sexta-feira, janeiro 13, 2012
Pontos persas no campo de batalha invisível - GILLES LAPOUGE
O Estado de S.Paulo - 13/01/12
Os 27 países do bloco europeu vão decretar um embargo ao petróleo iraniano. A França lidera esse esforço. E gostaria que as empresas petrolíferas europeias parassem rapidamente de se abastecer do óleo bruto iraniano. Grã-Bretanha, Alemanha e mesmo os países escandinavos aderiram à estratégia que Paris qualifica de "a arma absoluta" contra a ameaça nuclear iraniana - ainda que o petróleo do Irã represente somente 5,8% do consumo europeu total do produto.
Essas medidas mais duras contra o Irã têm vários motivos: em primeiro lugar as manobras navais realizadas pelo Irã no Estreito de Ormuz, por onde transita um terço do petróleo mundial. Em seguida, no dia 8, Teerã anunciou que sua usina de enriquecimento de urânio instalada num bunker em Fordo estará operando em breve. Ora, essa usina tem sua originalidade: está oculta numa montanha a uma grande profundidade. O que deixa Estados Unidos e Israel inquietos: uma usina num local como esse com certeza resistirá às bombas mais potentes. Ninguém duvida, também, que aviões que tentarem bombardear a usina serão derrubados, pois a área é protegida por uma defesa antiaérea terrivelmente sofisticada.
Mas o Irã dispõe de outras armas na guerra fria que trava com o Ocidente, armas diferentes, indistintas, imperceptíveis: a espionagem, a guerra secreta, os serviços de informação. Nessa batalha invisível, os iranianos acabam de marcar vários pontos contra os EUA.
Anunciaram no início da semana que um cidadão de nacionalidade americana e iraniana, Amir Mirzai Hekmati, suspeito de trabalhar para a CIA, foi condenado à morte pela "Justiça revolucionária" do Estado islâmico. Um novo desafio para os EUA e sobretudo para o secretário de Defesa americano, Leon Panetta, que ameaçou Teerã de represálias caso o Estreito de Ormuz seja fechado.
Quem é este Hekmati? Um americano de origem iraniana, nascido no Arizona há 28 anos, ex-fuzileiro naval dos Estados Unidos. De acordo com o jornal Asia Times (de Hong-Kong e geralmente bem informado), Hekmati teria sido infiltrado pela CIA no serviço secreto iraniano.
Chegou ao Irã no fim do verão e manteve contatos com um ministério iraniano. Ele teria proposto passar informações que os iranianos julgaram capitais, mas, ao mesmo tempo, perceberam que ele era um agente dos Estados Unidos. De acordo com o mesmo jornal, a captura era considerada em Teerã uma prova de que o Irã é capaz de frustrar a poderosa rede de espionagem americana.
Outro sucesso dos iranianos nessa guerra de informações secretas: em 4 de dezembro, capturaram um drone americano RQ-170 Sentinel, ultrassecreto. Um triunfo, ainda mais que eles conseguiram assumir o controle do aparelho, forçando-o a pousar. E, de fato, um vídeo gravado em Teerã mostrou o drone sem um arranhão. A CIA denunciou o golpe. Barack Obama exigiu que o aparelho fosse restituído, o que para alguns foi uma atitude desastrada, pois confirmou que o orgulho americano tinha recebido um golpe violento. E é claro que os iranianos rejeitaram de imediato a exigência americana. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO
Ajuda também em casa - MARINA SILVA
FOLHA DE SP - 13/01/12
Há dois anos, um fortíssimo terremoto atingia o Haiti, o país mais pobre das Américas, lançando seus mais de 9 milhões de habitantes, cuja maioria já vivia em condição de miséria, em uma catástrofe gigantesca. A capital, Porto Príncipe, foi completamente destruída. Foram cerca de 200 mil mortos em razão do tremor de terra. E o número de desabrigados subiu à casa de milhões.
No calor dos terríveis acontecimentos, a comunidade internacional se mobilizou para ajudar. O mundo se compadeceu do país caribenho, enquanto a ONU contabilizava os enormes prejuízos e classificava a tragédia como uma das maiores da história, prevendo uma difícil recuperação.
O Brasil, que está presente no país desde 2004 com um grande contingente militar para participar das forças de paz da ONU, viu-se definitivamente ligado ao Haiti.
O terremoto provocou a morte da médica e missionária católica Zilda Arns, a grande responsável pelo trabalho bem-sucedido da Pastoral da Criança. Ela se encontrava no país para levar a experiência brasileira no combate à mortalidade infantil. E as tropas brasileiras, que também sofreram baixas, logo se manifestaram para socorrer os haitianos. O governo brasileiro anunciou a doação de milhões de dólares.
Naqueles dias, o economista Irineu Evangelista Carvalho Filho, ph.D. pelo MIT, escreveu sugerindo que, diante de tal crise humanitária, o governo brasileiro acolhesse ao menos 100 mil haitianos. Observou que seria uma gota no oceano da nossa população. Propôs um grande programa de acolhimento, que daria exemplo ao mundo.
O Brasil é um país que se formou recebendo imigrantes que vieram fugindo da pobreza de guerras, em busca de uma vida melhor. Foi assim que se constituiu como uma nação culturalmente diversificada, uma das maiores riquezas de nosso tecido econômico e social. Para confirmar sua vocação, precisa, como no passado, abrir as suas portas.
Os imigrantes haitianos, aliás, se enquadram em um tipo de refugiado que tende a se tornar cada vez mais comum: o que foge de catástrofes da natureza. Eles, de um grande terremoto que potencializou a miséria. E muitos outros, de enchentes e secas, em meio às mudanças climáticas, que também têm nos atingido e transformado milhares de brasileiros em refugiados dentro do próprio país.
Vemos, agora, que o governo abriu uma pequena fresta: os cerca de 4.000 haitianos que entraram no Brasil por vias ilegais, em rotas cheias de perigos, poderão ficar. Mas por que não acolhemos mais?
Quem se propõe a ajudar, como o Brasil fez lá, há que se dispor e se preparar para ajudar também em casa. Nesse novo papel de potência emergente, deve inaugurar um novo tipo de liderança, fraterna e solidária, que o mundo tanto precisa.
No calor dos terríveis acontecimentos, a comunidade internacional se mobilizou para ajudar. O mundo se compadeceu do país caribenho, enquanto a ONU contabilizava os enormes prejuízos e classificava a tragédia como uma das maiores da história, prevendo uma difícil recuperação.
O Brasil, que está presente no país desde 2004 com um grande contingente militar para participar das forças de paz da ONU, viu-se definitivamente ligado ao Haiti.
O terremoto provocou a morte da médica e missionária católica Zilda Arns, a grande responsável pelo trabalho bem-sucedido da Pastoral da Criança. Ela se encontrava no país para levar a experiência brasileira no combate à mortalidade infantil. E as tropas brasileiras, que também sofreram baixas, logo se manifestaram para socorrer os haitianos. O governo brasileiro anunciou a doação de milhões de dólares.
Naqueles dias, o economista Irineu Evangelista Carvalho Filho, ph.D. pelo MIT, escreveu sugerindo que, diante de tal crise humanitária, o governo brasileiro acolhesse ao menos 100 mil haitianos. Observou que seria uma gota no oceano da nossa população. Propôs um grande programa de acolhimento, que daria exemplo ao mundo.
O Brasil é um país que se formou recebendo imigrantes que vieram fugindo da pobreza de guerras, em busca de uma vida melhor. Foi assim que se constituiu como uma nação culturalmente diversificada, uma das maiores riquezas de nosso tecido econômico e social. Para confirmar sua vocação, precisa, como no passado, abrir as suas portas.
Os imigrantes haitianos, aliás, se enquadram em um tipo de refugiado que tende a se tornar cada vez mais comum: o que foge de catástrofes da natureza. Eles, de um grande terremoto que potencializou a miséria. E muitos outros, de enchentes e secas, em meio às mudanças climáticas, que também têm nos atingido e transformado milhares de brasileiros em refugiados dentro do próprio país.
Vemos, agora, que o governo abriu uma pequena fresta: os cerca de 4.000 haitianos que entraram no Brasil por vias ilegais, em rotas cheias de perigos, poderão ficar. Mas por que não acolhemos mais?
Quem se propõe a ajudar, como o Brasil fez lá, há que se dispor e se preparar para ajudar também em casa. Nesse novo papel de potência emergente, deve inaugurar um novo tipo de liderança, fraterna e solidária, que o mundo tanto precisa.
A guerra fria entre EUA e Irã esquentou - RASHEED ABOU-ALSAMH
O GLOBO - 13/01/12
O anúncio pelo Irã no início deste mês que poderia fechar o Estreito de Ormuz foi uma reação agressiva à nova lei americana assinada pelo presidente Barack Obama no último dia de dezembro, que diz que os EUA poderão impor sanções econômicas a qualquer país do mundo que tenha transações financeiras com o banco central iraniano.
Logo depois a União Europeia anunciou que ia impor sanções contra importações de petróleo iraniano para o continente. As duas ações foram vistas em Teerã como uma declaração de guerra econômica contra a república islâmica do Irã. Um pouco antes do Natal, os Estados Unidos anunciaram a venda de um pacote de aviões de caça F-16 para a Arábia Saudita e outros armamentos num valor fantástico de US$23.480 bilhões, parte de um contrato ainda maior, de US$46.960 bilhões, em armamentos para o reino.
Nada disso foi por acaso. Uma guerra fria permanente de contenção entre os EUA e o Irã tem ocorrido no Golfo Pérsico e no Grande Oriente Médio, com os países árabes do Golfo sempre na linha da frente dessa batalha.
O conflito entre o Ocidente, os reinados sunitas árabes do Golfo e o Irã já dura na verdade 33 anos, ou desde que a revolução islâmica do aiatolá Khomeini derrubou a ditadura pró-americana doXá Reza Pahlavi em 1979. Desde o começo do governo dos aiatolás, o Irã tem pregado a exportação de sua revolução islâmica e xiita para outras partes do Oriente Médio. Isso levou peregrinos iranianos a realizar manifestações anuais antiamericanas e anti-israelitas durante o Haj em Meca, na Arábia Saudita, começando em 1981.
Elas culminaram em um confronto mortal com forças de segurança sauditas em 1987, que deixou 400 peregrinos mortos e milhares feridos. Depois dessa tragédia, a Arábia Saudita rompeu relações diplomáticas com o Irã por vários anos, e as relações ficaram balançadas desde então.
Essa predileção iraniana de sempre querer ajudar seus correligionários e os mais fracos no Oriente Médio tem levado o Irã a dar apoio econômico, diplomático e moral ao movimento xiita do Hezbollah no Líbano, e até mesmo ao movimento sunita Hamas, na Faixa de Gaza. Mas isso tem levado a um choque frontal com os interesses americanos e sauditas na região.
O programa nuclear dos iranianos, que foi inaugurado nos anos 1950 pelo Xá com ajuda americana, e retomado nos anos 1980 pelos aiatolás, que receberam ajuda técnica até dos argentinos, é o pivô do mais recente confronto entre o Irã e o Ocidente. EUA, França, Grã-Bretanha e Alemanha acusam o Irã de estar desenvolvendo energia nuclear para fazer bombas atômicas, acusação que Teerã nega veementemente.
A realidade é que o Irã precisa de energia nuclear para produzir eletricidade para atender às necessidades dos seus quase 74 milhões de cidadãos. Até os Emirados Árabes e a Arábia Saudita anunciaram no ano passado o início de programas civis de energia nuclear bilionários com o apoio dos EUA e de empresas francesas e sul-coreanas. Todos esses países estão embarcando na onda de energia nuclear para liberar reservas petrolíferas - hoje usadas para gerar energia elétrica para seus povos a preços subsidiados - para a exportação.
Apesar de o Irã ser signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear, e de o ministro da Defesa americano, Leon Panetta, admitir, em entrevista à rede CBS de televisão este mês, que os iranianos não estão tentando desenvolver uma arma nuclear, mas sim uma capacidade nuclear, os que batem os tambores de guerra, infelizmente, parecem ter a vantagem por enquanto em Washington.
É irônico que um presidente democrata, como Obama, tem sido muito mais belicoso com os iranianos do que foi o presidente republicano George W. Bush. Mas o problema aqui é que os EUA estão enviando sinais mistos e não muito sinceros de querer dialogar com o regime de Mahmoud Ahmadinejad, e ao mesmo tempo ameaçando o Irã com um possível ataque a suas instalações nucleares se o país não parar de tentar, alegadamente, desenvolver uma arma nuclear.
Observadores já disseram que não acham que o Irã irá bloquear o Estreito de Ormuz porque o maior prejudicado seria ele mesmo, bem como os maiores compradores do seu petróleo - a saber, Índia e China. Os Emirados Árabes já estão adiantados na construção de um oleoduto que ultrapassa o Estreito e que, quando pronto, em junho, irá levar o petróleo de Abu Dhabi diretamente para o Golfo do Omã. A Arábia Saudita tem uma rede de oleodutos já prontos que poderia levar o petróleo bruto da província oriental para portos ocidentais na sua costa do Mar Vermelho.
O Ocidente, juntamente com Israel, que se sente ameaçado pelo Irã desde quando Ahmadinejad declarou alguns anos atrás que queria empurrar o Estado judeu para o mar, estão numa guerra subversiva contra o programa nuclear iraniano, com uma série de assassinatos de cientistas nucleares iranianos, o mais recente esta quarta-feira, e a introdução de vírus para sabotar computadores iranianos.
Todos sabem quão desastroso para o mundo inteiro seria uma guerra entre o Irã e o Ocidente, mas mesmo assim há muitos no governo americano que querem apostar em apertar as sanções ao Irã tão fortemente que provocariam uma mudança de regime em Teerã. Mas o Irã já sobreviveu a mais de 30 anos de sanções econômicas e uma guerra sangrenta de oito anos com o Iraque. O povo iraniano vê seu programa nuclear com olhos nacionalistas, e por isso qualquer ataque ao Irã fortaleceria o apoio popular ao regime.
O que o mundo precisa urgentemente é da intervenção de potências regionais, como o Brasil e a Turquia, para poder desarmar a tensão entre o Ocidente e o Irã, que, se ignorada, possivelmente irá nos levar a uma guerra desastrosa e totalmente evitável.
RASHEED ABOU-ALSAMH é jornalista, colaborador do "Al-Ahram Weekly" (Egito) e do site Tehran Bureau (EUA), foi colunista e editor do "Arab News" (Arábia Saudita) e do "The National" (Emirados Árabes).
