sexta-feira, agosto 19, 2011
NELSON MOTTA - Turismo de mosca é no lixo
Turismo de mosca é no lixo
NELSON MOTTA
O Estado de S.Paulo - 19/08/11
Se a Espanha encarasse o turismo com a mesma seriedade que o Brasil, não teria faturado 60 bilhões de dólares com visitantes em 2010. O orçamento mirrado e a irrelevância de uma pasta periférica, usada como moeda de troca política, e o desempenho pífio dos seus ministros e gestores, ajudam a explicar porque o Brasil só faturou 6 bilhões.
A lambança no Ministério do Turismo, a patética figura do ministro octogenário que paga contas de motel com dinheiro público, a infinidade de ONGs de fachada, de "turismólogos" e "cursos de capacitação" fantasmas são o resultado da importância que o governo dá ao turismo - uma indústria limpa e sustentável, que não tira nada do País, só trás divisas, gera empregos e divulga nossa cultura.
Com orçamento indigente, o ministério vive de emendas de deputados e senadores. No ano passado, 460 parlamentares destinaram 2,7 bilhões para o turismo, que fizeram a festa dos promotores de festas com dinheiro público. Com o clamor na imprensa e os cofres arrombados, o governo proibiu a mamata. A nova festa é o "curso de capacitação": só mudam as moscas, o lixo continua o mesmo.
Ladroagens em ministérios são normais no Brasil, frutos podres do aparelhamento político e dos consórcios cleptopartidários. Anormal é o desperdício de um país com o nosso potencial turístico ter um ministério como o que estamos vendo nas páginas policiais.
Em Brasília se acredita que o turismo não exige qualificações técnicas, como engenharia ou urbanismo, basta ser da turma. Lembra o não saudoso Milton Zuanazzi, que foi presidir a ANAC, com resultados desastrosos, porque tinha uma agência de viagens em Porto Alegre e era petista.
A Espanha tem uma estrutura turística eficiente, tem história, diversão e arte, mas é no verão que mais fatura, com as suas praias e ilhas ensolaradas. Neste quesito ganhamos de goleada. A oferta de lazer e de atrações artísticas no Rio de Janeiro e em São Paulo também não fica devendo nada a Madri e Barcelona. Somos 16 vezes maiores, mas fazemos só 10% do que eles ganham com turismo. A culpa deve ser da mídia golpista que difama o País lá fora.
MILTON HATOUM - Valores ocidentais
Valores ocidentais
MILTON HATOUM
O Estado de S.Paulo - 19/08/11
Na primavera do ano passado fui visitar uma amiga francesa em Dijon, aonde eu só tinha ido uma vez, em 2002. Ao sair da estação de trem, reconheci-a de imediato. O tempo não parecia ter sido tão cruel com ela, como fora comigo.
Na tarde desse sábado, depois de uma conversa sobre oito anos de uma amizade mantida por cartões-postais, andamos pelas ruas do centro histórico e visitamos o mercado, a catedral e outros edifícios que sobreviveram às guerras. À noite, antes de voltar para o hotel, ela perguntou o que eu ia fazer na manhã do domingo. Disse que ia alugar um carro para visitar dois ou três vilarejos da Côte d"Or.
Podemos ir juntos antes do almoço, ela sugeriu. Às 10 horas tenho um encontro na casa de detenção. Queres ir comigo?
Aceitei o convite. E embora o cárcere seja sempre um suplício, fiquei impressionado com a qualidade das instalações, com a limpeza do refeitório e com a biblioteca. O projeto circular do presídio parecia um pan-óptico inspirado no desenho de Jeremy Bentham, um inglês que, no fim do século 18, desenvolveu esse conceito de organização espacial, analisado por Foucault em seu livro Vigiar e Punir. As celas contíguas convergiam para um círculo central, onde ficava o pátio. Do alto de uma torre, olhos invisíveis de homens armados vigiavam os detentos.
Quando minha amiga encerrou a conversa com um prisioneiro, eu disse que esse presídio me fizera lembrar, por contraste, dos presídios brasileiros. Mencionei o antigo presídio São José, em Belém, que eu visitara em 1976 e de onde eu tinha saído deprimido com as humilhações a que eram submetidos os detentos. Um dos carcereiros me contara, rindo, que despejava soda cáustica no chão das celas, "só pra esfolar os pés dos animais".
Vi o filme sobre o massacre do Carandiru, ela disse. É uma história terrível. Não menos execrável é a impunidade dos criminosos...
Ela me levou para ver uma exposição de fotos tiradas em junho de 1944, logo após a retirada dos nazistas de Dijon. As imagens eram aterradoras: escombros de edifícios, crianças órfãs, soldados mutilados e franceses que haviam colaborado com o Exército alemão. Um desses traidores fora linchado pela multidão e depois pendurado numa rua do centro da cidade.
Ficamos mais de uma hora na sala da galeria, observando imagens sombrias em preto e branco, e lendo textos que historiavam a ocupação da Borgonha pelo Exército alemão. Não sabia que Klaus Barbie tinha "trabalhado" em Dijon, pouco tempo antes de se tornar o carrasco monstruoso de Lyon.
Minha amiga contou que sua mãe perdera um irmão numa batalha em Tarbes, e que cinco meses antes da ocupação de Dijon, seus futuros pais fugiram dessa cidade e refugiaram-se em Marselha, onde se conheceram e casaram.
Por muito tempo, ela disse, meus pais não conseguiram dizer uma única palavra sobre o passado, e eu cresci ouvindo histórias de horror de outras pessoas, mas não deles. Eu e meu irmão nos formamos em Direito, e ele, quatro anos mais velho do que eu, dizia que, desde a época do liceu, desconfiava do belo e edificante discurso sobre os "valores ocidentais".
Saímos da galeria e andamos devagar até a Rue de la Liberté; antes de entrarmos no carro, ela apontou para um hotel grandioso e disse que o alto comando nazista havia morado lá.
Valores como justiça, liberdade e dignidade não são ocidentais ou orientais, nem dependem de uma religião ou crença, disse minha amiga. São apenas valores humanos, mas a história da humanidade é uma sucessão interminável de calamidades e injustiças. Meus clientes são jovens franceses e imigrantes, todos desempregados. Depois de conhecer a vida deles, tento entender o nosso tempo, que não me orgulha nem um pouco. A maioria das pessoas vê esses desempregados e drogados como seres maléficos à sociedade. Eu os vejo como jovens sem qualquer perspectiva de futuro, derrotados antes mesmo de entrar na dança da vida. Há quatro anos meu irmão participa de uma associação de advogados que trabalha na defesa de jovens prisioneiros políticos da África e do Oriente Médio; alguns são menores de idade, passam anos na cadeia, à espera de um julgamento sempre adiado, como se fossem réus de um processo absurdo. Ele, meu irmão, é mais pessimista do que eu: só vê obscuridade no tempo presente. Agora vamos visitar teus vilarejos da Côte d"Or.
EDUARDO MALUF - Falsa realidade
Falsa realidade
EDUARDO MALUF
O Estado de S.Paulo - 19/08/11
O primeiro semestre de 2010 mudou o rótulo de Paulo Henrique Ganso. Para a maioria, naquele momento, o meia deixava de ser um ótimo jogador e se tornava craque. Para mim, também. Liderou, com Neymar, o Santos na conquista da Copa do Brasil e do Paulista, marcou alguns golaços e fez belíssimas assistências. Hoje, 13 ou 14 meses depois, tenho a impressão de que erramos. Ganso é excelente, mas acho exagerado chamá-lo de craque.
É normal que torcedores, dirigentes, técnicos e jornalistas se empolguem com o surgimento de um jovem talentoso. O futebol precisa de grandes jogadores, partidas emocionantes, personagens. Por isso, talvez, muitas vezes passamos do limite. Há algumas semanas, escrevi algo parecido sobre Alexandre Pato, um garoto que nunca confirmou em campo a fama de gênio da bola.
Não dedico esta coluna a Ganso por causa da fraca atuação na Copa América ou por estar jogando mal há algum tempo no Santos. Nem pela briga entre o clube e a empresa que agencia sua vida profissional. Mas pelo histórico da carreira. Será que não cobramos mais do que de fato ele pode oferecer?
Em 2009, ainda pouco badalado, foi bem em um time desestruturado que lutou para não ser rebaixado no Brasileiro. Em 2010, virou celebridade com brilhante desempenho no primeiro semestre - e dois títulos. Depois, machucou-se e não atuou mais. Em 2011, levantou outras duas taças. Precisamos lembrar, no entanto, que não participou de boa parte da campanha vitoriosa de sua equipe na Libertadores e esteve ausente da finalíssima do Campeonato Paulista, contra o Corinthians.
O paraense de 21 anos precisa fazer mais para ser chamado de craque. Tem tempo para evoluir em alguns aspectos e se tornar melhor do que é, embora já seja muito bom. Não por acaso, atrai interesse de vários clubes europeus.
Se tivesse de apostar, diria que Ganso sempre será ótimo, mas nunca chegará a gênio. A técnica, a inteligência e a visão de jogo fazem do santista um meia acima da média, daqueles raros hoje em dia. Falta-lhe, contudo, velocidade. A lentidão compromete em muitos momentos seu desempenho e facilita a marcação dos adversários, que passaram a conhecê-lo bem de um ano para cá.
Em um ou outro lance, com um passe desconcertante, pode fazer a diferença num confronto. E ainda faz. Suas assistências, porém, já não são tão frequentes como eram em 2010. O que mudou? Embora ainda tenha Neymar, o Santos perdeu velocidade em relação à primeira parte da temporada passada, quando contava também com Wesley, Robinho e André. As alternativas diminuíram e seu futebol caiu.
Num elenco bem arrumado, Ganso vai se destacar sempre. Num time desentrosado, como foi a seleção brasileira na Copa América, ou num conjunto irregular, como é o Santos pós-Libertadores, terá dificuldade. Não é aquele atleta que decide uma partida sozinho. Precisa de seus companheiros, ao contrário de Neymar, que em muitos jogos é a estrela solitária do Alvinegro praiano.
Mano Menezes segue confiando em seu talento, e o chamou para o amistoso com Gana, em setembro. Concordo com a convocação, apesar da má fase. Aliás, o setor de armação da seleção preocupa. Ronaldinho é incógnita - duvido que mantenha o bom futebol por muito tempo -, Fernandinho é fraco e Lucas, ainda jovem, tem mostrado irregularidade.
O presidente santista, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, tem feito trabalho louvável na luta para segurar seus dois principais nomes, pelo menos até o Mundial de Clubes. Como apaixonado pelo esporte, fico feliz ao vê-los desfilar nos nossos campos, e não apenas pela TV em confrontos de torneios europeus. Mas, neste momento, tenho uma dúvida: será que não é hora de Luis Alvaro abraçar uma das propostas milionárias e negociar Ganso? Se fosse o dirigente, eu diria que sim. O meia já tem maturidade suficiente para se dar bem no exterior. E o Santos, com Neymar, Elano, Arouca e Borges no elenco, e dinheiro em caixa, poderia reforçar posições carentes e montar time de alto nível para buscar o bi da Libertadores em 2012.
EDITORIAL - O ESTADO DE SÃO PAULO - Quem demitiu o ministro?
Quem demitiu o ministro?
