terça-feira, outubro 16, 2012

O que quer Cabral? - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 16/10


O lançamento do governador Sérgio Cabral, pelo prefeito Eduardo Paes, para vice na chapa da presidente Dilma, em 2014, teve várias leituras. O PMDB nacional viu no fato a tentativa do grupo de Cabral de cavar vaga no Ministério. Para o Planalto, não passa de factoide, pois Cabral não representa o PMDB. Na oposição, um sinal de que o governador do Rio pode mudar de lado na sucessão.

Tráfico de pessoas
A Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça acaba de concluir diagnóstico inédito sobre o tráfico de pessoas no Brasil. O estudo revela que, entre 2005 e 2011, 475 brasileiros foram vítimas desse crime. Desses, 337 sofreram exploração sexual, e 135 foram submetidos a trabalho escravo. Produzido em parceria com o Escritório da ONU sobre Drogas e Crimes, revela que a maioria das vítimas está entre as que têm como destino o Suriname (133), rota de passagem para a Holanda (71); a Suíça (127); e a Espanha (104). A Polícia Federal constatou, em seus arquivos, que são mulheres 55% dos indiciados como aliciadores, recrutadores ou traficantes.

“O eleitor buscou nomes e perfis novos. O mensalão teve efeito marginal nas eleições, à exceção de São Paulo, onde é maiora dicotomia PSDBx PT”
Bruno Araújo Líder do PSDB na Câmara dos Deputados (PE)

Salto alto e canelada
O ministro Aldo Rebelo (Esporte) não gostou das críticas do prefeito Eduardo Paes (Rio) sobre a organização da Copa do Mundo. Acha que a reeleição consagradora deixou Paes de “salto alto”. Hoje, o ministro promete o contra-ataque.

Virar o disco
O efeito mensalão pode ter se esgotado na eleição para a prefeitura de São Paulo. Pesquisas qualitativas feitas pela campanha do tucano José Serra indicam que os eleitores estão começando a reagir contra a linha da “pancadaria”. As “qualis" pedem um candidato sedutor e propositivo, que aborde suas propostas para resolver os grandes problemas da cidade.

O PSDB e os eleitores
Os tucanos começam a questionar sua ação em Osasco (SP). O partido, que fez do mensalão seu carro-chefe nas eleições, manteve um candidato ficha-suja, Celso Giglio, impugnado pela Justiça Eleitoral. O PSDB produziu 149 mil votos nulos.

Quem tem aliados assim...
O secretário de Comunicação do PT, deputado André Vargas (PR), e o senador Roberto Requião (PMDB-PR) trocaram farpas nas redes sociais no domingo. O clima azedou, e Requião encerrou o bate-boca sobre o resultado das eleições nas grandes cidades do Paraná com uma ameaça: “O que vi de parte da direção do PT foi trairagem, não da base. Pagarão o preço, e não será barato.”

Apostando na desinformação
Uma suposta “Frente em Defesa da Vida” fez panfleto contra o candidato do PT em Fortaleza (CE), Elmano de Freitas, dizendo que ele vai legalizar o aborto. O tema é tratado no Código Penal e não pode ser alterado por leis municipais.

O PR sobe no muro
Os petistas avaliam que, pelo conjunto da obra nas eleições, o PR deve perder espaços no segundo escalão do governo Dilma. O que mais irritou foi o apoio do senador Alfredo Nascimento (AM) ao tucano Arthur Virgílio em Manaus.

O PLANALTO empurrou para o dia 22 a possibilidade de a presidente Dilma ir a Manaus participar da campanha de Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

Um momento e depois - JANIO DE FREITAS

FOLHA DE SÃO PAULO - 16/10


Duda Mendonça, além de talentoso, é homem de sorte, compartilhada com sua sócia Zilmar Fernandes



A segunda coincidência prevista entre o julgamento no Supremo e as eleições (onde haja segundo turno) também terá, como a primeira, um dos dois temas mais agudos de acusação e de votação. No primeiro turno, foi a votação referente a José Dirceu e José Genoino. A seguinte será sobre a existência, ou não, de organização dos acusados para a prática sistemática e continuada de crimes, que vem a ser a formação de quadrilha.

"Quadrilha" e "grupo criminoso" foram mencionados várias vezes na sessão de ontem. Embora se demonstrasse, mais uma vez, as mágicas de que o sucesso público é capaz neste país obcecado por celebridades. Até a leitura feita pelo ministro Joaquim Barbosa estava diferente. Mansa e solta, uma correnteza sem corredeiras, de um acusador que pôde mesmo admitir, com naturalidade, um caso de dúvida, deixada aos critérios alheios. E até conceder absolvições, ainda que apenas em parte.

"Por falta de provas" foi outra menção do ministro relator Joaquim Barbosa. E os indícios, de tanta utilidade para amparar votos ali, com o atribuído "valor de provas"? E as deduções, capazes de concluir que as trapaças financeiras se deram por "golpe" e continuísmo, entre outras deduções de idêntica miséria factual? O acusado Duda Mendonça, além de talentoso, é um homem de sorte, compartilhada com sua acusada sócia Zilmar Fernandes.

Os dois foram dispensados de ter obrigatório conhecimento da origem ilícita do dinheiro recebido. Não havia por que saberem mesmo. Tratou-se de receberem o pagamento pelo trabalho de excelência na campanha de Lula. Para outros, valeu a dedução de que "só podiam ter conhecimento" ou "não podiam deixar de saber", duas expressões que nem a martelo se encaixariam direito em votos judiciais. Mas, de esguelha, esbeiçadas, lá foram enfiadas. E guardam-se, sonoras, em vídeos do próprio STF para quem duvide e para a posteridade.

Duda e Zilmar tiveram outra dispensa, não concedida pelo relator a mais acusados. À falta do pagamento por seu trabalho, os sócios contataram Delúbio Soares. Foi o que fizeram outros, como os então deputados Paulo Rocha e Professor Luizinho, para o mesmo fim. No caso deles, procurar pelo tesoureiro do seu partido, o mesmo Delúbio, levou à dedução acusatória de que comprovava o conhecimento da origem ilícita do dinheiro.

Mas escapar de ser, também, motivo de investida de Joaquim Barbosa contra Ricardo Lewandowski, impedindo-o de proferir normalmente o seu voto de revisor, esse direito Duda e Zilmar não tiveram. E lá se foi a fisionomia descontraída do relator Joaquim Barbosa, logo submetida às discordâncias vindas dos esforços conscienciosos da ministra Rosa Weber. Para começar.

MISTÉRIO

O surpreendente lançamento, pelo prefeito Eduardo Paes, do governador Sérgio Cabral a vice de Dilma Rousseff em 2014, está aberto a interpretações. Em 24 horas recebeu dezenas, ou mais, em todos os sentidos -e nada de conclusão.

Instinto de sobrevivência - ELIANE CANTANHÊDE


FOLHA DE S. PAULO - 16/10


BRASÍLIA - A única conclusão até agora na troca de cotoveladas de governistas pela vaga de vice em 2014 é que a turma está considerando a candidatura Dilma fortíssima.

Tudo o mais são especulações, já que o vice Michel Temer tem sido muito eficiente ao proteger os interesses eleitorais de Dilma e Lula. Temer e seu PMDB não morrem de amores pelo PT, mas são imbatíveis para perceber com quem está e estará o poder. E sabem se defender.

Na eleição de Belo Horizonte, Temer, acionado por Dilma, retirou em 24 horas a candidatura própria do PMDB para apoiar o petista Patrus Ananias, que, vale lembrar, nem chegou ao segundo turno.

Em São Paulo, Temer correu para Dilma e para Lula e, no primeiro minuto, já jogou Gabriel Chalita no colo do petista Fernando Haddad, agora na dianteira do segundo turno.

Temer sabe o parceiro de governo que tem, sabe os muitos aliados que o Planalto tem (particularmente o ascendente PSB) e sabe, mais do que ninguém, o partido que ele próprio tem. Não descuida da retaguarda, muito menos no PMDB.

Não bastasse o governador Eduardo Campos (PE), ele agora tem de cuidar muito da ousadia do PMDB do Rio, ou seja, do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes.

Eduardo, o Campos, esfregou derrotas feias na cara de Lula e do PT em BH e em Recife no primeiro turno e tem planos ambiciosos para o futuro, seja para vice, seja para presidente. Está sondando o terreno, acomodando-se ao cenário, sentindo a barra.

Já o outro Eduardo, o Paes, não lançou o nome de Cabral para vice de Dilma só para fazer uma gracinha. Aí tem. Cabral e Paes, campeão de votos no país, dominam o Rio, ponta importante no tripé que manda no país, política e economicamente.

A ameaça à posição de Temer, assim, vem de dentro do bloco governista e não de fora, da oposição -onde tem muitos amigos, aliás. Do tempo em que a oposição era governo.

Qual reforma tributária - EDITORIAL O ESTADÃO


O ESTADÃO - 16/10

Empresários e contribuintes em geral gostariam muito de acreditar na afirmação do ministro interino da Fazenda, Nelson Barbosa, de que "a reforma tributária já começou e está caminhando".

