sábado, janeiro 14, 2012

GOSTOSA


Via rápida - RENATA LO PRETE

FOLHA DE SP - 14/01/12




FÁBIO ZAMBELI (interino) 


Quatro ministérios já recorreram ao modelo da licitação concluída em dezembro pelo Conselho Nacional de Justiça, que permitiu a compra de programas e equipamentos de informática no valor total de R$ 70 milhões. A concorrência foi considerada fraudulenta pela IBM e está sob investigação no colegiado.

A lei permite que um órgão aproveite preços de licitações de outros entes da administração para economizar tempo, recursos humanos e dinheiro. Dez dias após o pregão do CNJ, o mecanismo foi utilizado pelo Ministério da Saúde para fazer a encomenda de produtos no valor estimado em R$ 20 milhões.

Outro lado O Ministério da Saúde afirma que o resultado da licitação está "vigente" conforme a lei e demonstra "viabilidade técnica e econômica". Também já pediram formalmente para aproveitar os termos da concorrência os ministérios da Previdência, do Desenvolvimento e do Meio Ambiente.

PowerPoint Ainda sem prazo para concluir a reforma no primeiro escalão, Dilma Rousseff marcou para dia 23, às 9h30, a primeira reunião ministerial do ano. À ocasião, a presidente pretende esquadrinhar as metas e ações do governo para 2012.

Checklist A partir de quinta-feira serão realizadas reuniões preparatórias com grupos de ministros. No ofício de convocação, o Planalto exige que cada pasta discrimine seus programas e cronogramas de execução. Também será obrigatório o detalhamento do método utilizado para acompanhamento de resultados em tempo real.

Ampulheta Dilma avisou Aloizio Mercadante na conversa de ontem que o empossará no MEC antes de embarcar para o Haiti e Cuba, no dia 31. Até lá seu substituto na Ciência e Tecnologia também estará escolhido.

Consultoria Pouco mais de um mês após deixar o comando da ANP, Haroldo Lima (PC do B) foi designado pela agência para assessorar a organização do Encontro Sul-Americano de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ser realizado este ano no Rio.

Cofre O governo calcula em R$ 700 milhões os investimentos federais em segurança para a Copa só neste ano.

DNA O PSD quer tirar uma casquinha do Minha Casa, Minha Vida, vitrine habitacional de Dilma. Dirigente mineiro do partido de Gilberto Kassab, o empresário Paulo Simão se apresenta em eventos internos como mentor do modelo de concessão de crédito usado no programa do governo petista.

Oremos O PRB, vinculado à Igreja Universal, insiste na candidatura de Celso Russomanno. Mesmo cortejado por PT, PMDB e PSDB, o partido fez as contas e acredita ter condições de triplicar sua bancada de pastores-vereadores caso lance nome próprio para a prefeitura.

Copyright O governo paulista extinguiu o programa "Criança Ecológica", menina dos olhos do ex-secretário Xico Graziano, coordenador do plano de governo de José Serra durante a campanha presidencial. As ações voltadas à educação ambiental serão distribuídas em toda a rede estadual com disciplina específica na grade.

Bloco na rua As centrais sindicais inauguram a temporada de manifestações na avenida Paulista na próxima quarta-feira, às 10h30. Pretendem protestar contra a taxa de juros. A CUT, que havia se distanciado dos movimentos unificados, desta vez confirmou presença no ato.

com LETÍCIA SANDER e FLÁVIO FERREIRA

tiroteio

"O legado de Haddad forçará o governo Dilma a planejar outra obra emergencial do PAC para o inistério da Educação: o hospital da língua portuguesa."

DO DEPUTADO MENDES THAME (PSDB-SP), ironizando a série de erros gramaticais do documento enviado pelo MEC a um aluno que contestava nota obtida no Exame Nacional do Ensino Médio de 2011.

contraponto

Feira livre

Candidato à presidência da Câmara em 2013, o líder Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) caminhava pelo Congresso na quinta-feira quando um repórter o abordou:

-O Garibaldi Alves vai ser presidente do Senado...

O peemedebista, sabedor que eventual plano neste sentido do tio, que é ministro da Previdência, pode complicar seu projeto de presidir a Câmara, imediatamente rebateu:

-Ele não sai do governo. Lá, o abacaxi virou doce!

Antes de assumir o ministério, Garibaldi disse seguidas vezes que estava herdando um "abacaxi".

Educar para a justiça e a paz - DOM ODILO P. SCHERER


O Estado de S.Paulo - 14/01/12


A educação das novas gerações é decisiva para o futuro da sociedade. Pode parecer um lugar-comum e a coisa mais sabida do mundo; na prática, porém, as coisas não são tão óbvias assim. Não se põe em dúvida a necessidade de todas as crianças e todos os jovens terem acesso à escola, mas é bom que nos perguntemos sobre a qualidade da educação que lhes é proporcionada.

O dia 1.º de janeiro é, para a Igreja Católica, o Dia Mundial da Paz e o papa envia todos os anos à Igreja, aos governantes e responsáveis por organizações internacionais uma Mensagem, na qual ele aborda algum aspecto importante para a edificação e a preservação da paz. Neste ano, o tema da Mensagem foi: educar os jovens para a justiça e a paz.

Há algum tempo, o ano novo vem se iniciando em meio a crises e incertezas quanto ao futuro; novas tensões e situações de guerra surgem entre povos, ou no interior de nações. Enquanto a crise econômica e financeira mundial balançou economias que pareciam tão sólidas, no Brasil, finalmente, se respira com certo alívio; mas há quem diga que a crise global ainda está longe da solução.

Bento XVI diz que os jovens têm o direito de sonhar e de esperar por um futuro bom; e eles próprios podem, com seu entusiasmo, oferecer nova esperança para o mundo. E convida pais e famílias, com os diversos âmbitos da vida religiosa, social, econômica, política e cultural, a prestarem especial atenção ao mundo juvenil, valorizando as suas possibilidades de contribuírem para um futuro de justiça e de paz.

Muitos jovens, no entanto, olham o futuro com apreensão e se perguntam sobre as razões que dariam sentido e esperança à vida. Seu idealismo se choca, muitas vezes, com a dura realidade do meio em que vivem, onde os sonhos altos parecem carecer de fundamento; podem, então, ser tentados a amoldar-se ao vazio de valores, enredados nas tensões primitivas do individualismo, da ganância e da sede de poder e vaidades, passando a respirar os mesmos ares intoxicados que lhes causavam, no despertar de sua consciência juvenil, fortes arrepios de indignação e horror. Tentação sempre próxima é o gozo ávido e inconsequente da vida, até nos vícios suicidas da droga e do álcool.

Como evitar que eles percam cedo o entusiasmo juvenil e a sua fé no futuro bom? Algumas questões são fundamentais. A primeira de todas elas é educar para a verdade, sem ceder à tentação do relativismo absoluto ou da redução de todos os valores à utilidade e à vantagem pessoal. Atenção especial merece a verdade sobre a pessoa humana, para descobrir o valor e a dignidade de si mesma e da própria vida. Isso é necessário para desenvolver atitudes construtivas diante da dignidade e dos direitos inalienáveis das outras pessoas. A pessoa humana é um bem em si mesma e não pode ser sacrificada em função de bens particulares, sejam eles econômicos ou sociais, individuais ou coletivos.

Outra questão crucial é formar para a liberdade autêntica - "valor precioso, mas delicado, pois pode ser mal entendida e também usada mal". A educação leva a compreender que a liberdade não se identifica com a ausência de vínculos, nem com o império do arbítrio, nem ainda com o egocentrismo subjetivo. Quando o homem crê ser um senhor absoluto, que não depende de ninguém e pode tudo o que lhe apetece, acaba prisioneiro de si mesmo e perde a própria liberdade. Esta é um bem relacional, que se mede constantemente com a liberdade dos outros e com Deus.

Risco insidioso na educação é o relativismo absoluto, que não reconhece nenhuma instância, fora de si, ou valor definitivo, e tem como última referência apenas o próprio eu, com os seus desejos. Sob a ilusão de liberdade, a pessoa pode estar levantando os muros da própria prisão e do fechamento total em si mesma, separada dos outros, incapaz de se relacionar com o mundo de forma adequada. E aí, cedo ou tarde, chegam a angústia e a dúvida sobre a bondade da própria vida e de qualquer projeto a ser edificado em comum com os outros.

