terça-feira, novembro 27, 2012
O dobro pela metade - JOSÉ PAULO KUPFER
O Estado de S.Paulo - 27/11
Consumidores ficaram indignados com muitas das "promoções" da Black Friday brasileira e botaram a boca no trombone das redes sociais. O Procon de São Paulo notificou empresas e aguarda esclarecimentos. Não é a primeira vez, há multas pendentes deste o evento do ano passado.
A Black Friday brasileira é uma imitação farsesca de um evento de marketing e consumo tradicional nos Estados Unidos. A cópia tupiniquim da sexta-feira consumista americana começa na quinta ou antes e, numa tropicalização malandra, pode ser prorrogada para os dias seguintes. E está se alastrando.
Curioso é que o consumidor brasileiro vive sob as pressões e as tentações de variadas outras "black fridays made in Brazil", mas nem sempre essas outras provocam as mesmas desconfianças e broncas. Atrair compradores com promoções do tipo "o dobro pela metade do preço" é usual no marketing do varejo entre nós. E nem o governo escapa de participar do jogo ilusionista. O caso recente mais notório é o do desconto do IPI no preço dos veículos. A concessão do incentivo tem relação apenas indireta com o preço final cobrado do consumidor, mas quase ninguém se dá conta disso e, como mostram as estatísticas de vendas, é grande o número dos que embarcam na história.
Como os tributos são cobrados "por dentro" dos preços, o público não tem instrumentos para saber se, de fato, a redução do imposto foi repassada no valor cobrado do comprador final. Na verdade, pelas características do sistema tributário brasileiro, em que a ausência de transparência é uma entre muitas distorções, a redução do IPI funciona como uma sanfona da margem de venda, permitindo ajustes conforme o ritmo da demanda.
Se o mercado estiver fraco, é possível usar o desconto para reduzir o preço final sem perda de margem ou pelo menos diminuir a necessidade de contraí-la, em situação de demanda muito retraída. Se, inversamente, o mercado estiver aquecido, o espaço para elevar os preços permitirá aos vendedores apropriar parte ou o total da redução do IPI.
Foi essa última hipótese que aconteceu em agosto, quando, segundo apurou o IBGE, os preços dos veículos subiram no mês, mesmo na vigência do desconto do IPI. A explicação para o forte aquecimento nas vendas foi a de que o benefício expiraria no fim do mês e os consumidores decidiram antecipar compras para aproveitar a "promoção". Interessado em estimular as vendas, o governo esperou até o último momento para anunciar mais uma prorrogação da redução do IPI. Tivemos aí uma Black Friday com patrocínio governamental.
Tirar das brumas a coleção de tributos que transformou o sistema tributário numa teia kafkiana seria providência mais do que positiva. Por isso, o projeto de lei que determina a discriminação de tributos, aprovado no Congresso depois de longos cinco anos de tramitação e encaminhado à sanção da presidente Dilma Rousseff, aponta, como princípio, na direção correta. Mas, infelizmente, ao tentar abarcar toda a nossa macarronada tributária com um único instrumento, corre o risco de se transformar numa espécie de Black Friday da conscientização do peso dos impostos no consumo de produtos e serviços.
Para fins de informar e conscientizar, objetivo explícito do projeto de lei, uma coisa seria exigir a discriminação nas notas e cupons fiscais dos tributos diretamente incidentes sobre os produtos e serviços vendidos, caso do ICMS e do IPI. Outra é querer discriminar, por produto ou serviço vendido, toda a imensa gama de tributos apurados com base no faturamento geral da atividade, como ocorre com a maior parte das muitas contribuições, e aqueles calculados sobre a renda, que não são gerados, pelo menos integralmente, no ato do consumo. Ao pretender mirar em tudo - até contribuições previdenciárias devem ser discriminadas -, o projeto pode acertar em nada.
Alguns alegam dificuldades técnicas e aumentos de custos na operação de discriminar os tributos para rejeitar a novidade, mas as dificuldades técnicas não são insuperáveis e os custos provavelmente pouco expressivos. O próprio projeto aprovado, que assume seu caráter meramente informativo, reconhece essas dificuldades e permite a discriminação por valores ou porcentuais aproximados ou mesmo presumidos, na discriminação dos muitos tributos indiretos. É aí que, ao adentrar o terreno pantanoso das presunções, a ideia bem intencionada corre o risco de produzir mais ilusão do que as vantagens prometidas - como algumas tantas promoções das black fridays.
O teorema de Thomas - ANTONIO DELFIM NETTO
Valor Econômico - 27/11
Há uma proposição justamente famosa, de W.I. Thomas: "Se as pessoas definem suas circunstâncias como reais, então elas serão reais em suas consequências." (Merton, R. - "Social Theory and Social Structure", 1957: 421-436).
Ela ajuda a entender o paradoxo de um governo extremamente bem avaliado pela sociedade e, ao mesmo tempo, visto com profunda desconfiança pelo seu setor produtivo privado, particularmente, o financeiro.
É sempre difícil, se não impossível, encontrar um indicador que revele o estado de "bem-estar", incorpore a esperança de que as coisas caminham relativamente bem e não há razão evidente para esperar o contrário.
O governo precisa insistir que é "pró-mercado"
As pesquisas empíricas sugerem que o sentimento de "bem-estar" depende, fundamentalmente, de duas variáveis: 1) do crescimento da renda real dos cidadãos, que pode ser aproximada pela sua renda média; e 2) da distribuição entre os cidadãos da renda produzida. Elas sugerem, cada vez mais fortemente que uma melhoria do nível de igualdade aumenta o "bem-estar" de todos.
Diante desses fatos, o grande economista Amartya Sen, ganhador do Nobel de 1998), propôs uma medida engenhosa para simular o "bem-estar social". Se o índice de Gini (que vai de 0 a 1) "mede" a concentração da renda, o seu complemento (1 menos o índice de Gini) sugere uma medida de "desconcentração", ou seja, de maior igualdade na distribuição da renda.
É bom lembrar que o índice de Gini mede a "distância média" entre as pessoas, não o seu nível de bem-estar. A sugestão de Sen é construir um indicador composto da renda média real multiplicada pelo índice de "desconcentração", de forma a captar um pouco melhor as duas variáveis a que nos referimos acima.
Felizmente, um interessante trabalho do Ipea ("A Década Inclusiva (2001-2011)", Comunicações do Ipea nº 155, 25/10/2012) construiu o tal índice, que reproduzimos no gráfico abaixo. Vemos claramente que na octaetéride (1995-2002) ele permaneceu estagnado.
O gráfico abaixo mostra a mudança de situação a partir de 2003, onde o indicador cresce fortemente (quase 5% ao ano), impulsionado por múltiplos fatores: 1) o aprofundamento da política econômica; 2) a colheita da estabilidade monetária e fiscal; 3) o aumento da produtividade produzida pelas privatizações e pequenas reformas estruturais; 4) e, mas não menos importante, pela ênfase à inclusão introduzida nas políticas sociais e consequente redução das distâncias entre a renda dos indivíduos, o que explica por que o governo é popular.
No período, o crescimento do PIB foi superior (3,9% contra 2,3%) e a inflação menor (5,9% contra 9,3%). Vamos terminar 2012 com um crescimento medíocre, em torno de 1,6%, e uma taxa de inflação em torno de 5,5%. A expansão do terceiro trimestre sobre quarto trimestre (talvez ligeiramente superior a 1%), e a expectativa de um quarto trimestre sobre o terceiro um pouco menor, já mostra um crescimento anualizado em torno de 4%.
A sua sustentação ao longo de 2013 dependerá do comportamento da política econômica, da aceleração dos investimentos públicos e da cooptação da confiança do setor privado, para que esse recupere o seu "espírito animal" e desamarre o seu navio do ilusório cais da segurança.
Aqui entra outra vez o teorema de Thomas. Se o setor privado erroneamente supõe que o governo é hostil ao mercado, e que deseja ampliar o seu tamanho, ele tira as consequências dessa sua crença, buscando uma posição defensiva segura, até que a tempestade (o governo passageiro) dê lugar ao sol. Não adianta discutir ou ficar triste: "as circunstâncias pensadas como reais levam à consequências reais". Para cooptar o investimento privado indispensável para uma ampliação do crescimento é preciso mudar tal crença.
O governo precisa insistir que é "pró-mercado", não "pró-negócio", a favor da competição regulada e ágil e que não pretende realizar diretamente aquilo que, por sua natureza, o setor privado sabe fazer melhor. Mais ainda, que não se envolve com os "negócios" que caracterizam o "capitalismo de compadres". Trata-se de cooptar a massa gigantesca de pequenos, médios e grandes empresários, assustados com o fantasma da "estatização" que, se divulga, seria o verdadeiro objetivo do governo.
O fundamento da crítica é que o governo teria abandonado o famoso tripé: 1) déficits nominais modestos e convergência da relação dívida/PIB; 2) o sistema de metas inflacionárias e 3) o regime de câmbio flutuante, cuja pureza existe apenas nos livros-textos.
O que houve (e o presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini, acaba de mostrar no Senado da República) foi apenas um ajuste pragmático para enfrentar as novidades da economia mundial. Ninguém acredita, nem ele, que, no longo prazo, a política de câmbio fixo e o sistema de metas de inflação sejam compatíveis.
Para o PT a história sempre se repete - MARCO ANTONIO VILLA
O GLOBO - 27/11
As denúncias ajudam a entender a lógica do partido: o controle do Estado é um instrumento para se perpetuar no poder
Uma nova operação da Polícia Federal atingiu o Partido dos Trabalhadores. Não é a primeira vez. Mesmo com todo o estardalhaço causado pelo julgamento do mensalão, parece que nada detém a ânsia de saquear o Erário. Agora, uma das acusadas é a chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, que teria negociado pareceres técnicos fraudulentos. Os agentes da PF foram ao escritório chefiado por Rosemary para a devida busca e apreensão de documentos. Indignada, a funcionária não fez o que seria considerado plausível: entrar em contato com seu advogado. Não. Buscou algo superior: o sentenciado José Dirceu. Isto mesmo, leitor. E veja como o Brasil continua de ponta-cabeça. A funcionária petista ligou para Dirceu, com quem tinha trabalhado durante 12 anos, em busca de proteção. O amigo, que, como é sabido, está condenado a dez anos e dez meses de prisão, nada pode fazer. Em seguida, ela tentou falar com o ex-presidente Lula, de quem é amiga. Mas o antigo mandatário está fora do país. Restou Gilberto Carvalho, o onipresente para assuntos deste jaez, mas que também não pode ajudá-la. A sequência dos contatos e a naturalidade são indicativas de como os petistas pouco estão se importando com o clamor popular em defesa da moralização. Continuam se considerando acima do bem e do mal. E, principalmente, acima da lei.
Para piorar — e reafirmar o desprezo pela ética na política e na administração pública — o segundo homem na hierarquia da Advocacia Geral da União, José Weber Holanda, está sendo acusado de fazer parte deste grupo (a expressão correta, claro, deveria ser outra). Fica a impressão de que na administração petista tudo pode, que o governo está à venda.
Frente às denúncias, a presidente Dilma Rousseff vai agir da forma já sabida: exonera o acusado da função, diz que não admite malfeitos e nada vai apurar. Foi este o figurino nestes quase dois anos de governo. Isto explica a sucessão de escândalos. Se o procedimento tivesse sido o de apurar uma denúncia de corrupção, os casos não se sucederiam. Mas o governo sabe que conta com o tempo e o esquecimento. O leitor lembra da primeira denúncia de corrupção? Sabe se foi apurada? E o acusado foi processado? Alguém foi preso?
As últimas denúncias só reforçam o entendimento da lógica de poder do PT. O controle do Estado é um instrumento para se perpetuar no poder. Transformaram o exercício de uma função pública em meio de vida. Vimos no processo do mensalão como o sentenciado José Dirceu resolveu o problema de uma das suas ex-mulheres. Ela queria porque queria um apartamento maior (e quem não quer?). O então todo-poderoso ministro da Casa Civil transferiu o clamor para Marcos Valério, que, prontamente, atendeu a ordem do chefe. O ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, em um dos seus votos, destacou este ponto, de como uma “sofisticada organização criminosa” resolvia também problemas pessoais dos seus membros. A história se repetiu: a senhora Rosemary queria fazer uma cirurgia. Resolveu, de acordo com a denúncia, recebendo um suborno. Queria fazer uma viagem em um cruzeiro. E fez. Como? Da mesma forma como realizou a cirurgia.
Nada indica que os detentores do poder vão mudar sua forma de agir. Farão de tudo para manter este estilo — vamos dizer — despojado de tratar a coisa pública. É como se o Estado brasileiro fosse propriedade partidária. E pobre daquele que se colocar no meio deste caminho nada luminoso. Será atacado, vilipendiado, caluniado.
Porém, não podem controlar tudo, todos os poderes da República. Ainda bem. Hoje, o maior obstáculo para a transformação completa da coisa pública em coisa petista é o Poder Judiciário. É sabido — e eu já escrevi sobre isso — que o Judiciário tem muitos problemas e defeitos. É verdade. Mas na quadra histórica que vivemos é o único poder que não é controlado plenamente pelo petismo. Daí o ódio manifestado diuturnamente pelos seus porta-vozes (e não faltam línguas de aluguel), como ainda é possível observar no julgamento do mensalão. A sucessão de derrotas — com as condenações dos réus petistas — deixou transtornados os petistas. Basta ler declarações racistas contra o ministro Joaquim Barbosa, as pressões para a nomeação de um novo ministro “companheiro” — na vaga aberta pela aposentadoria de Ayres Brito — ou simplesmente ter observado o descaso da presidente Dilma Rousseff quando da posse do novo presidente do STF.
O novo passo para sufocar o Judiciário é o projeto, com apoio do PT, que está tramitando na Câmara dos Deputados que retira do Ministério Público o poder investigativo. É uma evidente retaliação. Há uma relação direta entre o julgamento do mensalão, a brilhante denúncia apresentada pelo procurador Roberto Gurgel e a consequente condenação dos petistas e seus asseclas, e esta nova investida. É como se o Ministério Público tivesse cometido uma traição ao produzir provas que levaram a liderança petista de 2005 à cadeia.
Nada indica que o PT vai aceitar a prisão dos seus líderes, apesar do devido processo legal, do amplo direito de defesa, da transmissão de todas as sessões do julgamento pela televisão. Vai fazer de tudo para “melar o jogo”. Criar situações de desconforto político e até, se necessário, uma crise institucional. Suas principais lideranças nunca admitiram a existência de qualquer obstáculo às suas pretensões de exercer o poder sem qualquer prurido. A máxima petista é a de que o bom poder é aquele que é exercido sem qualquer limitação legal.
As denúncias ajudam a entender a lógica do partido: o controle do Estado é um instrumento para se perpetuar no poder
Uma nova operação da Polícia Federal atingiu o Partido dos Trabalhadores. Não é a primeira vez. Mesmo com todo o estardalhaço causado pelo julgamento do mensalão, parece que nada detém a ânsia de saquear o Erário. Agora, uma das acusadas é a chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, que teria negociado pareceres técnicos fraudulentos. Os agentes da PF foram ao escritório chefiado por Rosemary para a devida busca e apreensão de documentos. Indignada, a funcionária não fez o que seria considerado plausível: entrar em contato com seu advogado. Não. Buscou algo superior: o sentenciado José Dirceu. Isto mesmo, leitor. E veja como o Brasil continua de ponta-cabeça. A funcionária petista ligou para Dirceu, com quem tinha trabalhado durante 12 anos, em busca de proteção. O amigo, que, como é sabido, está condenado a dez anos e dez meses de prisão, nada pode fazer. Em seguida, ela tentou falar com o ex-presidente Lula, de quem é amiga. Mas o antigo mandatário está fora do país. Restou Gilberto Carvalho, o onipresente para assuntos deste jaez, mas que também não pode ajudá-la. A sequência dos contatos e a naturalidade são indicativas de como os petistas pouco estão se importando com o clamor popular em defesa da moralização. Continuam se considerando acima do bem e do mal. E, principalmente, acima da lei.