De que é urgente uma reforma extensa e profunda de nosso sistema de impostos, contribuições e taxas, ninguém que conheça o assunto parece discordar, como deixaram claro os participantes do seminário Como avançar na agenda da tributação, promovido pelo Estado e pela Agência Estado, com o apoio da Confederação Nacional da Indústria. Afinal, há muito tempo a complexidade do sistema tributário - que impõe despesas administrativas extraordinárias às empresas - e o alto peso dos impostos - que onera demasiadamente os custos de produção no País e continua a crescer - retiram competitividade dos produtos brasileiros e retardam o crescimento. Ainda que ela esteja em curso, no entanto, de que reforma falou o ministro interino, em entrevista ao Estado (11/10)? Quando autoridades, empresários, tributaristas e outros contribuintes discutem a reforma tributária, o único ponto com o qual todos concordam é quanto à sua necessidade e urgência. É preciso fazê-la o mais depressa possível. Por isso, governos vêm anunciando projetos de reformas tributárias praticamente desde a promulgação da Constituição de 1988.

Como lembrou o economista e ex-coordenador da Administração Tributária do Estado de São Paulo Clóvis Panzarini em artigo publicado neste jornal, propostas de reforma tributária têm sido enviadas ao Congresso desde o governo Fernando Henrique. Em abril de 2003, ainda no início de seu primeiro mandato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva caminhou do Palácio do Planalto até o Congresso acompanhado por 27 governadores para apresentar a reforma que seria a mais desejada por todos. Garantia ter feito em três meses o que seu antecessor não conseguira em oito anos.

De tudo isso, o efeito prático, nocivo para os contribuintes e para a economia brasileira, foi a criação ou a renovação do imposto sobre o cheque, sob diferentes formas.

E por que, embora tão defendida, a reforma tributária pouco avança? A reforma não sai porque quem mais está falando em fazê-la, isto é, o governo federal, não é dono do principal imposto a ser reformado, que é o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), de natureza estadual, observou o economista Raul Velloso. "O dono do ICMS são os governadores, que não querem perder receita." Criado como um imposto de valor adicionado, o ICMS foi sendo desfigurado e hoje, como observou Panzarini, é "o grande protagonista do manicômio tributário brasileiro". É ele que gera a guerra fiscal entre os Estados, a guerra dos portos (uma forma específica da guerra fiscal) e a guerra do comércio eletrônico. A toda iniciativa de mudança nas regras do ICMS os governadores reagem com desconfiança, pois temem que seus Estados percam receitas e outros ganhem.

Como os governadores só concordam com uma reforma que não lhes imponha perdas de receita, a mudança só se fará com o sacrifício adicional do contribuinte. Mas este já vem sendo crescentemente onerado, pela persistente elevação da carga tributária, que passou de 25,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 1993 para 35,88% no ano passado e, em 2012, deve ultrapassar 36% do PIB.

Diante da imensa dificuldade para chegar a um projeto abrangente que tenha apoio político suficiente, o governo Dilma tem optado por medidas pontuais, entre as quais o secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto, apontou a desoneração da folha de pagamentos de 20% da contribuição previdenciária. Outras ainda estão em estudos, como a simplificação das regras do ICMS e do PIS/Cofins, mas poderão ficar para 2014, para evitar perdas de receitas em 2013, quando a economia brasileira ainda deverá estar se recuperando da crise.

Tem havido alguns poucos benefícios para o setor produtivo, e outros poderão surgir futuramente, mas as empresas continuam envolvidas por um cipoal de normas tributárias que afetam seus negócios e seu crescimento - e, com mudanças a conta-gotas, assim continuará por muito tempo.

Cota de populismo - EDITORIAL FOLHA DE SP


FOLHA DE S. PAULO - 16/10



Governo estuda reservar vagas no funcionalismo com base em critério racial; ação amplifica defeitos da política imposta às universidades



A Casa Civil dispõe de um mês para corrigir os exageros de populismo racialista que rondam o Planalto. Tempo de sobra para reverter, até 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, a simpatia aparente do governo Dilma Rousseff pela generalização do recurso simplista às cotas raciais.

Esta Folha revelou no domingo os pontos principais de um pacote de ações afirmativas alinhavado na Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) para essa data. O mais chamativo -e problemático- é a reserva de 30% dos postos na administração federal para negros (categoria inexistente para o IBGE, que recenseia "pretos" e "pardos").

No que respeita às cotas em universidades federais, o leite já está derramado. O Congresso aprovou uma violenta elevação do número de vagas carimbadas como exclusivas de alunos de escolas públicas e de minorias raciais. Em afronta à autonomia universitária e às políticas locais adotadas em várias instituições, metade dos postos terão de ser preenchidos por esse critério já no próximo vestibular.

Há quem ataque as cotas sob o argumento de que são inconstitucionais, mas o Supremo Tribunal Federal decidiu em maio -por 10 votos a 1- que não é esse o caso.

Além disso, ações afirmativas são um modo aceitável de corrigir distorções, mais para aumentar a diversidade social e étnica nas instituições do que para reparar injustiças originadas com a escravidão, abolida há 124 anos.

Por pesada que seja essa herança, o Brasil republicano nunca teve a discriminação racial consagrada em lei. É doloroso ver que a sacramenta agora, ainda que para beneficiar os que sofrem desvantagens sociais por causa da cor da pele.

Por tal razão, esta Folha sempre se posicionou contra o perfil racial das cotas. Admite-as unicamente com critério socioeconômico (como o estudo em escolas públicas, onde se concentram pobres, pretos e pardos). É um recurso legítimo para aplainar o terreno da igualdade de oportunidades para formação e desenvolvimento pessoal.

No caso do funcionalismo federal, até mesmo esse critério socioeconômico seria questionável. O servidor público não está a serviço de si mesmo, mas -passe a tautologia- do público. Os princípios da eficiência e da impessoalidade nos negócios de Estado não admitem que seja selecionado por atributos outros que não a competência e o mérito, aferidos em concurso.

Uma ação afirmativa mais democrática e menos paternalista deveria preocupar-se, por exemplo, com oferecer cursos gratuitos para melhorar o desempenho de candidatos pobres nessas provas.

CLAUDIO HUMBERTO

“É um símbolo cultural importantíssimo, grande marca da Bahia”
Ministro Aldo Rebelo (Esporte) garantindo acarajé nos estádios, apesar do veto da Fifa

DILMA PÕE O PRESIDENTE DO INSS NO OLHO DA RUA
A presidente Dilma Rousseff decidiu demitir o presidente do INSS, Mauro Luciano Hauschild, ao tomar conhecimento de que ele se licenciara do cargo para participar da campanha municipal no Rio Grande do Sul. Na presidência do INSS, ele decidiu candidatar-se a deputado federal, em 2014, e trabalhava nesse projeto. Dilma já comunicou sua decisão ao PMDB, que indicou Hauschild ao cargo.

GABAS SUBSTITUI
Mauro Hauschild será substituído interinamente no INSS por Carlos Eduardo Gabas, secretário-executivo do Ministério da Previdência.

BASE ELEITORAL
Gaúcho de Bom Retiro do Sul, Hauschild atuou em Lajeado e Porto Alegre e foi chefe de gabinete do ministro Dias Toffolli, no Supremo.

QUEM INDICOU
Apesar de sua ligação a Dias Toffoli, Mauro Hauschild foi indicado pelo PMDB do ministro Garibaldi Alves (Previdência) para presidir o INSS.

HOMEM DE CONFIANÇA
O substituto de Hauschild, Carlos Gabas, é o maior especialista em Previdência no governo e merecedor da confiança de Dilma. 

DF: SERVIDORES RECEBIAM BOLSA-FAMÍLIA ILEGALMENTE
Um pente-fino realizado pelas secretarias de Transparência e de Desenvolvimento Social constataram que mais de trezentos servidores do governo do Distrito Federal têm recebido, ilegalmente, os benefícios do programa Bolsa Família. Levantamento preliminar indica que vários desses servidores recebem salários superiores a R$ 5 mil mensais. O governo estuda mecanismos de reaver o dinheiro recebido ilegalmente.

SÓ PARA POBRES
Pode se habilitar ao Bolsa Família pessoas com renda mensal de até 70 reais ou renda familiar de 140 reais por mês – per capita.

OPORTUNISMO EXPLÍCITO
O governador Sérgio Cabral só deu as caras para faturar politicamente com a invasão das favelas, no Rio, após confirmar o sucesso da operação.

LISTA PARA O TRT
O Tribunal Superior do Trabalho definiu ontem, em votação secreta, a lista tríplice para a vaga de ministro: os desembargadores Cláudio Brandão (TRT-BA), Jane Granzoto Torres da Silva (TRT-SP) e Lorival Ferreira dos Santos, do TRT de Campinas (SP). 

SE A MODA PEGA...
O Tribunal Superior do Trabalho determinou indenização de R$10 mil à funcionária atingida por celular do chefe num momento de fúria, em Manaus. Já imaginou quanto receberia um alvo de laptop no Planalto? 

DIA DO INFELIZ
Vá lá que Lula não gostava de ler, mas a presidente Dilma, que se diz ávida leitora, poderia ao menos ter lembrado ontem de quem a ensinou a ler. Copiou a UNE, que também esqueceu a importância do mestre.

PILATOS COM SABÃO
Que fique claro: não é verdade que o Dia Mundial da Lavagem das Mãos, instituído pela ONU e celebrado ontem, tenha sido inspirado nos réus do mensalão condenados por lavagem de dinheiro. 

