sexta-feira, janeiro 04, 2013

Férias coletivas - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 04/01


Pelo menos 15 dos 39 ministros aproveitaram o descanso de Dilma Rousseff para entrar em recesso informal no início do ano. Entre os que despacham no Planalto, só Gleisi Hoffmann (Casa Civil) está em Brasília. As pastas da Educação, Saúde, Planejamento, Transportes, Comunicações, Pesca, Meio Ambiente, Turismo, Esportes, Desenvolvimento e a Secretaria de Assuntos Estratégicos também são dirigidas por interinos. Jorge Hage, da CGU, completa a lista de ausentes.

Curto prazo A maior parte dos integrantes do primeiro escalão retornará à ativa na semana que vem. Dilma, que permanece na base naval de Aratu (BA), deve retomar agenda oficial dia 11.

Controle... Os ministros envolvidos nas operações de prevenção e rescaldo das enchentes estão na ativa, por determinação da presidente. Fernando Bezerra (Integração), o mais acionado, tirou férias em setembro passado.

... de ponto A mesma regra vale para a equipe que monitora os aeroportos sob controle da Infraero desde o feriado prolongado de Natal.

Pega geral Petistas comemoraram a descoberta de grampos da PF envolvendo o atual diretor da Antaq, Pedro Britto, na Operação Porto Seguro. Afilhado de Ciro Gomes, o ex-ministro é da cota do PSB, o que ajudaria a tirar o foco do escândalo do PT.

VIP Coadjuvante na posse de suplentes na Câmara, ontem, Bernardino Oliveira (PRB-PR) teve direito a solenidade exclusiva na sala da presidência. Com voo atrasado, assumiu a vaga de Luiz Setim (DEM), novo prefeito de São José dos Pinhais, duas horas após José Genoino (PT-SP), protagonista da tarde.

Câmera... A ministra Marta Suplicy (Cultura), a Ancine e o BNDES lançarão ainda este mês linha de crédito de R$ 140 milhões para facilitar o processo de transição das salas de cinema do país com exibição em formato analógico para o digital.

... ação O objetivo do pacote é permitir que o Brasil realize a mudança, dentro de um universo de 2.500 salas, sem que nenhuma delas seja fechada. Com a medida, o parque de salas estaria totalmente digitalizado até 2015.

Pente-fino Mesmo com a sugestão de Gilberto Kassab, Fernando Haddad não fará revisão linear de todos os contratos da prefeitura. Desde ontem, sua equipe esquadrinha acordos de maior valor que possam ser renegociados. Os de iluminação e varrição estão na mira.

Plantão O prefeito avisou aos secretários que o final de semana será de trabalho. Agendou reunião às 9h de amanhã com o comitê de gestão na área de cidadania.

Aqui não No segundo dia útil de gestão do petista José Américo, a Câmara paulistana suspendeu o serviço de café na copa do primeiro andar. O acesso à área era franqueado ao público, o que atraía moradores de rua.

Apetite Geraldo Alckmin recorreu ao restaurante popular Bom Prato, tema de ampla campanha publicitária na TV, duas vezes em menos de 15 dias. O tucano cumpre o mesmo ritual: almoça no local e posa para fotos rapidamente propagadas por aliados nas redes sociais.

Cota verde Marco Mroz, atual presidente do PV-SP, será o número 2 da Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos de Alckmin.

Em bloco As bancadas do DEM e PTB fecharam acordo e apoiarão a candidatura do líder governista Samuel Moreira (PSDB) à presidência da Assembleia paulista. O pacto foi alinhavado pelo petebista Campos Machado.

com ANDRÉIA SADI e DANIELA LIMA

tiroteio
"A economia não aceita desaforo e medidas cosméticas. Para não cair para a segunda divisão, é preciso investimento e reformas."
DO DEPUTADO PAUDERNEY AVELINO (DEM-AM), sobre o desempenho médio do PIB brasileiro, que deve ficar na vice-lanterna entre os emergentes no triênio.

contraponto


Plenário do riso


Ao tomar posse, anteontem, na Câmara paulistana, o humorista Marco Ricciardelli (PTB), o Marquito, foi o centro das atenções na sala da presidência. Ele assumiu a vaga do também petebista Celso Jatene, indicado para a Secretaria de Esportes. Questionado sobre sua atuação após fazer o juramento protocolar, ele respondeu:

-Prometo que vou honrar o mandato, com honestidade. Comédia só na televisão!

Um assessor, então, completou:

-Se ele se empolgar, não tem problema. Tem a TV Câmara transmitindo todas as sessões.

Porta dos fundos - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 04/01


Já é um absurdo que deputados condenados pelo Supremo continuem exercendo seus mandatos como se nada tivesse acontecido. Há casos desses na Câmara. Absurdo maior, porém, é dar posse a suplente condenado pela última instância do Judiciário por corrupção ativa e formação de quadrilha. A posse do ex-presidente do PT José Genoino é absolutamente legal, pois o processo ainda não transitou em julgado, mas é totalmente aética e revela, ao mesmo tempo, a falta de compromisso do PT e da própria Câmara com o exercício da política no sentido mais alto, definido como a busca do bem comum, priorizando interesses particulares e corporativos.

No julgamento do mensalão, o ministro Celso de Mello deu o tom histórico ao definir a dimensão da decisão, que sacramentou com seu voto, pela cassação dos mandatos dos parlamentares condenados no processo como consequência da perda de direitos políticos. Essa perda dos mandatos está diretamente ligada à gravidade dos crimes cometidos contra o Estado, e mais uma vez ficou ressaltado o sentido de todo o julgamento: a defesa das instituições democráticas. Celso de Mello chamou a atenção para o fato de que as decisões do colegiado são sempre do Supremo, não havendo vencidos nem vencedores. A votação de 5 a 4 pela interpretação da cassação automática passa a ser a da Corte, que tem a última palavra em termos constitucionais e, como lembrou Rui Barbosa, pode até mesmo "errar por último”!

Por isso mesmo, alertou em seu voto, seria "inadmissível o comportamento de quem, demonstrando não possuir necessário senso de institucionalidade, proclama que não cumprirá uma decisão transitada em julgado emanada do órgão judiciário que, incumbido pela Assembleia Constituinte de atuar como guardião da ordem constitucional, tem o monopólio da última palavra em matéria de interpretação da Constituição’!

O ministro tocou no ponto certo quando advertiu que "reações corporativas ou suscetibilidades partidárias associadas a um equivocado espírito de solidariedade não podem justificar afirmação politicamente irresponsável e juridicamente inaceitável” Diante da condenação de seus principais representantes no julgamento do mensalão, o PT decidiu politizar a última decisão, em torno dos mandatos legislativos dos condenados, para retaliar o STF, criando uma crise entre os poderes onde não existia disputa política, mas de interpretação do texto constitucional.

A posição do presidente da Câmara, deputado petista Marco Maia, de considerar que cabe ao Legislativo a última palavra em caso de cassação de mandatos tem respaldo em interpretações jurídicas, tanto que, mesmo que os nove ministros tenham votado pela perda dos direitos políticos dos condenados, quatro deles consideraram que caberia à Câmara a decisão final quanto à perda de mandato.

Mas, diante da decisão da maioria da Corte, não há, numa democracia, justificativa para anunciar que ela não será acatada. A posse de Genoino é mais um lance dessa disputa de alas petistas contra a dura realidade que enfrentam, e só cria novo embaraço à já constrangedora situação da Câmara. As ameaças de Maia são apenas retóricas, pois não caberá a ele a decisão sobre o assunto. Henrique Alves, do PMDB, deve ser eleito para presidir a Câmara e é ele que terá a tarefa de convencer seus pares de que a última palavra neste caso é do STF. A posse do réu condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha é tola tentativa de retomar a história do ex-guerrilheiro José Genoino, que, como já defini aqui, se transformou em um perverso formula-dor da História ao se dizer vítima de novos tortura-dores da imprensa, que, em vez de pau de arara, usariam a caneta para lhe infligir sofrimentos.

Transformar a liberdade de expressão e de informação em instrumentos de tortura mostra bem a alma tortuosa desse político equivocado, metido em bandidagens para impor projeto político "popular” ao país. Assim como entrou pela porta dos fundos da Câmara para tomar posse de um mandato que moralmente já perdeu, Genoino sairá pela porta dos fundos da História direto para a cadeia.

O ano novo dentro de você - FERNANDO GABEIRA


O Estado de S.Paulo - 04/01


"É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre", diz a propaganda da TV, usando o verso do poeta Carlos Drummond de Andrade, que faria 100 anos em 2012. O anúncio usa o último verso do poema de Receita de Ano Novo.

Aceito a orientação do poeta e concordo com ele quando diz que não precisa fazer listas de boas intenções nem acreditar, parvamente, que por decreto de esperança, a partir de janeiro, as coisas mudem e seja tudo claridade. Há algo novo de Drummond para cá. Ele escreveu: "Ao telefone, perdeste muito, muitíssimo tempo de semear".

Hoje o telefone é um instrumento de trabalho. Mas nos aeroportos, ruas e estradas perdemos muito tempo de semear. Nos aeroportos há espera no saguão, nos ônibus que nos conduzem a bordo e nas poltronas, antes de o avião decolar. Nas ruas de quase toda grande cidade brasileira o trânsito é infernal. Não vejo esperança no horizonte. O governo continua isentando a indústria de carros e estimulando a venda em 70 prestações.