Para piorar — e reafirmar o desprezo pela ética na política e na administração pública — o segundo homem na hierarquia da Advocacia Geral da União, José Weber Holanda, está sendo acusado de fazer parte deste grupo (a expressão correta, claro, deveria ser outra). Fica a impressão de que na administração petista tudo pode, que o governo está à venda.
Frente às denúncias, a presidente Dilma Rousseff vai agir da forma já sabida: exonera o acusado da função, diz que não admite malfeitos e nada vai apurar. Foi este o figurino nestes quase dois anos de governo. Isto explica a sucessão de escândalos. Se o procedimento tivesse sido o de apurar uma denúncia de corrupção, os casos não se sucederiam. Mas o governo sabe que conta com o tempo e o esquecimento. O leitor lembra da primeira denúncia de corrupção? Sabe se foi apurada? E o acusado foi processado? Alguém foi preso?
As últimas denúncias só reforçam o entendimento da lógica de poder do PT. O controle do Estado é um instrumento para se perpetuar no poder. Transformaram o exercício de uma função pública em meio de vida. Vimos no processo do mensalão como o sentenciado José Dirceu resolveu o problema de uma das suas ex-mulheres. Ela queria porque queria um apartamento maior (e quem não quer?). O então todo-poderoso ministro da Casa Civil transferiu o clamor para Marcos Valério, que, prontamente, atendeu a ordem do chefe. O ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, em um dos seus votos, destacou este ponto, de como uma “sofisticada organização criminosa” resolvia também problemas pessoais dos seus membros. A história se repetiu: a senhora Rosemary queria fazer uma cirurgia. Resolveu, de acordo com a denúncia, recebendo um suborno. Queria fazer uma viagem em um cruzeiro. E fez. Como? Da mesma forma como realizou a cirurgia.
Nada indica que os detentores do poder vão mudar sua forma de agir. Farão de tudo para manter este estilo — vamos dizer — despojado de tratar a coisa pública. É como se o Estado brasileiro fosse propriedade partidária. E pobre daquele que se colocar no meio deste caminho nada luminoso. Será atacado, vilipendiado, caluniado.
Porém, não podem controlar tudo, todos os poderes da República. Ainda bem. Hoje, o maior obstáculo para a transformação completa da coisa pública em coisa petista é o Poder Judiciário. É sabido — e eu já escrevi sobre isso — que o Judiciário tem muitos problemas e defeitos. É verdade. Mas na quadra histórica que vivemos é o único poder que não é controlado plenamente pelo petismo. Daí o ódio manifestado diuturnamente pelos seus porta-vozes (e não faltam línguas de aluguel), como ainda é possível observar no julgamento do mensalão. A sucessão de derrotas — com as condenações dos réus petistas — deixou transtornados os petistas. Basta ler declarações racistas contra o ministro Joaquim Barbosa, as pressões para a nomeação de um novo ministro “companheiro” — na vaga aberta pela aposentadoria de Ayres Brito — ou simplesmente ter observado o descaso da presidente Dilma Rousseff quando da posse do novo presidente do STF.
O novo passo para sufocar o Judiciário é o projeto, com apoio do PT, que está tramitando na Câmara dos Deputados que retira do Ministério Público o poder investigativo. É uma evidente retaliação. Há uma relação direta entre o julgamento do mensalão, a brilhante denúncia apresentada pelo procurador Roberto Gurgel e a consequente condenação dos petistas e seus asseclas, e esta nova investida. É como se o Ministério Público tivesse cometido uma traição ao produzir provas que levaram a liderança petista de 2005 à cadeia.
Nada indica que o PT vai aceitar a prisão dos seus líderes, apesar do devido processo legal, do amplo direito de defesa, da transmissão de todas as sessões do julgamento pela televisão. Vai fazer de tudo para “melar o jogo”. Criar situações de desconforto político e até, se necessário, uma crise institucional. Suas principais lideranças nunca admitiram a existência de qualquer obstáculo às suas pretensões de exercer o poder sem qualquer prurido. A máxima petista é a de que o bom poder é aquele que é exercido sem qualquer limitação legal.
O dono do escândalo - EDITORIAL O ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 27/11
Recém-desembarcado de um voo decerto turbulento para ele, depois de uma viagem à África e à Índia, o ex-presidente Lula teria dito a pessoas de sua confiança que se sentia "apunhalado pelas costas" por outra pessoa de sua confiança, a então chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, a Rose. Secretária do companheiro José Dirceu durante 12 anos, da década de 1990 até a ascensão do PT ao Planalto, Lula a empregou na representação do governo federal na capital paulista. Dois anos depois, em 2005, entregou-lhe a chefia da repartição. Na sexta-feira passada, ela e José Weber Holanda, o sub do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, foram indiciados pela Polícia Federal (PF), no curso da Operação Porto Seguro, pela participação em um esquema de venda de facilidades instalado em sete órgãos federais.
O indiciamento alcançou 11 outros ocupantes de cargos públicos, além do notório ex-senador Gilberto Miranda. Cinco pessoas foram presas, entre as quais três irmãos, o empresário Marcelo Rodrigues Vieira, um diretor da agência reguladora da aviação civil (Anac), Rubens Carlos Vieira, e outro da agência de águas (ANA), Paulo Rodrigues Vieira - ambos patrocinados pela amiga de Lula. A PF devassou o apartamento de Rose e o gabinete de Holanda. No dia seguinte, a presidente Dilma Rousseff afastou de suas funções os diretores das agências (tendo mandato aprovado pelo Senado, eles não podem ser demitidos sumariamente) e mandou abrir processo disciplinar contra eles. O caso da nomeação de Paulo Rodrigues, tido como chefe da gangue e também chegado a Lula e a Dirceu, é um capítulo de livro de texto sobre a esbórnia no Estado sob o governo petista e a serventia de seus aliados nos altos círculos do poder nacional.
Submetida ao Senado, como requerido, a indicação começou mal e seguiu pior. A primeira votação terminou empatada. Na segunda, o nome foi rejeitado por um voto de diferença. Se os mandachuvas da República se pautassem pela decência, a história terminaria por aí. Não terminou porque, contrariando até mesmo um parecer da Comissão de Constituição e Justiça da Casa, o seu presidente José Sarney ordenou uma terceira votação da qual o afilhado de Rose saiu vencedor por confortável maioria. A essa altura, 2010, estava para mudar a sorte da madrinha - cuja influência derivava diretamente de sua intimidade com Lula, a quem, aliás, acompanhava nas viagens ao exterior, não se sabe bem para fazer o que. Eleita Dilma, que só a manteria no posto em São Paulo para não criar caso com o padrinho, Rose tentou em vão conseguir uma boquinha em Brasília. O imponderável fez o resto.
Em um dia de março do ano passado, um servidor do Tribunal de Contas da União (TCU) procurou a Polícia Federal para se confessar. Contou que aceitara uma propina de R$ 300 mil, dos quais já havia recebido um adiantamento de R$ 100 mil, para produzir um parecer técnico sob medida para uma empresa que atua no Porto de Santos. Além disso, Paulo Rodrigues Vieira falsificou um documento acadêmico para beneficiar o funcionário. Mas este se arrependeu, devolveu o dinheiro e revelou aos federais o que sabia. A PF abriu inquérito, obteve autorização judicial para grampear telefonemas e interceptar e-mails. Do material, emergiu uma Rose que lembra a personagem do samba de Chico Buarque que pedia apenas "uma coisa à toa" - no caso, um cruzeiro de Santos a Ilha Grande animado por uma dupla sertaneja, um serviço de marcenaria, uma pequena operação… Claro que ela também empregou uma filha na Anac e o marido na Infraero. Tinha fama de mandona e jeito de alpinista social.
Mas o dono do escândalo é quem deu a Rose o aparentemente inexplicável poder de que desfrutava, a ponto de o Senado de Sarney inovar em matéria de homologação de um futuro diretor de agência reguladora. Ao se declarar "apunhalado pelas costas", Lula faz como fez quando o mensalão veio à tona, e ele, fingindo ignorar a lambança, se disse "traído". Resta saber se, desta vez, tornará a repetir mais adiante que tudo não passou de uma "farsa" - quem sabe, uma conspiração da Polícia Federal com a mídia conservadora, a que a sua sucessora no Planalto afinal sucumbiu.
Fifa! Vá tomar no Fuleco! - JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 27/11
O tatu-bola vai entrar em autoextinção. De vergonha e ódio! Ele vai se enrolar, se enfiar num buraco!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Piada pronta: "Comandante soube do fim da Webjet em pleno voo". Foi webjetado. Webejetado da poltrona. Já imaginou: "Senhores passageiros, apertem os cintos que eu vou pular de paraquedas pra passar no RH!".
E Gol vai ser chamar Grande Ônibus Lotado! Rarará! Outra piada pronta: "Rubinho chega atrasado na entrevista com Schumacher". E outra piada: "Fifa batiza o mascote da Copa de Fuleco!" Fuleco? Tadinho do tatu-bola! Isso não é nome, é bullying!
O tatu-bola vai entrar em autoextinção. De vergonha e ódio! Ele vai se enrolar, se enfiar num buraco e só sair em 2015! E Fuleco é Fuleiro + Timeco? Rarará! E sabe o que o tatu-bola gritou pra Fifa? "Vai tomar no Fuleco". Rarará! Fuleco no Brasil é sinônimo de fiofó! Pimenta no fuleco dos outros é refresco! Rarará!
E que tal traveco? Traveco é a coisa mais brasileira que existe e a gente ainda exporta. Cada país exporta o que tem de melhor! Rarará! Ou então: Furreco. Pra combinar com o futebol da seleção!
E essa no Twitter: "Cabral organiza passeata no Rio para pedir a Dilma que vete o nome Fuleco". Fuleco! Veta, Dilma! Agora não é tudo: Veta, Dilma?! E se o Brasil perder na Copa, o tatu vai ficar com o fuleco ardendo? Rarará!
E essa nova corrupta do PT: Rosemary Noronha. Tem que achar outra corrupta. Essa não serve. Olha o que ela ganhou: uma plástica (deve ter sido com o doutor Hollywood), um convite pra camarote de Carnaval. De São Paulo, nem do Rio é. E um cruzeiro com o Bruno e Marrone! O quê? Não foi nem cruzeiro com o Roberto Carlos?. Isso não é corrupção, é maldição. Libera a mulher! Eu imploro! Rarará! É mole? É mole mas sobe!
E a Fórmula 1? Adorei a nova dupla: Galvão e Rubinho! Vitamina de jiló com abacate. O Galvão com aquela cara de sapo prestes a explodir! Vai inflando, inflando, você espera explodir! E essa: "Rubinho chega atrasado na entrevista com o Schumacher". Rarará! Chegou em segundo. O Carlos Gil tava na frente. E aí o Schumacher deu adeus e saiu correndo! Rarará! E o Galvão gritando: "Corre, Rubinho! Corre, Rubinho!". Foi sensacional!
E o Massa no pódio, e o Bruno Acena! Esse só acena! E o Alonso não tava com cara de pódio, tava com cara de ódio! Rarará! Nóis sofre mas nóis goza! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
O tatu-bola vai entrar em autoextinção. De vergonha e ódio! Ele vai se enrolar, se enfiar num buraco!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Piada pronta: "Comandante soube do fim da Webjet em pleno voo". Foi webjetado. Webejetado da poltrona. Já imaginou: "Senhores passageiros, apertem os cintos que eu vou pular de paraquedas pra passar no RH!".
E Gol vai ser chamar Grande Ônibus Lotado! Rarará! Outra piada pronta: "Rubinho chega atrasado na entrevista com Schumacher". E outra piada: "Fifa batiza o mascote da Copa de Fuleco!" Fuleco? Tadinho do tatu-bola! Isso não é nome, é bullying!
O tatu-bola vai entrar em autoextinção. De vergonha e ódio! Ele vai se enrolar, se enfiar num buraco e só sair em 2015! E Fuleco é Fuleiro + Timeco? Rarará! E sabe o que o tatu-bola gritou pra Fifa? "Vai tomar no Fuleco". Rarará! Fuleco no Brasil é sinônimo de fiofó! Pimenta no fuleco dos outros é refresco! Rarará!
E que tal traveco? Traveco é a coisa mais brasileira que existe e a gente ainda exporta. Cada país exporta o que tem de melhor! Rarará! Ou então: Furreco. Pra combinar com o futebol da seleção!
E essa no Twitter: "Cabral organiza passeata no Rio para pedir a Dilma que vete o nome Fuleco". Fuleco! Veta, Dilma! Agora não é tudo: Veta, Dilma?! E se o Brasil perder na Copa, o tatu vai ficar com o fuleco ardendo? Rarará!
E essa nova corrupta do PT: Rosemary Noronha. Tem que achar outra corrupta. Essa não serve. Olha o que ela ganhou: uma plástica (deve ter sido com o doutor Hollywood), um convite pra camarote de Carnaval. De São Paulo, nem do Rio é. E um cruzeiro com o Bruno e Marrone! O quê? Não foi nem cruzeiro com o Roberto Carlos?. Isso não é corrupção, é maldição. Libera a mulher! Eu imploro! Rarará! É mole? É mole mas sobe!
E a Fórmula 1? Adorei a nova dupla: Galvão e Rubinho! Vitamina de jiló com abacate. O Galvão com aquela cara de sapo prestes a explodir! Vai inflando, inflando, você espera explodir! E essa: "Rubinho chega atrasado na entrevista com o Schumacher". Rarará! Chegou em segundo. O Carlos Gil tava na frente. E aí o Schumacher deu adeus e saiu correndo! Rarará! E o Galvão gritando: "Corre, Rubinho! Corre, Rubinho!". Foi sensacional!
E o Massa no pódio, e o Bruno Acena! Esse só acena! E o Alonso não tava com cara de pódio, tava com cara de ódio! Rarará! Nóis sofre mas nóis goza! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Situação delicada - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 27/11
A presidente Dilma fica em situação muito delicada toda vez que acontece um caso de corrupção no seu governo. Toma a decisão de demitir os envolvidos, passa a ideia ao grande público, por informações de anônimos assessores, de que não tem nada a ver com aquilo, que as pessoas foram nomeadas a pedido de Lula, a quem não poderia deixar de atender, mas que não tolera corrupção e, quando descobre, coloca fora do governo o acusado.
Isso dá a ela uma boa margem de manobra, especialmente diante da classe média que está conquistando com decisões aparentemente independentes. E creio mesmo que o próprio ex-presidente Lula aceita essa situação avaliando os ganhos políticos que ela traz para a presidente. A questão é até quando ela conseguirá permanecer nessa posição, tirando todo o proveito da proximidade de Lula e, ao mesmo tempo, vendendo imagem de autonomia em relação a ele.
Já não está sendo possível aceitar que tudo de ruim que acontece seja culpa do antecessor, mesmo que ela não explicite essa acusação, apenas a insinue. E negue oficialmente quando, a exemplo do ex-presidente Fernando Henrique, tentam explicar os fracassos de seu governo com suposta “herança maldita”.
Afinal, Dilma já está na segunda metade de seu governo, foi a responsável pela nomeação de todos os ministros que já demitiu por suspeita de corrupção — e, por sinal, nada aconteceu a nenhum deles em termos concretos — e até mesmo essa chefe do gabinete da Presidência em SP, Rosemary Noronha, foi nomeada por Dilma quando era chefe da Casa Civil, e mantida no cargo a pedido de Lula.
Sabe-se agora que o gabinete da Presidência em SP era um segundo escritório de Lula, fora do Instituto Cidadania, e por isso mesmo ele teve inusitada agitação este ano, com inúmeras reuniões de Dilma e Lula.
Até que ponto a presidente tem condições de autonomia em relação a um pedido de Lula? Até que ponto seu governo tem mecanismos para detectar desvios como os que dominaram vários ministérios no início de seu governo e agora dominam o gabinete presidencial e o segundo nome da Advocacia Geral da União?
