O ESTADÃO - 23/01/12
Desde que a presidente Dilma Rousseff assumiu, em 2010, percebemos uma nova e positiva atitude na equipe econômica, buscando introduzir novas políticas microeconômicas na agenda do governo. Temas como câmbio, juros, créditos tributários, defesa comercial, inovação e tecnologia, financiamento às exportações, etc., passaram a ser debatidos com muito maior frequência na mídia e nos gabinetes da equipe econômica. Como resultado, algumas medidas concretas foram tomadas no 2.º semestre de 2010, trazendo esperança de recuperação da competitividade industrial, seriamente abalada nos últimos anos por fatores internos e externos de diversos matizes.
Na prática, porém, até agora os resultados têm sido bem modestos, seja pela morosidade com que a burocracia implementa as medidas já decididas e aprovadas, seja pela limitação dos benefícios até agora anunciados, tanto em valor como em abrangência de setores industriais e empresas exportadoras afetados.
Tome-se, por exemplo, o caso do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para Empresas Exportadoras (Reintegra), em que a Fazenda reconhece a existência do resíduo tributário nas exportações de manufaturados e prevê a devolução, em dinheiro ou compensação tributária, em valor equivalente a 3% das exportações desses produtos para países estrangeiros. Embora o Reintegra tenha representado, para muitos setores industriais, um avanço significativo na obtenção de ressarcimento de resíduos tributários acumulados na cadeia produtiva exportadora, o valor máximo atribuído pela lei (3%) é um valor apenas parcial dos tributos acumulados na grande maioria das cadeias produtivas exportadoras. Dessa forma, não elimina o viés anti exportação de nossa complexa e anacrônica estrutura tributária. Além disso, o mecanismo tem vigência só até o final de 2012, o que limita, para muitos setores que têm um ciclo mais longo de produção, a projeção desse fator de competitividade na formação de preço de exportação. E muito menos serve de indução para novos investimentos na expansão de capacidade produtiva. Por que não torná-lo um benefício permanente, ou ao menos com vigência por um período de 5 ou 10 anos, como ocorre em outros países?
Outro ponto questionável são os critérios não muito claros, se não lógicos, utilizados na seleção de setores elegíveis para fazer uso desse mecanismo tributário. Na sua recente regulamentação, foram excluídos inúmeros setores produtivos, entre os quais os de celulose, carnes, alguns produtos alimentícios e até alguns metais e produtos químicos. Alguns desses setores, apesar de estar em incluídos num míope e equivocado conceito de semi manufaturado, na verdade demandam na sua industrialização intensa tecnologia embutida, investimentos bilionários na instalação produtiva e muita utilização de mão de obra direta e indireta, para não falar no efeito multiplicador nas indústrias fornecedoras de insumos, equipamentos e infraestrutura agregada a essas cadeias. Além do mais, essa exclusão discricionária, sem um tratamento isonômico e horizontal da indústria em geral, acaba perenizando para tais setores excluídos o referido resíduo tributário que, acertadamente e em bom tempo, o governo federal pretende agora reduzir ou eliminar. Outro exemplo recente de meias medidas foi a reedição do Regime Especial Tributário para Incentivo à Modernização e Ampliação da Estrutura Portuária (Reporto), com vigência até 2015. O Reporto tem como objetivo a desoneração tributária de novos investimentos em máquinas e equipamentos para a infraestrutura portuária, tendo sido incluído posteriormente à sua edição original em 2004 um capítulo específico para ferrovias. É imperativo, na atual conjuntura econômica do País, irradiar competitividade sistêmica aos setores produtivos; expandir as fronteiras econômicas para a expansão do agronegócio, da geração de energia; e criar uma logística multimodal integrada e competitiva em nosso vasto território. Daí a proposta ainda não contemplada de inclusão nesse novo regime dos modais dutoviários e aquaviários, que, embora de importância ainda reduzida na matriz logística nacional (e por isso mesmo!), são modais de capital intensivo e, pois, merecem ser estimulados com a desoneração de tributos na fase de investimento, para que operem com maior competitividade ao longo de sua vida útil futura.
Um país só cresce e se torna economicamente forte com renda e emprego digno para todos os seus cidadãos, se suas empresas forem fortes e competitivas. Não basta focar só no equilíbrio macroeconômico e achar que o mundo real do setor produtivo sobrevive impune às distorções competitivas externas, como câmbio sobrevalorizado, logística deficiente, estrutura tributária irracional e excessiva e altos custos financeiros. Que venham mais e melhores medidas microeconômicas, para preservar e até ampliar nosso parque industrial construído com o sacrifício de toda a Nação nos últimos 50 anos de nossa história econômica.
segunda-feira, janeiro 23, 2012
Dois dígitos - GEORGE VIDOR
O GLOBO - 23/01/12
O Plano Real completará 20 anos em 2014. Até lá, possivelmente a dívida bruta total do setor público corresponderá a menos da metade do Produto Interno Bruto do país. E o endividamento líquido (no qual já estão descontados as reservas cambiais e outros créditos a receber) deverá ser equivalente a menos de um terço do PIB. São condições que favorecem o ajuste nos juros.
Levará mais tempo para que a economia brasileira consiga conviver com taxas de juros similares às de nações que alcançaram um grau médio de desenvolvimento, certamente. A inflação precisará cair para um patamar aceitável, da ordem de 3% ao ano, o que dependerá de um reequilíbrio dos chamados fatores de produção, entre os quais o mercado de trabalho.
A atual política de valorização do salário mínimo prevê aumentos reais até 2023, condicionados à evolução da própria economia. Se por um lado tal política encarece o custo da mão de obra e pressiona as contas da previdência social no curto prazo, por outro tende a tornar o trabalho mais atraente para um considerável número de pessoas em idade ativa (algo entre 5% e 10% dessa faixa etária) que não é motivada por um emprego.
Um exemplo prático desse reequilíbrio vem ocorrendo na construção civil. Antes tipicamente um reduto masculino, a construção civil vem empregando cada vez mais mulheres nas obras, especialmente nas fases de acabamento, nas quais elas têm se mostrado mais cuidadosas que seus colegas homens.
Ainda não se conseguiu medir o impacto dessa mudança na produtividade do setor, mas no "olhômetro" alguns gestores fundos de investimentos que acompanham a atividade amiúde acham que o desperdício de material tem diminuído. As obras, sem dúvida, estão ficando mais limpas.
A opção de trabalhar na construção civil, que passou a remunerar melhor seus empregados, é apontada como uma das explicações para a diminuição relativa do emprego doméstico no Brasil. Estima-se que mais de cinco milhões de pessoas continuem trabalhando como empregados domésticos, porém esse número parou de crescer, e em termos percentuais vem perdendo importância no total da mão de obra (ainda que as tarefas domésticas remuneradas, formais e informais, continuem como o maior empregador do Brasil).
Em função desse reequilíbrio, o mínimo tenderia a ficar mais próximo do salário médio, chegando a uma proporção de 40%.
Tal qual o mercado de trabalho, a economia brasileira pode passar por uma razoável mudança em sua infraestrutura, contribuindo para um outro ciclo de ganhos de produtividade, como o que ocorreu após o lançamento do real.
Se essa trajetória se confirmar, ficará mais fácil empurrar a inflação para o patamar de 3% ao ano, sem que para tal as autoridades monetárias tenham de recorrer a doses cavalares de taxas de juros.
E, assim, os juros internos espelhariam mais fielmente o quadro do endividamento público. Como se viu na crise europeia, sendo o setor público o maior devedor, o endividamento governamental é determinante no comportamentos dos juros, em geral.
Nessa caminhada, que não será curta, alguns passos poderão ser dados antes dos vinte anos do Plano Real. O maior desafio será manter as taxas básicas de juros abaixo de 10%, sem artifícios. Se ficarem abaixo de dois dígitos por um período de dois, anos, a batalha decisiva terá sido ganha.
Até 2014, as distribuidoras de energia elétrica da Eletrobras (empresas originalmente estaduais, e que acabaram "federalizadas") terão que ser lucrativas, segundo meta definida pelo conselho de administração do grupo, Algumas já estão no azul, como é o caso das distribuidoras de Rondônia e do Piauí, mas outras têm dificuldade para sair do vermelho porque enfrentam um calote crônico por parte de prefeituras e órgãos estaduais (empresas de água e esgoto, etc.).
Os inadimplentes geralmente conseguem obter na justiça local liminares que impedem o corte no fornecimento de energia, e as distribuidoras perdem o poder de pressão (e negociação).
Mas há outros desafios, como o combate ao furto de eletricidade ("gatos"), com índice muito elevado no Amazonas, atualmente o mais alto do Brasil, e perdas técnicas na própria distribuição.
A Eletrobras assumiu essas distribuidoras, localizados em estados do Norte e do Nordeste, como forma de se ressarcir de dívidas que tais empresas tinham com companhias de geração e transmissão de energia elétrica do grupo. É um programa que somente atingirá seu objetivo quando o conjunto das distribuidoras estiver no azul.
Empresas internacionais têm adotado como política não aumentar seu contingente de pessoal em termos globais. Algumas, quando investem no Brasil e empregam pessoas por aqui acabam cortando postos de trabalho lá fora, o que vem gerando má vontade de sindicatos estrangeiros de trabalhadores em relação ao atual momento da economia brasileira.
O Canal do Mangue existe desde priscas eras. Surgiu para ajudar a drenar uma área pantanosa junto a Baía de Guanabara e que se tornou uma extensão do núcleo original da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. O Mangue, como o canal é chamado, desemboca na Baía, dividindo o cais do porto do Rio. No projeto de reformulação do porto para uso por empresas que dão apoio a plataformas de petróleo está prevista a possibilidade de tornar esse cais contínuo, com um píer sobre o trecho dividido. A obra envolveria também um sistema para evitar o assoreamento da saída do canal, uma das causas do alongamento de regiões próximas durante o verão.
Dedo opositor - MELCHIADES FILHO
FOLHA DE SP - 23/01/12
BRASÍLIA - O confronto entre PM e moradores, ontem no Vale do Paraíba, desafia a atitude algo acomodatícia do PT em relação ao governo Alckmin -e outros adversários.
Se virou lugar-comum dizer que os tucanos, acuados pela popularidade de Lula e Dilma, desistiram do embate político, é fato que, onde poderia ou deveria fazer oposição, o PT anda pouco belicoso também.
Cálculo e cautela imperam no partido que se formou na estridência. A prioridade é o "projeto nacional": preservar ou ampliar a coalizão que "dá governabilidade" a Dilma, replicando-a onde possível.
Assim, por ordem expressa de Lula, a legenda discute aliança com Gilberto Kassab (PSD), depois de anos de recriminações à gestão "higienista" do prefeito de São Paulo.
Assim, no Estado, o PT passou a modular as críticas ao governador, tão paparicado pela presidente. Interessa não fechar as portas ao voto Dilmalckmin daqui a dois anos?
Logo após o vexame na eleição de 2010 em Minas, a sigla prometeu buscar a Prefeitura de Belo Horizonte. Agora, fala em renovar o pacto de não-agressão com o PSDB.
Em Alagoas, grampos da polícia indicam que tucanos desviaram dinheiro público para quitar despesas eleitorais. Mesmo assim, nada de o petismo se mexer para destituir o governador Teotonio Vilela Filho.
Tome-se o caso do Rio. Não existe no país quem privatize tantos serviços públicos quanto o PMDB local. O PT não só se cala. Para não melindrar o parceiro nacional, cometerá o gesto inédito de abdicar da eleição à prefeitura da capital.
Isso sem falar da famosa intervenção no diretório maranhense, a fim de proteger a família Sarney.
Os recuos são, claro, táticos. Aqui e ali o PT ainda bate firme. A campanha municipal acirrará ânimos e delimitará campos. Mas tudo no partido está hoje programado para esfriar o noticiário. O problema é que notícia não se programa.
BRASÍLIA - O confronto entre PM e moradores, ontem no Vale do Paraíba, desafia a atitude algo acomodatícia do PT em relação ao governo Alckmin -e outros adversários.
