domingo, julho 10, 2011
ANTONIO GOIS - Nota na porta da escola
Nota na porta da escola
ANTONIO GOIS
FOLHA DE SP - 10/07/11
RIO DE JANEIRO - O economista Gustavo Ioschpe fez uma sugestão que pode virar lei federal: obrigar escolas públicas a afixar na porta sua nota no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).É o mais importante indicador de qualidade da educação, que dá, de zero a dez, uma média para cada escola baseada na taxa de aprovação de alunos e em testes de português e de matemática.
Além do baixo custo, a ideia tem o mérito de estimular o debate sobre como fazer com que os milhões gastos com avaliações educacionais revertam em melhoria da qualidade. Uma vez escancarando o Ideb, supõe-se que pais vão se mobilizar para cobrar melhor ensino.
Mas há um cuidado a ser tomado. Estudos comprovam que o principal fator a explicar o desempenho do aluno é extraescolar: as características dos pais, especialmente renda e educação. Escolas que atendem crianças mais ricas, em geral, têm médias maiores não necessariamente por seus méritos, mas pelo perfil do aluno.
O Ideb é um indicador inteligente por combinar aprovação e desempenho, sinalizando que é preciso melhorar o aprendizado sem elevar a repetência. Mas falta-lhe uma ponderação que considere o perfil de aluno atendido.
Neste debate, poderíamos olhar para o exemplo da cidade de Nova York, administrada pelo bilionário Michael Bloomberg, e que talvez mais longe foi com a ideia de que é preciso avaliar e cobrar resultados. A avaliação, lá, compara cada unidade levando em conta o resultado de outras com perfil semelhante de alunos.
Escolas que atendem alunos mais pobres no Brasil deveriam ser as de maior investimento e com melhores professores. Infelizmente, não é o que acontece. Mas isto não é desculpa para que deixemos de exigir um mínimo de qualidade. Apenas é preciso ser justo e cobrar o possível, sem esperar milagres.
MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO
Medidas contra Argentina são limitadas, diz CNI
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SP - 10/07/11
As alternativas adotadas até agora no contencioso entre Brasil e Argentina parecem esgotadas, segundo análise da CNI, que receberá economistas dos dois países em agosto, em encontro com a indústria nacional.
"Vamos tentar entender o que está se passando e até o impacto da perspectiva eleitoral sobre a agenda comercial argentina", diz José Augusto Fernandes, diretor-executivo da entidade.
Pressão política sobre o vizinho e adoção de medidas de retaliação como licenças não automáticas nas importações brasileiras são alternativas esgotadas ou inócuas, segundo relatório que a CNI vai divulgar nos próximos dias.
Retaliações são medidas que não devem ser mantidas no médio prazo. Podem impactar negativamente o mercado nacional e elevar custos de empresas. "O problema é a incerteza que essas regras geram. Trazem distorções para quem vai tomar decisões de investimento e produção."
Recorrer aos instrumentos jurídicos e de solução de controvérsias é a saída mais adequada, segundo a CNI. "Caberia levar o tema aos mecanismos de solução de controvérsia, tanto do Mercosul quanto da OMC."
"Houve estratégia da retaliação. Se isso avança, e não há solução no plano do Comitê de Monitoramento, caberia levar ao Mercosul e à OMC"
JOSÉ AUGUSTO FERNANDES
diretor-executivo da CNI
ESTALEIRO DE ÁGUA DOCE
As obras do estaleiro em Araçatuba (SP), na hidrovia Tietê-Paraná, devem começar no próximo mês. Após receber documentos e garantias necessárias, a Transpetro, subsidiária de transporte da Petrobras, deu sinal verde para que o consórcio vencedor da licitação inicie as obras.
O consórcio Estaleiro Rio Tietê é formado pelas empresas Rio Maguari, SS Administração e Estre Petróleo. Será construída para a Transpetro uma frota de 20 empurradores e 80 barcaças, por US$ 239,1 milhões. Com o aval da Transpetro, começa a contagem do prazo para a entrega do primeiro comboio, que é de 390 dias.
Os comboios vão transportar pela hidrovia Tietê-Paraná etanol produzidos no Sudeste e no Centro-Oeste. Serão levados anualmente pela hidrovia 4 bilhões de litros de etanol, o que economizará as 40 mil viagens de caminhão necessárias para o transporte do combustível, de acordo com a Transpetro.