Está ficando cada vez mais próximo o momento em que não será mais possível isentar Dilma de erros que sucessivamente acontecem. Fica a cada dia mais difícil para ela se isentar de “malfeitos”após estar no governo mais de dois anos. As andanças da ex-ministra Erenice Guerra em órgãos oficiais e a proteção ao ministro Fernando Pimentel, a ponto de alterar o Conselho de Ética da Presidência, apontam para leniência com amigos.
Sempre que precisa, ou é exigido dela, dar demonstração de lealdade, ela dá. Desde fazer cara de enfado na posse de Joaquim Barbosa no STF até entrar de corpo e alma na campanha municipal, que afirmara que não faria. Foi a todos os palanques que Lula via como estratégicos, articulou a candidatura de Patrus Ananias em BH e foi às raias da grosseria quando achou que precisava marcar posição, caso da disputa em Salvador, quando acabou ajudando ACM Neto ao fazer insinuações sobre sua estatura.
Não creio que dê para ela ficar em cima do muro muito tempo mais; é difícil se desvincular, como é difícil Lula se desvincular do mensalão, ou do escândalo mais recente com pessoa muito ligada a ele envolvida. Dizer pela enésima vez que foi “esfaqueado pelas costas”, então, se torna patético.
Nenhum dos escândalos que estouraram foi detectado pelos órgãos de investigação, todos foram decorrência de denúncias da grande imprensa ou delação premiada. Mais uma vez a Presidência como instituição se vê envolvida em escândalos, gerados a partir de funcionários de confiança, nesse caso escolhidos com requintes que mostram intenção de nomear determinadas pessoas para os cargos determinados.
O diretor da Agência Nacional de Águas, Paulo Vieira, teve padrinhos poderosos: Rosemary convenceu Lula e o ex-ministro José Dirceu, com quem trabalhara por 12 anos, a bancá-lo. Foi rejeitado duas vezes pelo Senado, mas o Planalto insistiu e uma manobra o aprovou. O então ministro Carlos Minc (PT) disse que sabia- se que o indicado “navegava em águas turvas”. O segundo homem da AGU foi nomeado por insistência de Luis Inácio Adams, candidato de Lula ao STF. São coincidências demais. Uma maneira de demonstrar real disposição de combater a corrupção seria passar um pente-fino nas nomeações para cargos estratégicos.
A presidente Dilma fica em situação muito delicada toda vez que acontece um caso de corrupção no seu governo. Toma a decisão de demitir os envolvidos, passa a ideia ao grande público, por informações de anônimos assessores, de que não tem nada a ver com aquilo, que as pessoas foram nomeadas a pedido de Lula, a quem não poderia deixar de atender, mas que não tolera corrupção e, quando descobre, coloca fora do governo o acusado.
Isso dá a ela uma boa margem de manobra, especialmente diante da classe média que está conquistando com decisões aparentemente independentes. E creio mesmo que o próprio ex-presidente Lula aceita essa situação avaliando os ganhos políticos que ela traz para a presidente. A questão é até quando ela conseguirá permanecer nessa posição, tirando todo o proveito da proximidade de Lula e, ao mesmo tempo, vendendo imagem de autonomia em relação a ele.
Já não está sendo possível aceitar que tudo de ruim que acontece seja culpa do antecessor, mesmo que ela não explicite essa acusação, apenas a insinue. E negue oficialmente quando, a exemplo do ex-presidente Fernando Henrique, tentam explicar os fracassos de seu governo com suposta “herança maldita”.
Afinal, Dilma já está na segunda metade de seu governo, foi a responsável pela nomeação de todos os ministros que já demitiu por suspeita de corrupção — e, por sinal, nada aconteceu a nenhum deles em termos concretos — e até mesmo essa chefe do gabinete da Presidência em SP, Rosemary Noronha, foi nomeada por Dilma quando era chefe da Casa Civil, e mantida no cargo a pedido de Lula.
Sabe-se agora que o gabinete da Presidência em SP era um segundo escritório de Lula, fora do Instituto Cidadania, e por isso mesmo ele teve inusitada agitação este ano, com inúmeras reuniões de Dilma e Lula.
Até que ponto a presidente tem condições de autonomia em relação a um pedido de Lula? Até que ponto seu governo tem mecanismos para detectar desvios como os que dominaram vários ministérios no início de seu governo e agora dominam o gabinete presidencial e o segundo nome da Advocacia Geral da União?
Está ficando cada vez mais próximo o momento em que não será mais possível isentar Dilma de erros que sucessivamente acontecem. Fica a cada dia mais difícil para ela se isentar de “malfeitos”após estar no governo mais de dois anos. As andanças da ex-ministra Erenice Guerra em órgãos oficiais e a proteção ao ministro Fernando Pimentel, a ponto de alterar o Conselho de Ética da Presidência, apontam para leniência com amigos.
Sempre que precisa, ou é exigido dela, dar demonstração de lealdade, ela dá. Desde fazer cara de enfado na posse de Joaquim Barbosa no STF até entrar de corpo e alma na campanha municipal, que afirmara que não faria. Foi a todos os palanques que Lula via como estratégicos, articulou a candidatura de Patrus Ananias em BH e foi às raias da grosseria quando achou que precisava marcar posição, caso da disputa em Salvador, quando acabou ajudando ACM Neto ao fazer insinuações sobre sua estatura.
Não creio que dê para ela ficar em cima do muro muito tempo mais; é difícil se desvincular, como é difícil Lula se desvincular do mensalão, ou do escândalo mais recente com pessoa muito ligada a ele envolvida. Dizer pela enésima vez que foi “esfaqueado pelas costas”, então, se torna patético.
Nenhum dos escândalos que estouraram foi detectado pelos órgãos de investigação, todos foram decorrência de denúncias da grande imprensa ou delação premiada. Mais uma vez a Presidência como instituição se vê envolvida em escândalos, gerados a partir de funcionários de confiança, nesse caso escolhidos com requintes que mostram intenção de nomear determinadas pessoas para os cargos determinados.
O diretor da Agência Nacional de Águas, Paulo Vieira, teve padrinhos poderosos: Rosemary convenceu Lula e o ex-ministro José Dirceu, com quem trabalhara por 12 anos, a bancá-lo. Foi rejeitado duas vezes pelo Senado, mas o Planalto insistiu e uma manobra o aprovou. O então ministro Carlos Minc (PT) disse que sabia- se que o indicado “navegava em águas turvas”. O segundo homem da AGU foi nomeado por insistência de Luis Inácio Adams, candidato de Lula ao STF. São coincidências demais. Uma maneira de demonstrar real disposição de combater a corrupção seria passar um pente-fino nas nomeações para cargos estratégicos.
Caladão - VERA MAGALHÃES - PAINEL
FOLHA DE SP - 27/11
Dilma Rousseff recebeu no início da tarde de ontem informação do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) de que a ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo, Rosemary Noronha, não teve o sigilo telefônico quebrado. O potencial explosivo estaria nos e-mails e documentos apreendidos com ela. Autoridades que acompanham o caso estranharam o fato de a PF não ter pedido a interceptação dos telefonemas de Rose, nomeada para o cargo pelo ex-presidente Lula.
Guru Nas mensagens que enviava do e-mail da Presidência rastreadas pela PF, Rosemary Noronha incluía três mantras junto a sua assinatura: "Eu te adoro 2012", "saborosas manhãs 2012" e "Gumbelzin Ori Valimando", indicados pelo numerólogo Gilson Chveid Oen.
Ah, tá Os dois primeiros são mantras indicados para trazer sorte no ano, mas o último e impronunciável tem uma indicação específica, segundo o site do numerólogo: "Para ajudá-lo a melhorar sua vida material".
Pororoca... Num dos diálogos da Porto Seguro, Paulo e Rubens Vieira falam sobre o grupo de Carlinhos Cachoeira, investigado em outra operação da PF, a Monte Carlo. Na conversa, comentam a soltura do ex-sargento Idalberto Matias, o Dadá.
... dos escândalos Paulo, então, diz ao irmão que "agora o Tourinho deverá soltar o Cachoeira também", numa referência ao desembargador Tourinho Neto, do TRF da 1ª Região, que havia concedido habeas corpus ao empresário no processo.
Septicemia A maior preocupação do Planalto no caso é José Weber Holanda Alves, exonerado da função de advogado-geral-adjunto da União. Além do desgaste para o ministro Luís Inácio Adams, Dilma teme o potencial explosivo de seus pareceres.
Desce A crise praticamente sepultou as chances de Adams emplacar no STF seu amigo Heleno Torres, que também é muito próximo do investigado Weber Holanda.
Frigideira Entidades sindicais das carreiras da AGU fazem manifestação em frente ao órgão, em Brasília, quinta-feira, para pedir investigação rigorosa de Holanda.
Quem paga... O reequilíbrio financeiro do contrato de lixo é a causa do primeiro ruído das equipes de Fernando Haddad e Gilberto Kassab na transição. Estimado em R$ 170 milhões, o reajuste às empresas que operam o serviço deveria, contratualmente, ter sido efetuado em 2009.
... a conta? Agora, petistas temem que Kassab decida parcelar o repasse. O prefeito consultou a equipe de Haddad e técnicos da transição negociam com a Secretaria de Serviços para incorporar ao termo aditivo promessas da campanha para o setor.
Futurologia Do tucano Walter Feldman (SP), sobre as previsões de João Santana sobre as eleições e o STF. "Os marqueteiros não são mais humanos; querem se elevar à condição de profetas".
Redução... Pressionado pela queda na sua aprovação em razão da crise na segurança, Geraldo Alckmin pediu a auxiliares pelo menos uma agenda positiva por dia até o final do ano. Ontem, assinou convênios de repasses de verbas para 384 prefeituras.
... de danos Hoje, o governador anunciará projeto para custear os assentos provisórios exigidos para a abertura da Copa no Itaquerão.
Veja bem A despeito do movimento para lançá-lo a novo mandato na presidência da Assembleia paulista, Barros Munhoz (PSDB) diz que não será candidato ao posto "em hipótese alguma".
com FÁBIO ZAMBELI e BRENO COSTA
Tiroteio
"Vice da CBF detido pela PF, técnico demitido, tatu-bola ofendido com apelido de "Fuleco". Há mesmo algo de podre no reino do futebol."
DO DEPUTADO CHICO ALENCAR (PSOL-RJ), ironizando a detenção de Marco Polo del Nero, a demissão de Mano Menezes e a escolha do nome do mascote da Copa.
Contraponto
Meteorologia do voto
Durante solenidade em que entregou chaves de 84 casas populares, sábado, em Palestina, região noroeste de São Paulo, Geraldo Alckmin foi cumprimentado pelo prefeito, Nicanor Nogueira Branco (PTB), que lançou, em seu discurso, o tucano à Presidência da República:
-Em breve quero vê-lo na cadeira da dona Dilma!
O discurso do petebista ocorria em meio à ameaça de temporal, com trovões a todo instante.
Um dos assessores brincou na plateia:
-Não se pode brincar com a presidente. Olha só a resposta nas nuvens. Será a reação do Planalto?
Tolerância continuada - DORA KRAMER
O ESTADÃO - 27/11
Para citar os casos mais famosos ocorridos em ambiente de Palácio: Valdomiro Diniz era braço direito de José Dirceu, que era braço direito de Lula, que o substituiu por Dilma, que pôs no lugar Erenice Guerra, que caiu na rede da suspeita por tráfico de influência, mesma acusação que fez do braço direito do advogado-geral da União e de pessoa da confiança do ex-presidente alvos de investigação da Polícia Federal.
Convenhamos, não é algo trivial. Tampouco a ser desconsiderado no cômputo geral de "malfeitorias" cometidas na antessala do Poder central.
Na melhor hipótese demonstra o modo displicente do governo na nomeação de auxiliares, ainda mais quando ocupantes de postos-chave, e a total liberdade com que conseguem atuar longe de qualquer fiscalização ou controle interno. Nunca são sequer importunados. Invariavelmente são descobertos por denúncias publicadas na imprensa ou por operações de iniciativa da PF.
Essa última, a Porto Seguro, durante longo tempo investigou entre outros o advogado-geral da União adjunto e a chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo sem que os superiores deles se dessem conta de suas atividades paralelas.
A polícia levou tempo para recolher provas que pudessem sustentar as prisões e indiciamentos. Mas quem convivia com eles não precisaria de mais que indícios de conduta reprovável para afastá-los das respectivas funções.
E se atuavam livremente é porque ou tinham autorização ou no mínimo se sentiam protegidos pela indulgência dos chefes em alguns casos e, em outros, por temor da retaliação vinda do altar onde se instalavam seus padrinhos.
Não é pequeno nem desprovido de razão o constrangimento do governo petista com o indiciamento de Rosemary Noronha por corrupção e tráfico de influência. A moça é poderosa, arrogante e abusa do direito de demonstrar que tem as costas quentes. Características sobejamente conhecidas nas cercanias do poder, aí incluído o Senado, "forçado" a aprovar a nomeação de Paulo Vieira, um dos presos, para a agência de Nacional de Águas em votação viciada, depois de duas rejeições.
As atividades ilícitas de "Rose" poderiam até ser desconhecidas, mas as relações das quais emanavam sua força eram assunto corrente. Ela foi secretária de José Dirceu que, no entanto, nesse caso entra apenas como intermediário de uma indicação lavrada em cartório do "céu" e assinada embaixo: Lula.
O trabalho de bastidor agora é de contenção de danos para evitar novos desdobramentos.
Por ora, o episódio ressalta a existência no governo de um ambiente de tolerância, terreno fértil à impunidade que dá margem à reincidência continuada. E não ajuda o PT a convencer a sociedade de que o Supremo comete uma grande injustiça ao julgar com rigor ímpar o processo do mensalão.
De origem
Fala-se que Dilma Rousseff quer aproveitar o ensejo para acabar com as indicações políticas nas agências reguladoras. Antes tarde. Mas poderia ter sido bem mais cedo. Aliás, poderia nem ter sido necessário mudar o rumo. Quando o PT chegou à Presidência a crítica central às agências era seu excessivo caráter de independência em relação ao poder político, exatamente por terem sido concebidas como instrumentos de controle. Originalmente elas seriam uma espécie de ministério público da prestação de serviços públicos praticados pela iniciativa privada.
PT pós-mensalão sumiu da CPI - RAYMUNDO COSTA
VALOR ECONÔMICO - 27/11
Relator tentou mas não levou apoio do Palácio do Planalto
O PT não se entende sobre o fim da CPI do Cachoeira. Está tudo errado, segundo assíduo frequentador dos bastidores do partido: o deputado Odair Cunha (MG), designado relator da comissão de inquérito, está sendo obrigado a esquecer tudo aquilo que lhe haviam pedido para escrever, enquanto a CPI servia aos interesses do restrito grupo que a havia inspirado. O PT se ausentou até da leitura do relatório.
Cunha, até onde se sabe, tentou encontrar algum respaldo no Palácio do Planalto. Saiu com as mãos abanando. A presidente Dilma Rousseff sempre procurou manter o assunto o mais distante possível do governo federal. Já bem antes, quando a CPI estava para ser criada, aliados de Dilma diziam que a presidente não queria "marola" em seu mandato. Quando o nome do empresário Fernando Cavendish se aproximou perigosamente, o governo correu para declarar "inidônea" a construtora Delta.
A CPI do Cachoeira bateu recorde de assinaturas no Congresso: com o PT avante, os demais partidos não quiseram ficar para trás numa investigação que a Polícia Federal, como demonstra o fim da CPI, já havia percorrido de cabo a rabo. Afinal, ninguém quer ao menos parecer conivente com a corrupção.
O objetivo da CPI logo se tornou mais que evidente. O principal deles era constranger o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Em suas alegações finais na Ação Penal nº 470, Gurgel foi rigoroso sobre as responsabilidades de cada um dos integrantes do chamado esquema do mensalão (pelo resultado do julgamento, a razão estava mesmo com o procurador).
O pretexto é também conhecido: numa operação anterior da Polícia Federal, o nome do ex-senador Demóstenes Torres já havia aparecido relacionado ao contraventor Cachoeira. Para o PT, o procurador cometera o crime de prevaricação. Segundo explicações enviadas à CPI, Gurgel contou que a "Operação Vegas" deu os elementos que levaram aos elos políticos da contravenção, na "Operação Monte Carlo".
