quarta-feira, outubro 10, 2012

Ueba! Carminha é o Palmeiras! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 10/10


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!

"Avenida Brasil"! Ops, Chifra Brasil! A Carminhaapanhou mais que o Palmeiras! Castigo praCarminha: limpar o vômito da Lady Gaga.

Aliás, a Carminha tá a cara do vômito da Lady Gaga! E finalmente o Tufão acordou do coma de dois séculos. O boi tá acordado!

E o Zé Dirceu é filho da mãe Lucinda! E avisa pro Tufão que o chifre é próprio do homem, o boi usa de intrometido!

E buemba! Patrícia Amorim perde e a torcida do Flamengo comemora. É a primeira derrota que a torcida comemora! Agnaldo Timóteo perde vaga na Câmara e volta a cantar! Eu falei que era melhor votar nele! Rarará!

E o Chávez? O Chávez não ganhou a eleição. Ganhou a escritura da Venezuela. O Chávez quer a escriturada Venezuela! A Chavezuela!

E um cara escreveu no Twitter: "A Venezuela parece o SBT, ninguém tira o Chaves". Rarará! Eu adoro a torcida contra, parece que a Venezuela é um Estado brasileiro!

Primeiro falaram que o Chávez ia morrer em dois meses. Aí passaram oito meses e o defunto não morreu. Aí falaram que ele não ia conseguir fazer a campanha. Aí o defunto dançou o "Gangnam Style" até embaixo de chuva. Aí falaram que ele não ia ganhar. E o defunto ganhou!

E o Sensacionalista: "Chávez vai oferecer um ministério pro Kiko do KLB"! Rarará! O Kiko ganhou no SBT!

E amanhã tem Brasil x Iraque! Seleção do Iraque x Seleção de Araque! Como é que se joga com um país em guerra? No primeiro rojão os iraquianos vão sair correndo. E quando o Neymar se atirar no chão, eles vão pensar que ele tá morto! Ou então se atiram junto pensando que é bombardeio. Rarará!

E pode fazer trocadilho com bomba?! A bola explodiu no travessão! Bomba! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

Cresce a bancada do PGN, o meu Partido da Genitália Nacional! Prefeito eleito em Guatapará (SP): Samir Redondo Souto! Prefeito eleito em Paraíso das Águas (MS): Ivan Xixi! E para os são-paulinos, Cascavel (PR) elege o vereador Ganso Sem Limites! Rarará!

Eu gostava quando tinha A Marcha das Apurações! Com o Brizola pedindo recontagem. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

O esqueleto que sorri - DEMÉTRIO MAGNOLI


FOLHA DE SP - 10/10


No seu "Era dos Extremos", Eric Hobsbawm, tão lido no Brasil, falsifica a história para absolver Stálin. Sua versão da 2ª Guerra foi aquela fabricada em Moscou



"Eu entendi isso, Edward. Esse esqueleto nunca sorrirá novamente." Leszek Kolakowski, filósofo polonês exilado, concluiu com essas palavras sua réplica ao historiador Edward P. Thompson, que o acusara de trair os ideais socialistas.

O ano era 1974, seis depois da invasão da Tchecoslováquia pelas Forças do Pacto de Varsóvia. Thompson rasgara sua carteirinha do Partido Comunista britânico em 1956, na hora da invasão soviética da Hungria, mas interpretava o stalinismo como apenas um deplorável desvio no curso da história rumo ao radioso futuro comunista. Kolakowski, porém, sabia mais -e tinha um norte moral melhor.

Eric Hobsbawm nunca renunciou à sua carteirinha do partido.

Aos 23 anos, ele assinou com Raymond Williams um panfleto de apoio ao pacto Molotov-Ribbentrop, entre a URSS de Stálin e a Alemanha de Hitler. Na maturidade, atravessou impávido as fogueiras da Hungria e da Tchecoslováquia.

Em 1994, aos 77 anos, pouco depois da queda do Muro de Berlim, publicou "Era dos Extremos", uma interpretação do século 20 consagrada a desenhar um sorriso no esqueleto já enterrado do stalinismo.

Hobsbawm, notável narrador do século 19, autor da trilogia das "eras" que desvendou para o grande público a trama da história contemporânea, entregou-se então à falsificação deliberada para restaurar o argumento imoral de Thompson.

A "era dos extremos" é uma tese paradoxal, cuja síntese emerge na sua introdução: "A vitória da URSS sobre Hitler foi uma realização do regime lá instalado pela Revolução de Outubro. Sem isso, o mundo hoje (com exceção dos EUA) provavelmente seria um conjunto de variações sobre temas autoritários e fascistas, mais que de variações sobre temas parlamentares liberais."

O totalitarismo stalinista, assegura-nos o historiador, podia ter seus defeitos, mas representava o socialismo e, sem ele, a humanidade teria sido tragada, em definitivo, pelo vórtice do fascismo.

O tribunal final da História, constituído por um único juiz, o próprio Hobsbawm, oferece um veredicto de absolvição dos processos de Moscou, do gulag, da supressão absoluta da liberdade. A matéria pútrida do "socialismo real" salvou-nos, a todos, de um destino pior, que era tecido pelo capitalismo em crise.

A narrativa inteira se organiza persuasivamente ao redor da tese, investindo na aposta segura de que o leitor médio carece das informações indispensáveis para refutá-la.

O regime de Stálin destroçou o comando das Forças Armadas soviéticas nos expurgos dos anos 30, aumentando a vulnerabilidade do país à invasão alemã. A URSS não triunfaria sobre Hitler sem a vasta ajuda militar americana.

No primeiro e crucial ano do conflito, a aliança firmada pelo pacto Molotov-Ribbentrop converteu a URSS em fornecedora principal de matérias-primas e combustíveis para a máquina de guerra nazista.

A história de cartolina de Hobsbawm é uma contrafação da história da Segunda Guerra, inspirada diretamente pelas narrativas oficiais fabricada por Moscou no imediato pós-guerra. O esqueleto precisa antes mentir, para depois sorrir.

A trilogia das "eras", narrativas eruditas escritas em linguagem cristalina, foi a porta de entrada de centenas de milhares de leitores para as delícias da história. "Era dos Extremos" singrou no oceano de autoridade das obras precedentes.

No Brasil, país onde Hobsbawm tem mais leitores do que na Grã-Bretanha, o livro beneficiou-se de uma recepção laudatória, patrocinada por intelectuais inconformados com as marteladas críticas dos berlinenses daquele 9 de novembro de 1989.

Fora daqui, porém, nem todos aceitaram sorrir junto com o esqueleto de uma mentira.

Num ensaio de 2003, o historiador Tony Judt escreveu o epitáfio incontornável: "Hobsbawm recusa-se a encarar o mal face a face e chamá-lo pelo seu nome; nunca enfrenta a herança moral e política de Stalin e de seus feitos. Se ele pretende seriamente passar o bastão radical às futuras gerações, essa não é a maneira de proceder".

Dirceu faz História - MERVAL PEREIRA


O GLOBO - 10/10


O dia histórico em que o ex-todo-poderoso ministro petista José Dirceu foi condenado por corrupção ativa pelo Supremo Tribunal Federal foi marcado pelas atitudes de dois ministros, ambas marcantes no transcurso do julgamento. Dirceu entra para a História desta vez pela porta dos fundos, enquanto a ministra Cármen Lúcia diz que não está a julgar o passado de Genoino, também condenado, mas sua atuação nos crimes relatados nos autos.

Cármen Lucia, de quem Dirceu tinha esperanças de receber a absolvição, não apenas o condenou como registrou sua estupefação diante da defesa do advogado Arnaldo Malheiros, que tratou o que chamou de caixa dois eleitoral como se fosse uma coisa normal na atividade política.

O STF destruiu a trama, que o ex-presidente Lula defendeu até recentemente, de que o caixa dois explicaria a distribuição de dinheiro feita pelo PT, e ontem Cármen Lúcia, que por coincidência preside agora o Tribunal Superior Eleitoral, chamou a atenção para a desfaçatez do advogado que, diante da Corte mais alta do país, confessou crime de seu cliente como se tal fato não gerasse consequências:

"Não pode chegar aqui e dizer: "Ora, não declarou porque era ilícito." O ilícito não é normal. Ora, caixa dois é crime, é uma agressão à sociedade brasileira", reagiu com indignação a ministra, que disse que essa atitude a convenceu de que o esquema que havia sido montado era muito maior do que aparentava.

Já Marco Aurélio Mello demonstrou a sua indignação através da ironia, como vem fazendo em vários momentos neste julgamento. Ele voltou a desmontar a tese do revisor Ricardo Lewandowski, segundo quem não havia assinatura de José Genoino em conjunto com Marcos Valério nos empréstimos. Marco Aurélio citou a página do processo em que havia o fac-símile do documento em que os dois aparecem juntos, Valério avalizando um título do PT assinado por seu presidente, Genoino.

