quarta-feira, julho 27, 2011

EDITORIAL - O ESTADO DE SÃO PAULO - Roubar, não pode mais


Roubar, não pode mais
EDITORIAL
O Estado de S.Paulo - 27/07/11

O contraste fica cada vez mais evidente. De um lado, uma tradição de oito anos de pacífica e ostensiva convivência com a malversação de recursos públicos, escorada nos ombros largos da governabilidade. De outro, uma completa devassa no Ministério dos Transportes, provocada pelas recentes denúncias de irregularidades praticadas desde que aquela pasta se transformou, no governo petista, em feudo do Partido da República (PR), componente da base aliada. "Sairão todos, independentemente de endereços partidários", garantiu a presidente Dilma Rousseff em entrevista de 80 minutos concedida a cinco jornalistas na última sexta-feira, no Palácio do Planalto.

Dito e feito. Até o início desta semana eram 18 os demitidos, entre eles o ministro herdado do governo anterior e os diretores dos dois principais órgãos vinculados à pasta, o Dnit e a Valec, responsáveis, respectivamente, pelas infraestruturas rodoviária e ferroviária. Dessas demissões, talvez mais significativa até do que a do próprio ministro Alfredo Nascimento foi a do diretor de operações do Dnit, Luiz Antonio Pagot, que resistiu à saída por quase três semanas, apelando para o recurso de entrar em férias e fazer ameaças veladas ao governo - tudo isso com o apoio explícito de importantes dirigentes petistas, entre eles o fiel escudeiro de Lula, Gilberto Carvalho, devidamente plantado no Planalto como ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza, e, de quebra, o vice-presidente da República e presidente de honra do PMDB, Michel Temer.

Apesar de algumas indecisões e recuos diante das crises políticas que tem enfrentado nos seus primeiros seis meses de governo - todas elas alimentadas por suspeitas e denúncias de corrupção -, a serena determinação demonstrada por Dilma Rousseff na conversa com os jornalistas que recebeu na sede do governo indica que, se depender apenas dela, o mau hábito de passar a mão na cabeça de corruptos e "aloprados", bem como tentar transferir para a oposição e a imprensa a responsabilidade por todos os malfeitos, faz parte do passado.

Dilma falou sobre tudo o que lhe foi perguntado, sem demonstrar impaciência ou irritação com as questões mais espinhosas. Mostrou-se muito à vontade e confiante quando tratou de assuntos econômicos, mas em nenhum momento revelou desconforto com problemas políticos. Procurou, é claro, minimizar a importância e a gravidade das denúncias de corrupção, das notícias sobre crises no governo e de suas divergências com o antecessor: "Eu entendo que dá manchete ter crise, mas de que ruptura vocês estão falando? Com quem?". E procurou se comportar como a magistrada que precisa ser, insistindo em que "não se pode demonizar a política nem a relação com os Ministérios", até porque "é preciso ter cuidado, porque tem gente que é inocente". E acrescentou: "Não podemos olhar só o governo, só o Congresso e a sociedade. É função intrínseca do governo impedir que haja conluio em qualquer lugar". E manifestou sua disposição de remover todo e qualquer entrave ao bom funcionamento da máquina do Estado: "Eles (os eleitores) me botaram aqui para isso".

Enquanto isso, em franca atividade política para manter-se em evidência na mídia que tanto ataca e também para manipular candidaturas para as eleições municipais do ano que vem - tanto num caso como no outro de olho nas eleições presidenciais de 2014, às quais se tem revelado candidatíssimo -, Lula não se cansa de repetir o que dele, pelo menos por enquanto, só se poderia esperar: protestos de sólida identificação e fidelidade em relação à sucessora que escolheu.

Na verdade, nem ele nem ela precisam explicitar o que pensam para evidenciar que se desenha no horizonte a confirmação do estigma do desgaste e consequente esfriamento da relação entre criadores e criaturas na política. Basta que continuem se comportando, ele, como sempre se comportou, e ela, como parece ter descoberto que é uma imposição de sua investidura. Por exemplo, no recado que Dilma mandou aos parlamentares: "É do jogo que o deputado peça e o governo aceite ou não". O limite entre uma coisa e outra é estabelecido, sobretudo, pela lei. Ou seja: fazer política, pode. Roubar, não pode mais.

SERGIO AMARAL - Da crise financeira à fiscal e política


Da crise financeira à fiscal e política
SERGIO AMARAL
O Estado de S.Paulo - 27/07/11

Tudo começou com a crise dos "subprimes", os empréstimos de qualidade duvidosa que recheavam os balanços dos bancos norte-americanos. Com a quebra do Lehman Brothers, em 2008, a crise propagou-se rapidamente para a Europa. Os bancos europeus também não haviam resistido à tentação dos negócios com o subprime.

A cooperação orquestrada pelo G-20, que então estreava como palco de decisões econômicas globais, e a injeção de recursos pelos governos, para sanear os bancos e conter a recessão, evitaram a crise sistêmica. Ao início de 2011, os países industrializados já emitiam os primeiros sinais de recuperação.

Mas o que era a crise de liquidez dos bancos, com o seu epicentro nos EUA, transformou-se na crise fiscal dos governos, agora com foco na Europa.

De certo modo, a crise da dívida europeia lembra a da América Latina dos anos 1980. O súbito aumento das taxas de juros nos EUA e o endividamento crescente de países da região representaram um risco efetivo de crise sistêmica. Ela foi contornada graças a um complexo processo de negociações da dívida, em duas fases. Para o Brasil, a primeira culminou no acordo de 1988, no qual estive diretamente envolvido, pelo qual o País saiu da moratória e reestruturou US$ 80 bilhões de débitos junto a bancos e governos credores. A segunda, conduzida por Pedro Malan, trouxe um desconto da dívida, da ordem de 30%, em 1994, tornando sustentável a sua amortização.

Há, porém, diferenças. As instituições financeiras tentaram a rolagem da dívida de Portugal e Grécia, de modo a ganhar tempo e evitar o risco de contágio. Mas a tentativa falhou, diante da inviabilidade de conter a insolvência da Grécia mediante a simples renovação dos seus empréstimos. Os governos europeus estão sendo forçados a promover uma reestruturação mais ampla e outras formas de alívio da dívida grega, de forma a sustar um contágio já em curso na Itália e na Espanha. Assim, a deterioração das contas públicas contamina os bancos que detêm um volume expressivo de títulos públicos depreciados. O que foi crise financeira em 2008 pode tornar-se uma dupla crise, fiscal e financeira, em 2011.

Por fim, as políticas de ajustamento prescritas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) são mais penosas no momento em que já estão instalados recessão e desemprego. Ou quando os devedores não têm, como nós tivemos, a possibilidade de desvalorizar a moeda para estimular exportações e o crescimento, pois estão atados a uma moeda comum, o euro.

Não obstante tais diferenças, existe um substrato comum. Por trás das questões técnicas e financeiras, a dívida suscita uma questão política, que está na repartição dos custos do ajustamento entre devedores e credores. O devedor demanda um pacote de salvamento maior, para reduzir os penosos sacrifícios em termos de crescimento e emprego. O credor - no caso europeu, sobretudo a Alemanha - resiste a recorrer aos recursos do contribuinte para atenuar os encargos do devedor.