O outro objetivo era constranger a imprensa, além da cassação de Demóstenes Torres, inevitável apenas com o inquérito da PF, e atingir o PSDB, especialmente o governador de Goiás, Marconi Perillo. O tucano entrou no index do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando declarou que o havia informado sobre a existência do mensalão na Câmara.
Ao que tudo indica, só quem acreditou que a CPI era para valer foi o relator. Basta olhar as indicações dos integrantes do PMDB na comissão. A convocação ou não de depoentes foi negociada no atacado e no varejo.
É possível relacionar o arrefecimento do ânimo investigatório do PT com o aparecimento da construtora Delta e das revelações sobre suas relações com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, amigo e aliado de Lula, talvez o maior incentivador da criação da CPI. Mas logo surgiram indícios de que os tentáculos da construtora iam muito além. Estavam incrustados inclusive em governos do PT. Um banho de água fria. Pior: a construtora de Cavendish era uma das principais empreiteiras do PAC: a "marola" chegou ao pé da rampa do Planalto.
Aparentemente, esqueceram de avisar o relator Odair Cunha que a hora é de recuo. No relatório que apresentou semana passada, o deputado transcreveu as anotações que fez ao receber a missão de escrevinhador. Entre outras coisas, pede que o Conselho Nacional de Justiça investigue o procurador Gurgel; indicia cinco jornalistas e - é claro - requer ao Ministério Público Federal e ao Superior Tribunal de Justiça "a responsabilização" do governador tucano de Goiás, Marconi Perillo. Odair está agora sob pressão de áreas do próprio PT para voltar atrás.
A primeira impressão é que o PT deixou o relator sozinho. Mas só a votação do relatório é que dará noção mais exata de como será o PT "pós-mensalão", que saiu das eleições sentindo-se fortalecido por causa da vitória de Fernando Haddad, em São Paulo, apesar do resultado adverso no Supremo Tribunal Federal.
Embora circule a versão de que o presidente do partido, Rui Falcão, foi o principal inspirador do texto de Odair, na cúpula do PT se atribui o relatório às bancadas no Senado e na Câmara. E que o relatório será apresentado amanhã com um ou outro pequeno ajuste. O PT quer ver quais nomes ou empresas a oposição quer suprimir do relatório final.
Tem cheiro de queimado nas articulações para a sucessão na Câmara. Até agora, tanto o PT quanto o Palácio do Planalto emitiram sinais de que estão dispostos a cumprir um acordo pelo qual o Congresso seria comandando pelo PMDB no biênio 2013-2014. Ou seja, em plena sucessão presidencial, o PMDB teria o controle do Legislativo.
Os nomes do PMDB, já informados à presidente Dilma e ao PT, são os do senador Renan Calheiros (AL), que já ocupou o cargo, e o do deputado Henrique Eduardo Alves (RN) para a Câmara.
Dilma primeiro tentou demover Renan da ideia de presidir o Senado, cargo do qual foi virtualmente defenestrado em dezembro de 2007, após um escândalo que se prolongou por seis meses. Em troca, teria seu apoio para disputar o governo de Alagoas.
O fato é que Renan sempre teve em vista disputar o governo de Alagoas, mas seu objetivo inicial é o Senado. A maioria da bancada informou o Planalto que prefere Renan. Dilma deixou de lado, mas se o passado voltar a assombrar Renan, ninguém poderá reclamar se ela disser "eu bem que avisei".
Na fogueira do Planalto, nos últimos dias, arde o nome de Henrique Alves. A química do líder do PMDB com a presidente nunca foi das melhores, sobretudo nas vezes em que a desafiou de público. Não falta quem lembre que o acordo do PT é com o PMDB e não com Henrique. No fundo, parece pretexto para melar um acerto que todos afirmam sólido.
Relator tentou mas não levou apoio do Palácio do Planalto
O PT não se entende sobre o fim da CPI do Cachoeira. Está tudo errado, segundo assíduo frequentador dos bastidores do partido: o deputado Odair Cunha (MG), designado relator da comissão de inquérito, está sendo obrigado a esquecer tudo aquilo que lhe haviam pedido para escrever, enquanto a CPI servia aos interesses do restrito grupo que a havia inspirado. O PT se ausentou até da leitura do relatório.
Cunha, até onde se sabe, tentou encontrar algum respaldo no Palácio do Planalto. Saiu com as mãos abanando. A presidente Dilma Rousseff sempre procurou manter o assunto o mais distante possível do governo federal. Já bem antes, quando a CPI estava para ser criada, aliados de Dilma diziam que a presidente não queria "marola" em seu mandato. Quando o nome do empresário Fernando Cavendish se aproximou perigosamente, o governo correu para declarar "inidônea" a construtora Delta.
A CPI do Cachoeira bateu recorde de assinaturas no Congresso: com o PT avante, os demais partidos não quiseram ficar para trás numa investigação que a Polícia Federal, como demonstra o fim da CPI, já havia percorrido de cabo a rabo. Afinal, ninguém quer ao menos parecer conivente com a corrupção.
O objetivo da CPI logo se tornou mais que evidente. O principal deles era constranger o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Em suas alegações finais na Ação Penal nº 470, Gurgel foi rigoroso sobre as responsabilidades de cada um dos integrantes do chamado esquema do mensalão (pelo resultado do julgamento, a razão estava mesmo com o procurador).
O pretexto é também conhecido: numa operação anterior da Polícia Federal, o nome do ex-senador Demóstenes Torres já havia aparecido relacionado ao contraventor Cachoeira. Para o PT, o procurador cometera o crime de prevaricação. Segundo explicações enviadas à CPI, Gurgel contou que a "Operação Vegas" deu os elementos que levaram aos elos políticos da contravenção, na "Operação Monte Carlo".
O outro objetivo era constranger a imprensa, além da cassação de Demóstenes Torres, inevitável apenas com o inquérito da PF, e atingir o PSDB, especialmente o governador de Goiás, Marconi Perillo. O tucano entrou no index do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando declarou que o havia informado sobre a existência do mensalão na Câmara.
Ao que tudo indica, só quem acreditou que a CPI era para valer foi o relator. Basta olhar as indicações dos integrantes do PMDB na comissão. A convocação ou não de depoentes foi negociada no atacado e no varejo.
É possível relacionar o arrefecimento do ânimo investigatório do PT com o aparecimento da construtora Delta e das revelações sobre suas relações com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, amigo e aliado de Lula, talvez o maior incentivador da criação da CPI. Mas logo surgiram indícios de que os tentáculos da construtora iam muito além. Estavam incrustados inclusive em governos do PT. Um banho de água fria. Pior: a construtora de Cavendish era uma das principais empreiteiras do PAC: a "marola" chegou ao pé da rampa do Planalto.
Aparentemente, esqueceram de avisar o relator Odair Cunha que a hora é de recuo. No relatório que apresentou semana passada, o deputado transcreveu as anotações que fez ao receber a missão de escrevinhador. Entre outras coisas, pede que o Conselho Nacional de Justiça investigue o procurador Gurgel; indicia cinco jornalistas e - é claro - requer ao Ministério Público Federal e ao Superior Tribunal de Justiça "a responsabilização" do governador tucano de Goiás, Marconi Perillo. Odair está agora sob pressão de áreas do próprio PT para voltar atrás.
A primeira impressão é que o PT deixou o relator sozinho. Mas só a votação do relatório é que dará noção mais exata de como será o PT "pós-mensalão", que saiu das eleições sentindo-se fortalecido por causa da vitória de Fernando Haddad, em São Paulo, apesar do resultado adverso no Supremo Tribunal Federal.
Embora circule a versão de que o presidente do partido, Rui Falcão, foi o principal inspirador do texto de Odair, na cúpula do PT se atribui o relatório às bancadas no Senado e na Câmara. E que o relatório será apresentado amanhã com um ou outro pequeno ajuste. O PT quer ver quais nomes ou empresas a oposição quer suprimir do relatório final.
Tem cheiro de queimado nas articulações para a sucessão na Câmara. Até agora, tanto o PT quanto o Palácio do Planalto emitiram sinais de que estão dispostos a cumprir um acordo pelo qual o Congresso seria comandando pelo PMDB no biênio 2013-2014. Ou seja, em plena sucessão presidencial, o PMDB teria o controle do Legislativo.
Os nomes do PMDB, já informados à presidente Dilma e ao PT, são os do senador Renan Calheiros (AL), que já ocupou o cargo, e o do deputado Henrique Eduardo Alves (RN) para a Câmara.
Dilma primeiro tentou demover Renan da ideia de presidir o Senado, cargo do qual foi virtualmente defenestrado em dezembro de 2007, após um escândalo que se prolongou por seis meses. Em troca, teria seu apoio para disputar o governo de Alagoas.
O fato é que Renan sempre teve em vista disputar o governo de Alagoas, mas seu objetivo inicial é o Senado. A maioria da bancada informou o Planalto que prefere Renan. Dilma deixou de lado, mas se o passado voltar a assombrar Renan, ninguém poderá reclamar se ela disser "eu bem que avisei".
Na fogueira do Planalto, nos últimos dias, arde o nome de Henrique Alves. A química do líder do PMDB com a presidente nunca foi das melhores, sobretudo nas vezes em que a desafiou de público. Não falta quem lembre que o acordo do PT é com o PMDB e não com Henrique. No fundo, parece pretexto para melar um acerto que todos afirmam sólido.
Excesso de desenvoltura - ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 27/11
BRASÍLIA - Há três possibilidades no escândalo Rosemary Noronha, a Rose: ou Dilma não sabia da operação da PF, ou sabia e não falou para Lula, ou sabia, falou para Lula e ambos combinaram lavar as mãos.
Se a presidente não foi informada, ponto para o Ministério da Justiça e para a PF, que agiram profissionalmente e serviram ao país, não a um governo de plantão.
Se foi informada e não interveio no trabalho da PF, ponto para Dilma, mas o clima não deve estar nada bom entre ela e Lula, que prestigiava tanto a ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo que sempre a levava em viagens internacionais.
Se Dilma autorizou a operação e avisou Lula, ponto para ambos, mas a própria Rose, com tanto poder nos dois mandatos de Lula, deve estar se sentindo traída. Uma arara.
Afora o tal cruzeiro do Bruno e Marrone, parece que Rose não é nada modesta. Além de empregar na Anac e na ANA os companheiros agora presos, também arranjou três (três!) vagas gordas para o marido e boquinhas para a filha, para o genro e sabe-se lá mais para quem. Boa mãe...
Afinal, ela se autoinvestiu desse poder ou recebeu delegação de quem mandava de fato e de direito? Caberia ao presidente do Senado, José Sarney, e ao líder do governo Lula na Casa, Romero Jucá, contar por que -e por quem- inverteram as regras, a tradição e o bom-senso para aprovar em plenário um cidadão que tinha sido rejeitado duas vezes para uma agência reguladora. E que acabou preso pela PF pela venda de pareceres para empresas privadas.
Será que os dois ilustres senadores fizeram das tripas coração para aprovar o sujeito por um cândido pedido de Rose? Ou ela tinha tanta desenvoltura que usava e abusava do nome do então presidente Lula? E ele não tinha ideia de que isso ocorria?
Dilma volta à fase da "faxina" e Lula espalha que não viu, não ouviu, não sabia, mal conhecia a moça. Os dois se dizem indignados. Deveriam ficar também muito preocupados.
BRASÍLIA - Há três possibilidades no escândalo Rosemary Noronha, a Rose: ou Dilma não sabia da operação da PF, ou sabia e não falou para Lula, ou sabia, falou para Lula e ambos combinaram lavar as mãos.
Se a presidente não foi informada, ponto para o Ministério da Justiça e para a PF, que agiram profissionalmente e serviram ao país, não a um governo de plantão.
Se foi informada e não interveio no trabalho da PF, ponto para Dilma, mas o clima não deve estar nada bom entre ela e Lula, que prestigiava tanto a ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo que sempre a levava em viagens internacionais.
Se Dilma autorizou a operação e avisou Lula, ponto para ambos, mas a própria Rose, com tanto poder nos dois mandatos de Lula, deve estar se sentindo traída. Uma arara.
Afora o tal cruzeiro do Bruno e Marrone, parece que Rose não é nada modesta. Além de empregar na Anac e na ANA os companheiros agora presos, também arranjou três (três!) vagas gordas para o marido e boquinhas para a filha, para o genro e sabe-se lá mais para quem. Boa mãe...
Afinal, ela se autoinvestiu desse poder ou recebeu delegação de quem mandava de fato e de direito? Caberia ao presidente do Senado, José Sarney, e ao líder do governo Lula na Casa, Romero Jucá, contar por que -e por quem- inverteram as regras, a tradição e o bom-senso para aprovar em plenário um cidadão que tinha sido rejeitado duas vezes para uma agência reguladora. E que acabou preso pela PF pela venda de pareceres para empresas privadas.
Será que os dois ilustres senadores fizeram das tripas coração para aprovar o sujeito por um cândido pedido de Rose? Ou ela tinha tanta desenvoltura que usava e abusava do nome do então presidente Lula? E ele não tinha ideia de que isso ocorria?
Dilma volta à fase da "faxina" e Lula espalha que não viu, não ouviu, não sabia, mal conhecia a moça. Os dois se dizem indignados. Deveriam ficar também muito preocupados.
Um ataque à Federação - RENATO CASAGRANDE
O GLOBO - 27/11
Além das incoerências legais e do claro desequilíbrio político, o novo marco representa um duro golpe para os estados produtores
Desde que o então presidente Lula enviou ao Congresso a proposta de novo marco regulatório para a exploração das reservas de petróleo na camada pré-sal, temos enfrentado a pressão dos estados e municípios não produtores por maior participação nas receitas derivadas dos royalties. Não satisfeitos com os ganhos futuros definidos no novo modelo de distribuição, representantes desses estados e municípios se mobilizaram para avançar sobre contratos firmados, em busca de uma participação imediata e indevida. A matéria finalmente foi à votação do plenário. E a insensatez saiu vitoriosa. Ao alterar os critérios de distribuição em áreas já licitadas, o texto aprovado dá forma a uma das mais truculentas agressões ao arranjo jurídico e institucional que sustenta a República e a democracia no Brasil.
Além das incoerências legais e do claro desequilíbrio político, a medida representa um duro golpe para os estados produtores, principalmente Espírito Santo e Rio de Janeiro. Sem os recursos previstos, investimentos essenciais deixarão de ser realizados e haverá dificuldades para manter os serviços públicos no mesmo patamar de qualidade e abrangência. Mas, se o golpe é duro para os estados, para alguns municípios significa simplesmente a falência.
Estruturados com base na receita obtida com os royalties para enfrentar os impactos econômicos, sociais e ambientais das atividades relacionadas à cadeia produtiva do petróleo, municípios produtores pagarão caro pela irresponsabilidade daqueles que colocaram interesses políticos paroquianos acima dos princípios basilares que organizam o Estado brasileiro.
Para o Espírito Santo, os impactos dessa decisão vêm acrescidos de reveses anteriores, como a unificação das alíquotas do ICMS sobre produtos importados. E, se somarmos essas perdas à dívida histórica que a União mantém com o estado, no que diz respeito à infraestrutura de responsabilidade do governo federal, não há como negar que somos vítimas de uma discriminação inaceitável em um sistema republicano que tem como base e objetivo a busca de equilíbrio entre as unidades federadas.
Em nome do povo capixaba, que temos a responsabilidade e a honra de representar, e na certeza de que estamos defendendo a própria essência da Federação brasileira, empreenderemos todos os esforços para revogar a decisão insensata que levou à aprovação da chamada "emenda Vital do Rego”! E isto inclui o recurso ao Supremo Tribunal Federal, como medida extrema, em caso de falência do bom-senso e das alternativas políticas. Não solicitamos privilégios nem atenção diferenciada. O que exigimos é respeito ao esforço que desenvolvemos para construir no Espírito Santo uma sociedade mais próspera, equilibrada e humana. E é com esse objetivo que reafirmamos a indignação diante do avanço sobre nossas finanças e a determinação de lutar até o limite de nossas possibilidades em defesa do povo capixaba.