SUPLICYDADE
Eduardo Suplicy (PT-SP) não tem mesmo pose de senador. Ontem, no final da tarde, desceu do carro, um modesto Fiat Uno (não usa carro oficial), para retirar um cone e ajudar seu motorista a estacioná-lo.

E A COPA, Ó
Foi notícia mundial o pneu furado de um cargueiro no aeroporto de Viracopos (SP), atrasando todos os voos do País e prejudicando empresas e passageiros. Pneu de borracha, igual à bola de futebol. 

IRMÃO SEM PRESTÍGIO
De volta ao baixo clero no início de 2013, após entregar o cargo, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), está à beira de um ataque de nervos. Em irritado e-mail à coluna, diz que nada teve com o 82º lugar do irmão na disputa para vereador em Canoas, sua base eleitoral.

VULNERABILIDADE
Dados de servidores do Senado que consultaram os próprios contracheques foram parar no sistema de outros funcionários da Casa. O problema tem gerado constrangimento a quem teve as informações espalhadas em forma de spam. O caso deve parar na Justiça.

VAZAMENTO
A ocupação das favelas cariocas, domingo, vazou na quinta-feira (11). A imprensa não a divulgou para não prejudicar a operação policial.

PENSANDO BEM...
...ao contrário do que diz a Constituição, todos são iguais perante a lei, mas uns são mais negros que os outros. 


PODER SEM PUDOR

NÃO É A MAMÃE

Carlos Lacerda fazia mais um demolidor discurso, na Câmara dos Deputados, contra o "mar de lama" do governo Getúlio Vargas. A deputada Ivete Vargas, sobrinha do presidente, pedia - em vão - um aparte. Cansada da insistência e muito irritada, ela perdeu a paciência:
- F.D.P! - gritou ao microfone.
- Vossa Excelência é muito nova para ser minha mãe! - respondeu Lacerda, na bucha, arrancando gargalhadas do plenário. 

TERÇA NOS JORNAIS


Globo: Governo recorre para não desocupar Jardim Botânico
Folha: Marqueteiro de Lula é absolvido pelo Supremo
Estadão: STF absolve Duda Mendonça e sua sócia no caso mensalão
Correio: Cotistas terão dupla chance no vestibular
Valor: Klein reabre disputa por ações com Pão de Açúcar
Zero Hora: Petrobras quer gasolina 10% mais cara depois do 2º turno
Estado de Minas: Federais correm para se adequar às cotas
Jornal do Commercio: Dircon vai fiscalizar cilindros e bujões

segunda-feira, outubro 15, 2012

Novas rodadas de estímulo em busca do crescimento perdido - PAULO GUEDES

REVISTA ÉPOCA


Em meio à guerra mundial por empregos, os bancos centrais anunciaram nas últimas semanas políticas monetárias ainda mais expansionistas. O Federal Reserve (Fed), dos Estados Unidos, injetará mensalmente mais US$ 40 bilhões de liquidez nos mercados financeiros, por meio da compra de títulos lastreados em créditos imobiliários. O Banco Central Europeu (BCE) finalmente aprovou a compra de títulos de dívida soberana dos países fiscalmente frágeis da Zona do Euro. O Banco Central do Japão acaba de ampliar em 10 trilhões de ienes seu programa de compra de títulos do governo. O Banco Central da China derrubou os juros e ampliou o crédito para moderar o ritmo de desaceleração da economia do país. E o Banco Central brasileiro, depois de derrubar os juros reais para o mais baixo patamar em duas décadas, reduziu também os recolhimentos compulsórios para aumentar a oferta de crédito e diminuir o spread bancário cobrado dos tomadores de empréstimo.

A forte reação dos bancos centrais é uma indicação do esforço das autoridades monetárias para reativar o crescimento da economia mundial. As Bolsas reagiram inicialmente com entusiasmo ao renovado compromisso dos bancos centrais por manter a enxurrada de liquidez que levanta a maré nos mercados financeiros. Mas os preços das ações perderam novamente o gás ante os frágeis fundamentos da produção e do emprego em toda parte.

Mesmo a recuperação econômica americana, que prossegue graças à abordagem mais agressiva do Fed, tem pela frente a ameaça de um "abismo fiscal" - enormes cortes de gastos públicos e aumentos de impostos que serão disparados automaticamente na ausência de um entendimento suprapartidário para correção do atual desequilíbrio fiscal.

O terceiro afrouxamento quantitativo de liquidez do Fed (QE3) tem como maior objetivo estimular o aumento da produção e a criação de empregos no setor real, já que, ao contrário dos episódios anteriores em 2008 (QE1) e 2010 (QE2), não há nenhuma ameaça de deflação, tão temida pelas autoridades. As expectativas de mercado para a inflação nos próximos dez anos nos Estados Unidos atingiram 2,73% ao ano após o anúncio das novas medidas de estímulo monetário, seu patamar mais alto desde maio de 2006. Essa política de crédito farto e dinheiro barato trouxe embutidos dois preocupantes sinais. O primeiro é que não tem prazo para acabar. O segundo é que o Fed escolheu a taxa de desemprego - e não mais de inflação - como meta a perseguir.

Já sabíamos informalmente que Ben Bernanke, o presidente do Fed, despejaria dinheiro e sustentaria os preços dos ativos financeiros, em desesperada tentativa de criar empregos, até eventualmente inflacionar a economia americana. Sua política monetária tem sido "reflate until it inflates", ou emitir até inflacionar. Evitar a temível deflação dos preços de bens e serviços e espantar o fantasma da Grande Depressão é algo que ele tecnicamente pode fazer. Mas o que está anunciando agora - que manterá as taxas de juros em níveis extraordinariamente baixos por tempo extraordinariamente longo, de modo a reduzir permanentemente a taxa de desemprego - é algo que tecnicamente não pode prometer.

É compreensível que, em tempos extraordinários como a grande crise contemporânea, o Fed tenha recorrido a medidas também extraordinárias. Mas, se teve sucesso em impedir que se reeditasse uma Grande Depressão como nos anos 1930, tem produzido bolhas imobiliárias e financeiras em série. As baixas taxas de juros e o crédito farto tornaram-se verdadeiras bombas-relógio. Os juros baixos de 2002 a 2006 para reflacionar a economia, após o estouro da bolha acionária de novas tecnologias em 2000-2001, acabaram criando novas bolhas imobiliária, financeira e acionária, que estouraram em 2007-2008. E as mesmas políticas, que prosseguem expansionistas com os programas QE1, QE2 e agora QE3, são o ovo da serpente da próxima grande bolha em formação, dos títulos públicos do governo americano.

Como alertava o prêmio Nobel de Economia Milton Frie- dman, em seu clássico O papel da política monetária (1967), os bancos centrais não podem fazer indefinidamente o que está sendo prometido por Bernanke. Na seção intitulada "Ò que a política monetária não pode fazer", Friedman afirma: "Das infinitas limitações da política monetária, destaco duas: 1) não pode manter juros excessivamente baixos, a não ser por períodos muito curtos; 2) não pode reduzir a taxa de desemprego, a não ser por períodos muito curtos". Se primeiro Alan Greenspan e agora Bernanke mantiveram os juros baixos por tempo suficiente para evitar as pressões deflacionárias nos mercados de bens e serviços, esse tempo se demonstrou demasiado longo para impedir a formação serial de bolhas nos preços dos ativos.

Os americanos se perderam por tanto tempo nesse labirinto que acabaram atraindo o mundo inteiro para a mesma armadilha em que já haviam caído: o recurso ao dinheiro barato dos bancos centrais na tentativa de evitar os ajustes estruturais exigidos pela deterioração de fundamentos econômicos. Trata-se de uma mudança no regime monetário mundial, uma nova época com taxas de inflação mais elevadas e menores taxas de crescimento.

Esse fenômeno será visível inicialmente na economia americana, exatamente pelo maior vigor da atuação do Fed. Enquanto os países europeus permanecem submetidos à maior disciplina imposta pela moeda única, os americanos seguem à frente numa recuperação cíclica à base de estímulos monetários. Essa recuperação pode ser abortada, em 2013, pelo mergulho no "abismo fiscal" ou, em 2014, pela mudança de atuação do próprio Fed, que subiria os juros mais cedo que o previsto diante de um maior ritmo de crescimento ou taxas de inflação mais elevadas.

A economia brasileira, desalavancada nos anos iniciais da crise (2008-2009) e dessincronizada da economia mundial graças a nossas políticas contracíclicas nos anos seguintes (2010-2011), esfriou consideravelmente em 2012. Em busca do crescimento perdido, disparamos novas rodadas de estímulos fiscais monetários e ao crédito. E deveremos ter em 2013 uma recuperação cíclica, mas também um pouco mais de inflação.

Armínio Fraga poderia presidir o Banco da Inglaterra - MAÍLSON DA NÓBREGA

REVISTA VEJA


Enquanto no Brasil se desmonta a autonomia do Banco Central, o Reino Unido escolherá o novo presidente do Banco da Inglaterra (o banco central) por um método competitivo e transparente. Aqui, o ministro da Fazenda invade a competência do BC e fala abertamente que a taxa de juros (Selic) não vai aumentar. Lá, isso não existe.

