segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Vácuo de ideias - DENIS LERRER ROSENFIELD


O GLOBO - 27/02/12


A política brasileira está dando mostras de um cenário deprimente, cuja característica principal é um vácuo total de ideias. Partidos se digladiam por tempo de rádio e televisão, estando dispostos às mais distintas alianças, sempre e quando esse tempo seja preservado. Alianças não obedecem a nenhum imperativo de programas, valores e ideias, mas tão somente a ganhos pragmáticos imediatos. É como se partidos renunciassem a si mesmos. O que fazer com o Poder conquistado, além de preservá-lo, não entra minimamente em consideração.

Denominações de "esquerda" e "direita", se já não tinham muito significado, perdem o pouco que conservavam, pois partidos de "esquerda" fazem sem o menor pudor alianças com partidos de "direita", como se isso fosse a coisa mais natural do mundo. Alianças impensáveis há apenas poucos anos tornaram-se corriqueiras, tudo sendo virtualmente possível. Se não há menor apego a ideias e valores, não surpreende que negociações partidárias sejam feitas nas mais distintas direções. É o terreno do vale-tudo porque valores nada valem.

Não deveria, portanto, causar tanto impacto que as igrejas evangélicas estejam progredindo eleitoralmente, agindo à revelia dos partidos, segundo os seus próprios interesses específicos. Partidos são, para elas, meros instrumentos, o que valeria para praticamente todas as agremiações, nenhuma delas apresentando uma proposta abrangente que valha para toda a sociedade. Partidos deveriam mostrar que seus interesses particulares, por exemplo, têm validade para toda a sociedade, fazendo, neste sentido, a passagem do particular para o universal e o coletivo.

Nesta perspectiva, as igrejas evangélicas estão ocupando um espaço deixado vazio pelos partidos, assumindo valores que são reconhecidos não somente por sua clientela tradicional, mas ganham também amplos setores dos eleitores. Estão, desta maneira, redesenhando, na sua ótica própria, as relações entre política e valores, tanto mais eficazmente que os partidos têm abdicado da defesa dos valores.

Tomemos o caso da discussão sobre o aborto e a união homossexual. Independentemente da consideração de se ser contra ou a favor, o mais relevante é que se tenha posições a respeito, sendo essas discutidas e defendidas em praça pública. As igrejas evangélicas defendem as suas posições e não por serem essas retrógradas ou atrasadas, o que pressuporia que os defensores do aborto e da união homossexual seriam tidos por "progressistas", mas porque veiculam ideias da vida (a ser considerada desde a fecundação) e da família (baseada na união entre homem e mulher).

Ocorre que os partidos políticos estão fugindo dessas questões, pois, sendo essencialmente controversas, produzem efeitos políticos e eleitorais. Ninguém, incluindo os partidos, está infenso a assumir consequências decorrentes da defesa de posições a favor ou contra. Isto seria, aliás, natural. O que não poderia acontecer - mas é o que está acontecendo - é que os partidos políticos não sejam a favor, nem contra, mas muito antes pelo contrário. Ao desertarem do campo das ideias, deixaram o campo vazio para que outras organizações o ocupem.

Questões públicas exigem exposições de princípios. Nessas questões em pauta, há considerações relevantes sobre a liberdade de escolha e os seus limites, sobre o que é considerado como natural, sobre a concepção da vida, estando essa dotada ou não de uma finalidade própria, sobre o que é saúde pública, sobre o que é o exercício legítimo da diferença e assim por diante. Trata-se de questões públicas que requerem um tratamento eminentemente racional, independente de orientações religiosas.

O recurso a um texto sagrado não deveria ser aqui de nenhuma valia, pois é de sua natureza ser válido para aqueles que nele creem. Logo, se valesse somente a orientação religiosa, apenas os fiéis deveriam seguir as diretrizes relativas ao aborto e à união homossexual, não devendo ser elas objeto de uma lei pública.

Os partidos políticos, no entanto, estão fugindo desse debate, atentos somente aos seus interesses eleitorais mais imediatos. Nas últimas eleições presidenciais, o espetáculo foi deprimente tanto no que concerne ao PT quanto ao PSDB, ambos partidos assumindo posições ao sabor das oscilações de opinião pública, cujo único pilar era a conquista do voto. Aliás, ambos partidos já foram - ou são -, por exemplo, favoráveis ao aborto ou à união homossexual, porém se recusam a assumir essa postura por medo das consequências eleitorais. O espaço não ocupado por eles termina sendo ocupado por outros.

Referi-me, na abordagem dessas questões, principalmente aos evangélicos, por serem esses os mais claros e aguerridos, não se envergonhando de suas posições. A Igreja Católica, embora sua corrente hoje principal assuma também essas posições, tinha abandonado parcialmente esse campo em proveito de posicionamentos mais propriamente sociais e políticos, inclusive com o marxismo ganhando posições em seu seio em detrimento do cristianismo propriamente dito.

Em nome da revolução, bem tido por maior, chegou a fazer concessões a valores então tidos como menores. A partir do momento em que setores seus passaram a se comportar como se fossem partidos políticos, em estreita vinculação com movimentos sociais que propugnam pela abolição do capitalismo e da propriedade privada, criaram vínculos ideológicos e abandonaram o terreno que veio a ser ocupado pelos evangélicos.

Isto faz também com que os partidos políticos estejam, agora, tentando se aproximar cada vez mais da classe média ascendente, a dita classe C, pois essa está abrindo o seu próprio caminho, defendendo os seus próprios valores, muitos desses sendo considerados como "conservadores". Ela tem uma visão própria da relação entre política e valores, relação essa que os partidos políticos têm uma nítida dificuldade em abordar. A natureza, dizia Aristóteles, tem horror ao vácuo.

Euro, pensar o impensável - LUIZ CARLOS BRESSER PEREIRA


FOLHA DE SP - 27/02/12


É melhor que os europeus pensem seriamente na alternativa de extinguir a moeda comum de 17 países


Na China, em 1979, era "impensável" caminhar para o capitalismo, e no entanto Deng Xiaoping pensou e se antecipou à estagnação que ocorreu na União Soviética. Na Argentina, em 2001, era impensável terminar com o "plan de convertibilidad"; De La Rua curvou-se a esse impensável, e o custo foi uma crise brutal. Na zona do euro, hoje, é impensável extinguir o euro, e no entanto é melhor que os europeus pensem seriamente nessa alternativa. A criação do euro foi um erro, porque não havia um Estado por trás dele, e porque ele se transformou em uma moeda estrangeira para cada um dos 17 Estados que o adotaram -uma moeda que, nas crises, eles não podem emitir nem desvalorizar.
O impensável é muitas vezes puro medo e conservadorismo de governantes sem visão. Nesta grande crise do euro, a Grécia tornou-se um país insolvente, mas declarou-se "impensável" reestruturar sua dívida; quando a dívida foi reestruturada com um desconto de 21%, tornou-se impensável aumentar essa porcentagem; quando o desconto foi aumentado para 50%, tornou-se impensável o socorro do Banco Central Europeu a ela e aos demais países e bancos, mas um pouco depois o BCE passou a comprar de forma moderada títulos públicos e inundou o sistema bancário europeu de liquidez. O impensável revelou-se, afinal, a solução.
"Seria a desordem e o caos", gritam os defensores do impensável. Não creio. A crise dos países do sul da Europa desencadeada em 2010 é de balanço de pagamentos: foi causada pela sobrevalorização do euro implícita que se expressa em salário médio incompatível com o nível de produtividade. Teve como consequência elevados deficits em conta corrente seguidos por elevado endividamento externo, principalmente privado. A dívida pública já estava alta porque, diante da crise financeira global de 2008, todos os países haviam adotado política fiscal expansiva.
A extinção implicará alguns riscos, mas o custo de se tentar resolver uma crise causada por deficits em conta corrente através de redução dos deficits fiscais já foi muito grande, mesmo em termos de sacrifício da democracia, e continuará a sê-lo por muitos anos, para todos os países, inclusive para a Alemanha.
Do ponto de vista prático, não haveria grandes problemas. Seria naturalmente necessário imprimir novas cédulas. E, em determinado momento, em vez de retornar às antigas moedas, os países em conjunto transformariam o euro em um "euro nacional": o euro alemão, o euro francês, e assim por diante. Em seguida, os países com elevados deficits em conta corrente e altas dívidas externas desvalorizariam sua moeda. O que provocaria a queda dos salários e alguma inflação. Mas esta é uma forma muito mais humana e mais eficiente de praticar a austeridade e diminuir os salários do que aquela que está sendo praticada hoje: através da recessão e do desemprego.
No caso do euro, não é apenas o medo da inflação que torna sua extinção impensável. É também o medo que ela "desestruture" a União Europeia. Mas não há esse risco; a UE é o mais extraordinário caso de construção política e social que conheço, e só ganhará se agora der um passo atrás. Haverá espaço, no futuro, para muitos passos adiante.