EDITORIAL
O Estado de S.Paulo - 19/08/11
Só atribuindo à presidente Dilma Rousseff insuspeitados poderes maquiavélicos, no sentido comum do termo, é que se poderia acreditar que ela tramou por debaixo dos panos a queda do ministro da Agricultura, Wagner Rossi, para afastar do seu governo a crescente sombra de mais um escândalo de corrupção. Na realidade, a presidente tinha todos os motivos - descontada a ética pública - para manter na pasta o veterano político peemedebista, unha e carne do vice Michel Temer, o dirigente de facto da agremiação. Afinal, o seu reiterado endosso ao colaborador que ela chegou a considerar "exemplar" enriqueceu o cardápio da reunião de congraçamento com a cúpula do partido, na presença de expoentes do PT, segunda-feira à noite, menos de 48 horas antes de Rossi escrever as 940 palavras de sua prolixa carta de demissão.
O atestado de confiança no ministro - praticamente coincidindo, por sinal, com o início das investigações da Polícia Federal (PF) sobre as revelações da imprensa de corrupção no seu setor - completava as juras de aproximação com o PMDB, que deixaram encantados os interlocutores da presidente. Segundo Temer, que acompanhou o velho amigo na entrega do cargo, Dilma pediu-lhe com insistência que mudasse de ideia. Não há por que duvidar da sinceridade do apelo. O que teria se passado, então? Basicamente, correm duas versões para a decisão de Rossi. A mais difundida é que ele não aguentou o tranco quando, já não bastasse a entrada da PF no caso, o Correio Braziliense noticiou que usava o jatinho de uma empresa de Ribeirão Preto, seu reduto eleitoral, credenciada pela Agricultura, na primeira gestão Rossi, a produzir vacinas contra a aftosa.
O "fato novo" que assombra todos os enredados em acusações de ilícitos provou mais uma vez ser a gota d"água, ao reforçar as pressões da família, que já vinha sendo hostilizada em razão das denúncias, para que largasse a pasta. A segunda versão, de que se fala à boca pequena e que não contradiz necessariamente a anterior, sustenta que as partes interessadas passaram a recear que o escândalo na Agricultura, além de outros que Rossi teria em seu passivo, quando dirigiu as Docas em São Paulo, também por indicação de Temer, poderiam respingar no vice-presidente. A acreditar nessa hipótese, Temer não teria ficado nem um pouco surpreso com o ato de Rossi, se é que não o induziu a isso. O registro das avaliações importa por dois motivos. De um lado, contribui para dissociar Dilma da renúncia, ainda que lhe convenha que a parcela da opinião pública que só lê as manchetes acredite realmente que ela mandou embora quatro ministros em oito meses para moralizar o governo.
De outro lado, porque, apesar da alegação de Rossi de que as suspeitas contra ele foram plantadas por "um político brasileiro" interessado em prejudicar o PMDB em São Paulo - a alusão ao tucano José Serra é óbvia -, comprova o vigor da imprensa livre no País e das instituições de defesa do interesse público, no caso, a Polícia Federal. Bem que a presidente disse dias atrás ter "excelentes motivos" para confiar nelas. Politicamente, a demissão não parece tê-la prejudicado junto à base parlamentar que ela enfim começou a cercar de cuidados. Tão logo Rossi se foi, a presidente fez saber a Temer que a vaga seria de quem quer que o PMDB indicasse. A bancada federal escolheu o líder do governo no Congresso, por sinal nomeado não faz muito, deputado Mendes Ribeiro. Ele foi o único peemedebista no Rio Grande do Sul a mergulhar na campanha presidencial de Dilma. A sua ida para a Agricultura trará de volta à Câmara um veterano quadro da sigla no Estado, Eliseu Padilha, suplente de Ribeiro (e desafeto do grão-petista gaúcho Tarso Genro).
Para Dilma não deixa de ser um bom negócio, apesar da turbulência. Rossi, afinal, era o homem de Temer no governo. Ribeiro tem atrás de si uma bancada de 80 deputados, menor apenas que a do PT e que tanto vinha reclamando da desatenção da presidente. Para o País, enfim, a saída de Rossi é uma evidente boa notícia. Nada do que ele disse em resposta às acusações de que foi alvo restaurou o que antes pudesse ter de autoridade moral para seguir ministro.
MARCIA PELTIER - Dinheiro difícil
Dinheiro difícil
MARCIA PELTIER
JORNAL DO COMMÉRCIO - 19/09/11
Os empresários brasileiros sentem que terão menos acesso a financiamento do que em 2010, mas, ainda assim, estão entre os mais otimistas em 2011, de acordo com o International Business Report (IBR) da Grant Thornton. Este ano, para 50% dos executivos daqui, o financiamento será mais acessível, resultado bem acima da média global de 34%. O índice, porém, é menor que o registrado em 2010, de 68%. O percentual dos empresários brasileiros que pensam o contrário mais do que dobrou (20%).
Cautela
Segundo Jobelino Locateli, CEO da Grant Thornton Brasil, além dos acontecimentos recentes na economia global, os países emergentes da América Latina têm apresentado bons resultados corporativos. “O Brasil fica acima das principais economias do mundo nesse tópico, mas é imprescindível olhar o comportamento dos juros para garantir que esse sentimento siga até o final do ano”, destaca.
Festa ‘in’ Rio
Roberto Medina comemora seus 64 anos, este domingo, e os três de sua filha Raíssa numa casa de festas do Itanhangá. O publicitário, que atualmente mora em Madri com a mulher, Mariana, ficará no Rio até outubro. Os convites foram produzidos com programação visual semelhante à dos magnéticos do Rock in Rio. Os dois bolos terão um formato de globo terrestre, também em alusão ao festival.
Na flor dos quarenta
Luciana Vendramini, que posou duas vezes para a Playboy – a primeira em 1986, num ensaio que até hoje causa polêmica, pois a atriz teria 16 anos quando fez as fotos – vai tirar a roupa pela terceira vez para a revista. A locação escolhida foi a praia El Amor, na ilha de Coche, na Venezuela. Luciana conta que foi nessa praia paradisíaca que fez amor, totalmente nua, com a grande paixão de sua vida – um relacionamento vivido a muitas rotações por minuto. Parte do cachê será doada à associação paulista de vítimas de TOC.
Otimismo
A confiança do consumidor registrou alta de 6,2% em julho, em comparação com junho, passando de 137,9 para 146,4 pontos. Segundo pesquisa da Fecomércio-RJ, este é o melhor resultado para o mês de toda a série, que começou em 2003. Em relação a julho de 2010, o índice cresceu de 144,0 para 146,4 pontos.
Galetos contra tacos
Um dos sócios da rede Galetomania deixou a sociedade e ingressou na rede Rota 66. Por causa disso, o bar do Galetomania recém-aberto no Recreio Shopping já se tornou uma nova casa da marca concorrente. Na Tijuca, as duas redes se digladiam pela clientela na Praça Varnhagen.
Nas nuvens
O diretor da biblioteca geral da Universidade de Coimbra, Maia do Amaral, estará na terça-feira, na UERJ, para lançar o livro Bartolomeu Lourenço de Gusmão: o padre inventor. É o primeiro título da coleção Brasiliana, que vai traçar perfis de brasileiros notáveis que estudaram na universidade portuguesa. A obra é uma parceria entre Coimbra e a UERJ – a ideia surgiu numa visita do reitor Ricardo Vieiralves de Castro a Portugal. Padre Lourenço de Gusmão, jesuíta nascido em Santos e que ficou conhecido como o Padre Voador, foi o primeiro a fazer um balão não tripulado voar, em 1709.
Letras e fraldas
Há apenas uma semana nas livrarias, o Guia politicamente incorreto da América Latina alcançou a 15ª posição na lista dos mais vendidos no país. Trata-se da maior aposta do ano da editora Leya, que imprimiu 100 mil exemplares para esta primeira edição. O outro livro de Leandro Narloch, Guia politicamente incorreto da história do Brasil, é best seller há 80 semanas. Devido ao sucesso, Leandro abandonou o jornalismo e se dedica, atualmente, a escrever e a cuidar do filho Luís, de 11 meses.
Che homofóbico
Nesta segunda obra, redigida com o repórter Duda Teixeira, um dos mitos históricos latinos mais desconstruídos foi o de Che Guevara. “Todos os que prezam a democracia e a liberdade de escolha sexual nunca poderiam ser admiradores do guerrilheiro”, afirma Leandro. Ele relata uma ocasião em que o argentino, na embaixada de Cuba na Nigéria, chegou a atirar longe o livro do poeta e dramaturgo gay Virgílio Piñera. “Vocês não deviam ter livros dessa bicha aqui”, teria dito. Che também não tolerava hippies, roqueiros e tudo que se afastasse do perfil do trabalhador comunista.
Livre Acesso
O Rio será invadido por bonecos a partir de segunda, num dos maiores festivais de teatro de animação do mundo, promovido pelo SESI, em quatro palcos no Aterro do Flamengo. A Companhia Giramundo, de Minas, vai apresentar o desfile das Torres Andantes de Bonecos, com torres que chegam a quatro metros de altura. O festival traz o maior marionetista da Rússia, Viktor Antonov, que dará oficina para profissionais de teatro.
O almirante Paulo Maurício Farias Alves recebeu homenagens de amigos e do comandante Júlio de Moura Neto pelo seu aniversário, festejado em Brasília.
O avesso do terninho, livro de Carla Bellino, vai ser lançado na Livraria Saraiva Leblon na próxima terça, às 21h. Para o coquetel, a livraria foi toda decorada por Márcia Reis e o bufê fica por conta do Aquim.
O pintor e escultor cubano Julio Piroh abre a exposição Percurso – Retratos de Julio Piroh, nesta sexta-feira, na Galeria Manoel Bandeira da ABL.
O espaço Quatro Design, de Sheila Grosman e Ariane Caminha, abre este sábado já integrando o 15º Circuito das Artes do Jardim Botânico. A especialidade da dupla é repaginar móveis antigos.
A escritora Luiza Lobo autografa o livro Terras Proibidas: a saga do café no Vale do Paraíba, neste sábado, no Festival Gastronômico de Tiradentes. O lançamento será na fábrica Puro Cacau, com direito a trufas de café para os convidados.
As inscrições de projetos culturais para o Espaço Cultural Eletrobrás Furnas foram prorrogadas até o dia 31.
Com Marcia Bahia, Cristiane Rodrigues, Marcia Arbache e Gabriela Brito
FERNANDO GABEIRA - Copa do Mundo, entre laranjas e ONGs
Copa do Mundo, entre laranjas e ONGs
FERNANDO GABEIRA
O Estado de S.Paulo - 19/08/11
Uma das críticas que faço ao governo Dilma é não estar adequadamente preparado para Copa do Mundo e Olimpíada. E uma evidência do despreparo é o atual Ministério do Turismo.
O escândalo envolvendo ONGs e laranjas foi apenas uma dramatização. Mesmo antes do trânsito para uma dimensão ilegal, o panorama era desolador.
Os bilhões gastos nos dois eventos esportivos não se podem esgotar na emoção do momento, nos gritos de gol, nos acenos de bandeiras. Um aspecto decisivo, durante e depois da Copa, é a consolidação do turismo no Brasil. O governo deveria ter as pessoas mais antenadas com o setor, mais aptas a explorar o leque de possibilidades aberto para o País. Ainda abstraindo a corrupção, é possível afirmar que foram escolhidas as pessoas menos talhadas para dar este gigantesco passo estratégico: pôr o turismo no Brasil entre os mais procurados do mundo.
Pedro Novais e Frederico Costa, o n.º 1 e o n.º 2 recém-demitido da pasta, esboçaram sua visão, de certa maneira. O ministro Novais destinou mais recursos ao Maranhão do que ao Rio de Janeiro. Costa canalizou verbas para o Rio Quente Resorts, de propriedade de sua família. No momento em que se pede uma política com abertura para o mundo, o n.º 1 e o ex-n.º 2 cuidaram do próprio umbigo. No lugar do cosmo, o clã. Pedro Novais não pertence, mas serve ao clã dos Sarneys.