Na América Latina, as políticas de ajustamento conduziram a uma década perdida. Na Europa, a consequência pode ser a saída de alguns países, como a Grécia, da zona do euro, um passo inédito, de desdobramentos imprevisíveis. Ou, até mesmo, pôr em questão o projeto político europeu.

Enquanto as atenções estão voltadas para a Europa, Washington é palco de uma batalha insólita, mais do que política, ideológica e eleitoral, entre os democratas, que consideram não ser possível sair do imbróglio fiscal sem aumentar a arrecadação, e os republicanos, que advogam um corte maior de despesas. Em artigo recente, Martin Wolf chama a atenção para a necessidade de aumentar a receita. Entre 2008 e 2012, o déficit orçamentário americano deverá passar de 0,3% a 10,9% do PIB - 58% virão do declínio na receita, por causa da recessão; 42%, de uma elevação nas despesas. Se os dois partidos não chegarem a um entendimento sobre a elevação do teto para o endividamento, o que parece inverossímil, as consequências serão igualmente imprevisíveis.

Às voltas com disputas de alto risco, de um e de outro lado do Atlântico, sem falar na crise no Oriente Médio ou na eventualidade de bolhas na Ásia, os líderes mundiais deixaram de lado o tema central dos desequilíbrios na economia global. Os saldos em conta corrente, em relação ao PIB, no Japão (3,6%), na China (5,2%) e nos países exportadores de petróleo no Oriente Médio (6,5%), de um lado, e o déficit, particularmente nos EUA (3,2%), explicam em boa medida o descompasso nas taxas de câmbio e a geração de um excesso de liquidez, que desestabilizam economias nacionais e estão na origem das novas crises globais.

Essas questões não poderão ser equacionadas de modo duradouro sem uma reforma do sistema monetário internacional, tema que já consta da agenda da Cúpula do G-20 para novembro próximo. O chamado Grupo do Palais Royal, integrado por reconhecidos especialistas, preparou a proposta para o G-20. Em síntese, num período de profundas transformações, será preciso inovar e ousar, para reforçar os mecanismos de representatividade e vigilância, coibir a expansão da dívida e dos desequilíbrios em conta corrente, com o consequente impacto sobre os fluxos de capitais e o câmbio. Adotar sanções, inclusive comerciais, como as previstas nas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Por fim, reforçar a capacidade de o FMI se tornar um efetivo emprestador em última instância, com baixa ou nenhuma condicionalidade.

O G-20 até agora tem permanecido mudo em face do segundo tempo da crise. Terá condições de deliberar sobre questões tão complexas e controversas, no momento em que a economia mundial, na melhor hipótese, estará apenas iniciando a sua convalescença?

ISABEL LUSTOSA - Os quatro cavaleiros da utopia


Os quatro cavaleiros da utopia
ISABEL LUSTOSA
O Estado de S.Paulo - 27/07/11

Ao longo da História do Brasil, quatro ideais foram verdadeiros motores da transformação. Os princípios do constitucionalismo, do federalismo, do abolicionismo e do desenvolvimentismo, manejados pelos que neles apostavam, podem ser considerados os nossos quatro cavaleiros da utopia. Essas ideias motivaram grandes debates, rupturas e até mesmo guerras que alteraram o curso do nosso destino.

O constitucionalismo foi a ideia-força que moveu o País no sentido da independência. A partir da independência dos EUA, em 1776, o mundo entrou na era das Constituições e o Brasil encontraria no constitucionalista o impulso para fazer a sua. Foram os portugueses, aliás, que deram início ao movimento, eles mesmos desejosos de sacudir o jugo absolutista que os condenava à obediência cega a um rei que vivia na América. Reivindicando para si uma ordem regida por leis fixas e elaboradas em função das necessidades da grande nação portuguesa, eles despertaram do lado de cá do Atlântico os mesmo desejos de liberdade e igualdade. Foi em torno dessa igualdade desejada pelos brasileiros e negada pelos portugueses que se travou a grande disputa que resultou na independência.

Se o constitucionalismo foi a bandeira sob a qual se fez a independência, foi em torno do desejo de ver implantado no Brasil o federalismo que se travaram as guerras internas mais sangrentas de nossa História, das quais a Confederação do Equador (1824) e a Guerra Farrapos (1835-1845) foram as mais famosas. Segundo Evaldo Cabral, para Frei Caneca a autonomia provincial tinha prioridade sobre a forma de governo, tanto fazia ser Monarquia ou República, desde que fosse Federação. A reivindicação federativa acompanhou a vida política de todo o Segundo Reinado, dividindo conservadores, quase sempre favoráveis à centralização, e liberais, mais identificados com o federalismo. Desta última tradição fez parte Rui Barbosa, partidário de uma descentralização administrativa e política que desse maior autonomia às províncias. Na República, no entanto, Rui tornar-se-ia crítico do modelo tal como foi adotado. A seu ver, um país que até 1889 praticara a unidade de todo o poder nas mãos do imperador não podia descentralizar-se subitamente, enfraquecendo a própria ideia de Federação.

Outro grande tema que mobilizou o Brasil do século 19 foi a escravidão. O debate mesclava questões econômicas com sociais e morais e foi, mais de uma vez, motivo de tensão nas relações do País com a Inglaterra. Para alguns brasileiros, a escravidão não era só a nódoa que envergonhava o País, mas também fator de atraso econômico. A defesa da mão de obra livre como elemento de progresso - feita pelos que viam na livre concorrência, no livre mercado e na diversificação das matrizes econômicas fatores de progresso - esbarraria sempre na defesa intransigente dos interesses da monocultura baseados no trabalho escravo. A economia cafeeira, que começara a tomar impulso durante o Primeiro Reinado, oporia forte e eficaz resistência a qualquer projeto abolicionista. O movimento abolicionista só tomaria impulso mesmo depois da Guerra do Paraguai. No entanto, a Abolição (1888), seguida de perto pela Proclamação da República (1889), não propiciou nenhuma campanha consistente com vista à integração do antigo elemento servil à sociedade brasileira.

A República manteve o já consolidado constitucionalismo, adotando o sempre desejado federalismo. Seus principais patrocinadores, no entanto, eram os mesmos que, durante o século 19, conservaram a economia brasileira atrelada à monocultura do café e à escravidão. Assim, o Brasil viveu os 30 primeiros anos do século 20 dominado por uma elite econômica indiferente ao destino da maioria do povo. A crise de 1929 revelou a equivocada política de valorização artificial do preço do café, que sacrificava todo o resto do País aos interesses de um grupo. O esforço de industrialização empreendido pelo primeiro governo Vargas, no bojo de uma política nacionalista que envolveu a tentativa de organização e inclusão da classe trabalhadora, demonstrou o rumo da política econômica e social que poderia mudar o destino do Brasil. No entanto, o contexto ditatorial em que foram implementadas parecia sugerir que o preço do desenvolvimento do País era a limitação da liberdade política.

