sexta-feira, março 30, 2012
Erraram, de novo - MARCELO COUTINHO
O Globo - 30/03/12
O Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira, pôs em prática há mais de 100 anos uma política externa em direção aos EUA. Fazia todo sentido à época, já que a Europa aos poucos perdia poder econômico. Nada melhor naquele momento do que ampliar a cooperação com Washington. Começamos, então, a nos tornar parte de um arranjo pan-americano, que bem mais tarde daria origem à OEA.
Algo semelhante ocorre hoje. Seguindo os fluxos do comércio internacional e pressentindo mudanças, o Itamaraty promove uma aproximação maior com a China. O governo chegou a modificar a nossa identidade latino-americana em favor de outra ainda em construção em torno dos Brics, mais vinculada à Ásia, adotando uma política basicamente de prestígio.
Há similaridades entre a política do Barão e a atual. Queremos ser vistos como uma fonte de estabilidade na América do Sul, e até o Acre voltou a ser uma questão, agora com os haitianos imigrantes. Mas, enquanto no início do século XX estabelecemos relações especiais com a potência em ascensão para que ela não interferisse em assuntos do nosso interesse, recentemente contribuímos para a entrada dos negócios asiáticos na América Latina, o que acabou enfraquecendo nossas exportações industriais.
Saíram a Doutrina Monroe e o Corolário Roosevelt, entrou a primazia de Xangai. A latino-americanização e o universalismo de um tipo de política adotada a partir dos anos 1960 (política externa independente e pragmatismo responsável), em certa contraposição ao legado do Barão, mantêm-se apenas no discurso de membros do atual governo. Na verdade, voltamos a concentrar relações ao centro do sistema.
Em 1912, mais de 90% do que exportávamos para os EUA eram produtos básicos como café, borracha, algodão e açúcar, e comprávamos deles 80% de manufaturados e 20% de alimentos. Tornou-se o nosso maior mercado externo. Atualmente, o parceiro mudou, mas não os pesos relativos. 90% do que compramos dos chineses são manufaturas e 10% de alimentos, enquanto mais de 90% do que vendemos a eles são commodities como minério de ferro, soja e petróleo. Agora, como na Velha República, a inserção da economia brasileira no mundo dá-se mediante bens com baixíssimo valor agregado.
É importante salientar ainda o impressionante crescimento da dependência do Brasil em relação à China, talvez até superior em relação aos EUA cem anos atrás. 28% das exportações brasileiras iam para o vizinho do Norte no início do século XX, quando havia menos de 60 países independentes. 14% das nossas exportações já vão agora para a China, embora existam quase 200 nações. Em termos relativos ao tamanho da comunidade internacional, surpreende muito mais a importância chinesa.
Após a morte do Barão, não demoraria muito para que os EUA se transformassem também em nosso maior credor internacional. Antes era a Inglaterra quem mais nos emprestava dinheiro, normalmente para suportar o serviço da dívida e possibilitar compras externas. A relação Brasil-China segue o mesmo caminho. Os investimentos de Pequim aqui são com vistas ao seu próprio abastecimento, numa política conhecida dos antigos colonizadores.
Observa-se, no entanto, uma distinção fundamental. Diferentemente da era Paranhos Júnior, hoje ocorre um processo de desindustrialização. Quando o Brasil trocou o Reino Unido pelos Estados Unidos, trocou seis por meia dúzia em relação econômica. Primários exportadores éramos e continuamos até os anos 1950. Mas, quando o governo substitui os EUA pela China e Índia, ajuda a derrubar a indústria nacional.
No passado, como hoje, o Brasil se via muito bem posicionado internacionalmente, tão bem a ponto de se candidatar a um assento permanente no extinto Conselho Executivo da Liga das Nações. Após jactâncias diplomáticas, o Brasil ficou de fora do principal órgão decisório do mundo durante o governo Arthur Bernardes (1922-1926). O chanceler Feliz Pacheco tinha a convicção de que o Brasil, então membro rotativo, estava à altura das grandes potências.
O mesmo erro de percepção atingiu o Itamaraty de novo. O Brasil não tem condições neste momento de competir comercialmente nem mesmo com o México. Dizer que a China depende do Brasil é como afirmar que os europeus dependiam de nós para a provisão de banha de porco na Primeira Guerra. Os chineses precisam dos nossos recursos naturais como precisamos do dinheiro deles. Isso se chama desigualdade, e não interdependência. Uma diferença que um século depois do Barão não pode ser simplesmente apagada.
Na meta este ano - MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 30/03/12
A inflação ficará na meta este ano em qualquer cenário. Se os juros não caírem, o IPCA fica em 4,4%. Se caírem, fica no centro da meta: 4,5%. Essa é a aposta do Banco Central. Uma parte disso se confirma porque está havendo uma queda dos preços das commodities no mundo. Mas se o petróleo continuar subindo, e o dólar também, vai ficar mais difícil para a Petrobras não elevar o preço da gasolina. E se o combustível subir esse quadro se altera.
O Banco Central está moderadamente otimista em relação ao país: na sua visão, o nível de atividade melhora ao longo do ano e o Brasil crescerá 3,5% em 2012, mas com uma taxa de inflação na meta, o que torna esse ritmo mais sustentável. Mas o BC aumentou em 0,5 ponto sua previsão de inflação para 2013, de 4,7% para 5,2%, e isso significa que a pequena melhoria no ritmo de crescimento da economia já vai deixar a taxa mais distante do centro da meta.
De qualquer maneira, o quadro está bem melhor agora do que estava no ano passado, neste mesmo momento, em que a taxa de inflação ameaçava ficar acima do teto da meta. E, de fato, a ameaça se concretizou. Durante meses o IPCA ficou acima do limite e chegou a 7,31% em setembro. Mas o quadro agora é de "desinflação global", segundo o Banco Central, e a inflação acumulada em 12 meses já recuou para 5,85% em fevereiro.
Os preços das commodities, em qualquer índice internacional, estão em queda. Tanto os alimentos medidos pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), quanto pelo CRB (Commodity Ressearch Bureau), um índice que mede também outras commodities que não apenas alimentos, mostram isso. De acordo com o Relatório de Inflação do Banco Central, o índice CRB acumulado em 12 meses saiu de 30,4% de alta, em abril de 2011, para uma retração de 11%, em fevereiro de 2012. Ou seja, passou a ter viés deflacionário. A mesma coisa aconteceu com o índice da FAO, que foi de 38,1% para -9,5%.
Inflação menor é excelente notícia, mas, por outro lado, esses alimentos e matérias-primas com preços menores podem significar menos receita de exportação para o Brasil, altamente dependente de commodities no seu comércio exterior. Mesmo assim, a balança comercial está na verdade melhor do que estava há um ano. O saldo em 12 meses até fevereiro foi de US$ 28,6 bilhões; no ano passado, em abril, era de US$ 21,6 bilhões.
O Banco Central avalia que a economia mundial continuará com baixo crescimento, a crise da Zona do Euro está longe do fim, a economia americana começa a se recuperar, mas o preço do petróleo está instável. Se o petróleo continuar com preço alto, a recuperação dos EUA, que é a melhor notícia no cenário internacional, correrá risco. No ano passado, a alta da gasolina afetou o consumo dos americanos e anulou o início da recuperação.
Além disso, a alta do combustível tem impacto inflacionário independentemente do contexto recessivo em tantos países. É por isso que o primeiro-ministro francês, François Fillon, está tentando mobilizar os países a usarem suas reservas de petróleo para derrubar o preço, que ontem estava em US$ 123 o barril do tipo brent. Mantido esse patamar por mais algum tempo, ficará mais difícil para o governo e para a Petrobras segurarem os preços da gasolina congelados.
O preço do petróleo está volátil por temor de crise nos países produtores. Por isso, a única forma de baixá-lo é o aumento da produção pela Arábia Saudita. A venda das reservas de petróleo dos países pode ajudar por um tempo, mas o mercado precisa de certeza de fornecimento estável.
O mercado tem uma visão de inflação diferente da que o BC mostrou ontem no Relatório Trimestral. A pesquisa Focus feita pelo Banco Central junto às instituições financeiras e consultorias mostrou na última segunda-feira que a previsão para 2012 é de 5,28%, acima, portanto, da prevista pelo governo. Mercado e Banco Central concordam que no ano que vem a inflação vai subir em relação a 2012. Segundo o Boletim Focus, ficará em 5,5%, já distante do centro da meta.
O cenário do Banco Central depende de que os preços internacionais de inúmeros produtos continuem caindo e que o preço do petróleo se estabilize e não haja qualquer novo susto nas economias em crise da Europa. Aqui, o governo está incentivando o consumo através de reduções fiscais e ampliação do crédito para sair do quadro de baixo crescimento. Para evitar que isso produza inflação, o Banco Central tem que estar atento a todos os riscos no cenário. Do contrário, repete-se o mesmo enredo: os juros caem, a inflação sobe, e os juros precisam subir novamente. O mais importante seria ter juros mais baixos de forma permanente.
O risco do ano passado conseguiu ser superado e este ano a inflação está mais baixa, mas ainda não há garantia de que a taxa está mesmo convergindo para a meta em 12 meses como afirma o Relatório Trimestral de Inflação divulgado ontem pelo Banco Central.
A inflação ficará na meta este ano em qualquer cenário. Se os juros não caírem, o IPCA fica em 4,4%. Se caírem, fica no centro da meta: 4,5%. Essa é a aposta do Banco Central. Uma parte disso se confirma porque está havendo uma queda dos preços das commodities no mundo. Mas se o petróleo continuar subindo, e o dólar também, vai ficar mais difícil para a Petrobras não elevar o preço da gasolina. E se o combustível subir esse quadro se altera.
O Banco Central está moderadamente otimista em relação ao país: na sua visão, o nível de atividade melhora ao longo do ano e o Brasil crescerá 3,5% em 2012, mas com uma taxa de inflação na meta, o que torna esse ritmo mais sustentável. Mas o BC aumentou em 0,5 ponto sua previsão de inflação para 2013, de 4,7% para 5,2%, e isso significa que a pequena melhoria no ritmo de crescimento da economia já vai deixar a taxa mais distante do centro da meta.
De qualquer maneira, o quadro está bem melhor agora do que estava no ano passado, neste mesmo momento, em que a taxa de inflação ameaçava ficar acima do teto da meta. E, de fato, a ameaça se concretizou. Durante meses o IPCA ficou acima do limite e chegou a 7,31% em setembro. Mas o quadro agora é de "desinflação global", segundo o Banco Central, e a inflação acumulada em 12 meses já recuou para 5,85% em fevereiro.
Os preços das commodities, em qualquer índice internacional, estão em queda. Tanto os alimentos medidos pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), quanto pelo CRB (Commodity Ressearch Bureau), um índice que mede também outras commodities que não apenas alimentos, mostram isso. De acordo com o Relatório de Inflação do Banco Central, o índice CRB acumulado em 12 meses saiu de 30,4% de alta, em abril de 2011, para uma retração de 11%, em fevereiro de 2012. Ou seja, passou a ter viés deflacionário. A mesma coisa aconteceu com o índice da FAO, que foi de 38,1% para -9,5%.
Inflação menor é excelente notícia, mas, por outro lado, esses alimentos e matérias-primas com preços menores podem significar menos receita de exportação para o Brasil, altamente dependente de commodities no seu comércio exterior. Mesmo assim, a balança comercial está na verdade melhor do que estava há um ano. O saldo em 12 meses até fevereiro foi de US$ 28,6 bilhões; no ano passado, em abril, era de US$ 21,6 bilhões.
O Banco Central avalia que a economia mundial continuará com baixo crescimento, a crise da Zona do Euro está longe do fim, a economia americana começa a se recuperar, mas o preço do petróleo está instável. Se o petróleo continuar com preço alto, a recuperação dos EUA, que é a melhor notícia no cenário internacional, correrá risco. No ano passado, a alta da gasolina afetou o consumo dos americanos e anulou o início da recuperação.
Além disso, a alta do combustível tem impacto inflacionário independentemente do contexto recessivo em tantos países. É por isso que o primeiro-ministro francês, François Fillon, está tentando mobilizar os países a usarem suas reservas de petróleo para derrubar o preço, que ontem estava em US$ 123 o barril do tipo brent. Mantido esse patamar por mais algum tempo, ficará mais difícil para o governo e para a Petrobras segurarem os preços da gasolina congelados.
O preço do petróleo está volátil por temor de crise nos países produtores. Por isso, a única forma de baixá-lo é o aumento da produção pela Arábia Saudita. A venda das reservas de petróleo dos países pode ajudar por um tempo, mas o mercado precisa de certeza de fornecimento estável.
O mercado tem uma visão de inflação diferente da que o BC mostrou ontem no Relatório Trimestral. A pesquisa Focus feita pelo Banco Central junto às instituições financeiras e consultorias mostrou na última segunda-feira que a previsão para 2012 é de 5,28%, acima, portanto, da prevista pelo governo. Mercado e Banco Central concordam que no ano que vem a inflação vai subir em relação a 2012. Segundo o Boletim Focus, ficará em 5,5%, já distante do centro da meta.