No meu tipo de trabalho, o melhor guia não é um poeta, mas um treinador de futebol. Gentil Cardoso dizia: "Quem não se desloca não recebe". É sempre possível atenuar usando bike ou motoneta no lazer e nas tarefas domésticas. Mas com equipamento pesado nas costas, sem carro ou avião, não posso deslocar-me e receber a bola. Quase nunca é possível usar o saguão de um aeroporto para trabalhar. Os portões de embarque mudam constantemente. É preciso interromper e sair rápido para não perder o voo.

São lamentos de um trabalhador. Quem sabe o PT não os leva em conta, apesar de estar me deslocando sempre a serviço da mídia golpista, da elite reacionária, enfim de todos esses vilões que reaparecem toda vez que os companheiros são colhidos em mais um escândalo.

A favor do governo, no tema mobilidade, lembro que Dilma decidiu privatizar dois aeroportos e prometeu construir 18 regionais. Se tudo der certo, ainda não será neste ano que poderemos colher os frutos. Foram tão lentas as decisões, faz tanto tempo que a demanda crescente expõe a vulnerabilidade dos aeroportos.

No caso dos automóveis, a sensação que tenho é de que Dilma alimenta a utopia de um carro para cada pessoa. No futuro próximo muito mais gente vai compreender como é insustentável essa política. As ruas ensinam. Dilma não as tem frequentado nestes dois anos.

Os companheiros caminham para o modelo econômico com ênfase no papel do Estado, na criação de empresas oficiais e formação de um setor fortemente apoiado pelo BNDES. A discussão econômica é central no momento. O PT venceu as eleições, o governo tem apoio da maioria, é legítimo que tente o seu caminho. O fato é que a economia não cresceu no último ano. O caminho está errado? É uma leitura equivocada da crise econômica de 2008? Esse é o debate mais frequente. Mas existe outro, também essencial: que empresas o BNDES está financiando e em que condições?

Baseado no fato de que o dinheiro é público, o Ministério Público já fez essa pergunta e o BNDES afirmou que tais dados são sigilosos. E a lei de acesso aos dados do governo? Não pegou? Como ter uma visão desse complexo econômico construído com financiamento público sem saber para onde e em que quantidade vão os recursos?

Dilma sempre associou sua imagem ao interesse pela energia. Mas como na campanha foi chamada de mãe do PAC, talvez tenha atravessado os papéis e se sinta mãe onde era técnica. A energia no Brasil é cara. O forte calor aumentou em 8% o consumo no Sudeste. Uma redução no preço será um alívio para todos. Do ponto de vista eleitoral, baixar o preço da energia é ótimo para o governo. Mas não precisa ser um desastre para quem critica sua tática. Basta defender uma redução cuidadosa, sobretudo nesta conjuntura.

Preocupados em resistir ao julgamento do mensalão, os companheiros não se deram conta de que a luz andou apagando aqui e ali, que os reservatórios estão baixos e a chuva real será menor que a esperada. Uma queda de braço no momento pode ser ruim para todos. A popularidade a autoriza. Mas popularidade, com tudo o que implica, é como um vinho que deve ser consumido com moderação.

Na esfera política, os amplos setores do PT que resistem ao julgamento do mensalão estão se queimando. Parecem um pouco aqueles dirigentes de escola de samba que não se conformam com o resultado do júri e batem boca, com o palco já desmontado. O conforto eleitoral estimula avaliações amadorísticas do quadro político pós-mensalão. José Dirceu aparece de punho erguido em foto de jornal. Ele vê o mensalão como um elo na história das lutas da esquerda. O punho erguido foi a saudação dos comunistas. Um atleta negro americano o ergueu ao vencer a Olimpíada. O gesto era usado contra Franco na Guerra Civil Espanhola. O mensalão não pertence à história de lutas da esquerda, mas ao seu extenso rosário de erros. Independente do juízo sobre o comunismo, todos sabem a diferença entre La Passionária e o Delúbio Soares.

Genoino vai para o Congresso, onde nada poderá fazer nos meses em que espera os recursos no STF. Não há condições políticas, nem mesmo psicológicas. Porém ele aceita um cargo público que consome R$ 136 mil/mês. É como se alguns peixes do oceano político não respeitassem mais o momento de submergir.

Drummond tem razão: despertar o ano novo que cochila em você, mesmo porque nas altas esferas o sono ainda é profundo.

O ano terminou com o presidente da Câmara, Marco encarnando o fim do mundo Maia, enfrentando o Supremo. Ele é um produto dos intrincados mecanismos de disciplina e lealdade do PT. Sonha ser dirigente de um clube de futebol. Para não dizer que sou negativo diante do companheiros, esse sonho pelo menos eu apoio, dependendo, é claro do clube escolhido.

Os chineses falam de tempos interessantes como aqueles em que há convulsões sociais, tormentas, revoluções. Espero tempos engraçados, tomando-se o humor em todas as suas dimensões, inclusive as dolorosas.

Um pouco além dos bodes - ANA ESTELA DE SOUSA PINTO

FOLHA DE SP - 04/01


SÃO PAULO - A piada é conhecida. O caipira se queixa ao padre: "Minha casa é minúscula, tenho oito filhos, dois cunhados, e a sogra resolveu morar comigo". É orientado a pegar um bode no cercado do quintal e instalá-lo no sofá da sala.

Passado um mês, reaparece o caipira desesperado, ameaçando divórcio ou suicídio. O padre então oferece a solução final: "Agora, tire o bode".

O espaço no casebre da economia brasileira ficará mais amplo em 2013, em parte porque tudo melhora quando se removem animais incômodos como o PIB medíocre de 2012.

Mas é possível que o país se veja também aliviado de outro estorvo, o da inadimplência do consumidor, acompanhada de sua sombra, o comprometimento da renda das famílias brasileiras com o pagamento das dívidas bancárias.

Pelos números recentes do Banco Central, o peso desse pagamento caiu significativamente no fim de 2012. O efeito foi maior nos financiamentos de veículos, no cheque especial e nos cartões de crédito, justamente os setores que puxaram o encolhimento dos juros ao consumidor.

Será um novo fôlego para a expansão do consumo e a retomada dos investimentos -modelo que muitos analistas dão por esgotado-, segundo estudo inédito da equipe de Nilson Teixeira, economista-chefe do Credit Suisse (aquele cuja previsão de crescimento de 1,5% foi chamada de piada pelo ministro da Fazenda, mas passemos, que a fábula é outra).

Pelos cálculos do banco de investimentos, o comprometimento da renda das famílias com crédito bancário cai a 20% no fim de 2013, revertendo a alta de 2011 e 2012. Sobra mais dinheiro, com condições melhores para consumir: a concorrência entre bancos públicos e privados reduzirá ainda mais as taxas de juros.

Salvo imprevistos, a inadimplência de empréstimos para indivíduos vai de 7,8%, em 2012, para 7%, neste ano. Ou seja, no cenário do Credit Suisse, em 2013 o caipira se livra não só do bode mas também da sogra.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Faço política porque tenho causas e sonhos”
Mensaleiro José Genoino (PT-SP) ao tomar posse como deputado federal


MARCO AURÉLIO É O MINISTRO MAIS PRODUTIVO DO STF

Pelo segundo ano consecutivo, o ministro Marco Aurélio foi o mais produtivo do Supremo Tribunal Federal: em 2012, ele tomou 8.719 decisões, das quais 6.938 monocráticas. Dias Toffoli foi também muito produtivo, tendo sido responsável por 8.568 decisões. Em seguida, no ranking de produtividade do STF, estão os ministros Celso de Mello (6.585 decisões), Joaquim Barbosa (6.304) e Cármen Lúcia (5.830)

RANKING

Segundo as estatísticas do STF, Ricardo Lewandowski julgou 5.794 processos, Luiz Fux 5.456, Gilmar Mendes 5.343 e Rosa Weber 5.141.

TODO O GÁS

Já em dezembro, primeiro mês como ministro do STF, Teori Zavascki foi responsável por 948 decisões, 798 das quais monocráticas.

O LÍDER E O LANTERNA

Em dezembro, em meio ao julgamento do caso do mensalão, Marco Aurélio tomou 1.236 decisões. Joaquim Barbosa, o lanterna, somou 7.

ESTAMOS AÍ

Vem aí o Partido da Renovação Social (PRS), do candidato derrotado a vereador no Rio Cristiano de Moragas, que teve menos de 800 votos.

BERZOINI PODE SER O PRÓXIMO LÍDER DO GOVERNO

O deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) é o mais cotado para assumir a liderança do governo na Câmara em lugar de Arlindo Chinaglia (PT-SP). O principal concorrente, Paulo Teixeira (SP), está praticamente descartado pela presidente Dilma após desgaste no comando da CPMI do Cachoeira. Como prêmio de consolação, Teixeira deve faturar a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

EM BAIXA

Cotado para líder do governo, o relator da empacada Reforma Política, Henrique Fontana (PT-RS), já é dado como descartado para os cargos.

ISOLADO

Odair Cunha (PT-MG) também deve sair com as mãos abanando. Na relatoria da CPMI do Cachoeira, desagradou a gregos e troianos.

ADVERSÁRIO EM VISTA

O PMDB está preocupado com a possível saída de Arlindo Chinaglia, que seria forte concorrente ao comando da casa contra Henrique Alves.

