quinta-feira, fevereiro 14, 2013

FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA

O GLOBO - 14/02

O carnaval carioca foi bem avaliado por estrangeiros que vieram à cidade.

Nos dias de folia, o site Consultoria em Turismo e a Fundação Cesgranrio entrevistaram 1.200 turistas no eixo Centro-Zona Sul. Os gringos exaltaram a hospitalidade da população (34%), o carnaval de rua (26%) e a segurança nas áreas turísticas (18%). Mas identificaram pontos fracos. O principal foi o preço da hospedagem (38%). Pesquisas da Embratur também já detectaram valores além do razoável nas redes hoteleiras do Rio e de São Paulo. Os estrangeiros, segundo Bayard Boiteaux, responsável pela pesquisa, também reclamaram da sujeira (25%) e dos taxistas (18%). O prefeito Eduardo Paes reconhece que o lixo é um grande problema do carnaval: “Os blocos terminam, mas a multidão fica nos locais, o que dificulta a ação da Comlurb”. Ontem, Paes conversou com Vinicius Roriz, presidente da Comlurb. Ele prometeu mexer na logística de recolhimento em 2014. Uma hipótese é usar lixeiras com rodas, para seguir os foliões. Carlos Osório, secretário de Transportes, diz que o serviço de táxi está sendo avaliado: “Alguns foram tirados de circulação. Estamos em processo de melhoria de longo prazo”.

65% FORAM À SAPUCAÌ
Dois em três estrangeiros passaram pelo Sambódromo. Mais da metade (55%) considerou os desfiles excelentes. A pesquisa mostrou que 64% dos turistas gastaram de US$ 80 a US$ 220 por dia.

Alta fidelidade
Programas de fidelidade já não são exclusivos da compra de bilhetes aéreos e troca por viagens. O japonês Kotobuki, no Rio, fechou com o Smiles e, agora, troca reais consumidos por milhas. É o 1º restaurante carioca a oferecer o benefício. No Brasil, já são 27.

O programa da Gol tem parceria ainda com locadoras de veículos e hotéis.

Shoppings, redes de farmácia e postos de gasolina também têm lançado e aprimorado clubes de vantagens. Lançado em 2012, o do Rio Design Barra criou categoria Platinum. Deu aos 20 primeiros clientes entrada para o camarote da Vila Isabel no carnaval e fará parcerias com hotéis. Ao todo, são quatro mil usuários. Já o Km de Vantagens da Ipiranga, criado em 2009 com a Multiplus, já tem 11,5 milhões de participantes. Ganha 300 mil por mês.

Em alta
O cartão pré-pago da Fitta Turismo, o Cash Passport, registrou alta de 56,82% nas compra de dólares em 2012 sobre 2011. Em euros, o avanço foi de 54,54%. Tudo a ver com o recorde de gastos dos brasileiros no exterior.
E também com o IOF alto dos cartões de crédito.


ESPORTIVO
O tenista Gustavo Kuerten estrela campanha do 308 Feline THP, da Peugeot. O atleta é embaixador do modelo esportivo no Brasil. No anúncio de TV, ele enfrenta um canhão de bolas de tênis e usan o carro para alcançá-las e rebatê-las. No fim, o locutor diz que o veículo foi aprovado no “teste Gustavo Kuerten de performance”. Criação da Y&R, estreia hoje. Circula também em impressos, internet, rádio e pontos de vendas.

Referência
A London School of Economics, em relatório recente, propõe a criação na Grã Bretanha de um banco para financiar obras de infraestrutura. E cita o BNDES como bom exemplo a ser seguido. A LSE é das mais famosas escolas de economia do mundo.

Sobre rodas 1
Cadeiras de rodas com adequação postural (19,9%) e motorizadas (16,1%) foram os itens mais financiados pelo BB no Crédito Acessibilidade. A linha foi lançada há um ano.

Sobre rodas 2
O Salgueiro vai doar as 21 cadeiras de rodas usadas no desfile de domingo. Elas integraram a calçada da fama, antes do abre alas.

Sinal verde
A Susep liberou a Caixa para operar em microsseguros. É mercado com potencial. No Seguro Amparo, do nicho popular, a demanda em um ano. Lançado no Santa Marta, no Rio, chegará a outras comunidades. Tem cobertura de acidentes e assistência funeral.

EM DUPLA
O ator Thiago Fragoso e a cantora Wanessa estarão em campanha da Atitude Eyerwear, grife de óculos. É o segundo ano em que o casal faz propaganda para a marca. O fotógrafo Amaury Simões assina as imagens. Começam a circular em mídia impressa e pontos de venda no mês que vem.

LivreMercado
O custo unitário da construção (CUB Representativo) subiu 0,11% em janeiro no Rio. Dos 25 itens pesquisados pelo Sinduscon Rio, 12 ficaram mais caros.

Com sete meses, o projeto Rio Nextel atingiu seis mil clientes. Quer fechar o verão com 7.500.

A agência ZONAInternet ganhou as contas do CEBDS e da Mister Mac.

A Supergasbras aprovou 21 alunos do projeto “Preparando o futuro” na Uerj e na PUC-Rio. Parceria com a Redes da Maré, oferece curso pré-vestibular gratuito.

Parabéns à Vila Isabel pela merecida vitória no carnaval 2013!

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 14/02

Governo tem outros instrumentos para o câmbio
Com o Carnaval, o câmbio não deve ter grandes mudanças nesta semana, de acordo com economistas.

Na quinta-feira passada, discursos de autoridades mexeram com os mercados. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, havia declarado que a inflação preocupava no curto prazo. O dólar fechou naquele dia a R$ 1,972, a menor cotação desde 11 de maio de 2012.

Na sexta-feira, um leilão de US$ 500 milhões em swaps reversos (que equivalem a compras de derivativos) surpreendeu e reverteu parte do movimento do dia anterior.

Para Paulo Tenani, estrategista da Pragma Gestão de Patrimônio e professor da Fundação Getulio Vargas, "o governo tem outros instrumentos que podem ser usados no câmbio".

O Brasil nunca teve uma política de juros, afirma. "Era sempre uma política de câmbio: subia os juros, o câmbio se apreciava e, assim, se controlava a inflação", diz.

"Não sei se esse governo se sente tão confortável quanto o anterior em usar o câmbio como política de controle da inflação", afirma.

"Pode usar compulsórios, ou política fiscal, como o governo está fazendo ao diminuir impostos. Não sei se o governo vai estar contente com um câmbio abaixo de R$ 2 por muito tempo", diz.

"O mercado manteve-se fechado nos últimos dias e para o resto da semana a liquidez deverá estar menor", diz a economista Gabriela Fernandes, do Itaú Unibanco.

"Até alguns movimentos podem ser exacerbados, mas acredito que não deverá haver grandes movimentos nesta semana."

"A visão de que só os juros eram instrumento de política monetária acabou perdida na economia global, agora que o sistema de metas de inflação está sob ataque. Não acredito que o BC voltará a usar o mesmo tipo de política do governo anterior"

ESCRITÓRIO EM CASA
A Atec Original Design, representante no Brasil dos itens originais da marca de mobiliário Herman Miller, que tem peças clássicas para escritórios, quer agora entrar no segmento de decoração para casa.

A empresa fechou parceria para representar também no país a grife Fritz Hansen, que reúne nomes do design como Arne Jacobsen e Hans J. Wegner.

O novo projeto deve trazer um crescimento de aproximadamente 20%.

Para receber os novos móveis, que poderão ter as importações encomendadas ou ser escolhidos no estoque que virá ao país, os show-rooms de São Paulo e do Rio serão modificados, de acordo com João Figueira, diretor da Atec.

"Cresceu a demanda por uma casa preparada para reuniões. É cada vez mais comum que os profissionais tenham um escritório adequado em casa", diz.

A nova estratégia se baseia também na linha de carpetes modulares Lees.

O produto tem forte demanda no mercado corporativo, mas ganhou espaço no residencial, de acorodo com o diretor da empresa.

Ação de cobrança de condomínio aumenta 40% em São Paulo
Termômetro da inadimplência, o volume de ações de cobrança por falta de pagamento da taxa de condomínio na cidade de São Paulo cresceu mais de 40% em janeiro ante dezembro.

O dado faz parte de um levantamento do Secovi-SP (Sindicato da Habitação) com base no Tribunal de Justiça de São Paulo.

"Janeiro é um mês difícil devido aos gastos do final do ano, somados a IPTU, IPVA etc. Mas neste ano foi acima do normal", diz Hubert Gebara, executivo do sindicato.

Com 985 ações protocoladas, o número foi o maior na comparação dos meses de janeiro desde 2007, quando cerca de 1.040 ações foram registradas.

"Depois que a legislação reduziu a multa para o condomínio em atraso, essa conta deixou de ser uma das prioritárias", afirma Gebara.

"Quando a inadimplência está elevada, as pessoas acabam preferindo pagar as contas do cartão de crédito, que tem juro mais alto. Elas priorizam o pagamento do que pune mais", diz.

CHOCOLATE PRÓPRIO
Com o fim do Carnaval, os ovos de Páscoa chegam às lojas. As grandes varejistas devem investir nos produtos de marca própria, com destaque para as embalagens presenteáveis.

No Extra e no Pão de Açúcar, os ovos começam a ser apresentados nesta semana. Os primeiros são da marca exclusiva do grupo e a expectativa é aumentar as vendas em 7% ante igual período de 2012.

