quinta-feira, junho 14, 2012

Por que Lula se recusa a posar de estadista - CRISTIAN KLEIN


Valor Econômico - 14/06


Se, no ano passado, as atenções voltavam-se para o comportamento da recém-empossada presidente Dilma Rousseff, as últimas semanas marcaram o retorno à cena do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É a volta de quem não foi.

Convalescendo do câncer na laringe, Lula retornou em seu estilo, digamos, exuberante. Falador, mesmo com a voz sequelada, o ex-presidente deixa claro que participará da vida político-partidária com a mesma desenvoltura de antes.

Lula, ao que parece, não quer ou não tem vocação para se encaixar no perfil de estadista. Nenhum projeto que se cogitava para seu futuro pós-Planalto se confirmou. Ninguém especula mais sobre sua ascensão a funções internacionais de peso - na ONU, no Banco Mundial - ou como interlocutor dos países da África. Sua projeção no concerto das nações dependia do cargo que ocupava. Uma vez fora da Presidência, Lula tratou de amealhar alguns milhões de reais como palestrante de grandes empresas e criar seu instituto, até que a doença o pegou de surpresa.

Ao liderar a bandeira da renovação, renova sua velha liderança

O período de tratamento deixou em suspenso seu novo papel. Antes do câncer, era o conselheiro, a eminência parda do governo. Até que Dilma tomou as rédeas da situação e não há mais dúvidas de que as principais decisões são tomadas por ela.

Recuperado, Lula demonstra que não se contentará com o futuro desenhado para congêneres de outros países, como os Estados Unidos, onde ex-presidentes se retiram e tornam-se figuras anódinas mas politicamente transcendentes.

Lula não quer transcender. Voltou à planície para a luta do dia a dia. Costura alianças, já leva pelo braço o candidato que impôs ao partido em São Paulo, Fernando Haddad, o elogia em programa popular na TV, e tenta salvar a imagem de seu governo e de seus companheiros denunciados no caso do mensalão.

O ex-presidente arrisca e põe em jogo a esperteza política. Primeiro, foi a malfadada aliança com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD). Mais recentemente, houve o mal explicado encontro com Gilmar Mendes, no qual teria coagido o ministro do Supremo Tribunal Federal a adiar o julgamento do mensalão.

Não faz mal. Para Lula, o que importa é se manter como o líder da facção, com seus erros e acertos. É o comportamento forjado no sindicalismo.

A necessidade de um inimigo é vital para a existência. A demonização dos tucanos é retomada como o senhor que toca seu realejo na praça pública. No programa do apresentador Carlos Massa, o Ratinho, do SBT, Lula não se contentou em fazer propaganda eleitoral antecipada para Haddad. Disse que não deixará o país ser novamente governado por um presidente do PSDB e que concorrerá, em 2014, se necessário for.

Lula exacerba uma ameaça que não está no horizonte. A reeleição de Dilma é mais provável do que uma vitória tucana. O ex-presidente, porém, demonstra que, na falta de uma forte oposição nacional, precisa de um discurso para manter sua hegemonia entre correligionários e aliados.

Mesmo que para isso arranje brigas no interior do PT. Lula hoje não é oposição, nem governante. Voltou para tomar conta do partido. Barrou as pretensões da senadora Marta Suplicy de concorrer à Prefeitura de São Paulo e incentivou a derrubada da candidatura à reeleição do prefeito do Recife, João da Costa. A interferência da cúpula nacional em Pernambuco é a mais traumática desde a intervenção na eleição para governador no Rio de Janeiro, em 1998, que obrigou o partido a se coligar com Anthony Garotinho - então no PDT -, em detrimento da candidatura própria de Vladimir Palmeira.

Lula quer ter o poder de agenda do partido. Seu mote, ao defender Haddad, é o da mudança geracional. Mas ao liderar a bandeira da renovação, Lula renova sua velha liderança e evita o caminho do ocaso.

O ex-presidente não quer ser um conselheiro, um ancião, um "Elder", como os ex-presidentes Nelson Mandela (África do Sul), Jimmy Carter (Estados Unidos) ou o tucano Fernando Henrique Cardoso.

Lula não quer virar história. Há algo de natural nessa opção. Não é nossa tradição. Dos mandatários desde a redemocratização, apenas FHC tenta emular o espírito de estadista. José Sarney e Fernando Collor (no Senado) e Itamar Franco (no governo de Minas Gerais e no Senado), todos assumiram cargos eletivos depois da Presidência. Por que não Lula?

A recusa do ex-presidente em adotar o comportamento de magistrado pode ter duas explicações. Ou Lula é mesmo o animal político incansável - sem supostas preocupações institucionais ou de preservação da imagem - ou acredita que seu tempo ainda não acabou e que oito anos na Presidência não foram suficientes.

A hipótese de um terceiro mandato é alimentada pelo ex-presidente nas atitudes e nos discursos. Desde que saiu do Planalto, Lula jamais afastou a possibilidade de disputar a eleição de 2014. Primeiro dizia que ainda não havia "desencarnado" do cargo. Agora, como fez no programa do SBT, afirma que só concorrerá se Dilma Rousseff não quiser.

E será que Dilma quererá? Em contraste com o antecessor, a presidente parece antecipar a figura de estadista. Aproximou-se da oposição, logo depois da posse, mantém distanciamento da política partidária - a anunciada iniciativa de se encontrar frequentemente com os líderes da base aliada não prosperou - e procura imprimir à sua administração um tom tecnocrático. Suas principais bandeiras dizem respeito ao ganho de eficiência do Estado e à cruzada pela redução dos juros. A preocupação com o inimigo externo, ou seja, o impacto do contexto internacional de crise, contribui para sua atuação até agora menos voltada para clientelas e mais identificada com a defesa de "interesses nacionais". Exceção feita ao Código Florestal, embora os vetos possam ser interpretados como precaução a possíveis protestos durante a Rio + 20. Definitivamente, o mantra que duvidava da capacidade de transferência de votos durante a eleição de 2010, faz todo sentido: Dilma não é Lula.

Uma linda mulher - CONTARDO CALLIGARIS

FOLHA DE SP - 14/06


Se você ama uma mulher por ela ser prostituta, tente entender a fantasia que está atrás de seu amor



Numa cobertura da Vila Leopoldina, em São Paulo, na noite de 19 de maio, Elize Araújo Matsunaga, 30, assassinou o marido, Marcos Matsunaga, 42, com um tiro na cabeça. Na manhã seguinte, com uma faca de cozinha, Elize esquartejou o cadáver, de modo a poder transportar os pedaços em três malas. Logo, ela foi se desfazer das malas e da faca.
Esse fato de crônica tem tudo para se tornar literatura de cordel. Há o sangue frio de Elize depois do crime. Há a diferença social entre Marcos, empresário e herdeiro da Yoki, que acaba de ser vendida por R$ 1,7 bilhão, e Elize, enfermeira e bacharel em direito, mas de origem bem humilde.
Além disso, o ciúme foi um dos motivos: na noite do crime, Marcos acabava de ser confrontado por Elize, que conseguira a prova da infidelidade do marido. Mais: o horror aconteceu depois de seis ou sete anos do que foi, ao que tudo indica, uma genuína paixão; a filha, de um ano, estava no apartamento, dormindo, durante o crime; foi Marcos que transmitiu a Elize o interesse pelo tiro e pelas armas (havia 30, todas registradas, no apartamento).
Mas, acima de tudo, o que transforma a história do casal em matéria de cordel é o fato de que Marcos encontrou Elize, em 2004, num site de garotas de programa.
A informação parece ser repetida pela imprensa como uma mensagem aos homens: olhe o risco que você corre, se você amar uma prostituta e casar com ela.
Ora, quero corrigir esse lembrete. Se você se apaixonar por uma prostituta (ex ou não, tanto faz) e quiser se casar com ela, recomendo apenas uma cautela, que não tem nada a ver com sua futura mulher e tudo a ver com você.
Claro, a culpa do crime de 19 de maio é só de Elize, mas o lembrete preventivo é para os homens, embora chegue tarde para Marcos.
Se você ama uma mulher que por acaso é prostituta, aí, tudo bem; mas, se você ama essa mulher POR ELA SER prostituta, atenção: nesse caso, seria sábio você se familiarizar com a fantasia que sustenta seu amor. Qual é, em geral, a fantasia em questão?
Todo mundo se lembra de "Uma Linda Mulher", filme adorável de Garry Marshall, em que o rico Edward (Richard Gere) se apaixona por Vivian (Julia Roberts), uma prostituta que ele "levantou" na rua. Será que a história de Marcos e Elize é "Uma Linda Mulher" sem o final feliz? De fato, sempre pensei que, depois dos sorrisos do fim do filme, Edward e Vivian acabariam mal -talvez não tão mal quanto Marcos e Elize, mas mal. Por quê?
Logo quando Edward decide trazer Vivian para o seu mundo, ele "acha graça" confessar a um amigo que aquela linda mulher que está com ele é uma prostituta de rua.
Prognóstico inelutável. Um dia, Edward não resistirá à fantasia que lhe fez escolher Vivian: ele a humilhará (e se humilhará), lembrando, eventualmente diante de amigos e parentes, que Vivian vem da sarjeta e que ele poderia jogá-la de volta para lá.
Na noite do dia 19, segundo a confissão de Elize, Marcos a ameaçou: "Vou te mandar de volta para o lixo de onde você veio". Ele também declarou que, se a mulher quisesse se separar, a filha ficaria com ele, pois será que um juiz daria a guarda da menina a uma prostituta? (Eu aposto que sim, mas sou otimista...).
Em regra, o desejo de um homem que se apaixona por prostitutas (e planeja "redimi-las") é sustentado por uma fantasia (inconsciente) de vingança -contra a mulher e contra ele mesmo, por ter se deixado seduzir. Explico.
A sexualidade de muitos homens é patologicamente neurótica: eles olham para o sexo pelo buraco da fechadura do quarto dos pais. Nessa ótica infantil, não se salva ninguém: é "puta" qualquer mulher que vai com os outros, ou seja, todas as mulheres são "putas", inclusive a mãe (surpreendentemente), porque ela vai com pai, padrasto e companhia -enquanto, para a gente, ela só tem carinho contido.
Para o homem de calça curta, ajoelhado diante da fechadura, a "puta" é um paradoxo: vergonhosamente acessível a todos, salvo a ele.
É nessa infantilidade que nascem a misoginia básica, o gosto da violência contra as prostitutas, a ideia de que todas as mulheres, se não são prostitutas, sonham com isso e uma preferência amorosa quase exclusiva por meretrizes.
Quando um desses homens ama uma prostituta e se casa com ela, seu ressentimento pode se calar em nome do amor, mas só por um tempo: ainda ele vai puni-la por ter sido e ser para sempre a "puta" que vai com os outros.