Em recente edital, o Tesouro britânico e o Banco da Inglaterra convidaram os interessados a apresentar suas credenciais para o cargo, que vagará em 2013. Quem quiser concorrer deverá enviar a ficha de inscrição. Exige-se liderança, capacidade de inspirar confiança e credibilidade dentro do banco e nos mercados financeiros. É preciso "experiência no exercício de cargo semelhante ou ter exercido função de alto nível em um grande banco ou outra instituição financeira". Não se requer nacionalidade britânica. Pode, pois, ser um brasileiro. O processo segue a tradição iniciada com a profissionalização do serviço público britânico em 1871, no governo de William Gladstone.

Não é à toa que o Banco da Inglaterra participa da própria escolha de seu dirigente máximo. Sua longa história começa em 1694, na esteira das amplas mudanças institucionais da época. Ao assumir a gestão da dívida pública, o banco contribuiu para elevar a confiança e para a queda da taxa de juros. Suas inovações criaram o mercado de crédito para empresas, impulsionaram a atividade econômica e foram decisivas para a Revolução Industrial.

O banco era uma instituição privada até 1946. Mesmo antes da estatização, exerceu crescentes responsabilidades na economia. No fim do século XVIII, virou o banco dos bancos, cabendo-lhe o redesconto, a gestão de crises bancárias e a estabilidade da moeda e do sistema financeiro. Sempre gozou de autonomia operacional na prática, mas se tornou independente por lei em 1997, no governo de Tony Blair. Como é normal, o banco se articula com o ministro da Fazenda e com o Tesouro, aos quais cabe fixar a meta de inflação a ser perseguida pela instituição. Essa relação é de coordenação de políticas e não de subordinação. O ministro não dita o nível da taxa de juros nem fala publicamente sobre o assunto, como muitos por aqui imaginam.

Na atual crise, a exemplo de seus similares nos países ricos, o banco visita novas plagas, visando a evitar falências bancárias e a recuperar a economia. Proporciona liquidez ao sistema econômico por vias não convencionais, o que tem sido interpretado como submissão à orientação do governo. Essa visão, adotada pelos que questionam a autonomia operacional do nosso BC, inclusive no governo, é inteiramente equivocada. Nenhum dos bancos centrais dos países avançados age por ordem de seus governos.

A revista The Economist (1º/9/2012) assinalou os desafios do novo presidente do Banco da Inglaterra. Nestes tempos de crise, além da experiência nas atividades da instituição, ele deve ser capaz de explicar aos políticos e ao público como conduzirá suas complexas tarefas. Por isso, defende a revista, não se pode fazer a escolha recorrendo-se apenas ao estreito estoque de potenciais candidatos britânicos. "A busca do novo presidente deve ser global", diz. Para tanto, The Economist lembra três estrangeiros qualificados, de prestígio mundial, entre eles o brasileiro Armínio Fraga, que presidiu o BC entre 1999 e 2002. A decisão acontecerá até o fim deste ano.

Não seria a primeira vez que um estrangeiro exerceria cargo de alto nível no governo britânico. Antes da privatização, em 1988, a empresa British Steel, gigante do setor siderúrgico – hoje parte do grupo Corus –, foi presidida por um canadense. Recentemente, um dos membros do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra era argentino.

O processo de escolha britânico não poderia ser adotado por aqui, seja porque a lei exige a nacionalidade brasileira para o presidente do BC, seja porque ainda estamos distantes da cultura do serviço público e do estágio de desenvolvimento institucional do Reino Unido. Pede-se pelo menos que se mantenha a sua autonomia operacional, alcançada mesmo sem lei específica, e não se destrua o trabalho de construção institucional de mais de duas décadas.

É sustentável? - ROBERTO POMPEU DE TOLEDO

Revista Veja 


"O saldo maior do julgamento do Supremo Tribunal Federal é a defesa do estado democrático de direito. Por não acreditar nele, o PT tentou revogá-lo, ao revogar o Congresso"


E lá vamos nós, outra vez. Tal qual na deposição de Fernando Collor, tal qual na denúncia dos anões do Orçamento, tal qual nas vitórias eleitorais de candidatos ou partidos nas quais se vislumbrava a vitória da ética e dos bons costumes, eis-nos embalados pela esperança de que agora vai, agora é para valer, o país superou uma etapa e galgou um novo patamar civilizatório. Nenhuma dúvida de que o julgamento do mensalão representa uma virada de página. Jamais tantos e tão notáveis réus foram condenados. A questão é saber se o movimento iniciado pelo Supremo Tribunal Federal é "sustentável", para formar emprestada uma palavra mais freqüente no repertório dos economistas e ambientalistas. Nesse ponto, o passado nos condena. Em seguida ao caso Collor imaginou-se que estava exorcizado o risco de alguém tentar algo parecido. Da perspectiva de hoje, transparece que não poucos candidatos e partidos enxergaram ali um modelo de conquista e manutenção do poder muito útil, desde que executado sem tanta ostentação e despreparo, além de muito proveitoso para o patrimônio pessoal.

A ministra Cármem Lúcia, a admirável campeã dos votos curtos e da economia na erudição e na retórica, protagonizou um grande momento, na sessão da última terça-feira, ao insurgir-se contra a tese da defesa do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. A ministra lembrou que o advogado de Delúbio, Arnaldo Malheiros, afirmara que o cliente não negava ter operado no caixa dois. E por que operara no caixa dois? Ora, acrescentou o advogado, porque a origem do dinheiro era ilícita. Cármen Lúcia disse que nunca, em sua vida profissional, vira alguém comparecer a um tribunal para confessar um crime, e sugerir que sua prática é normal. "O ilícito não é normal", continuou. "Caixa dois é crime, caixa dois é uma agressão à sociedade brasileira. Fica parecendo que ilícito no Brasil pode ser praticado, confessado e que tudo bem. Não está tudo bem".

O mote da ministra pode ser aproveitado em outras situações da vida brasileira, pública e privada. No Brasil, "é normal" subornar o guarda de trânsito assim como "é normal" os profissionais liberais perguntarem se o cliente quer fazer o pagamento com recibo ou sem recibo (eles também praticam o caixa dois). Na vida pública, "é normal" fatiar o ministério entre escusos parceiros e mais "normal"ainda satisfazer com rendosas diretorias de estatais a cobiça dos aliados. O julgamento do mensalão coincidiu com a campanha para as eleições municipais, e o que se viu na campanha? O PT em São Paulo aliou-se a um político que não pode pôr o pé para fora da ilha de sossego chamada Brasil porque, sendo procurado pela Interpol, em qualquer outro país se arrisca a ser preso. Apresentaram-se como candidatos, pelo país afora - como "é normal" - representantes de partidos que funcionam como estandes de venda de si mesmos. Nas negociações para as alianças do segundo turno, não se discutem, e nem sequer se finge discutir, convergências de programas. O que ocorre - como "é normal" - são transações em tomo de cargos e outras vantagens, algumas ilícitas, "e tudo bem".

O saldo maior do julgamento do Supremo Tribunal Federal é a defesa do estado democrático de direito. Por não acreditar nele, o PT tentou revogá-lo, ao revogar o Congresso pelo suborno. O projeto, como disse o presidente do tribunal, Carlos Ayres Britto, era de poder, não de governo, o que implicava uma trampolinagem nos constrangimentos impostos pelas instituições. A investigação que embasou o julgamento não foi longe o suficiente, no entanto, para rastrear o destino final dos muitos milhões de reais envolvidos no caso. Ficou nos líderes e presidentes de partidos que recebiam as quantias e não apurou a quem teriam sido redistribuídas. Não só muita gente ficou de fora, como não se fixaram as bases para requerer a devolução do dinheiro. Como não "é normal" em episódios do gênero no Brasil, os réus foram condenados; mas, como "é normal", o dinheiro escapou.

O caminho aberto com as condenações do mensalão será sustentável, entre muitas outras premissas, quando as condenações incluírem a devolução do dinheiro. Ou quando os partidos se empenharem em coligações baseadas em programas e não em fisiologia. Ou ainda quando, em seguida a um episódio como este, elegermos um Congresso melhor. E será, pobres de nós, não quando cada um desses fatores se impuserem isoladamente, mas quando todos ocorrerem simultaneamente. Árduo é o percurso que ainda temos pela frente.

O dinheiro está aqui - ANCELMO GOIS

O  GLOBO - 15/10


Veja como o setor imobiliário português, com a crise na Europa, tenta ativar o mercado de lá... cá.
Mansões na terrinha serão oferecidas em novembro na I Mostra do Setor Imobiliário Português no Exterior, no Palácio São Clemente, sede do consulado no Rio. O governo luso concederá visto de residência a quem comprar imóveis a partir de 500 mil euros.

Amigo é pra essas...
Jorge Castaneda, o ex-chanceler e escritor mexicano democrata de esquerda, vai visitar o amigo José Dirceu, hoje, em São Paulo, onde está para a reunião da Sociedade Interamericana de Imprensa.
Ao ouvir que Dirceu vive seu pior momento, após a condenação no STF, respondeu: "É nessas horas que mais se precisa dos amigos.”

O homem de Propriá

Há quem aconselhe o ministro Ayres Britto (que, modéstia à parte, é sergipano) a deixar o STF ainda como presidente, dias antes da posse do sucessor. Há precedente.

Dito e feito

Aliás, há oito meses, quando assumiu o comando do Supremo, lembra?, Britto avisou a um amigo:
— Será um mandato curto. Mas intenso.

