quarta-feira, janeiro 16, 2013

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 16/01


Setor de máquinas para construção tem queda de quase 20% em 2012
As vendas de equipamentos para construção no Brasil, termômetro da atividade econômica, registraram queda no ano passado, segundo a Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração).

Após comercializar 83 mil unidades em 2011, o patamar caiu para 68 mil em 2012 -retração de 18%.

"Sofremos a falta de investimentos, os impactos da crise e a antecipação na compra de caminhões no ano anterior, devido à mudança que viria a ocorrer na legislação para a entrada do padrão 'Euro 5'", diz o vice-presidente da entidade, Eurimilson Daniel.

Apesar da desaceleração, a frota de equipamentos conseguiu se renovar com base no crescimento das vendas dos últimos anos, de acordo com a associação.

Em 2012, cerca de 455 mil equipamentos para construção tinham até dez anos de uso. Desses, 315 mil estavam com menos de cinco anos de idade, aponta levantamento da entidade.

O crescimento se intensificou a partir de 2010, quando foram vendidas cerca de 71 mil unidades no setor, ante 41 mil no ano anterior.

"Foi um período de grandes apostas no mercado de infraestrutura. Por outro lado, em seguida, veio a crise do Dnit e as obras pararam."

Para este ano, a estimativa é de alta de 11,8% no volume de vendas, alcançando 76 mil unidades comercializadas.

A partir de 2014, a expectativa é que o avanço se estabilize em 8% até 2017.

SOB NOVA DIREÇÃO
O grupo logístico TPC é o novo responsável pelas operações do terminal de cargas do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP).

O contrato firmado com a concessionária Brasil Viracopos S.A. tem duração de três anos e R$ 15 milhões em investimentos.

"Pretendemos reduzir pela metade o tempo médio que a carga fica no terminal, que atualmente é de cinco dias", afirma o presidente da companhia, Leonardo Barros.

A empresa volta a ser responsável pela logística do terminal de cargas após administrá-lo entre 2008 e 2010, quando o aeroporto não havia sido privatizado.

Atualmente, Viracopos recebe cerca de 25 mil toneladas de cargas por mês, segundo a empresa.

"Contratamos 450 colaboradores e vamos investir, principalmente, em tecnologia e equipamentos", acrescenta o executivo.

Com o início das operações, o TPC vai trabalhar para uma melhora em 15% nos serviços prestados no setor de cargas do local.

A companhia planeja faturamento de aproximadamente R$ 24 milhões durante o primeiro ano de operação no terminal.

"Vamos seguir a lógica atual. Precisamos ser competitivos reduzindo custos.Acreditamos que, com investimentos que irão modernizar cada vez mais o terminal, possamos atingir nossos objetivos", conclui.

25 mil toneladas é a quantidade mensal de carga recebida pelo aeroporto de Viracopos

R$ 24 milhões é quanto o TPC espera faturar em 2013 com a logística do terminal de cargas

R$ 15 milhões serão investidos pelo grupo

COFRES PÚBLICOS
As cidades brasileiras desembolsaram R$ 12,1 bilhões para pagar juros, encargos e amortizações da dívida em 2011 -valor 6,1% maior que o do ano anterior.

Apenas as capitais São Paulo e Rio de Janeiro responderam por 42,8% do total gasto pelas cidades do Brasil. Os dados são do anuário Multi Cidades - Finanças dos Municípios do Brasil, da Frente Nacional de Prefeitos em parceria com a Aequus Consultoria.

A cidade de São Paulo registrou o maior gasto com juros e amortizações do país, R$ 3,51 bilhões. Desse total, 73% referem-se aos pagamentos de juros e encargos. Os 27% restantes são amortizações.

Ante o ano anterior, o gasto com a dívida paulistana cresceu 19,2% em razão do aumento da amortização de dívidas junto à União.

Em 2010, o Rio fez uma operação de crédito com o Banco Mundial para reestruturar a sua dívida pública.

Quitou parte de sua dívida com a União, trocou de credor e alongou o prazo para pagamento para 2040. O gasto com juros e amortizações da dívida foi de R$ 1,22 bilhão, em 2010, e de R$ 784,9 milhões, em 2011 -queda real de 35,6%.

No Sudeste, tiveram aumentos significativos Carapicuíba (SP, com 223%) e São Bernardo do Campo (SP, 75%).

DE VOLTA À AMÉRICA
Dono de marcas como Morana e Balonè, de acessórios femininos, e, no setor de alimentação, Jin Jin Wok, MySandwich e outras bandeiras, o grupo Ornatus fechou 2012 com mais de 90 novos contratos de franquias.

Algumas das unidades já foram abertas, outras estão ainda em fase de implantação, segundo a empresa.

A marca de maior impulso, a Morana, com 58 novos pontos, vai reabrir as portas nos Estados Unidos.

"A loja de Nova York foi fechada devido à crise de 2008. Agora vamos para a Califórnia, ainda no primeiro semestre", afirma Jae Lee, diretor-geral do grupo.

Para superar os planos de mais de 150 novos contratos em 2013, a companhia vai explorar dois novos mercados que abriu no ano passado.

"Estamos entrando mais forte em cidades menores do interior do país e em shoppings de classes C e D", afirma o executivo.

"Nosso negócio está muito baseado em shoppings e serão abertos mais empreendimentos neste ano", diz.

"A MySandwich, em que temos parceria de banco e veio de Portugal, também vai crescer bastante."

"A loja de Nova York foi fechada devido à crise de 2008. Agora vamos para a Califórnia, ainda no primeiro semestre"

FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA

O GLOBO - 16/01


ICMS VERDE FARÁ REPASSE RECORDE ESTE ANO
Os 92 municípios fluminenses receberão R$177 milhões pelo cumprimento de metas ambientais. Silva Jardim lidera
ASecretaria estadual do Ambiente fechou as estimativas do ICMS Verde para este ano. O desembolso para os 92 municípios fluminense atingirá R$ 177,717 milhões, cifra recorde no programa. O repasse é concedido às prefeituras que cumprirem metas na área ambiental. As cidades recebem pontos pelos projetos em unidades de conservação, qualidade da água e gestão de resíduos sólidos. Como em 2012, Silva Jardim será o primeiro da lista dos top ten dos repasses (veja o gráfico). Receberá este ano R$ 8,491 milhões, principalmente, pelos cuidados com as 32 áreas de conservação ambientais. A capital aparece em 11ª lugar, com repasse estimado em R$ 4,374 milhões. Em três, informa o secretário do Ambiente, Carlos Minc, o total de áreas protegidas no Estado do Rio dobrou. Saiu de 105 mil hectares para 215 mil. Isoladamente, é o critério com maior pontuação no ICMS Verde. Representa 45% da nota.

PRECINHO
O Spoleto leva ao ar amanhã campanha para divulgar o Festival R$ 9,90, que inclui espaguete com molhos bolonhesa e pomodoro. A rede investiu R$ 2,5 milhões na ação, que terá peças em TV, revista, mobiliário urbano e outdoor. Prevê alta de 11% nas vendas do 1º trimestre. A Artplan assina.

LIQUIDA
A grife feminina Allú inicia liquidação da coleção de primavera hoje. Dará descontos de até 50%. Os percentuais serão
anunciados em campanha, que será veiculada em internet. A modelo Fabi Capra aparece nas fotos. Com cinco lojas, a marca prevê crescimento de 15% nas vendas. 

COLEÇAO DE CARNAVAL
A Dream Factory, agência que organiza o carnaval de rua do Rio, criou bottons para os blocos patrocinados pela Ambev, entre eles, Sargento Pimenta, Fogo & Paixão, Céu na Terra, Mulheres de Chico e Quizomba. São 14 modelos. Ao todo, cem mil unidades serão distribuídas.

TEM ARTE
Romero Brito assina a produção visual do Expresso 2222, no carnaval de Salvador. Também é do brasileiro a estampa da camiseta-convite (foto). A estrutura será montada com 23 toneladas de folhas de TetraPak. Bradesco, Coca-Cola e LG são patrocinadores.

Samba no pé
A Ipanema, da Grendene, patrocinará 13 blocos da liga Amigos do Zé Pereira. Vai distribuir kits com a sandália Charme. É a mesma do camarote da Brahma, que dará Rider para os homens. Ação da Cross Networking.

Vezes dois
A Rio360 mais que dobrou (+132%) receitas em 2012. Saiu de R$ 17,2 milhões, em 2011, para R$ 39,8 milhões. Tornaram-se clientes da agência COB, Oi, BG e GE.

Livre Mercado
A Armotech, de tecnologia via celular, vai investir R$1,5 milhão em music branding. Prevê crescer 30% em 2013.
Farm e Bentô estão com ação conjunta. Hashis do restaurante japonês vêm com prêmios e vales compras da grife feminina. Investimento de R$100 mil.O ateliê Arte Coletiva faz evento hoje em homenagem ao Rio. Quer vender 15% mais no verão.
Julio Lopes, secretário estadual de Transportes, dá palestra hoje em Washington. Falará no Banco Mundial sobre bilhete único.

Milhão
Só em Pernambuco, um milhão de consumidores já caíram no golpe do seguro pirata, diz a Susep. As apólices de automóveis e seguro funeral são vendidas por associações e cooperativas que atuam sem autorização do órgão. Dez fecharam as portas em fins de 2012, em operação com a PF. Virão mais este ano.