Minha bola de cristal para 2012 - LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS
FOLHA DE SP - 13/01/12
Acredito que estejamos vivendo uma dolorosa fase de cura dos desequilíbrios do passado
Nesta primeira coluna de 2012, não posso deixar de fazer minhas previsões para o ano que se inicia. Essa responsabilidade, que já é pesada e difícil em tempos normais, fica ainda mais delicada em momentos de grandes incertezas como o que vamos viver em 2012.
Depois de quatro anos de crise, antigas referências de análise econômica estão desgastadas e sem credibilidade.
Por isso, nós, economistas, navegamos em momentos quase revolucionários, quando a ruptura de valores, já estabelecidos e aceitos como válidos pelos mercados, deixa um grande vazio analítico.
Dou um exemplo desse fenômeno: os dados de dez recessões que ocorreram nas economias desenvolvidas nas últimas décadas apontam para um período médio de dois anos entre o pico e o vale dos ciclos de ajuste. Na crise que se iniciou em fins de 2007, a queda do PIB dos Estados Unidos chegou a quatro anos e serão necessários mais dois para que a economia entre em velocidade de cruzeiro novamente.
Os analistas e os economistas estão sendo obrigados a entrar no metabolismo das economias de mercado para tentar entender o que está acontecendo nesse mundo novo e, com isso, terem condições de fazer algumas previsões.
Sem as regras de bolo que o pensamento neoclássico dava a seus seguidores e sem o treinamento necessário para entender a dinâmica microeconômica dos mercados, vivem momentos de grande insegurança.
Alguns, principalmente os vinculados à maioria dos "hedge funds", jogaram a toalha e mergulharam em um niilismo muito engraçado.
Por outro lado, os economistas vinculados ao pensamento mais heterodoxo vivem momentos de euforia por entenderem que a crise atual resgata o papel dominante do Estado na economia de um país e mostra os perigos do chamado neoliberalismo anglo-saxão. A súbita paixão de alguns deles pela política econômica da Argentina peronista mostra, para mim, que entenderam muito pouco da crise que vivemos e qual o papel do Estado nas economias de mercado no novo século.
Como sempre mantive uma posição equidistante desses dois extremos, tentando aplicar ao mundo de hoje os ensinamentos de Keynes, minha visão sobre o ano de 2012 é menos pessimista. Acredito em uma recuperação lenta e gradual das economias mais importantes, principalmente em razão das políticas adotadas em vários países.
Esse prognóstico vale inclusive para a Europa. Com isso, não trabalho com uma depressão econômica e uma ruptura no sistema bancário dos países desenvolvidos. Em outras palavras, acredito que estejamos vivendo uma dolorosa fase de cura dos desequilíbrios do passado e que deve durar ainda alguns anos. Mas o capitalismo não vai entrar em colapso, como muitos pensam.
No caso do Brasil, mantenho a visão de que vamos continuar crescendo entre 3% e 3,3%, com uma taxa menor nos dois primeiros trimestres do ano e uma aceleração na sua segunda metade.
Graças à queda dos preços das commodities por conta da crise no exterior, vamos ter um alívio na inflação ao longo do ano, o que vai permitir ao BC reduzir os juros Selic para até 9,5% ao ano. Nessa questão, fico com o economista Fabio Ramos, da Quest, que trabalha com um IPCA de 5,2% para 2012.
A fonte principal do crescimento continuará a vir do consumo interno, sustentado pelo aumento dos salários, do emprego e do crédito ao consumo. Nesse cenário, o Brasil vai continuar a receber volumes expressivos de investimentos internacionais e, com isso, conseguir complementar nossa escassa poupança interna e permitir manter um nível decente de investimentos.
Finalmente trabalho com a hipótese de um pouso suave da economia chinesa, com a reaceleração de seu crescimento na parte final do ano. Nesse cenário, os termos de troca do Brasil voltarão ao nível que tem prevalecido nos últimos tempos, mantendo a força de nossas exportações e garantindo a manutenção de um deficit em conta-corrente abaixo dos 3% do PIB.
Essa visão sobre a China é um ponto importante para meu cenário de crescimento no Brasil e espero estar certo em relação a ele.
Acredito que estejamos vivendo uma dolorosa fase de cura dos desequilíbrios do passado
Nesta primeira coluna de 2012, não posso deixar de fazer minhas previsões para o ano que se inicia. Essa responsabilidade, que já é pesada e difícil em tempos normais, fica ainda mais delicada em momentos de grandes incertezas como o que vamos viver em 2012.
Depois de quatro anos de crise, antigas referências de análise econômica estão desgastadas e sem credibilidade.
Por isso, nós, economistas, navegamos em momentos quase revolucionários, quando a ruptura de valores, já estabelecidos e aceitos como válidos pelos mercados, deixa um grande vazio analítico.
Dou um exemplo desse fenômeno: os dados de dez recessões que ocorreram nas economias desenvolvidas nas últimas décadas apontam para um período médio de dois anos entre o pico e o vale dos ciclos de ajuste. Na crise que se iniciou em fins de 2007, a queda do PIB dos Estados Unidos chegou a quatro anos e serão necessários mais dois para que a economia entre em velocidade de cruzeiro novamente.
Os analistas e os economistas estão sendo obrigados a entrar no metabolismo das economias de mercado para tentar entender o que está acontecendo nesse mundo novo e, com isso, terem condições de fazer algumas previsões.
Sem as regras de bolo que o pensamento neoclássico dava a seus seguidores e sem o treinamento necessário para entender a dinâmica microeconômica dos mercados, vivem momentos de grande insegurança.
Alguns, principalmente os vinculados à maioria dos "hedge funds", jogaram a toalha e mergulharam em um niilismo muito engraçado.
Por outro lado, os economistas vinculados ao pensamento mais heterodoxo vivem momentos de euforia por entenderem que a crise atual resgata o papel dominante do Estado na economia de um país e mostra os perigos do chamado neoliberalismo anglo-saxão. A súbita paixão de alguns deles pela política econômica da Argentina peronista mostra, para mim, que entenderam muito pouco da crise que vivemos e qual o papel do Estado nas economias de mercado no novo século.
Como sempre mantive uma posição equidistante desses dois extremos, tentando aplicar ao mundo de hoje os ensinamentos de Keynes, minha visão sobre o ano de 2012 é menos pessimista. Acredito em uma recuperação lenta e gradual das economias mais importantes, principalmente em razão das políticas adotadas em vários países.
Esse prognóstico vale inclusive para a Europa. Com isso, não trabalho com uma depressão econômica e uma ruptura no sistema bancário dos países desenvolvidos. Em outras palavras, acredito que estejamos vivendo uma dolorosa fase de cura dos desequilíbrios do passado e que deve durar ainda alguns anos. Mas o capitalismo não vai entrar em colapso, como muitos pensam.
No caso do Brasil, mantenho a visão de que vamos continuar crescendo entre 3% e 3,3%, com uma taxa menor nos dois primeiros trimestres do ano e uma aceleração na sua segunda metade.
Graças à queda dos preços das commodities por conta da crise no exterior, vamos ter um alívio na inflação ao longo do ano, o que vai permitir ao BC reduzir os juros Selic para até 9,5% ao ano. Nessa questão, fico com o economista Fabio Ramos, da Quest, que trabalha com um IPCA de 5,2% para 2012.
A fonte principal do crescimento continuará a vir do consumo interno, sustentado pelo aumento dos salários, do emprego e do crédito ao consumo. Nesse cenário, o Brasil vai continuar a receber volumes expressivos de investimentos internacionais e, com isso, conseguir complementar nossa escassa poupança interna e permitir manter um nível decente de investimentos.
Finalmente trabalho com a hipótese de um pouso suave da economia chinesa, com a reaceleração de seu crescimento na parte final do ano. Nesse cenário, os termos de troca do Brasil voltarão ao nível que tem prevalecido nos últimos tempos, mantendo a força de nossas exportações e garantindo a manutenção de um deficit em conta-corrente abaixo dos 3% do PIB.
Essa visão sobre a China é um ponto importante para meu cenário de crescimento no Brasil e espero estar certo em relação a ele.
A marretadas - ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 13/01/12
BRASÍLIA - Quando criada, em 1999, a CPI do Judiciário foi recebida sob grande expectativa. Depois de escancarados os esquemas do Legislativo e do Executivo e vencida a prova de fogo do impeachment de um presidente, chegava a hora de abrir a "última caixa-preta".
A CPI descobriu desvios milionários no Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, o senador Luiz Estêvão foi o primeiro cassado já no regime democrático e o juiz que se imortalizou como "Lalau" foi condenado e preso. Mas foi um caso pontual. A caixa-preta ficou praticamente intocada, acima do bem e do mal.
Está sendo aberta só agora e, ao contrário do que ocorre no Legislativo e no Executivo, não são a Polícia Federal, o Ministério Público e a imprensa que se destacam na missão. São os próprios magistrados que, movidos ou por princípios ou por corporativismo, estão fazendo o enorme favor à sociedade brasileira de se acusarem mutuamente -com inestimável ajuda de advogados e de entidades representativas.
E tudo, diga-se, graças ao Conselho Nacional de Justiça. Dizem que "Deus escreve por linhas tortas". Pois o CNJ está quebrando a caixa-preta do Judiciário também por vias indiretas. Bastou existir, começar a tentar botar ordem na bagunça e exigir um mínimo de transparência para que todos passassem a acusar todos e algumas verdades secretíssimas viessem à tona.
O Judiciário, assim, está sendo aberto a marretadas. A de ontem foi da valente ministra Eliana Calmon, do CNJ, que divulgou relatório do
Coaf (órgão de inteligência financeira da Fazenda) comprovando que, ora, ora, juízes, desembargadores e servidores do Judiciário movimentaram R$ 855 milhões de 2000 a 2010 em operações "atípicas" -não necessariamente ilegais, mas muito, muito, muito esquisitas.
Tudo isso é resultado da guerra mais do que saudável entre juízes. Digladiem-se, Meritíssimos! O país, a verdade e a moralidade agradecem.
Uma outra maneira de ver o PIB - CLAUDIA SAFATLE
VALOR ECONÔMICO - 13/01/12
Crescer 3,5% este ano pode significar crescer 4,6%. Ou seja, não é de todo impossível obter uma variação próxima a 5% para o PIB em 2012, conforme desejo do governo. Basta fazer uma leitura diferente, mas adequada, dos dados do IBGE.
Para isso é preciso olhar não a variação da média anual, que é contaminada pelo que ocorreu no ano anterior, mas o comportamento da atividade ao longo do ano (último trimestre comparado a igual período do ano anterior, com ajuste sazonal).
Em situações de normalidade, ambos os conceitos convergem. Em momentos de oscilações, verificar o desempenho "ao longo do ano" é mais revelador da temperatura da economia. É o que sugere o economista e ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes da consultoria Macrométrica.
Devagar, o BC deve testar os juros para baixo
Por essa ótica, o PIB em 2010 cresceu 5,3%, enquanto que pela média o aumento foi de 7,5%. No ano passado, sua estimativa é que o PIB tenha sido de 2% e de 2,9%, respectivamente. E, em 2012, sua projeção é que o crescimento seja de 3,6% na média e de 4,6% ao longo do ano.
"Como não poderia deixar de ser, a medida da variação percentual ao longo de quatro trimestres sobe muito mais rapidamente que a medida da variação percentual da média de quatro trimestres, já que a segunda é apenas uma média móvel ponderada da primeira", explica ele.
Francisco Lopes lembra que o crescimento trimestral do PIB com ajuste sazonal ficou aquém de 1% já a partir do terceiro trimestre de 2010 e caiu para zero no terceiro trimestre de 2011. Ao contrário dos argumentos usuais para essa acentuada redução ainda em 2010, focados nas consequência das medidas de contenção monetária, o economista avalia que essa é apenas uma parte da explicação e não necessariamente a mais relevante. "A outra parte, a nosso ver possivelmente mais importante, tem a ver com a própria dinâmica interna da macroeconomia."
Nesse ponto, ele faz uma avaliação crítica dos complexos modelos matemáticos usados pelos economistas, atualmente, mas que adotam a "hipótese simplista" de que o processo tem uma dinâmica "não oscilatória": o que acontece a cada momento é determinado pelo que ocorreu no passado recente.
"Não se estuda mais os velhos modelos keynesianos do ciclo dos negócios, com a interação entre multiplicador e acelerador, com o movimento dos estoques a la Metzler, ou com os gatilhos e mudanças de regime de um modelo não linear como o trade cycle de Hicks", descreve ele num trabalho sobre crescimento em 2012.
A partir desses modelos, é possível concluir que períodos de forte expansão da produção tendem a ser seguidos por outros, de retração, já que as empresas costumam exagerar na produção e acumulam altos estoques nas fases de otimismo. Foi o que ocorreu, segundo ele, entre 2004 e 2005. A forte expansão de 2003/04 foi acompanhada por planos de produção excessivamente otimistas e forte acumulação de estoques, levando 2005/06 a uma desaceleração compensatória.
Ele sustenta que a participação do aumento de 400 pontos-base da taxa Selic entre 2004 e 2005 teve pouca consequência no esfriamento da economia, dadas as defasagens da política monetária. O PIB já havia desacelerado no terceiro trimestre de 2005, quando o impacto dos juros começaria a ser sentido.
Dada a precariedade das estatísticas sobre estoques no país, essa é uma constatação empírica que pode ser transplantada para os anos mais recentes: após a queda da produção e redução de estoques de 2008, no auge da crise global, o ano de 2009 e o início de 2010 foram caracterizados por um forte crescimento da atividade econômica e intensa reposição de estoques. Para Francisco Lopes, ambos os movimentos foram exagerados, levando a um ajuste à realidade a partir do quarto trimestre de 2010.
O gráfico abaixo é um indicativo de que o faturamento real foi maior que o crescimento da produção por causa da venda dos estoques acumulados anteriormente, argumenta. Para o economista, tanto suas projeções quanto as expectativas do mercado sugerem que o processo de ajuste do planejamento da produção se completou em 2011 e que, portanto, a atividade voltará ao seu padrão normal este ano: crescimento de 4% a 4,5% para o PIB e de 5% a 5,5% para a indústria.
A partir dessas análises, Francisco Lopes alerta que seria um erro o governo acionar novos instrumentos de política fiscal e de crédito para reanimar a economia este ano, pois ela não está estagnada. Medidas nesse sentido viriam superaquecer a atividade e prejudicar o controle da inflação, inviabilizando o trabalho do Banco Central de redução dos juros.
"O que o Banco Central está fazendo é muito bom, muito legal. Acho que ele pode ir [reduzindo a Selic], talvez mais devagar agora, mas tem que testar os juros para baixo", conclui.
Crescer 3,5% este ano pode significar crescer 4,6%. Ou seja, não é de todo impossível obter uma variação próxima a 5% para o PIB em 2012, conforme desejo do governo. Basta fazer uma leitura diferente, mas adequada, dos dados do IBGE.