A solução é alugar o Brasil? - EUGÊNIO BUCCI


O ESTADÃO - 14/06


O compositor Raul Seixas morreu no dia 21 de agosto de 1989, aos 44 anos. Deixou canções que acabaram se tornando clássicas, pois hoje nos acostumamos a chamar de "clássicos" os produtos da indústria cultural, assim como se dizem "clássicos" aqueles jogos de futebol em que se enfrentam times famosos. Raul Seixas, de todo modo, não é mercadoria barata. Merece ser ouvido até hoje. Principalmente hoje. Seus refrões ressoam como fundo musical irônico da cena política nacional.

Um desses refrões a gente escuta em Aluga-se, em que ele propunha, como num discurso de candidato, sua bandeira mais que satírica: "A solução é alugar o Brasil". Naqueles tempos, o roqueiro baiano criticava o que se chamava de "entreguismo", dizendo que era hora de "dar lugar pros gringo entrar".

Agora o termo "entreguismo" saiu de moda. A conversa é outra. Nos dias atuais, a letra de Raul é evocada por uma prática que virou febre: o aluguel de horários em emissoras de televisão. Por brasileiros mesmo, ao menos por enquanto.

Antes de descortinarmos os mistérios da locação das ondas eletromagnéticas, porém, seria recomendável, para benefício da clareza, uma breve recapitulação das regras jurídicas desconexas que transformaram o setor numa mistura de rock baiano, carnaval, privilégio e macumba. Depois cuidaremos do aluguel do Brasil.

Como todos sabem (e quase todos fingem não saber), não há marco regulatório que discipline essa área no Brasil. O que existem são retalhos de leis engruvinhadas e decretos estrábicos, embaralhados num cipoal que, sem trocadilho, é a própria selva. Desde 1962 (data do Código Brasileiro de Telecomunicações), passando pelos rearranjos autoritários de 1967, até os improvisos e puxadinhos jurídicos que se amontoaram com o fim da ditadura, o espectro eletromagnético nacional é uma terra de ninguém. A Constituição de 1988 definiu as emissoras de rádio e de TV como serviço público que deveria estar a salvo de oligopólios e monopólios. Como nunca houve lei que regulamentasse as boas intenções constitucionais, até hoje a administração pública não tem uma medida numérica do que seja monopólio. Sem essa medida, não se consegue regular o setor. Além disso, a mistura de igrejas com emissoras é um festim pagão, sem regra nenhuma. Para complicar um pouco mais, autoridades públicas e parlamentares são acionistas ou donos ocultos de redes de rádio e televisão, nas quais eles mandam como coronéis eletrônicos.

Em resumo, o que ocorre no Brasil é incompatível com qualquer modelo democrático, seria considerado ilegal nos Estados Unidos, na Europa ou no Canadá. E aqui terminamos nossa breve recapitulação histórica - que só se faz necessária porque, embora todos a conheçam, quase todos fingem não saber. Sigamos adiante.

Há pouco mais de uma semana, o jornal Folha de S.Paulo, em reportagem de Julio Wiziack, noticiou que o governo federal prepara um decreto para tentar pôr ordem - um pouco, pelo menos - no caos. O ponto mais forte dos planos do Palácio estaria na limitação do aluguel de horários, de horas e horas seguidas, dentro da programação de várias emissoras e de várias redes de rádio e de televisão.

O leitor, que também é telespectador, sabe do que se trata. O mecanismo tem servido para pastores evangélicos comprarem faixas fixas da programação. De posse de seus horários, eles difundem suas religiões e angariam fiéis contribuintes. O negócio dá sinais de ser bem sustentável, e prospera. No mesmo filão estão essas telelojas de quinquilharias, que vendem panelas, tapetes, brincos, relógios e armários embutidos nos horários que também alugam na TV. Com grande sucesso.

Embora a plateia não proteste (quem nunca comprou pela TV um jogo de facas Ginsu ou uma cartela de meias Vivarina que atire a primeira pedra), é necessário que a prática seja interrompida, pois ela ofende o princípio legal (e ético) da concessão pública. É um atalho privado que subverte a concessão pública. Ao outorgar uma frequência de TV a uma empresa privada, credenciando-a a explorar comercialmente aquele canal (que é um bem público), o poder público a transforma em prestadora de serviço público. Para ser concessionária, a empresa deve atender a vários requisitos, que dão ao Estado a segurança de que ela saberá cumprir ao menos o que a Constituição da República Federativa do Brasil, em seu artigo 221, exige das estações de rádio e televisão, de dar "preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas".

Ora, se essa empresa, após ganhar a concessão, aluga o seu horário, ela abre mão de exercer o controle sobre aquela faixa da programação e delega esse controle a um terceiro que nunca passou por uma avaliação do Estado para prestar esse serviço público. De seu lado, aquele que obtém o horário mediante o pagamento de um aluguel está usurpando uma concessão pública que jamais obteve pelas vias legais normais. Claro que há justificativas jurídicas para essa locação - há justificativas jurídicas para tudo -, mas que ela agride o princípio da concessão pública, por favor, isso é mais do que evidente.

Por isso, enfim, é necessário que o aluguel de TV acabe ou, pelo menos, seja muito mais limitado do que é. Por isso, também, por alguns dias, o projeto do governo até soou como boa notícia. Mas aí veio o ministro Paulo Bernardo (Comunicações), como este jornal noticiou na semana passada, e declarou que acabar com o aluguel de horário não está na agenda. Que pena. Que banho de água fria.

No Brasil, o espaço público é representado, mediado e muitas vezes contido pelo que se passa dentro das programações das redes de TV. Se elas podem ser alugadas assim, sem mais nem menos, estamos alugando o Brasil. Sem tirar nem pôr. O ministro não é maluco beleza, mas não acha ruim. E Raul Seixas se diverte.

CPI! Caixa de Perguntas Imbecis! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 14/06


Eu sei por que o Agnelo critica a imprensa. Porque a imprensa publica tudo o que ele faz! Ô CPI chata

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E como disse uma amiga minha: "Namorado bom é o meu, deu três e já deixou a quarta começada!". Rarará!
E um cara escreveu no meu Twitter: "O Dia dos Namorados homenageou o casal mais velho do mundo: há 60 anos que o Corinthians namora a Libertadores".
E direto do país da piada pronta: "Homem é preso com picanha e lombo na cueca". Como é o nome dele? Paulo Carniça! Rarará! E temos que resgatar o uso original da cueca. Ontem foi dia de Santo Antônio casamenteiro. Viva a Gretchen! Rarará!
E a CPI? Comissão de Perguntas Imbecis! Coma a Pizza Inteira! Moral da CPI: de tanto nada perguntar, nada foi respondido!
E a manchete do Piauí Herald: "Perillo nega conhecer Cachoeira, Pelé, os Beatles e Jesus Cristo". E o mais grave: negou que pinta o cabelo! Rarará!
E o Agnelo? Eu faria a primeira pergunta: "Por que você se chama Agnelo, POR QUÊ?". E eu só sei que ele tá envolvido em treta com lixo. Sujo mesmo! É o famoso pintou sujeira.
E não precisa de Delta pra limpar o lixo de Brasília. Eu sei o que fazer com o lixo de Brasília. Junta todo o lixo, passa no McDonald's e deposita naquela caixinha OBRIGADO! Rarará! E eu sei por que o Agnelo critica a imprensa. Porque a imprensa publica tudo o que ele faz!
Ô CPI chata. Eu não quero saber quem roubou. Eu quero saber quem comeu quem! Em quem o depoente pensa quando tem uma ereção. Eu quero sexo, sangue e Doritos com Coca-Cola! Eu não quero que eles quebrem sigilo. Eu quero que eles quebrem a cara! Rarará!
E um leitor mandou um recado: "Pede pra esse povo da CPI quebrar o sigilo e o focinho da minha sogra de lambuja!". CPI do Fim do Mundo! Só dá fantasma. É cada susto! E o Collor com aquela respiração de Darth Vader? Aqueles olhos esbugalhados. Um ovo frito estalado de cada lado! É mole? É mole, mas sobe!
Predestinados! Mais três para a minha série Os Predestinados. Coordenador do comitê antibullying nas escolas do Rio Grande do Sul: Augusto PEDRA!
E esse aqui, suspeito de roubo no Banco do Nordeste: ROBÉRIO Vale. Rarará! E a gerente nacional da Kopenhagen: Lu CARAMELO! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

SAMBA NO PÉ - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 14/06

Casal na vida real, os atores Sophie Charlotte e Malvino Salvador protagonizam o episódio de hoje da série "As Brasileiras", na Globo. Em "A Sambista da BR-116", Charlotte interpreta Esplendor, jovem ingênua que conhece o malandro carioca Sivaldo (Salvador). Ele tenta convencer a moça a roubar o cofre da igreja da tia dela e comprar uma fantasia de passista de escola de samba.

CLUBE BEM AMADO
A CBF nos braços do tricolor: depois de anos sendo escanteado pelo ex-presidente da entidade Ricardo Teixeira, o São Paulo abrigará a seleção brasileira em suas instalações. Com jogo contra o Chile já confirmado para setembro no Morumbi, os craques vão se preparar no Centro de Treinamento de Cotia, menina dos olhos de Juvenal Juvêncio, presidente do clube.