Mais um aspecto, que não pode ser subestimado na educação, é a formação acerca dos valores. Há uma norma, que o homem não criou para si nem é imposta de fora, mas que lhe cabe reconhecer e acatar; ela é natural e está inscrita na consciência, fazendo distinguir o bem do mal. Com seu imperativo silencioso, mas forte, manda escolher o bem e evitar o mal. Formar para a consciência moral é indispensável para o bom exercício da liberdade, para o reconhecimento da dignidade do outro e para a convivência justa, respeitosa e pacífica entre as pessoas.

Justiça e paz não são fatos dados e prontos, mas o fruto de uma busca denodada e conjunta, em que as pessoas compartilham valores e atitudes. Paz não existe sem justiça, como não existe justiça sem honra à dignidade humana. E esses bens são a fina-flor do esforço de gerações que acreditam neles; por isso também os passam às novas gerações pelo processo da educação. Pais e famílias, apesar de tudo o que se possa dizer em contrário, ainda são os grandes agentes desse processo. E o papa os encoraja a assumirem seu papel, apesar de todas as dificuldades. Mas também são poderosos agentes de educação a escola e outras estruturas educativas formais e informais, bem como os meios de comunicação social.

Se a qualidade da educação for boa, haverá justiça e paz. E os jovens não deixarão de fazer a parte que lhes cabe. Para eles Bento XVI volta o seu apelo, já no final da Mensagem: "Jovens, sois um dom precioso para a sociedade! Não desanimeis, nem confieis em falsas soluções para superar os problemas. Sabei que vós mesmos também servis de exemplo e estímulo para os adultos, quando vos esforçais para superar injustiças e corrupção e vos comprometeis com a construção de um futuro melhor!".

Conciliação II - MERVAL PEREIRA


O GLOBO - 14/01/12
A coluna de ontem, intitulada "Conciliação", sobre as origens da negociação política que levou à Lei da Anistia, e o alcance que a Comissão da Verdade pode vir a ter na revisão de nossa história recente provocou diversas manifestações, entre elas a do deputado federal Chico Alencar, do PSOL do Rio, que faz parte da Comissão Parlamentar da Verdade e da Justiça, subcomissão da de Direitos Humanos, presidida pela deputada Luiza Erundina, do PSB de São Paulo.
Seu depoimento é importante para definir a posição de um segmento da esquerda que se entrincheirou no Congresso para uma atuação política que recusa o alinhamento automático ao governo petista, do qual dissentiu, para reivindicar para si uma ação mais autêntica.
Segundo o deputado, atuará "com firmeza, serenidade e visão de processo histórico". Ele garante que "ninguém quer torturar torturadores, realizar prisões arbitrárias, negar direito de defesa nem praticar qualquer revanchismo, mas sim fazer valer o direito ao conhecimento histórico, à memória coletiva e à Justiça".
Também professor de História, Chico Alencar admite que "toda lei, em qualquer sociedade, é resultado das circunstâncias conjunturais, sem dúvida". Mas acha que "por isso mesmo nenhuma lei é pétrea, intocável, perene".
Ninguém quer, como afirma Werneck Vianna, "rasgar a Lei da Anistia", e sim reinterpretá-la de acordo com as necessidades do Brasil do século XXI, diz Alencar, alegando que "até a Corte Interamericana dos Direitos Humanos entende assim. Isso é avanço civilizatório e não anacronismo".
Na visão de Chico Alencar, o crime da tortura e do desaparecimento de presos políticos "é hediondo e imprescritível. Ninguém pode ser conivente com ele, e vários que ascenderam hierarquicamente no serviço público, sobretudo militar, e na vida política, foram praticantes ou cúmplices - até por omissão - desses atos abomináveis".
O deputado do PSOL diz que quando se alega que também houve prática "terrorista" por parte daqueles que se insurgiram contra a ditadura, igualando-os aos torturadores, "omite-se que estes agiam, sem legitimidade para tanto, em nome do Estado, sobre pessoas já imobilizadas, e aqueles pagaram seus atos com prisão, sevícias cruéis, banimento, morte".
Respondendo a Werneck Vianna, ele diz que "passado não é apenas o que passou, mas o que, sendo devidamente lido e relido, nos constitui".
Segundo ele, "o que nós queremos é conhecer quem torturou, quem ordenou a tortura, quem montou a estratégia da violência oficial contra opositores, quem a financiou, quem praticou atos tão covardes que nem mesmo o regime, embora os tenha organizado "cientificamente" e exportado seu "know how" para governos obscurantistas vizinhos, os assumiu".
O que queremos, diz o deputado, "é que as novas gerações da hierarquia militar não se solidarizem com processos espúrios que só desonraram seus estamentos".
Que corporativismo é esse que assume como seu "patrimônio" práticas que atentam contra os mais elementares direitos dos homens e dos animais?, pergunta Chico Alencar.
O que o deputado do PSOL defende é que "as famílias que não tiveram sequer o direito de sepultar seus entes queridos, ou que viveram o drama indizível de sabê-los nas masmorras sofrendo todo tipo de violentação, conheçam seus algozes para usar, se desejarem, o direito de acioná-los judicialmente".
Ele lembra que, na África do Sul, muitos "dos que ainda estão vivos e conscientes" tiveram "a hombridade de reconhecer que praticaram atrocidades, caminhando assim para o que em direito se chama de "arrependimento eficaz"".
Chico Alencar acha que "nossa gente precisa reverenciar é a luta daqueles que nos trouxeram a democracia, mesmo com suas limitações atuais, inclusive os jovens que pegaram em armas contra o fascismo brasileiro, em inglória batalha".
Ele lembra que, ao contrário de Werneck Vianna agora, "todos os que resistiram ao arbítrio pela via exclusivamente institucional reconhecem a coragem histórica dessa geração e seu papel na redemocratização - a começar por Ulysses Guimarães".
Alencar acha que a chamada "transição pelo alto", pactuada, negociada, "só aconteceu também porque alguns colocaram suas próprias vidas em risco para romper o círculo de ferro do regime militar".
Na coluna de ontem não fiz referências explícitas a algumas pessoas que tiveram papéis importantes no processo da anistia.
Terezinha Zerbine foi a primeira pessoa a organizar a luta em prol da anistia através do MFA - Movimento Feminino pela Anistia, em 1975. E, em fevereiro de 1978, surgiu o Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA), do qual a presidente fundadora foi Eny Moreira.
Também o médico Leo Benjamim, filho de Iramaya Benjamim, sucessora de Eny Moreira no CBA, enviou mensagem onde destaca que foi lá que surgiu o slogan "Anistia Ampla, Geral e Irrestrita", dando um cunho nacional ao movimento iniciado por Terezinha Zerbini.
O historiador Carlos Fico, por sua vez, lembra que "mesmo a D. Terezinha Zerbini escreveu uma carta ao Dr. Ulysses pedindo que o "MDB autêntico" não obstruísse e votasse o projeto do governo evitando "uma inútil e contraditória confrontação".
A carta está no Arquivo do CPDOC. Acho que não foi divulgada na época.

CAPITUZINHA - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 14/01/12



A atriz Leticia Persiles, 29, que fez Capitu jovem na minissérie homônima, será a protagonista de 'Amor Eterno Amor', próxima novela das seis da Globo; a carioca foi selecionada após uma série de testes

SHOW DO TRILHÃO
O Banco do Brasil deve atingir, até fevereiro, a marca de R$ 1 trilhão em ativos próprios. Já prepara campanha publicitária e convidou o maestro João Carlos Martins para se apresentar em uma festa com a presença da presidente Dilma Rousseff.

SHOW 2
Será o primeiro banco da América Latina a alcançar tal patamar. A CEF (Caixa Econômica Federal) tabém divulgou números semelhantes, mas eles incluíam ativos sob gestão -e não apenas próprios. No caso do BB, foram somados patrimônio como imóveis do banco, o capital dos acionistas nele investido, participação da instituição em outras empresas e especialmente operações de crédito, entre outros.

FALA, LULA
Dez dias depois de começar o tratamento com radioterapia, a voz de Lula ainda não apresenta alterações. Pelo contrário: até melhorou graças aos exercícios de fonoaudiologia que ele está fazendo duas vezes ao dia.

FOGUETÓRIO
Os desembarques de turistas estrangeiros no Rio em dezembro passado subiram 20% em relação ao mesmo mês de 2010. A estimativa é da Embratur, baseada em dados preliminares da Polícia Federal, e contabiliza só os que chegaram de avião.