Para isso é preciso olhar não a variação da média anual, que é contaminada pelo que ocorreu no ano anterior, mas o comportamento da atividade ao longo do ano (último trimestre comparado a igual período do ano anterior, com ajuste sazonal).
Em situações de normalidade, ambos os conceitos convergem. Em momentos de oscilações, verificar o desempenho "ao longo do ano" é mais revelador da temperatura da economia. É o que sugere o economista e ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes da consultoria Macrométrica.
Devagar, o BC deve testar os juros para baixo
Por essa ótica, o PIB em 2010 cresceu 5,3%, enquanto que pela média o aumento foi de 7,5%. No ano passado, sua estimativa é que o PIB tenha sido de 2% e de 2,9%, respectivamente. E, em 2012, sua projeção é que o crescimento seja de 3,6% na média e de 4,6% ao longo do ano.
"Como não poderia deixar de ser, a medida da variação percentual ao longo de quatro trimestres sobe muito mais rapidamente que a medida da variação percentual da média de quatro trimestres, já que a segunda é apenas uma média móvel ponderada da primeira", explica ele.
Francisco Lopes lembra que o crescimento trimestral do PIB com ajuste sazonal ficou aquém de 1% já a partir do terceiro trimestre de 2010 e caiu para zero no terceiro trimestre de 2011. Ao contrário dos argumentos usuais para essa acentuada redução ainda em 2010, focados nas consequência das medidas de contenção monetária, o economista avalia que essa é apenas uma parte da explicação e não necessariamente a mais relevante. "A outra parte, a nosso ver possivelmente mais importante, tem a ver com a própria dinâmica interna da macroeconomia."
Nesse ponto, ele faz uma avaliação crítica dos complexos modelos matemáticos usados pelos economistas, atualmente, mas que adotam a "hipótese simplista" de que o processo tem uma dinâmica "não oscilatória": o que acontece a cada momento é determinado pelo que ocorreu no passado recente.
"Não se estuda mais os velhos modelos keynesianos do ciclo dos negócios, com a interação entre multiplicador e acelerador, com o movimento dos estoques a la Metzler, ou com os gatilhos e mudanças de regime de um modelo não linear como o trade cycle de Hicks", descreve ele num trabalho sobre crescimento em 2012.
A partir desses modelos, é possível concluir que períodos de forte expansão da produção tendem a ser seguidos por outros, de retração, já que as empresas costumam exagerar na produção e acumulam altos estoques nas fases de otimismo. Foi o que ocorreu, segundo ele, entre 2004 e 2005. A forte expansão de 2003/04 foi acompanhada por planos de produção excessivamente otimistas e forte acumulação de estoques, levando 2005/06 a uma desaceleração compensatória.
Ele sustenta que a participação do aumento de 400 pontos-base da taxa Selic entre 2004 e 2005 teve pouca consequência no esfriamento da economia, dadas as defasagens da política monetária. O PIB já havia desacelerado no terceiro trimestre de 2005, quando o impacto dos juros começaria a ser sentido.
Dada a precariedade das estatísticas sobre estoques no país, essa é uma constatação empírica que pode ser transplantada para os anos mais recentes: após a queda da produção e redução de estoques de 2008, no auge da crise global, o ano de 2009 e o início de 2010 foram caracterizados por um forte crescimento da atividade econômica e intensa reposição de estoques. Para Francisco Lopes, ambos os movimentos foram exagerados, levando a um ajuste à realidade a partir do quarto trimestre de 2010.
O gráfico abaixo é um indicativo de que o faturamento real foi maior que o crescimento da produção por causa da venda dos estoques acumulados anteriormente, argumenta. Para o economista, tanto suas projeções quanto as expectativas do mercado sugerem que o processo de ajuste do planejamento da produção se completou em 2011 e que, portanto, a atividade voltará ao seu padrão normal este ano: crescimento de 4% a 4,5% para o PIB e de 5% a 5,5% para a indústria.
A partir dessas análises, Francisco Lopes alerta que seria um erro o governo acionar novos instrumentos de política fiscal e de crédito para reanimar a economia este ano, pois ela não está estagnada. Medidas nesse sentido viriam superaquecer a atividade e prejudicar o controle da inflação, inviabilizando o trabalho do Banco Central de redução dos juros.
"O que o Banco Central está fazendo é muito bom, muito legal. Acho que ele pode ir [reduzindo a Selic], talvez mais devagar agora, mas tem que testar os juros para baixo", conclui.
Postura ambígua - CELSO MING
O Estado de S.Paulo - 13/01/12
O governo federal e os dirigentes da indústria mantêm uma postura ambígua em relação ao comércio exterior do Brasil.
De um lado, não conseguem deixar de festejar os bons resultados; de outro, a todo momento procuram indícios de que a economia esteja sendo depredada pelo jogo desleal dos concorrentes, de modo a justificar o novo jogo protecionista.
Em 2011, a balança comercial teve comportamento altamente positivo e, nisso, contrariou as expectativas pessimistas que prevaleceram desde o início do ano.
As exportações cresceram 26,8% - resultado extraordinário para um ano de grave crise econômica mundial, que derrubou os mercados.
Também não tem cabimento afirmar que a China é fator de hemorragia de dólares no comércio com o Brasil. Em 2001, as compras da China correspondiam a 3,3% das exportações do País. Dez anos depois, passaram a ser 17,3%. E o saldo do intercâmbio comercial com a China é amplamente superavitário para o Brasil: atingiu US$ 11,5 bilhões no ano passado.
E é também muito difícil defender a posição de que, apesar do fortalecimento do real, a indústria esteja perdendo mercado externo. O avanço das exportações de produtos industrializados em 2011 foi de 19,1% (veja tabela).
Mesmo assim, o governo Dilma vem exumando medidas protecionistas. Passou a exigir conteúdo local para cerca de 60% do valor dos veículos aqui produzidos - conceito sobre o qual não há consenso mínimo. Para as montadoras, até mesmo despesas com marketing, publicidade e remuneração do capital são consideradas fator de conteúdo local.
Em meados de dezembro, o ministro Guido Mantega anunciou mudança do regime alfandegário para produtos têxteis, com o objetivo de expandir a fatia de reserva de mercado interno para o setor. E, no entanto, o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, em depoimento escrito a esta Coluna, reconheceu que os preços dos importados correspondem à média mundial. Fica assim difícil sustentar que o segmento têxtil seja vítima sistemática de práticas desleais de comércio.
Políticas protecionistas de comércio exterior criam distorções, não proporcionam maior competitividade à indústria brasileira no exterior. Nenhuma dessas decisões será capaz de impulsionar o comércio exterior de qualquer área da indústria nacional.
No entanto, é preciso advertir que a fome de alimentos, de matérias-primas e de energia, manifestada pelas potências emergentes da Ásia, tende a elevar a participação dos produtos básicos na pauta de exportações - que, em 2011, foi de 47,8%. Essa grande fonte de receita de moeda estrangeira traz, sim, o risco da valorização cambial excessiva. Se esses recursos não forem rapidamente canalizados para investimentos em infraestrutura e em incorporação de tecnologia e se o governo não derrubar o custo Brasil, o setor industrial brasileiro ficará exposto a sério esvaziamento.
Tédio e soluços de crescimento - VINICIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SP - 13/01/12
Quando o Brasil cresce a mais de 5%, tem de parar para respirar. "Modelo" parece estar se esgotando
OUTUBRO PARECE ter sido mesmo o fundo do poço da atividade econômica no Brasil. A economia estagnou no terceiro trimestre, cresceu entre 0,2% e 0,4% no quarto e não deve ir muito mais longe do que isso no início deste 2012.
Assim, não devemos ter crescido mais que 2,8% em 2011 (menos que a Alemanha); talvez não mais que 3,5% em 2012. E daí?
Considere-se o número matematicamente chutado para o crescimento do PIB em 2012: 3,5%. Parece que o Brasil tem crescido muito desde 2004 (média de 4,3% ao ano). Mas frequentemente voltamos a cair para os tais 3,5%. Temos picos de alta; quando chegamos ao ritmo de quase 6%, temos de parar para respirar (a inflação sobe).
Sim, é melhor que a média 1990-2003 (1,9%), é um crescimento mais regular, com melhora na distribuição do rendimento do trabalho. Daí o grande alívio e o contentamento quase geral da nação.
O país cresceu 5,7% em 2004, depois de três anos medíocres (média de 1,7%). Mas no biênio seguinte, de alta de juros e real forte, o crescimento ficou em 3,6%, na média.
Houve então os anos acelerados de 2007 e 2008 (média de 5,6% ao ano), com o vento a favor do moribundo ciclo de crescimento demasiado no resto do mundo, com supervalorização de commodities (que exportamos em massa) e com a novidade do "fim da dívida externa" (tivemos superavit nas contas externas e acumulamos reservas).
2009 foi abaixo de zero. Por causa da crise lá fora? Decerto. Mas o Banco Central iniciara em 2008 uma campanha de alta de juros que apenas não foi mais adiante devido à ameaça de recessão aguda.
Provavelmente, sem crise lá fora mas com juros subindo para conter a inflação, voltaríamos ao ritmo de algo entre 3,5% e 4%, como no biênio 2005-2006. Mesmo com os extraordinários 7,5% de 2010, a média do biênio 2009-2010 ficou em 3,6%.
Parece uma cabala aritmética? Talvez não. Alguma coisa acontece na economia brasileira quando o crescimento passa dos 5%. Não se trata de destino. Mas a inflação sobe. Neste 2012, além de inflação ainda alta (em torno de 5%), teremos alta do deficit em conta-corrente (compramos no exterior nosso excesso de consumo).
Um tanto mais preocupante é que, dizem economistas, podem estar se desvanecendo os efeitos dos ganhos de produtividade decorrentes de mudanças ocorridas entre 1994 e 2005.
Desde então, não foram destravados empecilhos regulatórios sérios ao funcionamento do mercado. Afora o pré-sal, ainda uma incógnita ou em preparação, não surgiu um novo setor (de preferência tecnologicamente mais avançado) para puxar o investimento. A taxa de investimento sobe devagar, sem grandes novidades produtivas, seguindo o crescimento do mercado interno e o preço das commodities.
Mas está difícil dar gás adicional à alta do consumo: há limite para alta de benefícios sociais e do salário mínimo, o mercado de trabalho está apertado e a inflação (afora o câmbio) torna os produtos brasileiros menos competitivos. Precisamos de mudanças mais profundas.
O joguinho de um ponto de juros para cá, de um pouco mais ou menos de gasto público acolá não vai resolver o nosso problema. É um debate meio morto. Afora o tédio.
Quando o Brasil cresce a mais de 5%, tem de parar para respirar. "Modelo" parece estar se esgotando
OUTUBRO PARECE ter sido mesmo o fundo do poço da atividade econômica no Brasil. A economia estagnou no terceiro trimestre, cresceu entre 0,2% e 0,4% no quarto e não deve ir muito mais longe do que isso no início deste 2012.
Assim, não devemos ter crescido mais que 2,8% em 2011 (menos que a Alemanha); talvez não mais que 3,5% em 2012. E daí?
Considere-se o número matematicamente chutado para o crescimento do PIB em 2012: 3,5%. Parece que o Brasil tem crescido muito desde 2004 (média de 4,3% ao ano). Mas frequentemente voltamos a cair para os tais 3,5%. Temos picos de alta; quando chegamos ao ritmo de quase 6%, temos de parar para respirar (a inflação sobe).
Sim, é melhor que a média 1990-2003 (1,9%), é um crescimento mais regular, com melhora na distribuição do rendimento do trabalho. Daí o grande alívio e o contentamento quase geral da nação.
O país cresceu 5,7% em 2004, depois de três anos medíocres (média de 1,7%). Mas no biênio seguinte, de alta de juros e real forte, o crescimento ficou em 3,6%, na média.
Houve então os anos acelerados de 2007 e 2008 (média de 5,6% ao ano), com o vento a favor do moribundo ciclo de crescimento demasiado no resto do mundo, com supervalorização de commodities (que exportamos em massa) e com a novidade do "fim da dívida externa" (tivemos superavit nas contas externas e acumulamos reservas).
2009 foi abaixo de zero. Por causa da crise lá fora? Decerto. Mas o Banco Central iniciara em 2008 uma campanha de alta de juros que apenas não foi mais adiante devido à ameaça de recessão aguda.
Provavelmente, sem crise lá fora mas com juros subindo para conter a inflação, voltaríamos ao ritmo de algo entre 3,5% e 4%, como no biênio 2005-2006. Mesmo com os extraordinários 7,5% de 2010, a média do biênio 2009-2010 ficou em 3,6%.
Parece uma cabala aritmética? Talvez não. Alguma coisa acontece na economia brasileira quando o crescimento passa dos 5%. Não se trata de destino. Mas a inflação sobe. Neste 2012, além de inflação ainda alta (em torno de 5%), teremos alta do deficit em conta-corrente (compramos no exterior nosso excesso de consumo).
Um tanto mais preocupante é que, dizem economistas, podem estar se desvanecendo os efeitos dos ganhos de produtividade decorrentes de mudanças ocorridas entre 1994 e 2005.
Desde então, não foram destravados empecilhos regulatórios sérios ao funcionamento do mercado. Afora o pré-sal, ainda uma incógnita ou em preparação, não surgiu um novo setor (de preferência tecnologicamente mais avançado) para puxar o investimento. A taxa de investimento sobe devagar, sem grandes novidades produtivas, seguindo o crescimento do mercado interno e o preço das commodities.
Mas está difícil dar gás adicional à alta do consumo: há limite para alta de benefícios sociais e do salário mínimo, o mercado de trabalho está apertado e a inflação (afora o câmbio) torna os produtos brasileiros menos competitivos. Precisamos de mudanças mais profundas.
O joguinho de um ponto de juros para cá, de um pouco mais ou menos de gasto público acolá não vai resolver o nosso problema. É um debate meio morto. Afora o tédio.
O que será o Brasil em duas décadas? - MANSUETO ALMEIDA
VALOR ECONÔMICO - 13/01/12
O ano de 2012 inicia-se com projeção de crescimento menor e inflação maior vis-à-vis ao início de 2011. No entanto, essa queda parece ser apenas um desvio de curso em uma trajetória de crescimento que é cada vez mais consensual: a possibilidade de o Brasil crescer perto de 4% ao ano, o que significaria duplicar a nossa renda per capita em pouco mais de duas décadas para valor próximo à renda de Portugal hoje (US$ 24 mil), mas ainda muito inferior ao padrão de renda atual dos EUA (US$ 48 mil) e da União Europeia (US$ 35 mil).
