sexta-feira, setembro 23, 2011

JOÃO LUIZ MAUAD - Lógica perversa


Lógica perversa
JOÃO LUIZ MAUAD
O Globo - 23/09/2011

Ainda no início de agosto, quando do lançamento do Plano Brasil Maior, já era possível imaginar as reais intenções do governo e apaniguados em termos de "política industrial". Embora o objetivo oficial do plano fosse "aumentar a competitividade da indústria nacional, a partir do incentivo à inovação tecnológica e à agregação de valor", tudo mais fazia crer que iríamos mesmo descambar para velhas políticas protecionistas, que, na prática, são exatamente o oposto do que normalmente chamamos de competitividade.

Dentre os vários sinais embutidos no escopo do plano, um era clamoroso: a nomeação de 14 representantes da dita sociedade civil para compor o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), que será o "nível superior de aconselhamento institucional do Plano". Entre os empossados, estavam empresários, sindicalistas e presidentes de entidades de classe, porém, sugestivamente, não havia um representante sequer do grupo mais interessado: os consumidores (porque pagam a conta).

Pois bem, foram necessários apenas 45 dias para que o governo cedesse ao forte lobby e resolvesse aumentar as alíquotas do IPI para veículos importados, decisão que o jornal inglês "Financial Times" avaliou como possível início de uma guerra comercial. Pensando bem, esta talvez seja mesmo a definição mais adequada para uma decisão que foge completamente à lógica econômica mais elementar. Resta saber quem serão os vencedores e os perdedores.

Durante as guerras - não as metafóricas, mas as reais -, a primeira coisa que os exércitos procuram fazer é inutilizar as linhas de suprimento do inimigo. É absurdo, portanto, que em tempos de paz os nossos próprios governos façam exatamente aquilo que um eventual inimigo faria em tempo de guerra: obstruir a livre circulação de mercadorias.

A prosperidade de uma nação se mede não pelo dinheiro em circulação, mas pela quantidade de produtos e de serviços disponíveis para consumo, a preços acessíveis. Quanto mais abundante for o mercado, não importa a proveniência dos bens, maior será o conforto dos cidadãos. O comércio em geral é uma consequência lógica dos processos de especialização e divisão do trabalho. Quanto mais amplo for este processo, melhor para todo mundo. O fim de toda a atividade econômica é o consumo. O trabalho, portanto, é apenas o meio utilizado para alcançarmos aquele fim.

O foco da política econômica no trabalho e na produção, e não no consumo, está na raiz da maioria dos problemas econômicos criados pela intervenção dos governos na economia. É a oferta que deve estar voltada para as necessidades e anseios do consumidor, e não o inverso. Fazer do consumidor um mero instrumento para beneficiar empresas é estupidez.

A malfadada política nacionalista, apelidada de "substituição de importações", executada no passado através de reservas de mercado, cotas e tarifas de importação, controles de câmbio e desvalorizações periódicas da moeda, foi a principal responsável pelo retardamento técnico da nossa indústria. Progresso tecnológico exige investimentos maciços em pesquisa e desenvolvimento, fato que só ocorre em ambientes competitivos, onde as empresas brigam incessantemente pelas menores fatias do mercado, vale dizer, para satisfazer o consumidor. A lei de reserva de mercado para a informática ainda é o melhor exemplo de como esse tipo de política é contraproducente.

Ademais, a própria premissa de que se estaria preservando empregos domésticos através do aumento de tarifas alfandegárias é falsa, pois o dinheiro gasto a mais por um automóvel, para benefício de algumas poucas empresas, deixará de irrigar tanto a poupança (geradora de novos investimentos) quanto o consumo de outros bens e serviços - cuja produção gera empregos para outras categorias de trabalhadores.

Em resumo, a ação do governo acarretará os seguintes resultados: transferência forçada de renda dos consumidores para meia dúzia de empresários; proteção de uma indústria ineficiente; manutenção de alguns empregos num determinado setor, em detrimento de outros tantos em outros setores; redução de novos investimentos.

Será que a boa política econômica deve incentivar a escassez e a carestia, no lugar de facilitar a abundância e os preços baixos? Qual é a racionalidade dessas leis, que operam dentro de uma lógica perversa segundo a qual todos nós (consumidores) devemos ser forçados a sustentar empresas nacionais cujo maior "mérito" é dispor de um lobby agressivo e muito bem articulado?

GOSTOSA


MARIA CRISTINA FERNANDES - O cálculo político do risco


O cálculo político do risco
MARIA CRISTINA FERNANDES
VALOR ECONÔMICO - 23/09/11

"Permitam-me dizer". A presidente Dilma Rousseff pedia licença aos seus ouvintes na assembleia anual das Nações Unidas para a contundência da afirmação que se seguiria: os líderes dos países desenvolvidos ainda não encontraram uma solução para a crise "por falta de recursos políticos e clareza de ideias".


Dias antes, num seminário de militantes de esquerda em São Paulo, um dos economistas mais influentes que orbitam o Palácio do Planalto, em linguagem que julgou mais afeita à plateia, e sem aposto, fez mais ou menos a mesma provocação: "O mundo é governado por idiotas".


À Assembleia da ONU Dilma se disse portadora de uma clarividência - a de que a crise financeira exige uma coordenação política dos instrumentos fiscais e monetários -, mas reconheceu que a aposta que fez no Brasil tem limites se a governança mundial não aprofundar a regulamentação do sistema financeiro. Ou, como diria seu amigo economista, se os ricos não deixarem de fazer idiotices.


Dilma tenta legitimar mandato que ainda é creditado a Lula
O discurso de Dilma, mais do que momento simbólico de sua investidura na Presidência, revela a aposta de altíssimo risco que a presidente fez ao impor mudanças aos rumos das políticas fiscal e monetária.


Se bem-sucedida, a política iniciada com vistas a tirar o país da condição de imbatível campeão mundial dos juros altos, só guarda relação em impacto para a economia brasileira com o Plano Real.


A estabilidade da moeda apoiou-se nos juros, na abertura da economia e no controle dos gastos públicos para combater a inflação. À crescente autonomia do Banco Central para perseguir a meta de inflação seguiu-se o esvaziamento, na mesma medida, do raio de ação de partidos, governadores, industriais, sindicalistas.


A eleição de Luiz Inácio Lula da Silva deu-se sob o pacto de que uma renda mais bem distribuída não colocaria em risco a centralidade da meta de inflação. Com um mandato sob ameaça pelo mensalão, Lula afrouxou os nós da política e começou a dar mais gás ao crescimento e à geração de emprego. Como tinha facilidade em açambarcar sua audiência, manteve os ruídos sob controle. Veio a crise de 2008, e a política de redução de juros que havia sido posta em curso foi revertida.


Ao tentar mudar o paradigma da economia brasileira e realizar aquilo o que Lula não foi capaz, Dilma tenta legitimar um mandato cuja conquista é creditada na conta de seu antecessor.


Lula parece sincero nas reiteradas afirmações de que deseja a reeleição de sua sucessora. Nenhum presidente saiu do governo de maneira tão consagradora. A história pode até não se repetir como farsa, mas até Lula teria dificuldade em se superar.


O problema é que os aliados governistas legados por Lula não se cansam de demonstrar sua autonomia em relação à eleição de 2014. Não bastassem os saudosistas do lulismo que tomam conta do PT, do PMDB e adjacências, a população quando consultada (pesquisa do Instituto Análise no Valor de 20/9) também é, por folgada maioria, favorável a que o ex-presidente tome o lugar de Dilma na disputa.

A sucessão está, sim, longe demais para prognósticos tão definitivos. Mas os saudosistas têm a seu favor a mística de Lula que o tempo custa a apagar. É a expectativa de poder que alimenta a política. E Lula é uma reserva garantida para essas expectativas.

Dilma só será páreo para o mito se seu governo for capaz de liberar para investimentos maciços na grande chaga social brasileira - educação e saúde - os recursos hoje canalizados para o serviço da dívida. Não por acaso se costuma considerar como as grandes armadilhas de seu governo a emenda que fixa os percentuais mínimos de gastos na saúde e a política nacional que eleva as despesas com educação, ambas em tramitação no Congresso.

Há muitos adversários com quem ainda resta combinar para que a aposta de alto risco de Dilma dê certo. A volatilidade cambial que tomou conta do mercado é apenas a evidência mais imediata de que além de "idiotas", o mundo é governado por interesses. Ao demonstrar que o Banco Central é independente do mercado, sinaliza-se que o compromisso da atual política monetária com o crescimento pode ter uma rentabilidade menos imediata para o capital especulativo que vinha sendo atraído para o país.

Por outro lado, apostas do governo como a política industrial não têm tido apoio suficiente para contrabalancear o equilíbrio do poder. A opção deste governo pelo fortalecimento da indústria nacional se traduz numa cesta que soma BNDES, os incentivos do "Brasil Maior" e um Plano Plurianual que assume a meta de internacionalizar 30 empresas manufatureiras. Aposta-se que a política industria é o eixo para o fortalecimento do mercado interno e do desenvolvimento tecnológico de uma maneira ainda mais aguda do que já vinha ocorrendo no governo Lula.

São opções que distanciam Dilma do que foi o governo Fernando Henrique. Parece paradoxal que busque se aproximar politicamente do ex-presidente tucano. Mas não o faz apenas porque reconheça seu papel na história. Para a mudança de paradigma que realizou na economia, Fernando Henrique montou uma coalizão política que foi rearranjada, sob o comando do PT, pelo governo lulista.
Para dar conta do risco que resolveu tomar, Dilma terá que dar conta de todas as frentes que abriu: a valorização do salário mínimo, a ampliação dos programas sociais e a vasta gama de incentivos fiscais.