QUE BONITO
As cantoras Sandy e Claudia Leitte cobrirão a licença-maternidade de Luana Piovani no programa "Superbonita", do canal pago GNT, a partir de abril. Cada uma apresentará seis episódios da atração, gravados numa casa no Joá, no Rio. Uma terceira apresentadora está em negociação.

TOCA, DJ
A atriz Alessandra Negrini será a DJ da festa de lançamento do filme "2 Coelhos", de Afonso Poyart, na terça, na boate A.F.A.I.R. Ela é uma das protagonistas do longa, ao lado de Caco Ciocler e Fernando Alves Pinto.

BAIRRISMO
Continua a troca de farpas entre as socialites Val Marchiori e Narciza Tamborindeguy, do reality show "Mulheres Ricas" (Band). A paranaense Val, moradora dos Jardins, em SP, diz que conheceu o apartamento de Narciza, em Copacabana, e achou "razoável". E critica o Rio: "É muita pobreza, e carioca não se veste bem. Fica tudo de chinelo".

BORDA DO CRIME
Uma comissão da OAB-SP deve ir ao Uruguai em fevereiro para protocolar a proposta de criação do Tribunal Penal do Mercosul. O órgão poderia julgar crimes como tráfico internacional e receptação nos países do bloco.

BLOCO NA RUA
O Ilê Aiyê e o rapper Criolo vão gravar, na semana que vem, em Salvador, o clipe da nova versão da música "Mundo Negro", do bloco. O resultado ficará no site do projeto Que Bloco É Esse?, da Petrobras.

FLORES DE MUSEU
A empresária Renée Behar e a estilista Gloria Coelho foram à abertura da exposição de Paulo von Poser, "Trajetórias", no MuBE, anteontem. Com curadoria de Vic Meirelles, a mostra traz 30 obras do artista, que tem como temas principais rosas e a cidade.

CINEMA DE MAESTRO
A empresária Letícia Monte, irmã da cantora Marisa Monte, foi à pré-estreia paulistana do documentário "A Música Segundo Tom Jobim", no Unibanco Arteplex do shopping Frei Caneca. A cantora Miúcha assina o roteiro do filme, dirigido por Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim.

CURTO-CIRCUITO

A Trash 80's vai distribuir geladinhos para os primeiros que chegarem à balada, hoje, no clube Caravaggio. 18 anos.

O artista plástico Luiz Cavalli vai expor 17 obras a partir do dia 23 no Mestiço.

Peter Schepelern mostra em sua palestra, no dia 28, durante o "CCBB em Cartaz", em Brasília, o primeiro curta-metragem de Lars von Trier. Livre.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

Silêncio Por Escrito - SÉRGIO AUGUSTO


O ESTADÃO - 14/01/12


Para que tantos livros?, pergunto-me toda vez que entro numa livraria. Nas semanas que precedem o Natal, o assombro é ainda maior. As livrarias abarrotadas deveriam me encantar, mas elas, sinceramente, me assustam um pouco.

"Demasiados libros", queixou-se o poeta e ensaísta mexicano Gabriel Zaid, num ensaio de cento e poucas páginas que, inevitavelmente, materializou-se como livro, no início da década. Porcarias em demasia - deformo, pero no mucho, a tradução. Às vezes penso que a tão temida e discutida crise da indústria editorial talvez seja uma hipérbole, ou não haveria tanta gente escrevendo e publicando qualquer coisa para gratificar o ego e cevar a vaidade. E me lembro de Sócrates.

Sócrates não escreveu uma linha, e no entanto "inventou" a filosofia. Sem gastar tinta, Jayme Ovalle enriqueceu mais a vida cultural brasileira do que muitos escribas do passado e do presente. Graças apenas a quatro cartas contra a guerra, endereçadas a André Breton, Jean Vaché entrou para a história da literatura francesa da primeira metade do século passado.

O que me faz lembrar de todos aqueles autores e personagens literários que, por agudo senso de autocrítica, desencanto com o alcance das palavras, respeito ao próximo ou motivo mais nobre, optaram pelo silêncio, preferiram ser parcimoniosos ou mesmo ágrafos a entregar-se à grafomania. De Rimbaud, por exemplo, que aos 22 anos trocou em definitivo a poesia pela aventura. De Juan Rulfo, que ficou 30 anos em voluntário jejum literário. Do catalão Felipe Alfau, precursor do pós-modernismo, que passou em branco as últimas cinco décadas de sua vida. E de Monsieur Teste, alter ego de Paul Valéry, que não só desistiu de escrever como atirou sua biblioteca pela janela.

Adorno achava impossível escrever versos depois do Holocausto. Jay McInerney repetiu-lhe o exagero quando as torres gêmeas desabaram. Razões mais imponderáveis podem afetar ou mesmo esterilizar a criatividade de poetas e escritores. Por acreditar que "tudo já havia sido dito", La Bruyère não produziu mais que uma obra de textos curtos, embora essenciais para a compreensão dos costumes na França no século 17. Hugo von Hoffmanstahl projetou-se em pelo menos dois personagens, Lorde Chandos e Hans Bühl, para dar vazão à sua crescente descrença na linguagem, incapaz de "penetrar no âmago das coisas" e "expressar nossas emoções". Bühl, o desiludido protagonista da comédia Der Schwierige (O Difícil), chega mesmo a confessar que entende menos a si próprio quando fala do que quando está calado.

George Steiner, um dos primeiros teóricos da "poética do silêncio", deixou de escrever pelo menos sete livros por não ter suportado o desgaste emocional e a pressão psicológica que seus temas lhe impuseram. Os livros foram abortados, mas renderam um ótimo ensaio confessional de 209 páginas, editado há três anos com o título de My Unwritten Books. Os livros que afinal não escrevemos, diz Steiner, geram mais que um vazio, são uma "sombra ativa, irônica e angustiante", a nos lembrar sempre de vidas que deixamos de viver e caminhos que deixamos de trilhar. Mas eles nos dão a chance de "errar melhor", se soubermos aproveitá-la.

De um aforismo de La Bruyère - "A glória ou o mérito de certos homens consiste em escrever bem; o de outros, em nada escrever" - Enrique Vila-Matas pinçou a epígrafe perfeita para as fascinantes divagações sobre o que rotulou de "literatura do não", sobre romancistas e poetas que nada ou quase nada escreveram, contidas em Bartleby e Companhia, assunto de um debate que a Cosac Naify e a livraria Cultura programaram para o próximo dia 26.

Em Bartleby, o parabólico amanuense de Herman Melville, Vila-Matas identificou a origem de uma vertente fundamental da literatura contemporânea. Bartleby é um personagem kafkiano avant la lettre, símbolo e síntese do silêncio criativo ou da impossibilidade de escrever, que, para Kafka, é a premissa básica da literatura. Numa de suas parábolas, o silêncio das sereias afigurava-se mais ameaçador (e "inescapável") que seus cantos.

Quando as palavras se saturam de selvageria e mentiras, nada fala mais alto que um poema não escrito. Steiner desenvolveu essa tese num ensaio publicado há quase 50 anos, em boa parte articulado em torno do sentimento de impotência criativa de Hoffmanstahl e outros autores austríacos dos anos 1920 (destaque para o Hermann Broch de Os Sonâmbulos), todos ressabiados, em graus diversos, com a deterioração semântica da língua alemã e a instabilidade crônica da Europa Central. Um lamento sobre a "perda da palavra" concluía a ópera Moisés e Aron, que Arnold Schoenberg compôs em 1933, justamente no ano da ascensão do nazismo ao poder.

Steiner sugeriu que se fizesse um estudo entre as parábolas do silêncio de Kafka, Hoffmanstahl, Broch, Karl Wolfskehl, e o filósofo Wittgenstein. Para o autor do Tractatus Logico-Philosophicus, o mais expressivo de sua obra era o que não havia sido escrito.

Blaise Cendrars flertou um bocado com a ideia de uma bibliografia de obras jamais escritas. Marcel Bénabou foi além, publicando em 1986 um manifesto em favor da "literatura em potencial", intitulado Pourquoi Je n’ai pas Écrit Aucun de Mes Livres (Por Que não Escrevi Nenhum de Meus Livros). Já publicara meia dúzia, até aquela data, mas queria vender o peixe de que as obras que só ficaram na sua imaginação tinham lá seu valor e existiam virtualmente, em alguma biblioteca borgesiana de ficções fantasmagóricas. Com notas de rodapé que Vila-Matas confessadamente adoraria ter escrito.