DOIS IRMÃOS
O presidente da entidade, o são-paulino José Maria Marin, confirma a informação. E diz que levará com ele o corintiano Andres Sanchez, arquirrival dos são-paulinos e hoje diretor de seleções da CBF. "Ele vai comigo em Cotia, já está confirmado. Temos que fazer essa reaproximação. Pelo bem do futebol paulista e brasileiro."

ONZE POR UM
Apesar da derrota da seleção por 4 a 3 contra a Argentina, na semana passada, Marin diz estar satisfeito com o time de Mano Menezes. "Ele conseguiu formar um grande grupo, comprometido. Houve uma renovação de mentalidade." O cartola acha que o time brasileiro era melhor. "Na verdade, perdemos para um jogador, o Messi", afirma.

É O AMOR
E o canteiro de obras do Itaquerão vai servir de altar para 62 operários. O casamento coletivo será realizado no domingo, com cerimônia civil e religiosa (por um padre e um pastor). A construtora Odebrecht financia alianças e comes e bebes.

VIDA NORMAL
Geraldo Alckmin passou o Dia dos Namorados, ontem, em casa. Nada a ver com o medo de arrastões em restaurantes: na verdade, a primeira-dama, Lu Alckmin, estava no interior. "Ao contrário", respondeu o governador sobre o comportamento de alguns paulistanos que estão evitando jantar fora de casa. "A população na rua, saindo, frequentando, é o que melhora a segurança."

BOCA FECHADA
Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) usará em sua defesa no Senado a eventual anulação das gravações telefônicas no escândalo Carlinhos Cachoeira. O advogado Antônio Carlos Almeida Castro (Kakay) alegará que é "um risco" ele ser cassado com base em provas ilegais. A decisão pode repercutir ainda na CPI, que usa grampos em suas inquirições.

SEGUE
O julgamento sobre a validade dos grampos como prova deve ser retomado na próxima semana no TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região. Falta só um voto para que eles sejam anulados.

CARTAZ
O rapper Marcelo D2 está incomodado com a divulgação do festival Back2Black, realizado em Londres em julho. Seu nome aparece bem pequeno em peças publicitárias. Já o de Criolo está impresso em letras garrafais.

BATUTA
Já foram vendidos 2.500 ingressos em dez dias para o concerto que a Osesp fará no Royal Albert Hall, em Londres, no dia 15 de agosto.

A apresentação contará com a regente da orquestra, Marin Alsop, e o pianista Nelson Freire. O Festival BBC Proms disponibilizou 1.400 entradas extras.

SOMOS TÃO JOVENS
A Ancine (Agência Nacional do Cinema) autorizou a produtora do diretor Daniel Filho, Lereby, a captar R$ 8,8 milhões por meio de leis de incentivo para fazer o longa-metragem "Confissões de Adolescente".

A obra deverá trazer Deborah Secco e outras atrizes da série homônima de 1990.

TÔ NA MODA
A estilista Paula Raia apresentou sua coleção de verão no Itaim, anteontem, segundo dia da São Paulo Fashion Week. Cecilia Dean, editora da revista americana "Visionaire", esteve lá. Na Bienal, a apresentadora Adriane Galisteu e o filho Vittorio assistiram ao desfile do sogro dela, Valdemar Iódice. A cantora Gaby Amarantos também foi ao evento de moda.

DUPLA JORNADA
Daniela Cembranelli foi reconduzida ao cargo de defensora pública-geral do Estado, em cerimônia realizada anteontem na Câmara Municipal de SP. Com o marido, o promotor Francisco Cembranelli, e os filhos Rafael e Guilherme, ela foi prestigiada pelo governador de SP, Geraldo Alckmin.

CURTO-CIRCUITO

As bandas Mundo Livre S/A e Mombojó se apresentam hoje no Cine Joia, às 21h. Classificação: 18 anos.

Paulo Iasz de Morais, Carlos Sanseverino e Victor Hugo oferecem coquetel ao presidente da OAB-SP, Marcos da Costa. Às 20h30, no restaurante Trindade.

O Graacc (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer) promove hoje jantar beneficente no clube A Hebraica, às 20h.

Tunai e Wagner Tiso estreiam hoje série de shows em homenagem à cantora Elis Regina. Às 22h, no Tom Jazz. 14 anos.

com ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER, LÍGIA MESQUITA e OLÍVIA FLORÊNCIA

Confaz pode realizar a reforma do ICMS - RIBAMAR OLIVEIRA


Valor Econômico - 14/06


Pressionados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) - que ameaça derrubar todos os incentivos fiscais concedidos sem prévia aprovação do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), por meio de uma súmula vinculante - os secretários estaduais de Fazenda estão discutindo uma saída para o problema. A proposta que está na mesa de negociação poderá, se aprovada, resultar na reforma do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que o governo federal e o Congresso Nacional vem tentando realizar desde 1995.

A proposta envolve a adoção de quatro passos, segundo informou o secretário de Fazenda de São Paulo, Andrea Calabi. Em primeiro lugar, haveria o cancelamento de todos os convênios que concederam incentivos fiscais, considerados inconstitucionais pelo STF. O passo seguinte seria aprovar um convênio de remissão de todas as dívidas tributárias relativas aos contratos de incentivos fiscais ilegais. A remissão é a palavra técnica para o cancelamento.

Isto é necessário porque, com a decisão do Supremo Tribunal de considerar inconstitucionais os benefícios fiscais concedidos pelos Estados, todo o ICMS devido no passado e que não foi cobrado, torna-se devido. Há, portanto, um enorme débito de ICMS do passado com a decisão do STF, que certamente será objeto de ações na Justiça de ressarcimento movidas pelo Ministério Público. O Confaz tem o poder, no entanto, de fazer a remissão desses débitos. "Há convergência entre todos os secretários de que tem que fazer o cancelamento desses débitos", informou Calabi.

Conselho discute proposta que prevê quatro passos

O terceiro passo seria a aprovação de novos convênios de incentivos fiscais, iguais aos convênios cancelados, com prazos a serem combinados no âmbito do Confaz. O quarto e último passo seria definir uma trajetória de redução das alíquotas interestaduais do ICMS, com o objetivo de que a apropriação desse tributo seja feita, majoritariamente, no destino das mercadorias.

Ao mesmo tempo, a União criaria dois fundos: um para ressarcimento das perdas que os Estados teriam com a transição do ICMS para o destino e outro para assegurar recursos para uma política de desenvolvimento regional. A criação desses dois fundos já foi assegurada, durante reunião do Confaz, pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa.

Calabi admitiu que ainda não foi encontrado um consenso sobre vários aspectos da proposta. Os secretários, principalmente do Norte, Nordeste e Centro-Oeste querem suspender as dívidas do passado, mas manter para o futuro os contratos feitos. Ou seja, esses Estados querem convalidar todos os incentivos concedidos até agora e mantê-los inalterados para o futuro. Essa convalidação implicaria em prejuízo para São Paulo em torno de R$ 25 bilhões, segundo estimativa feita por Calabi. Isto porque as empresas apresentaram créditos relativos ao ICMS no valor de R$ 16 bilhões contra o governo paulista. Desse total, R$ 9,6 bilhões foram glosados. Se houvesse uma convalidação ampla, geral e irrestrita, São Paulo deixaria de obter os R$ 9,6 bilhões glosados e ainda teria que arcar com os créditos de R$ 16 bilhões apresentados pelas empresas.

Por isso, São Paulo e outros Estados querem que os contratos de incentivos fiscais para o futuro passem por uma negociação dentro do Confaz. Há uma grande convergência em fazer o cancelamento de dívidas para casos de incentivos industriais, agropecuários e agroindustriais que criaram valor regional. Mas uma menor disposição de convalidar créditos derivados de diferenciais de alíquotas de centros de distribuição.

Para que se chegue a um entendimento, Calabi acha que é necessário ter disposição de negociar. Segundo ele, o governo paulista está aberto à negociação e tem grande disposição de abrir mão de posições em benefício de incentivos de outros Estados. "O governador Geraldo Alckmin considera que o crescimento estável de São Paulo depende de uma redução dos desequilíbrios de renda entre os Estados", afirmou.

Há divergências ainda sobre as alíquotas interestaduais que ficarão e o prazo para essa transição. Atualmente, há duas alíquotas: uma de 7%, quando as mercadorias saem de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e dos Estados do Sul para o restante do país; e outra, geral, de 12%. Os Estados do Sul e do Sudeste defendem que, no prazo de quatro anos, exista apenas uma alíquota interestadual de 4%.

Os secretários de Fazenda dos Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste defendem a manutenção de duas alíquotas interestaduais de ICMS, que seriam reduzidas para 7% e 2%. Esta última seria aplicada às mercadorias que tivessem origem na região Sul, em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Eles querem também que o prazo de transição para a nova situação seja de sete anos.

Essa proposta mostra que os governadores dessas regiões ainda querem manter a possibilidade de concessão de incentivos fiscais com base no ICMS, em parte porque acreditam que essa é a única forma de atrair empresas para os seus Estados. Parecem também desconfiar que a promessa do governo de criar uma política de desenvolvimento regional não apresente resultados práticos.

O STF decidiu várias vezes que os benefícios fiscais concedidos pelos Estados sem prévia aprovação do Confaz são inconstitucionais. Mesmo assim, eles continuaram sendo concedidos. Para evitar que isso continue se repetindo, os ministros do STF decidiram aprovar uma súmula vinculante, com base na qual qualquer ação contra esses incentivos possa ser julgada monocraticamente por um único ministro do STF. Assim, os incentivos ilegais poderão ser derrubados imediatamente.