A escolha dessa equipe num momento decisivo de preparação de eventos mundiais revela uma grande fragilidade da coligação instalada no governo a partir das eleições de 2010. Quando era mais necessário um avanço no setor, a escolha de Dilma representou um retrocesso. Mesmo não sendo um técnico, por exemplo, Mares Guia tornou-se ministro e aprendeu os segredos da área.
Em sua defesa, o governo pode invocar a governabilidade. Novais é do PMDB, tem o apoio do partido e é ligado a Sarney. As emendas parlamentares para o setor totalizaram R$ 3,5 bilhões. É preciso um ministro que faça a bola correr. É um tipo de raciocínio que interessa à base parlamentar do governo. Mas não interessa ao País. Um pouco como a existência de duas galáxias: numa delas orbitam os objetivos estratégicos do País e a responsabilidade da aplicação inteligente dos recursos nacionais nos dois eventos; na outra, a maquinação política mais estreita.
É possível Dilma ter outra linha de defesa. Garantida a governabilidade, cria-se uma boa equipe que possa superar com sua qualidade a ineficácia do Turismo. Mas os ministérios mais próximos, os de Esportes e da Cultura, não têm como socorrer Novais. No primeiro não são estranhos também os problemas com ONGs fantasmas e laranjais. E a ministra da Cultura não demonstrou iniciativas nessa área.
Se pararmos para ouvir discursos sobre turismo no Parlamento, veremos como o tema é tido em alta conta: indústria limpa, ampliação de empregos, formação de mão de obra, melhoria nas comunidades. Tudo parece fluir às mil maravilhas.
Mas não há como esconder que estamos despreparados. Um jornalista estrangeiro pode constatar isso com facilidade e escrever sobre o tema. Mas a sociedade brasileira tem maior legitimidade no seu clamor. Afinal, os bilhões de investimento público precisam de um projeto claro de retorno para o País.
O própria Polícia Federal chamou a atenção para os investimentos milionários na formação de quadros para o turismo, ao justificar a Operação Voucher.
O setor está próximo de ampliar seus gastos. No entanto, segue à deriva com seus quadros saindo da prisão e o ministro perdido na vastidão do tema.
Não seria justo afirmar que o Brasil não tem política de turismo. O País formulou um plano geral, cheio de ideias corretas, como, por exemplo, a interiorização do turismo, vital para o Estado do Rio, por exemplo. Mas Copa e Olimpíada são eventos excepcionais que precisam ser integrados. É mais que necessário organizar os setores do governo e ter uma estratégia adequada para esses momentos históricos. Os R$ 3,5 milhões em emendas parlamentares, administrados pelo ministro, representam interesses atomizados, não são parte de um plano mais amplo. O próprio Novais é atomizado, não só porque se orienta pelos interesses regionais, mas por estar entre os raros brasileiros que não compraram um telefone celular.
Jornalistas que têm fonte no governo costumam insinuar que Dilma fará uma reforma no Ministério do Turismo depois do primeiro ano. De qualquer modo, se isso ocorrer, será preciso admitir que um ano foi perdido no setor, precisamente aquele que marca a arrancada para a Copa de 2014.
Os atrasos em aeroportos e estradas de modo geral são apontados pelos técnicos com cálculos sobre o ritmo de trabalho. O governo sempre pode responder, nesses casos, que trabalhará dia e noite e concluirá as obras. Fica apenas um embate técnico no ar.
Parece claro, no entanto, que na engenharia de sua coligação Dilma subestimou o Turismo. É um erro grave que pode durar de um a quatro anos. Pode mesmo ser reparado com a escolha de uma grande equipe que encare o setor com profissionalismo. Se isso for feito, não vou ficar lembrando erros do passado, mas apenas suspirar aliviado por ver o Brasil despertar para esse potencial.
O Brasil sempre teve belezas naturais, carnaval e todos os encantos que a propaganda ressalta. Mas neste momento, com o avanço econômico, o interesse internacional se amplia.
É hora de ir para um lado e, infelizmente, estamos indo para outro. Não compartilho visões catastróficas sobre a Copa e a Olimpíada. Os eventos vão ser realizados e, dentro das possibilidades brasileiras, podem ser um êxito.
Não é só a catástrofe que legitima a crítica. Os EUA viveram um momento muito condenado porque estenderam demais a discussão sobre o teto da dívida. Mas a discussão era legítima: o que fazer com o dinheiro de todos.
É simples assim: de que adianta investir bilhões em eventos internacionais e optar por um Ministério do Turismo de baixo nível?
WASHINGTON NOVAES - Na Amazônia e no código, a ciência quer ser ouvida
Na Amazônia e no código, a ciência quer ser ouvida
WASHINGTON NOVAES
O Estado de S.Paulo - 19/08/11
Ao mesmo tempo que o Senado retomava nesta semana as discussões sobre propostas de mudanças no Código Florestal, a presidente da República baixava medida provisória que altera (para reduzi-los) os limites de três parques nacionais na Amazônia, de modo a permitir que se executem neles obras das Hidrelétricas de Tabajara, Santo Antônio e Jirau. Outros dois parques deverão seguir o mesmo caminho, para permitir o licenciamento de mais quatro usinas (no complexo Tapajós).
Reabrem-se, por esses caminhos, polêmicas e temores de que a nova legislação e o novo Código Florestal estimulem o aumento do desmatamento, como parece já estar ocorrendo. Segundo o Imazon, entre agosto de 2010 e julho de 2011 a área desmatada no bioma amazônico subiu para 6.274 quilômetros quadrados. E a progressão do desmate, segundo o Ibama de Sinop (MT), está sendo estimulada "pela expectativa de anistia aos desmatadores" no código. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o número de áreas de soja em novos desmatamentos em Mato Grosso, Rondônia e no Pará quase dobrou (de 76 para 147 áreas) em relação a 2010.
Dizem muitos defensores das alterações no Código Florestal que as mudanças são indispensáveis para a expansão do agronegócio. É uma visão contestada por cientistas, que apontam, só em Mato Grosso, 8 milhões de hectares de pastos degradados (Estado, 20/7). É a opinião também do respeitado biólogo norte-americano Thomas Lovejoy, lembrando que na Amazônia a média é de uma cabeça de gado por hectare ocupado, muitas vezes inferior à de outros lugares, mesmo no Brasil, e pode ser melhorada, sem novos cortes. E "a Amazônia é a galinha dos ovos de ouro do agronegócio brasileiro", diz ele (Folha de S.Paulo, 16/8). O desmatamento maior permitido pelas alterações no código, afirma, "pode ser um tiro no pé dos ruralistas", se chegar a 20% da floresta (está em 18%), e talvez atinja um "ponto de inflexão" em que o aumento da temperatura pode estender-se até a outras áreas no Sul-Sudeste, com muitos problemas para a agropecuária.
As preocupações com a relação entre desmatamento, mudanças climáticas e "desastres naturais" estão presentes em muitos estudos científicos recentes. O Inpe é uma das instituições preocupadas - e também com um crescimento de 100% nas tempestades e catástrofes "naturais" nos próximos 60 anos no Sudeste, e mais ainda nas regiões litorâneas; três vezes mais até 2070 (Estado, 9/8). Já na Amazônia, especificamente, estudo conjunto do Inpe e do Escritório Meteorológico Hadley Centre (Grã-Bretanha) prevê forte aumento da temperatura e queda significativa na precipitação fluvial. Isso poderá significar substituição da floresta por outros tipos de vegetação.
Pois é exatamente neste momento, de tantas advertências científicas, que vem mais um alerta da Amazônia: as instituições científicas não estão sendo ouvidas na questão do Código Florestal. Nem em outras, como a da espantosa decisão de reverter uma decisão judicial e retomar o projeto de construção de um porto diante do invejável Encontro das Águas, em Manaus, onde os Rios Solimões e Negro se encontram e correm separados por quilômetros - as águas barrentas de um ao lado das águas mais escuras do outro -, fenômeno que atrai gente do País e do mundo todo.
O perigo parecia afastado quando uma decisão judicial embargou, em julho de 2010, a pedido do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o licenciamento do porto. Mas há poucos dias outra decisão, da Justiça Federal em Manaus, alegando que não houve audiências públicas antes de ser pedida a suspensão do licenciamento ambiental, revogou o embargo. E o governo do Estado do Amazonas, favorável à instalação do porto, imediatamente concedeu a licença para o projeto. Diz o Iphan que vai recorrer da decisão, também contestada pelo Ministério da Cultura - e que vem na mesma direção do "facilitário do desenvolvimento econômico" presente no desmatamento.
E - é preciso reiterar - tudo se faz esquecendo a visão da ciência. Como em outro ângulo: um grupo do Museu da Amazônia e do Instituto de Pesquisas da Amazônia está dizendo, num paper, que existe "uma grande variedade de áreas úmidas" no País, como "áreas alagadas ao longo de grandes rios, com diferente qualidade de águas (pretas, claras, brancas), baixios ao longo de igarapés de terras firme, áreas alagáveis nos grandes interflúvios (campos, campinas e campinaranas alagáveis, campos úmidos, veredas, campos de murunduns, brejos, florestas paludosas), assim como áreas úmidas de estuário (mangues, banhados e lagoas costeiras". Cada um desses tipos, diz o estudo, deve receber "tratamento específico em forma de artigo específico no Código Florestal, que deve conter flexibilidade suficiente para absorver os avanços do conhecimento científico".
Mas isso não está ocorrendo, com prejuízos para a sociedade e o meio ambiente, já que as áreas úmidas "proporcionam benefícios e serviços ambientais importantes". Como, por exemplo, estocagem de água, limpeza de água, recarga do lençol freático, regulação do clima local, manutenção da biodiversidade, regulação de ciclos biogeoquímicos, inclusive estocagem de carbono, hábitat e subsídios para populações humanas tradicionais (pesca, agricultura de subsistência, produtos madeireiros e não madeireiros e, em áreas abertas savânicas, pecuária extensiva).
Esse papel das áreas úmidas, afirma o texto, "vai aumentar ainda, considerando os impactos das mudanças climáticas previstas". Só na bacia amazônica são 30% da área; no Pantanal, 160 mil quilômetros quadrados. Ao todo, incluindo outras áreas, 20% do território brasileiro. Por tudo isso, os usos potenciais dessas áreas "deverão ter reconhecimento específico, dentro do Código Florestal e em outras instâncias federais".
É a voz da ciência. É preciso ouvi-la nesta nova discussão no Congresso. E no Encontro das Águas.
JOSÉ SIMÃO - Sai de Baixo! Queda de Ministros!
Sai de Baixo! Queda de Ministros!
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 19/08/11
E o chapéu da Dilma na Marcha das Margaridas? Acho que foi ela que matou a Norma. DE SUSTO! Rarará!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O Esculhambador-geral da República! Cuidado! Sai de Baixo! BUM! Caiu mais um ministro. Placa em Brasília: "Sai de Baixo! Queda de Ministros!". Tem que andar em Brasília com capacete de motoqueiro!
Caiu o Wagner Rossi. Que tem um filho deputado chamado Baleia Rossi. Baleia é um mamífero superfaturado! Ele superfaturou o filho! E não é mais ministro, é sinistro. O Sinistrério da Dilma. E tão chamando a queda do ministro da Agricultura de Colheita Maldita! Manchete do Sensacionalista: "Dilma contratada pra ser garota propaganda do Veja Limpeza Pesada". Eu prefiro o Veja laranja! E a Dilma com aquele chapéu de palha na Marcha das Margaridas? Acho que foi ela que matou a Norma. DE SUSTO! Rarará!