QUARTOS MÚLTIPLOS
A empresa de consultoria e gestão de hotelaria Ábaco vai expandir sua oferta de quartos a partir deste ano. Responsável pela gestão da bandeira americana Howard Johnson no Brasil, a companhia deve inaugurar em 18 meses dois novos empreendimentos, com investimentos de cerca de R$ 40 milhões, em Sorocaba (SP) e Bauru (SP). A empresa também fez acordo com o operador da marca na Argentina, que tem 24 unidades, para atuar na área de vendas. "A expectativa é que em torno de seis meses possamos representar 20% das vendas nos hotéis deles", diz Marcos Vilas Bôas, diretor da Ábaco. A empresa brasileira também tem uma bandeira própria, a Astron, que neste ano criou um programa para associar hotéis independentes no interior de São Paulo e integrá-los a sua central de reservas.
O QUE EU ESTOU LENDO
Paulo M. Hoff, diretor-geral do Icesp
Um dos maiores especialistas em câncer no país, o diretor-geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira está gostando da leitura de "The Emperor of All Maladies: A Biography of Cancer" (o imperador de todas as moléstias: uma biografia do câncer), de Siddhartha Mukherjee. "O autor trata o câncer como se fosse uma pessoa", conta Hoff, que também é professor titular de oncologia da USP. "Acompanha o desenvolvimento da doença desde o começo e consegue mostrar como o câncer enfrenta os médicos." Para Hoff, a obra tem ainda uma curiosidade. Menciona professores com quem conviveu nos EUA, o que realça como é relativamente recente a história da luta contra o câncer.
CONSUMO CONSCIENTE
Com o aumento do consumo do brasileiro, aumenta também a percepção de que são pagos impostos indiretos, segundo pesquisa nacional da Fecomércio-RJ/Ipsos, que abordou mil pessoas em 70 cidades. O percentual de entrevistados que identifica o pagamento de impostos indiretos sobre produtos e serviços passou de 28% em 2007 para 57% neste ano. Mais de 80% dos brasileiros afirmam que aumentariam o consumo de alimentos se não precisassem pagar impostos, fato que a Fecomércio-RJ atribui à pressão da inflação sobre o setor. O mesmo ocorreria com a compra de vestuário (76%) e higiene (64%).
TIO SAM NA DIANTEIRA
Os Estados Unidos voltarão a ser a principal fonte de receita das empresas de TI neste ano, de acordo com estudo da consultoria KPMG. Desde o começo da crise econômica mundial, em 2008, a liderança era ocupada por China e Índia. O movimento financeiro do mercado do setor será 2% maior neste ano, ante 2010. Mais da metade das companhias (60%) pretende aumentar os investimentos em TI em 2011. A redução dos aportes, porém, está prevista em 22% das empresas. A pesquisa entrevistou, entre maio e junho, 200 executivos de empresas que faturam ao menos US$ 100 milhões (cerca de R$ 156,5 milhões) por ano.
Bicicleta...
A Contours, rede norte-americana de academias para mulheres, vai abrir 25 unidades no Brasil nos próximos 12 meses.
...ergométrica
Há sete anos no país, a rede possui hoje 107 franquias, espalhadas por 18 Estados. A maioria das novas unidades será no Rio de Janeiro e em São Paulo, segundo Cassiano Ximenes, representante da empresa no Brasil.
Ginástica...
Outra norte-americana, a Fitness Together vai abrir mais 15 academias nos próximos 12 meses, com foco em regiões metropolitanas brasileiras.
...americana
Hoje são nove franquias na cidade de São Paulo. As novas unidades de Contours e Fitness vão envolver investimentos de aproximadamente R$ 11 milhões.
com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK e VITOR SION
CLÓVIS ROSSI - Confissões de despedida
Confissões de despedida
CLÓVIS ROSSI
FOLHA DE SP - 10/07/11
SÃO PAULO - Despeço-me hoje deste espaço, que ocupei (indevidamente) durante 24 anos. Devo ter produzido, só para esta página, algo em torno de 7.000 textos. Portanto, tudo o que gostaria de escrever, tudo o que deveria e até o que não deveria foi escrito e devidamente publicado, sem qualquer tipo de censura ou de advertência velada ou aberta.
Mudo-me definitivamente para o caderno Mundo, no qual já tenho um espaço semanal. Agora, passarão a ser três, às terças, quintas e domingos, numa companhia que até me assusta, de tão ilustre.