O cenário do Banco Central depende de que os preços internacionais de inúmeros produtos continuem caindo e que o preço do petróleo se estabilize e não haja qualquer novo susto nas economias em crise da Europa. Aqui, o governo está incentivando o consumo através de reduções fiscais e ampliação do crédito para sair do quadro de baixo crescimento. Para evitar que isso produza inflação, o Banco Central tem que estar atento a todos os riscos no cenário. Do contrário, repete-se o mesmo enredo: os juros caem, a inflação sobe, e os juros precisam subir novamente. O mais importante seria ter juros mais baixos de forma permanente.
O risco do ano passado conseguiu ser superado e este ano a inflação está mais baixa, mas ainda não há garantia de que a taxa está mesmo convergindo para a meta em 12 meses como afirma o Relatório Trimestral de Inflação divulgado ontem pelo Banco Central.
Quando tirarem Demóstenes da sala - MARIA CRISTINA FERNANDES
VALOR ECONÔMICO - 30/03/12
Uma das mais eloquentes lideranças da oposição virou reú no Supremo Tribunal Federal na mesma semana em que o governo saiu vitorioso em dois dos principais projetos de sua pauta legislativa do ano, a criação do fundo de previdência complementar dos servidores e a Lei Geral da Copa.
Não há causalidade entre um e outro fato. E isso explica por que uma crise que parecia tão aguda nas relações da presidente Dilma Rousseff com o Congresso se desfez de uma hora para outra.
O ocaso do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) pouco afeta a governabilidade de Dilma. E não apenas pela condição minoritária de seu partido, mas porque não é na oposição que o projeto de poder da presidente é posto em xeque, mas dentro de sua própria base. Quando um parlamentar como Demóstenes cai em desgraça, as bandeiras que defende passam a depender mais de seus simpatizantes na base aliada do governo, o que lhes aumenta os antagonismos.
Bravatas prosperaram no vazio de propostas
Ao virar o jogo no Congresso, Dilma mostrou que ainda dispõe dos recursos políticos - e orçamentários - para conter essa soma de interesses antagônicos que a sustenta.
À distância, deu condições aos seus novos líderes na Câmara e no Senado de promover a troca de guarda e autonomia aos ministros para negociar com os parlamentares. Articulados com o presidente da Câmara, Marco Maia, e a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, promoveram os acordos que levaram à aprovação dos projetos.
A chance dessa pax parlamentar perdurar é diretamente proporcional à disposição do governo de cumprir acordos como aquele que fixou para depois da Páscoa a votação do código florestal. O entendimento também tem mais chance de prosperar se os compromissos firmados entre os ministros e os parlamentares forem cumpridos.
Isso certamente passa pela liberação de emendas. Enquanto não inventarem outro jeito de os parlamentares influenciarem num naco de investimentos do governo em benefício de comunidades que garantem a continuidade de sua carreira política vai continuar sendo assim.
A faxina de Dilma pode não passar de discurso mas não é na liberação de emenda que mora o engodo, e sim na triangulação entre parlamentares, seus indicados na máquina de governo e fornecedores públicos que recebem pelo serviço que não prestam.
É dos lucros dessa triangulação que vivem muitos políticos deste e de outros governos. É mais simples coibi-los quando são miudezas que estão em jogo, como nos contratos prestados por Ongs. É a esse fim que parece se destinar o projeto de criação do fundo para o financiamento dessas entidades que o governo vai enviar ao Congresso.
Mas difícil de fechar é o ralo por onde passam os grandes contratos. Basta ver o histórico de entreveros entre o Executivo e o Tribunal de Contas da União. E mesmo que haja alguma disposição real em fechar o ralo, a torneira jorra mais forte à medida que crescem a economia e a capacidade de investimento do governo.
A corrupção pode até ser um problema do tamanho que Demóstenes Torres costumava pintar da tribuna, mas o que os indícios de seu processo no STF parecem indicar é que a contravenção tem laços que extrapolam o governo de plantão. Alicia parlamentares de de todos os matizes, desde que influentes no aparato policial e na cúpula do judiciário.
Demóstenes Torres não era um denunciante qualquer. Chegou ao Senado no mesmo ano em que o PT alcançou o Planalto foi um de mais implacáveis críticos até ser acusado de receber mesada do mesmo contraventor que detonou o escândalo Waldomiro Diniz, o primeiro da era petista.
Nesse meio tempo jogou no descrédito um dos mais operantes policiais do governo Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-delegado geral da Polícia Federal e ex-superintendente da Abin, Paulo Lacerda, ao acusá-lo de um grampo nunca provado no Supremo Tribunal Federal..
Arrematou a cultivada imagem de paladino da moralidade ao tornar-se um dos grandes defensores da Lei da Ficha Limpa e dos poderes de investigação do CNJ.
O senador foi alçado à condição de ideólogo conservador ao encabeçar a resistência parlamentar à política de cotas raciais. Numa audiência promovida pelo Supremo chegou a dizer que a escravidão teria beneficiado o continente africano por ter sido o primeiro item de sua pauta de exportações. E que, por isso, faria pouco sentido para o Brasil adotar políticas compensatórias para os negros que, além do mais, haviam proliferado por meio de relações consensuais entre escravas e brancos.
O apoio que recebeu na pregação anticotas o encorajou a prosseguir na cruzada de ideólogo do conservadorismo com um projeto que trata o viciado em drogas como um deliquente e institui uma política nacional de internação compulsória.
Acabou angariando o respeito e a admiração de seus pares pela coragem de assumir essas posições num país crescentemente marcado por políticas inclusivas.
Foi a dificuldade de a oposição oferecer uma agenda alternativa ao crescimento econômico que deu fermento às bravatas de Demóstenes. De tão dependente de bandeiras moralistas, os oposicionistas perderam a capacidade de se aglutinar mesmo face a um tema tão crucial para o futuro quanto a desindustrialização.
Foi com esse tema que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) subiu à tribuna na quarta-feira passada. Face à recomposição da base governista, urgia recuperar iniciativa à oposição. Dali a pouco o PSDB daria seus votos à aprovação da Funpresp, em nome de uma reforma iniciada pelo governo tucano e sequenciada pelos petistas. O discurso de Aécio teve pouca ressonância, mas os governistas bateram bumbo com a aprovação quase unânime.
Se a pauta legislativa se aprofundar na agenda da indústria nacional, focada em questões tributárias e trabalhistas, o consenso, como mostrou levantamento de Caio Junqueira (Valor, 28/03/2012), tem dias contados. Agora que tiraram Demóstenes da sala bem que o jogo podia começar.
Ueba! O Mano virou Mamano! - JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SSP - 30/03/12
Slogan da Copa: "Todos num ritmo só". Se for no ritmo das obras, vai ser o ritmo do jabuti!
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
Manchete do jornal "Meia Hora": "O Mano tava MAMANO?". Rarará! Lei Seca dá olé no técnico da seleção. Até a sogra do Kaká zoou! E avisa pro Mamano que seleção sem o Kaká é um Kokô! Rarará!
E adorei o slogan da Copa: "Todos num ritmo só". Se for no ritmo das obras, vai ser o ritmo do jabuti! E agora, direto do País da Piada Pronta: "Loira se disfarça com peruca loira para clonar cartão".
E eu tô com duas fotos: a de uma casa alugada por traficantes, e o boteco ao lado: SEI ONDE TEM! Boteco Sei Onde Tem. Só a polícia não sabe! Rarará.
E outra foto: o Exército ocupando o morro do Alemão e, no fundo, um salão de beleza: Salão BURUCUTU! Rarará!
E esta outra: "Casa noturna faz campanha por Adriano em BH". Já tem até outdoor: "Adriano! Venha jogar em BH! Santorinni oferece camarote VIP, segurança e três garçons exclusivos".
E o Sensacionalista revela o tratamento do Adriano no Barmengo, ops, no Flamengo: de dia, na churrascaria e, de noite, é transferido pra boate. De maca! Rarará! Ah, e repouso absoluto. E não pode nem treinar e nem jogar nos fins de semana. Pra não atrapalhar o desempenho nas baladas! Rarará!
E o senador Demóstenes com o amigo bicheiro? O Demóstenes quer ver o bicho em pé! E o chargista Amarildo revela que, se o Demóstenes sair do DEM, passa a se chamar Óstenes! Sobrou o Óstenes! É como ficar pelado! Rarará!
E uma vez o bicheiro Noal foi à TV e perguntaram: "Daria pra explicar esta coisa complexa que é o jogo do bicho?". "Fácil, tem lápis e papel aí?". Rarará!
Demóstenes, se ficar o bicho come, se correr o bicho pega. Tá indo Cachoeira abaixo! É mole? É mole, mas sobe!
Predestinados! Sabe como é o nome do delegado que está investigando a violência das torcidas? Jorge CARRASCO! Torcida vira trucida. TRUCIDA ORGANIZADA! E mais esta piada pronta: "Assinado convênio: presidiários trabalharão no Itaquerão". Mutirão da casa própria. Rarará. Minha Casa Minha Vida!
E este adesivo num carro em Franca: "Jesus POTREGE". Só não protege quem escreve. Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Desastre legal - HÉLIO SCHWARTSMAN
FOLHA DE SP - 30/03/12
SÃO PAULO - Como os juízes andam precisando de quem os defenda, louvo a decisão do STJ de amenizar a chamada Lei Seca. Não estou sugerindo que as pessoas devam dirigir embriagadas, mas recomendo que os legisladores aprendam a legislar.
Eles escreveram uma peça indecente e não vejo como o STJ teria podido salvar o espírito da lei sem usurpar funções que não são suas.
O problema é a nova redação que a lei nº 11.705 deu ao artigo 306 do Código de trânsito, que prevê a detenção. Aqui, o legislador inadvertidamente alterou o tipo penal, que passou de conduzir veículo "sob a influência de álcool" para "com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a seis decigramas".
Ocorre, como reafirmou o STJ, que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo. Se o motorista se recusa a soprar o bafômetro ou ceder sangue para análise, não há como provar que excedeu a quantidade máxima. Testemunhas podem jurar que ele estava bêbado como um gambá, mas não que ultrapassou 6 dg/l. E sem prova competente não há crime.
Em relação à multa e à suspensão da carteira, sanção administrativa prevista no artigo 165, o problema não se coloca, pois ali o tipo infracional ainda é "dirigir sob influência".
As barbeiragens não param aqui. Tanto o 165 como o 306 trazem a expressão "ou sob a influência de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência". Acontece que café e nicotina são substâncias psicoativas que geram dependência. Estão em tese proscritos. Já LSD, embora cause alucinações, não provoca dependência e, assim, não cai na malha das autoridades de trânsito. A situação só não é absurda porque a polícia sabiamente ignora a lei.
Se o governo insiste em prender condutores ébrios, pode baixar uma MP que suspenda a 11.705 e a substitua por dispositivos coerentes. De minha parte, eu os tornaria mais sóbrios também. Crimes sem vítima não deveriam implicar penas de prisão.
Máscara - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 30/03/12
O caso do senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás, vem atraindo a atenção não apenas do mundo político, mas também dos meios artísticos e psicanalíticos. Outro dia escrevi que o senador havia criado um personagem para si próprio, e o ator Antonio Pitanga me disse que está fascinado pelas facetas desse personagem e pela capacidade do senador de assumir um papel tão complexo quanto este, de defensor da moral e dos bons costumes, enquanto, por baixo do pano, mantinha uma relação promíscua com um contraventor.
Até mesmo agora, apanhado em flagrante por gravações feitas com a autorização da Justiça, o senador trabalha em duas frentes distintas: no Judiciário, pretende anular a validade das gravações, e, no plano político, tenta o apoio de seus pares para não ser julgado pela Comissão de Ética.
Segundo o psicanalista Joel Birman, professor da UFRJ e da Uerj, o senador Demóstenes é um mitômano que acreditou na sua própria fantasia.
Ele vestiu uma máscara, e ela acabou se colando em seu corpo. Ao dizer "Eu não sou mais o Demóstenes", está revelando uma personalidade psicologicamente quebrada, como se dissesse "Eu não sei mais quem é o Demóstenes".
Está também se fazendo de vítima para seus pares, a fim de evitar um julgamento político na Comissão de Ética do Senado.
Essa vitimização é importante, ressalta Joel Birman, no sentido de revelar uma estratégia de defesa. Esse personagem que o senador criou para si próprio não era uma mentira de Demóstenes, ele incorporou esse personagem e acreditava nele.
Podia acusar com veemência seus colegas senadores apanhados em desvios, como Renan Calheiros, enquanto mantinha o relacionamento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira porque, como todo psicopata, não misturava as personalidades.
A de homem público era essa criada por ele para colocá-lo com destaque entre seus pares na defesa da ética na política, mesmo que tivesse no particular uma conduta antiética.
Outro exemplo recente de psicopatia na política foi o do ex-governador José Roberto Arruda, por sinal também do DEM e já devidamente expulso pelo partido, que chorou na tribuna do Senado, dizendo-se arrependido pela quebra do sigilo da votação no painel eletrônico.
Pediu desculpas públicas a seus pares e aos eleitores, além da família, passou por um período de purgação, para recuperar a popularidade até ser eleito governador de Brasília.
Durante um bom tempo foi tido como um governador exemplar e um quadro político de primeiro nível, potencial candidato à Presidência da República e objeto de desejo de políticos de diversos partidos como companheiro de chapa.
Enquanto isso, mantinha nos subterrâneos de seu governo um vastíssimo esquema de corrupção de políticos e fornecedores de sua administração.