E foi a Dilma que demitiu a Eunice da Liga da Família Carioca? Aliás, a Eunice transformou a Liga da Famíla Carioca em Cinta-Liga da Familia Carioca! Rarará! E adoro esta manchete: "PMDB se rebela". Vai botar fogo no colchão? Bater caneca na grade? PMDB agora e sempre quer dizer: Pomos a Mão no Dinheiro do Brasil.
E quem matou a Norma? O Brasil sempre parou pra saber "quem matou". Nos anos 80, o país parou com "quem matou Salomão Hayala". E justo no capítulo final estava tendo um banquete em Brasília, em homenagem ao Henry Kissinger! E ninguém sentou até a novela acabar. E o Kissinger ficou esperando.
Sendo que ele matou muito mais gente que um simples Salomão Hayala. Só no Vietnã foram mais de 2 milhões! Rarará!
E tô adorando porque tem 12 suspeitos de matar a Norma! E um dia eu estava vendo o programa do Datena e apareceu um PM dizendo: "o suspeito é um elemento de cor parda trajando calção e sandália havaiana". Calção e sandália havaiana? Ou seja, o Brasil inteiro. O Brasil inteiro era suspeito!
E adoro esta manchete: "PR deixa a base do governo". Magoou!
E mais dois para a minha série Os Predestinados. Presidente do Instituto Ambiental do Paraná: Mattos Pinheiro! Mattos Pinheiro no Paraná? Tô achando que é antipredestinado! E o presidente do sindicato dos aeronautas em Pernambuco: Aerovaldo. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza! Hoje só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
SONIA RACY - DIRETO DA FONTE
De tirar o chapéu
SONIA RACY
O ESTADÃO - 19/08/11
Lula dá tratos à bola rumo à concretização de seu Memorial da Democracia, que contará a história política do País.
Conversou com Kassab, costurando sua implantação na... Cracolândia.
Lavando as mãos
Agricultores paulistas passaram o final do dia de anteontem tentando fazer de Rodrigo Rocha Loures o novo ministro da Agricultura.
Entretanto, o presidente da Federação das Indústrias do Paraná, ex-deputado federal pelo PMDB e coordenador de relações institucionais de Michel Temer - de quem é amigo pessoal - acabou perdendo para o gaúcho Mendes Ribeiro.
Homem de confiança da presidente Dilma.
Desertou
A chefe dos ajudantes de ordem de Dilma pediu para sair. Consta que a oficial da Marinha, capitã de mar e guerra, não aguentou a pressão.
Pega ladrão!
Análise da KPMG concluiu: o típico fraudador empresarial é homem, tem entre 36 e 45 anos, pratica desvios contra seu próprio empregador e trabalha há mais de dez anos na companhia.
A pesquisa foi feita com base em dados de 348 investigações em 69 países.
Timing certo
Ao chegar anteontem para discursar no lotado salão do clube Paulistano, nos cinco anos do movimento Endireita Brasil, Alckmin elogiou a iniciativa suprapartidária. "Precisamos de ética na política".
A associação é composta por advogados e empresários que querem "endireitar o Brasil" e defendem um Estado enxuto e eficiente.
Sugerir ofende?
A Fazenda tem tentado fechar portas para evitar a volatilidade cambial.
Agora, há quem sugira a Mantega dar uma olhada na regra brasileira que permite o "aluguel" de ações. O mercado está o samba de uma nota só.
Vox populi
Até o fechamento desta edição, os tópicos #Zara e #TrabalhoEscravo estavam em primeiro e terceiro lugares no ranking do Twitter.
O segundo colocado? #Quem MatouNorma.
Dupla dinâmica
Bruna Lombardi, roteirista e protagonista de Onde Está a Felicidade?, que estreia hoje nos cinemas, não para.
Está escrevendo o roteiro de seu próximo filme. Com direito a personagem especial para Carlos Alberto Riccelli. O maridão, pela primeira vez, vai atuar e responder pela direção de um longa.
Cash
O BNDES depositou, anteontem, a primeira parcela do maior patrocínio cultural da história do banco - R$ 32 milhões.
A Fundação Biblioteca Nacional, com os R$ 2,4 milhões iniciais, começa a ampliar a BN Digital.
Reinações
Roberto Carlos gravará cenas na Igreja do Santo Sepulcro para o especial que a Globo leva ao ar dia 10 - sobre seu show em Jerusalém.
O Rei chegará cedinho ao local onde Jesus foi enterrado, bem antes da abertura à visitação.
Imortal
José Gregori é o mais novo membro da Academia Paulista de Letras. Ocupará a cadeira de nº 19.
No ar
Fernando Mazzarolo estaria de saída da WMcCann. Indagada a respeito, a agência nega.
Ohmmmmm
O auge do Yoga pela Paz, capitaneado por Márcia de Luca, está marcado para domingo, no Parque do Ibirapuera. Esperam-se mais de 15 mil pessoas pela manhã, para uma meditação coletiva, apoiada pelo Santander.
Final do movimento realizado durante toda esta semana em diversas cidades brasileiras.
Na frente
A Sociedade Hípica Paulista comemora 100 anos. Com festa no clube, dia 26.
Mariko Mori abre a mostra Oneness amanhã. No CCBB.
Fernando Velloso abre individual também amanhã. Na Galeria Arte Aplicada.
É só Fabio Fernandes mudando de casa. Sua F/Nazca continua no mesmo lugar.
A Dom Pérignon está trazendo ao País suas Dégustations Privées, serviço que vai da
confecção de convites à... champanhe servida, claro.
VINÍCIUS TORRES FREIRE - Crise, comida, ferro e petróleo
Crise, comida, ferro e petróleo
VINICIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SP - 19/08/11
Estimativa de baixa nos preços é ainda modesta, o que é ruim para a inflação, mas bom para a exportação
UMA BAIXA na atividade econômica mundial tende a conter ou a reduzir preços de comida, metais, minérios e petróleo. Desde o início do ano, o Banco Central acreditava que as projeções mais comuns para o crescimento do mundo rico eram então risonhas demais. A economia mundial enfim rateou, embora até mais que o previsto. Esse prognóstico foi um dos motivos que levaram o BC a não forçar muito a mão na alta da taxa "básica" de juros, a Selic.
Mas os preços das commodities vão cair quanto, se vão?
"Excetuada a situação de desaceleração mais intensa nos mercados, os impactos da presente oscilação do preço das commodities sobre a inflação e as contas externas tendem a ser limitados no curto prazo", escrevem em relatório economistas do Itaú (Giovanna Siniscalchi, Laura Haralyi e Darwin Dib).
Os economistas começam por notar o descasamento entre a variação de um índice de preço de commodities (CMDI, da Bloomberg) e a de um importante índice de ações da Bolsa americana (o S&P 500).
Segundo os economistas, a variação do S&P 500 costuma ser um indicador relevante de expectativas de crescimento e de aversão a risco.
Na crise de 2008, o CMDI e o S&P 500 andavam quase colados. De 22 de julho a 15 de agosto, o CMDI caiu 3,2%. O S&P 500, muito mais, 13%.
Explicações possíveis: 1) a oferta de produtos como petróleo, cobre, soja, milho sofreu choques adversos (clima, política, greves); a demanda está alta ainda; 2) ainda há dinheiro barato bastante no mundo para sustentar investimento em commodities (o pessoal do Itaú não empregou o termo "especular").
No Brasil, os preços agropecuários subiram nos últimos 30 dias (boi, porco, aves, açúcar). Isso vai aparecer nos preços de varejo (IPCA) a partir de setembro, acredita o pessoal do Itaú. A queda forte do algodão vai demorar a aparecer no preço de tecidos e de roupas.
A partir do início do ano que vem, com o declínio da atividade econômica confirmado e com o fim dos choques de oferta, pode haver declínio moderado dos preços (ou estagnação, se a China e "emergentes" continuarem firmes).
A "Economist Intelligence Unit" (EIU) acredita em declínio algo mais acentuado de preços (a EIU é a unidade de pesquisa econômica do grupo que edita a "The Economist").
Os preços serão menores no segundo semestre de 2011 e cairão mais em 2012, "devido ao consumo fraco, o que provavelmente deve ser acompanhado por uma redução do apetite do investidor por risco" (isto é, menos especulação. O relatório da EIU usa o termo "especular").
No que nos interessa mais, a EIU estima baixas fortes para café, algodão, trigo e aço (em 2012). Modestas para petróleo, soja, milho, arroz e açúcar. O minério de ferro, estrela das exportações brasileiras, ficaria mais ou menos estável.
Na média, vai haver um "alívio. Porém, [os preços] permanecerão em níveis historicamente altos, em parte porque os estoques ainda estão baixos, em parte devido ao crescimento da população urbana no mundo em desenvolvimento (e menos terra agricultável) e ao impacto dos biocombustíveis", diz a EIU.
A julgar pela perspectiva dos economistas do Itaú e da EIU, parece que seria preciso uma crise mais braba a fim de que os preços tombem a ponto de bater na inflação.
MARINA SILVA - Intolerável
Intolerável
MARINA SILVA
FOLHA DE SP - 19/08/11
Corrupção mata. Entender isso é fundamental para atacar um dos males que mais empatam o desenvolvimento socioeconômico e político do Brasil. Ainda há quem não veja a conexão entre corrupção e violência, mas elas estão intimamente ligadas.
Da mesma forma, devemos entender que a baixa eficiência e o mau funcionamento dos serviços do Estado estão tremendamente relacionados à cultura da corrupção, ao patrimonialismo, à falta de transparência e à baixa capacidade de mobilização social.
A morte da juíza Patrícia Acioli, no Rio, não é apenas um crime brutal. A execução de uma servidora pública correta e rigorosa com os crimes, principalmente os cometidos por agentes públicos, revela a força que as máfias têm no país. E o tamanho que elas adquiriram, graças à corrupção.
Quando a propina chancela e incentiva o desvio de conduta, torna-o cada vez maior. E chega a um ponto em que vê na lei um obstáculo que precisa ser removido, tirando do caminho quem a faz cumprir.
É na má política que se choca o ovo da serpente da violência policial e das relações espúrias entre poder de Estado e delinquência. Quem assistiu aos filmes de José Padilha "Tropa de Elite" e "Tropa de Elite 2" pode ver como a propina de todo dia fortalece a mão que aperta o gatilho contra os inocentes.
A morte de Patrícia Acioli é uma afronta ao Estado democrático de Direito. Ela não é apenas mais uma vítima. Era alguém que, no desempenho de suas funções, buscava combater a barbárie de grupos que querem controlar a vida de quem mora na periferia e, claro, o próprio Estado.
Matar uma juíza revela enorme convicção da própria impunidade. É uma declaração de guerra às leis, à democracia e à sociedade. Assim como é inaceitável que o Brasil conviva com a execução de uma juíza, também não é mais tolerável convivermos com o nível de corrupção que tem marcado o nosso país.
Vemos, na mídia, como a Índia, país com problemas maiores do que os nossos, desperta vigorosamente para o combate à corrupção. E o que falta para o Brasil? Quanto mais indignada for a resposta da sociedade aos escândalos e aos homicídios de cada dia, maior será o poder de reação contra essas mazelas no âmbito do próprio Estado.
A autoridade pública da menor à maior se sentirá fortalecida e incentivada a agir contra a corrupção, que é, em si, uma forma de violência contra a coletividade.
A faxina, então, deixa de ser rápida, como se faz quando chega uma visita inesperada, e passa a ser permanente, vigorosa, profunda. É desse nível de exigência que precisamos. Se nos acostumarmos a deixar barato, perderemos o controle do que é público, do que é de todos nós.
ELIANE CANTANHÊDE - Final infeliz
Final infeliz
ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 19/08/11
BRASÍLIA - O PMDB não é um PR qualquer. Tem 80 deputados, 20 senadores, cinco governadores e mantém seis ministérios, além da Vice-Presidência da República.