Se virou lugar-comum dizer que os tucanos, acuados pela popularidade de Lula e Dilma, desistiram do embate político, é fato que, onde poderia ou deveria fazer oposição, o PT anda pouco belicoso também.
Cálculo e cautela imperam no partido que se formou na estridência. A prioridade é o "projeto nacional": preservar ou ampliar a coalizão que "dá governabilidade" a Dilma, replicando-a onde possível.
Assim, por ordem expressa de Lula, a legenda discute aliança com Gilberto Kassab (PSD), depois de anos de recriminações à gestão "higienista" do prefeito de São Paulo.
Assim, no Estado, o PT passou a modular as críticas ao governador, tão paparicado pela presidente. Interessa não fechar as portas ao voto Dilmalckmin daqui a dois anos?
Logo após o vexame na eleição de 2010 em Minas, a sigla prometeu buscar a Prefeitura de Belo Horizonte. Agora, fala em renovar o pacto de não-agressão com o PSDB.
Em Alagoas, grampos da polícia indicam que tucanos desviaram dinheiro público para quitar despesas eleitorais. Mesmo assim, nada de o petismo se mexer para destituir o governador Teotonio Vilela Filho.
Tome-se o caso do Rio. Não existe no país quem privatize tantos serviços públicos quanto o PMDB local. O PT não só se cala. Para não melindrar o parceiro nacional, cometerá o gesto inédito de abdicar da eleição à prefeitura da capital.
Isso sem falar da famosa intervenção no diretório maranhense, a fim de proteger a família Sarney.
Os recuos são, claro, táticos. Aqui e ali o PT ainda bate firme. A campanha municipal acirrará ânimos e delimitará campos. Mas tudo no partido está hoje programado para esfriar o noticiário. O problema é que notícia não se programa.
CLAUDIO HUMBERTO
"Nós respeitamos a posição do ex-governador"
Geraldo Alckmin (PSDB), governador paulista, aliviado com a desistência de Serra
CNC quer virar imobiliária
A Confederação Nacional do Comércio (CNC), cujo objetivo deveria ser o de zelar pelos interesses do setor, decidiu entrar firme no mercado imobiliário de Brasília, com a construção de dez edifícios com custo estimado em R$ 700 milhões. Uma etapa de quatro torres já está em construção no valorizado Setor de Autarquias Norte, em uma área que fica praticamente sobre a quadra residencial 402 Norte.
Sem explicação
Para estrear no ramo imobiliário, a CNC escolheu como parceira a construtora Via Engenharia, do DF, mas não explicou como a escolheu.
Orçamento
Do seu orçamento de R$ 264 milhões para 2012, a CNC pode gastar até R$ 107 milhões (mais de 40%) em seus investimentos imobiliários.
Dinheiro
Em 2011, a CNC aplicou no empreendimento cerca de 30% do seu orçamento de R$ 246 milhões. Foram R$ 76 milhões no total.
Quem sustenta
À frente da CNC há 31 anos, Antonio Oliveira Santos, 86, diz estar preocupado com o futuro. Quer a CNC "autosustentável". Ah, bom.
TCU reprova
Uma auditoria do Tribunal de Contas da União constatou que o Programa de Prevenção e Preparação para Desastres do ministério da Integração ainda é um belo projeto no papel: apenas 426 dos 5.565 municípios brasileiros têm Defesa Civil - menos de 8% do total - e que coordenadorias municipais só existem no papel. Repasses, valores, prazos e prestação de contas também estão ao sabor das chuvas.
Exploração
Um pão de queijo médio e refrigerante custam R$ 6,25 na lanchonete do aeroporto de Brasília . Em Congonhas (SP), R$ 9. Quase 50% mais.
Paixão nacional
Os shoppings já representam 18,3% das vendas no varejo e 2% do Produto Interno Bruto no Brasil. Mais 44 entram em operação este ano.
De molho
Em Fortaleza, PT e PSB já conversaram, pressionam, m as a prefeita Luizianne Lins ainda não anunciou quem apoiará à própria sucessão.
Homenagem
Cotada para ministra de Políticas para Mulheres, a petista Inês Pandeló foi quem apresentou projeto para dar o Título de Cidadão do Estado do Rio de Janeiro à atual ministra, Iriny Lopes. Que é de Espírito Santo.
Bom de bola
Do ex-presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT), sobre a tentativa do prefeito paulistano Gilberto Kassab (PSD) de se aproximar do PT: "Ele joga bem e o PT não deve rejeitar o que depois pode ser útil".
Sem registro
Logo na entrada do Palácio do Planalto, uma placa sob a Galeria de Presidentes da República observa: "Entre as fotos em branco-e-preto, há uma em cores: a de quem ora exerce o cargo". Após mais de um ano de governo, nem sinal da fotografia de Dilma Rousseff.
Na gaveta
O projeto de "regulação da mídia", sonho autoritário de Gilberto Carvalho e do ex-jornalista Franklin Martins, está no Ministério das Comunicações, mas o ministro Paulo Bernardo não simpatiza com ele.
Põe na conta
A Câmara dos Deputados vai gastar menos com reformas este ano: R$135 milhões. A ONG Contas Abertas apurou que só a ampliação do Anexo IV poderá custar R$95 milhões. O Tribunal de Contas da União reservou R$14 milhões para reformar sua sede em Brasília.
Areia movediça
A Justiça do Ceará paralisou a construção da Central Eólica Trairi, sob pena de multa de R$ 500 mil diários, por prejudicar o "pôr do sol" nas dunas da praia de Flecheiras, famosa pelo turismo com os "bugreiros".
Agora vai
A Infraero contratou por R$ 28,8 milhões, em São Paulo, a Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico para diagnóstico e implantação de nova gestão no setor da estatal. Leia-se aeroportos ruins.
Pensando bem
...pela afinidade com os costumes locais, o comandante do Costa Concordia pedirá asilo ao Brasil assim que sair da cana na Itália.
Com Ana Paula Leitão e Teresa Barros
PODER SEM PUDOR
Senador contra-regra
Os senadores discutiam a redução da maioridade penal, certa vez, quando o abilolado Eduardo Suplicy (PT-SP) voltou a exibir sua veia artística. Lendo um relatório sobre o tema, em certo trecho um cachorro latia. Suplicy leu e latiu. Três vezes. Risos gerais. Adiante, ele se referiu a "vários tiros de arma de fogo" e novamente ilustrou a leitura berrando os tiros. O senador tucano Arthur Virgílio (AM) não resistiu: com reflexos de judoca, levantou os braços, com ar de espanto. Mais risos.
Geraldo Alckmin (PSDB), governador paulista, aliviado com a desistência de Serra
CNC quer virar imobiliária
A Confederação Nacional do Comércio (CNC), cujo objetivo deveria ser o de zelar pelos interesses do setor, decidiu entrar firme no mercado imobiliário de Brasília, com a construção de dez edifícios com custo estimado em R$ 700 milhões. Uma etapa de quatro torres já está em construção no valorizado Setor de Autarquias Norte, em uma área que fica praticamente sobre a quadra residencial 402 Norte.
Sem explicação
Para estrear no ramo imobiliário, a CNC escolheu como parceira a construtora Via Engenharia, do DF, mas não explicou como a escolheu.
Orçamento
Do seu orçamento de R$ 264 milhões para 2012, a CNC pode gastar até R$ 107 milhões (mais de 40%) em seus investimentos imobiliários.
Dinheiro
Em 2011, a CNC aplicou no empreendimento cerca de 30% do seu orçamento de R$ 246 milhões. Foram R$ 76 milhões no total.
Quem sustenta
À frente da CNC há 31 anos, Antonio Oliveira Santos, 86, diz estar preocupado com o futuro. Quer a CNC "autosustentável". Ah, bom.
TCU reprova
Uma auditoria do Tribunal de Contas da União constatou que o Programa de Prevenção e Preparação para Desastres do ministério da Integração ainda é um belo projeto no papel: apenas 426 dos 5.565 municípios brasileiros têm Defesa Civil - menos de 8% do total - e que coordenadorias municipais só existem no papel. Repasses, valores, prazos e prestação de contas também estão ao sabor das chuvas.
Exploração
Um pão de queijo médio e refrigerante custam R$ 6,25 na lanchonete do aeroporto de Brasília . Em Congonhas (SP), R$ 9. Quase 50% mais.
Paixão nacional
Os shoppings já representam 18,3% das vendas no varejo e 2% do Produto Interno Bruto no Brasil. Mais 44 entram em operação este ano.
De molho
Em Fortaleza, PT e PSB já conversaram, pressionam, m as a prefeita Luizianne Lins ainda não anunciou quem apoiará à própria sucessão.
Homenagem
Cotada para ministra de Políticas para Mulheres, a petista Inês Pandeló foi quem apresentou projeto para dar o Título de Cidadão do Estado do Rio de Janeiro à atual ministra, Iriny Lopes. Que é de Espírito Santo.
Bom de bola
Do ex-presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT), sobre a tentativa do prefeito paulistano Gilberto Kassab (PSD) de se aproximar do PT: "Ele joga bem e o PT não deve rejeitar o que depois pode ser útil".
Sem registro
Logo na entrada do Palácio do Planalto, uma placa sob a Galeria de Presidentes da República observa: "Entre as fotos em branco-e-preto, há uma em cores: a de quem ora exerce o cargo". Após mais de um ano de governo, nem sinal da fotografia de Dilma Rousseff.
Na gaveta
O projeto de "regulação da mídia", sonho autoritário de Gilberto Carvalho e do ex-jornalista Franklin Martins, está no Ministério das Comunicações, mas o ministro Paulo Bernardo não simpatiza com ele.
Põe na conta
A Câmara dos Deputados vai gastar menos com reformas este ano: R$135 milhões. A ONG Contas Abertas apurou que só a ampliação do Anexo IV poderá custar R$95 milhões. O Tribunal de Contas da União reservou R$14 milhões para reformar sua sede em Brasília.
Areia movediça
A Justiça do Ceará paralisou a construção da Central Eólica Trairi, sob pena de multa de R$ 500 mil diários, por prejudicar o "pôr do sol" nas dunas da praia de Flecheiras, famosa pelo turismo com os "bugreiros".
Agora vai
A Infraero contratou por R$ 28,8 milhões, em São Paulo, a Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico para diagnóstico e implantação de nova gestão no setor da estatal. Leia-se aeroportos ruins.
Pensando bem
...pela afinidade com os costumes locais, o comandante do Costa Concordia pedirá asilo ao Brasil assim que sair da cana na Itália.
Com Ana Paula Leitão e Teresa Barros
PODER SEM PUDOR
Senador contra-regra
Os senadores discutiam a redução da maioridade penal, certa vez, quando o abilolado Eduardo Suplicy (PT-SP) voltou a exibir sua veia artística. Lendo um relatório sobre o tema, em certo trecho um cachorro latia. Suplicy leu e latiu. Três vezes. Risos gerais. Adiante, ele se referiu a "vários tiros de arma de fogo" e novamente ilustrou a leitura berrando os tiros. O senador tucano Arthur Virgílio (AM) não resistiu: com reflexos de judoca, levantou os braços, com ar de espanto. Mais risos.
SEGUNDA NOS JORNAIS
- Globo: Governo federal já tem 22 mil cargos de confiança
- Folha: Irã ataca diplomacia de Dilma
- Estadão: Desembargadores querem reduzir os poderes do Coaf
- Correio: Crescem denúncias de crimes contra a mulher
- Valor: Mercado se abre para as captações externas
- Estado de Minas: Na rota do crescimento
- Jornal do Commercio: Tricolor faz a festa
- Zero Hora: Piratini reaviva projeto de inspeção veicular
domingo, janeiro 22, 2012
Brasil, nação classe C - GUILHERME FIUZA
REVISTA ÉPOCA
O presidente ficou conhecido como "o filho do Brasil", por ser "gente como a gente". "A gente" quem, cara-pálida?