O advogado do senador Demóstenes Torres, o famoso Kakay de Brasília, deu também uma declaração interessante outro dia. Disse que o senador estava naturalmente apreensivo com as notícias vazadas, pois elas minavam sua credibilidade, mas que, do ponto de vista jurídico, estava totalmente tranquilo.
Isso significa que a defesa do senador vai tentar impugnar as gravações feitas pela Polícia Federal, alegando que elas seriam ilegais.
Para o advogado Kakay, não importa que um juiz de primeira instância tenha autorizado as gravações telefônicas, pois, como o senador tem foro privilegiado, elas só poderiam ser feitas com a autorização do Supremo.
Como as únicas provas que existem nos autos são as gravações, conforme admite até mesmo o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a luta será em torno da legalidade ou não das escutas telefônicas.
Há quem defenda a tese de que, como o senador Demóstenes Torres não era o objeto das escutas, e sim o bicheiro Carlinhos Cachoeira, não seria preciso pedir autorização do Supremo.
Tendo sido descoberto de maneira indireta, o senador estaria nesse caso sujeito a investigações pelo envolvimento em uma ação criminosa descoberta por acaso.
Caberá ao ministro do Supremo Ricardo Lewandowski decidir sobre o assunto, ao mesmo tempo em que o Senado estará obrigado a decidir se o convoca ao Conselho de Ética.
À medida que as provas vão sendo divulgadas, cria-se na opinião pública um clamor pela punição do senador que dificilmente poderá ser ignorado tanto pelo Supremo quanto pelo Senado.
Duas decisões polêmicas recentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Com relação à Lei Seca, concordo com a exigência de teste do bafômetro ou exame de sangue para definição sobre o estado etílico de um motorista.
O simples testemunho não pode ser uma prova conclusiva, como querem alguns textos legais em tramitação no Congresso.
No entanto, um motorista que cometa uma infração ao volante, especialmente se causar vítima, teria que ser obrigado a fazer o teste por um juiz.
Anteriormente o STJ decidira não punir um homem que mantivera relações sexuais com uma menor de 12 anos porque ficou provado que a criança já se prostituía antes do encontro com o acusado.
Como a partir de 2009 a relação sexual com menor de 14 anos foi classificada de "estupro de vulnerável", os senhores juízes consideraram que, no caso em discussão, não houvera "estupro".
O julgamento meramente técnico de uma chaga social brasileira transforma-se em uma maneira indireta de estimular a prostituição infantil, que deveria ser combatida em todas as circunstâncias.
VIK FORA DA VILAÇA - MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 30/03/12
Burburinho no mundo das artes: Vik Muniz, um dos mais célebres artistas plásticos brasileiros, não será mais representado no Brasil pela galeria Fortes Vilaça. Os dois romperam depois de quase 15 anos de parceria.
VIK 2
O diretor artístico da galeria, Alexandre Gabriel, confirma. E compara o fato "ao fim de um casamento". Mas afirma que a separação, "embora sofrida", está sendo amigável. "Foi uma decisão demorada e consensual de ambas as partes. O Vik expandiu imensamente seu campo de atuação e houve um distanciamento natural."
VIK 3
O diretor da Fortes Vilaça nega que as obras de Vik tenham hoje menos apelo comercial. "Ele continua sendo um artista de tremendo sucesso", afirma.
BATIDA FORTE
Depois de um ano de adiamento, a audiência de instrução do processo que Antônio da Silva, o Toinho Batera, ex-baterista de Ivete Sangalo, move contra a cantora foi marcada. Será no dia 25 de maio na 18ª Vara do Trabalho de Salvador. Ivete ou algum funcionário de sua empresa, a Caco de Telha, terá que comparecer. Ela chamará um de seus músicos como testemunha.
BATIDA 2
Batera entrou com a ação após ser demitido por Ivete e cobra indenização. Afirma que ela obrigou os músicos de sua banda a abrirem uma empresa para não ter que contratá-los formalmente. Valton Pessoa, advogado de Ivete, diz que o trabalho dos músicos era autônomo.
OUVIDOS DE ANDRES
Andres Sanchez diz em seu livro de memórias que, quando presidente do Corinthians, criou uma "rede de ouvidos" que contavam o que os jogadores faziam fora de campo. Um garçom do Fasano informou certa vez que um goleiro do clube estava lá com um dirigente do Fluminense e que acertavam "negócio de 120 mil reais, acho que era salário". O atleta foi cobrado por Sanchez no dia seguinte e "ficou branco".
EM FAMÍLIA
O livro de Andres, "O Mais Louco do Bando", será lançado em maio pela G7 Books e está sendo escrito por seu primo, Tadeo Sanchez.
SR. E SRA. MACBETH
Depois da desistência de Ana Paula Arósio (que seria substituída por Selma Egrei), a nova montagem de "Macbeth" terá apenas elenco masculino. Marcello Antony continua como protagonista e Claudio Fontana assume o papel de Lady Macbeth. A peça estreia no dia 31 de maio, no teatro Vivo, dentro do programa Vivo EnCena.
LING LING
São Paulo ganhará neste ano o primeiro festival de cinema e cultura asiática da cidade, o Traffic.
O evento acontecerá em agosto em salas de cinema.
A BALADA DE JEAN CHARLES
Nacib Carvalho
Roger Waters (no meio) se encontrou com Matozinhos e Maria Otone, pais de Jean Charles de Menezes, antes de seu show em Porto Alegre. O músico homenageia o eletricista brasileiro, assassinado pela polícia no metrô de Londres em 2005, em um segmento do espetáculo "The Wall". A foto de Jean Charles é exibida no telão acompanhada por sons de um trem e das 11 balas que o mataram.
Waters disse que era especial conhecer a família dele, que viajou de Gonzaga (MG) para o encontro. No show, ele canta a música "The Ballad of Jean Charles de Menezes", que compôs sobre o caso.
MENSAGEM DIRETA
O presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D'Urso, mandou mensagem via Facebook ao colega Ricardo Sayeg, pré-candidato de oposição à sua sucessão. Parabenizou-o pela participação no pleito e ofereceu "minha solidariedade ao irmão Hermes, pelo que fez o Toron". Alberto Toron, outro dos pré-candidatos da oposição, criticou em entrevista Raimundo Hermes Barbosa, que disputou a eleição passada contra D'Urso, por não apoiá-lo. Hermes está com Sayeg.
DUPLA
Leandra Leal e Bruno Gagliasso, que interpretaram um casal na novela "Passione", repetirão a dobradinha no cinema.
Estão no elenco de "Mato Sem Cachorro", longa de Pedro Amorim que deve ser rodado no segundo semestre.
TRAÇOS FINOS
A exposição "Encontros: Tomie Ohtake e Nobuo Mitsunashi" teve vernissage anteontem, na Galeria Deco, em São Paulo, com a presença dos artistas e outros convidados. Bianca Cutait e Cida Izique passaram por lá.
TE VI NA TEVÊ
Vice-Presidente Artístico e de Produção da Rede Record, Honorilton Gonçalves compareceu à festa de lançamento da programação da emissora no hotel Sheraton WTC. Os apresentadores Ana Hickmann e Gugu Liberato, os atores Paloma Duarte e Bruno Ferrari e a jornalista Ana Paula Padrão, entre outros convidados, também circularam pelo evento, em São Paulo.
CURTO-CIRCUITO
O cantor Thiaguinho, ex-Exaltasamba, faz shows nos dias 5, 6 e 7 de abril, no Credicard Hall. Classificação etária: 16 anos.
O livro "Imagem e Poder", de Paulo Martins, será lançado hoje, às 18h30, na Livraria da Vila dos Jardins.
Lucas Santtana faz show hoje, às 21h, no Sesc Vila Mariana. 12 anos.
O Festival Internacional de Linguagem Eletrônica começa no dia 9 de abril no Oi Futuro, no Rio, com palestra de Raquel Kogan e Alexandre Ribeiro de Sá.
com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY
Burburinho no mundo das artes: Vik Muniz, um dos mais célebres artistas plásticos brasileiros, não será mais representado no Brasil pela galeria Fortes Vilaça. Os dois romperam depois de quase 15 anos de parceria.
VIK 2
O diretor artístico da galeria, Alexandre Gabriel, confirma. E compara o fato "ao fim de um casamento". Mas afirma que a separação, "embora sofrida", está sendo amigável. "Foi uma decisão demorada e consensual de ambas as partes. O Vik expandiu imensamente seu campo de atuação e houve um distanciamento natural."
VIK 3
O diretor da Fortes Vilaça nega que as obras de Vik tenham hoje menos apelo comercial. "Ele continua sendo um artista de tremendo sucesso", afirma.
BATIDA FORTE
Depois de um ano de adiamento, a audiência de instrução do processo que Antônio da Silva, o Toinho Batera, ex-baterista de Ivete Sangalo, move contra a cantora foi marcada. Será no dia 25 de maio na 18ª Vara do Trabalho de Salvador. Ivete ou algum funcionário de sua empresa, a Caco de Telha, terá que comparecer. Ela chamará um de seus músicos como testemunha.
BATIDA 2
Batera entrou com a ação após ser demitido por Ivete e cobra indenização. Afirma que ela obrigou os músicos de sua banda a abrirem uma empresa para não ter que contratá-los formalmente. Valton Pessoa, advogado de Ivete, diz que o trabalho dos músicos era autônomo.
OUVIDOS DE ANDRES
Andres Sanchez diz em seu livro de memórias que, quando presidente do Corinthians, criou uma "rede de ouvidos" que contavam o que os jogadores faziam fora de campo. Um garçom do Fasano informou certa vez que um goleiro do clube estava lá com um dirigente do Fluminense e que acertavam "negócio de 120 mil reais, acho que era salário". O atleta foi cobrado por Sanchez no dia seguinte e "ficou branco".
EM FAMÍLIA
O livro de Andres, "O Mais Louco do Bando", será lançado em maio pela G7 Books e está sendo escrito por seu primo, Tadeo Sanchez.
SR. E SRA. MACBETH
Depois da desistência de Ana Paula Arósio (que seria substituída por Selma Egrei), a nova montagem de "Macbeth" terá apenas elenco masculino. Marcello Antony continua como protagonista e Claudio Fontana assume o papel de Lady Macbeth. A peça estreia no dia 31 de maio, no teatro Vivo, dentro do programa Vivo EnCena.
LING LING
São Paulo ganhará neste ano o primeiro festival de cinema e cultura asiática da cidade, o Traffic.
O evento acontecerá em agosto em salas de cinema.
A BALADA DE JEAN CHARLES
Nacib Carvalho
Roger Waters (no meio) se encontrou com Matozinhos e Maria Otone, pais de Jean Charles de Menezes, antes de seu show em Porto Alegre. O músico homenageia o eletricista brasileiro, assassinado pela polícia no metrô de Londres em 2005, em um segmento do espetáculo "The Wall". A foto de Jean Charles é exibida no telão acompanhada por sons de um trem e das 11 balas que o mataram.
Waters disse que era especial conhecer a família dele, que viajou de Gonzaga (MG) para o encontro. No show, ele canta a música "The Ballad of Jean Charles de Menezes", que compôs sobre o caso.
MENSAGEM DIRETA
O presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D'Urso, mandou mensagem via Facebook ao colega Ricardo Sayeg, pré-candidato de oposição à sua sucessão. Parabenizou-o pela participação no pleito e ofereceu "minha solidariedade ao irmão Hermes, pelo que fez o Toron". Alberto Toron, outro dos pré-candidatos da oposição, criticou em entrevista Raimundo Hermes Barbosa, que disputou a eleição passada contra D'Urso, por não apoiá-lo. Hermes está com Sayeg.
DUPLA
Leandra Leal e Bruno Gagliasso, que interpretaram um casal na novela "Passione", repetirão a dobradinha no cinema.
Estão no elenco de "Mato Sem Cachorro", longa de Pedro Amorim que deve ser rodado no segundo semestre.
TRAÇOS FINOS
A exposição "Encontros: Tomie Ohtake e Nobuo Mitsunashi" teve vernissage anteontem, na Galeria Deco, em São Paulo, com a presença dos artistas e outros convidados. Bianca Cutait e Cida Izique passaram por lá.
TE VI NA TEVÊ
Vice-Presidente Artístico e de Produção da Rede Record, Honorilton Gonçalves compareceu à festa de lançamento da programação da emissora no hotel Sheraton WTC. Os apresentadores Ana Hickmann e Gugu Liberato, os atores Paloma Duarte e Bruno Ferrari e a jornalista Ana Paula Padrão, entre outros convidados, também circularam pelo evento, em São Paulo.
CURTO-CIRCUITO
O cantor Thiaguinho, ex-Exaltasamba, faz shows nos dias 5, 6 e 7 de abril, no Credicard Hall. Classificação etária: 16 anos.
O livro "Imagem e Poder", de Paulo Martins, será lançado hoje, às 18h30, na Livraria da Vila dos Jardins.
Lucas Santtana faz show hoje, às 21h, no Sesc Vila Mariana. 12 anos.