Foi apenas nos anos 1950, no ambiente democrático do segundo governo Vargas, que o ideal desenvolvimentista encontrou sua forma na obra de Celso Furtado. Na visão de Furtado - e para resumi-la me baseio em excelente artigo de Vera Cepeda (2009) -, a predominância da economia agroexportadora baseada na monocultura era a principal responsável pelo nosso atraso econômico e, ao descuidar-se do mercado consumidor interno, também pela escassez e pelo custo dos alimentos.

Cabe ao Estado democrático planejar e orientar a atividade econômica por meio de instrumentos como tributação, políticas cambiais, subsídios e investimentos em determinados setores, como a agricultura de pequena propriedade voltada para o mercado consumidor interno. Para garantir a dinâmica desse mercado - base do crescimento de qualquer economia - é preciso proteger o emprego e os salários do trabalhador. Para Celso Furtado, esse processo tem de ser resultado da participação política, da organização social e da pressão sindical, pois só a sociedade civil pode cobrar um destino público para o crescimento econômico. A atualidade desse pensamento se vê hoje pelo sucesso de sua aplicação às políticas que vêm orientando o Brasil nos últimos anos. Comprovamos agora, na prática, que a ação racional do Estado promotora de um desenvolvimento planejado é capaz de tirar da miséria aqueles que foram, desde o começo da nossa História, largados à própria sorte.

Esta é a era do quarto cavaleiro: a do desenvolvimentismo.

CIENTISTA POLÍTICA PELO IUPERJ, É HISTORIADORA DA CASA DE RUI BARBOSA NO RIO DE JANEIRO

GOSTOSA

VINÍCIUS TORRES FREIRE - Ficção científica nos EUA


Ficção científica nos EUA
VINICIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SP - 27/07/11

Indicadores do mercado indicam que finança ainda não acredita no buraco negro do calote dos EUA


OS DONOS do dinheiro grosso ainda não piscaram de medo da hipótese de os Estados Unidos darem calote.
Os bancos centrais das maiores economias, bancos privados, grandes fundos de investimento etc. continuavam ontem a emprestar dinheiro barato para os EUA.
Continuavam a comprar e a vender títulos da dívida dos EUA no mercado secundário como se nada estivesse ocorrendo (embora algo muito sério esteja acontecendo).
As taxas de juros mal se mexem. O governo federal americano ainda pode tomar empréstimos com dez anos de prazo pagando entre 2,9% e 3% ao ano (0,6% de juro real!).
O custo de fazer seguro financeiro contra um calote dos EUA mal se mexeu de um mês para cá. Pesquisas várias com administradores de dinheiro grosso indicam que larguíssima maioria não está mexendo em suas posições (nem aposta em alta nem em baixa importante do valor da dívida dos EUA).
Há algumas providências, decerto. Bancos empilham mais dinheiro no caixa. Trocam-se dólares por ienes e francos suíços. A incerteza maior tira dinheiro das Bolsas.
Não tem acontecido nada de dramático na finança mundial, faltando sete dias para o suposto calote. Difícil imaginar o que pode acontecer, porém. Para onde fugiriam os investidores? Não há mercado com a segurança e o tamanho do americano. A finança entraria numa dimensão paralela, num mundo bizarro como o dos buracos negros de documentário científico "pop".
A finança parece acreditar que: 1) o Congresso dos EUA vai autorizar novo limite de endividamento; 2) se não autorizar, Barack Obama dará um jeitinho legal de evitar o calote; 3) se o calote vier, os credores da dívida mobiliária receberão antes de servidores, velhos e doentes; 4) se o calote geral vier, será rápido e remediável (para os financistas).
Mesmo que tudo acabe bem, já "foi mal". Houve aumento de incerteza numa economia já claudicante. Para piorar, virá algum corte de gasto público, provavelmente sem aumento de imposto para ricos (que poupam mais, quando os EUA precisam de mais consumo privado).
Ou seja, vai faltar dinheiro para estimular a economia (especialmente na ociosa construção civil e, segundo eles, porca infraestrutura dos EUA). Vai faltar dinheiro para criar empregos e auxiliar pobres e desempregados, que gastam o que têm e poderiam criar mais demanda numa economia sem apetite e/ou endividada demais para gastar. Os EUA vão crescer mais devagar.
O governo federal americano arrecada agora apenas entre 14% e 15% do PIB (ante algo entre 18% e 19% na média dos últimos 30 anos) --ao menos metade do deficit vem do crescimento baixo. Crescendo pouco, vai ainda arrecadar pouco --difícil reduzir a dívida assim.
O golpismo e a anarquia da direita, o Tea Party e doidos do gênero, vão empurrando os EUA para uma "situação europeia". Por falar nisso, a crise europeia continua grave. O sucesso do "plano Grécia" é uma incógnita, Portugal está sub judice e Itália e Espanha estão nas cordas.
Não se sai de crise como a de 2008 sem dor. Crise criada pela finança desembestada e pelos governos que ela capturou. Governos que agora querem agradar com ortodoxia financeira fora de época. Isso não vai prestar.

DORA KRAMER - Lá se vão os anéis


Lá se vão os anéis
DORA KRAMER
O ESTADÃO - 27/07/11

“Dilma reafirma disposição de levar a limpeza ‘até o fim’, mas do palácio saem versões de que há preocupação com os demais aliados.”


De concreto, as denúncias de superfaturamento de obras e cobrança de propinas no Ministério dos Transportes resultaram em 18 demissões e na avaliação geral de que a presidente Dilma Rousseff está promovendo uma “faxina” em regra na área.

Tudo o mais está muito esquisito. A começar pelo alheamento do ministro da Justiça e a discrição da Polícia Federal, outrora convocada a avalizar a disposição do governo federal no combate à corrupção.

Sobre o tema o ministro José Eduardo Cardozo até agora se limitou a dizer que a PF “há tempos” investiga o que se passa no ministério. Nos casos que fizeram a presidente demitir ministro e companhia mais a diretoria do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, a polícia está avaliando a possibilidade de atender aos pedidos de investigação feitos pela oposição.

“Se a PF provar alguma irregularidade, seguramente apontará para uma ação penal”, afirmou.

Como assim, “se” for provada “alguma irregularidade”? A presidente da República não acabou de demitir 18 pessoas, justamente baseada na conclusão de que havia não “alguma irregularidade”, mas a ocorrência de crimes que caracterizam prevaricação? Qualquer entendimento diferente deste leva à conclusão de que a presidente foi leviana e quis apenas buscar popularidade com o pescoço alheio.

Cometeu grave injustiça e, com isso, dá razão a dois dos demitidos que contestaram publicamente a decisão de Dilma.

Luiz Antonio Pagot, ex-diretor geral do Dnit, e Hideraldo Caron, responsável pela diretoria de Infraestrutura Rodoviária.

O primeiro foi ao Senado e à Câmara dizer que nada havia feito de errado e todas as suas ações eram do pleno conhecimento da presidente, a quem tivera oportunidade de esclarecer as razões da “mudança de escopo” (sinônimo não contabilizado para aumento de custos) das obras do PAC.