GOSTOSA


Ueba! Pegadinha na Cracolândia! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 14/01/12


Como couberam num carro o Adriano, 4 periguetes, 2 seguranças e uma arma? Só podia acabar em tiro!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E eu tenho a foto dum muro pichado: "Kassab sem-vergonha, o busão tá mais caro que a maconha". Rarará! E essa propaganda na traseira do ônibus: "Ekos Cabeleireiros: apliques, tranças artísticas e rabo sob encomenda". Rarará!
E esta: "Empresa que vai vender assentos pra Copa é cliente do Ronaldo". Claro, o Ronaldo vai ocupar todos os assentos! E esta outra: "Britânica declara na TV que tem duas vaginas". Então não é uma britânica, é um Playcenter!
E aquela Cracolândia virou um reality show. Tem até pegadinha. Apareceu um cara: "Eu sou ex-integrante da banda Katinguelê". Aí foi todo mundo, até a Globo, entrevistar o cara. Depois, descobriram que era falso. Falso, não, sequelado! Os caras tão dando pegadinha!
Daqui a pouco, aparece um outro: "Ah, eu sou irmão do Silvio Santos". E vai parar na Ana Maria Braga! Eu sou o Napoleão! Rarará!
E os surreality shows? No "Big Bagaça Brasil", enfiaram 16 pessoas num carro. Parecia o carro do Adriano. Aliás, uma coisa que eu nunca entendi é: como coube num carro o Adriano, quatro periguetes, dois seguranças e uma arma? Só podia acabar em tiro! Rarará!
E o "Mulheres Ricas"? Ops, "Mulheres Bizarras"! Champanhe com Gardenal! O site QMerda descobriu o que as mulheres ricas têm na cabeça: Cocô Chanel. Isso! "Mulheres Ricas"! Cocô Chanel na cabeça!
E o Bial já citou Casimiro de Abreu e Arnaldo Antunes. E eu já tô pronto pra dar tiro de calmante no Bial. Sabe aquele que bota elefante pra dormir no Discovery Channel?
E lá vem o Sebento 16: "Papa declara que casamento gay ameaça a humanidade". E o Sensacionalista: "Casamento gay declara que papa Bento 16 ameaça a humanidade".
E o "Vernacoliere": "Senhor Papa! El culo é mio". Curto e grosso. Esse deu o recado. Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
E TV paga devia se chamar TV apaga! Aquele filme que você tá louco pra assistir só passa segunda-feira às três da manhã. Nunca passa no sábado que você fica em casa. Quando fico em casa, passam três filmes de psicopata esfaqueando piranha. Acho que eles têm um espião: "Olha, hoje ele vai ficar em casa, passa aquele do psicopata esfaqueando a piranha!". Rarará.
Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Passo atrás - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 14/01/12



A revisão da nota da França não só era esperada como inevitável. A Standard&Poor´s já tinha avisado que o rating estava sob revisão, o mercado já estava cobrando juros de país com nível abaixo de AAA. O risco francês só não havia sido rebaixado porque a agência recuou após o rebaixamento americano. A decisão encerra a série de bons leilões de dívida europeia dos últimos dias.

Itália e a Espanha conseguiram rolar esta semana suas dívidas em níveis mais baixos que em leilões anteriores. Essa onda boa se encerra a partir do momento em que a maior agência rebaixou a França; a Austria, outro país AAA; e encrencados como Espanha e Itália. O título português foi rebaixado a lixo, e outros quatro países também sofreram corte. Os italianos desceram dois níveis e se igualaram à nota brasileira. Mas nenhum desses movimentos era inesperado.

A França tem uma dívida de 86% do PIB, e um déficit de 5,8% do PIB, o que significa que o total da dívida vai continuar crescendo. Isso mostra que não fazia sentido continuar a classificar a dívida com o triplo A. A manutenção francesa no nível que significa risco zero só se justificava por motivos políticos.

A situação econômica da Europa tem várias incertezas este ano: os países precisam fechar o pacto fiscal até o fim do março; os bancos precisam cumprir novas exigências de capital; a situação da Grécia permanece em aberto porque o acordo de redução da valor da dívida chegou ontem a um impasse. Um dos acontecimentos negativos dessa lista era o rebaixamento da França. A redução do rating vai interromper o momento de melhoria leve da confiança nos países e na solução que está sendo costurada por Alemanha e França. Haverá consequências diretas sobre o Fundo de Estabilidade Financeira, criado para socorrer países como a Grécia, Irlanda e Portugal. Ele precisa ser financiado por países de risco AAA. Agora, há dois a menos:

- O Fundo Europeu não tem dinheiro vivo, mas sim o compromisso dos países de financiá-lo caso algum governo precise. Com o rebaixamento de França e Áustria, o conjunto de fiadores AAA para o Fundo fica menor. Isso tem um efeito ruim sobre a percepção de risco da Europa e deve tornar mais cara a rolagem das dívidas dos países problemáticos - disse a economista Monica de Bolle, da Galanto Consultoria.

O rebaixamento francês ocorre a apenas 100 dias das eleições e vai dificultar os planos do presidente Nicolas Sarkozy de se reeleger. Uma troca de comando no país poderá significar um recuo de várias casas no caminho da unificação fiscal da Europa. A decisão da S&P também torna mais desigual a Zona do Euro. A diferença entre os juros pagos pelo governo francês, em relação ao governo alemão, atingiu ontem recorde de 130 pontos, para títulos de 10 anos. Apesar de estarem em uma mesma união monetária, cada governo está captando recursos a juros muito diferentes.

O dia ontem ganhou contornos mais dramáticos com o anúncio de que não avançaram as negociações sobre o calote "ordenado" da Grécia. O país negocia com credores uma redução de 50% de sua dívida. Monica de Bolle explica que há três caminhos para se chegar a esse percentual: alongamento da dívida; redução de juros; corte do valor de face dos títulos:

- Os credores preferem alongar o prazo porque assim não precisam contabilizar perdas nos balanços. Mas o corte da dívida grega é muito grande, e será preciso mexer nos juros e no valor de face. Isso torna a negociação muito mais difícil - explicou.

As decisões das agências, apesar de todas as críticas merecidas que têm recebido, continuam tendo influência no mercado, principalmente das duas maiores: Standard&Poor´s e Moody´s. Com base nessas notas é que os investidores e instituições tomam decisões sobre quanto comprar de dívidas desses países. Além disso, após o rebaixamento, começa a sucessão de revisão das notas das empresas e bancos dos países atingidos. Isso realimenta o pessimismo, que acaba, neste mundo globalizado, afetando todos os outros mercados. Ontem, o dólar subiu no Brasil e o Ibovespa caiu em função dessa notícia que não tem nada a ver conosco.

A redução francesa não terá impacto tão forte quanto a redução da nota americana. Primeiro, porque os EUA sempre foram considerados como o emissor dos papéis de referência; segundo, o país foi considerado risco zero por 70 anos. O rebaixamento francês não tem a mesma dramaticidade, era considerado questão de tempo. Mesmo assim, interrompe o bom momento que se delineava na Europa.

O fato ajuda a lembrar que a Europa é uma crise em evolução. Ainda não se sabe a solução do problema e esse é um ano que os dois principais líderes, Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, avisaram que seria difícil. E políticos não costumam dar más notícias nas viradas de ano. Há outros temores na linha do horizonte como o de que alguns bancos europeus tenham dificuldade de captação no momento em que as autoridades bancárias exigem elevação do nível de capital das instituições. Se houver quebra de algum banco, os governos terão menos capacidade de socorrê-lo. Esses eventos que são esperados e temidos vão manter a situação instável pelo menos no primeiro semestre deste ano. O segundo tem chance de ser mais tranquilo.

A dessacralização do Judiciário - MARIA TEREZA AINA SADEK


O Estado de S.Paulo - 14/01/12


O Judiciário brasileiro tem sido identificado com uma caixa-preta. O juízo crítico propagou-se. Encontrou receptividade por retratar em uma só imagem a percepção popular de uma instituição fechada e desconhecida. Uma combinação de traços associados ao segredo, à opacidade, ao isolamento em relação à sociedade constrói a representação. Características peculiares da magistratura contribuem para a imagem. Entre elas estão desde garantias constitucionais - vitaliciedade, irredutibilidade de vencimentos, inamovibilidade - até uma tradição assentada na discrição, numa cultura formalista e num linguajar hermético.

Uma magistratura homogênea, corporativa e refratária a críticas resultaria dessa percepção. Para completar, o retrato teria o condão de ser imune ao transcorrer do tempo, guardando no presente as marcas do passado.