De folga do mensalão

O ministro Luiz Fux, do STF, foi visto sábado à noite, com o amigo Dana White, chefão do UFC, na plateia da luta de Anderson Silva.

Suíte do Sílvio

A Rádio Camareira diz que, além da Jequiti, fabricante de cosméticos, cortejada pela Coty, outra empresa do Grupo Sílvio Santos é cobiçada por possíveis compradores — o Hotel Jequitimar, no Guarujá, SP

‘SANTINHO’ RECICLÁVEL
A Comlurb recolheu mais de 60t de propaganda eleitoral nas ruas do Rio, reciclou tudo e vai entregar o material a cooperativas de catadores. Acredite, só na Barra, no Recreio, em Vargem Grande e Jacarepaguá, foram recolhidos 43t de lonas plásticas, madeiras e metais, materiais disputados no mercado de recicláveis.

Lobisomem no Brasil

A Paris Filmes trará ao Brasil o ator americano Taylor Lautner para divulgar "A saga crepúsculo: amanhecer — O final” último episódio da série de longas "Crepúsculo’!
O galã, que faz o lobisomem Jacob, chega dia 24.

5XPacificação

"5XPacificação", o filme sobre as UPPs do Rio produzido por Cacá Diegues e Renata Almeida Magalhães, segue em carreira internacional.
Vai participar do Festival Ventana Sur, em dezembro, em Buenos Aires, e do American Film Market, em Los Angeles, EUA, no início de novembro.

Drummond além mar

Dia 31, quando Drummond (1902-1987) faria 110 anos, Sura Berditchevsky, a atriz, vai apresentar o monólogo "Cartas de Maria Julieta a Carlos Drummond de Andrade", no Teatro Nacional São João, no Porto.
É parte do ano Brasil-Portugal.

O mano
Guilherme Patriota, irmão do chanceler Antonio Patriota, será embaixador em Genebra.

Oi, oi, oi

Rico sofre. No dia em que "Avenida Brasil” bateu 49 pontos no Ibope, semana passada, os grã-finos do Edifício Juan Le Pins, o mais caro do Rio, na Praia do Leblon, ficaram sem ver a novela-sensação da TV Globo.
Na hora do desmascaramento de Carminha, um técnico da NET que fazia um reparo num dos andares errou a mão e... pifou todas as TVs do prédio. Foi um tal de madame descer para reclamar, o maior bafafá.

Mas...
Há esperança para os bacanas do Juan Le Pins.
Camelôs de São Paulo estão vendendo DVDs piratas com capítulos da semana anterior.

Sem censura

A 1? Câmara Cível do Rio negou pedido do secretário de Segurança da Bahia, Maurício Teles Barbosa, ex-delegado federal, para proibir menções na internet a um discurso no qual a deputada Cidinha Campos o acusou de "prevaricação e formação de quadrilha”.

Papel de cinco
Parceiro da coluna, engarrafado estes dias na entrada do Túnel Dois Irmãos, em frente à Rocinha, no Rio, ficou intrigado com um vendedor ambulante que, aos gritos, anunciava seus produtos entre os carros:
— Água! Biscoito! Papel de cincooo!

Parece que...
Com a UPP no morro, ficou difícil vender a droga lá em cima.
"Papel de cinco” como se sabe, é um envelopinho com pequena quantidade de droga.

No mais...

Que a retomada das favelas do Rio, como Manguinhos e Jacarezinho, ontem, prossiga e traga paz aos cariocas, amém.

O dilema do ensino técnico - CLAUDIO DE MOURA CASTRO


REVISTA VEJA - 15/10


Lá na década de 70. minhas pesquisas mostravam uma situação bizarra nas escolas técnicas federais. Quanto maiores e mais dispendiosos os esforços para melhorá-las. menos elas cumpriam o seu papel. De fato, por serem as únicas escolas gratuitas de qualidade, passaram a atrair os alunos academicamente mais fortes. Na prática, viraram reserva de mercado para as classes mais altas, cujo único interesse era a preparação para vestibulares competitivos. Alijavam assim os mais modestos que queriam ser técnicos, frustrando-se o objetivo original do curso. Em 1985, eu participava de uma comissão do MEC para examinar essas escolas. Sugeri que fosse separada a vertente acadêmica da profissional Assim, quem quisesse fazer vestibular não perderia tempo nas oficinas, deixando as vagas para quem pretendesse exercer as profissões aprendidas. Palavras ao vento. Em meados de 1990, estava no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e assessorava o ministro Paulo Renato, interessado em um empréstimo para o ensino técnico. Mas a proposta esbarrava no elitismo e na distorção dos cursos. Diante do impasse, desenterrei a minha proposta. que foi aceita e implementada. Quem quisesse o vestibular escolheria o ramo acadêmico. Quem quisesse a profissão iria para o ramo técnico, depois de formado no ensino médio. Ou, então, poderia fazer o médio, simultaneamente.

Os diretores das principais escolas técnicas não apresentaram objeções à proposta. Porém, a nossa esquerda pedagógica não a deglutiu. Dados da Fundação Paula Souza mostraram que as vertentes técnicas passaram a receber alunos mais modestos e interessados em exercer a profissão. Deixaram de ser monopolizadas pelas elites - a quem pouco interessavam as oficinas. Após a mudança de governo, entraram no MEC os inconformados com a separação. Tentaram voltar atrás, mas, em virtude da grita, somente as escolas federais tornaram a integrar o acadêmico ao técnico. As razões para juntá-los permanecem misteriosas para a cabeça simplória deste autor. A bandeira desfraldada era uma tal "politecnia", criada por Gramsci, lá pelos anos 1920, enquanto morava na cadeia. Prescrevia um ensino combinando as disciplinas técnicas com as acadêmicas e com o trabalho. Mais que isso, não entendi. Mais uma teoria diáfana, encaixando o técnico em um ensino médio embaralhado, pois é um caminho único, sem diversificação, com excesso de disciplinas e de conteúdos, distante do mundo real e chatíssimo. Tão ruim que está encolhendo!

Na minha agenda, o assunto dos cursos técnicos ficou em banho-maria, até que fui convidado para a banca de uma tese no Piauí. Nela, com muita competência, Samara Pereira mostra como tudo isso aterrissou na escola técnica (hoje instituto federal) do seu estado. A época do Paulo Renato, os arautos da politecnia denunciaram o autoritarismo da decisão. Curiosamente, nada foi mais autoritário do que a restauração do velho sistema no Piauí. Lá, a pesquisa com o ciclo (re)integrado mostrou o desagrado com uma decisão imposta de cima para baixo. Professores do ramo profissionalizante protestam contra a diluição do foco profissional do ensino, herdeiro de uma tradição de proximidade às empresas. Professores do ramo acadêmico fazem coro com os alunos, lamentando a perda de tempo com assuntos profissionais que os desviam da preparação para os vestibulares. De fato, 99% dos alunos querem ir para o ensino superior - a maioria, em área completamente distinta. A integração curricular não ocorreu, pois os professores das disciplinas propedêuticas continuam pautando as aulas pelas questões do vestibular. Curiosamente, sobreviveu aos embates o curso técnico (modular) de um ano e meio a dois, para quem já tem o diploma de curso médio, portanto, "desintegrado". E a sua matrícula permanece superior à do ciclo (re)integrado. Em quem devemos prestar atenção? Nos alunos modestos que querem vaga para adquirir uma profissão? Nos que querem mais tempo para apostar tudo no vestibular escolhido? Nas empresas que não recebem técnicos? Por que o MEC capitulou diante dos fiéis seguidores da misteriosa "politecnia" de Gramsci? É assim que se faz política pública?

O segredo da longevidade - WALCYR CARRASCO


REVISTA ÉPOCA
Adoro ovo. Frito com a gema bem mole, para molhar o pão. Cozido, na salada. Em omeletes. Batido com açúcar, na gemada. Durante anos, senti remorso cada vez que comia um. Tantos artigos o acusavam de ser um vilão para a saúde! Há algum tempo, tudo mudou. Estudos feitos nos Estados Unidos demonstraram que seu consumo é benéfico. Uma das pesquisas afirmou que dois ovos por dia não aumentam o colesterol! Que raiva! E as omeletes que perdi? Passei a duvidar dos alertas sobre certos alimentos. A carne vermelha vive sob suspeita. Conheço muita gente que se recusa a comer um filé porque "faz mal". Quando peço explicação mais detalhada, a pessoa revida falando que é muito pesada. Ou que as vacas sofrem. Em certos círculos, comer carne vermelha é até feio. Suspeito que, num futuro próximo, os carnívoros serão tão estigmatizados quanto os fumantes. Éuma influência do vegetarianismo. Costumo comentar quando almoço com alguém intransigente:

- Foi provado que as plantas também sentem.Brócolis não gritam ao ser cozidos?

Frangos, afirmam, são criados à base de hormônio. Só podem fazer mal. É preciso ter cuidado com alimentos transgênicos, também. Não se sabe o que podem causar ao corpo humano. Enfim, a relação dos perigos alimentares é imensa. Passa pelo sorvete, pela batatinha frita e pelo refrigerante, como se fosse possível sobreviver sem eles. A única forma de garantir a longevidade, pelo menos dos ratos testados nesse determinado experimento, é comer o mínimo. É contraditório. Se eu vivesse em eterno regime morreria de tristeza.