O Carrefour vai oferecer cerca de 7,5 milhões de unidades de ovos, que chegam às lojas neste mês.

No Walmart, a compra de mais de 350 tipos de ovos que serão oferecidos já foi finalizada e a estimativa de alta é superior a 10% nas vendas em relação a 2012.

Nos itens de marca própria, que focaram em brindes para crianças e embalagens de presente, a alta esperada é de 30%.

Contribuição chinesa
Em 2020, o capital global deverá superar os atuais US$ 600 trilhões e atingir US$ 900 trilhões, de acordo com um levantamento da consultoria Bain & Company.

A China, que contribuirá com cerca de US$ 87 trilhões, será a maior responsável pelo salto dos ativos financeiros espalhados pelo mundo.

Os ativos promovidos pelos chineses deverão representar quatro vezes a quantidade que será gerada pelo vizinho japonês.

O crescimento provocado pelos Estados Unidos e pela União Europeia deve ser superado em US$ 25 trilhões.

Um novo clima - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 14/02

O presidente Barack Obama deu nova ênfase ao combate à mudança climática, pediu leis sobre o tema e avisou: "Se não fizerem, eu faço." Elegeu o fortalecimento da classe média como o norte da gestão, avisou que está iniciando negociações comerciais e de investimento com a Europa e fechando um acordo com a Ásia. A única região não citada no discurso foi a América do Sul.

Na área fiscal, ele prometeu o céu que todos os governantes querem: aumento de gastos sociais sem elevar o déficit público. Nenhum dime , disse ele, será acrescido às despesas. Mas não disse onde cortar. Avisou que redução de déficit tem que estar na agenda, mas não pode ser programa de governo.

Está certo, mas só pode dizer isso, tendo aquele déficit imenso, porque governa o país emissor da moeda mais aceita no mundo. Assim, os Estados Unidos podem financiar seus desequilíbrios não resolvidos.

A área a cortar deve ser a dos gastos militares. Este ano, volta a metade dos soldados no Afeganistão, e até o fim do ano que vem a guerra acaba. A al-Qaeda, segundo ele, é hoje uma sombra do que foi. Disse que melhor do que combater os inimigos com ocupação de países é construir alianças locais e investir em segurança cibernética.

Na política externa, um detalhe que não é inédito, mas tem um significado: todas as regiões do planeta foram citadas, menos a América do Sul. A diplomacia brasileira costuma dizer que é bom mesmo que nos esqueçam. Teria sido bom que tivessem nos esquecido durante a Guerra Fria, quando a região foi vista como uma área a ocupar com ditaduras. Agora, em época de alianças para novas tecnologias, ampliação de comércio, pesquisa e desenvolvimento, o melhor é estar no mapa do país líder em inovação.

Ele conclamou os dois partidos para o combate às mudanças climáticas. "Mas, se o Congresso não atuar em breve para proteger as futuras gerações, eu vou." Ele pode agir muito através de órgãos de governo e da agência ambiental, e essa era a ameaça. Obama lembrou os últimos desastres, como o furacão Sandy e a superseca do ano passado. Disse que o país pode achar que é coincidência ou confiar nos cientistas. "Um evento não faz uma tendência, mas o fato é que os 12 anos mais quentes da história aconteceram nos últimos 15 anos."

Ele defendeu o que seu governo fez em energia limpa. "No ano passado, a energia eólica agregou quase metade da nova capacidade de geração de energia dos Estados Unidos. Então vamos gerar ainda mais. A energia solar fica mais barata a cada ano; vamos fazer com que fique mais barata." E disse que se a China consegue avançar em energia limpa, os Estados Unidos também podem.

No início do discurso, Obama comemorou o fato de que a dependência do petróleo importado foi a menor em 20 anos. Isso só pode acontecer pelo aumento da produção de gás. Ele chama de gás natural, mas esse aumento foi possível pelo produto vindo do fracionamento de rocha, que tem conhecidos problemas: excessivo gasto de água e risco de contaminação do lençol freático. Obama propôs criar um fundo com as receitas de petróleo e gás para financiar estudos para aumento da segurança energética.

Apesar de a economia americana ser forte em serviços, ele defendeu a indústria. Disse que ela criou 500 mil empregos. Esqueceu de dizer que hoje a indústria americana emprega três milhões a menos que há uma década.

O discurso é um ritual, mas Obama o utilizou, desta vez, como plataforma de lançamento do segundo governo e para passar mensagens com a mudança de tom e do espaço dado aos temas. A mais expressiva alteração foi na questão climática.

É a guerra cambial - CELSO MING

O ESTADO DE S. PAULO - 14/02


Afinal, de que animal se trata? O termo repetido cada vez mais insistentemente nas reuniões dos maiorais da economia global é guerra cambial - o mesmo que o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, vem usando desde setembro de 2010.

Para o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, esse bicho não existe. O termo guerra cambial é forte demais, disse ele ontem. Mas o presidente da França, François Hollande, não quer discussões sobre metafísica. Quer logo uma ação contra o que também vai denominando como guerra cambial.

Prova de que o problema está assustando foi o comunicado assinado pelas autoridades financeiras do Grupo dos Sete (G-7) países ricos, divulgado na terça-feira por meio do Banco da Inglaterra (banco central inglês). Foi reafirmado o compromisso das principais autoridades financeiras do mundo de que o câmbio não pode ser manipulado.

Quando Mantega começou a fazer suas denúncias, o alvo era o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). O ministro o acusava - e ainda acusa - de despejar trilhões de dólares no mercado com o objetivo admitido de estimular a retomada do crescimento econômico, mas cujo único resultado é inundar os mercados de câmbio dos países emergentes com moeda estrangeira. A principal conseqüência, vem advertindo ele, é a valorização das moedas nacionais pelo simples efeito da lei da oferta e da procura. Essa valorização puxa para cima os preços em dólares do produto nacional e reduz a competitividade do setor produtivo. É a mesma denúncia que repetida por vezes pela presidente Dilma Rousseff com outra metáfora: tsunami monetário.

Mas as autoridades não estão falando da mesma coisa. A preocupação do momento não é a atitude do Fed - que segue recomprando títulos no mercado (portanto, despejando dólares), à proporção de US$ 45 bilhões por mês -, mas a do Banco do Japão (BoJ) - que, em menos de três meses, realizou um despejo colossal de moeda no mercado, que provocou desvalorização do iene de 13% em relação ao dólar.

As pressões do presidente Hollande são de que o BCE saia da inércia, que use a bazuca que tem à sua disposição e que também emita euros em volume suficiente para enfrentar com as mesmas armas os ataques do BoJ. Se fosse atendido, a guerra cambial deixaria de ser somente um conceito discutido por teóricos. Passaria a ser um conflito reconhecido, sujeito a funestas conseqüências.

O comunicado do G-7, assinado também pelo ministradas Finanças do Japão, reafirma compromissos dos senhores do mundo com o livre jogo de mercado. Mas as tensões chegaram a um nível tal que exigem mais do que simples declarações.

Parece inevitável que a reunião de cúpula dos principais dirigentes das Finanças e dos bancos centrais do Grupo dos Vinte (que incluem alguns países emergentes), marcada para ser realizada nesta sexta- feira e neste sábado, em Moscou, para buscar saídas para o crescimento econômico, aprofunde as discussões.

Duas perguntas ficam para ser respondidas. A primeira é se, desta vez, haverá mais do que declarações inconseqüentes e se as coisas, com esse ou outro nome, continuarão como estão. E a segunda é o que fazer para acabar com a paradeira que aí está, caso os grandes bancos centrais fiquem proibidos de usar o câmbio para relançar suas economias.


O Brasil e os rumos de Obama - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S. PAULO - 14/02

Os dois mercados mais ricos e mais poderosos do mundo, Estados Unidos e União Européia, vão negociar um acordo de comércio e investimento, anunciou o presidente Barack Obama em seu discurso de terça-feira sobre o Estado da União. O acordo, possivelmente mais complexo e mais ambicioso que qualquer outro assinado até hoje, poderá ser concluído em dois anos, segundo afirmou no dia seguinte o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso. O presidente americano anunciou também a intenção de completar em breve a formação da Parceria Transpacífico, um empreendimento com participação de Chile, Peru, Austrália, Brunei, Cingapura, Malásia, Nova Zelândia e Vietnã. Essas duas informações deveriam ser suficientes para atrair a atenção das autoridades brasileiras e fazê-las refletir seriamente, para variar, sobre a rápida mudança na configuração do mercado global.

A Rodada Doha fracassou, mas acordos bilaterais e regionais vêm-se multiplicando e criando condições especiais de cooperação entre as maiores e as mais dinâmicas economias do mundo. O pacto de livre comércio entre Estados Unidos e Coréia do Sul - apenas para lembrar um exemplo significativo - entrou em vigor em março do ano passado. O Brasil está fora de todos os jogos mais importantes, limitado a uns poucos acordos do tipo Sul-Sul e nem sempre com parceiros dos mais dinâmicos.

O presidente Obama citou os acordos comerciais como itens de uma ampla política de criação de empregos e de sustentação do crescimento econômico nos próximos anos. A maior pane do pronunciamento passou longe da América Latina. A omissão parecerá menos estranha, talvez, se dois detalhes forem lembrados. Em primeiro lugar, os Estados Unidos já negociaram acordos comerciais com o México, boa parte da América Central e do Caribe e também com Chile, Colômbia e Peru, três das economias sul-americanas mais empenhadas na abertura de novos canais de comércio. Em segundo lugar, a busca de outras parcerias seria politicamente mais complicada, depois de torpedeado o projeto da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) pelos governos brasileiro e argentino, em 2003-2004.