Essa representação vem sendo posta em xeque. Aspectos novos indicam o desenrolar de um processo de transformação. Os efeitos da Constituição de 1988 e especialmente da Emenda Constitucional 45, de dezembro de 2004, tornam-se visíveis não apenas no perfil e na atuação da instituição, mas nas características de seus integrantes.

Vários fatores podem ser arrolados como impulsionadores desta nova magistratura. Em primeiro lugar deve-se notar o crescimento numérico, que, por si só, já imporia mudanças. O número de juízes mais do triplicou desde a redemocratização do País, passando de quase 5 mil em 1988 para aproximadamente 15 mil 23 anos depois. A participação feminina, que até os anos 80 era de apenas 8%, atingiu 25%, inclusive com mulheres integrando os tribunais superiores. Essas alterações de caráter demográfico foram acompanhadas de significativas mudanças de natureza sociológica. Houve uma clara democratização na composição interna da magistratura, com uma importante proporção de juízas e juízes provenientes de famílias sem tradição no sistema de justiça e com pais e mães com baixos índices de escolaridade, havendo até aqueles com pais sem instrução formal.

Informações propiciadas por pesquisa realizada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) em 2005 revelavam que as mudanças em curso não se resumiam a esses aspectos. Sinais ainda mais excepcionais puderam ser observados nas opiniões expressas sobre uma série de questões, incluindo temas relacionados à distribuição de justiça e a questões corporativas. A pesquisa da AMB mostrava que variáveis como gênero, idade, tempo na magistratura, instância de atuação e região apresentavam correlação com avaliações e percepções tanto sobre a instituição como acerca de temas da vida pública. No conjunto, esses dados permitiam concluir que muitos dos mitos, estereótipos e suposições sobre a magistratura não coincidiam com a realidade. A diversidade interna e o pluralismo de opiniões desenhavam um perfil novo da magistratura.

O pluralismo pode ser constatado em manifestações sobre vários temas. Muitas das inovações criadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não haviam ainda sido implantadas. Uma, por exemplo, a proibição de contratar parentes para cargos em comissão, obteve o apoio da maioria. Notava-se, contudo, que o apoio era muito mais expressivo entre os juízes de primeiro grau do que entre os que atuavam em tribunais (71% x 58%), entre os com menor tempo na magistratura do que entre os mais antigos (75% x 60%), entre os do Sul do País do que entre os do Centro-Oeste (73% x 60%), entre os que exerciam suas funções nas unidades da Federação com IDH mais alto do que nas de IDH baixo (72% x 67%).

Os exemplos poderiam ser multiplicados. O que se pretende salientar é que a diversidade interna, que desde então já se manifestava, ganhou ímpeto e novos fóruns. O pluralismo tem-se evidenciado não apenas internamente, mas também de forma pública. Posições sobre temas relevantes têm sido explicitadas, ampliando o debate de questões que afetam não só o corpo de juízes, mas a vida social, econômica e política do País.

O recente questionamento da AMB sobre as competências do CNJ evidenciou tanto o pluralismo no interior da magistratura como a ampliação do fórum de debates. Tais fenômenos são auspiciosos do ponto de vista do processo de construção de uma instituição guiada por valores democráticos e republicanos. Ministros, desembargadores, juízes expuseram argumentos revelando suas posições. Divergências vieram a público explicitando princípios em confronto. As discordâncias e sua divulgação mostram quão anacrônica se tornou a figura do "juiz boca da lei", do juiz que não manifesta opiniões, do juiz alheio ao que se passa na sociedade.

Acompanhando e impulsionando esse processo de transformação da magistratura e de sua relação com a opinião pública, os meios de comunicação têm reservado espaço cada vez maior para temas envolvendo o Judiciário, ampliando significativamente a arena de debates. Com efeito, o exame de editoriais, reportagens, cartas de leitores sobre o trabalho do CNJ tornou manifesto o desgaste do paradigma segundo o qual "juiz só se pronuncia nos autos" e questões da justiça são muito técnicas para serem debatidas por não iniciados.

Do ponto de vista da opinião pública, vem ocorrendo um fenômeno que poderia ser caracterizado como de dessacralização do Judiciário, aventando-se a possibilidade de punição de comportamentos desviantes, de questionamentos do que é visto como regalias e privilégios. Tal fenômeno, além de indicar um processo de mudanças no interior da magistratura e na percepção sobre o Judiciário pela sociedade, indica também que exigências centrais da democracia e da República - transparência e prestação de contas pelas instituições - se tornaram demandas de difícil reversão.

Dores do crescimento - IGOR GIELOW

FOLHA DE SP - 14/01/12


BRASÍLIA - A política externa do governo Dilma enfrentará um teste no fim deste mês, quando a presidente visitará Cuba e Haiti.

Como em todas as áreas do governo, 2011 foi pálido nesse setor. O que não é especialmente ruim, já que o país vinha de oito anos de um histrionismo quase apoplético da gestão Lula-Celso Amorim.

O Brasil cresceu no mundo por seu evidente peso econômico, pela ascensão do apetite chinês, pelo declínio político do Ocidente. Então, buscar uma nova estatura política seria decorrência natural no cenário.

O problema ao longo dos anos foi a insistência numa arrogância desproporcional ao poder real do Brasil, muitas vezes contaminada pelo antiamericanismo estudantil dos chefes do Itamaraty e pelo voluntarismo único da "persona" de Lula.

Dilma então entrou em cena e baixou a fervura. Reatou laços com os EUA e criticou aliados bizarros como o Irã dos aiatolás atômicos. Retórica, é claro, mas é saudável ver Ahmadinejad desfilando apenas pelos cachorros-loucos da esquerda continental -e não sendo adulado com pompa no Planalto.

Assim, será interessante ver como a ex-guerrilheira comunista Dilma se portará frente a frente com o fetiche de sua geração em Havana.

Há três anos, ela esteve numa tenda celebrando a revolução cubana no Fórum Social Mundial, mas não rasgou fantasia como Lula -cuja visita aos irmãos Castro enquanto agonizava um dissidente mancha a história diplomática do Brasil.

Mas Cuba é Cuba. Não há coração esquerdista que não fique embevecido com a utopia orwelliana tropical.

E há o Haiti. De repente, o Brasil virou uma potência imperialista que não quer algum tipo de "invasão bárbara", e será cobrado por isso, esteja certo ou não em suas medidas.

O que vai de encontro, bem do tamanho político verdadeiro do Brasil, às pretensões externas do país. Devem ser as tais dores do crescimento.

EUA não são uma empresa - PAUL KRUGMAN

FOLHA DE SP - 14/01/12


A economia é muitíssimo mais complexa do que mesmo a maior das corporações privadas


"E a cobiça -guarde bem minhas palavras- vai salvar não apenas a Teldar Paper, mas também essa outra corporação que não funciona corretamente, chamada EUA."
Foi assim que o fictício Gordon Gekko encerrou seu discurso no filme "Wall Street - Poder e Cobiça".
No filme, Gekko recebeu o castigo merecido. Na vida real, porém, a política baseada na noção de que a cobiça é uma coisa boa é a razão principal pela qual a renda dos 1% mais ricos vem crescendo tão mais rapidamente que a da classe média.
Hoje, porém, vamos voltar nossa atenção ao resto da frase, a parte que compara a América a uma corporação. Também esta é uma ideia que vem sendo amplamente aceita. E é a base principal do argumento de Mitt Romney de que ele deve ser presidente: concretamente, ele afirma que o que precisamos para consertar nossa economia é alguém que já fez sucesso nos negócios.
É claro que, com isso, Romney abriu as portas para sua carreira como empresário ser sujeita a escrutínio intenso.
Na Bain Capital, ele foi comprador e vendedor de empresas, muitas vezes em detrimento dos empregados delas, e não alguém que administrou empresas com vistas para seu sucesso no longo prazo.
Mas há um problema mais profundo em toda a noção de que aquilo de que este país precisa é um empresário de sucesso para ser seu presidente: na verdade, a América não é uma corporação.
Por que uma economia nacional não é como uma corporação? Para começo de conversa, não existe um resultado final simples. Outra coisa: a economia é muitíssimo mais complexa que mesmo a maior empresa privada.
O que é mais relevante para nossa situação atual, contudo, é que até mesmo as corporações gigantes vendem a maior parte do que produzem para outras pessoas, não para seus próprios funcionários. Enquanto isso, mesmo os países pequenos vendem a maior parte do que produzem para eles mesmos, e os grandes países, como a América, são quase completamente seus próprios maiores clientes.
Considere o que acontece quando uma empresa pratica cortes implacáveis de despesas. Desde o ponto de vista dos donos da empresa, quanto mais custos são cortados, melhor. Quaisquer dólares tirados do lado dos custos serão acrescentados ao resultado final.
Mas a história muda de figura quando um governo reduz seus gastos diante de uma economia deprimida. Veja o caso da Grécia, Espanha e Irlanda, todas as quais adotaram políticas de austeridade intransigentes. Em cada um desses casos o desemprego aumentou, porque os cortes nos gastos do governo atingiram principalmente produtores domésticos. E, em cada um desses casos, a redução dos deficits orçamentários foi muito menor que o previsto, porque a receita fiscal caiu na medida em que a produção e o desemprego desabaram.
Agora, para sermos justos, ser político de carreira não constitui necessariamente uma preparação melhor para administrar a política econômica que ter sido um empresário. Mas é Romney quem está afirmando que sua carreira anterior o torna adequado para a Presidência.
Tradução de CLARA ALLAIN