Além das incoerências legais e do claro desequilíbrio político, o novo marco representa um duro golpe para os estados produtores
Desde que o então presidente Lula enviou ao Congresso a proposta de novo marco regulatório para a exploração das reservas de petróleo na camada pré-sal, temos enfrentado a pressão dos estados e municípios não produtores por maior participação nas receitas derivadas dos royalties. Não satisfeitos com os ganhos futuros definidos no novo modelo de distribuição, representantes desses estados e municípios se mobilizaram para avançar sobre contratos firmados, em busca de uma participação imediata e indevida. A matéria finalmente foi à votação do plenário. E a insensatez saiu vitoriosa. Ao alterar os critérios de distribuição em áreas já licitadas, o texto aprovado dá forma a uma das mais truculentas agressões ao arranjo jurídico e institucional que sustenta a República e a democracia no Brasil.
Além das incoerências legais e do claro desequilíbrio político, a medida representa um duro golpe para os estados produtores, principalmente Espírito Santo e Rio de Janeiro. Sem os recursos previstos, investimentos essenciais deixarão de ser realizados e haverá dificuldades para manter os serviços públicos no mesmo patamar de qualidade e abrangência. Mas, se o golpe é duro para os estados, para alguns municípios significa simplesmente a falência.
Estruturados com base na receita obtida com os royalties para enfrentar os impactos econômicos, sociais e ambientais das atividades relacionadas à cadeia produtiva do petróleo, municípios produtores pagarão caro pela irresponsabilidade daqueles que colocaram interesses políticos paroquianos acima dos princípios basilares que organizam o Estado brasileiro.
Para o Espírito Santo, os impactos dessa decisão vêm acrescidos de reveses anteriores, como a unificação das alíquotas do ICMS sobre produtos importados. E, se somarmos essas perdas à dívida histórica que a União mantém com o estado, no que diz respeito à infraestrutura de responsabilidade do governo federal, não há como negar que somos vítimas de uma discriminação inaceitável em um sistema republicano que tem como base e objetivo a busca de equilíbrio entre as unidades federadas.
Em nome do povo capixaba, que temos a responsabilidade e a honra de representar, e na certeza de que estamos defendendo a própria essência da Federação brasileira, empreenderemos todos os esforços para revogar a decisão insensata que levou à aprovação da chamada "emenda Vital do Rego”! E isto inclui o recurso ao Supremo Tribunal Federal, como medida extrema, em caso de falência do bom-senso e das alternativas políticas. Não solicitamos privilégios nem atenção diferenciada. O que exigimos é respeito ao esforço que desenvolvemos para construir no Espírito Santo uma sociedade mais próspera, equilibrada e humana. E é com esse objetivo que reafirmamos a indignação diante do avanço sobre nossas finanças e a determinação de lutar até o limite de nossas possibilidades em defesa do povo capixaba.
A corrupção explode - JANIO DE FREITAS
FOLHA DE SP - 27/11
As agências reguladoras, uma a uma, deviam ser todas revistas em cada gaveta e em cada servidor
Nas 72 horas entre a manhã de sexta e a de ontem, houve uma espécie de explosão de esquemas de corrupção, óbvia em parte dos casos e provável nos demais. Dois desses casos distinguem-se pela gravidade peculiar. Não que os outros sejam menos graves -para usos políticos, até se prestam muito mais aos escândalos-, mas como formas de corrupção já estão mais para o vulgar.
Ainda menos realçado do que merece, o primeiro dos dois esquemas associa juízes do Tribunal de Justiça do Estado do Rio a advogados incumbidos, por aqueles, de "administrar" o destino de graúdas massas falidas. É uma ocorrência antiga e sabida no Rio, mas de comprovação problemática não só por dificuldades documentais, como por aspectos do exercício da advocacia. Apesar de haver, em grande número dessas "administrações", uma consequência social impiedosa: a desconsideração aos direitos trabalhistas de levas sucessivas de desempregados repentinos.
Substituto da ministra Eliana Calmon, o ministro corregedor Francisco Falcão abriu ontem sindicância para investigar quatro juízes e entregará hoje um dossiê sobre o assunto ao ministro Joaquim Barbosa, que preside o Supremo Tribunal Federal e o Conselho Nacional de Justiça. Os quatro juízes distribuíram mais de 20 grandes massas falidas à "administração" dos mesmos três advogados ou escritórios. Trata-se de amostra da prática, segundo conhecimento informal bastante difundido, dada a extensão do esquema também à instância superior do Judiciário do Estado e a representações da Justiça federal.
O segundo caso que se distingue é o envolvimento de um servidor do posto, do conceito técnico e da confiança tidos pelo segundo na hierarquia da própria Advocacia-Geral da União. José Weber Holanda Alves, com o ato corrupto de que é acusado, repõe no noticiário da corrupção uma figura esquecida. É Gilberto Miranda, integrante do grupo central no governo de Collor, à época senador pelo Amazonas e então já reconhecido como uma das grandes fortunas do país.
Judiciário e Advocacia da União como territórios de esquemas corruptos elevam, não só avolumam, o conhecimento público da corrupção vigente. A Justiça, no seu momento de maior louvação pelo público, e a proteção judicial do governo e dos bens do país expõem fraqueza moral idêntica às mais repudiadas.
O lote de dirigentes e assessores das agências de Aviação Civil, de Águas, de Transportes Aquaviários (Anac, ANA e Antaq) não pode causar surpresa. As agências reguladoras nasceram com defeito e desde então viveram com defeito (se há exceção, ignoro). Uma a uma, deviam ser todas revistas em cada gaveta e em cada servidor presente ou passado. A Anatel, claro, como a mais promissora em revelações gritantes, no seu trato com as telefônicas e com as regras oficiais de meios de comunicação.
Outros figurantes da colheita da Polícia Federal, servidores do Tribunal de Contas da União, do MEC e do Patrimônio da União tampouco trazem alguma novidade. Deixaram-na para a centralizadora do esquema, Rosemary de Noronha, a tal Rose. Cuja excelência como secretária não deixaria de mostrar o que deve ser feito com os gabinetes estaduais da Presidência da República, do Ministério da Fazenda e tantos outros em São Paulo e por aí afora.
As agências reguladoras, uma a uma, deviam ser todas revistas em cada gaveta e em cada servidor
Nas 72 horas entre a manhã de sexta e a de ontem, houve uma espécie de explosão de esquemas de corrupção, óbvia em parte dos casos e provável nos demais. Dois desses casos distinguem-se pela gravidade peculiar. Não que os outros sejam menos graves -para usos políticos, até se prestam muito mais aos escândalos-, mas como formas de corrupção já estão mais para o vulgar.
Ainda menos realçado do que merece, o primeiro dos dois esquemas associa juízes do Tribunal de Justiça do Estado do Rio a advogados incumbidos, por aqueles, de "administrar" o destino de graúdas massas falidas. É uma ocorrência antiga e sabida no Rio, mas de comprovação problemática não só por dificuldades documentais, como por aspectos do exercício da advocacia. Apesar de haver, em grande número dessas "administrações", uma consequência social impiedosa: a desconsideração aos direitos trabalhistas de levas sucessivas de desempregados repentinos.
Substituto da ministra Eliana Calmon, o ministro corregedor Francisco Falcão abriu ontem sindicância para investigar quatro juízes e entregará hoje um dossiê sobre o assunto ao ministro Joaquim Barbosa, que preside o Supremo Tribunal Federal e o Conselho Nacional de Justiça. Os quatro juízes distribuíram mais de 20 grandes massas falidas à "administração" dos mesmos três advogados ou escritórios. Trata-se de amostra da prática, segundo conhecimento informal bastante difundido, dada a extensão do esquema também à instância superior do Judiciário do Estado e a representações da Justiça federal.
O segundo caso que se distingue é o envolvimento de um servidor do posto, do conceito técnico e da confiança tidos pelo segundo na hierarquia da própria Advocacia-Geral da União. José Weber Holanda Alves, com o ato corrupto de que é acusado, repõe no noticiário da corrupção uma figura esquecida. É Gilberto Miranda, integrante do grupo central no governo de Collor, à época senador pelo Amazonas e então já reconhecido como uma das grandes fortunas do país.
Judiciário e Advocacia da União como territórios de esquemas corruptos elevam, não só avolumam, o conhecimento público da corrupção vigente. A Justiça, no seu momento de maior louvação pelo público, e a proteção judicial do governo e dos bens do país expõem fraqueza moral idêntica às mais repudiadas.
O lote de dirigentes e assessores das agências de Aviação Civil, de Águas, de Transportes Aquaviários (Anac, ANA e Antaq) não pode causar surpresa. As agências reguladoras nasceram com defeito e desde então viveram com defeito (se há exceção, ignoro). Uma a uma, deviam ser todas revistas em cada gaveta e em cada servidor presente ou passado. A Anatel, claro, como a mais promissora em revelações gritantes, no seu trato com as telefônicas e com as regras oficiais de meios de comunicação.
Outros figurantes da colheita da Polícia Federal, servidores do Tribunal de Contas da União, do MEC e do Patrimônio da União tampouco trazem alguma novidade. Deixaram-na para a centralizadora do esquema, Rosemary de Noronha, a tal Rose. Cuja excelência como secretária não deixaria de mostrar o que deve ser feito com os gabinetes estaduais da Presidência da República, do Ministério da Fazenda e tantos outros em São Paulo e por aí afora.
Resultado do aparelhamento das agências - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 27/11
No caso do mensalão, Lula se considerou vítima de “traição”; agora, se diz “apunhalado pelas costas” pela ex-secretária Rosemary
Logo ao assumir no primeiro mandato, em 2003, o presidente escolheu as agências reguladoras como alvo. Talvez pelo fato de elas terem relação direta com o programa tucano de privatização — tema explorado pelo PT —, não importou que elas fossem um instrumento inspirado nas boas práticas internacionais de modernização da administração pública.Nada mais equivocado do que considerar que as agências “terceirizavam” o poder do Executivo. Ora, elas foram criadas como organismos independentes aos governos para, sem qualquer tipo de interferência, fiscalizar a prestação de serviços de concessionários de áreas em muitas das quais houve transferência de empresas públicas para o setor privado e concessão de exploração de serviços a empresas particulares.
Mas o governo Lula acabou, na prática, com a independência das agências, tratando-as como autarquias menores de ministérios, à disposição do jogo político fisiológico de troca de cargos e verbas por apoio no Congresso e em eleições.O mais novo escândalo patrocinado pelo grupo hegemônico no PT, deflagrado em torno da chefe de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, é um caso de corrupção decorrente, entre outras causas, da degradação das agências reguladoras.Se elas não houvessem sido atraídas para a órbita do Palácio, continuassem a ser de fato independentes, dirigidas de forma profissional, Rosemary, ou Rose, desembarcada em Brasília na comitiva do primeiro governo Lula, de quem foi secretária pessoal, não teria montado um esquema de tráfico remunerado de influência a partir de agências reguladoras (ANA, de águas, e Anac, agência de aviação civil).
Um dos sinais do poder do esquema foi a pressão para a aprovação pelo Senado da indicação de Paulo Rodrigues Vieira, apadrinhado de Rosemary, para a ANA. Rejeitado uma vez, o Planalto reapresentou o nome e conseguiu aprová-lo. Na sexta-feira, a Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, prendeu Paulo e o irmão, Rubens Carlos Vieira, encaixado na diretoria de infraestrutura portuária da Anac — uma das mais aparelhadas das agências reguladoras.
A demonstração do alcance do esquema é o envolvimento do segundo no organograma da Advocacia-Geral da União (AGU), José Weber Holanda. Dilma agiu com rapidez e demitiu todos, ainda no sábado, como necessário. Mas é preciso se conhecer o mapeamento desta teia de negociação de pareceres e outros “negócios”.
Por ironia, no mensalão, ainda em julgamento, e neste novo escândalo repetem-se dois personagens: José Dirceu, "chefe da quadrilha" do mensalão e de quem Rosemary foi secretária no PT antes de ir trabalhar ao lado de Lula; e o indefectível mensaleiro Waldemar Costa Neto (PR-SP), pilhado em negociações com o esquema. E mais uma vez surge um descuidado Lula, "traído" no mensalão e agora "apunhalado pelas costas" por Rose e protegidos.
No caso do mensalão, Lula se considerou vítima de “traição”; agora, se diz “apunhalado pelas costas” pela ex-secretária Rosemary
Logo ao assumir no primeiro mandato, em 2003, o presidente escolheu as agências reguladoras como alvo. Talvez pelo fato de elas terem relação direta com o programa tucano de privatização — tema explorado pelo PT —, não importou que elas fossem um instrumento inspirado nas boas práticas internacionais de modernização da administração pública.Nada mais equivocado do que considerar que as agências “terceirizavam” o poder do Executivo. Ora, elas foram criadas como organismos independentes aos governos para, sem qualquer tipo de interferência, fiscalizar a prestação de serviços de concessionários de áreas em muitas das quais houve transferência de empresas públicas para o setor privado e concessão de exploração de serviços a empresas particulares.
Mas o governo Lula acabou, na prática, com a independência das agências, tratando-as como autarquias menores de ministérios, à disposição do jogo político fisiológico de troca de cargos e verbas por apoio no Congresso e em eleições.O mais novo escândalo patrocinado pelo grupo hegemônico no PT, deflagrado em torno da chefe de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, é um caso de corrupção decorrente, entre outras causas, da degradação das agências reguladoras.Se elas não houvessem sido atraídas para a órbita do Palácio, continuassem a ser de fato independentes, dirigidas de forma profissional, Rosemary, ou Rose, desembarcada em Brasília na comitiva do primeiro governo Lula, de quem foi secretária pessoal, não teria montado um esquema de tráfico remunerado de influência a partir de agências reguladoras (ANA, de águas, e Anac, agência de aviação civil).
Um dos sinais do poder do esquema foi a pressão para a aprovação pelo Senado da indicação de Paulo Rodrigues Vieira, apadrinhado de Rosemary, para a ANA. Rejeitado uma vez, o Planalto reapresentou o nome e conseguiu aprová-lo. Na sexta-feira, a Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, prendeu Paulo e o irmão, Rubens Carlos Vieira, encaixado na diretoria de infraestrutura portuária da Anac — uma das mais aparelhadas das agências reguladoras.
A demonstração do alcance do esquema é o envolvimento do segundo no organograma da Advocacia-Geral da União (AGU), José Weber Holanda. Dilma agiu com rapidez e demitiu todos, ainda no sábado, como necessário. Mas é preciso se conhecer o mapeamento desta teia de negociação de pareceres e outros “negócios”.
Por ironia, no mensalão, ainda em julgamento, e neste novo escândalo repetem-se dois personagens: José Dirceu, "chefe da quadrilha" do mensalão e de quem Rosemary foi secretária no PT antes de ir trabalhar ao lado de Lula; e o indefectível mensaleiro Waldemar Costa Neto (PR-SP), pilhado em negociações com o esquema. E mais uma vez surge um descuidado Lula, "traído" no mensalão e agora "apunhalado pelas costas" por Rose e protegidos.
Próspero negócio de chantagem - EDITORIAL O ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 27/11
Em setembro de 2009, o suicídio de um policial federal em Campinas puxou o fio da meada para a autoridade investigar indícios claros da possível utilização de informações sigilosas obtidas em operações policiais para extorquir suspeitos de envolvimento em fraude de licitações. Ao longo das investigações, a Polícia Federal (PF) desvendou a existência de duas organizações criminosas atuando em paralelo e de modo independente, mas com um elo que atuava para os dois grupos criminosos. A Operação Durkheim (em homenagem a Emile Durkheim, considerado o pai da sociologia moderna) constatou, conforme foi apurado, a existência de "uma grande rede de espionagem ilegal, composta por vendedores de informações sigilosas que se apresentam como detetives particulares". De acordo com o inquérito, dados pessoais, inclusive bancários, ao alcance dessa rede de "arapongas" eram comprados por clientes interessados nessas informações, principalmente advogados. Entre as vítimas, segundo os delegados encarregados do caso, "há políticos, desembargadores, uma emissora de TV e um banco".