Se eu fosse um veterano jogador de futebol que regressasse de longa temporada no exterior para um clube popular, diria que estou realizando um sonho de infância. Só não é bem assim porque nunca sonhei sonhos profissionais. Nada planejei como jornalista. Fui aceitando cada um dos desafios que surgiram com o mesmo entusiasmo, porque sempre gostei do que faço, ou porque gosto mesmo ou porque não sei fazer outra coisa.
De todo modo, nunca escondi meu fascínio com o mundo, adquirido quando da revolta húngara contra a ocupação soviética, em 1956. Tinha 13 anos, idade mais própria para ler quadrinhos, futebol ou revistinhas de sacanagem do que o noticiário internacional dos jornalões.
Esse fascínio até que pôde se transformar em atividade profissional porque já estou fazendo 38 anos de coberturas internacionais, a começar do golpe no Chile em 1973. Mas sempre com um pé tambémno Brasil, às vezes em postos de chefia (no "Estadão").
Agora, é voo solo em águas internacionais, justamente na hora de turbulências várias, políticas e econômicas, que são sempre instigantes para o jornalismo. Por sorte, o Brasil que abandono -como tema, quero dizer- está menos turbulento -e melhor do que o que me tocou sofrer nesses 48 anos de profissão.
ELIANE CANTANHÊDE - Fogo pesado
Fogo pesado
ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 10/07/11
BRASÍLIA - Depois da queda de Antonio Palocci da Casa Civil e de Alfredo Nascimento dos Transportes, a presidente Dilma Roussef já se prepara para uma nova batalha: a do PR contra o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.
Seria uma forma de atingir dois coelhos com uma rajada só e ricochetear no Planalto, já que Bernardo é marido e parceiro político de Gleisi Hoffmann, da Casa Civil.
O homem bomba dessa vez é Luiz Antonio Pagot, que dirigia o Dnit, departamento que cuida de obras e define de onde vem e para onde vai a dinheirama dos Transportes. Ele despencou com a cúpula do ministério, suspeita de propinas, superfaturamento e desvios para empresas, inclusive a do filho-prodígio do próprio ministro.
Pagot tem subido de tom a cada dia e a cada nova entrevista. Sua melhor chance de trincar cristais será na próxima terça, quando depõe no Congresso. Ao que tudo indica, vai tentar tirar a responsabilidade do próprio ombro para jogar no de Bernardo. Na versão de Pagot, era ele, Bernardo, quem comandava reuniões com empreiteiras para discutir obras, verbas...
Já que o mensalão está de volta com o parecer do procurador geral da República, Roberto Gurgel, pedindo a condenação de 36 implicados, impõe-se uma comparação: Pagot está ensaiando para ser um novo Roberto Jefferson, que detonou o esquema, carimbando duas fases tanto do governo Lula quanto do PT: o antes e o depois do mensalão. Resta saber se ele tem bala na agulha, como Jefferson tinha.
Para quem alega que Pagot não tem credibilidade nenhuma, vale lembrar que se dizia o mesmo de Roberto Jefferson à época. E deu no que deu -e ainda está dando.
Há, porém, uma diferença importante. Enquanto Jefferson foi um franco atirador, Pagot parece ser a linha de frente de um exército -o PR. A artilharia pode ser pesada, e Dilma deve estar preparada e armada para o contra-ataque.
LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO - Contículos
Contículos
LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO
O ESTADÃO - 10/07/11
Angela
Uma nesga de cabelo negro cobria um lado do seu rosto e ela estava bebendo algo vagamente azul. Quando ele sentou-se ao lado dela no bar e perguntou seu nome, ela disse:
– Ângela. E completou:
– Mas não me leve ao pé da letra...
Dez anos depois, enlouquecido pelo ciúmes, ele a matou a facadas. Como era de se prever.
"Bob" e "zé"
Roberto Sommerville de Abranches Morgado e José dos Santos nasceram no mesmo dia, quase na mesma hora. Roberto – “Bob” para familiares e amigos – formou-se em administração de empresa, com curso complementar em Harvard, e preparava-se para assumir a direção dos negócios do pai. José (“Zé”) não completou os estudos, vivia de bicos e pequenos furtos e ultimamente trabalhava como motoboy com uma moto roubada.
Um dia os dois se cruzaram numa rua do centro, “Bob” na sua Mercedes e “Zé” na sua moto, e até hoje nenhum dos dois sabe como estiveram a centímetros de se transformar numa história de ironia trágica no transito.