Precisará rearranjar também a base política que a elegeu, incorporando setores da sociedade que votaram no PSDB. Um câmbio apreciado e medidas como a elevação do IPI para carros com baixo índice de nacionalização podem vir a lhe custar o apoio de parte da classe média tucana e daquela que ascendeu no governo Lula e que, por isso, votou em sua candidata.

Numa passagem do discurso que escreveu para a história, a presidente diz que coragem, em português, é uma palavra feminina. É dela que precisará para enfrentar a guerra, outra palavra feminina, que decidiu travar sem que esteja claro, no momento, quem são seus aliados - vocábulo masculino.

MIRIAM LEITÃO - O custo do salto


O custo do salto
MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 23/09/11

A alta do dólar não estava no radar de nenhum banco ou consultoria. Não nesta rapidez. O Banco Central alertou que isso poderia acontecer e tomou medidas preventivas para evitar o excesso de endividamento em dólar. As empresas estão analisando o custo nos seus balanços; os bancos e consultorias estão elevando as projeções de inflação para este ano e o próximo.

Não era a alta do dólar que tanta gente pedia? Era sim: os ministros da Fazenda, do Desenvolvimento, as entidades empresariais, os exportadores, os produtores locais. Todos diziam que o dólar baixo demais causava distorções, desindustrialização e déficit em transações correntes. Mas a alta brusca causa distúrbios e ontem o BC teve que entrar no mercado para derrubar o câmbio que bateu no pico em R$1,96 e fechou em R$1,89.

O impacto da alta do dólar acontece em cadeia. Sobe o preço dos importados e dos produtos feitos no Brasil que têm grande quantidade de materiais, componentes e insumos importados. Matérias-primas como metais, petróleo e alimentos sobem porque são cotadas em dólar, seja quando o Brasil é o importador, como trigo, seja quando é exportador, como soja e café. As cotações das commodities caíram 10,5% nos últimos dias, mas a queda do real foi de 19,7%. A alta do petróleo em reais afeta uma sucessão de produtos como detergentes, embalagens, passagens aéreas.

A Petrobras há muito tempo não corrige o preço da gasolina que fornece às distribuidoras, mas sobe os preços dos outros derivados como óleo combustível, querosene de aviação, nafta. Quando o dólar estava caindo, a Petrobras subia o preço dos derivados, mas descontava a queda do dólar. Agora com a alta da moeda americana haverá uma onda de elevação dos preços de derivados, apesar de o petróleo ter caído no mercado externo. A queda do barril foi menor do que a alta do dólar até agora. Ficará mais caro para a Petrobras continuar adiando a correção dos preços da gasolina e óleo diesel. Pelos cálculos do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), se o dólar se estabilizar em R$1,78 a defasagem do preço da gasolina será de 19,2% e do diesel, 18,6%, em relação aos preços internacionais.

Os preços cobrados pela Itaipu de seus clientes são corrigidos pelo dólar. A moeda americana mais cara afeta os custos industriais e as contas residenciais em grande parte do Sudeste, que depende da energia da empresa binacional.

A dívida externa das empresas e do governo ficou bruscamente mais cara, mas como só será liquidada no vencimento o aumento atual é apenas contábil. O problema é que isso afetará os lucros das empresas que têm dívidas em dólar.

O Banco Central atuou preventivamente para evitar a repetição das posições alavancadas em moeda estrangeira, que quebraram algumas grandes empresas brasileiras quando houve a crise de 2008. Elas tiveram enormes prejuízos porque haviam apostado no mercado futuro que o dólar continuaria baixo e, com a quebra do Lehman Brothers, a moeda deu um salto. O custo das "chamadas de margem", isto é, pagamento antecipado de uma parte da garantia dos contratos, ficou muito alto. Elas tiveram que ser socorridas pelo BNDES. Não se espera que isso aconteça agora, porque o BC tem monitorado essas posições e limitado esse tipo de operação.

Quando a crise externa se agrava, há uma corrida natural para o dólar, mesmo quando o epicentro do terremoto é nos Estados Unidos, como foi em 2008. Neste momento, o medo é de que o muito provável calote da Grécia afete outros países. Ontem, o seguro para a dívida italiana subiu fortemente. Os bancos que têm muitos títulos das dívidas dos países mais encrencados da Europa estão com ações em queda e sendo rebaixados pelas agências de risco. Todos estes sinais são de que o mercado espera um agravamento da crise na Zona do Euro.

Num ambiente assim, o refúgio é o dólar. A situação se inverteu dramaticamente. A moeda que perdia valor em relação a todas as moedas do mundo agora se valoriza. Isso detona uma compra antecipada de quem tem obrigações em dólar, o que realimenta o processo.

A volatilidade do dólar afeta a economia mais do que a alta em si. Se houvesse uma desvalorização lenta do real, as empresas teriam tempo de contratar produtores locais, o que ajudaria a economia interna. Mas um salto de 20% em 15 dias pega empresas e pessoas no contrapé. Quem programou uma viagem no dólar a R$1,60, fez gastos no cartão de crédito nesse valor, está agora diante do fato de que sua viagem ficou subitamente mais cara do que o orçamento feito anteriormente. É o movimento brusco que prejudica.

O Banco Central está equipado para enfrentar a turbulência. Tem o cinto de segurança de US$150 bilhões a mais de reservas do que tinha na crise de 2008. Adotou nestes três anos medidas prudenciais para evitar o excesso de exposição ao câmbio. Mesmo assim, as empresas se endividaram em dólar porque a tentação de captar numa moeda que perdia valor em relação ao real a juros quase zero foi grande demais.

Para quem não é empresário, nem tem dívida em dólar, o problema será enfrentar a inflação que será impactada se a moeda americana ficar em patamar mais alto.

CELSO MING - Solavancos no câmbio


Solavancos no câmbio
CELSO MING
O ESTADÃO - 23/09/11

O governo Dilma vai trombando com os casuísmos e a inconsistência de sua política de câmbio.

Há poucas semanas, fez movimentos esdrúxulos destinados a estancar o mergulho do dólar (valorização do real). Uma dessas decisões foi impor um IOF de até 6% sobre as posições vendidas no mercado futuro. De lá para cá, ninguém mais assumiu posições vendidas para não morrer com esse imposto. Ou seja, o mercado de hedge (proteção) foi esvaziado.

Agora, a situação cambial virou. Bancos, empresas e instituições entenderam que precisam se proteger da crise com compras de moeda estrangeira. Só que não há mais quem venda no mercado futuro, por causa do IOF e da desativação relativa do mercado de hedge.

As cotações dispararam. Saltaram 19,8% em apenas 15 dias úteis. E nesta quinta-feira o Banco Central acionou o primeiro leilão de swap de câmbio desde junho de 2009, para tentar conter a alta.

À parte essas inconsistências já deu para ver que o governo Dilma (e já não se fala em protagonismo do Banco Central) não quer nem cotações abaixo de R$ 1,50 por dólar e começa a se incomodar quando saltam para acima de R$ 1,90. São limites (piso e teto) ainda pouco claros.

Com essa disparada, novos problemas apareceram. O mais sério deles é o impacto inflacionário acionado pelo câmbio.

O que provavelmente não foi considerado pela equipe econômica (incluídos aí os dirigentes do Banco Central) quando começou a puxar para cima as cotações é a enorme transformação do sistema produtivo nos últimos três ou quatro anos. As empresas brasileiras se tornaram muito dependentes de suprimento externo de matérias-primas, insumos, conjuntos, componentes, peças, máquinas e capital de giro. A dívida externa do setor privado saltou, em cinco anos, de US$ 103,3 bilhões para US$ 232,3 bilhões.

Não só montadoras se abastecem mais de autopeças importadas. O setor têxtil usa fibras, fios e tecidos do exterior em maior número. A construção civil incorporou materiais de acabamento trazidos do exterior. A indústria de máquinas depende de eletrônica embarcada e subconjuntos importados. A indústria eletrônica importa a maioria dos seus chips e circuitos. E toda a agricultura precisa de fornecimento externo de fertilizantes, defensivos e boa parte de máquinas agrícolas.

Em outras palavras, essa esticada das cotações do câmbio provoca uma alavancada nos custos de todo o setor produtivo, não só da indústria. Até agora não se sabe o impacto inflacionário (pass through) disso diante do novo quadro de interdependência global. Em todo o caso, os mesmos setores que pediam mais câmbio já reclamam da forte alta dos custos.

Se a desvalorização do real persistir, logo chegará o momento em que o Banco Central será convocado para iniciar a revenda de dólares das reservas. E tem a política de juros. A aposta do Banco Central é de que a crise externa leva à desinflação da economia, a começar pela queda dos preços das commodities alimentares. E isso pode não acontecer. Ao contrário, a alta do dólar no câmbio interno vem puxando para cima os preços do trigo e demais cereais. O que implicará duro teste para a atual estratégia de expansão monetária (baixa dos juros) do Banco Central.

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA


Para a torcida
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 23/09/11

Quem acompanhou de perto a votação da Comissão da Verdade na Câmara enxergou um certo jogo de cena nas reações acaloradas tanto da oposição quanto de Dilma Rousseff. As alterações inseridas no texto por insistência do DEM são, na prática, superficiais. Afinal, os sete membros do colegiado, que vai apurar crimes cometidos durante a ditadura militar, serão escolha individual da presidente, baseada em critérios pouco restritivos para além do que já vinha sendo negociado.
O líder do DEM, ACM Neto, jogou para seu público. E, mesmo advertida de que as mudanças não seriam profundas, Dilma pegou pesado com seus auxiliares.