A produção de dossiês por "arapongas" para chantagear personalidades públicas e prejudicar adversários políticos tem sido uma das atividades mais prósperas do submundo dos partidos e dos órgãos e autarquias do Estado brasileiro nos últimos tempos. A impunidade desses chantagistas é notória. Vez por outra, surgem notícias sobre a fortuna pessoal e a ostensiva liberdade em que vivem os autores de um dossiê falso contra o candidato tucano ao governo do Estado de São Paulo em 2008, José Serra. Este se elegeu governador, governou três anos e perdeu duas eleições sem que o braço da Justiça alcançasse um só de seus detratores, chamados pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "aloprados". A filha do mesmo político, Verônica, foi vítima de grosseira falsificação por chantagistas do gênero, até agora impunes.
A cadeia de crimes nesses episódios é variada. Nem sempre a chantagem é feita contra inocentes, como nos casos acima citados. O mais das vezes, a bisbilhotice tem como alvo suspeitos de fraudes contra a máquina pública. A quebra de sigilos telefônicos, bancários e fiscais, obviamente sem a necessária autorização judicial, é o instrumento empregado para obter as informações vendidas, mas a atividade criminosa não para por aí. A PF apurou que parte da quadrilha fazia remessas de valores para o exterior por meio de atividade de câmbio sem autorização do Banco Central.
Depois de três anos de investigações, a PF partiu no começo desta semana para a desarticulação das duas organizações criminosas - uma especialista na venda de informações sigilosas e outra voltada para a prática de crimes contra o sistema financeiro. Na primeira investida, foram presos 33 investigados e cumpridos 87 mandados de busca e apreensão nos Estados de São Paulo, Goiás, Pará, Pernambuco e Rio de Janeiro e no Distrito Federal.
Entre os investigados levados à sede da PF em São Paulo para depor na segunda-feira destaca-se a presença do presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo del Nero. Dirigente cujo poder na administração do milionário negócio do futebol aumentou muito desde que seu amigo José Maria Marin assumiu a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com a queda de Ricardo Teixeira em março, Del Nero foi protagonista nos bastidores da demissão do técnico da seleção brasileira, Mano Menezes. Chegou até a anunciá-la dias antes.
Dizendo-se "absolutamente tranquilo" sobre o assunto, o cartola, que é advogado criminalista, declarou: "É um assunto particular. Posso garantir que não tem relação com o futebol nem com meu escritório". Seja lá o que isso queira dizer, os agentes que foram buscá-lo em casa apreenderam por ordem do juiz um notebook e um Ipod. O vice-presidente da CBF foi liberado logo depois de depor.
As descobertas feitas pela Operação Durkheim dão à Justiça uma excelente ocasião para, punindo os culpados, pôr fim à impunidade de meliantes do tipo e desestimular estes prósperos negócios da chantagem.
Porto inseguro - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 27/11
PT de Lula e Dirceu sofre novo revés com operação da Polícia Federal; Dilma busca ganhar pontos com a exoneração rápida de vários envolvidos
O pior da tormenta parecia superado pelo PT. O julgamento do mensalão se encaminhava para um anticlímax, após as pesadas penas de prisão para alguns líderes seus já em marcha para o ostracismo.
Mesmo no auge, o processo no Supremo Tribunal Federal sobre desvio de dinheiro público para insuflar a base parlamentar do primeiro governo Lula afetou pouco o desempenho eleitoral do partido.
O PT colheu bom resultado nos pleitos municipais, dadas as circunstâncias, com a vitória em São Paulo. A popularidade da presidente Dilma Rousseff não se abalou.
A Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, no entanto, veio varrer as expectativas de calmaria. Revelou uma rede de venda de pareceres sob encomenda que operava a partir do escritório da Presidência da República em São Paulo.
Mais que o surgimento na investigação de assíduos frequentadores desse gênero de noticiário, como o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP, ontem condenado pelo STF a mais de sete anos de prisão) e o ex-senador Gilberto Miranda (PMDB-AM), a operação pôs na berlinda dois nomes bem menos conhecidos -e bem mais prejudiciais para a bonança petista: Rosemary Novoa de Noronha e José Weber Holanda Alves.
A primeira tem estreita ligação com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a instalou na representação paulistana da Presidência, e com o protagonista do mensalão, José Dirceu, para o qual trabalhou por vários anos.
Dos serviços de secretaria ela saltou para a condição de czarina do escritório, de onde articulou até a nomeação de diretores de agências reguladoras como a ANA (águas) e a Anac (aviação civil).
Tal proximidade não contribui para tornar aceitável a versão fantasiosa de que o condenado Dirceu foi vítima de perseguição política e de que o mensalão foi uma farsa, os motes da delirante proposta de levar as massas às ruas contra a decisão do STF.
Tampouco ajuda Lula. O ex-presidente nunca aposentou o apetite pelo poder nem a disposição de candidato (se depender do marqueteiro João Santana, a governador de São Paulo em 2014).
Dilma Rousseff mais uma vez se livrou sem hesitação de companheiros locupletados, ainda que no terceiro escalão. A nova espadana derrubou José Weber Holanda Alves, braço direito do advogado-geral da União herdado de Lula, Luís Inácio Adams, o qual vê fazerem água suas chances de chegar à Casa Civil ou ao STF.
O mensalão e mais este escândalo emborrascam o velho PT de Lula e Dirceu, mas para Dilma podem trazer mais vento na popa. Basta-lhe exibir firmeza no timão.
PT de Lula e Dirceu sofre novo revés com operação da Polícia Federal; Dilma busca ganhar pontos com a exoneração rápida de vários envolvidos
O pior da tormenta parecia superado pelo PT. O julgamento do mensalão se encaminhava para um anticlímax, após as pesadas penas de prisão para alguns líderes seus já em marcha para o ostracismo.
Mesmo no auge, o processo no Supremo Tribunal Federal sobre desvio de dinheiro público para insuflar a base parlamentar do primeiro governo Lula afetou pouco o desempenho eleitoral do partido.
O PT colheu bom resultado nos pleitos municipais, dadas as circunstâncias, com a vitória em São Paulo. A popularidade da presidente Dilma Rousseff não se abalou.
A Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, no entanto, veio varrer as expectativas de calmaria. Revelou uma rede de venda de pareceres sob encomenda que operava a partir do escritório da Presidência da República em São Paulo.
Mais que o surgimento na investigação de assíduos frequentadores desse gênero de noticiário, como o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP, ontem condenado pelo STF a mais de sete anos de prisão) e o ex-senador Gilberto Miranda (PMDB-AM), a operação pôs na berlinda dois nomes bem menos conhecidos -e bem mais prejudiciais para a bonança petista: Rosemary Novoa de Noronha e José Weber Holanda Alves.
A primeira tem estreita ligação com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a instalou na representação paulistana da Presidência, e com o protagonista do mensalão, José Dirceu, para o qual trabalhou por vários anos.
Dos serviços de secretaria ela saltou para a condição de czarina do escritório, de onde articulou até a nomeação de diretores de agências reguladoras como a ANA (águas) e a Anac (aviação civil).
Tal proximidade não contribui para tornar aceitável a versão fantasiosa de que o condenado Dirceu foi vítima de perseguição política e de que o mensalão foi uma farsa, os motes da delirante proposta de levar as massas às ruas contra a decisão do STF.
Tampouco ajuda Lula. O ex-presidente nunca aposentou o apetite pelo poder nem a disposição de candidato (se depender do marqueteiro João Santana, a governador de São Paulo em 2014).
Dilma Rousseff mais uma vez se livrou sem hesitação de companheiros locupletados, ainda que no terceiro escalão. A nova espadana derrubou José Weber Holanda Alves, braço direito do advogado-geral da União herdado de Lula, Luís Inácio Adams, o qual vê fazerem água suas chances de chegar à Casa Civil ou ao STF.
O mensalão e mais este escândalo emborrascam o velho PT de Lula e Dirceu, mas para Dilma podem trazer mais vento na popa. Basta-lhe exibir firmeza no timão.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
“A relação dela [Rose] com o poder é de muita intimidade”
Senador Álvaro Dias (PR), líder do PSDB, sobre Rosemary Noronha, amiga de Lula
EXONERAÇÃO DE ROSE, AMIGA DE LULA, FOI ‘A PEDIDO’
Foi “a pedido” a exoneração de Rosemary Nóvoa de Noronha, ex-chefe de Gabinete da Presidência da República em São Paulo, o que revela sua influência. Sábado (24), o Palácio do Planalto divulgou que a presidente Dilma decidira “demitir” servidores envolvidos no escândalo revelado pela Operação Porto Seguro, da Polícia Federal. Mas “Rose”, amiga do ex-presidente Lula, oficialmente, deixou o cargo porque quis.
ALGUÉM GOSTA DELA
Fonte do Planalto admitiu que a exoneração “a pedido” da ex-chefe de Gabinete foi uma solicitação de Lula, a quem “Rose” é muito ligada.
SAÍDA VOLUNTÁRIA
Para o servidor público, demissão representa desonra e punição, enquanto a “exoneração a pedido” caracteriza saída voluntária.
ALGUÉM GOSTA DELE
Braço direito do ministro Luiz Adams (AGU), José Weber Holanda ainda está preso, mas sua exoneração também foi concedida “a pedido”.
TIA DILMA
Durante as frequentes conversas com o amigo Lula ao telefone, Rosemary Noronha, a “Rose”, sempre se referia a Dilma por “Tia”.
GOVERNO LULA VETOU CONVOCAÇÃO DE ROSE A CPI
A oposição há muito está de olho em Rosemary Nóvoa de Noronha e acompanha sua influência. Por ordem do então presidente Lula, a base governista impediu a aprovação de requerimento que a convocava a depor, na CPI dos Cartões Corporativos. Com isso, o governo passou a considerar “secretos” os gastos dos cartões sob sua responsabilidade, como chefe de Gabinete da Presidência da República em São Paulo.
GASTOS EXORBITANTES
O senador Álvaro Dias (PR), líder do PSDB, lembra bem que os gastos dos cartões corporativos de Rose Noronha eram mesmo “exorbitantes”.
OS SUB DO SUB
A PF caça um motoboy que entregaria documentos da “dra.” Rose (Noronha) a José Dirceu. Lembra o caseiro do escândalo Palocci.
TERRA ARRASADA
Quem viu a extensa documentação da PF na Operação Porto Seguro garante: vem aí o mensalão do B. Muito mais explosivo que o original.
COMO DISSE?
Ninguém entendeu porque petistas acusaram a imprensa de “atingir Lula como aconteceu com Al Capone”. O FBI dos EUA trancafiou o célebre gângster americano através do Imposto de Renda. Hum...
CARESTIA
Demitida da Agência Nacional de Aviação Civil, a filha de Rose, Mirelle Noronha, ganhou quase R$ 170 mil em diárias em dois anos, para o aluguel de apê no Rio, cerca de R$ 2,1 mil mensais. Achava pouco.
DE MULHER PRA MULHER
Tem sabor de vingança para Marta Suplicy a queda da influente chefe de Gabinete. “Rose” se empenhou – ao pé de ouvido de Lula – contra ela e por Haddad, na escolha do candidato do PT a prefeito paulistano.
FINA ESTAMPA
Os aparentemente modestos “brindes” que “madame Rose” recebia em suposta troca de favores compõem seu perfil “discreto”. Ela gostava mesmo era do poder de uma “primeira-dama” nos bastidores.
VIDENTE
Nunca é demais lembrar a profecia do magnífico escritor João Ubaldo Ribeiro, em novembro de 2010: “No máximo, em dois anos, Lula e Dilma estarão brigados”, enfatizando que “quem viver, verá”.
NOME DA BANCADA
Se a presidente Dilma vai mesmo dar ao PMDB um novo ministério, o deputado Lúcio Vieira Lima (BA) quer que “a bancada realmente seja ouvida na escolha do nome, e não apenas o PMDB de São Paulo”.
RUA DA AMARGURA
Quinze funcionários do restaurante do Senado na rua da amargura: a atual concessionária será substituída por um restaurante-escola do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial). A clientela será cobaia da qualidade da comida e dos serviços.
PELA IGUALDADE
O Serpro alegou que a pesquisa sobre diversidade racial é uma fase do programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Participam 95 empresas públicas e privadas do País.
PENSANDO BEM...
...dizendo-se sempre “apunhalado pelas costas”, Lula deveria demitir imediatamente seus guarda-costas.
PODER SEM PUDOR
BEIJOS PARAIBANOS
A festa era em homenagem às bodas de ouro de Severino Teixeira, líder político de Areia (PB). O lendário José Américo compareceu, aos 92 anos, e ficou assistindo a outro convidado ilustre, João Agripino, entornar todas. A certa altura, Agripino fez um emocionado discurso e até beijou o Teixeira. D. Lurdinha, secretária de José Américo, perguntou ao chefe:
- O sr. está se sentindo bem?
- Melhor do que o João Agripino, que já está beijando homem e eu ainda não beijei nem mulher...
Senador Álvaro Dias (PR), líder do PSDB, sobre Rosemary Noronha, amiga de Lula
EXONERAÇÃO DE ROSE, AMIGA DE LULA, FOI ‘A PEDIDO’
Foi “a pedido” a exoneração de Rosemary Nóvoa de Noronha, ex-chefe de Gabinete da Presidência da República em São Paulo, o que revela sua influência. Sábado (24), o Palácio do Planalto divulgou que a presidente Dilma decidira “demitir” servidores envolvidos no escândalo revelado pela Operação Porto Seguro, da Polícia Federal. Mas “Rose”, amiga do ex-presidente Lula, oficialmente, deixou o cargo porque quis.
ALGUÉM GOSTA DELA
Fonte do Planalto admitiu que a exoneração “a pedido” da ex-chefe de Gabinete foi uma solicitação de Lula, a quem “Rose” é muito ligada.
SAÍDA VOLUNTÁRIA
Para o servidor público, demissão representa desonra e punição, enquanto a “exoneração a pedido” caracteriza saída voluntária.
ALGUÉM GOSTA DELE
Braço direito do ministro Luiz Adams (AGU), José Weber Holanda ainda está preso, mas sua exoneração também foi concedida “a pedido”.
TIA DILMA
Durante as frequentes conversas com o amigo Lula ao telefone, Rosemary Noronha, a “Rose”, sempre se referia a Dilma por “Tia”.
GOVERNO LULA VETOU CONVOCAÇÃO DE ROSE A CPI
A oposição há muito está de olho em Rosemary Nóvoa de Noronha e acompanha sua influência. Por ordem do então presidente Lula, a base governista impediu a aprovação de requerimento que a convocava a depor, na CPI dos Cartões Corporativos. Com isso, o governo passou a considerar “secretos” os gastos dos cartões sob sua responsabilidade, como chefe de Gabinete da Presidência da República em São Paulo.
GASTOS EXORBITANTES
O senador Álvaro Dias (PR), líder do PSDB, lembra bem que os gastos dos cartões corporativos de Rose Noronha eram mesmo “exorbitantes”.
OS SUB DO SUB
A PF caça um motoboy que entregaria documentos da “dra.” Rose (Noronha) a José Dirceu. Lembra o caseiro do escândalo Palocci.
TERRA ARRASADA
Quem viu a extensa documentação da PF na Operação Porto Seguro garante: vem aí o mensalão do B. Muito mais explosivo que o original.
COMO DISSE?
Ninguém entendeu porque petistas acusaram a imprensa de “atingir Lula como aconteceu com Al Capone”. O FBI dos EUA trancafiou o célebre gângster americano através do Imposto de Renda. Hum...
CARESTIA
Demitida da Agência Nacional de Aviação Civil, a filha de Rose, Mirelle Noronha, ganhou quase R$ 170 mil em diárias em dois anos, para o aluguel de apê no Rio, cerca de R$ 2,1 mil mensais. Achava pouco.
DE MULHER PRA MULHER
Tem sabor de vingança para Marta Suplicy a queda da influente chefe de Gabinete. “Rose” se empenhou – ao pé de ouvido de Lula – contra ela e por Haddad, na escolha do candidato do PT a prefeito paulistano.