Para contornar essa situação, alguns senadores tentam aprovar um projeto de lei complementar acabando com a exigência de unanimidade nas decisões do Confaz sobre a concessão de incentivos fiscais. Esse movimento, no entanto, perdeu força na semana passada quando o governo manifestou-se contrário à iniciativa, considerando-a perigosa. O receio é que o fim da unanimidade no Confaz legalize a guerra fiscal e ameace a própria federação.

Os governadores têm, portanto, o desafio de resolver o problema, no âmbito do Confaz, sob pena dessa atribuição ser transferida ao STF, cuja súmula vinculante deverá ser editada até o fim deste ano.

Ô ALZHEIMERZINHA FILHA DA PUTA!


Crescimento além do discurso - JOSÉ SERRA


O ESTADÃO - 14/06


Duas das principais molas que impulsionaram a economia brasileira nos últimos anos têm perdido sua elasticidade: a demanda internacional por matérias-primas agrominerais e o crédito ao consumo. A primeira sofre os efeitos da contração do crescimento mundial, que se prolongará por alguns anos. Não necessariamente haverá um colapso dos preços das commodities brasileiras, mas as receitas de exportações e os investimentos nessa área perderão velocidade. Quanto ao crédito ao consumo, basta mencionar que 90% das famílias brasileiras revelaram não ter disposição para endividamento adicional. Elas gastam, atualmente, 30% de sua renda em juros e amortizações da dívida já assumida, proporção superior à das famílias norte-americanas. Assim, as tentativas de estímulo ao consumo via crédito não terão impacto forte nem duradouro.

Nesse contexto, não é de estranhar que a economia esteja se retraindo. De novo, nenhum colapso, mas um declínio da taxa de crescimento a cerca de metade do nível obtido no governo passado. De fato, é o modelo - chamemos assim - lulista de crescimento que perdeu o vigor.

Quais foram as principais peças desse modelo? Em resumo:

crescimento médio razoável, puxado pelo consumo, com baixos investimentos, aumento rápido das importações e preço ascendente das commodities exportadas;

diminuição da taxa de desemprego em razão do crescimento das ocupações menos qualificadas. Entre 2009 e 2011, o aumento dos empregos com carteira assinada foi de 5,9 milhões na faixa de até dois salários mínimos; acima dessa faixa, a queda foi de 1,2 milhão;

juros elevadíssimos, de um lado, exigindo despesas fiscais em torno de 6% do produto interno bruto (PIB) e, do outro, atração abundante de aplicações financeiras do exterior;

forte sobrevalorização cambial, tornando as importações mais baratas e as nossas exportações menos competitivas, o que acelerou a desindustrialização do País;

reduzida taxa de investimento público - das menores do mundo -, com reflexos nas deficiências da infraestrutura;

ampliação das distorções tributárias, que, ao lado dos altos encargos financeiros, das carências na infraestrutura e da sobrevalorização cambial, elevaram o custo Brasil às nuvens;

e sistemática substituição das ações para melhorar a eficiência das redes de saúde e educação pela contínua criação de ações midiáticas.

Em face disso tudo, não espanta o reduzido crescimento da produtividade da nossa economia: 1,2% nas últimas duas décadas, equivalente a dois terços da taxa da economia norte-americana.

Esse modelo não é mais sustentável - e não por causa de alguma conspiração da imprensa, mas em razão dos fatos, da lógica econômica e de dois círculos viciosos à frente: desaceleração das receitas fiscais por causa da retração da atividade econômica e queda do emprego caso os empresários desconfiem de que a retomada do dinamismo da economia pode demorar.

O Banco Central acertou quando adotou a trajetória de redução da taxa Selic, evitando o erro espetacular do governo Lula na crise de 2008-2009. Mas essa mudança está longe de ser suficiente. Há obstáculos que precisariam ser removidos com urgência nas áreas de investimentos e de tributação. É preciso, por exemplo, desonerar os investimentos privados de forma radical, acelerar a depreciação de equipamentos e corrigir os abusos nos setores de insumos básicos, como é o caso do gás e da energia elétrica, em que, de cada R$ 1 gasto, R$ 0,52 vai para tributos e recolhimentos.

Já a área de saneamento básico paga mais de R$ 2 bilhões anuais de PIS-Cofins, que poderiam estar sendo investidos de forma rápida pelas empresas estaduais e municipais. Isso reduziria o superávit primário? Ora, hoje essas empresas têm de recorrer ao financiamento do FGTS e da Caixa Econômica Federal - além de demorado, também é considerado vetor de déficit público.

E aqui tratamos da outra peça do modelo esgotado: o baixo investimento governamental, cuja taxa tem até declinado no governo Dilma. A retomada desses investimentos beneficiaria a atividade econômica no curto prazo e, no médio e no longo prazos, reduziria o custo Brasil. Para isso - embora dolorosas para o partido do governo e a coalizão do poder prevalecente -, são essenciais mudanças no aparato governamental com a introdução de técnicas de planejamento, hoje ausentes, e melhora de sua capacidade executiva, hoje tão baixa.

Além disso, há possibilidades imensas nas parcerias com o setor privado na área, por exemplo, de hidrovias e de estradas. Bastaria que o governo federal substituísse o seu modelo inepto de concessões pelo modelo paulista.

Quanto ao saneamento, além da eliminação do PIS-Cofins, é preciso que o endividamento junto ao FGTS não seja mais entendido como dívida bancária do setor público. O governo federal promoveu a retirada da Petrobrás e da Eletrobrás da contabilização do resultado primário. Há como dizer que Sabesp, Copasa e Sanepar, por exemplo, tenham gestão pior do que a daquelas empresas?

Volto a um tópico que há muito tenho abordado: Rio de Janeiro, São Paulo e outras grandes cidades têm uma demanda infinita por metrô e trens urbanos. O governo federal nunca entrou de verdade nesse setor, e os Estados e municípios não têm condições fiscais de dar conta das obras necessárias. Isso tem de mudar, e a possibilidade é dada, paradoxalmente, por um erro monumental: o trem-bala São Paulo-Rio - uma verdadeira alucinação, que custará pelos menos R$ 65 bilhões. Esse projeto deveria ser suspenso e substituído por um programa federal que mobilizaria aquele montante para investimentos massivos nos trilhos urbanos.

Não confiem nos barbudos - GILLES LAPOUGE


O ESTADÃO - 14/06


Há pouco mais de um ano ocorria a Primavera Árabe, graças à qual a população derrubou três figuras sinistras: Mubarak (Egito), Kadafi (Líbia) e Ben Ali (Tunísia). Esses levantes espontâneos, essas revoluções, a passagem da Idade Média para a Modernidade, a ascensão gloriosa dessa juventude encantaram os democratas. Algumas vozes mais experientes advertiam: "Excelente a derrubada dos déspotas. Mas, depois deles, não confiem nos barbudos (os islâmicos) e temam o caos".

E é no caos que a Líbia vive desde então. O Conselho Nacional de Segurança mostra-se incapaz de desarmar as milícias formadas no ano passado durante a luta contra Kadafi, e agora pululam, algumas delas submetidas a grupos islamistas, outras em defesa dos interesses dessa ou daquela tribo.

Na Tunísia, que ontem condenou à revelia Ben Ali a 20 anos de prisão, os islamistas estariam por trás da onda de revoltas que sacode as grandes cidades, saqueando ou incendiando instalações do governo. Minutos depois de Ayman al-Zawahiri, o sucessor de Osama bin Laden, lançar um apelo na internet, era divulgada outra mensagem. Era Abu Ayoub, que conclamava os tunisianos a um "levante popular". Abu Ayoub é uma figura notória. Trata-se do chefão da ala salafista tunisiana, e os salafistas não estão para brincadeiras! Os dois apelos são inquietantes, principalmente porque o próprio chefe do governo tunisiano é islamista. Isso significa que o partido islamista Ennahda, que detém o poder, é considerado pelos verdadeiros islamistas indeciso, pró-ocidental e talvez mesmo traidor.

A prova disso é que as autoridades permitem que teatros apresentem obras ímpias. Pior ainda, elas toleraram que uma galeria de arte de Túnis promovesse no Palácio Abdellia (no bairro chique da capital) uma exposição sacrílega. Os quadros atacavam os barbudos e as mulheres de niqab (o véu negro). Uma tela provocou particular indignação: uma mulher nua, cercada de homens vestidos de preto e de barba, que em lugar do sexo exibia um prato de cuscuz.

O governo recuou e ordenou o fechamento do palácio. Ao mesmo tempo, reforçou seu dispositivo contra outros eventuais problemas provocados pelos salafistas ou pela Al-Qaeda.

A Tunísia é um país cuja economia depende em grande parte do turismo (e com razão, porque suas paisagens são magníficas). A temporada de turismo está começando, mas a efervescência salafista e policial poderá afetá-la dramaticamente. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

O império acidental - GEORGE SOROS


Valor Econômico - 14/06


Está claro, agora, que a principal causa da crise do euro está no fato de os Estados membros terem delegado seu direito de imprimir dinheiro ao Banco Central Europeu (BCE). Tanto eles quanto as autoridades europeias não entenderam exatamente o que essa renúncia implicava.

Quando o euro foi adotado, as autoridades regulamentadoras permitiram que os bancos comprassem quantidades ilimitadas de títulos do governo, sem provisionar nenhuma reserva de capital próprio, e o BCE descontava todos os títulos de governos da zona do euro em igualdade de condições. Os bancos comerciais perceberam ser vantajoso acumular títulos dos países mais fracos para faturar alguns pontos base a mais, o que resultou uma convergência das taxas de juro em toda a zona do euro. A Alemanha, enfrentando o ônus da reunificação, empreendeu reformas estruturais e tornou-se mais competitiva. Outros países desfrutaram crescimento habitacional e de consumo em cima de crédito barato, o que os tornou menos competitivos.

Então veio o colapso de 2008. Os governos tiveram de socorrer seus bancos. Alguns deles viram-se na posição de um país em desenvolvimento altamente endividado numa moeda que não controlava. Refletindo a divergência de desempenho econômico, a Europa dividiu-se em países credores e devedores.