Ideia Circula no núcleo do governo o relato de que Dilma teria pensado em convidar FHC para integrar a Comissão da Verdade. Mas não houve gesto concreto nesse sentido. De todo modo, pessoas próximas do tucano duvidam de que ele aceitasse.

Básico Por que afinal Eduardo Campos (PSB-PE) moveu mundos e fundos para instalar a mãe no Tribunal de Contas da União? Resposta simples de um observador da cena política: "Para mostrar que conseguiria".

Para ontem Tão logo Ana Arraes (PSB-PE) foi eleita na Câmara, o governador pediu ajuda ao presidente Marco Maia (PT-RS) para convencer José Sarney (PMDB-AP) a liquidar no mesmo dia a fatura no Senado. Aécio Neves (PSDB-MG) também entrou em campo, mas o esforço foi abortado diante da reação negativa de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).

Paralelo Convencidos de que a eleição de Ana Arraes, somada a outros percalços, fragilizou o projeto de Henrique Alves (PMDB-RN) para 2013, aliados lembram o que ocorreu com Cândido Vaccarezza (PT-SP): "Ele perdeu a presidência da Câmara não porque a Casa não o queria, mas porque o PT não deixou". O líder peemedebista sofre cada vez mais contestação na própria bancada.

Rsrsrsrsrs Em entrevista em Washington, Guido Mantega negou que o aumento do IPI sobre carros importados tenha caráter protecionista: "É uma medida que estimula investimentos locais em tecnologia". Ao ouvir a tradução, a plateia de jornalistas caiu num riso discreto.

Laboratório De um tuiteiro espirituoso, sobre a ideia do ex-presidente da República de transformar o economista Márcio Pochmann em candidato a prefeito de Campinas: "Olha, se o Lula conseguir eleger esse megaprofessor Pardal, o PT deveria lançar a robô da Flávia Alessandra em São Paulo".

B.O. 1 Preocupa o Palácio dos Bandeirantes uma nova ameaça de greve na Segurança Pública diante do impasse na votação do reajuste dos policiais, prevista para a próxima semana na Assembleia. O projeto de Geraldo Alckmin recebeu 130 emendas.

B.O. 2 A mais polêmica é defendida até por deputados tucanos: garante promoção para 1.400 oficiais da reserva, causando despesa anual extra de R$ 25 milhões.

Acelerador A ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) cobrou ontem de Garibaldi Alves (Previdência) o envio dos argumentos técnicos que embasarão o pedido de urgência para a votação do projeto do fundo complementar dos servidores públicos, em lenta tramitação na Câmara.

Visita à Folha Omar Magid Hauache, presidente do Laboratório Fleury, visitou ontem a Folha. Estava com William Malfatti, gerente sênior de Comunicação, Estratégia e Marketing.

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio

"Aprovar a emenda 29 sem fonte de financiamento é como nadar e morrer na praia. Sem recursos, a população carente seguirá morrendo nas emergências do país."
DO DEPUTADO DOMINGOS DUTRA (PT-MA), sobre o fato de a Câmara ter rejeitado, em votação anteontem, a criação de um novo imposto, nos moldes da extinta CPMF, para destinar mais dinheiro à saúde pública.

contraponto

Uma coisa ou outra


A certa altura da árdua negociação na Câmara para votar o projeto da Comissão da Verdade, o líder do PT, Paulo Teixeira (SP), perguntou ao do DEM, ACM Neto (BA):
-Com essa sua emenda, o José Gregori, por exemplo, poderia ser escolhido membro da comissão?
-Se ele quiser, vai ter de deixar a secretaria do Kassab.
O texto final impede a participação de quem ocupa cargo de confiança em qualquer esfera do poder público. Gregori, ex-ministro da Justiça de FHC, responde hoje pela pasta de Direitos Humanos da prefeitura paulistana.

JOÃO MELLÃO NETO - Nada de novo sob o Sol


Nada de novo sob o Sol
JOÃO MELLÃO NETO
O Estado de S.Paulo

"Brasil de todos", o "espetáculo do crescimento", o "Brasil que é respeitado lá fora" são alguns dos slogans preferidos das gestões petistas. Há nisso tudo um aspecto já visto. Os mais antigos hão de recordar quando, Foi a partir de 1969, durante o regime militar, no mandato do presidente Médici. Quem cuidava disso era a Assessoria Especial de Relações Públicas (Aerp). Tratava-se de um órgão, diretamente ligado ao gabinete presidencial, que cuidava da imagem pública do titular. Não havia eleições diretas naquela época e a profissão de marqueteiro só viria a existir muito tempo depois. Mas lá, na Aerp, reuniam-se psicólogos, sociólogos, jornalistas e donos de agências de publicidade para, em conjunto, vasculharem a fundo a alma dos brasileiros.

A razão de tal esforço era apresentar as realizações do governo, cotejá-las com as principais aspirações do povo e dar um jeito de convencê-lo de que era aquilo mesmo que ele queria. E isso se conseguia por meio de todos os meios de comunicação. A Aerp de Médici, como a Secretaria de Comunicação (Secom) de Lula, alcançou plenamente seus objetivos: ao final de seus mandatos, o primeiro alcançou 75% de aprovação popular e o segundo, 80%.

Indo um pouco mais longe, vale recordar que no período ditatorial (1937-1945) Getúlio Vargas fazia o mesmo. Via Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), vendeu-se a imagem de que Getúlio era o "pai dos pobres", o "protetor dos trabalhadores", etc. Alguma semelhança?

São três presidentes que governaram em épocas distintas. E todos eles cuidaram de centralizar em seu gabinete todas as verbas de publicidade de todo o governo federal e "otimizá-las", ou seja, remunerar tanto jornais como jornalistas. Os primeiros, com publicidade oficial, os segundos, com dinheiro mesmo. O objetivo era que todos falassem bem do governo. O DIP de Vargas controlava jornais, rádios, cinema e peças de teatro. A Aerp de Médici fazia o mesmo, acrescentando a TV. Se quase todos os veículos de comunicação bombardeavam os cidadãos com a mesma mensagem, não é de estranhar que os três mandatários tenham sido extremamente populares.

Mas, haverão de objetar, não há nessa comparação algo de impróprio? Tanto Vargas como Médici foram ditadores. Já Lula, dizem, sempre foi um democrata.

Está certo. Mas a verdade é que, com exceção da censura oficial, o apelo e os meios utilizados foram os mesmos para os três. O partido de Lula não pratica censura à imprensa, mas trata de intimidá-la: os jornais, com a ameaça de criar um novo modo de exercê-la e os jornalistas, com a "patrulha ideológica". Como estamos numa democracia, não é de bom tom valer-se de expressões de cunho coercitivo. Segundo a moderna semântica de que se valem os petistas, não se trata de censura, mas de "controle social da mídia". No que tange aos profissionais de imprensa, o que se faz é apelar para a sua "consciência de classe".

À diferença dos dois outros, vale lembrar que Lula jamais vetou peças de teatro ou filmes. Tratou, isso sim, de amarrar todos com generosos subsídios e patrocínios. Já Vargas, via DIP, exerceu tanto o cerceamento como a cooptação. É de conhecimento geral que na época do Estado Novo o Ministério da Educação, dirigido por Gustavo Capanema, amainava os ímpetos revolucionários dos intelectuais proporcionando-lhes generosos empregos. Fizeram parte da sua equipe os poetas Manuel Bandeira, Vinicius de Morais e Carlos Drummond de Andrade, os escritores Cecília Meirelles e Mário de Andrade, o arquiteto Lúcio Costa, o músico Villa-Lobos e o pintor Cândido Portinari, além de muitos outros menos conhecidos. Médici, com a Embrafilme, também tratava de atrelar artistas e cineastas. Sua maior arma, depois da censura, eram os gordos subsídios a que faziam jus apenas quem se comportasse bem.

E Lula, o democrata, como agiu? É verdadeiro que seu governo, na área artística, nunca perseguiu ninguém. Mas ele teve lá suas preferências. Gilberto Gil foi seu ministro da Cultura e Chico Buarque preferiu emplacar sua irmã. O MinC vem beneficiando com isenção de impostos todas as empresas que patrocinem seus artistas-militantes. Há exceções, claro. Às vezes se patrocinam artistas que nada têm que ver com o PT. É o caso, por exemplo, da promissora bailarina Bia Lula da Silva. No campo de incentivos privados, foram bastante estimulados os que promoveram jovens empreendedores - como o que a OI concedeu a Fábio (...) da Silva.

E se as empresas particulares não se interessarem em patrocinar a arte petista? Não tem problema. Ninguém há de ficar ao relento. As empresas estatais reservam polpudas verbas para isso. E houve muito dinheiro para as ONGs e para os movimentos sociais também.

Lula, durante sua dupla gestão, logrou alcançar uma unanimidade de dar inveja aos outros dois. Nas mãos petistas estão todas as centrais sindicais, a União Nacional dos Estudantes, grande parte das ONGs, dois terços do Congresso Nacional, quase todos os partidos políticos, quase todos os ditos "movimentos sociais". E vai por aí afora...