FINA ESTAMPA
Os aparentemente modestos “brindes” que “madame Rose” recebia em suposta troca de favores compõem seu perfil “discreto”. Ela gostava mesmo era do poder de uma “primeira-dama” nos bastidores.
VIDENTE
Nunca é demais lembrar a profecia do magnífico escritor João Ubaldo Ribeiro, em novembro de 2010: “No máximo, em dois anos, Lula e Dilma estarão brigados”, enfatizando que “quem viver, verá”.
NOME DA BANCADA
Se a presidente Dilma vai mesmo dar ao PMDB um novo ministério, o deputado Lúcio Vieira Lima (BA) quer que “a bancada realmente seja ouvida na escolha do nome, e não apenas o PMDB de São Paulo”.
RUA DA AMARGURA
Quinze funcionários do restaurante do Senado na rua da amargura: a atual concessionária será substituída por um restaurante-escola do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial). A clientela será cobaia da qualidade da comida e dos serviços.
PELA IGUALDADE
O Serpro alegou que a pesquisa sobre diversidade racial é uma fase do programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Participam 95 empresas públicas e privadas do País.
PENSANDO BEM...
...dizendo-se sempre “apunhalado pelas costas”, Lula deveria demitir imediatamente seus guarda-costas.
PODER SEM PUDOR
BEIJOS PARAIBANOS
A festa era em homenagem às bodas de ouro de Severino Teixeira, líder político de Areia (PB). O lendário José Américo compareceu, aos 92 anos, e ficou assistindo a outro convidado ilustre, João Agripino, entornar todas. A certa altura, Agripino fez um emocionado discurso e até beijou o Teixeira. D. Lurdinha, secretária de José Américo, perguntou ao chefe:
- O sr. está se sentindo bem?
- Melhor do que o João Agripino, que já está beijando homem e eu ainda não beijei nem mulher...
TERÇA NOS JORNAIS
- Globo: Cerco à corrupção – Delator de novo esquema cita Dirceu
- Folha de S. Paulo: Grupo usou senha para adulterar dados do MEC
- Estadão: Ministro da AGU admite desgaste e anula parecer suspeito
- Correio: Governo suspende pareceres suspeitos
- Valor: Abilio pede definição sobre o futuro do Pão de Açúcar
- Estado de Minas: Faixa azul – Rotativo só no nome
- Zero Hora: Diárias da Brigada em presídios custam uma cadeia nova por ano
segunda-feira, novembro 26, 2012
Os planos A e B falharam - CARTA AO LEITOR - REVISTA VEJA
REVISTA VEJA
Em sua edição de 18 de abril passado, VEJA revelou que os radicais do PT planejavam lançar uma cortina de fumaça sobre o iminente julgamento do maior escândalo de corrupção da história do país, o mensalão. A Carta ao Leitor daquela edição dizia que, "com a aproximação do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o PT lançou uma ofensiva desesperada contra a imprensa e a oposição", que o partido julga responsáveis pelas proporções tomadas pelo escândalo que manchou o primeiro mandato do presidente Lula. A ofensiva se materializaria pouco depois com a CPI do Cachoeira, instalada oficialmente para apurar os negócios ilegais de um contraventor de Goiás. Mal a CPI foi instalada, porém, Rui Falcão, presidente do PT, anunciaria que o real objetivo de seu partido na comissão era "apurar esse escândalo dos autores da farsa do mensalão". Por total inconsistência, fracassou o plano de confundir a opinião pública com a tese delirante de que o mensalão fora uma farsa fabricada pela imprensa e pela oposição e encampada pelo Ministério Público e por alguns juízes do STF. Os mensaleiros foram condenados a penas variadas de prisão, e a CPI nada encontrou que pudesse dar sustentação ao projeto de confundir o escândalo do mensalão com as atividades de Carlos Cachoeira.
O plano B dos radicais foi posto em ação, revela uma reportagem desta edição de VEJA. Ele consistiu em instrumentalizar o deputado Odair Cunha, do PT de Minas Gerais, relator da CPI do Cachoeira, pressionado a ponto de, contra suas convicções, produzir um relatório com acusações graves e falsas a Roberto Gurgel, procurador- geral da República, e a Policarpo Junior, diretor da sucursal de Brasília e um dos redatores-chefes de VEJA. Gurgel disse que a intenção foi "retaliar", indo ao ponto central da motivação original dos radicais ligados aos mensaleiros. Foi Gurgel quem acolheu as acusações contra os mensaleiros e os transformou em réus junto ao STF. Policarpo foi alvejado por ter sido um dos mais atuantes jornalistas na obtenção de provas do envolvimento dos petistas com os crimes do mensalão. Foi enorme a reação na imprensa e no Congresso ao relatório manipulado pelos radicais - afinal, a CPI é uma instância do estado brasileiro, e não um instrumento de vingança a serviço de uma ala ligada a réus de um partido político pego em delito.
Em sua edição de 18 de abril passado, VEJA revelou que os radicais do PT planejavam lançar uma cortina de fumaça sobre o iminente julgamento do maior escândalo de corrupção da história do país, o mensalão. A Carta ao Leitor daquela edição dizia que, "com a aproximação do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o PT lançou uma ofensiva desesperada contra a imprensa e a oposição", que o partido julga responsáveis pelas proporções tomadas pelo escândalo que manchou o primeiro mandato do presidente Lula. A ofensiva se materializaria pouco depois com a CPI do Cachoeira, instalada oficialmente para apurar os negócios ilegais de um contraventor de Goiás. Mal a CPI foi instalada, porém, Rui Falcão, presidente do PT, anunciaria que o real objetivo de seu partido na comissão era "apurar esse escândalo dos autores da farsa do mensalão". Por total inconsistência, fracassou o plano de confundir a opinião pública com a tese delirante de que o mensalão fora uma farsa fabricada pela imprensa e pela oposição e encampada pelo Ministério Público e por alguns juízes do STF. Os mensaleiros foram condenados a penas variadas de prisão, e a CPI nada encontrou que pudesse dar sustentação ao projeto de confundir o escândalo do mensalão com as atividades de Carlos Cachoeira.
O plano B dos radicais foi posto em ação, revela uma reportagem desta edição de VEJA. Ele consistiu em instrumentalizar o deputado Odair Cunha, do PT de Minas Gerais, relator da CPI do Cachoeira, pressionado a ponto de, contra suas convicções, produzir um relatório com acusações graves e falsas a Roberto Gurgel, procurador- geral da República, e a Policarpo Junior, diretor da sucursal de Brasília e um dos redatores-chefes de VEJA. Gurgel disse que a intenção foi "retaliar", indo ao ponto central da motivação original dos radicais ligados aos mensaleiros. Foi Gurgel quem acolheu as acusações contra os mensaleiros e os transformou em réus junto ao STF. Policarpo foi alvejado por ter sido um dos mais atuantes jornalistas na obtenção de provas do envolvimento dos petistas com os crimes do mensalão. Foi enorme a reação na imprensa e no Congresso ao relatório manipulado pelos radicais - afinal, a CPI é uma instância do estado brasileiro, e não um instrumento de vingança a serviço de uma ala ligada a réus de um partido político pego em delito.
ROBERTO POMPEU DE TOLEDO - Síndrome de Pascoal Palumbo
REVISTA VEJA
Foi a gota d’água. Levou uma nota zero, uma semana de suspensão, e ficou com a fama, na escola e na família, de achar que tudo está "implícito“. Para piorar, foi forçado a ler em voz alta para a classe a composição do primeiro da classe, um certo Pascoal Palumbo, a qual começava com as seguintes sublimes palavras: "Caro amigo, a você que tem a fortuna de conhecer o idioma de Armínio, já que seu nascimento se deu "ao pé do Quarnaro, que a Itália fecha e seus limites banha", como disse o Divino Poeta que está a cavaleiro de duas eras, se bem que nas veias lhe corra latino sangue gentil; a você, caro amigo, peço vênia se, roubando um pouco de seu tempo, que é tanto mais precioso porque o perder tempo a quem mais sabe mais desgosta, apelo à sua bem conhecida cortesia para um favor de não pequena monta“.
Os anos passam e eis que um dia o antigo aluno rebelde recebe uma carta de Estrasburgo escrita em alemão (a Alsácia, na juventude de Pitigrilli, era alemã). O jeito era pedir a um amigo para traduzi-la. Escreveu-lhe: "Caro amigo, peço-lhe que traduza esta carta. Felicidades”. Arrependeu-se. Voltou- lhe o terror do zero, da suspensão, do xingamento de "respondão”, da fama do "implícito”. Veio-lhe ao mesmo tempo à lembrança a redação de Pascoal Palumbo, que por sorte ainda conservava entre velhos guardados. Copiou todos os seus catorze robustos parágrafos. O segundo dizia: "Esta manhã me achava ainda sonolento, tendo demorado um tanto no rescaldo do tálamo, quando — quem é, quem não é? — toc, toc. toc. bateram à minha porta e me entregaram... adivinha o quê? Uma carta que, pelo selo berlinês, compreendi que vinha da Alemanha”. Seguiam-se alusões a Goethe e Schiller, mais Dante e Shakespeare, reminiscências da vida de Catão. Sócrates e Plutarco, uma citação em latim (“Nil volentibus arduum”), e promessas de no futuro aprender alemão e "compreender também as belezas dos monumentos literários dessa nação tão culta, sem no entanto descurar da Itália, que. como cultura, a ninguém se pospõe".
Passam-se os dias, e nenhuma resposta. Que teria havido? O missivista resolve ir em pessoa ao escritório do amigo, onde fica então sabendo do ocorrido. O amigo pegou a carta, leu algumas linhas do princípio, pulou para o fim, voltou para o meio, perguntou-se, "Que diz ele? Que quer?”, e afinal a jogou ao lixo. Quando soube, agora de viva voz, o que ao fim e ao cabo ela continha, disse: "Mas era tão simples. Por que não escreveu: ‘Caro amigo, peço que traduza esta carta em italiano“?”
Já se adivinha a moral desta história. Os ministros do Supremo Tribunal estão há mais de três meses julgando o processo do mensalão. O caso é complexo e os réus são muitos, mas a demora também se deve aos votos longuíssimos, tantas vezes repetitivos, outras inchados de erudição e de retórica. O novo presidente, Joaquim Barbosa, provou ser homem destemido: que tal encarar a causa do voto enxuto e direto? O coabitante deste espaço, J.R. Guzzo, propôs na semana passada que os ministros falassem o português corrente no Brasil. Se além disso o fizessem de maneira concisa o lucro seria em dobro. O ministro Joaquim Barbosa terá uma passagem inesquecível pela presidência da Corte se, dada a máxima vênia aceitar o duplo desafio que, unida, esta página, com a humildade devida, mas também com os melhores sentimentos, lhe propõe.
Vete, Dilma! - PAULO GUEDES
O Globo - 26/11
"O dinheiro tem de ir aonde o povo está." Parafraseando Milton Nascimento, esse é o princípio federativo de uma democracia emergente. É inteiramente compreensível que prefeitos, governadores e suas bancadas de deputados e senadores exerçam pressões para obtenção de recursos para seus estados e municípios. Mas é uma enorme aberração que essa legítima pressão por recursos se degenere em cenas explícitas de canibalismo federativo, a propósito dos royalties do petróleo. A guerra dos royalties é mais um sintoma da falta de uma reforma fiscal. Por falta de estadistas entre as lideranças políticas no Congresso.
O Senado resolve em poucos dias legislar em causa própria sobre o não pagamento de imposto de renda sobre o 14º e 15º salários, enquanto se omite por duas décadas e meia quanto a uma reforma fiscal que descentralize recursos da União para estados e municípios. Pior ainda, um Congresso subserviente permite que a União avance sobre os orçamentos públicos por meio de contribuições não compartilhadas com os demais entes federativos.
Resultam daí outras aberrações, como governadores há poucas semanas se acocorando ante o ministro da Fazenda pedindo recursos ou pleiteando favores para rolagem das dívidas em bancos públicos. Quando deveriam estar com a presidente oferecendo apoio parlamentar para promover a reforma fiscal. E o papel do ministro da Fazenda seria formular e coordenar com os secretários estaduais esse processo de descentralização administrativa.
As eleições de 2014 já começaram para os estados produtores de petróleo. Se perderem os royalties do petróleo, sabem a quem atribuir o caos financeiro. A presidente Dilma é do PT, e o vice-presidente Temer, do PMDB. O presidente do Senado é do PMDB, e o presidente da Câmara é do PT. As propostas oportunistas de redistribuição dos royalties são de deputados do PT e do PMDB. Fluminenses e capixabas darão zero voto para a chapa Dilma-Temer (PT-PMDB). Vete o canibalismo oportunista, Dilma. Seja como Lula uma liderança "que faz o que tem de ser feito", sem permitir que uma maioria atropele os direitos constitucionais de uma minoria. Lula não apenas vetou a injusta proposta como também indicou que a União é quem deveria ceder os recursos em acordo futuro.
O Senado resolve em poucos dias legislar em causa própria sobre o não pagamento de imposto de renda sobre o 14º e 15º salários, enquanto se omite por duas décadas e meia quanto a uma reforma fiscal que descentralize recursos da União para estados e municípios. Pior ainda, um Congresso subserviente permite que a União avance sobre os orçamentos públicos por meio de contribuições não compartilhadas com os demais entes federativos.
Resultam daí outras aberrações, como governadores há poucas semanas se acocorando ante o ministro da Fazenda pedindo recursos ou pleiteando favores para rolagem das dívidas em bancos públicos. Quando deveriam estar com a presidente oferecendo apoio parlamentar para promover a reforma fiscal. E o papel do ministro da Fazenda seria formular e coordenar com os secretários estaduais esse processo de descentralização administrativa.
As eleições de 2014 já começaram para os estados produtores de petróleo. Se perderem os royalties do petróleo, sabem a quem atribuir o caos financeiro. A presidente Dilma é do PT, e o vice-presidente Temer, do PMDB. O presidente do Senado é do PMDB, e o presidente da Câmara é do PT. As propostas oportunistas de redistribuição dos royalties são de deputados do PT e do PMDB. Fluminenses e capixabas darão zero voto para a chapa Dilma-Temer (PT-PMDB). Vete o canibalismo oportunista, Dilma. Seja como Lula uma liderança "que faz o que tem de ser feito", sem permitir que uma maioria atropele os direitos constitucionais de uma minoria. Lula não apenas vetou a injusta proposta como também indicou que a União é quem deveria ceder os recursos em acordo futuro.
A ineficiência estatal - JOÃO LUIZ MAUAD
O Globo - 26/11
Além de adiar sine die o processo de privatização do combalido e ultrapassado Aeroporto Antônio Carlos Jobim, verdadeira vergonha carioca, o governo Dilma promete continuar apostando na ineficiência estatal. De acordo com reportagem do GLOBO (17/11/2012), os contribuintes deverão fazer novo aporte de capital (R$ 1,7 bilhão) na Infraero, com vistas, segundo consta, às obras para a Copa de 2014.
Antes que me acusem de preconceito, esclareço: quando falo de ineficiência estatal não estou dizendo que os funcionários do governo são menos inteligentes ou capazes. Pelo contrário. Atualmente, em função dos salários e demais benefícios oferecidos pela administração pública e, consequentemente, da enorme procura por concursos, mais difíceis e seletivos, os servidores estão cada dia mais qualificados. O problema está na estrutura de incentivos que se desenvolve nas entranhas desse setor.
Empresas e organizações trabalham vinculadas a orçamentos, os quais funcionam como parâmetros de metas e limitadores do consumo de recursos. Entretanto, há diferenças profundas no modo como esses orçamentos são elaborados, executados e controlados pelas instituições públicas e privadas. Na esfera privada, eles são produzidos a partir de enfoques basicamente econômicos, enquanto na pública tendem a privilegiar aspectos políticos.
