quarta-feira, agosto 08, 2012
De acordo com o roteiro - EDITORIAL O ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 08/08
Logo no primeiro dia da fase dedicada à defesa dos réus da Ação Penal 470 no Supremo Tribunal Federal (STF) - o processo do mensalão -, os advogados dos principais acusados colocaram as cartas na mesa e muito provavelmente nenhuma grande novidade surgirá daqui para a frente, até o momento crucial em que os 11 ministros anunciarão seus veredictos. Até lá, certamente todos os defensores que desfilarão pela tribuna, seguindo o exemplo dos primeiros a se manifestar, devem bater na mesma tecla, que é a palavra de ordem lançada pelo ex-presidente Lula - depois de ter pedido desculpas para o povo brasileiro pelo "malfeito" do PT: o mensalão é uma farsa, nunca existiu. O que pode ter acontecido, já admitiu Arnaldo Malheiros, advogado de Delúbio Soares, é apenas a prática do crime de caixa 2 destinada a possibilitar o pagamento dos débitos que o PT contraiu na campanha eleitoral de 2002.
De fato, diante da denúncia de um sofisticado e atrevido esquema criminoso destinado a comprar apoio parlamentar ao governo petista, caixa 2 pode parecer coisa pouca. Mas não deixa de ser crime. Assim, mesmo antes do julgamento, o advogado de Delúbio Soares já admitiu que há pelo menos o praticante de um crime, no caso, prescrito, sentado no banco dos réus: seu constituído.
É curioso o raciocínio exposto pelo defensor do antigo tesoureiro do PT: "Delúbio é um homem que não se furta a responder por aquilo que fez. Ele fez caixa 2, isso ele não nega. Agora, ele não corrompeu ninguém". Não corrompeu ninguém? Na verdade, fez muito pior: ajudou a corromper o sistema eleitoral, comprometendo com isso a legitimidade da representação popular dele decorrente. Mas, considerando que esse crime foi praticado em seu benefício, os petistas não dão a ele a menor importância, a ponto de já terem reabilitado publicamente o criminoso confesso, readmitindo-o em suas fileiras depois de tê-lo expulsado, para salvar as aparência, no calor da explosão do escândalo.
O defensor de José Dirceu - réu apontado pela Procuradoria-Geral da República e pelas razões que todo o Brasil conhece como o principal responsável pelo esquema de compra de apoio parlamentar - comoveu seu próprio constituído pelo empenho com o qual procurou demonstrar à Suprema Corte que o então homem forte do governo Lula não era, na verdade, tão forte assim. Não tinha nem mesmo ingerência, acredite quem quiser, sobre o PT, apesar da assiduidade com que dirigentes partidários como o próprio Delúbio Soares frequentavam seu gabinete.
Já quem chefiava o partido, José Genoino, só carrega a "culpa", segundo o advogado Luiz Fernando Pacheco, de ter sido o presidente da legenda: "Ele não é réu pelo que fez ou deixou de fazer, mas é réu pelo que ele foi".
De tudo o que se ouviu no plenário do STF nas primeiras manifestações dos defensores dos 38 réus, a clara impressão que fica é a de que, se existe algum culpado por eventuais irregularidades praticadas pelo PT durante o primeiro mandato de Lula, esse culpado é o sistema político brasileiro. Esse mesmo sistema que os políticos não demonstram o menor interesse em reformar.
De qualquer modo, neste que tem sido considerado, com toda razão, um dos mais importantes julgamentos da história do STF, advogados, procurador-geral e ministros têm até agora cumprido o papel que deles se pode esperar. Não chega a ser surpreendente nem mesmo a decisão do ministro Dias Toffoli de não se considerar impedido de participar do julgamento, apesar de ter sido assessor de José Dirceu e advogado do PT - "qualificações" que o presidente Lula não ignorava quando o escolheu para integrar a Suprema Corte.
De acordo com a liderança lulopetista, a mídia já teria, por conta própria, "condenado" os réus do mensalão e com isso "contaminado" a opinião pública, criando uma forte pressão sobre os ministros e transformando este num julgamento "político". Se isso é verdade, se a opinião pública realmente já tomou partido nesse assunto, pode ser ruim para os petistas, mas é bom para o advento de uma onda de moralização das práticas políticas.
Isso não está nos autos, mas seria bom que fosse levado em consideração pela maioria dos ministros do Supremo.
De corpo presente - DORA KRAMER
O ESTADÃO - 08/08
A retomada dos trabalhos ontem confirmou as piores expectativas sobre uma comissão de inquérito criada sob a égide torta da vingança: não há unidade de ação e o pensamento de parte de seus integrantes é que a maioria esteja interessada na dispersão intencional de propósitos.
A certa altura da sessão o deputado Miro Teixeira foi claro a respeito: "Há no ar uma suspeita de que existem movimentos feitos com o objetivo de não se chegar a lugar algum. A continuar assim é melhor acabar de vez com a CPI", disse, expressando a insatisfação de integrantes da comissão cujos objetivos independem de conveniências partidárias.
Houve reação explícita à concentração das ações da CPI nas mãos do relator Odair Cunha que, aliás, já se disse convencido de que o esquema Cachoeira não atuou para além das fronteiras da Região Centro-Oeste.
Isso a despeito de a construtora Delta, de quem já se descobriram repasses de mais de R$ 300 milhões a empresas fantasmas da organização, ter crescido a partir da atuação no governo do Rio de Janeiro e chegado a ser a maior contratada das obras do PAC.
A desconfiança sobre rumos e objetivos da CPI não é novidade, dada sua origem.
Mas, o que se viu ontem quando a comissão se absteve de questionar a mulher de Cachoeira, nem se diga sobre a tentativa de chantagear um juiz, mas sobre as ameaças denunciadas pela senadora Kátia Abreu a respeito de quem lady Cachoeira andou espalhando maledicências sobre as quais a senadora a confrontou diretamente, foi inusitado.
Em matéria de renúncia de prerrogativas, algo inédito até mesmo para um Parlamento habituado a se acovardar.
Linha auxiliar. Do lado de fora do Supremo, advogados atuam apelando a outras instâncias na tentativa de interditar a fruição do assunto mensalão na sociedade.
O grupo já pediu à Justiça Eleitoral que "fique atenta" à apresentação do tema no horário eleitoral, sugeriu manifestação judicial pela inconveniência do julgamento em ano de eleições, deu abrigo à ideia do PT de proibir o uso do termo "mensalão" e anuncia que representará contra a cartilha feita pelo Ministério Público para explicar o caso a crianças e adolescentes.
Os advogados alegam defesa dos interesses da sociedade.
Interesses que não contam com a mesma diligência quando são agredidos pela verdadeira celebração que os advogados fazem no STF do usufruto de "recursos não contabilizados" nas campanhas eleitorais.
Vinculante. Em caso de condenação de Marcos Valério, complica-se a situação do ex-senador Eduardo Azeredo no processo do mensalão mineiro (ainda sem data para julgamento), matriz do esquema montado pelo publicitário para arrecadar dinheiro para a campanha à reeleição de Azeredo ao governo de Minas e depois adotado pelo PT em âmbito nacional.
Faro fino. Bom para Fernando Haddad é que a maioria dos eleitores não está atenta a detalhes. Senão, seria o caso de se perguntarem porque deveriam apoiar o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo se a presidente Dilma e a senadora Marta não se sentem na obrigação de dar uma força ao correligionário.
Ilha. Demóstenes Torres confraternizando com advogados atuantes no julgamento em curso no STF ao pé no piano do Piantella é uma daquelas cenas que fazem a fama muitas vezes injusta, mas nem sempre, de Brasília.
O PT patrão - VERA MAGALHÃES - PAINEL
FOLHA DE SP - 08/08
Ao endurecer com servidores em greve, o governo comprou briga com a ala sindical do PT, berço do partido. Coordenador do Ministério do Planejamento, César Brod pediu demissão após ser orientado a cortar o ponto de grevistas. Em carta, critica a gestão petista. "O PT patrão parece não ter aprendido com sua própria história. Apenas aprimora táticas de pressão psicológica e negociação questionável daqueles com os quais negociou na época em que a greve era sua", diz o texto.
Ideologia Para aliados do governo, Brod adotou "conduta ideológica'' na pasta. Titular do setor de inovações tecnológicas, ele pediu afastamento ao secretário Delfino Natal, que o indicou.
Outro lado O ministério diz que a paralisação é direito dos servidores, mas tem obrigação legal de descontar os dias dos funcionários que se ausentarem no trabalho.
Remoto Tão logo terminou o terceiro dia do julgamento do mensalão, advogados e assessores de José Dirceu fizeram reunião pelo Skype com o ex-ministro, recluso em Vinhedo (SP). Ele estava aliviado, segundo auxiliares. A despeito do otimismo atual, foi aconselhado a manter silêncio obsequioso.
Imprevisível Os primeiros dias da defesa animaram os advogados. Eles, que achavam que os 11 ministros estavam com o voto pronto, agora admitem que ainda estão formando convicção. A tônica é falar em resultado "aberto".
Tréplica 1 Interlocutores de Roberto Gurgel dizem que ele não se abala ante o revezamento de advogados alegando ausência de provas na acusação. "Nenhum ministro se impressiona com isso", garante um procurador.
Tréplica 2 O Ministério Público considera irrelevante a questão do crime antecedente para provar existência da quadrilha. "Em crimes de corrupção isso não é importante", diz aliado de Gurgel.
Cada um... Contra a vontade do Planalto, peemedebistas do Senado garantem que o líder Renan Calheiros (AL) será candidato à presidência da Casa em 2013. Em conversas recentes, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) já sinalizou que só deixará a pasta se for ungido ao cargo no Senado.
... no seu quadrado O PMDB reage à interferência do Planalto na disputa e ironiza a ideia de que a eventual saída Lobão do ministério apeará o partido do setor elétrico. "Dilma já tirou tudo da gente. Só sobrou o Lobão", reclama um congressista.
Cantinho Sem vagas na Esplanada, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), descobriu um cargo na Caixa Econômica Federal em New Jersey (EUA) e tratou de indicar aliado para o posto.
Contestômetro Dada a largada na cobertura eleitoral da TV Globo, José Serra determinou que sua equipe questione prontamente adversários que usem números que considera "equivocados" sobre suas gestões na prefeitura e no governo paulista.
Câmera, ação Lula desmarcou seus compromissos previstos para hoje e amanhã. Deve iniciar as gravações para Fernando Haddad.
GPS Celso Russomanno encomendou pesquisa para nortear sua agenda a partir desta semana. De posse do mapa de intenções de voto, percorrerá áreas da capital onde tem maior intenção de voto. Só depois irá aos bairros de pior desempenho.
Visita à Folha Juergen Boos, presidente da Feira do Livro de Frankfurt, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Marifé Boix Garcia, vice-presidente.
com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI
tiroteio
"A CPI vive o drama daqueles que sabem para onde têm que ir, mas têm medo de embarcar em virtude do destino."
DO SENADOR RANDOLFE RODRIGUES (PSOL-AP), que enxerga um "acordão" entre PT, PMDB e PSDB para congelar as investigações do esquema Cachoeira.
contraponto
O sono dos justos
A cena dos ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa quase dormindo no julgamento do mensalão é comum na história recente do STF. Paulo Brossard e Maurício Corrêa, que morreu em fevereiro deste ano, eram recorrentemente flagrados em longos cochilos.
No cafezinho, um ex-presidente da Corte lembrou de ocasião em que Brossard cochilava bem na hora do voto.
-Perguntei, ao microfone, como ele votaria.
Com a abordagem em voz alta, o ministro acordou, um pouco atônito e assustado, e respondeu, sem titubear:
-Voto com o relator!
Ao endurecer com servidores em greve, o governo comprou briga com a ala sindical do PT, berço do partido. Coordenador do Ministério do Planejamento, César Brod pediu demissão após ser orientado a cortar o ponto de grevistas. Em carta, critica a gestão petista. "O PT patrão parece não ter aprendido com sua própria história. Apenas aprimora táticas de pressão psicológica e negociação questionável daqueles com os quais negociou na época em que a greve era sua", diz o texto.
Ideologia Para aliados do governo, Brod adotou "conduta ideológica'' na pasta. Titular do setor de inovações tecnológicas, ele pediu afastamento ao secretário Delfino Natal, que o indicou.
Outro lado O ministério diz que a paralisação é direito dos servidores, mas tem obrigação legal de descontar os dias dos funcionários que se ausentarem no trabalho.
Remoto Tão logo terminou o terceiro dia do julgamento do mensalão, advogados e assessores de José Dirceu fizeram reunião pelo Skype com o ex-ministro, recluso em Vinhedo (SP). Ele estava aliviado, segundo auxiliares. A despeito do otimismo atual, foi aconselhado a manter silêncio obsequioso.
Imprevisível Os primeiros dias da defesa animaram os advogados. Eles, que achavam que os 11 ministros estavam com o voto pronto, agora admitem que ainda estão formando convicção. A tônica é falar em resultado "aberto".
Tréplica 1 Interlocutores de Roberto Gurgel dizem que ele não se abala ante o revezamento de advogados alegando ausência de provas na acusação. "Nenhum ministro se impressiona com isso", garante um procurador.
Tréplica 2 O Ministério Público considera irrelevante a questão do crime antecedente para provar existência da quadrilha. "Em crimes de corrupção isso não é importante", diz aliado de Gurgel.
Cada um... Contra a vontade do Planalto, peemedebistas do Senado garantem que o líder Renan Calheiros (AL) será candidato à presidência da Casa em 2013. Em conversas recentes, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) já sinalizou que só deixará a pasta se for ungido ao cargo no Senado.
... no seu quadrado O PMDB reage à interferência do Planalto na disputa e ironiza a ideia de que a eventual saída Lobão do ministério apeará o partido do setor elétrico. "Dilma já tirou tudo da gente. Só sobrou o Lobão", reclama um congressista.