O Festival Internacional de Linguagem Eletrônica começa no dia 9 de abril no Oi Futuro, no Rio, com palestra de Raquel Kogan e Alexandre Ribeiro de Sá.
com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY
À beira do abismo - ROBERTO FREIRE
BRASIL ECONÔMICO - 30/03/12
É uma temeridade, em tempos de crise, acreditarmos nas previsões sobre o desempenho econômico realizadas pelas instituições que tratam do assunto, entre elas, o nosso Ministério da Fazenda. Por outro lado, é relevante termos presente os dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o crescimento da economia mundial para 2011-2012, estimado em cerca de 4%. Isto é, se os responsáveis pela política econômica mantiverem seus compromissos com a estabilidade financeira mundial.
Este resultado, contudo, será desigual. Os países desenvolvidos terão pequena recuperação do nível de atividade econômica. Seu crescimento estimado de 0,75% a.a, no primeiro semestre de 2011, subiu para 1,5% a.a., em 2012. Os países emergentes terão crescimento mais robusto, exceto o Brasil. Restrições de capacidade, aperto nas políticas fiscal e monetária e desaceleração da demanda externa fazem com que o crescimento médio se reduza de 7% a.a, no primeiro semestre de 2011, para 6%a.a, em 2012.
Segundo o FMI, quatro tipos de ameaças afetam a economia mundial: a primeira delas é a crise bancária e de endividamento nos países avançados; a segunda se refere às políticas fracas para lidar com o legado da crise das economias avançadas; a terceira está relacionada às vulnerabilidades nas economias dos países emergentes; e, por fim, a volatilidade dos preços das commodities e tensões geopolíticas.
No que diz respeito às economias emergentes, essas estão sujeitas ao risco de sobreaquecimento de suas economias que pode aumentar sua fragilidade financeira. O ritmo de expansão do crédito e o crescimento dos preços dos ativos têm permanecido elevados em vários países em desenvolvimento, como Brasil, Colômbia, Hong Kong, Índia, Indonésia, Peru e Turquia. Há ainda a possibilidade de bolha de ativos nos países emergentes, alimentada pela expansão do crédito bancário. Se a bolha estourar devido ao aumento da aversão ao risco dos investidores internacionais, poderemos ter um movimento de parada súbita de capitais externos para essas economias, seguido de queda acentuada nos preços dos ativos e crescente fragilidade do setor bancário. Na China, o ritmo de expansão do crédito, embora ainda esteja alto, começa a diminuir gradativamente.
No caso específico do Brasil, o que temos observado é um processo consistente de queda da participação da indústria de transformação no PIB. Essa "desindustrialização" tem efeitos negativos sobre o dinamismo da economia no longo prazo - uma vez que a indústria é a principal difusora do progresso tecnológico para a economia como um todo.
A continuidade desse processo na economia brasileira deverá, portanto, reduzir seu dinamismo no médio e longo prazos. Desde o segundo semestre de 2010, o PIB do país tem apresentado uma desaceleração bastante pronunciada, o que já reflete os efeitos do referido processo. Mas, ao que parece, o governo Dilma não consegue se livrar dos remendos localizados, como a prorrogação do IPI, desoneração da folha de pagamento e incidência da previdência no faturamento, conforme a reclamação dos setores envolvidos, como a melhor resposta aos perigos que enfrenta nossa indústria.
Apitos e pajelanças - FERNANDO GABEIRA
O ESTADO DE SP - 30/03/12
Pajelança é um conjunto de rituais realizados por um pajé com objetivo de cura ou previsão de acontecimentos futuros. Essa palavra entrou mais fortemente em nosso vocabulário em 1986, quando o cacique Raoni e o pajé Sapaim vieram ao Rio para tentar curar o cientista Augusto Ruschi, envenenado por um sapo. A cerimônia foi no Jardim Botânico e consistiu em soprar fumaça de um grosso cigarro azulado e, certamente, de orações rituais. Mais tarde a expressão se ampliou para a política, por causa das grandes reuniões com militantes que Brizola fazia na reta final da campanha.
A maioria dos políticos gosta de falar. Brizola gostava muito e, com longos discursos, transmitia a disposição de luta que podia ser decisiva em campanhas em que havia equilíbrio de forças. Ao transplantar a pajelança para a política, Brizola trabalhava a energia psicológica, destituída do conteúdo espiritual que os indígenas comunicam a ela. Tornou- a um ritual mais próximo dos jogadores de futebol que se abraçam no vestiário, ou mesmo do grito de uma torcida: Hip, hurra, é hora, é hora, é hora!
Não nego a importância da energia coletiva que eventualmente uma pajelança, no sentido político, possa injetar. Mas quando acionado fora da hora o ritual tende mais a inquietar do que propriamente a animar. Foi como me senti com a reunião de Dilma Rousseff com alguns empresários poderosos, tratados pela imprensa pelo apelido de PIB nacional. Na semana que antecedeu o encontro fontes no Planalto diziam à mídia que o objetivo da reunião era despertar o espírito animal dos capitalistas. Uma pajelança. Décadas de negação do capitalismo, de humanização do capitalismo e agora seus instintos animais se tornam o objeto do desejo da esquerda no poder.Instintos animais no bom sentido.
Em outro teatro, o pajé está às voltas exatamente com os instintos animais do capitalismo financeiro. Como não havia animal comporte capaz de nomeá-lo,recorreu- se à adaptação de uma catástrofe natural: tsunami de dólares. O governo atua como um domador do bicho capitalista, estimulando instintos em certas áreas e, no cenário mundial, pedindo que sejam contidos os instintos de cruzar fronteiras para lucros rápidos. O PIB nacional não foi tão alto.Há ainda aumento de empregos e distribuição de renda. O crescimento não é só um valor aritmético. Mas os problemas que temos pela frente são complexos de mais para uma pajelança. Além do mais, segundo os próprios critérios de Brizola, apajelança é boa ou má na medida em que dissemina esperanças. A simplicidade da escolha desconcertou quem esperava uma consciência maior de como é complexa a reativação econômica.
Outro espetáculo ofuscou a pajelança: a denúncia de corrupção na saúde do Rio. Foram dez minutos de denúncias no Fantástico,mostrando como as empresas agiam, oferecendo propina. Nele emergiu a lógica das novelas. Uma personagem se destacou: RenataCavas. É um caso para aulas de roteiro. Ao longo do programa, ela desdobrou a personagem com coerência tal que acabou roubando a cena.
Quando sentiu a hesitação do "funcionário" representa do pelo repórter da Globo, Renata tranquilizou-o quanto à normalidade da propina: "É a ética do mercado, entende?" Para quem diviniza o mercado, é como se dissesse: não é pecado.E em seguida,um pouco irritada com a ingenuidade do "funcionário", usou da ironia. "É legal um contrato que vamos assinar?" Renata: "Claro que é legal, carimbo, papel timbrado, até tipo sanguíneo".
Nesse momento do espetáculo ela se tornou vilã por ironizar quem desconhece os meandros da corrupção: uma grande parte dos brasileiros.
A personagem desdobra-se com a coerência de um autor. Onde entra o dinheiro da propina?" Renata: "Shopping, subsolo, Quinta da Boa Vista, na Floresta da Tijuca, por exemplo, olha que chique!"."Em que moedas vocês pagam a propina?" Renata: "Na que você quiser, meu bem. Iens, você quer receber em iens?"
Quais os próximos capítulos?
Os governos decidiram revisar seus contratos. Só no Rio beiram osR$400milhões.Comorevisar contratos legais, timbrados e comtipo sanguíneo?Aúnica pista são os aditivos. Legalmente não deveriam passar de 20%.Há casodeaditivosde300%aoorçamento inicial. Será um trabalho áspero e ninguém pode prever o resultado final. Talvez Renata...
Não é só a investigação que promete baixo ibope. É também o desdobramento político, sobretudo no delicado campo de regular algumas práticas empresariais. Seguindo exemplo de alguns países, apresentei um projeto criando algumas normas para empresas brasileiras no exterior. Não eram moralistas, jogavam apenas com o elemento estratégico da imagem nacional num mundo em constante intercâmbio. Certos instintos animais podem morder o nosso próprio rabo. Resta perseguir como crítico de espetáculo o que não obtive na política.
Mas não se fazem mais pajelanças como a de Brizola nem surgem grandes ondas de indignação diante de denúncias que expõem desvios dos suados recursos nacionais. Talvez Sapaim continue fumando seu cigarro azul, desvendando os mistérios do futuro. Não precisamos mais de suas nuvens aromáticas. Precisamos, sim, de mais apitos. Só assim poderíamos revelar com clareza toda a complexa relação de fornecedores, governos e campanhas políticas. Os episódios ocorrem e submergem, como, por exemplo,um acidente de helicóptero na Bahia que mostrou a intimidade entre compradores e vendedores de obras públicas.
Brasília envia uma série de mini capítulos com a cena única de gente enfiando dinheiro no bolso, na valise, nas meias. Agora apareceu a reportagem do Fantástico. Quando é que veremos uma trama completa, com todos os principais vilões e um capítulo final?
Sempre há uma outra novela, dirão os céticos. Mas com outro enredo. Já há público para isso.O mecanismo foi escancarado.Não adianta fingir que não aconteceu. Só o otimismo de uma vilã poderia salvar a sorte do esquema. Ela diria: "Daqui a pouco os escândalos da Copa vão sepultar os desvios na saúde pública".
Quando veremos uma trama completa, com todos os principais vilões e um capítulo final?
Não nego a importância da energia coletiva que eventualmente uma pajelança, no sentido político, possa injetar. Mas quando acionado fora da hora o ritual tende mais a inquietar do que propriamente a animar. Foi como me senti com a reunião de Dilma Rousseff com alguns empresários poderosos, tratados pela imprensa pelo apelido de PIB nacional. Na semana que antecedeu o encontro fontes no Planalto diziam à mídia que o objetivo da reunião era despertar o espírito animal dos capitalistas. Uma pajelança. Décadas de negação do capitalismo, de humanização do capitalismo e agora seus instintos animais se tornam o objeto do desejo da esquerda no poder.Instintos animais no bom sentido.
Em outro teatro, o pajé está às voltas exatamente com os instintos animais do capitalismo financeiro. Como não havia animal comporte capaz de nomeá-lo,recorreu- se à adaptação de uma catástrofe natural: tsunami de dólares. O governo atua como um domador do bicho capitalista, estimulando instintos em certas áreas e, no cenário mundial, pedindo que sejam contidos os instintos de cruzar fronteiras para lucros rápidos. O PIB nacional não foi tão alto.Há ainda aumento de empregos e distribuição de renda. O crescimento não é só um valor aritmético. Mas os problemas que temos pela frente são complexos de mais para uma pajelança. Além do mais, segundo os próprios critérios de Brizola, apajelança é boa ou má na medida em que dissemina esperanças. A simplicidade da escolha desconcertou quem esperava uma consciência maior de como é complexa a reativação econômica.
Outro espetáculo ofuscou a pajelança: a denúncia de corrupção na saúde do Rio. Foram dez minutos de denúncias no Fantástico,mostrando como as empresas agiam, oferecendo propina. Nele emergiu a lógica das novelas. Uma personagem se destacou: RenataCavas. É um caso para aulas de roteiro. Ao longo do programa, ela desdobrou a personagem com coerência tal que acabou roubando a cena.
Quando sentiu a hesitação do "funcionário" representa do pelo repórter da Globo, Renata tranquilizou-o quanto à normalidade da propina: "É a ética do mercado, entende?" Para quem diviniza o mercado, é como se dissesse: não é pecado.E em seguida,um pouco irritada com a ingenuidade do "funcionário", usou da ironia. "É legal um contrato que vamos assinar?" Renata: "Claro que é legal, carimbo, papel timbrado, até tipo sanguíneo".
Nesse momento do espetáculo ela se tornou vilã por ironizar quem desconhece os meandros da corrupção: uma grande parte dos brasileiros.
A personagem desdobra-se com a coerência de um autor. Onde entra o dinheiro da propina?" Renata: "Shopping, subsolo, Quinta da Boa Vista, na Floresta da Tijuca, por exemplo, olha que chique!"."Em que moedas vocês pagam a propina?" Renata: "Na que você quiser, meu bem. Iens, você quer receber em iens?"
Quais os próximos capítulos?
Os governos decidiram revisar seus contratos. Só no Rio beiram osR$400milhões.Comorevisar contratos legais, timbrados e comtipo sanguíneo?Aúnica pista são os aditivos. Legalmente não deveriam passar de 20%.Há casodeaditivosde300%aoorçamento inicial. Será um trabalho áspero e ninguém pode prever o resultado final. Talvez Renata...
Não é só a investigação que promete baixo ibope. É também o desdobramento político, sobretudo no delicado campo de regular algumas práticas empresariais. Seguindo exemplo de alguns países, apresentei um projeto criando algumas normas para empresas brasileiras no exterior. Não eram moralistas, jogavam apenas com o elemento estratégico da imagem nacional num mundo em constante intercâmbio. Certos instintos animais podem morder o nosso próprio rabo. Resta perseguir como crítico de espetáculo o que não obtive na política.
Mas não se fazem mais pajelanças como a de Brizola nem surgem grandes ondas de indignação diante de denúncias que expõem desvios dos suados recursos nacionais. Talvez Sapaim continue fumando seu cigarro azul, desvendando os mistérios do futuro. Não precisamos mais de suas nuvens aromáticas. Precisamos, sim, de mais apitos. Só assim poderíamos revelar com clareza toda a complexa relação de fornecedores, governos e campanhas políticas. Os episódios ocorrem e submergem, como, por exemplo,um acidente de helicóptero na Bahia que mostrou a intimidade entre compradores e vendedores de obras públicas.