Só que há um porém. A História do Brasil tem cruelmente demonstrado que o prestígio político esteve sempre vinculado ao desempenho econômico. E, no caso do Lula, ele não tudo aquilo que seus acólitos afirmavam: o crescimento do PIB em sua gestão foi de 4,3% ao ano, portanto, abaixo da média histórica do período republicano. O primeiro ano de sua sucessora promete um crescimento medíocre, a inflação ameaça voltar e há uma recessão mundial para enfrentar.

Nem Estado Novo, nem regime militar, nem nada: não há sistema político autossustentável. Nunca nenhum resistiu ao fracasso econômico.

Ao lulopetismo, é o que parece, só nos resta dar adeus

GOSTOSAS


MARCIA PELTIER - Made in Brasil



Made in Brasil
MARCIA PELTIER
JORNAL DO COMMÉRCIO - 23/09/11

O tradicional café do Museu d'Orsay, em Paris, vai ganhar um toque brasileiro. Fernando e Humberto Campana foram escolhidos para cuidar da reforma de todo o ambiente. A inauguração do novo layout está prevista para o fim deste ano. Vale lembrar que a dupla também assinou o elogiado Café do Theatro Municipal de São Paulo, em meados de julho. Antes de iniciarem o trabalho na França, os dois viajam para Veneza. Vão participar do World Art, que começa dia 7 de outubro.

Prestígio acadêmico
Os irmãos Campana estão virando assunto nas principais faculdades de arquitetura do mundo. A repaginada do hotel Yes!, que fica na Praça Syntagma, em Atenas (Grécia), já virou case. Uma das paredes ganhou a "instalação favela", que mistura pedaços do mobiliário, resto de estofados, memórias e lembranças do antigo hotel. A inovação gerou matéria de três páginas na última edição da revista Life and Style.

Assunto privado
Passado o sufoco pela aprovação, na Câmara, da Comissão da Verdade, a ministra Maria do Rosário se perguntava rindo, nesta quinta-feira, “como vai ficar a minha moral trancada com todos aqueles homens no banheiro?”. É que, para acertar os últimos ajustes no texto e garantir privacidade às discussões, a ministra, Marcos Maia, Candido Vaccarezza, José Genoino e José Eduardo Cardozo se fecharam no banheiro da presidência da Câmara. A presidente Dilma, em Nova York, na linha com Cardozo, nem suspeitou do lugar sui generis onde o grupo estava.

Fechada em copas
Caberá exclusivamente à presidente a momeação dos sete membros da Comissão da Verdade. Sobre quem recairá sua escolha, Dilma não dá abertura para que ninguém toque no assunto. O governo vai investir esforços para que o Senado aprove a Comissão até o fim do ano, de modo que seus trabalhos comecem e terminem ainda na gestão de Dilma. Foram estipulados seis meses para a sua preparação e dois anos para o seu funcionamento.

Heavy metal
O Rock in Rio, que começa nesta sexta-feira, recebeu investimento pesado em patrocínios. Segundo um empresário envolvido na produção do evento, foram mais de R$ 60 milhões só em cotas de diversas empresas — de banco e biscoito a telefone celular e cerveja.

Guloseimas grátis
Os roqueiros não precisam se preocupar em gastar muito na hora do lanchinho. A Kraft Foods Brasil, dona das marcas de chicletes Trident, balas Halls, chocolate Lacta e biscoito Club Social, vai distribuir gratuitamente cerca de 700 mil unidades dos itens durante o Rock in Rio. Ou seja, praticamente um para cada visitante.

Samba americano
A cantora californiana Katy Perry não poderá curtir um dolce far niente com a amiga e cantora Rihanna durante sua passagem pelo Rio. Acostumadas a irem para a balada juntas, desta vez Katy estará com a agenda apertada. No domingo, ela se apresenta em São Paulo e, na segunda, voa para Buenos Aires. Terá apenas o sábado livre para visitar o Pão de Açúcar, lugar indicado por amigos. A moça já avisou que quer comprar CDs e DVDs dos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Rio. Aliás, ela já chegou em ritmo de samba, com máscara de Carmen Miranda.

Turma do gargarejo
Durante o show desta sexta, os fãs de Katy Perry vão levar souvenirs para casa. Os que estiverem colados no palco poderão ser brindados com algumas das perucas nas cores lilás e azul, além dos biquínis no formato de cupcakes, que ela costuma jogar para a plateia. As peças, sempre usadas pela cantora em shows e premiações, também são vendidas em seu site por US$ 30 cada.

A estrela sobe
Carol Marra, a modelo transexual que chamou atenção sem desfilar no último Fashion Rio – ela estava na plateia para ver sua prima, Lea T, na passarela – acaba de ser clicada em estúdio para um ensaio da L’Officiel nacional de outubro. A mineira considera uma conquista o fato de o editorial não ressaltar sua condição sexual. Carol desfilará para Victor Dzenk no Minas Trend Preview, em outubro, e está cotada para o casting de Alexandre Herchcovitch, na próxima São Paulo Fashion Week.

Filão inesgotável
A terceira edição do Censo das Agências Digitais Brasileiras apontou crescimento de 10% no número de empresas em relação a 2010, de 2.518 para 2.787. A taxa vem se mantendo há três anos. O faturamento avançou 55%, a R$ 1,5 bilhão, puxado pela criação de websites, a principal atividade das agências, seguido por projetos focados em redes sociais e campanhas publicitárias. O estudo contou com a participação de cerca de 400 agências de todo o país. O setor emprega, atualmente, 25,4 mil pessoas.

Livre-Acesso

A Sociedade Brasileira de Alcoologia realiza, domingo, às 9h, passeata na Praia de Copacabana para conscientizar as grávidas sobre a síndrome alcoólica fetal

Neyde Monteiro, que foi oficial de Chancelaria da Embaixada brasileira em Londres e dona do yorkshire Alphy, que acabou se tornando o mascote da nossa representação diplomática, escreveu o livro Alphy, meu bem-querer pela Réptil Editora. Ela faz o lançamento da obra este domingo, para amigos, no apartamento da artista plástica Ana Cíntia Serour, na Avenida Atlântica.

O músico e instrumentista Davi Moraes se apresenta no domingo na Reserva +, no Arpoador. O show gratuito acontece às 18h30.

O compositor Altay Veloso e Paulo Cesar Feital apresentam novo show, neste sábado, no bar Cariocando, no Catete.

O grupo Meggadig, representante da chinesa Lonking, comemora os bons números de venda no Brasil. O executivo Deets Tianshu Di, gerente para os mercados internacionais, promove café da manhã nesta sexta para apresentar a primeira retroescavadeira que será comercializada no Rio.

O artista plástico José Maurício Vieira, proprietário do Barreado, em Vargem Grande, expõe peças de madeiras oriundas da floresta amazônica. Durante o Rock in Rio, o atelier e o restaurante estarão abertos 24h.

A consultora gastronômica Fernanda Marcolini, do Manekineko, lança menu de primavera nesta sexta, com ingredientes refrescantes.

Com Marcia Bahia, Cristiane Rodrigues, Marcia Arbache e Gabriela Brito


MERVAL PEREIRA - Geleia eleitoral


Geleia eleitoral
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 23/09/11

O encontro do ex-presidente Lula com representantes de alguns partidos da base aliada, tendo o vice-presidente Michel Temer como principal interlocutor do PMDB, gerou alguma ciumeira entre partidos que não foram convidados - PP, PR e PTB, a direita da coalizão governamental. E também deixou no ar uma proposta de misturar o voto em lista fechada defendido pelo PT e o "distritão" que o PMDB quer, tudo para viabilizar o financiamento público de campanha, que parece ser o grande objetivo de Lula na sua pregação pela reforma política.

Por trás desse empenho do ex-presidente, há uma estratégia eleitoral, pois o PT é o partido que mais recebe votação em legenda, mas também uma manobra política.

Às vésperas do julgamento do mensalão, interessa ao PT estabelecer que todos os problemas que ocorrem nas eleições devem-se ao atual sistema de financiamento eleitoral, que levaria os partidos a usarem o caixa dois, que é no que o ex-presidente quer transformar o mensalão.

A princípio, a estratégia não está dando certo, pois em recente debate sobre o tema dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) - Gilmar Mendes e Dias Toffoli - demonstraram receio de que o financiamento público exclusivo, esse sim, leve os candidatos ao financiamento paralelo ilegal.

A proposta do projeto do deputado petista Henrique Fontana, de aceitar também o financiamento privado, mas para um fundo, que seria distribuído igualmente por todos os partidos de acordo com as bancadas eleitas na eleição anterior, não agrada aos partidos de maneira geral.

Primeiro porque alegam que os financiadores privados não gostarão de não saber que candidatos estão ajudando, e depois a distribuição dessa verba beneficiaria o PT e o PMDB, que têm hoje as maiores bancadas, e ajudaria a congelar as representações no Congresso, beneficiando sempre os maiores partidos.

O ministro Gilmar Mendes lembrou ainda que já existe um financiamento público, através do fundo partidário e do horário de propaganda na televisão e no rádio.

Essa proposta de um sistema misto de eleição, com metade sendo eleita pela lista fechada, e metade na eleição majoritária nos "distritões", tem uma complementação na proposta do deputado Alfredo Sirkis, remanescente do grupo da ex-senadora Marina Silva no Partido Verde.

Pela "emenda Sirkis", metade dos deputados federais e estaduais seria escolhida pela lista fechada, com base num cociente partidário ponderando a média entre os votos dados à legenda e os atribuídos aos candidatos dos partidos nas grandes zonas eleitorais.

A outra metade seria eleita nos grandes distritos eleitorais em eleição majoritária, eleitos os mais votados, sem contagem de sobras.

