terça-feira, outubro 23, 2012

SIM SOB O CÉU DE SP - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 23/10


Tatiana Monteiro de Barros e Lucio Bresser se casaram no Terraço Itália no sábado. Entre os convidados estavam a atriz Fernanda Nardy, a empresária Izabel Fay, grávida de oito meses, o empresário Claudio Pessutti, sobrinho de Hebe Camargo, e o estilista Samuel Cirnansck, que vestiu a noiva.

FACA NO PESCOÇO

O número de casos de câncer de tireoide diagnosticados em exames aumentou dez vezes nas duas últimas décadas, segundo estudo liderado por Luiz Paulo Kowalski, diretor do Núcleo de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e de Endocrinologia do Hospital A.C. Camargo. Na instituição, foram 34 casos em 1992; em 2012, 350. Na capital paulista, segundo o Oncocentro, são mais de mil novos casos entre as mulheres a cada ano. Se há cinco anos a doença não aparecia nas estatísticas, agora chega a 5% dos casos de cânceres em mulheres.

FACA 2
Kowalski diz que, num primeiro momento, imaginou-se que o maior acesso a exames e o fato de médicos os terem incorporado como rotina em seus consultórios explicariam o aumento. "Mas o número de casos deveria depois se estabilizar, o que não tem ocorrido", afirma. Diversas hipóteses vêm sendo investigadas -como maior exposição dos pacientes a irradiação e fatores alimentares. Nenhuma delas conclusiva. "Há vários estudos em andamento. Ainda não sabemos exatamente o que está ocorrendo", diz ele.

FACA 3
Ainda segundo Kowalski, a descoberta da doença na fase inicial faz com que 97% dos casos sejam curados.

SUSTO
Cleyde Yáconis, que completa 90 anos no mês que vem, está internada no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. A atriz teve uma isquemia na semana passada. Ela passa bem e, segundo os médicos, não corre nenhum risco e não tem sequelas.

O AMANTE
O ator Marcelo Serrado foi autorizado a usar a Lei Rouanet para levantar R$ 752 mil. Será para sua primeira peça como diretor, "A História dos Amantes", uma comédia musical "que aborda homem, mulher, namoros, casamentos, internet, celulares e traições amorosas".

Ele também escreveu o texto e pretende atuar. Malvino Salvador e Eriberto Leão estão no elenco.

ESTREITO
Ainda que otimista com as pesquisas que dão a Fernando Haddad vantagem de até 17 pontos em relação a José Serra (PSDB-SP), o comando da campanha do petista acha que, em caso de vitória, a diferença entre os dois pode diminuir. Eleitores que têm "saído" do tucano para engrossar os votos nulos tenderiam a "retornar" e a optar por ele na hora do voto.

DE VOLTA
E a preferência eleitoral pelo PT, que no auge do julgamento do mensalão, no começo de outubro, caiu para 21% em São Paulo, voltou a subir na cidade. Chega agora a 27%, segundo o Datafolha. O PSDB tem 9%.

DE VOLTA 2
Entre os eleitores de baixa renda, que ganham até dois salários mínimos, a preferência pelo PT chega a 29%, contra 3% do PSDB. Na faixa dos mais ricos, que recebem mais de dez salários mínimos, o PT despenca, para 13%. E o PSDB sobe: tem 24% da preferência entre os eleitores de maior renda.

COPA E COZINHA
O restaurante do hotel Copacabana Palace, no Rio, está com garçons novos trabalhando no lugar de profissionais com décadas de casa. A empresa diz que funcionários estão tirando férias acumuladas ou estão de licença.

FOFOQUINHA
A americana Beth Ditto, vocalista do Gossip, que cantou a música de "Avenida Brasil" em show no sábado no festival Planeta Terra, em SP, quis aprender a palavra em português para o nome de sua banda. Achou graça da sonoridade de "fofoca".

VAMPIROS GATOS
O último filme da saga "Crepúsculo", "Amanhecer - Parte 2", que estreia em novembro, deve alcançar oito milhões de espectadores no Brasil, em 1.300 salas de cinema, prevê a Paris Filmes. O primeiro longa da série teve dois milhões de espectadores no país; o quarto, 7,1.

SER OU NÃO SER
Os atores Fábio Assunção e Giulia Gam foram ao Tuca na sexta para a estreia de "Hamlet", protagonizada por Thiago Lacerda.

CURTO-CIRCUITO

Helena Bordon lança linha para a Hope. Hoje, às 18h, na Oscar Freire.

Seu Jorge toca hoje no Royal Club. 18 anos.

A Vivara lança campanha, com presença de Grazi Massafera. No JK Iguatemi.

Maria de Medeiros debate o documentário "Repare Bem" no Espwaço Itaú de Cinema do Frei Caneca. Hoje, após a sessão das 21h.

A BicoFino assina a comunicação da Soccerex.

Ângela Sabbag autografa o livro "Despudoradamente, Me Despi" em Brasília.

Anarquia partidária - ALMIR PAZZIANOTTO PINTO


O ESTADÃO - 23/10


O período eleitoral que atravessamos - antevéspera do que encontraremos em 2014 - exibe cenário anárquico resultante da fragmentação de grandes partidos políticos e da proliferação de pequenos.

Getúlio Vargas reinou 15 anos, entre 1930 e 1945, sem Congresso, sem oposição, sem partidos. Ao pressentir o fim da ditadura, concebeu a ideia da fundação do Partido Social Democrático (PSD) e do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), gerados, dialeticamente, para serem aparentemente antagônicos; o primeiro, como representante das elites conservadoras; o segundo, como porta-voz do nascente operariado. Vargas teria imaginado conservar-se no poder por meio de um deles, ou da aliança entre ambos - como de fato ocorreu com a eleição do seu ministro da Guerra, general Eurico Gaspar Dutra, para o período 1946-1950 -, e o regresso ao Palácio do Catete, como presidente eleito diretamente pelo povo, em 1951.

Entre a queda da ditadura em 1945 e o movimento militar de 1964, o País conheceu diversos partidos. Além do PSD e do PTB, havia a União Democrática Nacional (UDN), fundada em 6 de abril de 1945 sob a liderança do brigadeiro Eduardo Gomes, com o objetivo de organizar ampla frente em torno do restabelecimento das liberdades democráticas, combater o crescente intervencionismo estatal na economia e impedir a volta de Vargas.

Em plano secundário, outros menores foram fundados, como o Partido Republicano, o Partido Libertador, o Partido Social Progressista, Partido Democrata Cristão. Nenhum, entretanto, chegou a adquirir expressão nacional. O Partido Comunista Brasileiro, após 18 anos de vida clandestina, voltou à legalidade em novembro de 1945, mas teve as atividades encerradas em maio de 1947 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral, acusado de ser "insuflador da luta de classes, antidemocrático, ligado à União Soviética, a quem apoiaria em caso de guerra com o Brasil".

O Ato Institucional n.º 2, de 27 de outubro de 1965, baixado pelo presidente Castelo Branco, decretou a extinção dos partidos e o cancelamento dos respectivos registros. Em agonia desde o movimento de 31 de março, PSD, UDN, PTB e demais agremiações desapareceram, abrindo vácuo que seria ocupado com a fundação da Aliança Renovadora Nacional (Arena) e do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), únicos possíveis naquelas circunstâncias, em razão de rígidas imposições fixadas pelo Ato Complementar n.º 4.

O restabelecimento da liberdade de organização partidária deu-se ainda no regime militar, com a aprovação da Lei n.º 6.767, de 20 de dezembro de 1979. Desapareceram Arena e MDB, dando lugar, respectivamente, ao Partido Democrático Social (PDS) e ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Desde então o País acompanha a multiplicação de legendas, hoje em número de 30, a última correspondente ao Partido Ecológico Nacional, registrado pelo Superior Tribunal Eleitoral em junho do ano em curso, logo depois do Partido Pátria Livre e do Partido Social Democrático. Do acentuado número de partidos decorre elevadíssima quantidade de candidatos, na maioria interessados na colocação do nome dentro do horário eleitoral obrigatório, com vagas esperanças de, quem sabe, improvável vitória. Em São Paulo foram 12 postulantes à Prefeitura e 1.159 à Câmara Municipal.

Caracteriza-se o quadro partidário pela total ausência de conteúdo ideológico. Todos os partidos se assemelham na falta de identidade própria. PMDB, PTB e PDT tiveram registro deferido em 1981 e o DEM, em 1986. O PT, em 1979. É muito pouco tempo para acumulação de capital histórico e sedimentação de tradições, sobretudo quando levamos em conta a idade dos partidos ingleses, americanos, franceses, italianos, espanhóis. Temos seis partidos trabalhistas, quatro socialistas, três republicanos (um deles progressista), dois comunistas, dois dos trabalhadores, um humanista e solidário, um verde, outro ecológico e o Partido Social Democrático, assumidamente sem posição à direita, à esquerda ou ao centro, criado para ser o estuário onde desaguariam descontentes de várias agremiações, em busca da luz do Sol.