Já estava mesmo na hora de eliminar a elite da vida brasileira. E não só pelo aspecto econômico. Foi profundamente incômodo ao país ser presidido por um intelectual cultivado, cheio de títulos acadêmicos. Dentre outros comportamentos elitistas, esse presidente acabou com o compadrio na área econômica do governo, impondo a virtude como critério. Ou seja: um desumano, insensível aos apelos de um amigo, parente, afilhado ou cabo eleitoral.
Nesse período, a economia brasileira saiu das trevas, mas o país só ficou à vontade quando foi entregue a um ex-peão. A nação ficou aliviada sob um presidente que empregava os companheiros, que não se importava em maltratar a língua, que se orgulhava de não ler jornais, que fazia o elogio da ignorância - ufanando-se da sua própria falta de estudos, ao cantar vitória sobre o antecessor diplomado. O símbolo máximo dessa cultura (sic) foi a distribuição pelo MEC de livros ensinando uma espécie de português não contabilizado ("nós pega o peixe" era uma das novidades do idioma).
Esse presidente ficou conhecido como "o filho do Brasil", por ser gente como a gente. Você perguntaria: "'A gente' quem, cara-pálida?". Evidentemente, uma pergunta elitista. Cheque seu passaporte, porque você talvez não caiba no Brasil de classe média.
Fora um certo sotaque fascista, até que a ideia do nivelamento geral de um povo poderia ter seus encantos. Nessa grande nação classe C, não existiria mais, por exemplo, o golpe do baú. As moças interesseiras teriam de mudar de ramo, porque não valeria mais a pena cavar um casamento para continuar na mesma classe social. (Esclarecendo que o mesmo raciocínio vale para os rapazes interesseiros. No império da igualdade, é mais prudente tirar a média de tudo, até dos sexos.)
Nessa doce sociedade mediana, as ambições também terão de estar niveladas, para garantir que todos sejam iguais perante suas contas bancárias (ou mais ou menos iguais, vá lá). Isso acabará com um dos grandes problemas do capitalismo, que é a exploração do homem pelo homem. Estando quase todo mundo na classe C, a mais-valia sairá de moda. E, não havendo mais nenhuma outra classe relevante, essa imensa e única classe média poderá, por que não, ser rebatizada de classe A - num grande final feliz que nem Aguinaldo Silva imaginaria, muito menos Karl Marx.
A erradicação da elite, a partir do postulado de Dilma Rousseff, traria benefícios imediatos ao funcionamento do país. Ministros como Fernando Pimentel e Mário Negromonte poderiam sair de seus esconderijos e voltar ao trabalho, sem a imprensa burguesa e elitista para fuxicar seus negócios no governo popular. Pelo mesmo motivo, a presidente não precisaria gastar todo o seu primeiro ano de governo tentando segurar ministros que caíam de podres. Sobraria-lhe mais tempo para trabalhar nas fundações do seu Brasil médio. E que país seria este?
Seria um país muito mais tolerante. Além das liberalidades no uso da língua portuguesa e do dinheiro público, a mentalidade média que emerge da sociologia governamental muda inteiramente o conceito de responsabilidade. Por exemplo: o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, teve a carteira de habilitação apreendida por dirigir em excesso de velocidade e falando ao celular. De cara limpa, tranquilo, apareceu no Detran confirmando seus delitos e anunciando que "retomará os parâmetros de civilidade".
Já o hábito da ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, era estacionar em local proibido. Ela também apareceu sorridente, prometendo que não vai mais fazer isso não.
Tudo normal. Tudo médio. Inclusive os parâmetros de civilidade e humanidade.
Cadê a ala dos mensaleiros? - REVISTA ÉPOCA
O tema da Gaviões da Fiel neste Carnaval é a exaltação (e bajulação) ao mais célebre dos corintianos, o ex-presidente Lula. Nunca antes na história deste país a escola conseguiu tanto dinheiro de patrocínio - nem tantos políticos interessados em mostrar samba no pé
Quem for à avenida assistir ao desfile da escola de samba Gaviões da Fiel em homenagem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve estar preparado para uma daquelas obras de fantasia de que só a folia do Carnaval brasileiro é capaz. Estão lá as alas que, previsivelmente, aludem a programas como o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, ProUni e Luz para Todos - além de uma bateria vestida com macacões de metalúrgico e de uma coreografia inspirada no escorpião, o signo de Lula no zodíaco. Mas o ziriguidum vai além.
Lembra quando o governo Lula tentou criar um conselhão de jornalismo para tentar controlar a mídia? Pois a Gaviões vem aí com uma descabida ala da liberdade de imprensa... Lembra quando o PT, num primeiro momento, cogitou não assinar a Constituição de 1988? Pode então deixar o samba rolar para a ala de exaltação ao desempenho de Lula e dos petistas na Constituinte. E abre alas para os passistas vestidos de notas de real que desfilarão pelo sambódromo (seria uma desajeitada referência ao plano econômico que estabilizou nossa economia e foi bombardeado por Lula e pelo PT desde a primeira hora?). E que dizer do maior esquema de corrupção de que o país já teve notícia? Cadê a ala dos mensaleiros? Ou do ditador iraniano favorável ao apedrejamento de mulheres e apoiado por Lula? Cadê o carro alegórico do Ahmadinejad? E do dólar na cueca? E... bem, não importa, minha gente. Tem Lula na avenida. É Carnaval, eeê ooooôôô ....
Como peça de marketing, o desfile da Gaviões não deixa nada a desejar às alegorias e aos adereços de um Duda Mendonça. A sequência de alas apresenta alguns delírios característicos dessa forma peculiar de construção cênica conhecida como desfile de escola de samba. Num dos pontos altos, o sambódromo será tomado por passistas fantasiados de borboletas. Foi a forma que o carnavalesco Igor Carneiro encontrou para representar uma das frases mais conhecidas de Lula, dita em dezembro de 2007, quando ele procurava justificar sua mudança de posição em relação à CPMF, o imposto sobre transações financeiras criado para financiar a saúde. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, o PT criticava o imposto. No poder, precisou do dinheiro para fechar as contas. Lula, com seu pragmatismo, mudou de opinião e se saiu com uma citação de Raul Seixas: "Eu não tenho vergonha e muito menos tenho razão para não dizer que eu mudo de posição e há muito tempo eu digo que prefiro ser considerado uma metamorfose ambulante".
Quando descobriu que o PT se recusou a assinar a Constituição de 1988 - e só o fez posteriormente com ressalvas, Carneiro diz que levou um susto e cogitou excluir a ala da Constituinte. "Mas aí encontrei um discurso recente do Lula, de quando ele era presidente, dizendo que, se ocorresse o que o PT queria, ele teria dificuldade de governar", diz Carneiro. Essa recente metamorfose de Lula bastou para preservar o que estava planejado. E quanto à ala da "Liberdade de Imprensa"? Obviamente a Gaviões esqueceu o capítulo da difícil e tensa relação entre o governo Lula e a imprensa livre, marcada pelas tentativas de setores do PT de introduzir o que era chamado de "controle social da mídia", um eufemismo para a censura.
As escolas de samba endeusam seus homenageados desde muito antes de o ditador Getúlio Vargas, por meio de seu Departamento de Imprensa e Propaganda, apoiar as agremiações que falavam bem dele e suas realizações. Também já faz tempo que as escolas de samba adotaram o esquema do "enredo patrocinado", exaltando Estados, cidades ou mesmo setores da economia em busca de dinheiro. Neste ano, a Porto da Pedra carioca falará do esplendor e da glória do... iogurte. O motivo? O dinheiro de uma indústria de laticínios.
Homenagear Lula, no entanto, é um negócio muito melhor. Graças a seu enredo, a Gaviões da Fiel fará um dos desfiles mais caros de seus 43 anos de história. A agremiação vai gastar R$ 3,5 milhões, um terço a mais que a escola gastou nos últimos carnavais. "No ano passado, nosso enredo era sobre Dubai", diz Carneiro. "Não apareceu nenhum interessado em patrocinar." Neste ano, numa folia bajulatória, choveram ofertas de patrocínio, a ponto de algumas terem sido recusadas. TIM, Schin, RedBull, Consigaz e Água de Cheiro ajudarão a bancar o desfile. "É porque é o Lula, né?!", diz Carneiro. "Estamos de portas abertas para os caminhões de dinheiro", diz o presidente da Gaviões, Antônio Alan, conhecido como Donizete, em tom de piada.
O plano de transformar o corintiano Lula em enredo vem sendo desenhado pela Gaviões há mais de um ano. A ideia teve pronto apoio do presidente do Corinthians, Andrés Sanchez. Graças ao apoio de Lula, Sanchez conseguiu que seu time ganhasse um estádio financiado com dinheiro público. Foi ele, habitué da quadra da escola às sextas-feiras à noite, quem intermediou o convite a Lula. O ex-presidente já fora procurado pelas escolas Portela e Vila Isabel, ambas cariocas. Declinou dos dois convites. A turma da Gaviões caprichou no convencimento. Em maio passado, Sanchez, Donizete, Carneiro e outros dirigentes da escola foram à sede do Instituto Lula mostrar todos os detalhes do desfile. Ao longo de duas horas, apresentaram ao ex-presidente cada paetê em PowerPoint e ouviram alguns pitacos do ex-presidente, de seu filho, Lulinha, do ex-ministro Luiz Dulci e do presidente do PT em São Paulo, Edinho Silva.
Além de empresas patrocinadoras, o enredo sobre Lula atraiu um cordão de políticos que normalmente não se interessariam pelo chuvoso carnaval paulistano. O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), se deslocará para São Paulo, tratada desdenhosamente pelos cariocas como "túmulo do samba", para sambar em homenagem a Lula. Vascaíno e mangueirense, Cabral vestirá a fantasia de Metamorfose Ambulante. Outro passista de luxo deverá ser o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). Ele foi convidado por Lula a abandonar os trios elétricos do Galo da Madrugada, no Recife, e se juntar à festa petista. Com os governadores, cerca de 20 parlamentares, federais e estaduais, mostrarão sua ginga e malemolência na passarela. A organização da ala ficou a cargo do deputado estadual Donisete Braga (PT-SP). Cada fantasia custa R$ 600. Braga afirma que a disputa entre os políticos foliões é grande. Um dos que já confirmaram presença é o deputado federal José Mentor (PT-SP), citado nos autos do mensalão.
Os governadores Sérgio Cabral, do Rio, e Eduardo Campos, de Pernambuco, já confirmaram presença no desfile paulistano
Os sindicalistas também aderiram com força ao desfile e sambarão ao som de Vai meu gavião/ Cantando a saga do menino sonhador/ Um filho do sertão, cabra da peste/Irmão/Que deus pai iluminou! Em nome da Força Sindical, o deputado Paulinho da Força (PDT-SP), adversário político de Lula no passado em que o PT não era governo, comprou uma ala inteira, batizada de Profissão Cidadão. Nela, desfilarão os filiados da Força. Quando soube que sua principal rival comprara uma ala, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) não marcou passo. As 100 fantasias da ala Sindicalismo foram compradas pela CUT. São vendidas a R$ 450 cada. Informada de que fora atravessada no samba, a União Geral dos Trabalhadores (UGT), ligada ao PSD do prefeito paulistano Gilberto Kassab e flerte antigo dos tucanos, correu para sair nas mesmas condições das outras centrais. "A Força já apoiou o Serra, mas eles mudaram de ideia", diz Ricardo Patah, presidente da UGT. "Política é como nuvem, uma hora está de um jeito, outra hora de outro."