BABA OVO

O prefeito de Rio Branco, Marcus Aguiar (PT), é o bajulador mais escrachado do meio político: recorreu à Justiça para anexar ao nome os sobrenomes da mulher, Viana e Silva, para fingir que é parente dos irmãos Viana, Jorge e Tião, que há anos dominam a política no Acre.

MAKE THE KNIFE

O “cara” não está mais sozinho. Um setor do Partido Republicano dos EUA acusou a outra de “esfaquear” pelas costas o partido por apoiar Obama na aprovação do “abismo fiscal”, segundo a Fox News.

MENOS UM

O deputado Garotinho (PR-RJ) comemorou mais um “desfalque na Gangue dos Guardanapos”: o secretário municipal de Urbanismo do Rio, Sérgio Dias, companheiro de farras de Eduardo Paes, foi demitido.

TORTURA MODERNA

Questionado se tomou posse durante o recesso parlamentar para não chamar a atenção da mídia, o mensaleiro José Genoino foi obrigado a lamentar: “Claro que não. Vocês todos estão aqui. Deu pauta”.

ALVO RELIGIOSO

Depois da polêmica do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), Erika Kokay (PT-DF) também atacou Bento XVI pelo Twitter: “O papa reedita a Inquisição. Com fogueiras simbólicas, mas igualmente destruidoras”.

POSSE DE ‘DOIDÃO’

O cheiro de cola de sapateiro ontem na posse de José Genoino (PT-SP) na Câmara, feita a portas fechadas e sem a presença da oposição, foi motivo de piada. O material é usado na reforma do Salão Verde.

SUPERLOTAÇÃO

Envolvida em escândalo na Operação Porto Seguro, Agência Nacional de Transportes Aquaviários diz que pagará aluguel mensal de R$ 16,4 mil, por cinco anos, para acomodar funcionários em prédio em Belém.

DEMISSÕES NA AGU

Enquanto a presidente Dilma decide se Luis Adams fica na AGU, ele promove mudanças. Mandou exonerar a Procuradora Regional da 1ª Região, Ana Luisa Mendonça, que discordou de Lei Complementar enviada por ele. É a segunda que foi demitida pelo mesmo motivo.

PENSANDO BEM...

O trocadilho é velho, mas sempre atual: Genoino inicia, hoje, sua “atividade pralamentar”.


PODER SEM PUDOR

JEITO DE SENTIR SAUDADES

Ademar de Barros gostava tanto do amigo José Paulo Freire que até o nomeou para um cargo importante, no governo de São Paulo. Pouco tempo depois, Jânio Quadros venceu as eleições e processou Ademar, que resolveu passar uma temporada na Bolívia. Lá, soube que o amigo José Paulo virou aliado de Jânio. De volta a São Paulo, Ademar se queixou:

- Bastou eu viajar para você me trair, ficando com o Jânio.

- De jeito nenhum. Fiquei com Jânio só para ter saudades do senhor...

SEXTA NOS JORNAIS


Globo: Temporais de janeiro voltam a castigar o Rio
Folha: Dilma recorre a manobra inédita para fechar contas
Estadão: Governo manobra e garante R$ 16 bi para cumprir meta
Correio: Ainda dá para você comprar sem o novo aumento
Valor: União usa fundo soberano para cumprir meta fiscal
Estado de Minas: Funil apertado para os cotistas na UFMG
Zero Hora: Ataque na Serra nasceu de aliança de bandos na Pasc

quinta-feira, janeiro 03, 2013

Experiência para 2013 - CONTARDO CALLIGARIS

FOLHA DE SP - 03/01


A vida deixa marcas e feridas na roupa e na gente, escondê-las seria esconder nossa maior riqueza


Vinte anos atrás, fui ao casamento de uma amiga em Saratoga Springs, no norte do Estado de Nova York. Era o fim do inverno; a cidade ainda não recebera a turma das águas termais, que chega na primavera, e ainda menos a turma das corridas de cavalos, que acontecem no verão.

Na noite antes da festa, passeando pela rua principal (que, se não me engano, chama-se Broadway), entrei numa loja para fugir do vento. Num canto, estavam os restos dos restos das liquidações de inverno, descontados até não poder mais: as camisas custavam US$ 5 (R$ 10, mais ou menos). Adquiri duas camisas idênticas de sarja pesada, de um cinza escuro, quase preto. Eram as últimas duas no meu tamanho.

Desde então, com o uso, a sarja se tornou mais macia e a cor desbotou um pouco. Por sorte minha e das camisas, isso aconteceu ao longo de uma época que me parecia valorizar, digamos assim, as marcas da experiência. É dessa forma que sempre entendi a moda do brim desbotado, das bainhas desfeitas e desfiadas ou das calças jeans furadas e rasgadas: a vida deixa marcas e feridas na roupa e na gente, escondê-las (por exemplo, atrás de roupas novas) significaria esconder a maior riqueza que acumulamos, a dos percalços de nossa existência -que eles tenham sido bons ou ruins, tanto faz.

Um dia, 8 anos atrás, a manga de uma dessas camisas brigou com a maçaneta de uma porta, e o tecido foi rasgado, na forma de um sete -de cinco centímetros por oito.

Mandei consertar, sem dissimular o remendo. Afinal, o mundo me parecia maduro para isso: tanto eu quanto minha camisa (que se tornou a preferida das duas) podíamos mostrar sem vergonha as marcas dos anos e das batalhas.

Durante muito tempo, carreguei meu remendo na manga como o distintivo de uma honrada patente militar. Ou como uma declaração à la Neruda, feita por mim e por minha camisa: "confesso que eu vivi".

Como disse, minha confiança no espírito dos tempos era um pouco ingênua, e isso foi revelado nos últimos dias, quando, de repente, um menino de dez anos apontou o dedo para a manga de minha camisa e estranhou: "Mas este é um rasgo?".

Pensei que ele estivesse censurando o que talvez lhe aparecesse como desleixo: por que eu não compraria uma camisa nova e pararia de impor ao mundo a triste visão de um remendo? Mas logo percebi que ele estava usando uma calça jeans rasgada com afinco, de modo que era suficiente ele dobrar levemente as pernas para que seus joelhos estivessem ao ar livre.

Agora, a própria existência de calças rasgadas e desbotadas para crianças invalida meu entendimento de que os nossos tempos valorizariam a experiência. Pois, mesmo vivendo intensamente, uma criança não teria tempo para maltratar sua calça a ponto de lhe imprimir um "look" rasgado radical.

Conclusão: para o menino, meu rasgo e meu remendo eram ruins porque eram verdadeiros. Enquanto os rasgos da calça jeans dele eram bons porque eram de mentira. Ou seja, o que ele aprendera a valorizar não era a experiência real (pressuposto de eventuais acidentes com suas calças), mas os rasgos falsos, ou seja, a pura aparência da experiência.

Entendo que adolescentes e pré-adolescentes tentem aparentar "quilometragem". Alguns, aliás, fazem "besteiras" para acumular logo experiências que lhes permitam se comparar aos adultos. Outros (hoje mais numerosos, talvez?) fazem menos besteiras, porque escolhem um atalho (que os pais, em geral, adoram propor): eles descobrem que arriscar-se a viver é mais difícil e mais cansativo do que acumular e exibir as falsas aparências da experiência. Para eles, os rasgos falsos são propriamente melhores do que os verdadeiros. E brincar é sempre melhor do que viver.

Escrevo esta coluna no dia 31. Estou perto de Times Square. Ao longo da tarde, periodicamente, ouço uma "hola" das pessoas que já esperam para o fim do ano. A "hola" corresponde aos momentos em que as redes de televisão ligam as câmeras. Faz frio e ficar 12 ou 14 horas em Times Square é chato. À meia-noite, você dará um abraço e um beijo nos amigos que estão com você, mas isso você poderia ter feito em casa ou numa festa. A razão de estar em Times Square não é sua experiência, é a aparência de alegria que você talvez possa mostrar ao mundo, na televisão.

Para todos, os votos de um 2013 com rasgos e remendos reais, ou seja, de uma vida que não precise ser confundida com um reality show para convencer aos outros (e à gente) de que ela vale a pena.

Entra ano, sai ano - CORA RÓNAI

O GLOBO - 03/01


Lembranças das noites de réveillon passadas


Uma vez, quando os meus filhos eram crianças, resolvemos passar o réveillon num barco. Saímos com amigos da Marina da Glória e paramos em frente à praia de Copacabana para ver os fogos. Chovia torrencialmente, o mar estava batido e ficamos molhados até os ossos. Mal tocamos na ceia: comer debaixo daquele aguaceiro, num barco que jogava para cá e para lá, não era uma boa experiência. Mais molhados do que nós só mesmo os fogos, que exibiram muita fumaça e pouco brilho. Fiquei contente quando a festa, se é que podemos chamá-la assim, acabou. Mal podia esperar para voltar para casa.

Na Marina, o pessoal mais animado — sim, apesar dos pesares havia um pessoal animado — resolveu continuar no barco e navegar até o amanhecer. Paulinho estava nessa turma. Bia e eu só nos lembramos de que as chaves de casa estavam na mochila dele quando o barco se afastou. Gritamos e acenamos, e o pessoal de bordo acenou de volta, alegremente. Logo o barco sumiu na noite e nós duas começamos o nosso périplo em busca de abrigo.