Os Estados Unidos, apesar dos erros cometidos pela diplomacia petista, continuam sendo um destino importante para as exportações brasileiras, especialmente de manufaturados. Mas o Brasil perdeu oportunidades consideráveis, ao rejeitar, com o projeto da Alca, possibilidades de acesso preferencial. Parte importante do mercado americano foi ocupada por produtores da China e de outros países emergentes. O acordo dos Estados Unidos com a Coreia deve envolver, também, um custo significativo para a indústria brasileira. E o Brasil poderá continuar perdendo o bonde, porque a recuperação americana deverá produzir novas mudanças nas condições de competição.

O discurso do presidente foi muito além das questões imediatas, como o ajuste orçamentário. Além de medidas para sustentar a criação de empregos e a reativação da economia, ele apresentou um amplo receituário para o médio e o longo prazos. Falou sobre novas fontes energéticas, a relação entre energia e meio ambiente, o investimento em pesquisa, a formação de mão de obra e a atração de investimentos.

"Nossa primeira prioridade", disse Obama, "deve ser a transformação da América em um ímã para novos empregos e manufaturas." Atividades produtivas deslocadas para o exterior em busca de custos menores já começam a retornar, disse Obama, e é preciso intensificar esse processo. Mas não se trata apenas, como deixou claro, de recuperar indústrias, e sim de estabelecer novas condições de competitividade e dinamismo. Algumas das medidas dependerão do Congresso, outras, apenas da iniciativa do Executivo. Tudo isso deve ser feito juntamente com reformas indispensáveis e complicadas, como a do sistema de saúde, mas as fórmulas estão sendo criadas. Enquanto o governo brasileiro derrapa na formulação e na aplicação de políticas para recuperação do atraso, outras economias, a começar pela maior do mundo, se preparam para novos saltos. Seria bom se a presidente Dilma Rousseff prestasse atenção nessa evolução.

Ideologia prejudica comércio exterior - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 14/02

Acordo transatlântico entre EUA e União Europeia, cuja negociação tem apoio de Obama, é mais uma ameaça ao Brasil em processo de isolamento



Os discursos anuais do Estado da União proferidos pelos presidentes americanos perante sessão conjunta do Congresso funcionam como peça política de afirmação de doutrinas, programas e linha de governo. O feito no fim da noite de terça-feira por Barack Obama teve sua importância amplificada, por se tratar de um pronunciamento balizador do segundo mandato do presidente, quando o governante tenta deixar a sua marca na Casa Branca, sem se preocupar mais em disputar votos. Deseja encerrar a carreira política em cargos eletivos com um passaporte para a História.

Devido ao peso dos Estados Unidos, deve-se prestar atenção a tudo que emana do governo e Congresso americanos. No caso deste discurso, destaca-se o anúncio formal feito por Obama de apoio às negociações bilaterais com a União Europeia sobre um acordo comercial transatlântico. O Brasil tem interesse direto no assunto — ou deveria ter. E mesmo que os responsáveis pela política externa brasileira desdenhem este projeto, o país será afetado por ele, caso venha a ser fechado.

Em artigo no GLOBO de terça, o ex-embaixador Rubens Barbosa chamou a atenção para a fase de mudanças por que passa o comércio internacional, com a assinatura de vários acordos bilaterais, na esteira do fracasso da Rodada de Doha, de liberalização do comércio em escala planetária.

Deste processo de evolução o Brasil está alijado, por ter feito uma opção ideológica errada. Como a política externa foi capturada pela visão terceiro-mundista simpatizante do chavismo e bolivarianismo, o comércio exterior brasileiro vai sendo engessado nas limitações crescentes do Mercosul, paralisado pela crise política, econômica e institucional da Argentina, situação agravada na absorção do bloco pela Alba, associação dominada por Chávez e os irmãos Castro.

Enquanto o Mercosul e o Brasil estão paralisados, o comércio mundial tende a fluir cada vez mais por meio de acordos entre economias e blocos. Não faz muito tempo, Chile, Colômbia, Peru e México se uniram na Aliança do Pacífico, próxima dos Estados Unidos e Ásia. O México já é do Nafta, junto com os EUA e Canadá.

Há dias, países latino-americanos reuniram-se com a União Europeia, no Chile. Perda de tempo, devido à visão autárquica de argentinos, venezuelanos, equatorianos e bolivianos, aliados preferenciais de Brasília.

Não será fácil a negociação entre americanos e os 27 países da UE. Separa-os um contencioso semelhante ao que existe quando brasileiros e europeus tentam se entender: desentendimentos em torno de exportações agrícolas, o setor de serviços, proteção à propriedade intelectual, por exemplo. Mas se trata de um gigantesco fluxo comercial de US$ 2,7 bilhões diários. Se chegarem a algum entendimento — importante para os dois —, o Brasil, amarrado a um Mercosul de tonalidade chavista, ficará mais para trás neste novo comércio internacional.

Telefonia imóvel - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 14/02


Deficiências das operadoras de celular não são novas nem desconhecidas pela Anatel, mas agência reguladora falha na defesa dos usuários

No celular, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversa com a sucessora, Dilma Rousseff, e a ligação cai. A falha se repete duas vezes. O relato de um ministro, de agosto de 2012, é um exemplo acabado das agruras do usuário de telefonia móvel no país.

Não há, portanto, novidade no relatório da agência reguladora do setor, a Anatel, que indica estar abaixo do estipulado a qualidade da internet por celular ou tablets (3G) e do envio de mensagens de texto (SMS).

O estudo apontou que, entre agosto e outubro do ano passado, 4% do tráfego de internet e SMS teve falhas de conexão ou envio. É o dobro do limite permitido, fixado pela própria Anatel.

Ainda mais preocupante é que, apesar de os problemas serem recorrentes, a agência não age com rigor para impedir que se repitam. Segundo a Anatel, nenhuma das operadoras será punida desta vez, mas não estão descartadas medidas "severas", se necessárias.

A transigência poderia ser aceitável se o setor de telefonia móvel não fosse figura frequente nos diversos rankings de reclamações de consumidores. As operadoras de celular lideraram, por exemplo, a lista de reclamações aos vários Procons do país em 2012.

Nem mesmo a reação de julho do ano passado, quando a Anatel suspendeu a venda de novos números pelas marcas Oi, Tim e Claro, parece ter produzido efeitos.

Desde então, não são raros os relatos de panes no sistema das três operadoras e também da Vivo (que não foi punida na ocasião), como a que afetou milhões de usuários no Estado de São Paulo no mês passado.

A infraestrutura é claramente insuficiente para acomodar o crescimento do número de usuários -há mais de uma linha de celular por habitante- e dos acessos à internet por aparelhos móveis.

No final de 2012, a média era de 66 milhões de acessos via banda larga móvel (3G) por mês. Um crescimento de 170% em relação ao início de 2011.

As operadoras dizem, em sua defesa, que ampliaram os investimentos. Prometem fazer novos aportes para melhorar a qualidade do serviço. Para o consumidor que paga caro, no entanto, o salto de qualidade não se materializou nem parece à vista.

O celular, para o brasileiro, é muitas vezes o único telefone de que dispõe para falar com amigos e clientes. E, com cada vez mais frequência, também sua porta de entrada para a internet.

Oferecer um serviço ruim e a preços exorbitantes é intolerável. Cabe à Anatel cobrar das empresas a garantia de que entregarão o que prometem à agência e aos usuários.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Acho que seria muita pretensão um cardeal dizer ‘estou preparado’”
Arcebispo de São Paulo, cardeal dom Odilo Scherer, cotado para suceder a Bento 16


TCU PODE SUSPENDER OS REAJUSTES NO EXECUTIVO

O governo federal pode ser obrigado a suspender o aumento dos seus servidores. O problema foi causado pela ministra Mirian Belchior (Planejamento), que mandou pagar os reajustes a diversas categorias do Executivo mesmo sem autorização específica da Lei Orçamentária Anual (LOA). Além disso, ela deixou servidores dos poderes Legislativo e Judiciário dependendo da aprovação do dispositivo legal que ignorou.

MEDIDA CAUTELAR

O caso virou processo (nº 1054/13) no Tribunal de Contas da União, que vai julgar medida cautelar ordenando a suspensão do pagamento.

REPRESENTAÇÃO

A origem do processo é uma queixa da Secretaria de Macroavaliação Governamental, do próprio TCU, contra a ministra do Planejamento.

NO AGUARDO

Mirian Belchior prestou informações ao TCU no dia 31 e aguarda o julgamento da cautelar para sustar o pagamento dos reajustes.

NOVA DIREÇÃO

O gaúcho Ronaldo Schmitz comanda o misterioso Banco do Vaticano, instituição que já viu escândalos para mensaleiro nenhum botar defeito.

CÔNSUL BRASILEIRO SOB NOVA ACUSAÇÃO DE ASSÉDIO

O embaixador Americo Fontenelle, cônsul-geral do Brasil em Sidney, é alvo de uma nova denúncia de assédio moral contra um subordinado, que a formalizou por escrito ao ministro Antonio Patriota (Relações Internacionais) e demais integrantes da cúpula do Itamaraty, incluindo o corregedor. Fontenelle respondeu a idêntica acusação quando cônsul-geral em Toronto (Canadá), mas foi premiado com o posto na Austrália.