É recorde
Angra 1 e 2 geraram juntas 16,040 milhões de MWh em 2012, a melhor marca da história da Eletronuclear. É energia suficiente para suprir, por um ano, Fortaleza, Belo Horizonte e Porto Alegre. Representaram 3,12% da matriz brasileira. Ao Norte A carioca SH, de andaimes, abre filial em Belém (PA) no fim deste mês. Aporte de R$ 9 milhões, será a 14ª unidade no país. A empresa espera faturar R$ 7,7 milhõe só na Região Norte este ano. Serão 4% da receita total.

Treino é treino
O Boteco do Conhecimento, de treinamento corporativo, fechou parceria com o MetrôRio. Fará palestra para dois mil funcionários, usando analogias com o futebol. Espera faturar R$ 1,1 milhão este ano.

Pós-Natal
Caiu 2,1% em janeiro a intenção de consumo das famílias. O indicador da CNC ficou em 135,1 pontos, contra 138 em dezembro.

Incentivo
Em 24 horas, esgotaram-se as vagas para o encontro da Secretaria estadual de Cultura sobre as mudanças na Lei de Incentivo. Uma segunda reunião, com outras 200 vagas, será marcada. Até o fim do mês, sai o novo edital para escolha de projetos. Em 2012, 300 conseguiram patrocínio.

Tesouro
A Editora Lafonte fechou a segunda fornada da coleção Tesouros da Música. Em 2013, Pink Floyd, Metallica, David Bowie e Elvis Presley terão edições com livro e souvenir. A meta é vender até 20 mil exemplares de cada e faturar R$ 4,5 milhões em 2013.

Bis
Beatles, Nirvana, Queen e Led Zeppelin inauguraram a série. Já venderam 25 mil unidades. Terão reimpressões este ano.

Que calor 1
O calorão do verão empurrou os negócios da AmbientAir, que vende e aluga aparelhos de ar-condicionado. Em dezembro, as vendas cresceram 40% sobre um ano antes. Este mês, já sobem 50%. No showroom do BarraShopping, oito em dez clientes saem com aparelhos.

Que calor 2
No Extra, a demanda por protetor solar e produtos pós-praia foi tão grande que o estoque teve de ser reforçado. Até fim do mês, a rede espera alta de 20% nas vendas. É grande também a procura por sorvetes. A meta é vender 30% mais até o fim de fevereiro.

Enxugando gelo - IGOR GIELOW

FOLHA DE SP - 16/01


BRASÍLIA - Salvo surpresas, o Copom manterá hoje tudo como está na taxa básica de juros. Até aí, beleza, porque um pouco de previsibilidade parece ser exatamente do que a política econômica necessita.

Mas o Brasil ruma ao terceiro ano de inflação alta, e qualquer soluço pode estourar o chamado teto da meta, de 6,5%. O discurso oficial de que "um pouco de inflação não faz mal e ajuda a crescer" foi implodido de uma vez por todas pelo pibinho.

Subir juros, arma primária do BC, contudo, é hipótese herética. Sem bala, o governo apela ao que pode.

Primeiro foi a maquiagem de fim de ano que manteve a meta do superavit primário, justamente para evitar tendências inflacionárias. Custou ao menos uns R$ 4 bilhões ao contribuinte, só de prejuízo nas operações com ações da Petrobras.

Agora, o governo manipula a própria inflação, adiando impactos.

Como não dá mais para segurar o aumento dos combustíveis, expediente que quebra as pernas da mesma Petrobras há anos, atacaram as tarifas municipais de ônibus. São Paulo e Rio frearam reajustes a pedido do governo, por serem bons aliados e terem a promessa de reestruturação de suas dívidas com a União.

Em caudaloso artigo no "Valor Econômico" de ontem, Delfim Netto descascou a manipulação.

"A quebra da seriedade da política econômica produzida por tais alquimias não tem qualquer efeito prático, mas tem custo devastador. Se repetida, vai acabar matando os próprios alquimistas pela inalação dos gases venenosos que, como todos sabemos, elas mesmos emitem...", escreveu ele, conhecedor como poucos desse tipo de maquiavelismo.

Como a crítica não veio da "Economist" ou de algum "tucano" (isto é, alguém que não diga amém ao Planalto), talvez alguma luz de alerta acenda no governo. No Instituto Lula, interessado maior nos efeitos de tudo isso em 2014, ela já está a piscar furiosamente.

Democracia e diversidade - MARCO LUCCHESI

O GLOBO - 16/01


O que se espera, dos órgãos competentes, é a preservação da liberdade religiosa, uma das joias de nossa diversidade cultural



O Brasil é uma república teocrática e de cunho fundamentalista. Eis a conclusão a que chegaria um marciano, se sua leitura dependesse exclusivamente da tevê aberta no país, captada (digamos) nas terras baixas do planeta vermelho, onde trabalha hoje o robô Curiosity.

A omissão do poder público nesses trinta anos é de tal ordem espetacular no setor que não deixa margem a leituras inocentes ou marcianas. Num país como o Brasil, onde a educação e a saúde públicas lutam para obter patamares de dignidade, a tevê aberta veicula, dia e noite, a difusão de “milagres”, fora da medicina, com um sotaque velado ou acintoso de grave intolerância, sobretudo, mas não exclusivamente, diante das religiões afro-brasileiras, pintadas em cores primitivas e deploráveis.

O que se espera, além do natural cumprimento da lei, por parte dos órgãos competentes, é a preservação da liberdade religiosa, uma das joias de nossa diversidade cultural. A imposição diuturna daqueles programas de rádio e tevê fere em cheio os princípios fundamentais da Carta Magna e cria bolsões de preconceito inadmissíveis.

Quero enfatizar que todas as igrejas merecem respeito, incluindo as que acabo de criticar. Respeito aos fiéis que vivem sua autêntica manifestação de fé. Eis o que não se pode absolutamente perder de vista. Porque toda a pratica religiosa é portadora de um conjunto simbólico de impacto e adesão subjetiva. Posso discordar de um ou de outro conteúdo ideológico, mas a oposição frontal a que me refiro surge quando aspectos antidemocráticos (e extrarreligiosos) vão de encontro aos princípios republicanos mais elementares.

Felizmente, não faltam no Brasil coletivos que trabalham para o fortalecimento do diálogo de tradições diversas. Na esfera acadêmica, acompanho com entusiasmo o programa de ciências da religião da Universidade Federal de Juiz de Fora. Trata-se de verdadeiro laboratório de reflexão, de que se destaca o teólogo leigo Faustino Teixeira. Todas as denominações têm espaço na estrutura do curso, no corpo docente e nas linhas de pesquisa. A diversidade da expressão católica e evangélica é acolhida sem restrição, como legítimos objetos de estudo, a que se incluem, juntamente com as religiões africanas, o islamismo, o judaísmo, o budismo e o hinduísmo.

Laboratório, portanto, da diversidade, considerada não como planta exótica, mas no viés da religião comparada, segundo um gesto interdisciplinar raro na universidade brasileira, sobretudo quando se trata de estudos da religião. Faustino Teixeira organizou o livro “Nas teias da delicadeza”, no qual defende o respeito ao fenômeno religioso, abordagem que requer a delicadeza como princípio e fim da pesquisa. Atitude visceralmente oposta à do proselitismo vulgar.

Feitas as ressalvas, posso dizer que não existe salvação, do corpo e da alma, fora do espírito democrático.

Desaposentação e solidariedade - FERNANDO MACIEL

CORREIO BRAZILIENSE - 16/01


A Previdência Social brasileira foi criada e se mantém sob a égide de um sistema solidário, inclusivo e sustentável. Para que se tenha a noção de sua importância econômico-social, a cada mês o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) paga aproximadamente R$ 35 bilhões, relativos aos 30 milhões de benefícios previdenciários implementados por tempo de contribuição, idade avançada, doença, invalidez, morte, entre outras contingências sociais.

No debate acerca da sustentabilidade do regime previdenciário, surge a chamada desaposentação. Na prática, trata-se da revisão da aposentadoria daqueles que continuaram a trabalhar, a fim de aumentar a renda mensal com a consideração do período contribuído enquanto já aposentado. Várias ações nesse sentido aguardam a palavra final do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidirá ser ou não possível a renúncia à aposentadoria vigente, a incorporação do tempo contribuído enquanto aposentado, bem como a devolução dos valores recebidos até então.

A tese favorável à desaposentação possui, todavia, algumas inconsistências. Em uma primeira análise, deve-se ter em conta que a discussão não pode ter cunho meramente financeiro, no qual se preocupa tão somente com um benefício que seja mais favorável a um indivíduo, mas sim de entendimento do próprio sistema do seguro social.

A Previdência Social brasileira é regida pelo sistema de repartição simples, no qual cada segurado contribui não apenas para financiar o próprio benefício (característica dos regimes de capitalização), mas sim para compor um fundo social responsável pelo custeio de todos os benefícios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Esse sistema de repartição simples, fundado na solidariedade social, justifica o recolhimento de contribuição social por parte dos aposentados.

Outro aspecto que merece melhor debate é a insegurança jurídica que a desaposentação pode gerar no sistema previdenciário brasileiro. Isso porque, ao se retirar o caráter da definitividade da prestação previdenciária, cria-se a possibilidade de o aposentado requerer a sua desaposentação infinitamente, toda vez que contribuísse após a jubilação. Vale ressaltar também que o segurado que reúne os requisitos para a obtenção da aposentadoria por contribuição faz uma opção financeira de sua inteira responsabilidade: requerer a aposentadoria ou continuar contribuindo para o sistema podendo obter um valor mais elevado de benefício.