Dobrar a renda per capita em pouco mais de duas décadas não é ruim. A Inglaterra levou 150 anos para dobrar a sua renda per capita depois da revolução industrial. Por outro lado, países com renda per capita muito superior à do Brasil, como é o caso da Coreia do Sul (US$ 31 mil), tem hoje a perspectiva de dobrar a sua renda já elevada em menos de uma década e meia (14 anos).
É claro que o crescimento da economia brasileira ao longo das próximas duas décadas não está dado. O crescimento poderá ser maior se o Brasil retomar a agenda de reformas necessária para elevar o crescimento, ou poderá ser menor se utilizarmos a conjuntura externa (ainda) favorável para aumentarmos apenas o consumo. Não se trata de diminuir o consumo presente, mas apenas dosar a sua taxa de crescimento para aumentar o investimento público e privado; uma estratégia que, na prática, está longe de ser consensual.
Tendência é de maior especialização em commodities e petróleo, principalmente, com valorização do real
Os fatores positivos que nos trazem conforto nas próximas duas décadas são: 1) os efeitos positivos das reformas econômicas de 1986 a 2005; 2) o boom de commodities que diminuiu a restrição externa ao crescimento, e 3) o descobrimento do pré-sal, com impactos positivos na taxa de investimento e na arrecadação de impostos (em relação ao PIB).
No entanto, esse cenário positivo contrasta com uma série de desafios ainda "em aberto". Um desses desafios é a educação. O Brasil, desde meados dos anos 90, vem aumentando o esforço de investimento em educação, mas a qualidade da educação básica ainda é ruim. Sabe-se hoje que a melhora na qualidade da educação depende de uma série de políticas (escola em horário integral, nova política de contratação e treinamento de professores, maior investimento na pré-escola, reforma e aumento da taxa de matrícula do ensino médio, etc.), mas não se sabe "ex ante" o que funcionará nem quais delas têm melhor relação custo-benefício.
O desafio do crescimento dos gastos com saúde não é menos importante. O Brasil não tem hoje recursos para cumprir com a letra da Constituição que estabelece, no seu Art. 196, que o acesso à saúde é universal e dever do Estado, e com cobertura integral (Art. 198). O que equilibra o SUS são as filas e os planos privados de saúde que cobrem 25% da população. Mesmo assim, estima-se que cerca de 30% da população brasileira não tenha acesso a serviços de saúde regularmente. A tendência é que esse quadro se agrave já que, ao longo dos próximos vinte anos, a população brasileira crescerá a uma taxa próxima a 0,9% ao ano, enquanto a população com mais de 60 anos crescerá a uma taxa de mais de 3,5% ao ano, aumentando a participação dos idosos no total da população de 10% (19,2 milhões de pessoas), em 2010, para 18,7% (40,4 milhões de pessoas), em 2030. Esse envelhecimento da população pressionará ainda mais os gastos do SUS, se não aumentarmos os gastos com prevenção nos próximos anos.
A mudança demográfica em curso no Brasil levará também ao crescimento dos gastos com previdência e menor expansão da força de trabalho. O Brasil gasta com previdência de cerca de 12% do PIB para uma razão de dependência (população com 65 anos ou mais dividida pela população em idade ativa de 15 a 64 anos) de 9,1%. Pela média mundial, nosso gasto atual com previdência seria equivalente a um país com taxa de dependência 25% a 30%. Com o envelhecimento da população, o gasto com previdência (em relação ao PIB) crescerá ainda mais e, por enquanto, não temos ideia de como lidar com esse problema.
Em relação à indústria, a tendência natural da economia brasileira é de maior especialização em commodities, principalmente na cadeia de petróleo, com valorização da moeda. Esse cenário levará à redução de participação de setores da indústria no PIB, principalmente os intensivos em mão de obra como calçados, vestuário, brinquedos e outros. Não está claro como o governo reagirá a esses movimentos estruturais, se com mais proteção ou com políticas que facilitem as mudanças estruturais. O desejável seria a redução da carga tributária da indústria, mas hoje falta espaço fiscal, o que tem levado a uma agenda negativa de maior proteção comercial.
O maior risco para o crescimento do Brasil nas próximas duas décadas é acharmos que poderemos nos acomodar com a riqueza do pré-sal e com o boom de commodities. A bonança dos recursos naturais deveria ser utilizada para avançar, ainda que de forma gradual, na agenda de reformas que será importante para definir o que será o Brasil em duas décadas, se um país de renda per capita próximo a US$ 20 mil e com forte especialização em commodities, ou outro de renda per capita mais próximo a US$ 30 mil e com uma indústria dinâmica, mas com menor participação no PIB.
O ano de 2012 inicia-se com projeção de crescimento menor e inflação maior vis-à-vis ao início de 2011. No entanto, essa queda parece ser apenas um desvio de curso em uma trajetória de crescimento que é cada vez mais consensual: a possibilidade de o Brasil crescer perto de 4% ao ano, o que significaria duplicar a nossa renda per capita em pouco mais de duas décadas para valor próximo à renda de Portugal hoje (US$ 24 mil), mas ainda muito inferior ao padrão de renda atual dos EUA (US$ 48 mil) e da União Europeia (US$ 35 mil).
Dobrar a renda per capita em pouco mais de duas décadas não é ruim. A Inglaterra levou 150 anos para dobrar a sua renda per capita depois da revolução industrial. Por outro lado, países com renda per capita muito superior à do Brasil, como é o caso da Coreia do Sul (US$ 31 mil), tem hoje a perspectiva de dobrar a sua renda já elevada em menos de uma década e meia (14 anos).
É claro que o crescimento da economia brasileira ao longo das próximas duas décadas não está dado. O crescimento poderá ser maior se o Brasil retomar a agenda de reformas necessária para elevar o crescimento, ou poderá ser menor se utilizarmos a conjuntura externa (ainda) favorável para aumentarmos apenas o consumo. Não se trata de diminuir o consumo presente, mas apenas dosar a sua taxa de crescimento para aumentar o investimento público e privado; uma estratégia que, na prática, está longe de ser consensual.
Tendência é de maior especialização em commodities e petróleo, principalmente, com valorização do real
Os fatores positivos que nos trazem conforto nas próximas duas décadas são: 1) os efeitos positivos das reformas econômicas de 1986 a 2005; 2) o boom de commodities que diminuiu a restrição externa ao crescimento, e 3) o descobrimento do pré-sal, com impactos positivos na taxa de investimento e na arrecadação de impostos (em relação ao PIB).
No entanto, esse cenário positivo contrasta com uma série de desafios ainda "em aberto". Um desses desafios é a educação. O Brasil, desde meados dos anos 90, vem aumentando o esforço de investimento em educação, mas a qualidade da educação básica ainda é ruim. Sabe-se hoje que a melhora na qualidade da educação depende de uma série de políticas (escola em horário integral, nova política de contratação e treinamento de professores, maior investimento na pré-escola, reforma e aumento da taxa de matrícula do ensino médio, etc.), mas não se sabe "ex ante" o que funcionará nem quais delas têm melhor relação custo-benefício.
O desafio do crescimento dos gastos com saúde não é menos importante. O Brasil não tem hoje recursos para cumprir com a letra da Constituição que estabelece, no seu Art. 196, que o acesso à saúde é universal e dever do Estado, e com cobertura integral (Art. 198). O que equilibra o SUS são as filas e os planos privados de saúde que cobrem 25% da população. Mesmo assim, estima-se que cerca de 30% da população brasileira não tenha acesso a serviços de saúde regularmente. A tendência é que esse quadro se agrave já que, ao longo dos próximos vinte anos, a população brasileira crescerá a uma taxa próxima a 0,9% ao ano, enquanto a população com mais de 60 anos crescerá a uma taxa de mais de 3,5% ao ano, aumentando a participação dos idosos no total da população de 10% (19,2 milhões de pessoas), em 2010, para 18,7% (40,4 milhões de pessoas), em 2030. Esse envelhecimento da população pressionará ainda mais os gastos do SUS, se não aumentarmos os gastos com prevenção nos próximos anos.
A mudança demográfica em curso no Brasil levará também ao crescimento dos gastos com previdência e menor expansão da força de trabalho. O Brasil gasta com previdência de cerca de 12% do PIB para uma razão de dependência (população com 65 anos ou mais dividida pela população em idade ativa de 15 a 64 anos) de 9,1%. Pela média mundial, nosso gasto atual com previdência seria equivalente a um país com taxa de dependência 25% a 30%. Com o envelhecimento da população, o gasto com previdência (em relação ao PIB) crescerá ainda mais e, por enquanto, não temos ideia de como lidar com esse problema.
Em relação à indústria, a tendência natural da economia brasileira é de maior especialização em commodities, principalmente na cadeia de petróleo, com valorização da moeda. Esse cenário levará à redução de participação de setores da indústria no PIB, principalmente os intensivos em mão de obra como calçados, vestuário, brinquedos e outros. Não está claro como o governo reagirá a esses movimentos estruturais, se com mais proteção ou com políticas que facilitem as mudanças estruturais. O desejável seria a redução da carga tributária da indústria, mas hoje falta espaço fiscal, o que tem levado a uma agenda negativa de maior proteção comercial.
O maior risco para o crescimento do Brasil nas próximas duas décadas é acharmos que poderemos nos acomodar com a riqueza do pré-sal e com o boom de commodities. A bonança dos recursos naturais deveria ser utilizada para avançar, ainda que de forma gradual, na agenda de reformas que será importante para definir o que será o Brasil em duas décadas, se um país de renda per capita próximo a US$ 20 mil e com forte especialização em commodities, ou outro de renda per capita mais próximo a US$ 30 mil e com uma indústria dinâmica, mas com menor participação no PIB.
Hora do divórcio - EDUARDO MALUF
O Estado de S.Paulo - 13/01/12
Dois assuntos têm se arrastado nas manchetes esportivas das últimas semanas, em parte por envolver personagens importantes, em parte porque vivemos a época pós-festas, em que as notícias costumam ficar escassas. Eles são: a tentativa do Corinthians em contratar Montillo e as negociações envolvendo Santos, Paulo Henrique Ganso e a empresa DIS. Fico com o segundo tema, e não farei rodeios para cravar minha opinião. A relação entre o clube e o meia não é mais feliz e, se possível, deve ser rompida.
Acredito na palavra de Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, que afirmou não ter, hoje, nenhuma proposta oficial pelo jogador. Uma pena para os dois lados. Ganso não parece tão motivado na Vila Belmiro e o Santos tem lucrado pouco atualmente com o meia de 22 anos. Uma transferência resultaria em dinheiro em caixa para os santistas, sem grande prejuízo técnico para o time, e novos ares para o atleta.
Escrevi, há alguns meses, que considerava Ganso bom jogador, mas não o craque que imaginávamos ser no primeiro semestre de 2010, quando se destacou na conquista do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil.
Um leitor me enviou e-mail rebatendo o que dizia: "O jogo crucial na Libertadores foi contra o Cerro Porteño, no Paraguai, ainda na primeira fase. Quem decidiu? Ganso. O grande jogo no Paulistão 2011 foi contra o São Paulo, no Morumbi, pela semifinal. Quem foi o melhor em campo? Ganso".
Tem toda a razão. Contra fatos não há argumentos. Ganso foi fundamental nos confrontos citados, e em outros. Acho apenas que seu aproveitamento é fraco pela fama que adquiriu. Não faz jus ao rótulo. Trata-se de um jogador de altos e baixos, não de um craque que vai bem em seis ou sete partidas e falha em uma ou duas. No ano em que mais brilhou, ainda não era tão badalado e sofria marcação bem mais amena do que hoje.
Mário Sérgio Pontes de Paiva, técnico e ex-jogador, fez recentemente comentário ousado sobre o santista: "Se o treinador adversário fizer uma marcação forte homem a homem, Ganso não pega na bola". O polêmico craque de São Paulo, Palmeiras e Flamengo, entre outros, talvez tenha exagerado, mas sua declaração, para mim, não beira o absurdo.
O meia é ótimo, inteligente e técnico. A lentidão e a pouca movimentação em campo, contudo, prejudicam demais seu futebol, já abalado por cirurgias no joelho. Sobretudo nos tempos modernos, em que o preparo físico faz cada vez mais diferença. Suas grandes jogadas se tornaram raras, a ponto de nos empolgarmos com lances comuns. Contra o Atlético-GO, numa das últimas rodadas do Brasileirão (empate por 1 a 1, no Pacaembu), marcou bonito gol. Como Borges, Dagoberto e Fred, por exemplo, fizeram tantas vezes na temporada. O tento, porém, acabou descrito por muitos como "genial".
Torço para estar errado, mas não vejo Ganso brilhando por bastante tempo no Santos nem vestindo a camisa 10 da seleção na Copa de 2014.
Pacto pela educação - MARCONI PERILLO
FOLHA DE SP - 13/01/12
Para melhorar a equidade no ensino, os professores mais qualificados devem ficar nas salas onde estão as crianças com mais dificuldades
A educação brasileira tem urgência. E nunca um momento foi tão favorável a mudanças como agora, quando os Estados aprofundam o debate sobre a complexidade de seus sistemas educacionais, reavaliando modelos e práticas.
O Brasil, país imenso e com tantos desafios a vencer, deve se apressar em dar às crianças e jovens inscritos no sistema público de ensino uma resposta à altura da educação que precisam.
Para mudar a perspectiva desses estudantes, dando a todos mais oportunidades de um futuro melhor, Goiás iniciou uma profunda reforma do ensino no estado: o "Pacto pela Educação".
As suas diretrizes foram baseadas em avaliações bimestrais e em experiências que tiveram êxito em países como Coreia do Sul, Cingapura e Chile e em Estados como Pernambuco, Ceará, São Paulo e Rio de Janeiro. Estamos convictos de que Goiás tem de investir maciçamente no setor.
As mudanças foram discutidas em todas as regiões do Estado. Participaram gestores, professores, alunos e pais. O "Pacto pela Educação" faz de todos, indistintamente, parceiros na busca por resultados.
As medidas visam prioritariamente corrigir as desigualdades detectadas no processo de ensino na rede pública. Melhorar o desempenho dos que estão com dificuldades é mais importante que aumentar a média de aprendizado.
No contexto da reforma, Goiás definiu um programa de suporte às escolas vulneráveis, onde estão os alunos em situações de maior fragilidade. Elas receberão atenção especial, na forma de recursos financeiros, consultorias pedagógicas e de gestão escolar.
O plano prevê bônus para que os professores mais qualificados fiquem nas salas onde estão as crianças com maiores dificuldades.
Esses bônus, a serem concedidos de acordo com o desempenho dos estudantes, serão de duas a três vezes maiores do que o atual (de R$ 2 mil), que é pago por assiduidade.
Damos atenção específica a esses estudantes não só porque esta iniciativa é comum às reformas educacionais que lograram êxito, mas porque um sistema só é completo quando melhora a sua qualidade e a sua equidade.