A certa altura, sem resistir aos argumentos pífios do revisor que transformara Delúbio Soares em maior responsável pelo esquema - nem mesmo Dias Toffoli, que também absolveu Dirceu, absolveu Genoino, elevando um pouco acima o nível de responsabilidade pelos crimes -, Marco Aurélio comentou: "Tivesse Delúbio Soares a desenvoltura intelectual e material a ele atribuída, não seria somente tesoureiro do partido. Quem sabe teria chegado a um cargo muito maior. Apontar Delúbio como bode expiatório como se tivesse a utonomia suficiente para levantar R$ 60 milhões - já não sei mais a quantia e distribuir esses milhões -, ele próprio definindo os destinatários, sem conhecimento da cúpula do PT? A conclusão subestima a inteligência mediana".

Definida a culpabilidade de Dirceu, Genoino e Delúbio, o chamado núcleo político do PT na ocasião dos crimes, ficará para o final a decisão sobre a pena de cada um. Quando chegar a ocasião em que o Tribunal definirá os critérios, serão levadas em conta normas do Código Penal, que manda analisar a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente.

É agravante, por exemplo, o fato de o crime ser cometido "com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão".

Outro tipo de crime, pelo qual o núcleo político petista ainda será julgado, é o de formação de quadrilha. Já há quatro votos, em item anterior, contra a tese da quadrilha em relação aos políticos de partidos aliados envolvidos no julgamento. Caso se mantenha a posição dos demais ministros, Dirceu, Genoino e Delúbio deverão ser condenados por 6 a 4, o que lhes permitirá, em tese, embargos infringentes para questionar a decisão. Mas Dirceu, apontado pelo Ministério Público como o "chefe da quadrilha", pode ter a pena agravada, pois há uma disposição na legislação criminal em relação a quem "promove ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos demais agentes".

O maior problema dos condenados por corrupção ativa é que eles foram acusados de "concurso material", o que significa que as penas são somadas.

Dirceu, por exemplo, foi condenado por nove crimes. Assim, se pegar a pena mínima de dois anos (a máxima é de 12) - o que é improvável pela importância do cargo que exercia na ocasião -, deverá ser condenado a 18 anos e terá que cumprir pena em regime fechado por pelo menos três anos.

A casa caiu - MARCELO COELHO


FOLHA DE SP - 10/10


Não foi responsabilidade isolada do ex-tesoureiro Delúbio Soares. A conclusão condenatória veio sem firula


FORAM BASTANTE técnicos, tanto para condenar quanto para absolver, os primeiros votos da sessão de ontem no Supremo.

Sem se confundir na argumentação e nos próprios fatos, como acontecera com Ricardo Lewandowski, o ministro Dias Toffoli condenou José Genoino (uma surpresa) e absolveu José Dirceu (nenhuma surpresa).

Para Toffoli, haveria quatro circunstâncias capazes de incriminar o ex-chefe da Casa Civil.

Apontou-se uma possível atuação de José Dirceu beneficiando o banco BMG; a influência junto a órgãos do governo para impedir a fiscalização das operações de lavagem de dinheiro; o envio de emissários a Portugal, para obter propinas junto a uma empresa de telecomunicações; e, por último, a participação em reuniões com dirigentes do Banco Espírito Santo, para possíveis vantagens na liquidação do Banco Mercantil de Pernambuco.

Mesmo que tudo isso fosse verdade, disse Toffoli, não haveria nesses atos nada que se pudesse apontar como corrupção ativa. Seria possível falar em outros crimes, como advocacia administrativa ou tráfico de influência.

Como sempre, Toffoli leu seu voto em alta velocidade, ainda que levantasse a voz ao repetir que "culpa não se presume". E na sua opinião, que adquiriu aparência mais isenta quando ele condenou o pobre José Genoino (contra quem não faltam provas), contra Dirceu só havia presunções.

Toffoli estava no seu direito, o de manifestar "dúvida razoável" nesse caso. Cármen Lúcia fez o contrário, de forma bastante razoável também.

Prestou antes uma homenagem à retidão pessoal de Genoino. Mas a vida é uma estrada, comparou a ministra. Quem faz mil quilômetros de caminho reto pode terminar tendo culpa num acidente.

Quanto a José Dirceu, Cármen Lúcia deu pouca importância aos empréstimos concedidos à ex-mulher do petista. É frequente, disse ela, que lobistas façam favores a familiares de políticos sem que estes saibam do ocorrido.

Cada cabeça, uma sentença: para Luiz Fux, o episódio deveria ser tomado como o ápice do "conjunto probatório" contra José Dirceu.

Os demais indícios foram, contudo, suficientes para Cármen Lúcia afirmar, brevemente, sua convicção de culpa. As reuniões com Marcos Valério, dirigentes do Banco Rural ou Delúbio Soares foram suficientes sinais de participação no esquema.

O momento mais enfático de Cármen Lúcia se dirigiu contra Delúbio, ou melhor, contra seus advogados. Nunca em sua vida profissional, disse a ministra, tinha ouvido um crime ser confessado com tanta tranquilidade.

Era a versão do caixa dois. Como se isso fosse a coisa normal do mundo, indignou-se a ministra; e isso sendo dito em pleno Supremo Tribunal!

Com "desmesura impressionante", a atuação de Delúbio Soares se deu, confessadamente, em nome de um partido, de um grupo político. Não foi sua responsabilidade isolada. A conclusão condenatória veio sem firulas.

Mais circunstanciado, Gilmar Mendes aumentou o placar contra Dirceu e Genoino. Difícil acreditar, difícil acreditar, repetia ele refutando os argumentos da defesa.

Citando testemunhas que não teriam nenhuma razão para "envolver graciosamente" os principais acusados, Mendes apontou os depoimentos nos quais sempre se dizia que, depois de tratativas com os partidos aliados, o "OK" de Dirceu era solicitado ao telefone por Delúbio e Genoino.

Coube a Marco Aurélio Mello, para sua alegria confessa, o voto decisivo contra José Dirceu; a essa altura, todos os réus daquele núcleo já estavam condenados ou absolvidos pela maioria.

Se Delúbio Soares tivesse feito tudo sozinho, se tivesse capacidade para isso, estaria num cargo muito mais elevado no PT, disse Marco Aurélio. Posou, e aceitou posar, como bode expiatório.

Na reforma previdenciária, lembrou o ministro, citando Janio de Freitas, foi necessária a intervenção do comando do PT para que se aprovasse a exigência de contribuição por parte dos próprios aposentados. Era o rompimento, que rendeu até expulsões, de compromissos programáticos do PT. "Desfigurando-hô", bufou Marco Aurélio.

Caíam assim, num sopro, as construções dos mensaleiros e seus admiradores.

A herança do carisma - ELIANA CARDOSO


O ESTADÃO - 10/10


Hoje me arrisco. Temo que os admiradores de Gandhi me rejeitem por lembrar palavras que gostariam de ver enterradas e esquecidas. Vou devagar. Antes de chegar ao líder carismático, traço paralelos entre a economia do Brasil e a da Índia.

A onda de reformas chegou aos dois países no começo da década de 1990, motivada por recorrentes crises externas. Os resultados foram bons. Na Índia, dez anos de crescimento acelerado resultaram em mais crianças na escola, menos analfabetos, menos pobreza rural, mais estradas e cada um de seus habitantes com um celular ao ouvido, apesar da crescente disparidade da renda. No mesmo período, apesar do crescimento menos vigoroso que o da Índia, partindo de uma renda per capita bem mais alta que a do gigante asiático, o Brasil também viu progresso social com menos pobreza. E, ao contrário da Índia, conseguiu reduzir a desigualdade.

O ano de 2012 produziu investidores desanimados, déficit fiscal em alta e piora da conta corrente do balanço de pagamentos na Índia. No Brasil, também. Lá e aqui, ouvimos queixas sobre o governo que mal governa e congela reformas. O Estado indiano culpa os empresários que não investem pela piora dos indicadores. O nosso acusa o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA). Lá e aqui, como os habitantes do inferno de Dante, ministros empurram para longe de si a responsabilidade dos próprios atos.

Nos dois países, governos estaduais bloqueiam a unificação dos impostos indiretos, com receio de que o poder central não distribua as receitas de forma equitativa. A Índia, mergulhada na corrupção, vê o medo de acusações paralisar os burocratas, que se protegem cruzando os braços. O Brasil lamenta ineficiências administrativas que entravam os investimentos.

Tanto no Brasil como na Índia, a imprensa é livre. O voto, limpo e honesto. Mas as campanhas eleitorais são custosas e sujas. Desvios populistas talvez expliquem como democracias vibrantes podem conviver com enormes disparidades. Calcula-se que 30% da população indiana sobrevive em pobreza abjeta, ao mesmo tempo que (atrás apenas da Rússia) a Índia ocupa o segundo lugar entre os países que têm os maiores números de bilionários no mundo. Parece que a desigualdade indiana se deve (em boa parte) ao sistema de castas. E é triste constatar que Gandhi - líder que ainda hoje inflama a imaginação e a admiração de muitos - sempre defendeu esse sistema.