Paralela às questões legais e de possível admissibilidade da desaposentação, há de se fazer uma estimativa dos custos que isso poderia acarretar à Previdência Social e ao próprio Estado. Estamos falando hoje de cerca de 500 mil brasileiros aposentados que trabalham e contribuem com a Previdência Social, sendo que, segundo cálculos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cerca de 70 mil aposentados já procuraram a Justiça para solicitar a desaposentação. Estudo do INSS estima que apenas no benefício de aposentadoria por tempo de contribuição, 481.120 benefícios apontariam para um volume de recursos para custeio do regime previdenciário de quase R$ 50 bilhões. Isso se considerarmos apenas o cenário estático dos benefícios atuais, sem mencionar o impacto no comportamento dos futuros segurados.

Na seara social, há de se analisar que a admissão da desaposentação poderia acarretar a aposentadoria precoce, já que a data da mesma perderia sua importância, a resistência a sair do trabalho após a primeira aposentadoria e a consequente redução da oferta de postos de trabalho, e o aumento do número de aposentados buscando trabalho.

A pergunta que precisamos fazer é: em que medida a sociedade brasileira se beneficiaria com a desaposentação? Se a resposta não parece simples, mais fácil talvez seja se lembrar da nossa Constituição Federal e dos princípios sobre os quais foi construída a base de nossa democracia, notadamente o da solidariedade.

A hora das décadas - DENISE ROTHENBURG


CORREIO BRAZILIENSE - 16/01


Empenhado em esticar ao máximo sua estada como inquilino do Palácio da Alvorada, o PT prepara a largada de 2014 disposto a colocar na roda a chamada política de resultados. Baseados na premissa de que ondas de denúncias não influenciam tanto os resultados eleitorais — nem para o partido de Dilma Rousseff nem para os adversários dela —, os petistas preparam uma guerra de números. A ordem é perguntar ao eleitor quando o país melhorou mais, se na década em que foi administrado pelo PT (governos Lula e Dilma) ou no período em que foi comandado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, incluídos aí os dois anos do governo Itamar Franco, quando foi concebido e implantado o Plano Real.

Esse discurso começará a ser montado ainda este mês no seminário dos prefeitos marcado para a última semana de janeiro. Ali, a presidente Dilma pretende anunciar um “robusto” programa de saneamento para atender os municípios de até 50 mil habitantes. O líder do partido na Câmara, José Guimarães (CE), vai propor na semana que vem uma fórmula que permita ao Poder Executivo atender ainda o lado político nessa história: “Precisamos combinar três vertentes: emendas parlamentares, atendimento aos prefeitos e desenvolvimento. Afinal, 2013 pede pressa”, diz ele.

O líder tem razão quando diz que o ano pede pressa. Como bem lembrou o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, numa entrevista ao Correio no ano passado, é preciso ganhar 2013 para conquistar 2014. O PT parece ter entendido o recado e pretende puxar esse debate já com os prefeitos antes que os adversários deixem prosperar a versão deles sobre esses últimos dez anos.

A ideia dos petistas é preparar o debate de métodos sobre a construção do país. O PT baterá na tecla que, em seu período, 40 milhões de brasileiros ascenderam socialmente fortalecendo o mercado interno, em especial, o de consumo. E esse quesito da ascensão social é considerado emblemático para os petistas tentarem mostrar que o método deles é mais eficaz que os dos adversários, apesar dos problemas que o partido tenha enfrentado, como o caso do mensalão.

A oposição, por sua vez, dirá que o governo tucano foi quem forneceu os alicerces para que os programas sociais, muitos deles lançados no governo Fernando Henrique, dessem resultado. Esses ingredientes, aliás, estiveram presentes nos programas do partido no ano passado, embora não tenham sido explorados nas campanhas presidenciais do PSDB, mais voltadas às realizações de José Serra na área de saúde do que na privatização da telefonia, uma iniciativa que popularizou o serviço, apesar dos problemas que o partido enfrentou, que geraram as acusações de “privataria”.

Assim, colocadas as vantagens de cada partido, o brasileiro terá de medir quando e quanto sua vida foi melhor. Ambos têm lá a sua dose de razão e Dilma abre janeiro com a vantagem. Afinal, o discurso do PT dos 40 milhões inclusos parece mais fácil do que puxar na memória do eleitor os primeiros anos do Real. A esse quesito soma-se o fato de que ela terá as delícias da máquina pública, mas também suas dores.

Sem essa certeza quanto à intensidade dessas dores, a ideia dos petistas é jogar o debate das duas décadas e com ele tentar vencer 2013. Assim, se der problema ali na frente — leia-se ano eleitoral —, os petistas acreditam ser possível compensar qualquer deslize econômico com a tese de que essa inclusão dos 40 milhões de brasileiros pode se perder se o partido de Lula não permanecer no poder. É uma tese absurda, nenhum partido gostará de ver o Brasil retroceder. Mas, se essa história “pegar” no eleitorado como “pegou” o antigo discurso que demonizava a privatização, aí a oposição terá problemas.

Por falar em oposição…

Dia desses, o ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia contava como seu caminho se cruzou no passado com o do ex-aliado Eduardo Paes. Os dois estavam no carro, Maia prefeito. Passavam pela Barra da Tijuca. O “menino” Paes queria um posto na companhia de limpeza urbana, a Comlurb. Maia desconversou. Respondeu que criaria uma subprefeitura da Barra e iria nomeá-lo para o cargo. Pensou que o menino ficaria por ali. Quem viu, quem vê. Paes, hoje, é considerado a principal aposta do PMDB a médio prazo. Afinal, se a turma da política vive hoje como se fosse 2014, tem gente certa de que 2018 é logo ali.

Investimento versus incerteza - EDITORIALO ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 16/01


A presidente Dilma Rousseff continua exortando os empresários a investir para ampliar a capacidade produtiva, tornar o País mais moderno e mais competitivo e impulsionar o crescimento econômico. Mas terá de ir além da exortação - e da cobrança ocasional - para conseguir resposta mais positiva. Os empresários industriais continuam dispostos a investir, mas a incerteza econômica ainda será, em 2013, a principal ameaça à realização dos planos, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 584 empresas, na maior parte médias e grandes. Esse risco foi apontado como o mais importante por 61% dos consultados. Essa parcela é menor que a do ano anterior (75,7%), mas aquele fator continua no topo das preocupações e o governo deveria levá-lo em conta ao formular sua política. Como sempre, muitos entrevistados indicaram a intenção de investir. Desta vez foram 85,4%. O número impressiona, mas é o mais baixo em quatro anos. Foram 86,6% em 2010, 92% em 2011 e novamente 86,6% no ano passado. Além disso, a distância entre intenção e realização tem sido considerável. Diante das más surpresas, o espírito animal dos empresários tem frequentemente recuado e preferido um cauteloso recolhimento.

Apenas 50,2% das indústrias investiram em 2012 de acordo com os planos. O melhor desempenho nesse quesito ocorreu em 2010, quando a economia, num vigorosa reação à crise de 2008-2009, cresceu 7,5%. O entusiasmo ainda se manteve no ano seguinte, quando 57,8% dos consultados seguiram o roteiro traçado, mas nesse ano as condições econômicas pioraram e o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou apenas 2,7%. Mesmo esse resultado medíocre foi apenas o prelúdio de mais um desastre em 2012. Para 2013 a expectativa geral é de um desempenho econômico melhor, com a maior parte das apostas concentrada na faixa de 3% a 3,5%.

Os planos mencionados pelos empresários, no último levantamento da CNI, são claros sinais de muita cautela e de insegurança diante dos desafios do mercado global. Produzir para o mercado interno é o objetivo principal de 80,6% dos executivos consultados. Só 4,7% indicam a exportação como prioridade. A indústria nunca esteve tão voltada para dentro nos últimos dez anos.

A prioridade ao mercado interno é até certo ponto normal, em países grandes, como o Brasil. Mas também é normal, em economias razoavelmente abertas, levar em conta os padrões internacionais de produtividade e de qualidade. Os empresários podem até preferir o jogo no próprio campo, mas nem por isso ficarão livres da concorrência estrangeira, exceto se dispuserem de grandes barreiras protetoras.

O governo tem elevado a proteção a alguns setores, como se isso fosse parte de uma política industrial. Nesta altura, isso é principalmente um equívoco e um sinal enganador enviado aos empresários e à opinião pública. Preparar o País para jogar na divisão principal é a única forma de levar o País a um crescimento seguro e de justificar a permanência da letra B na sigla dos Brics.

O governo continua longe de cumprir essa tarefa, apesar das promessas. Nem o corte do juro básico, proclamado como realização das mais importantes, contribuiu de forma significativa para a elevação do investimento. Os empresários ainda apontam o custo dos financiamentos e a dificuldade de acesso ao crédito como grandes obstáculos.