Nesses grandes distritos, o número de candidatos apresentados por cada partido seria inferior em um ao número de cadeiras em disputa.

Os partidos poderiam, a seu critério, apresentar um número de candidatos inferior a esse, e Sirkis acredita que provavelmente o farão.

Os candidatos aos grandes distritos seriam eleitos em primárias ou convenções, usando os mesmos sistemas propostos pelo relatório Fontana para as listas.

O financiamento das eleições nos grandes distritos seria exclusivamente público, com 70% dos recursos distribuídos igualmente entre os candidatos, podendo haver uma margem de negociação para um sistema misto de financiamento.

Seriam criados dois tipos de grandes distritos eleitorais: os estaduais e os municipais.

Os estaduais serviriam para eleger metade dos deputados federais e estaduais; e os municipais, metade dos vereadores.

O desenho territorial desses distritos seria feito nos estados e nos municípios sob a responsabilidade da Justiça Eleitoral, com concurso do IBGE, buscando a maior proporcionalidade possível entre eleitores e cadeiras nos distritos. Nos municípios com menos de cem mil eleitores, a zona seria o município.

O deputado Alfredo Sirkis vê as seguintes vantagens em sua proposta:

a) Introduz um componente de regionalização que aproxima um pouco mais os eleitos da população, barateia custos de campanha e facilita o acompanhamento dos mandatos pelos eleitores.

Esse ponto favoreceria o apoio dos parlamentares favoráveis ao voto distrital. b) Mantém o sistema proporcional na medida em que o voto dado nos grandes distritos continua contando para a eleição proporcional, evitando, assim, a emenda constitucional.

Esse sistema limitaria o alcance e o poder de transferência dos "fenômenos" eleitorais, pois seus votos, embora contando para o cociente partidário, são limitados ao eleitorado da respectiva zona.

Pelo malabarismo que cada grupo está fazendo, é previsível que mais uma vez a reforma política não chegará a bom termo.

Mas o deputado Miro Teixeira pretende simplificar a discussão, levando diretamente ao interessado a questão.

Ele apresentou um projeto de decreto legislativo para que se realize um plebiscito para saber como o povo quer escolher seu representante, "pois qualquer projeto fica sob suspeita de facilitar a eleição dos políticos que o apresentam".

Miro acha que o plebiscito é um constrangimento para os que defendem voto em lista e financiamento público, que já foram rejeitados anteriormente pela reação negativa da opinião pública, que levou à não aprovação do voto em lista fechada.

O plebiscito colocaria em discussão com o público todas as formas eleitorais que estão em debate e mais a opção de não mudar nada.

Quem é que disse que o povo quer mudar?, indaga Miro.

Se for porque o Lula quer, então ele que vá defender seu projeto no plebiscito, desafia o deputado do PDT, que se oferece para um debate público com Lula para criticar o voto em lista e o financiamento público.

SIDNEI NEHME - As razões para a alta estão mais perto do que se imagina


 As razões para a alta estão mais perto do que se imagina
SIDNEI NEHME
O ESTADÃO - 23/09/11

Há duas máximas pertinentes ao mercado de câmbio brasileiro:

1)nem tudo o que se vê é exatamente o que parece; e

2) este é um mercado de muitos espertos e poucos distraídos.

A taxa cambial tem revelado alta expressiva nas últimas semanas, com os mais variados "diagnósticos". Uns a atribuem aos problemas da Grécia; outros, às turbulências e desajustes das economias da zona do euro/União Europeia; há ainda quem cite os Estados Unidos e sua "guerra cambial"; por fim, há quem não saiba exatamente por que ocorre.

Quando se abre a janela para o exterior, de fato, vê-se problemas demais, preocupações demais, incertezas e desconfianças demais. Mas por que sempre olhamos para fora para identificar o que ocorre internamente? Seria a nossa memória reavivando o Brasil pequeno, dependente de crédito externo, altamente endividado, etc., nos mantendo prisioneiros do sentimento de inferioridade? É possível.

Alguns conseguem enxergar uma demanda pressionando o mercado à vista, que efetivamente não existe em proporções para justificar tamanha alta; outros entendem que o dólar sobe porque é sempre assim quando há crise no exterior.

Não é que não sejamos vulneráveis. Afinal, não somos uma ilha e fazemos parte da economia global.

Devemos estar preparados para solavancos.

Mas o fato é que poucos, poucos mesmo, olham para o mercado de câmbio e para o mercado de derivativos para interpretar os movimentos e posicionamentos existentes para prospectar, naquele emaranhado de números e atores, as causas de tudo o que está acontecendo.

No Brasil de hoje, o caos externo não influencia de forma direta, mas marginal, o mercado de câmbio.

O governo sempre soube que,no País,o mercado de derivativos determinava a taxa à vista.

Quando as autoridades perceberam que o real valorizado asfixiava a indústria não agrícola, interveio, criando limitações e tributando-o com o IOF.

Com a medida,o mercado de derivativos ficou travado, sem liquidez.

Contudo, ficaram lá represados os fundos hedge( os mais arriscados do mercado,que fazem operações que podem resultar em expressivas perdas) comum posicionamento líquido vendido em cupom cambial-DDI (ou seja, taxa de juro em dólar aqui no Brasil)em US$ 13,5 bilhões. Não é pouco para quem apostava que o real continuaria a se valorizar. Sem liquidez, o mercado fica extremamente sensível a qualquer movimento mais forte em busca de uma acomodação melhor.

O problema é que a alta do dólar fugiu ao controle, irradiando repercussões na mídia que facilmente podem se transferir para os preços.

O Banco Central, então, resolveu dar liquidez ao mercado, anunciando que não rolará uma posição a vencer dos chamados swaps cambiais reversos (US$ 2 bilhões). Além disso, fez uma oferta de swap cambial de US$ 5,6 bilhões, dos quais foram absorvidos US$ 2,7 bilhões.

Amoeda americana cedeu.Mas a volatilidade continuará até que os fundos hedge zerem suas posições, pois o BC certamente fará novas ofertas.

Depois disso,voltaremos a ver o dólar em R$ 1,70. Ficará claro e evidente que as causas diretas estavam aqui, bem pertinho, no prédio do BM&FBovespa, no centro de São Paulo.

DIRETOR DA NGO CORRETORA DE CÂMBIO

GOSTOSA


WASHINGTON NOVAES - Diálogo com um surdo no meio da floresta


Diálogo com um surdo no meio da floresta
WASHINGTON NOVAES
 O Estado de S.Paulo - 23/09/11

Há questões muito relevantes no Brasil em que, na aparência, ocorre um diálogo entre governo e sociedade; na prática, entretanto, os governantes parecem absolutamente surdos ao que dizem cientistas e cidadãos; só ouvem os que estão do lado oposto. E esse é - entre outros - o caso da gestão "sustentável" de florestas públicas por empreendimentos privados.

Ainda há poucos dias, o jornal Folha de S.Paulo (4/9) divulgou estudo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) mostrando que o manejo de florestas nativas é, ao menos do ponto de vista econômico, "insustentável", pois não permite a regeneração das árvores mais valiosas e tende à perda da rentabilidade após o primeiro corte para comercialização. Imagine-se, então, o que acontece em termos de sustentação da biodiversidade e da manutenção da floresta. Uma questão tão grave que, segundo o estudo, "pode fazer fracassar a política federal de concessão de florestas". O caso estudado é em Paragominas (PA), região onde o autor destas linhas esteve há uma década acompanhando um desses projetos e concluiu que de sustentável nada tinha; algum tempo depois ele foi embargado pelo Ibama porque retirava sete vezes mais madeira do que lhe era permitido.

Pois exatamente poucos dias depois de divulgado esse estudo da Esalq o Ministério do Meio Ambiente (MMA) anunciava (9/9) que "dez florestas nacionais integram a lista de florestas públicas que poderão ser concedidas em 2012, segundo o Plano Anual de Outorga Florestal". Ao todo, 4,4 milhões de hectares - ou 44 mil quilômetros quadrados no Pará, em Rondônia e no Acre, equivalentes a mais de dois Estados de Sergipe. E 2,8 milhões de hectares se destinarão à "produção sustentável". Da qual se espera retirar 1,8 milhão de metros cúbicos de madeira.

É uma política que vem desde a gestão Marina Silva no ministério, contestada por uma legião de conceituados cientistas - mas sem que merecesse discussão alguma. Foi aprovada por proposta do governo ao Congresso em 2006, por escassa maioria - 221 votos a 199. E dava direito a conceder até 50 milhões de hectares, por 40 anos. Imediatamente vieram críticas contundentes, muitas delas já mencionadas em artigos neste espaço. A começar pelas do respeitado professor Aziz Ab'Saber, da USP, para quem se trata de "um crime histórico, uma ameaça de catástrofe". A seu ver, mais de 40% das terras são públicas e permitiriam "um programa exemplar". A concessão, no entanto, como seria feita pela proposta aprovada, levaria à exploração intensiva à margem de rodovias e à perda da biodiversidade. Mais ainda: as florestas jamais voltarão ao domínio público após 40 anos. Todos os países que entraram por esse caminho ficaram sem elas.