Cantinho Sem vagas na Esplanada, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), descobriu um cargo na Caixa Econômica Federal em New Jersey (EUA) e tratou de indicar aliado para o posto.
Contestômetro Dada a largada na cobertura eleitoral da TV Globo, José Serra determinou que sua equipe questione prontamente adversários que usem números que considera "equivocados" sobre suas gestões na prefeitura e no governo paulista.
Câmera, ação Lula desmarcou seus compromissos previstos para hoje e amanhã. Deve iniciar as gravações para Fernando Haddad.
GPS Celso Russomanno encomendou pesquisa para nortear sua agenda a partir desta semana. De posse do mapa de intenções de voto, percorrerá áreas da capital onde tem maior intenção de voto. Só depois irá aos bairros de pior desempenho.
Visita à Folha Juergen Boos, presidente da Feira do Livro de Frankfurt, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Marifé Boix Garcia, vice-presidente.
com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI
tiroteio
"A CPI vive o drama daqueles que sabem para onde têm que ir, mas têm medo de embarcar em virtude do destino."
DO SENADOR RANDOLFE RODRIGUES (PSOL-AP), que enxerga um "acordão" entre PT, PMDB e PSDB para congelar as investigações do esquema Cachoeira.
contraponto
O sono dos justos
A cena dos ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa quase dormindo no julgamento do mensalão é comum na história recente do STF. Paulo Brossard e Maurício Corrêa, que morreu em fevereiro deste ano, eram recorrentemente flagrados em longos cochilos.
No cafezinho, um ex-presidente da Corte lembrou de ocasião em que Brossard cochilava bem na hora do voto.
-Perguntei, ao microfone, como ele votaria.
Com a abordagem em voz alta, o ministro acordou, um pouco atônito e assustado, e respondeu, sem titubear:
-Voto com o relator!
O PIB e a felicidade - ELIANA CARDOSO
O ESTADÃO - 08/08
A presidente Dilma Rousseff causou controvérsia ao afirmar que se mede a Nação não pelo produto interno bruto (PIB), mas pela capacidade de proteção às crianças. Os críticos logo apontaram a forte correlação entre renda e situação infantil. O momento tornou infeliz o palpite fabricado para tampar a falta de resultados na seara do crescimento. Mas se a presidente tivesse o dom da oratória poderia ter trazido à tona temas importantes subjacentes à sua declaração.
Dilma poderia ter lembrado, como fez a revista britânica The Economist na mesma semana, que o PIB "mede tudo, exceto o que faz a vida valer a pena". A frase é de Bobby Kennedy. Retórica? Nem tanto. O PIB inclui a publicidade do cigarro, mas não subtrai a poluição do ar. Inclui a cachaça e as ambulâncias que recolhem as vítimas de motoristas bêbados, mas não subtrai as horas que perdemos em congestionamentos de automóveis. Inclui as fechaduras triplas com que trancamos as portas de nossas casas e os cadeados dos presídios. Soma a madeira da árvore derrubada, mas não subtraio desmatamento da Amazônia. Adiciona os rifles dos traficantes e os jogos de computador que glorificam a violência. Soma geladeiras, armas e carros blindados, mas não subtrai o cheiro dos lixões nem o aquecimento do planeta. O crescimento do PIB proporciona a ilusão da felicidade, enquanto o enriquecimento torna os homens mais aquisitivos e, portanto, cada vez mais insaciáveis e descontentes.
Por que o crescimento superou todos os outros objetivos de política econômica? A origem da ideologia do crescimento surge da década de 1960, com a necessidade de o mundo ocidental enfrentar a corrida armamentista. Países do sistema soviético pareciam crescer mais de pressa que os do sistema capitalista. E, capazes de suprimir o consumo privado, também podiam dedicar maior parcela da riqueza a gastos militares. Por outro lado, o crescimento econômico permitia aos países capitalistas melhorar a posição dos pobres sem aumentar os impostos dos ricos. Mas adiante, a ganância solaparia os valores comunitários, reduzindo ainda mais o bem-estar.
Diante dessa distorção, Blanchflower e Oswald, dois professores de Economia, usaram 100 mil respostas a questionários anuais entre 1972 e 1998 nos EUA e na Inglaterra. Os entrevistados responderam a perguntas como: "De um modo geral, você é feliz?". E outras também sobre rendimentos, emprego, casamento, religião, raça e sexo.Eles usaram as informações dos questionários em equações de felicidade. E confirmaram que minha tia-avó tem razão em duvidar que hoje a humanidade seja mais feliz do que há 50 anos.
Pelo menos no caso dos americanos e ingleses. De acordo com as respostas aos questionários, entre o começo da década de 1970 e o final da década de 1990 a felicidade dos norte-americanos diminuiu e a dos ingleses permaneceu a mesma, embora a renda dos EUA e da Inglaterra tenha crescido bastante no mesmo período.
Blanchflower e Oswald suspeitam que nos últimos 30 anos, apesar do aumento significativo de seus rendimentos, os norte-americanos tenham sofrido uma queda no sentimento de felicidade por causa do aumento do número de divórcios. Para um homem bem casado, a mulher vale em média 100 mil dólares de felicidade por ano. Separação e divórcio são fontes de depressão mais graves do que a morte da cara-metade.
Religião e educação superior aumentam o sentimento de bem-estar, ao passo que o desemprego é uma das principais fontes de depressão. Em média, um norte-americano precisaria receber US$ 60 mil por ano para anular o sentimento de infelicidade provocado pelo desemprego. E a curva da felicidade tem a forma de U em relação à idade. Os níveis de felicidade mais baixos estão associados com idades entre 35 e 45 anos. Depois dos 45 a felicidade volta a crescer.
Pesquisas recentes replicam a metodologia de Blanchflower e Oswald e confirmam muitos de seus resultados. Em parte, porque não é preciso ser um gênio nem dispor de bancos de dados para entender que as pessoas com saúde e emprego são mais felizes do que as doentes e desempregadas.
Na última semana de julho, o Office for National Statistics da Inglaterra publicou o primeiro relatório do bem-estar nacional, baseado em pesquisas que perguntam às pessoas o que sentem sobre sua própria vida. A iniciativa partiu de David Cameron, que denunciou as falhas da contabilidade nacional e pediu outra medida de felicidade além do PIB.
Para coletar dados, 165 mil pessoas foram convidadas a dar notas de 1 a 10 em respostas às seguintes perguntas: em geral, quão satisfeito você está hoje com sua vida? Até que ponto você sente que o que você faz vale a pena? Quão feliz você se sentiu ontem? Ontem você se sentiu ansioso?
As respostas mostraram britânicos felizes. Os que têm parceiros são mais felizes do que os solteiros, viúvos ou divorciados. Os donos de casa própria são mais felizes do que os locatários. Os que têm deficiência e saúde ruim são bem menos felizes e mais ansiosos do que os saudáveis. E confirmando pesquisas anteriores, pessoas de meia-idade também são menos felizes do que as mais jovens ou as mais velhas. Ao que parece, a crise da meia-idade não é mito.
Se a moda das pesquisas sobre felicidade se firmar entre os economistas,dentro de 30 anos teremos uma série temporal com observações suficientemente numerosas para rejeitar a hipótese de que o crescimento do PIB aumenta a felicidade. Então saberemos se a presidente Dilma tinha razão ou se deveria ter seguido as teorias convencionais que utilizam o PIB como referência para o sucesso nacional. Por enquanto, parece razoável admitir que medidas do PIB e da felicidade são imperfeitas e que o bom senso sugere combinar políticas de crescimento sustentável com estabilidade e objetivos sociais.
Dilma poderia ter lembrado, como fez a revista britânica The Economist na mesma semana, que o PIB "mede tudo, exceto o que faz a vida valer a pena". A frase é de Bobby Kennedy. Retórica? Nem tanto. O PIB inclui a publicidade do cigarro, mas não subtrai a poluição do ar. Inclui a cachaça e as ambulâncias que recolhem as vítimas de motoristas bêbados, mas não subtrai as horas que perdemos em congestionamentos de automóveis. Inclui as fechaduras triplas com que trancamos as portas de nossas casas e os cadeados dos presídios. Soma a madeira da árvore derrubada, mas não subtraio desmatamento da Amazônia. Adiciona os rifles dos traficantes e os jogos de computador que glorificam a violência. Soma geladeiras, armas e carros blindados, mas não subtrai o cheiro dos lixões nem o aquecimento do planeta. O crescimento do PIB proporciona a ilusão da felicidade, enquanto o enriquecimento torna os homens mais aquisitivos e, portanto, cada vez mais insaciáveis e descontentes.
Por que o crescimento superou todos os outros objetivos de política econômica? A origem da ideologia do crescimento surge da década de 1960, com a necessidade de o mundo ocidental enfrentar a corrida armamentista. Países do sistema soviético pareciam crescer mais de pressa que os do sistema capitalista. E, capazes de suprimir o consumo privado, também podiam dedicar maior parcela da riqueza a gastos militares. Por outro lado, o crescimento econômico permitia aos países capitalistas melhorar a posição dos pobres sem aumentar os impostos dos ricos. Mas adiante, a ganância solaparia os valores comunitários, reduzindo ainda mais o bem-estar.
Diante dessa distorção, Blanchflower e Oswald, dois professores de Economia, usaram 100 mil respostas a questionários anuais entre 1972 e 1998 nos EUA e na Inglaterra. Os entrevistados responderam a perguntas como: "De um modo geral, você é feliz?". E outras também sobre rendimentos, emprego, casamento, religião, raça e sexo.Eles usaram as informações dos questionários em equações de felicidade. E confirmaram que minha tia-avó tem razão em duvidar que hoje a humanidade seja mais feliz do que há 50 anos.
Pelo menos no caso dos americanos e ingleses. De acordo com as respostas aos questionários, entre o começo da década de 1970 e o final da década de 1990 a felicidade dos norte-americanos diminuiu e a dos ingleses permaneceu a mesma, embora a renda dos EUA e da Inglaterra tenha crescido bastante no mesmo período.
Blanchflower e Oswald suspeitam que nos últimos 30 anos, apesar do aumento significativo de seus rendimentos, os norte-americanos tenham sofrido uma queda no sentimento de felicidade por causa do aumento do número de divórcios. Para um homem bem casado, a mulher vale em média 100 mil dólares de felicidade por ano. Separação e divórcio são fontes de depressão mais graves do que a morte da cara-metade.
Religião e educação superior aumentam o sentimento de bem-estar, ao passo que o desemprego é uma das principais fontes de depressão. Em média, um norte-americano precisaria receber US$ 60 mil por ano para anular o sentimento de infelicidade provocado pelo desemprego. E a curva da felicidade tem a forma de U em relação à idade. Os níveis de felicidade mais baixos estão associados com idades entre 35 e 45 anos. Depois dos 45 a felicidade volta a crescer.
Pesquisas recentes replicam a metodologia de Blanchflower e Oswald e confirmam muitos de seus resultados. Em parte, porque não é preciso ser um gênio nem dispor de bancos de dados para entender que as pessoas com saúde e emprego são mais felizes do que as doentes e desempregadas.
Na última semana de julho, o Office for National Statistics da Inglaterra publicou o primeiro relatório do bem-estar nacional, baseado em pesquisas que perguntam às pessoas o que sentem sobre sua própria vida. A iniciativa partiu de David Cameron, que denunciou as falhas da contabilidade nacional e pediu outra medida de felicidade além do PIB.
Para coletar dados, 165 mil pessoas foram convidadas a dar notas de 1 a 10 em respostas às seguintes perguntas: em geral, quão satisfeito você está hoje com sua vida? Até que ponto você sente que o que você faz vale a pena? Quão feliz você se sentiu ontem? Ontem você se sentiu ansioso?
As respostas mostraram britânicos felizes. Os que têm parceiros são mais felizes do que os solteiros, viúvos ou divorciados. Os donos de casa própria são mais felizes do que os locatários. Os que têm deficiência e saúde ruim são bem menos felizes e mais ansiosos do que os saudáveis. E confirmando pesquisas anteriores, pessoas de meia-idade também são menos felizes do que as mais jovens ou as mais velhas. Ao que parece, a crise da meia-idade não é mito.
Se a moda das pesquisas sobre felicidade se firmar entre os economistas,dentro de 30 anos teremos uma série temporal com observações suficientemente numerosas para rejeitar a hipótese de que o crescimento do PIB aumenta a felicidade. Então saberemos se a presidente Dilma tinha razão ou se deveria ter seguido as teorias convencionais que utilizam o PIB como referência para o sucesso nacional. Por enquanto, parece razoável admitir que medidas do PIB e da felicidade são imperfeitas e que o bom senso sugere combinar políticas de crescimento sustentável com estabilidade e objetivos sociais.
Mensalão! O Despertar dos Mortos! - JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 08/08
Mensalão! O "Despertar dos Mortos"! ZUMBILÂNDIA! E a multidão de advogados? 150 advogados? É arrastão ou plataforma de metrô? Arrastão no mensalão!
O Zé Dirceu é um finado vivo! Sabe aqueles filmes de 007? Você dá um tiro, o cara cai, você pensa que ele tá morto, vira as costas e ele te puxa a perna! Rarará! E eu já disse que o grande culpado do mensalão é o Gabeira. Quem mandou ele trocar o embaixador americano pelo Zé Dirceu? Agora não pode reclamar! Rarará!
E o grande injustiçado do mensalão: Professor Luizinho. Que só pegou R$ 20 mil. Professor ganha mal em qualquer área. Até no mensalão! Professor só se ferra! Pior, diz que o mensalão ainda tá na fase oral! Freud explica!
O chargista Paulo Werner inventou três medalhas pras Olimpiadas do mensalão: pizza de ouro, pizza de prata e pizza de bronze! Defesa de Zé Dirceu alega que mensalão é aquele órgão sexual masculino que só comparece uma vez por mês: mensalão!
E adorei essa: "Mulher tranca marido no banheiro porque não quis lavar louça". Dá-lhe Dilma! Rarará! E o resumo das Olimpiadas: perdemos na vara e ganhamos na argola. A paixão nacional! Ganhar ouro em argola foi a coisa mais inusitada.