SERVIDOR HUMILHADO

O embaixador Fontenelle é acusado em Sidney de humilhar e insultar reiteradamente o servidor Luis Henrique Gonçalves Aroeira Neves.

SERPENTÁRIO

Adjunto de Fontenelle, Cezar Cidade também é acusado por assédio moral e ofender colegas lotados na Embaixada do Brasil em Camberra.

FILME ANTIGO

O ex-servidor em Toronto Georges Cunninggham Jr fez denúncia igual contra Fontenelle e se demitiu. Hoje, trabalha no governo canadense.

SANTO SEPULCRO

Mais uma vez, o Brasil abriu mão de sua relevância, no plano internacional, para se aliar à baixaria da “esquerda latina”, ignorando a renúncia de Bento 16. Cuba, Venezuela e Bolívia também.

BOMBA ALIMENTAR

O Itamaraty apresentou um tímido protesto contra o foguetório nuclear da Coreia do Norte. Mas não sabe o destino de toneladas de feijão doadas pelo Brasil ao miserável povo da obscena ditadura asiática.

PIBINHO À VISTA

A diretora de Estratégia Macro e Global do Citigroup disse à rede americana CNBC que seu banco espera da economia brasileira um crescimento raquítico de 0,3%, em 2013. Na melhor das hipóteses.

A LUA É AQUI

O número impressionante de buracos na rua onde mora o embaixador dos Estados Unidos, em Brasília, deve ser uma curiosa homenagem do governo do DF àquele país, primeiro a pôr os pés nas crateras lunares.

ÁGUAS PASSADAS

A Marinha mantém submersa a propriedade da lancha “Amazônia Azul” – uma Aquamarine Azimuth de R$ 6 milhões, onde a presidente Dilma Rousseff desfilou pela segunda vez na Bahia. A Receita a confiscou de um empresário.

PAPA METIDO

O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) virou motivo de gozação entre os paraibanos, após declarar-se “surpreso” com a renúncia do papa. Fez parecer que estava indignado por não ter sido avisado. Ou pretendia que a matéria fosse deliberada na CCJ no Senado, que vai presidir.

A COPA É NOSSA

O Conselho Nacional de Justiça esclareceu que não há chance de virar farra de gastos a missão dos magistrados (das cidades-sede) que vão coordenar e fiscalizar obras e litígios na Copa de 2014. A coisa é séria.

INFILTRAÇÃO

O aplicativo Waze, que divulga alertas sobre blitz nos celulares, ganhou a adesão de agentes de trânsito de Brasília. Eles plantam dicas falsas sobre ausência de blitz, por exemplo, para flagrar motoristas infratores.

SINAIS DE FUMAÇA

O Vaticano ignora um candidato prêt-a-porter para papa: além da idade ideal, o senador José Sarney tem também a imortalidade garantida.


PODER SEM PUDOR

A VOZ DOS SAPOS

Na campanha presidencial de 1945, o deputado Último de Carvalho fazia campanha para o general Eurico Gaspar Dutra, que enfrentava o pretenso favoritismo do brigadeiro Eduardo Gomes. No interior de Minas, ele enfrentava dificuldades para convencer até um dos seus cabos eleitorais, que o convidou a ir à janela de sua casa e ouvir algo.

- Só ouço o coaxar dos sapos! - disse, impaciente.

- Até as rãs, só sabem dizer "brigadeiro, brigadeiro".

Deu Dutra.

QUINTA NOS JORNAIS


Globo: Carnaval 2013: Vila de Martinho é a campeã
Folha: Bento 16 critica divisão na Igreja e fala em hipocrisia
Estadão: Bento XVI critica ‘hipocrisia religiosa’ e Igreja ‘desfigurada’
Correio: “Divisões deturpam a igreja”, alerta o Papa
Valor: União traça limite para a negociação da MP dos portos
Estado de Minas: Lições de um carnaval renascido
Jornal do Commercio: Mais blitz e menos multa
Zero Hora: Nova empresa de pedágios não terá fôlego para obras

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Polêmica no samba - ANCELMO GOIS


O GLOBO - 13/02

Graça Foster, 59 anos, que desfilou anônima domingo na União da Ilha, como faz há mais de 20 anos, saiu em defesa de Diogo Nogueira. O sambista, como se sabe, criticou a influência de patrocinadores no enredo das escolas de samba.
Diogo citou o caso da Mangueira que, no ano do centenário de Jamelão, homenageou Cuiabá.
“O desfile da Mangueira estava maravilhoso”, diz a presidente da Petrobras. “Mas escolher Cuiabá como tema foi um horror.”

Segue...
Ela, naturalmente, não é contra o patrocínio no samba:
— Mas nada de patrocinador escolher o enredo. É por isso que surgem estes temas feios como Coreia do Sul ou Cuiabá. Os patrocinadores têm que dar total liberdade de criação.
Eu apoio.

A propósito
O governador Sérgio Cabral, que nasceu em berço de samba, defende que um enredo bem apresentado é imbatível:
— Não adianta escolher um bom tema sem traduzi-lo na Sapucaí. Pra isso precisa ter um bom samba e um bom carnavalesco.

Tema patrocinado
O enredo da escola de samba Grande Rio para 2014 será os 200 anos de Maricá, cuja relação com o samba é... não sei.

Aliás...
A Grande Rio convidou a atriz Bruna Marquezine, a namorada de Neymar, para ser a sua rainha de bateria no ano que vem.

Novo comentarista
Roger, o ex-jogador, assinou contrato com a TV Globo.

Calma, gente!
Ao sair fantasiada de toureira no carnaval da Bahia, Ivete Sangalo comprou briga com ONGs protetoras de animais. A Fala Bicho pede, em seu blog, que as pessoas enviem protestos à cantora. Ou seja, cantar a velha marchinha “Tourada em Madri” nem pensar. 
Francamente. 

Fogueira santa
Uma Kombi da igreja Assembleia de Deus passou ontem, na Praia de São Conrado, convidando as pessoas, pelo alto-falante, para o Bloco de Jesus. E anunciava: “Traga sua fantasia para queimar na fogueira santa!”

Vista liberada
Em pleno domingo de carnaval, o prefeito Eduardo Paes foi à Vista Chinesa com a família checar se uma ordem sua tinha sido obedecida. É que, até sábado passado, tapumes para uma futura obra atrapalhavam o acesso ao mirante. Paes viu e mandou desmontar tudo imediatamente. Durante o carnaval, o lugar ficou lotado.

iSexo
O motel Corinto, em Vila Isabel, inaugurou novas suítes equipadas com iPad. Dá para controlar a televisão, o som e a jacuzzi ao mesmo tempo, em meio a saliências. É o que dizem.

Mundo animal
Alice Dellal, a top internacional filha da brasileira Andréa com o inglês Guy Dellal, chamou muita atenção segunda no camarote da Devassa, na Sapucaí. Acredite. Usando um microsshort preto, a top pegou um prato, ficou de quatro e comeu com as mãos.

No mais
A ideia de uma mulher como Papa não deve passar pela cabeça da cúpula machista da Igreja Católica. Mas se este milagre ocorrer, questiona o professor e dicionarista Cláudio Cezar Henriques, da Uerj, a palavra papisa seria ressuscitada?

Aliás...
Tem uma lenda, tema de filme e livro, que diz que nos anos 850 a Igreja teve a Papisa Joana. Mas aí é outra história.

O PARABÉNS DO QUERIDO POETA DA VILA
Pouco antes de entrar na Sapucaí, na madrugada de ontem, ainda na concentração, Martinho da Vila recebeu uma homenagem dos amigos. Um bolo, com direito a velinha e parabéns, para festejar seus 75 anos. Ganhou de presente também esta charge do cartunista Ikenga.

Martinho nasceu em 12 de fevereiro de 1938, bem no meio do carnaval, na cidade de Duas Barras, interior do Rio. Filho de camponeses que trabalhavam como meeiros para fazendeiros, o nascimento do caçula em uma família com quatro mulheres encheu de orgulho o pai do sambista que disse para a sua mulher: “Vamos morar no Rio, não quero o meu filho abrindo porteira para fazendeiro.” Setenta e cinco anos depois, ele desfilou com a fantasia de fazendeiro, vestido de botas, colete, chapéu. Martinho, este ano, tem muito o que comemorar. Teve seu samba-enredo — ele é autorjunto com Arlindo Cruz, André Diniz, Tonico da Vila e Leonel — escolhido pela escola. Ele também foi homenageado pela Banda da Rua do Mercado. Que seja muito feliz!
Ana Cláudia Guimarães

Depois dos tablets, os ‘indies’ - ELIO GASPARI

O GLOBO - 13/02

Quem tem um livro na cabeça, deve escrevê-lo, porque será fácil colocá-lo na praça


Há apenas seis anos surgiu nos Estados Unidos o primeiro modelo do Kindle. Tinha o respaldo da Amazon, maior central de venda de livros do país, mas não decolou. Em 2009, com um modelo melhor, o mundo se deu conta de que os livros de papel, que fizeram a fortuna dos editores de Veneza no século XVI, haviam ganho um concorrente. Algo como a estranha sensação que os fabricantes de carruagens tiveram quando viram o primeiro veículo sem cavalos. Um ano depois, Steve Jobs mostrou ao mundo o iPad, como Henry Ford apresentou o modelo T. Ao final do ano passado haviam sido vendidas cerca de 130 milhões de tabuletas de vários fabricantes e, em apenas dois anos, os e-books fecharam 2012 com 22% das vendas de livros nos Estados Unidos.