Acredito nos pesquisadores de alimentos, médicos, nutricionistas. Mas fico pensando. Minha avó paterna, Rosa, era uma simples imigrante espanhola. Trabalhou na terra. Criou porcos, galinhas e cabritos. E comeu todos eles. Teve uma vida longa e saudável - morreu quase aos 90 anos. A mãe de meu amigo Vicente come churrasco, não dispensa uma feijoada e uma caipirinha. Já vai virar os 90 e ainda viaja todos o fins de semana. Certa vez comentei com ele:

- Se sua mãe fosse tibetana, já estaria rica com um livro tipo A dieta mística do bacon.

Já conheci vários idosos que passaram a vida comendo ovo frito, bolo feito com banha de porco e torresmo. E outros que tremiam de horror diante de um bife, seguiam uma dieta repleta de restrições e adoeceram gravemente muito cedo. Não sou médico nem nutricionista. É simplesmente minha observação sobre a vida. Estive uma vez em Veranópolis, na Serra Gaúcha. É a capital nacional da longevidade. Pais com mais de 100 anos convivem comfilhos de 80. Não há uma dieta especial. Tomam, sim, muito vinho produzido na região. De resto, aproveitei para encher a barriga com um doce típico de todo o Sul: cueca virada. São rosquinhas fritas na banha de porco e polvilhadas com açúcar. Uma bomba de colesterol. Então, por que seus habitantes estão tão bem?

Tenho um acupunturista, Alberto, de origem oriental, que é supercioso quanto ao que se come ou não. Falar em leitão pururuca na sua frente é igual a dizer palavrão. Quando estive no Japão, há dois anos, descobri que Okinawa, de onde veio sua família, é um dos lugares com maior longevidade do mundo. Muitos estudos têm sido realizados para decifrar os segredos de seus habitantes, que ainda andam de bicicleta aos 120 anos. Bem, a dieta local tem muito peixe. E... carne de porco!

Quando toquei no tema com Alberto, ele me mostrou um livro enorme, em ingles. Era um estudo sobre a Dieta de Okinawa. Observei os gráficos de alimentação. Carne de porco, sim. E muita! "Mas você vive me alertando que carne de porco faz mal!", disse eu. "Os estudos ainda não são conclusivos", respondeu ele. Em seguida, me mandou deitar. Mantive umprudente silêncio enquanto me espetava com as agulhas.

O segredo da longevidade não pode estar numa simples relação de alimentos. No Cáucaso, não se vive muito também, com uma dieta à base de uma espécie de leite fermentado? O que há em comum entre Okinawa, o Cáucaso e Veranópolis?

Só pode ser o estilo de vida. São lugares onde as pessoas passam a existência mais calmamente, com tempo para se relacionar e desfrutar a vida na comunidade. Sem excessos: comer bem é uma coisa, sair rolando da mesa é outra. Viver sob o jugo de "dietas saudáveis" talvez seja mais perigoso que desfrutar os prazeres da mesa, sem medo de ser feliz. Humm... daqui a pouco vou me acabar numa feijoada! E, agora, sem remorso.

A guerra paulistana - EUGÊNIO BUCCI

REVISTA ÉPOCA


No Rio de Janeiro, no Recife, em Belo Horizonte e Porto Alegre, as eleições municipais morreram logo no primeiro turno. Sobrou São Paulo, com um segundo turno que monopolizará o noticiário nacional e deixará cicatrizes nos dois partidos mais influentes do país (o PMDB é grande como um elefante, mas amorfo como um invertebrado). Até o fim de outubro, o centro da política brasileira atenderá pelo nome de São Paulo e terá a forma de um campo de batalha, com dois lutadores apenas. Os próximos capítulos nos reservam cenas de inteligência e de luz, entremeadas de golpes de foice, com sangue e gritos de dor. Dá um pouco de medo, é verdade, mas o segundo turno em São Paulo não poderia ser mais oportuno. Na maior metrópole do continente, PT e PSDB terão de mostrar a cara, o que será bom. Depois deste mês de outubro, a gente saberá mais, bem mais, sobre esses dois partidos.

O enfrentamento paulistano tem dimensões nacionais. José Serra, pelo PSDB, já disputou duas vezes a Presidência da República. Fernando Haddad, ex-ministro da educação, ascende como principal liderança de uma nova geração petista, ungido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eles brigam por uma prefeitura cujo orçamento ultrapassa o tamanho de um pequeno país sul-americano - e brigam por muito mais. Diante dos olhos dos eleitores, dois programas de desenvolvimento nacional medirão forças e não podem abrir mão de arma nenhuma. Usarão tudo o que têm.

O campo de batalha está pronto, livre de paraquedistas de ocasião. A aventura russomânnicalevou um providencial cartão vermelho do eleitorado. Celso Russomanno, que se consagrou na televisão como fiscal do consumidor, conseguira fazer uma boa largada ao transpor para o horário eleitoral o personagem que o tornara famoso. Prometia ser um fiscal do eleitor e do cidadão, a autoridade enfezada contra o funcionalismo frouxo. Russomanno atraiu a mentalidade conservadora, aquela que acredita que um feitor, com chicote na mão, dará jeito na cidade, graças à imagem que acumulou em sua trajetória televisiva. Durou pouco. Seusrivais mostraram que não havia solidez em suas propostas, como aquela de cobrar mais do passageiro que usa mais o ônibus urbano, e Russomanno se dissolveu no ar como um pesadelo na luz da manhã. Agora, é com José Serra e Fernando Haddad. O Brasil inteiro olha para eles. Qual é a do PT? Qual é a do PSDB? É em São Paulo que saberemos.

Ainda no domingo à noite, no dia do primeiro turno, José Serra abriu fogo tentando vincular a candidatura de Fernando Haddad ao mensalão que está sentado no banco dos réus no Supremo Tribunal Federal, em Brasília. Haddad revidou no dia seguinte, afirmando que o DNA dessa modalidade original de corrupção vem de Minas Gerais, do mensalão tucano, que aconteceu antes e ainda não foi a julgamento. A disputa entre petistas e tucanos para ver que lado é mais honesto - ou menos desonesto - é necessária, ainda que insalubre, mas não sera fácil para nenhum dos dois. O julgamento do mensalão faz sangrar o PT, é claro, e Serra tem razão em bater na ferida. Ao mesmo tempo, não haverá como ligar o escândalo do mensalão ao nome de Fernando Haddad, escolhido por Lula, entre outros motivos, justamente por não ter nada a ver com aquilo tudo. De outro lado, Haddad tem razão em bater no mensalão mineiro, durante o qual Marcos Valério tirou a patente dessa engenhosa fórmula de delito. Mas também não terá como comprometer nessa bandalheira específica o nome de José Serra.

Por isso, no duelo bestial para escandas mais baixas, mas não veremos um golpe fatal. Haverá outras frentes de luta. Uma parte da contenda terá de ser pautada pela condução da prefeitura durante a atual gestão, apoiada por Serra. Aí, sim, a suspeita de corrupção na secretaria que cuidava da aprovação de prédios em São Paulo pode fazer diferença. Se o PT demonstrar que, na prefeitura paulistana, a corrupção andou de mãos dadas com a ineficiência administrativa, estará perto de um nocaute.

O eleitorado tem mais preocupações com o município do que com o julgamento do mensalão em Brasília. As propostas de governo terão de ser esclarecidas. Serra e Haddad terão de responder sobre a cidade, sem esquecer o cenário nacional. Quem vencerá? Aquele que for consistente, propositivo e que, na hora da briga mais violenta, mostrar um mínimo deconsideração humana pelo adversário. Além da prefeitura, os dois podem ganhar (ou perder) o respeito do país.

Mercado do futuro - DENISE ROTHENBURG


CORREIO BRAZILIENSE - 15/10


Se Haddad conquistar a prefeitura e for bem-sucedido, há quem diga que estará no páreo para 2018. Logo, o PT apoiar um nome de outra legenda para o Planalto equivale a 30 de fevereiro no calendário


O PT prepara uma série de ensaios para tentar amortecer os adversários internos e externos. Tanto sob o ponto de vista eleitoral no mercado futuro quanto no julgamento do mensalão, a ordem é cortar os problemas. No caso da Ação Penal 470, é pública e notória a opção partidária por nomes novos como Fernando Haddad em São Paulo, que chegou ao segundo turno e ameaça seriamente a primazia do PSDB paulista. Quanto ao futuro, os petistas consideram que é hora de apresentar seus governadores, especialmente Jaques Wagner, da Bahia, de forma a não deixar que adversários ou aliados tomem terreno em regiões inteiras.

Esses antídotos ao julgamento do mensalão e a preparação eleitoral futura vão se misturar em breve, porque o PT não se mostra disposto a entregar a cabeça de chapa para outro partido nem a curto nem a médio prazo. Isso inclui 2014 e 2018. Nesse sentido, traçam seus planos eleitorais como um general estuda a batalha diante de mapas.

As contas feitas indicam que o partido de Lula está bem em vários pontos do Brasil. Nesta eleição, por incrível que pareça, só não estão bem em Minas Gerais e no Nordeste. No Rio Grande do Sul, o PT não chegou à prefeitura de Porto Alegre, mas tem o governo do estado. Em Curitiba, ganha terreno ao puxar para si o ex-tucano Gustavo Fruet (PDT), a quem a maioria petista apoia neste segundo turno.