Rebaixamento - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 14/01/12


O tão temido rebaixamento da qualidade dos títulos da França por uma das mais importantes agências de classificação de risco, afinal, aconteceu ontem. A Standard & Poor's (S&P) retirou o triplo A da França e da Áustria e rebaixou a nota de outros três importantes países da área do euro: Itália, Espanha e Portugal.

Essa decisão azedou as coisas no mercado financeiro, que vinha se recuperando com boa velocidade. A revisão da avaliação de crédito da França vinha sendo temida sobretudo por seu presidente, Nicolas Sarkozy - que, segundo o diário de Madri El País chegou a afirmar: "Se nos tiram o triplo A, estou morto", referindo-se às eleições a serem realizadas em abril e maio.

Há nove semanas, o rebaixamento dos títulos de dívida da França pela S&P havia sido anunciado no portal da agência e depois retirado como engano - como se alguém tivesse inadvertidamente apertado o botão errado. Mas, na ocasião, não foram apresentadas explicações convincentes para esse surpreendente vale-não-vale.

Três são os principais impactos do rebaixamento anunciado ontem. O primeiro é o aumento dos juros a serem cobrados tanto na rolagem como na emissão de novos títulos de dívida da França. Um título que, em princípio, oferece mais risco de calote - daí o rebaixamento - deve afastar certo número de investidores, especialmente os mais exigentes. Essa retração vai diminuir a procura por esses papéis. E essa procura menor, por sua vez, tenderá a reduzir o valor de mercado dos títulos e, portanto, elevar sua remuneração.

Os juros mais altos, provavelmente, expandirão as despesas dos Tesouros da França e dos demais. Num segundo momento, agravarão o impacto do atual déficit público - de 3,2% do PIB na França e de 3,8% do PIB na Áustria.

Outro desdobramento deve ser a necessidade de maior capitalização dos bancos que carregam os títulos desses países. Como aumenta o risco, os bancos credores terão de reforçar seu patrimônio de maneira a guardar a proporção adequada para seu volume de ativos. E a maior exigência de capital poderá puxar para cima as despesas desses Tesouros, na medida em que serão chamados a canalizar mais recursos para suas principais instituições financeiras.

No entanto, o efeito mais importante desse rebaixamento deverá ser o enfraquecimento estratégico da França nas negociações sobre as providências destinadas a fortalecer o euro. Ficam mais complicados, por exemplo, os trâmites para a constituição do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês) e do Mecanismo Europeu de Estabilização, que deverá substituí-lo em 2013. E a França, ao lado da Alemanha, tem sido um dos principais negociadores desse fundo, montado para socorrer países do euro em caso de incapacidade de atender a seu fluxo de pagamentos.

Como de outras vezes, os dirigentes do euro tentarão demonizar a decisão da S&P. Mas isso não muda o principal. Não muda o fato de que pioraram as condições de que esses países honrem seus compromissos financeiros.

CLAUDIO HUMBERTO

“O diagnóstico global feito pelos brasileiros está correto”
Ministro Alexandre Padilha (Saúde) e os 61% da população que acham o SUS péssimo

DEM E PTB QUEREM INDICAR VICE DE CHALITA EM SP

Enquanto o ex-governador José Serra (PSDB) não se decide sobre disputar a Prefeitura de São Paulo, o DEM se mexe para indicar o vice do candidato do PMDB, Gabriel Chalita. O presidente do DEM paulistano, Alexandre de Moraes, esteve com o vice-presidente Michel Temer e Chalita, na última terça (10), para articular a aliança. O PTB defende o deputado Arnaldo Faria de Sá para ser o vice do PMDB.

DOBRADINHA

Com maior tempo de TV que o PTB, o DEM propõe estender a aliança com o PMDB a Salvador, apoiando ACM Neto (DEM) para prefeito.

EM BAIXA

O ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) até cogita apoiar ACM Neto, mas teme ser ofuscado, após perder 

espaço no partido e no governo.

VEM AÍ

O deputado Gabriel Chalita se reuniu no Rio com o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro. Encomendou nova pesquisa.

MUNDO SUBMERSO

Entra ano, sai ano, rio sobe, morro cai, governos prometem, dinheiro entra e o povo... Nada.

QUEM ERA CONTRA COMPRA MILIONÁRIA SAIU DO CNJ

A diretora-geral do Conselho Nacional de Justiça, Helena Azuma, pediu demissão por divergir da compra de 

R$ 68,6 milhões em equipamentos considerados desnecessários pela Diretoria de Informática, cujo titular, Declieux Dantas, também deixou o cargo. A informação é de servidores do CNJ. A pressa de fechar o negócio milionário fez seus responsáveis esquecerem um “detalhe”: não havia onde instalar os equipamentos.

OUTRO LADO

O CNJ informa que Helena Azuma se demitiu por aceitar convite para trabalhar 

no TJ de São Paulo. A ex-diretora-geral não se pronunciou.

PRIMEIRO O OVO

Após a licitação vencida pela empresa CDS/NTC, parceira da Oracle, o CNJ passou a construir, às pressas, a “sala forte” dos equipamentos.

A TOQUE DE CAIXA

O Conselho Nacional de Justiça fez a licitação no prazo recorde de nove dias, para dar o contrato de R$ 68,6 milhões à empresa CDS/NTC.

PUNIÇÃO SEVERA

O jurista Benedito Calheiros Bomfim defende pena de morte para juiz corrupto e para torturador, apesar de ser contra a punição do criminoso com outro crime, a morte. “Se houve injustiça na afirmação da ministra Eliana Calmon”, diz, “certamente não foi com os bandidos de toga.”

PEGOU MAL

O governo não precisava de tanta vassalagem na tarde de depoimento do ministro Fernando Coelho (Integração). A pressa servil de agradar o governo fez o Congresso expor os fundilhos.

PRESO, SEM SOMBRA DE DÚVIDAS

O ex-senador Gilvam Borges (PMDB) criou, no Amapá, um “shadow cabinet” (espécie de governo sombra, paralelo) e decidiu “fazer obras”. Em uma delas, surgiu o batalhão ambiental da PM e ele tomou o lugar do tratorista para aparecer como vítima. Acabou em cana real.

OLHOS NOS OLHOS

Após visitar Lula, a ministra Ana de Hollanda (Cultura), cotada para ser demitida com humilhação, ganhou chance de ficar. Lula alegou à Dilma seus laços afetivos com a família Buarque de Hollanda.

FALECIMENTO

Consternou seus muitos amigos a notícia da morte, ontem, de Claudio Melo, ex-diretor da Odebrecht em Brasília. Ele ocupou a função por dez anos. Seu corpo será cremado, neste sábado, em Salvador.

BUROCRACIA NA REDE

A OAB-SP pediu ao presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo que facilite o acesso público a processos na internet, dificultado pela nova exigência de cadastro em cartório e senha para obter sentenças. O TJ nega o problema, mas um mutuário da Bancoop não consegue.

ÀS MOSCAS

Apesar do movimento intenso no aeroporto de Brasília, o único posto da Polícia Civil ficou trancado a cadeado no início do ano. Na porta, o telefone do plantonista. E faltam 53 meses para a Copa do Mundo...

VIDA DURA

Os americanos, com impostos bem menores, sonegaram US$ 337 milhões em 2011. O Brasil ficou em 2º lugar no ranking do calote: US$ 280 milhões, segundo a ONG britânica Tax Justice Network.

PENSANDO BEM...