É um bicho que o freguês compra em dois minutos, custa metade do preço, não ocupa espaço nem junta poeira.

Há poucos dias a Apple, cuja livraria tenta competir com a Amazon, mostrou que uma nova mudança está chegando à outra ponta do mercado, incentivando o acesso aos livros produzidos pelos autores. Criou na sua loja americana uma seção chamada “Breakout Books”. As produções independentes já existem há anos e a coisa funciona assim: o sujeito escreve seu livro (“indie”, em internetês, numa apropriação da gíria do mercado musical), manda o texto e uma capa para a loja eletrônica, grande ou pequena, e lá ele é vendido. Em geral esses livros custam metade do preço dos e-books do mercado. (Já existem iniciativas desse tipo no Brasil.)

Se as tabuletas facilitaram, baratearam e democratizaram o acesso aos livros, os “indies” terão o mesmo efeito na produção de autores. Todos mundo tem o direito de achar que o romance guardado em sua cabeça é um grande livro, mas nem todo mundo consegue uma editora. Como Hemingway e Stephen King tiveram originais rejeitados, fica-se com a esperança de que, havendo um editor, haverá mais um grande romancista. Facilitando-se o acesso da obra ao mercado, se ela pifa, o problema é do autor, sem custo de encalhe.

Com um diploma de economista por Stanford, Bella Andre saiu do mercado tradicional e foi para os “indies”. Botou seu livros eróticos na rede, inclusive nas grandes varejistas. Vendeu perto de um milhão de cópias e faturou mais de um milhão de dólares, talvez dois. Como essa modalidade de comércio ainda é incipiente no Brasil, por cá a edição em papel de um de seus romances sai por R$ 30 e o e-book por R$ 20. Na rede americana, os mais baratos custam zero e os mais caros ficam por US$ 5, ou R$ 10.

Andre entrou no mundo eletrônico depois de passar pelo mercado tradicional. O engenheiro aeronáutico Brian S. Pratt desencantou-se com a profissão. Queria ser escritor e teve que dirigir táxi. Em 2009, ganhou US$ 7,82 depois de colocar seu livro na loja da Smashwords. Dois anos depois, para horror da crítica gramatical e politicamente correta, recebeu um cheque de mais de US$ 100 mil.

Essa nova forma de produção e comercialização de livros dificilmente mudará o panorama literário. Poderá até piorá-lo, mas ajudará quem acredita que pode botar seu livro na praça.


Serviço: Mark Coker, o criador da maior distribudora de “indies”, a Smashwords, botou na rede seu livro “Secrets to ebook Publishing Success”. Evidentemente, é grátis.


Neymar: Só perde quem bate - SONIA RACY

O ESTADÃO - 13/02

Megan Fox não conseguiu visitar uma comunidade pacificada do Rio, em seu segundo dia na cidade – como gostaria de ter feito. Sua visita ao Complexo do Alemão foi cancelada, e a atriz ficou com o marido e o filho no hotel. Mas deixa no Brasil uma doação (estimada em R$ 100 mil) para projetos sociais, como o Jovens de Responsa.

Já Bruna Marquezine circulava, anteontem, pela concentração da Sapucaí com segurança digna de mulher de boleiro. Pouco antes, Neymar confirmara o namoro com a atriz, dizendo só estar no Sambódromo para vê-la desfilar na Grande Rio.

De boné preto e mascando chiclete, o craque chegou à área VIP do camarote da Brahma às 23h. Perto dele, Felipão e família assistiam (entretidos) ao desfile da Mangueira. Logo depois, foi a vez de Andrés Sanchez chegar. Os dois não se cumprimentaram. No mesmo espaço, os presidentes de Botafogo, Maurício Assumpção, e Fluminense, Peter Siemsen.

Do lado de fora do cercadinho, o holandês Seedorf, do Botafogo, acompanhava o desfile com a mulher, a ex-passista Luviana. Simpático, contou já estar adaptado ao Rio. “Quem não ficaria?”, brincou ele. Ronaldo, garoto-propaganda da Brahma, apareceu com o pai e sua nova namorada, Paula Morais, mais um punhado de amigos.

A sensação da noite aconteceu quando Neymar desceu para a frisa. Ao lado de Luana Piovani, do marido dela, o surfista Pedro Scooby, e outros amigos, tentou assistir aos desfiles ao lado de convidados menos famosos. Mas logo passou a tirar dezenas de fotos com fãs – alguns famosos, como o humorista Hélio de la Peña, que pediu para que ele posasse ao lado de seu filho.

“Estou acostumado com o assédio”, disse. E o pênalti que Ronaldinho perdeu contra a Inglaterra? “Qualquer um em campo tinha condições de bater. Só perde quem bate”, respondeu. “Fechou? Agora deixa eu curtir o carnaval?”, pediu o jogador, antes de voltar à área VIP para ver a namorada desfilar.

Juliana Paes (de vestido longo que marcava a barriga de quatro meses de gravidez) conferiu a passagem das escolas sentada na mureta da frisa – com amigos e o marido, Carlos Eduardo Baptista. Cansada? “Se estivesse com 6 ou 7 meses, pensaria duas vezes antes de vir”, contou, no início da noite. “Vou ficar até a hora que aguentar”. Aguentou até a madrugada, quando a Vila Isabel fechou a noite e arrebatou a Sapucaí. Na empolgação, esqueceu o celular na mesa de um grupo próximo. Voltou para buscar quase meia hora depois – e achou.

No terceiro andar do camarote, Luana e Scooby se esbaldaram madrugada adentro no “baile charme”. “Sou Mangueira e Salgueiro”, ressaltou a bela, minutos antes. Usava short cor de rosa e um par de tênis da mesma cor, com detalhes em verde. Já o marido calçava tênis verde, para combinar.

O cercadinho VIP da Devassa, depois das 2h30, ficou apinhado de gente. Muitas celebridades disputavam o minúsculo espaço reservado à musa da cervejaria, Alinne Moraes. Débora Nascimento e o namorado, José Loreto, por exemplo, dividiram os poucos metros quadrados com Fernanda Torres e Paula Lavigne.

Marta Suplicy terminou seu périplo pelo carnaval do Brasil no camarote do governador Sérgio Cabral, anteontem. A ministra da Cultura, que passou pelas folias de São Paulo, Bahia e Recife, deixou a Marquês de Sapucaí meia-noite e meia, acompanhada do marido, Marcio Toledo. “O melhor de ter participado de todas essas festas foi perceber a diversidade do carnaval. Cada lugar tem seu jeito especial de festejar. O Galo da Madrugada, por exemplo, é a cara de Recife”, comentou à coluna.

Marta, aliás, deixou Pernambuco com “a certeza de que Eduardo Campos e o PT estarão juntos em 2014”.

Também Julio Semeghini, secretário de Planejamento de Alckmin, circulou pelo camarote do governador carioca. “Já que o PSDB não deu certo no Rio, vim fazer campanha para o Pezão”, disse, referindo-se ao vice-governador Luiz Fernando Pezão, pré-candidato do PMDB ao governo do Rio em 2014. “A presença dele foi ótima”, retribuiu Pezão.

Feitos para o Carnaval - RUY CASTRO

FOLHA DE SP - 13/02

RIO DE JANEIRO - Leitores se surpreenderam ao ler aqui ("Samba e/é cultura", 11/2) que sambas hoje clássicos, como "Com Que Roupa?", de Noel Rosa, "Ó Seu Oscar", de Ataulpho Alves e Wilson Baptista, e "Ai, Que Saudades da Amélia", de Ataulpho e Mario Lago, tinham sido compostos para o Carnaval. Isso porque, quando se pensa em Carnaval, só nos vêm à cabeça velhas marchinhas e os raros sambas-enredo cuja melodia sobreviveu ao desfile.

Mas, em meio à desmemória geral, um punhado de sambas ainda é conhecido e lembrado -só nos esquecemos de que foram feitos para o Carnaval. É o caso, por exemplo, de "Despedida de Mangueira", de Benedito Lacerda e Aldo Cabral, do Carnaval de 1940; "O Trem Atrasou", de Romeu Gentil, Paquito e Estanislau Silva, de 1941; e "Praça Onze", de Herivelto Martins e Grande Otelo, de 1942. Mas tem mais.

O Carnaval de 1947 produziu "Palhaço", de Benedito e Herivelto, e "Onde Estão os Tamborins?", de Pedro Caetano. O de 1948, "É com Esse Que Eu Vou", também de Pedro Caetano, e "Não me Diga Adeus", de Paquito, Soberano e Correia da Silva. O de 1949, "Pedreiro Waldemar", de Wilson Baptista e Roberto Martins, e "Que Samba Bom!", de Geraldo Pereira. O de 1950, "A Lapa", também de Benedito e Herivelto. E o de 1951, "Pra Seu Governo", de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira.

E vieram os sambas sociais de Luiz Antonio: "Sapato de Pobre", no Carnaval de 1951, "Lata D'Água", no de 1952 (ambos com Jota Junior), e "Zé Marmita", no de 1953 (com Brasinha), todos cantados por Marlene. Já 1958 foi o ano de "Madureira Chorou", de Carvalhinho e Julio Monteiro; 1961, o de "Quero Morrer no Carnaval", também de Luiz Antonio, com Eurico Campos; e 1962, o de "Oba!", de Oswaldo Nunes.

Com a volta triunfal dos blocos no Rio, os jovens estão merecendo aprender esses grandes sambas.