Pelos planos traçados pela Gaviões, Lula participará do desfile ao lado da mulher, dona Marisa, e dos filhos. Para a aparição da família Silva, a escola construiu um palco armado no último carro alegórico do desfile. Há duas semanas, a filha Lurian apareceu num ensaio na quadra da escola de samba e pediu adaptações em sua fantasia, originalmente um biquíni, para torná-la mais comportada. Como Lula está em tratamento de um câncer na laringe - ao receber a notícia da doença, sua primeira reação foi perguntar ao cardiologista Roberto Kalil se o tratamento permitiria que ele desfilassse -, há dúvidas sobre sua presença. Os dirigentes da Gaviões chegaram a pensar em construir uma estátua de Lula, com 13 metros de altura, para suprir sua possível ausência. Mas desistiram da ideia. Eles sabem que, sem Lula em carne e osso, o desfile perderá muito de seu impacto
Que tal fechar as escolas ruins? - GUSTAVO IOSCHPE
REVISTA VEJA
No apagar das luzes da gestão Haddad, o Ministério da Educação decidiu cortar 50 000 vagas de cursos universitários de "baixa qualidade", que não tinham atingido a nota mínima no mecanismo de avaliação do ministério. Mais de 30 000 das vagas cortadas são da área de saúde. A lógica dos cortes é elevar a qualidade do sistema universitário, fazendo com que as melhores instituições possam crescer adicionando as vagas subtraídas das más instituições e a população seja protegida de profissionais despreparados.
A maioria das pessoas parece concordar com a medida, e até jornais liberais a apoiaram em editorial. Se você concorda com ela, gostaria de ir um passo adiante e recomendar que também sejam cortadas todas as vagas de escolas de educação básica de má qualidade. Se a lógica vale para o sistema de ensino superior, por que não haveria de valer para a educação básica, que é certamente ainda mais importante para o país e açambarca um número consideravelmente mais alto de alunos (51 milhões, contra 6 milhões do ensino superior)? O corte de matrículas na educação básica faz muito mais sentido do que no ensino superior. Primeiro, porque, enquanto os alunos da educação superior são jovens e adultos que têm a capacidade cognitiva para passar por todo um sistema educacional e também por um vestibular ou Enem e, portanto, possuem todas as condições de saber qual é a qualidade da faculdade em que estão ingressando, os alunos que entram em uma escola na 1ª série têm reduzidas (para não dizer nenhuma) condições de saber a qualidade daquela escola. O primeiro indicador oficial de qualidade de uma escola, o Ideb, é divulgado a partir do 5° ano (o MEC tem outro, que mede a alfabetização nas primeiras séries, mas se recusa, para não desagradar às corporações do ensino, a torná-lo compulsório ou publicar seus resultados). Em segundo lugar, frequentar o ensino superior é uma escolha, enquanto a educação básica é compulsória; é mais lógico proteger alguém de um mal obrigatório do que de outro, opcional. Finalmente, faz um grande sentido financeiro adiantar a extinção das vagas. Se quem será mau profissional deve ficar na ignorância, faz mais sentido começar o corte lá pelo 3° ou 4° ano da escola. Como é óbvio que um aluno analfabeto jamais poderá ser um profissional competente, para que gastar anos de sua vida e muito reais com merenda, transporte, livros, professores e escolas se ele já está condenado? A maioria dessas pessoas vai sair da escola mesmo ao longo dos anos - temos 3,2 milhões de alunos na 1° série do ensino fundamental, mas só 2,2 milhões no último ano do ensino médio -, então por que não tornar o processo mais objetivo e chancelado pelo governo, em vez de causar prejuízos aos cofres públicos e perda de tempo e dinheiro aos alunos e seus pais?
Se a lógica de fechar cursos insatisfatórios vale para o sistema de ensino superior, por que não haveria de valer para a educação básica, que é certamente ainda mais importante para o país?
Talvez você esteja pensando que a educação é um direito do cidadão; não poderia, portanto, ser suprimido. Em tese, concordo. Mas veja os resultados da Prova ABC, aplicada no ano passado pelo Inep e por ONGs em alunos do 3° ano: ela mostrou que quase 60% dos estudantes não aprendem o mínimo esperado para essa série em matemática e quase 45% em leitura. Não dá para chamar de "educação" o que ocorre em pelo menos metade das nossas escolas, portanto. Cortar vagas, nesses casos, não seria homicídio, mas eutanásia.
Como você gosta do método do MEC para o ensino terciário, certamente não se oporá à sua utilização na educação básica. O MEC corta vagas dos cursos que tiveram notas 1 e 2 no Índice Geral de Cursos (IGC). Na educação básica, o índice semelhante é o Ideb. Diferentemente do IGC, que vai de 0 a 5, o Ideb vai de 0 a 10. Para chegar ao mesmo nível de qualidade nas escolas, basta cortar as vagas daquelas que têm notas de 0 a 4 no Ideb, portanto. Como a média do país no Ideb está em torno de 4, e como a distribuição dessas notas deve ser gaussiana, estimo que cortar vagas das escolas com Ideb igual ou menor que 4 subtrairia aproximadamente metade do total de alunos na educação básica. Assim, em pouco tempo, provavelmente nem teríamos mais de cortar vagas nas universidades, pois todos aqueles que passassem pela faxina e chegassem ao ensino superior certamente seriam muito capacitados. Também acabariam os problemas de inflação de salários em profissões como babás, empregadas e peões da construção civil, pois o que não faltaria seria gente totalmente ignorante no mercado.
Claro, o que vai acima é um exercício de absurdo. As pessoas só não o percebem dessa maneira quando é aplicado ao ensino superior porque estamos falando de 50 000 pessoas, e não de 50 milhões. Na verdade, nem são 50 000 as pessoas afetadas, porque, como mostrou reportagem da Folha de S.Paulo, 73% das vagas cortadas estão ociosas, ou seja, as instituições as oferecem, mas os alunos não as preenchem.
Cortar vagas em instituições de ensino, no Brasil de hoje, é não apenas uma estupidez, mas crime de lesa-pátria. Porque o Brasil está fracassando terrivelmente em formar jovens com ensino superior, que são - e serão cada vez mais - determinantes para o desenvolvimento do país. O Brasil matricula pouco mais de 20% de seus jovens no ensino superior. Alguns de nossos vizinhos latino-americanos, como Peru, Chile, Venezuela e Uruguai, têm taxas de matrícula que são o dobro. Países da Europa têm taxas de matrícula na casa dos 50% a 70%. E alguns países, como Coreia do Sul, EUA e Finlândia, estão chegando perto da universalização do ensino superior. Imagine para que países irão os empregos com maiores salários, que dependem da capacidade de geração de bens e serviços de alto valor agregado. Imagine que países desenvolverão a pesquisa tecnológica inovadora. Nós ou eles?
A ideia de que é bom cortar vagas é uma mistura de preguiça intelectual com realismo mágico. Porque as pessoas ouvem falar que uma enfermeira matou um paciente ao colocar vaselina em vez de soro na injeção e então, indignadas e pensando com o fígado, bufam: "Precisamos proteger a sociedade de profissionais como esses! Vamos atacar o problema na fonte, fechando as más escolas formadoras!". O.k. Vamos presumir que o IGC seja um bom indicador para medir a qualidade dos cursos universitários (não é) e também que o principal culpado pelo fato de a vaselina ter sido usada no lugar de soro seja a formação da enfermeira, e não a desorganização do hospital, o cansaço da enfermeira ou simplesmente a falibilidade humana. Então cortamos a vaga, e evitamos que os "maus profissionais" se tornem enfermeiros. médicos ou contadores - sim, o MEC cortou vagas dos cursos de contabilidade, já que todos nós sabemos que um contador incompetente pode tirar milhares de vidas (?). Multiplique isso por 1 000 ou 50 000. O que acontece? Digamos que cada "mau profissional" atenda dez clientes por dia. Então serão 500 000 clientes desatendidos por dia. Não com um mau atendimento com um atendimento um pouco abaixo do ideal: zero. Em vez de terem maus contadores, médicos ou enfermeiros, as pessoas não terão nenhum. O que acontece quando são subtraídos de um mercado profissionais para os quais há demanda? Se há uma economia de mercado, em que os preços se reajustam livremente, o preço cobrado pelos profissionais que ficam no mercado sobe. Para os ricos, isso não fará muita diferença. Mas para os pobres o aumento de preço pode ser a diferença entre ter condições de ser atendido e não ter. Se os preços forem controlados, como no sistema público, por exemplo, as enfermeiras e os médicos que ficarem não poderão cobrar mais, mas terão de atender mais pacientes. Como o tempo de trabalho é finito e a oferta de gente qualificada é menor do que a demanda por seus serviços, isso significa que os pacientes demorarão mais para ser atendidos, ou morrerão antes do atendimento. É fácil ficar indignado com vaselina na seringa, porque vira notícia. Mais difícil é lamentar os milhares de casos anônimos de gente que morre em casa por não ter atendimento médico ou por ser atendida por um ótimo médico estafado por ter de dar conta de uma demanda sobre-humana. Esses casos permanecem no limbo. Assim como o dos milhares de presos pobres e inocentes que não podem pagar um advogado e em locais onde não há defensores públicos que cheguem.
O realismo mágico a que me referia é o de pessoas que acreditam que o mundo é binário, em que há profissionais bons e ruins, instituições boas e ruins, e que, se cortarmos as instituições ruins, é claro que suas vagas serão ocupadas pelas instituições boas, que formarão bons profissionais. Mas a realidade é mais complexa.
O aluno que frequenta uma universidade mal avaliada não o faz porque é burro ou está sendo enganado, e sim porque aquela é a melhor instituição em que conseguiu entrar, ou a mais barata com que seu bolso pode arcar. Se essa vaga for cortada, portanto, ele não vai estudar na USP nem na FGV. Vai ficar sem estudar. A tônica de um país em desenvolvimento, como o nosso, é justamente a existência de desequilíbrios: há mais demanda do que oferta, e não há gente qualificada para atender a todos. Não só na medicina, mas em todas as áreas, do conserto do carro ao transplante de medula. Não há como gerar atendimento de Primeiro Mundo a todos porque simplesmente não há gente que chegue com qualificação de Primeiro Mundo. É demagogia querer oferecer uma sensação de proteção contra erros. Erros acontecerão. A questão não é o que fazer para acabar com eles, porque isso é impossível, mas sim o que fazer para minorá-los. E a saída certamente passa por ter mais gente com alguma qualificação, não menos. É melhor ter gente com qualificação insuficiente do que com qualificação nenhuma. Às vezes digo isso e as pessoas me perguntam: "Mas você gostaria de fazer uma ponte de safena com um médico formado por uma dessas universidades caça-níqueis que ficam em cima de uma padaria?". É claro que não. Nem eu nem ninguém. Num mundo ideal, só gostaria de ser operado pelo melhor médico do mundo naquela especialidade. Mas no mundo real a maioria das pessoas não terá dinheiro para se operar com o melhor do mundo, e, mesmo que tivesse, esse profissional não teria tempo para atender a todos.
No mundo real, para grande parte das pessoas, ou elas vão ser operadas pelo médico ruim ou não vão ser operadas por ninguém. Se eu estivesse num avião e sofresse um infarto, é claro que gostaria que o meu vizinho de poltrona fosse um cardiologista renomado. Mas, se não tiver essa sorte, prefiro que o vizinho seja um médico de quinta categoria, ou até mesmo um aluno dessa universidade-padaria, a que seja alguém que teve de virar carteiro porque, justo no ano em que iria prestar o vestibular para medicina na única faculdade em que conseguiria entrar, veio um burocrata de Brasília e resolveu cortar aquela vaga.
No apagar das luzes da gestão Haddad, o Ministério da Educação decidiu cortar 50 000 vagas de cursos universitários de "baixa qualidade", que não tinham atingido a nota mínima no mecanismo de avaliação do ministério. Mais de 30 000 das vagas cortadas são da área de saúde. A lógica dos cortes é elevar a qualidade do sistema universitário, fazendo com que as melhores instituições possam crescer adicionando as vagas subtraídas das más instituições e a população seja protegida de profissionais despreparados.