Brasília envia uma série de mini capítulos com a cena única de gente enfiando dinheiro no bolso, na valise, nas meias. Agora apareceu a reportagem do Fantástico. Quando é que veremos uma trama completa, com todos os principais vilões e um capítulo final?
Sempre há uma outra novela, dirão os céticos. Mas com outro enredo. Já há público para isso.O mecanismo foi escancarado.Não adianta fingir que não aconteceu. Só o otimismo de uma vilã poderia salvar a sorte do esquema. Ela diria: "Daqui a pouco os escândalos da Copa vão sepultar os desvios na saúde pública".
Quando veremos uma trama completa, com todos os principais vilões e um capítulo final?
Trovoadas de março - MARINA SILVA
FOLHA DE SP - 30/03/12
O Brasil perdeu, na última terça-feira, uma de suas vozes mais críticas e independentes. O brilhante, multitalentoso e bem-humorado Millôr Fernandes nos deixou, aos 88 anos.
Fica sua extensa obra de escritor, artista plástico, humorista, dramaturgo, cartunista, jornalista e homem antenado com o seu tempo. Seu humor inteligentíssimo nos fazia rir ao mesmo tempo em que denunciava, com acidez, as mais variadas falácias.
Fica a lição do "guru do Méier" de que é preciso sempre olhar para a realidade sob uma perspectiva crítica.
Quem dera tivéssemos todos essa mesma perspicácia. O estilo debochado de Millôr desnudava os políticos de sorrisos congelados e intenções inconfessáveis. Vai fazer muita falta, principalmente em ano de eleição, quando promessas vazias são potencializadas pelo marketing frio e calculado.
Cada vez mais, os que se acham espertos usam os mesmos truques já tão conhecidos, como se a sociedade cumprisse apenas um papel secundário de plateia. Pior, em um espetáculo em que os mágicos se contentam com truques amadores, os malabaristas nem ligam se muitos dos seus pratos se espatifam no chão e a maquiagem dos artistas se mostra borrada, revelando sua face nada engraçada.
É mais ou menos o que se vê agora no Congresso Nacional. Um projeto que acaba com a proteção das florestas do Brasil é apresentado como o "novo" código florestal.
Para diminuir o constrangimento, falou-se em deixar a votação para depois da conferência Rio+20, mas a sanha voraz da motosserra estabelece prazos e exigências.
O governo acata, afinal a governabilidade hoje se sustenta não em ideias ou projetos para o país, mas em interesses de partidos que, em grande parte, já se apresentam sem máscaras.
Entretanto, como bem escreveu Millôr certa vez, entre suas muitas frases brilhantemente sarcásticas, "tome nota, amigo: as aparências não enganam".
Chegamos ao Saara da política. Nesse deserto desolador, sobressai a beleza do gesto do operário e do sociólogo, que, por duas vezes, se visitaram em situações de grande dificuldade. Uma para fortalecer a luta pela democracia e a outra para trocar o abraço que, apesar das muitas divergências, não se priva da arte de dar e receber, da imprescindível dose de respeito e afeto que ajuda a produzir boas porções de bálsamo capaz de enfraquecer até a doença. De resto, tudo parece estéril e sem vida.
Perdemos, em um mesmo mês, a graça de Chico Anysio e de Millôr Fernandes. Já chega. Basta, março. Para com teus relâmpagos e trovoadas e manda logo tuas águas. Traz o outono da calma que anima o coração.
O novo papel estratégico do gás - RODOLFO LANDIM
FOLHA DE SP - 30/03/12
O Brasil dispõe de vastas bacias sedimentares, com significativas ocorrências de rochas geradoras
Nas aulas de geologia e engenharia de petróleo, aprendemos que tanto ele como o gás natural (GN) são fluidos formados por uma complexa mistura de hidrocarbonetos e que a existência de um campo de petróleo está sempre associada à ocorrência de uma série de eventos.
Em resumo, esses eventos envolvem não só a geração de hidrocarbonetos através de rochas ricas em matéria orgânica como a migração, que é o deslocamento deles para rochas produtoras mais permeáveis, chamadas de rochas-reservatório, as quais ainda devem estar estruturadas, criando uma espécie de armadilha para a acumulação do petróleo e/ou do gás no seu topo, e capeadas por uma rocha impermeável com a função de impedir que o fluido continue migrando até a superfície e se perca.
No entanto, o que vem acontecendo nos Estados Unidos em relação ao GN é algo que muda esse paradigma. Lá, ele vem sendo produzido diretamente de rochas geradoras a partir do uso de novas tecnologias de engenharia de poços.
Quando as primeiras companhias operadoras começaram a obter sucesso com a aplicação desses novos métodos, houve um redirecionamento estratégico de várias outras, que passaram a vender seus ativos de exploração e produção em todo o mundo, canalizando esses recursos para o que prometia ser a grande saída para a redução da dependência energética externa do país.
Os resultados foram tão bons que a produção de GN aumentou muito e o preço caiu vertiginosamente. Só para ter uma ideia, ele, que quase sempre esteve nos últimos anos acima dos US$ 6 por milhão de BTUs (British Thermal Unit, unidade britânica que mede o poder calorífico do gás), caiu de forma consistente para menos da metade, provocando total descolamento entre os preços do GN e do petróleo, o que deverá causar grandes transformações na matriz energética daquele país.
Na área de geração de energia elétrica, várias usinas a carvão do país têm tido as suas licenças prorrogadas, em parte graças ao forte lobby do setor carvoeiro. Mas, com custos de investimento significativamente menores e perspectivas de preço de combustível de longo prazo bem mais atrativas do que no passado, as usinas geradoras a gás natural têm tudo para ocupar os espaços a serem criados no setor.
Além disso, já está em curso por lá uma parcial transformação da frota de veículos pesados de diesel para GN. É certo que hoje a rede de distribuição pelas estradas é ainda muito pequena, mas já existem mais de 500 postos de distribuição espalhados pelo país, boa parte deles abastecidos por GN comprimido e liquefeito. Incentivos fiscais foram criados e podem reduzir o preço de um caminhão novo movido a GN em até US$ 30 mil.
Estima-se que o uso do GN geraria uma economia para os usuários de diesel de US$ 1,5 por galão, ou seja, teriam a sua parcela de custos relativos ao combustível reduzida quase à metade. E não faltam aqueles que defendem que os EUA autorizem a instalação de unidades de liquefação de gás para a exportação do produto, já que na Europa, por exemplo, ele é vendido por cerca de US$ 12 por milhão de BTUs.
Tudo isso nos faz lembrar Ahmed Yamani, poderoso ministro do petróleo da Arábia Saudita no período de 1962 a 1986, quando disse que "o longo prazo não é favorável à Opep porque ele ajuda a tecnologia, seu verdadeiro inimigo", para depois cunhar a frase lapidar de que "tal como a idade da pedra não acabou por falta de pedras, a idade do petróleo não acabará por falta de petróleo".
Tomara que o Conselho Nacional de Política Energética esteja atento aos movimentos que estão ocorrendo no mundo, uma vez que o Brasil dispõe de vastas bacias sedimentares que, somadas, possuem uma dimensão continental, todas com significativas ocorrências de rochas geradoras. E, como já disse o ditado popular, vento que venta lá tem tudo para ventar cá também.
O que também vai ser preciso é vontade política para que as oportunidades exploratórias através de leilões voltem a existir no Brasil e que grande parte do petróleo e do gás natural não continue embaixo da terra como já ocorre há milhões de anos, sem gerar benefício econômico para a sociedade.
Em resumo, esses eventos envolvem não só a geração de hidrocarbonetos através de rochas ricas em matéria orgânica como a migração, que é o deslocamento deles para rochas produtoras mais permeáveis, chamadas de rochas-reservatório, as quais ainda devem estar estruturadas, criando uma espécie de armadilha para a acumulação do petróleo e/ou do gás no seu topo, e capeadas por uma rocha impermeável com a função de impedir que o fluido continue migrando até a superfície e se perca.
No entanto, o que vem acontecendo nos Estados Unidos em relação ao GN é algo que muda esse paradigma. Lá, ele vem sendo produzido diretamente de rochas geradoras a partir do uso de novas tecnologias de engenharia de poços.
Quando as primeiras companhias operadoras começaram a obter sucesso com a aplicação desses novos métodos, houve um redirecionamento estratégico de várias outras, que passaram a vender seus ativos de exploração e produção em todo o mundo, canalizando esses recursos para o que prometia ser a grande saída para a redução da dependência energética externa do país.
Os resultados foram tão bons que a produção de GN aumentou muito e o preço caiu vertiginosamente. Só para ter uma ideia, ele, que quase sempre esteve nos últimos anos acima dos US$ 6 por milhão de BTUs (British Thermal Unit, unidade britânica que mede o poder calorífico do gás), caiu de forma consistente para menos da metade, provocando total descolamento entre os preços do GN e do petróleo, o que deverá causar grandes transformações na matriz energética daquele país.
Na área de geração de energia elétrica, várias usinas a carvão do país têm tido as suas licenças prorrogadas, em parte graças ao forte lobby do setor carvoeiro. Mas, com custos de investimento significativamente menores e perspectivas de preço de combustível de longo prazo bem mais atrativas do que no passado, as usinas geradoras a gás natural têm tudo para ocupar os espaços a serem criados no setor.
Além disso, já está em curso por lá uma parcial transformação da frota de veículos pesados de diesel para GN. É certo que hoje a rede de distribuição pelas estradas é ainda muito pequena, mas já existem mais de 500 postos de distribuição espalhados pelo país, boa parte deles abastecidos por GN comprimido e liquefeito. Incentivos fiscais foram criados e podem reduzir o preço de um caminhão novo movido a GN em até US$ 30 mil.
Estima-se que o uso do GN geraria uma economia para os usuários de diesel de US$ 1,5 por galão, ou seja, teriam a sua parcela de custos relativos ao combustível reduzida quase à metade. E não faltam aqueles que defendem que os EUA autorizem a instalação de unidades de liquefação de gás para a exportação do produto, já que na Europa, por exemplo, ele é vendido por cerca de US$ 12 por milhão de BTUs.
Tudo isso nos faz lembrar Ahmed Yamani, poderoso ministro do petróleo da Arábia Saudita no período de 1962 a 1986, quando disse que "o longo prazo não é favorável à Opep porque ele ajuda a tecnologia, seu verdadeiro inimigo", para depois cunhar a frase lapidar de que "tal como a idade da pedra não acabou por falta de pedras, a idade do petróleo não acabará por falta de petróleo".
Tomara que o Conselho Nacional de Política Energética esteja atento aos movimentos que estão ocorrendo no mundo, uma vez que o Brasil dispõe de vastas bacias sedimentares que, somadas, possuem uma dimensão continental, todas com significativas ocorrências de rochas geradoras. E, como já disse o ditado popular, vento que venta lá tem tudo para ventar cá também.
O que também vai ser preciso é vontade política para que as oportunidades exploratórias através de leilões voltem a existir no Brasil e que grande parte do petróleo e do gás natural não continue embaixo da terra como já ocorre há milhões de anos, sem gerar benefício econômico para a sociedade.
CLAUDIO HUMBERTO
“Cargos são passageiros. A honra não é, a dignidade não é”
Deputada Rose de Freitas (PMDB-ES) em resposta ao deputado Arlindo Chinaglia (PT)
LICITAÇÃO SUSPEITA LEVA EX-DIRETOR À SEDE DA ANTT
Barrado pelo Senado para permanecer na ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), o ex-diretor Bernardo Figueiredo trabalha para convalidar a concessão de um trecho da BR-101, apesar das suspeitas de irregularidades na proposta vencedora, como a falta do Plano de Negócios, exigido no edital. Sem ele, abre-se caminho para burlar o critério do menor preço e não haveria como averiguar se a ganhadora, de fato, investiria em obras, segurança, etc., conforme o contrato.
QUASE NADA
Um detalhe intrigante na licitação da ANTT: é infinitesimal a diferença do preço entre a vencedora e a segunda colocada: R$ 0,00221.
VISITA IMPREVISTA
Sempre preocupado e muito ativo, Bernardo Figueiredo esteve ontem visitando a sede da ANTT, segundo funcionários da agência. Humm...
PRAZO FINAL
Vence nesta sexta o prazo para a procuradoria da ANTT se pronunciar sobre a eventual impugnação da licitação. A diretoria definirá no dia 12.
SUA SUMIDADE
A piada do momento é que Lula ficou curado porque Deus em pessoa visitou-o na terça (27) no hospital. E até posaram juntos para fotos.
EMBAIXADORA PAGARÁ R$ 55 MIL DE INDENIZAÇÃO
A Justiça do Trabalho condenou a embaixadora do Panamá no Brasil, Gabriela Garcia Carranza, a indenizar em R$ 55 mil a ex-funcionária Deudete dos Santos por danos morais, multas trabalhistas e litigância de má-fé. Gabriela, conforme denunciou a Coluna em maio de 2011, é acusada de tratar funcionários de forma “desumana”, sobretudo os humildes. O Itamaraty prometeu pedir sua substituição, se condenada.