Por isso, Dilma não viu, não ouviu e não soube de nada que considerasse suficiente para a demissão de Wagner Rossi (PMDB) da Agricultura. Ela, aliás, estava convenientemente discursando na Marcha das Margaridas, ao vivo e em cores, enquanto a Polícia Federal abria inquérito para apurar os escândalos e Rossi decidia sua saída de fininho para tentar preservar a própria família.
Dilma tirou o problema de seu gabinete e empurrou para Michel Temer resolver com o PMDB. Quem pariu Rossi que o embalasse. Foi Temer quem indicou o apadrinhado para a Agricultura, quem aceitou o seu pedido de demissão e quem articulou, o mais rapidamente possível, dentro das circunstâncias, a substituição dele por Mendes Ribeiro Filho (PMDB-RS).
Todos os atores cumpriram bem seus papéis. Rossi saiu com uma carta preservando o governo e acusando a imprensa; Dilma lamentou o desrespeito à "presunção de inocência"; Temer perdeu Rossi, mas manteve a Agricultura. Não tem do que reclamar.
O principal personagem da trama, porém, é alguém muito distinto: Israel Leonardo Batista, que não aceitou propina de lobista, deu entrevista contando os esquemas e depôs na Polícia Federal descrevendo como a Agricultura estava "corrompida" na era Rossi.
Israel chefiava a comissão de licitação da pasta, que define o destino de bilhões de reais, mas tem salário de R$ 2.000, anda num carro de 2004, batido, e mora em Samambaia, um dos bairros mais pobres e poeirentos do DF.
Surge, assim, um novo Eriberto, o motorista do caso Collor, ou um novo Francenildo, o caseiro da primeira queda de Palocci. Na ficção, seriam heróis. Na realidade, sempre acabam perdendo no final.
FERNANDO DE BARROS E SILVA - Dilmuska
Dilmuska
FERNANDO DE BARROS E SILVA
FOLHA DE SP - 19/08/11
SÃO PAULO - Antonio Palocci (PT), Alfredo Nascimento (PR), Nelson Jobim (PMDB), Wagner Rossi (PMDB). Em comum, os ex-ministros de Dilma Rousseff têm o fato de serem, todos, herança de Lula.
Isso os caracteriza muito mais do que a ideia, amplamente difundida, de que seriam vítimas de uma faxina ética. A saída de Jobim é um caso à parte -nada tem a ver com corrupção. Mas também é errada a impressão de que ele vocalizou uma insatisfação estritamente pessoal. O PMDB não fez um único gesto para contornar o mal-estar provocado pelos ataques do ex-ministro ao governo que ainda integrava. Jobim e o partido jogaram juntos.
Fiquemos com os outros três, de vida suspeita. Dilma só atuou, de fato, em relação aos Transportes, o primo pobre na coalizão da pilantragem. Palocci e Rossi caíram de podre, à sua revelia. Pode-se dizer, se tanto, que ela não lhes deu o respaldo público que Lula teria dado.
O que se vê, em menos de oito meses, é o desmanche mais involuntário do que induzido da política que foi sedimentada na era Lula. O equilíbrio de forças obtido principalmente depois do mensalão, à custa do que se conhece, dependia da figura do presidente que patrocinava seus malandros e fazia, ao mesmo tempo, a animação das massas por via direta, atacando a imprensa quando necessário.
Essa figura está ausente. É difícil discernir entre as virtudes pessoais e a insuficiência política de Dilma. Seu governo escancara os aspectos regressivos do legado de Lula, mas aponta para algo diverso disso?
Tudo se passa como se estivéssemos diante daquele brinquedo russo, em que cada boneca oca, ao ser desmontada, revela outra boneca oca, igual a ela, mas menor, até que se chega à última boneca, minúscula. A Mamuska parece ser uma boa metáfora de Dilma -ou Dilmuska.
Há, por isso, quem veja na sucessão de cabeças cortadas e na insatisfação do Congresso sinais suficientes de que há no horizonte uma crise política já contratada.
CLÁUDIO HUMBERTO
“Não precisamos ser iguais para fazer aliança política”
EX-PRESIDENTE LULA SOBRE POSSIBILIDADE DE ALIANÇA DO PT COM O PSDB
DILMA PEDIU E ROSSI ‘SEGUROU’ DEMISSÃO POR 1 DIA
O ex-ministro Wagner Rossi decidiu se demitir às 16 horas de terça (16), após ser informado de uma entrevista bombástica de Israel Batista, ex-presidente da comissão de licitação do Ministério da Agricultura, a ser veiculada no Jornal Nacional. Batista denunciou os negócios do lobista Julio Cesar Fróes Fialho no ministério. Dilma e o vice Michel Temer pediram a Wagner um dia para “costurar” com o governador gaúcho Tarso Genro (PT) a nomeação de Mendes Ribeiro (PMDB-RS).
ACALMANDO TARSO
O novo ministro altera o xadrez político gaúcho, daí a “costura”. Além disso, o suplente Eliseu Padilha, ex-ministro de FHC, voltará à Câmara.
PADILHA FOI ALVO
A “costura” passou pela Operação Solidária, da PF, que indiciou Eliseu Padilha por fraude em licitação no governo Yeda Crusius, em 2009.
MÁGOA
Outro tema “sensível” para Tarso Genro é o Pronasci, seu programa de segurança, como ministro da Justiça, que Dilma colocou na geladeira.
DE VÉSPERA
A carta de Wagner Rossi já estava escrita desde terça. Os assessores dele apenas revisaram o texto para que fosse enviada ao Planalto.
ARTIGO DE DESEMBARGADOR AGITA TJ DO RIO
É de pororoca a maré no Tribunal de Justiça do Rio, com o recente artigo do desembargador Siro Darlan, publicado num jornal carioca, pedindo a renúncia do presidente do Tribunal, Manoel Alberto dos Santos, por ignorar as ameaças de morte contra a juíza Patrícia Acioli: “Sua permanência no ambiente dá asco e ânsia de vômito”, escreveu. Ameaçado de processo, Darlan diz que “provará todas as acusações”.
RETA FINAL
Aguarda-se para o final do mês a decisão sobre intervenção judicial na Cooperativa Habitacional dos Bancários, a Bancoop, ligada ao PT.
CPI VIRTUAL
Passa de três mil assinaturas o apoio a CPI da Corrupção na internet. As adesões têm sido feitas no site cpidacorrupcao.blogspot.com.
ESCOLINHA
Futuro ministro da Agricultura, Mendes Ribeirto afirmou que “quer aprender” com o ex-ministro Wagner Rossi. Não é um bom
começo.
LOBBY DERROTADO
Entraram em pânico os lobistas que tentam impor a privatização branca dos portos, após o ministro Leônidas Cristino (Secretaria dos Portos) afirmar que o governo vai obedecer a Constituição. Ou seja, operação de porto público só pode ser entregue à iniciativa privada por licitação.
COMISSÁRIO DE BORDO
Ricardo Saud, o diretor do Ministério da Agricultura enrolado com o caso do jatinho do ex-ministro Wagner Rossi, costuma pernoitar no apartamento do deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), em Brasília.
É FRIA
O premiê da Bulgária, Boiko Borisov, quer se encontrar com Dilma, de ascendência búlgura, na Antártida, em janeiro, nas bases dos dois países. Se as “calotas polares” do Congresso não derreterem até lá.
OREMOS
Adepto fervoroso da Renovação Carismática, o secretário-geral da Presidência da Respública, Gilberto Carvalho, está por nossa conta em Madri para a Jornada Mundial da Juventude, com o Papa Bento XVI.
GUIMARÃES NEGA
O empresário e ex-cartola (presidiu o Bahia) Marcelo Guimarães negou ser o dono da ilha de R$ 10 milhões confiscada na Operação Alquimia, da Receita e da PF. O importante jornal A Tarde também noticiou isso na edição online, mas ele nega inclusive que esteja sob investigação.
SERÁ HOMÔNIMO?
Vários jornais, o site do Superior Tribunal de Justiça e esta coluna informaram que Marcelo Guimarães foi acusado pelo Ministério Público Federal e até preso por chefiar esquema de fraudes em licitações que a Operação Jaleco Branco, da PF, desarticulou. Ele nega as acusações.
DESFALQUE
Nem começou a funcionar e a Autoridade Pública Olímpica já conta com um desfalque: Mário Moyses – preso na Operação Voucher, da PF – havia sido escolhido por Mário Fortes para uma diretoria da APO.
QUADRILHA BOLIVIANA
Parece piada: bolivianos fecharam a fronteira com o Brasil, ontem, em protesto contra os altos impostos do governo da Bolívia para regularizar carros roubados no Brasil e comprados por eles, manifestantes.
PERGUNTA NA FEIRA
O futuro ministro da Agricultura, que não é do ramo, saberá distinguir laranja de pepino?
PODER SEM PUDOR
O PADRE PERO VAZ
Paulo Ronaldo era deputado estadual do Pará, nos anos 70, quando resolveu discursar em homenagem ao Dia do Descobrimento do Brasil:
– Quando rezou a Primeira Missa, o padre Pero Vaz de Caminha...
Foi interrompido por um colega:
– Pero Vaz de Caminha foi escrivão da frota de Cabral e não padre...
A resposta do deputado arrancou gargalhadas:
– Vossa Excelência está por fora. Me contaram que o padre adoeceu e quem celebrou a missa foi Pero Vaz. Portanto, quem celebra missa é padre!
EX-PRESIDENTE LULA SOBRE POSSIBILIDADE DE ALIANÇA DO PT COM O PSDB
ACALMANDO TARSO
O novo ministro altera o xadrez político gaúcho, daí a “costura”. Além disso, o suplente Eliseu Padilha, ex-ministro de FHC, voltará à Câmara.
PADILHA FOI ALVO
A “costura” passou pela Operação Solidária, da PF, que indiciou Eliseu Padilha por fraude em licitação no governo Yeda Crusius, em 2009.
MÁGOA
DE VÉSPERA
A carta de Wagner Rossi já estava escrita desde terça. Os assessores dele apenas revisaram o texto para que fosse enviada ao Planalto.
ARTIGO DE DESEMBARGADOR AGITA TJ DO RIO
É de pororoca a maré no Tribunal de Justiça do Rio, com o recente artigo do desembargador Siro Darlan, publicado num jornal carioca, pedindo a renúncia do presidente do Tribunal, Manoel Alberto dos Santos, por ignorar as ameaças de morte contra a juíza Patrícia Acioli: “Sua permanência no ambiente dá asco e ânsia de vômito”, escreveu. Ameaçado de processo, Darlan diz que “provará todas as acusações”.
RETA FINAL
Aguarda-se para o final do mês a decisão sobre intervenção judicial na Cooperativa Habitacional dos Bancários, a Bancoop, ligada ao PT.
CPI VIRTUAL
Passa de três mil assinaturas o apoio a CPI da Corrupção na internet. As adesões têm sido feitas no site cpidacorrupcao.blogspot.com.
ESCOLINHA
Futuro ministro da Agricultura, Mendes Ribeirto afirmou que “quer aprender” com o ex-ministro Wagner Rossi. Não é um bom
começo.
LOBBY DERROTADO
Entraram em pânico os lobistas que tentam impor a privatização branca dos portos, após o ministro Leônidas Cristino (Secretaria dos Portos) afirmar que o governo vai obedecer a Constituição. Ou seja, operação de porto público só pode ser entregue à iniciativa privada por licitação.
COMISSÁRIO DE BORDO
Ricardo Saud, o diretor do Ministério da Agricultura enrolado com o caso do jatinho do ex-ministro Wagner Rossi, costuma pernoitar no apartamento do deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), em Brasília.