Só falta o Brasil ganhar ouro em pescaria, porrinha e tiro com rolha! Aquele tiro que fica preso no barbante! E eu quero ouro em esporte de rico: iatismo, hipismo e onanismo! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
Ereções 2012! A Galera Medonha! Apelaram pra escatologia! Direto de Petrolina, Pernambuco: "Estrume". Vai dar merda!
E direto de Mirante da Serra, Rondônia: Cagado. Vai dar merda, de novo! Rarará! É hoje, é? Direto de Lopes da Laguna, MS: Ronaldo Porco! Merda, de novo! Rarará! Dúvida cruel: agora não sei se voto no Estrume, no Cagado ou no Porco! Pra onde eu transfiro o meu título? Rarará!
E a última do Debóchenes: "Demóstenes reaparece no Piantella e canta 'Let Me Try Again'". Mas "try" de trair? Let Me Trai Again! Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza! Hoje, só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
A carnavalização do juízo - ELIO GASPARI
FOLHA DE S. PAULO - 08/08
No julgamento do mensalão, foi-se do ritual ao espetáculo e dele a um arriscado carnaval de agosto
QUEREM CARNAVALIZAR o julgamento do mensalão. O procurador-geral, Roberto Gurgel, viu-se acusado de "desonestidade intelectual" pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro (pode me chamar de Kakay) numa peça de oratória produzida no piano-bar do restaurante Piantella. Na noite de segunda-feira, o advogado do comissário José Genoino pediu ao pianista que tocasse o tema de "O Poderoso Chefão".
Noutro pretório noturno, o bar do hotel Naoum, advogados de defesa dos 38 réus organizaram uma espécie de "bolão". Como votará a ministra Cármen Lúcia? "Essa condena até Papai Noel." Marco Aurélio Mello: "Subiu no muro".
Do outro lado da tribuna, o ministro Marco Aurélio Mello tornou-se uma espécie de comentarista olímpico do julgamento. Terminada a sessão, discute o processo.
Numa entrevista aos repórteres Fausto Macedo e Felipe Recondo, deu à "Ação Penal 470" uma nova dimensão: "Você acha que um sujeito safo como Lula não sabia?" A pergunta, solta, é uma simples e relevante insinuação. Num voto articulado, pronunciado na corte, seria muito mais. De qualquer forma, Nosso Guia não está acompanhando o caso, pois "tem mais o que fazer". Pena que não declare seu interesse pelo futuro de tão diletos companheiros. Sabia-se que Lula era um daqueles ursos que comem os donos, mas não se esperava que comesse José Dirceu desse jeito.
Não há notícia de formação de uma mesa de advogados no bar do Metropolitan Club de Washington para jogar conversa fora durante um julgamento na Corte Suprema. Também não há notícia de um Ministério Público que coloca na internet uma página infantil intitulada "Turminha do MPF", com uma espécie de "mensalão para jovens".
Há faíscas de vaidade no Supremo, mas há também aulas de rigor. A eloquência dos ministros Celso de Mello, Cármen Lúcia e Rosa Weber está no silêncio. Aliás, quem gosta de atribuir lances de vaidade às mulheres, deveria registrar que até hoje passaram três pelo Supremo. Todas demonstraram que "pavão" é um substantivo masculino. (Quem já ouviu falar em pavoa?)
O Supremo Tribunal Federal é chegado a rituais versalhescos. Seus ministros são acolitados por servidores chamados de "capinhas". Levam-lhes papéis, água e recados. Além disso, são encarregados de empurrar e puxar suas cadeiras, como se esse movimento banal precisasse de ajuda. Coisa de rei. (Um ministro conta que várias vezes quase foi ao chão.)
A tendência carnavalizadora faz bem ao espírito nacional. Instalada uma CPI com parlamentares safando seus aliados, surge uma "musa".
Reunida no Rio uma conferência internacional que vai acabar em nada, a cidade carnavaliza-se e o mundo alegra-se. (Durante a Rio+20, maloqueiros da Glória compraram cocares no Saara para filar as quentinhas que eram dadas aos índios que flechavam o BNDES.)
Se há um teatro para produzir nada, carnaval é o melhor remédio, mas esse não é o caso do julgamento do mensalão. Ele produzirá resultados duradouros para o Judiciário e, sobretudo, para o futuro das maracutaias da política nacional.
Se o julgamento ficar nos autos e naquilo que se diz na corte, algo de novo estará acontecendo no Brasil. Prova disso foram as sessões em que falaram a Procuradoria e os primeiros advogados de defesa. Bar é bar, tribunal é tribunal.
Nas mãos do STF o fim da censura a biografias - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 08/08
O artigo 20 do Código Civil assegura o direito à privacidade, preocupação legítima contra agressões à honra ou agravos à intimidade do cidadão. Mas, dependendo da maneira como é interpretado (ou aplicado), o dispositivo dá abrigo a interpretações judiciais que vão contra princípios consagrados pela Constituição — a liberdade de expressão, de imprensa e de acesso à informação — como direitos de toda a sociedade. São pressupostos que estão na base do estado democrático de direito.
O choque entre o que estipula o Código Civil e o que garante a Carta é visível na questão da censura à publicação de biografias não autorizadas. Provocada por biografados ou por seus parentes, a Justiça brasileira tem dado amparo a pedidos de proibição de obras que passam ao largo do intuito de denegrir imagens, retocar reputações ou ferir legados culturais.
Não se pode catalogar como exercício de leviandade a biografia de Garrincha, de Ruy Castro, envolvido numa batalha judicial com a família do craque, ou, liminarmente, censurar a publicação de biografias de Roberto Carlos (escrita por Paulo César de Araújo) e Guimarães Rosa (de autoria de Alaor Barbosa), apenas com o pressuposto de que se estaria trazendo à luz supostas inverdades ou fatos que desagradariam aos biografados. Como a legislação, a despeito de a Constituição consagrar a liberdade de expressão, não define explicitamente o limite entre a prerrogativa da privacidade e o direito à informação sobre pessoas públicas, e aJustiça não tem jurisprudência formada sobre o tema, abrem-se brechas para a censura.
Não se trata de defender a liberdade de informação como um direito abstrato. Uma vez tendo-se permitido avançar sobre a obra de autores de biografias, nada assegura que, por algum outro tipo de interpretação enviesada do Código Civil, não se venha a afrontar também a liberdade de imprensa — por exemplo, arguindo de jornais e revistas o direito de publicarem perfis de personalidades públicas. Por outro lado, se o espírito do artigo 20 é evitar danos à reputação, fica implícito que escrever sobre a vida de alguém não é licença para a irresponsabilidade. Autores de obras que produzam danos morais ou materiais podem ser objeto de ações penais na Justiça.
Um projeto do ex-deputado Antonio Palocci, propondo mudanças no Código Civil, permanece parado no Congresso. Mas, em boa hora, a Associação Nacional dos Editores de Livros arguiu no Supremo Tribunal Federal a incons-titucionalidade do artigo que dá abrigo a essas ações de censura. Depois de ter enterrado a Lei de Imprensa, também um instituto em desacordo com as regras da democracia, o STF tem agora a chance de acabar com esse dispositivo que empobrece a memória nacional. Que o faça o mais brevemente possível.
O artigo 20 do Código Civil assegura o direito à privacidade, preocupação legítima contra agressões à honra ou agravos à intimidade do cidadão. Mas, dependendo da maneira como é interpretado (ou aplicado), o dispositivo dá abrigo a interpretações judiciais que vão contra princípios consagrados pela Constituição — a liberdade de expressão, de imprensa e de acesso à informação — como direitos de toda a sociedade. São pressupostos que estão na base do estado democrático de direito.
O choque entre o que estipula o Código Civil e o que garante a Carta é visível na questão da censura à publicação de biografias não autorizadas. Provocada por biografados ou por seus parentes, a Justiça brasileira tem dado amparo a pedidos de proibição de obras que passam ao largo do intuito de denegrir imagens, retocar reputações ou ferir legados culturais.
Não se pode catalogar como exercício de leviandade a biografia de Garrincha, de Ruy Castro, envolvido numa batalha judicial com a família do craque, ou, liminarmente, censurar a publicação de biografias de Roberto Carlos (escrita por Paulo César de Araújo) e Guimarães Rosa (de autoria de Alaor Barbosa), apenas com o pressuposto de que se estaria trazendo à luz supostas inverdades ou fatos que desagradariam aos biografados. Como a legislação, a despeito de a Constituição consagrar a liberdade de expressão, não define explicitamente o limite entre a prerrogativa da privacidade e o direito à informação sobre pessoas públicas, e aJustiça não tem jurisprudência formada sobre o tema, abrem-se brechas para a censura.
Não se trata de defender a liberdade de informação como um direito abstrato. Uma vez tendo-se permitido avançar sobre a obra de autores de biografias, nada assegura que, por algum outro tipo de interpretação enviesada do Código Civil, não se venha a afrontar também a liberdade de imprensa — por exemplo, arguindo de jornais e revistas o direito de publicarem perfis de personalidades públicas. Por outro lado, se o espírito do artigo 20 é evitar danos à reputação, fica implícito que escrever sobre a vida de alguém não é licença para a irresponsabilidade. Autores de obras que produzam danos morais ou materiais podem ser objeto de ações penais na Justiça.
Um projeto do ex-deputado Antonio Palocci, propondo mudanças no Código Civil, permanece parado no Congresso. Mas, em boa hora, a Associação Nacional dos Editores de Livros arguiu no Supremo Tribunal Federal a incons-titucionalidade do artigo que dá abrigo a essas ações de censura. Depois de ter enterrado a Lei de Imprensa, também um instituto em desacordo com as regras da democracia, o STF tem agora a chance de acabar com esse dispositivo que empobrece a memória nacional. Que o faça o mais brevemente possível.
Lágrimas na pista - MARCELO COELHO
FOLHA DE SP - 08/08
As favoritas no futebol feminino se dão mal: choram. O favorito na natação acaba com a medalha de bronze: chora de tristeza, chora de alegria depois.
Cair no chão na prova decisiva de toda uma vida --que ginasta não choraria depois disso?
Mas a questão talvez não se resuma à emoção daquele momento específico. O mais doloroso não é a derrota --que caiu, como uma flecha, exatamente no alvo, a saber, o momento exato, a hora exata, o dia exato. Também dói a consciência de se ver superado por alguém mais jovem; o campeão de Pequim já não está na mesma forma em Londres.
Tenta vencer, não os concorrentes, mas o tempo. E, na luta contra o cronômetro, está lutando também contra a contagem dos meses e dos anos.
Existe um belo texto sobre o atleta que começa a envelhecer; pelo que sei, não foi traduzido no Brasil. Está em "Les Olympiques", de Henry de Montherlant (1895-1972).
Homossexual "no armário" e direitista convicto, Montherlant adorava esportes, em especial futebol e corrida. Em "Les Olympiques", ele mistura textos em prosa, poemas e diálogos teatrais curtos.
Em geral, tudo gira em torno da relação de um futebolista mais velho (ele mesmo) com os aprendizes do juvenil. Suores, coxas brancas quando o short fica mais arregaçado, a "máscula intimidade" do vestiário, as coisas vão por aí.
Há espaço até para um poema sobre a chuteira usada. No meio disso, muita misoginia: por várias páginas, Montherlant desembesta o ódio pela mãe do seu pupilo preferido. Não é o homossexualismo, claro, que dá a esse livro um aspecto doentio. A morbidez nasce do mal-estar de Montherlant diante do seu próprio desejo; da tentativa de negá-lo, disfarçá-lo, desviá-lo para outros fins.
Entram aí, por exemplo, a nostalgia da camaradagem militar, o elogio da disciplina e da severidade, o horror ao carinho da família. Sobretudo, a ideia da "aceitação".
O verdadeiro esportista aceita a realidade, diz Montherlant. Aceita o técnico que dá instruções obviamente erradas. Aceita o juiz que, por dez vezes, marca faltas inexistentes. O jogo é a ordem, a regra, o inelutável.
Montherlant lembra a célebre frase de Goethe, para quem muitas injustiças são ainda preferíveis a uma única desordem.
Como tantas frases desse tipo, trata-se de uma abstração. A questão é saber quais injustiças e qual desordem, na prática, estão sendo postas na balança. O problema objetivo desaparece, entretanto, quando o que está em pauta é a personalidade de quem a pronuncia --e o quanto de ordem essa pessoa precisa para domar seu próprio tumulto.
Melhor deixar isso de lado e acompanhá-lo numa pista de corrida.
Uma jovem aristocrata, Mademoiselle de Plémeur, era recordista na sua modalidade. Aos 24 anos, já não consegue manter as mesmas marcas. Desiste; quer depois voltar aos treinos. A cada corrida, seu tempo aumenta em vez de diminuir.
"Ela cruzou por mim, a cabeça de lado, já trazendo em seu rosto o cansaço, a dor, um ser profundo que eu não conhecera até então."
Montherlant diz que poderia marcar com uma pedrinha na pista "o lugar exato em que sua força falhou, recusou-se a continuar; onde tudo se tornou apenas uma questão de vontade, de energia, de cólera; onde não era mais o seu corpo que corria mas sim a alma --uma alma sozinha, um sopro que seguia a pista como um fogo fátuo que segue o rio".
A experiência se transporta para outro texto, onde é o próprio narrador quem se vê ultrapassado na corrida por um rapaz mais jovem. Fica impossível alcançá-lo. É como se existisse "uma massa de ar comprimido a nos separar".
O que fugia à sua frente "era tudo o que existia em mim e que já fora quebrado, que adormecera e não despertaria de novo, que tinha florescido e não floresceria nunca mais". A autopiedade não convém, entretanto, a Montherlant. A derrota é feia, diz ele. O atleta, o vencedor, é egoísta e puro.