Numa sociedade com fins lucrativos, um gerente é incentivado, através de prêmios e bônus, a conseguir os resultados previstos com menos recursos. Além disso, sua eficiência é geralmente premiada com ganhos e responsabilidades maiores. Já no setor público, se alguém consegue a proeza de gastar abaixo do previsto, sua "recompensa", não raro, será um corte de verba no próximo exercício. Ademais, os agentes públicos podem ser punidos por violar normas burocráticas - muitas vezes exageradas ou contraproducentes -, mas jamais sofrerão qualquer punição por perder uma boa oportunidade de negócio, não dar a devida atenção aos clientes ou mostrarem-se improdutivos.
A lógica por trás da administração pública é a mesma daqueles que a comandam, qual seja, a lógica da política. E ela fica patente quando emergem as crises. Enquanto numa empresa privada os problemas são, em regra, estudados e discutidos a fundo para que não voltem a ocorrer - e os responsáveis punidos com rigor -, no governo a lógica é outra. Ali, a primeira reação dos responsáveis é eximir-se de qualquer responsabilidade e clamar por mais investimentos. Não raro, a ineficiência é premiada com mais recursos e, não por acaso, problemas pontuais tornam-se endêmicos.
Enfim, como bem resumiu Thomas Sowell, enquanto a sobrevivência de uma empresa ou profissional no mercado requer que eles reconheçam seus erros e os corrijam o mais brevemente possível, sob pena de sucumbir frente à concorrência, o manual da boa política preconiza justamente o contrário: que se neguem todos os erros e reafirme-se a fé nas diretrizes e planos previamente traçados. Sem esquecer, é claro, de acusar os outros pelos maus resultados.
Antes que me acusem de preconceito, esclareço: quando falo de ineficiência estatal não estou dizendo que os funcionários do governo são menos inteligentes ou capazes. Pelo contrário. Atualmente, em função dos salários e demais benefícios oferecidos pela administração pública e, consequentemente, da enorme procura por concursos, mais difíceis e seletivos, os servidores estão cada dia mais qualificados. O problema está na estrutura de incentivos que se desenvolve nas entranhas desse setor.
Empresas e organizações trabalham vinculadas a orçamentos, os quais funcionam como parâmetros de metas e limitadores do consumo de recursos. Entretanto, há diferenças profundas no modo como esses orçamentos são elaborados, executados e controlados pelas instituições públicas e privadas. Na esfera privada, eles são produzidos a partir de enfoques basicamente econômicos, enquanto na pública tendem a privilegiar aspectos políticos.
Numa sociedade com fins lucrativos, um gerente é incentivado, através de prêmios e bônus, a conseguir os resultados previstos com menos recursos. Além disso, sua eficiência é geralmente premiada com ganhos e responsabilidades maiores. Já no setor público, se alguém consegue a proeza de gastar abaixo do previsto, sua "recompensa", não raro, será um corte de verba no próximo exercício. Ademais, os agentes públicos podem ser punidos por violar normas burocráticas - muitas vezes exageradas ou contraproducentes -, mas jamais sofrerão qualquer punição por perder uma boa oportunidade de negócio, não dar a devida atenção aos clientes ou mostrarem-se improdutivos.
A lógica por trás da administração pública é a mesma daqueles que a comandam, qual seja, a lógica da política. E ela fica patente quando emergem as crises. Enquanto numa empresa privada os problemas são, em regra, estudados e discutidos a fundo para que não voltem a ocorrer - e os responsáveis punidos com rigor -, no governo a lógica é outra. Ali, a primeira reação dos responsáveis é eximir-se de qualquer responsabilidade e clamar por mais investimentos. Não raro, a ineficiência é premiada com mais recursos e, não por acaso, problemas pontuais tornam-se endêmicos.
Enfim, como bem resumiu Thomas Sowell, enquanto a sobrevivência de uma empresa ou profissional no mercado requer que eles reconheçam seus erros e os corrijam o mais brevemente possível, sob pena de sucumbir frente à concorrência, o manual da boa política preconiza justamente o contrário: que se neguem todos os erros e reafirme-se a fé nas diretrizes e planos previamente traçados. Sem esquecer, é claro, de acusar os outros pelos maus resultados.
Pressão da gasolina - GEORGE VIDOR
O GLOBO - 26/11
Por conta da queda de preços no hemisfério norte (com a redução de consumo que geralmente ocorre lá nessa época do ano), diminuiu para a faixa de 10% a diferença entre os valores cobrados pela gasolina aqui no Brasil e os do mercado internacional. Isso aliviou a pressão sobre o fluxo de caixa da Petrobras e pode influenciar a decisão do governo de retardar o reajuste reivindicado pela empresa. Mas a importação de gasolina e diesel permanece em volumes elevados, a ponto de ter causado déficit recentemente na balança comercial brasileira. O custo da distribuição desses derivados vem aumentando porque para atender ao crescimento do consumo em certas regiões do país os caminhões estão percorrendo distâncias cada vez maiores. São necessários mais caminhões-tanque para executar essa tarefa, e como não estão disponíveis no mercado, os fretes encareceram. Tal problema não estaria ocorrendo se Brasil estivesse produzindo mais etanol, que substitui a gasolina.
Paris continua uma festa
Paris é sempre uma festa, continuaria a dizer o célebre escritor americano Ernest Hemingway, e mesmo com a economia europeia envolvida em uma crise séria que atinge várias economias da região. A França não chega a estar em recessão, em seu conjunto, mas no Sul o desemprego bate na casa dos 15%. A crise é mais mediterrânea, pois também no Sul da Espanha é que a situação econômica está mais difícil. Paris se mantém como uma exceção por ser um dos principais centros internacionais de negócios, serviços e turismo. A previsão para o mês de dezembro é que os hotéis fiquem lotados pelos turistas que vão a capital francesa fazer compras de Natal (os preços lá estão mais convidativos, por incrível que pareça) , especialmente asiáticos e...brasileiros. Na região parisiense vivem cerca de 12 milhões de pessoas, o maior aglomerado urbano da Europa. Aproximadamente quatro milhões de pessoas se deslocam diariamente dos subúrbios elegantes ou das cidades periféricas mais pobres para trabalhar dentro da capital, onde vivem pouco mais de 2,5 milhões. O desemprego na região parisiense é estimado em 6%, índice que para os europeus é considerado tolerável. A marca mais visível da crise na capital francesa é a multiplicação de oferta de escritórios para alugar. Nunca foram tão numerosos e tão chamativos.
O BRT está chegando
O BRT, sistema de ônibus articulado circulando em via expressa que promete mudar o transporte de alta capacidade no Rio, já transporta 80 mil passageiros por dia no trecho entre Santa Cruz e Barra da Tijuca. Quando for inaugurado, em breve, o trecho para Campo Grande, esse número subirá a 120 mil, e a partir daí começará a ser lucrativo para as empresas que fazem parte do primeiro consórcio. O segundo BRT será inaugurado por etapas: em abril, da Barra até Jacarepaguá (Taquara) e meses depois o trecho até Madureira, que é fundamental para a integração com os trens da Supervia. A partir dessa inauguração, moradores da Baixada Fluminenses, usuários do trem, e que trabalham na Barra, em Jacarepaguá ou no Recreio dos Bandeirantes, deverão fazer esse trajeto, porque será mais rápido e mais barato. A previsão é que em dezembro de 2013 o segundo BRT estará todo completo, da Barra ao aeroporto internacional Antonio Carlos Jobim/Galeão.
Os BRTs, a expansão do metrô, a melhora dos serviços dos trens suburbanos e o veículo leve sobre trilhos (VLT) no centro são os meios que as autoridades e os empresários apostam para que o transporte de alta capacidade passe a responder até 2016 por 60% dos passageiros que circulam no município do Rio. As vans, que hoje transportam 1,8 milhão de passageiros, serão o meio mais afetado.
Capixaba enfrenta chineses
Em janeiro, a Wilsons, Sons corta a fita do dique seco que está em fase final de construção e que ampliará significativamente a capacidade do seu estaleiro de Guarujá, na Baixada Santista. Com isso, o estaleiro passará a atender também a encomendas de terceiros, como é o caso de navio de apoio a plataformas de petróleo contratado por para uma companhia holandesa. A novidade do dique seco é que o fornecedor do pórtico, um guindaste que pode levantar e movimentar peças com peso de mais de 20 toneladas, foi fornecido por uma indústria do Sul do Espírito Santo, que conseguiu concorrer com os chineses. Tal indústria fornecia pórticos menores para empresas capixabas que extraem granito e se adaptou facilmente às necessidades da construção naval.
As perdas da Petrobrás - EDITORIAL O ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 26/11
Só neste ano, a queda de produção de petróleo da Bacia de Campos já impôs à Petrobrás perda de receitas que podem chegar a R$ 7 bilhões. É o preço que a empresa e seus acionistas pagam porque, nos últimos anos, a manutenção das plataformas não foi feita de maneira adequada, o que exige, hoje, paradas mais longas do que as previstas dessas unidades. Isso, obviamente, afeta sua produção. São as consequências de um modelo de gestão da estatal que, desde a chegada do PT ao poder, atendeu aos interesses políticos do governo, deixando de lado decisões estratégicas essenciais e até mesmo o planejamento adequado de suas atividades no médio prazo.
Responsável por 80% do petróleo extraído pela Petrobrás, a Bacia de Campos chegou ao seu pior nível de produção em cinco anos, como mostrou o Estado (20/11). Em setembro, a produção média diária foi de 1,471 milhão de barris de óleo e LGN (liquefeito de gás natural, medido por barris equivalentes de petróleo), melhor apenas do que o resultado registrado em novembro de 2007. A explicação da empresa para a queda da produção de Campos foi a paralisação não prevista de duas plataformas para reparos - além das paradas previstas de outras.
A queda de produção dos poços da Bacia de Campos, muito mais rápida do que a programada, levou a empresa a anunciar, há quatro meses, um programa de aumento de eficiência dessas unidades, denominado Proef, que foi incluído no Plano de Negócios 2012-2016. Além de conter a decadência dos poços mais antigos, a Petrobrás quer evitar que o declínio precoce se estenda para novas áreas.
Este é apenas um dos problemas que a atual administração da empresa vem tentando resolver. Atrasos na entrega de equipamentos, que tornam cada vez mais remota a possibilidade de cumprimento das metas de produção para os próximos anos, são outro resultado do uso político da Petrobrás pelo governo do PT nos últimos anos.
Em outra reportagem, o Estado (18/11) mostrou que a Petrobrás corre contra o tempo - e está seriamente ameaçada de perder a corrida - para garantir os equipamentos indispensáveis ao cumprimento de seu plano de multiplicar por dez (dos atuais 205 mil barris/dia para 2,1 milhões de barris/dia) a produção da área do pré-sal até 2020. Para alcançar essa meta, que representaria mais do que a duplicação da produção atual da empresa, a Petrobrás terá de contar com mais 50 sondas e 49 navios.
A contratação da construção desses equipamentos será de responsabilidade de duas empresas gestoras escolhidas pela Petrobrás. Mas apenas uma delas foi contratada formalmente, com grande atraso, o que resultará também no atraso de todas as demais etapas. Pelo cronograma de produção da Petrobrás, a primeira sonda deveria ser entregue em junho de 2015, ou seja, daqui a 32 meses (observe-se que a construção de uma sonda demora 48 meses). As sondas contratadas no exterior estão todas atrasadas, como admitiu a presidente da Petrobrás, Graça Foster, em palestra que fez há três semanas na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Das 33 encomendadas no Brasil, só agora a primeira começou a ser construída no Rio de Janeiro.
Também a área de refino da empresa enfrenta sérios problemas decorrentes de erros estratégicos em razão de imposições políticas do governo do PT. A construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, em parceria com a venezuelana PDVSA controlada pelo governo de Hugo Chávez, foi imposta pelo ex-presidente Lula. Até agora, o parceiro venezuelano não pôs nenhum tostão na obra, que está custando várias vezes mais do que o valor orçado e está muito atrasada.
Sem capacidade para atender à demanda interna crescente de combustíveis, a Petrobrás importa esses produtos a preços internacionais e os coloca no mercado doméstico a preços controlados pelo governo. De um lado, acumula mais perdas, que afetam os seus resultados; de outro, pressiona a balança comercial brasileira, que, na semana passada, registrou o maior déficit semanal dos últimos 15 anos, em razão, sobretudo, do grande aumento de importações de combustíveis e lubrificantes.
Movimentos em série - DENISE ROTHENBURG
CORREIO BRAZILIENSE - 26/11
Há tempos uma operação da Polícia Federal não chega tão perto da Presidência da República quanto a Porto Seguro. Atingir a Presidência na figura da chefe do escritório em São Paulo, Rosemary Noronha, ou a Advocacia-Geral da União (AGU) pode ser um sinal de que as instituições estão para lá de vulneráveis no que se refere à lisura no setor público.
Ao mesmo tempo em que a vulnerabilidade existe, há a rápida ação de quem de direito gera algum conforto. Do ponto de vista político, a presidente Dilma Rousseff nunca agiu tão rápido. Deflagrada a operação, afastou de pronto a chefe do escritório paulista, Rosemary Noronha, e todos os demais integrantes de cargo de confiança, de forma a começar esta semana longe de ter que falar a respeito.
Assim, mais uma vez, transformou o que poderia ser um ponto negativo de sua gestão em algo positivo para sua imagem enquanto guardiã da boa utilização dos recursos públicos. Para o PT, que passa por uma série de problemas, o fato de Dilma ter tirado logo esse problema do colo da Presidência da República foi um alivio.
Enquanto isso, na sede do PSDB e de partidos aliados…
É bom que Dilma se preocupe mesmo com a imagem de sua gestão. Os tucanos estão prestes a concluir o levantamento sobre o ritmo lento da execução de obras e programas do governo federal, em especial, na área de infraestrutura. Com os dados em mãos, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) pretende desconstruir a imagem de gestora da presidente da República.
Paralelamente, os socialistas reúnem seus prefeitos esta semana, no sentido de apresentar os estados governados pelo partido como ilhas de excelência no mar do fraco desempenho do crescimento econômico.
Para que a reunião dos prefeitos socialistas não pareça mais um ato rumo à candidatura própria do PSB à Presidência da República, eles terão um encontro com a presidente Dilma. Mas, no evento do partido, não está descartado alguém manifestar de público a vontade de ver Eduardo Campos candidato a presidente em 2014.
Esse gesto — se aglutinado a outros em curso, como a candidatura de Júlio Delgado (PSB-MG) à presidente da Câmara dos Deputados ou mesmo o levantamento dos tucanos — soará como um ataque especulativo ao futuro da presidente Dilma, enquanto pré-candidata à reeleição, dentro e fora da base governista.
Esses ataques especulativos não são privilégio do PSB ou mesmo da oposição, que está no papel de construir um discurso e uma candidatura. Daqui para a frente, veremos vários partidos trabalhando no sentido de organizar as mudanças no Fundo de Participação dos Estados (FPE) de forma a promover uma lipoaspiração no caixa da União.
Já há quem diga que, se na questão dos royalties, que ainda não terminou, se fez todo um barulho no sentido de distribuir recursos, o mesmo pode ocorrer com outras receitas da União, quando o FPE estiver em discussão. Tudo isso somado, avaliam alguns, pode terminar por expor um mar de falhas na gestão administrativa, colocando a capacidade governamental em xeque — seja diante do surgimento de casos de corrupção, seja na paralisia das obras.
E é aí que mora o perigo. Se o discurso do imobilismo pegar, Dilma terá problemas. E para que o governo e o PT não sejam atingidos por esse novo mote, a expectativa do partido é a de que Dilma seja tão rápida para responder a isso quanto o foi para afastar aqueles sujeitos indiciados por conta da Operação Porto Seguro.
Por falar em PT…
É interessante observar que a esquerda petista, que mais combateu José Dirceu quando ele era o todo-poderoso do partido e do governo Lula, é quem agora afaga o ex-ministro, promovendo atos de solidariedade. Isso somado às reuniões em Brasília com grupos do Construindo um Novo Brasil (CNB) deixa a sensação de que Dirceu conseguiu a façanha de unir o PT nesse pior fase de sua trajetória política. Quem diria…
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