Foi celebrado como cidadão acima de qualquer suspeita por senadores e deputados da base governista e, no ato de apresentação de sua demissão, o fez em meio aos aplausos de 500 funcionários do Dnit, em desagravo orquestrado.

O segundo dos demitidos com honras de Estado - a ambos foi conferido o privilégio de tomar a iniciativa -, o petista Hideraldo Caron, também alegou não existir “nada de concreto” sobre ele, justificou que saía “por razões políticas” e ainda considerou “exageradas” as providências tomadas pela presidente.
A tudo o Palácio do Planalto assistiu passivamente, como se o temporário ônus pagasse o bônus do “upgrade” à imagem da presidente como operadora da mudança de hábitos na Esplanada dos Ministérios e adjacências.

O governo restringiu-se a ações administrativas onde, por suposto, houve crimes.

Passíveis de punições bem mais graves que tão somente demissões a partir das quais os demitidos sempre poderão alegar adiante que nada pesa contra eles.

Uma coisa são demissões, outra bem diferente são processos que podem resultar em condenações. A primeira diz respeito aos anéis e a segunda aos dedos.

Até agora preservados. Fala-se em “comprovações” e possíveis “absolvições”, mas para haver culpa ou inocência é necessário que haja inquéritos, denúncias e processos.

A presidente reafirma disposição de levar a limpeza “até o fim”, mas do palácio saem versões de que há preocupação com os demais aliados.

A fim de evitar fissuras “na base”, o PMDB, por exemplo, estaria a salvo. Esses ministros dizem que a presidente daqui em diante será mais “cautelosa” (teria sido ela, então, incauta?) no trato de partidos com lastro mais pesado que o mediano e mal-afamado PR.

A presidente, nessa interpretação, teria noção de peso e medida, evitando atiçar marimbondos com fogo.

A corresponderem aos fatos tais versões, o PMDB seria poupado não por ser correto, mas por ser poderoso. O que faria a faxina recender a autopromoção.

Xeque
Pelo sim pelo não, o PMDB prepara nota oficial, assinada por todos os ocupantes de cargos do partido, pedindo que o governo divulgue se souber de algo que os desabone.

MÔNICA BERGAMO - QUESTÃO DE ORDEM

QUESTÃO DE ORDEM
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 27/07/11

A Defensoria Pública marcou um ponto na queda de braço com a OAB na discussão se seus integrantes devem ou não ser inscritos na ordem. Obteve liminar para que um deles, Samir Nasralla, seja mantido em um caso mesmo após ter se desligado da entidade de classe. Ele havia sido afastado pela 7ª Câmara de Direito Privado de SP, que determinou a nomeação de um profissional com OAB para seu lugar. A defensora pública-geral, Daniela Cembranelli, se recusou a substitui-lo, e impetrou recurso para liberá-lo.

JOGO TRUNCADO

A disputa começou quando um grupo defensores de SP rompeu com a OAB. Consideram que a lei que regulamenta a categoria acabou com a obrigatoriedade do registro na ordem. Desde então, pipocam ações questionando a atuação de alguns dos mais de 80 defensores que se desligaram. Algumas decisões têm sido favoráveis a eles, outras à OAB.

NOVO COMANDO

Cosette Alves é a nova presidente do conselho de administração do Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo. A empresária aceitou o convite do secretário estadual de Cultura, Andrea Matarazzo, e foi nomeada anteontem, depois de ser eleita por unanimidade. A nova função coincide com a volta de Cosette a SP, após temporada morando nos EUA.

DESARMAMENTO LIGHT

A Secretaria Estadual da Justiça vai promover uma campanha de desarmamento em dois Centros de Integração da Cidadania na zona sul de SP, em agosto. A pasta considera que muitas pessoas deixam de entregar suas armas em delegacias, com medo de serem investigadas.

A+ OU MENOS
Clientes da unidade da República do Líbano da a+ Medicina Diagnóstica, em São Paulo, penavam até uma hora e meia de espera na semana passada para fazer exames pré-agendados. Apenas duas atendentes faziam a triagem da nova empresa do Grupo Fleury voltada para público de alta renda.

PARQUE AQUÁTICO

O presidente da Câmara Municipal de SP, José Police Neto (sem partido), foi a Los Angeles conhecer o projeto que revitalizou o principal rio da cidade americana. O prefeito local, Antonio Villaraigosa, programou, além de reuniões com técnicos e políticos, a visita do brasileiro ao estacionamento do zoológico, onde existe um sistema de captação de água e coleta de resíduos, e ao parque temático Universal Studios.

MILHAGEM
E na semana em que a prefeitura assinou a concessão de incentivos fiscais ao Itaquerão, o site da Câmara destacou em sua capa a notícia "Londres 2012: Time de futebol utiliza estádio para benefício dos cidadãos". Era um boletim do secretário Walter Feldman, enviado para acompanhar os preparativos da Olimpíada.

FRED FLINTSTONE

Fred Durst, vocalista do grupo de rock americano Limp Bizkit, fumava anteontem na porta do restaurante El Kabong, na rua dos Pinheiros, quando um fã lhe cumprimentou e perguntou: "É você o cara da banda?". Ao que ele tragou o cigarro e respondeu: "Não, somos um grupo de bailarinos gays que veio dançar no seu país". A banda se apresentaria ontem à noite em São Paulo, no Via Funchal.

VIDA EM FOTOS

Foi aberta nesta semana, na PUC-SP, a exposição de fotos "Octavio Frias de Oliveira", em homenagem ao publisher da Folha, morto em 2007. A mostra ficará na universidade até o dia 6 de agosto. No dia 15, irá para o shopping Vila Olímpia, onde será exposta até 9 de setembro. Na semana de 12 a 16 de setembro, estará na Faap.

MULHERES UNIDAS

Um grupo de cantoras se reuniu anteontem na casa de Patricia Palumbo, em Perdizes, anteontem, para a audição do show "Literalmente Loucas - Elas Cantam Marina Lima", que acontece em agosto. Anelis Assumpção, Karina Zeviani e Márcia Castro participaram.

RETRATO PINTADO

O artista alemão Gerhard Richter, que produz obras que misturam foto e pintura, ganhou a mostra "Sinopse", na Pinacoteca.

MISS À FLOR DA PELE
A miss Brasil 2011, Priscila Machado, tem uma estrela desenhada na nuca. A organização do concurso firmou à Folha, antes da premiação, que tatuadas não podiam concorrer, mas agora afirma que o regulamento não proíbe tatuagens. "Se tivesse algo contra as regras, eu não teria nem participado", afirma a vencedora, que é do Rio Grande do Sul.

CURTO-CIRCUITO


A cantora Britney Spears apresenta sua turnê "Femme Fatale" com shows na Apoteose, no Rio, no dia 15 de novembro, e em São Paulo, na Arena Anhembi, no dia 18 de novembro.

A revista "T/Magazine" será lançada hoje no hotel Tivoli, às 19h.

Roberto Camasmie inaugura a mostra "Gravart", feita com gravatas, no dia 4, em seu ateliê na rua Bela Cintra, nos Jardins.