Salvo um acidente como o da falência do Lehman Brothers, a Alemanha fará o suficiente para manter a integridade do euro, mas a UE se transformará em algo muito diferente da sociedade aberta que entusiasmou a imaginação das pessoas.

Quando os mercados financeiros descobriram que títulos governamentais supostamente sem risco poderiam não ser honrados, elevaram os prêmios de risco. Isso deixou potencialmente insolventes os bancos comerciais, cujos balanços estavam carregados desses títulos, dando origem à crise gêmea de dívida soberana e bancária europeias.

A zona do euro está agora repetindo a maneira como o sistema financeiro mundial lidou com essas crises em 1982 e em 1997. Nos dois casos, as autoridades internacionais infligiram dificuldades à periferia para proteger o centro; agora, a Alemanha está, inadvertidamente, desempenhando o mesmo papel.

Os detalhes são distintos, mas a ideia é a mesma: os credores estão colocando todo o ônus do ajuste nos ombros dos devedores, enquanto o "centro" evita a sua própria responsabilidade na criação dos desequilíbrios. Curiosamente, os termos "centro" e "periferia" passaram a ser usados quase despercebidamente. Na crise do euro, porém, a responsabilidade do centro é ainda maior do que foi em 1982 ou em 1997: o centro concebeu um sistema monetário imperfeito e não conseguiu corrigir os defeitos. Na década de 1980, a América Latina sofreu uma década perdida, um destino semelhante aguarda agora a Europa.

No início da crise, uma ruptura do euro era inconcebível: os ativos e passivos denominados em uma moeda comum estavam tão interligados que um rompimento teria levado a um colapso incontrolável. Mas, como a evolução da crise, o sistema financeiro tornou-se cada vez mais reordenado segundo as fronteiras nacionais. Essa tendência ganhou impulso nos últimos meses. A operação de refinanciamento de longo prazo promovida pelo Banco Central Europeu permitiu que os bancos espanhóis e italianos comprassem títulos de seus próprios países e faturassem um grande spread. Simultaneamente, os bancos deram preferência a desfazer-se de ativos externos a suas fronteiras nacionais e os gestores de risco tentaram casar ativos e passivos em seu mercado doméstico, em vez de operar na zona do euro como um todo.

Se isso continuasse por alguns anos, uma desagregação do euro seria possível sem um colapso, mas deixaria os países credores com grandes créditos contra países devedores que seriam difíceis de cobrar. Além das transferências e garantias intergovernamentais, os créditos do Bundesbank contra os bancos centrais dos países periféricos no sistema de compensação Target2 totalizaram €644 bilhões (US$ 804 bilhões) em 30 de abril, e o montante está crescendo exponencialmente, devido à fuga de capitais.

Assim, a crise continua crescendo. As tensões nos mercados financeiros atingiram novos máximos. O fato mais revelador é que o Reino Unido, que manteve o controle de sua moeda, paga os mais baixos juros em sua história, enquanto o prêmio de risco sobre títulos espanhóis bateu um novo recorde.

A economia real da zona do euro está em declínio, enquanto a da Alemanha está em grande crescimento. Isso significa que a divergência está se ampliando. As dinâmicas políticas e sociais também estão trabalhando no sentido de uma desintegração. A opinião pública, expressa em resultados eleitorais recentes, está cada vez mais oposta à austeridade, e essa tendência deverá continuar até que a política seja invertida. Alguém vai ter de ceder.

Minhas análises sugerem que as autoridades têm uma janela de três meses durante a qual ainda poderiam corrigir seus erros e inverter as atuais tendências.

A zona do euro necessita uma união bancária: um esquema pan-europeu de seguro sobre depósito para conter fugas de capital, uma fonte europeia para financiar a recapitalização dos bancos, e regulamentação e supervisão em nível de toda a zona do euro. Os países altamente endividados necessitam alívio em seus custos de financiamento. Existem várias maneiras para proporcioná-lo, mas todas necessitam ativo apoio da Alemanha.

Aí reside o obstáculo por ora intransponível. As autoridades alemãs estão trabalhando febrilmente para chegar a um conjunto de propostas a tempo da cúpula da União Europeia no fim de junho, mas todos os sinais sugerem que os alemães oferecerão apenas o mínimo com que as diversas partes podem acordar - o que implica, mais uma vez, um alívio apenas temporário.

Mas estamos em um ponto de inflexão. A crise grega poderá chegar a um clímax em torno de setembro, mesmo que a eleição produza um governo disposto a cumprir os atuais contratos da Grécia com seus credores.

Salvo um acidente como o da falência do Lehman Brothers, a Alemanha provavelmente fará o suficiente para manter a integridade do euro, mas a UE se transformará em algo muito diferente da sociedade aberta que entusiasmou a imaginação das pessoas. A divisão entre países devedores e credores se tornará permanente, a Alemanha passará a predominar e a periferia se tornará um interior deprimido.

Inevitavelmente, isso levantará suspeitas sobre o papel da Alemanha na Europa - mas qualquer comparação com o passado alemão é bastante inadequado.

É evidente o que é necessário: uma autoridade fiscal europeia capaz e disposta a reduzir o ônus da dívida da periferia, assim como uma união bancária. O alívio da dívida poderia assumir várias formas distintas de eurobônus, e seriam condicionadas ao respeito, pelos devedores, do pacto fiscal. Cancelar - no todo ou em parte - o alívio em caso de descumprimento do pactuado seria uma poderosa proteção contra o risco moral. Cabe à Alemanha cumprir as responsabilidades de liderança que lhes foram impostas por seu próprio sucesso. (Tradução de Sergio Blum).

Os objetivos - MIRIAM LEITÃO


O GLOBO - 14/06

Até agora, o que há de mais concreto no documento que vai sair da Rio+20 é que os países vão se comprometer em ter "objetivos de desenvolvimento sustentável". Mas os objetivos propriamente ditos não serão assumidos. Fazer uma reunião deste tamanho só para dizer que os países terão metas parece muito pouco. O embaixador Luiz Alberto Figueiredo explicou que a Rio 92 era o fim de uma negociação, a Rio+20 é a abertura de negociação.

Todo evento como este começa muito antes de começar. Ontem foi o primeiro dia da última reunião do comitê preparatório. Esse comitê se reuniu várias vezes para chegar ao dia de ontem com o texto quase pronto. Está longe disso. O texto está com apenas um quarto dele fechado. O resto estará sendo discutido nos próximos dias para que o rascunho chegue aos chefes de Estado com alguma concretude.

Do que já está fechado, o mais concreto, me disse ontem o embaixador Luiz Alberto Figueiredo, é que o mundo aceitará ter objetivos. Isso significa que os chefes de Estado assinarão o compromisso de ter metas em várias áreas deste vasto tema que é o "desenvolvimento sustentável". Mas não se sabe nem que áreas serão estas:

- Tudo será refinado nas próximas reuniões.

Todo mundo que acompanhou o primeiro dia da Rio+20 no Riocentro acha isso pouco demais. É por isso que ele explicou que a Rio 92 fechou um processo, a Rio+20 vai abrir uma nova etapa. Quer dizer que na reunião de 20 anos atrás houve um longo processo de negociação anterior que permitiu o resultado histórico de duas grandes convenções assinadas - a da biodiversidade e a da mudança climática.

Nesta, agora, tudo chega muito verde; sem trocadilhos. O mundo passará a negociar esses "objetivos de desenvolvimento sustentável"? Sim. É o que está, até agora, garantido no documento. Como na ONU tudo acaba em sigla, eles viraram ODS. E os ODS são o grande trunfo na mão.

Nas conferências climáticas que ocorrem anualmente negociam-se medidas e metas para dois tipos de atitude diante do problema: mitigação e adaptação. O primeiro grupo de ações é para reduzir as emissões dos gases de efeito estufa; o segundo grupo é para se adaptar às mudanças que já são inevitáveis. Parecem medidas antagônicas, mas são complementares. Parte do estrago já está feito mesmo. Haverá desertificação de áreas, elevação do oceano, aquecimento da temperatura, eventos climáticos extremos. Melhor se adaptar. Mas o pior pode ser evitado e por isso é preciso limitar o aumento das emissões, ou seja, mitigar.

O chinês Sha Zukang, secretário-geral da Rio+20, explicou que, apesar de serem aparentemente diferentes dessas duas trilhas, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) levarão ao mesmo resultado: adaptação e mitigação. E alertou: "Não se deve subestimar a Rio+20." Ao abrir a negociação do grupo preparatório, o presidente dessa negociação, o embaixador Kim Sook, da Coreia do Sul, avisou: "O mundo está nos olhando. Precisamos entregar algo concreto."

Serão dias difíceis. Durante meses foram feitas várias reuniões desse grupo preparatório. Agora é a última chance: ou eles entregarão um monstrengo cheio de falhas, brancos, colchetes para quem toma decisão ou chegarão com algum consenso que possa ser apresentado como vitória.

O tempo corre contra. Eles se reúnem a portas fechadas. A imprensa já está chegando de vários países do mundo, como se pode notar pelos idiomas falados nas salas de imprensa do Riocentro. Outras aflições e emergências, como a crise europeia, estão assombrando o mundo, mas esta é uma reunião que não será ignorada.

A chanceler Angela Merkel não vem. Está ocupadíssima, como se sabe, tentando segurar uma moeda que corre o risco de implosão. O presidente Barack Obama não vem. Erro de cálculo dele. Quem acha que mudança climática não é problema, ou por não acreditar nela ou por não levar os riscos a sério, é eleitor do adversário de Obama. Os militantes de causas ambientais mais apaixonados votaram nele há quatro anos, ficaram decepcionados com sua atuação em Copenhague e gostariam que ele viesse ao Rio. Ele está mandando uma delegação importante, liderada pela secretária de Estado, Hillary Clinton, o chefe das negociações climáticas, Todd Stern, e a chefe da EPA, a Agência de Proteção Ambiental. Além do marido de Hillary, o Bill. Mas não, Obama não podia ignorar o clamor, porque esse desdém é contraditório com o discurso que fez na primeira campanha.