Os industriais haviam planejado financiar seus projetos em 2012 com 52,9% de recursos próprios, em média, e 29,3% de empréstimos de bancos oficiais de desenvolvimento. O resto viria de outras fontes. Só conseguiram, no entanto, 18% de instituições como o BNDES e os bancos regionais. Tiveram de financiar 65,8% dos planos com dinheiro próprio. Mesmo os bancos comerciais públicos, como o Banco do Brasil e a Caixa, contribuíram com menos do que havia sido previsto nas projeções das empresas (6,6% em vez de 7%). Não deveria haver surpresa. Afinal, o BNDES continua financiando principalmente grandes empresas - algumas estatais - selecionadas como favoritas. O critério é um tanto misterioso, exceto por um ponto. Não é, certamente, o da ampla promoção de oportunidades de crescimento.

Imaginação - ANTONIO DELFIM NETTO

FOLHA DE SP - 16/01


A imaginosa operação realizada pelo governo para fingir o cumprimento do superavit primário foi irritante.


Teria sido muito melhor para a sua credibilidade reconhecer que, com um crescimento do PIB de 1% e uma queda de 2% na produção industrial, recomenda-se um afrouxamento fiscal e monetário e um estímulo aos investimentos. O aspecto mais preocupante foi a revelação da má qualidade do portfólio do BNDESPar empurrado para a Caixa Econômica Federal.

Tal evidência aconselha que se incluam na dívida líquida alguns dos empréstimos do Tesouro ao banco. Tem razão o TCU quando insiste em tomar conhecimento das garantias oferecidas aos empréstimos do BNDES, o que não está protegido pelo "segredo bancário".

Entretanto, por mais desastrada que tenha sido a operação na essência e na oportunidade, ela está longe de sugerir, como se tem afirmado, que "o governo perdeu o controle fiscal, a última peça restante do tripé". Afinal, terminamos o ano com um deficit nominal em torno de 2,4% do PIB, com uma taxa de inflação de quase 5,8% e com uma relação dívida líquida/PIB em torno de 36%, o que não prenuncia nenhum descontrole. Mas o deficit em conta-corrente de quase 2,5% do PIB sugere algum cuidado.

Há uma angústia provocada pela repetição de "truques" contábeis que, às vezes, chegam à transmutação de dívida pública (chumbo) em receita pública (ouro) graças à obra e à arte de alquimistas na busca da pedra "filosofal" capaz de produzir o "ilusionismo geral". A preocupação é legítima. Eles ameaçam reconstruir relações incestuosas entre o Tesouro Nacional, o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.

Estamos diante de uma sucessão de "espertezas" capazes de, desapercebidamente, destruir o esforço de transparência que vem sendo preparado desde 1983, que levou à eliminação da famosa "conta-movimento" do BB e culminou na magnífica Lei de Responsabilidade Fiscal, até hoje duramente combatida pelo Partido dos Trabalhadores.

Agora mesmo, o governo introduziu de contrabando, numa medida provisória, um dispositivo prejudicial ao equilíbrio fiscal, o que justifica a tal angústia.

É uma pena. Isso torna ainda mais difícil superar a desconfiança que, hoje, existe entre o setor privado capaz de produzir as obras de infraestrutura e a sua interface no governo. A experiência recente mostrou que esta tem mais "poder" do que "competência", evidenciado no fato de atacar os problemas certos, mas de tentar resolvê-los sempre com mais calor do que luz!

Arma de repetição - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 16/01


O presidente Barack Obama é o que menos pediu elevação do teto da dívida entre os últimos presidentes americanos. O campeão recente foi exatamente o republicano considerado exemplo de austeridade: Ronald Reagan. Quando o Partido Republicano ameaça fechar o governo, como fez esta semana, é de novo resultado da polarização política do país e não defesa de princípios.

Segundo levantamento feito pela CNN, de 1962 para cá, o teto da dívida americana foi elevado 76 vezes, nos bons e nos maus tempos. Depois de Reagan, o pior número é de George Bush, pai, que em apenas um mandato pediu oito vezes a elevação do teto; Clinton, quatro vezes; Bush filho, sete vezes; e Obama, até agora, três.

Mas, para o país que é a primeira potência global, os Estados Unidos estão exagerando em sua licença para perturbar o mundo com essas crises apocalípticas sequenciais. Mal descansamos do risco do abismo fiscal e vem de novo o debate de elevação do teto da mamútica dívida de US$ 16,3 trilhões.

Na segunda-feira, o presidente Obama deu uma entrevista à imprensa ameaçando a oposição com o risco de o mercado entrar em pânico caso haja um novo confronto em torno do teto da dívida. "Os mercados podem ficar fora de controle. Os juros subirão para todos os que tomarem empréstimo. Isso pode ser uma ferida autoinfligida na nossa economia."

O teto da dívida já foi atingido no final do ano, e o Fed e a Secretaria do Tesouro têm usado "medidas extraordinárias" para esticar um pouco além esse limite. Mas a mágica acabará em meados de fevereiro. O debate está atrasado e é um ponto que neste momento está preocupando a economia internacional.

O secretário do Tesouro, Timothy Geithner, avisou que se o Congresso não elevar o teto pode faltar dinheiro para certas despesas e enumerou "benefícios sociais, aposentadorias de militares e veteranos, proteção contra desastres". O ex-presidente George Bush deixou uma herança pesada, que faz com que os Estados Unidos, desde então, segundo conta o "Financial Times", tenham que "tomar emprestado quarenta centavos em cada dólar gasto". A republicana Cathy McMorris Rodgers disse que, se for necessário, o governo tem que interromper suas atividades, fechar as portas, para entender que os republicanos estão falando sério sobre a necessidade de um plano de corte de despesas.

Claro que os republicanos têm razão em dizer que o presidente Obama precisa de um programa de curto, médio e longo prazos de corte de despesas, mas não têm razão quando se apresentam como defensores da austeridade fiscal tendo o passado que têm. Eles encomendaram, no governo Bush que aumentou muito as despesas militares nas duas guerras em que entrou, a bomba de efeito retardado que estourou no colo de Obama. O presidente, no entanto, até agora, às vésperas de iniciar o segundo mandato, ainda não tomou as rédeas nas mãos e não há um plano crível de redução paulatina dessa dependência do endividamento para pagamento de gastos de custeio.

O problema é que todo esse ruído gira em torno dos títulos que têm uma extraordinária credibilidade e que servem de parâmetro para a fixação dos preços de outros papéis. Se os investidores cobrarem mais para carregá-los, isso afetará a economia mundial. Os Estados Unidos continuam brincando de mocinho e bandido à beira do abismo. Se isso criasse apenas um custo autoimposto para a economia americana, não seria problema, mas pelo tamanho deles a queda de braço acaba afetando o mundo. E não acontece só ocasionalmente, passou a ser rotina. Depois de o mundo ter atravessado o réveillon preocupado com o abismo americano, agora neste primeiro trimestre há dois motivos para as forças políticas se digladiarem: o teto da dívida e um novo pacote de corte de gastos.

Em todos os dois casos, o impasse provocará efeitos econômicos no mundo inteiro, mas o problema será essencialmente político. Para a elevação do teto, os republicanos exigem cortes de despesas; na discussão do corte de despesas, os republicanos exigirão diminuição dos gastos sociais. Com isso, eles estão polarizando o quadro político americano para dificultar a administração de Barack Obama. Não que a oposição, em qualquer país, tenha que facilitar a vida do governo, mas no caso americano está havendo uma paralisia de decisões, com ameaças sucessivas de desastres que aumentam a instabilidade econômica global.

Competitividade brasileira - GUILHERME NASTARI


O Estado de S.Paulo - 16/01


Os custos logísticos da indústria sucroenergética tiveram elevação significativa ao longo de 2012 em todo o Brasil, especialmente em São Paulo.

Para o açúcar, o frete rodoviário com destino ao Porto de Santos, principal destino para a exportação, foi negociado em média a R$ 88,96 por tonelada em setembro. Foi o quarto mês seguido de alta do preço do frete de açúcar, com valorização de 8,2% acima do registrado em agosto. A elevação dos preços do frete de junho a setembro pode ser explicada pelo aumento gradual das exportações de açúcar ao longo dos meses, além da concorrência do transporte de açúcar com outras culturas agrícolas.

Em outubro, o preço do frete de açúcar para Santos estabilizou na cifra de R$ 88,86, em média, no Estado paulista, resultando em aumento de 20,7% no acumulado do ano. No mês, a estabilização foi incentivada pelo aumento do fluxo de açúcar para o mercado externo pelo modal ferroviário, aliviando a demanda pelo modal rodoviário, que ainda é dominante na matriz de transportes brasileira.

O frete de caminhões que transportam etanol no Estado de São Paulo em setembro registrou aumento de 10,7% em média, se comparado ao mês anterior. Outubro freou essa tendência de alta, com redução de 2%, e o frete foi negociado a R$ 90,72/m³, ponderado pelas microrregiões canavieiras. A mudança no cenário pode ser explicada pelo fato de que grandes produtores de etanol estão estocando o biocombustível para comercialização no período entressafra, especialmente de dezembro e janeiro, a fim de obter preços maiores. O preço médio do frete rodoviário de etanol com destino à distribuidora de Paulínia também apresentou redução, com índices apontando menos 5,1%, comparado a setembro. O aumento do frete de etanol acumulado no ano para o Estado de São Paulo chega a 24,5%.

A expressiva valorização no custo do transporte rodoviário ao longo de 2012 foi certamente influenciada pela lei trabalhista 12.619/2012, que entrou em vigor em setembro e estabeleceu novas regras para a jornada de trabalho dos motoristas de caminhão. Entre as principais medidas, a lei limitou a jornada diária dos caminhoneiros ao exigir descanso diário de no mínimo 11 horas para cargas acima de 4,5 toneladas, comprometendo o rendimento nas estradas. Considerando que o transporte de açúcar e etanol aos principais portos é feito, em grande parte, por rodovias, há poucas alternativas imediatas para mitigar os custos adicionais gerados pelas novas regras.