...É muito peito do SUS demorar seis meses para marcar consulta de doentes de câncer, e agora pagar silicone de “despeitadas”. 

PODER SEM PUDOR

PIOR QUE NA DITADURA

O período de Tarso Genro como ministro da Justiça do governo Lula não foi muito festejado pelos advogados. Técio Lins e Silva, que defendeu presos políticos por mais de vinte anos, denunciou, certa vez, que o tratamento da Polícia Federal era “muito pior” que na ditadura. Lembrou que não havia cerceamento nem no temido Regimento Sampaio, do Rio de Janeiro, nos tempos de chumbo:

– Certa vez, no fundo da sala, havia um coronel orelhudo e, diante daquelas orelhas enormes, pedi ao general para retirá-lo, no que fui atendido.

Para Lins e Silva, a PF na época de Tarso Genro não reconhecia o direito dos presos e nem as prerrogativas dos advogados.

SÁBADO NOS JORNAIS

Globo: França ‘cai’ e Europa fica nas mãos da Alemanha
Folha: Agência S&P rebaixa nota de 9 países da eurozona
Estadão: Agência de risco rebaixa 9 europeus
Correio: Tsunami financeiro derruba a França
Estado de Minas: Ameaça das doenças
Zero Hora: Parceria libera hoje verba para irrigação

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Recado - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 13/01/12

O presidente do PSB, Eduardo Campos, conversou ontem por telefone com a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) antes do depoimento do ministro Fernando Bezerra (Integração). Cobrou apoio do governo e do PT a seu apadrinhado. E lembrou a Gleisi que "a solidariedade é de mão dupla". No Congresso, os líderes do PT, Humberto Costa (PE) e Paulo Teixeira (SP), defenderam Bezerra. E o senador Valadares (PSB-SE) concluiu: "Está afastada de vez a ideia de que tem fogo amigo".

A sucessão na Ciência e Tecnologia
A grande preocupação da presidente Dilma na substituição do ministro Aloizio Mercadante é com a continuidade na gestão do Ministério da Ciência e Tecnologia. Sua intenção é escalar um ministro que mantenha a equipe de alto nível montada por Mercadante e dê continuidade aos projetos em desenvolvimento. Dilma não quer alguém que resolva começar de novo. Alheios a essas condições, entre os petistas há uma disputa na surdina pelo cargo. O PT do Rio está pleiteando a pasta para o secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar. Já o PT de São Paulo quer emplacar na vaga o deputado federal Newton Lima.

"Esse modelo (de liberação de emendas ao Orçamento) já existia no governo Fernando Henrique. Era assim que funcionava e é assim que funciona” — Luciano Castro, deputado (PR-RR), vice-líder do governo na Câmara e ex-deputado do PSDB no governo FH

EMPURRÃOZINHO. A ala do PP que quer derrubar o ministro Mário Negromonte, na foto, vibrou quando o ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional) disse, em seu depoimento no Congresso, que a maior parte do dinheiro para prevenção de enchentes não está na sua pasta, e sim no Ministério das Cidades. O partido está rachado no apoio a Negromonte e ele é considerado ineficiente pela presidente Dilma.

Desfalcada
A oposição foi a grande ausente no depoimento do ministro Fernando Bezerra (Integração), ontem, no Congresso. Os presidentes do PSDB, Sérgio Guerra (PE), e do DEM, José Agripino (RN), não foram. Nem Aécio Neves (PSDB-MG).

Porta-voz
Ao elogiar o ministro Fernando Bezerra (Integração), ontem, no Congresso, o líder do PMDB, Henrique Alves (RN), disse que falava também em nome da governadora de seu estado: Rosalba Ciarlini, filiada ao DEM, que é de oposição.

Bico calado
Apesar de petistas criticarem a ação do governo do estado e da prefeitura de São Paulo na cracolândia, desta vez o ministro Fernando Haddad (Educação), candidato à prefeitura, não se manifestou. Em novembro ele disse que não se podia "tratar a USP como se fosse a cracolândia, nem a cracolândia como se fosse a USP". O crack deve ser um dos principais temas de debate na eleição municipal da capital paulista.

No limite
Apesar de José Serra estar irredutível, os tucanos ainda contam com a possibilidade dele disputar a prefeitura de São Paulo. O prazo para o ex-governador decidir é meados de fevereiro. As prévias estão marcadas para março.

Agenda casada
O tema das comemorações oficiais do 8 de março, Dia da Mulher, será "Mulher e Sustentabilidade". Foi escolhido de olho na Conferência Rio+20. A Secretaria das Mulheres e o Ministério do Meio Ambiente estão trabalhando em conjunto.

O MINISTRO Guido Mantega (Fazenda) anda insatisfeito. Não com a economia do país. Mas com a quantidade de vezes que seu secretário-executivo, Nelson Barbosa, é acionado diretamente pelos ministros que despacham no Planalto.

INTEGRANTES do governo dizem que a ida de Márcio Fortes para o Ministério das Cidades vai favorecer o PCdoB na sucessão da Autoridade Olímpica.

O PPS escreve para dizer que o partido decidiu, em seu Congresso, pela candidatura própria para presidente em 2014. Ou seja, para apoiar José Serra ou Marina Silva, eles teriam que entrar no partido.

Ai, se eu te pego - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 13/01/12



Michel Teló comprou uma fazenda de 14 mil hectares em Corumbá, no Mato Grosso do Sul.


A deprê do gênio
Cláudia Faissol, 39 anos, a namorada e empresária de João Gilberto, conta na próxima edição da revista “Alfa” o motivo de o genial cantor não ter feito a turnê do show de seus 80 anos.
“Não há mistério: o médico disse que João, por questões de saúde, não pode sair do quarto”, diz. Segundo Cláudia, João estaria “resfriado e deprimido”.


Segue...
Sobre a volta aos shows, Cláudia diz que deve acontecer ainda em 2012, mas sem pressa:
— Vamos resolver tudo à maneira do João: sem ansiedade. Ele está melhorando aos pouquinhos. Tenho certeza de que volta aos palcos em 2012.


Um pouco de Brasil
Esse pré-candidato republicano Mitt Romney não é completamente alheio ao Brasil.
O gringo visitou o Rio em agosto de 2007 (reuniu-se com Júlio Bueno, secretário estadual de Desenvolvimento) e, depois, seguiu para o Amazonas.


O maior 171
Terça, a Confraria do 171, da turma do chope de Vila Isabel, no Rio, vai eleger o... “maior 171 de todos os tempos”. Há 17 anos, o pessoal se reúne no Petisco da Vila para escolher o 171 do Ano. Agora, como é a 17ª edição, os candidatos são os que venceram as eleições passadas.
Concorrem, entre outros, Maluf, Sérgio Naya, o juiz Lalau, Jorgina do INSS e o fiscal Silveirinha. Sei não. Periga dar empate.


Caiu na rede
O “presidente” Paulo Ventura, interpretado por Domingos Montagner na série “O brado retumbante”, da TV Globo, que estreia dia 17, vai usar muito a internet, a exemplo de Obama.
O blog sonhointenso-blog.net, dele, existirá na vida real.


Ditadura civil
Setores militares da reserva, ligados à ditadura, lembram nas redes sociais que a expulsão do padre Vito Miracapillo, que se recusou a rezar missa pela Independência do país, foi validada pelo STF em 1980.
O relator foi o ministro Djaci Falcão, nomeado pelo marechal Castelo Branco.


Ditadura e bicho...
O cantor e vereador Agnaldo Timóteo saiu em defesa dos bicheiros presos:
— Será que o secretário Beltrame tem conhecimento de que o jogo do bicho passou por duas ditaduras sem nenhum problema?


Na verdade...
No caso da ditadura recente, houve até um caso de laços, digamos, mais afetivos.
Um dos chefes da contravenção, Capitão Guimarães, à época oficial do Exército, foi acusado de torturar presos políticos.
Racismo no clube
Foi parar ontem na 14ª DP, no Leblon, no Rio, um rebu ocorrido no Clube Paissandu. A babá Ingrid Garcia, com Antônio, filho do cineasta Andrucha Waddington, e dois amiguinhos, teve dificuldade para entrar no clube.
O porteiro implicou com a cor do uniforme da babá, que não era 100% branco.


Segue...
Após 20 minutos, Ingrid entrou. Mas, lá dentro, teria sido insultada pelo próprio presidente do clube, Marcos Arnizaut.
Ingrid, com o auxílio do advogado Artur Lavigne, vai processar Arnizaut — inclusive, por crime de racismo.