Esta é a mais vasta reunião da ONU sobre o tema. Cinquenta mil pessoas participarão de eventos só no Rio. Há eventos em outras cidades. O Brasil inventou uma novidade. Convocou representantes da sociedade civil para dentro da programação oficial. Em dez temas haverá dez representantes de entidades do mundo inteiro. O processo de escolha de quem participaria desses "diálogos" foi feito de tal forma que houvesse diversidade. "Não queríamos que houvesse apenas louros dos olhos azuis", me disse um diplomata brasileiro. Duas mil pessoas se inscreveram, pelas redes sociais, para assistir aos debates que apresentarão recomendações aos chefes de Estado. Não é nada, não é nada, democracia se faz assim.

É melhor a Alemanha sair do euro? - RED JAHNCK


O ESTADÃO - 14/06

Saída da maior economia europeia desvalorizaria a moeda e beneficiaria os países em crise

O debate sobre os prós e contras da saída da Grécia da zona do euro não faz referência a um ponto: a saída da Alemanha seria melhor para todos os interessados. Se os líderes europeus não recorrerem a alguma ação radical, como a adoção e execução de algumas das alternativas de reforma por eles levantadas, a união monetária estará fadada à desintegração.

Os problemas da Grécia, Irlanda e Portugal estenderam se à Espanha, a quarta maior economia da zona do euro. A Itália provavelmente será a próxima. Os outros membros da união monetária não têm condições de ajudar a todos. Novos empréstimos servirão apenas para exacerbar o problema fundamental do endividamento excessivo e aumentará a crescente inimizade entre o grupo forte do norte e os vizinhos do sul. Sem uma vigorosa expansão econômica - com a Europa novamente às voltas com a recessão-, vários países terão de reestruturar sua dívida. A terrível experiência da Grécia com a reestruturação nos dois últimos anos sugere que seria extraordinariamente difícil fazer algo mais, quando não impossível.

A saída da Grécia da união monetária agravaria ainda mais a situação. Não existe um mecanismo para decidir, ou para agir, qualquer que seja a próxima nação, e isso pressupõe que as saídas deveriam ser administradas. A perspectiva mais assustadora é que outros países em dificuldade poderiam sair tomados de um pânico incontrolável, com uma corrida aos bancos, falências e desordem geral. O repúdio de centenas de bilhões de eurosem dívidas poderia enfraquecer o sistema financeiro europeu e até mesmo o alemão. A economia global ficaria paralisada e todos indagariam qual seria a próxima peça do dominó a cair.

Quando então ocorreria a saída da Alemanha? Com a integração e múltiplas reestruturações tão improváveis e a inquietante saída de membros mais fracos, essa seria realmente a melhor de todas as opções disponíveis.

Uma nação poderosa recorreria individualmente à melhor opção saindo de maneira relativamente rápida, concluída antes que o pânico se instalasse. Não haveria nenhuma preocupação quanto a quem sairia e quem não. Sem a locomotiva exportadora alemã, o euro sofreria uma profunda desvalorização, mas não se tornaria uma moeda totalmente destituída de valor, como, por exemplo, a dracma grega, se voltasse a ser emitida.

Com o euro desvalorizado, a saída da Grécia e a desvalorização não teriam sentido, até certo ponto. Portanto,não haveria nenhum contágio nem corridas aos bancos. Com as novas taxas cambiais tornando os paraísos financeiros não europeus dispendiosos de maneira proibitiva, e sem a ameaça de conversão forçada em moedas nacionais desvalorizadas, os poupadores do sul da Europa não precisariam correr aos bancos.

A saída da Alemanha proporcionaria benefícios imediatos a todas as outras nações da zona do euro. A desvalorização da moeda melhoraria sua competitividade comercial - exatamente o que muitos observadores preconizaram para as nações mais fracas do sul. O balanço de pagamentos da zona do euro melhoraria, proporcionando os recursos tão necessários ao serviço da dívida. Os benefícios cresceriam para a zona do euro como um todo, em contraposição à saída em massa, na qual as nações fracas acabariam esmagadas, pois cada saída aumentaria a pressão sobre o próximo candidato.

Talvez nações relativamente fortes da zona do euro, como a Holanda, pensariam um pouco antes de seguir o exemplo da Alemanha. Afinal, se decidissem sair, perderiam as vantagens comerciais proporcionadas pela moeda que acabaria de se desvalorizar, e teriam de arcar com os custos e as complicações da reintrodução da própria moeda.

Evidentemente, o euro mais barato seria pior para os investidores estrangeiros que detêm ativos em euro. Por outro lado, as perdas seriam simultâneas em termos de timing, se espalhariam igualmente a todos os credores e seriam mais moderadas nos países do sul da Europa do que na hipótese da saída do euro.

Evidentemente, há problemas que não são relativos apenas à moeda, como a crise imobiliária da Espanha e seu impacto nos bancos. Aqui a moeda desvalorizada poderia trazer novos investimentos estrangeiros.

Não obstante, os governos poderiam ter de salvar alguns bancos europeus que lutam com ativos podres ou que de alguma forma seriam prejudicados pela desvalorização do euro. A ajuda se imporia à Grécia e a outros países. A Alemanha ainda teria razões para contribuir: sua saída do euro não reduziria seu interesse vital na sobrevivência e sucesso da economia europeia.

Embora as pesquisas sugiram que a maioria dos alemães ficaria feliz de ter sua antiga moeda de volta, a Alemanha não sairia ilesa. Suas exportações cairiam porque a nova taxa de câmbio tornaria os produtos alemães muito mais caros no exterior. O país seria energicamente recriminado por violar a ortodoxia da política europeia de integração no período pós-guerra.

Entretanto, essa decisão ousada poderia evitar o desastre hoje, e não assinalaria necessariamente o fim do projeto europeu. Segundo a famosa frase, os revolucionários "fugiram para voltar à luta num outro dia", e acabaram ganhando. A Constituição americana teve um brilhante sucesso depois que a primeira tentativa de união, os Artigos da Confederação, fracassou.

Na realidade, a saída da Alemanha poderia preparar o terreno para uma vigorosa reunião no futuro. A aprendida a lição e depois de tomar consciência da realidade econômica, na segunda vez, as nações da zona do euro poderiam obter uma melhor integração./ TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA 

A revanche - LUIZ FERNANDO VERISSIMO


O ESTADÃO - 14/06



PARIS - No período entre as duas grandes guerras era comum jovens aristocratas ingleses participarem da repressão a movimentos populares e greves. Era uma forma de entretenimento, naquela época e naquele mundo tão bem descritos nos romances de Evelyn Waugh e outros: a luta de classes transformada em esporte para os rapazes queimarem calorias e ajudarem a manter a ordem. Não surpreende que boa parte da aristocracia da ilha simpatizasse com o nazismo - inclusive, suspeitava-se, o próprio rei -, quando seu principal atrativo era o de conter a expansão comunista. Num museu da Segunda Guerra Mundial que visitamos em Cherbourg havia uma exposição de cartazes alemães dirigidos à população francesa durante a ocupação, e o apelo de todos era ao medo do bolchevismo, que o nazismo tinha vindo evitar.

Depois daquele período entre as guerras muita coisa mudou na Inglaterra, que inclusive foi pioneira em diversas medidas formadoras do "welfare state", o estado de bem-estar social que floresceria na Europa a partir da metade do século passado. Mas a Inglaterra também está liderando o combate à crise da dívida com medidas de austeridade mais profundas e duras do que a de países da comunidade europeia em processo de esfarelamento. No caso do governo conservador inglês, como observou o Paul Krugman em artigo recente, além das razões discutíveis, mas defensáveis para a austeridade, existe um componente de puro e mal disfarçado ódio ao "social", que sobrevive na elite inglesa desde os bons e divertidos anos 20 e 30. Ou, para ser mais preciso, desde sempre. Entre todos os objetivos declarados e não declarados do sacrifício de benefícios sociais está o deliberado desmonte do "welfare state" e o fim da social-democracia. Quer dizer, esqueça os arrazoados econômicos e as justificativas bem sonantes. Está-se assistindo a uma revanche.

Perigo. As eleições legislativas francesas deram uma apertada maioria para os socialistas e o apoio que o Hollande precisava para começar a fazer algo diferente no governo. Mas o fato mais notável das eleições foi o bom desempenho, outra vez, da direitista Marine Le Pen que, como tem as mesmas ideias xenófobas e retrógradas do seu pai, mas é muito mais simpática e bem articulada, passa a ser a personalidade mais perigosa da política francesa.

PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV


8h30 - Torneio de Queens, tênis, ESPN HD

13h - Itália x Croácia, Eurocopa, Band e Sportv

15h45 - Espanha x Irlanda, Eurocopa, Band e Sportv

17h - US Open, golfe, ESPN e ESPN HD

19h - Fluminense x Botafogo, Carioca de futsal (final), Sportv 2

19h15 - Despedida de João Derly, judô, Sportv

20h15 - Boca Jrs. (ARG) x Universidad de Chile, Taça Libertadores, Fox Sports

21h - São Paulo x Coritiba, Copa do Brasil, ESPN Brasil e Sportv

22h - Oklahoma City Thunder x Miami Heat, NBA, ESPN e ESPN HD

Mais confusões de Dilma - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 14/06


Mais uma vez a presidente Dilma Rousseff se perdeu num emaranhado de ideias confusas e fora de propósito, desta vez ao falar sobre política econômica em seu discurso no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, na terça-feira. Em outras circunstâncias o palavrório seria apenas engraçado. A graça desaparece, no entanto, quando o País se defronta com uma assustadora crise internacional e a chefe de governo discorre sobre os problemas do crescimento com meia dúzia de chavões de comício. Para começar, misturou duas questões muito diferentes - a incorporação de milhões de famílias pobres ao mercado de consumo e o desafio de remover obstáculos à expansão da economia nacional. Detalhe inquietante: a autora dessa confusão tem um diploma de economista.