É FRIA
O premiê da Bulgária, Boiko Borisov, quer se encontrar com Dilma, de ascendência búlgura, na Antártida, em janeiro, nas bases dos dois países. Se as “calotas polares” do Congresso não derreterem até lá.
OREMOS
Adepto fervoroso da Renovação Carismática, o secretário-geral da Presidência da Respública, Gilberto Carvalho, está por nossa conta em Madri para a Jornada Mundial da Juventude, com o Papa Bento XVI.
GUIMARÃES NEGA
O empresário e ex-cartola (presidiu o Bahia) Marcelo Guimarães negou ser o dono da ilha de R$ 10 milhões confiscada na Operação Alquimia, da Receita e da PF. O importante jornal A Tarde também noticiou isso na edição online, mas ele nega inclusive que esteja sob investigação.
SERÁ HOMÔNIMO?
Vários jornais, o site do Superior Tribunal de Justiça e esta coluna informaram que Marcelo Guimarães foi acusado pelo Ministério Público Federal e até preso por chefiar esquema de fraudes em licitações que a Operação Jaleco Branco, da PF, desarticulou. Ele nega as acusações.
DESFALQUE
Nem começou a funcionar e a Autoridade Pública Olímpica já conta com um desfalque: Mário Moyses – preso na Operação Voucher, da PF – havia sido escolhido por Mário Fortes para uma diretoria da APO.
QUADRILHA BOLIVIANA
Parece piada: bolivianos fecharam a fronteira com o Brasil, ontem, em protesto contra os altos impostos do governo da Bolívia para regularizar carros roubados no Brasil e comprados por eles, manifestantes.
PERGUNTA NA FEIRA
O futuro ministro da Agricultura, que não é do ramo, saberá distinguir laranja de pepino?
PODER SEM PUDOR
O PADRE PERO VAZ
Paulo Ronaldo era deputado estadual do Pará, nos anos 70, quando resolveu discursar em homenagem ao Dia do Descobrimento do Brasil:
– Quando rezou a Primeira Missa, o padre Pero Vaz de Caminha...
Foi interrompido por um colega:
– Pero Vaz de Caminha foi escrivão da frota de Cabral e não padre...
A resposta do deputado arrancou gargalhadas:
– Vossa Excelência está por fora. Me contaram que o padre adoeceu e quem celebrou a missa foi Pero Vaz. Portanto, quem celebra missa é padre!
SEXTA NOS JORNAIS
- Globo: EUA e Europa pedem a saída de ditador sírio; Brasil diverge
- Folha: FGV é usada para fraudar licitação vencida pela PUC
- Estadão: Preocupação com Europa e EUA volta a derrubar bolsas
- Correio: "Quero aprender com Rossi" afirma novo ministro
- Valor: Voltam desconfiança e pessimismo
- Jornal do Commercio: Policiais vão trocar burocracia pela rua
- Zero Hora: O desafio de Mendes - Agronegócio pede seguro e prazo para pagar dívidas
quinta-feira, agosto 18, 2011
ARTHUR VIRGÍLIO - Clube dos Cafajestes?
Clube dos Cafajestes?
ARTHUR VIRGÍLIO
BLOG DO NOBLAT
O episódio da prisão de 38 funcionários do Ministério do Turismo, a começar pelo secretário-executivo da pasta, terminou superado pela discussão sobre o uso, correto ou incorreto, das algemas.
Esclareço que não sou favorável a abusos policiais e nem à humilhação de prisioneiros. Basta-me o corrupto ser preso, segura e adequadamente. Mas os fatos foram distorcidos a um ponto tal que, de repente, as algemas ficaram mais importantes que os delitos praticados contra o dinheiro da sociedade.
O Ministro Wagner Rossi, da Agricultura, protegido do vice-presidente Michel Temer, visivelmente enriqueceu exercendo cargos públicos. Mansão milionária em Ribeirão Preto e, agora, o tal jatinho de R$7 milhões.
Não tem como permanecer no cargo. Seu secretário-executivo, aliás, já foi demitido. Wagner Rossi, não! Hipocrisia pura, misturada com medo que a presidente Dilma demonstra ter do poderoso PMDB.
Menos de sete meses de governo e sete escândalos de porte registrados no passivo de um governo que envelhece a olhos vistos. Alfredo Nascimento vai à tribuna do Senado, ameaça, nas entrelinhas, contar o que sabe, e os líderes governistas reagem covardemente, com panos quentes, bem ao estilo da República do “rabo preso”.
Outro dia, vi na televisão episódio escatológico, passado numa pequena cidade mineira: todos os nove vereadores estão presos e suas esposas investiam furiosamente contra as câmeras e os jornalistas. Uma dessas senhoras colocava a mão direita sobre o órgão genital e berrava: “quer filmar? Então filma aqui”. E um dos vereadores: “nós somos parlamentares, não vai acontecer nada conosco”.
Mais para trás, um prefeito petista do Ceará fugiu de prisão preventiva num ônibus, acompanhado do vice-presidente da Câmara Municipal e mais 34 picaretas.
Pergunto a mim mesmo. Que país estamos legando aos nossos filhos e netos? Uma realidade da qual eles tenham razão de se orgulhar? Ou um grande Clube de
EDITORIAL - O GLOBO - A hora da escolha de Dilma
A hora da escolha de Dilma
EDITORIAL
O Globo - 18/08/2011
O Ministério dos Transportes/Dnit foi apenas o primeiro dos casos de flagrante desvio de dinheiro público que iriam se acumular na mesa de trabalho da presidente Dilma, como se previa. Se a palavra de ordem é "faxina", fica difícil, de fato, parar o processo de limpeza, diante da sujeira acumulada em oito anos de governo leniente com toda sorte de esquemas armados em Brasília, desde que ajudassem à "governabilidade" na gestão lulopetista.
Por sua vez, o Executivo não controla tudo - nem deve, nem pode. Por isso, enquanto Dilma retirava o entulho que encarecia e retardava projetos de infraestrutura de responsabilidade do Ministério dos Transportes, organismos de Estado - Polícia Federal, Ministério Público e Justiça - estavam por estourar um grupo de desvio de emendas parlamentares, organizado do começo (deputada Fátima Pelaes - PMDB/AP) ao fim (ONG Ibrasi, no Amapá). Sem faltar imprescindíveis conexões no Ministério do Turismo, ocupado por Pedro Novais, peemedebista do grupo maranhense de José Sarney, senador pelo Amapá.
O resultado da Operação Voucher aumentou o peso da missão ética sobre Dilma. E antecipou o esperado confronto das intenções de Dilma de injetar seriedade nos gastos públicos com o mais poderoso dos aliados, o PMDB, partido exímio em se localizar nas proximidades do Erário.
O primeiro choque para valer está em curso, devido a histórias desabonadoras em torno do Ministério da Agricultura, Pasta mais importante que a de Turismo. Bem mais cobiçada, principalmente pelas cifras que movimenta.
O ministro Wagner Rossi, indicado pelo vice Michel Temer, chefe máximo do PMDB paulista, viu se acumularem pontos de interrogação à sua frente e não resistiu. Além do caso do lobista com trânsito livre no ministério, principalmente na comissão de licitações, revelado pela "Veja", surgiu a história das relações nebulosas do ministro com a família proprietária da Ourofino Agronegócios. Pode ser tudo legal, mas causou estranheza que a empresa tenha recebido do ministério licença para fabricar vacina antiaftosa. E, além de financiar campanhas políticas do ministro e do filho Baleia Rossi (PMDB-SP), a Ourofino ainda encomendava vídeos institucionais na produtora de uma irmão de Baleia. Tudo em casa, a ponto de a família Rossi usar o jatinho da empresa, mostrou o jornal "Correio Braziliense".
Iniciada a faxina ética, é difícil suspendê-la sem que fique a má impressão de que o Planalto avalia menos a seriedade do delito que o tamanho da bancada de cada legenda ou grupo relacionado aos fartos indícios de falcatruas. Será negativo Dilma trocar a régua com que mediu o tamanho do balcão de negociatas do PR nos Transportes/Dnit por uma fita métrica mais camarada na avaliação dos esquemas na Agricultura. É preciso atenção, pois há sempre o risco de eles serem mantidos apesar da saída do ministro.
Enquanto a popularidade da presidente cresce nas classes médias - e certamente entre eleitores não petistas -, aumenta seu cacife político para enfrentar as chantagens em fase de armação no Congresso. Não se sabe se terá coragem de ir adiante. Se deseja fazer uma gestão digna, não tem escolha. Pedro Simon e sua frente anticorrupção no Senado dão um alento. Mas tudo depende de qual caminho a presidente escolherá.
Por sua vez, o Executivo não controla tudo - nem deve, nem pode. Por isso, enquanto Dilma retirava o entulho que encarecia e retardava projetos de infraestrutura de responsabilidade do Ministério dos Transportes, organismos de Estado - Polícia Federal, Ministério Público e Justiça - estavam por estourar um grupo de desvio de emendas parlamentares, organizado do começo (deputada Fátima Pelaes - PMDB/AP) ao fim (ONG Ibrasi, no Amapá). Sem faltar imprescindíveis conexões no Ministério do Turismo, ocupado por Pedro Novais, peemedebista do grupo maranhense de José Sarney, senador pelo Amapá.
O resultado da Operação Voucher aumentou o peso da missão ética sobre Dilma. E antecipou o esperado confronto das intenções de Dilma de injetar seriedade nos gastos públicos com o mais poderoso dos aliados, o PMDB, partido exímio em se localizar nas proximidades do Erário.
O primeiro choque para valer está em curso, devido a histórias desabonadoras em torno do Ministério da Agricultura, Pasta mais importante que a de Turismo. Bem mais cobiçada, principalmente pelas cifras que movimenta.
O ministro Wagner Rossi, indicado pelo vice Michel Temer, chefe máximo do PMDB paulista, viu se acumularem pontos de interrogação à sua frente e não resistiu. Além do caso do lobista com trânsito livre no ministério, principalmente na comissão de licitações, revelado pela "Veja", surgiu a história das relações nebulosas do ministro com a família proprietária da Ourofino Agronegócios. Pode ser tudo legal, mas causou estranheza que a empresa tenha recebido do ministério licença para fabricar vacina antiaftosa. E, além de financiar campanhas políticas do ministro e do filho Baleia Rossi (PMDB-SP), a Ourofino ainda encomendava vídeos institucionais na produtora de uma irmão de Baleia. Tudo em casa, a ponto de a família Rossi usar o jatinho da empresa, mostrou o jornal "Correio Braziliense".
Iniciada a faxina ética, é difícil suspendê-la sem que fique a má impressão de que o Planalto avalia menos a seriedade do delito que o tamanho da bancada de cada legenda ou grupo relacionado aos fartos indícios de falcatruas. Será negativo Dilma trocar a régua com que mediu o tamanho do balcão de negociatas do PR nos Transportes/Dnit por uma fita métrica mais camarada na avaliação dos esquemas na Agricultura. É preciso atenção, pois há sempre o risco de eles serem mantidos apesar da saída do ministro.
Enquanto a popularidade da presidente cresce nas classes médias - e certamente entre eleitores não petistas -, aumenta seu cacife político para enfrentar as chantagens em fase de armação no Congresso. Não se sabe se terá coragem de ir adiante. Se deseja fazer uma gestão digna, não tem escolha. Pedro Simon e sua frente anticorrupção no Senado dão um alento. Mas tudo depende de qual caminho a presidente escolherá.
CARLOS ALBERTO SARDENBERG - Capitalismo condenado?
Capitalismo condenado?