Treinado como advogado britânico, depois de viver na África do Sul, onde foi importante líder comunitário, Gandhi voltou para a Índia, onde repensou o hinduísmo através do espiritualismo ocidental de sua época, enfatizando ideias como a reencarnação, o aperfeiçoamento pelo ascetismo e a fusão com o divino. Seu objetivo na vida? Alcançar o estado de perfeição em que o ciclo de renascimento chega ao fim e a alma se une a Deus. O caminho para a perfeição? A crucificação da carne. No sexo residia o perigo primeiro para a libertação final. Gandhi misturava o medo cristão do pecado com a fobia hinduísta de poluição. Aos 65 anos, uma ejaculação involuntária virou assunto para um comunicado angustiado ao público. Aos 77, testou a si mesmo dormindo nu com sua sobrinha-neta.

O extremismo de suas convicções não se limitava à cama. Enumerando suas crenças fundamentais, explicou que as máquinas representam um grande pecado. As ferrovias espalham a peste bubônica e aumentam a fome. Hospitais propagam o pecado. O camponês não precisa saber ler, pois o conhecimento das letras o tornaria descontente com sua sorte.

No seu tempo, o caminho da virtude exigia a expulsão da civilização ocidental da Índia e em 1920, usando seus dons excepcionais de energia e organização, Gandhi lançou uma campanha de não cooperação: renúncia de todos indianos às honrarias conferidas pelos britânicos e às posições no serviço público, na polícia e no exército, seguida pelo não pagamento de impostos. A campanha e o boicote à compra de bens estrangeiros eletrizaram o país. E em 1.º/2/1922 Gandhi anunciou que chegara a hora de iniciar o não pagamento de impostos. Quatro dias depois, a polícia de Chauri Chaura (no Estado de Uttar Pradesh) disparou contra manifestantes, matando três deles. A multidão contra-atacou e destruiu o local de refúgio dos policiais. Ao saber do ocorrido, Gandhi declarou um jejum de cinco dias e cancelou o movimento nacional.

Seu desgosto genuíno não parece ter determinado sua decisão, pois ele assumiria a postura contrária em 1942, ao declarar a jornalistas: "Se Deus quer destruir o mundo por meio da violência e me usar como seu instrumento, como posso impedir isso?" Parece que a razão para sua retirada súbita em 1922 estava ligada ao temor de que a revolta popular levasse a uma revolução socialista.

Do lado positivo, não nos podemos esquecer de que a imagem do líder semeou movimentos pacifistas ao redor do mundo e nele Aung San Suu Kyi encontrou inspiração para a revolta não violenta contra a ditadura de Mianmar.

Do lado negativo, precisamos lembrar a posição de Gandhi quanto ao sistema de castas. Embora condenando a ideia dos intocáveis, sempre defendeu e pregou a divisão da sociedade em quatro castas. Acreditando na transmigração e na reencarnação, afirmava que a natureza, sem nenhuma possibilidade de erro, faz as correções necessárias. Um brâmane que se comporta mal reencarna em divisão inferior: "Não há necessidade de ajustes nesta vida".

A bala de um assassino embalsamou Gandhi no papel de mártir e ainda hoje faltam à Índia políticos indianos que desafiem seus ensinamentos e condenem o sistema de castas. Converter um líder carismático em super-herói atrasa reformas benéficas ao progresso. O peronismo, na Argentina, é o exemplo mais próximo de idolatria política. Teremos sorte se o julgamento do mensalão vier a livrar a sociedade brasileira do lulismo.

A evolução dos termos de troca se deteriora - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 10/10


O resultado da balança comercial não depende apenas do aumento das exportações e da redução das importações. O mais importante é a relação de troca, isto é, a relação entre a evolução do preço das exportações e das importações. Essa relação, nos últimos anos favorável ao Brasil, agora está se deteriorando, com o preço das importações crescendo mais do que o das exportações.

Neste ano, os preços das exportações apresentaram queda de 2,9% nos oito primeiros meses do ano, enquanto os das importações subiram 1,3%. No caso das exportações é fácil descobrir o que puxou essa queda: foram, essencialmente, as exportações de produtos básicos, que dependem das cotações do mercado internacional. Nos oito primeiros meses, a exportação de produtos básicos cresceu ainda 3,4% em volume, mas o resultado foi anulado por uma queda dos preços de 6,5%.

A retração das atividades nos países do Hemisfério Norte se traduziu por uma queda das necessidades desses países em produtos básicos, mas foi principalmente a queda do ritmo das atividades na China que contribuiu para a forte queda de preços. Isso revela a fragilidade do comércio exterior quando depende excessivamente das exportações de commodities e, mais ainda, de um cliente muito importante.

Indo adiante, temos de nos preparar para uma nova queda dos preços dos produtos básicos em 2013, levando em conta que os países do Hemisfério Norte vão continuar com crescimento medíocre e que, como o reconhece o Banco Mundial, a China vai reduzir ainda mais o seu ritmo de crescimento. Seria fundamental aumentar nossa competitividade para exportar mais bens manufaturados, que tiveram um aumento de preços de 1,8%, mas uma queda de volume de 3,4%.

A questão do preço das importações é mais complexa. Não há dúvida de que o aumento do preço dos combustíveis (essencialmente gasolina) de 5,9% teve grande peso na elevação dos preços de nossas importações. Isso nos adverte sobre o erro de uma política de refino que não se propôs a acelerar a produção de combustíveis e a favorecer a produção de álcool, para manter a mistura num nível adequado.

Existe, porém, um outro problema que não podemos esquecer: estamos importando cada vez mais bens de alta tecnologia, isto é, mais caros. E temos a tendência de nos tornarmos um país que apenas faz a montagem dos bens importados. Cabe rever a política de comércio externo, se quisermos voltar a exportar produtos de maior valor agregado.

Cair na real - ANTONIO DELFIM NETTO


FOLHA DE SP - 10/10


Alguns analistas econômicos são vítimas de grave processo obsessivo misticamente ligado ao número três.

Há poucos meses, acreditavam piamente num ridículo modelo mágico. Uma espécie de “síntese” de toda a política econômica apoiada nas últimas descobertas da “ciência monetária” que, com três equações, cobriria toda a complexidade do mundo real.

O próprio Banco Central namorou a ideia. Diante da lenda urbana, o setor privado gastou milhares de homens/hora de alta qualificação para mimetizá-la e, assim, “adivinhar” o que faria o Copom na próxima reunião.

A nova obsessão são os famosos “três pilares” da política econômica adotada quando o modelo mágico quase nos levou ao “default”, em 1998. Introduzida em 1999, depois da desvalorização cambial, a política de responsabilidade fiscal, de metas de inflação e de liberdade cambial não nos poupou da ameaça de outro “default” em 2002. Só nos livramos graças à assistência do FMI.

No período que vai de 1999 a 2001, em que alguns analistas supõem que aplicamos o regime “puro”, os núme- ros mostram resultados não muito interessantes: taxa de crescimento médio de 2,1% do PIB; taxa média de inflação anual de 8,8%; deficit público médio de 4,4%.

A dívida líquida/PIB, que era de 39% no fim de 1998, elevou-se a 51% no fim de 2002. No período, acumulamos um deficit em conta-corrente de US$ 80 bilhões. Houve, sim, grande progresso institucional, o maior dos quais, seguramente, foi a Lei de Responsabilidade Fiscal, de 2000, que transformou o Brasil numa área monetária ótima.

Não há nada contra o uso comedido dos três pilares, mas não é possível erigi-los em objetivos religiosos como parecem fazer alguns. Aliás, o competente economista Armínio Fraga, responsável pela política econômica que os criou, sempre pareceu entendê-los “cum grano salis”.

Não creio que alguém tenha ouvido dele a proposição de que, com um único instrumento (a taxa de juros nominal de curto prazo), o Banco Central só pode atingir um objetivo (a taxa de inflação)! E a razão é simples: o teorema no qual ela se sustenta é logicamente verdadeiro. O que é falso são suas hipóteses!

Isso, hoje, é reconhecido por excelentes acadêmicos convertidos pela vivência da política econômica a uma pequena “heterodoxia”. Dentre eles, dois que tiveram grande importância na formação de nossos economistas: Stanley Fischer e Olivier Blanchard.

Afirmar, portanto, que a política monetária tem de considerar a taxa de crescimento do PIB é pecado apenas no mundo “virtual” em que vivem alguns de nossos analistas.

Exemplo irlandês - MIRIAM LEITÃO


O GLOBO - 10/10


Dos quatro países que receberam socorro da Europa, a Irlanda é o que já consegue respirar sem ajuda de aparelhos. Não que os números estejam azuis: O PIB está estagnado, a taxa de desemprego é alta, consumo e investimentos estão em queda. Mas as exportações se seguraram, e o saldo comercial cresceu 18% este ano. Vendendo para o exterior, a indústria tem aumentado a produção.

O presidente irlandês, Michael Higgins, iniciou ontem visita ao Brasil com uma comitiva de empresários. As relações comerciais entre os dois países são de apenas US$ 900 milhões, mas os irlandeses tem superávit. Sua vinda é parte desse esforço de encontrar formas de sair da crise.

Não é a primeira vez que os irlandeses mostram essa tenacidade. Durante 20 anos eles fizeram um enorme esforço para derrubar a dívida pública, que havia chegado a 109% do PIB. Conseguiram reduzi-la a 25%, mantendo superávits primários altos. Tudo isso se perdeu na crise, porque para salvar seus bancos superencrencados o Tesouro endividou-se. Agora, começou do zero porque a dívida voltou a 106% e este ano crescerá ainda mais.

Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha. Um a um, os países precisaram de dinheiro para pagar as contas. Uma combinação de gastos já elevados e mais uma montanha de dinheiro despejada nos bancos explica, em resumo, o problema. Como não podem desvalorizar a moeda, a única saída é ganhar produtividade e conquistar mercado internacional. Assim as exportações crescem e compensam a queda do consumo interno.

É o que está acontecendo na Irlanda. No segundo trimestre, a produção industrial cresceu 4,6% sobre o primeiro, enquanto a agricultura e o setor de serviços caíram 5,5%. O PIB ficou estagnado, mas a indústria e as exportações evitaram que ele ficasse vermelho.

O saldo comercial irlandês cresceu 18% no primeiro semestre. Em 2007, a Irlanda teve 25 bilhões de euros em superávit. Em 2011, o saldo foi positivo em 43 bilhões de euros. As importações caíram muito, porque o país está em crise, mas as exportações se seguraram. Um dos ativos da Irlanda é a indústria química forte, e ela está conseguindo exportar mais.

— A Irlanda está novamente fazendo o dever de casa e tem produtos para oferecer ao mundo. É diferente do que acontece em Portugal, que, a propósito, também tem se esforçado. O dinamismo da economia irlandesa é maior e isso vai ajudar a atenuar os efeitos da crise, disse a economista Monica de Bolle, da Galanto Consultoria.

As exportações foram 60% de produtos químicos, que somaram 32 bilhões de euros de janeiro a julho. Eles foram parar em mercados competitivos, como o americano. Para lá, a indústria química irlandesa exportou 9 bilhões de euros. Produtos médicos e farmacêuticos foram quase 30% das exportações.

Para efeito de comparação, durante todo o ano de 2011 o Brasil exportou 10 bilhões de euros em produtos químicos e de farmácia. Mas importou 32 bilhões de euros. O déficit na nossa balança nessa área é forte.

A Irlanda aproveitou a entrada na zona do euro para fazer investimentos. Mas, como outros países, se animou com a bolha imobiliária, que estourou em 2008 e quebrou os bancos. O governo teve que socorrer o sistema financeiro em 2009. Foram três anos seguidos de contração do PIB, que chegou a cair 7%. No ano passado, houve crescimento magro, de 0,7%, e o FMI estima 0,5% este ano.

Ainda falta muito para a Irlanda sair da crise. A taxa de desemprego é elevada e há mais de um ano ronda os 15%. Mas o custo do trabalho tem caído e as empresas têm conseguido ganhar competitividade. Na Grécia, esse círculo virtuoso está bem longe da vista, como pôde ver de perto ontem a chanceler alemã, Angela Merkel.

Imposto sobre os bancos - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 10/10


Por iniciativa e insistência da França, 11 entre os 27 países da União Europeia aceitaram ontem a adoção do Imposto sobre Transações Financeiras Internacionais. Entre eles estão também Alemanha, Espanha e Itália.

A justificativa técnica número 1 é que os negócios dos bancos e fundos de hedge têm, afinal, de ser taxados e, por meio do tributo, mais bem controlados. A de número 2 é que esse imposto coibiria a especulação. Na medida em que encarecesse as operações financeiras, acabaria por inviabilizar o jogo especulativo. Mas a verdadeira razão por trás dessa proposta é a necessidade de reforçar a arrecadação de Estados, cujas finanças estão combalidas.

O primeiro a propor um imposto assim, em 1972, foi o Prêmio Nobel de Economia de 1981, James Tobin. Incidiria apenas sobre as operações de câmbio, algo que seria contraproducente na União Europeia por serem poucas as moedas do bloco. A ideia central de Tobin foi encontrar um meio de reduzir a volatilidade do mercado de modo a que um custo mais alto das transações afastasse os especuladores. O resultado da arrecadação seria canalizado para ajudar o desenvolvimento dos países pobres - e não para reforçar as receitas dos governos.

Esse imposto se tornou uma das mais importantes propostas programáticas da Internacional Socialista. É o que em parte explica o empenho da França, agora dirigida pelo socialista François Hollande, em lutar pela sua instituição.

O grande problema técnico desse tributo é que precisa ser global para evitar que os capitais escorram para centros financeiros livres dessa taxa, como Nova York, Londres, Hong Kong, Cingapura e os paraísos fiscais.

O governo dos Estados Unidos vem sistematicamente rejeitando esse imposto. Mas a União Europeia parece propensa a instituí-lo assim mesmo. A reunião de ministros de Finanças da União Europeia, agendada para 12 de novembro, deverá discutir os próximos passos para a implantação da novidade.

Outro grande obstáculo são as suas proporções. Não pode ser nem tão alto a ponto de afugentar os aplicadores nem tão baixo a ponto de não coibir a especulação. Além disso, uma alíquota baixa demais poderia proporcionar uma arrecadação insignificante para o reforço dos Tesouros nacionais.

A proposta em discussão na União Europeia é cobrar uma alíquota de 0,1% sobre os negócios com ações e títulos e de 0,01% nas operações de derivativos. Se todo o bloco adotasse esse imposto, a arrecadação inicial prevista seria de 55 bilhões de euros por ano, pouco expressiva para uma dívida total de 8,3 trilhões de euros, apenas na área do euro. Parece óbvio que, uma vez em vigor o imposto, o passo seguinte será aumentar a alíquota.

O ministro das Finanças do Reino Unido, George Osborne, opõe séria resistência a essa taxação. Teme o esvaziamento do centro financeiro de Londres, a velha City. Adverte que a conveniência desse imposto não pode ser medida apenas pelo seu potencial arrecadador. É preciso avaliar também, diz ele, as perdas de renda que causará pelo desvio de negócios para outros centros. Pelos cálculos dele essas perdas poderão alcançar cerca de 3,5% do PIB - relata o diário espanhol El País.

AMOR E SEXO - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 10/10

Mallu Magalhães, 20, fala sobre amor à revista "Moda"; "quando as pessoas começam a fazer sexo elas ficam mais sensuais", diz a namorada de Marcelo Camelo; "ao lado dele, me sinto bonita, completa"

NO FIM DA LINHA
Análise de mídia que circula entre réus do mensalão esquadrinha textos da imprensa e chega à conclusão de que os veículos "avançam o sinal em relação a quem não é réu: Lula". Relaciona citações ao ex-presidente à campanha eleitoral. "Mas o processo de desconstrução da imagem de Lula mira mais além", diz ainda o texto.

PRÓXIMO CAPÍTULO
Em outro item a análise diz que Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil e já condenado, "tende a ser um dos personagens" dos próximos capítulos da cobertura do mensalão.

LUZ APAGADA
Réus do mensalão responsabilizam Dirceu pelo desfecho do julgamento. Eles achavam que a única saída para evitar uma condenação em massa era lutar pelo desmembramento do processo -o que faria com que não fossem julgados em grupo no STF, e sim por juízes de primeira instância. A mídia não jogaria tanto holofote sobre o caso. Dirceu foi contra.

VOTO VENCIDO
O próprio ministro Joaquim Barbosa, relator do processo, defendeu o desmembramento do mensalão quando o caso chegou ao STF. Foi voto vencido. Já quando propôs o desmembramento do mensalão do PSDB, Barbosa não encontrou resistência. Nem de ministros nem de advogados.

FICA PRA PRÓXIMA
Marília Gabriela desistiu de um projeto "fotobiográfico" sobre seus quase 45 anos de carreira. A produtora Montenegro e Raman chegou a ser autorizada a captar R$ 330 mil, usando leis de incentivo, para o livro "Mil Entrevistas". Mas ela achou "barbeiragem" aplicar a Lei Rouanet nesse caso. "Não sou contra a lei, mas não quero usá-la para isso."

A GUERRA
Marília quer se valer de benefícios fiscais para outro projeto: montar o espetáculo "A Guerra dos Roses", que já rendeu filme com Michael Douglas e Kathleen Turner. Jô Soares vai dirigir e Herson Capri atuará com ela. "Os custos de uma peça são inviáveis a menos que você tenha patrocinadores." Ela lembra da experiência com o monólogo "Aquela Mulher" (2008). "Fiz sem patrocínio, tudo bonitinho. Fiquei um ano [em cartaz] e não ganhei um tostão furado. Foi realmente por amor à arte."

PAÍS GG
Em sua primeira passagem pelo país, o médico francês Pierre Dukan reparou que os brasileiros "são muito ligados a seu corpo, muito sensuais e animalescos". Mas isso pode mudar: "Aqui as pessoas já engordaram demais". A dieta Dukan é seguida por Kate Middleton e Penélope Cruz.

ROBERT COME PLANTAS
Robert Plant, ex-vocalista do Led Zeppelin, pediu comidas leves para o camarim de seus shows no Brasil, do dia 18 ao 29 deste mês. Quer uma jarra de mel, gengibre fresco, amêndoas cozidas e nozes. De álcool, só uma garrafa de vinho sauvignon blanc.