O equívoco da presidente é óbvio. A indústria brasileira vai mal, perde espaço tanto no País quanto no exterior, e o emprego industrial diminui, como têm mostrado números oficiais. No entanto, o consumo continua maior do que era há um ano e as importações crescem mais que as exportações. É um disparate, portanto, atribuir os problemas da indústria - mais precisamente, do segmento de transformação - a uma retração dos consumidores. A participação de bens importados no mercado brasileiro de consumo atingiu 22%, um recorde, nos quatro trimestres encerrados em março e essa tendência, ao que tudo indica, se mantém.

Se examinassem o assunto com um pouco mais de atenção, a presidente e seus auxiliares talvez mudassem o discurso. Não há como atribuir os problemas da indústria nem a estagnação da economia brasileira à permanência de um "consumo reprimido" - um fato social indiscutível, mas sem relação com os atuais problemas de crescimento.

A presidente acerta quando atribui a quem tem uma melhoria de renda o desejo de comprar uma geladeira, uma televisão, um forno de micro-ondas. Mas é preciso saber de onde sairão esses bens. Não basta dispor de fábricas para produzi-los. A indústria tem de ser capaz de produzi-los com preços e qualidade compatíveis com os padrões internacionais. Recorrer ao protecionismo é apenas uma forma de empurrar o problema para a frente e - pior que isso - de abrir espaço para problemas adicionais, como a elevação de preços e a estagnação da capacidade produtiva. Muitos brasileiros devem ter aprendido essa lição. A presidente parece tê-la esquecido.

Há uma enorme diferença entre barrar a competição desleal e recorrer ao mero protecionismo. Isso vale para geladeiras, televisores e camisas, mas vale também para equipamentos e componentes destinados a programas de investimento conduzidos pelo governo ou por ele favorecidos. Ao defender a exigência de índices mínimos de nacionalização para certas atividades, a presidente insiste numa política perigosa, muito boa para os empresários amigos da corte, mas muito ruim para o País.

Apenas de passagem a presidente Dilma Rousseff mencionou a questão realmente séria - a dos investimentos e da capacidade produtiva. Mas, ao contrário de sua tese, há algo mais, no custo do investimento brasileiro, do que a taxa de juros. Há também uma tributação absurda, ao lado de uma porção de outros fatores de ineficiência.

Um desses fatores, visível principalmente nos investimentos públicos, é a baixa qualidade da gestão governamental. O governo, disse a presidente, continuará a investir - uma declaração um tanto estranha, porque ninguém se opõe à aplicação de recursos públicos em obras de infraestrutura, hospitais, escolas e outras instalações indispensáveis. Ao contrário: cobra-se das autoridades mais empenho na elaboração de bons projetos, na execução das obras e no uso mais eficiente - e mais cuidadoso - do dinheiro público.

Como gerente do Programa de Aceleração do Crescimento ( PAC) e, depois, como chefe de governo, a presidente Dilma Rousseff se mostrou deficiente em todos esses quesitos. A paquidérmica lentidão do PAC é notória e inflar os resultados com os financiamentos habitacionais - como acaba de ser feito - é só uma forma de enfeitar os relatórios. Fora do governo, poucos têm motivo para aplaudir esse programa. Entre esses poucos estão os donos da inidônea construtora Delta.

Positivos sinais de mudança - EDITORIAL O GLOBO


O GLOBO - 14/06
Na mesma semana em que o Banco do Brasil assina com o governo do Rio de Janeiro um financiamento de R$ 3,6 bilhões basicamente para projetos de infraestrutura, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista ao GLOBO, anuncia a criação de uma linha de crédito especial de R$ 10 bilhões para apoiar investimentos nos estados.
Sinais, enfim, de que todo o discurso oficial pró-investimentos começa a ser colocado de fato em prática, independentemente do PAC, programa muito assentado nas cifras dos projetos da Petrobras, sem falar da maquiagem no uso de recursos dos subsídios ao Minha Casa, Minha Vida para melhorar as estatísticas do programa.

Parece terem sido metabolizados em Brasília os alertas sobre os limites dos pacotes de estímulos creditícios e tributários ao consumo, diante dos sinais de esgotamento - ou quase - da capacidade de as famílias se endividarem. A virtual estagnação da economia no primeiro trimestre levou a mais um desses pacotes de incentivo ao consumo. Mas as estimativas são de que, na melhor hipótese, a economia crescerá este ano apenas um pouco mais que os 2,7% de 2010. A hora é mesmo de se dar prioridade aos investimentos, eficaz alavanca da expansão do PIB, com efeitos mais sustentáveis no consumo.

Não é de hoje que faltam investimentos na infraestrutura, parte deles de responsabilidade do poder público. Estão aí como prova, entre outras, estradas precárias por todo o país - exceção para vias administradas pelo setor privado, sob concessão, e à malha paulista em particular - e aeroportos precários, alguns tardiamente colocados em licitação. É iniciativa positiva estimular investimentos estaduais por meio de financiamentos federais. Há enormes carências de infraestrutura urbana, tornadas dramáticas pelo aumento de renda da população e, em especial, o crescimento da frota de veículos. Investir na mobilidade urbana - quase parada - é questão de emergência. Bem mais prioritário do que tentar viabilizar o projeto megalomaníaco do trem-bala é ajudar na ampliação e construção de linhas de metrô, construir uma ligação ferroviária entre Rio e São Paulo em bases realistas e investir nos trilhos dos trens suburbanos nas maiores, e mais engarrafadas, regiões metropolitanas.

Neste sentido, o contrato de financiamento ao Rio de Janeiro e o anúncio de Mantega são bem-vindos. Não pode é Brasília ter a visão ilusória de que apenas o Estado pode servir de locomotiva para a aceleração do crescimento. Até porque nem condições fiscais para isto existem, mesmo que os cortes na Selic abram algum espaço nas contas públicas. Pois é sensato, como tem dito o governo, não mexer no superávit primário.

O próprio recurso de alavancar a capacidade de financiamento do BNDES via endividamento público, o tal do "orçamento paralelo", tem de ser manejado com cuidado. Nos últimos três anos, de acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), conforme a "Folha de S.Paulo", os R$ 282 bilhões injetados pela União no banco representarão uma conta de R$ 28 bilhões remetida ao contribuinte - o valor do subsídio embutido nos créditos liberados pelo BNDES com este dinheiro. Por isso, o governo não pode deixar de incentivar os investimentos privados, com a redução da carga tributária, desburocratização, melhoria, enfim, do ambiente de negócios. Afinal, quase a totalidade dos hoje minguados investimentos de 18,7% do PIB é de responsabilidade privada.

Novo Plano Marshall - ALBERTO TAMER


O Estado de S.Paulo - 14/06


A economia mundial e o Brasil não devem crescer mais de 2,5% este ano, precisam com urgência de um novo Plano Marshall de investimentos em grandes obras para gerar demanda e emprego. Isso deveria ser decidido na próxima reunião do G-20, na qual os países apresentariam uma série de projetos de grandes obras que, mesmo adiáveis, seriam iniciadas rapidamente. A China fez isso na crise de 2008, os Estados Unidos tentaram, mas não havia projetos prontos.

O Plano Marshall para reconstruir a Europa devastada pela guerra foi anunciado em junho de 1947 - completa 65 anos este mês - e foi uma das iniciativas mais bem-sucedidas para enfrentar a recessão mundial ainda abalada pela depressão dos anos 30.

Agora é diferente? Sim e não. Em 1947, não havia mercado, mas havia recursos. Hoje não há nem um nem outro. O que existe hoje é ainda a consequência da crise financeira de 2008: os sinais de recessão, o endividamento excessivo dos países e um sistema financeiro ameaçado pela crise da zona do euro sem sinais de solução graças à intransigência da Alemanha. A partir de 2008, os bancos centrais americano e europeu injetaram no mercado mais de US$ 3 trilhões conseguindo apenas socorrer os bancos e um agravamento nefasto da crise financeira sem estimular a economia. Como a inflação média nos países desenvolvidos é apenas 2,5%, podem criar mais dólares e euros destinados a projetos produtivos, que gerem mais empregos.

Mas há dinheiro? Sim. Existe hoje o que não havia antes, liquidez no sistema, fuga do risco com busca de investimentos mais seguros e em produção. Há também as grandes empresas que já apresentam lucros e mostram sinais de que estão dispostas a investir. É só preciso mais oportunidades e projetos. Exagero da coluna? Não. A Unctad, num acompanhamento cuidadoso em mais de 200 empresas multinacionais, estima que neste ano os investimentos diretos estrangeiros no mundo devem chegar a US$ 1,7 trilhão. A América Latina é a que a atrai mais atenção das grandes empresas.

Há US$ 20 trilhões. A consultoria MacKinsey estima que nos próximos 10 anos será necessário investir US$ 10 trilhões. "Os fundos de pensão dispõem no momento de mais de US$ 20 trilhões de ativos globais, e não conseguirão encontrar projetos suficientes e seguros para investir", afirma seu diretor, Dominic Barton. Os investimentos em infraestrutura são perfeitos, mas com retorno de longo prazo, que exigem estabilidade regulatória.

Um Marshall no Brasil. Há, portanto, US$ 20 trilhões disponíveis lá fora. Desses, pelo menos US$ 10 trilhões para projetos de países em desenvolvimento ou emergentes, como o Brasil, avalia a MacKinsey. Ao mesmo tempo em que tenta desentravar os investimentos, o governo deveria favorecer de todas as formas as maiores empresas, nacionais e estrangeiras, para executarem grandes projetos

Privatizar. "É preciso deslanchar um programa de privatizações, algo que fosse visto como crível ajudaria as empresas a investirem, como a dedução da carga tributaria", afirma Armando Castelar, da FGV. No fundo, o que ele propõe é um Plano Marshal para o Brasil, atraindo parte dos US$ 20 trilhões para um país onde tudo está por construir.