Num jogo de futebol improvisado, Montherlant jogou sem uniforme. Aconteceu-me, conta, de passar a bola a meus adversários. É a volúpia, dizia ele em 1938, de contribuir para a derrota do próprio time. Não por acaso ele gostou dos alemães, quando invadiram o seu país dois anos depois.
Como sempre, é bom tomar cuidado quando choramos demais as nossas derrotas.
CLAUDIO HUMBERTO
“Tinha que ser em carro-forte mesmo, e era ordem do patrão”
Leonardo Yarochewsky, advogado, sobre o transporte da dinheirama do mensalão
THOMAZ BASTOS INVENTOU TESE DO ‘CAIXA 2’ EM 2005
A ideia de admitir “caixa 2” para negar a existência do “mensalão” – dinheiro usado para comprar votos de parlamentares para aprovar projetos de interesse do governo – foi criada por Márcio Thomaz Bastos em 2005, à época ministro da Justiça do governo Lula. Segundo parlamentares que participaram da CPI dos Correios, o ex-ministro foi quem “segurou as pontas” no governo quando estourou o escândalo.
TESE MAROTA
O crime de “caixa 2” já prescreveu, daí a tese adotada pela defesa de Delúbio Soares e Marcos Valério, no julgamento no STF.
SACANAGEM
O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) critica a “banalização” do caixa 2: “Querem fazer parecer uma ‘sacanagenzinha’ menor”.
DESCONFORTÁVEL
Gerou desconforto ao vice-presidente Michel Temer a citação de seu nome por advogados de mensaleiros, no julgamento no Supremo.
MALHAÇÃO
Para Dilma, acompanhar o mensalão pode “prejudicar o trabalho dos ministros”. Pelo que mostraram até agora, Sessão da Tarde pode.
CONDENADA E SEM DIREITOS POLÍTICOS, MARTA RECORRE
O Tribunal de Justiça de São Paulo julga, na próxima semana, o recurso da senadora Marta Suplicy (PT-SP) e do empresário Valdemir Garreta, seu ex-secretário de Comunicação na prefeitura paulistana. A dupla foi condenada por improbidade administrativa e teve seus direitos políticos suspensos por três anos. Ex-secretário de Marta, Garreta é, hoje, sócio de três empresas de comunicação e de uma de negócios imobiliários.
DEVOLUÇÃO
O Ministério Público também recorre: quer de volta R$ 148,2 milhões gastos em promoção pessoal de Marta, em ônibus e veículos oficiais.
PROPINA
Em outra ação, o Ministério Público acusa Valdemir Garreta de receber quase R$ 800 mil em propinas de fornecedores de merenda escolar.
SIGILOS QUEBRADOS
Em dezembro passado, o Tribunal de Justiça de São Paulo chegou a determinar a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Valdemir Garreta.
ROUBADA
No julgamento do mensalão, todo cuidado é pouco com um verbo que pode valer mais que mil imagens: “Delúbio [Soares] é um homem que não se furta a responder pelo que fez”, afirmou seu advogado.
AFE, PALAVRA!
Para inocentá-la no mensalão, o advogado da publicitária Geiza Dias chamou-a de “mequetrefe”, que pode significar “João-ninguém” e traste, mas também mentiroso ou canalha.
VAPT-VUPT
O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio extinguiu em meia hora o processo de fraude no concurso para juiz, em 2008, reconhecida pelo Conselho Nacional de Justiça: o subprocurador alegou “ilegitimidade”.
OUTRA DO DELÚBIO
O Ministério Público de Goiás abriu inquérito contra o governador Marconi Perillo (PMDB) por improbidade administrativa, pela demora para demitir o professor ausente Delúbio Soares.
LEIS ANULADAS
Para Luís Olímpio Ferraz Melo, advogado de Fortaleza, a condenação no mensalão abrirá caminho para anular, no Supremo, tudo o que tiver sido aprovado no Congresso. É a “Teoria americana dos frutos da árvore envenenada”: “contaminadas”, tais leis seriam ilegítimas.
PRELIMINARES
O relator da CPI mista do Cachoeira, Odair Cunha (PT-MG) vai fazer relatórios preliminares para falar da organização criminosa, do dinheiro movimentado pelo esquema do bicheiro e dos políticos envolvidos.
ENTRE ABUTRES
Sem saber que o microfone estava ligado, o presidente da CPI do Cachoeira, Vital do Rêgo (PMDB-PB), desabafou ontem a Odair Cunha (PT-SP): “Esses são uns abutres!”. Vital não revela a quem se referia.
ANTECIPAÇÃO DE VOTO
O jurista Erick Wilson Pereira explicou que, para antecipar seu voto no julgamento do mensalão antes de 3 de setembro, quando completa 70 anos e cai na “expulsória”, o ministro Cezar Peluso precisa esperar que o relator, Joaquim Barbosa, apresente o seu. Antes, nem pensar.
PENSANDO BEM...
...quando se trata de mensalão, muitos mentem e ninguém tem razão.
PODER SEM PUDOR
MINISTRO NO JANTAR
ACM sempre viveu às turras com alguém. Era ministro do governo José Sarney e, claro, brigava com outros ministros. Um deles era o da Previdência, Renato Archer. Carta vez, os dois se encontraram na antessala do presidente, no Planalto, e ACM puxou conversa:
- Esta coisa de vida pública é difícil. Ainda outra dia tive que desmentir um jornal que publicou, imagine, que eu teria dito que naquele dia você não jantaria ministro. Imagine que eu ia dizer uma coisa desta!
Sempre calmo, Archer apenas sorriu e ironizou:
- Não se preocupe. Em qualquer hipótese eu não deixaria de jantar.
Leonardo Yarochewsky, advogado, sobre o transporte da dinheirama do mensalão
THOMAZ BASTOS INVENTOU TESE DO ‘CAIXA 2’ EM 2005
A ideia de admitir “caixa 2” para negar a existência do “mensalão” – dinheiro usado para comprar votos de parlamentares para aprovar projetos de interesse do governo – foi criada por Márcio Thomaz Bastos em 2005, à época ministro da Justiça do governo Lula. Segundo parlamentares que participaram da CPI dos Correios, o ex-ministro foi quem “segurou as pontas” no governo quando estourou o escândalo.
TESE MAROTA
O crime de “caixa 2” já prescreveu, daí a tese adotada pela defesa de Delúbio Soares e Marcos Valério, no julgamento no STF.
SACANAGEM
O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) critica a “banalização” do caixa 2: “Querem fazer parecer uma ‘sacanagenzinha’ menor”.
DESCONFORTÁVEL
Gerou desconforto ao vice-presidente Michel Temer a citação de seu nome por advogados de mensaleiros, no julgamento no Supremo.
MALHAÇÃO
Para Dilma, acompanhar o mensalão pode “prejudicar o trabalho dos ministros”. Pelo que mostraram até agora, Sessão da Tarde pode.
CONDENADA E SEM DIREITOS POLÍTICOS, MARTA RECORRE
O Tribunal de Justiça de São Paulo julga, na próxima semana, o recurso da senadora Marta Suplicy (PT-SP) e do empresário Valdemir Garreta, seu ex-secretário de Comunicação na prefeitura paulistana. A dupla foi condenada por improbidade administrativa e teve seus direitos políticos suspensos por três anos. Ex-secretário de Marta, Garreta é, hoje, sócio de três empresas de comunicação e de uma de negócios imobiliários.
DEVOLUÇÃO
O Ministério Público também recorre: quer de volta R$ 148,2 milhões gastos em promoção pessoal de Marta, em ônibus e veículos oficiais.
PROPINA
Em outra ação, o Ministério Público acusa Valdemir Garreta de receber quase R$ 800 mil em propinas de fornecedores de merenda escolar.
SIGILOS QUEBRADOS
Em dezembro passado, o Tribunal de Justiça de São Paulo chegou a determinar a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Valdemir Garreta.
ROUBADA
No julgamento do mensalão, todo cuidado é pouco com um verbo que pode valer mais que mil imagens: “Delúbio [Soares] é um homem que não se furta a responder pelo que fez”, afirmou seu advogado.
AFE, PALAVRA!
Para inocentá-la no mensalão, o advogado da publicitária Geiza Dias chamou-a de “mequetrefe”, que pode significar “João-ninguém” e traste, mas também mentiroso ou canalha.
VAPT-VUPT
O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio extinguiu em meia hora o processo de fraude no concurso para juiz, em 2008, reconhecida pelo Conselho Nacional de Justiça: o subprocurador alegou “ilegitimidade”.
OUTRA DO DELÚBIO
O Ministério Público de Goiás abriu inquérito contra o governador Marconi Perillo (PMDB) por improbidade administrativa, pela demora para demitir o professor ausente Delúbio Soares.
LEIS ANULADAS
Para Luís Olímpio Ferraz Melo, advogado de Fortaleza, a condenação no mensalão abrirá caminho para anular, no Supremo, tudo o que tiver sido aprovado no Congresso. É a “Teoria americana dos frutos da árvore envenenada”: “contaminadas”, tais leis seriam ilegítimas.
PRELIMINARES
O relator da CPI mista do Cachoeira, Odair Cunha (PT-MG) vai fazer relatórios preliminares para falar da organização criminosa, do dinheiro movimentado pelo esquema do bicheiro e dos políticos envolvidos.
ENTRE ABUTRES
Sem saber que o microfone estava ligado, o presidente da CPI do Cachoeira, Vital do Rêgo (PMDB-PB), desabafou ontem a Odair Cunha (PT-SP): “Esses são uns abutres!”. Vital não revela a quem se referia.
ANTECIPAÇÃO DE VOTO
O jurista Erick Wilson Pereira explicou que, para antecipar seu voto no julgamento do mensalão antes de 3 de setembro, quando completa 70 anos e cai na “expulsória”, o ministro Cezar Peluso precisa esperar que o relator, Joaquim Barbosa, apresente o seu. Antes, nem pensar.
PENSANDO BEM...
...quando se trata de mensalão, muitos mentem e ninguém tem razão.
PODER SEM PUDOR
MINISTRO NO JANTAR
ACM sempre viveu às turras com alguém. Era ministro do governo José Sarney e, claro, brigava com outros ministros. Um deles era o da Previdência, Renato Archer. Carta vez, os dois se encontraram na antessala do presidente, no Planalto, e ACM puxou conversa:
- Esta coisa de vida pública é difícil. Ainda outra dia tive que desmentir um jornal que publicou, imagine, que eu teria dito que naquele dia você não jantaria ministro. Imagine que eu ia dizer uma coisa desta!
Sempre calmo, Archer apenas sorriu e ironizou:
- Não se preocupe. Em qualquer hipótese eu não deixaria de jantar.
QUARTA NOS JORNAIS
- Globo: Petrobras no prejuízo – Preço da gasolina vai aumentar ainda este ano
- Folha: Senado institui cotas para 50% das vagas nas federais
- Estadão: ‘Quem aposta no desgaste se decepcionará’, diz Planalto
- Valor: IPOs pós-crise dão maior retorno aos investidores
- Estado de Minas: Caladão milionário
- Zero Hora: Interior na mira de explosões em bancos
- Correio Braziliense: Greve cresce e ameaça imobilizar a Esplanada
- Jornal do Commercio: Anatel investiga a TIM
terça-feira, agosto 07, 2012
‘Alô, Zé? Aqui é Lula’ - ANCELMO GOIS
O GLOBO - 07/08
Lula ligou para Zé Dirceu, no fim de semana, para saber como está o ânimo do amigo.
Faltou quórum
Será que Dilma está sendo esnobada pelo empresariado?
Por falta de quórum, foi adiada de hoje para dia 14 sua reunião com 25 empresários pesos-pesados.
A data da volta
O advogado gaúcho Carlos Araújo, que foi casado com Dilma, com quem tem uma filha, marcou para dia 24 sua volta ao PDT. Araújo se afastou do partido há 12 anos.
A quem pergunta por que não vai para o PT, da ex-mulher, a resposta está na ponta da língua: "O PT virou um PMDB de esquerda.”
Nas redes sociais
Caetano Veloso não quis festejar seus 70 anos, hoje. Mas poderá receber mensagens dos fãs.
Para mandar parabéns ao nosso baiano basta acessar a página facebook.com/FalaCaetano ou usar a hashtag #Cae70anos no Twitter.
Filosofia aérea
Domingo, o piloto do vôo 5851 da Webjet (Brasília-Rio), depois das informações de praxe, deixou uma reflexão ao ar, com voz de locutor: "Pense bem e reflita: o pato perdeu a pata. Ele ficou perneta ou... viúvo?”
Foi aplaudido.
No mais
Na bolsa de apostas, um sábio do Direito acha que o STF, preocupado com a opinião pública, vai condenar alguns mensaleiros, "mas sem derramamento de sangue’!
Algo que lembra, segundo ele, a famosa frase de Pinheiro Machado (1851-1915): "Nem tão devagar que pareça afronta, nem tão depressa que pareça medo.” É. Pode ser.
AS APARÊNCIAS ENGANAM
Apesar do risco de queda de reboco em algumas marquises, quem olha para o alto em suas andanças pelo Rio pode ser recompensado com uma arte escondida na fachada de prédios antigos.
Após 12 anos de pesquisa, o fotógrafo e designer Luiz Eugênio Teixeira Leite documentou mais de mil ornamentos que guardam simbolismos da arquitetura carioca. O resultado está no livro “O Rio que o Rio não vê”
(Aori). Em dois casos, o designer descobriu raridades, como baixo-relevo em metal
folheado a ouro baseado na partitura do primeiro arranjo do Hino Nacional (numa rotunda do Teatro Municipal, na foto de baixo) e a imagem do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” na forma de um... asno, num prédio da Rua Teófilo Otoni 152 (foto de cima). Eugênio suspeita que a maldade foi vingança do artista contra o construtor, que não lhe pagou em dia. Ou seria uma brincadeira de algum adepto do jogo do bicho? Deu burro na cabeça (veja mais fotos no site da coluna) •
Essa negra fulô
A Casa de Rui Barbosa, no Rio, ampliou seu acervo sobre o escritor alagoano Jorge de Lima (1893-1953) com doações da filha Maria Teresa Alves Jorge de Lima.