GOSTOSA


A falta de engenheiros - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 27/02/12


Enquanto o Brasil forma cerca de 40 mil engenheiros por ano, a Rússia, a India e a China formam 190 mil, 220 mil e 650 mil, respectivamente. Entidades empresariais, como a Confederação Nacional da Indústria, têm feito estudos sobre o impacto da falta de engenheiros no desenvolvimento econômico brasileiro. E órgãos governamentais, como a Financiadora de Projetos (Finep), patrocinam desde 2006 programas de estímulo à formação de mais engenheiros no País.

Segundo estimativas do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), o Brasil tem um déficit de 20 mil engenheiros por ano - problema que está sendo agravado pela demanda por esses profissionais decorrente das obras do PAC, do Programa Minha Casa, Minha Vida, do pré-sal, da Copa de Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.

No País há 600 mil engenheiros, o equivalente a 6 profissionais para cada mil trabalhadores. Nos Estados Unidos e no Japão, a proporção é de 25 engenheiros por mil trabalhadores, segundo publicações da Finep. Elas também informam que, dos 40 mil engenheiros que se diplomam anualmente no Brasil, mais da metade opta pela engenharia civil - a área que menos emprega tecnologia. Assim, setores como os de petróleo, gás e biocombustível são os que mais sofrem com a escassez desses profissionais.

Para atenuar o problema, o governo federal lançou no ano passado o Pró-Engenharia - projeto elaborado com o objetivo de duplicar o número de engenheiros formados anualmente no País, a partir de 2016, e de reduzir a altíssima taxa de evasão nos cursos de engenharia, que em algumas escolas chega a 55%. Das 302 mil vagas oferecidas pelas escolas brasileiras de engenharia, apenas 120 mil estão preenchidas. O problema da evasão é agravado pela falta de interesse dos jovens pela profissão, que decorre, em parte, da falta de preparo dos vestibulandos, principalmente nas disciplinas de matemática, física e química. Elaborado por uma comissão de especialistas nomeada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o projeto prevê investimentos de R$ 1,3 bilhão.

Mas, apesar de sua importância para a remoção de um dos gargalos do desenvolvimento econômico do País, o Pró-Engenharia ainda não saiu do papel. O projeto está à espera do aval dos novos ministros da Educação, Aloizio Mercadante, e da Ciência e Tecnologia, Marco Antônio Raupp. "O Pró-Engenharia poderia ter deslanchado, mas tomamos duas bolas nas costas", diz o presidente da Capes, Jorge Guimarães.

Segundo ele, o maior problema que o Pró-Engenharia vem enfrentando, para ser implementado, é o que ele chama de "fogo amigo" no âmbito do governo. "Primeiramente, foi um documento do Ipea dizendo que o País não precisa de engenheiro, que já tem muitos deles nos bancos. Mas isso ocorreu numa época em que a engenharia não tinha demanda. Em segundo lugar, foram os reitores de universidades federais que soltaram um documento mostrando um aumento de cerca de 12% nas matrículas dos cursos de engenharia. Se não se atacar a evasão, o número de matrículas poderá ser aumentado em 300%, mas o problema da falta de engenheiros não será resolvido", afirma Guimarães.

Ele também lembra que, para reduzir a taxa de evasão dos cursos de engenharia, a Capes, além do Pró-Engenharia, vem reformulando os currículos, para torná-los mais próximos do mercado de trabalho. Em vez de estimular a especialização precoce, como ocorre hoje, a ideia é valorizar uma formação básica e interdisciplinar, na qual as disciplinas de engenharia são complementadas por matérias como economia, planejamento estratégico, gestão e empreendedorismo. "No 4.º e no 5.º ano o aluno vai se especializar no que quiser e ganhar visão de mercado", diz o presidente da Capes.

Desde sua posse, a presidente Dilma Rousseff tem falado muito em crescimento econômico. Mas, para que ele ocorra, é preciso que seus ministros sejam mais eficientes na implementação dos projetos anunciados.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

FOLHA DE SP - 27/02/12



Cresce financiamento bancário para compra de imóveis usados no Brasil

Os bancos brasileiros têm registrado alta nos financiamentos concedidos para compra de imóveis usados.

No Itaú Unibanco, dois terços dos 40 mil clientes de crédito imobiliário compram imóveis que não são novos, segundo Luiz Antonio França, diretor do setor.

Em 2011, o desembolso do banco para pessoas físicas superou R$ 8 bilhões e a carteira teve alta de 67%.

"Até o final de 2013, precisaremos buscar recursos complementares para atender a essa demanda", diz.

Em São Paulo, o número de negociações de imóveis usados com crédito bancário passou de 15% para 45% em seis anos, segundo estudo da administradora Lello.

Entre as principais razões para esse aumento, segundo especialistas, estão o maior prazo para pagamento do crédito, a desburocratização do setor e a queda do desemprego e da taxa de juros.

O Santander registrou alta de 49% em sua carteira para pessoas físicas, que fechou o ano passado com R$ 10 bilhões. Para José Roberto Machado, diretor-executivo do banco, o segmento deve continuar em crescimento.

"No Brasil, o percentual de crédito imobiliário em relação ao PIB ainda é baixo, de 5%. No México e no Chile, esse índice é de cerca de 20%. Nos países europeus, passa de 60%", afirma Machado.

A Caixa é líder em crédito imobiliário e diz ter 73,8% do mercado. No fim de 2011, o saldo da carteira era R$ 152,9 bilhões, alta de 41,1% ante 2010.

Subvenção paulista para seguro rural deve sair nas próximas semanas

A demanda por apólices de seguro rural está em alta no país. As subvenções oferecidas pelo governo federal começam a parecer insuficientes, segundo Luiz Roberto Foz, presidente da comissão de seguro rural da Federação Nacional de Seguros Gerais.

"A grande procura é generalizada e a cota que está aprovada, mas ainda não liberada para utilização pelo ministério, é insuficiente para atender a demanda atual nas propostas que a seguradoras têm em carteira", diz.

Os produtores de São Paulo foram os que mais contrataram apólices no Sudeste em 2011, com 8.653 contratos para proteger mais de 4,6 milhões de hectares. Os paulistas só ficaram atrás dos Estados tradicionalmente líderes, como PR e RS, segundo análise da federação com base em dados são do ministério.

Nas próximas semanas, o governo de São Paulo deve assinar a subvenção do prêmio de seguro no Estado, que o mercado estima em R$ 22 milhões. O secretário-executivo do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista, Fernando Penteado, confirma que está prestes a ser assinada, mas não adianta o valor.

A quantia é superior à registrada no ano passado, de cerca de R$ 18 milhões.

Prescrição em série

A farmacêutica de origem indiana Torrent vai lançar nove medicamentos no mercado brasileiro nos próximos três anos.

Serão três antidiabéticos e seis da área cardiovascular, segundo Orlando Famá Júnior, presidente da Torrent do Brasil. "Um deles é medicamento de referência. O restante são similares."

O investimento total envolve R$ 100 milhões, que já começaram a ser injetados no Brasil e na Índia, de acordo com a empresa.

O primeiro produto, o antidiabético Pioglit, segundo promete o presidente da empresa, será muito mais barato que os genéricos existentes hoje no mercado.

Para o presidente da Pró Genéricos (associação da indústria), Odnir Finotti, é difícil superar os baixos preços de genéricos devido à estrutura comercial de custos que os similares ou remédios de marcas têm.

"Mas preço baixo é sempre bom, para ampliar o acesso da população."

O objetivo da Torrent é que seus remédios similares ocupem a segunda posição em vendas, atrás apenas dos produtos de marca.

Casa... A Central Nacional Unimed, operadora de planos de saúde empresariais da marca, está investindo R$ 10 milhões em sua nova unidade administrativa, em São Paulo.

...nova A operadora projeta fechamento em 2012 com receita de R$ 1,8 bilhão e 1,3 milhão de clientes.

Malas... A TAM Viagens firmou parceria com o Grupo BMG e instalou postos de vendas em oito lojas do correspondente CB Fácil em SP, MA, PE e BA.

...prontas Nesses locais, o BMG Card será aceito e também será possível contratar empréstimos do banco.