A maioria das pessoas parece concordar com a medida, e até jornais liberais a apoiaram em editorial. Se você concorda com ela, gostaria de ir um passo adiante e recomendar que também sejam cortadas todas as vagas de escolas de educação básica de má qualidade. Se a lógica vale para o sistema de ensino superior, por que não haveria de valer para a educação básica, que é certamente ainda mais importante para o país e açambarca um número consideravelmente mais alto de alunos (51 milhões, contra 6 milhões do ensino superior)? O corte de matrículas na educação básica faz muito mais sentido do que no ensino superior. Primeiro, porque, enquanto os alunos da educação superior são jovens e adultos que têm a capacidade cognitiva para passar por todo um sistema educacional e também por um vestibular ou Enem e, portanto, possuem todas as condições de saber qual é a qualidade da faculdade em que estão ingressando, os alunos que entram em uma escola na 1ª série têm reduzidas (para não dizer nenhuma) condições de saber a qualidade daquela escola. O primeiro indicador oficial de qualidade de uma escola, o Ideb, é divulgado a partir do 5° ano (o MEC tem outro, que mede a alfabetização nas primeiras séries, mas se recusa, para não desagradar às corporações do ensino, a torná-lo compulsório ou publicar seus resultados). Em segundo lugar, frequentar o ensino superior é uma escolha, enquanto a educação básica é compulsória; é mais lógico proteger alguém de um mal obrigatório do que de outro, opcional. Finalmente, faz um grande sentido financeiro adiantar a extinção das vagas. Se quem será mau profissional deve ficar na ignorância, faz mais sentido começar o corte lá pelo 3° ou 4° ano da escola. Como é óbvio que um aluno analfabeto jamais poderá ser um profissional competente, para que gastar anos de sua vida e muito reais com merenda, transporte, livros, professores e escolas se ele já está condenado? A maioria dessas pessoas vai sair da escola mesmo ao longo dos anos - temos 3,2 milhões de alunos na 1° série do ensino fundamental, mas só 2,2 milhões no último ano do ensino médio -, então por que não tornar o processo mais objetivo e chancelado pelo governo, em vez de causar prejuízos aos cofres públicos e perda de tempo e dinheiro aos alunos e seus pais?
Se a lógica de fechar cursos insatisfatórios vale para o sistema de ensino superior, por que não haveria de valer para a educação básica, que é certamente ainda mais importante para o país?
Talvez você esteja pensando que a educação é um direito do cidadão; não poderia, portanto, ser suprimido. Em tese, concordo. Mas veja os resultados da Prova ABC, aplicada no ano passado pelo Inep e por ONGs em alunos do 3° ano: ela mostrou que quase 60% dos estudantes não aprendem o mínimo esperado para essa série em matemática e quase 45% em leitura. Não dá para chamar de "educação" o que ocorre em pelo menos metade das nossas escolas, portanto. Cortar vagas, nesses casos, não seria homicídio, mas eutanásia.
Como você gosta do método do MEC para o ensino terciário, certamente não se oporá à sua utilização na educação básica. O MEC corta vagas dos cursos que tiveram notas 1 e 2 no Índice Geral de Cursos (IGC). Na educação básica, o índice semelhante é o Ideb. Diferentemente do IGC, que vai de 0 a 5, o Ideb vai de 0 a 10. Para chegar ao mesmo nível de qualidade nas escolas, basta cortar as vagas daquelas que têm notas de 0 a 4 no Ideb, portanto. Como a média do país no Ideb está em torno de 4, e como a distribuição dessas notas deve ser gaussiana, estimo que cortar vagas das escolas com Ideb igual ou menor que 4 subtrairia aproximadamente metade do total de alunos na educação básica. Assim, em pouco tempo, provavelmente nem teríamos mais de cortar vagas nas universidades, pois todos aqueles que passassem pela faxina e chegassem ao ensino superior certamente seriam muito capacitados. Também acabariam os problemas de inflação de salários em profissões como babás, empregadas e peões da construção civil, pois o que não faltaria seria gente totalmente ignorante no mercado.
Claro, o que vai acima é um exercício de absurdo. As pessoas só não o percebem dessa maneira quando é aplicado ao ensino superior porque estamos falando de 50 000 pessoas, e não de 50 milhões. Na verdade, nem são 50 000 as pessoas afetadas, porque, como mostrou reportagem da Folha de S.Paulo, 73% das vagas cortadas estão ociosas, ou seja, as instituições as oferecem, mas os alunos não as preenchem.
Cortar vagas em instituições de ensino, no Brasil de hoje, é não apenas uma estupidez, mas crime de lesa-pátria. Porque o Brasil está fracassando terrivelmente em formar jovens com ensino superior, que são - e serão cada vez mais - determinantes para o desenvolvimento do país. O Brasil matricula pouco mais de 20% de seus jovens no ensino superior. Alguns de nossos vizinhos latino-americanos, como Peru, Chile, Venezuela e Uruguai, têm taxas de matrícula que são o dobro. Países da Europa têm taxas de matrícula na casa dos 50% a 70%. E alguns países, como Coreia do Sul, EUA e Finlândia, estão chegando perto da universalização do ensino superior. Imagine para que países irão os empregos com maiores salários, que dependem da capacidade de geração de bens e serviços de alto valor agregado. Imagine que países desenvolverão a pesquisa tecnológica inovadora. Nós ou eles?
A ideia de que é bom cortar vagas é uma mistura de preguiça intelectual com realismo mágico. Porque as pessoas ouvem falar que uma enfermeira matou um paciente ao colocar vaselina em vez de soro na injeção e então, indignadas e pensando com o fígado, bufam: "Precisamos proteger a sociedade de profissionais como esses! Vamos atacar o problema na fonte, fechando as más escolas formadoras!". O.k. Vamos presumir que o IGC seja um bom indicador para medir a qualidade dos cursos universitários (não é) e também que o principal culpado pelo fato de a vaselina ter sido usada no lugar de soro seja a formação da enfermeira, e não a desorganização do hospital, o cansaço da enfermeira ou simplesmente a falibilidade humana. Então cortamos a vaga, e evitamos que os "maus profissionais" se tornem enfermeiros. médicos ou contadores - sim, o MEC cortou vagas dos cursos de contabilidade, já que todos nós sabemos que um contador incompetente pode tirar milhares de vidas (?). Multiplique isso por 1 000 ou 50 000. O que acontece? Digamos que cada "mau profissional" atenda dez clientes por dia. Então serão 500 000 clientes desatendidos por dia. Não com um mau atendimento com um atendimento um pouco abaixo do ideal: zero. Em vez de terem maus contadores, médicos ou enfermeiros, as pessoas não terão nenhum. O que acontece quando são subtraídos de um mercado profissionais para os quais há demanda? Se há uma economia de mercado, em que os preços se reajustam livremente, o preço cobrado pelos profissionais que ficam no mercado sobe. Para os ricos, isso não fará muita diferença. Mas para os pobres o aumento de preço pode ser a diferença entre ter condições de ser atendido e não ter. Se os preços forem controlados, como no sistema público, por exemplo, as enfermeiras e os médicos que ficarem não poderão cobrar mais, mas terão de atender mais pacientes. Como o tempo de trabalho é finito e a oferta de gente qualificada é menor do que a demanda por seus serviços, isso significa que os pacientes demorarão mais para ser atendidos, ou morrerão antes do atendimento. É fácil ficar indignado com vaselina na seringa, porque vira notícia. Mais difícil é lamentar os milhares de casos anônimos de gente que morre em casa por não ter atendimento médico ou por ser atendida por um ótimo médico estafado por ter de dar conta de uma demanda sobre-humana. Esses casos permanecem no limbo. Assim como o dos milhares de presos pobres e inocentes que não podem pagar um advogado e em locais onde não há defensores públicos que cheguem.
O realismo mágico a que me referia é o de pessoas que acreditam que o mundo é binário, em que há profissionais bons e ruins, instituições boas e ruins, e que, se cortarmos as instituições ruins, é claro que suas vagas serão ocupadas pelas instituições boas, que formarão bons profissionais. Mas a realidade é mais complexa.
O aluno que frequenta uma universidade mal avaliada não o faz porque é burro ou está sendo enganado, e sim porque aquela é a melhor instituição em que conseguiu entrar, ou a mais barata com que seu bolso pode arcar. Se essa vaga for cortada, portanto, ele não vai estudar na USP nem na FGV. Vai ficar sem estudar. A tônica de um país em desenvolvimento, como o nosso, é justamente a existência de desequilíbrios: há mais demanda do que oferta, e não há gente qualificada para atender a todos. Não só na medicina, mas em todas as áreas, do conserto do carro ao transplante de medula. Não há como gerar atendimento de Primeiro Mundo a todos porque simplesmente não há gente que chegue com qualificação de Primeiro Mundo. É demagogia querer oferecer uma sensação de proteção contra erros. Erros acontecerão. A questão não é o que fazer para acabar com eles, porque isso é impossível, mas sim o que fazer para minorá-los. E a saída certamente passa por ter mais gente com alguma qualificação, não menos. É melhor ter gente com qualificação insuficiente do que com qualificação nenhuma. Às vezes digo isso e as pessoas me perguntam: "Mas você gostaria de fazer uma ponte de safena com um médico formado por uma dessas universidades caça-níqueis que ficam em cima de uma padaria?". É claro que não. Nem eu nem ninguém. Num mundo ideal, só gostaria de ser operado pelo melhor médico do mundo naquela especialidade. Mas no mundo real a maioria das pessoas não terá dinheiro para se operar com o melhor do mundo, e, mesmo que tivesse, esse profissional não teria tempo para atender a todos.
No mundo real, para grande parte das pessoas, ou elas vão ser operadas pelo médico ruim ou não vão ser operadas por ninguém. Se eu estivesse num avião e sofresse um infarto, é claro que gostaria que o meu vizinho de poltrona fosse um cardiologista renomado. Mas, se não tiver essa sorte, prefiro que o vizinho seja um médico de quinta categoria, ou até mesmo um aluno dessa universidade-padaria, a que seja alguém que teve de virar carteiro porque, justo no ano em que iria prestar o vestibular para medicina na única faculdade em que conseguiria entrar, veio um burocrata de Brasília e resolveu cortar aquela vaga.
A turma do SOPA não entendeu nada - PAULO MOREIRA LEITE
REVISTA ÉPOCA
Numa hora em que tantas pessoas prestam atenção na blogueira cubana Yaoni Sanchez, também é muito relevante discutir o SOPA e o PIPA.
São situações parecidas mas, estranhamente, nem todos se comovem da mesma forma, como se não tivessem percebido ou não quisessem perceber que se trata do mesmo problema, numa escala muito mais grave e ameaçadora.
A repressão sofrida pela blogueira é injusta e merece repúdio. Mas o SOPA e o PIPA representam uma ameaça concreta à liberdade em países que se orgulham de garantir direitos democráticos a seus cidadãos, coisa que o regime dos irmãos Castro nunca disse que pretendia fazer depois que tomou o poder, em 1959.
Os projetos de controle da internet representam um risco grave e imediato. Isso ficou claro ontem, nos protestos que envolveram diversos sites no mundo inteiro.
O efeito não tardou. Pelo menos 18 senadores americanos já retiraram seu apoio ao projeto. O risco dele ser aprovado não acabou mas tornou-se menor. Barack Obama já disse que não irá assinar nenhuma lei que implique em criar censura na internet.
Em sua coluna de hoje, em O Globo, Cora Ronai explica: se os projetos de lei em discussão no Congresso americano forem aprovados, “a rede com que colaboramos e que se formou graças ao conteúdo produzido e compartilhado por nós mesmos se transformaria numa estufa censurada, onde só se encontraria o que passasse pelo crivo da industria americana.”
Outro autor que compara o SOPA à uma censura é Ethevaldo Siqueira, colunista especializado em tecnologia do Estadão e insuspeito de qualquer antipatia por empresas privadas.
Ele recorda que, caso o SOPA venha ser aprovado, poderá “se transformar em péssimo exemplo dos EUA para o mundo, inspirando muitos países a adotar formas semelhantes “de censura, de repressão e bloqueio de sites, hoje só praticadas pela China, Irã, Coréia do Norte, Cuba e poucos outros países.”