CLAUDIO HUMBERTO

“O STF não precisa de nenhuma pressão, de gabinete ou de rua”
Ministro Carlos Ayres Britto, presidente do Supremo Tribunal Federal

DNIT HABILITA DELTA EM LICITAÇÃO DE R$ 13,6 MILHÕES

Declarada inidônea na terça-feira (12) pela Controladoria-Geral da União, com o ato publicado ontem no Diário Oficial, a Delta Construções foi habilitada ontem, com outras empresas, pelo DNIT, órgão subordinado ao Ministério dos Transportes, em uma concorrência pública no valor de R$ 13,6 milhões. A declaração impede a contratação da empresa inidônea por dois anos.

MANDOU BEM

De um modo geral, o governador Agnelo Queiroz se saiu bem, na CPI do Cachoeira, e o PT o protegeu, contrariando as expectativas.

FORA DE FOCO

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) achou uma perda de tempo a oitiva dos governadores: “Ficou provado que eles são inocentes”.

PAZ GOIANA

A deputada Iris Araújo (PMDB-GO), que vestiu o branco da paz diante do rival Marconi Perillo, elogiou ontem a indignação de Agnelo na CPI.

QUEBRA DE SIGILO

Líderes do PT e do PMDB se reuniram ontem para definir a estratégia de hoje na CPI, como a quebra de sigilo de 26 empresas laranjas.

DF: GOVERNO RETÉM MAIS DE MIL ALVARÁS DE OBRAS

O governo do Distrito Federal, que é acusado de paralisia, mantém em suas gavetas, nas administrações regionais, mais de mil pedidos de alvarás (autorizações) de construção, paralisando também empreendedores privados. Sem alvarás, não há obras, empregos ou geração de renda. O vice-presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-DF), Gilvan da Silva, culpa os “cabides” que nomeiam pessoas sem qualificação.

VELHO CACOETE

Suspeita-se, no mercado, da imposição de dificuldades para gerar facilidades. Daí os projetos de obras engavetados.

CONTRA A PARALISIA

O Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon-DF) também está indócil e deve se posicionar contra a paralisia no governo do DF.

CULPA SUA

O governo do DF acha que está tudo certo, e considera “normal” o ritmo na concessão de alvarás de construção. Então, tá.

CONTAS ABERTAS

O PT usou a quebra voluntária de sigilo bancário, fiscal e telefônico do governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), para constranger o goiano Marconi Perillo (PSDB) a também abrir suas contas à CPI. Deu certo.

FOI MAL

Quando formulava uma pergunta ao governador Agnelo Queiroz, o deputado Ronaldo Fonseca (PR-DF) cometeu a mancada do dia, na CPI mista: em vez de “tropa de choque”, falou “tropa de cheque”.

ELE NÃO PERDOA

Lula comanda a tropa de choque do PT contra Marconi Perillo com a mesma determinação, nos Estados,

para derrotar os tucanos Arthur Virgílio (AM) e Tasso Jereissati (CE) e Heráclito Fortes (DEM-PI).

ROMPIDOS

Os senadores Cristovam Buarque (PDT) e Rodrigo Rollemberg (PSB), pré-candidatos ao governo do DF, não colocaram os pés no depoimento do ex-aliado Agnelo Queiroz (PT) na CPI.

GATO ESCALDADO

Após a divulgação de sua troca de mensagens com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) agora se debruça sobre o celular quando utiliza o SMS.

CAMPANHA 2014

Assessor especial no Senado, Toninho do PSOL municiou membros da CPI, ontem, com perguntas contra Agnelo Queiroz em seu depoimento. Agnelo derrotou Toninho em 2010, na disputa pelo governo do Distrito Federal.

COSME E DAMIÃO

A equipe do governador Agnelo Queiroz levou uma sacola, nada discreta, com gelo, suco e barras de cereal para resistir às mais de oito horas na CPI de Cachoeira. Distribuiu até lanchinho aos parlamentares.

PRESSÃO SOCIAL

Em menos de quinze minutos após anunciado o pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal de Agnelo Queiroz, a tag #abreosigiloperillo passou a compor a lista dos dez tópicos mais comentados no Twitter.

PENSANDO BEM...

...Cachoeira está virando filete de água. 

PODER SEM PUDOR

HISTÓRIA SECRETA DA ECO 92

A abertura da Rio+20 sem os principais líderes mundiais lembrou o esforço do Brasil para o êxito da Eco-92. Na ocasião, George Bush não confirmava sua presença, que poderia provocar outras vindas importantes. O oceanógrafo francês Jacques Cousteau, que se fizera amigo do então presidente Fernando Collor, advertiu:

No dia seguinte, o presidente americano confirmaria sua presença.

– Fernando, olha, se o Bush não vier, isso aqui vai ser um desastre...

– Mas ele tem de vir, comandante...

– Vamos lá, você e eu? – propôs Cousteau.

Collor avisou ao Itamaraty que viajaria a Washington e iria direto do aeroporto à Casa Branca. Ficariam plantados, ele e Cousteau, até serem recebidos pelo presidente dos EUA.

– O senhor me dá 24 horas? – pediu o chanceler Celso Lafer.

QUINTA NOS JORNAIS


Globo: Conferência tem mais de 20 grandes temas sem acordo
Folha: Propina liberou obra de shopping, acusa executiva
Estadão: Dilma prepara impulso para investimentos nos Estados
Valor: União e Estados negociam tributos e investimentos
Estado de Minas: Vidas em risco
Zero Hora: Perdão de dívidas deve gerar 170 mil bolsas em faculdades gaúchas
Correio Braziliense: Agnelo abre sigilos e passa no teste da CPI

quarta-feira, junho 13, 2012

O dinheiro está aqui - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 13/06

Vejam como os europeus estão de olho no dinheiro dos brasileiros que viajam para lá. O grupo Chic Outlet Shopping, graúdo na Europa, contratou nossa Debora Bloch e a filha Júlia Anquier para estrelarem sua próxima campanha. As duas já até posaram para fotos (acima).

É que...

Um estudo põe os brasileiros entre os que mais gastam lá. Só perdem para chineses e russos. Gastamos, em média, 297 euros em lojas como Gucci, Prada...

Cada um no seu galho

A Fifa, com discreto apoio do governo, sonha convencer José Maria Marin, da CBF, a deixar a presidência do Comitê Local da Copa. Nada pessoal. A acumulação de cargos, iniciada por Ricardo Teixeira, é vista como improdutiva.

Tanque de pão

Dia 19, o Morro Dona Marta receberá um tanque de guerra todo feito de pães. A ideia, do Viva Rio, é despertar o olhar mundial para os gastos militares globais anuais (cerca de US$ 1,7 trilhão). Menos de 5% disso já financiariam os Objetivos do Milênio da ONU, como o fim da miséria.

Erotismo no Brasil

O livro “Histórias íntimas”, da historiadora Mary del Priore, sobre a evolução do erotismo no país, virou filme de Júlio Léllis. Estreia ainda este ano. Traz no elenco Nádia Lippi, Cristina Prochaska, Sônia Clara, Luciano Szafir e Tássia Camargo.

RUBEM FONSECA, 87 anos, nosso grande escritor que prefere viver longe dos flashes, abriu uma exceção. Por uma causa nobre, claro. Ontem de manhã, o autor de “Agosto” se deixou fotografar numa visita ao ipê-roxo que plantou há uns dois anos naPraça Antero de Quental, no Leblon. O romancista está preocupado, pois o local vai virar canteiro de obras em breve, com a construção da Linha 4 do metrô. Mas o consórcio responsável procurou o mestre das letras para garantir que o ipê terá cuidados especiais e será replantado em outro ponto da praça no fim das obras. Nesse tempo, ficará cercado por tapumes. Que Deus proteja o ipê, abençoe o nosso Rubem, e a nós não desampare jamais 

A história continua

A Biblioteca Nacional convoca hoje, em seu site, entidades sem fins lucrativos interessadas em coeditar a “Revista de História”. Na prática, é uma intervenção na revista, hoje controlada pela Sociedade dos Amigos da Biblioteca Nacional, entidade que causou a atual crise e agora poderá ser substituída por outra.

Com aval do STF

Será aberto processo de extradição do argentino Cláudio Vallejos, 53 anos, preso em Santa Catarina por estelionato. “El Gordo”, como é chamado, admitiu que, na ditadura argentina (1976-1983), fez parte de torturas e da morte de presos políticos — entre eles, brasileiros.

Arte de Aderbal

Aderbal Freire Filho será o novo apresentador do “Arte do Artista”, na TV Brasil, no lugar do saudoso Sérgio Britto.

Acabou em samba
Domingo, Eduardo Paes vai levar para visitar o bloco Cacique de Ramos um grupo de índios que veio para a Rio+20 e está reunido na aldeia Kari-Oca. São tribos diferentes. Mas vai ser curioso.

Combate à pobreza

A ONG Rio de Paz, que ficou conhecida quando fincou 700 cruzes na areia de Copacabana, vai reproduzir uma favela de novo na praia, numa série de protestos a partir do dia 16.

Reage, Flamengo

Três executivos de sucesso — Carlos Geraldo Langoni, Rodolfo Landim e Flávio Godinho — vão preparar, a pedido da oposição à atual diretoria do Flamengo, um projeto com diretrizes básicas para a modernização do clube.

PPS com Paes

Sábado, o PPS vai fazer convenção e já lançar sua chapa completa para vereadores. Além disso, oficializará seu apoio a Paes. O apoio foi costurado pelo “Adriano do MR-8”, codinome do vice-prefeito Carlos Alberto Muniz na ditadura.

Em nome de Patrícia

O juiz Fábio Uchôa julga hoje Edson da Silva Mota e seu filho André. Os dois são acusados de liderar a máfia das vans em São Gonçalo e de mandar matar Luiz Cláudio de Souza Moreira por causa do controle do transporte. A juíza Patrícia Acioli cuidava do processo até ser assassinada, em agosto de 2011.