Nômade... Quase 90% dos profissionais de suporte à gestão gostariam de trocar de empresa ou área de atuação nos próximos 12 meses, segundo estudo da Page Personnel, empresa do grupo Michael Page.

...profissional Cerca de 46% do grupo, formado por analistas, coordenadores e jovens gestores de 20 a 30 anos, pretendem trocar de empresa, mas querem continuar na mesma área.

Aula a -11°C

Depois de as escolas de Barcelona ficarem sem papel higiênico por causa das medidas de austeridade, os colégios da Comunidade Valenciana, também na Espanha, tiveram a calefação cortada.

Uma professora de história do Instituto Vall de La Safor, que pediu para não ser identificada, afirma que os alunos, entre 12 e 18 anos, levaram cobertores para assistir às aulas.

"Ficamos dois meses sem calefação porque o governo valenciano não havia repassado a verba", diz.

A temperatura mínima registrada na região foi -11ºC.

Aproximadamente 65 escolas da comunidade autônoma enfrentam problemas, como falta de folhas de papel e de bolsas para compra de livros, por causa dos cortes no orçamento.

A Comunidade Valenciana teve, no ano passado, as notas de dívida pública rebaixadas pelas agências Moody's, Standard & Poor's e Fitch.

Polícia montada - MELCHIADES FILHO


FOLHA DE SP - 27/02/12


BRASÍLIA - A leitura dos processos que envolvem políticos e estão em andamento na Justiça é devastadora para a Polícia Federal. Não apenas corrói sua imagem de eficiência, como também confirma seu sucateamento institucional.
Obtidos com exclusividade pela Folha, os documentos revelam que os inquéritos se arrastam menos por causa das manobras dos advogados dos parlamentares, como sugeria o senso comum, e mais por erros e omissões dos investigadores.
As apurações simplesmente não andam. Uma razão, agora se sabe, é que os delegados responsáveis são seguidamente trocados. Em um dos casos, no Maranhão, foram cinco titulares -e cinco anos sem ouvir o deputado suspeito, contatar testemunhas e produzir laudos.
Mais grave: as operações especiais, que ganham apelidos espirituosos e são trombeteadas como momentos de afirmação da polícia, não raro servem de pretexto para abandonar processos contra os políticos.
Um aspecto lamentável é que não parece haver no órgão apetite para reverter o quadro. Pelo contrário, a rota é de enquadramento e sujeição ao Planalto. O mesmo Planalto que veladamente opera para asfixiar a PF por meio do corte de verbas, do bloqueio de contratações, da contenção salarial (que leva quadros qualificados a procurar outras carreiras) e do gradual alienamento no preparativo dos grandes eventos (Rio+20, Copa-2014 e Olimpíada-2016).
A Presidência prefere a continência das Forças Armadas a depender de uma corporação que, por vezes, incomodou o governo anterior.
Há ainda, ninguém duvide, questões pessoais em jogo. Basta ver o destino dos policiais que desbarataram os "aloprados", prenderam o irmão de Lula, confirmaram o mensalão e provaram que a Casa Civil de Dilma fabricou dossiês contra tucanos. Encostados, afastados ou atolados em tarefas burocráticas, estão todos fora de combate.

Bilhete premiado - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 27/02/12
O Procon-SP entregou ao Ministério Público dossiê sobre as principais promotoras de shows e empresas de venda de ingressos. Aponta que Time For Fun (23 autuações), Livepass, Planmusic e Ingresso Fácil (duas autuações cada uma) somam R$ 4,6 milhões em multas desde 2001 por problemas na comercialização dos bilhetes.

CARGA

As principais irregularidades, segundo o Procon, são estabelecer cotas de ingressos para meia-entrada sem dizer quantos estão disponíveis; realizar pré-vendas para quem tem cartão de crédito sem informar quantos bilhetes serão disponibilizados para os demais consumidores; e cobrar taxas de conveniência e de entrega. O dossiê pode municiar ações contra as empresas.

CARGA 2

A Time For Fun e a Livepass não comentam o caso. A Ingresso Fácil não respondeu à Folha. A Planmusic afirma que terceiriza a venda de ingressos.

TALHER PAULISTANO

O vice-presidente Michel Temer e o escritor Fernando Morais dividiram mesa no restaurante Freddy, na sexta-feira, em SP.

Almoçaram uma omelete acompanhada de água.

TORNEIO RIO-SP

O presidente do Vasco, Roberto Dinamite, defende que os clubes participem das discussões sobre a saída de Ricardo Teixeira da CBF, "para saber como vai ficar". "É interesse brasileiro, não é uma briga para saber se vai ser melhor para o Rio ou para SP." Dinamite acrescenta que a "permanência dele teve o apoio das federações", não dos clubes.

ESPELHO

O cantor e ator Fiuk assinará coleção de roupas masculinas para a rede C&A.

ABRE A KOMBI

A marca americana Abercrombie & Fitch ganhou versão brasileira. São camisetas vendidas na web com a imagem de uma Kombi e o logo Abreakombi & Fecha.

SEM MÁGOAS
Patrícia Poeta é a capa da revista "Estilo" de março.

A nova apresentadora do "Jornal Nacional" afirma que é "incapaz de magoar" alguém. "Mas não deixo de fazer nenhuma pergunta necessária", diz.

NOITADA PAULISTANA

O empresário Eduardo Aga e a estudante Paula Ferraz foram à festa de hip hop Groovelicious, no clube Lions, no fim da semana. O DJ Tamenpi comandou o som da pista.

VIDA E OBRA

O padre Marcelo Rossi comenta as reações de grupos evangélicos à nova ministra da Secretaria para as Mulheres, Eleonora Menicucci, que defende a descriminalização do aborto. "Existem princípios que regem a igreja e, se forem violados, há mobilização. Se um candidato for a favor do aborto, não só eu, mas também setores evangélicos, vão se mobilizar contra."

DILMA NO ALTAR

O padre diz que Dilma Rousseff deve ir à inauguração do Santuário Mãe de Deus, para 100 mil pessoas, onde passará a celebrar suas missas. A abertura seria em dezembro, mas foi adiada. "Você viu o caso do Valdemiro [Santiago, da Igreja Mundial], que parou a Via Dutra [na inauguração de um megatemplo]? Quero tudo certinho, com alvará. Não estou acima da lei."

CURTO-CIRCUITO

A cantora Mônica Salmaso faz participação especial no show da banda Pitanga em Pé de Amora, no dia 4, no Auditório Ibirapuera. Classificação: livre.

A atriz Danielle Suzuki será madrinha de campanha da Sociedade Brasileira de Nefrologia pelo Dia Mundial do Rim.

Concessão ainda que tardia - PAULO PAIVA


O Estado de S.Paulo - 27/02/12


A recente, porém tardia, concessão dos Aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília trouxe novamente à agenda do governo o tema da participação privada na gestão de serviços até então providos pelo poder público. Infelizmente, os debates se concentraram nas disputas políticas. De um lado, a oposição afirmando que enfim o PT se curvou ao modelo tucano de governar e, de outro, os governistas justificando que suas concessões são diferentes da "privatização" tucana. Debate que nada esclarece a opinião pública.

Gostaria de discutir o tema em outra perspectiva, isto é, qual o papel e os limites das concessões para o desenvolvimento da infraestrutura no Brasil.

Começo pelo lado não controverso da participação do governo no fornecimento de serviços à sociedade. Cabe ao governo prover serviços que por natureza são de uso geral e não excludentes, como segurança pública e atividades de regulação e de fiscalização. São serviços não sujeitos aos mecanismos de mercado e, portanto, não têm preço unitário. São, pois, pagos pela arrecadação de tributos de toda a sociedade. No caso brasileiro, acrescem-se ainda saúde pública e educação, conforme dispositivos constitucionais, e vários programas de transferência de renda, como seguro-desemprego e Bolsa-Família. Para esse conjunto de atividades a população paga impostos e espera que a sua gestão seja eficiente e os serviços prestados, eficazes.

Muito embora tenha sido fundamental nos estágios passados de desenvolvimento, com a expansão econômica e a complexidade do País, a participação do governo no provimento de infraestrutura concorre com os serviços estritamente públicos, reduzindo tanto sua cobertura quanto sua qualidade. Nessas condições, é recomendável a participação privada nos serviços em que os mecanismos de mercado se aplicam reservando o uso da receita tributária aos serviços de cobertura universal. Por exemplo, uma rodovia pavimentada gera uma despesa permanente de manutenção ao governo que concorre com os gastos em segurança, saúde pública, educação, etc. Certamente, está aí a raiz da má qualidade das rodovias federais e do déficit de investimentos em infraestrutura no País, além da conhecida ineficiência da gestão pública nesse setor. A gestão privada de uma rodovia, cuja receita venha do pagamento de seus usuários, deixará os recursos tributários disponíveis para os serviços sociais.