Traduzindo: longe de ser um risco apenas para o cidadão americano, essas leis ameaçam o espaço de comunicação e cidadania que a internet ajudou a criar ao longo de 20 anos. Considerando o domínio americano nas inovações tecnológicas — há uma década o New York Times definiu a internet como uma colonia dos EUA — não há dúvida que toda medida tomada em Washington terá reflexos imediatos no mundo inteiro.
Não estamos falando de países periféricos nem fechados. Mas do maior PIB mundial, com um imenso poder de retaliação e capacidade de impor interesses. Uma das forças por trás dos leis em debate é o cinema americano, que retira uma fatia enorme de suas receitas do mercado externo. Outra força é a industria de comunicações, que faz movimentos na mesma direção.
O que está em questão é a natureza profunda da Internet.
Se há algo de revolucionário na Internet, o SOPA e o PIPA representam Termidor, a reação conservadora, que pretende restaurar uma ordem que deixou de fazer sentido neste universo.
Criada por cientistas que procuravam um espaço para facilitar o avanço do conhecimento, sendo muito utilizada por militares nos primeiros anos, a internet não é um produto de empresas privadas nem nasceu sob a lógica do lucro. É obra de millhões de cidadãos que todos os dias acessam sites, trocam mensagens, defendem idéias.
Nasceu sob a lógica dos espaços públicos e continua assim.
Nos primórdios, recebeu uma imensa carga de recursos do Estado americano, graças a visão de Al Gore, o vice de Bill Clinton que enxergou muita coisa à frente do titular.
O resultado é que a internet serve a economia de mercado — e como! — mas não se confunde com ela. É muito maior. Tem outra natureza.
Nem tudo que ali circula é mercadoria, o que tem vantagens e desvantagens. Começando pela desvantagem: seu trabalho pode ser divulgado, expropriado e até falsificado e você não vai receber nada por isso. Outra desvantagem: dificilmente poderá se defender mesmo que sofra uma acusação injusta. E terá de contar com advogados caros e competentes se quiser impedir a divulgação de uma informação que possa prejudicá-lo no YOUTUBE.
Concluindo pela vantagem: num mundo definido como sociedade da informação e do conhecimento, a internet cumpre um papel indispensável pelo seu caráter universal, aberto e descontrolado. Sem querer abusar de uma palavra que às vezes parece tão gasta, ajudou o mundo a se tornar mais democrático. Para muitas pessoas, o principal exercício de cidadania acontece ali. Os governos não mandam na internet. Nem as grandes corporações. Todos podem usá-la, disputar audiência, tentar criar monopolios, ganhar dinheiro e até enriquecer.
Mas é preciso respeitar uma regra básica, do espaço de liberdade. A internet é nossa grande praça pública, aquele lugar das sociedades contemporâneas que não existe mais nas cidades nem nas ruas — mas no computador. Não é magia mas até parece.
O esforço para criar controles oficiais na internet é tipico de ditaduras. O esforço para transformá-la num espaço da iniciativa privada também. Num caso, sacrifica-se a liberdade em nome de uma ideologia. No outro, sacrifica-se a liberdade me nome da propriedade. Quem perde é a humanidade.
Como é fácil de entender, no fim das contas o resultado é o mesmo. Não sou um fanático do individualismo contemporâneo. Mas vivemos num tempo de autonomia para os indivíduos, que têm espaço para seu pensamento, sua existencia, suas escolhas fundamentais e secundárias, sua capacidade de reagir.
É um movimento profundo, maior do que os profetas de todas as escolas de pensamento político do século XX poderiam imaginar.
Numa sociedade de grandes monopólios econômicos e super podres poderes políticos, a internet é nosso lugar de respiro e resistência.
Ninguém nos impede de ler o blogueiro que apreciamos, de xingar o blogueiro inconveniente, de espalhar opinião muito pessoal e manifestar aquela raiva que não paramos de sentir. Ninguém tem o direito de destruir a internet.
Enquanto não houver uma ideia para corrigir seus defeitos sem ameaçar essa liberdade, é bom para todos nós que ela continue assim.
A palavra e o sexo - RUTH DE AQUINO
REVISTA ÉPOCA
É justo que a sociedade condene automaticamente um homem acusado de estupro?
Era uma vez Emir. Imigrante marroquino, em Paris, apaixonou-se por uma belga. Ela foi morar no apartamento que ele alugava. Emir é garçom e músico. Brigas azedaram o amor e o casal se separou. Um dia, ela telefonou. Insistiu num encontro para discutir a relação. Foi para a casa dele. Beberam. Fizeram sexo. Na manhã seguinte, cedo, ela foi à delegacia e o acusou de estupro. Disse que Emir a forçou a fazer o que não queria.
Não havia marca de violência. Era a palavra do homem contra a da mulher. Ele jurava ser inocente. Afirmou que o sexo tinha sido consentido. Emir contratou advogado, foi julgado e condenado a três anos de prisão. O julgamento estarreceu seus patrões, franceses. Amigos de Emir acharam a condenação sexista e racista. Ele ficou incomunicável um bom tempo.
Acabo de reencontrar Emir, servindo mesas novamente em Paris. Ficou um ano na prisão. Tem uma companhia inseparável: a tornozeleira eletrônica. Flutua entre dois mundos – o de seu apartamento alugado, único bem que conservou, e o restaurante. Se decide, dentro do metrô, mudar a conexão para o mesmo destino, recebe imediatamente um telefonema e é convocado pela Justiça a se explicar. Se escolhe outra rua em seu trajeto, o celular toca.
Emir é grato ao juiz pela liberdade vigiada, que compara a uma ressurreição. Não quer processar ninguém. Só provar que nunca foi uma ameaça às mulheres. Tenta reconstruir suas economias, porque faliu. Ouviu dizer que a ex se mudou para a Itália com um amigo dele e com a indenização que foi condenado a pagar. Emir sempre foi gentil, atencioso, educado. Está mais calado, por temor e mágoa.
A lei hoje é mais rigorosa em suspeitas de abuso sexual. A palavra do homem vale bem menos que a palavra da mulher. É justo? Há casos tenebrosos de estupro contra meninas, moças, mulheres, filhas, sobrinhas, pacientes. Podemos concluir então que o homem, pelo poder e força física, tende a estuprar? Podemos nos permitir algumas injustiças escabrosas para equilibrar o jogo?
“A história fala de homens que submeteram mulheres a viver com medo e intimidadas, e o sexo também se prestou a isso”, diz o psicanalista Sócrates Nolasco. “Todavia, os tempos são outros, e o estupro, prática de alguns homens, passou a ser considerado uma prerrogativa masculina. Algumas mulheres usam essa prerrogativa para manipular ou tirar proveito de uma situação. Acontece nas varas de família, como vingança. Ou no caso da camareira em Nova York com Strauss-Kahn.” Nesta coluna, levada pela gravidade da acusação, o histórico de DSK e a reação da Justiça americana, dei crédito à camareira e me retratei pela precipitação.
As fronteiras entre o sexo consentido e o abuso costumam ser claras. Às vezes, não são. Penetramos então no terreno obscuro da subjetividade. O efeito do álcool ou da droga torna a mulher vítima potencial do homem? A mulher adulta precisa saber quem ela leva para a cama ou na cama de quem ela vai parar. E com que fim. Normalmente, não é para conversar ou rezar, mas ela tem o direito de mudar de opinião. Ele também. Se a mulher quiser perder o controle sobre si mesma, dificilmente controlará os atos do outro.
O que aconteceu com Daniel, do BBB, me pareceu exemplar e simbólico. Antes mesmo de se ouvir Monique, a moça que contracenou com ele as carícias explosivas sob o edredom, a sociedade já condenara o homem. Foi estupro. Foi abuso. Ouvi mulheres indignadas com os comentários dos machistas de plantão: ela pediu, ela estava de sainha, ela o espicaçou. Sempre existirão os ignorantes que acham que uma mulher atraente e sensual pede para ser abusada. Mas ainda assim eu me perguntava: quem disse que a moça sofreu abuso? Ah, ela estava bêbada e não podia discernir o que fazia.
Argumentei que homens bêbados também são levados para a cama por mulheres levemente mais sóbrias e, no dia seguinte, não se lembram de nada. E nem por isso a mulher é acusada de estupro. Ouvi de amigas que um homem bêbado não consegue transar obrigado. Será? Tem homem que, ao perceber com quem dormiu, pensa: “Eu só posso ter bebido demais”. Machismo meu? Ou vontade de não infantilizar as mulheres e não demonizar os homens?
O que chocou na semana passada foi a ideia de que um “estupro” teria sido transmitido pelo BBB, um dos programas mais vistos no Brasil, também pelas classes A e B. A ira prematura contra Daniel desabou quando Monique declarou que tudo foi consentido. O comportamento dos participantes de reality shows em todos os países – e na França inclusive – costuma ser inadequado. Não assisto porque não gosto do formato nem me identifico. E você, assiste?
Mais cruel que os reality shows é o enredo real que aprisionou Emir. A meu ver, ele sempre foi inocente. Mas de que adianta minha opinião?
Fadiga de material - RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 22/01/12
FÁBIO ZAMBELI (interino)
Na tentativa de impedir apagão de mão de obra em aeroportos, o governo federal prepara plano de treinamento de pessoal e reestruturação de carreiras no setor, que cresceu 13% em 2011 e seguirá em expansão até a Copa e a Olimpíada. Hoje, cada empresa aérea capacita seus funcionários e não há padronização nem currículo mínimo para diversas funções.
O ministro Wagner Bittencourt (Aviação Civil) discute até a criação de uma "universidade do ar" com o objetivo de formar quadros em todos os níveis -de atendentes a pilotos. Ele identificou, por exemplo, que faltam auxiliares para acompanhar idosos nos terminais.
A fila anda
Os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), Alexandre Padilha (Saúde) e Tereza Campello (Desenvolvimento Social) assinam na terça-feira a adesão do Rio ao Plano Nacional de Combate ao Crack.
Sintonia
Em São Paulo, Padilha alinhará sua equipe à da prefeitura nos consultórios de rua que atenderão dependentes. A decisão sobre quais Centros de Atenção Psicossocial funcionarão 24 horas também será conjunta.
Tabu
Os ministérios da Defesa e da Justiça enviaram à Casa Civil minuta de projeto de lei que retira do capítulo de crimes sexuais do Código Penal Militar termos considerados preconceituosos. O governo quer mudar o artigo 235, que pune com detenção quem praticar "pederastia" ou "ato libidinoso, homossexual ou não", em área militar.
Diversidade
A ideia é eliminar do texto qualquer menção à orientação sexual. A revisão acolhe antigo pleito de juristas e associações de defesa dos direitos humanos.
Baixa Marcio Meira pediu para deixar a presidência da Funai, cargo para o qual foi designado em 2007.
Gerenciar...
Nas reuniões setoriais de ministros, Dilma Rousseff demonstra particular empenho na adoção de mecanismos de acompanhamento dos resultados dos programas de cada pasta.
...é preciso
O zelo da presidente com os cronogramas de obras é diretamente proporcional às críticas endereçadas ao Planalto pela desarticulação na resposta às enchentes do início do ano.
Perdas...
Debruçado sobre as opções do PSDB na sucessão paulistana, Geraldo Alckmin sabe que o prejuízo resultante do eventual naufrágio de Andrea Matarazzo na disputa pela prefeitura da capital seria socializado entre os principais líderes tucanos, José Serra incluído.
...e danos
Já o possível fracasso de Bruno Covas, candidato "in pectore" do governador, seria debitado integralmente em sua conta.
Holofote
Em ano eleitoral, Gilberto Kassab orientou a equipe a tratar como prioridade máxima a iluminação pública. Quer dar resposta às queixas de apagões e panes, que lideram o ranking da Ouvidoria da Prefeitura e começam a inflamar o debate entre os pré-candidatos.
Copyright
A Fifa lançará esta semana em Recife dois manuais para a Copa: o de eventos e o de marketing. O objetivo da entidade é proteger seus patrocinadores da "publicidade de emboscada" -invasão de espaço promocional sem amparo contratual com os detentores de direitos do Mundial de 2014.