O partido olha com ares de preocupação para o Nordeste, onde o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), ganha fôlego, prestígio e firma liderança. Nessa seara, embora o baiano Jaques Wagner e Eduardo tenham laços de amizade e se tratem como irmãos, há quem diga dentro do PT que é hora de o baiano bater bumbo na região para não permitir que os votos petistas migrem para o PSB de Eduardo Campos ou para o PSDB. Afinal, o senador Humberto Costa (PT-PE) terminou em terceiro lugar na disputa de Recife.

Para os petistas, veio em boa hora o ingresso de Nelson Pelegrino (PT) no segundo turno da eleição em Salvador. Se ele vencer, a Bahia poderá se tornar o cartão de visitas do PT para a região, servindo de contraponto a Pernambuco. Se o PT estancar o crescimento de Eduardo no Nordeste, seria apenas necessário tirar espaço de Aécio Neves em Minas Gerais, o que muitos acreditam que pode ser feito martelando a administração de Marcio Lacerda como independente do PSDB.

Por falar em independência…

Criado como forma de dar ao PT um nome novo para concorrer ao governo de São Paulo longe do julgamento do mensalão, Fernando Haddad agora encanta boa parte de seus correligionários. Seu desempenho nas pesquisas de intenções de voto deste segundo turno tem feito muita gente boa olhar para ele com ares de promessa. Dentro do PT e fora dele, há quem aposte em Haddad até para o Planalto. Afinal, se o ex-ministro da Educação ganhar a prefeitura de São Paulo e for bem-sucedido do ponto de vista administrativo, entrará no páreo para 2018. Portanto, o dia de o PT apoiar um nome de outra legenda equivale a 30 de fevereiro no calendário.

Não por acaso, Eduardo Campos começa a pensar em carreira solo. Sabe que o PT trabalha a renovação. Aliás, Lula abriu esse caminho ao lançar Dilma Rousseff. Nesta temporada de eleição municipal, insistiu de novo nesse caminho, e vários partidos o seguiram. Haja vista a aposta do PMDB em Gabriel Chalita, em São Paulo, e do PSDB em Daniel Coelho, no Recife. Ambos saíram bem da disputa, apesar de não terem chegado lá. No geral, a troca de bastão na política está em curso em vários centros eleitorais e muitos já captaram essa mensagem do eleitor.

Enquanto isso, no STF…

Esta semana, começa o julgamento do publicitário Duda Mendonça por conta dos pagamentos recebidos por serviços prestados ao PT. Mais uma semana com o Partido dos Trabalhadores em evidência na Ação Penal 470 e, com ela, novas investidas no sentido de misturar a eleição deste ano com o mensalão.

Inferno fiscal - EDITORIAL FOLHA DE SP


Folha de S. Paulo - 15/10


Brasil prossegue firme na liderança dos países que mais atazanam empresas com tributos; aqui, despendem-se 2.600 horas por ano com eles

Desde que o Banco Mundial iniciou, em 2005, uma comparação internacional do tempo gasto em cada país com o pagamento de impostos, o Brasil permanece cristalizado na pior colocação.

Uma empresa de médio porte, aqui, leva 2.600 horas por ano -ou o equivalente a mais de 108 dias- para reunir dados, calcular valores devidos e preencher documentos relativos aos principais tributos.

Não há nada semelhante nos 183 países listados pelo Banco Mundial. Penúltima colocada sete anos atrás, a Ucrânia já reduziu, desde então, de 2.185 para 657 as horas dedicadas às obrigações com o fisco. Entre os países mais desenvolvidos, a média é de 186.

Um novo levantamento será divulgado nos próximos dias pelo banco multilateral. Mas a longevidade dessa e doutras anomalias já custou à economia brasileira mais uma classificação vexatória.

Pela segunda vez consecutiva, o sistema tributário nacional foi considerado o mais hostil aos negócios na América Latina -região já tradicionalmente pródiga em burocracia e taxações exóticas.

O ranking, que incluiu 18 países, foi elaborado pela publicação "Latin Business Chronicle" e apresentado com o colorido título "Paraísos e Infernos Fiscais Latinos".

Exemplo mais vistoso do segundo grupo, o Brasil tem a segunda maior tributação sobre o lucro das empresas, de 34%, pouco abaixo dos 35% cobrados na Argentina.

A razão entre a carga total e os lucros médios das companhias, de 67,1%, também supera com folga a média latino-americana, de 52,1%. No Chile, cujo fisco é o mais amigável, são 25%.

Todavia a expressão mais evidente da indesejável liderança brasileira é mesmo a complexidade de seu sistema de impostos, taxas e contribuições. E, mais especificamente, daqueles que incidem sobre a produção e o consumo.

Essa modalidade responde, na pesquisa do Banco Mundial, por mais da metade das horas destinadas pelas empresas a compromissos tributários. Representa, ainda, quase 50% da receita dos governos federal, estaduais e municipais, bem acima da média das principais economias, em torno de 30%.

Enquanto a melhor experiência internacional recomenda o uso de um único imposto sobre a circulação de bens e serviços (mais taxações seletivas para um número restrito de artigos), o Brasil conta com cinco tributos principais, distribuídos nas três esferas de governo.

O governo Dilma Rousseff acena com a unificação de dois deles, PIS e Cofins, que, hoje, já incidem sobre as mesmas operações. É melhor que nada, mas muito pouco.

CPI na vala comum - EDITORIAL FOLHA DE SP


Folha de S. Paulo - 15/10


Acertar uma previsão feita com meses de antecedência pode fazer a fama de um analista. Não no caso da CPI do Cachoeira, pois o desfecho estéril era esperado. Resulta consternador, ainda assim, que mais uma investigação parlamentar venha a terminar "em pizza", como diz o lugar-comum.

Instaurada no primeiro semestre com o incentivo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a CPI pretendia apurar as ligações de membros da oposição com o empresário Carlos Augusto Ramos, o famigerado Carlinhos Cachoeira.

Desse ponto de vista, pode parecer surpreendente que PT e PMDB, partidos que comandam a comissão, tenham, agora, feito um acordo para encerrar os trabalhos sem aprofundar justamente as investigações sobre o envolvimento de políticos no esquema de Cachoeira.

A aparente contradição se desfaz quando são levados em conta os objetivos reais do PT com a CPI e os caminhos imprevisíveis que a comissão poderia tomar.

A inspiração inicial de Lula era explorar as obscuras relações de Cachoeira com nomes da oposição, a fim de alvejar seus adversários e tentar, com isso, desviar as atenções do julgamento do mensalão.

O plano, entretanto, não funcionou como o ex-presidente imaginava. As sessões da CPI mostraram que o trabalho, se levado a sério, atingiria não só o PSDB (Marconi Perillo, governador de Goiás) e o DEM (Demóstenes Torres, ex-senador), mas também o PT (Agnelo Queiroz, governador do Distrito Federal) e o PMDB (Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro).

O potencial lesivo da comissão incomodava particularmente o governo federal, atulhado de contratos com a Delta. Segundo a Polícia Federal, Carlinhos Cachoeira era sócio oculto da construtora.

Eis por que, desde o início, membros da CPI se esforçaram para esterilizar os instrumentos de investigação: convocações de depoentes, quando feitas, não levaram a nada, e centenas de pedidos de quebra de sigilo foram recusadas. Coroando tais artifícios, a própria Delta escapou de ter as contas abertas.

O conluio dos parlamentares chegou ao ponto de a CPI ficar parada por mais de um mês durante a campanha eleitoral. Agora, quando as atividades forem, de fato, retomadas, restarão duas semanas de trabalho, tempo que será usado apenas para a apresentação de um inócuo relatório final.

É improvável que, nesse prazo, surja, enfim, uma mobilização para prorrogar a atividade de uma CPI ameaçadora para tantos partidos. Quando se trata de proteger os próprios interesses, à revelia do bem público, quase nada distingue a situação da oposição.

Mitos e fatos da eleição - JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO


O Estado de S.Paulo - 15/10



Mito - Ninguém assiste ao horário eleitoral na TV.
Fato - Quatro em cada dez domicílios mantiveram a TV ligada durante a propaganda eleitoral noturna no primeiro turno.
Levantamento do Ibope sobre a audiência da propaganda dos candidatos na Grande São Paulo revela fatos interessantes:
1) Os programas noturnos têm 123% mais espectadores que os da hora do almoço (39% de domicílios ligados à noite, contra 17% à tarde);
2) Em média, o horário eleitoral tirou 32% da audiência costumeira da TV no horário do almoço e 24% à noite;
3) A audiência cresceu cerca de 10% na reta final da campanha, quando o eleitor não tinha mais como procrastinar sua escolha;
4) Os programas dos candidatos a prefeito têm apenas 7% mais audiência que os dos candidatos a vereador;
5) Os programas mais vistos foram os da segunda-feira (para prefeitos) e os da quinta-feira (para vereadores);
6) Os menos vistos foram os da sexta-feira e do sábado.