O professor Rogério Griebel, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), e o almirante Ibsen Gusmão Câmara argumentaram na mesma direção: é um sistema que dará início a um processo de evolução às avessas, partindo dos exemplares mais fracos (os que restarem após o corte dos melhores). Outro cientista do Inpa, Niso Higuchi, e o escritor Thiago de Mello perguntaram como seria possível falar em manejo sustentável se num único hectare de floresta podem ser encontradas árvores com tempo de maturação de 50 anos, ao lado de outras cujo tempo chega a ser de 1.400 anos. Como selecionar para o corte? Os professores Enéas Salati e Antônia M. Ferreira lembraram que existem muitas Amazônias diferentes, é preciso conhecer todas minuciosamente antes de qualquer decisão. E os professores Deborah Lima (UFMG) e Jorge Pozzobon (Museu Goeldi) acentuaram que os melhores exemplos de sustentabilidade não estão nesses projetos, e sim em áreas indígenas; o manejo "sustentável", ao contrário, está entre os piores. O agrônomo Ciro F. Siqueira trouxe argumento muito forte: não se deterá o desmatamento enquanto explorar ilegalmente um hectare invadido ou grilado custar menos da metade do que se gasta com um hectare em que se paguem todos os custos. Principalmente porque, como argumentou o ex-ministro José Goldemberg, no Brasil temos um fiscal para cada 100 mil hectares, 27 vezes menos que a média mundial.

Da mesma forma, poderia ser dito que o MMA continua tendo pouco mais de 0,5% do Orçamento federal. Como fará para cuidar de milhões de quilômetros quadrados da Amazônia? "Não temos para onde correr", limitou-se a dizer na época o diretor do Serviço Florestal Brasileiro (quem quiser conhecer, em toda a sua extensão, os pareceres dos cientistas pode recorrer aos números 53 e 54 da revista do Instituto de Estudos Avançados da USP).

Nesta mesma hora em que se vai avançar pelos mesmos caminhos - com os cientistas dizendo que todos os países que seguiram essa rota perderam suas florestas -, uma notícia deste jornal informa que 60% da madeira amazônica é desperdiçada por ineficiência no beneficiamento - quando o País consome 17 milhões de metros cúbicos anuais, segundo algumas fontes; ou 25 milhões, segundo outras (Envolverde, 20/10/2010). 46% do desmatamento corre por conta da agricultura (Greenpeace, 31/8). E poderão ser muito problemáticos os caminhos oficiais que permitem regularizar terras pagando até R$ 2,99 por hectare, com prazo de 20 anos.

E enquanto a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência se esgoela inutilmente pedindo um programa de desmatamento zero e forte investimento em ciência na região - para formar cientistas e investir em pesquisas da biodiversidade -, este jornal traz a advertência do Imazon (15/7): o desmatamento vai aumentar até julho de 2012, com 10,5% mais que no período 2009-2010.

Com que cara nos vamos apresentar à Rio+20 no ano que vem, quando a perda de florestas será um dos temas centrais? Como vamos dizer que temos cumprido e cumpriremos metas para a área do clima? Vamos seguir nessa interminável tentativa de diálogo com um surdo?

JOSÉ PAULO KUPFER - Moeda é vítima de um'efeito batata quente'


Moeda é vítima de um'efeito batata quente'
JOSÉ PAULO KUPFER
O ESTADÃO - 23/09/11

Quando aumentam os temores de um colapso econômico global,em resposta a um generalizado sentimento de aversão ao risco, o dólar é sempre o ativo mais procurado.
Nem mesmo com os EUA engolfados na maior crise em 80 anos a história mudou.
O gradual agravamento da situação da economia internacional, com consequente fuga para o dólar, portanto, é a primeira e principal explicação para a abrupta e acelerada desvalorização do real. O real está sendo vítima de um "efeito batata quente".
Não é, porém, a única razão - prova disso é que,nas últimas semanas,o real lidera o campeonato das desvalorizações. Recentes decisões do governo explicam a exacerbação das cotações no mercado brasileiro.
Dois movimentos-o corte na taxa de juros e o travamento, com a imposição de um IOF sobre posições vendidas, do mercado futuro de câmbio - encurralaram aplicadores. Eles apostavam na valorização do real e na alta (ou manutenção) da taxa de juros e foram atropelados pela reversão das duas apostas.
A tendência é que o próprio mercado se mova no sentido de ajustar posições. Mas operadores aproveitaram o ambiente de turbulência para tentar emparedar o governo e obter a revogação do IOF nas posições vendidas.
O Banco Central resolveu não esperar o autoajuste do mercado e desde quarta-feira tem feito intervenções no câmbio.
Altas bruscas e rápidas nas cotações do dólar produzem compreensível nervosismo.
Em quadros assim,não há como evitar temores de recrudescimento da inflação e a circulação de boatos sobre devedores em dólar com dificuldade para honrar compromissos.
Claro que, se a tendência de desvalorização do real se consolidar e se projetar no tempo, a política em curso terá de ser revertida.
Com apoio, no entanto, nas mesmas razões que pressionavam até recentemente pela forte valorização da taxa de câmbio- e que ainda permaneceriam atuando -, dá para acreditar que, depois de atingir algum pico, cujo nível ainda não é possível determinar,a cotação do dólar retrocederá.

JOSÉ ROBERTO DE ARRUDA FILHO - Decisão com economia do país ainda aquecida embute risco


Decisão com economia do país ainda aquecida embute risco
JOSÉ ROBERTO DE ARRUDA FILHO
FOLHA DE SP - 23/09/11

O aviso prévio proporcional já estava previsto na Constituição Federal e necessitava somente de regulamentação. Foi o que se buscou com o projeto de lei 3941/1989.

A partir da aprovação pela Presidência da República, o aviso prévio passa a ser de no mínimo 30 dias para trabalhadores com até um ano de trabalho na mesma empresa, ao qual são acrescidos mais três dias a cada ano trabalhado, com limite de 90 dias. Os empresários se sentem punidos. Por outro lado, há certo conforto em saber que a questão passa a ter regulamentação -prerrogativa do Senado e não do Supremo Tribunal Federal (que poderia definir a "indenização" em patamares mais desfavoráveis para as empresas). O empresariado teme que a medida esteja sendo definida em um momento de aquecimento da economia, ficando menos evidente o custo que poderá causar no futuro.

Caso a atual crise deixe de ser uma "marolinha" para o Brasil, o problema será muito grave, representando até 50% de aumento das verbas rescisórias individuais. Nota-se que, quando se fala em crise econômica, a demissão pode ocorrer sem justa causa, mas por uma causa justa: a sobrevivência efetiva da empresa.

Temor ainda maior é a questão da retroatividade. A saber, a que os trabalhadores teriam dois anos para reclamar a aplicação da lei. Ou seja, quem rescindiu contrato nos últimos 24 meses poderia pleitear o benefício. O momento da economia mundial está deixando os empresários, de fato, preocupados e, sendo assim, é provável que desligamentos possam começar a ocorrer antes mesmo da regulamentação efetiva da lei.

JOSÉ ROBERTO DE ARRUDA FILHO é sócio-diretor da JR&M Assessoria Contábil.

JUSTIÇA DO SARNEY


ABRAM SZAJMAN - A economia não comporta improvisos


A economia não comporta improvisos
ABRAM SZAJMAN
FOLHA DE SP - 23/09/11

O atual governo envereda por atalhos circunstanciais, ressuscitando anacronismos como a manipulação política dos juros e do câmbio


Diante de uma conjuntura internacional bem mais delicada do que a verificada durante os dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo que o sucedeu pode e deve desenvolver ações para enfrentar a sobrevalorização do real provocada pela guerra cambial, proteger o mercado interno e melhorar a competitividade dos produtos brasileiros.

Se o Brasil, porém, pretende não apenas atravessar incólume a tempestade mas também ocupar o espaço destinado aos emergentes em função da incerteza instalada nas nações outrora ricas e poderosas, precisa abandonar a improvisação e a parcialidade.

O déficit de investimentos em infraestrutura, a complexidade da legislação trabalhista, os encargos sobre a folha de pagamentos, os gastos excessivos do governo e a ineficiência da máquina administrativa constituem a essência da nossa vulnerabilidade e são temas até agora intocados.

Sem avançar na direção de mudanças estruturais, o atual governo envereda pelos atalhos circunstanciais, ressuscitando posturas anacrônicas que a sociedade julgava sepultadas, como a manipulação política dos juros e do câmbio.

O pior, entretanto, veio sob a forma de restrição do acesso aos veículos importados -o que retira opções do consumidor e o arremessa de volta a um tempo em que era refém das "carroças", ou seja, dos carros tecnologicamente defasados e caros produzidos pelas únicas quatro montadoras que aqui mantinham operações, sem concorrência, antes de 1990.

Embora os automóveis fabricados no Brasil continuem caros (chegam a ser comercializados pelo dobro do valor fixado para similares em outros países), o conforto e a eficiência dos modelos aumentaram muito, em razão precisamente da concorrência dos importados. Agora se pretende eliminar essa disputa com a enganosa justificativa de preservar empregos.

É verdade que a indústria, assim como os demais setores da economia, padece das limitações competitivas impostas por uma série de entraves burocráticos, logísticos e tributários.

Mas não é menos verdadeiro que a superação dessas mazelas depende de um Estado menos dado a confiscos, que promova a desoneração e a modernização de toda a cadeia de produção e distribuição, em vez de agir casuisticamente para beneficiar a poucos, em detrimento de muitos. No que se refere aos postos de trabalho, eles hoje podem ser criados e preservados mais facilmente nas atividades terciárias do comércio e dos serviços, como sabem os jovens em busca do primeiro emprego.

Tendo em vista que a economia é um conjunto de vasos comunicantes, os importados agora sobretaxados deixam de contribuir no combate à inflação, deitando por terra um pressuposto do Banco Central ao baixar os juros.