Ampulheta
São Paulo ainda não decidiu onde instalará o relógio de contagem regressiva para o evento, oferecido pelo patrocinador suíço Hublot. O projeto é assinado por Oscar Niemeyer.
com LETÍCIA SANDER e DANIELA LIMA
Dividida
"Quem diria que, após triagens humilhantes, os EUA se renderiam ao nosso poder de compra? Antes nos faziam tirar até os sapatos; agora vão estender tapete vermelho."
DO DEPUTADO PROTÓGENES QUEIROZ (PC do B-SP), sobre a decisão do governo norte-americano de facilitar a emissão de visto de entrada a estrangeiros, anunciada por Barack Obama na quinta-feira passada em Orlando.
Contraponto
Caminho do mar
Ex-presidente do STF, Sepúlveda Pertence conversava, quarta-feira passada, com o presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, logo após a cerimônia em homenagem ao centenário de nascimento do jurista Evandro Lins e Silva. Um dos assuntos era o naufrágio do "Costa Concordia". Wadih se dizia perplexo com o comandante que deixou o navio antes dos passageiros. Após dar opinião técnica, o ministro, nascido em Sabará (MG), tratou de explicar:
-Não se assuste! Apesar de mineiro, sou especialista em direito marítimo.
FÁBIO ZAMBELI (interino)
Na tentativa de impedir apagão de mão de obra em aeroportos, o governo federal prepara plano de treinamento de pessoal e reestruturação de carreiras no setor, que cresceu 13% em 2011 e seguirá em expansão até a Copa e a Olimpíada. Hoje, cada empresa aérea capacita seus funcionários e não há padronização nem currículo mínimo para diversas funções.
O ministro Wagner Bittencourt (Aviação Civil) discute até a criação de uma "universidade do ar" com o objetivo de formar quadros em todos os níveis -de atendentes a pilotos. Ele identificou, por exemplo, que faltam auxiliares para acompanhar idosos nos terminais.
A fila anda
Os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), Alexandre Padilha (Saúde) e Tereza Campello (Desenvolvimento Social) assinam na terça-feira a adesão do Rio ao Plano Nacional de Combate ao Crack.
Sintonia
Em São Paulo, Padilha alinhará sua equipe à da prefeitura nos consultórios de rua que atenderão dependentes. A decisão sobre quais Centros de Atenção Psicossocial funcionarão 24 horas também será conjunta.
Tabu
Os ministérios da Defesa e da Justiça enviaram à Casa Civil minuta de projeto de lei que retira do capítulo de crimes sexuais do Código Penal Militar termos considerados preconceituosos. O governo quer mudar o artigo 235, que pune com detenção quem praticar "pederastia" ou "ato libidinoso, homossexual ou não", em área militar.
Diversidade
A ideia é eliminar do texto qualquer menção à orientação sexual. A revisão acolhe antigo pleito de juristas e associações de defesa dos direitos humanos.
Baixa Marcio Meira pediu para deixar a presidência da Funai, cargo para o qual foi designado em 2007.
Gerenciar...
Nas reuniões setoriais de ministros, Dilma Rousseff demonstra particular empenho na adoção de mecanismos de acompanhamento dos resultados dos programas de cada pasta.
...é preciso
O zelo da presidente com os cronogramas de obras é diretamente proporcional às críticas endereçadas ao Planalto pela desarticulação na resposta às enchentes do início do ano.
Perdas...
Debruçado sobre as opções do PSDB na sucessão paulistana, Geraldo Alckmin sabe que o prejuízo resultante do eventual naufrágio de Andrea Matarazzo na disputa pela prefeitura da capital seria socializado entre os principais líderes tucanos, José Serra incluído.
...e danos
Já o possível fracasso de Bruno Covas, candidato "in pectore" do governador, seria debitado integralmente em sua conta.
Holofote
Em ano eleitoral, Gilberto Kassab orientou a equipe a tratar como prioridade máxima a iluminação pública. Quer dar resposta às queixas de apagões e panes, que lideram o ranking da Ouvidoria da Prefeitura e começam a inflamar o debate entre os pré-candidatos.
Copyright
A Fifa lançará esta semana em Recife dois manuais para a Copa: o de eventos e o de marketing. O objetivo da entidade é proteger seus patrocinadores da "publicidade de emboscada" -invasão de espaço promocional sem amparo contratual com os detentores de direitos do Mundial de 2014.
Ampulheta
São Paulo ainda não decidiu onde instalará o relógio de contagem regressiva para o evento, oferecido pelo patrocinador suíço Hublot. O projeto é assinado por Oscar Niemeyer.
com LETÍCIA SANDER e DANIELA LIMA
Dividida
"Quem diria que, após triagens humilhantes, os EUA se renderiam ao nosso poder de compra? Antes nos faziam tirar até os sapatos; agora vão estender tapete vermelho."
DO DEPUTADO PROTÓGENES QUEIROZ (PC do B-SP), sobre a decisão do governo norte-americano de facilitar a emissão de visto de entrada a estrangeiros, anunciada por Barack Obama na quinta-feira passada em Orlando.
Contraponto
Caminho do mar
Ex-presidente do STF, Sepúlveda Pertence conversava, quarta-feira passada, com o presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, logo após a cerimônia em homenagem ao centenário de nascimento do jurista Evandro Lins e Silva. Um dos assuntos era o naufrágio do "Costa Concordia". Wadih se dizia perplexo com o comandante que deixou o navio antes dos passageiros. Após dar opinião técnica, o ministro, nascido em Sabará (MG), tratou de explicar:
-Não se assuste! Apesar de mineiro, sou especialista em direito marítimo.
HIPPIE DE APLIQUE - MÔNICA BERGAM0
FOLHA DE SP - 22/01/12
Cabeleira anos 60 dos personagens do musical 'Hair' é resultado de perucas e muito mega-hair
Não é muito fácil ser hippie de musical em 2012. Ainda mais perto do Carnaval. Não por causa da procura por adereços, mas sim porque falta cabelo.
"Não achávamos fios naturais crespos para comprar para as atrizes negras. As passistas das escolas de samba já tinham reservado os estoques de quase todas as lojas de cabelo do Rio e de SP", diz Mel Mesquita, gerente de produção da Aventura, realizadora da versão brasileira de "Hair" [cabelo, em inglês].
Às vésperas da estreia, no dia 13, no Teatro Frei Caneca, ela teve que implorar para que uma vendedora conseguisse a cabeleira. "Expliquei a situação e ela 'roubou' o cabelo que estava reservado para uma passista lá do Rio. Pagamos R$ 2.000 por 600 gramas de fios", diz à repórter Lígia Mesquita.
O mais de meio quilo de cabelo se transformou em dois mega-hairs que foram trançados ao couro cabeludo das atrizes Juliana Peppi, 28, e Jennifer Nascimento, 18, num processo que levou 12 horas para ficar pronto.
Entre os 30 atores do espetáculo dirigido por Charles Möeller e Claudio Botelho, só 11 exibem longas madeixas naturais. Outros 11 colocaram mega-hair, um usa aplique e sete, perucas.
Todos os atores que alongaram as madeixas contam que sofreram e que o processo foi dolorido. Kiara Sasso, 32, uma das protagonistas, diz que "queria morrer" na primeira semana com o mega-hair. "Não dava pra dormir, doía a cabeça." Ela lembra que certa vez passou por uma turbulência em um voo e só pensava: "Não quero morrer com esse tanto de cola na minha cabeça".
O ator com ascendência japonesa Bruno Kimura, 30, de mega-hair, entra na sala onde fica a cabeleireira do espetáculo. Abre uma gaveta e coloca dentro algumas mechas de cabelo. "Todo dia a gente perde alguns fios. Aí guardamos aqui. No fim do mês, separamos qual mecha é de quem e vamos ao salão para colar de novo", diz. Ele conta que o visual cabeludo provoca curiosidade nas pessoas. "Hoje, ninguém pensa: 'Ah, esse cara é hippie'. Dizem: 'Será que ele é algum lutador? Será que faz show como travesti?'."
Reynaldo Machado, 21, cabeça raspada, se acomoda em uma cadeira para colocar a peruca estilo "black power". É a única que não leva fios verdadeiros. "Meu cabelo cresce pouco e, quando cresce, dói. Cabelo duro, sabe como é que é." O ator diz que a peruca é um fetiche para as mulheres. "Elas me acham mais gostoso."
Se na cabeça o negócio é ter uma juba, no corpo os atores quase não têm pelos -bem diferente da estética hippie dos anos 60, em que mulheres deixavam as axilas e as virilhas cabeludas. Na famosa cena em que o elenco aparece nu no palco, nota-se a depilação em dia até em alguns homens.
O protagonista Hugo Bonemer, 24, primo de William Bonner, raspa o peito. "Meu personagem tem 18 anos e é polaco. Mas eu não quero falar disso [depilação]." Segundo ele, "na tribo do nosso musical tem pessoas que fazem referências reais aos hippies de 68. Mas também tem gente que malha, que se depila. O público paga caro para assistir e espera uma qualidade estética".
"Muita gente questiona: 'Ah, mas eu vi uma hippie depilada!'. Meu amor, se fosse realmente seguir o fundamento hippie, não teria luz no palco, não teria figurino, afinação. Isso aqui é um musical que fala dos hippies. Ninguém aqui é hippie", afirma Reynaldo Machado. "Se é pra ser do jeito real, sem se depilar, a gente deveria estar nu, dançar na rua, se abraçar fedido. O ingresso custa caro [a partir de R$ 130]."
Kiara Sasso diz que não gostaria e nem poderia deixar o corpo peludo. "Fiz depilação a laser [ou definitiva]." E questiona: "No teatro é melhor ter alguém que cante bem ou que não fez depilação definitiva?".
Para a atriz Carolina Puntel, 31, que tem os cabelos longos ruivos naturais, deixar ou não os pelos no corpo é "o de menos" em "Hair". "O importante dessa peça é a mensagem de amor e de paz."
"Se fosse realmente seguir o fundamento hippie, não teria luz, não teria figurino. Isso aqui é um musical que fala dos hippies. Ninguém aqui é hippie"
REYNALDO MACHADO
Não é muito fácil ser hippie de musical em 2012. Ainda mais perto do Carnaval. Não por causa da procura por adereços, mas sim porque falta cabelo.
"Não achávamos fios naturais crespos para comprar para as atrizes negras. As passistas das escolas de samba já tinham reservado os estoques de quase todas as lojas de cabelo do Rio e de SP", diz Mel Mesquita, gerente de produção da Aventura, realizadora da versão brasileira de "Hair" [cabelo, em inglês].
Às vésperas da estreia, no dia 13, no Teatro Frei Caneca, ela teve que implorar para que uma vendedora conseguisse a cabeleira. "Expliquei a situação e ela 'roubou' o cabelo que estava reservado para uma passista lá do Rio. Pagamos R$ 2.000 por 600 gramas de fios", diz à repórter Lígia Mesquita.
O mais de meio quilo de cabelo se transformou em dois mega-hairs que foram trançados ao couro cabeludo das atrizes Juliana Peppi, 28, e Jennifer Nascimento, 18, num processo que levou 12 horas para ficar pronto.
Entre os 30 atores do espetáculo dirigido por Charles Möeller e Claudio Botelho, só 11 exibem longas madeixas naturais. Outros 11 colocaram mega-hair, um usa aplique e sete, perucas.
Todos os atores que alongaram as madeixas contam que sofreram e que o processo foi dolorido. Kiara Sasso, 32, uma das protagonistas, diz que "queria morrer" na primeira semana com o mega-hair. "Não dava pra dormir, doía a cabeça." Ela lembra que certa vez passou por uma turbulência em um voo e só pensava: "Não quero morrer com esse tanto de cola na minha cabeça".
O ator com ascendência japonesa Bruno Kimura, 30, de mega-hair, entra na sala onde fica a cabeleireira do espetáculo. Abre uma gaveta e coloca dentro algumas mechas de cabelo. "Todo dia a gente perde alguns fios. Aí guardamos aqui. No fim do mês, separamos qual mecha é de quem e vamos ao salão para colar de novo", diz. Ele conta que o visual cabeludo provoca curiosidade nas pessoas. "Hoje, ninguém pensa: 'Ah, esse cara é hippie'. Dizem: 'Será que ele é algum lutador? Será que faz show como travesti?'."