QUE VERGONHA
O Ministério das Relações Exteriores criou uma entrada de serviço para que “punhos de renda” não se misturem a “serviçais” e estagiários.
POBRES SOB SUSPEITA
O Ministério das Relações Exteriores ainda informou que a criação de entrada de serviço, ilegal e discriminadora, é “medida de segurança”.
BICOS CALADOS
A associação (Asmre) e o sindicato nacional dos servidores (Sinditamaraty) calaram sobre a humilhação imposta aos associados.
GUERRA DE EGOS
Cresceram os conflitos entre a ministra Gleisi Hoffman (Casa Civil) e seu auxiliar Beto Vasconcelos, queridinho da presidente Dilma Rousseff. A guerra só acaba se Beto substituir Luiz Adams na Advocacia Geral da União. Mas o chefe da AGU terá de virar ministro do Supremo Tribunal Federal.
DANÇA DAS CADEIRAS
A ministra Elizabeth Rocha, do Superior Tribunal Militar, e Flavia Piovesan, ligada ao ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), estão no páreo para o Supremo Tribunal Federal. Duas vagas serão abertas.
BARBAS DE MOLHO
As denúncias contra o governo de Ricardo Coutinho (PSB), na Paraíba, preocupam o partido e seu presidente, governador Eduardo Campos (PE), que não querem a sigla vinculada a casos de corrupção.
CONSPIRAÇÃO
Cerca de 40 deputados da facção Construindo um Novo Brasil se reuniram na casa de André Vargas (PT-PR), terça à noite. Arderam as orelhas dos líderes trapalhões Arlindo Chinaglia e Jilmar Tatto.
A VOZ DA SABEDORIA
Para Ruy Barbosa, patrono dos advogados, “a anistia, que é o olvido, a extinção, o cancelamento do passado criminal, não se retrata. Concedida, é irretirável, como é irrenunciável, definitiva, perpétua”.
PRATO SERVIDO FRIO
Esperava-se que o ministro relator do processo contra Demóstenes Torres (DEM-GO) no Supremo Tribunal Federal abrisse mão da tarefa. Após a criação do PSD, o senador atacou: “Enquanto Lewandowski dançava na boquinha da garrafa, o Marco Aurélio se esforçava para segurar o tchan.”
LUTA PELA VIDA
Ameaçada de expulsão, a brasileira Miriam, 19, tetraplégica e epiléptica, ganhou mais dois meses em Loiret, na França. A família saiu do Brasil em 2007, em busca de tratamento mais barato e eficaz.
TIRIRICA E A BIRITA
Em uma roda de deputados, o palhaço Tiririca (PR) revelou ter votado contra a venda de bebidas na Copa de 2014: “Se for mesmo proibido, vou comemorar bebendo em frente a um estádio”.
PENSANDO BEM...
...dize-me com quem andas e te direi que bicho vai dar.
PODER SEM PUDOR
SENADOR NÃO É LASTRO
O senador Marco Maciel sobrevoava o interior do Rio Grande do Sul, em meados de 1989, quando o pequeno avião Piper começou a ser sacudido por fortes rajadas de vento. Preocupado, o piloto fez um pouso em Júlio de Castilhos, longe do destino – o município de Cruz Alta. Maciel se fez de mouco, mas contou depois a amigos, achando muita graça, que ouviu o piloto olhar para seu porte de fiapo e murmurar:
– Faltou lastro...
Deputada Rose de Freitas (PMDB-ES) em resposta ao deputado Arlindo Chinaglia (PT)
LICITAÇÃO SUSPEITA LEVA EX-DIRETOR À SEDE DA ANTT
Barrado pelo Senado para permanecer na ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), o ex-diretor Bernardo Figueiredo trabalha para convalidar a concessão de um trecho da BR-101, apesar das suspeitas de irregularidades na proposta vencedora, como a falta do Plano de Negócios, exigido no edital. Sem ele, abre-se caminho para burlar o critério do menor preço e não haveria como averiguar se a ganhadora, de fato, investiria em obras, segurança, etc., conforme o contrato.
QUASE NADA
Um detalhe intrigante na licitação da ANTT: é infinitesimal a diferença do preço entre a vencedora e a segunda colocada: R$ 0,00221.
VISITA IMPREVISTA
Sempre preocupado e muito ativo, Bernardo Figueiredo esteve ontem visitando a sede da ANTT, segundo funcionários da agência. Humm...
PRAZO FINAL
Vence nesta sexta o prazo para a procuradoria da ANTT se pronunciar sobre a eventual impugnação da licitação. A diretoria definirá no dia 12.
SUA SUMIDADE
A piada do momento é que Lula ficou curado porque Deus em pessoa visitou-o na terça (27) no hospital. E até posaram juntos para fotos.
EMBAIXADORA PAGARÁ R$ 55 MIL DE INDENIZAÇÃO
A Justiça do Trabalho condenou a embaixadora do Panamá no Brasil, Gabriela Garcia Carranza, a indenizar em R$ 55 mil a ex-funcionária Deudete dos Santos por danos morais, multas trabalhistas e litigância de má-fé. Gabriela, conforme denunciou a Coluna em maio de 2011, é acusada de tratar funcionários de forma “desumana”, sobretudo os humildes. O Itamaraty prometeu pedir sua substituição, se condenada.
QUE VERGONHA
O Ministério das Relações Exteriores criou uma entrada de serviço para que “punhos de renda” não se misturem a “serviçais” e estagiários.
POBRES SOB SUSPEITA
O Ministério das Relações Exteriores ainda informou que a criação de entrada de serviço, ilegal e discriminadora, é “medida de segurança”.
BICOS CALADOS
A associação (Asmre) e o sindicato nacional dos servidores (Sinditamaraty) calaram sobre a humilhação imposta aos associados.
GUERRA DE EGOS
Cresceram os conflitos entre a ministra Gleisi Hoffman (Casa Civil) e seu auxiliar Beto Vasconcelos, queridinho da presidente Dilma Rousseff. A guerra só acaba se Beto substituir Luiz Adams na Advocacia Geral da União. Mas o chefe da AGU terá de virar ministro do Supremo Tribunal Federal.
DANÇA DAS CADEIRAS
A ministra Elizabeth Rocha, do Superior Tribunal Militar, e Flavia Piovesan, ligada ao ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), estão no páreo para o Supremo Tribunal Federal. Duas vagas serão abertas.
BARBAS DE MOLHO
As denúncias contra o governo de Ricardo Coutinho (PSB), na Paraíba, preocupam o partido e seu presidente, governador Eduardo Campos (PE), que não querem a sigla vinculada a casos de corrupção.
CONSPIRAÇÃO
Cerca de 40 deputados da facção Construindo um Novo Brasil se reuniram na casa de André Vargas (PT-PR), terça à noite. Arderam as orelhas dos líderes trapalhões Arlindo Chinaglia e Jilmar Tatto.
A VOZ DA SABEDORIA
Para Ruy Barbosa, patrono dos advogados, “a anistia, que é o olvido, a extinção, o cancelamento do passado criminal, não se retrata. Concedida, é irretirável, como é irrenunciável, definitiva, perpétua”.
PRATO SERVIDO FRIO
Esperava-se que o ministro relator do processo contra Demóstenes Torres (DEM-GO) no Supremo Tribunal Federal abrisse mão da tarefa. Após a criação do PSD, o senador atacou: “Enquanto Lewandowski dançava na boquinha da garrafa, o Marco Aurélio se esforçava para segurar o tchan.”
LUTA PELA VIDA
Ameaçada de expulsão, a brasileira Miriam, 19, tetraplégica e epiléptica, ganhou mais dois meses em Loiret, na França. A família saiu do Brasil em 2007, em busca de tratamento mais barato e eficaz.
TIRIRICA E A BIRITA
Em uma roda de deputados, o palhaço Tiririca (PR) revelou ter votado contra a venda de bebidas na Copa de 2014: “Se for mesmo proibido, vou comemorar bebendo em frente a um estádio”.
PENSANDO BEM...
...dize-me com quem andas e te direi que bicho vai dar.
PODER SEM PUDOR
SENADOR NÃO É LASTRO
O senador Marco Maciel sobrevoava o interior do Rio Grande do Sul, em meados de 1989, quando o pequeno avião Piper começou a ser sacudido por fortes rajadas de vento. Preocupado, o piloto fez um pouso em Júlio de Castilhos, longe do destino – o município de Cruz Alta. Maciel se fez de mouco, mas contou depois a amigos, achando muita graça, que ouviu o piloto olhar para seu porte de fiapo e murmurar:
– Faltou lastro...
SEXTA NOS JORNAIS
- Globo: Senador fazia lobby para bicheiro, revela gravação
- Folha: ‘Sem voz estaria morto’, diz Lula
- Estadão: Dilma pede que potências ‘baixem o tom’ sobre o Irã
- Correio: Escola cobra extra de alunos com Down
- Valor: Chrysler vai voltar a fazer carros no Brasil
- Zero Hora: Pacote de Dilma vai do salário aos carros
- Estado de Minas: Prefeitura de BH paga 14º e 15º (mas só para os chefes)
quinta-feira, março 29, 2012
Linchamento feminino - ANCELMO GOIS
O GLOBO - 29/03/12
Wanderley Guilherme dos Santos diz que há um aspecto conhecido pela sociologia do comportamento de grandes grupos nesse assunto “Ana de Hollanda”: — Trata-se da dinâmica do linchamento, capaz de ensandecer pessoas normais e de seduzir psicopatas enrustidos: “Bate que é de graça!” está no capítulo dos comportamentos irracionais.
Segue...
O cientista político que dirige a Casa de Rui Barbosa, ligada ao MinC, identifica nesse linchamento “o nítido machismo, inclusive nas senhoras participantes, no nível de grosseria e vulgaridade com que se expressa esse notável grupo de produtores, por assim dizer, culturais”.
E mais...
Wanderley está convencido de que essa turma se comportaria com mais educação diante de “músculos”.
Acaba em samba
O bem-humorado ator José de Abreu acha que o senador Demóstenes Torres, por conta de suas relações com bicheiro, acaba no comando da Liesa. Faz sentido!
Jesus afrodescendente
Dia 4 haverá uma encenação da “Paixão de Cristo”, às 18h, na escadaria da Câmara Municipal do Rio, só com atores negros. No elenco, entre outros, estão Rocco Pitanga (Jesus), Milton Gonçalves (Pilatos), Zezé Motta (Maria) e Cosme dos Santos (João). A iniciativa é do Sindicato dos Artistas do Rio.
Bech@ra
A Singular Digital — do grupo Ediouro — vai lançar em versão digital uma das gramáticas mais usadas pelas escolas brasileiras. Vem aí um e-book da “Moderna Gramática Portuguesa”, do imortal Evanildo Bechara.
UM GRUPO de moradores de Copacabana vai sentir saudades dos tempos da Help. Nada a ver, necessariamente, com os frenéticos nhecos-nhecos da finada casa de saliência. É que a partir de abril, quando finalmente subir o novo prédio do MIS, a turma de alguns prédios da Rua Aires Saldanha vai perder a bela vista para o mar. Um dos “sem vista” será Henrique Duque Estrada, de 87 anos, contador, que cultiva, veja que curioso, há décadas o hábito de fotografar a paisagem de sua janela. É dele a foto de 1982 (à esquerda), da construção da boate Help, e a mais recente do lugar, com o prédio do MIS mostrando seus primeiros dentinhos.
De frente para Che
Em 1998, o Papa João Paulo II celebrou missa em frente à estátua de José Martí (1853-1895), uma unanimidade em Cuba. Agora, o altar de Bento XVI ficou em frente aos monumentos a Che Guevara e Camilo Cienfuegos, ex-companheiros de Fidel.
O pai da Júlia
De Edmar Bacha, sobre a filha Júlia receber o troféu Faz Diferença, o 15oprêmio da carreira do documentário “Budrus”: — Depois de ser o pai do Belíndia, um dos pais do Real, chegou a vez de ser o pai de uma pessoa que faz diferença. É muito melhor. Não é fofo?
Exame da mulher
O exame de Papanicolau, que diagnostica o câncer de colo de útero, já foi feito em 78% das brasileiras entre 25 e 64 anos. O governo queria examinar 75% das mulheres até 2014. Mas bateu a marca ano passado, segundo
o Ministério da Saúde.
Viva Paulinho!
O macaco Paulinho festejaseus 27 anos sábado, no Jardim Zoológico do Rio, com bolo de laranja, feito com leite desnatado por causa da dieta. Ele sucedeu ao Macaco Tião, falecido em 1996, na preferência da criançada que vai ao Zoo.
Cinzas do alto
A missa de sétimo dia de Chico Anysio será sábado, às 11h, na Igreja de São Francisco de Assis, no Rio Comprido. Em seguida, a viúva Malga Di Paula e filhos dele vão ao Projac, onde será jogada, de helicóptero, parte das cinzas do artista.
Por falar nele...
O mestre do humor será enredo da Paraíso do Tuiuti, escola simpática do Acesso A, em 2013. Será a segunda homenagem do samba a Chico, tema da Caprichosos de Pilares em 1984. Ele merece.
Os fora da lei
Cabral publica hoje a demissão de seis agentes penitenciários acusados de facilitarem a fuga do ex-PM e miliciano Ricardo da Cruz Teixeira, o Batman. Em 2008, como se sabe, o bandido fugiu de Bangu 8 pela porta da frente.