São documentos pessoais, objetos, esculturas, fotos e cartas.
Rainha da paz
Elba Ramalho foi fazer uma peregrinação em Medjugorje, na Bósnia-Herzegovina.
O lugar tem atraído muitos visitantes e artistas por causa de notícias recentes de aparições da Virgem Maria. Numa delas, numa área marcada por guerra civil, a santa se apresentou como "rainha da paz’!
É pra rir ou pra chorar?
Sobrou para Erasmo Carlos num dos documentos da censura na ditadura pesquisados pelo historiador Douglas Attila Marcelino.
Diz que o Tremendão, que nunca foi de se meter em política, "ao erguer e cerrar o punho’,’ no programa de Sílvio Santos, fazia um gesto... comunista.
Sobrou também...
O texto ainda acusa um câmera de focalizar a cena "com insistência”
Gois em Londres
Em Londres, Márcia Lins jantava no elegante restaurante The Wolseley, quando, na mesa ao lado, sentou-se... Paul McCartney!
A secretária de Esportes de Cabral não se conteve e mandou um bilhete, pelo maítre, convidando o ex-beatle para os Jogos de 2016, no Rio. O artista, fofo, respondeu: "Será um prazer estar no Rio mais uma vez.”
Boletim médico
O querido coleguinha Sérgio Cabral, pai, 75 anos, operou a vesícula no Hospital São Vicente, no Rio. Passa bem.
Baden eterno
Os filhos do genial violonista e compositor Baden Powell (1937-2000) — o pianista Philippe e o violonista Marcel
— vão celebrar com um show os 75 anos de nascimento do pai, quinta, na sala que leva seu nome, em Copacabana.
Morte da Justiça
O primeiro ano do assassinato da juíza Patrícia Acioli será lembrado sexta numa manifestação da ONG Rio de Paz.
Vinte e uma fotos de balas de revólver serão postas na areia da Praia do Copacabana, com a frase: "21 tiros na Justiça”.
Nome de rua
A Biblioteca Nacional recebeu de Beatriz Menezes documentos que pertenceram a seu bisavô Joaquim Xavier da Silveira Júnior (1864-1912), homenageado com uma rua em Copacabana.
Abolicionista e republicano, Xavier da Silveira foi prefeito do Rio em 1901.
Reage, Flamengo!
Deve ser coisa de vascaíno, tricolor ou botafoguense. Piadinha que circula sobre a má fase do Flamengo: sabe qual é a bebida que resulta da mistura de um ovo com o time do Fla? É o... "Ovomautime”
Faz sentido. Com todo o respeito.
Lula ligou para Zé Dirceu, no fim de semana, para saber como está o ânimo do amigo.
Faltou quórum
Será que Dilma está sendo esnobada pelo empresariado?
Por falta de quórum, foi adiada de hoje para dia 14 sua reunião com 25 empresários pesos-pesados.
A data da volta
O advogado gaúcho Carlos Araújo, que foi casado com Dilma, com quem tem uma filha, marcou para dia 24 sua volta ao PDT. Araújo se afastou do partido há 12 anos.
A quem pergunta por que não vai para o PT, da ex-mulher, a resposta está na ponta da língua: "O PT virou um PMDB de esquerda.”
Nas redes sociais
Caetano Veloso não quis festejar seus 70 anos, hoje. Mas poderá receber mensagens dos fãs.
Para mandar parabéns ao nosso baiano basta acessar a página facebook.com/FalaCaetano ou usar a hashtag #Cae70anos no Twitter.
Filosofia aérea
Domingo, o piloto do vôo 5851 da Webjet (Brasília-Rio), depois das informações de praxe, deixou uma reflexão ao ar, com voz de locutor: "Pense bem e reflita: o pato perdeu a pata. Ele ficou perneta ou... viúvo?”
Foi aplaudido.
No mais
Na bolsa de apostas, um sábio do Direito acha que o STF, preocupado com a opinião pública, vai condenar alguns mensaleiros, "mas sem derramamento de sangue’!
Algo que lembra, segundo ele, a famosa frase de Pinheiro Machado (1851-1915): "Nem tão devagar que pareça afronta, nem tão depressa que pareça medo.” É. Pode ser.
AS APARÊNCIAS ENGANAM
Apesar do risco de queda de reboco em algumas marquises, quem olha para o alto em suas andanças pelo Rio pode ser recompensado com uma arte escondida na fachada de prédios antigos.
Após 12 anos de pesquisa, o fotógrafo e designer Luiz Eugênio Teixeira Leite documentou mais de mil ornamentos que guardam simbolismos da arquitetura carioca. O resultado está no livro “O Rio que o Rio não vê”
(Aori). Em dois casos, o designer descobriu raridades, como baixo-relevo em metal
folheado a ouro baseado na partitura do primeiro arranjo do Hino Nacional (numa rotunda do Teatro Municipal, na foto de baixo) e a imagem do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” na forma de um... asno, num prédio da Rua Teófilo Otoni 152 (foto de cima). Eugênio suspeita que a maldade foi vingança do artista contra o construtor, que não lhe pagou em dia. Ou seria uma brincadeira de algum adepto do jogo do bicho? Deu burro na cabeça (veja mais fotos no site da coluna) •
Essa negra fulô
A Casa de Rui Barbosa, no Rio, ampliou seu acervo sobre o escritor alagoano Jorge de Lima (1893-1953) com doações da filha Maria Teresa Alves Jorge de Lima.
São documentos pessoais, objetos, esculturas, fotos e cartas.
Rainha da paz
Elba Ramalho foi fazer uma peregrinação em Medjugorje, na Bósnia-Herzegovina.
O lugar tem atraído muitos visitantes e artistas por causa de notícias recentes de aparições da Virgem Maria. Numa delas, numa área marcada por guerra civil, a santa se apresentou como "rainha da paz’!
É pra rir ou pra chorar?
Sobrou para Erasmo Carlos num dos documentos da censura na ditadura pesquisados pelo historiador Douglas Attila Marcelino.
Diz que o Tremendão, que nunca foi de se meter em política, "ao erguer e cerrar o punho’,’ no programa de Sílvio Santos, fazia um gesto... comunista.
Sobrou também...
O texto ainda acusa um câmera de focalizar a cena "com insistência”
Gois em Londres
Em Londres, Márcia Lins jantava no elegante restaurante The Wolseley, quando, na mesa ao lado, sentou-se... Paul McCartney!
A secretária de Esportes de Cabral não se conteve e mandou um bilhete, pelo maítre, convidando o ex-beatle para os Jogos de 2016, no Rio. O artista, fofo, respondeu: "Será um prazer estar no Rio mais uma vez.”
Boletim médico
O querido coleguinha Sérgio Cabral, pai, 75 anos, operou a vesícula no Hospital São Vicente, no Rio. Passa bem.
Baden eterno
Os filhos do genial violonista e compositor Baden Powell (1937-2000) — o pianista Philippe e o violonista Marcel
— vão celebrar com um show os 75 anos de nascimento do pai, quinta, na sala que leva seu nome, em Copacabana.
Morte da Justiça
O primeiro ano do assassinato da juíza Patrícia Acioli será lembrado sexta numa manifestação da ONG Rio de Paz.
Vinte e uma fotos de balas de revólver serão postas na areia da Praia do Copacabana, com a frase: "21 tiros na Justiça”.
Nome de rua
A Biblioteca Nacional recebeu de Beatriz Menezes documentos que pertenceram a seu bisavô Joaquim Xavier da Silveira Júnior (1864-1912), homenageado com uma rua em Copacabana.
Abolicionista e republicano, Xavier da Silveira foi prefeito do Rio em 1901.
Reage, Flamengo!
Deve ser coisa de vascaíno, tricolor ou botafoguense. Piadinha que circula sobre a má fase do Flamengo: sabe qual é a bebida que resulta da mistura de um ovo com o time do Fla? É o... "Ovomautime”
Faz sentido. Com todo o respeito.
Os mosqueteiros de Dilma DENISE ROTHENBURG
CORREIO BRAZILIENSE - 07/08
Se os advogados não conseguirem tirar a pecha de mensalão das costas do PT, Dilma será a candidata e, como a turma dela sabe da preferência da chefe por planejamento, um grupo de quatro ministros trabalha informalmente no sentido de avaliar a conjuntura para uma campanha pela reeleição
Com o ex-presidente Lula liberado oficialmente pelos médicos para voltar aos palanques e levar uma vida normal, os petistas voltaram a especular sobre uma possível candidatura dele à reeleição em 2014. Ele ainda é a maior estrela do PT, tem o maior Ibope. Só não será candidato se não quiser. Mas, na visão de alguns, falta a Lula a absolvição de seu partido no mensalão. E, como o próprio ex-presidente declarou recentemente que não concorrerá a um terceiro mandato, a sucessora, Dilma Rousseff, já tem dentro do governo um núcleo de ministros que, nas horas vagas, encarrega-se de discutir a perspectiva de a atual presidente concorrer ao segundo mandato.
São quatro os ministros escalados para essa tarefa: o da Educação, Aloizio Mercadante; o das Comunicações, Paulo Bernardo; a da Casa Civil, Gleisi Hoffmann; e o de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, amigo de Dilma de longa data. Políticos da base aliada foram informados de que esse grupo costuma se reunir, no mínimo, uma vez ao mês para conversar sobre conjuntura política e as possibilidades de reeleição. A ideia é deixar tudo preparado para colocar esse projeto em prática, se for esse o caminho mais seguro.
No momento, integrantes do governo acreditam que, pelo menos até onde a vista alcança, esse caminho não apresenta grandes percalços. O governo Dilma tem uma avaliação que bate a do antecessor, Lula. Está totalmente descolada dos escândalos que afligem o PT. Logo, se os advogados de defesa não conseguirem tirar a pecha de mensaleiro do partido e a economia não der sinais de exaustão, ela é a candidata. E, como seguro morreu de velho, quer estar preparada para encarar o desafio.
Por falar em defesa...Ontem, a defesa dos réus da Ação Penal 470 estrearam na tribuna do Supremo Tribunal Federal, focados em tentar extirpar a sombra da formação de quadrilha que pesa sobre a antiga cúpula do PT e as acusações de compra de voto ou seja, o mensalão. Mas, no caso do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, alguns atentos advogados consideram que a parte técnica foi muito bem explorada ao dizer que não há testemunho sobre a acusação de que, enquanto ministro, Dirceu controlava tudo, inclusive o PT. Ou seja, muitos concordam que a tese de formação de quadrilha é fraca.
Mas faltou dizer que José Dirceu era sim, influente no partido — algo que qualquer político sabe. Na avaliação de alguns advogados, a perspectiva de a defesa não reconhecer a influência de José Dirceu no PT enfraquece argumentos em favor do ex-ministro. Afinal, não é segredo que Dirceu sempre teve — e ainda tem — grande ascendência sobre a legenda. Talvez, por economia de tempo, os advogados não tenham se debruçado sobre o fato de Dirceu influenciar, sim, as decisões do PT ao ponto de ser hoje um de seus maiores líderes.
Por falar em economia...Das variáveis conhecidas hoje, só a economia pode atrapalhar Dilma. E, diante da paralisação das obras do PAC e dos tropeços na Petrobras, área que a presidente domina, isso não é impossível. Não por acaso, os partidos aliados ao governo estão zonzos em relação ao futuro. Eles têm consciência de que Dilma é bem avaliada, de que o governo está em alta nas pesquisas, mas não engolem o jeitão da presidente. Muitos torcem veladamente pelo sucesso do senador Aécio Neves (PSDB-MG), hoje na casa dos 15% das intenções de voto, ou mesmo do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), na faixa dos 7%. Não acham difícil que um dos dois se saia bem nas urnas, ultrapassando a herdeira de Lula. O PT sabe dessas agruras. Por isso, vai logo anunciar em breve seu apoio formal a Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) para presidir a Câmara dos Deputados. Assim, enquanto Dilma enrola o PMDB em relação a cargos em estatais e agências reguladoras, conforme já dissemos aqui, os petistas afagam Alves na esperança de evitar problemas no Congresso.
Por falar em Congresso...Os políticos acreditam que esse esforço concentrado analisará as medidas provisórias em pauta e adeus. Há uma combinação entre os integrantes da base de não deixar o parlamento muito ativo neste período de julgamento do mensalão. Uma caixa de ressonância a menos para um caso que constrange tanto o PT.
Se os advogados não conseguirem tirar a pecha de mensalão das costas do PT, Dilma será a candidata e, como a turma dela sabe da preferência da chefe por planejamento, um grupo de quatro ministros trabalha informalmente no sentido de avaliar a conjuntura para uma campanha pela reeleição
Com o ex-presidente Lula liberado oficialmente pelos médicos para voltar aos palanques e levar uma vida normal, os petistas voltaram a especular sobre uma possível candidatura dele à reeleição em 2014. Ele ainda é a maior estrela do PT, tem o maior Ibope. Só não será candidato se não quiser. Mas, na visão de alguns, falta a Lula a absolvição de seu partido no mensalão. E, como o próprio ex-presidente declarou recentemente que não concorrerá a um terceiro mandato, a sucessora, Dilma Rousseff, já tem dentro do governo um núcleo de ministros que, nas horas vagas, encarrega-se de discutir a perspectiva de a atual presidente concorrer ao segundo mandato.
São quatro os ministros escalados para essa tarefa: o da Educação, Aloizio Mercadante; o das Comunicações, Paulo Bernardo; a da Casa Civil, Gleisi Hoffmann; e o de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, amigo de Dilma de longa data. Políticos da base aliada foram informados de que esse grupo costuma se reunir, no mínimo, uma vez ao mês para conversar sobre conjuntura política e as possibilidades de reeleição. A ideia é deixar tudo preparado para colocar esse projeto em prática, se for esse o caminho mais seguro.