Reynaldo Machado, 21, cabeça raspada, se acomoda em uma cadeira para colocar a peruca estilo "black power". É a única que não leva fios verdadeiros. "Meu cabelo cresce pouco e, quando cresce, dói. Cabelo duro, sabe como é que é." O ator diz que a peruca é um fetiche para as mulheres. "Elas me acham mais gostoso."
Se na cabeça o negócio é ter uma juba, no corpo os atores quase não têm pelos -bem diferente da estética hippie dos anos 60, em que mulheres deixavam as axilas e as virilhas cabeludas. Na famosa cena em que o elenco aparece nu no palco, nota-se a depilação em dia até em alguns homens.
O protagonista Hugo Bonemer, 24, primo de William Bonner, raspa o peito. "Meu personagem tem 18 anos e é polaco. Mas eu não quero falar disso [depilação]." Segundo ele, "na tribo do nosso musical tem pessoas que fazem referências reais aos hippies de 68. Mas também tem gente que malha, que se depila. O público paga caro para assistir e espera uma qualidade estética".
"Muita gente questiona: 'Ah, mas eu vi uma hippie depilada!'. Meu amor, se fosse realmente seguir o fundamento hippie, não teria luz no palco, não teria figurino, afinação. Isso aqui é um musical que fala dos hippies. Ninguém aqui é hippie", afirma Reynaldo Machado. "Se é pra ser do jeito real, sem se depilar, a gente deveria estar nu, dançar na rua, se abraçar fedido. O ingresso custa caro [a partir de R$ 130]."
Kiara Sasso diz que não gostaria e nem poderia deixar o corpo peludo. "Fiz depilação a laser [ou definitiva]." E questiona: "No teatro é melhor ter alguém que cante bem ou que não fez depilação definitiva?".
Para a atriz Carolina Puntel, 31, que tem os cabelos longos ruivos naturais, deixar ou não os pelos no corpo é "o de menos" em "Hair". "O importante dessa peça é a mensagem de amor e de paz."
"Se fosse realmente seguir o fundamento hippie, não teria luz, não teria figurino. Isso aqui é um musical que fala dos hippies. Ninguém aqui é hippie"
REYNALDO MACHADO
MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO
FOLHA DE SP - 22/01/12
Disputa entre Jirau e segurador irá ao BNDES
A disputa entre o consórcio da usina de Jirau e as seguradoras, sobre o ressarcimento pelos danos provocados durante os tumultos no canteiro da hidrelétrica no Rio Madeira (RO) no ano passado, será assunto para uma reunião no BNDES nesta semana, segundo o advogado dos construtores.
As partes não conseguiram ainda chegar a um acordo sobre o pagamento do sinistro, que pode variar de R$ 400 milhões a US$ 1,3 bilhão, por destruição de bens e perdas em geração de energia, segundo Ernesto Tzirulnik, advogado do consórcio Energia Sustentável.
As seguradoras, lideradas pela SulAmérica, querem levar o caso para ser solucionado em uma câmara arbitral em Londres, de acordo com uma cláusula que a hidrelétrica não reconheceu como válida.
Uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, entretanto, determinou no mês passado que a discussão permaneça em solo brasileiro.
No final da última semana, foi a Justiça britânica que exigiu que se tratasse do litígio no exterior.
"Agora, o BNDES, que também é beneficiário, como financiador dessa obra, convocou uma reunião com os construtores e os seguradores para ver como vai ficar. A instituição também tem o maior interesse em que esse sinistro seja pago", afirma Tzirulnik.
O advogado do consórcio afirma que "não faz sentido haver arbitragem fora do Brasil quando o segurado, a obra da usina e o financiador são todos brasileiros".
Procurada, a SulAmérica não se pronuncia.
Além de Jirau, o banco entrou como financiador na hidrelétrica de Santo Antônio, em Porto Velho.
LUZ DO SOL
A Rio Alto Energia, que no final do ano passado anunciou um empreendimento de geração solar em Coremas (PB), com investimentos de mais de R$ 300 milhões e 50 MW de potência, tem em estudo outros 200 MW na região.
A ideia é aproveitar o grau de insolação daquela área para geração por concentração solar, segundo Sergio Reinas, sócio da empresa.
"Temos diversos projetos em outros municípios. As medições apontam um cinturão nesta área", diz Rafael Brandão, também sócio.
No projeto de Coremas, os empresários optaram por fazer aproveitamento agrícola, com plantação de tomate em estufa na área.
"O modelo de produção agrícola, já adotado por americanos e israelenses, pode criar uma indústria em torno disso, com atração de empregos e desenvolvimento local", diz Reinas.
CAIXA DA CRISE
O caixa das empresas está mais cheio hoje do que em 2008, antes de a quebra do Lehman Brothers desencadear a crise internacional, segundo pesquisa da EIU (Economist Intelligence Unit) com 535 executivos de todo o mundo.
Dos entrevistados, 49% afirmaram que têm mais dinheiro em caixa agora do que há três anos, enquanto 27% disseram que houve redução.
Estocar dinheiro não é comum em épocas de juros baixos. As companhias, no entanto, estão ampliando seus caixas por acreditar que a economia débil pode criar condições favoráveis a expansões e aquisições, disse um executivo entrevistado pela EIU. Cerca de 35% das empresas devem voltar a investir em projetos de grande volume de capital entre um e três anos.
Qualificação
A S.O.S Educação Profissional, do Grupo Multi, abrirá 40 escolas até junho deste ano, em dez Estados. A meta da empresa é fechar 2012 com mais cem unidades em processo de abertura e alcançar 300 escolas em 2013.
Treinamento...
A LHH/DBM, consultoria que ajuda empresas a alocar funcionários para os cargos mais apropriados, inaugura neste semestre um escritório em Porto Alegre, seu primeiro no Rio Grande do Sul.
...interno
Até o fim deste ano, a empresa deve iniciar operações em outros três Estados do país, provavelmente nas cidades de Recife, Salvador e Brasília, segundo Cláudio Garcia, presidente da LHH/DBM Brasil e América Latina.
COM QUE ROUPA
NOVO 'DANDY'
Xadrezes, sóbrios coletes, muitas malhas, tudo bem clássico. Foi nas passarelas de Milão, mas a moda masculina de outono - inverno 2012/2013 parece desfilar pelas ruas de Londres, notaram especialistas.
Para muitos, a inspiração inglesa não tem nada a ver com a Olimpíada, que será na cidade neste ano, ou com o casamento do príncipe William. É crise mesmo.
Em tempos de turbulência, o melhor a fazer é ser conservador e apostar no que possa vender mais, explica um executivo do setor.
É o estilo inglês com alguma invenção de Milão. A grife Zegna inovou nos motivos quadriculares, Armani e Gucci, nas malhas.
"Em período de crise, as roupas formais, ainda que atualizadas, entram muito em moda porque dão segurança, como a malharia", diz Raffaello Napoleone, CEO da Pitti Immagine, que organiza em Florença a mais sofisticada feira de moda masculina, a Pitti Uomo.
com JOANA CUNHA, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ
Disputa entre Jirau e segurador irá ao BNDES
A disputa entre o consórcio da usina de Jirau e as seguradoras, sobre o ressarcimento pelos danos provocados durante os tumultos no canteiro da hidrelétrica no Rio Madeira (RO) no ano passado, será assunto para uma reunião no BNDES nesta semana, segundo o advogado dos construtores.
As partes não conseguiram ainda chegar a um acordo sobre o pagamento do sinistro, que pode variar de R$ 400 milhões a US$ 1,3 bilhão, por destruição de bens e perdas em geração de energia, segundo Ernesto Tzirulnik, advogado do consórcio Energia Sustentável.
As seguradoras, lideradas pela SulAmérica, querem levar o caso para ser solucionado em uma câmara arbitral em Londres, de acordo com uma cláusula que a hidrelétrica não reconheceu como válida.
Uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, entretanto, determinou no mês passado que a discussão permaneça em solo brasileiro.
No final da última semana, foi a Justiça britânica que exigiu que se tratasse do litígio no exterior.
"Agora, o BNDES, que também é beneficiário, como financiador dessa obra, convocou uma reunião com os construtores e os seguradores para ver como vai ficar. A instituição também tem o maior interesse em que esse sinistro seja pago", afirma Tzirulnik.
O advogado do consórcio afirma que "não faz sentido haver arbitragem fora do Brasil quando o segurado, a obra da usina e o financiador são todos brasileiros".
Procurada, a SulAmérica não se pronuncia.
Além de Jirau, o banco entrou como financiador na hidrelétrica de Santo Antônio, em Porto Velho.
LUZ DO SOL
A Rio Alto Energia, que no final do ano passado anunciou um empreendimento de geração solar em Coremas (PB), com investimentos de mais de R$ 300 milhões e 50 MW de potência, tem em estudo outros 200 MW na região.
A ideia é aproveitar o grau de insolação daquela área para geração por concentração solar, segundo Sergio Reinas, sócio da empresa.
"Temos diversos projetos em outros municípios. As medições apontam um cinturão nesta área", diz Rafael Brandão, também sócio.
No projeto de Coremas, os empresários optaram por fazer aproveitamento agrícola, com plantação de tomate em estufa na área.
"O modelo de produção agrícola, já adotado por americanos e israelenses, pode criar uma indústria em torno disso, com atração de empregos e desenvolvimento local", diz Reinas.
CAIXA DA CRISE
O caixa das empresas está mais cheio hoje do que em 2008, antes de a quebra do Lehman Brothers desencadear a crise internacional, segundo pesquisa da EIU (Economist Intelligence Unit) com 535 executivos de todo o mundo.
Dos entrevistados, 49% afirmaram que têm mais dinheiro em caixa agora do que há três anos, enquanto 27% disseram que houve redução.
Estocar dinheiro não é comum em épocas de juros baixos. As companhias, no entanto, estão ampliando seus caixas por acreditar que a economia débil pode criar condições favoráveis a expansões e aquisições, disse um executivo entrevistado pela EIU. Cerca de 35% das empresas devem voltar a investir em projetos de grande volume de capital entre um e três anos.
Qualificação
A S.O.S Educação Profissional, do Grupo Multi, abrirá 40 escolas até junho deste ano, em dez Estados. A meta da empresa é fechar 2012 com mais cem unidades em processo de abertura e alcançar 300 escolas em 2013.
Treinamento...
A LHH/DBM, consultoria que ajuda empresas a alocar funcionários para os cargos mais apropriados, inaugura neste semestre um escritório em Porto Alegre, seu primeiro no Rio Grande do Sul.
...interno
Até o fim deste ano, a empresa deve iniciar operações em outros três Estados do país, provavelmente nas cidades de Recife, Salvador e Brasília, segundo Cláudio Garcia, presidente da LHH/DBM Brasil e América Latina.
COM QUE ROUPA
NOVO 'DANDY'
Xadrezes, sóbrios coletes, muitas malhas, tudo bem clássico. Foi nas passarelas de Milão, mas a moda masculina de outono - inverno 2012/2013 parece desfilar pelas ruas de Londres, notaram especialistas.
Para muitos, a inspiração inglesa não tem nada a ver com a Olimpíada, que será na cidade neste ano, ou com o casamento do príncipe William. É crise mesmo.
Em tempos de turbulência, o melhor a fazer é ser conservador e apostar no que possa vender mais, explica um executivo do setor.
É o estilo inglês com alguma invenção de Milão. A grife Zegna inovou nos motivos quadriculares, Armani e Gucci, nas malhas.
"Em período de crise, as roupas formais, ainda que atualizadas, entram muito em moda porque dão segurança, como a malharia", diz Raffaello Napoleone, CEO da Pitti Immagine, que organiza em Florença a mais sofisticada feira de moda masculina, a Pitti Uomo.
com JOANA CUNHA, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ
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