NINGUÉM ESTÁ SEGURO
Um funcionário da Porto Seguro não foi à delegacia fazer boletim de ocorrência depois de bater um carro da empresa no de uma professora da Uninove, na saída da faculdade, na Barra Funda, na noite de sexta. "Ele me mandou correr atrás dos meus direitos", diz ela. A seguradora afirma que, "em acidentes como este, não é necessário fazer o boletim de ocorrência". E informa que a motorista "está sendo atendida" por uma oficina.

PREMIADAS
A ministra Helena Chagas (Comunicação Social) representou Dilma Rousseff, homenageada pela "Claudia" em cerimônia na Sala São Paulo. Erika Foureaux, da Rede Folha de Empreendedores Socioambientais, foi uma das premiadas pela revista. A ministra Eleonora Menicucci (Mulheres) e Luiz Seabra, fundador da Natura, foram ao evento, anteontem.

CURTO-CIRCUITO

Luiza Perea lança coleção hoje, em sua loja na Vila Madalena, às 19h.

Ana Sario abre a mostra "Incriado", na galeria Virgilio, em Pinheiros.

O MuBE estreia nova sala com a peça "Como Ter Sexo a Vida Toda com a Mesma Pessoa". 16 anos.

O Beauty Bar inaugura hoje, às 17h, nos Jardins.

O arquiteto Isay Weinfeld ganhou o prêmio World Building of the Year na categoria esportes. Foi reconhecido pelo projeto para o centro de golfe da Fazenda Boa Vista.

Eduardo na cabeça - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 10/10

Um decano do Congresso acredita que para o governador Eduardo Campos (PSB) viabilizar sua candidatura a presidente, em 2014, ele teria que ter o apoio dos tucanos. O experiente político diz que esta é a melhor alternativa para o PSDB, abrir mão da cabeça da chapa. Avalia que se o governo Dilma estiver bem, e Campos for candidato ao Planalto, ele vai dividir os votos da oposição.

Geddel: ‘É uma questão local’
O vice da CEF, Geddel Vieira Lima, não cogita deixar o cargo ao apoiar ACM Neto (DEM) em Salvador. O vice-presidente Michel Temer avaliza essa posição. No início do ano, Temer queria que Geddel apoiasse ACM para que Chalita tivesse o DEM ao seu lado em São Paulo. Para o PMDB, a função que Geddel ocupa se deve ao apoio à presidente Dilma em 2010. Os peemedebistas lembram que, em 2008, o governador Jaques Wagner (PT) apoiou Imbassahy (PSDB) contra o prefeito de Salvador, João Henrique, então PMDB. E acrescentam que não dá para demonizar o DEM, partido que se coligou com o prefeito Luiz Marinho (PT) em São Bernardo do Campo (SP).

“O PT foi oposição ao Aécio (Neves) nos últimos dez anos. Eles estão empurrando o (Marcio) Lacerda para o nosso colo”
Marcus Pestana
Deputado federal e presidente do PSDB-MG

Os riscos da retaliação
Os aliados não acreditam que a presidente Dilma vá retaliar governistas que divergirem do PT no segundo turno da eleição municipal. Perguntam: “A presidente vai querer criar uma legião de guerrilheiros contra a reeleição dela em 2014?”

Ele quer aclamação
Condenado pelo STF por corrupção ativa, o ex-ministro José Dirceu avisou aos amigos que vai hoje à reunião do diretório
nacional do PT. Ele quer ser tratado como herói injustiçado. Seus simpatizantes preparam faixas e notas de repúdio à decisão do STF. A oposição está exultante e vai explorar o fato no segundo turno das eleições.

O próximo alvo: governos estaduais
O prefeito Gilberto Kassab, maior liderança do PSD, diz que seu partido teve “uma largada boa” nas eleições municipais e prevê que “muita gente virá”. O objetivo do partido, a partir de agora, é construir candidaturas aos governos dos estados.

A cara limpa do PMDB
O PMDB fez 930 mil votos a mais do que em 2008, elegeu 20 prefeitos a mais nas eleições em São Paulo e passará a ter quatro vereadores na capital. O vice-presidente Michel Temer fortaleceu sua posição política nacional e debita o êxito à candidatura de Gabriel Chalita. Temer resume: “Há um novo PMDB em São Paulo. O Chalita deu uma cara limpa ao PMDB.”

Fechando as portas
O Planalto, com o apoio do PSD e de partidos aliados, enviou projeto de lei do Executivo para o Congresso criando regra pela qual os partidos novos só terão direito a tempo na TV e a recursos do Fundo Partidário após um ano de sua criação.

Acerto de contas no PV do Rio
O ex-deputado Fernado Gabeira não se conforma com a votação de Aspásia Camargo: “O PV do Rio que saiu das urnas com 1% dos votos deveria ter a decência de meditar silenciosamente sobre sua atuação antes de voltar à cena”.

MENSALÃO. Reconhecer erros é construtivo no infortúnio. É inútil culpar a imprensa pela negligência pessoal. Ela é intransferível.

Indevida salvaguarda - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 10/10


Liquidada a questão na Justiça, resta a José Dirceu e José Genoino tentar equilibrar as coisas no campo político.

O instrumento é o mesmo ao qual eles vêm recorrendo há algum tempo: a confrontação de suas trajetórias de vida com os votos condenatórios no Supremo Tribunal Federal, a fim de criar uma atmosfera de cruel linchamento.

O PT inclusive prepara um desagravo público a ser realizado após o fim do julgamento do mensalão, com a finalidade de deixar consignado que político com "história" não pode ser tratado como um molambo qualquer.

Faz sentido? Depende de como se vê a cena. Se o princípio é o de que os fins justificam quaisquer meios, até faz.

O partido continuará insistindo na história dos "erros pontuais" cometidos em nome de um projeto em prol da justiça social, jurando que não houve desejo deliberado de obter vantagens pessoais indevidas.

O PT se vê de forma muito diferente daquela com que enxerga a constelação de "vendidos" que cooptou para formar maioria: nada fez de má-fé. Agiu por ideologia nas melhores das boas intenções. Injusta, portanto, punição tão pesada.

Mas há outra maneira de olhar que subtrai todo e qualquer cabimento da ideia de uma absolvição virtual dando os mesmos pesos e medidas aos bons propósitos e aos atos nefastos.

Nem com muito esforço de boa vontade é possível esperar que daí resulte algum equilíbrio.

Por um motivo muito claro e simples: as "trajetórias de lutas", sejam quais forem elas, não podem servir como salvo-conduto a más condutas escoradas na ilicitude.

Argumenta-se, para lamentar as condenações, que José Dirceu e José Genoino são homens com "história". Verdade incontestável, ninguém discute esse ponto. Neles, aliás, reside a grande incoerência.

Políticos donos de substancioso histórico têm a obrigação de se comportar melhor que os demais - os desprovidos de semelhante bagagem. Pela lógica seria inerente a seres tão especiais a sensibilidade para distinguir entre o que está dentro ou fora dos marcos da legalidade.

Não uma qualidade, mas um dever de militantes forjados na ideologia. De valdemares e companhia espera-se qualquer coisa, mas do PT o País esperava maior apreço pelo ofício.

Condenados Dirceu e Genoino, o PT pode até se sentir injustiçado. Mas não pode dizer que a cigana o enganou. Sabia onde pisava quando optou por comprar facilidades.

Se o partido imaginou que a cobrança da conta não era uma possibilidade, só lhe resta lamentar ter caído na armadilha preparada pelo autoengano.

Fim do caminho. Ao condenar José Dirceu por maioria inequívoca, o Supremo encerrou uma carreira política que começou a se desmilinguir no dia em que Roberto Jefferson olhou para as câmeras que transmitiam ao vivo a sessão da CPI dos Correios e provocou o todo poderoso ministro chefe da Casa Civil: "Sai daí, Zé".

Toda diferença. O ministro Celso de Mello, único remanescente da composição da Corte que julgou Fernando Collor em 1994, tem dito que o Supremo não mudou o entendimento sobre o ato de ofício que caracteriza, ou não, a responsabilidade criminal de autoridades públicas.

Por isso mesmo não é demais repetir: não há dois pesos, os casos é que são diferentes. Na época, o Ministério Público não apontou qual o interesse dos empresários extorquidos por Paulo César Farias, condenado por corrupção ativa, nos atos incluídos entre as atribuições do presidente, absolvido da acusação de corrupção passiva.

Agora a Procuradoria-Geral da República foi clara na denúncia: o governo Lula deu dinheiro aos partidos em troca dos atos inerentes às atribuições dos parlamentares no Congresso.

Controle remoto - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 10/10


Informadas por emissoras de TV e portais sobre a perspectiva de realização de oito debates até o dia 26, as campanhas de José Serra e Fernando Haddad entraram em campo ontem. Costuram acordo para reduzir pela metade o número de encontros entre os dois candidatos no segundo turno. O argumento central é o de que a participação de ambos na maratona seria fulminante para as agendas de rua, decisivas na reta final, e prejudicaria as gravações para a propaganda eleitoral.

Grade cheia "Do jeito que está, vamos ter debate quase todos os dias", diz um estrategista de Serra. A ONG Nossa São Paulo também pretende reunir os candidatos para um "tira-teima" sobre suas propostas no dia 22.