Papai, Mamãe e os tios estavam no sítio, Laura estava em Nova York, os amigos mais chegados, cujos telefones sabíamos de cor, estavam espalhados pelo mundo. Eram tempos de orelhão e de caderneta de endereços, e ninguém, em sã consciência, levava um tesouro como uma caderneta de endereços para um réveillon al mare.

Paramos em pelo menos uma dúzia de hotéis. Os poucos que tinham quartos achavam esquisitíssimo uma moça e uma menina querendo se hospedar àquela hora, sem bagagem, e nos mandavam embora. Acabamos dormindo dentro do carro, encharcadas, famintas e desconsoladas com aquele começo de ano nada auspicioso.

Paulinho chegou quase na hora do almoço, trazendo notícias do naufrágio do Bateau Mouche. Mais tarde, quando vimos o noticiário na TV, fiquei horrorizada com o risco que havíamos corrido. E, no fim do ano, ninguém conseguiu tirar da cabeça da Bia a ideia de passar o réveillon de 1990 de preto: ela não havia se esquecido da imagem dos mortos, todos vestidos de branco.

Ao contrário do péssimo réveillon de 1989, o de 2013 entra para a minha história como o mais perfeito de todos que vivi no Rio. O mar estava um espelho, não choveu, os fogos quase não fizeram fumaça. A natureza caprichou, assim como o povo do foguetório, que merece nota dez.

A volta para casa, porém, continua problemática. Ao estipular que taxis e ônibus só voltariam a circular por Copacabana às 4h, a prefeitura castigou todas as crianças, todos os velhinhos e todas as pessoas que já descobriram que têm joelho.

No trajeto entre a Avenida Atlântica e a minha casa presenciei cenas dignas de retiradas épicas: crianças virando abóboras, idosos exaustos sentados no meio-fio, reclamações por todos os lados. A alegria da linda festa da praia se perdia a olhos vistos pelo caminho.

Em Ipanema, não havia taxi nem para remédio, e vans e ônibus passavam lotados. A Praça General Osório, que mais uma vez virou mictório público, dava engulhos nos passantes; houve apagão na Vinicius de Moraes, problema sério numa rua em que a calçada é uma sucessão de buracos.

Outro problema: a quantidade absurda de lixo que as pessoas largam na praia e espalham pelas ruas. Quando cheguei a Copacabana, às 21h30m, a praia já estava imunda, cheia de oferendas, garrafas, latas e lixo de toda a espécie. Está mais do que na hora de tentar consertar essa falta de educação generalizada.

Ninguém descreveu a virada como a Fal Vitiello de Azevedo, moça que sabe das coisas:

“Fui dormir bêbada e foi uma sensação maravilhosa e eu dormi como um coelhinho bebê que estivesse dormindo no mesmo ninho que o ursinho do comercial de amaciante, dois dos gatos da Stella Cavalcanti, um cobertorzinho felpudo e um travesseiro em formato de carneirinho. Acordei me sentindo dentro do trato digestivo de um camelo velho e rabugento que jantou guisado de coiote, mas não quero falar sobre isso, porque quando cheguei em casa Maliu tava assando bolo de uva. Entendi pra que serve bolo de uva e porque minha mãe é este ser sábio e catito.”

Está todo mundo atrás do escalpo do neurocirurgião Adão Orlando Crespo, que faltou ao plantão no Salgado Filho na noite de Natal e deixou sem atendimento a menina vítima de bala perdida.

Está certo. Quem não quer trabalhar na noite de Natal não deve fazer medicina. Faltar sem motivo a um plantão do qual dependem pacientes em estado grave é um ato criminoso.

Dito isso, é muito cômodo para o prefeito — e para o governador — ter um bode expiatório tão prático quanto um médico irresponsável. Não vi, da parte deles, nenhuma indignação pelo fato que, em primeiro lugar, não deveria ter acontecido. Como é que uma criança é atingida por uma bala perdida na porta de casa, ainda por cima numa comunidade supostamente pacificada? Cadê as investigações para descobrir de onde saiu o projétil?

A lombada e o apêndice - FERNANDO REINACH

O Estado de S. Paulo - 03/01


Lombadas são aqueles morrinhos colocados em estradas asfaltadas para forçar os motoristas a reduzir a ve­locidade. O apêndice é uma pequena ramificação do intestino do tamanho e formato de um dedo de luva. O que um teria a ver com o outro?

O apêndice é um tubo fechado em uma das pontas, por isso restos ali­mentares podem se acumular no seu interior, desencadeando um proces­so infeccioso que leva a dores abdo­minais. Se a apendicite for diagnosti­cada a tempo, remove-se cirurgica­mente o apêndice e fim de conversa.

" Mas se o médico não fizer o diag­nóstico correto ou demorar para ope­rar, o apêndice pode se romper e o conteúdo do intestino pode vazar pa­ra o interior do corpo, provocando infecção generalizada e risco de morte. Como a operação é simples e o risco de não operar é grande, na dúvida os médi­cos competentes operam. Por isso, de­pendendo do hospital na Grã-Bretanha, de 4% a 40% dos pacientes operados, quando têm seu apêndice estudado após a cirurgia, não precisavam da ope­ração, pois não tinham apendicite.

Nem todas as dores abdominais são apendicites. Um dos métodos que aju­dam os médicos a saber se uma dor ab­dominal é apendicite consiste em dei­tar o paciente de costas e apertar lenta­mente o abdome no local do apêndice. Esse aperto geralmente não causa dor. No momento seguinte, o médico remo­ve rapidamente o dedo, aliviando ins­tantaneamente a pressão. Se o paciente gritar de dor, é provável que seja uma apendicite. Gases e outras causas de dores abdominais não provocam essa rea­ção. Mas não é fácil diagnosticar correta­mente uma apendicite, principalmente nos estágios iniciais.

Influência das lombadas. Na região de Buckinghamshire, as estradas têm as­falto impecável, mas, como relatam mé­dicos de um hospital local, são infesta­das por lombadas. A esse hospital, para onde são enviados os pacientes com fortes dores abdominais, é impossível che­gar sem passar por lombadas. Em 2010, um médico observou que muitos pacien­tes se queixavam de que, ao passarem sobre as lombadas, sentiam a dor abdominal aumentar muito. Muitos desses : pacientes estavam com apendicite.

Com base nessa observação aleatória, o (que só ocorre em mentes preparadas), médicos e epidemiologistas decidiram estudar se o relato de dor causada por lombadas auxiliaria no diagnóstico da apendicite. Incluíram na lista de pergun­tas, feita a todos os pacientes, se haviam sentido dor ao passar sobre as lomba­das. De acordo com as respostas, eram classificados como "lombada positivo" e "lombada negativo". Além dessa per­gunta, todos eram submetidos aos exa­mes tradicionais e era decidido se eles seriam ou não operados para a retirada do apêndice (nesta decisão não era leva­do em conta se o paciente era "lombada positivo" ou "lombada negativo").

Entre fevereiro e agosto de 2012, mais de cem pacientes foram submetidos ao novo protocolo. A partir de agosto, os médicos começaram a examinar os da­dos. Verificaram quantos pacientes ha­viam sido diagnosticados corretamen­te como sofrendo de apendicite (o apên­dice retirado estava danificado) ou diag­nosticados corretamente como não apendicite (outro diagnóstico havia si­do feito e se mostrou correto). Tam­bém verificaram o número de falsos po­sitivos (pacientes diagnosticados com apendicite, mas cuja operação mostrou que o apêndice estava normal) ou falsos negativos (o pior erro: o paciente "não foi operado, mas tinha apendicite).

Fizeram então a seguinte análise: o que teria ocorrido se tivessem tomado a decisão de operar ou não apenas utili­zando a classificação dos pacientes em "lombada positivo" ou "lombada negativo"? Essa comparação foi feita com cada um dos métodos de diag­nóstico, como a presença de vômitos e enjoo e dores refletidas em outros locais do abdome. O resultado de­monstrou que o método da lombada é melhor para prever os casos de apendicite que qualquer outro méto­do usado isoladamente. Esse novo método também é melhor para evitar falsos negativos e falsos positivos e, se associado a métodos já em uso, re­duz significativamente o número de erros no diagnóstico da apendicite.

Essa descoberta demonstra como muitas vezes a medicina progride por meio de observações simples, ao alcance de qualquer médico atento, sem necessidade de grandes equipa­mentos ou de laboratórios sofistica­dos. A única característica que permi­tiu essa descoberta foi a capacidade de um médico de ouvir atentamente a história relatada pelos pacientes.

O calor e a dengue - ANCELMO GOIS


O GLOBO - 03/01


Pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz concluíram estudo sobre a relação entre as variações climáticas e o risco de dengue no Rio. O resultado mostra que, entre 2001 e 2009, o aumento de um grau na temperatura mínima em um mês fez, acredite, crescer, no mês seguinte, os casos de dengue em 45%.

A vez de Carolina
Débora Secco será a protagonista de “Boa sorte”, o primeiro longa de ficção da diretora Carolina Jabor, da Conspiração. O filme é inspirado no conto “Frontal com Fanta”, de Jorge Furtado. Filha de Arnaldo Jabor, Carolina dirigiu episódios de “A mulher invisível”, que venceu o Emmy.