Mesmo quem domina os meandros da vida partidária não deixa de se surpreender com a facilidade com que derrotados celebram alianças com vitoriosos, para deixar claro que todos se põem de acordo quando se trata de auferir benefícios no centro ou na periferia do poder.

Desde 1965, além da Constituição de 1988, tivemos pelo menos meia dúzia de leis relativas às eleições e aos partidos. Até hoje, porém, não conseguimos alcançar o ponto de equilíbrio entre o exercício da liberdade de organização partidária e exigências de entidades políticas idôneas, aptas a funcionar como correias de transmissão entre o povo e os Poderes Executivo e Legislativo. Não temos, na verdade, partidos caracterizados pela fidelidade da cúpula e dos filiados a programas e ideias. O que prevalece, por todo o território nacional, são comitês volúveis e transitórios, vivos nos períodos eleitorais para, em seguida, voltarem a adormecer em torno de pessoas.

Segundo Ortega y Gasset, notável filósofo espanhol autor de Rebelião das Massas, o sucesso do regime democrático depende substancialmente do processo eleitoral. Não há democracia que não tenha como suporte partidos comprometidos com ideias e programas, independentes do Estado, eleitorado livre e Justiça soberana, pronta para repelir manobras autoritárias e condenar a corrupção.

O brasileiro tem dado demonstrações de amor à democracia e desejo de ter como governantes nomes capazes e impolutos. Nem sempre acerta, mas quando erra o faz por ser vítima de quadro partidário artificial, dominado por pequenos grupos cujo único interesse é se manterem no poder, esquecidos das verdadeiras necessidades do homem do povo.

Miragem liberal: Uruguay - HÉLIO SCHWARTSMAN


Folha de SP - 23/10


SÃO PAULO - Diz a imprensa que uma onda liberal varre o Uruguai. O país acaba de aprovar uma lei que libera o aborto e deve, em breve, legalizar a maconha e reconhecer o casamento gay.
O sentido geral das mudanças é inegavelmente progressista, mas eu receio que duas das três peças legislativas em consideração contenham problemas sérios. A sensação é que elas já nascem meio envelhecidas.
Comecemos pelo aborto. Pelo que foi aprovado, a mulher pode abortar livremente até a 12ª semana de gravidez. Mas o Diabo, como se sabe, mora nos detalhes. Antes de submeter-se ao procedimento, ela precisará passar por uma equipe multidisciplinar que a orientará sobre riscos e oferecerá alternativas. Como se não bastasse, terá ainda de aguardar um período de cinco dias "para reflexão".
São expedientes como esse que os antiabortistas dos EUA tentam introduzir nas legislações estaduais, a fim de conferir peso moral extra à intervenção. Só que não faz muito sentido. Se a lei considera que, até os três meses, o embrião não faz jus a proteções legais, então não há por que impor tortura psicológica às mulheres.
O caso da maconha é ainda pior. Pelo projeto, consumidores da droga precisarão registrar-se num órgão público e terão direito a uma quantidade máxima de 40 cigarros por mês. A ideia é que o poder público possa identificar dependentes e, eventualmente, encaminhá-los a tratamento.
É uma estupidez. Nenhum usuário quer ter o governo monitorando seus hábitos. Isso significa que os consumidores provavelmente continuarão adquirindo a droga no mercado ilegal -o que não é crime pela lei atual. Aparentemente, só o casamento gay é uma regra sem "pegadinhas".
Acho ótimo que nossos vizinhos tenham decidido legalizar a liberdade e os invejo, mas eles bem que poderiam se esforçar mais na hora de negociar a redação das normas. Não é difícil estragar uma boa ideia com um acordo inepto.

A gravata e o moletom - MARCELO COELHO

FOLHA DE SÃO PAULO - 23/10


Seria ingênuo, disse Gilmar Mendes, achar que só bandos armados constituam quadrilha


FOI POR pouco, mas os principais personagens do julgamento terminaram condenados pelo crime de formação de quadrilha.

Marcos Valério, José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e outros membros dos "núcleos" político, financeiro e publicitário do mensalão contaram com os votos dos primeiros ministros na sessão de segunda-feira do Supremo.

Acompanhada por Cármen Lúcia e Dias Toffoli, Rosa Weber desenvolveu a tese de que não se tratava de "quadrilha" o consórcio formado para a compra de votos no Congresso.

O Código Penal, disse ela, pretende punir as ameaças à paz pública e fala em associação de quatro ou mais pessoas para a prática de "crimes", no plural. Ou seja, algo de indeterminado, que se prolonga no tempo.

Outra coisa, frisou Rosa Weber, é a coautoria, ou seja, a participação de várias pessoas num delito determinado. Seria esse o caso dos acusados no mensalão: o que se pretendia era obter apoio político em votações no Congresso e não formar um grupo criminoso pronto para o que desse e viesse.

No crime de quadrilha, a mera associação de criminosos equivale a uma "declaração de guerra à ordem estatal", prosseguiu a ministra. Exemplo, o bando de Lampião: a mera chegada dos cangaceiros numa cidade já representava ameaça à paz pública.

Podemos pensar também na Máfia, no PCC. São organizações que continuam existindo mesmo quando mudam os seus membros.

Certamente, os engravatados réus do mensalão desconheciam o hábito de usar tatuagens, bonés com a pala invertida, moletons com capuz ou camisetas de torcida organizada (Gaviões do Fidel? Mancha Liberal?). Parece ser mais ou menos nisso que alguns ministros estavam pensando.

Joaquim Barbosa pediu a palavra, para apontar de modo calmo o que transparecia nessas considerações: uma discriminação de classe. Ou uma "exclusão sociológica", como ele preferiu dizer.

Ou ainda uma "conotação criminológica estereotipada", acrescentou Gilmar Mendes -que condenou os acusados num voto bastante longo. Seria ingênuo e "naturalístico", disse ele, achar que só baderneiros profissionais ou bandos armados constituam quadrilha. A posse de armas, aliás, é agravante previsto na lei, mas não é condição indispensável para condenar.

Luiz Fux foi mais rápido no seu voto e apresentou um argumento difícil de responder. Como falar apenas em "coautoria", em associação "eventual", se o grupo atuou por mais de dois anos? Se isso não é uma associação estável para a prática de crimes, o que mais é?

Certamente, ninguém se registra com carteirinha quando entra para uma quadrilha. O que se quer, perguntou o ministro Marco Aurélio Mello: escritura pública?

Em mais de 40 anos de trabalho no direito, arrematou Celso de Mello: "Nunca vi caso tão claramente configurado de formação de quadrilha". Foi a pá de cal.

Para a maioria condenatória, de seis a quatro, faltava o voto do presidente Ayres Britto. Relendo os autos, "na ponta do lápis", conta R$ 153 milhões desviados pela quadrilha. Termo que ele analisou longamente, mas que não teve dúvida em aplicar no caso.

O dia depois - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 23/10


Por mais que pesquisas não sirvam de baliza à análise de cenários pós-eleitorais, os números sobre as intenções de voto na capital de São Paulo impressionam.

Hoje desenham um horizonte pior que o mais pessimista dos cenários que poderia ter sido traçado pelo PSDB quando o partido apelou a José Serra para que fosse candidato.

Ele não queria, preferia se guardar para 2014, mas cedeu aos argumentos de que a candidatura era o único jeito de impedir o PT de voltar à Prefeitura e, a partir daí, quebrar a hegemonia política dos tucanos no Estado mais importante do País.

O que era dado como uma vitória quase certa - até no campo adversário - vai se configurando como uma possibilidade grande de derrota.

Caso se confirme, o PSDB entregará ao PT a joia da coroa dessa eleição. Objetivamente, porém, não anulará os problemas que o partido da Presidência enfrenta desde que Lula deixou o Palácio do Planalto.

Não fará desaparecer as fissuras que levaram a derrotas importantes em colégios eleitorais relevantes como Pernambuco e Minas Gerais, muito menos livrará o PT de seus problemas com a lei.

Mas, se Fernando Haddad ganhar, o PT terá nas mãos um aparelho (mais um) e tanto, além de um êxito político espetacular do qual se vangloriar. Ao menos até a posse do novo prefeito quando, então, as coisas voltam ao seu curso normal.

Nessa hora é que serão elas.

O PT não pode se fiar só em Lula nem imaginar que possa seguir ignorando o efeito deletério das ações agora condenadas pelo Supremo Tribunal Federal.