CARLOS ALBERTO SARDENBERG
O GLOBO - 18/08/11
O pensamento de esquerda, em baixa desde a queda do Muro de Berlim, ganhou alento com a falência do banco Lehman Brothers, o epicentro do colapso financeiro de 2008. Quem sabe a quebra de uma poderosa instituição de Wall Street fosse para o capitalismo o mesmo símbolo que a derrubada dos primeiros tijolos do Muro foi para o socialismo.
Passaram-se os meses, e o mundo, capitalista, não acabou. A crise não foi brincadeira, mas já no segundo semestre de 2009 apareciam os sinais de recuperação. Na virada de 2010 para 2011, parecia uma festa. Forte crescimento no mundo emergente, boa retomada nos EUA e na Alemanha. Aí, a história virou de novo.
A crise não acabara e se manifestava de outras maneiras ainda mais complicadas. Nesse clima aparece na imprensa internacional o artigo de Nouriel Roubini, "O capitalismo está condenado?", e ainda por cima com o destaque para esta observação: Marx estava certo quando disse que "a globalização, a louca intermediação financeira e a redistribuição de riqueza do trabalho para o capital poderiam levar o capitalismo à autodestruição". (Essa era a chamada, por exemplo, na revista eletrônica Slate.)
O economista Roubini não é socialista, muito menos marxista. É um teórico e intérprete do capitalismo, que traz a fama de ter previsto o colapso de 2008. Ora, se ele está dizendo que o sistema está "condenado", a coisa é séria.
A esquerda se animou de novo, os conservadores se assustaram. O que viria por aí? - perguntaram-se todos.
O começo do artigo acentua a inquietação. Roubini descreve uma crise que não tem saída. Resumindo, o sentido do texto é o seguinte: há diversos problemas gravíssimos, para os quais as soluções são inviáveis ou por razões econômicas ou políticas.
O ambiente social já mostra esse beco sem saída. As manifestações populares que pipocam por toda parte, diz Roubini, são movidas "pelas mesmas tensões e temas: crescente desigualdade, pobreza, desemprego e desesperança" - fantasmas que assombram o mundo.
Que fazer? Já se vê um novo mundo?
Não, Roubini não entrega isso. Para começar, a citação de Marx é relativizada. O pensador alemão não estava propriamente certo na previsão de fim do capitalismo, mas "parecia estar parcialmente certo". E, ainda assim, vem outra ressalva: "Sua visão de que o socialismo poderia ser melhor provou-se equivocada."
Em seguida, Roubini dá o tiro final nas esperanças da esquerda. A questão central hoje, diz ele, é "encontrar o correto equilíbrio entre mercado e a provisão dos bens públicos", para que as economias de mercado operem "como deveriam e como podem".
Para ele, tanto o modelo anglo-saxão - "laissez-faire e economia vudu" - quanto o europeu continental - "estado do bem-estar sustentado por déficits" - estão quebrados.
O economista sugere o caminho alternativo - e aqui a coisa não é decepcionante apenas para a esquerda. Vem uma relação de políticas em torno das quais há consensos, se excluída a extrema direita, e que vêm sendo tentadas por toda parte.
Reparem as propostas:
. estímulo fiscal (gasto público ou isenção de impostos) para investimentos produtivos em infraestrutura, de modo a gerar empregos;
. taxação progressiva, os mais ricos pagando mais impostos;
. estímulo fiscal de curto prazo e ajuste fiscal (corte de gastos e aumento de impostos) de médio e longo prazo;
. autoridades monetárias garantindo empréstimos de última instância para evitar corridas contra bancos;
. redução da dívida para famílias e outros agentes econômicos insolventes;
. estrita supervisão e regulamentação do sistema financeiro;
. desmantelar oligopólios e os bancos "muito-grandes-para-quebrar";
. países ricos precisam investir em capital humano, conhecimento e redes de segurança social.
Reparem: não tem nenhuma proposta para fechamento do comércio internacional, manipulação de moedas, avanço do Estado na economia, controle dos capitais privados, nacionalismos, etc.
Ao contrário, as sugestões cabem perfeitamente no pensamento clássico. Claro, a direita americana não aceita qualquer aumento de imposto, nem mais gasto público.
Mas é exceção. O governo conservador eleva impostos na Inglaterra, assim como na Alemanha. Não que sejam políticas unânimes e de fácil implementação. Sempre haverá o debate sobre quem deve pagar mais impostos e onde o governo gastará mais. Além disso, a coisa é localizada. Propor aumento de impostos faz sentido no México, onde a carga tributária é baixa. Já no Brasil...
O título original do artigo de Roubini diz "Is Capitalism Doomed?" - palavra esta que pode ser traduzida por "condenado", como fizemos, ou por "amaldiçoado". "Condenado" sugere que está acabado. Já um sistema pode ser "amaldiçoado" e continuar vivo. Deve ser isso. Maldito capitalismo, mas ainda não se inventou nada melhor.
Passaram-se os meses, e o mundo, capitalista, não acabou. A crise não foi brincadeira, mas já no segundo semestre de 2009 apareciam os sinais de recuperação. Na virada de 2010 para 2011, parecia uma festa. Forte crescimento no mundo emergente, boa retomada nos EUA e na Alemanha. Aí, a história virou de novo.
A crise não acabara e se manifestava de outras maneiras ainda mais complicadas. Nesse clima aparece na imprensa internacional o artigo de Nouriel Roubini, "O capitalismo está condenado?", e ainda por cima com o destaque para esta observação: Marx estava certo quando disse que "a globalização, a louca intermediação financeira e a redistribuição de riqueza do trabalho para o capital poderiam levar o capitalismo à autodestruição". (Essa era a chamada, por exemplo, na revista eletrônica Slate.)
O economista Roubini não é socialista, muito menos marxista. É um teórico e intérprete do capitalismo, que traz a fama de ter previsto o colapso de 2008. Ora, se ele está dizendo que o sistema está "condenado", a coisa é séria.
A esquerda se animou de novo, os conservadores se assustaram. O que viria por aí? - perguntaram-se todos.
O começo do artigo acentua a inquietação. Roubini descreve uma crise que não tem saída. Resumindo, o sentido do texto é o seguinte: há diversos problemas gravíssimos, para os quais as soluções são inviáveis ou por razões econômicas ou políticas.
O ambiente social já mostra esse beco sem saída. As manifestações populares que pipocam por toda parte, diz Roubini, são movidas "pelas mesmas tensões e temas: crescente desigualdade, pobreza, desemprego e desesperança" - fantasmas que assombram o mundo.
Que fazer? Já se vê um novo mundo?
Não, Roubini não entrega isso. Para começar, a citação de Marx é relativizada. O pensador alemão não estava propriamente certo na previsão de fim do capitalismo, mas "parecia estar parcialmente certo". E, ainda assim, vem outra ressalva: "Sua visão de que o socialismo poderia ser melhor provou-se equivocada."
Em seguida, Roubini dá o tiro final nas esperanças da esquerda. A questão central hoje, diz ele, é "encontrar o correto equilíbrio entre mercado e a provisão dos bens públicos", para que as economias de mercado operem "como deveriam e como podem".
Para ele, tanto o modelo anglo-saxão - "laissez-faire e economia vudu" - quanto o europeu continental - "estado do bem-estar sustentado por déficits" - estão quebrados.
O economista sugere o caminho alternativo - e aqui a coisa não é decepcionante apenas para a esquerda. Vem uma relação de políticas em torno das quais há consensos, se excluída a extrema direita, e que vêm sendo tentadas por toda parte.
Reparem as propostas:
. estímulo fiscal (gasto público ou isenção de impostos) para investimentos produtivos em infraestrutura, de modo a gerar empregos;
. taxação progressiva, os mais ricos pagando mais impostos;
. estímulo fiscal de curto prazo e ajuste fiscal (corte de gastos e aumento de impostos) de médio e longo prazo;
. autoridades monetárias garantindo empréstimos de última instância para evitar corridas contra bancos;
. redução da dívida para famílias e outros agentes econômicos insolventes;
. estrita supervisão e regulamentação do sistema financeiro;
. desmantelar oligopólios e os bancos "muito-grandes-para-quebrar";
. países ricos precisam investir em capital humano, conhecimento e redes de segurança social.
Reparem: não tem nenhuma proposta para fechamento do comércio internacional, manipulação de moedas, avanço do Estado na economia, controle dos capitais privados, nacionalismos, etc.
Ao contrário, as sugestões cabem perfeitamente no pensamento clássico. Claro, a direita americana não aceita qualquer aumento de imposto, nem mais gasto público.
Mas é exceção. O governo conservador eleva impostos na Inglaterra, assim como na Alemanha. Não que sejam políticas unânimes e de fácil implementação. Sempre haverá o debate sobre quem deve pagar mais impostos e onde o governo gastará mais. Além disso, a coisa é localizada. Propor aumento de impostos faz sentido no México, onde a carga tributária é baixa. Já no Brasil...
O título original do artigo de Roubini diz "Is Capitalism Doomed?" - palavra esta que pode ser traduzida por "condenado", como fizemos, ou por "amaldiçoado". "Condenado" sugere que está acabado. Já um sistema pode ser "amaldiçoado" e continuar vivo. Deve ser isso. Maldito capitalismo, mas ainda não se inventou nada melhor.
ANCELMO GÓIS - Sob pressão
Sob pressão
ANCELMO GÓIS
Dilma ficou surpresa com o abatimento de Wagner Rossi ao pedir demissão.
Na conversa, o ex-ministro disse que temia um ataque da imprensa à sua família.
Pescador de letras
O ministro Luiz Sérgio, da Pesca, enrolou-se com o texto, ontem, num discurso para empresários brasileiros e noruegueses, em Trondheim, na Noruega - e, digamos, pescou letras trocadas.
Disse que a baixa produção de pescado aqui se "basia" (ai!) em várias causas, e que é preciso resolver esta baixa "taixa" (aaii!). Além disso, falou ainda em "aviãos" (aaaiii!) e num "gordo intervalo de tempo" (hã?!).
Prêmio Nobel
Um dia depois do anúncio da concessão das primeiras 2.000 bolsas de estudos no exterior, o ministro Aloizio Mercadante fechou um acordo pelo qual a israelense Ada Yanath, Prêmio Nobel de Química em 2009, fará pesquisas no Brasil nos próximos três anos.
Era só o que faltava
O ex-ministro Wagner Rossi disse que só um político poderia pautar todas essas reportagens de denúncia.
Sobrou para José Serra, também acusado no Projac de ter mandando matar a Norma de "Insensato coração".
"Lei Barretão"
O capítulo de cotas para a produção local da nova lei da TV a cabo bem poderia se chamar "Lei Barretão". Nos últimos anos, Luiz Carlos Barreto, 83 anos, acampou no Congresso.
A lei estabelece o mínimo de três horas e meia semanais de exibição de produção brasileira.
Segue...
Barretão diz que as regras da Organização Mundial do Comércio admitem este tipo de cota:
- É para compensar a norma que impede países de sobretaxar a importação de bens culturais, como fazem com outros produtos. Os EUA, por exemplo, taxam nosso etanol.