Isso para não discorrer sobre os meandros da insegurança jurídica de medidas que podem ser contestadas na Justiça do país e, no cenário internacional, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Reverter o câmbio desfavorável às nossas exportações, deter a inundação de dólares e preservar o mercado interno são objetivos louváveis, que serão alcançados quando o governo gastar menos e souber conviver com uma carga tributária decrescente.

As medidas agora adotadas constituem um episódio a ser esquecido. O Brasil só se tornará uma nação líder de fato quando conseguir se organizar como economia de mercado, aberta à pesquisa e à transferência de conhecimento, com um Estado menor, mais ágil e menos burocrático.

LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS - Uma nova tempestade


Uma nova tempestade
LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS
FOLHA DE SP - 23/09/11

O BC tenta abrir buracos nas paredes para evitar que o câmbio leve a inflação para mais de 7% ao ano


Uma tempestade vinda de fora atingiu fortemente a economia brasileira nesta semana. Um pessimismo crescente com a crise política e econômica na Europa transformou-se em pânico com o aumento do risco de que a Itália também se junte ao grupo de países perto de uma moratória. Se isso realmente acontecer, uma catástrofe financeira -e não mais uma crise- vai atingir o mundo nos próximos meses.

Segundo alguns analistas, os efeitos que se seguirão vão fazer o período 2009/2010 parecer tempos de normalidade e bonança econômica. Nesse novo cenário, o mundo emergente, que até então vinha sendo considerado pelos investidores internacionais um refúgio seguro para seus investimentos, seria afetado de forma importante e entraria também em recessão. Até meados de agosto, países como Brasil, México, Austrália e muitos outros estavam recebendo expressivos volumes de recursos para serem investidos em suas economias. Citei recentemente, como exemplo desse movimento, a compra de parcela importante do capital da cervejaria Schincariol por um grupo japonês do mesmo ramo.

Dizia que tinha escolhido esse particular investimento como exemplo por três razões: o valor do investimento (US$ 2 bilhões), o fato de a empresa ter enorme questão legal com o fisco brasileiro e, principalmente, por ser o investidor uma tradicional empresa japonesa, considerada pelos especialistas uma das mais conservadoras do mundo.

Por isso, quando a crise europeia virou tempestade do tipo 5, o mundo róseo dos emergentes desabou. Os investidores -como sempre acontece nesses momentos desde que os florentinos inventaram os bancos- tentaram sair correndo ao mesmo tempo e voltar para o refugio do dólar, ainda a moeda mais confiável que existe.

Mas a porta de saída do mundo emergente é muito mais estreita do que a do mundo desenvolvido e esse movimento descontrolado -chamado no linguajar do mercado de desalavancagem- provocou subitamente uma das mais brutais correções de preço que já vi em meus 44 anos de mercado financeiro.

O pânico no Brasil foi muito maior do que na maioria dos emergentes, principalmente no mercado de câmbio, por culpa do governo Dilma. Poucos dias antes dessa mudança de ares, o ministro da Fazenda tinha criado um imposto na compra de dólares no mercado futuro da BM&FBovespa.

Segundo ele, havia um movimento especulativo que estava valorizando o real e prejudicando a indústria brasileira. Contra a maioria das opiniões de especialistas, ele decidiu levar sua proposta adiante. Ora, no momento de pânico que estamos vivendo, esse imposto funcionou como uma restrição importante nos negócios com o real, pois pune os que, sabendo que esse movimento de pânico em algum momento vai passar, poderiam estar comprando reais e amortecendo sua queda.

A imagem que me vem à mente para descrever o que está ocorrendo é a de um acidente recente em uma boate no México, quando centenas de pessoas morreram porque as saídas de emergência estavam fechadas. Nessa situação, todos os que estavam na boate tiveram de sair por uma única porta de entrada, e o resultado foi um desastre.

No caso do mercado de câmbio no Brasil, as portas de emergência, para situações como a que estamos vivendo, estavam fechadas na BM&FBovespa. A tranca colocada pelo governo -o IOF na compra de dólares futuros- funcionou a contento se o objetivo do governo era provocar uma correção vigorosa do real. Mas, como o câmbio é um preço fundamental na dinâmica da inflação brasileira -afeta 50% dos preços ao consumidor-, a correção brusca dos últimos dias ameaça inviabilizar a política de redução de juros do governo.

Por isso, no momento em que escrevo esta coluna, equipes de bombeiros do BC estão tentando abrir buracos nas paredes para evitar que o câmbio leve a inflação brasileira para mais de 7% ao ano. Como o mercado da BM&FBovespa hoje está do lado dos especuladores por não haver vendedores, o BC está vendendo mais de US$ 5 bilhões em derivativos cambiais. Uma trapalhada de mais de metro...

VINICIUS TORRES FREIRE - Deu tudo certo e errado


Deu tudo certo e errado
VINICIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SP - 23/09/11

Real se desvaloriza, mundo rico cresce cada vez menos, desemprego é muito baixo no Brasil; mas isso é bom?


O GOVERNO queria desvalorizar o real. Por vias tortas e diretas, o preço do dólar sobe, como queriam os economistas de Dilma Rousseff, talvez não os do Banco Central.

O Banco Central decidiu pautar seu comportamento em parte pela estimativa de que as economias do mundo rico iriam para o vinagre. Os juros poderiam cair por aqui porque o Brasil também seria afetado pelo definhamento econômico mundial. Está dando tudo certo, então? De Mickey, como aprendiz de feiticeiro da Disney, à Sibila de Cumas da mitologia clássica, são um lugar comum as histórias de arrependimento diante de pedidos e desejos que se realizam (a Sibila ganhou de Apolo os mil anos de vida que queria, mas esqueceu de pedir a juventude ao deus).

O governo tanto buliu com o mercado de câmbio que este, no caldo da crise da dívida e das incompetências europeias, fez o dólar ferver.

O governo desejava um real mais desvalorizado, de modo a proteger as empresas das desvalorizações e da concorrência mundiais. Levou. Mas o governo esqueceu de anexar uns itens ao seu pedido. Primeiro, que o dólar mais alto não dê novo impulso à inflação. Segundo, que neste mundo em crise as empresas brasileiras tenham mercado -de que adianta preço bom se não há clientes? Terceiro, que a dívida das empresas em dólar desaparecesse em caso de desvalorização -o balanço delas vai piorar bem com o dólar mais caro, vamos ver agora. O governo pode ficar feliz com a possibilidade de que a dívida pública líquida caia. Como o país tem uns US$ 350 bilhões em reservas, a desvalorização do dólar eleva nossos haveres em reais. Isso dá um desconto na dívida total: a dívida líquida cai. Por um tempo, ao menos.

Mas o governo tem ainda outros desejos. O de fazer com que a economia cresça pelo menos 4% ao ano. Pode até conseguir. É bom? O desemprego está na mínima histórica. Daqui para o ano que vem, o governo promete injetar mais dinheiro na economia, prevendo alegremente, agora, até aumento de gastos com contratação de funcionários. Ainda mais dinheiro, note-se, que o já previsto com salário mínimo, programas sociais e reduções de tributos para empresas.

Os bancos estatais, de resto, dizem estar animados com a ideia de aumentar o volume de empréstimos. Digamos que o colapso europeu continue a se dar em câmara lenta, que a inépcia do governo da União Europeia não acabe por provocar a quebra de bancos. Pode ser que então até cresçamos uns 4%.

Que bicho vai dar?

Teremos uma economia com a indústria ainda bem mal das pernas, com ou sem dólar na faixa dita adequada. Além do mais, pergunte-se: quão adequada? Com a inflação insistentemente alta, o câmbio real não vai mudar tanto -os custos domésticos continuarão crescendo. Teremos uma economia inflacionada num mundo à beira da recessão. Teremos ainda deficit público na faixa de 2,5% do PIB, mesmo após anos de crescimento razoável da economia e crescimento extraordinário da receita tributária. Essa é uma boa dieta para colocar o país em forma de modo a enfrentar a maratona de crises e colapsos financeiros que virão no mundo rico? Com esse regime de engorda forçada, vamos conseguir derrubar os juros para níveis civilizados?

JANIO DE FREITAS - De frente para as potências


De frente para as potências 
JANIO DE FREITAS
FOLHA DE SP - 23/09/11

Dilma é a primeira voz a cobrar fiscalização da ONU também às potências nucleares


O DISCURSO franco, direto e sólido com que Dilma Rousseff abriu a Assembleia Geral da ONU recebeu ontem, em pronunciamento seu na Reunião de Alto Nível Sobre Segurança Nuclear, uma continuação com as mesmas qualidades para uma cobrança sem precedente às potências nucleares. E particularmente importante por sua projeção sobre o futuro brasileiro.

Não há razão, como disse Dilma, para que as potências nucleares não sejam submetidas à fiscalização, por parte da comissão tecno-científica da ONU, a que os demais países estão sujeitos.

Lembrou o pronunciamento que, além de tal omissão conceder status especial àquelas potências no mundo, há notícia de que a combinação de cortes forçosos de gasto e alto custo de manutenção dos arsenais nucleares tem, como consequência, a insuficiência na manutenção de ogivas e depósitos.

Um perigo alarmante. Não só para os detentores dos arsenais. Para o mundo.

Dilma Rousseff é a primeira voz a cobrar a fiscalização também às potências, o que suscita a possibilidade de que sua atitude derive em um movimento incipiente dos países desnuclearizados, e ainda assim sob risco.

O limite de Dilma, porém, não é a fiscalização sem discriminações e privilégios de poder: "O desarmamento nuclear é fundamental para a segurança, pilar do Tratado de Não Proliferação cuja observância as potências devem ao mundo".