Uma vitória em São Paulo ou onde quer que seja não apaga os fatos, não anula sentenças judiciais nem aplaca os naturais apetites dos partidos hoje parceiros e que estão querendo ver andar a fila do poder.

Por seu lado o PSDB não poderá fugir de refletir sobre a identificação social de seus quadros e a eficácia de seus procedimentos.

A rejeição de mais de 50% a José Serra não é um dado irrelevante e talvez não possa ser atribuída exclusivamente a razões de temperamento do candidato.

Tem política sendo mal feita nessa história. A autofagia grassa, o atabalhoamento é evidente, o rumo é inexistente, a debilidade de lideranças chega a constranger e projeto de País, se existe no partido os tucanos o têm escondido bem.

Há um pretendente à eleição presidencial, o senador Aécio Neves. Bem como no PSB há a ideia de emplacar o governador Eduardo Campos como a grande novidade, há sempre o PMDB movimentando-se para cá e para lá, há a candidatura de Dilma Rousseff à reeleição.

Há em todo lado planos de conquista da Presidência. Muita gente querendo chegar lá, mas até agora não há na praça nada de inovador e consistente sendo dito em termos de projeto de País.

Não é absurdo supor que provavelmente resida aí a razão de ausência tão acentuada do eleitor nessas eleições, conforme informam os números de abstenções, votos nulos e brancos na rodada de 7 de outubro.

Passadas as comemorações e as lamentações com os resultados de domingo que vem, os partidos estarão cada qual com suas peculiaridades, diante do mesmo desafio de falar como adultos à sociedade.

Cerca Lourenço. A cúpula do PMDB finge que acredita na desculpa do governador Sérgio Cabral de que o prefeito Eduardo Paes falou sem pensar quando lançou seu nome para vice na chapa pela reeleição de Dilma Rousseff em 2014.

Na realidade, a direção pemedebista acha que Paes falou de caso pensado. Tudo devidamente combinado com o governador e seu grupo, hoje preponderante na política do Rio.

Embora não arrisque um palpite sobre o verdadeiro objetivo do "lançamento", fica a impressão: Cabral está costeando o alambrado.

Como sabe o leitor atento, era a expressão usada por Leonel Brizola quando identificava no aliado forte vontade de mudar de lado. No caso, de partido.

Sede ao pote - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 23/10


Além da advertência pública no comício de sábado, Lula repreendeu petistas pela disputa por cargos em eventual governo de Fernando Haddad. Ele recomendou ao afilhado que ignore as pressões e evite "salto alto" na reta final. Pelos relatos levados a Lula, os mais ativos nos bastidores seriam os deputados Vicente Cândido, Arlindo Chinaglia, Jilmar Tatto, Carlos Zarattini e Paulo Teixeira. Ainda que dificilmente ocupem pastas, querem fazer indicações em suas áreas de atuação.

Reduto O ex-presidente manifestou preocupação com a eleição em Diadema, primeira cidade governada pelo PT, em 1982. Pediu à direção da sigla empenho e apoio estrutural à reeleição do prefeito Mário Reali.

Copyright A frase ''de poste em poste o PT iluminará o Brasil", que Lula repetiu em palanques no fim de semana, foi lançada por um militante petista no Twitter. O ministro Alexandre Padilha (Saúde) viu e comentou com o ex-presidente, que gostou.

A domicílio Do deputado Paulo Maluf (PP), sobre os ataques que sofre da campanha tucana: "É aética a posição do candidato José Serra, que esteve duas vezes em minha casa em junho deste ano pedindo apoio a sua candidatura a prefeito, e que agora me critica por o meu partido estar apoiando Haddad."

Pobre ou rico? Depois de catalogar textos que dissecam a posição do PT quanto às parcerias com OSs na capital, Serra insistirá em ligar Haddad à suspensão do atendimento de entidades mantidas por hospitais como Albert Einstein e Sírio Libanês "à população mais pobre".

Cabeceira O deputado Candido Vaccarezza (PT-SP) recebeu ontem durante encontro de Haddad com evangélicos exemplar do livro "Entre Deus, Diabo e Dilma'' sobre a campanha de 2010. A pedido do autor, Leandro Alonso, prometeu entregar uma cópia à presidente.

Dobradinha Após ofensiva de Lula e Dilma em Campinas, o governador Eduardo Campos (PSB) pediu ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) que reforçasse a campanha de Jonas Donizette na cidade. O mineiro visita a cidade do interior paulista amanhã.

Reestreia Neutro na campanha paulistana, Celso Russomanno (PRB) fez sua primeira aparição no segundo turno das eleições em Mauá. Participou de corpo a corpo com Vanessa Damo (PMDB) no fim de semana.

Dendê Artistas e políticos lançam hoje manifesto de apoio a Nelson Pelegrino (PT) em Salvador e contra "a volta do carlismo''. Entre os signatários estão os ex-ministros Waldir Pires e Juca Ferreira.

Reta... Junto com os desempates e a dosimetria, que começam a ser discutidos hoje, o STF resolverá questões pendentes, como se houve concurso material ou formal e se houve ou não crime continuado para fixar as penas dos réus do mensalão.

...final Se definirem que houve concurso material, somam-se as penas, mas, caso decidam por concurso formal, só será considerada a maior pena, com aumento de fração. Se concluírem que houve crime continuado, as penas aplicadas também são aumentadas.

Visitas à Folha Carlos Alberto Di Franco, diretor do Departamento de Comunicação do Instituto Internacional de Ciências Sociais, visitou ontem a Folha.

Marcos da Costa, candidato à presidência do OAB-SP, visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Santamaria Nogueira Silveira, assessora de Comunicação da OAB e Ana Beatriz Chacur, assessora de imprensa.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"Dilma foi muito preconceituosa em sua incursão eleitoral por Salvador, vocalizando a falta de estatura moral de seu partido."

DO DEPUTADO RONALDO CAIADO (DEM-GO), sobre a presidente ter ironizado, de forma velada, a altura do candidato ACM Neto, 1,67m, em comício na sexta.

contraponto

In dubio pro reo

Ao divulgar os dados do Censo da Educação Superior 2011, Aloizio Mercadante (Educação) foi questionado sobre percentuais diferentes, presentes em slides da mesma apresentação, referentes ao índice de jovens brasileiros que frequentam ou já concluíram uma graduação. Um dos jornalistas quis saber:

-Qual dos dois números está correto, ministro?

Antes de questionar os técnicos da pasta sobre a divergência, o petista brincou:

-Na dúvida, sempre o mais alto! Mas vocês da imprensa vão usar sempre o mais baixo.

Aliança desandando? - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 23/10


A radicalização eleitoral em Fortaleza é a nova pedra no caminho da aliança PT-PSB. Petistas estão chutando a canela do governador Cid Gomes, que ontem se licenciou para fazer campanha de seu candidato, pois uma eventual derrota vai enfraquecê-lo no PSB nacional. Cid faz restrições ao lançamento da candidatura do governador Eduardo Campos (PE) ao Planalto em 2014.

Próximos passos das concessões
Investidores estrangeiros não se interessaram em ser sócios minoritários dos aeroportos do Galeão e de Confins. Eles relataram ao governo que só aceitam se tiverem participação maior do que a Infraero. Por isso, o governo mudou o modelo do edital para que isso ocorresse. O governo definiu em 30 milhões de passageiros/ano o critério para comprovação de experiência das empresas interessadas em entrar no leilão de concessão do Galeão e de Confins, porque percebeu que, se subisse este montante, reduziria a disputa a quatro ou cinco investidores apenas. Depois do Rio e de Minas, o próximo alvo do programa de concessões será um aeroporto do Nordeste.

“Em mais de 44 anos de atuação na área jurídica, nunca presenciei caso em que o delito de quadrilha se apresentasse tão nitidamente caracterizado” 
Celso de Mello Ministro do STF

Se colar, colou
Recomendação da cúpula do PT ao candidato a prefeito de Salvador, Nelson Pelegrino, é que cole a imagem do adversário, ACM Neto (DEM), à do atual prefeito João Henrique (PP), que tem elevada impopularidade na capital baiana.

Contra a fusão
A senadora Ana Amélia (PP-RS) é contra a fusão entre o PP e o PSD, que está sendo articulada pelo deputado Paulo Maluf (PP-SP) e o prefeito Gilberto Kassab. Seu argumento: a cada fusão, o partido abre a porta para que descontentes com a nova sigla saiam. "Vamos conversar com todos, mas a fusão não é o melhor caminho", avalia.

O apressado
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, saiu irritado do comício de Fernando Haddad, em São Paulo, no sábado, quando passaram a palavra para Gabriel Chalita. Assim, quando o chamaram para falar, ele, já do lado de fora, embarcava em seu carro.