Romário 2 x 0 Vasco
A 5ª Câmara Cível do TJ do Rio penhorou o passe de três jogadores do Vasco e metade das cotas do Brasileirão e de patrocínio. É para pagar dívidas com Romário. O Vasco chegou a pedir a suspensão da decisão alegando que a penhora abalaria a continuidade do clube.

Retrato do Brasil
Rodrigo Neves, no primeiro dia de trabalho como prefeito de Niterói, RJ, constatou que a cidade, cujo trânsito, dia sim, outro também, dá um nó, tem 200 guardas.Mas só 80 trabalham na função. Os outros estão cedidos a outros órgãos.

Diário de Justiça
A 2ª Câmara Reservada de Direito Empresarial de São Paulo condenou o laboratório Cimed a mudar o layout do seu Bepantriz, remédio para assaduras. É que é semelhante à embalagem do Bepantol, da concorrente Bayer, que moveu a ação. A causa foi ganha pelo escritório Dannemann Siemsen.

S.O.S. CASA DA FLOR
A aprazível São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos do Rio, guarda uma joia da arte popular brasileira: a Casa da Flor. É obra do salineiro Gabriel Joaquim dos Santos (1892-1985), natural da cidade. Em 1912, ele começou a decorar o imóvel com cacos de vidro, conchas, pedrinhas, materiais recolhidos de lixo doméstico e restos de obras. Só parou quando morreu. Em 1986, a “obra de arte” de seu Gabriel foi tombada pelo Inepac como patrimônio cultural. Mas a ação do tempo tem sido implacável com a Casa da Flor, que hoje, com rachaduras pelas paredes e vidros quebrados, clama por restauração 

Menino do Rio
FH também passou o réveillon no Rio. Foi visto, ontem, almoçando no Sentaí, um pé-sujo maravilhoso que fica nos arredores da Central do Brasil.

Casais de artistas
O casal de atores Ashton Kutcher e Mila Kunis passou o réveillon em Angra, RJ, na casa de outro casal de artistas: Luciano Huck e Angélica. O senador Aécio Neves também foi.

Deve ser terrível
O querido Nelson Motta esteve em Roma, em dezembro. No aeroporto de Fiumicino, as suas malas chegaram arrombadas, não havia carrinhos suficientes, e o lugar estava imundo:

— Quase deu saudade do Galeão...

O outro lado
Por falar no Galeão, a Infraero diz, sobre nota publicada na coluna de ontem, que, das cinco esteiras no setor de desembarque doméstico do terminal 1, apenas uma não estava disponível no dia 31.
A estatal garante ainda que não há pendências com a empresa MPE.

Cingapura, não!
De autoria do cartunista Aroeira, estas máscaras (acima) de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, a dupla que planejou Brasília, serão usadas dia 10 agora, na festa de premiação anual do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) por arquitetos, urbanistas e estudantes. Trata-se, na verdade, de um protesto contra o governador Agnelo Queiroz, que, sem licitação, entregou a uma empresa de Cingapura o direito de planejar os próximos 50 anos de Brasília.

Milícia em Jacarepaguá
O ex-vereador Cristiano Girão Matias, preso fora do Rio, será ouvido por videoconferência no processo a que responde, com mais dez réus, por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e lesão corporal grave. Girão foi preso acusado de chefiar uma milícia em Jacarepaguá.

Segue...
A primeira audiência do caso foi marcada para dia 15 agora pelo juiz Marco José Mattos Couto, da 1ª Vara Criminal de Jacarepaguá.

Caso de polícia
Uns larápios invadiram a sede do Botafogo, o clube carioca, horas antes do início da festa de réveillon, e furtaram laptops dos DJs e da produtora do evento. O caso foi parar na 10ª DP.

No mais
Pergunta que não quer calar: o secretário José Mariano Beltrame vai resistir à tentação de entrar na política na eleição de 2014?

Freud no MASP - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 03/01


A primeira exposição dedicada a Lucian Freud no Brasil será inaugurada em junho, no Masp. A mostra, realizada em parceria com o British Council, contará com 40 gravuras do artista emprestadas do museu de arte contemporânea de Caracas.

FREUD 2
Sessenta fotografias de Freud e de sua obra feitas por David Dawson, que foi seu assistente, também farão parte da exibição. Alemão naturalizado inglês, Freud é considerado um dos maiores retratistas dos últimos tempos. Era neto do psicanalista Sigmund Freud e morreu em 2011, aos 88 anos.

VOCÊ VAI PRECISAR
Lula, que era esperado na posse de Fernando Haddad (PT), anteontem, e faltou, ligou para o novo prefeito de São Paulo. "Ele me disse: 'Que Deus ilumine suas decisões. Você vai precisar'."

DESENCARNA
Gilberto Kassab tentou descontrair o momento em que transmitia seu cargo. "Ele brincou falando algo como 'não sei se vou assinar'", contou Haddad.

SEM DESCULPA
E o novo prefeito diz que pretende despachar semanalmente com grupos de secretários, em vez de fazer reuniões individuais, para promover uma "gestão integrada" e incentivar o pensamento "matricial" entre as pastas. Assim, cada titular "vai se reunir comigo umas 40 vezes por ano, não vai ter desculpa nenhuma", afirma.

CANTA, CANTA
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) se juntou à juventude do partido para recepcionar Haddad na comemoração do Bar Brahma, no centro. Cantou: "São Paulo tem jeito, Haddad é prefeito".

Tossindo muito, Suplicy pediu que o garçom retirasse o gelo de seu suco de laranja. Ele tinha saído do hospital na véspera, dia 31, após um princípio de pneumonia.

DEIXA PRA DEPOIS
Frederico Haddad, 20, primogênito do prefeito, passou um bom tempo na mesa de parlamentares petistas durante a comemoração da posse no Bar Brahma. Aluno do quarto ano de direito na USP, Fred, como ele é chamado, afirma que não pretende trabalhar com o pai na política por ora.

MEU NOME É
E durante a posse na Câmara Municipal, o vereador Andrea Matarazzo (PSDB-SP) ficou injuriado com o cartão que o identificava: "Angelo Andrea Matarazzo". Cobriu, com um pedaço de papel branco, o primeiro e desconhecido nome.

BOSSA 'N' ROLL
O cantor Supla assinou um artigo para a "Modern Drummer", a principal publicação mundial para bateristas. Pediu que seja imaginado como "Sid Vicious [músico do Sex Pistols] com Tom Jobim cantando 'Garota de Ipanema'".

Norma Haddad

'Adotamos o Chalita'


O prefeito Fernando Haddad ganhou festa em comemoração à sua posse, anteontem, no Bar Brahma, na avenida São João. Sua mãe, Norma, as irmãs Lúcia e Priscila, os filhos, Frederico e Ana Carolina, e a mulher, Ana Estela, estavam com ele. A coluna conversou com Norma Haddad. "Não revelo minha idade! [risos]", diz.

Folha - Como a família comemorou a virada do ano?

Norma Haddad - Fomos jantar na casa do Chalita [Gabriel, deputado do PMDB que disputou o primeiro turno com Haddad e depois o apoiou no segundo turno]. Ele nos convidou, foi uma coisa bem pequena, tinha umas 20 pessoas. O Chalita é uma graça, uma pessoa íntegra, educada. Nos conhecemos há pouco tempo, mas a gente já adotou ele. O Fernando é muito correto. Ele escolhe as pessoas com quem trabalha por suas qualidades, pela integridade, independentemente de partidos.

A senhora imaginava que um dia seu filho seria prefeito da maior cidade do país?

Não. O Fernando sempre foi um aluno brilhante no [colégio] Bandeirantes, na USP. E é um ótimo professor. Mas nunca imaginei ele prefeito.

Algumas pessoas gritavam "lindo!" na cerimônia de posse. O prefeito sempre fez sucesso com as mulheres?

Mãe é suspeita, né? Ele sempre fez sucesso, mas nunca foi paquerador. Mas, posso te falar? Acho que o Fernando tá muito mais bonito agora. E sabe o que é? O Fernando é muito gente. Isso transparece e deixa as pessoas mais bonitas. Ele tem um coração grande, fala com todo mundo.

E a minha nora, Ana Estela, é linda também. Viu como ela está chique?

IH, É CARNAVAL?
As atrizes Flávia Alessandra e Nívea Stelmann levaram os filhos, Olívia e Miguel, para a virada de Ano-Novo do hotel Copacabana Palace, no Rio. O ator Marcos Caruso posou abraçado com passistas de samba na festa.

CURTO-CIRCUITO
As lojas da grife Maria Garcia nas ruas Oscar Freire e Mario Ferraz começam liquidação hoje, com descontos de até 70%.

Zeca Baleiro inicia amanhã temporada de shows no Sesc Belenzinho. 18.

A Funhouse, na Bela Vista, faz amanhã a festa "Indioteque". 18 anos.

A loja Oren, nos Jardins, promove seu saldo até o dia 31 de janeiro.

A Mostra Internacional de Cinema na Cultura exibe amanhã o longa-metragem "Dorfpunks", de Lars Jessen. 16 anos.

Sai de cartaz no domingo a mostra "Planos de Fuga - Uma Exposição em Obras", no CCBB-SP.