Como reação à lei, o setor de logística foi levado a reajustar, em alguns casos, em mais de 30% o valor do frete, a depender da região e da distância da rota. Além do aumento do frete, a introdução da lei trabalhista que regulamenta a profissão dos motoristas exigirá da indústria investimentos na aquisição de novos veículos aliados à contratação de mais funcionários para atender à demanda por transporte.

A elevação do preço do frete rodoviário em 2012 também é reflexo dos reajustes no preço do diesel na bomba. O governo federal autorizou dois acréscimos no valor do produto na refinaria: o primeiro, em junho, foi de 3,94%; e o segundo foi de 6%, em julho. Como medida para atenuar o impacto desses aumentos na inflação e também para o consumidor, o primeiro aumento foi acompanhado de redução a zero na cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Ainda assim, os reajustes provocaram repasse de até 4% ao consumidor final.

O setor precisa recuperar competitividade no mercado interno e, especialmente, no externo, mas o aumento de custos do frete rodoviário e o subsequente agravamento causado pelas desvalorizações acentuadas que os preços de açúcar e etanol registraram ao longo do ano tornam a situação complexa. Mais do que nunca, é preciso que a indústria sucroenergética busque soluções tecnológicas e de gestão, de forma a atender às fortes demandas por açúcar e etanol do futuro.

O discreto charme do fracasso - ALEXANDRE SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 16/01


A estabilidade não é condição suficiente para o crescimento acelerado, mas não deixa de ser necessária


Durante os anos em que vigorou no Brasil o "tripé macroeconômico" (câmbio flutuante, metas para a inflação e um compromisso sério com o superavit primário), cansei de ouvir economistas que prometiam o paraíso caso o país abandonasse o regime.

Não se trata de caricatura. Basta ver o tanto de tinta usado para afirmar que todos os problemas do país se resumiam a dois preços "fora de lugar": a taxa de câmbio e a taxa de juros; portanto, uma vez "corrigidos" esses preços, o caminho para o crescimento se acharia desimpedido.

Esse desejo de mudança foi atendido. Desde 2009, não sabemos o que é ter inflação na meta (está no intervalo permitido, mas -veja que curioso- sempre na sua parte superior, mais perto do teto que da meta). Já de flutuante a taxa de câmbio só preservou o nome, encaixotada entre R$ 2,00 e R$ 2,10 por dólar. Por fim, em apenas um dos últimos quatro anos a meta de superavit primário foi atingida sem artifícios contábeis.

A valer o que esse pessoal assegurava, a economia brasileira deveria estar crescendo a taxas aceleradas, mas, bem sabemos, não é o caso. Depois de aumento medíocre em 2011, a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) não deve ter superado 1% no ano passado e, apesar da nova rodada de promessas dos elfos videntes, provavelmente nos encaminhamos para mais um ano de baixo crescimento em 2013 (cerca de 3%). Não bastasse isso, o investimento cresce como rabo de cavalo, caindo por cinco trimestres consecutivos (provavelmente seis, mas isso só se saberá em março).

Economistas sérios se aproveitariam disso para tentar entender o que deu errado. Já o presidente da Associação Keynesiana Brasileira, antro da fina flor dos "keynesianos de quermesse", prefere inovar. Segundo artigo cometido no jornal "Valor" na semana passada, a culpa pelo baixo crescimento é a "herança maldita", isto é, o regime de política econômica ("ortodoxa") que vigorou no país.

Sob outras condições, chegaria a ser engraçado: o mesmo regime não impediu a economia de crescer em torno de 4% ao ano (e o investimento, mais do que isso, vindo de 15% para 19% do PIB), mas, em virtude de alguma mágica não explicitada, seria atualmente o responsável pelo baixo desempenho, e isso durante o período em que foi solenemente abandonado. Segundo tal lógica, a causa da obesidade não é comer muito e se exercitar pouco, mas, sim, ter, anos atrás, comido pouco e se exercitado muito...

Ainda no domínio impecável da lógica, o líder quermesseiro afirma que não se pode comparar o Brasil aos demais países latino-americanos (Chile, Colômbia e Peru) para avaliar o efeito negativo dos fatores externos sobre o crescimento porque se trata de economias "de pequeno porte (...), cujo dinamismo é derivado primordialmente da exportação de commodities e produtos agrícolas".

Parece ter esquecido que economias desse tipo são precisamente as que mais sofreriam, seja em termos de crescimento, seja de investimento, caso a origem da desaceleração econômica fosse a crise externa. Seu desempenho superior ao brasileiro em ambos os quesitos, pelo contrário, apenas reforça a noção de que os problemas nacionais têm origem doméstica.

A verdade é que a cada dia se torna mais claro que as promessas de aceleração do crescimento pela adoção de um novo regime de política econômica não se materializarão. Mesmo sabendo que a estabilidade não é condição suficiente para o crescimento acelerado, ela não deixa de ser condição necessária, e os custos do abandono do tripé se tornam crescentemente visíveis, em particular no campo inflacionário, piorando o ambiente em que as empresas tomam suas decisões de investimento.

Só o discreto charme do fracasso, na definição precisa de Mário Mesquita, justifica o espaço dedicado àqueles que, mesmo confrontados com o fiasco de suas proposições, ainda se arrogam o direito de negar o que a realidade insiste em revelar.

Inconsistências - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 16/01


A política de consertar as inconsistências da economia com improvisações e puxadinhos está levando a um beco sem saída.

Os seguidos adiamentos dos reajustes dos combustíveis, por exemplo, vêm criando distorções que tornam quase inevitável a recomposição dos preços no pior momento para o governo - justamente quando as correções dos preços se acumulam.

A principal distorção é o estrago que a prática de subsídios e o atraso dos reajuste provocam nas finanças da Petrobrás. Ainda ontem, "fontes da empresa" reafirmaram que a Petrobrás precisa do reajuste de 15% dos combustíveis para atualização do seu Plano de Negócios - ou seja, para dar seguimento a sua carteira de investimentos de US$ 236,5 bilhões até 2016. Além disso, está claro que a empresa vai perdendo capacidade de endividamento e que, provavelmente, precisa criar condições de mercado para novo reforço do capital.

A outra distorção recai sobre o setor de etanol. O governo pretende aumentar a proporção de álcool anidro na gasolina, de 20% para 25%, com o objetivo de reduzir o consumo de gasolina e a dependência de importações. No entanto, a produção das usinas segue desestimulada. O etanol tem apenas 70% da capacidade energética da gasolina. Como os preços da gasolina estão congelados, não é possível cobrar mais pelo etanol, porque o consumidor migraria para a gasolina. Com sua margem de retorno fortemente comprimida pela elevação dos custos, os usineiros e os produtores de cana-de-açúcar adiam seus investimentos ou descuidam dos canaviais.

A falta de flexibilidade na área dos combustíveis, por sua vez, é o resultado de uma política de riscos altos assumida pelo governo e pelo Banco Central, baseada na ideia de que "é preciso fazer o que ninguém fez e, se alguma coisa der errado, a gente vê como conserta depois".

A inflação vem com força e deverá saltar para acima dos 6,0% em 12 meses, porque o governo Dilma entendeu que tinha de cuidar preferencialmente do crescimento econômico. Por isso, foi mais permissivo na administração das contas públicas e levou o Banco Central a derrubar os juros a níveis macroeconômicos inconsistentes.

A ideia de que uma inflação mais alta seria tolerável porque garantiria mais atividade econômica foi outra vez desmentida pela sucessão de pibinhos que vieram depois. Os resultados são a pior combinação: inflação alta, entre as mais elevadas entre os países emergentes; e atividade econômica fraca, quase-parando, que, por sua vez, desestimula o investimento, numa paisagem de custos trabalhistas no pico.

O governo federal já vinha se esforçando para segurar a inflação no muque - em vez de obter resultados naturais com políticas consistentes. O achatamento dos preços dos combustíveis faz parte desse jogo. As reduções de impostos na compra de automóveis e de aparelhos domésticos, somadas ainda às negociações com as principais prefeituras do Brasil para adiar os reajustes das tarifas de transporte público, também fazem. Manobras desse tipo compram algum tempo, mas represam pressões telúricas que um dia vazam - ou irrompem.

Por enquanto, o governo Dilma ainda confia em que a volta do crescimento econômico robusto, da ordem de 4,0% ao ano, devolverá a confiança e ajudará a resolver todas as pendências. O problema é que essa virada pode não vir.

O Brasil vai bem, obrigado - ELIO GASPARI

O GLOBO - 16/01


Em sete anos, uma Argentina entrou para a rede bancária nacional, isso não é problema, é solução



Deve-se ao repórter Felipe Marques a informação de que os bancos brasileiros estão às voltas com um novo desafio: organizar um filtro para suas análises de crédito, capaz de absorver 42,5 milhões de novos clientes que entraram no circuito financeiro entre 2005 e 2012. Há muito tempo não aparecia notícia tão boa. Em sete anos, a clientela da rede bancária cresceu uma Argentina.