O amor é lindo
Oscar Niemeyer, 104 anos, vai diariamente ao Hospital Samaritano, no Rio, visitar a mulher, Vera Lúcia, recém-operada. Apertando a mão dela, disse ao bisneto e arquiteto Paulo Sérgio: — Agora ela vai ficar boa, estou segurando a sua mão.
Wanderley Guilherme dos Santos diz que há um aspecto conhecido pela sociologia do comportamento de grandes grupos nesse assunto “Ana de Hollanda”: — Trata-se da dinâmica do linchamento, capaz de ensandecer pessoas normais e de seduzir psicopatas enrustidos: “Bate que é de graça!” está no capítulo dos comportamentos irracionais.
Segue...
O cientista político que dirige a Casa de Rui Barbosa, ligada ao MinC, identifica nesse linchamento “o nítido machismo, inclusive nas senhoras participantes, no nível de grosseria e vulgaridade com que se expressa esse notável grupo de produtores, por assim dizer, culturais”.
E mais...
Wanderley está convencido de que essa turma se comportaria com mais educação diante de “músculos”.
Acaba em samba
O bem-humorado ator José de Abreu acha que o senador Demóstenes Torres, por conta de suas relações com bicheiro, acaba no comando da Liesa. Faz sentido!
Jesus afrodescendente
Dia 4 haverá uma encenação da “Paixão de Cristo”, às 18h, na escadaria da Câmara Municipal do Rio, só com atores negros. No elenco, entre outros, estão Rocco Pitanga (Jesus), Milton Gonçalves (Pilatos), Zezé Motta (Maria) e Cosme dos Santos (João). A iniciativa é do Sindicato dos Artistas do Rio.
Bech@ra
A Singular Digital — do grupo Ediouro — vai lançar em versão digital uma das gramáticas mais usadas pelas escolas brasileiras. Vem aí um e-book da “Moderna Gramática Portuguesa”, do imortal Evanildo Bechara.
UM GRUPO de moradores de Copacabana vai sentir saudades dos tempos da Help. Nada a ver, necessariamente, com os frenéticos nhecos-nhecos da finada casa de saliência. É que a partir de abril, quando finalmente subir o novo prédio do MIS, a turma de alguns prédios da Rua Aires Saldanha vai perder a bela vista para o mar. Um dos “sem vista” será Henrique Duque Estrada, de 87 anos, contador, que cultiva, veja que curioso, há décadas o hábito de fotografar a paisagem de sua janela. É dele a foto de 1982 (à esquerda), da construção da boate Help, e a mais recente do lugar, com o prédio do MIS mostrando seus primeiros dentinhos.
De frente para Che
Em 1998, o Papa João Paulo II celebrou missa em frente à estátua de José Martí (1853-1895), uma unanimidade em Cuba. Agora, o altar de Bento XVI ficou em frente aos monumentos a Che Guevara e Camilo Cienfuegos, ex-companheiros de Fidel.
O pai da Júlia
De Edmar Bacha, sobre a filha Júlia receber o troféu Faz Diferença, o 15oprêmio da carreira do documentário “Budrus”: — Depois de ser o pai do Belíndia, um dos pais do Real, chegou a vez de ser o pai de uma pessoa que faz diferença. É muito melhor. Não é fofo?
Exame da mulher
O exame de Papanicolau, que diagnostica o câncer de colo de útero, já foi feito em 78% das brasileiras entre 25 e 64 anos. O governo queria examinar 75% das mulheres até 2014. Mas bateu a marca ano passado, segundo
o Ministério da Saúde.
Viva Paulinho!
O macaco Paulinho festejaseus 27 anos sábado, no Jardim Zoológico do Rio, com bolo de laranja, feito com leite desnatado por causa da dieta. Ele sucedeu ao Macaco Tião, falecido em 1996, na preferência da criançada que vai ao Zoo.
Cinzas do alto
A missa de sétimo dia de Chico Anysio será sábado, às 11h, na Igreja de São Francisco de Assis, no Rio Comprido. Em seguida, a viúva Malga Di Paula e filhos dele vão ao Projac, onde será jogada, de helicóptero, parte das cinzas do artista.
Por falar nele...
O mestre do humor será enredo da Paraíso do Tuiuti, escola simpática do Acesso A, em 2013. Será a segunda homenagem do samba a Chico, tema da Caprichosos de Pilares em 1984. Ele merece.
Os fora da lei
Cabral publica hoje a demissão de seis agentes penitenciários acusados de facilitarem a fuga do ex-PM e miliciano Ricardo da Cruz Teixeira, o Batman. Em 2008, como se sabe, o bandido fugiu de Bangu 8 pela porta da frente.
O amor é lindo
Oscar Niemeyer, 104 anos, vai diariamente ao Hospital Samaritano, no Rio, visitar a mulher, Vera Lúcia, recém-operada. Apertando a mão dela, disse ao bisneto e arquiteto Paulo Sérgio: — Agora ela vai ficar boa, estou segurando a sua mão.
Dogfight - SONIA RACY
O ESTADÃO - 29/03/12
A Anac deve examinar hoje a papelada pedindo desclassificação do consórcio vencedor da licitação de Viracopos.
Inclusive, segundo fontes do setor, a acusação levantando suspeitas sobre atestado dado por uma das empresas do consórcio: a Egis francesa. Ela assinou documento afirmando não ter apresentado várias certidões negativas exigidas (dívida trabalhista, débito junto à previdência, falência e concordata), porque isso não existe na França.
A Odebrecht, líder do consórcio contestador, enviou exemplos para provar o contrário.
Beija-mão
Guido Mantega recebe Jin Yong Kim, indicado por Obama para a presidência do Banco Mundial. Dia 5, em Brasília.
Brimos
Foi lançada anteontem, em São Bernardo do Campo, a semente para criação de partido árabe. Deputados libaneses discursaram no restaurante São Judas. Na plateia, representantes das comunidades árabe e islâmica, além de lideranças políticas, como Luiz Marinho.
Por una cabeza
Entra em pauta hoje, na assembleia do Jockey de SP, proposta de venda de imóvel vizinho ao clube, onde antes funcionava um colégio. Para ajudar nas finanças da agremiação.
Também vai a debate proposta de outorga onerosa de áreas verdes do Jockey – que precisa de aprovação da Prefeitura.
Lá e cá
A cúpula da Hyundai sinalizou para Michel Temer desejo de participar do projeto do trem-bala brasileiro. Foi durante encontro, segunda-feira, na Coreia do Sul.
O vice, por sua vez, conseguiu que Chung Mong-koo, presidente da empresa, se comprometesse com o Ciência Sem Fronteiras.
Espeto
O IPO do BTG criou uma situação curiosa: executivos do banco brincam com investidores, dizendo que a sigla, agora, significa Better Than Goldman.
Detalhe: o Goldman é líder da oferta do BTG.
Direto de Miami
O primeiro baile de gala da BrazilFoundation em Miami, anteontem no W Hotel, foi fomentado há dez anos pela fundadora da ONG, Leona Forman. “Mas só agora o momento de acontecer por aqui chegou”, explicou à coluna. A noite reuniu brasileiros residentes na Flórida, membros da organização e celebridades entusiastas da causa: ajudar instituições brasileiras. Segundo Patricia Loboccaro, presidente da BF, a ideia é que este seja o startpara outros galas na cidade – que hoje tem cerca de um terço de seus imóveis comprado por brasileiros. No red carpet, uma americana disparou: “Não sei se falo ‘hi’ ou ‘oi’”. Hélio Castroneves, Chairdo evento, concordou: “A presença brasileira cresce a cada dia no Estado”.
Ainda menor do que a festa de Nova York, a de Miami arrecadou US$ 250 mil, que serão destinados a cinco projetos brasileiros – dentre 515 inscritos e 46 finalistas.
Responsável pelo show da noite, Preta Gil também contribuiu: “Não trouxe meus músicos, chamei alguns que moram aqui”, afirmou, antes de botar os duzentos convidados para dançar ao som de Gilberto Gil e Michel Teló, entre outros. No palco com Preta, Gabriela Figueiredo, de 12 anos, moradora da Flórida, cantou Garota de Ipanema, aquecendo os aplausos.
A Fundação participa, em maio, de um grande evento pilotado pela Macy’s em homenagem ao Brasil. A loja dedicará espaço para designers nacionais e vai organizar ação beneficente pró-comunidades da Amazônia.
MARILIA NEUSTEIN VIAJOU A CONVITE DA BRAZILFOUNDATION
Na frente
Abilio Diniz estará hoje na reunião do conselho do Casino, em Paris. Cumprindo suas obrigações societárias.
Paulo Borges lança hoje o Movimento HotSpot, que buscará pelo País talentos nas áreas de música, fotografia, design, arquitetura, moda e beleza. Iniciativa do Instituto Nacional de Moda e Design.
Enquanto Dilma aproveitava para revisar seu discurso sobre os Brics, ontem pela manhã, em Nova Délhi, integrantes da delegação brasileira foram… às compras.
Raul Calfat, da Votorantim, será homenageado hoje pela Ernst & Young Terco. Foi eleito Executivo Empreendedor do Ano.
Daniela Séve Duvivier abre sua tradicional mostra de arte. Hoje, em Pinheiros.
Do palco da festa da BrazilFoundation, em Miami, Preta Gil avistou mulher na plateia. E mandou no microfone: “Esse escapulário que você está usando é Francisca Botelho, né? Eu sei. Viu, gente? Sou louca mesmo, faço propaganda das amigas (risos)…”
A Anac deve examinar hoje a papelada pedindo desclassificação do consórcio vencedor da licitação de Viracopos.
Inclusive, segundo fontes do setor, a acusação levantando suspeitas sobre atestado dado por uma das empresas do consórcio: a Egis francesa. Ela assinou documento afirmando não ter apresentado várias certidões negativas exigidas (dívida trabalhista, débito junto à previdência, falência e concordata), porque isso não existe na França.
A Odebrecht, líder do consórcio contestador, enviou exemplos para provar o contrário.
Beija-mão
Guido Mantega recebe Jin Yong Kim, indicado por Obama para a presidência do Banco Mundial. Dia 5, em Brasília.
Brimos
Foi lançada anteontem, em São Bernardo do Campo, a semente para criação de partido árabe. Deputados libaneses discursaram no restaurante São Judas. Na plateia, representantes das comunidades árabe e islâmica, além de lideranças políticas, como Luiz Marinho.
Por una cabeza
Entra em pauta hoje, na assembleia do Jockey de SP, proposta de venda de imóvel vizinho ao clube, onde antes funcionava um colégio. Para ajudar nas finanças da agremiação.
Também vai a debate proposta de outorga onerosa de áreas verdes do Jockey – que precisa de aprovação da Prefeitura.
Lá e cá
A cúpula da Hyundai sinalizou para Michel Temer desejo de participar do projeto do trem-bala brasileiro. Foi durante encontro, segunda-feira, na Coreia do Sul.
O vice, por sua vez, conseguiu que Chung Mong-koo, presidente da empresa, se comprometesse com o Ciência Sem Fronteiras.
Espeto
O IPO do BTG criou uma situação curiosa: executivos do banco brincam com investidores, dizendo que a sigla, agora, significa Better Than Goldman.
Detalhe: o Goldman é líder da oferta do BTG.
Direto de Miami
O primeiro baile de gala da BrazilFoundation em Miami, anteontem no W Hotel, foi fomentado há dez anos pela fundadora da ONG, Leona Forman. “Mas só agora o momento de acontecer por aqui chegou”, explicou à coluna. A noite reuniu brasileiros residentes na Flórida, membros da organização e celebridades entusiastas da causa: ajudar instituições brasileiras. Segundo Patricia Loboccaro, presidente da BF, a ideia é que este seja o startpara outros galas na cidade – que hoje tem cerca de um terço de seus imóveis comprado por brasileiros. No red carpet, uma americana disparou: “Não sei se falo ‘hi’ ou ‘oi’”. Hélio Castroneves, Chairdo evento, concordou: “A presença brasileira cresce a cada dia no Estado”.
Ainda menor do que a festa de Nova York, a de Miami arrecadou US$ 250 mil, que serão destinados a cinco projetos brasileiros – dentre 515 inscritos e 46 finalistas.
Responsável pelo show da noite, Preta Gil também contribuiu: “Não trouxe meus músicos, chamei alguns que moram aqui”, afirmou, antes de botar os duzentos convidados para dançar ao som de Gilberto Gil e Michel Teló, entre outros. No palco com Preta, Gabriela Figueiredo, de 12 anos, moradora da Flórida, cantou Garota de Ipanema, aquecendo os aplausos.
A Fundação participa, em maio, de um grande evento pilotado pela Macy’s em homenagem ao Brasil. A loja dedicará espaço para designers nacionais e vai organizar ação beneficente pró-comunidades da Amazônia.
MARILIA NEUSTEIN VIAJOU A CONVITE DA BRAZILFOUNDATION
Na frente
Abilio Diniz estará hoje na reunião do conselho do Casino, em Paris. Cumprindo suas obrigações societárias.
Paulo Borges lança hoje o Movimento HotSpot, que buscará pelo País talentos nas áreas de música, fotografia, design, arquitetura, moda e beleza. Iniciativa do Instituto Nacional de Moda e Design.