A redução da desigualdade educacional hoje significa a redução da desigualdade social amanhã.
O pacto busca a elevação da qualidade do ensino em todo o Estado de Goiás. Assim, as ações serão estendidas às 1.095 escolas dos 246 municípios goianos.
Entre elas, a disponibilização de material curricular e a articulação de uma rede de colaboração entre as unidades de ensino, além do reconhecimento e premiação por mérito a alunos, professores e escolas.
Os 29 mil professores, principais agentes das mudanças previstas no "Pacto pela Educação", terão a sua carreira fortalecida e o seu empenho valorizado, com reconhecimento e bonificações. Terão também oportunidades de aperfeiçoamento em diferentes áreas de atuação, seja docência, assessoramento pedagógico ou liderança.
É nessa direção que caminhamos. A educação é uma ferramenta de grande alcance para conquistas individuais e coletivas. Com ela, poderemos redesenhar o futuro de milhões de jovens brasileiros. Com ela, traçamos um novo horizonte para os estudantes do Estado de Goiás.
Para melhorar a equidade no ensino, os professores mais qualificados devem ficar nas salas onde estão as crianças com mais dificuldades
A educação brasileira tem urgência. E nunca um momento foi tão favorável a mudanças como agora, quando os Estados aprofundam o debate sobre a complexidade de seus sistemas educacionais, reavaliando modelos e práticas.
O Brasil, país imenso e com tantos desafios a vencer, deve se apressar em dar às crianças e jovens inscritos no sistema público de ensino uma resposta à altura da educação que precisam.
Para mudar a perspectiva desses estudantes, dando a todos mais oportunidades de um futuro melhor, Goiás iniciou uma profunda reforma do ensino no estado: o "Pacto pela Educação".
As suas diretrizes foram baseadas em avaliações bimestrais e em experiências que tiveram êxito em países como Coreia do Sul, Cingapura e Chile e em Estados como Pernambuco, Ceará, São Paulo e Rio de Janeiro. Estamos convictos de que Goiás tem de investir maciçamente no setor.
As mudanças foram discutidas em todas as regiões do Estado. Participaram gestores, professores, alunos e pais. O "Pacto pela Educação" faz de todos, indistintamente, parceiros na busca por resultados.
As medidas visam prioritariamente corrigir as desigualdades detectadas no processo de ensino na rede pública. Melhorar o desempenho dos que estão com dificuldades é mais importante que aumentar a média de aprendizado.
No contexto da reforma, Goiás definiu um programa de suporte às escolas vulneráveis, onde estão os alunos em situações de maior fragilidade. Elas receberão atenção especial, na forma de recursos financeiros, consultorias pedagógicas e de gestão escolar.
O plano prevê bônus para que os professores mais qualificados fiquem nas salas onde estão as crianças com maiores dificuldades.
Esses bônus, a serem concedidos de acordo com o desempenho dos estudantes, serão de duas a três vezes maiores do que o atual (de R$ 2 mil), que é pago por assiduidade.
Damos atenção específica a esses estudantes não só porque esta iniciativa é comum às reformas educacionais que lograram êxito, mas porque um sistema só é completo quando melhora a sua qualidade e a sua equidade.
A redução da desigualdade educacional hoje significa a redução da desigualdade social amanhã.
O pacto busca a elevação da qualidade do ensino em todo o Estado de Goiás. Assim, as ações serão estendidas às 1.095 escolas dos 246 municípios goianos.
Entre elas, a disponibilização de material curricular e a articulação de uma rede de colaboração entre as unidades de ensino, além do reconhecimento e premiação por mérito a alunos, professores e escolas.
Os 29 mil professores, principais agentes das mudanças previstas no "Pacto pela Educação", terão a sua carreira fortalecida e o seu empenho valorizado, com reconhecimento e bonificações. Terão também oportunidades de aperfeiçoamento em diferentes áreas de atuação, seja docência, assessoramento pedagógico ou liderança.
É nessa direção que caminhamos. A educação é uma ferramenta de grande alcance para conquistas individuais e coletivas. Com ela, poderemos redesenhar o futuro de milhões de jovens brasileiros. Com ela, traçamos um novo horizonte para os estudantes do Estado de Goiás.
CLAUDIO HUMBERTO
“Pernambuco merece, mas as outras regiões também”
Senador Álvaro Dias (PSDB-PR), sobre as denúncias contra o ministro da Integração
CNJ: LICITAÇÃO PULOU DE R$ 5 PARA R$ 68 MILHÕES
Órgão de controle externo do Judiciário, o Conselho Nacional de Justiça pode, inclusive, investigar denúncias contra magistrados, mas e quem fiscaliza o próprio CNJ? A resposta a esta pergunta será decisiva na apuração da curiosa concorrência aberta e concluída no prazo recorde de nove dias, e cujos valores, estimados em R$ 5 milhões, saltaram depois para impressionantes R$ 68,6 milhões. O CNJ nega direcionamento da licitação, que seria lastreada em pareceres técnicos.
PROJETO BASE
A área de Informática fez o projeto de expansão da base de dados do CNJ, mas prevaleceu a proposta 14 vezes mais cara de uma empresa.
QUANTA GENTILEZA
Muito boazinha, a empresa CDS/NTC, parceira da multinacional Oracle, reduziu depois sua proposta ao CNJ para R$ 68,6 milhões.
PUNIÇÃO INJUSTA
Diretor de Informática do CNJ, Declieux Dantas advertiu que eram supérfluos os equipamentos ofertados pela CDS/NTC. Foi demitido.
MERECE O GUINESS
O processo de licitação, que dura ao menos 60 dias, começou no CNJ no dia 10 e acabou em 19 de novembro. Nove dias, recorde espanto-so.
NEGROMONTE ACHA QUE NÃO CAI, NEM FORTES VOLTA
O ministro Mario Negromonte (Cidades) garante ter o apoio de 38 parlamentares do seu partido, o PP, e que a presidente Dilma assegurou sua permanência. Marcio Fortes foi demitido porque perdeu apoio do partido, por isso não acredita no retorno do ex-ministro. Negromonte ganhou confiança após interromper as férias para lançar, com Dilma, 370 mil unidades do Programa Minha Casa, Minha Vida.
SÓLIDA MAIORIA
O PP de Mário Negromonte tem 39 deputados e cinco senadores. O apoio de 38 deles representa 86% do total.
ORÁCULO
Dilma se reuniu por três horas com Lula ontem. Até os buracos que proliferam em Brasília sabem o tema da conversa: reforma ministerial.
À MODA DILMA
O ministro Fernando Bezerra (Integração) usou ontem apresentação em Power Point para tentar demonstrar que não fez o que de fato
fez.
DESMAMADO
O “fogo amigo” do PT contra o governador Eduardo Campos (PSB) “queimou” o aliado dele, ministro Fernando Bezerra (Integração), no Senado: poucos petistas apareceram para defendê-lo das denúncias.
NA COLA
O deputado João Paulo (PT) não saiu da cola do senador Armando Monteiro (PTB), ontem, durante o depoimento de Fernando Bezerra. Ameaçou lançar candidato se JP não disputar a Prefeitura de Recife.
PRIMEIRO OS MEUS
A diretoria de Empreendimentos da Infraero é reservada a engenheiros porque fiscaliza, por exemplo, obras em aeroportos. Mas o presidente da estatal, Gustavo do Vale, preferiu no cargo um amigo bancário.
OBRA PARALISADA
A estatal Valec aplicou o calote no consórcio de três empresas da obra da ferrovia Oeste-Leste, cujo percurso acaba no Sul da Bahia, por isso os salários atrasaram e os trabalhadores entraram em greve.
VOANDO ALTO
O Brasil pagou R$ 1,9 milhão por “piloto” treinado para o Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant), que não decola para vigiar a Tríplice Fronteira. A formação de piloto de caça F-18 Hornet (EUA) custa US$ 2 milhões. Avião espião pode ser treinado em simulador de voo.
AMIGO DA ONÇA
A Ceade, estatal de águas do Rio, dá cano há meses na empreiteira Delta, para pagar antiga dívida judicial de R$ 1,9 bilhão. A Delta fatura cerca de R$ 140 milhões mensais na Cedae.
OI FUTURO
A Oi vai comemorar os 10 anos de seu instituto de responsabilidade social, o Oi Futuro, com o lançamento de um cartão telefônico, que virou item de colecionadores. A tiragem será de 100 mil exemplares.
CIRURGIÕES
Armando Oliveira e Silva assume nesta sexta a presidência do Colégio Brasileiro de Cirurgiões. Sua meta é agregar os Estados que ainda estão fora da entidade. No Norte, só o Pará é representado.
PENSANDO BEM...
...O ministro Fernando Bezerra (Integração) tirou vários Coelhos da cartola ontem, no Senado.
PODER SEM PUDOR
‘DEMOCRACIA’ GARANTIDA
Nos anos 40, apesar do fim da ditadura Vargas, o poder político era definido segundo a vontade dos “coronéis”, no interior. Era o caso de São Caetano, no Agreste pernambucano. Lá, mandava o “coronel” João Guilherme. Na primeira eleição após o Estado Novo, ele destacou uns cabras para o trabalho, digamos assim, de “boca de urna”: ficavam nas proximidades dos locais de votação perguntando aos eleitores se eles votariam no candidato do coronel. Se a resposta fosse “não”, os eleitores ouviam a “sugestão”:
– Acho melhor o senhor não votar, não. É para não atrapalhar a democracia.
Senador Álvaro Dias (PSDB-PR), sobre as denúncias contra o ministro da Integração
CNJ: LICITAÇÃO PULOU DE R$ 5 PARA R$ 68 MILHÕES
Órgão de controle externo do Judiciário, o Conselho Nacional de Justiça pode, inclusive, investigar denúncias contra magistrados, mas e quem fiscaliza o próprio CNJ? A resposta a esta pergunta será decisiva na apuração da curiosa concorrência aberta e concluída no prazo recorde de nove dias, e cujos valores, estimados em R$ 5 milhões, saltaram depois para impressionantes R$ 68,6 milhões. O CNJ nega direcionamento da licitação, que seria lastreada em pareceres técnicos.
PROJETO BASE
A área de Informática fez o projeto de expansão da base de dados do CNJ, mas prevaleceu a proposta 14 vezes mais cara de uma empresa.
QUANTA GENTILEZA
Muito boazinha, a empresa CDS/NTC, parceira da multinacional Oracle, reduziu depois sua proposta ao CNJ para R$ 68,6 milhões.
PUNIÇÃO INJUSTA
Diretor de Informática do CNJ, Declieux Dantas advertiu que eram supérfluos os equipamentos ofertados pela CDS/NTC. Foi demitido.
MERECE O GUINESS
O processo de licitação, que dura ao menos 60 dias, começou no CNJ no dia 10 e acabou em 19 de novembro. Nove dias, recorde espanto-so.
NEGROMONTE ACHA QUE NÃO CAI, NEM FORTES VOLTA
O ministro Mario Negromonte (Cidades) garante ter o apoio de 38 parlamentares do seu partido, o PP, e que a presidente Dilma assegurou sua permanência. Marcio Fortes foi demitido porque perdeu apoio do partido, por isso não acredita no retorno do ex-ministro. Negromonte ganhou confiança após interromper as férias para lançar, com Dilma, 370 mil unidades do Programa Minha Casa, Minha Vida.
SÓLIDA MAIORIA
O PP de Mário Negromonte tem 39 deputados e cinco senadores. O apoio de 38 deles representa 86% do total.
ORÁCULO
Dilma se reuniu por três horas com Lula ontem. Até os buracos que proliferam em Brasília sabem o tema da conversa: reforma ministerial.
À MODA DILMA
O ministro Fernando Bezerra (Integração) usou ontem apresentação em Power Point para tentar demonstrar que não fez o que de fato
fez.
DESMAMADO
O “fogo amigo” do PT contra o governador Eduardo Campos (PSB) “queimou” o aliado dele, ministro Fernando Bezerra (Integração), no Senado: poucos petistas apareceram para defendê-lo das denúncias.
NA COLA
O deputado João Paulo (PT) não saiu da cola do senador Armando Monteiro (PTB), ontem, durante o depoimento de Fernando Bezerra. Ameaçou lançar candidato se JP não disputar a Prefeitura de Recife.
PRIMEIRO OS MEUS
A diretoria de Empreendimentos da Infraero é reservada a engenheiros porque fiscaliza, por exemplo, obras em aeroportos. Mas o presidente da estatal, Gustavo do Vale, preferiu no cargo um amigo bancário.
OBRA PARALISADA
A estatal Valec aplicou o calote no consórcio de três empresas da obra da ferrovia Oeste-Leste, cujo percurso acaba no Sul da Bahia, por isso os salários atrasaram e os trabalhadores entraram em greve.
VOANDO ALTO
O Brasil pagou R$ 1,9 milhão por “piloto” treinado para o Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant), que não decola para vigiar a Tríplice Fronteira. A formação de piloto de caça F-18 Hornet (EUA) custa US$ 2 milhões. Avião espião pode ser treinado em simulador de voo.
AMIGO DA ONÇA
A Ceade, estatal de águas do Rio, dá cano há meses na empreiteira Delta, para pagar antiga dívida judicial de R$ 1,9 bilhão. A Delta fatura cerca de R$ 140 milhões mensais na Cedae.
OI FUTURO
A Oi vai comemorar os 10 anos de seu instituto de responsabilidade social, o Oi Futuro, com o lançamento de um cartão telefônico, que virou item de colecionadores. A tiragem será de 100 mil exemplares.
CIRURGIÕES
Armando Oliveira e Silva assume nesta sexta a presidência do Colégio Brasileiro de Cirurgiões. Sua meta é agregar os Estados que ainda estão fora da entidade. No Norte, só o Pará é representado.
PENSANDO BEM...
...O ministro Fernando Bezerra (Integração) tirou vários Coelhos da cartola ontem, no Senado.
PODER SEM PUDOR
‘DEMOCRACIA’ GARANTIDA
Nos anos 40, apesar do fim da ditadura Vargas, o poder político era definido segundo a vontade dos “coronéis”, no interior. Era o caso de São Caetano, no Agreste pernambucano. Lá, mandava o “coronel” João Guilherme. Na primeira eleição após o Estado Novo, ele destacou uns cabras para o trabalho, digamos assim, de “boca de urna”: ficavam nas proximidades dos locais de votação perguntando aos eleitores se eles votariam no candidato do coronel. Se a resposta fosse “não”, os eleitores ouviam a “sugestão”:
– Acho melhor o senhor não votar, não. É para não atrapalhar a democracia.