Ela... Dilma Rousseff só bateu o martelo de que vai a três capitais no segundo turno: São Paulo, Salvador e Manaus. Na capital amazonense, ela vai esperar Vanessa Grazziotin (PC do B) crescer nas pesquisas, porque não quer ser "sócia na derrota".

... e ele Já Lula deve manter o ritmo intenso e já avisou que vai a João Pessoa pedir votos para Luciano Cartaxo (PT) e a Fortaleza, no palanque de Elmano Freitas (PT).

Vídeo show O PSB vai distribuir para seus candidatos no segundo turno coletânea dos melhores momentos da propaganda eleitoral de Geraldo Júlio, candidato de Eduardo Campos, que em pouco mais de um mês saiu do zero para se eleger prefeito de Recife em primeiro turno.

Porteira... O Congresso se articula para votar, a toque de caixa nas duas Casas, projeto proibindo que siglas que venham a ser criadas tenham direito a fundo partidário e tempo no horário eleitoral de rádio e televisão.

... fechada A proposta tem respaldo, inclusive, do PSD de Gilberto Kassab, beneficiado por decisão do STF que lhe garantiu acesso tanto à partilha de recursos quanto ao palanque eletrônico.

Psicografada José Dirceu disse a amigos que estava "pressentindo" que seria condenado ontem pelo Supremo e que acordou de madrugada com o texto da nota na qual afirma que fará da "sede de justiça" sua "razão de viver" na cabeça.

Cativo Dirceu mantém a intenção de comparecer hoje à reunião da direção do PT, em São Paulo. Petistas diziam que Lula havia feito apelo para que o ex-ministro evitasse o evento, mas ele nega.

Adeus O Planalto avisou ao Ministério da Defesa que José Genoino terá de pedir demissão da assessoria especial da pasta assim que terminar o julgamento de sua participação no mensalão.

Nada feito De um ministro, sobre a hipótese de colegas que votaram pela absolvição de réus se manifestem sobre a dosimetria de penas em caso de condenação: "O ato de absolver esgota a manifestação sobre o mérito".

Isonomia Defensor de Genoino, Luiz Pacheco apresentará questão de ordem para que todos os ministros votem pela definição das penas. Cita o exemplo do fatiamento do processo. "Lewandowski e Marco Aurélio foram vencidos. Pela lógica de que só vencedores votam, não deviam julgar o mérito."

Sai fora O acordo que levou ao fim a CPI do Cachoeira não passou pelo crivo do Planalto. Dilma tem dito a aliados que não vai aceitar que coloquem em sua conta o enterro das investigações.

Visita à Folha José Maria Marin, presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava com Fausto Camunha, assessor de imprensa.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"Quero que meu sindicato seja plural, com participação de qualquer corrente política. Por isso posso optar por Fernando Haddad."

DE JOÃO CARLOS JURUNA, secretário-geral da Força Sindical, declarando apoio ao petista, contra a orientação do seu PDT, que anunciará adesão a Serra.

contraponto

Zona de rebaixamento

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, falava sobre o impacto do julgamento do mensalão nas eleições municipais, no Planalto, quando foi questionado sobre a declaração de Lula, segundo quem a população está mais preocupada com a possível queda do Palmeiras para a Série B do Campeonato Brasileiro que com as condenações no STF.

Palmeirense, Carvalho deu seu depoimento pessoal para endossar o ex-presidente, torcedor do Corinthians:

-Eu mesmo estou muito mais preocupado com Palmeiras, a coisa está feia por lá!

'Avenida Brasil' está acabando... - ARNALDO JABOR


O Estado de S.Paulo - 10/10


Que saudades vou ter do Leleco, do Tufão, das peruas do subúrbio, gritadeiras e barraqueiras, que saudades da dupla de atrizes geniais apaixonadas pelo ódio, Carminha e Rita (não esqueço dos rugidos de fera de Adriana Esteves, desde o dia em que ela ‘comeu’ literalmente o Tufão pela primeira vez, como se fosse um bicho devorando-o com a boca), da Ivana, da grande Zezé e Janaina e principalmente do Max, o nosso Maxwell, o famoso malandro-agulha, finalmente retratado na TV ('malandro-agulha', sabe-o Joaquim F. dos Santos, é aquele que "toma no buraco, mas não perde a linha...").

Essa novela é um buraco novo na teledramaturgia. Partiram para fazer uma novela ‘para’ a classe C e tudo acabou virando uma novela da classe C para o País todo. Não é uma trama feita ‘para’ o subúrbio; é o subúrbio e seus personagens que fizeram a novela, criando uma espécie de realismo crítico em que os heróis não são mais comandados pela ideologia dos autores, como objetos de um folhetim ‘social’, como fazia a velha ‘arte engajada’. A chamada arte social de filmes e livros tratava de excluídos ou de suburbanos como um conceito geral e sua intenção era ‘conscientizá-los’ sobre sua ‘alienação’, como os autores decidiam. Aqui, não. O subúrbio finalmente apareceu na TV, sem folclore e sem ideologias. Eu fui criado no Rocha, na antiga rua Guimarães, atual Alm. Ary Parreiras e sei do que falo. Claro que não é só aquela ilha de solidariedade que a novela mostra, mas tem, sim, um clima brasileiro vivo, uma doçura na precariedade de seus moradores que não há na zona sul. Aqui, os heróis são sujeitos da ação. E o resultado foi incrível, porque descobrimos maravilhados que o universo C é muito mais rico em revelações de comportamento sobre a vida brasileira do que a mortiça ZS, sem vizinhos, sem fofocas. Nelson Rodrigues dizia que "a novela mata nossa fome por mentiras", mas essa novela matou nossa fome de verdades.

Avenida Brasil parte do melodrama, claro. Ou melhor, de uma rede de melodramas interligados como uma grande paródia do próprio melodrama, uma paródia dessa tradição desprezada, mas tão rica na história do teatro. Ao final do século 19, as novas propostas estéticas que surgiam, entre elas o naturalismo, acabaram negando muitas das formas superutilizadas do melodrama, que foram consideradas antinaturais. Isso disseminou um valor negativo a tudo que fosse considerado melodramático, que se tornou sinônimo de interpretações e enredos exagerados, antinaturais. Aliás, a música comentário que sublinha dramaticamente a ação, muito usada nos melodramas, foi muito bem utilizada nessa novela, indo de momentos bregas a homenagens a Bernard Herman e até a acordes minimalistas.

Em geral, as novelas têm um núcleo principal cercado de coadjuvantes por todo lado; essa, não. Todos são importantes, todos têm uma psicologia original compondo um vasto painel de personalidades; não há tipos – todos são personagens. Por exemplo, o Adauto, que começou como um bobão lateral, acabou crescendo para um cara com ecos até ‘shakespearianos’ do bufão ou do louco que comenta a ação dos principais, assim como as empregadas também cumprem o papel de ironizar o que vai acontecendo na trama central.

Outra coisa legal no Avenida Brasil é que a narrativa, o 'raconto', não é pré-fabricada desde o início. Deu-me a impressão de que os acontecimentos dramáticos iam puxando outros, como se João Emanuel gostasse de se meter em encrencas insolúveis para depois resolvê-las. Isso gerou também um clima solto e improvisado, cheio de ‘cacos’ em que atores como Marcos Caruso, Eliane Giardini e José de Abreu se esbaldaram, criando em muitos momentos um ambiente de ‘cinema verdade’, com todo mundo falando ao mesmo tempo, sem a alternância antiga da pergunta e resposta.

Esse tipo de estrutura é semelhante aos recentes seriados americanos que estão criando uma nova forma de arte, diferentemente dos filmes que estão até meio arcaicos ou recorrendo a truques visuais, 3D, porrada, historinhas para idiotas.

Um filme almeja sempre um sentido final, uma conclusão qualquer, em duas ou três horas. Um seriado ou uma novela como essa participam de uma nova forma de arte dramática: a vida real em sua casa, acessível imediatamente como o Facebook ou um Instagram – a cara do nosso tempo, sem finais claros, sem tendências fechadas, sem conclusões.

Durante meses ou anos (Sopranos, Lost, Mad Men), a gente se afeiçoa às personagens, como se vivêssemos lá dentro, como se fôssemos parte da família. A direção de Amora Mautner, José Villamarin e seus codiretores é excepcional porque, com uma trama tão rica, que mistura desde a chanchada até momentos trágicos, eles puderam usar recursos de cinema e fotografia que vão de filmes de suspense até ecos de Tarantino.

Esta produção da TV coloca ‘lixão’ de um lado e zona sul do outro, mas nunca faz denúncias sociais ou mostra contradições de um maniqueísmo fácil. E justamente essa recusa ou ausência de ‘mensagens’ torna a obra extremamente, não direi 'política', mas enriquecedora do imaginário brasileiro, incluindo conceitos e comportamentos esquecidos ou ignorados pela dramaturgia nacional. Merece um sério estudo antropológico que a antropóloga Ivana podia fazer...

Esta novela é parte importante da cultura brasileira atual, para longe dos esnobismos estetizantes. Vejo que aqui e no mundo audiovisual nasce uma nova arte de massas, um barroquismo digital e pós pós que não busca mais a realização de um sentido, mas uma convivência entre ficção e realidade. Há vários anos a gente analisava a ‘importância’ de uma obra de arte, para além de sua aura poética. Buscávamos alguma coisa que ajudasse a ‘mudar’ contradições e desse mais harmonia e sentido para a vida social. E agora?