Assim, a concessão da gestão de serviços de infraestrutura à iniciativa privada oferece oportunidade de investimentos e possibilidade de melhoria na qualidade do serviço, contribuindo para maior eficiência da economia e resultando em estímulo ao crescimento econômico e à geração de empregos. É nessa perspectiva que o papel das concessões deve ser avaliado. O caso dos três aeroportos permite examinar algumas dimensões do processo de concessões para dimensionar seus limites e planejar futuros programas.

A primeira é a participação de fundos de pensão no consórcio que administrará o Aeroporto de Guarulhos. Numa economia carente de poupança, os fundos de pensão são instrumentos importantes para investimentos de longo prazo e sua participação em projetos de infraestrutura deve ser bem-vinda, desde que alinhada com a regulamentação específica que rege as aplicações desses fundos.

A segunda é a participação de entidade pública na gestão como sócia minoritária. Essa não é uma questão pacífica. De um lado, há modelos de coparticipação público-privada de grande sucesso no mercado, como o caso da Companhia Energética de Minas Gerais. De outro, a presença da Infraero na nova empresa mantém com o governo parcela de responsabilidade dos investimentos e riscos da administração, não atendendo ao princípio de transferência da gestão ao setor privado. Configura-se uma "meia" concessão. O futuro mostrará as consequências desse modelo.

A terceira é o financiamento pelo BNDES ao consórcio vencedor. Tem sido tradição no Brasil a participação do banco no financiamento dos projetos de infraestrutura por meio do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Mas, quando o BNDES utiliza recursos do Tesouro Nacional, o subsídio resultante da diferença entre a Selic e a TJLP é pago pelo contribuinte e concorre com outras alocações dos recursos públicos. Nesse caso, não é recomendável o financiamento público.

A quarta é a estrutura financeira da concessão, que maximizou o pagamento da outorga sem considerar a garantia da qualidade dos serviços. Isso resultou em ofertas extremamente ousadas, com riscos não calculados de êxito. Aparentemente, disso resultou a vitória de grupos economicamente mais frágeis, eliminando-se consórcios com maior tradição e solidez na gestão de infraestrutura. Parece que o modelo de concessão buscou obter o maior valor da outorga visando a financiar a gestão pública no restante do País, em vez de atentar para a qualidade dos serviços a serem prestados e que poderiam ser replicados em outros aeroportos cujo porte justifique investimentos privados.

O caminho está sendo construído, mas carece de mais celeridade e mais clareza de objetivos.

Monólogo - AÉCIO NEVES

FOLHA DE SP - 27/02/12



O governo da presidente Dilma encena um monólogo a dois no qual uma das partes -o governo- fala e determina, e a outra -o Congresso- cala e obedece.

O corte no Orçamento, de R$ 55 bilhões, que extirpou todas as emendas parlamentares, reforçou o traço autoritário existente na relação entre os dois Poderes, sinalizando a manutenção de uma política baseada na barganha.

Conhecemos esse filme: cortam-se todas as emendas para que possam ser liberadas em conta-gotas a alguns escolhidos ou em épocas de votações de interesse do governo.

Se há que condenar os casos em que as emendas servem a interesses escusos e em que existem as que são destinadas a investimentos supérfluos, não tem como desconsiderar que, quando corretas, são instrumentos importantes. Representam, muitas vezes, a única chance de centenas de municípios brasileiros terem necessidades atendidas, pois nem sempre os investimentos do Executivo pautam-se por critérios republicanos.

O ano passado já havia sido marcado por demonstrações de autoritarismo do Executivo sobre o Legislativo. A decisão do governo de retirar do Legislativo a prerrogativa de fixar o valor do salário mínimo -sem entrar no mérito ou na legalidade da iniciativa, mas me atendo ao seu sentido político- foi um marco triste na história do Congresso.

É possível imaginar qual teria sido a posição do PT se a mesma iniciativa tivesse partido de um governo do PSDB.

O mesmo aconteceu com a PEC 11, que cria novo rito de tramitação para as MPs editadas pelo Executivo e reconstitui parte do papel constitucional do Legislativo no exame das medidas. Aprovada no Senado por meio de acordo, a base governista acabou repreendida pelo Palácio do Planalto em função do apoio dado ao que é consenso na Casa. Não por acaso, a PEC adormece, desde agosto, no esquecimento da Câmara dos Deputados.

Blindada pela muralha das alianças de conveniência, o governo ignora o Congresso como instituição e apequena a relação entre os Poderes. Sou um dos que se perguntam até quando os próprios aliados resistirão em silêncio ao desrespeito continuado.

Nesse momento, em que o Legislativo prepara-se para discutir temas importantes como o pré-sal, os royalties sobre minérios e o código florestal, não interessa à sociedade que tal debate ocorra em um Congresso fragilizado. São temas que pertencem à agenda do futuro dos brasileiros e não podem estar submetidos aos interesses imediatos ou à conveniência de um governo, qualquer que seja ele.

Só um Congresso em pleno exercício das suas prerrogativas pode garantir ao país as salvaguardas necessárias para que prevaleça o interesse nacional.

PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV


17h15 - Braga x Vitória Guimarães, Campeonato Português, Sportv 2

18h30 - Praia Clube x Mackenzie, Superliga fem., vôlei, Sportv

19h15 - Basquete Clube x Maranhão, Liga fem., basquete, Sportv 2

21h - Notre Dame x Georgetown, basquete universitário, ESPN HD

21h15 - Vôlei Futuro x Sesi, Superliga fem., vôlei, Sportv 2

23h -Oklahoma State x Kansas, basquete universitário, ESPN HD

CLAUDIO HUMBERTO



"O magistrado corrupto merece pena maior "
Ivan Sartori, presidente do TJ-SP, defende punição severa a juízes criminosos


Ubiratan não vê relação entre imóvel e cárcere

Ministro aposentado do Tribunal de Contas da União, Ubiratan Aguiar não vê qualquer relação entre o apartamento funcional de quatro quartos, onde viveu por dez anos, e a estrutura de um cárcere. A associação foi da ministra Ana Arraes, que o recusou alegando lembrar a cela onde esteve durante a ditadura. "À minha família, foi acolhedor. Tem cômodos grandes e até dependências para os empregados".

Contraponto

Para Ubiratan, que sempre foi rigoroso com gastos públicos, uma "possível inconveniência" é que só há uma suíte no imóvel.

Daqui não saio

Ana Arraes continua morando em apartamento da Câmara dos Deputados. Agora pagará R$ 100 de multa por dia, até desocupá-lo.

Sob pressão

Só depois que a notícia veio à tona nesta Coluna, a Câmara decidiu cobrar multa da ministra Ana Arraes.

'Direitos' iguais

Pernambucana, Ana Arraes pediu ao Senado imóvel no mesmo prédio onde vivem os ministros conterrâneos: José Múcio e José Jorge.

Campos prefere PPP a privatizar

Ao contrário de Minas, o governo pernambucano Eduardo Campos não vai privatizar sua companhia de saneamento, a Compesa. Após investir R$ 600 milhões na ampliação do sistema de água, vai sair uma parceria público-privada de R$ 4,3 bilhões, em estudos pela empreiteira Camargo Correa, para sanear região metropolitana do Recife. O projeto foi oferecido ao mercado no Congresso Mundial de Águas na Espanha.

Diferencial

Eduardo Campos (PSB) quer mostrar na Compesa que PPPs atendem mais o interesse público que as privatizações da turma de Aécio Neves.

Investimento

Eduardo Campos fez a estatal Compesa liderar as obras do Ramal do Agreste da transposição do rio São Francisco no valor de R$ 1,4 bilhão.

Prévias

tucanas
Com Serra candidato em SP, já se articulam prévias no início de 2013 para homologar Aécio Neves candidato do PSDB à sucessão de Dilma.

Imagem e semelhança

A Federação das Câmaras de Comércio Brasil-Venezuela parece seguir o exemplo do coronel golpista Hugo Chávez, que aplicou calote bilionário na Petrobras: até os donos de hotéis reclamam de um beiço aplicado pela entidade em evento ocorrido em Recife.