Desmoronando - LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO

ZERO HORA - 03/01


O prédio de lata estava desmoronando e eu estava dentro dele, desmoronando também. Caía de bruços como um super-herói que esqueceu como voar, com a cara virada para o chão, ou para o saguão do prédio, que se aproximava rapidamente. Se eu me espatifasse no saguão, certamente morreria, pois seria soterrado pela lataria em decomposição que acompanhava meu voo. O fim do sonho seria o meu fim também. Mas a queda era interrompida, a intervalos, como naquelas “lojas de departamento” em que o elevador parava, o ascensorista abria a porta e anunciava: “Lingerie”, “adereços femininos” etc. Levei algum tempo para me dar conta de que aquelas paradas não eram só para interromper o terror da queda. Eram oportunidades de fuga. O sonho me oferecia alternativas para a morte, se eu fizesse a escolha certa. Ou então me dava um minuto para pensar em todas as escolhas erradas que tinham me levado àquele momento e à morte certa: os exageros, os caminhos não tomados e as bebidas tomadas, as decisões equivocadas e as indecisões fatais, o excesso de açúcar e de sal, a falta de juízo e de moderação. Não posso afirmar com certeza, mas acho que ouvi o ascensorista fantasma dizer, em vez de “lingerie” e “adereços femininos”: “Desce aqui e salva a tua alma” ou “pensa no que poderia ter sido, pensa no que poderia ter sido...” As paradas não eram para diminuir o terror, as paradas eram parte do terror! Eu não tinha tempo nem para a fuga nem para a contrição. E o saguão se aproximava. Decidi me resignar. É uma das maneiras como a morte nos pega, pensei: pela resignação, pela desistência. Meu corpo não me pertencia mais, era parte de uma representação da minha morte, o protagonista de um sonho, absurdo como todos os sonhos. Talvez a morte fosse sempre precedida de um sonho como aquele, uma súmula de entrega e renúncia à vida, mais ou menos dramática conforme a personalidade do morto. Um sonho com anjos e nuvens rosas ou um sonho de destruição, como eu merecia. Eu nunca saberia por que meu sonho terminal fora aquele, eu desmoronando junto com um prédio de lata. Mas nossas explicações morrem com a gente.

No fim do sonho, me espatifei no chão do saguão e esperei que o prédio caísse nas minhas costas. Em vez disso, ouvi a voz do Dr. Alberto Augusto Rosa me perguntando se eu sabia onde estava. “Hospital Moinhos de Vento”, arrisquei. Acertei. Lá juntaram as minhas partes, me espanaram e me mandaram para casa. E eu não disse para ninguém que deveria estar morto.

2012 - CARLOS ALBERTO SARDENBERG

O GLOBO - 03/01

É certo que as previsões pessimistas ou simplesmente as previsões do pensamento mais à esquerda não se realizaram



O mundo não mergulhou na segunda recessão. Houve crescimento — baixo, é verdade, mas sempre algum ganho de produto e renda. E alguns países e regiões, como partes da Ásia e da América Latina, foram até bastante bem, com expansão acima dos 5%.Os Estados Unidos também não caíram numa segunda recessão. A maior economia do mundo fechou o ano com crescimento pouco acima de 2%. É menos do que o potencial americano, mas é o melhor resultado entre os maiores países ricos. A taxa de desemprego caiu e o governo começou a venda das ações de empresas e bancos que haviam sido estatizados. Estão sendo reprivatizados.

Os Estados Unidos também não despencaram no abismo fiscal. Na última hora, Obama conseguiu um acordo com os republicanos, regulando aumento de impostos e corte de gastos públicos. É parcial, mas saiu, aliás confirmando o diagnóstico atribuído a Churchill: “Pode-se sempre confiar em que os americanos farão a coisa certa, uma vez esgotadas todas as outras possibilidades.”

A China não sofreu a temida aterrissagem forçada, nem sua estrutura política entrou em colapso. O crescimento econômico desacelerou e manteve-se entre 7,5% e 8% ao ano, talvez até mais saudável que o ritmo anterior. E iniciou-se uma completa troca de comando na direção do partido e do governo, operada de modo planejado e organizado. A nova liderança anuncia reformas na direção correta, de poupar menos, gastar mais e ampliar o consumo interno.

A zona do euro não entrou em colapso. Nenhum país abandonou a moeda.

Espanha e Itália não afundaram na crise da dívida, nem na turbulência política. Ficaram mais pobres em 2012, é verdade, e é triste, mas chegaram ao fim do ano financiando suas dívidas a juros menores do que no início do período. Seguem as políticas de ajuste e reformas, que começam a produzir os primeiros resultados. Os governos conservadores desses dois países mantiveram suas posições.

Já François Hollande, que se elegeu com o mote “abaixo a austeridade”, criou na França uma confusão de política econômica bem parecida com a brasileira. Designou um superempresário para fazer um diagnóstico da baixa competitividade francesa (como Dilma convidou Gerdau), aplicou uma ou outra das medidas sugeridas (como a redução do imposto sobre a folha de salários, de novo como Dilma), mas ao mesmo tempo desencadeou políticas intervencionistas que assustaram o empresariado e reduziram o nível de investimentos (de novo ...).

A Corte Constitucional francesa considerou inconstitucional o imposto de 75% sobre a renda superior a um milhão de euros anuais — que havia sido outro grande tema de campanha socialista. Antes disso, Gerard Depardieu já havia renunciado à cidadania francesa. Para ele, o governo Hollande “pensa que sucesso, criatividade e talento precisam ser punidos”.

Ministros socialistas atacaram sua “falta de patriotismo e de solidariedade”. Depardieu respondeu com sua biografia: começou a trabalhar aos 14 anos como operário gráfico; em 45 anos, nos tempos mais recentes como ator e empresário, juntou uma bela fortuna; ao longo desse tempo, criou empregos e pagou 145 milhões de euros em impostos. Que querem mais? Mudou-se para a Bélgica, enquanto a popularidade de Hollande caía para 35%.

Já Angela Merkel segue firme em suas políticas e convicções. Dos grandes europeus, a Alemanha foi a única a apresentar algum crescimento no ano passado.

Dirão: o jogo ainda não acabou, há muitas variáveis no ar. Sim, como sempre será. Mas é certo que as previsões pessimistas ou simplesmente as previsões do pensamento mais à esquerda não se realizaram. E não se realizaram pela ação política. Super-Mário, o presidente do BC Europeu, Mario Draghi, salvou o euro. La Merkel, acreditem ou não, manteve o euro e a União Europeia de pé, reclamou reformas que começam a ser implementadas em diversos países. O presidente do BC americano, Ben Bernanke, evitou um desastre global. Obama se reelegeu e, aos pouquinhos, vai arrumando a economia e as contas públicas.

Já no Brasil, foram as previsões otimistas que deram errado. A presidente Dilma passou o ano inteiro dando lições de crescimento nos fóruns internacionais. Atacou as políticas americana e europeia, culpou-as pelos problemas locais, e fez propaganda do modelo brasileiro-lulista. Para colher o quê? Crescimento de menos de 1% e inflação perto de 6% — combinação pior que a média latino-americana, pior que a média asiática, pior que a média mundial, pior que os Brics, pior que EUA e pior que Alemanha.

Tem uma poderosa carta na manga — o desemprego baixo, mas cuja força está sob ameaça.

2013? Fica para a próxima.

George Orwell e o uso da linguagem - ROBERTO MACEDO


O Estado de S.Paulo - 03/01


George Orwell foi um grande escritor e jornalista inglês. Na sua extensa obra, dois livros se destacaram, inclusive no Brasil, nos quais revelou sua intensa oposição ao autoritarismo e ao totalitarismo: 1984 e A Revolução dos Bichos.

Aqui inspirou até o nome de um programa de televisão, o Big Brother Brasil. Big Brother, ou o Grande Irmão, era a figura imaginária e onipresente que conduzia o partido no poder num país sob jugo totalitário, imaginado por Orwell. Esse partido controlava seus membros de forma acintosa e cada um tinha em sua residência uma câmera de vídeo com que era observado pelo controle central exercido pelo Big Brother.

Menos conhecida é a paixão de Orwell pela clareza no uso da linguagem. Soube pelo seu livro Como Morrem os Pobres e Outros Ensaios (São Paulo, Companhia das Letras, 2011). Nele, o capítulo A política e a língua inglesa trata mais da linguagem do que da política. Esta e os políticos entram em cena porque Orwell lhes atribui parte da culpa pela má linguagem.

Começa apontando a decadência da língua inglesa. As causas, várias, com seu próprio efeito atuando como causa adicional, ao reforçar as originais, produzir o mesmo resultado de forma intensificada, e assim por diante, indefinidamente. Nas suas palavras, a linguagem "... se torna feia e imprecisa porque nossos pensamentos são tolos, mas seu desmazelo torna mais fácil para nós termos pensamentos tolos".

Várias de suas observações cabem também à língua portuguesa no seu uso no Brasil. Entre outros males, é evidente a invasão de estrangeirismos, principalmente ingleses, muitas vezes sem ponderação quanto ao seu significado e à necessidade e relevância de usá-los. Entre casos mais comuns, estão delivery, sale e off. E há bullying, que ignora nosso verbo bulir e o substantivo bulimento.

Há também os estranhos nomes que recebem edifícios lançados na cidade de São Paulo, quase todos em inglês, francês ou italiano. Recentemente, um jornalista americano que nela vive me disse ter ficado perplexo com um deles, o Augusta High Living, na chamada baixa Rua Augusta. Em inglês high é palavra também usada para descrever uma pessoa embriagada ou sob efeito de drogas.