Bem, essa novela foi vista por cerca de 80 milhões de pessoas durante meses e isso a torna não apenas uma ficção sobre nós. Ela faz parte de nossa realidade.

Lula carregou seu segundo poste - ELIO GASPARI


O GLOBO - 10/10


Lula levou seu poste ao segundo turno na disputa pela prefeitura de São Paulo. Apesar de a eleição ter ocorrido enquanto o Supremo Tribunal Federal julga um dos maiores escândalos políticos da história nacional, o PT saiu da rodada inicial como o partido mais votado nos municípios, com 17,3 milhões de votos (um crescimento de 4%), elegendo 624 prefeitos, 12% a mais que em 2008. Levou oito das 83 cidades com mais de 200 mil habitantes que fecharam a conta. Isso num dia em que o ministro Joaquim Barbosa era festejado na seção onde votou. "Cana neles", disse-lhe um eleitor. Seu colega Ricardo Lewandowski, adversário no julgamento do mensalão, entrou pelos fundos. O comissário José Dirceu, depois de ter trocado de endereço, chegou acompanhado por uma centena de companheiros parrudos.

O PMDB continua sendo o partido com maior número de prefeituras (1.025), mas, pela primeira vez, perdeu na soma dos votos. O PSDB elegeu 693 prefeitos com 13,9 milhões de votos, perdendo 13% dos municípios e 4% dos votos.

Qualquer projeção de resultado eleitoral com base em resultados do primeiro turno é uma ousadia aritmética e as especulações nacionais a partir de números municipais são exercícios de quiromancia. Os números de domingo fixam três personagens vitoriosos: o mineiro Aécio Neves, o pernambucano Eduardo Campos e o carioca Eduardo Paes, mas falta São Paulo.

Se Nosso Guia eleger Fernando Haddad, sairá desta eleição maior do que entrou. Se perder, pobre Lula. Assim como ninguém poderá dizer que o PT perdeu a eleição tendo vencido em São Paulo e saído do pleito com mais de 14 milhões de votos, os companheiros terão dificuldade para cantar vitória tendo perdido também em Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife.

A ascensão de Celso Russomanno mostrou que costuras partidárias, marquetagens e tempo no horário de propaganda gratuita são incapazes de decidir um pleito. Sua implosão provou que pesquisa é uma coisa e eleição, outra. A de domingo mostrou as limitações da futurologia. Noutro aspecto, indicou as limitações da passadologia. Continua em vigor a sabedoria convencional do cinturão petista da periferia de São Paulo. Haddad conseguiu recuperar os votos da periferia que escorregavam na direção de Russomanno e ficou com o maior pedaço desse eleitorado. Não existe cinturão petista. Se existisse, nas pesquisas de setembro, Russomanno não teria conseguido 38% das preferências na região. O que existe é um pedaço da cidade onde, depois de oito anos de exercício da prefeitura, o tucanato ainda não se fez ouvir. Há dez anos havia no Rio de Janeiro o fator passadológico da Zona Oeste. Nela políticos como Anthony Garotinho e Cesar Maia, com oito anos de poder estadual e doze na prefeitura, estariam protegidos. Pois no domingo o candidato Rodrigo Maia (filho de Cesar), que tinha como vice Clarissa Garotinho (filha de Anthony e de Rosinha, sua sucessora), conseguiu 5,4% dos votos, com 0,91% em Campo Grande. O cinturão carioca também não existia. Tanto na periferia de São Paulo como na Zona Oeste do Rio concentram-se eleitores de baixa renda.

O convênio Petrobrás-CUT - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 10/10


Como outras empresas que necessitam de mão de obra qualificada não disponível no mercado, a Petrobrás tem realizado diretamente ou com a contratação de empresas especializadas cursos de formação e preparação de técnicos em vários níveis nas áreas de petróleo, gás e energia. A educação básica, porém, não tem nada a ver com a natureza da estatal e, para isso, já existem programas específicos do governo, sob a responsabilidade do Ministério da Educação (MEC). Não foram suas necessidades nem seus objetivos sociais que justificaram os convênios de R$ 26 milhões firmados em 2004 e 2007 com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), braço sindical do PT, e à sua coligada Agência de Desenvolvimento Solidário (ADS), para alfabetização de 200 mil pessoas. Trata-se de área inteiramente estranha às atividades sindicais e aos objetivos definidos pelos estatutos da Petrobrás.

Se há algo surpreendente na decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) - tomada no último dia 26, de determinar a abertura de tomadas de contas especiais para calcular os prejuízos e identificar eventuais responsáveis por irregularidades, por não haver comprovação suficiente de que o trabalho tenha sido realizado em condições satisfatórias - é o fato de a providência ter demorado tanto. Além da CUT, são alvo de processos para apuração de danos três outras instituições, que receberam da estatal valores menores, mas também deixaram de apresentar os documentos comprobatórios exigidos. A área técnica do TCU havia proposto a aplicação imediata de multas aos dirigentes da estatal, o que não foi aceito pelo relator do processo, tendo o tribunal decidido avaliar antes as tomadas de contas especiais.

O relatório do TCU nota que os convênios foram firmados sem uma exposição de motivos ou documentos que permitam saber a razão pela qual a CUT e a ADS receberam os recursos da Petrobrás para um projeto do programa Brasil Alfabetizado, do MEC. Além de não ser equipada para proporcionar ensino básico, a CUT nunca mostrou preocupação especial com o tema. Sua cartilha é outra, versando, principalmente, sobre o direito de greve. Quanto à ADS, constituída em 1999, da qual também participam o Dieese e outras instituições, suas atividades têm sido orientadas, principalmente, para o fortalecimento de cooperativas e outros empreendimentos coletivos, sem vínculo, pelo que se tem conhecimento, com atividades na área de educação fundamental.

O relatório diz também que a Petrobrás não apresentou fichas de acompanhamento individual dos alunos, listas de presença, documentos sobre o acompanhamento das ações dos alfabetizadores e o número de alfabetizandos. Por isso, não é possível aferir se o dinheiro pago era compatível com as atividades previstas. A CUT alega ter cumprido todas as etapas da parceria e que apresentou comprovantes dos serviços prestados. A Petrobrás afirmou que não existem irregularidades ou beneficiamento político-partidário nos convênios firmados durante a gestão de José Sérgio Gabrielli, "o que será comprovado pela companhia no andamento do processo". Nem a CUT nem a estatal explicaram, no entanto, por que o MEC foi mantido inteiramente à margem desses convênios, já que, como assinala o TCU, a pasta deveria, no mínimo, atuar como fiscal dos projetos.

Parece longe de ser casual o fato de a Federação Única dos Petroleiros, que representa os funcionários da Petrobrás e com a qual a direção da estatal procura manter as melhores relações, ser filiada à CUT. Isso pode explicar por que a diretoria da empresa transferiu generosamente recursos para a central sindical petista, para um programa sem justificativas, pois não faz parte das suas finalidades, e cuja execução, como mostrou o TCU, não tem comprovação adequada.

Acertos financeiros motivados por interesses político-partidários ou ideológicos, como tudo indica ser esse entre a Petrobrás e a CUT, são condenáveis em quaisquer circunstâncias. Quando envolvem, como falsa justificativa, o déficit educacional do País, o "malfeito" é ainda mais grave.

CLAUDIO HUMBERTO

“Não estou julgando Histórias, estou julgando fatos”
Ministra Cármen Lúcia (STF), ao condenar os réus José Dirceu e José Genoino


SP: PMDB ‘RACHA’ PARA APOIAR HADDAD E SERRA
Apesar do anunciado apoio formal do PMDB a Fernando Haddad (PT), no segundo turno da briga pela Prefeitura de São Paulo, a verdade é que isso não se dará sem sobressaltos e recuos, porque o partido está rachado: peemedebistas “históricos” apoiam José Serra (PSDB), assim como o grupo liderado por Alaíde Quércia, viúva de Orestes Quércia. Durante seu discurso na noite do dia 7, Serra inclusive a homenageou.

LIDERADOS
Outro obstáculo para o apoio ao PT: os vereadores eleitos pelo PMDB, no último dia 7, são mais ligados a Geraldo Alckmin (PSDB) que a Lula.

OUTRA TURMA
Vereadores do PMDB, rivais de petistas nas bases, são mais próximos de Gilberto Kassab e de José Serra do que de Lula e de Dilma.

BRILHO PRÓPRIO
Conchavo de cúpula partidária em São Paulo é inútil: os votos de Celso Russomanno (PRB) e de Gabriel Chalita (PMDB) são quase pessoais.

PERGUNTA NA RAMPA
Dilma vai demitir José Genoino, assessor do ministro Celso Amorim (Defesa) condenado por corrupção pelo Supremo Tribunal Federal?