Maria do Rosário
Maria do Rosário vivia na janela. Almiro morava em frente. Maria do Rosário era linda. Almiro se apaixonou. Mandou um bilhete para Maria do Rosário por um moleque. (Foi no tempo em que os moleques levavam bilhetes.) Declarou seu amor pela moça da janela. Que respondeu dizendo que ele não podia estar apaixonado porque não sabia nada dela. “Sei que você é linda”, respondeu Almiro. “E nada mais interessa”.
E Maria do Rosário respondeu, pelo moleque: “Você não sabe nem se eu tenho pernas!”. Almiro levou um choque. Era verdade. Nunca vira Maria do Rosário a não ser na sua janela. E se Maria do Rosário fosse só o que aparecia? “Tem resposta?” perguntou o moleque, impaciente. Almiro não sabia o que fazer. Perguntar se Maria do Rosário tinha ou não pernas não seria elegante. Dizer que as pernas não importavam não seria verdade. O moleque foi dispensado.
A correspondência terminara. Almiro acabou se mudando da casa sem nunca ter visto a Maria do Rosário de corpo inteiro. Anos depois, a encontrou num baile. Mais linda do que nunca. E com as duas pernas. Jurou que ainda a amava.
Que na hora ficara em dúvida mas depois decidira que a ausência de pernas não faria diferença. Que estava pronto a casar-se com ela, mesmo pela metade. “É”, disse Maria do Rosário, sorrindo. “Mas hesitou”. E bateu com o leque fechado na cabeça do Almiro, como quem aperta o “Delete”.
Roque
Roque chegou em casa cansado, beijou o cachorro e ia bater na cabeça da mulher quando essa interrompeu seu gesto e protestou: “Ó Roque!” Roque se desculpou. “É a rotina, é a rotina”. Mas a coisa se agravou. No outro dia o Roque desligou a mulher usando o cachorro como controle remoto e levou a TV pra cama.
Maura
“E pensar” disse a Maura, fazendo um gesto que incluía o chão da sala coberto com os brinquedos das crianças, os restos de pizza e as latas de coca e cerveja em cima da mesa, o sofá desalinhado e o Raimundo roncando em cima do sofá, “que eu deixei o balé por isso...”
LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO - Quem autorizou?
Quem autorizou?
LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO
O GLOBO - 10/07/11
Pensei nesse eleitor e no seu poder de escolha lendo as notícias sobre as lambanças no nosso Ministério dos Transportes. Não podemos querer imitar os escandinavos e trocar nossas maquininhas de votar ligeiro por plebiscitos demorados, certo. Mas quando foi que nos perguntaram se concordávamos que o Ministério do Transportes fosse doado ao PR? Quem autorizou o feudo com seu voto? Quem, entre os eleitores, sabia da cláusula de exclusividade do acordo com o PR, quem aprovou a troca de um ministério, e um ministério cheio de dinheiro, por votos no Congresso? E logo com o PR, um partido que – pelo que se sabe – não representa nada a não ser sua própria gana?
Claro, ao apertar os botões da maquininha de votar o eleitor está dando aos candidatos da sua escolha o direito de fazer o que for necessário para governar, inclusive barganhas – ou alianças, que fica mais bonito. Está votando implicitamente em tudo que imagina que os candidatos pensem e pretendem. Quem votou em Dilma ou no PT na maquininha fez, de certa forma, todas as opções que encontraria numa cédula plebiscitária, inclusive sobre como dispor do cocô de cachorro, para insistir na metáfora nojenta. O acordo com o PR foi feito pelo Lula, decepcionando quem esperava que esse tipo de aliança o PT nunca fizesse. Mas a Dilma presidente também foi feita pelo Lula, que certamente sabia das suas implicâncias e da sua determinação. Dilma, desfazendo o acordo, estará redimindo Lula e o PT dos seus pecados por associação.
VINÍCIUS TORRES FREIRE - Prudentes ou combatentes?
Prudentes ou combatentes?
VINÍCIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SP - 10/07/11
Fazenda fala em medidas para desvalorizar real, mas BC baixa decisão que só reduz riscos no câmbioO GOVERNO quer mexer no câmbio (no preço do dólar) ou quer evitar desastres devidos ao endividamento externo irresponsável? A dúvida poderia voltar ao debate depois da noite de sexta-feira, quando o Banco Central tentou outra vez encarecer o custo dos bancos de manter passivo em moeda estrangeira.