Pindorama vive uma época de perplexidade vocabular. Primeiro, apareceu uma tal de “nova classe média”, depois, uma milagrosa “classe C” que frequenta lugares onde não ia (aeroportos, por exemplo). Outro dia Jânio de Freitas reclamou, com toda razão, que as operadoras de planos de saúde chamam sua clientela de “beneficiários”. Ora, beneficiárias são as empresas que mereceram a confiança dos fregueses. Essa nova classe é o velho e bom trabalhador brasileiro. Milhões de pessoas que viviam nas fímbrias da sociedade, trabalhando sem carteira assinada e raramente tinham conta em banco. Iam ao aeroporto ao domingos para apreciar pousos e decolagens.

Essa “gente diferenciada” veio para ficar. Algum pesquisador poderá confirmar que o aparecimento de 42,5 milhões de novos clientes num sistema bancário é um fenômeno mundialmente inédito. O número foi levantado há poucos meses pelo Banco Central. Ele decorre da ampliação do mercado de trabalho formal, batendo a marca dos 50 milhões de brasileiros.

Esse trabalhador tem conta em banco, direitos trabalhistas, crédito nas lojas que vendem móveis e fornos de micro-ondas. É um novo cidadão. Está num mercado consumidor onde a taxa de juros média mensal (5,4%) caiu ao menor nível desde 1995, quando passou a fazer sentido acompanhar esse índice.

Nada disso teria acontecido sem Itamar Franco, que botou Fernando Henrique Cardoso no Ministério da Fazenda; sem o Plano Real e os oito anos de FHC no Planalto; sem Lula, que abriu o crédito para o andar de baixo; ou sem Dilma, que forçou a baixa dos juros. Melhor assim.

O que está sobre a mesa da banca é a necessidade de se adaptar a um país que mudou. Trata-se de aproveitar a oportunidade, em vez de reclamar do fantasma da inadimplência. Ele pressupõe que a demanda de crédito de uma parte desses 42,5 milhões de novos correntistas seja uma fonte de calotes. Falta provar. A indimplência dos brasileiros oscila dentro de uma faixa que vai de 5% (2001) a 8,5% (2009). Hoje está em 7,8%. É mais alta no mercado de venda de carros (8%) e saudavelmente baixa (2%) no crédito imobiliário.

A banca deveria dar a todos os seus diretores dois retratos. O de Amadeo Giannini e o de Carlo Ponzi. Um tinha seu pequeno banco em San Francisco quando, em 1906, um terremoto destruiu a cidade. Ele tirou o dinheiro do cofre e passou a emprestá-lo na rua, contra um aperto de mão. Meses depois, seus depósitos duplicaram. Mais tarde, ergueu o Bank of America. Ponzi tomava dinheiro prometendo um retorno de 50% em 45 dias. Deu um golpe de US$ 200 milhões (em dinheiro de hoje) e acabou na cadeia. Olhando para um, farão seu serviço direito. No outro, verão a ruína. Libertado em 1939, Ponzi veio para a terra onde canta o sabiá. Morava no Rio (Rua Engenho Novo 118, prédio que não existe mais) e morreu na Santa Casa, aposentado pelo Instituto dos Comerciários.

Impasse entre os Estados - JOAQUIM FALCÃO

FOLHA DE SP - 16/01


A omissão do Congresso ao definir novas regras do Fundo de Participação dos Estados gera questionamento sobre sua capacidade de cumprir a função


Em fevereiro de 2010, após ser provocado pelo Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, o Supremo Tribunal Federal decidiu que os critérios de repasse dos recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE), criado pela Constituição, deveriam ser revistos pelo Congresso.

Estavam em vigor desde 1989. E, desde então, o Congresso havia se autolimitado a definir os critérios em dois anos. A economia mudara. Não havia indícios suficientes de que o FPE estaria cumprindo a sua função constitucional de "promover o equilíbrio socioeconômico entre Estados". O desequilíbrio persiste. Era imperioso reavaliar e mudar.

A definição desses critérios é competência do Congresso. O Supremo respeitou. Apenas ordenou que, no razoável prazo de quase três anos, o próprio Congresso buscasse critérios mais eficazes para cumprir a Constituição e promover o equilíbrio socioeconômico. O prazo extinguiu-se em 31 de dezembro. O Congresso nada fez. Não cumpriu a ordem do Supremo. E agora?

A Presidência da República não quis interferir na decisão do Congresso. Pois, como diz o senador Francisco Dornelles, "Se a questão do petróleo são 24 Estados contra 3, na do FPE, são 27 contra 27". Acordo quase impossível. A Presidência não atentou que o descumprimento do prazo pelo Congresso a atingiria, pois é a responsável legal para fazer os repasses mensais.

A lei que estabeleceu os critérios antigos não mais existe. Existe um vácuo legislativo. E agora? A Presidência tende a pagar como vinha pagando, com base em um parecer do Tribunal de Contas da União (TCU). O TCU não vale mais que o Supremo.

No final do ano passado, alguns parlamentares tentaram um acordo. Congelava-se os recursos repassados em 2012, em termos reais. O recurso adicional do crescimento do FPE seria 50% distribuídos com base na população (limitando a um peso máximo por Estado de 7% da população do Brasil) e os 50% restantes, com base no inverso da renda domiciliar per capita.

Ora, isso, na verdade, apenas chegava o mais próximo possível dos critérios antigos. Obedeceria formalmente ao Supremo. Mas dificilmente atingiria o objetivo de promover o equilíbrio socioeconômico que a Constituição exige. Mais do mesmo. Mesmo assim, o acordo não foi feito. Impasse.

A omissão do Congresso e o pagamento da Presidência vão fazer a questão voltar ao Supremo, confrontando agora com ordem não cumprida. Como resolver? O Supremo dará novo prazo ao Congresso? Quais as chances do Congresso cumprir o novo prazo?

Para não interromper os repasses aos Estados, desfazer o impasse congressual e cumprir com a Constituição, reduzindo os desequilíbrios, a alternativa seria: (a) Os repasses atuais seriam mantidos, em termos reais. Ninguém perde e se garante a solvência dos Estados. Algo similar ao que deveria ser feito na questão dos royalties. (b) O crescimento futuro do FPE seria dividido de modo a combater os desequilíbrios socioeconômicos através de uma regra que possa cumprir esse objetivo. A atual não conseguiu, nem a proposta de dezembro conseguiria.

O fundo cresceu 5,1% em termos reais entre 1995 e 2001, ou seja, 127% em 16 anos. Estima-se que, a cada ano, o FPE teria em média cerca de R$ 2,5 bilhões adicionais para efetivamente combater os desequilíbrios.

O pressuposto desta ou qualquer solução é óbvio: o Congresso tem capacidade de exercer sua competência legal no tempo que o Supremo determina?

Obras atrasadas para a Copa - EDITORIAL O ESTADÃO


O ESTADÃO - 16/01
Há seis anos, a candidatura do Brasil para sediar pela segunda vez na história a Copa do Mundo da Fifa, em 2014, foi apresentada à entidade promotora pela Confederação Sul- Americana de Futebol. Em 2007, o presidente Joseph Blatter anunciou a escolha ante uma comitiva de governadores, parlamentares e dirigentes esportivos, capitaneada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a festejou como uma ótima oportunidade de negócios e uma excepcional plataforma comercial e propagandística do Brasil para o mundo. Na ocasião, foi firmada a matriz de responsabilidades dos governos federal, estaduais e municipais, que assumiram a tarefa de acompanhar as obras de arenas esportivas adaptadas às exigências de conforto e segurança para a torcida e fazer obras públicas para facilitar o deslocamento de torcedores para as cidades-sede e seu transporte para os estádios.

Cinco anos depois, o panorama no que se refere ao cronograma das obras aceitadas em comum acordo com os organizadores do torneio é, para dizer o mínimo, constrangedor. No caso das reformas dos estádios a serem transformados em arenas incluem-se entre os atrasos as obras do local onde será disputada a partida final da Copa, o Maracanã, no Rio de Janeiro. Após sucessivos atrasos, o governo do Estado do Rio de Janeiro, proprietário do antigo maior estádio do mundo, onde o Brasil foi vice-campeão da Copa de 1950, anunciou que a arena exigida pela Fifa só será entregue em 28 de maio de 2013. Ou seja, a 19 dias de 16 de junho, para quando foi marcada a partida entre México e Itália, a primeira a ser jogada nele. A 15 dias úteis da estreia, a data é apontada como o limite para que a entidade assuma as seis sedes da Copa das Confederações, a ser disputada um ano antes da Copa do Mundo.

Quanto às obras de mobilidade urbana consideradas necessárias para melhorar o tráfego nas cidades escolhidas para sedes do campeonato, a situação dos organizadores brasileiros é ainda mais embaraçosa: dos 82 empreendimentos acertados há cinco anos, 21 já foram liberados do compromisso em comum acordo com a Fifa. Como foram acrescentados mais 28, agora há 86 obras em andamento. Tiveram orçamento alterado 25 delas e 33 não cumpriram o cronograma anunciado. Apenas 3 em 82 (3,5%) mantêm orçamentos amalizados e prazos em dia. Estas reformas concluídas representam cerca de 5% do que estava previsto para ficar pronto até agora: seriam 35 - 9 em 2011 e 26 no ano passado. Mas somente 2 foram entregues, ficando 36 para este ano e 23 para 2014. Na previsão feita em 2010, só 1 obra seria entregue no ano da realização do torneio. Agora já serão 23.