No momento, integrantes do governo acreditam que, pelo menos até onde a vista alcança, esse caminho não apresenta grandes percalços. O governo Dilma tem uma avaliação que bate a do antecessor, Lula. Está totalmente descolada dos escândalos que afligem o PT. Logo, se os advogados de defesa não conseguirem tirar a pecha de mensaleiro do partido e a economia não der sinais de exaustão, ela é a candidata. E, como seguro morreu de velho, quer estar preparada para encarar o desafio.
Por falar em defesa...Ontem, a defesa dos réus da Ação Penal 470 estrearam na tribuna do Supremo Tribunal Federal, focados em tentar extirpar a sombra da formação de quadrilha que pesa sobre a antiga cúpula do PT e as acusações de compra de voto ou seja, o mensalão. Mas, no caso do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, alguns atentos advogados consideram que a parte técnica foi muito bem explorada ao dizer que não há testemunho sobre a acusação de que, enquanto ministro, Dirceu controlava tudo, inclusive o PT. Ou seja, muitos concordam que a tese de formação de quadrilha é fraca.
Mas faltou dizer que José Dirceu era sim, influente no partido — algo que qualquer político sabe. Na avaliação de alguns advogados, a perspectiva de a defesa não reconhecer a influência de José Dirceu no PT enfraquece argumentos em favor do ex-ministro. Afinal, não é segredo que Dirceu sempre teve — e ainda tem — grande ascendência sobre a legenda. Talvez, por economia de tempo, os advogados não tenham se debruçado sobre o fato de Dirceu influenciar, sim, as decisões do PT ao ponto de ser hoje um de seus maiores líderes.
Por falar em economia...Das variáveis conhecidas hoje, só a economia pode atrapalhar Dilma. E, diante da paralisação das obras do PAC e dos tropeços na Petrobras, área que a presidente domina, isso não é impossível. Não por acaso, os partidos aliados ao governo estão zonzos em relação ao futuro. Eles têm consciência de que Dilma é bem avaliada, de que o governo está em alta nas pesquisas, mas não engolem o jeitão da presidente. Muitos torcem veladamente pelo sucesso do senador Aécio Neves (PSDB-MG), hoje na casa dos 15% das intenções de voto, ou mesmo do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), na faixa dos 7%. Não acham difícil que um dos dois se saia bem nas urnas, ultrapassando a herdeira de Lula. O PT sabe dessas agruras. Por isso, vai logo anunciar em breve seu apoio formal a Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) para presidir a Câmara dos Deputados. Assim, enquanto Dilma enrola o PMDB em relação a cargos em estatais e agências reguladoras, conforme já dissemos aqui, os petistas afagam Alves na esperança de evitar problemas no Congresso.
Por falar em Congresso...Os políticos acreditam que esse esforço concentrado analisará as medidas provisórias em pauta e adeus. Há uma combinação entre os integrantes da base de não deixar o parlamento muito ativo neste período de julgamento do mensalão. Uma caixa de ressonância a menos para um caso que constrange tanto o PT.
O crível e o incrível - ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 07/08
BRASÍLIA - Perfeito que o advogado José Luis Oliveira Lima repila veementemente a acusação da Procuradoria-Geral da República de que seu cliente, José Dirceu, era "chefe da quadrilha" ou "chefe da organização criminosa".
Mas... só no admirável mundo dos advogados seria possível dizer, com toda a teatralidade cabível, que Dirceu, como chefe da Casa Civil, não mandava nada no PT, não articulava nada, não interferia sequer nas nomeações para cargos públicos.
Sinceramente, essa não dá para engolir, a não ser numa história romanceada do mensalão, em contraponto à que a Procuradoria criou para crianças e que irrita os petistas.
Quanto às audiências de Dirceu com banqueiros e empresários no Palácio do Planalto ("entre quatro paredes"...), Oliveira Lima disse que eram parte do trabalho do então ministro. Mas não explicou onde Delúbio Soares, Sílvio Pereira e Marcos Valério se encaixavam.
Chefes da Casa Civil, de fato, recebem em palácio representantes de bancos e de empresas, mas ao lado do tesoureiro do partido e do presidente? Com o secretário-geral desse partido? E o que fazia Marcos Valério no Planalto com as cúpulas de dois bancos diferentes?! É juntar alhos com bugalhos ou... ah, deixa prá lá.
Já o advogado de José Genoíno, Luiz Fernando Pacheco, lembrou, com propriedade, que seu cliente está longe de ser um homem rico e, ao contrário, tem uma vida até modesta. Mas caiu numa contradição: disse, primeiro, que o mensalão é "inventado e fantasioso" e, ao final, que Genoíno foi "arrastado pela irresponsabilidade de alguns". "Irresponsabilidade" é tradução para mensalão?
Os quatro advogados de ontem contaram uma mesma história, com um mesmo enredo, variando apenas quanto à importância dos personagens -ou clientes. No fim, todos induziram à mesma conclusão: foi tudo caixa dois. E a culpa é do Delúbio? Os 11 ministros podem ou não acreditar.
Mas... só no admirável mundo dos advogados seria possível dizer, com toda a teatralidade cabível, que Dirceu, como chefe da Casa Civil, não mandava nada no PT, não articulava nada, não interferia sequer nas nomeações para cargos públicos.
Sinceramente, essa não dá para engolir, a não ser numa história romanceada do mensalão, em contraponto à que a Procuradoria criou para crianças e que irrita os petistas.
Quanto às audiências de Dirceu com banqueiros e empresários no Palácio do Planalto ("entre quatro paredes"...), Oliveira Lima disse que eram parte do trabalho do então ministro. Mas não explicou onde Delúbio Soares, Sílvio Pereira e Marcos Valério se encaixavam.
Chefes da Casa Civil, de fato, recebem em palácio representantes de bancos e de empresas, mas ao lado do tesoureiro do partido e do presidente? Com o secretário-geral desse partido? E o que fazia Marcos Valério no Planalto com as cúpulas de dois bancos diferentes?! É juntar alhos com bugalhos ou... ah, deixa prá lá.
Já o advogado de José Genoíno, Luiz Fernando Pacheco, lembrou, com propriedade, que seu cliente está longe de ser um homem rico e, ao contrário, tem uma vida até modesta. Mas caiu numa contradição: disse, primeiro, que o mensalão é "inventado e fantasioso" e, ao final, que Genoíno foi "arrastado pela irresponsabilidade de alguns". "Irresponsabilidade" é tradução para mensalão?
Os quatro advogados de ontem contaram uma mesma história, com um mesmo enredo, variando apenas quanto à importância dos personagens -ou clientes. No fim, todos induziram à mesma conclusão: foi tudo caixa dois. E a culpa é do Delúbio? Os 11 ministros podem ou não acreditar.
As ameaças contra a OAB - EDITORIAL O ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 07/08
A exemplo do que ocorreu há alguns anos, quando deputados denunciados por promotores de Justiça apresentaram projetos de lei para esvaziar as prerrogativas do Ministério Público, parlamentares da bancada evangélica estão querendo adotar o mesmo expediente para enfraquecer a OAB.
A ofensiva contra a entidade decorre dos discursos moralizadores que o presidente do Conselho Federal da OAB, Ophir Cavalcante, vem fazendo desde sua posse. Ao assumir o cargo, em 2010, ele criticou a corrupção da classe política, comparou o Congresso a um "pântano" e pediu a senadores e deputados federais que tivessem "mais vergonha na cara". Também foi implacável quando foram divulgados vídeos mostrando deputados distritais evangélicos de Brasília fazendo orações depois de receber propina. E em 2011, quando foi instalada a comissão especial encarregada de analisar alterações no Código de Processo Civil, Cavalcante vetou o nome indicado pelo PMDB como relator, o do deputado fluminense Eduardo Cunha, por não ser vinculado ao "mundo do direito".
Por sua vez, Cunha, que é um dos articuladores da bancada evangélica, passou a lutar contra a reeleição de Cavalcante e lançou uma campanha contra a OAB. Entre outras tentativas de retaliação, os parlamentares evangélicos apresentaram dois projetos de lei - um prevendo a eleição direta para a presidência da OAB, outro extinguindo o chamado exame da Ordem, a prova de qualificação para obtenção de registro profissional. O relator do segundo projeto é o pastor Marco Feliciano (PSC-SP), que já deu parecer favorável.
A prova de habilitação profissional - que tem uma taxa média de reprovação de 75% - vem sendo aplicada há 40 anos pela OAB. A entidade alega que ela é decisiva para impedir a entrada de bacharéis sem qualificação no mercado de trabalho. A bancada evangélica acusa o exame da Ordem de ser uma "reserva de mercado". Para os deputados evangélicos, o alto índice de reprovações é a forma pela qual a entidade controla a entrada de novos advogados no mercado de trabalho, evitando assim que o aumento na oferta de serviços jurídicos reduza o nível salarial da categoria. Atualmente, há 1.259 faculdades de direito no País. Elas têm 700 mil alunos e formam 90 mil bacharéis por ano.
Como esses bacharéis têm de pagar para se submeter ao exame de qualificação profissional, a bancada evangélica também acusa a OAB de tê-lo convertido em fonte de lucro, assegurando o ingresso de R$ 70 milhões por ano aos cofres da entidade. E como ela tem o estatuto jurídico de autarquia especial, os parlamentares evangélicos alegam que sua contabilidade é "inacessível", na medida em que não precisa ser submetida ao TCU.
Alegando que esses recursos são gastos de modo perdulário, Cunha e Feliciano anunciaram que, na volta do recesso parlamentar, proporão a abertura de uma CPI para investigar as contas do Conselho Federal da OAB. Além disso, divulgaram que já estão negociando com o presidente da Câmara, Marco Maia, que o projeto de extinção do exame da Ordem passe a tramitar em regime de urgência. A ofensiva liderada por Cunha contra a entidade tem o apoio do ministro da Pesca, Marcelo Crivella. Ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, o ministro vem travando uma batalha contra a seccional fluminense da OAB, que tem se recusado a expedir carteiras de advogado para membros de seu grupo político, no Rio de Janeiro. Em nota, a OAB criticou a proposta de abertura da CPI, afirmando que vive de anuidades e que não recebe dinheiro público. Também classificou de "eleiçoeira" a ofensiva da bancada evangélica e anunciou que continuará cobrando seriedade e honestidade da classe política.
As críticas contra a OAB são antigas e ela nem sempre as refutou com suficiente clareza. Mas isso não dá aos membros da bancada evangélica o direito de usar as prerrogativas de seu mandato para defender projetos concebidos mais como vingança do que com base no interesse público.
Entranhas do julgamento - HÉLIO SCHWARTSMAN
FOLHA DE SP - 07/08
SÃO PAULO - O julgamento do mensalão deve ser técnico ou político? A pergunta é pertinente, mas receio que, ao fazê-la, já estejamos embarcando numa impossível busca pela quadratura do círculo.
O problema é que dicotomias e categorias discretas funcionam melhor em nossas cabeças do que no mundo real, onde a maioria dos fenômenos é mais bem descrita em termos de espectros e contínuos, a exemplo da passagem do dia para a noite.
Na prática, são tantos os elementos que influem na decisão de um juiz e tão complicadas suas interações que é inútil tentar separar aqueles que seriam legítimos (técnicos) dos espúrios (políticos).
Vários experimentos demonstram que os julgadores são suscetíveis a vieses que limitam sua capacidade de decidir objetivamente. Eles vão desde elementos estruturantes como características de personalidade e preferências ideológicas até fatores circunstanciais, como o nível de glicose no sangue na hora da decisão. Uma boa estratégia de defesa é garantir um suprimento ilimitado de chocolate para os magistrados.
Nesse contexto, é legítimo e até desejável que os ministros se exponham às pressões políticas, tanto a dos que querem ver os réus absolvidos como a dos que clamam pela condenação. A balbúrdia das diferentes vozes -ao lado de raciocínios propriamente jurídicos- é um dos elementos que ajudam o julgador formar a sua convicção.
A politização vira um problema quando prevalece sobre as demais variáveis, mas só o fato de termos dúvida de como votará cada ministro já indica que não é este o caso aqui.
É verdade que a admissão dessa multiplicidade de fatores a determinar a decisão do juiz enfraquece a noção de Justiça como expressão de uma verdade absoluta. O problema é que essa ideia nunca passou de um mito. Sentenças e acórdãos, apesar da pompa que os embala, contêm uma boa dose de aleatoriedade.
Só um tapinha - LUIZ GARCIA
O GLOBO - 07/08
Servidores públicos podem receber altos salários, pelo simples fato de que trabalham para merecê-los. Ou seja, pelos mesmos critérios existentes na iniciativa privada, e que se baseiam simplesmente na qualidade do trabalho e no tempo de serviço. São critérios universais.
Empresas particulares têm o direito de não revelar os números de suas folhas de pagamentos. Não precisam informar, a não ser para o fisco, o que fazem para garantir a eficiência de seu pessoal. Porque para isso usam recursos próprios. E se um genro ou cunhado ganha mais do que mereceria, o problema e o prejuízo são do patrão e de mais ninguém.
No serviço público, a história é bem diferente. O dinheiro não sai do bolso do administrador: sai do nosso, da turma da arquibancada. Temos o direito de saber se ele é usado corretamente - e de reclamar caso seja mal gasto. Além de se lembrar disso em dias de eleição.
Na semana passada, o Senado e a Câmara dos Deputados reconheceram, em parte, o direito do cidadão a saber como as duas casas gastam o dinheiro dos contribuintes. Divulgaram os salários que pagam, e só uma decisão da Justiça impediu a revelação dos nomes dos beneficiados. O que realmente não tem importância. A opinião pública quer saber mesmo é se há trabalho de verdade esperando os felizes recém-nomeados. De saída, impressiona o número de servidores já existentes: são mais de 22 mil na ativa. Pouco mais de seis mil, nas duas Casas, são concursados e ganham os maiores salários. O campeão é um analista legislativo, com R$ 33 mil e uns trocados. O mais impressionante é que a Câmara acaba de abrir concurso para preencher mais 138 vagas. O concurso garante a inexistência de nepotismo. Mas não é isso que interessa no momento. O que não está garantido é se existe mesmo necessidade desse exército de funcionários no Congresso.