Põe na

conta
O Ministério Público-DF investiga o contrato de R$ 500 mil da finada Brasiliatur com a Xuxa Promoções para um show da artista em abril de 2009, na Esplanada dos Ministérios, que não teria justificativa de preço.

Aposta

O deputado Marcelo Freixo é aposta do PSOL na disputa a prefeito do Rio. Para o presidente da sigla, Ivan Valente, ele se cacifou nos "movimentos intelectuais e sociais" após presidir a CPI das Milícias.

Corre-corre

O relator do novo Código Florestal, Paulo Piau (PMDB), se encontrará com lideranças partidárias nesta terça e quarta para apresentar análise técnica do projeto. A votação está prevista para terça (6) que vem.

Na mira

Policiais italianos aderiram às redes sociais para protestar contra o governo. Um deles sugeriu o "resgate" no Brasil do terrorista Cesare Battisti, "para completar o serviço". Não à toa, Battisti agora é "louro".

Eleições à parte

O PCdoB vibrou com a briga entre o governador do Ceará, Cid Gomes, e o senador José Pimentel. O embate só dificulta a aliança PT-PSB e aumenta chances do comunista Inácio Arruda na disputa em Fortaleza.

Questão na ONU

Quando a batata do Assad vai assar na Síria?

PODER SEM PUDOR

Deus no céu, ACM...
ACM detestava Fernando Henrique e tinha lá suas razões. Quando presidente, FHC costumava contar uma piada ocorrida após a morte do babalaô. No Inferno, ACM tirou do sério o Diabo, que telefonou a Deus pedindo socorro:
- Não aguento mais! ACM dá palpite em tudo, quer saber as maldades, sugere aperfeiçoamentos. Não dá. Leve ele aí pra cima.
Deus aceitou ACM. Tempos depois, intrigado, o Demo ligou para o Céu:
- Deus?
- Qual dos dois? - responderam do outro lado da linha.

SEGUNDA NOS JORNAIS


Globo: Após reduzir verba, governo promete nova base em 2 anos
Folha: Farc prometem acabar com sequestro de civis
Estadão: Reconstrução da base na Antártida vai levar um ano
Valor: Mercado mantém cautela mesmo com alta da Bolsa
Estado de Minas: 2012: o ano que, enfim, vai começar
Jornal do Commercio: Tumulto e morte no novo Aníbal Bruno
Zero Hora: Fogo consome história do Brasil na Antártica

domingo, fevereiro 26, 2012

Salvem as martas - J. R. GUZZO

REVISTA VEJA

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Erratas na vida - LYA LUFT

REVISTA VEJA

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PIB da bola - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 26/02/12


De gente que sabe fazer conta. A Traffic, bem sucedida empresa de marketing esportivo, perdeu com a repatriação de Ronaldinho Gaúcho para o Flamengo, em janeiro de 2011, cerca R$ 4,5 milhões.

Fora a dívida de R$ 3,75 milhões.

Na verdade...
A Traffic tentou repetir o sucesso financeiro e de marketing do Corinthians com a contratação de Ronaldo Fenômeno, em dezembro de 2008.



O DOMINGO É de Leandra Leal, 29 anos, a talentosa atriz que volta à telinha quinta agora, na série “As brasileiras”. Leandra será uma sexóloga que comanda um dos programas de maior audiência na televisão. Mas sua personagem guarda um segredo que pode destruir sua reputação e sua fama de grande entendedora dos assuntos de saliência. Aliás, Leandra também estará na próxima novela das 19h. Que seja feliz

General Dilma
Dilma encomendou ao ministro José Eduardo Cardozo um plano federal para ajudar os estados a aumentarem os salários de seus policiais.

Só esperou a poeira das greves das polícias baixar.

Empregos no mar
Sérgio Cabral pretende desapropriar o Caneco se, nos próximos seis meses, não houver leilão da massa falida do antigo estaleiro, fundado em 1886.

O caso se arrasta na Justiça há anos. O governador está convencido de que um leilão pode ampliar os empregos no Caneco de 1 mil, hoje, para uns 3 mil.

Dr. Freud Diniz
No balanço do Pão de Açúcar, publicado semana passada, no meio da linguagem técnica, o grupo ressalta “seus valores”, entre os quais “equilíbrio emocional”.

Naquela natimorta operação de fusão com o Carrefour, Abílio Diniz, mais de uma vez, acusou seu sócio francês, JeanCharles Naouri, de falta de... equilíbrio emocional.

Lúcio e Juliana
Lúcio Mauro, 85 anos, o ator, vai viver o coronel Ramiro Bastos na nova versão de “Gabriela”, na TV Globo.

Para o papel, deixou a barba crescer. O filho do coronel, Tonico (ainda sem ator definido), terá um caso com Gabriela.

Vez da mulher
Em abril, Cármen Lúcia será a primeira mulher a presidir o Tribunal Superior Eleitoral.

A ministra pode ser vista todo ano como ouvinte atenta na Festa Literária de Paraty.

Vez do negro...
Aliás, além de uma mulher na presidência do TSE, a Justiça também terá, pela primeira vez, em novembro, um negro na presidência do STF: o ministro Joaquim Barbosa.

Tô nem aí, ó pá
Na semana em que o jornal português “O Público” mencionou os laços de Zé Dirceu e do mensalão com escritórios de advocacia de Lisboa, o ex-ministro desembarcou na capital lusa e se hospedou num hotel cinco estrelas no Centro da cidade.

Não parecia nem um pouco preocupado.


Avenida Brasil 500
Veja que pena. O novo Into foi inaugurado com pompa e circunstância para realizar 18 mil cirurgias por ano, ou cerca de 1.500 por mês.

Só que, passados quatro meses, não está fazendo nem 400 por mês. Bem menos do que antes de se mudar para o novo prédio, na antiga sede do “Jornal do Brasil”.

Preço nas alturas
A Sérgio Castro alugou um apartamento de 40m2 naquele conjunto ao lado da PUC, atravessado pela Autoestrada Lagoa-Barra, por R$ 1.400 mensais.

Missa dos turistas
A missa de meio-dia, aos domingos, na Igreja de São Judas Tadeu, no Cosme Velho, no Rio, passou a ser rezada... em inglês.

É para contemplar os turistas que embarcam e desembarcam do Trem do Corcovado, que fica em frente.

Calma, gente
Mais um exemplo de preconceito contra Michel Teló. O bloco Laranjada, que desfilou domingo passado, em Laranjeiras, no Rio, tocava animadamente sambas antigos, quando um dos cantores ameaçou puxar o sucesso “Ai, se eu te pego”.

Os ritmistas, veja esta, se recusaram.

Cena carioca
A novidade na Praia do Recreio é um sacolé de caipivodca, bem forte, vendido a R$ 2 e anunciado assim:

— Se chupar, não dirija! Se dirigir, não chupe!

Faz sentido.

Pontos nevrálgicos - DENISE ROTHENBURG

CORREIO BRAZILIENSE - 26/02/12


A presidente Dilma não vai dar corda aos políticos para discutir substituições de diretores e gerentes. Nem da Petrobras, nem do Banco do Brasil. E hoje residem nessas áreas as maiores insatisfações dos petistas com o governo

Dois setores-chaves da gestão da presidente Dilma Rousseff prometem causar muito barulho na política em 2012, especialmente, neste período pré-eleitoral: a Petrobras e o Banco do Brasil. Tudo porque seus presidentes, Graças Foster, da Petrobras, e Aldemir Bendine, do Banco do Brasil, resolveram fazer o dever de casa. Tiraram diretores e gerentes com um viés mais político para colocar no lugar perfis mais técnicos, seguindo exatamente o combinado com a presidente Dilma Rousseff.

As mudanças da Petrobras ocorreram pouco antes do carnaval. Graças Foster mal desfez as malas e colocou a mão na massa. Trocou não só o diretor de Exploração & Produção (E&P), Guilherme Estrella — indicado pelo PT de José Dirceu —, como o diretor de Gás e Energia. No caso de E&P, a ascensão de José Formigli ao cargo de diretor foi negociada com o braço petista, mas não de todo. O engenheiro Richard Olm, ligado à nova presidente, Graças Foster, saiu de uma gerência de logística de participação da área de gás e energia para a Gerência Executiva de E&P, responsável por projetos de desenvolvimento da produção. Ou seja, vai cuidar das plataformas, de olho nos passos do diretor.