A revista "Prazeres da Mesa" promove o evento Mesa ao Vivo em Recife, nesta semana, e em Fortaleza, em agosto.

com DIÓGENES CAMPANHA (interino), LÍGIA MESQUITA, THAIS BILENKY e CHICO FELITTI

CELSO MING - Desembarque dos capitais

Desembarque dos capitais
CELSO MING

O Estado de S.Paulo - 27/07/11

Em economia, como em tanta coisa na vida, o maior problema não é a mentira. É o autoengano.

E foi notável o autoengano de tantos analistas econômicos que previram problemas graves no desempenho das contas externas do Brasil em 2011. Eles entenderam que a tendência ao mergulho das cotações do dólar no câmbio interno, conjugado com a grave recessão mundial, perturbaria o fechamento das contas com o resto do mundo e traria dificuldades para a cobertura do déficit em Conta Corrente.

O próprio Banco Central, por exemplo, previa, na virada do ano passado para este, que o saldo comercial (diferença entre exportações e importações) não passaria dos US$ 11 bilhões em 2011. O mercado, auscultado pela Pesquisa Focus, do Banco Central, não fazia conta muito diferente. Projetou um superávit comercial de apenas US$ 8,8 bilhões. E, no entanto, somente no primeiro semestre, ficou registrado um saldo comercial positivo de US$ 13 bilhões - que, provavelmente, saltará no ano inteiro para alguma coisa entre US$ 30 bilhões e US$ 35 bilhões.

Em engano semelhante incidiram os analistas que pré-calcularam o afluxo do Investimento Estrangeiro Direto (IED) para 2011. Com todas as informações privilegiadas de que dispõe, o Banco Central iniciou o ano prevendo que a entrada líquida do IED, nos 12 meses terminados em dezembro deste ano, não passaria dos US$ 45 bilhões. O mercado trabalhou com números algo diferentes, mas igualmente errados: US$ 40 bilhões.

As exportações vêm surpreendendo graças à alta das commodities agrícolas e minerais. Já o impressionante comportamento do IED fica mais difícil de explicar. É provável que, neste ano, ultrapasse os US$ 70 bilhões. E é verdade que a economia brasileira está no foco dos investidores internacionais que, nesta temporada de baixos resultados da economia global, dispõem de um leque de opções mais estreito para aplicação de seus recursos.

Mas isso não explica tudo. Um bom grupo de economistas adverte que uma generosa fatia do IED de 2011 não passa de aplicação disfarçada em renda fixa. Desembarcam caracterizados desse modo somente para evitar os 6% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) com que estão sendo taxadas as aplicações de estrangeiros em renda fixa. Segue-se que as autoridades deveriam policiar melhor a entrada desses recursos, com o objetivo de evitar a excessiva oferta de dólares no câmbio interno e a subsequente valorização do real, que tira competitividade do produto brasileiro.

Ontem, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, desautorizou esse diagnóstico. Avisou que o Banco Central não vê nada de especialmente errado no afluxo de dólares em IED.

Enfim, não se confirmaram as previsões pessimistas a respeito do desempenho da área externa da economia brasileira neste ano. Duas são as consequências práticas: a primeira é a de que a economia brasileira continua encontrando cobertura de boa qualidade (e não capitais de curtíssimo prazo) para os resultados negativos nas Contas Correntes; a outra é a de que ainda não se vê, no horizonte, reversão da tendência à valorização do real.

CONFIRA

Reajuste à vista

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, avisa que os preços da gasolina podem ser reajustados. Ele argumenta que a produção interna já não está dando conta do consumo e que é preciso importar. Muito provavelmente, a verdadeira razão é evitar uma maior deterioração do caixa da Petrobrás, que já está prejudicando os cronogramas de investimento.

Confira na ata

Amanhã sai a ata do Copom. Diante do que disse Gabrielli, o Banco Central já não poderá repetir, como um mantra, que não estão previstas alterações nos preços da gasolina e do gás de cozinha.

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Zona de turbulência
RENATA LO PRETE
RANIER BRAGON - interino
FOLHA DE SP - 27/07/11

O governo fez circular ontem a versão de que não gostou da exigência da Fifa de fechar o aeroporto Santos Dumont (RJ) por quatro horas no sábado, durante o sorteio das eliminatórias da Copa-2014 na Marina da Glória. Segundo assessores, Orlando Silva (Esporte) submeteu o pedido à área de segurança do Comitê Organizador da Copa, que o avalizou.
Mas Dilma Rousseff e o núcleo do Planalto só teriam ficado sabendo anteontem, o que resultou no recado geral de que querem ser informados com antecedência sobre pedidos com impacto na rotina das cidades. Os organizadores afirmam que o tráfego aéreo poderia interferir nas transmissões dos mais de 400 veículos internacionais credenciados para o evento.

In loco 
Além do marketing, assessores do Planalto dizem que Dilma quer que Pelé, nomeado ontem embaixador honorário para o torneio, funcione como uma espécie de "olheiro" na organização do evento. O ex-jogador, que já fez críticas ao planejamento da Copa, tem relação instável com o presidente do comitê organizador, Ricardo Teixeira.

Jogo da forca 
Após uma primeira avaliação, Dilma decidiu que, por ora, não dará início a nenhuma "faxina" na ANP, agência alvo de reportagem que apontou suposta corrupção no órgão.

Passos 
Antes de entregar a carta de demissão, Luiz Antonio Pagot disse a interlocutores que faria uma visita ao TCU e que estudava voltar a trabalhar com navegação fluvial e de cabotagem; ou com plantio de arroz.

Saldo 
Alfredo Nascimento (PR-AM), que prepara o discurso de retorno ao Senado, diz a amigos se sentir traído pelo governo, jogado em um "limbo político" ameaçador à sua candidatura ao governo do Amazonas.

Sem recibo 

Dilma não esboçou reação às piadas que Guido Mantega (Fazenda) fez ontem, no Conselhão, para tentar desmontar análises na imprensa com críticas aos rumos da economia.

Autoridade... 

Na esteira do anúncio da queda de homicídios em SP, o secretário Antonio Ferreira Pinto (Segurança) ganhará plenos poderes na reestruturação da Polícia Civil. Projeto em gestação no governo lhe confere mais autonomia para a nomeação de delegados de classe especial, além de acelerar as promoções.

...máxima 

Na prática, Ferreira Pinto, que já controla a investigação de atos de corrupção na corporação, recebe nova chancela do Bandeirantes para imprimir seu perfil ao primeiro escalão. Não à toa cresce o lobby na Assembleia pela votação do projeto que tira a corregedoria de seu gabinete.

Sinal amarelo 

A despeito do interesse de Gabriel Chalita (PMDB) em aliar-se ao DEM na disputa pela prefeitura paulistana, o acordo não tem aval de Geraldo Alckmin. O tucano, que reorganizou seu primeiro escalão para abrigar os "demos", defende pacto da sigla com o PSDB já no primeiro turno.

Quem avisa... 