Mito - A propaganda de TV não influi no resultado da eleição.
Fato - A propaganda de TV influiu menos em 2012 do que em 2008, mas é ainda decisiva.
Levantamento feito pelo repórter Daniel Bramatti, do Estadão Dados, mostra que foi forte a correlação entre o tamanho da fatia de cada candidato no horário eleitoral e a sua votação. Quanto maior o tempo de exposição na TV, mais votos na urna. A regra valeu para sete em dez casos em 2012. Há quatro anos, a proporção foi de oito em dez. Por que caiu, caiu por quê? Três hipóteses:
1) O desgaste dos políticos e da política aumentou o desejo do eleitorado por renovação, o que beneficiou candidatos de partidos pequenos, que, por serem pequenos, têm direito a menos tempo de TV;
2) O eleitor está menos interessado no pleito e mais distraído, dedica menos tempo ao assunto e presta menos atenção à propaganda eleitoral;
3) A queda não é queda, é mera oscilação passageira. Só saberemos em 2016.

Mito - O PMDB foi o partido que mais perdeu nesta eleição.
Fato - O PMDB só não perdeu mais prefeituras do que o DEM, mas ainda tem mais prefeitos do que qualquer outro partido.
O PMDB foi dizimado na Bahia e no Paraná. A capitania do baiano Geddel Vieira Lima caiu de 144 para 44 prefeitos eleitos no primeiro turno, entre 2008 e 2012. A do paranaense Roberto Requião minguou de 135 para 56. Foram os dois caciques peemedebistas que mais perderam, mas não foram os únicos.
No Pará, Jader Barbalho viu seu PMDB ficar menor. Dos 39 prefeitos eleitos em 2008, sobraram 28. No Rio de Janeiro, apesar da reeleição de Eduardo Paes na capital, o governador Sergio Cabral elegeu menos prefeitos no primeiro turno do que há quatro anos: 22 a 33. Paes saiu-se melhor do que Cabral.
Em Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás e Paraíba, o PMDB elegeu praticamente a mesma quantidade de prefeitos. O partido teve crescimento expressivo em número de prefeituras em São Paulo (de 70 para 88, mais três segundos turnos) e no Maranhão (de 16 para 47 prefeituras) - ponto para Michel Temer e José Sarney.

Mito - O PSD saiu-se melhor do que o PSB.
Fato - O PSD elegeu mais prefeitos do que o PSB, mas é um grande partido só nas pequenas cidades.
A maior prefeitura conquistada pelo PSD no primeiro turno foi Mogi das Cruzes (SP). Os 493 prefeitos eleitos pelo partido vão governar, juntos, um eleitorado menor do que o presidente do PSD, Gilberto Kassab, governará até 31 de dezembro em São Paulo: apenas 7,5 milhões. Na melhor das hipóteses, o PSD chegará a 9,2 milhões de pessoas em sua área de influência, desde que vença os cinco segundos turnos que ainda disputa. O eleitorado médio que cada prefeito do PSD vai governar é 42% menor do que o do PSB.
O PSB elegeu 125 prefeitos a mais do que em 2008 e cresceu nas cidades grandes e médias. Manteve Belo Horizonte e conquistou Recife, Foz do Iguaçu (PR) e Serra (ES). Seus 433 prefeitos governarão o dobro de eleitores que governavam antes do pleito. O partido comandado por Eduardo Campos pode chegar a 15,2 milhões de governados se vencer os segundos turnos que disputa em Fortaleza, Campinas, Cuiabá, Porto Velho, Duque de Caxias e Uberaba. O PSB foi o partido que mais ganhou nesta eleição.

Mito - A polarização PT x PSDB entrou em decadência.
Fato - PT e PSDB disputam seis segundos turnos entre si e a hegemonia do eleitorado municipal do Brasil.
O PT cresceu em prefeitos e pode ultrapassar 35 milhões de eleitores governados se ganhar seus 22 segundos turnos. O PSDB diminuiu em prefeitos, mas pode ultrapassar 30 milhões de eleitores se vencer seus 17 segundos turnos. A conta fecha para um ou para o outro. Tudo depende do resultado de São Paulo.

Eleição é uma catástrofe - RENATO JANINE RIBEIRO


Valor Econômico - 15/10



Eleições democráticas são catástrofes - só que previstas e controladas. Isso explica por que podem suscitar um certo medo. Foi meu caso, confesso: temi a ascensão, que parecia resistível, mas irresistida, de Celso Russomanno à prefeitura de São Paulo. Nada tenho contra ele pessoalmente, mas temi a vitória de um candidato menos preparado, com propostas vagas e algum apelo autoritário.
Também senti medo nas primeiras eleições após a ditadura. Afinal, levaram Collor à Presidência; no Estado e na cidade de São Paulo, elegeram governantes próximos do regime autoritário. Mas desde 1994 no Brasil, desde 2002 no Estado e desde 2000 na cidade em que vivo, não senti mais medo de quem ganhasse as eleições. Tenho minhas preferências a cada pleito, mas não veria ameaça à democracia, em 2010, se elegêssemos presidente Marina Silva ou José Serra.
Uma eleição é uma catástrofe controlada, repito. Mal comparando, é uma vacina. Vacinas podem produzir efeitos parecidos aos da doença para a qual elas existem. Só que os produzem de modo contido, reduzido, com a finalidade de proteger-nos dela. Uma eleição é assim. A certa altura, tudo parece possível, inclusive a destruição do que existe. Direitistas temem a demagogia, o confisco dos bens, uma tributação mais elevada. Esquerdistas receiam o fim dos programas sociais, a truculência policial contra os movimentos reivindicatórios. Daí, os medos. Para proteger sua riqueza, a burguesia evitou o sufrágio universal ao longo do século XIX. Acreditava que, se todos votassem, a maioria de pobres aprovaria leis que, reduzindo a desigualdade social, tirassem parte de sua riqueza. Para isso, também se valeu dos Senados. Como essa câmara revisora costuma ter mandato mais longo, podia retardar a aprovação de leis populares. Isto é, se o povo votasse pela redistribuição de renda, precisaria renovar a decisão daí a mais quatro anos, a fim de ter também o Senado do seu lado.
O fantasma da destruição aparece no magnífico livro de Georges Bataille, "O erotismo". Em certas sociedades do Oriente, diz ele, quando morria o rei seguiam-se cinco dias sem lei. Roubava-se, fazia-se sexo sem levar em conta as proibições. Depois, assumia o novo monarca. Ninguém era punido pelos dias de anomia. Eles eram uma espécie de carnaval, em que os interditos estavam levantados. Mas talvez esse intervalo desse novo vigor à ordem institucional. Porque as pessoas tinham vivido essa liberdade sem limites, talvez com prazer, mas depois com saciedade.
Talvez um poder precise - para ser legítimo, para convencer o povo de que ele vale a pena - passar assim pelo risco. Quem sabe, até pelo risco de um quase-aniquilamento. Pode parecer estranho, numa coluna sobre política, eu falar de morte, mas não podemos esquecer que ela é nosso destino, que ela é a única certeza. Os Estados são também mortais, embora possam alongar a duração de sua vida indefinidamente - mas um dia hão de morrer. Quando, a cada quatro ou cinco anos, vivemos uma pequena morte deles, conseguimos encompridar sua vida. É como se, a cada eleição, renovássemos sua apólice de vida. Pode ser que mudemos tanto o Estado que ele renasça como uma fênix, o pássaro mítico que se imolava numa fogueira cada quinhentos anos para daí ressurgir, novo em folha. Pode ser que apenas concedamos um novo mandato ao que já existia. Mas passar pelo risco é fundamental.
Isso, porque nos últimos séculos se tornou norma um regime político que, por milênios, foi desconhecido ou existiu de forma apenas residual: o dos governos eleitos. Ele permite que a oposição chegue ao poder. Antes, isso só era possível aliciando o herdeiro do trono. Não foi raro. Na Inglaterra, Ricardo Coração de Leão se rebelou contra o pai. A herdeira Maria Stuart foi executada para não ameaçar a rainha Elisabeth. Finalmente, o filme "A loucura do rei George" mostra bem o ódio que podia existir entre o pai rei e o filho herdeiro. A oposição apoiava o príncipe contra o rei, ou o príncipe montava um partido contra o próprio pai. Mas nunca se sabia em que data se daria a sucessão. Em suma, alterar o governo era quase um golpe de Estado.
Não vamos esquecer que, para levar em conta só o último meio século, vimos muitos nascimentos - e mortes - de Estados. Primeiro, as antigas colônias europeias conquistaram a independência. Mas também alguns países deixaram de existir, sobretudo em função da queda do comunismo. Tchecoslováquia, Iugoslávia e União Soviética se dissolveram, enquanto a Alemanha Oriental se extinguia. Estados podem morrer. As duas uniões, governadas de Belgrado e Moscou, se desfizeram com grandes danos - milhares morreram, milhões caíram na miséria. Por isso é importante tentar garantir a vida dos Estados.
Uma das conquistas da democracia é que a oposição - que no passado podia ser punida com a pena de morte, sendo confundida com a traição ao rei - se tornou algo não apenas aceito, mas essencial para os regimes políticos que pretendam ser legítimos. Mesmo assim, o momento em que o poder é posto em jogo constitui um risco, ainda que atenuado, de morte. É uma morte regrada. Existem regras para disputar o poder. É uma morte reversível. O candidato ou partido derrotado terá nova chance daí a alguns anos. E, mais importante que tudo, é uma morte-vacina. Porque ela nos vacina contra a morte do Estado. Justamente porque o governo muda sem enormes traumas, o Estado permanece. O Brasil é nosso país, seja governado pela direita ou pela esquerda. E assim, sabendo embora que nosso Estado é mortal como nós, vamos conseguindo uma sobrevida para ele, mandato após mandato.