As obras com atraso mais dramático são as de mobilidade urbana, financiadas pelo governo federal, mas realizadas por administrações estaduais e municipais. Mas as de exclusiva responsabilidade do governo federal - caso dos aeroportos - também não apresentam um primor de organização e planejamento. Das 25 obras previstas para aeroportos 8 foram canceladas, mas outras 12 foram incluídas. De acordo com as contas do governo federal, 9 reformas de aeroportos estão concluídas. Este número inclui, contudo, 4 módulos operacionais, estruturas concebidas para uso provisório. Também é considerada obra concluída a terraplenagem da área onde será construído o terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos. A justificativa oficial é de que a Infraero realizou a obra antes da concessão à iniciativa privada. E a Secretaria de Aviação Civil diz que até a Copa o terminal estará pronto.

União, Estados e municípios tentam se justificar culpando decisões judiciais, problemas com licenciamento ambiental, alterações no projeto e a falta, em muitos casos, de projetos executivos. A desculpa é esfarrapada, pois em 2007, quando o compromisso de responsabilidades foi assinado com a aprovação dos três entes federativos, esses problemas eram previsíveis. Quando comandou a comitiva que festejou a honrosa escolha, Lula prometeu "realizar a melhor Copa de todos os tempos". Pelo visto até agora, já será de bom tamanho se o Brasil não protagonizar um vexame sem precedentes na história das Copas.

Mais hidrelétricas com reservatórios - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 16/01


Sem áreas suficientes para estocar água, o Brasil terá de recorrer cada vez mais a usinas termoelétricas, que geram uma energia mais cara e com mais impacto ambiental



Mesmo as “fontes limpas” de energia causam impacto ambiental, na geração ou no seu uso. O Brasil é privilegiado por compor grande parte de sua matriz energética com fontes limpas, especialmente na geração de eletricidade — pelo menos por enquanto. As pequenas médias e grandes hidrelétricas respondem por mais de 80% da eletricidade que chega aos lares, ilumina cidades, movimenta indústrias e outros tipos de empresas.

A extensão territorial em uma posição geográfica que vai do Equador a zonas temperadas ao sul do continente faz com que o Brasil se beneficie de diferentes regimes de chuvas durante o ano. Por isso, enquanto rios estão caudalosos em uma área, podem estar relativamente secos em outras. Como o sistema elétrico é nacionalmente interligado, por meio de linhas de transmissão que se entrelaçam em determinados pontos de intercâmbio, é possível transferir eletricidade de regiões onde haja excedentes para as que enfrentam escassez temporária. Um órgão colegiado, o ONS, opera esse sistema com reconhecida competência, buscando despachar prioritariamente a energia mais barata e próxima dos centros de consumo, com a preocupação de assegurar uma reserva para o futuro.

Nesse processo, que envolve planejamento plurianual e acompanhamento diário das curvas de oferta e consumo de eletricidade, os reservatórios das hidrelétricas cumprem papel fundamental. A água armazenada em reservatórios é essencialmente o que forma essa reserva. As demais fontes de energia são despachadas, da mais barata para a mais cara, a fim de ajudar na administração dessa reserva, ou então por questões técnicas (reforço da rede junto aos centros de consumo) e disponibilidade sazonal — caso da biomassa nos meses da colheita de cana-de-açúcar, por exemplo.

Os reservatórios no Brasil são antigos. Muitos surgiram em um período que não havia tanta preocupação com o meio ambiente e respeito a comunidades afetadas pela inundação. Por causa disso, foi-se do oito ao oitenta, e as novas hidrelétricas no Brasil são licenciadas sem reservatórios, mesmo quando existe a possibilidade de formá-los com o menor impacto ambiental possível. O resultado é que o país, agora, precisa de uma retaguarda de usinas termoelétricas que, além de gerarem uma eletricidade mais cara, causam mais impacto ambiental que um reservatório com igual capacidade de produção de energia.

É um contrassenso, e, na prática, estamos vendo este ano a consequência dessa política bisonha. A maior parte dos reservatórios se concentra nas regiões Sudeste e Centro-Oeste nas quais as chuvas atrasaram e podem não ser suficientes para recompor o volume de água necessário ao funcionamento previsto das hidrelétricas. Usinas termoelétricas precisarão funcionar por mais tempo, o que pesará sobre as tarifas de energia. E ambientalmente 2013 será um ano negativo, pois o país emitirá mais gases poluentes. A política contrária a reservatórios precisa ser revista.

Caos municipal - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 16/01


Novos prefeitos, em diversas regiões do Brasil, recebem a administração quebrada por seus antecessores; número de municípios é excessivo


Notabilizado por sua tragicômica passagem pela presidência da Câmara dos Deputados, em 2005, Severino Cavalcanti (PP-PE) volta agora ao noticiário inserido em mais um capítulo lamentável da crônica política brasileira.

Após quatro anos à frente da Prefeitura de João Alfredo (PE), Cavalcanti deixou a cidade sucateada: a sala de cirurgia do único hospital foi interditada, vacinas se perderam com corte de energia, servidores estão com salários atrasados e fornecedores não foram pagos, entre outros casos de inaceitável desorganização administrativa.

Cavalcanti não é o único, mas está entre os exemplos mais notórios de políticos que não foram reconduzidos ao cargo e entregaram a seus sucessores uma prefeitura em situação de penúria.

Num episódio folclórico, mas nem por isso menos deplorável, o novo alcaide de Santo Amaro das Brotas (SE), Luis Gallardo (PSL), teve de fazer seus primeiros despachos debaixo de uma árvore -e ali mesmo, na praça central da cidade, empossou seu secretariado.

Gallardo, assim como tantos outros eleitos, recebeu seu gabinete sem energia elétrica e ocupado por utensílios nada afeitos à rotina da gestão municipal, como panelas de cozinha e botijões de gás.

Pululam, Brasil afora, casos semelhantes. Prédios públicos depredados, luz, internet e telefone cortados por falta de pagamento, veículos quebrados e encostados, ausência de móveis básicos. Em Chapadão do Céu (GO), Rogério Graxa (PP) nem sequer recebeu as chaves da prefeitura.

São decerto caricatos esses eventos, mas eles revelam quão longe pode chegar a inépcia administrativa -esta, sim, mazela generalizada. A Confederação Nacional dos Municípios estima que mais de 70% das 5.565 municipalidades não tenham cumprido a Lei de Responsabilidade Fiscal em 2012.

Dito de outra maneira: cerca de 4.000 prefeitos se mostraram incapazes -ou não fizeram questão- de observar normas administrativas rudimentares, como a necessidade de condicionar os gastos municipais à arrecadação.

Pode-se até alegar, em defesa dos alcaides, que muitas administrações sofrem impacto severo com a elevação do salário mínimo. Mas ainda que se aceite o argumento, nem por isso os gestores ficam isentos de seguir os preceitos legais no trato com a coisa pública. As sanções continuam as mesmas, de multas a suspensão de direitos políticos e prisão.

Não há dúvida de que as leis devem ser aplicadas com rigor a cada caso particular, mas dificilmente conseguirão alterar um problema que é estrutural: o número de municípios é desmedido no Brasil, e muitos deles, criados de maneira artificial, existem apenas para drenar recursos da União em favor de potentados locais.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Há uma dúvida se haverá o mesmo rigor”
Prefeito Fernando Haddad (PT) questionando a isenção do STF no “mensalão tucano”


GASTÃO ESTUDA DEVOLUÇÃO DE IMPOSTOS A TURISTAS

O Ministério do Turismo estuda reembolsar parte dos impostos cobrados dos turistas estrangeiros sobre produtos brasileiros. Para o ministro Gastão Vieira, o País precisa criar incentivos, sobretudo às vésperas de eventos como a Copa das Confederações e a Copa do Mundo. “O Brasil não dá atrativos, continuamos com a média de cinco milhões de turistas por ano, sendo metade da Argentina”, lamenta.

PRÁTICA COMUM

Na Europa, turistas são ressarcidos dos impostos de suas compras no aeroporto, em dinheiro vivo ou por meio de crédito no cartão.

QUEM GASTA MAIS

Segundo Gastão Vieira, a prioridade, hoje, são turistas de países do Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul) e Canadá, os gastadores.

ALTERNATIVA

A má notícia: Lula vai falar... em Cuba. A boa: o “cumpanhêro” Hugo Chávez desconhece a fama nacional de pé-frio do ilustre visitante.

PERGUNTA NA FILA DE LOBISTAS

Se automóveis vendem menos por serem caros, por que a indústria não fica mais eficiente e reduz custos, em vez de pedir redução de IPI?

PLANO DE SAÚDE DOS SERVIDORES EM NOVA CRISE

Está feia a coisa na Geap, plano de saúde de servidores federais, onde já se fala em intervenção, apesar de a Anasps (associação dos servidores da previdência) acusar a agência reguladora ANS de fazer vistas grossas. Último diretor executivo da Geap, Paulo Eduardo Gomes da Silva, indicado pelo PMDB-PB, foi nomeado em julho e demitido quatro meses depois. Ganhava R$ 45 mil por mês.

FALHANÇO

Gomes da Silva substituiu um bancário formado em Educação Física, Carlos Célio, para gerir rombo de R$ 300 milhões nas contas da Geap.

‘SÓCIOS’ DE OLHO

O problema é o patrimônio do pecúlio da Geap, avaliado em R$ 2 bilhões, que atraem os dois “sócios” do plano de saúde: PMDB e PT.