Por falar em Exploração & Produção…
Essa diretoria há anos era o xodó dos políticos. Ao ponto de ser batizada pelo ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PP-PE) de “fura-poço”. Com menos influência política nessa seara, restou aos parlamentares a diretoria de Abastecimento, uma das poucas que ainda detêm poder de fato. A área internacional, onde o PMDB indicou o técnico Jorge Zelada, ainda no governo Lula, tem poder de fogo cada vez menor. Aos poucos, vem perdendo influência para outras diretorias como a de Gás e Energia e a de Exploração e Produção.

Essas mudanças não são para menos. A Petrobras tem investimentos de US$ 224 bilhões previstos até 2015. E tudo o que a presidente Dilma não quer ouvir é que houve favorecimento no desembolso de recursos, como volta e meia surgia em relação a organizações não governamentais baianas apontadas como beneficiárias de verbas da empresa durante a gestão do ex-presidente Sérgio Gabrielli.

Por falar em beneficiados…
Diante das mudanças na Petrobras, o PMDB ficou em alerta máximo no sentido de manter o presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Até agora, conseguiu. Para o cargo, estava cotado o mesmo Richard Olm que Graças Foster colocou na Gerência Executiva de Exploração & Produção. Até para evitar que a presidente da Petrobras volte a investir no sentido de substituir Machado, o PMDB não pretende reclamar das mudanças na Petrobras. Também não moverá um músculo por conta das substituições no Banco do Brasil. Acha que essa seara vai fazer sangrar o PT.

Em conversas reservadas, os peemedebistas preveem um período de embates internos entre a presidente Dilma e o PT por conta da Petrobras e do Banco do Brasil. Afinal, nesses assuntos, Dilma tende a dar sempre “ganho de causa” a Graças Foster; ao ministro da Fazenda, Guido Mantega; e ao secretário executivo da Fazenda, Nelson Barbosa. Esses dois economistas são hoje a base do atual presidente do BB, Aldemir Bendine. Conforme noticiou o Correio pouco antes do carnaval, a troca de 13 diretores provocou uma guerra aberta no PT e respingou nos brios do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), que não digeriu as substituições.

Até o momento, a presidente Dilma não chamou Maia para falar sobre a troca de comando no Banco do Brasil e nada indica que irá chamar. Ela acredita que mudanças na entidade, como na Petrobras, obedeceram a critérios técnicos e não vai dar corda aos políticos para discuti-las. Logo, aqueles que ficaram insatisfeitos têm hoje dois trabalhos: o de reclamar e o de — como recomenda o humorista que imita a presidente num vídeo na internet “engolir o choro”. Se isso der problema político lá na frente, paciência. Dilma resolve depois. Ela, como diziam muitos pefelistas no passado, é do tipo que vive a cada dia a sua aflição. E a de hoje é consolidar um corpo mais técnico nessas áreas.

A indústria da 'emergência' - EDITORIAL O GLOBO


O GLOBO - 26/02/12
No mundo ideal, partidos e políticos disputariam espaço na máquina pública para demonstrar competência administrativa e, com isso, reforçar o apoio recebido do eleitor. No mundo real de Brasília, sabe-se, a história é bem outra, mais ainda depois que o lulopetismo aplicou ao extremo métodos do fisiologismo na montagem de equipes de governo. Um dos resultados foram as denúncias e escândalos no primeiro ano do governo Dilma, levada - de bom grado, é possível - a trocar vários ministros, de cuja escolha pode não ter participado com grande entusiasmo.
Em linhas gerais, as autoridades foram desestabilizadas pelas evidências de desvio de dinheiro do contribuinte por meio de alguns subterfúgios. Em geral, convênios e contratos assinados com ONGs ou não, sempre com o desaparecimento do dinheiro, liberado em nome de causas as mais meritórias: formação de mão de obra para o turismo, esporte para jovens carentes etc. Não faltaram os clássicos golpes de obras superfaturadas, mediante o evidente compromisso do empresário beneficiado de contribuir para caixas de políticos e partidos. Por suposto, caixas dois, pode-se deduzir sem grandes margens de erro.
Inquéritos abertos depois de revelados casos típicos desses "malfeitos", no governo Dilma e no de Lula, têm sido concluídos com a confirmação do dolo. O trabalho rotineiro de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) tem chegado à mesma conclusão. As auditorias revelam métodos desenvolvidos nos porões brasilienses para políticos e partidos aliados dragarem dinheiro do contribuinte em proveito próprio. Um exemplo é Geddel Vieira, do PMDB da Bahia, ministro da Integração Nacional - pasta bastante cobiçada pelo clientelismo -, e hoje abrigado numa vice-presidência da Caixa Econômica Federal, depois de derrotado na disputa pelo governo do seu estado. Não adiantou usar a máquina e o dinheiro do ministério.
Que ele privilegiou a Bahia, como ministro, com fins político-eleitorais - como já fez o sucessor Fernando Bezerra, do PSB, com Pernambuco - sabe-se há muito tempo. Na edição de sexta, O GLOBO revelou como, conforme auditoria do TCU, processos de pedido de ajuda financeira feito por municípios à Defesa Civil, subordinada à pasta, foram fraudados, para que os recursos chegassem aos prefeitos beneficiados sem a apresentação dos necessários pareces técnicos. No lugar destes, folhas em branco, a serem depois preenchidas ou não. Foi assim que, em 2009, Geddel, ministro de Lula, irrigou com pelo menos R$ 11,5 milhões seis prefeituras baianas. Os auditores encontraram irregularidades em 48 convênios assinados na gestão Geddel.
A corrupção atua em rede. Nela, cabe a prefeitos decretarem "emergência", para facilitar a liberação de verbas e despesas, sem a necessidade de licitação. No Sul, a prática foi detectada em regiões atingidas por cheias. Preocupado com o alastramento dessas "indústrias", o Planalto encaminharia ao Congresso projeto para voltar a comprometer os estados na decretação de emergência em municípios. O risco é criar-se mais burocracia, quando o melhor caminho é o da investigação e punição rápidas, eficiente antídoto contra a impunidade, causa básica de toda esta bandalheira

A república dos boatos - MAC MARGOLIS


O Estado de S.Paulo - 26/02/12


Café, uma porção de arepas e as últimas de Nelson Bocaranda. Assim começa o dia para dezenas de milhares de venezuelanos - e também para cada vez mais estrangeiros famintos de novos fatos da república bolivariana. Em um país em que o governo se dedica a estatizar a informação, as notícias confiáveis viraram mercadoria escassa e as furadas, passatempo nacional.

Entra Nelson Bocaranda, o mais combativo e talvez o mais informado articulista do país, que duas vezes por semana em sua coluna no jornal El Universal ou em seu programa de rádio diário - e a qualquer momento na blogosfera - revela a compatriotas e estrangeiros as informações que os comissários do governo de Hugo Chávez habitualmente omitem, ocultam ou simplesmente ignoram.

Agora, com a recaída do adoentado comandante venezuelano, o trabalho desse incansável colunista e blogueiro, com 66 anos e 500 mil seguidores no Twitter, tem sido redobrado. Pelos canais oficiais de informação, o presidente Chávez estaria na flor da saúde, refeito do câncer que o abatera no ano passado e mergulhado da boina às botas em sua campanha de reeleição. Graças a Bocaranda, os venezuelanos sabem mais.

Em junho passado, em sua coluna, a Venezuela descobriu que Chávez sofria de um tumor maligno na região pélvica e não uma mera lesão de joelho, como repetia a máquina de empulhação chavista. Cinco dias depois, o presidente admitiu a doença e foi tratá-la às pressas em Cuba.

No dia 17, Bocaranda voltou à tona. Afirmou pelo Twitter que Chávez, supostamente já livre do câncer, estava novamente em Havana em uma viagem secreta para se tratar de outro tumor. Após dois dias de sussurros e intrigas, o próprio presidente confirmou o diagnóstico, desmentindo dois de seus mais próximos assessores, Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional, e o ministro (pasmem) de Informação, William Izarra.

Até os maiores admiradores do governo venezuelano deploraram o que o sociólogo Heinz Dietrich, outrora fã confesso do chavismo, chamou da "grosseira disfunção do aparato midiático criado por Chávez". Melhor para Bocaranda, que, embora nunca tenha escondido seu desapego ao regime bolivariano, pratica um jornalismo rigorosamente ecumênico. Leitura obrigatória de investidores a ideólogos, ele ostenta fontes no seio do Palácio de Miraflores e orgulha-se de nunca ter sido desmentido pelos companheiros de Havana com quem costuma conversar.