Me dê motivo
O Ministério da Saúde não se conforma com a versão de que foi política a demissão de Mauro Hauschild do comando do INSS. Na sua gestão, o tempo médio de marcação de uma perícia médica pulou de nove dias (janeiro/2011) para 38 dias (agosto/2012); e o tempo médio de espera para uma consulta médica saltou de 16 dias (dezembro/2010) para 28 dias (junho/2012).

De olho em 2014
O senador Aécio Neves entra na briga do prefeito do Rio, Eduardo Paes, com o ministro Aldo Rebelo (Esportes): "Só os estádios, que são de responsabilidade dos governos estaduais e da iniciativa privada, vão ficar prontos para a Copa."

2012: 63 cortes de energia
As explicações das autoridades do setor elétrico não convencem nem os petistas. Ontem, em seu blog, o ex-ministro José Dirceu afirmou: "A sequência de blecautes levanta suspeitas sobre a segurança do sistema nacional de transmissão."

O DNIT completou um ano sob intervenção da ministra Miriam Belchior (Planejamento), que não pensa em tirar suas garras de lá tão cedo.

O levantador de 'postes' - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 23/10


A modéstia, como se sabe, nunca foi o forte de Lula - vide o "nunca antes na história deste país". Nem tampouco a ironia. O verbo solto do ex-presidente sempre esteve mais para o soco inglês do que para a lâmina, o que vinha a calhar, aliás, para a "quase lógica" dos argumentos que desferia. Nem por isso ele deixou de ter uma sintonia fina com a massa da população, já não bastasse ela se identificar com a sua figura e trajetória. Mas no último fim de semana, em um raro achado, conseguiu combinar a soberba de costume com uma frase de efeito de insuspeitada qualidade.

Falando em um comício do candidato petista Márcio Pochmann à prefeitura de Campinas, Lula soube tirar proveito de seu êxito de escolher autocraticamente uma neófita em eleições para suceder-lhe no Planalto. A seu lado, gabou-se também de ter imposto aos companheiros da cidade um nome sem nenhuma experiência eleitoral e escassa expressão política, o professor de economia cuja única marca digna de registro na vida pública, ao dirigir o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), foi a de atrelar as atividades do órgão aos interesses do governo - algo jamais visto na sua respeitada história, nem mesmo durante a ditadura militar.

Como que abençoado por um lampejo, Lula equiparou o candidato à presidente Dilma Rousseff, desdenhada como o "poste" que o seu patrono levava para cima e para baixo na disputa de 2010, para emendar: "Mas é de poste em poste que o Brasil vai ficar iluminado". Se a mágica funcionou com Dilma e pode funcionar em São Paulo com outro novato em urnas, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad - que assumiu a liderança nas pesquisas depois de perder para o tucano José Serra no primeiro turno -, em Campinas o quadro é de total incerteza.

O vencedor da rodada inicial, Jonas Donizette, do PSB, com quase 20 pontos à frente de Pochmann, continua sendo o preferido da maioria do eleitorado, embora a sua vantagem, em votos válidos, tenha se estreitado para 6 pontos (45% a 39%). De toda forma, Lula parece tão seguro de seus poderes que dá a impressão de considerar página virada o ciclo eleitoral paulista e se prepara para o próximo. (Na área metropolitana da capital, o PT venceu em Osasco e São Bernardo do Campo, é favorito em Guarulhos e Santo André, mas tende a perder em Diadema.)

Segundo noticiou ontem este jornal, o ex-presidente estaria apenas esperando o momento oportuno para tornar público o seu patrocínio a outro jejuno em competições pelo voto popular, desta vez à eleição de 2014 para o governo do Estado. Trata-se do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, um paulistano de 42 anos, médico infectologista e apparatchik precoce do PT. Nos 15 meses finais da era Lula, chefiou a Secretaria de Relações Institucionais, a pasta política do Planalto. Tem, portanto, mais familiaridade com o ramo do que o seu ex-colega Fernando Haddad.

Em contrapartida terá, dentro do partido, pelo menos dois rivais em vez de um. Além da senadora Marta Suplicy, que se julgava candidata natural à Prefeitura da capital - e que só deu o ar de sua graça na campanha de Haddad depois de ganhar o Ministério da Cultura, no mês passado -, o atual titular da Educação, Aloizio Mercadante, também ambiciona o Palácio dos Bandeirantes. Na primeira tentativa, em 2010, perdeu para o tucano Geraldo Alckmin. Padilha é menos forte do que Marta e Mercadante, nesta ordem, no PT paulista. Aliás, por razões circunstanciais, logo depois de formado transferiu o seu domicílio eleitoral para Santarém, no Pará, onde vota até hoje.

A questão, evidentemente, é a da longevidade de Lula como levantador de "postes" e fazedor de vitoriosos. Ele carrega das atuais eleições o fracasso estrondoso no Recife, onde coagiu o PT a apoiar a candidatura Humberto Costa. Depois de 12 anos de hegemonia petista na cidade, o ex-ministro da Saúde acabou em terceiro lugar com acabrunhantes 17% dos votos. Também em Belo Horizonte o seu candidato "beijou a lona", perdendo para o do PSB apoiado pelo tucano Aécio Neves. Mas o teste dos testes, naturalmente, se dará em São Paulo. Lula está convencido de que as coisas vão sair como quer - nem espera o lance do eleitorado para iniciar um novo jogo.

A inflação mais solta - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 23/10


E se a inflação voltar a dar os seus pinotes?

A pergunta não é mera especulação dos aflitos de sempre. As pressões sobre os preços estão aí e o Banco Central vai novamente ser colocado na berlinda, porque vem prometendo a tal convergência para a meta - ainda que "de forma não linear".

O Índice de Preços ao Consumidor - Amplo-15 (IPCA-15) acionou sinais amarelos. Mostrou, em outubro, avanço da inflação de 0,65%, bem acima do 0,48% de setembro. (Para quem não está habituado com a dança de siglas, esse IPCA-15 é o mesmo IPCA, com a diferença de que reflete os 30 dias de comportamento dos preços no período terminado no dia 15, não no dia 30.)

O Banco Central aponta certos focos de inflação, mas não lhes vem dando importância. Na última Ata do Copom, distribuída quinta-feira, admitia esticada relevante nos preços dos alimentos, mas entendeu que seria rapidamente dissipada, porque se concentrava na alta das principais commodities agrícolas, motivada pela estiagem que atacou os centros produtores dos Estados Unidos.

Mais do que consequência de um choque externo, essa parece uma inflação típica de demanda. Ou seja, é acionada pelo aumento do consumo não acompanhado pelo aumento da oferta. O Banco Central já admitia geradores no maior aumento de despesas do setor público e no avanço dos salários acima da produtividade do trabalho. Mas não contava com uma aceleração, convencido de que a crise externa atuaria a favor da contenção dos preços.

Questão ainda à procura de resposta convincente: se um ano como este, em que o PIB cresce só 1,5%, terá inflação entre 5,5% e 6,0%, o que será de 2013, quando se espera mais do que o dobro de expansão do PIB?

Caso a inflação volte com mais força, cabe perguntar que mecanismos o Banco Central usará para conter a aceleração dos preços, uma vez que a decisão é não aumentar os juros. Apenas para lembrar, a mensagem mais importante que veio da última reunião do Copom é a de que os juros básicos (Selic) permanecerão nos 7,25% ao ano "por um período de tempo suficientemente prolongado".

Uma opção é retomar os tais mecanismos macroprudenciais que caíram no gosto do governo Dilma e do Banco Central, que a toda hora lembram de seu poder de conter os preços. São decisões cujo principal objetivo é dar mais segurança ao mercado financeiro, mas podem ter efeitos colaterais. Exigência de mais capital dos bancos ou redução do número de prestações nas operações de crédito podem conter o consumo e, por essa via, a inflação. O problema é que também podem desacelerar a atividade econômica.

Outra opção é deixar o câmbio mais solto. A queda das cotações do dólar tenderia a baratear os preços dos importados e, assim, a segurar a inflação. Mas tiraria capacidade de competição da indústria.

O Banco Central tem sido tolerante. Já não faz questão de garantir a inflação na meta dentro do ano-calendário. E é possível que essa tolerância fique ainda mais elástica, digamos assim. Isso mostra que vem assumindo cada vez mais riscos. Qualquer imprevisto pode ser suficiente para deixar a inflação escapar.