Retratos da vida
A 5ª Câmara Cível do Rio condenou um pediatra a indenizar em R$ 50 mil seu próprio filho.
Segundo a decisão, o doutor gerou o menino num relacionamento furtivo e, apesar de saber da criança, “não cumpriu suas obrigações de pai”.


Ponte do Saber
Dilma e Cabral vão inaugurar dia 27 a nova ponte estaiada que irá ligar a Ilha do Fundão à Linha Vermelha. Vai se chamar Ponte do Saber.


‘Get excited at 9’
A editora Réptil e a Riotur lançaram um guia bilíngue dos blocos, de autoria do coleguinha Aydano André Motta, com o cuidado de traduzir também os nomes das agremiações.
Assim, o Cacique de Ramos virou “Tribe Leader from Ramos”; o Cordão da Bola Preta, “The Black Ball Group”; e o Empolga às 9, em versão ianque, “Get Excited at 9”.


SACUDIRAM O pé de moça bela ontem no Fash ion Business: caíram as “frutinhas” (com todo o respeito) Marcelia Freesz e Laís Ribeiro, modelos que desfilaram para uma grife


DIEGO HYPÓLITO e Maurren Maggi, nossos atletas que vão aos Jogos de Londres, relaxam em ensaio da Grande Rio, no Monte Líbano


PONTO FINAL
Com a crise braba na Europa, o comérc de Paris corteja turistas de países até ago imunes à bancarrota da economia, co seus euros no bolso. Veja esta foto feita pe coleguinha Rejane Guerra no Boulevar Haussmann, na Cidade Luz. A maior bande ra vendida por um camelô — entre vária inclusive a da França — é a do... Brasil.

Bicho digital - NELSON MOTTA


O Estado de S.Paulo - 13/01/12


Depois de prender, seis dias seguidos, o mesmo bicheiro que anotava apostas próximo à sua casa, leva-lo à delegacia e vê-lo voltar para o ponto sem qualquer punição, o secretário de segurança José Mariano Beltrame, deu o ultimato: a sociedade tem que decidir de uma vez se legaliza ou proíbe o jogo do bicho.

A pior escolha é continuar gastando o tempo da policia com a farsa da "contravenção", em que a polícia finge que prende e o contraventor finge que é preso, para que tudo continue como está: o jogo do bicho como fonte inesgotável de corrupção policial, política e judicial.

Seja por um marketing eficiente ou por razões antropológicas que só o professor Da Matta pode explicar, o jogo do bicho é considerado um passatempo inocente, uma instituição secular da nossa cultura popular, e os bicheiros são vistos como grandes beneméritos de escolas de samba e de comunidades carentes. Embora as guerras por territórios entre bicheiros sejam sangrentas - recentemente o carro do chefão Rogério Andrade foi explodido por controle remoto à luz do dia -, o bicho é visto com tolerância, e até confiança, pela população.

Poucas instituições no Brasil têm mais credibilidade que o jogo do bicho, embora nunca tenha sido feita uma auditoria nos seus sorteios. Diz-se que é jogo de pobre, de pequenas apostas, pequenas perdas ou ganhos, alimentadas pelo sonho de acertar no milhar e a certeza de que o bicheiro vai pagar, garantida pela frase clássica impressa no talão: vale o escrito. É urgente legalizar, mas não faz sentido privatizar o bicho para deixá-lo nas mãos dos bandidos de sempre. Até os privatistas vão concordar que é um raro caso em que o Estado, que já administra inúmeras loterias, pode e deve assumir mais uma, zoológica - porque já tem estrutura, tecnologia e uma rede nacional eficiente.

Além da faxina ética, o governo poderia arrecadar uma CPMF com o jogo do bicho. Os bicheiros que vemos todo dia em suas cadeiras na calçada poderão continuar anotando apostas, mas em maquinetas eletrônicas ligadas à central de loterias da Caixa, emitindo talões com a nova garantia: vale o digitado.

Começo de ano sem fogos e badalações - IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO


O ESTADÃO - 13/01/13

Chovia quando deixamos o recanto Picumã, a estrada de terra estava lisa, passamos pela misteriosa Escola de Filosofia, coalhada de automóveis, luzes amarelas como lanternas japonesas faziam as vezes de decoração festiva. O aviso na cancela da escola é intrigante: “Ao chegar, apague os faróis, acenda a luz interna”. Como acendê-la? Com essa questão me vi começando a despedir do ano passado, que terminou com a morte de uma pessoa brilhante, Daniel Piza. Nada sabemos, mas ninguém merece morrer aos 41 anos. Ano que nos levou igualmente Moacyr Scliar. Também se foi Marlene França, a atriz descoberta por Alex Viany aos 14 anos, para o filme Rosa dos Ventos, e a quem, um dia, em 1957, dei um balão vermelho depois de passearmos na roda-gigante do Parque Shangay, que não existe há décadas. Tudo na vida se torna lembrança.

Quando pegamos a estradinha ladeada por hortênsias que leva ao centro de São Francisco Xavier, a rua estava deserta, casas fechadas, diferente da movimentação da tarde. Silêncio. Rodeamos a igreja, fiéis saíam da missa noturna, se cumprimentavam, se abraçavam. Despedidas de ano. Entramos no Photozofia às dez e meia da noite, já havia algumas mesas ocupadas. Lugar aconchegante, nossa mesa ficou diante de um painel que tinha máquinas fotográficas de várias épocas, para deleite de meu filho André, um fotógrafo.

Este é um lugar especial nesta pequena cidade que, além de se movimentar com um festival literário primoroso, o da Mantiqueira, abriga, ao seu redor, entre cachoeiras e rios murmurantes (por causa das pedras), casas de escritores, artistas, jornalistas, filósofos, e todos que buscam sossego e aqui estão sob a guarda da proteção ambiental. Tanto que nem houve fogos à meia-noite. A chuva era pouca. No balcão do bar e casa de shows íntimos, cuidados por Patricia, estavam os apetizers, o ceviche, as peras ao roquefort, saladas de hortaliças orgânicas, pupunha ao pesto, chancliche com alecrim, patês, frutas secas, frutas tropicais, água de ervas e batidas de frutas, figo com presunto, pera com queijo, sementes de romã. São sete que devemos apanhar e colocar na carteira. Como não uso carteira, guardei no estômago.

A sensação é que todos nos conhecíamos, era um calmo final de ano e, louvemos ao Senhor, não havia uma televisão ligada prometendo um show da virada e os inevitáveis fogos de Copacabana. Quem aguenta? Não, nem todo mundo quer badalação, posar para fotógrafos, quem precisa disso? Havia, sim, um show para nós com a cantora Airó e percussão e guitarra, um som brasileiro, animado com músicas que todos curtimos ao longo da vida, tão distante, mas tão distante desse badalado Teló com sua insipidez, para não dizer estupidez. Se isso é revelação, meu Deus, o que está acontecendo com a música popular?

Airó nos fazia flutuar pelo Brasil com todas aquelas canções que nos emocionaram, nos fizeram dançar, animar, brincar, enquanto mansamente comíamos truta com arroz negro, ou cordeiro ao vinho com cuscuz marroquino, ou um nhoque recheado com queijo e molho de alcachofra, comidas cujo perfume (o Photozofia é pequeno) tomou o ambiente, enquanto olhávamos o relógio a caminho da meia-noite. Da grande mesa ao lado da minha, uma senhora baixa, cabelos brancos veio me dar o primeiro abraço do ano. Quem era? Tenho a fisionomia, o calor do abraço.

Precisamos de que para sermos felizes? Não sabemos, não temos ideia. Ou temos várias ideias. Nunca somos inteiramente felizes ou felizes o tempo inteiro. Se fôssemos, seríamos pasmados. Naquele 31 de dezembro, enquanto a chuva bateu forte lá fora, e fizemos a inevitável contagem regressiva, pensei em Daniel Piza e o AVC que o conduziu num instante e me levou a refletir no que para mim significa ainda estar aqui, quando um AVC poderia ter me levado há 15 anos. De tempos em tempos recebo uma mensagem: a vida é frágil, não se esqueça. Por que fui avisado? A cada ano penso nisso. Não tenho resposta, ainda não acendi essa luz interior. São essas perguntas que nos conduzem pela vida tentando solucionar o mistério? Em cada primeiro de janeiro acordo com esta perplexidade e feliz por estar vivo. Só quem se aproximou e não ultrapassou essa fronteira limite tem ideia do que é a intensidade do viver.