Mas não há como negar que, a cada desmascaramento seu, sobe a estrela da oposição venezuelana. Embalados pelas primárias de fevereiro, os opositores de Chávez escolheram Henrique Capriles Radonski como candidato único - pela primeira vez - para enfrentar Chávez na votação presidencial de 7 de outubro.

Rival. Aos 39 anos, o jovem governador do Estado de Miranda usa camiseta polo, anda de moto, esbanja vigor e disposição e ainda exibe sua fala mansa enquanto afaga eleitores - um contraste cruel com o combalido e inchado comandante Chávez.

É cedo para descartar a reeleição do presidente. Mesmo com o desgaste de 13 anos no poder, a mais alta inflação (de 28% em 2011) entre os mercados emergentes, um surto sem precedentes de criminalidade e agora um câncer recidivo, o autodenominado líder do "socialismo do século 21" goza de índices invejáveis de popularidade. E ainda lidera as pesquisas de intenção de voto, muito graças ao seu charme e ao carisma político nato.

Esse poder sustenta-se até hoje pela impressionante habilidade de Chávez de controlar a informação venezuelana e de intimidar a mídia que não controla. Com a atuação de jornalistas como Nelson Bocaranda, porém, a pauta começa a mudar.

Rússia e Europa:juntas ou separada? - IGOR IVANOV

O ESTADÃO - 26/02/13


Estando no mesmo continente, os dois devem superar os ressentimentos e desconfianças, trabalhar juntos, complementando-se, para não serem perdedores na corrida global

Na Rússia, a crise financeira da União Europeia (UE) é observada com matizes. Alguns a veem com certa simpatia, enquanto outros a observam com malícia. As dificuldades da Europa reabrem o debate sobre a relevância do "europeu" na Rússia, que surge periodicamente em nossa história: o ocidental frente ao eslavo. Atlantistas e euro-asiáticos. Liberais e conservadores. Agora, os "eurocéticos" russos insistem em debater o que é mais importante e mais próximo: Europa ou Ásia? UE ou China? Os países desenvolvidos ou os emergentes?

Esse debate não faz muito sentido. Na era da globalização, o âmbito geográfico tradicional perde relevância, e é impossível distinguir entre Oriente e Ocidente. A geografia deixou de ser um fator determinante para a ordem econômica, o estilo de vida ou as perspectivas de desenvolvimento. As empresas europeias fabricam na China, os jovens japoneses estudam em Oxford, a roupa de grife italiana é confeccionada na Malásia e os engenheiros indianos programam para o Vale do Silício sem sair de sua Bangalore natal. Portanto, é muito mais produtivo diferenciar não pela geografia, mas pelo êxito (ou fracasso) em adotar as tendências atuais e aproveitar as vantagens competitivas.

Em Moscou, e não só aqui, elevam-se vozes proclamando que o centro de gravidade da atividade econômica mundial está se deslocando do Atlântico para o Pacífico, que o "projeto europeu" é demasiado complexo e difícil de ser aplicado, que a Europa não está em absoluto preparada para os desafios globais e está ameaçada pela crescente acumulação do poder asiático. Eles concluem que a Rússia devia se distanciar progressivamente de uma Europa inevitavelmente decadente, vinculando seu futuro à "civilização do Pacífico".

Ninguém duvida das recentes conquistas das economias asiáticas, mas é arriscado falar de declínio europeu. Há 100 anos que se anuncia a decadência europeia, mas o continente continua tendo um importante papel na economia global, fonte de inovação tecnológica, e um grande laboratório social. O potencial do projeto europeu está longe de se esgotar. O ritmo de modernização das economias asiáticas é, com certeza, admirável, mas não se deve esquecer que a modernização social e política está notavelmente atrasada na região. Em outras palavras: hoje, ninguém tem a liderança garantida.

Mudanças muito estritas estão se impondo às regras do jogo; todas as regiões estão competindo duramente para defender seu lugar e jogar um papel na economia e na política futuras. A feroz concorrência global não exclui - e geralmente implica - uma colaboração mais estreita. A Europa e a Ásia, em particular, necessitam uma da outra nos planos econômico, tecnológico e cultural. Os modelos "europeu" e "asiático" são complementares e essa interdependência parece até aumentar com o passar do tempo.

Mediador. Nesse contexto, o que se passa com a Rússia? Será que ela poderá se tornar um mediador ativo entre as duas grandes regiões? A resposta a essa pergunta depende, em grande parte, do equilíbrio de poder no mundo e do futuro do próprio país. Na verdade, hoje a questão não é se a Rússia pertence à Europa ou à Ásia, mas sim uma muito mais pragmática: a Rússia não deve se desprender da cooperação emergente entre os dois continentes nem ficar à margem do processo de integração econômica, científica, educacional e cultural.

Por desgraça, essa ameaça é muito real. A Rússia está presente nos mercados da Eurásia, mas cabe assinalar que sua participação nos mecanismos de cooperação e integração é muito superficial, atuando principalmente como fonte de matérias-primas e energia para seus vizinhos.

Essa situação não satisfaz as expectativas e necessidades de ninguém. Não há alternativa real a uma orientação europeia da política externa russa, Não se trata apenas de que a Europa continua sendo parceira econômica mais importante da Rússia; na Europa estão os principais mercados russos e ali estudam, trabalham e fazem turismo os cidadãos russos. A Rússia foi, é e será parte da Europa nos planos geográfico, histórico e cultural.

Alguns dirão que a Rússia é um país europeu, mas que se trata de "outra Europa". Sua relação com o "restante" da Europa continuará sendo difícil e controvertida. Essa afirmação talvez tenha certa lógica. Mas a verdadeira pergunta é: a evolução do restante da Europa é complicada somente em suas relações com a Rússia? Tomemos a Alemanha. Há 100 anos apenas, muitos intelectuais a leste do Reno duvidavam que a Alemanha fosse verdadeiramente europeia. Mas depois ela se converteu na locomotiva do processo de integração europeia na segunda metade do século passado. E não foi difícil e controvertido o retorno da Espanha ao espaço político, econômico e cultural europeu depois da morte de Franco?

Para a maioria de nós, a Rússia permaneceu afastada do Ocidente no século 20, separada por um profundo abismo ideológico. O destino de uma Rússia europeia era extremamente difícil (embora ela fizesse parte da civilização europeia no sentido mais amplo; o marxismo, aliás, é um produto da tradição filosófica europeia). Hoje, a Guerra Fria terminou, e o conflito ideológico entre a Rússia e a Europa está em retirada. Então, por que persiste a pergunta de se a Rússia pertence à Europa?

Talvez isso não se deva somente à inércia do pensamento. Grande parte da responsabilidade por a Rússia não ser totalmente parte da Europa é a própria Rússia. Ainda temos de aprender a ser europeus; esse conhecimento não se adquire de imediato. Ainda hoje, nem sempre entendemos a lógica de nossos parceiros europeus, nem levamos em conta os matizes de sua política.

Também é fácil censurar nossos parceiros. É conhecida a lentidão com que a burocracia europeia avança. Para a Rússia, poderia ser mais fácil negociar com cada um dos Estados-membros do que com a União Europeia em seu conjunto.

Uma coisa está clara: não existe um caminho fácil. Qualquer retorno da Rússia ao âmbito europeu requererá persistência e paciência, e uma inversão política no longo prazo por ambas as partes. Esse esforço terá de ser feito nas áreas que nos unem. Rússia e Europa sempre se orgulharam da qualidade de seu capital humano. A produção pode se deslocar para a China ou a Indonésia, mas o capital humano continuará sendo a nossa principal vantagem competitiva e o bem mais importante de nossa cultura.

Modernização. O capital humano é o motor da modernização - e não a capacidade industrial ou as reservas monetárias. A Rússia e a Europa têm tradição do capital humano como motor do crescimento. E têm muito que oferecer ao mundo nesse campo. Isso implica eficácia em nossa cooperação em âmbitos como educação, estratégias de pesquisa, política cultural e social, saúde, gestão das migrações e desenvolvimento da sociedade civil.

Evidentemente, a interação social entre Rússia e Europa não pode se desenvolver desligada da cooperação em matéria de segurança. O interesses estratégicos russos coincidem objetivamente. Falem com qualquer político em Berlim, Bruxelas, Madri ou Moscou sobre as ameaças à segurança russa e os desafios globais, Os diagnósticos provavelmente serão muito similares, e as soluções propostas também. Não gostaria de simplificar em excesso - nem todas as prioridades da Rússia e da UE coincidem totalmente - embora isso não se deva apenas a nossa diferente situação geopolítica. Dentro da própria UE nem sempre há unidade de critérios. O importante é que todos nós - do Atlântico aos Urais, de Vancouver a Vladivostok - estamos unidos por desafios e ameaças comuns. Essa realidade, que é pouco provável que mude no futuro próximo, determinará nossa cooperação em matéria de segurança.