Desarmamento é a meta, portanto. Fundamental para a segurança, sim. Lembrar quais são as potências nucleares, no entanto, contrapõe-se à constatação seguinte: "É importante ter num horizonte previsível a eliminação completa e irreversível das armas nucleares".

Não há como contar com a concordância, para sequer esboçar um horizonte previsível, de Estados Unidos, França, Israel, Grã-Bretanha, Rússia, potências de ansiedade belicista, e ainda a China convicta da necessidade de prevenir-se para a reação do Ocidente neste século que se promete chinês.

No que respeita ao Brasil, o pronunciamento de Dilma Rousseff vale como certificação de que em seu governo não prosperará projeto que objetive um arsenal nuclear.

A menos que se faça sob segredo total, como se deu no governo Sarney, com a ação coligada, vinda desde a ditadura, de militares e cientistas de Brasil, Israel e África do Sul ainda do apartheid.

Nessa projeção implícita em seu pronunciamento, Dilma Rousseff distingue-se de Lula. Foram muitas e claras as demonstrações da fraqueza, industriosa ou por falta de convicções próprias, dadas por Lula em questões militares ou de militares.

Desde a complacência com desfeitas como as do então ministro-general Francisco Albuquerque (aquele que tomou lugares em avião lotado da TAM) a negócios precipitados e "projetos" do desmedido Nelson Jobim. Há mais um motivo para compreender-se a presença de Celso Amorim no Ministério da Defesa.

ELIANE CANTANHÊDE - Sem punho de rendas


Sem punho de rendas
 ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 23/09/11

Dilma capitalizou bem o “fato histórico” de ser a primeira mulher a abrir a Assembleia-Geral da ONU, mas falou de “homem para homem”, como se dizia no século passado, ao se contrapor a Barack Obama. Ou melhor, contrapor o Brasil aos EUA e, por tabela, aos países ricos. Senão, vejamos.

Ela enfatizou que há violações dos direitos humanos “em todos os países, sem exceção”, citando inclusive a pena capital. Pois os EUA são useiros e vezeiros em usar os foros internacionais nessa área para espezinhar adversários, mas têm pena de morte e o fantasma de Guantánamo.

Também lembrou “as dolorosas consequências de intervenções que agravaram os conflitos”. O Iraque está aí para contar essa história.

E foi incisiva e muito aplaudida ao defender o Estado palestino, dizer que o Brasil já o apoia nas bases de 1967 e ressaltar que a maioria dos membros da ONU tem a mesma posição. Obama, logo em seguida, ficou falando sozinho numa posição oposta.

O recado mais direto foi na economia, mas Dilma, aí, não mirou só os EUA. Sobrou para todo lado. Ao se dispensar de elencar os culpados pela crise internacional, já que está “suficientemente claro” quem são, ela disparou que não podem querer decidir o que fazer. “Todos têm o direito de participar das soluções”.

O golpe final: nos EUA, 14 milhões de desempregados; na Europa, 44 milhões (para a Comissão Europeia, metade disso). Já o Brasil vive “praticamente um ambiente de pleno emprego”. Ao bater na tecla da cadeira permanente no Conselho de Segurança, Dilma disse que o Brasil “está pronto a assumir suas responsabilidades”.

Mas, cá pra nós, ficou claro que, tivesse chegado lá, estaria dando uma seca-pimenteira na maior potência planetária para acabar com a prática de voto único.

Se, por acaso, os EUA analisavam com carinho a reivindicação, devem ter mudado de ideia.

CLAUDIO HUMBERTO

“Trazer a verdade é a possibilidade de salvar o nosso passado”
DOM LEONARDO ULRICH STEINER, DA CNBB, SE OFERECENDO PARA A COMISSÃO DA VERDADE

TCU PODE FAZER DE ALDO PRESIDENTE DA CÂMARA 
A disputa pela vaga de ministro do Tribunal de Contas da União fez surgir um provável novo candidato à presidência da Câmara: deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Velho amigo do grande vencedor do embate, governador Eduardo Campos (PSB), Rebelo tem sido estimulado a disputar, até porque o “candidato natural”, Henrique Alves (RN), cujo indicado teve votação modesta para o TCU, foi o grande derrotado.

APENAS METADE 
Influente líder do PMDB, Henrique Alves só garantiu metade dos votos da própria bancada para Átila Lins (AM), seu candidato ao TCU.

FIEL DA BALANÇA 
O PT recusou apoio ao candidato do PMDB para o TCU e também não quer abrir mão da presidência da Câmara, prometida a Henrique Alves.

CHANCES MAIORES 
Sem votos do PT para Henrique Alves e do PMDB para Marco Maia, crescem as chances de Aldo Rebelo, apoiado por Eduardo Campos.

DORMINDO COM O INIMIGO 
O presidente do PT, Rui Falcão, está na China, para “reforçar a parceria bilateral estratégica”, após os 30% de IPI nos carros ling-ling. 

MINISTÉRIO PÚBLICO ACABA FARRA DE SALÁRIOS NO INCA 
O Instituto Nacional do Câncer (Inca) combate uma doença incurável no próprio seio. O Ministério Público Federal diagnosticou pagamentos abusivos a um grupo de privilegiados, incluindo diretores. Pelo menos 37 deles recebem duplamente, pelo Ministério da Saúde e a Fundação do Câncer, que paga gratificações a servidores e comissionados. O Inca tem até o fim do mês para cortar a benesse no contracheque.

QUE COISA FEIA... 
Entre os agraciados que ainda recebem as gratificações estão o diretor do Inca, Luiz Santini, e o diretor de RH, Ivan Perrone.

PARA A RUA 
O MP também ordenou a substituição de 860 comissionados do Inca por concursados. Em ofício, o diretor Santini pediu adiamento do pra-zo.

TÔ FORA 
A coisa está tão feia que uma técnica do Ministério da Saúde, Inês Gadelha, foi sondada para assumir o Inca. Ela declinou.

DENÚNCIA PÍFIA 
Após examinar o inquérito do suposto abuso sexual de Durval Barbosa contra os próprios filhos, um grupo de advogados decidiu denunciar a promotora Cândida Marcolino ao Conselho Nacional do Ministério Público. Acha que sua denúncia pífia abriu caminho para a impunidade.

WHERE’S DILMA? 
Aconteceu com “o cara” e agora com “a cara” Dilma no site da Casa Branca: nenhuma foto de Obama com ela, só com os premiês de Israel, Japão e Inglaterra, e com o presidente da França, Nicolas Sarkozy. 

CORPO MOLE 
O governador Eduardo Campos ganhou do ministro Orlando Silva por w.o.. Enquanto o pernambucano varava noites articulando a vitória da mãe para a vaga no TCU, o ministro do Esporte, filiado ao PCdoB, não movia uma única palha para ajudar o correligionário Aldo Rebelo (SP).

NE ME QUITTE PAS 
Recomeçou na imprensa francesa a novela Rafale, que o Brasil não pode comprar por “falta de dinheiro”. Um jornal jura que Dilma garantiu a Sarkozy em Nova York que, saindo da pendura, comprará os caças. 

MÃO DE VACHE 
Apoiados pela CUT, funcionários brasileiros do consulado-geral da França em São Paulo ameaçam parar, semana que vem, se o embaixador não acenar com reposição salarial e outros benefícios.

UNIDOS POR JK 
A sessão privê do documentário JK no exílio uniu o presidente (ex-vice-governador Paulo Octavio) e vice (governador Agnelo Queiroz) da comissão do Congresso que investigou a morte do ex-presidente. Sentaram-se lado a lado. P.O. é casado com Ana Christina, neta de JK.

JOGO SUJO NÃO DÁ... 
Miguel Lucena pediu no dia 14 demissão da presidência da Codeplan, estatal de planejamento do governo do DF, após contrariar interesses e fazer faxina moral. Alegou não se habituar “ao jogo sujo da política”.

...E HÁ INTERESSADOS 
Estão cotados para presidir a Codeplan Marcelo Aguiar, ligado ao senador Cristovam Buarque (PDT), que negocia sua reaproximação com o governo petista, e a ex-vice-governadora Ivelise Longhi (PMDB).

PERGUNTA NA CICLOVIA 
Ontem foi o Dia Mundial Sem Carro. Quando será o Dia Nacional Sem Imposto? 

PODER SEM PUDOR
EDITANDO O DIÁRIO OFICIAL 
Político folclórico do Rio Grande do Norte, o major Teodorico Bezerra não poupava esforços quando queria ajudar Santa Cruz, município de sua base eleitoral. Ao saber que a vizinha Nova Cruz ganharia agência dos Correios, foi à editora do Diário Oficial e teria mandado trocar Nova por Santa, na ordem do serviço. Santa Cruz ficou com o posto da ECT. Questionado anos mais tarde, Teodorico desconversou:
– Sou um homem de 75 anos, de modo que só lembro do que aconteceu de seis horas da manhã para cá...

SEXTA NOS JORNAIS


Globo: BC muda estratégia mas não impede alta do dólar

Folha: BC intervém para segurar o dólar

- Estadão: Deputado revela venda de emendas na Assembleia

Correio: Até queijo tem imóvel funcional em Brasília

Valor: Dívidas soberanas colocam zona do euro perto de uma crise bancária

Estado de Minas: A disparada do dólar - Indomável e vai sobrar para você!

Jornal do Commercio: Perícia vê defeito em avião da Noar

Zero Hora: Dólar alto pressiona aumento de preços