SEXTA NOS JORNAIS
- Globo: Silicone opõe pacientes e médicos ao governo
- Folha: CNJ vê R$ 856 mi atípicos em contas bancárias de juízes
- Estadão: Contas no Judiciário têm R$ 855 milhões ‘atípicos’, diz Coaf
- Correio: Ameaça de Greve põe o governo em saia justa
- Valor: Plano para hidrovias fica no papel
- Zero Hora: O pacote da seca
quinta-feira, janeiro 12, 2012
Nacionalismo antinacionalista - CHARLES TANG
O Globo - 12/01/12
Ainda não faz tanto tempo que o nacionalismo equivocado da época de "o petróleo é nosso" prolongou o período de pobreza no Brasil. Ao contrário de hoje, não tínhamos os recursos financeiros ou tecnológicos para nos beneficiarmos desta dádiva do ouro negro e não se admitia o capital e a tecnologia estrangeiros. Em consequência, a pobreza se expandiu e a economia estagnou.
À porta de uma brutal recessão mundial, que ameaça ser pior do que a crise que passou, não podemos erguer barreiras para empreendimentos que injetem capital, gerem empregos, tragam tecnologia e inovações, criando riquezas para o Brasil.
A nossa proibição à compra de terras por estrangeiros é festejada por nossos vizinhos da América Latina e da África, que passaram a receber a bonança por nós desprezada. De continente perdido, a África se transformou na esperança dos emergentes devido aos investimentos maciços dos chineses.
Aqui, o decreto que aumenta o IPI dos automóveis com menos de 65% de conteúdo nacional não só dificulta a importação de veículos estrangeiros, mas poderá coibir a construção de novas montadoras no país. Até montadoras já instaladas não conseguiram ainda atingir esse índice de nacionalização, que leva anos para ser conseguido. Nem existem indústrias de componentes nacionais suficientes para atender à exigência do decreto.
Acaso devemos proteger antigos investimentos estrangeiros da competição de novas inversões estrangeiras, a fim de que possam continuar vendendo suas carroças a preços exorbitantes?
Competir é saudável! Medidas de proteção criam parques industriais jurássicos nacionais. Necessitamos fortalecer a indústria e permitir que ela seja competitiva sem o nosso oneroso "custo brasil".
Algumas montadoras chinesas vieram investir no Brasil atendendo ao apelo da presidente Dilma, que em visita à China solicitou que empresas chinesas invistam mais e exportem menos ao Brasil. A reação da presidente pedindo um estudo que crie exceções para empresas que pretendam estabelecer montadoras no Brasil é encorajadora e deve originar diferenciais para quem queira investir no país.
Ademais, a presença de produtos chineses em nosso mercado ajudou o bem-estar do povo brasileiro ao provocar a baixa do preço dos produtos que eram acessíveis somente a nossas elites. Por que o nosso povo sempre tem que pagar mais pelo que consome, a fim de sustentar os oligopólios, monopólios e jurássicos de plantão?
O principal fator de riqueza do crescimento chinês foi sua incessante busca por investimentos estrangeiros, que chegou a discriminar a empresa chinesa a favor da estrangeira. Até 2008, a empresa de fora pagava 25% de imposto de renda, enquanto a empresa nacional era onerada em 33%. Durante as três décadas em que vigorou esse tratamento desigual, toda empresa chinesa queria ter um sócio estrangeiro.
Devemos entender, como os chineses sabiam, que os estrangeiros iriam trabalhar sob a soberania e leis chinesas. Sabiam que toda riqueza criada iria beneficiar a China e dar emprego e tecnologia ao povo chinês.
Como nos falta poupança interna, somente poderemos erradicar nossa pobreza, como quer a presidente Dilma, com a contribuição de capitais estrangeiros. O Brasil lutou muitos anos, inclusive com Lula como nosso mascate, a fim de construir a imagem de um país estável e de regras permanentes, tendo em vista a atração de investimentos.
Mudanças bruscas de regras no meio do jogo podem rapidamente alterar esta imagem.
Vida e morte na internet - MARION STRECKER
FOLHA DE SP - 12/01/12
Nesta semana o Yahoo! ganhou um novo CEO, Scott Thompson, vindo de uma bem-sucedida gestão na empresa de pagamento eletrônico PayPal. Ele vai enfrentar um desafio: reerguer um gigante, ferido no coração do negócio.
Um pioneiro da internet mundial, o Yahoo! surgiu em 1994 como um diretório de outros websites que começaram a aparecer aos montes na recém-inventada web. Em 2005, era o maior site dos EUA em audiência, mas perdeu a liderança para o Google, uma das muitas empresas que propuseram um novo modelo de navegação pela internet: a busca por qualquer palavra.
Mais recentemente, o Yahoo! foi ultrapassado também pelo jovem Facebook, que também atingiu o coração do negócio do Yahoo! ao servir a um só tempo como meio de comunicação entre pessoas e sistema de publicação de conteúdo pessoal, objetivos que o Yahoo! de alguma forma cumpria com e-mail, grupos de discussão, seu sistema de publicação de fotos, o FlickR, e suas extintas salas de bate-papo.
Sua homepage ainda é a página de internet mais vista dos EUA, embora as más línguas no Vale do Silício digam que esse número está inflado pelo pessoal do Meio-Oeste que não teria habilidade para trocar a página inicial do navegador.
Maldade à parte, é notório que há tempos o Yahoo! não demonstra inovação. Enquanto os concorrentes investem pesado em ideias novas, incluindo projetos malucos e coisas que o público odeia, o Yahoo! passou a ser visto como a empresa do "eu também". Isto é, a empresa que oferece serviços semelhantes aos dos outros.
O Yahoo! tem e-mail, busca, o Yahoo! Answers (você faz uma pergunta e pode eventualmente receber a resposta desejada), homepage personalizada, canal de finanças, notícias de esportes, famosos, previsão de tempo, mapas, mensagem instantânea e serviços para celular, entre outros.
Como outros grandes portais de conteúdo mundo afora, o Yahoo! também tem muitos parceiros para povoar seus canais específicos. Num dia qualquer, o Yahoo! publica como destaque principal de primeira página temas como "Por que deixamos de amar", que levam ao parceiro Match.com, site de namoro on-line conhecido por requisitar e-mail do usuário para em troca enviar publicidade não solicitada.
Chamadas assim obviamente geram clique, mas não necessariamente satisfazem o leitor. E cliques não necessariamente trazem prestígio. Nem fidelidade a uma marca.
O Yahoo! cresceu rapidamente nos anos 90 e se tornou um grande website, agregando notícias, serviços e comprando outras empresas. Entre 2000 e 2004, enquanto usou o Google como ferramenta de busca, aproveitou para desenvolver ferramenta própria. Também aperfeiçoou seu e-mail em 2007, para competir com o Gmail, do Google.
Em 2008, recebeu da Microsoft uma oferta não solicitada de compra no valor de US$ 44,6 bilhões, rejeitada sob o argumento de que desvalorizava a companhia. Nessa época, o CEO era o próprio cofundador Jerry Yang, que em 2009 foi substituído no cargo por Carol Bartz.
Nos anos seguintes, o Yahoo! continuou a perder fatia de mercado, tanto em audiência quanto em publicidade, sua principal fonte de renda. Em setembro passado, o Yahoo! fechou parceria de publicidade com dois concorrentes, a AOL e a Microsoft, e Bartz foi afastada do cargo.
O valor de mercado do Yahoo! é de US$ 19 bilhões no momento em que escrevo este texto. Menos da metade do que a Microsoft teria pago por ele em 2008.
Um ativo do Yahoo!, além da audiência, é a grande quantidade de informação pessoal que armazena do público. Acho que é algo que Scott Thompson tentará explorar. O futuro do Yahoo! é incerto, mas não impossível.
Na internet, nada sobrevive sem criatividade, inovação constante e confiança na marca. Tanto o público quanto o mercado de ações exigem isso.
Tudo como dantes - DORA KRAMER
O Estado de S.Paulo - 12/01/12
Nada até agora transpirou sobre a reforma do ministério esperada para janeiro. Por um motivo básico: não haverá reforma alguma na equipe da presidente Dilma Rousseff. Em entrevista no fim do ano, perguntada sobre o tema, ela disse que haveria surpresa.
Pois recolham os cavalos da chuva os que interpretaram a fala como sinal de mudanças substanciais à vista. A surpresa deve ser justamente a ausência delas.
Não haverá redução de pastas - até fusões de ministérios podem ser revistas -, não serão reformulados os critérios para o preenchimento de cargos, os partidos aliados não perderão nem ganharão espaços e gente que estava cotada para sair já começa a ser considerada para ficar.
Por exemplo, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda. Auxiliares de Dilma não têm percebido a "presidenta particularmente interessada em tirá-la do ministério".
Outro exemplo, o ministro das Cidades, Mário Negromonte. Envolvido em denúncias de alteração de pareceres técnicos em obras para a Copa do Mundo e acusado por gente do próprio partido (PP) de patrocinar um "mensalinho" na bancada em troca de apoio político, já é visto como sobrevivente. "Passou o vendaval", argumenta-se.
A reforma, então, estaria resumida a três nomeações e uma complicação. Seriam substituídos os dois ministros candidatos a eleições municipais - Fernando Haddad, da Educação, e Iriny Lopes, da Secretaria de Política para Mulheres - e Paulo Roberto Pinto que ocupa a pasta do Trabalho desde a saída de Carlos Lupi.
A complicação está na substituição de Haddad, razão pela qual a presidente pediu que ficasse mais um pouco no cargo. Pelo seguinte: como o substituto é Aloizio Mercadante, falta resolver quem ficará no lugar dele no Ministério da Ciência e Tecnologia.
O lugar é reivindicado pelo PSB (ocupante da pasta durante os dois governos Lula) e pelo PT, que não pretende abrir mão. A ideia é entregar o ministério para o deputado Newton Lima, a fim de abrir vaga para o suplente José Genoino, ou para Marta Suplicy, com o objetivo de incentivá-la a se empenhar na campanha de Haddad a prefeito de São Paulo.
Nesse momento em que o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, do PSB, está na berlinda, é tão complicado premiar o partido quanto ignorar um pleito do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, promessa eleitoral cortejada por partidos e governo e de oposição.
Daí a demora no anúncio.
A reforma tal como era esperada virou pó. Argumenta-se no Planalto que imprensa e partidos superestimaram a amplitude das mudanças. Ocorre que nem imprensa nem partidos trabalham no vazio. O governo durante algum tempo alimentou a versão da remodelação do governo à feição de Dilma Rousseff.
As circunstâncias é que mudaram. A principal, a troca de sete ministros nos últimos sete meses de 2011, impossibilitando substituições em tão pouco tempo. Alterou-se também a visão de que seria possível mudar o conceito da coalizão, reduzindo o número de ministérios e profissionalizando as regras de funcionamento.
Por duas razões. Uma evidente, a avaliação de que um governo político não poderia se arriscar a comprar uma briga desse tamanho com os políticos.
Outra subjacente: diz respeito ao compromisso de Dilma com Lula. Mudar muito equivaleria a dizer que durante oito anos ele fez tudo errado. E por mais diferente que seja seu estilo em relação ao antecessor, Dilma seria a última a renegar a herança de Lula, o dono do projeto político que a fez presidente.tararé. De onde menos se espera é que não sai nada mesmo, reza o dito que se aplica ao depoimento do ministro Fernando Bezerra, hoje, à comissão especial do Congresso. Na prática, mera simulação.
São três ou quatro oposicionistas contra 20 parlamentares governistas orientados a proteger o ministro com muitos elogios e ataques aos críticos de sua atuação de privilégios a parentes e concentração de verbas no Estado (PE) de origem.
Com a colaboração do PSDB, cuja orientação é pegar leve com o afilhado de Eduardo Campos.
Nada até agora transpirou sobre a reforma do ministério esperada para janeiro. Por um motivo básico: não haverá reforma alguma na equipe da presidente Dilma Rousseff. Em entrevista no fim do ano, perguntada sobre o tema, ela disse que haveria surpresa.
Pois recolham os cavalos da chuva os que interpretaram a fala como sinal de mudanças substanciais à vista. A surpresa deve ser justamente a ausência delas.
Não haverá redução de pastas - até fusões de ministérios podem ser revistas -, não serão reformulados os critérios para o preenchimento de cargos, os partidos aliados não perderão nem ganharão espaços e gente que estava cotada para sair já começa a ser considerada para ficar.
Por exemplo, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda. Auxiliares de Dilma não têm percebido a "presidenta particularmente interessada em tirá-la do ministério".
Outro exemplo, o ministro das Cidades, Mário Negromonte. Envolvido em denúncias de alteração de pareceres técnicos em obras para a Copa do Mundo e acusado por gente do próprio partido (PP) de patrocinar um "mensalinho" na bancada em troca de apoio político, já é visto como sobrevivente. "Passou o vendaval", argumenta-se.
A reforma, então, estaria resumida a três nomeações e uma complicação. Seriam substituídos os dois ministros candidatos a eleições municipais - Fernando Haddad, da Educação, e Iriny Lopes, da Secretaria de Política para Mulheres - e Paulo Roberto Pinto que ocupa a pasta do Trabalho desde a saída de Carlos Lupi.
A complicação está na substituição de Haddad, razão pela qual a presidente pediu que ficasse mais um pouco no cargo. Pelo seguinte: como o substituto é Aloizio Mercadante, falta resolver quem ficará no lugar dele no Ministério da Ciência e Tecnologia.
O lugar é reivindicado pelo PSB (ocupante da pasta durante os dois governos Lula) e pelo PT, que não pretende abrir mão. A ideia é entregar o ministério para o deputado Newton Lima, a fim de abrir vaga para o suplente José Genoino, ou para Marta Suplicy, com o objetivo de incentivá-la a se empenhar na campanha de Haddad a prefeito de São Paulo.
Nesse momento em que o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, do PSB, está na berlinda, é tão complicado premiar o partido quanto ignorar um pleito do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, promessa eleitoral cortejada por partidos e governo e de oposição.
Daí a demora no anúncio.
A reforma tal como era esperada virou pó. Argumenta-se no Planalto que imprensa e partidos superestimaram a amplitude das mudanças. Ocorre que nem imprensa nem partidos trabalham no vazio. O governo durante algum tempo alimentou a versão da remodelação do governo à feição de Dilma Rousseff.
As circunstâncias é que mudaram. A principal, a troca de sete ministros nos últimos sete meses de 2011, impossibilitando substituições em tão pouco tempo. Alterou-se também a visão de que seria possível mudar o conceito da coalizão, reduzindo o número de ministérios e profissionalizando as regras de funcionamento.
Por duas razões. Uma evidente, a avaliação de que um governo político não poderia se arriscar a comprar uma briga desse tamanho com os políticos.