Para crítica, Orwell apresenta cinco trechos de igual número de autores e neles ressalta duas características comuns. A primeira é o "ranço das imagens" ou metáforas. A segunda é a falta de precisão conceitual, à qual voltarei mais à frente.

Quanto às metáforas, e escrevendo em 1946, argumenta que uma "recém-inventada ajuda o pensamento a evocar imagem visual, ao passo que uma que está tecnicamente 'morta' (por exemplo, resolução férrea) se transforma numa palavra comum e pode ser usada sem perda de vivacidade. Mas, entre esses dois tipos, há um enorme depósito de metáforas gastas que perderam todo o poder de evocação e só são usadas porque economizam para as pessoas o trabalho de inventar expressões".

Entre as gastas que cita, várias estão também na nossa língua: trocar seis por meia dúzia, misturar alhos com bugalhos, caiu na rede é peixe e calcanhar de Aquiles. Acrescenta que muitas dessas expressões são usadas sem o conhecimento de seu sentido, e pergunta: o que são bugalhos, por exemplo?

É ao discutir o sentido das palavras e expressões que enfatiza a política e os políticos. O termo democracia tem destaque: "... além de não existir uma definição com que todos concordem, a tentativa de criá-la sofre resistência de todos os lados. (... ) quando dizemos que um país é democrático, nós o estamos elogiando; em consequência, os defensores de todo tipo de regime alegam que ele é democrático, e temem que tenham de deixar de usar a palavra se esta for atrelada a algum significado".

E mais: "Em nosso tempo, o discurso e a escrita política são, em grande medida, a defesa do indefensável. (...) Desse modo, a linguagem política precisa consistir, em larga medida, em eufemismos, argumentos circulares e pura imprecisão nebulosa. (...) O estilo inflado é em si mesmo uma espécie de eufemismo. (...) A linguagem política (...) é projetada para fazer com que as mentiras soem verdadeiras (...), e para dar uma aparência de solidez ao puro vento". Assim, mesmo discorrendo sobre linguagem, percebe-se que Orwell foi fiel à sua vocação de rebelar-se quanto ao que via de errado na política, na qual ressaltou esse uso deturpado.

Afirmações suas soam familiares no Brasil, onde, por exemplo, é disseminado o entendimento de que o voto livre e universal basta para marcar o País como uma democracia; onde a escolha de reitores de universidades públicas apenas por seus professores, estudantes e funcionários é defendida a pretexto de ser democrática; onde há toda uma ginástica verbal de petistas a defender companheiros condenados à prisão; e onde o líder petista maior sempre se autoelogia, afirmando ter realizado uma gestão bem-sucedida "como nunca antes neste país".

Quanto à linguagem em si, Orwell propõe seis regras para aprimorá-la, e adaptei a quinta à nossa língua: "1) Nunca use uma metáfora, símile ou outra figura de linguagem que está acostumado a ver impressa; 2) nunca use uma palavra longa quando uma curta dará conta do recado; 3) se é possível cortar uma palavra, corte-a sempre; 4) nunca use a voz passiva quando pode usar a ativa; 5) nunca use uma expressão estrangeira, uma palavra científica ou um jargão se puder pensar num equivalente do português cotidiano; 6) infrinja qualquer uma destas regras antes de dizer alguma coisa totalmente bárbara".

Adicionaria uma sétima, a de evitar frases longas, pois embolam o raciocínio e confundem leitores e ouvintes. E de um filósofo da educação, o franco-americano Jacques Barzun, uma que abrange todas: escrever é reescrever.

Vacina política - ROGÉRIO GENTILE

FOLHA DE SP - 03/01


SÃO PAULO - Ano Novo, falação nova. Prefeitos das principais cidades do país tomaram posse anteontem com discursos bem diferentes daqueles que os elegeram. No lugar do otimismo contagiante das campanhas, preocupação com a situação econômica. Em vez da metralhadora giratória de promessas, pedidos de ajuda e cortes de gastos.

Fernando Haddad (PT) é um dos principais exemplos. O petista arrojado da propaganda política, que, com passos firmes e mangas arregaçadas, olhava para a câmera e dizia coisas como "eu sei como fazer", "São Paulo precisa de mais em menos tempo" e a cidade necessita "de um prefeito com ideias novas", ficou lá no horário eleitoral.

Agora, ao assumir, Haddad declarou que as "tarefas não são simples" e que "não há a menor condição de levar à frente esse grande empreendimento que é a nossa cidade sem renegociar a dívida municipal". Como assim, não há a menor condição? O "homem novo para um tempo novo" vai deixar tudo para depois?

Vale notar que Haddad, ao dizer que "não há condição", repetiu Kassab, seu antecessor, aquele que o petista da campanha afirmava estar no "rumo errado". Kassab passou os últimos anos reclamando de que a dívida, "impagável", engessara a capacidade de investimento da prefeitura. E, por pelo menos quatro vezes, tentou renegociá-la com o governo Dilma. Sem sucesso algum.

Assim como Haddad, ACM Neto (DEM), em Salvador, é outro prefeito que mudou o tom da sua fala após a posse. Se, na campanha, dizia que havia chegado a "hora do povo" e que era "possível fazer muito mais", agora afirma que precisará "tomar medidas duras e até impopulares".

É claro que fazer campanha é uma coisa e governar é outra. Mas, como ninguém pode alegar que não sabia das dívidas das capitais e dos "pibinhos" dos anos Dilma, os discursos cautelosos servem de vacina para justificar as várias promessas que eles não vão cumprir.

FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA

O GLOBO - 03/01


COPA E JOGOS JÁ MEXEM COM MERCADO DE TRABALHO
Mundial de futebol já gerou R$ 75 milhões em negócios para microempresas, diz o Sebrae. Sete setores saíram na frente
A 18 meses da Copa 2014, o Mundial de futebol já rendeu R$ 75 milhões em negócios para micro e pequenas empresas nacionais. Somente em 2012. O valor, segundo Luiz Barreto, presidente do Sebrae, pode chegar a R$ 100 milhões, quando os dados do ano forem finalizados. Mapeamento do Sebrae listou, ao menos, 930 segmentos com potencial de crescimento. Mas todas as 12 cidades-sede, Rio de Janeiro entre elas, já se beneficiaram da criação de empregos em sete setores-chave da economia: construção civil, turismo, hotelaria, serviços, meio ambiente, tecnologia da informação e petróleo e gás. Os salários chegam a R$ 20 mil. Abaixo, a coluna apresenta o cenário para cada um dos segmentos, de agora até 2016. O movimento começou nas áreas de construção civil e energia, pela busca de mão de obra qualificada. Agora, a vez é da hotelaria, que terá de contratar pessoal para dar conta dos 20 mil novos quartos que serão construídos só na capital fluminense, até os Jogos Olímpicos.

CONSTRUÇÃO CIVIL
O setor receberá R$ 22,8 bilhões dos R$ 33,1 bi que serão investidos em infraestrutura, segundo dados do Ministério do Esporte. Estudo da Firjan prevê que a procura por profissionais ligados ao setor será intensa até 2015. A demanda vai de pedreiros (salários de R$ 1.450) a gerente geral de obras (R$ 20 mil), diz o Senai.

TURISMO
A expectativa do MTur é atrair, com Copa e Olimpíadas, dez milhões de turistas internacionais por ano, até 2022. Além do Rio, o fluxo crescerá nas regiões Serrana e dos Lagos, em Paraty e Angra dos Reis. A Embratur estima que, nas ruas da capital fluminense, haverá um milhão de turistas durante os eventos. Há oportunidades, por exemplo, para agentes de viagens. Na função, os salários vão de R$ 1.500 a R$ 5 mil.

SERVIÇOS
De acordo com o IBGE, o Rio se ancora nos ramos de comércio e serviços por muito mais tempo que outras cidades do país. Tudo a ver com a temporada de verão e o carnaval. Quem ganha são os profissionais de transporte, alimentação e bebida, vestuário e educação, diz o Sebrae. Há chances também para trabalhadores informais.

TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO 
Desde os Jogos Panamericanos de 2007, o setor cresce 10% ao ano, estima Benito Paret, presidente do TI Rio. Sobram vagas para quem já está qualificado. As empresas buscam colaboradores que consigam gerenciar fluxo intenso de informações. A melhoria na infraestrutura das redes de telecom e energia também elevaram a procura por profissionais.

PETRÓLEO E GÁS
No setor de petróleo e gás, de acordo com o Mdic, o Rio é o estado que mais recebe investimentos. Mas a dificuldade de encontrar mão de obra qualificada faz as empresas trazerem profissionais estrangeiros. Há oportunidades para engenheiros de todas as especialidades e cargos ligados à administração.

HOTELARIA
A ABIH-RJ estima que cada novo quarto de hotel gere cerca de quatro empregos no setor turístico. São uma vaga direta e três indiretas, em serviços. Há vagas para belboy (carregador de malas), cozinheiros e gerentes.

MEIO AMBIENTE
O Rio prometeu despoluir a Lagoa Rodrigo de Freitas e a Baía de Guanabara. A cidade precisa de oceanógrafos, geólogos, engenheiros hídricos, zootécnicos, gestores ambientais e ecólogos. Tudo para dar conta dos investimentos em sustentabilidade. Em 2012, a cidade teve 81 projetos registrados para obter o selo verde, diz Jones LaSalle.