Bichos fora do mato - NINA HORTA

FOLHA DE SP - 13/02

Com o retorno da vida selvagem, os quintais se tornaram campos de batalha


Depois da lei de que não se pode cortar uma árvore, aquele meu pedaço, pelo menos, da serra do Mar, em Paraty, virou mato, mesmo, mata cerrada. Aparecem cabecinhas de macaco por onde se anda, uns "miquinhos" que nem sei o nome que vieram alegremente se juntar aos pernilongos, às pererecas, aos morcegos, às cobras, às aranhas e aos gambás. Esses são os bichos que na nossa cabeça deveriam morar lá fora, no mato, mas que vira e mexe vêm nos fazer companhia.

Vamos nos conformando, mas fiquei surpresa ao dar com o livro "Nature Wars": a incrível história de como, com o retorno da vida selvagem, os quintais se tornaram campos de batalha. O autor é Jim Sterba, editora Crown.

Livro de americano, realidade diferente da nossa, mas com muitas aproximações. Jim Sterba afirma que estamos perdendo certos direitos de propriedade para as criaturas selvagens. Parece que criamos um estilo de vida "bunda-no-sofá" e assistimos à natureza no canal Discovery. Não sabemos nada sobre florestas, quem são os bichos, como devem ser tratados. Pensamos que as galinhas já nascem depenadas, pescamos os peixes e os jogamos de volta ao mar com um beijo na boca. O que terá acontecido?

O autor acha que muito pouco tempo se passou depois que promovemos a extinção e a destruição de florestas e animais selvagens.

Nos Estados Unidos, o conservacionismo começou em 1880. Em 1950 já havia chegado a um bom nível de reflorestamento. E, em 2000, a maioria dos americanos morava em subúrbios altamente preservados, ou melhor, reflorestados. Nas décadas seguintes, criaram-se habitats em áreas rurais e foram reintroduzidas espécies em extinção. Deu certo por um período, mas começaram a perceber que algumas espécies não só se adaptavam, mas cresciam em número muito maior do que em seu próprio habitat. Principalmente porque nós, antigos predadores, passamos a protetores.

Essa mistura de homens, florestas e bichos nunca havia alcançado proporções semelhantes. Os mantenedores de vida selvagem se concentraram em manter populações saudáveis e os protetores dos animais se empenhavam em salvá-los do predador humano. Nenhum dos grupos estava preparado para o excesso de vida selvagem e à interação dos homens com os bichos.

Protetores de baleias, gatos, raposas, lobos, atum, bacalhau e mais e mais formaram exércitos proclamando que o seu bicho estava em extinção. Grandes campanhas foram feitas e o trabalho dos conservacionistas é sério e intenso.

Formaram-se grupos diferentes como os que são totalmente contra a morte de animais em benefício de qualquer ser humano. Grupos que não fazem objeções ao uso responsável de animais, contanto que eles não sofram. E outros que rejeitam a filosofia de direitos animais e acreditam em um uso responsável.

O assunto do livro é esse, a discussão, reflexão e constatação de como andam as coisas. Essa é uma pequena e incompleta resenha sobre um livro interessante. Não são opiniões minhas e não responderei a e-mails de ódio. O livro pode ser comprado naAmazon.com.

A renúncia do papa - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 13/02


Na homilia para a Sexta-Feira Santa de 2005, o cardeal Joseph Ratzinger, que um mês depois sucederia ao papa João Paulo II como Bento XVI, lamentou: "Muitas vezes, Senhor, a tua Igreja parece-nos um barco pronto para afundar". Ratzinger referia-se ao que lhe parecia ser o abandono progressivo da rígida doutrina da qual ele foi um dos principais zeladores. Passados oito anos de papado, Bento XVI anunciou sua renúncia, alegando não ter mais a saúde necessária para o desafio de "governar a barca de Pedro e anunciar o Evangelho". O gesto, grave e histórico, denota grande coragem moral, pois, embora a renúncia esteja plenamente prevista no direito canônico, não é corriqueiro que um papa, cujos predicados são geralmente vinculados à santidade, revele seus limites humanos. Mas foi também o ponto final de uma trajetória conturbada, que esteve longe de promover a conciliação de uma Igreja profundamente dividida e abalada por escândalos.

Teólogo de grande capacidade, provavelmente o intelectual mais preparado para ocupar o Trono de Pedro, Bento XVI é autor de encíclicas refinadas, como a Spe Salvi (salvos na esperança), que desvincula a mensagem de Cristo da política e que cita Kant, Platão, Dostoievski e Marx para discutir os limites da modernidade e da construção de um mundo sem Deus. Mas nos tempos atuais, em que o valor da mensagem parece depender primeiramente de seu impacto midiático global, não bastam palavras. Bento XVI reconheceu essa dificuldade em sua mensagem de renúncia, ao enfatizar que o mundo de hoje está "sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé". João Paulo II, o papa atlético que beijava o chão dos países que visitava, era o pontífice ideal dessa conjuntura e ajudou a eletrizar uma Igreja que, no entanto, já experimentava cisões importantes e crises graves.

Bento XVI, por sua vez, padeceu de sua falta de carisma e de uma imagem fortemente vinculada à intransigência doutrinária. Essa imagem foi alimentada pela ala progressista da Igreja, interessada em salientar, como contraponto, o legado do Concílio Vaticano II, que permitiu reformas modernizantes. Para os conservadores, Bento XVI, ao retomar princípios que o Concílio havia flexibilizado, tornou-se uma espécie de herói contra a suposta desfiguração dos pilares eclesiásticos por interesses políticos e ideológicos. De fato, da biografia do papa destaca-se seu papel como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, nomeado por João Paulo II em 1981. Como chefe do órgão que sucedeu ao Santo Ofício, o cardeal Ratzinger era responsável pela defesa das tradições católicas contra tentativas reformistas por parte de sacerdotes e teólogos dissidentes. Como papa, manteve-se imune aos apelos por mudanças - no caso mais recente, em junho do ano passado, o Vaticano censurou um grupo de freiras americanas por promover "temas incompatíveis com a fé católica", isto é, a união homossexual, os anticoncepcionais e o divórcio.

As turbulências de seu papado ganharam contornos constrangedores graças ao escândalo de pedofilia protagonizado por padres na Europa e nos Estados Unidos. Bento XVI procurou contornar a crise encontrando-se com vítimas dos abusos e determinando mudanças de conduta para impedir novos casos. Entretanto, o papa não se prontificou a disciplinar os bispos que, embora plenamente informados do que acontecia, nada fizeram para conter os padres pedófilos sob sua jurisdição. Uma dessas autoridades eclesiásticas, o cardeal Roger Mahony, de Los Angeles, estará entre os eleitores do novo papa.

O modo hesitante como o Vaticano lidou com o escândalo é certamente um dos pontos mais baixos da trajetória de Bento XVI, mas seu legado não pode ser tomado por isso. Na história deste pontificado, destaca-se muito mais a reafirmação de princípios morais inegociáveis. A própria renúncia de Bento XVI certamente é um ato de lucidez e, como tal, deverá ter a capacidade de influenciar na escolha de seu sucessor, sempre tendo em vista a defesa incondicional da doutrina contra a vaga dita progressista na Igreja. Eis o gesto derradeiro do grande teólogo e defensor da fé.

Foxy lady - ANTONIO PRATA

FOLHA DE SP - 13/02

Valdemar sente a cabeça latejando, prestes a explodir, como se um celular vibrasse dentro dela


VALDEMAR ACORDA ainda fantasiado de sultão. Sente a cabeça latejando, prestes a explodir, como se um celular vibrasse dentro de seu cérebro. Vira-se para o lado, na esperança de encontrar um copo d'água e uma aspirina na mesinha de cabeceira, mas não encontra sequer a mesinha de cabeceira: aquele não é seu quarto. Seu quarto não tem paredes cor-de-rosa. Nem lençóis de oncinha. Vira pro outro lado, na esperança de que sua mulher, Judith, lhe explique como foram parar ali, mas a pessoa com quem divide a cama não é sua mulher, e sim um ruivo vestido de noiva, que o encara com o que, na falta de palavra mais forte, vamos chamar de pânico.

- Quem é você?! - pergunta Valdemar.

- Quem é você?! - retruca o ruivo, arrancando o véu e a grinalda.

- Eu perguntei primeiro! Quem é você e o que que eu tô fazendo na sua casa?!

- Minha casa?! Cê acha que a minha casa tem parede cor-de-rosa e lençol de oncinha, parceiro?!

- Ué? Pra quem se veste de noiva...

- Olha quem fala, com esse teu saião aí!

- Que mané saião, amigo! Isso aqui é bata! Bata de sultão, entendeu?!

- Entendi. Não entendi é o que que eu tô fazendo aqui nessa cama.

Os dois olham em volta. Se encaram. Ficam quietos por intermináveis segundos, até que o ruivo rompe o silêncio.

- A última coisa que eu lembro é do bloco do Caroço, lá no Tremembé.

- Tremembé? Não, não, eu tava no cordão do Carcamano, no Bexiga. Eu lembro que tocou "Balancê", lembro que eu puxei um trenzinho, depois eu não lembro de mais nada. Que loucura, que perigo, podia ter acontecido alguma coisa séria comigo!

- Tipo acordar num quarto rosa, com lençol de oncinha, do lado de um ruivo vestido de noiva?