Juntos na tempestade - MÍRIAM LEITÃO

O GLOBO - 23/10


A Europa não cansa de piorar. Ontem, a agência oficial de estatísticas do continente - a Eurostat - reviu os números de 2011 sobre as contas públicas do grupo. Aumentou o déficit da Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha em relação ao divulgado em abril. O esforço este ano terá que ser mais intenso para se atingir as metas. O vermelho da Espanha saiu de 8,5% para 9,4% do PIB.

O maior rombo do ano passado aconteceu no governo irlandês e reflete o gasto com a capitalização do sistema financeiro. O déficit foi revisto de 13,1% para 13,4% do PIB. A taxa é muito ruim, mas, por incrível que pareça, representa uma enorme melhora. O rombo de 2010 havia sido de 30%.

Os economistas dizem que a Irlanda adotou uma estratégia correta ao lidar com a crise financeira. Contabilizou de uma única vez todo o rombo. O número assustou, mas é um olhar para o passado. Isso faz com que o país seja visto com menos desconfiança pelos mercados.

Pior é o que acontece na Espanha, que sangra lentamente, e cujo futuro é temido. Quem teve a maior revisão dos dados ontem foi o governo espanhol. O déficit foi revisto para pior em quase um ponto percentual, de 8,5% para 9,4%. Na Grécia, o número foi de 9,1% para 9,4%. Em Portugal, de 4,2% para 4,4%.

Na média, a zona do euro não teve mudança. O rombo permaneceu em 4,1% do PIB em 2011. Enquanto esses quatro pioraram, outros tiveram melhor sorte. A Alemanha, por exemplo, teve o déficit revisto de 1% para 0,8%. É um déficit nominal menor do que o do Brasil, por exemplo, que ficou em 2,6% no ano passado. É bem verdade que isso os favorece porque a Alemanha financia sua dívida a custo quase zero, e o Brasil tem um custo financeiro alto.

Na reunião de cúpula da zona do euro na semana passada foram dados sinais de que os líderes europeus querem levar adiante a proposta aprovada em junho de criar um órgão de supervisão do sistema bancário. Ele teria poderes para intervir nos bancos e seria criado uma espécie de fundo garantidor de crédito, que pudesse proteger o dinheiro dos correntistas.

Essa supervisão supranacional abriria caminho para injeções de recursos diretamente nos bancos, sem passar pelos governos. Isso faria com que os desequilíbrios dos bancos não contaminassem as contas nacionais. Quebraria o círculo vicioso que tem feito com que um problema alimente o outro.

Segundo o economista José Julio Senna, da MCM consultores, a Alemanha entende que os recursos só serão liberados depois que o órgão supervisor estiver em pleno funcionamento. Muita gente acreditou que apenas o arcabouço legal fosse suficiente, o que ajudaria a Espanha de forma imediata:

- A Alemanha quer o órgão de pé e funcionando, antes que a capitalização dos bancos seja direta, sem passar pelos governos. Isso deve levar pelo menos todo o ano de 2013. A Espanha e os mercados entenderam que seria mais rápido.

Senna ainda não vê a luz no fim do túnel e acredita que a Europa vai piorar antes de melhorar. O PIB da Alemanha deve ter número negativo no quarto trimestre. O mesmo na França.

- A desaceleração chegou ao centro da zona do euro. Há uma fadiga das medidas de contenção de gastos porque elas derrubam ainda mais o nível de atividade. Há também uma fadiga entre os credores. Na Grécia, já se fala em um novo perdão da dívida, em cima daquela que já foi perdoada. Isso dificulta o combate à crise pelos dois lados - disse.

A única boa notícia que vem de lá é que os países que usam a mesma moeda continuam dispostos a enfrentar juntos a tempestade.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 23/10


Queiroz Galvão vai entrar no setor de defesa
A Queiroz Galvão se prepara para começar a atuar no setor de segurança e defesa nacional.

Nos últimos meses, o grupo, que trabalha em áreas como construção, petróleo e gás, siderurgia, energias renováveis, entre outras, criou a Queiroz Galvão Defesa.

Com a nova unidade, que já tem equipe formada, a companhia assinou uma carta de intenções com o grupo francês Safran para atuação complementar em projetos de defesa e segurança no Brasil, segundo a empresa.

A companhia não especifica onde pretende focar suas atividades.

Executivos familiarizados com a operação afirmam que há planos de realizar trabalhos para grandes eventos, como a Copa de 2014, em entradas de arenas esportivas, além de tecnologia para identificação de pessoas, monitoramento de fronteiras e segurança aeroportuária.

O Safran é especializado em concepção, fabricação e comercialização de sistemas de tecnologia nas áreas aeroespacial, segurança e defesa.

Estão previstas parcerias com outras empresas para transferência de tecnologia, segundo executivos.

ESTRATÉGIA ANUAL
Profissionais de marketing e vendas devem aumentar os investimentos no setor em 2013, segundo 54% dos executivos entrevistados pela Amcham para uma pesquisa sobre o setor.

O levantamento aponta que 46% irão manter o atual nível dos aportes. O resultado da pesquisa realizada no ano passado era o inverso: 42% afirmavam que iriam ampliar os gastos, enquanto 53% diziam que eles ficariam no mesmo patamar.

A sondagem também mostra que focar no relacionamento com clientes e fornecedores será a principal estratégia adotada por mais da metade dos profissionais.

A importância da precificação, que no levantamento de 2011 foi apontado por 5% dos entrevistados, aumentou. Neste ano, 10% afirmaram que essa será a principal estratégia.

Entre os canais de vendas, o que mais ganhou destaque dentro dos planos de negócios foram as redes sociais, com 82%.

Ao todo, 214 executivos foram entrevistados.

Escurinho... 
A empresa Cinematográfica Araújo começará a operar em Campinas com abertura de salas no shopping Parque das Bandeiras.

...em Campinas 
O investimento em seis salas de cinema, que incluem duas com telas maiores, será de R$ 10 milhões. A Cine Araújo atualmente está presente em 23 cidades do país.

Em mar 
A MSC vai trazer ao Brasil um navio de alto luxo, o MSC Preziosa. Com ele, a empresa espera atingir, na próxima temporada, um milhão de brasileiros embarcados.

Sueca 
A SKF do Brasil atingirá 200 milhões de rolamentos produzidos na fábrica de Cajamar (SP). Nos oito primeiros meses do ano, a planta produziu 800 mil peças -77% a mais que no mesmo período de 2011. O resultado é decorrente do desempenhos das montadoras de automóveis.

Em queda 
Foram protestados 58.963 títulos em setembro, segundo o Instituto de Estudos de Protesto de Títulos da Seção São Paulo. O número representa queda de 18,4 % em relação a agosto. Do total de títulos protestados, 9,7% foram cheques.

CRESCIMENTO DESCONGELADO
A Sorvetes Jundiá, que atualmente opera em 25 mil pontos de venda no país, pretende alcançar 50 mil em quatro anos.

Para atender a demanda, a empresa vai abrir uma nova fábrica, que será localizada em Itupeva.

O empreendimento ocupará uma área de 25 mil metros quadrados, segundo Cesar Bergamini, diretor da companhia.

Após a ampliação, a capacidade de produção de sorvetes será duplicada para 16 milhões de litros por ano.

"O nosso atual limite de produção estava travando o crescimento", diz.

Além do interior dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, onde já possuem maior presença, a meta agora é focar na capitais.

50 mil

é o número de pontos que a empresa pretende alcançar em quatro anos

16 milhões

será o volume de litros por ano

Visita... 
O ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que o Brasil é um caso excepcional no mundo e um parceiro estratégico para a França, segundo o banco BTG Pactual.

...francesa 
Na tarde de ontem, ele foi recebido por André Esteves, CEO do banco BTG Pactual, e Persio Arida, sócio do banco, no hotel Unique, em São Paulo, onde deu palestra para cerca de 500 convidados.

De borracha 
A Amazonas Sandals, unidade de negócio do Grupo Amazonas, fabricante de solados para marcas como Havaianas, vai abrir dez lojas até o final deste ano.

Aroma 
A Tisserand, marca inglesa de cosméticos naturais, abre sua primeira loja no Brasil, em São Paulo. A empresa teve uma unidade temporária em Campos do Jordão no último inverno.

Cadeira... 
A Itaú Asset Management contratou Gustavo Lycouropoulos para ser gestor de renda variável para fundos mais sofisticados. Ele atuou por 11 anos em uma gestora de Londres especializada em mercados emergentes.

...ocupada 
Com a chegada do executivo, a companhia passa a ter três pessoas no comando de renda variável. Gilberto Nagai e Scott Piper completam a equipe. Os três se reportam a Paulo Corchaki, diretor de gestão de recursos.

Circulação 
Os medicamentos genéricos arrecadaram R$ 10,1 bilhões de ICMS entre janeiro de 2001 e agosto de 2012, segundo cálculos da ProGenéricos (Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos).