Quase cheios 1
Foi de 92,32% a taxa de ocupação dos hotéis cariocas na virada do ano. Houve queda de cinco pontos percentuais em relação aos 97,6% de 2011/12. A pesquisa da ABIH-RJ ficou pronta ontem. No eixo Leme-Copacabana, o índice foi pleno: 99,53%.

Quase cheios 2
Alfredo Lopes, presidente da ABIH-RJ, relaciona a queda a um par de fatores. A crise na Europa tirou alguns turistas do Rio. E oferta de quartos na cidade aumentou em mil unidades no ano passado, com a abertura de hotéis.

Em Foz
O Hotel das Cataratas, no Parque Nacional de Foz do Iguaçu (PR), está com ocupação média de 90% de 26 de dezembro a 6 de janeiro. A taxa cresceu 14% em 2012. De cada quatro hóspedes, um é brasileiro.

Cultural
Com a aprovação da reforma da Lei de Incentivo à Cultura pela Câmara do Rio, o setor passará a dispor de R$ 50 milhões em 2013. Foram R$ 14 milhões no ano passado. O salto tem a ver com a autorização do aumento de 0,35% para 1% da arrecadação total do ISS. São Paulo terá R$ 4 milhões para a cultura este ano.

Qualificação
O Senac RJ capacitou 15 mil alunos no programa Jovem Aprendiz em 2012. A meta é formar 20 mil este ano.

Esgoto 1
A Cedae fez parceria com o grupo Hyatt, que constrói polêmico resort na Praia da Reserva, na Barra. A estatal fluminense inicia ainda este mês as obras de um tronco coletor, que levará esgoto da área para uma estação de tratamento e, de lá, para o emissário submarino.

Esgoto 2
O acordo engloba não só os resíduos liberados pelo Grand Hyatt, complexo hoteleiro e residencial, mas também do entorno, informa Wagner Victer, presidente da Cedae. “O projeto estará ligado à rede antes da inauguração”, diz.
É de R$ 150 milhões o aporte em saneamento na Barra.

Tem que malhar
A Zumba, de fitness, investirá este ano US$ 63 milhões em publicidade. É verba 26% superior à de 2012. Hoje, 140 mil pontos em 150 países usam a metodologia nas aulas. A previsão é aumentar este número em 85% em 2013.

Empurrão
O grupo Tátil fechou 2012 com R$ 21 milhões de faturamento. Cresceu 25% sobre um ano antes. A criação da marca dos Jogos Rio 2016 alavancou a clientela. Facility, SuperVia, Cosan, Coca-Cola (Copa) são algumas das novas contas.

Mal na foto
Caiu 30% a demanda por fotos com Papai Noel no Natal 2012. A conta é da Escola de Papais Noéis do Brasil. Um shopping do Rio contabilizou cinco mil fotos, contra sete mil em 2011.

TEMPORADA DE LANÇAMENTOS
A João Fortes Engenharia vai lançar, ainda em janeiro, o Alfa Rio Prime Business, no Centro. Será o 10º empreendimento comercial do grupo. O valor de vendas deve chegar a R$130 milhões. O prédio terá duas lojas no térreo e 64 salas. Bel Castro assina as áreas decoradas.

No azul
A House Vendas fechou 2012 com 606 unidades vendidas. Foi alta de 27% ante 2011. O valor geral de vendas bateu R$ 213 milhões. Sozinho, o Rio representa 50% dos negócios, seguido por Niteró (30%) e Brasília (20%).

É seguro 1
A Marítima Seguros emitiu R$ 66,7 milhões em prêmios no Rio, até setembro. Na média, cresceu 15,6% sobre igual período de 2011. No ramo de automóveis, o salto foi de 30,6%. A empresa faturou R$ 1,2 bilhão no país

É seguro 2
A Mongeral fechou com o Sindiserj. Venderá seguro de vida aos 420 mil servidores do Estado do Rio associados ao sindicato. Começa hoje.

Prontuário
O sistema Kubbo de saúde, que oferece prontuário via internet, fez convênio com o Cremerj. Todos os médicos recém-formados terão um ano de acesso subsidiado.

Livre Mercado
A AMP Tshirt Store abriu unidade no BarraShopping. É a 3ª da marca de camisetas de Cello Macedo, fundador da Devassa. A meta é inaugurar mais 12 lojas em 2013: seis no Rio; o resto em São Paulo.

A Cores Novas, carioca de moda infantil, faturou 15% mais em 2012. A venda de Calvin Klein ajudou no resultado. A marca tem cinco lojas.

A Jour, loja de calçados, virou multimarcas. Vende sapatos Luiza Barcelos e bolsas Amie. Espera dobrar resultados em três meses.

A Koni Store abre quatro lojas em janeiro. Começa com duas em São Luis (MA). As outras ficarão em Recife e Brasília. O aporte nas franquias é superior a R$ 2 milhões.

A Faculdade de Medicina de Petrópolis investiu R$100 mil no sistema de gestão de ensino Pauta On-Line, em nuvem. Renderá economia de 75% em dois anos.

Papinhas Nestlé e Mucilon iniciam ação cultural no Baixo Bebê Leblon, dia 8. Esperam cinco mil visitantes.
O Itaucard estreou no Twitter na virada de 2013.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

FOLHA DE SP - 03/01


Maioria de empresas nacionais sentiu a crise, diz consultoria

Em 2012, 75% das empresas nacionais sofreram, em algum nível, impactos negativos nos seus resultados em razão da conjuntura econômica internacional, de acordo com pesquisa da Delloite.

"Companhias de diversos setores e portes foram afetadas no período. Foi algo quase generalizado", afirma José Paulo Rocha, sócio-líder da área de finanças corporativas da empresa.

Quase metade (46%) das organizações teve queda da lucratividade em 2012, com grande influência do aumento de salários e benefícios a funcionários, o que afetou cerca de 70% das empresas.

A isso se somaram custos com fornecedores e insumos (64%), segundo o estudo.

"A retenção de pessoal é uma medida de curto prazo para enfrentar os impactos negativos", diz o executivo.

"No entanto, a médio e longo prazos pode ser necessário adotar a renegociação de contratos", acrescenta.

Mesmo com a indicação de um final de ano não tão otimista, a maioria dos entrevistados espera melhores resultados para o Brasil em 2013.

Os executivos ouvidos apontam a expectativa de um PIB maior, a ampliação dos gastos do governo e a elevação no investimento estrangeiro, além de um acréscimo da renda da população.

"As empresas terão maior controle de suas despesas. Os custos estão muito altos", conclui Rocha.

"Foi um pibinho, mas temos quase pleno emprego"
Para 2013, Cledorvino Belini, presidente do Grupo Fiat/Chrysler para a América Latina, está otimista, "como sempre, apesar do aumento do IPI", frisa.

"Surgirão reflexos da queda de juros e novos investimentos." O ano de 2012 foi de forte emoções.

"Iniciou-se com grande expectativa, mas logo depois, nosso setor e outros estavam sofrendo muito com a crise e a redução de IPI ajudou a nos manter aquecidos", afirma.

"O PIB foi um pibinho, mas enquanto há países com 26% de desemprego, temos quase pleno emprego no Brasil."

Para Belini, o governo está certo em estimular mais a demanda do que o investimento. "Sem demanda forte, não ia fazer fábrica nova em Pernambuco, nem ampliar a minha planta de Betim de 800 para 950 mil unidades".

No Brasil, há um automóvel para cada seis habitantes. "Há oportunidade. Se compararmos com a Argentina, onde há um para quatro habitantes, faltam 15 milhões de carros no Brasil. Ante à Europa, são 65 milhões."

No Brasil, há 200 mil empresas ligadas ao setor. "Somos o quarto maior mercado do mundo, mas o sétimo maior produtor."

Entre o pior cenário e o do prolongamento da redução do IPI, ambicionado pelo setor, "o aumento gradual do tributo é um cenário de boa convivência", afirma.

A partir deste mês, os preços dos carros sobem "automaticamente". Nos veículos até 1.0, o IPI que era zero, passa a 2% de IPI e os carros acima de 1.0, vão a 9%.

Quanto à Itália, "vai demorar dois, três, quatro anos, mas ela sai da crise. É um país muito criativo".

Também presidente da Anfavea (associação de fabricantes de veículos), Belini prevê que as vendas de automóveis crescerão 4% em 2013 ante 2012."Mas tudo depende do PIB."

Novidade em 2013? "Vou sair de férias por uma semana, dez dias, para ficar em uma praia, em São Paulo."

Frota
A Viação Catarinense, do grupo JCA, antecipou a compra de 30 ônibus, que deveria ocorrer durante 2013. Antes do ano começar, a empresa investiu R$ 15 milhões para renovar parte da frota.

Nos próximos meses, a companhia deverá desembolsar o mesmo montante para adquirir mais veículos e diminuir a idade média de seus ônibus, que hoje é de 4,8 anos.

"A queda dos juros do [financiamento] Finame fez com que comprássemos mais cedo", afirma o diretor-executivo da viação, Marcelo Pierobon.

Antes de completar a renovação da frota, a empresa analisará o modelo dos novos veículos que adquiriu, com mais poltronas do modelo leito. "Queremos mudar nossa configuração."

A Catarinense também pretende, neste ano, reforçar as linhas que percorrem até 150 quilômetros.