Eles se calam outra vez. Olham pro chão. Olham pro teto -espelhado. Valdemar toma coragem:

- Escuta, cê não acha que a gente... A gente...

- Que isso, parceiro?! Tá louco?! Eu sou espada!

- Eu também! Mas sei lá...

- Sei lá o escambau! Comigo não tem sei lá, não! Eu sei! Posso não lembrar de nada, mas eu sei! Eu sou espada!

- Beleza, calma... Perguntei só por perguntar. E agora, que que a gente faz?

- Você, eu não sei; eu vou voltar pro Tremembé.

O ruivo sai do quarto. Valdemar o segue. Pegam o elevador. Dão numa portaria. Atrás do balcão dourado, sob o logotipo do Foxy Lady Motel, um funcionário lhes sorri.

- Boa tarde, seu Valdemar, boa tarde, dr. Ubiratan. Precisa se preocupar com o pernoite, não, que o pessoal da televisão já pagou. E mandaram avisar que se não der pra ver o programa mais tarde, vai ficar na internet.

O ruivo sai correndo, gritando. Valdemar sente a cabeça latejando, prestes a explodir, como se um celular vibrasse dentro de seu cérebro -e é quase isso, pois leva a mão ao turbante e encontra o telefone enfiado numa dobra do tecido. Trinta e sete ligações não atendidas, todas da Judith, que faz agora a 38ª tentativa.

- Alô, Judith? Calma, Judith! Espera! Eu te explico chegando em casa! Não! É meio estranho, tem que ser pessoalmente! Segura as pontas! E, ó, pelamordedeus, não liga a televisão!

GOSTOSA


SAMBA, SUOR E UM COPINHO DE XIXI - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 13/02

Nanda Costa coloca a cara para fora da van em que está escondida, na concentração da Beija-Flor, anteontem. Ela será o destaque maior da escola de samba e finaliza, ali mesmo, maquiagem e roupa para entrar na avenida.-

Mas a produção tem um grande problema para resolver: a Morena da novela "Salve Jorge", da TV Globo, está com vontade de fazer xixi. O banheiro químico mais próximo "é longe e está impraticável". E, se sair na multidão, corre o risco de ela nem conseguir voltar a tempo, tantas são as pessoas que pedem para tirar fotos com "a Morena".

"Agora vamos atrás de um baldinho, uma latinha ou um copinho para ela fazer xixi, no carro mesmo", diz o publicitário Marcelo Sebá, irmão de Andrea Luz, empresária da atriz. "Não conta!", pede Nanda. "Isso é a Sapucaí, gente!", diz Sebá.

Acomodados na van estão assessores e o maquiador, André Veloso, que retoca o rosto de Nanda, sentada na segunda fileira de bancos. Ele ainda precisa passar creme Nivea no corpo dela. "É ótimo para a pele extrasseca. Coloco ainda um pigmento dourado. Fica uma textura linda para sair nas fotos e na TV."

São 23h30. Nanda começou a se arrumar em casa, às 19h, numa maratona que já dura quatro horas.

A atriz diz que não se preparou especialmente para a Sapucaí. "Mas você fez uma 'detox', que eu sei", entrega Sebá. Sim, ela adotou uma dieta sem proteína nem glúten. Acorda e toma suco verde, com pepino, cenoura, couve, gengibre e uma fruta, tudo batido no liquidificador. No almoço, pratos como escondidinho de espinafre.

"Ah, mas não foi para emagrecer. Fiz uma desintoxicação alimentar. Minha pele estava um pouco feia por causa de tanta maquiagem, por exemplo", justifica.

Ser protagonista da novela das nove não mudou sua vida nem seu jeito de ser, dizem os familiares. "Mas neste ano todos os camarotes [patrocinados por empresas no sambódromo] convidaram ela para ver os desfiles, com direito a carro e quantos convidados quisesse", diz Sebá. Nanda recusou. "Eu quero ficar com o povo da Beija-Flor."

Ela fala das críticas que recebe. "Ninguém 'taca' pedra em árvore que não dá fruto. Isso significa que tô fazendo, produzindo. Se falam da novela é porque estão vendo. Tem tanta oferta [de entretenimento] por aí..."

Latinhas de Red Bull são distribuídas na van. Chega também o copinho em que Nanda fará xixi. Os homens saem do veículo. Ela salta para o banco de trás.

Problema resolvido, a atriz se prepara para deixar o carro. O maquiador ordena: "Prende a respiração". Joga spray no rosto dela para fixar a maquiagem. Nanda respira. Sai da van e ganha a avenida.

Susana Vieira chega ao camarote da Grande Rio, escola na qual desfilará, cantando a música-tema de "Avenida Brasil". "Oi, oi, oi!"

Para ela, o "papo Megan Fox", ou seja, as críticas que fez à atriz americana que visitava o sambódromo, é página virada. Suas declarações só teriam ganho destaque porque "nada aconteceu" e "a imprensa não tinha assunto". Rodopia cantarolando "oi, oi, oi", quase se desequilibra e, com um safanão da própria mão, derruba um brinco. Repete: "Oi, oi, oi!".

Com um macacão verde de operador de plataforma de petróleo, fantasia com a qual desfilará na Grande Rio, Paulo Betti comemora a renúncia de Bento 16, "aquele papa terrível, carrasco do [Leonardo] Boff". Defende que o teólogo brasileiro seja o novo papa.

"Hoje é dia de Grande Rio, bebê", diz a atriz Christiane Torloni enquanto caminha apressada para a concentração. O casal Murilo Rosa e Fernanda Tavares sai na mesma ala de operariado. A modelo diz que falta "ar-condicionado na avenida".

No camarote da Brahma, Ronaldo apresenta a nova namorada, Paula Morais, a diretores da empresa. "É tudo amigo aqui, tudo patrão." Paula confirma a intenção de morar com o ex-jogador em Londres, por um ano. Uma repórter pergunta se ele "já pode falar em casamento". O ex-craque reclamaria mais tarde: "Estamos juntos há dois meses e o pessoal já quer saber sobre casamento?".

Ele se junta a alguns amigos, que não precisam ficar só na cerveja: Ronaldo levou três garrafas de uísque para o espaço. Um fotógrafo se aproxima. "Pô, não achou mais ninguém no camarote? O Neymar tá lá do outro lado, beijando uma menina", brinca.

A namorada do craque do Santos, a atriz Bruna Marquezine, desfilava pela Grande Rio. O surfista Pedro Scooby, noivo de Luana Piovani, agarra Neymar: "Ele veio aqui para ver a Mangueira entrar". É repreendido pela atriz: "Para, Pedro. Eu disse para".

Um amigo vascaíno reclama do traje de Neymar: relógio vermelho, bermuda, meia e tênis pretos, cores do Flamengo. O santista brinca que, "em 2014", quando terminar o contrato com o Peixe, vai defender o rubro-negro carioca. "Vou meter gol no Vasco e comemorar fazendo 'coraçãozinho' pra você."

As entranhas da história - HÉLIO SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 13/02

SÃO PAULO - Podemos levar a história a sério? Até que ponto devemos acreditar que os relatos históricos que lemos nos livros descrevem as coisas como se passaram? Em que grau podemos confiar nas explicações que nos são oferecidas?

A história não é uma ciência no mesmo sentido em que o é a física ou até a economia. Ela não apenas é incapaz de nos dar um modelo por meio do qual possamos fazer previsões como ainda traz a incrível propriedade de tornar o próprio passado incerto.

Quando eu era garoto, o duque de Caxias era o herói inconteste da Guerra do Paraguai (1864-70). Nos anos 90, tornou-se um genocida furioso e, agora, está em algum lugar entre essas duas interpretações.

Tamanha elasticidade é possível porque o cérebro humano não foi concebido para fazer história. Qualquer evento histórico é fruto de um número tão grande de interações entre pessoas e ocorrências (climáticas, econômicas etc.) que é simplesmente impossível calculá-las. Só que nossas mentes não se acanham diante da intratabilidade do problema e adotam sua hipótese preferida como eixo explicativo, ignorando tudo que não se encaixe nela. A história é necessariamente refém de nossos gostos, preferências, condicionamentos, isto é, de nossa ideologia.

Isso significa que não há como evitar o vale-tudo na hora de apresentar e interpretar eventos? Calma lá. A frouxidão epistêmica da história não deve servir para acobertar mentiras ou omissões gritantes. Fatos ainda são fatos. O material didático adotado pelo Exército em suas escolas caminha perigosamente perto da falsificação, ao sugerir que a deposição de João Goulart se deu dentro da lei ou deixar de mencionar a tortura.

Eu concordo com Vinicius Mota, que escreveu neste espaço que não é o caso de criar novas comissões para controlar o conteúdo de livros. Ainda assim, temos o dever moral de apontar crimes de lesa-historiografia sempre que topamos com eles.

Cinzas e repetições - ROBERTO DaMATTA

O Estado de S.Paulo - 13/02


Nesta vida todo mundo, querendo ou não, é pautado. Todos somos levados, obrigados, arrolados ou dirigidos a fazer muita coisa. Algumas, impossíveis, como não mentir ou ser pusilânime. No caso do jornal, temos que escrever; no caso da vida, de seguir alguma regra ou viver com ou sem o bom senso.