O PT trabalha para derrubar o veto de Alckmin às emendas regionais da LDO argumentando que outros Estados, inclusive Minas, adotaram a prática. A oposição acena com o risco que um embate com as 15 bancadas que subscreveram o aditivo traria à pauta do governo na Casa.

Visita à Folha
Ricardo Renzo Brentani, presidente da fundação mantenedora do Hospital A.C. Camargo, visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Irlau Machado Filho, CEO do hospital, e Paulo Alves, assessor de imprensa.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio
"Fernando Haddad pode não ter ainda inserção nas bases do PT, mas tem o mais importante: inserção na sociedade. No partido, vamos trabalhar sua aceitação."
DO DEPUTADO ESTADUAL SIMÃO PEDRO (PT), rebatendo petistas para quem será difícil haver aval interno à candidatura do ministro para a Prefeitura de SP.

contraponto

Bola dividida
A conversa entre Dilma Rousseff e Pelé ontem já se estendia por mais de 40 minutos, quando o ministro Orlando Silva (Esporte) começou a iniciar as despedidas. Nessa hora, foi interrompido pelo ex-jogador:
- Antes de ir, tenho uma última pergunta-, disse, aparentando ainda ter o que debater sobre a Copa.
- Como a senhora está vendo a crise nos EUA?
Mesmo com certo estranhamento, essa foi a deixa para Dilma falar mais 15 minutos, discorrendo sobre finanças e a relação entre democratas e republicanos.

VIRGENS

MÍRIAM LEITÃO - Dólar, o que fazer?


Dólar, o que fazer?
MÍRIAM LEITÃO
O GLOBO - 27/07/11

Se a conta for feita com a inflação acumulada do Brasil e dos Estados Unidos, o real hoje está 34% mais valorizado do que em janeiro de 1995, quando o câmbio controlado era arma usada para derrotar a hiperinflação no Brasil. Este ano, o real já subiu 7,74%, mas não foi a moeda que mais subiu e sim o franco suíço. As medidas do governo não têm conseguido sequer reduzir o problema.

O mundo das moedas reflete uma série de questões. Uma das razões que têm derrubado o dólar em relação à maioria das moedas é a política monetária americana. Como se não bastasse o excesso de emissões, há a incerteza em relação ao futuro da dívida dos Estados Unidos, se haverá calote ou não na semana que vem.

Mas se abstrairmos todos os outros fatores conjunturais que influenciam na valorização de uma moeda, e calcularmos só a inflação de lá para cá do Brasil e dos Estados Unidos, o resultado é, segundo o economista Bruno Lavieri, da Tendências Consultoria, que o câmbio brasileiro está 34% mais valorizado do que naquela época de paridade.

O economista José Roberto Mendonça de Barros, sócio da consultoria MB Associados, acha que a queda mais recente do dólar é resultado da grande incerteza na Europa e nos Estados Unidos, o que faz com que haja uma procura por moedas que sejam reserva de valor. O real é uma dessas, mas não a única.

"Se olharmos o franco suíço, o dólar canadense, a coroa norueguesa, a coroa sueca e o dólar australiano, vamos ver o mesmo movimento de valorização. No caso do franco suíço, há uma complicação extra porque bancos austríacos e húngaros concederam empréstimos lastreados nessa moeda, o que significa que os devedores desses bancos tiveram um aumento de 30% da sua dívida em cerca de dois anos.

José Roberto acha que todos os setores sentem o câmbio: "Não se trata de discutir desindustrialização ou não, é que com o dólar como está até setores dinâmicos estão sendo afetados."

E o que se pode fazer? José Roberto acha inescapável aquela lista conhecida da qual o governo tem tentado fugir. Reduzir fortemente o déficit público, evitar contabilidade criativa para inventar superávit, como aconteceu no ano passado, para permitir a queda da taxa básica de juros.

Neste momento, o principal fator de desvalorização do dólar é o impasse da dívida americana. Há poucos instrumentos para combater o problema. Existe algo que nunca se pode fazer: o ministro da Fazenda ameaçar tomar medidas cambiais. Isso exacerba e antecipa a tendência.

A indústria tem reclamado, e com uma certa razão, ainda que seja sempre mais complicado do que parece. A mesma indústria acaba se beneficiando disso nas suas importações de matérias-primas, componentes, máquinas e equipamentos.

Para tentar segurar o dólar, o Banco Central tem perdido uma montanha de dinheiro. Bruno Lavieri calcula que o custo de carregamento das reservas brasileiras é de R$ 50 bilhões. O governo paga 12,5% em sua dívida e o rendimento das reservas em dólar é quase zero, porque o BC usa a maior parte dos dólares para comprar títulos do Tesouro americano, que têm rentabilidade baixíssima, de 2% ao ano. O governo tem uma dívida que custa 12,5% e tem um ativo que rende 2%.

Claro que é vantagem ter reservas altas, como o País viu quando houve a crise externa de 2008, e essas reservas foram parte do arsenal para evitar uma queda maior da economia brasileira. A pergunta feita é: precisa ter US$ 340 bilhões? Os dados mostram que do começo de 2010 para cá as reservas subiram e o Risco Brasil não caiu, indicando que para o mercado internacional tanto faz ter US$ 240 bilhões ou US$ 340 bilhões. O fato é: o governo não sabe muito como enfrentar essa questão.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

China avança com registros de agrotóxicos no Brasil
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SP - 27/07/11

A presença da China no mercado de agrotóxicos brasileiro se consolida e começa a mudar de papel. Empresas chinesas deixam de ser apenas fornecedoras e começam agora a registrar seus próprios produtos para vender diretamente aos consumidores no Brasil.
Nos últimos meses, foram aprovados registros de agrotóxicos de propriedade de companhias com origem na China continental.
"Em maio, a empresa YongNong teve aprovado o registro do herbicida picloram. Em julho, foi o glifosato da registrante JM Chemicals, da China continental", diz Flávio Hirata, engenheiro da AllierBrasil, que fez consultoria para ambas.
Outras empresas de Hong Kong e Taiwan já possuem registros no Ministério da Agricultura, segundo José Roberto Da Ros, do Sindag (sindicato da indústria de produtos de defesa agrícola).
A presença chinesa já ganhou força como fornecedora nos últimos anos. São chineses os fabricantes de 90 dos 178 registros de produtos técnicos aprovados pelo Ministério da Agricultura de 2008 e 2010, segundo a Allier.
Em 2008, 5.155 toneladas de glifosato foram importados da China. O número superou 17 mil toneladas em 2010, segundo o Sindag.
"Como fornecedora, já era grande. Mas a entrada como 'player' é interessante pois mercado não é só preço, é distribuição também.
Quanto mais empresas estimulando, mais o preço pode cair", diz Tulio de Oliveira, da Aenda (associação dos defensivos genéricos).

ENGRENAGEM COREANA

A Dabo Precision investirá R$ 36 milhões na instalação de uma fábrica em Americana (SP), com estimativa de gerar 130 empregos diretos.
A empresa fornecerá partes e componentes para o maquinário da Doosan Infracore, da qual é subsidiária.
A escolha de Americana foi estimulada pela construção, no município, da primeira fábrica da Doosan na América Latina, com investimento de R$ 100 milhões anunciado em fevereiro para uma linha de escavadeiras, segundo a Investe São Paulo, que negociou a entrada das empresas no Estado.