Outra subjacente: diz respeito ao compromisso de Dilma com Lula. Mudar muito equivaleria a dizer que durante oito anos ele fez tudo errado. E por mais diferente que seja seu estilo em relação ao antecessor, Dilma seria a última a renegar a herança de Lula, o dono do projeto político que a fez presidente.tararé. De onde menos se espera é que não sai nada mesmo, reza o dito que se aplica ao depoimento do ministro Fernando Bezerra, hoje, à comissão especial do Congresso. Na prática, mera simulação.
São três ou quatro oposicionistas contra 20 parlamentares governistas orientados a proteger o ministro com muitos elogios e ataques aos críticos de sua atuação de privilégios a parentes e concentração de verbas no Estado (PE) de origem.
Com a colaboração do PSDB, cuja orientação é pegar leve com o afilhado de Eduardo Campos.
Agir para fazer bonito - CONTARDO CALLIGARIS
FOLHA DE SP - 12/01/12
Não agimos segundo princípios, mas para fazer bonito e para evitar punições. É decadência?
Os psicólogos desconfiam um pouco da expressão "força de vontade", à qual todo mundo recorre (sobretudo para denunciar as fraquezas -as nossas e as dos outros), mas sem que a gente saiba direito o que ela designa.
Por isso, estou lendo "Willpower, Rediscovering the Greatest Human Strength" (a força de vontade, redescobrindo a maior força humana), de R. Baumeister (um psicólogo que aprecio) e J. Tierney (jornalista do "New York Times"), ed. Penguin. O livro (p. 152) me fez conhecer o site www.stickK.com (que foi criado, aliás, para servir de amostra para pesquisas).
No site, o usuário se engaja contratualmente a cumprir um plano que implique um engajamento sério, se não uma reorientação de vida -desde o trivial, como emagrecer ou parar de roer as unhas, até metas, aspirações, desejos e ambições que justificam uma existência, passando por aquelas experiências irrenunciáveis que alguém quer ter ao menos uma vez, antes de morrer.
Ao escolher sua resolução, o usuário é convidado a nomear um árbitro: alguém que lhe seja próximo, que não seja um cúmplice qualquer e que possa, portanto, confirmar honestamente os progressos que o usuário declarará conseguir, no diário de seus esforços, que será acessível no site.
Além do árbitro, o usuário é também encorajado a escolher um número indefinido de amigos, que serão informados de seu propósito inicial e de seus avanços ou fracassos (eles terão acesso ao diário e aos comentários do árbitro).
Na hora em que ele declara seu propósito, o usuário também estabelece uma punição para si mesmo, caso ele fracasse.
Essa punição pode ser moral (um e-mail contando a história do malogro para uma lista de amigos e conhecidos) e/ou financeira -por exemplo, uma doação para a instituição que o usuário mais deteste (imaginemos que você pertença a uma igreja que é ferozmente contra a ideia do casamento gay e que você não consiga, sei lá, estudar seis horas por dia; pois bem, você passara a contribuir ao Grupo Gay da Bahia, de acordo com suas possibilidades financeiras).
A análise de 125.000 contratos feitos nos últimos três anos indica que os usuários que não nomearam um árbitro ou não se impuseram punições financeiras chegaram a um resultado positivo só em 35% dos casos. E a porcentagem de sucessos foi de 80% quando houve árbitro, amigos e punição financeira.
Existem experiências similares. Nas Filipinas, houve fumantes que depositavam a cada dia um dinheiro que eles perderiam se, depois de seis meses, houvesse rastos de nicotina em sua urina (o cigarro é poderoso: mais da metade perdeu seu depósito -em compensação, os que conseguiram pararam de fumar de vez). E houve a "Dieta da Humilhação Pública" de Drew Magary, que se engajou a tuitar seu peso a cada dia e conseguiu assim perder 30 quilos em cinco meses.
À primeira vista, em suma, não agimos segundo o que achamos certo, por "força de vontade", mas para evitar punições e vergonhas. Ou seja, não somos nunca verdadeira e corajosamente bons, apenas queremos fazer bonito e não perder dinheiro (ainda menos em prol de nossos inimigos).
Haverá moralistas para dizer que a sociedade contemporânea nos transforma nesses invertebrados morais -sem princípios, apenas interessados na opinião dos outros e em nosso interesse imediato. Mas, nos exemplos de Baumeister e Tierney, eu não vejo um sinal de decadência moral -ao contrário.
Claro, como muitos, eu mesmo acharia mais fácil ser dotado de um caroço moral, do qual eu pudesse dizer: "Este sou eu, quer os outros me reconheçam ou não, e tanto faz que eu seja recompensado ou punido por isso".
Mas não é o caso de sermos nostálgicos: nas sociedades tradicionais (presentes, passadas ou futuras), menos ainda do que hoje, os cidadãos tampouco dispõem de um caroço moral. Eles agem por medo da punição -agora ou no além. E eles agem por vergonha, diante de grupos instituídos de anciões, padres, pastores ou notáveis.
No conjunto, quanto à punição, eu prefiro arriscar o que eu mesmo apostei ao assinar meus contratos. E, quanto à vergonha, prefiro que seja diante dos pares com quem eu me engajei, ou então, diante da sociedade inteira.
Ou seja, sem ironia, como penso há tempos, nossa época é mais de progresso do que de decadência moral.
Estatismos, álcool e gasolina - VINICIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SP - 12/01/12
O BNDES AVISOU ontem que vai subsidiar canaviais. O banco estatal de desenvolvimento oferece R$ 4 bilhões até o final do ano para a renovação de canaviais e para o aumento da área plantada.
Trata-se de mais um trejeito da série de malabarismos que o governo federal tem feito para regular o mercado de combustíveis, garantir o abastecimento e evitar que altas de preços de etanol e gasolina cheguem ao consumidor e, assim, à inflação.
O problema do malabarismo é saber se o governo vai conseguir manter no ar a dúzia de bolinhas intervencionistas e, ao mesmo tempo, criar condições para que o setor de combustíveis um dia ande sozinho. Explique-se.
Falta álcool. Por excesso de endividamento, má gestão, fusões e aquisições ambiciosas demais, alta de custos de produção (terra, salários, mecanização forçada) ou sabe-se lá o motivo, a produção e a produtividade dos canaviais caíram. Planta-se menos, planta-se menos cana boa, os canaviais envelheceram. Há usina de sobra (30% de ociosidade), falta cana para moer.
Os produtores reclamam de impostos, muito pesados, e do preço do álcool, que não seria alto o bastante para remunerar o custo marginal do negócio (renovação e ampliação de canaviais).
O governo de fato procura baixar o preço do álcool, hidratado (que vai direto ao tanque do carro) ou anidro (misturado à gasolina). Baixou a quantidade de álcool misturado à gasolina. Mantém baixo o preço da gasolina, o que faz o consumidor optar pelo derivado do petróleo em detrimento do álcool, diminuindo a demanda do biocombustível e, pois, contendo seu preço.
O governo manipula o preço da gasolina: 1) impede que a Petrobras eleve os preços; 2) faz a estatal petrolífera importar gasolina e vendê-la no mercado interno com prejuízo de bilhões por ano; 3) baixa a alíquota de um tributo, a Cide, quando deixa a Petrobras elevar preços, como no final do ano passado, de modo a manter constante o custo na bomba, para o consumidor final.
Não se sabe o quanto há de verdade na queixa do produtor de cana a respeito de preços (quanto houve de inépcia na gestão de empresas? Não sabemos). Alguma verdade há. Porém, não importa o teor de verdade, pois a produção caiu de fato. A fim de remediar o problema, o governo intervém cada vez mais.
No final do ano passado, decretou que haverá subsídio de R$ 500 milhões por ano (por cinco anos) para o financiamento da estocagem de álcool. A Agência Nacional do Petróleo pode ter em breve mais poderes de regulação do mercado de álcool. Agora, o BNDES vai financiar canaviais com dinheiro subsidiado, um remendo para o fato de que, em tese, os preços do álcool não remuneram o produtor de modo a incentivá-lo a produzir mais.
Não é possível liberar de pronto (e nunca liberar totalmente) esse mercado -a confusão seria certa. Mas o governo se enrola cada vez mais com os remendos, sem planos de longo prazo.
Quanto custa o alaranjado? - EUGÊNIO BUCCI
O Estado de S.Paulo - 12/01/12
As festas de fim de ano passaram, o Dia de Reis ficou para trás, tudo conforme previa o calendário: o Natal veio antes, o ano-novo, em seguida e, agora, o Brasil avança alegremente rumo ao carnaval. Sem surpresas. Nas festividades da televisão, porém, um detalhe destoou do óbvio, daquilo que era mera repetição anual da lengalenga publicitária. Ao lado das campanhas usuais, com os governantes fazendo seu papel predileto, que é o de Papai Noel - dezembro é a temporada preferencial da propaganda oficial -, com os astros entoando cantigas caridosas, com uso abusivo de crianças em peças de marketing, nós tivemos, nos estertores de 2011, uma peça distinta: a superconcentração de anúncios de uma certa casa bancária com o propósito não de fazer votos de feliz Natal, mas de tomar posse, para si, de uma das cores que a natureza nos deu. Para que o leitor visualize bem do que se trata, vamos dar nomes aos personagens: o banco é o Itaú e essa cor é o alaranjado. No final de 2011, o Banco Itaú virou o dono do alaranjado.
Antes de qualquer outra consideração, duas ressalvas preliminares são necessárias:
A campanha do Banco Itaú não é de agora, ela já vem de um bom tempo. Em 2011, no entanto, ela se acentuou. A cor laranja, que alguns poderão chamar de cenoura, ficou absoluta, ou mesmo total, em todos os comerciais do Itaú na TV.
Nada contra essa cor em particular - e muito menos contra esse banco, que também é particular. Aliás, ainda no clima conciliatório das conclamações natalinas, pode-se dizer que a campanha do Itaú só merece elogios. Ela não ataca ninguém, não fomenta a usura nem estimula o egoísmo. Em lugar disso, consagra atitudes pessoais meritórias, como a iniciativa, o sorriso, a confiança (atitudes que, de resto, viraram uma espécie de commodity em campanhas publicitárias dos bancos em geral). Não há nada de eticamente reprovável, enfim, na atual investida imagética do Itaú de pretender se associar ao alaranjado. A Coca-Cola tem a sua cor vermelha característica, que, aliás, é a mesma dos caminhões de bombeiro e das camisas dominicais de Hugo Chávez; Paulo Coelho só se veste de preto; o roxo tem alguma coisa que ver com a Quaresma, ou talvez não seja bem isso, mas, de todo modo, o roxo é praticamente patenteado pela Igreja Católica. Por que um banco não poderia ter a sua própria, digamos, faixa cromática, uma que fosse só sua, inconfundível? Não há nada que o impeça - e não há ninguém, aqui, que vá censurá-lo por isso.
Apenas é o caso de pensar um pouco. A começar pela constatação de que a campanha tem sido bem-sucedida.
O leitor, que é acima de tudo telespectador, haverá de se lembrar. Na peça publicitária do Itaú no final do ano havia um jovem de jeans, tênis e moletom fazendo um discurso a la Steve Jobs, tendo ao fundo uma tela descomunal de cor laranja. Era uma figura positiva, simpática, motivadora, boa de fazer palestras para equipes de vendas nessas confraternizações que algumas firmas fazem um pouco antes das férias coletivas. Por isso é provável que, hoje, cada um de nós já tenha associado esses dois elementos como se eles tivessem nascido juntos: o alaranjado e o Banco Itaú. Lembremos que o banco, por sinal, já tinha azul e amarelo em seu logotipo, mas trocou os dois por esse novo laranja. Repita-se: com alto grau de eficiência.
Sigamos pensando um pouco mais - e pensar, ao menos numa das acepções do verbo, significa enxergar problemas onde aparentemente só existem soluções. Vejamos, então, que problema existe na solução publicitária pela qual uma marca se apropria de uma cor.
Bem, talvez não seja bem um problema, mas estamos aqui diante de um dado novo, que, uma vez percebido, tem o poder de intrigar. Os significantes, como as cores, estão aí, à solta, no imenso cosmo disso a que chamamos imaginário. Sempre estiveram por aí. Hoje, porém, vira dono deles aquele que, tendo acesso ao olhar social, consegue juntar esse significante a um significado específico. Isso se constrói com a comunicação de amplo espectro. Assim, a cor laranja - que originalmente tem vocação para significar pouca coisa além de suco de frutas cítricas - adquire este sentido poderoso: ela agora quer dizer Banco Itaú. A ponto de, em breve, quando alguém olhar para um automóvel dessa cor, ou um caminhão, ou uma parede, um tapete, um paletó, vai vinculá-lo ao banco. Em poucas palavras, comprando fatias de tempo do olhar social, a indústria da comunicação - e a publicidade, de modo especial - consegue, atualmente, fabricar novos sentidos para significantes antigos. Nisso se resume um dos traços que distinguem a nossa era das outras - uma era em que é possível fabricar valor por meio da indústria que atua no imaginário.
Para fechar nosso precário pensamento, registremos aqui duas curiosidades:
O banco em questão, ao pôr no ar essa campanha, não tem o objetivo de simplesmente atrair correntistas ou vender a sua caderneta de poupança, mas de retrabalhar o seu próprio signo, distanciando-se e diferenciando-se dos demais. Por meio disso a que os publicitários chamariam de "estratégia", sua marca vai caminhando para poder ser lida e entendida sem que seja necessário o uso de nenhuma letra, de nenhum símbolo, nada. Basta-lhe uma cor.
O mesmo banco, de antemão, não tem nada que ver com essa cor especialmente. Ele não é fabricante de suco. Não tem plantações de cítricos. Não exporta extrato de laranja para a Flórida. A cor para a sua "estratégia" é um significante disponível, que, depois dessa intensa e nova construção de sentido, vai virar um sinônimo da marca.
O Homo sapiens já foi coletor de frutas, de pedras, de ossos que pegava no caminho. Hoje as marcas comerciais coletam cores na natureza. E os nossos olhos, ainda mal remunerados, trabalham para dar sentido a tudo isso.
Margem de segurança - RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 12/01/12
FÁBIO ZAMBELI (interino)
A despeito das queixas de violação de direitos humanos e dos questionamentos do governo federal, Geraldo Alckmin se ampara em pesquisas que circulam no Bandeirantes para respaldar a intervenção policial na cracolândia. Um dos levantamentos submetidos ao governador mostra 87% de aprovação à ação da PM no centro de SP, agora investigada pelo Ministério Público.
Outro indicador encoraja o tucano sobretudo no embate com o Planalto: a maioria dos entrevistados considera correta a dispersão dos usuários de drogas antes da oferta de tratamento na rede de saúde -ponto da operação mais criticado pela equipe de Dilma Rousseff.
Protocolo Reservadamente, auxiliares de Dilma consideram "atrapalhada" a ofensiva paulista contra o crack, em particular quanto ao encaminhamento dos viciados expulsos da região central. Como havia um plano federal em curso, o governo esperava ao menos ser avisado da ocupação.
