificação, para atuar como um “espanta ONGs”.

MOTIVOS

Brizola Neto pode até deixar o cargo, diz fonte do Palácio, “mas isso não acontecerá por causa dos seus defeitos, mas de suas qualidades”.

OURO DE MOSCOU

A Embaixada do Brasil e residência do embaixador em Moscou vai ganhar uma “guaribada”: a reforma custará US$ 6 milhões.

DILMA VISITOU DITADURA MAIS CORRUPTA DA ÁFRICA

A presidente Dilma ignorou a expectativa de grupos de direitos humanos que esperavam seu apoio a reformas políticas na Guiné Equatorial, uma das ditaduras mais ferozes e corruptas do planeta, onde ela participou da 3ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo América do Sul-África. O governo do tirano Teodorin Obiang, que é bilionário, tem sido alvo de generosas ofertas de crédito do Brasil.

CARNAVAL

O filho do ditador da Guiné Equatorial, Obiang Mangue, que herdará a presidência, passeou com autoridades no carnaval da Bahia.

FUGITIVO

Enquanto esteve em Salvador, Obiang Mangue deu festas e fugiu do mandado de prisão internacional por lavagem de dinheiro e tráfico.

APREENSÃO

Em 2011, a Justiça francesa apreendeu na mansão do presidente da Guiné Equatorial, em Paris, 11 carros de luxo, como Porsche e Ferrari.

BEM NA FOTO

A objetividade do neurocirurgião Wilson Martins (PSB), governador do Piauí, fez dele um dos interlocutores preferidos de Dilma. Para ciúme gerais da Esplanada dos Ministérios, madame adora papear com ele.

‘COMPAÑERA’

Além de Yoani Sánchez, outra cubana corre o mundo, mas sem incidentes: filha de Oswaldo Payá, morto em suposto acidente de carro, Rosa Payá brilhou na Conferência de Diretos Humanos na Suíça.

HEIL

Os grupelhos esquerdóides que imitam os métodos dos “camisas negras” de Benito Mussolini, hostilizando Yoani Sánchez, já ofereceram seus “serviços” a Herr Franklin Martins, ex-jornalista e ex-ministro da Propaganda de Lula, para “agilizar” o “controle social da mídia”.

MARCHA DA INSENSATEZ

Pior que agredir uma blogueira famosa, talvez tenha sido a covardia, omissão e até a burrice das livrarias que lançaram o livro dela, aceitando a imposição da censura de grupelhos.

BRIGA À FOICE

Líder do PPS, Rubens Bueno (PR) afirmou que a bancada vai trabalhar para aprovar o projeto que inviabiliza o partido de Marina Silva: “Tempo de TV e fundo partidário precisam refletir a realidade da eleição”.

14º FRACASSO

Para o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), faltou o tucano Aécio Neves (MG) abordar mais uma contradição da gestão petista em seu discurso: “Eles dizem estar erradicando a miséria, mas ampliam o Bolsa Família”.

RECORDAR É VIVER

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) terá ajuda de Osmar Serraglio (PMDB-PR), relator da CPI dos Correios, para escrever o livro Máfia da Estrela II, sobre como a comissão, de início governista, deu certo.

MALUCO FEIÚRA

O “soçiólogo” petista Emir Sader deu no Twitter nova versão para a visita de Yoani Sánchez: ela seria “uma agente do governo cubano, mandada para reativar o movimento de solidariedade com Cuba”.

O QUE FAZ DEPUTADO?

O deputado Tiririca (PR-SP) ficou surpreso com a repercussão dos cabelos pintados de amarelo: “De projetos de lei, ninguém quer saber...”.


PODER SEM PUDOR

PALADAR APURADO

Muita gente ficou escandalizada com o Romanée-Conti de R$ 6 mil que o marqueteiro Duda Mendonça ofereceu a Lula após ser eleito presidente, certamente achando que o petista tem mais é que continuar bebendo a pinga com cambucy dos seus tempos metalúrgicos. Mas há muito Lula conhece bons vinhos. Quando foi libertado dos calabouços do Dops, nos anos 1980, o jornalista Mino Carta (genial criador de Veja, IstoÉ e CartaCapital, entre outros) convidou Lula e Marisa para jantar. E abriu um magnífico Brunello de Montalcino, que guardara durante vinte anos para uma "ocasião especial".

DOMINGO NOS JORNAIS


Globo: Crack e cocaína afastam do trabalho mais que álcool
Folha: Chuva causa outra morte e afeta 1.500 famílias no litoral
Estadão: FHC entra na campanha de Aécio para neutralizar Lula
Zero Hora: Argentina – O cerco se fecha
Correio Braziliense: A economia é salva pela soja e pelo milho
Estado de Minas: Monumentos ao desperdício
Jornal do Commercio: Um monstro disfarçado de futebol