DIFERENCIAL

Luiza Setubal, da família fundadora do Itaú, vai abrir mais duas lojas da multimarca de acessórios Lool.
A grife, que já tem uma unidade fixa no Iguatemi, estreia um ponto itinerante no shopping Market Place na próxima segunda-feira, onde permanece até janeiro de 2012.
Em março, a jovem empresária inaugura uma loja no novo JK Iguatemi.
As próximas metas são unidades no Rio e em Alphaville, além de lojas e vendas por atacado no exterior. "Representamos dez marcas internacionais e eles gostam da ideia."
Lançada há dois anos, a grife, que vende artigos de marca própria e de 50 designers, não tem concorrente nacional com o mesmo perfil, diz Setubal.
O sucesso, segundo ela, está nos produtos "modernos e muitas vezes exclusivos, que individualizam a cliente. A roupa pode ser a mesma, mas, com acessórios, ela fica diferente".

MUDANÇAS NO FRETE
A Pamcary, dona das marcas GPS Logística e Roadcard, investiu R$ 30 milhões para adequar o seu sistema de cartão de débito pré-pago às novas normas da Agência Nacional de Transportes Terrestres, que foram publicadas no "Diário Oficial" na última sexta-feira.
Com o sistema, o caminhoneiro tem acesso a vale-pedágio, cartão adicional e possibilidade de crédito em conta.
A companhia espera que 1 milhão de caminhoneiros tenham o cartão em 60 dias.

ATENDIMENTO AUTOMÁTICO
Os postos de combustível são os estabelecimentos comerciais mais automatizados do Brasil, de acordo com pesquisa da empresa Bematech.
Apenas 2% dos postos do país não têm ao menos um computador, e 92% dos estabelecimentos do setor dispõem de máquinas para emitir cupom fiscal.
Óticas e estacionamentos, por sua vez, estão entre os segmentos que menos automatizaram suas operações, segundo o levantamento. A pesquisa ouviu 3.147 companhias de todo o país.

NOVO DESTINO

A Dorchester Collection, rede de hotéis de alto luxo localizados em endereços sofisticados de cidades como Paris e Londres, pode ter um hotel no Brasil.
François Delahaye, diretor da Dorchester, está em negociações para se instalar também em São Paulo.
A ideia é que o unidade possa acolher hóspedes de negócios. "Ainda está em fase inicial. Estamos procurando." A marca tem outros projetos em andamento.
Em Genebra, a partir de agosto, assume a operação do hotel Le Richemond.

Siderurgia 

A venda do segundo lote de créditos de carbono da ArcelorMittal Tubarão deverá alcançar R$ 3,34 milhões. A negociação será feita com o banco alemão KfW, que vai adquirir cerca de 140 mil toneladas de CO2, fruto da redução das emissões no período de 2007 a 2009.

Travesseiro 

A rede de móveis para quartos Q&E Quartos deve abrir a marca para o modelo de franquias neste ano. Estão previstas nove unidades em até cinco anos em Manaus, Curitiba, Recife, Fortaleza, Porto Alegre e outros. Hoje, a rede tem lojas no Estado de São Paulo e em Belém (PA).

No exterior 
As vendas do cartão pré-pago para viagens internacionais Money Card, da administradora CCBS, foram ampliadas para as capitais Salvador, Manaus, Curitiba, Recife e Vitória.

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK e VITOR SION

GOSTOSA

ELIO GASPARI - A xenofobia europeia criou Breivik


A xenofobia europeia criou Breivik
ELIO GASPARI
FOLHA DE SP - 27/07/11

Durante algumas horas o mundo teve uma espécie de alívio intelectual ao saber que o massacre de Oslo fora reivindicado por radicais islâmicos. Ocorrera uma desgraça, mas prevalecera a sabedoria convencional. O assassino, contudo, é um viking, cristão. Até a divulgação de seu manifesto, "2083, uma declaração de independência europeia", Anders Breivik seria facilmente encaixado na categoria dos desequilibrados, onde estão Lee Oswald, o assassino de John Kennedy, ou John Hinckley Jr., que por pouco não matou Ronald Reagan em 1981 e está guardado num hospício. Breivik não cabe nessa categoria. Seu radicalismo é articulado, como o de Hitler no "Mein Kampf", terrível por não ser original. Está no ar. Suas referências ao Brasil e aos seus costumes também não são originais. Estão no ar.

Olhada pelo retrovisor, a última grande guerra europeia (50 milhões de mortos) foi um capítulo da luta do bem contra o mal e terminou com a vitória do bem. Olhada a partir da década de vinte do século passado, foi bem outra coisa. Como sempre, quando se vive a véspera não se sabe o que acontecerá no dia seguinte. Em 1930, quando o Congresso americano jogou para cima as tarifas de importação do país, não se acreditava que dera um passo para internacionalizar a depressão econômica.

Em 1924, quando o partido nacional-socialista alemão tentou um golpe em Munique, um jovem diplomata americano, surpreendido pelos acontecimentos, procurou o núncio apostólico, Eugenio Pacelli, um sacerdote fluente em alemão, conhecedor da política do país. O monsenhor disse-lhe o que informara à Santa Sé: a carreira política de Hitler está encerrada. Anos depois, Robert Murphy relembrou o episódio num encontro com o ex-núncio, àquela altura feito Pio XII, e ele explicou: "Eu sei do que você está falando, da infalibilidade do Papa, mas não esqueça que eu era um monsenhor." (Nove anos depois, com Hitler no poder, o embaixador americano William Dodd achava que o chanceler seria contido pelos conservadores moderados.)

O monsenhor Pacelli fez uma previsão errada para o destino da árvore, mas Pio XII olhava mal para a floresta. Felizmente, a carreira de Breivik terminará numa cela, mas, assim como grandes políticos ingleses, americanos e europeus se enganaram ao olhar o ovo da serpente do fascismo, Pacelli não podia supor o vinha pela frente. Nem ele, nem o soldado Joe Vanacore, em abril de 1945, quando entrou com seu tanque num dos campos de Buchenwald.

Crise econômica, desemprego, nacionalismo, xenofobia, antiliberalismo, antimarxismo e anti-intelectualismo eram parte do cotidiano de uma forma de pensamento político na primeira metade do século passado e ressurgiram, tanto na Europa como nos Estados Unidos. (Os brasileiros estão no topo da lista de viajantes impedidos de entrar em países europeus pelos serviços policiais dos aeroportos.) Onde havia antissemitismo, estão hoje o anti-islamismo e a estigmatização dos imigrantes, extensiva aos descendentes.

Lido há um mês, o manifesto de Breivik seria apenas a manifestação de um radical capaz de pesquisar com algum método a literatura política de sua preferência. Hoje, pode levar à ideia de que ele é doido. Doido ele não é, é assassino.