PAULO SANT’ANA - Rumo ao paredão
Rumo ao paredão
PAULO SANT’ANA
ZERO HORA - 18/08/11
Eu sou um democrata e detesto ditadura.Mas, se eu fosse ditador, tivesse todos os poderes, tomaria as seguintes medidas:
1) Mandaria fuzilar todos os donos de garagens de Porto Alegre que cobram mais de R$ 10 por hora de estacionamento;
2) Mandaria fuzilar todos os motoristas de POA que imprimissem mais de 100 km/h em seus carros, no perímetro urbano;
3) Mas, antes deles, mandaria fuzilar todos os motoristas que infernizam os que estão na frente deles na fila e a única coisa que desejam é ultrapassar com rudeza ou violência os que lhes antecedem. Fuzilaria a todos esses malditos;
4) Mandaria fuzilar todos os que falam no celular dentro do elevador;
5) Mandaria fuzilar todos os moradores de POA que jogam lixo na rua, fora dos locais coletores;
6) Mandaria fuzilar todos os que ocupam vagas de idosos e deficientes físicos nos estacionamentos;
7) Mandaria fuzilar todos os grandes cantores que, em meio aos seus shows, depois de interpretarem várias canções de compositores célebres, dizem o seguinte: “Agora vou cantar uma música de minha autoria”;
8) Mandaria fuzilar, no paredão, todos os empregadores que não dão emprego para pessoas de mais de 50 anos, para negros, para obesos, para homossexuais e para pessoas que não têm “boa aparência”;
9) Mandaria fuzilar quem criou, em plena consciência, essas intermináveis e definitivas filas de consultas e cirurgias do SUS. E a seguir fuzilaria todos os governantes que têm cacife e poder para acabar com essas filas e fingem normalidade;
10) Mandaria executar na cadeira elétrica todas as pessoas que não entenderam a piada e mesmo assim desferem gargalhadas estrondosas;
11) Mandaria enforcar todos os megalomaníacos que não têm motivo para sê-lo, principalmente os burros congênitos;
12) Mandaria fuzilar todos os políticos que têm mandato e que entram para a base aliada só para nutrir suas vantagens pessoais;
13) Mandaria executar em praça pública todo aquele que, numa conversa, não permite ser interrompido, mesmo adivinhando que quem interromper irá expender argumento mais interessante que o dele;
14) Mandaria fuzilar todos os chatos, sem exceção, inclusive a mim próprio, caso me permitisse ouvir qualquer chato por mais de três minutos;
15) Mandaria fuzilar todas as prostitutas que tivessem orgasmo e as esposas que não o tivessem e o fingissem;
16) Mandaria anistiar todas as pessoas que, depois de conhecerem meu currículo humanista, pudessem pressupor que eu seria capaz de me tornar ditador e capaz de mandar fuzilar alguém.
CLÓVIS ROSSI - Sierra Maestra não é em Londres
Sierra Maestra não é em Londres
CLÓVIS ROSSI
FOLHA DE SP - 18/08/11
Tumulto no Reino Unido foi precedido de queda na criminalidade, para o nível mais baixo desde 1995
Há uns sete ou oito anos, durante um passeio por Londres, minha filha, que então morava lá, soltou: "Pai, você não imagina como é bom poder caminhar sem ficar olhando para trás".
Era a observação de quem recém saíra do "sempre alerta" a que somos obrigados em São Paulo. Fico imaginando se ela repetiria a frase agora que Londres andou pegando fogo, se ainda morasse lá.
Suspeito que sim. Ou melhor, as estatísticas oficiais sugerem que sim: segundo o "British Crime Survey" 2010/11, a taxa de violações da lei "está agora perto do mais baixo nível jamais registrado". Em números: no ano passado, houve 10 milhões de incidentes criminais a menos, na comparação com 1995, o ano que registrou o pico da criminalidade.
De quebra, a estatística, como comenta o "Financial Times", machuca o discurso do primeiro-ministro David Cameron, que considerou os ataques da semana passada a culminação de "um colapso moral em câmera lenta".
Torna também exagerada a punição aos que convocaram quebra-quebra, convocação de resto frustrada. Só apareceu a polícia. Têm, portanto, menos seguidores do que o número de anos de prisão (quatro).
Não é por aí que se vai atacar nem mesmo uma das muitas explicações, supostas ou reais, para a baderna, a saber: uma força policial fraca e/ou racista e/ou brutal; pais ausentes; dependência de subsídios governamentais que acostumaram mal uma parte da juventude; multiculturalismo; tolerância com as gangues em escolas e comunidades carentes; exclusão social; cortes nos gastos sociais; a crescente brecha entre ricos e pobres; o consumismo como obrigação inescusável.
Essa é a lista, não exaustiva, colhida da mídia britânica. Esqueci alguma? É até possível, provável mesmo, que a soma de todas as explicações seja a forma correta de analisar o que ocorreu. Mas eu tenho sérias dúvidas quanto a politizar demais o tumulto, mesmo aceitando o óbvio fato de que a política permeia tudo, da questão social à segurança.
Afinal, como Anne Applebaum comentou no "Washington Post", "se os egípcios na praça Tahrir queriam democracia e os anarquistas em Atenas queriam mais gasto público, os encapuzados nas ruas britânicas queriam televisores de tela plana de 46 polegadas e HD". Não é exatamente o que eu chamaria de reivindicação político-social, ao contrário do que parecem pensar esquerdistas que raciocinam por "default" e acham que qualquer baderna é uma revolta contra o capitalismo e/ou o neoliberalismo.
Afinal, lembra também Applebaum, "houve saques em Londres depois do Grande Incêndio de 1666", antes, portanto, da invenção do capitalismo, e mesmo durante os blecautes provocados pelos bombardeios da aviação nazista, na Segunda Guerra Mundial, antes, portanto, da invenção do neoliberalismo.
Que o capitalismo gera exclusão e que está aumentando a desigualdade é fato. É igualmente fato que surgiu um saudável movimento de "indignados".
Mas confundir baderna com revolução social equivale a conferir a medalha Che Guevara do Mérito ao PCC ou ao Comando Vermelho.
VINÍCIUS TORRES FREIRE - À sombra da economia em torpor
À sombra da economia em torpor
VINÍCIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SP - 18/08/11
"AS PERSPECTIVAS para a economia global estão ficando sombrias", diz a primeira linha do relatório bimestral da "Economist Intelligence Unit" (EIU) com data de setembro.
A EIU é a unidade de pesquisas econômicas do grupo que edita a revista "The Economist".
Que o prognóstico é sombrio a gente também sabe. A graça ou desgraça do relatório da EIU está em que eles são até bem otimistas.
Portanto, não esperam recessão nos EUA, na Europa e muito menos, pois, na economia mundial.
Em julho, a EIU previa que os Estados Unidos cresceriam 2,4% neste ano e 2,5% em 2012. Agora, as estimativas são de 1,7% e 2%, respectivamente (parte da mudança se deveu ao fato de o PIB do primeiro trimestre dos EUA ter sido brutalmente revisado para baixo, neste mês).
Para o Brasil, a previsão de crescimento baixou de 4% para 3,8%.
Os países da eurozona cresceriam apenas 1,7% em 2011 -a previsão anterior era de 2%. Mas o pessoal da EIU escrevia sem saber dos resultados horríveis dos PIBs do segundo trimestre na Europa.
Note-se de passagem que, se os países da zona do euro crescerem o estimado pela EIU neste ano, seu PIB ainda estará no nível de meados de 2007. Quatro anos de estagnação. Pode ser ainda pior.
Onde está o otimismo? "Embora seja difícil identificar fontes confiáveis de crescimento nos próximos meses, continuamos a acreditar que a desaceleração da primeira metade do ano deveu-se em parte a fatores temporários", diz o relatório (tradução deste colunista).
Ainda voltaria uma brisa de crescimento depois da calmaria causada pelos efeitos do terremoto no Japão e pela alta dos preços da comida e dos combustíveis (que subiram também devido à "especulação", favorecida pelo excesso de dinheiro barato no mundo, diz até a EIU).
O desemprego nos EUA voltaria a cair de modo "sustentável, embora decepcionante". Baixaria também o nível de endividamento dos consumidores, que então poderiam ficar mais propensos ao consumo.
"O lucro das empresas americanas como proporção do PIB está no nível mais alto em mais de meio século, indicando que as companhias têm os meios de contratar [empregados] assim que se sentirem mais confiantes em relação ao crescimento", diz o relatório da EIU.
Além do mais, como a produtividade cresceu de modo muito rápido em 2009-10, as empresas não podem mais "depender de ganhos de eficiência para sustentar seu crescimento". Ganho de produtividade, aqui, significa apenas que as empresas demitiram aos montes.
Mesmo assim, fazia 50 anos que os lucros não eram tão bons.
O que minou esses fundamentos da recuperação econômica no mundo rico, segundo a EIU, foi, em primeiro lugar, o choque causado pela nova rodada de deterioração da crise da dívida europeia (na verdade, uma "crise contínua", diz a EIU").
A seguir, o abalo maior, especialmente na moral dos agentes econômicos, foi causado pelo conflito político alucinado a respeito do aumento da dívida dos EUA.
Por fim, como resultado dessas crises, os governos cortarão ainda mais despesas, tirando mais impulso do crescimento já pífio. O que pode vir de pior? A EIU fala claramente no risco de desagregação da união monetária europeia.
A EIU é a unidade de pesquisas econômicas do grupo que edita a revista "The Economist".
Que o prognóstico é sombrio a gente também sabe. A graça ou desgraça do relatório da EIU está em que eles são até bem otimistas.
Portanto, não esperam recessão nos EUA, na Europa e muito menos, pois, na economia mundial.
Em julho, a EIU previa que os Estados Unidos cresceriam 2,4% neste ano e 2,5% em 2012. Agora, as estimativas são de 1,7% e 2%, respectivamente (parte da mudança se deveu ao fato de o PIB do primeiro trimestre dos EUA ter sido brutalmente revisado para baixo, neste mês).
Para o Brasil, a previsão de crescimento baixou de 4% para 3,8%.
Os países da eurozona cresceriam apenas 1,7% em 2011 -a previsão anterior era de 2%. Mas o pessoal da EIU escrevia sem saber dos resultados horríveis dos PIBs do segundo trimestre na Europa.
Note-se de passagem que, se os países da zona do euro crescerem o estimado pela EIU neste ano, seu PIB ainda estará no nível de meados de 2007. Quatro anos de estagnação. Pode ser ainda pior.
Onde está o otimismo? "Embora seja difícil identificar fontes confiáveis de crescimento nos próximos meses, continuamos a acreditar que a desaceleração da primeira metade do ano deveu-se em parte a fatores temporários", diz o relatório (tradução deste colunista).
Ainda voltaria uma brisa de crescimento depois da calmaria causada pelos efeitos do terremoto no Japão e pela alta dos preços da comida e dos combustíveis (que subiram também devido à "especulação", favorecida pelo excesso de dinheiro barato no mundo, diz até a EIU).
O desemprego nos EUA voltaria a cair de modo "sustentável, embora decepcionante". Baixaria também o nível de endividamento dos consumidores, que então poderiam ficar mais propensos ao consumo.
"O lucro das empresas americanas como proporção do PIB está no nível mais alto em mais de meio século, indicando que as companhias têm os meios de contratar [empregados] assim que se sentirem mais confiantes em relação ao crescimento", diz o relatório da EIU.
Além do mais, como a produtividade cresceu de modo muito rápido em 2009-10, as empresas não podem mais "depender de ganhos de eficiência para sustentar seu crescimento". Ganho de produtividade, aqui, significa apenas que as empresas demitiram aos montes.
Mesmo assim, fazia 50 anos que os lucros não eram tão bons.
O que minou esses fundamentos da recuperação econômica no mundo rico, segundo a EIU, foi, em primeiro lugar, o choque causado pela nova rodada de deterioração da crise da dívida europeia (na verdade, uma "crise contínua", diz a EIU").
A seguir, o abalo maior, especialmente na moral dos agentes econômicos, foi causado pelo conflito político alucinado a respeito do aumento da dívida dos EUA.
Por fim, como resultado dessas crises, os governos cortarão ainda mais despesas, tirando mais impulso do crescimento já pífio. O que pode vir de pior? A EIU fala claramente no risco de desagregação da união monetária europeia.
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