Os céticos alegarão que este não é o melhor momento para empreender novas iniciativas nas relações entre a Rússia e a Europa, demasiado empenhadas como estão ambas em seus assuntos internos. Não seria talvez o caso de fazermos uma parada para avaliar as situações emergentes e só então retomarmos o diálogo?

Quero reafirmar que esse é o caminho do desenvolvimento global, profundo e duradouro, e não um capricho dos políticos. Nossos políticos não podem ignorar as consequências negativas para seus países se demoram a empreendê-lo.

Vivemos no mesmo continente. Não temos tempo sobrando para demonstrar nossa competitividade em um mundo globalizado. Outros países e regiões não vão esperar que superemos nossos ressentimentos, desconfianças e rixas. O mundo continuará avançando e a velocidade da mudança só aumentará. Também aumentará o número de candidatos à liderança mundial; muitos deles não surgirão na Europa. Trabalhando juntos, complementando-se, será mais fácil que Rússia e Europa não sejam perdedores nessa corrida mundial. O século 21 não deve ser um século de previsões sombrias sobre a decadência de nossa civilização comum. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

GOSTOSA


A terceira idade - ALDIR BLANC


O GLOBO - 26/02/12



Do jeito que tenho me sentido, seria preferível escrever logo sobre a Quarta Idade, mas não quero queimar etapas, porque pode ser que não reste mais nada pra queimar...

A Terceira Idade, apesar de todos os brilhantes conselhos dados por especialistas em jornais e TVs, é uma M gigantesca (parodiando o saudoso Francisco Alves, em "Adeus", de Silvino Neto, cinco letras que fedem...). Você acorda - se podemos chamar aquilo de acordar - e toma os primeiros remédios. Diz, tentando ser otimista, "Bom dia, mundo!" e, por vício, aciona a telinha, dando de cara com mais um massacre de sírios perpetrado por Assad. Não dá para entender. Ribamar Mubarak e Edson Kadhafi caíram por bem menos - sem contar com os horrores no Iraque I e II, e com o Afegalisteu, desculpem, Afeganistão, onde todos voltaram a traficar heroína. Ouvindo ruídos no quarto, o megalabrador Batuque salta, com seus belos 60 quilos, sobre o dono amado, e urge ingerir um Tramal porque a coluna foi à... à... Terceira Idade. O café tem ervas (diabetes) de fazer o sempre lembrado tríplice coroado Itajara babar - o que se repetirá na sopa do almoço e no presumível jantar. Bom, nada direi sobre fazer as necessidades porque, como já escrevi, se esforço contasse ponto, eu seria volante da Seleção Canarinho. Telefone: os direitos autorais continuam desabando. Vamos ao e-mail: a situação dos direitos autorais é pior do que a descrita no telefonema anterior. Aproveitando que estou na máquina (da qual fujo como diabo da cruz), assessorado pela netinha Joana, passo uma mensagem para a filha caçula, a Bel, e comento que ando bebendo com valentia Judges (suco em inglês, que os que não conhecem a língua confundem com juicy, que significa juiz). Declaro minha preferência pela mistura de Armendariz e Selmahayek, frutas exóticas deliciosas, mas que é preciso peneirar muito, após bater no liquidificador, por causa dos pelos abundantes. De passagem, magoado, conto que meu parceiro João Bosco fez uma dupla com o neto paulistano, Vinicius, e não me avisaram. Também comento o filme "Mansão Improvável 7 - Não Controlo essa Asma", com o Breaddy Pitta, que se casou com a Ângela Rô Rô. Aproveito para elogiar, embora não tenha entendido tudo, o documentário sobre soluços "Hip! men". Uma hora depois, o geriatra Tarso Mosci está na minha porta! Chamaram um médico, como se eu não estivesse com excelente saúde e em pleno gozo de minhas faculdades mentais. Pude comprovar esse fato com a leitura do livro de neurociências "Muito Além do Nosso Eu", de Miguel Nicolelis (ele é brilhante. Poucos sabem que, sob o pseudônimo de Down Brownie, escreveu "O Código Me dá As Vinte"). Recuso o exame médico, uma afronta, e ligo para um amigo de toda vida, o artista plástico Mello Menezes, que está batendo um bolão, catando folhas no telhado para prevenir a entrada de gambás... E não é que o cara me goza!

- Blanc, acho que você não está na Terceira Idade, mas na Segunda Infância!

Que seja. Aproveitarei para realizar um velho sonho: invadir, só de cueca samba-canção, o consultório do Dr. Roberto Aires, o melhor pediatra do mundo, me deitar na mesa de exames e cair no choro, não porque os dentinhos estejam crescendo, mas pela perda progressiva de cada um deles, e, lá na zona do agrião, tenho ouvido a voz do pintinho, não se lamuriando pela patética fimose de bico, mas também zoando:

- Você me botou em vários lugares e situações constrangedores. Paguei dois ou três micos porque você estava de porre. Chegou a hora da forra. Quero o merecido relax. Vai encomendando os engradados, não mais da cerveja Original, mas de Viagra... No que depender da minha colaboração, vai precisar!

Consciência cósmica - MARCELO GLEISER


FOLHA DE SP - 26/02/12


Quanto mais percebemos a complexificação da matéria, mais entendemos que somos criaturas raras



Desde 1998, o agente literário, empresário e intelectual americano John Brockman vem compilando opiniões de alguns dos cientistas mais conceituados do mundo, publicadas em livros. Cada ano tem um tema diferente. Em 2010 foi discutido "Como a internet está mudando nosso modo de pensar". Neste ano, a pergunta foi "Qual o conceito ou a ideia científica que pode nos aprimorar?" As 151 respostas, vindas de especialistas como Freeman Dyson, Daniel Kahneman e Steven Pinker, acabam de ser publicadas nos EUA em "This Will Make You Smarter"("Isto vai deixar você mais esperto"), livro que já avança na lista dos mais vendidos do país.

Brockman acredita que os cientistas (naturais e sociais) são os que ponderam as questões mais essenciais do nosso tempo. E não falamos apenas de aquecimento global ou do destino do Universo. Questões de natureza pessoal, ou mesmo corporativas, fazem parte da discussão: como viver melhor, o que é moralidade, como lidar com ideias contrárias às suas, como crescer trabalhando em grupos etc.
Inspirado no famoso ensaio "As Duas Culturas e a Revolução Científica", de 1959, do físico e escritor inglês Charles Percy Snow, Brockman propõe uma "Terceira Cultura", em que cientistas-humanistas são os principais criadores de cultura e de revoluções culturais.

Segundo ele, a fertilização plural de ideias vindas de áreas diferentes levará não só a soluções para os principais problemas que afligem a humanidade, da energia à fome, como também definirá nosso futuro.
Neste ano, dentre as muitas ideias provocadoras e instigantes, um tema fala mais alto do que os outros. Mesmo que tenhamos muito o que celebrar com relação aos nossos avanços científicos e intelectuais, temos razões de sobra para permanecermos humildes, especialmente ao confrontarmos a vastidão do que não sabemos sobre o Universo e sobre nós mesmos.

Como escreveu o neurocientista David Eagleman, da Faculdade Baylor de Medicina: "Considere as inúmeras decisões políticas, as asserções dogmáticas e as declarações factuais que ouvimos todos os dias e imagine se todas tivessem um mínimo de humildade intelectual".

Na minha contribuição, abordo um tema que explorei em meu livro "Criação Imperfeita" (Ed. Record, 2010): como o progresso na astrobiologia e na cosmologia estão nos fazendo repensar a lição central do copernicanismo, a de que, quanto mais aprendemos sobre o Universo, menos importantes ficamos.
Ao contrário, quanto mais percebemos que a complexificação gradual da matéria ao longo da história cósmica -das partículas elementares à matéria viva- é produto de imperfeições, acidentes e assimetrias sem qualquer grande plano por trás dela, mais entendemos que somos um fenômeno único no Cosmos, criaturas raras, capazes de se questionar sobre o futuro.

Mesmo que outra inteligência exista em algum canto da galáxia, as distâncias interestelares agem como uma barreira que, ao menos pelas próximas gerações, é intransponível. A conscientização de nossa solidão cósmica e da raridade de nossa casa planetária nos leva (ou deveria levar) a uma nova relação com a vida. Está na hora de começarmos a celebrar nossa existência.