FERNANDO RODRIGUES - O combustível de Dilma

O combustível de Dilma
FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE SP - 27/07/11

Há uma equação a ser resolvida no mundinho da política em Brasília: quanto será a disposição e quanta energia terá a presidente Dilma Rousseff para continuar sua limpeza “sem limites” na Esplanada dos Ministérios?

Sobre a disposição para ampliar a faxina, o governo atuará mais por reação do que por iniciativa própria. Como sempre. Ainda assim, o estrago causado no esquema instalado no setor de transportes já provocou interesses contrariados em profusão.

E aí cabe a pergunta: até quando Dilma surfará na imagem de ética na política sem levar um troco do Congresso? Não há resposta precisa para essa dúvida. Mas o estado da economia e a sensação de bem-estar da população emitem alguns sinais.

Embora o país esteja sucateando sua indústria de manufaturados, o clima geral não poderia ser mais positivo para o Palácio do Planalto. Como a própria Dilma tem repetido em suas conversas, o Brasil já incluiu na classe média “uma Argentina” em número de pessoas. Agora, derramando dinheiro público, resgatará “um Chile” de brasileiros da pobreza extrema.

A classe média mais estabelecida, um reduto eleitoral cobiçado pelos políticos, não tem do que reclamar. Ontem saiu um dado. No primeiro semestre deste ano, os turistas brasileiros no exterior torraram US$ 10,2 bilhões.

Uma alta de 44,4% sobre 2010. Quem fez viagem internacional nos últimos tempos conhece o tamanho da farra. Não há cidade média em países desenvolvidos sem brasileiros comprando freneticamente iPads, iPods ou outras bugigangas.

O governo tentará sustentar essa miragem de prosperidade pelo menos até 2014, ano eleitoral. A sincronia da economia com as urnas é uma tradição histórica. Tudo considerado, Dilma tem combustível para queimar. Exceto se o fim do mundo vier por causa do derretimento dos EUA e das finanças internacionais.

BRAZIU: O PUTEIRO

CLÁUDIO HUMBERTO

“O astral dos moradores de rua está muito bom”
Prefeito Gilberto Kassab, de São Paulo, ao visitar um albergue

Calote hermano de R$56 mi com herbicida 
A Atanor do Brasil, com sede na Argentina, entrou na lista negra da Receita Federal e dos concorrentes. Por triangulação, importa da China para Buenos Aires e depois exporta para suas subsidiárias no Brasil, sem taxações, toneladas do herbicida glifosato. Enquanto os concorrentes compram direto dos chineses e pagam 40% de impostos, estima-se que o calote hermano com a manobra alcance R$ 56 milhões. 

“Colheita maldita” 
A Atanor, que não se manifestou, não paga alíquota antidumping imposta pela Câmara de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento.

Pote de ouro 
O glifosato é um pote de ouro para a empresa argentina. O herbicida é usado nas plantações de soja no Brasil. Atua contra ervas daninhas.

Crise sem fim 
O deputado Marcos Montes (DEM-MG) quer que o MPF investigue a gestão de Anderson Adauto no Ministério dos Transportes. 

Welcome! 
Os brasileiros gastaram US$10,2 bilhões no exterior desde janeiro com o dólar furado. Americanos agradecem a salvação de seus empregos. 

Infraero “congestionada” de funcionários 
A estatal Infraero não pode se queixar de falta de pessoal para administrar os terríveis aeroportos brasileiros: na sede, em Brasília, trabalham 1,4 mil pessoas, entre concursados, especiais, estagiários e terceirizados. Tem 602 cargos em confiança, com salários de R$3 mil a R$15,7 mil. Sem falar das duas novas diretorias, criadas cinco meses após o novo presidente, Gustavo do Vale, anunciar uma “reestruturação”.

Cascalho na pista 
O número supera o de habitantes de várias cidades do Norte e Nordeste. Guarulhos, o maior aeroporto da América Latina, emprega 1,6 mil.

Missão especial 
A Abin vai gastar R$7,9 mil até dezembro com o aluguel de seis vagas de estacionamento em Curitiba (PR), revela o site Contas Abertas. 

Fundo do PR 
Diretor do Refer, Marco Ferreira diz ser servidor há 25 anos da RFFSA, mas se esquivou de explicar a ingerência do PR no conselho do fundo.

Ligação perigosa 
Para fugir da ira da presidente Dilma e do ministro Paulo Bernardo (Comunicações), o conselheiro da Anatel João Resende tirou férias por 15 dias. Resende foi flagrado em jantar com executivos da NET, que pagaram a conta. Dilma cobrou o fim das agendas extras do conselho.

Controle remoto 
O Planalto quer fazer uma limpa na Procuradoria da Anatel. A seção é tradicional feudo do PMDB, que entende tudo de TV a cabo. Obviamente, o ministro Paulo Bernardo vai seguir à risca a decisão da Casa Civil.

Estrada da perdição 
O ministro Mercadante (Ciência e Tecnologia) afirmou ontem no Uruguai, que “a estrada do futuro é a internet”. Então, se perdeu: sua conta no Twitter estacionou em 4 de janeiro, com o discurso de posse. 

Senna FM 
O falecido campeão de Fórmula 1 Ayrton Senna quase foi dono de uma rádio, em 1993. A Senna FM teria música, notícias e esporte, claro. Ele tentou comprar várias rádios já existentes, mas não obteve a concessão. 

“Cano” nos “Soldados da borracha” 
Sumiram os U$$ 100 milhões que os EUA depositaram no Banco do Brasil para ajudar os ‘soldados da borracha’ da Amazônia, na Segunda Guerra. Pedem R$ 725 milhões de indenização dos dois países. O Departamento de Estado diz ter os documentos que o Brasil não tem.

Barril furado 
O tempo mostra a verdade. O ex-presidente Lula fez festa em 2003 no Rio de Janeiro para anunciar a autossuficiência da Petrobras. Agora, o presidente da petroleira anunciou que falta gasolina e que ainda importa óleo. 

Política de resultados 
Coordenador da campanha de Dilma em Mato Grosso, Luiz Pagot disse que a então ministra (Minas e Energia) o recebeu com “sua fama não interessa, quero resultados”. Mas ele não explicou que tipo de “fama”. 

Vovó Rita irrita 
Os mato-grossenses estão fulos com a vovó do rock, Rita Lee, que devolveu no Twitter as reclamações pela confusão num show recente dela: “O erro maior foi o de vcs por terem nascido. Vão sifudê”.

Homens trabalhando 
Aviso aos contribuintes: se o teto da dívida dos EUA desabar na nossa cabeça, não foi obra do Dnit. 

PODER SEM PUDOR
A Entrevista 
A imprensa do Ceará não falava em outra coisa. Nos anos 80, faltando três meses para acabar o governo de Manoel de Castro, ele já tinha assinado mais de 15 mil nomeações. 
O repórter Nelson Faheina foi pautado pela TV Verdes Mares para “suitar” o escândalo. 
– Governador, é verdade que o senhor nomeou 15 mil pessoas? 
– É mentira. Nomeei trinta mil. São pessoas humildes e, como elas, vou ainda nomear muito mais. E não me pergunte mais nada. Não admito ninguém me cutucar com vara curta.
E foi embora.