Os bancos terão de deixar mais dinheiro parado, sem remuneração, no BC caso seu passivo em dólares ("posição vendida") passar de um certo teto, agora baixado pelo BC (de US$ 3 bilhões para US$ 1 bilhão). Para não serem "punidos" pelo excesso de passivos em moeda estrangeira, vão reduzir suas posições vendidas. Terão de comprar dólares.
Pegar dinheiro no exterior está fácil e, graças ao BC, é seguro. É rentável (paga-se juro de mundo rico, ganha-se juro brasileiro), seguro (o BC negocia dólares com o mercado de modo a evitar variações excessivas da taxa de câmbio) e os ventos inflam o valor do real. Isso tudo incentiva bancos a se endividar em dólar (para ganhar com a diferença de juros internos e externos).
Grosso modo, o BC pretende reduzir um dos canais desse endividamento e especulação, o que já tentara fazer com medida semelhante, então inédita, baixada em janeiro (que entrou em vigor apenas em abril, dando tempo para que houvesse um ajuste suave nos bancos).
Agora, o ajuste deve ocorrer em prazo mais curto. Os bancos terão de comprar dólares em alguns dias. Deve ocorrer certa desvalorização do real e alguma confusão no mercado na próxima semana. Tudo mais constante, a confusão e a desvalorização serão temporárias, até os bancos reduzirem seus passivos ("ajustarem suas posições").
No mais, como efeito adicional e decorrente da medida, o Banco Central terá de comprar menos, acumular menos reservas).
Na semana que passou, o BC alertou mais uma vez a praça sobre uma obviedade dos riscos do câmbio flutuante: assim como o real se valoriza, também pode tomar tombos. Foi o que o presidente do BC, Alexandre Tombini, disse no Congresso a respeito dos riscos de fazer muita e desprotegida dívida externa. Grandes empresas brasileiras quebraram em 2008 quando o real se desvalorizou, no estouro da crise.
O Ministério da Fazenda, por sua vez, disse também na semana passada estar preocupado com o efeito da entrada excessiva de dólares sobre as empresas brasileiras, pois o real se valoriza e encarece nossos produtos. Avisou que o governo cozinhava medidas cambiais. Até agora, saiu apenas essa medida do BC.
Medidas "prudenciais", como a de sexta-feira, podem ter duplo objetivo ou efeito. Taxar a entrada de capital, como o governo tem feito desde 2009, evita tanto o excesso de crédito como pode conter valorização adicional do real. Medidas que limitam a oferta de crédito às famílias evitam tanto o aumento do calote e riscos para os bancos como pode desaquecer a economia e conter a inflação.
Obviedades.
Mas, na prática, com a medida de sexta-feira o BC pretende evitar que uma súbita desvalorização do real seja intensificada em curtíssimo prazo pela necessidade dos bancos de ajustar suas posições e exposições em moeda estrangeira, que o BC ora julga exageradas. De quebra, a autoridade monetária reduz em mais um tico o dinheiro disponível para crédito nos bancos.
RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA
Crime e castigo
RENATA LO PRETE
RANIER BRAGON (interino)
FOLHA DE SP - 10/07/11
A determinação foi dada por Dilma Rousseff após o assassinato de líderes extrativistas no Pará, em maio. Discute-se a criação de um comitê federal para tratar como prioridade o acompanhamento desses casos, com assistência à policia e ao Ministério Público locais. Os três ministros levarão o assunto ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Lembrete
A despeito de especulações sobre manobras para atrasar o julgamento do mensalão, o Supremo Tribunal Federal já definiu, ao julgar o caso de Natan Donadon (PMDB-RO), em 2010, que processos contra políticos que renunciaram não serão devolvidos à primeira instância e terão desfecho no próprio STF.
Perdas e ganhos
No dia da queda de Alfredo Nascimento dos Transportes, seu adversário político Eduardo Braga (PMDB-AM) recebeu felicitações no café do plenário do Senado.
O breve
Antes de pedir demissão, Nascimento nomeou Wilson Wolter para substituir o chefe de gabinete que havia afastado. Wolter ficou dois dias no cargo.
Piratas 1
Antecipando-se a possível intimação, o ex-deputado Alberto Fraga (DEM-DF) procurou a Polícia Federal para depor sobre o seu encontro com o hacker que disse ter acessado a caixa de e-mails de Dilma e de José Dirceu, em 2010.