Enquanto Dilma aproveitava para revisar seu discurso sobre os Brics, ontem pela manhã, em Nova Délhi, integrantes da delegação brasileira foram… às compras.
Raul Calfat, da Votorantim, será homenageado hoje pela Ernst & Young Terco. Foi eleito Executivo Empreendedor do Ano.
Daniela Séve Duvivier abre sua tradicional mostra de arte. Hoje, em Pinheiros.
Do palco da festa da BrazilFoundation, em Miami, Preta Gil avistou mulher na plateia. E mandou no microfone: “Esse escapulário que você está usando é Francisca Botelho, né? Eu sei. Viu, gente? Sou louca mesmo, faço propaganda das amigas (risos)…”
Lula no jogo - DENISE ROTHENBURG
Correio Braziliense - 29/03/12
Está de volta à mesa aquele que, por sorte ou destino, costuma ter boas cartas em mãos. E, assim, a turma da política prefere esperar passar a eleição municipal e não bater de frente com o governo
Pode parecer mera coincidência o fato de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se apresentar recuperado do câncer na laringe justamente no dia em que o Congresso retoma as votações de interesse do governo. Mas há alguns ingredientes a serem avaliados, capazes de unir esses dois eventos em princípio isolados.
Primeiro, desde que os sites de notícias passaram a publicar ontem à tarde o boletim médico a respeito de ausência de tumores visíveis na laringe de Lula, os líderes partidários passaram a conversar mais detalhadamente com os deputados para angariar votos a favor da Lei Geral da Copa, a proposta escolhida como a marca do distensão na Casa em relação ao governo.
Por falar em governo...
Antes da notícia da recuperação de Lula, os políticos tratavam o ex-presidente como carta fora do baralho para eleições futuras. Nos bastidores, todos se referiam à presidente Dilma Rousseff como irascível, sem paciência para a política. Em conversas reservadas, como registrado aqui há alguns dias, os aliados citavam Aécio Neves e Eduardo Campos como os nomes alternativos ao PT e à própria Dilma.
Neste momento, os planos para 2014 estão novamente na gaveta, pelo menos por enquanto. Com Lula de volta ao tabuleiro, é hora de esperar o que acontece na sucessão municipal para depois retomar os mapas de 2014 à mesa. Afinal, há muitas variáveis em curso que estão claras.
Por falar em eleição municipal...
Os aliados querem tirar a limpo qual o verdadeiro tamanho de Lula em São Paulo. E estão convictos de que esse tamanho será conhecido na sucessão municipal, onde a entrada de José Serra (PSDB) transformou o pleito num laboratório nacional. E o fato de Serra ter tido 52% dos votos na prévia tucana é sinal de que a eleição não deve ser o passeio esperado pelos serristas mais entusiasmados.
Embora ele largue como favorito hoje, ainda há muita coisa pela frente até o início da campanha, em que o poder de Lula de angariar aliados não pode ser desprezado. Além disso, é certo que até dentro do PSD de Gilberto Kassab — aliado de Serra —, Lula tem amigos, como o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, que seguirá a orientação de Kassab, mas não se mostra interessado em fazer campanha a favor do candidato.
Por falar em campanha...
Com Lula em campo, é como se tivesse acabado uma rodada de pôquer e agora viesse a segunda. Todo mundo ainda tem fichas, mas está de volta à mesa aquele que, por sorte ou destino, costuma ter boas cartas em mãos. E, assim, é melhor esperar mais um pouco, não bater tão de frente com o governo e observar o desenrolar do jogo.
Pelo menos, do ponto de vista político, está claro que os deputados e senadores já não veem Dilma como aquela líder que, sozinha, os levará ao pódio em 2014. Tanto que, na noite de terça-feira, o acordo para votar a Lei Geral da Copa era tido por muitos como uma forma de mostrar que, na ausência da presidente, as coisas funcionam. Com a entrada de Lula no jogo, resolveram tirar essa sensação de cena e passaram a espalhar pela Casa que Dilma influiu no acordo orientando sua equipe por telefone.
Por falar em Dilma...
A paz total na base, entretanto ainda está longe. Vai depender de como a presidente tratará os políticos quando voltar da Índia. E não será logo na primeira semana que eles terão essa resposta. Até porque, da parte dos congressistas, já começa a se trabalhar mais uma semana sem muito movimento por conta dos feriados da semana santa. A Páscoa dos parlamentares, pelo visto, começará mais cedo. E, no caso dos senadores, ainda com 14º e 15º garantidos este ano.
Furando gelo por 22 anos - FERNANDO REINACH
O Estado de S.Paulo - 29/03/12
Eles começaram a furar em 1990. No dia 5 de fevereiro de 2012, às 22h25, os cientistas terminaram. A sonda havia atingido água líquida. Era o Lago Vostok, localizado 3.769,3 metros abaixo da estação científica russa na Antártida. Mas o tempo para comemorar foi curto, no dia seguinte os cientista tiveram de partir. Com a chegada do inverno, 6 de fevereiro era o último dia em que um avião ousava pousar no Polo Sul antes da chegada do inverno.
A estação Vostok é considerada o ponto mais frio do planeta. Ela fica próxima do Polo Sul magnético, a 1,3 mil quilômetros do Polo Sul geográfico. Foi instalada em 1957 e, desde então, durante o verão (temperatura média de -32°C) é habitada por 25 cientistas. Durante o inverno (temperatura média de -68°C), 13 coitados ficam tomando conta. A estação fica a quase 3,5 mil metros de altitude e o vento sopra constantemente. No dia mais frio, a temperatura chegou a -89,2°C. A estação brasileira, que pegou fogo recentemente, localizada no nível do mar e na costa de uma península, é um paraíso tropical quando comparada à Vostok.
Em 1972, medidas feitas com um radar instalado em um avião confirmaram a suspeita de que embaixo daquela calota de gelo de mais de 3 km de espessura havia um lago com água líquida. Apesar do frio, a água permanece líquida por causa da pressão da calota de gelo e do calor vindo do centro da Terra.
Estudos geológicos feitos nos anos seguintes determinaram que o Lago Vostok provavelmente foi isolado por uma camada permanente de gelo, há mais de 15 milhões de anos. Foi nessa época que o grupo dos hominídeos (que inclui todos os macacos e os humanos) surgiram no planeta. Só 14 milhões de anos depois da formação do lago isolado os humanos apareceriam na África.
A possibilidade de existir um ambiente isolado de todo o resto dos ecossistemas do planeta por mais de 15 milhões de anos aguçou a curiosidade dos cientistas. Será que existe vida no Lago Vostok? De que tipo? Bactérias, outras formas de vida desconhecidas ou já extintas no resto do planeta? O único jeito de descobrir era cavar um furo e chegar lá.
Dúvidas. Nos primeiro dois anos o progresso foi rápido, 2,5 mil metros. Mas em 1998, quando os cientistas conseguiram chegar aos 3,5 mil metros, muitos começaram a questionar se esse projeto não poderia contaminar o lago isolado com seres vivos vindos do mundo exterior. Uma enorme polêmica envolvendo ambientalistas, biólogos e geofísicos tomou conta da comunidade científica. Os realmente paranoicos argumentavam que existia o risco de os seres vivos do Lago Vostok (se existissem) invadirem os ecossistemas da superfície. Seríamos todos destruídos por esses seres estranhos?
Essa discussão paralisou o projeto por cinco anos. Quando o furo foi retomado, rapidamente os cientistas chegaram a 3,7 mil metros, mas aí a broca ficou travada. Foram dois anos para resolver o problema. Em 2009, a perfuração foi retomada. No início de 2011, como contei aqui na coluna, os cientistas anunciaram que estavam a poucos metros do lago, mas o inverno chegou e os trabalhos foram paralisados.
Agora, finalmente eles chegaram lá. Os metros finais foram perfurados utilizando calor e um líquido de silicone para garantir a esterilidade do poço. Quando finalmente atingiram a água líquida, a pressão fez a coluna de liquido subir quase 30 metros. Uma pequena quantidade de água foi coletada do fundo do poço, mas ela veio contaminada com líquido de perfuração. Pouca informação pôde ser obtida (um vidrinho foi dado para o presidente Putin).
Agora, vamos ter de esperar mais um ano. No próximo verão, os cientistas vão baixar uma série de sondas pelo furo. Vão coletar água com recipientes estanques e descer sondas capazes de analisar as características químicas e físicas da água do lago. Talvez em 2013 possamos saber se existe vida no Lago Vostok. Só nos resta aguardar.
Millôr e Brizola - CLAUDIA ANTUNES
FOLHA DE SP - 29/03/12
Em 1982, quase todo o resto da imprensa carioca apoiava a candidatura de Moreira Franco, hoje no PMDB e ministro de Assuntos Estratégicos de Dilma, de cuja "base aliada" o PDT também faz parte. Moreira concorria a governador pelo PDS, que virou o atual DEM, mas era, então, a sigla nova da Arena, o partido situacionista criado pelo regime militar.
O ex-governador gaúcho, cunhado de Jango e líder da Cadeia da Legalidade em 1961, fez uma campanha com poucos recursos e amparada em sua habilidade retórica, reivindicando uma continuidade histórica com a experiência nacional-popular interrompida em 1964.
O momento mais tenso veio após a eleição, quando a Proconsult, empresa contratada para informatizar as planilhas de voto (que ainda era em cédula de papel), passou a divulgar a dianteira de Moreira, contrariando as pesquisas. Uma apuração paralela feita pela rádio Jornal do Brasil provou que votos brancos e nulos eram computados para o governista.
Eleito com o antropólogo Darcy Ribeiro como vice, Brizola construiu Cieps, escolas públicas de horário integral. Autorizou uma linha de ônibus direta do subúrbio a Ipanema, e proibiu que a polícia invadisse casas em favelas -política que muita gente culpa pela entrada do tráfico nos morros, mas que na época era a correta.
Com o tempo, Millôr se tornou crítico veemente de Brizola, que viria a fazer um segundo governo sofrível no Estado, de 1991 a 1994.
Cada um com a seu modo, no entanto, os dois buscaram manter a coerência até o fim.
Brics, marca à procura de conteúdo - CLÓVIS ROSSI
FOLHA DE SP - 29/03/12
NOVA DÉLI - Brics é uma marca forte, mas corre o risco de desgaste se não agregar conteúdo a ela.
A avaliação é de um dos mais experientes e competentes diplomatas brasileiros, envolvido nas negociações e que prefere não ter o nome citado.
De fato, a quarta cúpula do grupo, que termina hoje, será uma mera repetição de muita retórica e pouco conteúdo.
Tome-se a proposta do banco de desenvolvimento dos Brics. Aí, sim, seria uma ação coordenada relevante, "uma nobre empreitada comum", diz Martyn Davies, executivo-chefe da Frontier Advisory, que faz pesquisa de mercado.
Reforça Jacob Zuma, presidente sul-africano, em conversa com Dilma Rousseff: "Será um instrumento de financiamento vital, especialmente para a África".
Mas o que a cúpula fará a respeito é apenas criar um grupo de trabalho para estudar o novo banco. Zuma, otimista, espera que os estudos estejam concluídos para a cúpula de 2013, em seu país. É improvável. "O estudo levará tempo", avisa Maria Edileuza Fontenele Reis, a principal negociadora brasileira.
O fato é que "pouca ação foi adotada coletivamente pelos Brics por falta de consenso", diz Jagannath Panda, pesquisador do Instituto de Assuntos de Defesa e Segurança da Índia. Para ele, os Brics "ainda estão no estágio conceitual".
Um conceito que rola desde a primeira cúpula em 2008 (estimular o comércio em moeda local) não se materializou até agora. "Todo mundo fala em comércio em moeda local, mas todos continuam usando o dólar", constata uma autoridade brasileira.
Reforça outro negociador brasileiro: com a Argentina tenta-se há mais tempo fazer comércio nas moedas locais, mas só abarca uma mínima fração. Não obstante, o conceito de comércio em moeda local está de novo na agenda da cúpula.
Nem por isso Brics deixa de ser uma marca forte: em 2011, representavam 25% da economia global (de acordo com a Paridade do Poder de Compra das moedas nacionais), 30% da área terrestre do planeta, 45% da população mundial e, nos dez anos mais recentes, cresceram 4,2 vezes, enquanto o mundo rico crescia apenas 61%.
Em todo caso convém relativizar os números. Grande parte da força vem do C de Brics, a China. Exemplo: o FMI calcula que, neste ano, os Brics contribuirão com 56% do crescimento da economia global. Mas 50% virão da China e da Índia.
Exemplo dois: o comércio entre os cinco ultrapassou US$ 250 bilhões em 2011. Mas US$ 200 bilhões são gerados só pela China nas trocas com os parceiros.
Luzes e sombras à parte, os cinco continuam apegados à marca Brics, que, se não rende ações concretas, tampouco faz mal à imagem de qualquer um deles.
No fundo, é como diz outro diplomata brasileiro: "Se os cinco já são isoladamente incontornáveis na discussão de qualquer assunto global, se efetivamente se coordenarem se tornarão essenciais".
A questão -que a cúpula-2012 não responderá- é se podem de fato coordenar suas ações ou se as prioridades de cada qual impedem uma atuação conjunta relevante.
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