Os planos para nossas vidas existem antes do nosso aparecimento no mundo. Antes do nosso nascimento, pai e mãe tinham expectativas fulminantes em relação às nossas vidas. Nossas pautas existenciais são os projetos e esquemas que figuram na nossa sociedade e cultura: instruções do tipo como comer, vestir-se, limpar-se e dormir - caminhos simbólicos e reais a serem necessária e precisamente percorridos como a escolha de certas profissões e valores religiosos e políticos; rituais de crise de vida ou de passagem celebrados em nossa honra ou para os outros, os quais temos de - querendo ou não - acompanhar. Do nascimento até a morte, seguimos esquemas precisos e implacáveis e, mesmo depois de termos partido, continuamos a segui-los, porque não há sociedade que abandone seus mortos.

As festas nos pautam coletivamente. Antigamente, como ritos obrigatórios e hoje, como feriados que nos permitem a evasão. Tal experiência acaba de ocorrer com o carnaval, que terminou ontem e, como tenho a obrigação de escrever na quarta-feira, todo ano eu tenho uma pauta suculenta sobre o que escrever: o carnaval e seus arredores que são densos, fartos, curiosos e inflamados de símbolos e textos.

As cinzas são a consumação do fogo. O fogo é sinal de vida ativa que passa de brasa a cinza. O pó para o qual tudo tende. A entropia que sinaliza o desgaste final de qualquer forma ou armadura em fluxo.

Todo ano tem carnaval que é metaforicamente fogo e que termina metonimiamente na Quarta-Feira de Cinzas. A repetição fala de algo planificado e anunciado. As celebrações são repetições que extinguem o tempo, ou pelo menos tentam lutar contra ele, como ocorre nas músicas e dramas quando o palhaço cai sempre no mesmo lugar. A mesma festa no mesmo país numa mesma época promove um sentimento único de dizer quem somos. Tudo passou e mudou, menos o momento da festa. Até mesmo a festa também mudou - seja o truísmo boboca - mas continua sendo a mesma festa. No carnaval, como sabemos, tudo cabe porque tudo é possível na celebração daquilo que não deve ser levado a sério, mas que é uma das instituições mais graves do Brasil. Aceitamos incompetências e malandragens políticas, mas não aceitamos quem ofenda o carnaval. Mudamos algumas vezes o regime e tem gente trabalhando ferozmente para mudá-lo novamente. Mas não há uma proposta para mudar o carnaval. Aliás, falar em suprimi-lo promoveria uma revolução.

Estou, pois, reiterando essa alternância de fogo com cinza, de carne com peixe, de riso com seriedade, de alegria com circunspecção, de exagero com controle que nós realizamos todo ano como carnaval sem saber de todas as suas implicações.

Tudo mudou e tudo continua na mesma. Meus amigos mais politizados estão saindo em blocos e dizem que estão revivendo um carnaval de rua que eu bem conheci. Os blocos são sintomáticos desse desejo insaciável de pertencer a um grupo fechado? Ou são, como no meu tempo, uma prova do desejo igualmente inextinguível de singularizar-se contra um outro grupo da mesma magnitude social, como ocorre nos grandes desfiles?

Do mesmo modo, num mundo de dinheiro racionalmente acumulado, de trabalho e poupança, onde o futuro tem que ser comprado ou se transforma em divida, o carnaval leva a gastar e apresenta uma estética de exagero e luxo, como definiu com propriedade Joãozinho Trinta. Rico gosta de pobreza, pobre adora luxo. Não vemos riqueza no carnaval. Vemos o luxo do desvalido vestido de deus ou deusa, espalhando riso e alegria. Um jornalista um dia me perguntou: como é que pode haver festa tão rica num país tão pobre?

Eu disse: precisamente por isso! Boas cinzas.

O Brasil ainda será uma grande Venezuela - RICARDO GALUPPO

BRASIL ECONÕMICO - 08/02

Pela maneira com que a questão trabalhista é tratada por aqui, a impressão que se tem é a de que o Brasil caminha a passos acelerados para se transformar numa imensa Venezuela.

No paraíso bolivariano criado por Hugo Chávez, é praticamente impossível demitir um empregado, mesmo que a empresa onde ele trabalha atravesse sérias dificuldades financeiras.

Pelo que se percebe nas medidas tomadas pelos legisladores e nas decisões da própria Justiça, a situação no Brasil só não é a mesma por falta de oportunidade - e as empresas, por esse ponto de vista, não contratam empregados porque precisam deles para produzir e vender.

Elas investem pesado na seleção e no treinamento do pessoal e arcam com um custo trabalhista abusivo apenas pelo prazer de, na hora certa, colocar o funcionário no olho da rua.

E para evitar que os patrões malvados pisoteiem o direito dos trabalhadores, o Brasil dispõe de um conjunto de normas absurdas, que tornam o custo da demissão proibitivo - ainda que a intenção da empresa, ao dispensar alguns profissionais, seja salvar os empregos dos que permaneceram contratados.

Tudo isso está sendo dito aqui a propósito de uma decisão tomada na quarta-feira passada pelo Supremo Tribunal.

A corte se manifestou sobre o direito dos trabalhadores demitidos antes de outubro de 2011 de se beneficiarem das novas regras do aviso prévio, a indenização que o empregado recebe quando a empresa o dispensa sem justa causa.

Até aquela data, o demitido, independentemente do tempo de permanência no trabalho, recebia um mês de salário a título de indenização.

A partir de então, a indenização varia de acordo com o tempo de serviço, podendo ser de até três meses de salário. É uma medida estranha, pois, a princípio, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço existe justamente para isso. Mas a lei foi feita, aprovada e está em vigor.

O que o Supremo considerou foi que pessoas demitidas antes da promulgação da lei também têm o mesmo direito. Existem condições para que o pagamento seja feito.

A principal delas é a de que o demitido já tivesse recorrido à Justiça antes da aprovação da lei - mesmo que o princípio constitucional que previa o direito não estivesse regulamentado até aquele momento.

O efeito financeiro da medida, conforme observou o ministro Gilmar Mendes, tende a ser pequeno.

Pode ser que pouca gente cumpra o requisito para fazer jus a essa regra. Mas, ainda assim, algumas empresas no Brasil correm o risco de ser punidas por uma lei que passou a existir depois que a decisão de dispensar o empregado foi tomada.

Seria o mesmo que alguém ter a carteira de habilitação apreendida porque, dois anos antes de serem estabelecidos os padrões atuais para a Lei Seca, dirigiu depois de ter tomado uma dose de uísque. Decisões da Justiça têm que ser cumpridas - mas podem ser discutidas.

E essa decisão com relação ao aviso prévio, com todo respeito, é de um atraso espetacular.

Estagnação econômica e inflação em alta - ROGÉRIO MORI

BRASIL ECONÔMICO - 13/02

Sem sucesso, o governo tem feito de tudo para tentar reativar a economia brasileira. Os estímulos monetários proporcionados a partir dos cortes de juros promovidos pelo Banco Central e os incentivos fiscais se mostraram insuficientes para que a atividade econômica registrasse uma recuperação mais vigorosa.

Como é amplamente reconhecido, o PIB brasileiro deve ter crescido cerca de 1,5% em 2012 relativamente ao ano anterior. As perspectivas para o começo de 2013 também não são das melhores.

Para piorar a situação, a inflação não dá trégua ao governo. O resultado do IPCA de janeiro mostrou uma nova aceleração da inflação, com a maior parte dos itens que compõem o índice mostrando alta de preços. Não chega a ser uma alta generalizada de preços, mas a situação é preocupante.

Se o quadro do comportamento dos preços verificado em janeiro persistir por mais dois ou três meses, o cenário ficará muito mais complexo e o Banco Central terá de jogar a toalha.

Até o momento, o governo resiste a uma reversão no sentido da política monetária, apostando que as altas verificadas ao longo dos últimos meses representam choques transitórios adversos de preços e que se dissiparão em breve. Até o momento, boa parte dos economistas ainda aposta em uma inflação medida pelo IPCA na casa dos 6% neste ano. Resultados adversos no campo da inflação nos próximos meses claramente detonarão um processo de revisão das expectativas para cima.

O quadro de estagnação econômica com inflação em alta, como o que o Brasil vivencia neste momento, não é comum para nossa economia. Desde a implementação do real, em meados de 1994, as inversões de ciclos foram pontuadas pelas diversas crises verificadas ao longo do tempo, mas em momento algum a economia brasileira deixou de reagir a estímulos monetários e fiscais. Nesse sentido, analistas e técnicos deveriam se debruçar com maior afinco para tentar caracterizar o que de fato está acontecendo.

Aparentemente, o cenário atual é resultante de dois fatores que atuam conjuntamente: moeda forte e perda de dinamismo do lado do crédito. No que se refere à nossa moeda, apesar da depreciação observada ao longo do ano passado, o real ainda se encontra extremamente apreciado e o Brasil é uma das economias mais caras do mundo. Isso afeta a competitividade da economia brasileira, particularmente da indústria.

A perda de dinamismo industrial pode ser observada em diversos indicadores, ao mesmo tempo que as importações seguem em alta. Do lado do crédito, aparentemente o processo de endividamento das famílias brasileiras começa a demonstrar seus limites.

Como boa parte desse endividamento é constituído por dívidas de perfil longo, a resposta a novas tomadas de crédito por conta da queda dos juros tende a ser mais moderada.

Em face do quadro pouco positivo que se tem observado no caso brasileiro nos últimos trimestres os humores de empresários e investidores começa a mudar gradativamente.

O reflexo claro disso é a contínua retração nos investimentos produtivos que se tem observado no Brasil ao longo dos últimos trimestres. Esse fenômeno vem a agravar as possibilidades de crescimento futuro do país.