APOSENTADORIA DE RÉU DO MENSALÃO: AGU NO MURO
A Advocacia Geral da União não parece preocupada com o fato de a Câmara dos Deputados haver atropelado a lei, ao aposentar o mensaleiro Jacinto Lamas, e nem sequer cogita acionar a Justiça para cassar-lhe a aposentadoria. A AGU, chefiada pelo ministro petista Luís Adams, informou, por sua assessoria, que “não atua de ofício” e só vai tentar cassar a aposentadoria de Lamas se for provocada pela Câmara. 

MUNDO VIRTUAL
A Caixa vai comprar 35 mil computadores em Brasília. O valor da licitação é tão espantoso quanto a necessidade: R$ 65 milhões. Hum...

PRA BOI DORMIR
Empatados virtualmente, Serra e Haddad vão se agarrar à TV para salvar as candidaturas. Pelo “carisma” de ambos, morrerão afogados. 

BOMBÁSTICO
Um espanhol foi preso em Madri com explosivos e mapas de embaixadas, inclusive do Brasil, para jogar bomba, diz a AP. E precisa? 

NOME AOS BOIS
Ao justificar ontem no Supremo sua decisão de absolver José Genoino, só faltou o ministro Ricardo Lewandowski chamar o ex-presidente do PT de “mequetrefe”, que também quer dizer pobre diabo.

CONTRA O CINISMO
A ministra Cármen Lúcia ficou indignada com a estratégia mensaleira de admitir caixa 2 para tentar se livrar de acusações mais graves: “Acho estranho e muito grave que alguém diga com muita tranquilidade que houve caixa 2. Caixa 2 é crime, é agressão à sociedade brasileira”.

REZA FORTE
A família Toffoli precisa se benzer. Em Marília (SP), o ministro do Supremo Tribunal Federal evita aparições públicas e o irmão, Ticiano, além de derrotado para a prefeitura, é acusado de “dar cano” nos cabos eleitorais. O PT nega. 

GAFE ITAMARATECA
O Itamaraty ignora a denominação correta dos país cujo presidente, Michael Higgins, visita o Brasil. Rebatizou-o de “República da Irlanda”, em nota à imprensa. Não é. Chama-se Irlanda, sem “República”.

QUEDA LIVRE
O senador e ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento (PR-AM) não elegeu vereador em Manaus seu irmão Evilásio, mesmo fazendo campanha com ele. Periga não ser eleito deputado federal, em 2014.

VOO LIVRE
A Justiça Federal levou quinze anos para decidir que a viagem do falecido ministro Paulo Renato (Educação) foi “ilegal”, não “improbidade administrativa”. Viajou na FAB a Fernando de Noronha num feriado. 

BOBO DA CORTE
Curioso o voto do ministro Dias Toffoli, ex-advogado do PT: para ele, José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil, foi enganado por uma quadrilha de atrevidos malfeitores – Delúbio, José Genoino e Marcos Valério. Mas, condenando-os, admitiu o mensalão, que Lula e Dirceu negam. 

AMIGO URSO
Não adiantou o deputado Protógenes Queiroz (PCdoB) pedir que o filme “Ted”, que viu com o filho de 11 anos, fosse proibido para 18: o Ministério da Justiça manteve o ursinho drogado para maiores de 16.

PENSANDO BEM...
...ao contrário do mensalão, o julgamento do roubo no Vaticano foi bem mais fácil: o culpado é o mordomo. 


PODER SEM PUDOR

O MEDO DE BRIZOLA

Leonel Brizola encontrou Tancredo Neves em um evento político e se derramou em elogios, lembrando que ele fora o último ministro da Justiça de Getúlio, indo ao seu enterro e falando em seu túmulo.

- Foi também primeiro-ministro de Jango, compareceu ao seu enterro e discursou junto ao túmulo. O senhor merece o meu apreço - completou.

Quando Brizola se despediu e foi embora, Tancredo brincou:

- Aquilo não é elogio, não. Ele está com medo que eu o enterre. E discurse.

QUARTA NOS JORNAIS


Globo: A hora da verdade – STF condena Dirceu por comandar o mensalão
Folha: Culpados
Estadão: Supremo condena Dirceu
Correio: Como fica o PT após a condenação de Dirceu
Valor: FMI alerta para riscos da forte expansão do crédito
Estado de Minas: Condenados
Zero Hora: Condenado

terça-feira, outubro 09, 2012

Carros fora - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 09/10

Eduardo Paes, em seu segundo mandato, vai fechar para os carros a Rua 1° de Março, uma das mais importantes do Centro do Rio. O plano, já traçado com a Empresa Olímpica Municipal, é transformá-la numa via do BRT Transbrasil, corredor exclusivo para ônibus articulados de transporte de massa.
A previsão é iniciar as obras até o segundo semestre de 2013.

Segue...
Hoje, pela 1° de Março, no horário de pico, passam cerca de 600 ônibus comuns, além de centenas de carros.
Os veículos articulados, por dia, transportarão umas 900 mil pessoas.

Fator Freixo
Veja como, na cidade do Rio, o “filho” PSOL, nascido de uma costela do PT, venceu o “pai’! O partido de Freixo elegeu o mesmo número de vereadores que os petistas (quatro).
Mas, no quesito votos de legenda, considerado o mais ideológico, foi uma lavada —114.933 do PSOL, contra 20.845 do PT, que apoia Paes.

País dos remédios
O Ministério da Saúde vai visitar 35 mil lares, numa grande pesquisa, para descobrir quais os remédios mais usados pelos brasileiros.
O Brasil está entre os dez países que mais comercializam remédios.

Coisa nossa

Acabaram os 2.800 ingressos para ver Paulo Szot, nosso cantor lírico, no Carnegie Hall, em Nova York, sexta.

Oi, oi, oi
Desabafo de uma vendedora da loja Accessorize, do Shopping Leblon, no Rio, com uma cliente, ao ver o shopping vazio, por volta de 21h:
— É essa novela “Avenida Brasil”! Tem freguesa que desiste do que já escolheu para correr e ver Carminha!

MUNDO ANIMAL
A Secretaria estadual do Ambiente lança no fim do mês uma grande campanha nas TVs, rádios e jornais, focada nas dez espécies mais ameaçadas de extinção no Rio. A ideia, conta o secretário Carlos Minc, é divulgar o que ameaça nossos bichos e o que podemos fazer para protegê-los. A campanha, concebida pela DPZ, vai associar animais domésticos aos silvestres em perigo. Veja acima. “Milhares de pessoas amam de paixão seus cachorrinhos e gatos. Mas a maioria não conhece e não convive, por exemplo, com o macaco muriqui (o peludo na imagem maior), o tatu, a preguiça”, diz Minc. “Pode ser um bom apelo afetivo, para dar mais força à campanha de defesa da biodiversidade, tão desconhecida e ameaçada.” Que Deus proteja nossos bichos e a nós não desampare jamais.

Doutor AntunesA vida do empresário Augusto Trajano de Azevedo Antunes (1906-1996), que foi uma espécie de Rockfeller brasileiro, atuando em gigantescos projetos de mineração e logística, vai virar filme.
Dirigido por Sérgio Santos, o longa trará um depoimento de Eliezer Batista, que foi, durante certo tempo, seu braço direito.

Na carreiraChico Buarque voltou a postar em seu site Chicobastidores.com.br.
Vai pôr trechos inéditos de entrevistas. Hoje, falará por que decidiu parar a turnê do show “Chico” quando está no auge.
“É melhor parar quando a gente acha que está próximo do que consideramos a perfeição.”

‘Ganga bruta’Alice Gonzaga, presidente da Cinédia, ficou surpresa ao saber que o clássico “Ganga bruta” (1933), de Humberto Mauro, será exibido no MoMa, em Nova York, dia 29. Diz que já acionou seus advogados:
— É bom que o filme seja exibido, mas não sem autorização! Quero saber quem enviou a cópia para lá, pois é patrimônio da Cinédia.

Tesouro leiloadoUma raridade vai a leilão amanhã no pregão de colecionismo de Alberto Youle, no Rio — o livro “Joan Miró” de 1950, de João Cabral de Melo Neto (1920-1999), do qual o grande poeta imprimiu apenas 130 exemplares em sua prensa manual (todos autografados por ele e por Miró).
O lance mínimo é de R$ 4 mil.

Crime e castigoO juiz Rafael Estrela, do TJ-RJ, marcou para hoje e quinta, às 13h, a audiência de instrução e julgamento de cerca de 30 policiais civis, militares e informantes presos na chamada Operação Herdeiros, em dezembro do ano passado.
Segundo o Ministério Público, eles desviavam armas, drogas e dinheiro apreendidos em favelas e vendiam a quadrilhas rivais.

Olhai por nós em 14
A Adidas planeja pôr uma réplica gigante da bola da Copa de 14 aos pés do nosso Cristo Redentor.

Esteve ministro
Eduardo Portella, o acadêmico que comandou o MEC de 1979 a 1980, no governo Figueiredo, e ainda hoje é lembrado pela declaração “não sou ministro, estou ministro”, fez 80 anos ontem e será homenageado pela ABL.
Quinta, haverá exposição e mesa-redonda sobre sua vida.

Ai, que sede
A administração do Fashion Mall, o shopping dos bacanas no Rio, atrasou a conta da Cedae, e a água foi cortada.
A dívida, de uns R$ 80 mil, foi paga ontem.