A tiracolo 
A marca de bolsas Monica Sanches, que atua em oito Estados com mais de 40 franquias, terá mais oito unidades até o fim do ano. Recife e Cuiabá estão entre os novos pontos da marca, que também ingressa em e-commerce.

MALAS PRONTAS
Um quarto dos trabalhadores de 24 países estão dispostos a ser transferidos para o exterior, alta de seis pontos percentuais em relação ao ano passado, segundo um estudo da consultoria Ipsos.

Além disso, cerca de 45% dos entrevistados concordam que aceitariam uma realocação internacional mediante um aumento de salário e 35% não se mudariam de maneira nenhuma.

México e Argentina são os países com maior número de funcionários dispostos a uma mudança (39% e 36%, respectivamente), enquanto apenas 10% dos japoneses e 13% dos belgas estão propensos a sair de seus países.

Foram entrevistadas 12.827 pessoas em agosto deste ano.

Jogo em aberto - JOSÉ PAULO KUPFER


O Estado de S.Paulo - 23/10


A esta altura do calendário, as bolas de cristal dos analistas de conjuntura já estão voltadas para 2013. Uma panorâmica nos aparelhos de previsão já acionados para o futuro próximo, contudo, ainda não fornece uma visão clara do que se pode esperar do ano que vem. Dúvidas sobre a extensão do período de manutenção dos juros básicos e da trajetória do câmbio jogam algumas nuvens de fumaça nos horizontes de projeção. Mas o fator que torna mais espesso o nevoeiro é outro: a taxa de investimento.

Em relação ao ritmo de crescimento econômico, observa-se, no momento, uma convergência na direção de uma expansão de 4% na economia sobre 2012. Contudo, depois do fiasco das previsões de fins de 2011 para este ano, é melhor um pouco mais de cautela. Quando 2012 começou, a mediana das projeções era de um crescimento de 4,5% no ano civil. A evolução de apenas 1,5%, praticamente já consolidada, mostra que o chute passou longe do gol. Até que ponto é possível garantir que um desvio do mesmo calibre não volte a ocorrer em 2013?

A dinâmica da evolução do investimento, chave do enigma do crescimento de 2013, não está facilitando a vida dos analistas. Variadas indefinições tornam o exercício de previsão cheio de armadilhas. Para começar, a disposição declarada do governo em estimular o aumento da capacidade de produção e de remover gargalos a esse aumento, peça importante da equação, nem sempre tem resultado em ações eficazes.

Antes de tudo, as perspectivas da economia global não são animadoras. Mais de cinco anos depois da sua eclosão, a crise global entrou numa nova etapa, mas ainda sem vislumbre de superação sustentada. Na zona do euro, a situação agora é caracterizada pela redução dos riscos de ruptura e pela perspectiva de prolongado período de baixo crescimento. Nos Estados Unidos, a concentração dos esforços na política monetária tem evitado o aprofundamento das baixas, sem conseguir, porém, indicar uma retomada mais rápida. E a China, o baluarte econômico que amenizou as perdas nas etapas anteriores da crise, entrou em zona de incertezas.

Em circunstâncias como as atuais, é difícil negar que cabe ao governo um papel ativo na criação de condições de incentivo ao investimento. Ocorre que o governo da presidente Dilma Rousseff demorou a fazer o diagnóstico da situação e, quando o fez, passou a atuar com excessivo ativismo, abrindo um leque talvez exagerado de frentes. São muitos, de fato, os marcos regulatórios em debate ou em fase de reformulação. Isso cria, antes que o ambiente regulatório se ajuste e as decisões de investimento encontrem terreno mais firme para deslanchar, incertezas inibidoras da implantação ou ampliação dos negócios.

É certo que também existem fatores que atuam como elementos de incentivo ao investimento. Desse lado da questão, ganham destaque a redução dos juros e os avanços recentes nos sistemas de financiamento de prazo mais longo, bem como uma gama de desonerações tributárias. Se a falta de perspectivas para a expansão da economia é uma trava essencial aos investimentos, a ausência de linhas de financiamento adequadas é certamente elemento crítico capaz de abortar um eventual ímpeto investidor.

No balanço dos pontos favoráveis e desfavoráveis ao ambiente dos investimentos, há ainda itens específicos a serem considerados. Sem falar na Petrobrás, que responde sozinha por cerca de 10% do total dos investimentos e, em fase de rearrumação, reduziu o ritmo de inversões, mas sem dúvida voltará a investir, assim como voltará a investir o setor de construção civil ainda afogado em estoques.

Um bom exemplo é o dos caminhões. Classificado como fabricante de bens de capital e responsável por 5% do total dos investimentos brasileiros, o setor viveu, em 2012, um período de adaptação à produção de motores mais eficientes e menos poluentes, que elevou os preços e travou as vendas. Estímulos especiais, em vigor pelo menos até o fim do ano, podem, no entanto, levar a uma rápida e intensa recuperação setorial.

Quem, em resumo, está olhando mais para os entraves, que levaram a taxa de investimento a recuar em 2012, do que para as possibilidades de deslanche dos investimentos, tende a projetar, desde já, crescimento de 3% ou até menos, abaixo dos 4% medianos, para a economia em 2013. Mas há também os que, acreditando mais na disseminação de projetos já na ponta da agulha, não se surpreenderão com evolução nas vizinhanças de 5% para o PIB no ano que vem, acima mesmo das projeções oficiais. O jogo de 2013 ainda está em aberto.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“A República não suporta mais tanto desvio de conduta”
Ministro Marco Aurélio (STF), em voto brilhante no julgamento do mensalão


MRE FOI CONTRA VENEZUELA NO MERCOSUL ‘PELA JANELA’
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) se posicionou contra o ingresso da Venezuela no Mercosul pela “janela”, aproveitando-se da conveniente suspensão do Paraguai do bloco de nações do Cone Sul. O Paraguai era o único país cujo Legislativo se recusava a aderir ao referendo dos países membros, que precisa ser unânime para ingresso no bloco. A posição do Itamaraty era mantida em segredo até agora.

OPOSIÇÃO IGNORADA
A posição contrária à Venezuela no Mercosul irritou Dilma e quase custou o cargo do chanceler Antonio Patriota, mas foi ignorada.

MANDO EU
Para impor submissão ao Itamaraty, Dilma obrigou Patriota a integra a comissão inútil que tentou impedir a destituição de Fernando Lugo.

APENAS UM PRETEXTO
A demissão do ex-presidente Lugo, ex-bispo acusado até de pedofilia, aliado de Lula e Chávez, pretextou a suspensão do Paraguai do bloco.

A SOLUÇÃO FINAL
Segundo diplomatas, a suspensão do Paraguai foi articulada por Lula, a pedido do amigo Hugo Chávez, para enfiar a Venezuela no Mercosul.

GOLPE DA ARGENTINA PREJUDICA AÉREAS GOL E TAM
Tratada a pão de ló pelo Brasil, a Argentina é o país que mais se locupleta de financiamentos do BNDES (US$ 3 bilhões), mas vive criando barreiras às exportações brasileiras. Agora, para beneficiar a deficitária estatal Aerolineas Argentinas, a presidenta Crisina Kirchner vai proibir a Gol e a TAM de operar no Aeroparque, aeroporto próximo ao Centro de Buenos Aires. Ambas serão transferidas para Ezeiza. 

FIM DO MUNDO
Despachadas para o aeroporto de Ezeiza, a mais de 40km do Centro de Buenos Aires, Gol e TAM perderão competitividade e clientela.

ÓDIO AO BRASIL
Gol e TAM merecem sofrer, mas não os passageiros. O banimento ordenado por Cristina Kirchner tem um pano de fundo: são brasileiras.

GUERRA CEARENSE
Lula chega hoje a Fortaleza em clima de guerra. Petistas são acusados de agredir militantes do PSB, incluindo a ex-senadora Patrícia Saboya. 

PALOCCI NA HYUNDAI
O grupo Caoa tem um sonho: fazer do ex-ministro Antônio Palocci presidente da Hyundai no Brasil. Sua missão: livrar a empresa de uma dívida bilionária em impostos adquirida com a Kia Motors.

LULA FORA
Não há previsão de Lula ir a Pelotas (RS) ajudar Fernando Marrone (PT), que outra vez tenta ganhar a prefeitura. Há oito anos, sem saber que estava sendo gravado, Lula propôs criar um “polo de exportação de veados” em Pelotas. O PT nunca mais se recuperou na cidade.

PIRATARIA PETISTA
O presidente do PT, Rui Falcão, detonou o jornalista Luiz Lanzeta por sua proximidade com Amaury Ribeiro Jr., autor do Privataria Tucana, provocando seu afastamento da campanha de Dilma, em 2010. Agora, Falcão usa o livro na campanha do PT contra o PSDB de São Paulo.