É certo apenas que os felizes novatos não terão do que se queixar: o salário inicial é de R$ 14.825,69. Senado e Câmara merecem pelo menos um tapinha as costas por terem tido a coragem de revelar suas folhas de pagamento. Mas só um tapinha mesmo: terão direito a sonoros aplausos no dia em que explicarem, detalhadamente, o que faz cada um de seus funcionários. E transformarem a nomeação por concurso numa regra sem exceções.
Servidores públicos podem receber altos salários, pelo simples fato de que trabalham para merecê-los. Ou seja, pelos mesmos critérios existentes na iniciativa privada, e que se baseiam simplesmente na qualidade do trabalho e no tempo de serviço. São critérios universais.
Empresas particulares têm o direito de não revelar os números de suas folhas de pagamentos. Não precisam informar, a não ser para o fisco, o que fazem para garantir a eficiência de seu pessoal. Porque para isso usam recursos próprios. E se um genro ou cunhado ganha mais do que mereceria, o problema e o prejuízo são do patrão e de mais ninguém.
No serviço público, a história é bem diferente. O dinheiro não sai do bolso do administrador: sai do nosso, da turma da arquibancada. Temos o direito de saber se ele é usado corretamente - e de reclamar caso seja mal gasto. Além de se lembrar disso em dias de eleição.
Na semana passada, o Senado e a Câmara dos Deputados reconheceram, em parte, o direito do cidadão a saber como as duas casas gastam o dinheiro dos contribuintes. Divulgaram os salários que pagam, e só uma decisão da Justiça impediu a revelação dos nomes dos beneficiados. O que realmente não tem importância. A opinião pública quer saber mesmo é se há trabalho de verdade esperando os felizes recém-nomeados. De saída, impressiona o número de servidores já existentes: são mais de 22 mil na ativa. Pouco mais de seis mil, nas duas Casas, são concursados e ganham os maiores salários. O campeão é um analista legislativo, com R$ 33 mil e uns trocados. O mais impressionante é que a Câmara acaba de abrir concurso para preencher mais 138 vagas. O concurso garante a inexistência de nepotismo. Mas não é isso que interessa no momento. O que não está garantido é se existe mesmo necessidade desse exército de funcionários no Congresso.
É certo apenas que os felizes novatos não terão do que se queixar: o salário inicial é de R$ 14.825,69. Senado e Câmara merecem pelo menos um tapinha as costas por terem tido a coragem de revelar suas folhas de pagamento. Mas só um tapinha mesmo: terão direito a sonoros aplausos no dia em que explicarem, detalhadamente, o que faz cada um de seus funcionários. E transformarem a nomeação por concurso numa regra sem exceções.
Mostrar o elefante - VLADIMIR SAFATLE
FOLHA DE SP - 07/08
Há várias maneiras de esconder um elefante. Uma delas é apresentando suas partes em separado. Em um dia, aparece a pata. No dia seguinte, você mostra a tromba. Passa um tempo e vem a cauda. No fim, não se mostra o elefante, mas uma sequência de partes desconectadas.
Desde o início, o mensalão foi apresentado pela grande maioria dos veículos da imprensa nacional dessa maneira. Vários se deleitaram em mostrá-lo como um caso de corrupção que deixaria evidente a maneira com que o PT, até então paladino da ética, havia assegurado maioria parlamentar na base da compra de votos e da corrupção. No entanto o mensalão era muito mais do que isso.
Na verdade, ele mostrava como a democracia brasileira só funcionava com uma grande parte de seus processos ocultados pelas sombras. O jogo ilícito de financiamento de campanha e de uso das benesses do Estado deixava evidente como nossa democracia caminhava para ser uma plutocracia, independentemente dos partidos no poder.
Como a Folha mostrou em uma entrevista antológica, o então presidente do maior partido da oposição, o senador Eduardo Azeredo, havia sido um dos idealizadores desse esquema, que, como ele mesmo afirmou, não foi usado apenas para sua campanha estadual, mas para arrecadar fundos para a campanha presidencial de seu partido.
Não por acaso, o operador chave do esquema, o publicitário Marcos Valério, já tinha várias contas de publicidade no governo FHC. Ninguém acredita que foi graças à sua competência profissional.
Ou seja, a partir do mensalão, ficou claro como o Brasil era um país no qual a característica fundamental dos escândalos de corrupção é envolver todos os grandes partidos.
Mas, em vez de essa situação nos mobilizar para exigir mudanças estruturais na política brasileira (como financiamento público de campanha, reformas que permitissem ao partido vencedor constituir mais facilmente maiorias no Congresso, proibição de contratos do Estado com agências de publicidade etc.), ela serve atualmente apenas para simpatizantes de um partido jogar nas costas do outro a conta do "maior caso de corrupção do pais".
No entanto essa conta deve ser paga por mais gente do que os réus arrolados no caso do mensalão. O STF teria feito um serviço ao Brasil se colocasse os acusados do PT e do PSDB na mesma barra do tribunal. Que fossem todos juntos!
Desta forma, o povo brasileiro poderia ver o elefante inteiro. Com o elefante, o verdadeiro problema apareceria e a indignação com a corrupção, enfim, teria alguma utilidade concreta.
Há várias maneiras de esconder um elefante. Uma delas é apresentando suas partes em separado. Em um dia, aparece a pata. No dia seguinte, você mostra a tromba. Passa um tempo e vem a cauda. No fim, não se mostra o elefante, mas uma sequência de partes desconectadas.
Desde o início, o mensalão foi apresentado pela grande maioria dos veículos da imprensa nacional dessa maneira. Vários se deleitaram em mostrá-lo como um caso de corrupção que deixaria evidente a maneira com que o PT, até então paladino da ética, havia assegurado maioria parlamentar na base da compra de votos e da corrupção. No entanto o mensalão era muito mais do que isso.
Na verdade, ele mostrava como a democracia brasileira só funcionava com uma grande parte de seus processos ocultados pelas sombras. O jogo ilícito de financiamento de campanha e de uso das benesses do Estado deixava evidente como nossa democracia caminhava para ser uma plutocracia, independentemente dos partidos no poder.
Como a Folha mostrou em uma entrevista antológica, o então presidente do maior partido da oposição, o senador Eduardo Azeredo, havia sido um dos idealizadores desse esquema, que, como ele mesmo afirmou, não foi usado apenas para sua campanha estadual, mas para arrecadar fundos para a campanha presidencial de seu partido.
Não por acaso, o operador chave do esquema, o publicitário Marcos Valério, já tinha várias contas de publicidade no governo FHC. Ninguém acredita que foi graças à sua competência profissional.
Ou seja, a partir do mensalão, ficou claro como o Brasil era um país no qual a característica fundamental dos escândalos de corrupção é envolver todos os grandes partidos.
Mas, em vez de essa situação nos mobilizar para exigir mudanças estruturais na política brasileira (como financiamento público de campanha, reformas que permitissem ao partido vencedor constituir mais facilmente maiorias no Congresso, proibição de contratos do Estado com agências de publicidade etc.), ela serve atualmente apenas para simpatizantes de um partido jogar nas costas do outro a conta do "maior caso de corrupção do pais".
No entanto essa conta deve ser paga por mais gente do que os réus arrolados no caso do mensalão. O STF teria feito um serviço ao Brasil se colocasse os acusados do PT e do PSDB na mesma barra do tribunal. Que fossem todos juntos!
Desta forma, o povo brasileiro poderia ver o elefante inteiro. Com o elefante, o verdadeiro problema apareceria e a indignação com a corrupção, enfim, teria alguma utilidade concreta.
Contra ou a favor - CARLOS HEITOR CONY
FOLHA DE SP - 07/08
RIO DE JANEIRO - Como em todas as demais profissões, o jornalista enfrenta, de tempos em tempos, uma arapuca da qual nem sempre pode se livrar. Foi o caso, por exemplo, da Copa do Mundo de 1998, em Paris. Na véspera do jogo final, entre o Brasil e a França, eu precisava mandar o meu texto para o fechamento do dia seguinte. O noticiário em si podia esperar o resultado do jogo, com a proclamação do campeão daquela Copa. Mas os comentários tinham de ser enviados antes, devido ao cronograma daquela edição.
Já enfrentara situações parecidas, quando fechava os números de Carnaval nas revistas em que trabalhava. Tinha de escolher a capa com a escola que venceria o desfile. O recurso era fazer duas ou três capas com as favoritas, às vezes dava certo.
No caso do jogo final daquela Copa, fiz a mesma coisa. Um texto em que o Brasil vencia e se sagrava mais uma vez campeão; e outro em que a França conseguiria seu primeiro título mundial. Mandei os dois para que o editor do caderno da Copa publicasse o texto adequado.
Esse tipo de arapuca agora se repete no caso do julgamento do mensalão. No fundo, é um jogo do qual não se pode prever o resultado, se justo, se injusto, se catimbado ou não. A cobertura das sessões do STF pode ser feita porque os noticiários a respeito são também diários, cobrindo os debates da véspera. O cronista tem de submeter-se à escala de sua periodicidade.
Mesmo assim, farei o que costumava fazer diante dessas arapucas: dois textos a respeito do resultado, repetindo conscientemente o episódio atribuído a Alcindo Guanabara (ele terminaria na ABL - Academia Brasileira de Letras) que faz parte da história da nossa imprensa. Numa Sexta-Feira da Paixão, o editor pediu-lhe que fizesse um artigo sobre Jesus Cristo. Alcindo perguntou: "Contra ou a favor?".
RIO DE JANEIRO - Como em todas as demais profissões, o jornalista enfrenta, de tempos em tempos, uma arapuca da qual nem sempre pode se livrar. Foi o caso, por exemplo, da Copa do Mundo de 1998, em Paris. Na véspera do jogo final, entre o Brasil e a França, eu precisava mandar o meu texto para o fechamento do dia seguinte. O noticiário em si podia esperar o resultado do jogo, com a proclamação do campeão daquela Copa. Mas os comentários tinham de ser enviados antes, devido ao cronograma daquela edição.
Já enfrentara situações parecidas, quando fechava os números de Carnaval nas revistas em que trabalhava. Tinha de escolher a capa com a escola que venceria o desfile. O recurso era fazer duas ou três capas com as favoritas, às vezes dava certo.
No caso do jogo final daquela Copa, fiz a mesma coisa. Um texto em que o Brasil vencia e se sagrava mais uma vez campeão; e outro em que a França conseguiria seu primeiro título mundial. Mandei os dois para que o editor do caderno da Copa publicasse o texto adequado.
Esse tipo de arapuca agora se repete no caso do julgamento do mensalão. No fundo, é um jogo do qual não se pode prever o resultado, se justo, se injusto, se catimbado ou não. A cobertura das sessões do STF pode ser feita porque os noticiários a respeito são também diários, cobrindo os debates da véspera. O cronista tem de submeter-se à escala de sua periodicidade.
Mesmo assim, farei o que costumava fazer diante dessas arapucas: dois textos a respeito do resultado, repetindo conscientemente o episódio atribuído a Alcindo Guanabara (ele terminaria na ABL - Academia Brasileira de Letras) que faz parte da história da nossa imprensa. Numa Sexta-Feira da Paixão, o editor pediu-lhe que fizesse um artigo sobre Jesus Cristo. Alcindo perguntou: "Contra ou a favor?".
A importância histórica do STF - ARNALDO JABOR
O Estado de S.Paulo - 07/08
Eu vi os dois primeiros dias do julgamento do mensalão. E, 'data venia', vi que há no Tribunal alguma coisa nascendo nas frestas dos rituais solenes: os indícios de um fato histórico: o STF está mais ligado ao mundo real, mais atento à opinião pública (por que não?)
Mas, dava para ver um tenso alvoroço no plenário como na pré-estreia de um filme inédito. Tudo parecia ainda um atemorizante sacrilégio, como se todos estivessem cometendo um pecado - o delito de ousar cumprir a lei julgando poderosos. Será que ousarão contrariar séculos de impunidade, séculos de distância entre a Justiça e a sociedade?
Vi o frisson nervoso nos juízes que, depois de sete anos de lentidão, têm de correr para cumprir os prazos impostos pelas chicanas e pelos retardos que a gangue de mensaleiros conseguiu criar. Suprema ironia: no país da justiça lenta, os ministros do Supremo são obrigados a correr, andar logo, mandar brasa, falar rápido, pois o Peluso tem de votar e sai em setembro. E só há julgamento porque o ministro Ayres de Britto se empenhou pessoalmente em viabilizar prazos e datas. Se não, não haveria nada.
O STF parecia um palco armado: os advogados dos réus numa tribuna, a imprensa, convidados VIPs. Os advogados se movem em sincronia como discretos bailarinos de ternos, com expressões céticas ou quase cínicas, um tédio proposital nas caras, ostentando a tranquilidade profissional de pistoleiros bem pagos antes de sacar a arma no duelo.
Ali estavam os protagonistas: Joaquim Barbosa transido de dores, ardendo na pressa de emplacar esta revolução no STF, defrontando-se com a programada lentidão de seu inimigo principal, Lewandowski, o homem que levou seis meses para ler um processo escancarado havia sete anos, e que no início do julgamento deu-se ao capricho de ler o seu voto por uma hora e meia, conseguindo cumprir a estratégia de Thomaz Bastos e atrasar mais um dia no processo. E conseguiu irritar Joaquim Barbosa, que o chamou de "desleal". Lewandowski retrucou, revelando a intenção que lhe vai na alma: "pelo que vejo, este julgamento vai ser turbulento". Quando foi cantar o Gilmar Mendes, Lula disse que Lewandowski estava sob muita pressão e que o Joaquim Barbosa era um "complexado" - por quê? Porque é preto e está de coluna doendo? Ninguém, claro, assume o sutil racismo brasileiro, mas ninguém esquece que ele é preto; nem ele. A verdade é que Lula o nomeou achando que seria uma "ação afirmativa" para seu governo e que Barbosa lhe seria grato. Lula achava que podia influir no outro poder com esse gesto. Dançou também no seu 'alopramento'.