Vitrine A manifestação do secretário Antonio Ferreira Pinto (Segurança Pública), para quem os promotores que investigam abusos da PM na cracolândia buscam "visibilidade na mídia", contribuiu para azedar ainda mais a já tensa relação do Ministério Público com o Bandeirantes.
Bordão De um dirigente petista, sobre o ingresso da Rota na caça aos traficantes: "Alckmin começa a mostrar identidade com os métodos do neoaliado Paulo Maluf".
Meteorologia Ainda que trate como prioritário o QG que monitora os estragos das chuvas, o Planalto está apreensivo com a estiagem no Sul do país. A área econômica teme que os problemas na safra, em especial do trigo, colaborem para pressionar os índices de inflação.
Viés de alta Governistas avaliam que a única ameaça à permanência de Fernando Bezerra na Integração Nacional seria a descoberta de novas encrencas com parentes e amigos na pasta. Nem oposicionistas atribuem relevância ao depoimento do ministro hoje ao Congresso.
Vaivém O deputado gaúcho Vieira da Cunha (PDT) caiu na cotação para assumir o Ministério do Trabalho. Brizola Neto (PDT-RJ) é hoje o favorito de Dilma para o posto.
Direto ao ponto Em reunião anteontem, ministros discutiam a segurança das "Fan Fests", feiras públicas destinadas a quem não consegue ingresso para os jogos da Copa-2014. Dilma interrompeu, orientando sua equipe a descolar atrações mais populares: "E o People's Fest, onde será"?
Onde pega A imediata rejeição do PT paulistano ao flerte de Kassab com Fernando Haddad reflete o instinto de sobrevivência da bancada petista na Câmara. Vereadores do partido temem não se reeleger caso tenham de pegar leve com o prefeito.
Menos Em privado, Lula diz considerar que Kassab avançou o sinal dando publicidade ao início das tratativas do PSD com haddadistas.
Veja bem Os tucanos Alberto Goldman e Aloysio Nunes negam restrições à estratégia de aproximação de Alckmin com PP e PDT. Lembram que as siglas apoiavam o governo de José Serra.
Visita à Folha Emmanuel Publio Dias, vice-presidente corporativo da Escola Superior de Propaganda e Marketing, visitou ontem a Folha. Estava com Walter Fontoura, diretor da SPGA Consultoria de Comunicação, Natalia Arbex, gerente de contas, e Simone Negrão, coordenadora de contas.
com LETÍCIA SANDER e FLÁVIO FERREIRA
tiroteio
"As tragédias neste período de chuvas se repetem a cada início de ano no país. A novidade é que, pela primeira vez, elas pegaram quase todo mundo de férias."
DO DEPUTADO JUTAHY JÚNIOR (PSDB-BA), criticando o que chama de "mobilização tardia" dos ministros de Dilma, que tiveram de suspender a folga para dar resposta governamental aos Estados atingidos por enchentes.
contraponto
Tônico capilar
Durante solenidade oficial em Campos do Jordão, na segunda-feira, Paulo Maluf lembrou que quando conheceu o hoje calvo Geraldo Alckmin, na década de 70, o então prefeito de Pindamonhangaba exibia vasta cabeleira:
-Você era até cabeludo!
Sem perder tempo, o tucano contou que recentemente seu barbeiro sugeriu, após vê-lo na TV, que cortasse o cabelo logo. Achou que estava comprido demais.
-Eu disse que não precisava. Essa fama de cabeludo é boa. Que a deixe correr!
FÁBIO ZAMBELI (interino)
A despeito das queixas de violação de direitos humanos e dos questionamentos do governo federal, Geraldo Alckmin se ampara em pesquisas que circulam no Bandeirantes para respaldar a intervenção policial na cracolândia. Um dos levantamentos submetidos ao governador mostra 87% de aprovação à ação da PM no centro de SP, agora investigada pelo Ministério Público.
Outro indicador encoraja o tucano sobretudo no embate com o Planalto: a maioria dos entrevistados considera correta a dispersão dos usuários de drogas antes da oferta de tratamento na rede de saúde -ponto da operação mais criticado pela equipe de Dilma Rousseff.
Protocolo Reservadamente, auxiliares de Dilma consideram "atrapalhada" a ofensiva paulista contra o crack, em particular quanto ao encaminhamento dos viciados expulsos da região central. Como havia um plano federal em curso, o governo esperava ao menos ser avisado da ocupação.
Vitrine A manifestação do secretário Antonio Ferreira Pinto (Segurança Pública), para quem os promotores que investigam abusos da PM na cracolândia buscam "visibilidade na mídia", contribuiu para azedar ainda mais a já tensa relação do Ministério Público com o Bandeirantes.
Bordão De um dirigente petista, sobre o ingresso da Rota na caça aos traficantes: "Alckmin começa a mostrar identidade com os métodos do neoaliado Paulo Maluf".
Meteorologia Ainda que trate como prioritário o QG que monitora os estragos das chuvas, o Planalto está apreensivo com a estiagem no Sul do país. A área econômica teme que os problemas na safra, em especial do trigo, colaborem para pressionar os índices de inflação.
Viés de alta Governistas avaliam que a única ameaça à permanência de Fernando Bezerra na Integração Nacional seria a descoberta de novas encrencas com parentes e amigos na pasta. Nem oposicionistas atribuem relevância ao depoimento do ministro hoje ao Congresso.
Vaivém O deputado gaúcho Vieira da Cunha (PDT) caiu na cotação para assumir o Ministério do Trabalho. Brizola Neto (PDT-RJ) é hoje o favorito de Dilma para o posto.
Direto ao ponto Em reunião anteontem, ministros discutiam a segurança das "Fan Fests", feiras públicas destinadas a quem não consegue ingresso para os jogos da Copa-2014. Dilma interrompeu, orientando sua equipe a descolar atrações mais populares: "E o People's Fest, onde será"?
Onde pega A imediata rejeição do PT paulistano ao flerte de Kassab com Fernando Haddad reflete o instinto de sobrevivência da bancada petista na Câmara. Vereadores do partido temem não se reeleger caso tenham de pegar leve com o prefeito.
Menos Em privado, Lula diz considerar que Kassab avançou o sinal dando publicidade ao início das tratativas do PSD com haddadistas.
Veja bem Os tucanos Alberto Goldman e Aloysio Nunes negam restrições à estratégia de aproximação de Alckmin com PP e PDT. Lembram que as siglas apoiavam o governo de José Serra.
Visita à Folha Emmanuel Publio Dias, vice-presidente corporativo da Escola Superior de Propaganda e Marketing, visitou ontem a Folha. Estava com Walter Fontoura, diretor da SPGA Consultoria de Comunicação, Natalia Arbex, gerente de contas, e Simone Negrão, coordenadora de contas.
com LETÍCIA SANDER e FLÁVIO FERREIRA
tiroteio
"As tragédias neste período de chuvas se repetem a cada início de ano no país. A novidade é que, pela primeira vez, elas pegaram quase todo mundo de férias."
DO DEPUTADO JUTAHY JÚNIOR (PSDB-BA), criticando o que chama de "mobilização tardia" dos ministros de Dilma, que tiveram de suspender a folga para dar resposta governamental aos Estados atingidos por enchentes.
contraponto
Tônico capilar
Durante solenidade oficial em Campos do Jordão, na segunda-feira, Paulo Maluf lembrou que quando conheceu o hoje calvo Geraldo Alckmin, na década de 70, o então prefeito de Pindamonhangaba exibia vasta cabeleira:
-Você era até cabeludo!
Sem perder tempo, o tucano contou que recentemente seu barbeiro sugeriu, após vê-lo na TV, que cortasse o cabelo logo. Achou que estava comprido demais.
-Eu disse que não precisava. Essa fama de cabeludo é boa. Que a deixe correr!
Nos bastidores - ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 12/01/12
Aliado fiel do ex-governador José Serra, o deputado e presidente do PPS, Roberto Freire (SP), está sendo contestado em seu partido. Freire quer amarrar o futuro da legenda à candidatura presidencial de Serra em 2014. Ele sustenta que o DEM vai acabar, e seus quadros vão ingressar no PSDB, inviabilizando o projeto de Serra entre os tucanos. Mas um grupo liderado por Raul Jungmann prefere apoiar a candidatura de Marina Silva (ex-PV).
O PSDB opta por fazer oposição "light"
A Executiva do PSDB amenizou balanço do governo Dilma feito pelo vice-presidente do partido, Alberto Goldman. A primeira providência foi tirar os adjetivos "medíocre", "amorfo" e "insípido". Também não foi aceita a caracterização de "nono ano do governo Lula". E os tucanos rejeitaram o rótulo de fantoche para Dilma. Outra alteração foi retirar a afirmação de que a presidente é tolerante com a corrupção. "O ex-ministro Palocci, nas palavras da presidente, saiu porque quis", dizia o original. O partido optou ainda por substituir "constrangedora sucessão de fracassos" por "sérios problemas em diversas áreas".
"Ele (o ministro Fernando Bezerra Coelho) é um trator na política” — Humberto Costa, líder do PT no Senado (PE), sobre o ministro da Integração Nacional
SINUCA. Petistas que defendem o apoio do partido à reeleição de Márcio Lacerda (PSB), em Belo Horizonte, buscam assinaturas no diretório municipal para um manifesto a favor da discussão do apoio em instâncias partidárias superiores. Precisam convencer um terço do diretório até domingo. Os fiéis da balança serão petistas ligados ao ex-ministro Patrus Ananias (na foto). O drama dos petistas é que eles temem ser responsáveis por viabilizar uma aliança que envolve o PSDB.
Justiça
A deputada Telma de Souza (PSDB-MT) está mobilizando as mulheres tucanas para irem a Maceió no dia 16, quando terá início o julgamento do ex-deputado Talvane Albuquerque, acusado de mandar matar a deputada Ceci Cunha, em 1998.
Cautela
Diretor-geral da Itaipu Binacional, Jorge Samek disse a petistas que só vai deixar a estatal para disputar a prefeitura de Foz do Iguaçu (PR) se o partido construir um arco de alianças que lhe assegure chances reais de vitória em outubro.
Empurrando a batata quente
O ministro Fernando Bezerra (Integração) disse ontem, para aliados, que não é responsável por ter mantido o irmão, Clementino, durante tanto tempo na presidência interina da Codevasf. Confidenciou que sabia que não podia mantê-lo sob pena de nepotismo. E que conversou pelo menos três vezes sobre isso com as ministras Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil). Elas é que não tomaram as providências.
Portela
O governador Jaques Wagner (BA) participa hoje da Lavagem do Bonfim. Ele vai caminhar 10km e assistir ao encontro da bateria do Olodum com o casal de mestre-sala e porta-bandeira Jéferson Vasconcelos e Kátia Marchetti.
Tempero
Estudantes organizam manifestação, durante a Lavagem do Bonfim, por um transporte público de qualidade. O ato foi programado para coincidir com a chegada do prefeito João Henrique e do governador Jaques Wagner.
O LÍDER do PMDB, Henrique Alves (RN), está em Brasília para apoiar o ministro Fernando Bezerra Coelho (Integração) no depoimento no Congresso.
LINHA DE PASSE. O PMDB quer manter seu indicado, Elias Fernandes Neto, na diretoria-geral do Dnocs.
A MINISTRA Izabella Teixeira (Meio Ambiente) está em Nova York para encontrar a administradora da Agência Ambiental Americana, Lisa Jackson, e tratar da participação do governo americano na Conferência Rio+20.
O PSDB opta por fazer oposição "light"
A Executiva do PSDB amenizou balanço do governo Dilma feito pelo vice-presidente do partido, Alberto Goldman. A primeira providência foi tirar os adjetivos "medíocre", "amorfo" e "insípido". Também não foi aceita a caracterização de "nono ano do governo Lula". E os tucanos rejeitaram o rótulo de fantoche para Dilma. Outra alteração foi retirar a afirmação de que a presidente é tolerante com a corrupção. "O ex-ministro Palocci, nas palavras da presidente, saiu porque quis", dizia o original. O partido optou ainda por substituir "constrangedora sucessão de fracassos" por "sérios problemas em diversas áreas".
"Ele (o ministro Fernando Bezerra Coelho) é um trator na política” — Humberto Costa, líder do PT no Senado (PE), sobre o ministro da Integração Nacional
SINUCA. Petistas que defendem o apoio do partido à reeleição de Márcio Lacerda (PSB), em Belo Horizonte, buscam assinaturas no diretório municipal para um manifesto a favor da discussão do apoio em instâncias partidárias superiores. Precisam convencer um terço do diretório até domingo. Os fiéis da balança serão petistas ligados ao ex-ministro Patrus Ananias (na foto). O drama dos petistas é que eles temem ser responsáveis por viabilizar uma aliança que envolve o PSDB.
Justiça
A deputada Telma de Souza (PSDB-MT) está mobilizando as mulheres tucanas para irem a Maceió no dia 16, quando terá início o julgamento do ex-deputado Talvane Albuquerque, acusado de mandar matar a deputada Ceci Cunha, em 1998.
Cautela
Diretor-geral da Itaipu Binacional, Jorge Samek disse a petistas que só vai deixar a estatal para disputar a prefeitura de Foz do Iguaçu (PR) se o partido construir um arco de alianças que lhe assegure chances reais de vitória em outubro.
Empurrando a batata quente
O ministro Fernando Bezerra (Integração) disse ontem, para aliados, que não é responsável por ter mantido o irmão, Clementino, durante tanto tempo na presidência interina da Codevasf. Confidenciou que sabia que não podia mantê-lo sob pena de nepotismo. E que conversou pelo menos três vezes sobre isso com as ministras Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil). Elas é que não tomaram as providências.
Portela
O governador Jaques Wagner (BA) participa hoje da Lavagem do Bonfim. Ele vai caminhar 10km e assistir ao encontro da bateria do Olodum com o casal de mestre-sala e porta-bandeira Jéferson Vasconcelos e Kátia Marchetti.
Tempero
Estudantes organizam manifestação, durante a Lavagem do Bonfim, por um transporte público de qualidade. O ato foi programado para coincidir com a chegada do prefeito João Henrique e do governador Jaques Wagner.
O LÍDER do PMDB, Henrique Alves (RN), está em Brasília para apoiar o ministro Fernando Bezerra Coelho (Integração) no depoimento no Congresso.
LINHA DE PASSE. O PMDB quer manter seu indicado, Elias Fernandes Neto, na diretoria-geral do Dnocs.
A MINISTRA Izabella Teixeira (Meio Ambiente) está em Nova York para encontrar a administradora da Agência Ambiental Americana, Lisa Jackson, e tratar da participação do governo americano na Conferência Rio+20.
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