MICO ALADO

O Paraguai, quem diria, deu alerta especial aos turistas contra o novo tipo de dengue “importado” de uma republiqueta chamada Brasil.

FOGO PRÓXIMO

Quem pensava que eram “fogo amigo” as denúncias contra Henrique Alves (PMDB-RN) mudou de opinião após o ministro Garibaldi Alves (Previdência) revelar que tratou de emendas com o assessor do primo.

CARGO EM VISTA

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) e a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais), participaram da reunião da presidente Dilma com o líder do PR, Lincoln Portela (MG), segunda.

ESPECULAÇÃO

Para o presidente do PSDB-MG, Marcus Pestana, “não fazem sentido” as notícias de que José Serra (SP) pode deixar a sigla: “Ele é fundador, pode ajudar na reformulação do PSDB ou sair candidato ao Senado”.

SOB INVESTIGAÇÃO

A corregedoria da Receita Federal já investiga assédio moral de fiscais a passageiros, no desembarque internacional do aeroporto de Brasília. E o inspetor chefe da Alfândega, Alexandre Martins Angoti, disse que servidores são treinados e orientados a agir com urbanidade e respeito.

SOBROU PARA NÓS

Sob patrocínio da Caixa Econômica Federal, o Corinthians pagou mais de R$ 40,5 milhões (€ 15 milhões) pelo passe de Alexandre Pato. Portanto, como lembra um leitor, quem paga o Pato é o contribuinte.

MENSALEIROS, NÃO

Em campanha para presidir a Câmara, a atual vice, deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), ao contrário do nanopresidente Marco Maia (PT-RS), promete cumprir todas as decisões do Supremo Tribunal Federal.

MANIFESTO

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) enviou carta a colegas criticando a “ineficiência” do Senado e cobrando compromisso do próximo presidente em votar reforma política e novo plano de educação.

AINDA NÃO

A Receita Federal informa que o subsecretário de Aduana e Relações Internacionais, Ernani Checucci, não foi ao Azerbaijão, mas recebeu o embaixador em Brasília para futura visita do diretor da Receita de lá.

PENSANDO BEM...

...para a oposição, na Venezuela, presidente bom é presidente morto.


PODER SEM PUDOR

VIAJANTE IMPREVISTO

O embaixador Rubem Cattan estava no Bar do Museu, em São Paulo, e resolveu ajudar o amigo Leão Nogueira, de pileque, a acomodar-se no banco de trás de um táxi. O homem deu trabalho. Mas ao fechar a porta do carro, o embaixador ainda ouviu um diálogo curto e grosso, entre o motorista e o cambaleante passageiro:

- Para onde o doutor vai?

- Jamais saberás! - exclamou Nogueira, desfalecendo no segundo seguinte.

QUARTA NOS JORNAIS


Globo: Risco de racionamento – Térmicas podem anular desconto na energia
Folha: Caixa corta taxa de juros para imóveis acima de R$ 500 mil
Estadão: Assembleia libera servidor de bater ponto diariamente
Correio: Suplemento proibido é vendido por traficantes
Valor: Empresas terão forte perda com seus planos de pensão
Zero Hora: Aumento na gasolina ofusca luz mais barata
Estado de Minas: Oficinas viram garagem por falta de peças
Jornal do Commercio: Estado assumirá a BR-101

terça-feira, janeiro 15, 2013

FIM DO MUNDO I - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 15/01


A Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) prendeu, ontem à noite, o funcionário de um colégio municipal em Caxias, RJ, evangélico, 59 anos. É acusado de abusar de dois meninos, de 12 e 17 anos, que viviam com ele.
O homem, meu Deus!, tinha a guarda judicial dos menores.

FIM DO MUNDO II
A Vara Criminal de Itaboraí, RJ, faz amanhã a primeira audiência do processo onde um pai é acusado de entregar o filho, de 14 anos, para ser torturado por traficantes no Morro do Catiço, na cidade.
É que o adolescente teria furtado alguns objetos do bar do pai.

PERNAS PRO AR
O balanço divulgado, ontem, pela Ancine, mostra que a plateia de filmes nacionais, ano passado, representou 10,6% do total.
De outubro para cá, este percentual saltou para 22% por conta de sucessos como Até que a sorte nos separe, Os penetras, De pernas pro ar 2 e Gonzaga - De pai para filho.

ALIÁS...
Dos quatro filmes, três são de comédia, novo filão do nosso cinema.

GRANDE MAESTRO
O maestro alemão Kurt Masur, de 85 anos, que, ano passado, comunicou publicamente que sofre de Parkinson, retorna ao Brasil em agosto para reger a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB).
No programa, a Sinfonia Pastoral de Beethoven.

NA TERRA DE CHÁVEZ
Manchete do site argentino Urgente24, ontem, sobre a escassez de produtos básicos na Venezuela: “Já tem papel higiênico, mas falta açúcar para a Pepsi”.

GRANDE HOTEL
Eduardo Paes concedeu licença para a criação de um hotel na Avenida Rui Barbosa 170, no Flamengo. Terá 464 quartos.
A autorização foi em nome da Rex Hotel Ltda.

CENA CARIOCA
Dia desses, um carioca, logo após ser assaltado na orla de Ipanema, avistou Eduardo Paes caminhando, ao lado de um deputado. A vítima não titubeou e foi reclamar com o prefeito, que nada pôde fazer.
Intrigado, Paes parou em uma barraca, e perguntou ao comerciante:
– Isso [assalto] acontece sempre aqui? É sempre o mesmo bandido?
O barraqueiro respondeu:
– Sim, em uma bicicleta azul. Inclusive, rouba cordões iguais ao seu.

CÂMERAS OCULTAS
Quatro funcionários do restaurante e pizzaria Prado, no Jockey do Rio, estão de avisos-prévios. Foram flagrados pelas câmeras do estabelecimento, em dia de muito calor, tomando refrigerante.

DEUS CASTIGA
Uma senhorinha entrou com ação contra a Paróquia Santo Afonso, na Tijuca, no Rio, porque o padre não permitiu que ela levasse para casa... a hóstia da sagrada eucaristia.

O SENHOR DAS ARMAS
Os planos do presidente americano Barack Obama de apressar a saída do Afeganistão podem afetar o projeto da Embraer de vender para a força aérea americana aviões de combate leve, para uso na região.
Esta compra é aquela que foi ganha pela empresa brasileira, no fim de 2011, e anulada, em seguida, graças ao lobby dos políticos de Kansas, muitos deles financiados pela Hawker Beechcraft, derrotada na disputa.

SEGUE...
O processo de compra dos caças está atrasado há uns 20 meses. Nesse período, a Casa Branca avançou na ideia de bater em retirada do Afeganistão.
Com isso, teme-se que a encomenda se restrinja a apenas 20 aviões.

GUARDIA VIEJA
Um livro do escritor espanhol Arturo Perez-Reverte, ex-correspondente de guerra, cuja obra já foi traduzida para quase 30 idiomas, enfim, chega ao Brasil neste primeiro semestre.

A Record acabou de comprar os direitos de El tango de la guardia vieja, que fala de uma história de amor vivida ao longo de quatro décadas, no século 20.

PONTO FINAL

Veja como o Brasil não é só o do funk Rap das armas ou o do saliente Ai, se eu te pego: 881 mil pessoas visitaram (561 mil no Rio, e 320 mil em São Paulo) a exposição dos impressionistas, uma seleção de 85 obras-primas do acervo do Museu d’Orsay, de Paris. Com esse público, daria para encher o futuro Maracanã umas onze vezes. 

O Supremo e o rapa - CARLOS HEITOR CONY

FOLHA DE SP - 15/01


RIO DE JANEIRO - A foto do Cachoeira numa praia da Bahia, ao lado da mulher de biquíni, irritou o país inteiro, que vem acompanhando os processos do mensalão e da Operação Monte Carlo. Muita gente chegou a acreditar que se abriu para o Brasil uma nova idade de ouro, à espera de um Ovídio que a cante com todo o esplendor.

Apesar da eficiência e dignidade com que os dois escândalos foram julgados pelas autoridades comprometidas com o Estado de Direito, são remotas, para mim, a possibilidade do cumprimento das penas e multas.

O próprio Joaquim Barbosa, elogiadíssimo por sua atuação no Supremo, não se sentiu obrigado a mandar prender um deles "até que todos os recursos e embargos sejam examinados".

Daqui a um ano, não haverá um só dos condenados preso em regime fechado ou aberto. As multas pecuniárias estabelecidas esbarrarão na realidade patrimonial da maioria deles, um ou outro talvez pagará o que ficou devendo à Justiça -pelo que consta, somente o Valério e o Cachoeira, podendo haver alguma surpresa a respeito dos demais.

Em todo o caso, a cassação dos direitos políticos de todos, ou de quase todos, poderá representar um tipo de pena que pagariam pelos malfeitos contra a nação. E, no plano moral, mesmo sem apelar para a Lei da Ficha Limpa, a maioria dos condenados ficaria impedida de disputar cargos eletivos ou empregos públicos e teria dificuldade de se estabelecer em empresas privadas, sobrando apenas o mercado informal. No qual, aliás, teriam boa habilitação para trabalharem informalmente. Todos possuem excelente currículo e experiência no ramo.

PS - Não estou sugerindo que venham acabar exercendo funções de camelô, quando teriam de enfrentar não mais o STF, mas o rapa da polícia.