BOLSA-EMERGÊNCIA
Criado pelo Ministério da Integração, o Cartão de Pagamento de Defesa Civil repassou R$ 272,4 milhões para aquisição de itens de emergência. O Estado do Amazonas foi o que mais recebeu: R$ 64 milhões.

ESTELIONATO CONSENTIDO
A  Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) permite que as empresas entreguem apenas 10% da velocidade de conexão à internet que vendem. Ou seja, que elas vendam o que não têm. Em novembro, passará a 20%.

AGORA VAI
Pelo menos na internet os poderes são independentes: o Interlegis, programa de modernização do Legislativo, unificou os domínios do Senado, Câmara e Tribunal de Contas: todos terão a extensão “leg.br”. 

FIDEL MUY VIVO...
O ditador aposentado de Cuba, Fidel Castro, desmentiu que batia as botas “reaparecendo” com fotos num hotel em Havana, sábado (21). 
E disse à imprensa oficial que “nem dor de cabeça” ele tinha. 

...PERO NO MUCHO
Fidel deve ter tido dor de cabeça no domingo (21): o jornal estatal Granma mostrou um representante votando por ele nas eleições municipais, permitido “quando o eleitor não pode ir pessoalmente”. 

DETEFON
O ministro Dias Toffoli inaugurou ontem o voto fulminante no Supremo Tribunal Federal: em um minuto, a quadrilha sumiu. 

PODER SEM PUDOR

TORCEDOR SOFREDOR

A linha dura não gostava de votos, nem de políticos, mas teve sempre uma bancada fiel no Congresso. O deputado Jorge Arbage (PA) era um entusiasta do jeito tanque de guerra de ser do ex-ministro do Exército Sylvio Frota, por isso ficou abatido quando Ernesto Geisel o demitiu em 1977, após tortura e assassinato de opositores no Doi-Codi. Arbage ainda estava abatido quando cruzou com o então jovem deputado paranaense Álvaro Dias. A uma provocação, desabafou:
- Isto é como futebol. Perder um jogo não significa perder o campeonato.
Arbage sofreu o pior que pode acontecer a um torcedor: viu o seu time perder o jogo e também o campeonato.

TERÇA NOS JORNAIS


Globo: A reta final do mensalão – STF condena quadrilha e agora só falta a pena
Folha: STF condena Dirceu e cúpula do PT por formação de quadrilha
Estadão: Supremo condena Dirceu por formação de quadrilha
Correio: Quadrilha do mensalão é condenada pelo STF
Valor: Captações de empresas vão a US$ 40 bi e batem recorde
Estado de Minas: Obstáculos no caminho da Copa
Jornal do Commercio: Julgamento do mensalão acaba com 25 condenados
Zero Hora: Supremo condena Dirceu e mais nove por formação de quadrilha

segunda-feira, outubro 22, 2012

NOTA DE ESCLARECIMENTO DE ELISEU PADILHA

Sobre a nota "DOIS EX-MINISTROS PROCESSADOS POR IMPROBIDADE" publicada na COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO em 20/10, recebí correspondência do ex-ministro Eliseu Padilha que transcrevo abaixo.



Prezado Sr. Murilo.

Como vi a publicação da matéria intitulada DOIS EX-MINISTROS PROCESSADOS POR IMPROBIDADE, relativamente a abertura de processo por improbidade administrativa, contra mim e o Ministro Eduardo Jorge, peço para esclarecer, no mesmo espaço que:

I - Não se trata de um novo processo ou coisa da ordem. Esta ação tramitava desde o ano de 2003 e a Justiça Federal de Primeira Instância já a havia rejeitado;

II - Como o Ministério Público Federal recorreu, a notícia dada por ele que motivou sua postagem é de que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília, teria decidido pelo andamento de tal Ação;

III - No Mérito, caso tal Ação venha a tramitar, nada, absolutamente nada tenho a temer. Nada fiz de improbo. Logo não há do que temer. Minha participação no assunto foi a seguinte:

1 - Meu Gabinete recebeu, da Secretaria Geral da Presidência da República o Aviso 214/SGEm 23 de setembro de 1997, expediente de rotina, nos seguintes termos:

"Aviso 214/SGEm 23 de setembro de 1997

Senhor ministro, Encaminho, em anexo, a correspondência do Deputado Alvaro Gaudêncio Neto, que trata de assunto relacionado a área de competência desse Ministério.

Muito agradeceria providências de Vossa excelência que permitam o exame do referido documento e, posteriormente, o envio de informações a esta Secretaria-Geral do
seu resultado.

Atenciosamente.

EDUARDO JORGE CALDAS PEREIRA

2 - Cumprido a praxe do Ministério, tal correspondência e o anexo foram encaminhados para a Autarquia DNER, que tinha Autonomia Administrativa, para a avaliação do solicitado pela Secretaria Geral da Presidência da república. Esta foi a participação de meu Gabinete. Encaminhar, sem acrescer ou subtrair nada;

3 - Tanto no expediente de rotina da Secretaria Geral da Presidência da República, quanto no encaminhamento de tal correspondência ao DNER, nada foi Sugerido, Determinado ou Autorizado.

Tratava-se de mero pedido de informação a uma Autarquia que tinha Autonomia Administrativa.

IV - O fato imputado na Ação do Ministério Público Federal não existe. Não houve nenhuma improbidade de minha parte. Daí porque, passados 15(Quinze) anos - desde 1997 -, sequer o processo estava em andamento;

V - Se e quando eu for instado a me manifestar em tal processo, repetirei o que já fiz antes da Justiça Federal de Primeira Instância o rejeitar: Comprovar que o fato improbo a mim atribuído não existe;

VI - Lastimo profundamente que esta notícia tenha sido "requentada", pela enésima vez, com o fito exclusivo de, injustificadamente, menosprezar e prejudicar a alguns e valorizar e elevar a auto estima de outros.

Agradeço pela oportunidade de, com sua publicação desta, ser conhecida a outra face de tal "requentada" notícia.

Atenciosamente.

ELISEU PADILHA.

Libertando o dragão - RICARDO AMORIM

REVISTA ISTO É


É preciso atenção redobrada com uma série de fatores que favorecem a volta da inflação

Em todo conto de fadas que se preze, para conquistar a formosa princesa, o príncipe precisa antes derrotar um temível dragão. Com a economia brasileira não foi diferente. Por quase duas décadas, nossa princesa do desenvolvimento foi refém do dragão da inflação.

A partir do Plano Real fomos gradualmente domando o monstro. O controle da inflação, somado ao aumento da população em idade de trabalho e aos impactos na economia brasileira da entrada da China na OMC, permitiu que a taxa média de crescimento do PIB do País a partir de 2004 fosse o dobro da média dos 24 anos anteriores. Além disso, a distribuição de renda melhorou muito.

Desde 1999, o dragão inflacionário brasileiro esteve amarrado a um tripé chumbado firmemente. Sua primeira perna é o regime de metas de inflação. À medida que elas foram sendo atingidas, a credibilidade do regime e sua capacidade de balizar as expectativas inflacionárias

e de reduzir o risco de uma aceleração foram crescendo.

A segunda perna do tripé é o câmbio flutuante. Quando a economia mundial está aquecida, os preços das matérias-primas que exportamos sobem e as entradas de capitais no país aumentam, valorizando o real e barateando produtos importados, o que segura a inflação.

A terceira perna é a política de superávit primário do governo. Além de garantir a solvência brasileira - evitando que o País passe por uma crise similar à de muitos países europeus -, essa poupança pública para pagamento de juros limita os gastos do governo, reduzindo o risco de que a demanda interna se aqueça e alimente a fogueira inflacionária.

Acontece que, de uns tempos para cá, o governo vem serrando as três pernas do tripé. O Banco Central tem reduzido a taxa de juros, mesmo com a inflação acima da meta e em elevação. Para piorar, muitos já desconfiam de sua independência em relação ao governo e

de sua capacidade de apertar o cinto, elevando a taxa de juros para segurar a inflação, quando necessário.

A julgar pelos últimos meses, o dólar agora só pode flutuar entre R$ 2 e R$ 2,05. Uma taxa de câmbio mais desvalorizada encarece produtos importados, elevando a inflação.

Por fim, o governo já admite que a meta de superávit primário não será cumprida. De quebra, para proteger alguns setores da indústria, o governo vem elevando a alíquota de importação de diversos produtos, colaborando para preços e inflação mais altos por aqui.

Não bastasse o tripé já meio bambo, o dragão está ganhando força por outros fatores. O desemprego é o mais baixo da história, gerando elevações de salário acima da inflação, o que é ótimo do ponto de vista social, mas também eleva os custos de produção, pressionando os preços.