No voto de Lewandowski vimos seu desejo de deixar patente na TV que é resistente a pressões de nossa 'rasteira' opinião pública. Quis também exibir cultura jurídica cravejada de citações, criando um mecanismo de defesa preventivo que transmuta sua fama de lento em 'independência' minuciosa. O julgamento vai oscilar entre a pressa e a lentidão. Pelos freios e embreagens, a defesa dos réus se fará por meio de chicanas retardadoras, por atrasos programados, por bloqueios e 'questões de ordem' com cascas de banana.
Aí, começou a leitura da acusação do procurador-geral da República, que ouvi com um arrepio de orgulho, como se estivesse na Inglaterra diante de um sistema judiciário impecável. Seu relatório serviu como uma viagem no tempo, rememorando toda a chanchada deprimente que foi o escândalo do mensalão, sete anos atrás. Tudo reapareceu: cada malinha de dinheiro vivo do Banco Rural, cada cheque administrativo, cada mentira e negação. Será dificílimo contestar o relatório e o voto de Roberto Gurgel, pois ele exibiu o óbvio, a autoevidência dos delitos. Daí, o show de chicanas a que assistiremos.
Foi espantoso constatar também que os "malfeitos" dos mensaleiros foram incrivelmente "aloprados", trabalho de ridículos amadores, deixando pistas gritantes, dando bandeiras em todas as direções. Como puderam errar tanto, ser tão primários?
Pensei e vi o óbvio - lembrei-me dos velhos comunistas que eu conheci tão bem na minha revolução juvenil.
O povão era nossa boa consciência, o povão era nosso salvo-conduto para a alma pacificada, sem culpas - o povão era nossa salvação.
Nós éramos mais "puros", mais poéticos, mais heroicos. Ai, que saudades do comunismo e, como dizia Beckett: "Que saudades das velhas perguntas e das velhas respostas..." A 'verdade' era o simplismo; complexidade era (e ainda é, para eles) coisa de 'direita'.
Mas, como era bom se sentir superior a um mundo povoado de "burgueses, caretas e babacas", como eu classificava a humanidade. Daí, a explicação: para que se importar com os babacas? Podemos deixar pistas à vontade porque, como disse o Lula, "sempre foi assim". Passaram a "desapropriar" a grana da "direita" - ou seja, inventaram o roubo com boa consciência, para 'salvar' o povão com a grana do povão. Claro que isso foi apenas o "rationale" para justificar a 'mão grande', um estandarte ideológico para legitimar a invasão da 'porcada magra no batatal'. Claro que pegaram altos trocos, porque ninguém é de ferro. Só não contavam com as 'cobras criadas' do Congresso, como o Jefferson, que viram aqueles comunas folgados descumprindo promessas, tratando-os com descaso de heróis contra 'burgueses alienados e covardes'. Deu nas denúncias operísticas do Jefferson, um dos recentes salvadores da pátria. Por trás do mensalão há desprezo pela inteligência da sociedade.
Mas, muito mais grave do que a tradicional mãozinha nas cumbucas, mais grave que punhados de dólares na cueca ou na bolsinha, muito mais grave é a justificativa de que tudo não passou de 'crime eleitoral', quando se tratou de mais de R$ 100 milhões num roubo "revolucionário". Os mensaleiros se absolvem e justificam porque teriam uma missão acima da democracia "burguesa".
Portanto, o STF não está julgando apenas umas roubalheiras, mas a tentativa de desmoralizar a democracia para o benefício de um partido único. O PT quis usar o governo que "tomaram" para mudar o Estado brasileiro. O STF está julgando a preservação da República que lentamente se aperfeiçoa e este julgamento já é uma etapa de nossa evolução democrática.
Sentimento de culpa - FRANCISCO DAUDT
FOLHA DE SP - 07/08
Como instrumento de dominação, a nossa espécie nunca inventou arma melhor do que essa
QUE NÓS nascemos com a capacidade de sentir culpa, é certo. Até cães vêm com este programa. É velha a expressão "cara de cachorro que quebrou a panela". De fato, depois de um óbvio "malfeito", lá vem ele com a cabeça baixa e as orelhas murchas a tentar nos lamber, a nos pedir perdão. O sentimento de culpa mistura vergonha com arrependimento e supõe uma certa integridade moral de quem o tem.
É sabido que os psicopatas passam-lhe ao largo, apesar de a ele não serem indiferentes. Ao contrário, desafiam-no. Lembro-me bem que as regras da Igreja Católica para categorizar algo como pecado incluíam pleno conhecimento da transgressão, livre arbítrio para fazê-la e um momento de "dane-se, vou fazer".
Se nós fossemos bem atentos ao catecismo (e soubéssemos nossa taxa de livre arbítrio), não seríamos tão assíduos ao confessionário. Mas à instituição não interessava nem um pouco a discussão dos meios, pois ela lucrava e prosperava com a culpa: o bobalhão acreditava no seu livre arbítrio, desconsiderava sua explosão hormonal da adolescência e considerava-se criminoso por ter-se masturbado, ou mesmo por pensamentos contra a castidade. Confessava seu crime. O padre, pelo ato da absolvição e pela penitência imposta, endossava que havia crime de fato, e lá ia o jovem, livre para pecar outra vez.
Ouvi dizer que a Igreja não considera mais a masturbação como pecado mortal. Numa festa do colégio jesuíta em que me formei, apresentei esta questão ao nosso antigo padre prefeito: "E aqueles que morreram em pecado antes da mudança da lei? Queimam no inferno assim mesmo?". Ele, que não tinha cacife intelectual para uma resposta teológica, e pressionado pela gargalhada dos colegas, disse-me que eu já havia bebido vinho o bastante.
Fato é que, como instrumento de dominação, a nossa espécie não inventou arma melhor. A Igreja usa e abusa dela, e se mantém por 2.000 anos. Você pode fazer com que uma pessoa se ajoelhe, submissa, sob a mira de um revólver. Mas, se ela tiver oportunidade, revidará. Uma vez sentindo-se culpada, a pessoa implora para se ajoelhar diante de você! Imbatível!
A coisa ficou séria quando a esquerda descobriu que podia fazer os trabalhadores prósperos se sentirem culpados de sua riqueza.
Em nome deste grave pecado (a prosperidade, que vem de "explorar humildes"), joga, sobre quem ganha seu dinheiro honestamente, impostos escorchantes, camuflados ou não (os camuflados tiram dos humildes, que ironia). São penitências atuais. É secundário se os impostos forem para perpetuar seu esquema de poder em vez de serem revertidos para segurança, saúde e educação. O importante é dominar.
O mesmo vale para as compensações exigidas pelas minorias massacradas por nossos ancestrais, sejam elas Quilombolas ou índios.
Você vai ver, a grande defesa do mensalão será que ele não foi em proveito próprio, mas na busca de uma sociedade mais igualitária, para ressarcir os coitadinhos. E o pior: há multidões que acreditam nesta culpa, pois, coitadas, têm "certa integridade a defender".
A tentação do álcool - ROSELY SAYÃO
FOLHA DE SP - 07/08
Não sei por que os pais têm facilitado tanto a oferta de bebida para jovens que mal saíram da infância
Tive uma conversa muito interessante com a mãe de uma garota de 15 anos. Ela me contou que a filha é extrovertida, faz sucesso em rede social, sempre é procurada por vários colegas e chamada pelo celular o dia todo.
A menina também tem alguns amigos mais chegados que estão sempre por perto.
Mesmo assim, a filha não sai. É convidada para ir a festas, ao cinema, para dormir na casa de colegas, viajar. Mas ela só sai mesmo para ir à escola. Recusa todos os convites que recebe.
Acredite, caro leitor, isso preocupou essa mãe. Curioso o fato, já que as mães de garotas dessa idade costumam se preocupar pelo motivo oposto: filhas que querem sair sempre.
Assim que o sinal amarelo acendeu para essa mãe, ela tomou uma atitude. Chamou a filha para um lanche, disposta a conversar com ela para saber o motivo da sua reclusão. Parece que é comum as duas conversarem sem muitos rodeios.
Dessa maneira, a mãe logo ficou sabendo que a filha tinha lá suas razões para preferir ficar em casa: "Se eu sair, mãe, vou ter de ficar, beijar, talvez transar; vou precisar beber, vou ter de comprar coisas que eu não sei se quero. Então, eu prefiro ficar em casa por enquanto".
É, não tem sido fácil para muitos jovens atravessar essa fase da vida. As tentações têm sido excessivas para eles. E hoje vou ficar apenas em uma delas: a ingestão de bebidas alcoólicas.
Não sei por que os pais têm facilitado tanto a oferta de bebida para esses jovens que mal saíram da infância.
Já ouvi alguns pais declararem que, apesar de serem contra o consumo de bebida alcoólica nessa idade, ofereceriam essa opção na festa de aniversário dos filhos para garantir a presença dos convidados. Isso significa que festa, para eles, não existe sem a presença de álcool?
Quem é adulto e tem controle sobre a quantidade de bebida que ingere sabe os efeitos que o álcool produz no organismo. As sensações de euforia e de segurança para correr riscos costumam ser os principais motivos que levam a garotada a beber.
É uma tentação poder viver, por alguns momentos, sem muita censura e sem grandes dúvidas a respeito do que fazer, não é? Nessa idade, tal tentação é sedutora.
O problema é que eles bebem demais -demais mesmo-, muito cedo e se esquecem de aprender a viver em grupo sem os efeitos que a bebida provoca. Falta coragem, dá medo, provoca angústia. Talvez por isso alguns adolescentes bebam até cair.
Tem sido bem impressionante a quantidade de adolescentes que passam mal, muito mal, depois de beber. É que eles costumam ser exagerados em tudo o que oferece satisfação imediata. É por isso, entre outros fatores, que perdem a medida.
Diversas mães se assustaram com o que viram nessas férias de inverno. Li o relato de uma delas que levou a filha, de 14 anos, com duas amigas para uns dias em Campos de Jordão. Ficou assustada com o que viu: crianças de 12, 13 anos vomitando em praças, caindo pelas ruas de tão bêbadas que estavam. "Onde estão os pais dessas crianças?" perguntou ela.
Provavelmente por perto, mas sem saber o que fazer.
Quem tem filhos adolescentes não deve ficar impotente, congelado, com receio de ser considerado careta. Aliás, em muitos aspectos, é papel dos pais ser careta.
E é bom saber que isso não impedirá o filho de experimentar muitas coisas. Apenas o ajudará a conhecer melhor seu nível de saciedade com a bebida alcoólica, por exemplo. Para que ela funcione como um mediador social, apenas isso.
Os pais dos adolescentes não conseguirão livrar os filhos de todas as tentações que a vida oferece.
Mas, pelo menos, devem tentar poupá-los de algumas delas. Para o bem deles. Como? Vetar a ingestão de bebida alcoólica nessa idade já é um bom começo.
Dupla militância - ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 07/08
Banco do Nordeste: Dilma x Cid
A presidente Dilma resolveu contrariar o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), e está decidida a nomear para a presidência do Banco do Nordeste o ex-ministro dos Portos, Pedro Brito, que é funcionário de carreira da instituição. Brito atualmente é diretor da Antaq e está rompido com os Ferreira Gomes desde a fase final do governo Lula. Cid Gomes fez tudo para vetar Brito, manifestando preferência pelo presidente interino, Paulo Ferraro. Para emplacar seu nome, Cid pediu o apoio do governador Jaques Wagner (BA-PT), mas não adiantou até agora. Dilma gosta de Brito e quer na instituição alguém de sua confiança e que tenha autonomia para trabalhar.
“O Brasil se tornou um país do faz-de-conta. Faz de conta que não se produziu o maior dos escândalos nacionais, que os culpados nada sabiam” Marco Aurélio Mello Discurso de posse na presidência do STF (4/5/2006)
Ao pé do ouvido
A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, garantiu que o cronograma de investimentos das refinarias em construção não irá atrasar, apesar do prejuízo de R$ 1,3 bilhão da estatal no segundo trimestre. Mas falando sobre o assunto com os governadores, tem aconselhado a procurar investidores estrangeiros para antecipar as obras.
Aconteceu na quinta-feira (2)
No intervalo da sessão do STF, após rejeitar pedido do advogado Alberto Toron, o presidente Ayres Britto pergunta ao relator, ministro Joaquim Barbosa: "Você acha que fui muito ríspido?". A resposta: "Não, imagina. Logo o Toron...".
Um memorial para Jorge Amado
Na solenidade do centenário de nascimento de Jorge Amado, ontem, no Senado, a família do escritor e o governador Jaques Wagner (BA) retomaram negociações para transformar a casa de Jorge Amado, em Salvador, num memorial.
Ibama quer superpoderes
A Confederação Nacional dos Municípios e a Câmara Brasileira da Indústria da Construção atuam juntas na votação do Código Florestal. As duas entidades se rebelam contra a tentativa do Ibama de tirar dos municípios o poder de decidir sobre a ocupação do solo urbano. A senadora Ana Amélia (PP-RS) resume: "Eles querem aplicar na área urbana o mesmo critério da área rural".
Delta e financiamento eleitoral
As consultorias a serviço do PSDB descobriram que a Delta mandou recursos para 16 empresas de fachada. A remessa mínima estimada é de R$ 291 milhões. Os tucanos suspeitam que esse dinheiro foi para campanhas eleitorais em 2010.
Saia-justa
O candidato à reeleição em Curitiba, Luciano Ducci (PSB), apoiado pelo governador tucano Beto Richa, tem dado dor de cabeça ao PSDB do Paraná. Sua campanha é só de elogios ao governo Dilma. Os petistas apoiam Gustavo Fruet (PDT).
A MINISTRA Miriam Belchior (Planejamento) é a madrinha do novo secretário-executivo da Secretaria de Aviação Civil, Guilherme Ramalho.
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