Além disso, os países ricos emitem moeda no ritmo mais acelerado da história. Isso eleva os preços de matérias-primas, ajudando nossas exportações.

No entanto, sem apreciação cambial, a inflação por aqui aumenta. O preço da gasolina, por exemplo, subirá em breve ou a Petrobras terá de cancelar investimentos.

Por fim, a quebra de safra de grãos em várias partes do mundo devido a um clima desfavorável elevou ainda mais os preços dos alimentos.

Em resumo, se o governo não voltar a reforçar o tripé anti-inflacionário, não se assuste se encontrar o dragão inflacionário voando cada vez mais alto e levando com ele nossa princesa do desenvolvimento.

Sexo virtual - WALCYR CARRASCO

REVISTA ÉPOCA

Confesso: nunca pratiquei. Não nego que tenho certo preconceito, mas quem sabe um dia?



Um amigo notou que o filho adolescente quase não saía mais de casa. O garoto tinha poucos amigos, vida social mínima. O tempo todo no computador. Finalmente, descobriu que o filho “namorava” pela internet. E como! Gatonas mais velhas, com perfil falso. Gatinhas de sua idade, com o verdadeiro. Tudo virtual. Meu amigo ainda não sabe o que fazer. Descobriu que filhos de outros amigos têm o mesmo problema. A internet substituiu a vida social. E, em muitos casos, também a sexual. Como orientar um jovem nesse mundo?

– Eu esperava ter de discutir com meu filho por causa de baladas, porres. E não porque se apaixona pela internet.

– O mundo mudou tanto que já nem sei o que é normal ou deixa de ser – respondi. O computador transformou o jeito de viver das pessoas.

Suspeito quanto o garoto, no fogo da idade, apronta na internet. Não é só coisa de adolescente. Ouço tantas histórias de sexo virtual que, embora não tenha dados estatísticos (e quem vai conseguir?), tudo me faz acreditar que se tornou mais comum do que se pensa. Sob um perfil fake, alguém pode realizar as fantasias. Sem contato físico, é verdade. Mas a mente humana é tão poderosa que, para muita gente, o corpo a corpo talvez se torne até desnecessário. Já não era assim nos tempos do telefone erótico? Ligava-se para um número, a garota “se descrevia”, e o cliente vivia momentos selvagens, cobrados minuto a minuto. O embrião de tudo isso é antigo. Na peça Cyrano de Bergerac, de Edmond de Rostand, do século XIX, o narigudo personagem conquista a bela Roxane escrevendo cartas que o atlético Cristiano envia em seu nome. Um personagem se passa por outro, para viver uma história de amor. Conheço um paulista magro, com cara de vassoura, que entra na internet usando as fotos de seu melhor amigo, malhado e bonitão. Tem incríveis sessões de sexo virtual com mulheres maravilhosas. Quando a garota quer conhecê-lo pessoalmente ou, o que é mais comum, através da câmera, desliga.

– Quando mandava minha foto, elas não respondiam mais. Agora me divirto.

Não fiz mais perguntas. Respeito a loucura alheia.

– Você primeiro, escreveu o professor.Riscos existem. Não só com desconhecidas. Há algum tempo, o juiz de futebol celebridade Diego Pombo abriu a câmera, ficou nu e praticou um sexo que só não foi solitário porque a namorada o observava pela câmera, em casa. A safada gravou tudo, e as imagens foram parar na internet. O rapaz reclamou da “traição”. Tarde demais. O mesmo já aconteceu com outras celebridades. E com gente menos famosa também. Num colégio da periferia de São Paulo havia um diretor heterossexual e autoritário que hostilizava um professor efeminado. Uma noite, o professor entrou numa sala de bate-papo com nome falso. Conversou com um desconhecido. Foram para um chat privado. O desconhecido propôs ligarem a câmera.

Era o tal diretor! O professor simulou um problema em sua câmera e partiu para uma longa simulação de sexo virtual, com pedidos exóticos, tipo:

– Agora abre as pernas!

E o diretor abria. Que escândalo! A gravação foi vista por todo corpo docente e boa parte dos alunos da escola. Até hoje o diretor não sabe onde enfiar a cara.

A fantasia sempre ocupou um enorme papel nas relações íntimas. Na internet, ela pode atingir o ponto máximo. Tanto que pessoas de comportamento tradicional em público, como o tal diretor, são capazes de desfraldar os desejos para um desconhecido, sem pudor, no chat privado. Só entendi o real papel da fantasia quando estive no Japão. Descobri: há homens que se apaixonam por bonecas tamanho natural. A ponto de, nos fins de semana, levarem para passear de carro. Imagino que, quando a robótica se unir à indústria erótica, serão fabricados robôs femininos e masculinos com equipamento sexual completo. Será um passo adiante do sexo virtual, pois o robô corresponderá à fantasia absoluta do outro. Só dependerá de uma programação. Amor e romantismo serão palavras sem sentido, possivelmente. O estranho, o original, será o casal formado por dois seres humanos de carne e osso.

Posso ter exagerado. Mas é por isso tudo que, não nego, tenho certo preconceito contra o sexo virtual. Onde nos levará? Confesso: nunca pratiquei. Até me sinto ultrapassado. Sou do tipo que nunca diz: “Desta água não beberei”. Quem sabe um dia? Mas não está nos meus próximos planos. Ainda gosto de conhecer alguém, olhar nos olhos e dividir a vida.

A ETERNA FALÁCIA DAS COTAS - REVISTA ÉPOCA

REVISTA ÉPOCA


O governo federal está prestes a cometer mais um erro ao estabelecer preferências raciais na contratação de funcionários


O governo federal planeja anunciar, em novembro, a adoção de cotas para negros no funcionalismo público federal. A cada concurso, um determinado número de vagas será reservado a candidatos de acordo com a cor de sua pele. Eles terão de fazer as provas como todos, mas suas chances serão diferentes. Trata-se de uma consequência do Estatuto da Igualdade Racial, aprovado em 2010, a primeira lei em mais de um século que distingue brasileiros por sua cor. É inegável que negros sofrem preconceito no Brasil e, por isso, vivem em condições sociais mais desfavoráveis. Não há evidências, porém, de que a garantia de espaço no funcionalismo público ou nas universidades seja uma maneira eficaz de acabar com isso. A política de cotas promete criar apenas mais uma distorção na já ineficiente máquina estatal brasileira.

A justificativa recorrente de “movimentos sociais” para a adoção de políticas de cotas é a necessidade de corrigir a injustiça provocada pelo passado escravocrata brasileiro. É uma visão simplista de uma questão complexa. A genética mostra que o brasileiro é essencialmente mestiço. Brancos têm genes de negros e vice-versa. Acreditar que os negros brasileiros de hoje são descendentes dos escravos é falta de conhecimento. A união de cotas e emprego público formaliza apenas duas compulsões nacionais: por garantir um espaço econômico com menor concorrência e por pendurar-se no Estado. A partir de 1988, a exigência de concursos consolidou um procedimento civilizado para selecionar funcionários. Apesar do ainda elevado número de cargos que podem ser preenchidos por critérios políticos, a maioria dos servidores é escolhida com base no mérito e na competência. Mas o mérito não pegou no Brasil.

Desde o início das discussões sobre cotas, seus defensores buscavam espaço em universidades e empregos públicos. É curioso que se tente privilegiar o ingresso nos dois últimos passos do caminho profissional, em vez de tentar resolver as deficiências crônicas do ensino fundamental e médio - incapaz de garantir a igualdade de oportunidade tão preconizada pelos movimentos sociais. Será que seus integrantes aceitariam trocar as cotas raciais em universidades ou no serviço público por cotas sociais para crianças pobres nas melhores escolas no ensino fundamental ou médio? Se isso ocorresse, as crianças teriam tempo de aprender e, mais tarde, por seu próprio esforço e mérito, disputar vestibulares e concursos públicos sem precisar da garantia de preferência pela cor da pele.

As cotas raciais foram adotadas nos Estados Unidos na década de 1970, como forma de corrigir distorções causadas por 80 anos de política segregacionista. Foram abandonadas por decisão da Suprema Corte. Na África do Sul, provavelmente o caso mais brutal da história, elas surgiram ao final do regime do apartheid como forma de integrar os negros. Recentemente, migrantes chineses obtiveram o direito de ser incluídos no sistema. Na índia, as castas disputam a tapa o direito de entrar em alguma cota. O Brasil republicano, que nunca separou as pessoas pela cor da pele, trilha agora esse caminho, em vez de aprender com os erros e acertos de quem já andou por aí e teve de voltar atrás.