Piratas 2
Em reunião do DEM nesta semana, Fraga afirmou que o hacker lhe mostrou troca de mensagem entre Dirceu e Hélio Costa, então ministro das Comunicações do governo Lula, no qual os dois discutiriam a reativação da Telebras.
Cabo 1
O jantar do conselheiro da Anatel João Rezende com representantes da Net e da Globo, ocorrido terça-feira em Brasília, não foi o primeiro do gênero. No ano passado, o diretor jurídico da Net, André Borges, e o consultor Fabio Andrade promoveram jantares para o conselheiro em Los Angeles, durante encontro sobre o setor.
Cabo 2
Nos próximos dias, o Senado deve votar o projeto que autoriza a entrada das teles na TV a cabo. Rezende disse que pode ter participado de jantar com eles em Los Angeles, mas que não se lembra. Se ocorreu, afirmou não ver nenhum problema. O conselheiro foi chefe de gabinete de Paulo Bernardo no Planejamento.
Extra
Escudeiro de Geraldo Alckmin desde a Assembleia paulista, o advogado Orlando de Assis Baptista ganhou assentos nos conselhos de administração da Imprensa Oficial e do Cepam (Centro de Estudos da Administração Municipal), funções com direito a remuneração de R$ 4.500 mensais.
Divã
Presidente interino do PSDB-SP, o deputado Vanderlei Macris programou para agosto um retiro em Bragança Paulista. Na ocasião, militantes e dirigentes tucanos participarão de uma "imersão" no tema eleições 2012, com foco nos cem maiores colégios eleitorais.
Rumo leste
Depois do pacote de obras anunciado por Alckmin, é a vez de Gilberto Kassab afagar Itaquera, que abrigará o estádio da Copa-2014. O prefeito anuncia hoje a cessão do terreno para a instalação de campus da Unifesp no bairro.
com FABIO ZAMBELI e ANDREZA MATAIS
tiroteio
"A proposta do fim do sigilo eterno de documentos não trata só de Rio Branco, mas dos barões de hoje também."
DO SENADOR WALTER PINHEIRO (PT-BA), dizendo que se o Congresso já tivesse aprovado o projeto de acesso à informação pública, todos os contratos do Ministério do Transporte estariam disponíveis na internet.
contraponto
Atentado
Na última reunião dos líderes partidários da Câmara, terça-feira, Nelson Meurer (PP-PR) acabou quebrando involuntariamente a plaquinha do bloco PV-PPS, que indicava a cadeira onde seu representante sentaria para participar do encontro.
No ato, Chico Alencar (PSOL-RJ) pediu a palavra:
-Presidente, pela ordem. Solicito uma cola de plástico, rápido, antes que digam que o líder do PP está querendo destruir a aliança PV-PPS à força!
ANDREI CHERNY - Emprego para a "geração Starbucks"
Emprego para a "geração Starbucks"
ANDREI CHERNY
FOLHA DE SP - 10/07/11
A grande lacuna no debate é uma agenda para tornar os americanos, no plano pessoal, mais competitivosHÁ UMA questão que deveria ser uma das prioridades na agenda política nos Estados Unidos: a recuperação lenta no nível de emprego.
O mercado de trabalho voltou a travar nos últimos meses, enquanto o debate sobre o que fazer para aumentar a disponibilidade de empregos está há muito tempo relegado a um beco sem saída político.
As ferramentas econômicas tradicionais da esquerda e da direita -gastos públicos e cortes de impostos- não ajudaram muito em uma era de economia globalizada, mobilidade de capital e na qual qualquer dinheirinho que sobra pode ser usado na compra de TVs fabricadas na China, no Walmart mais perto.
Injetar mais dinheiro na economia poderia ter funcionado quando vivíamos em uma economia nacional, e não globalizada, na qual as grandes empresas criavam a maioria dos empregos; e quando o local de trabalho paradigmático era a disciplinada linha de montagem.
Mas os EUA e as demais economias entraram no que se pode descrever como uma nova ordem do emprego -uma economia na qual a maioria dos trabalhadores não está vinculada a grandes instituições e salta de trabalho a trabalho. Nesse tipo de economia, cada trabalhador é, na prática, uma pequena empresa -responsável por orientar sua carreira e seu futuro econômico.
Ainda que os defensores de abordagens tradicionais, envolvendo ajudar grandes empresas ou expandir mais o governo, possam não perceber, vivemos numa economia que funciona de baixo para cima. Os criadores de emprego atuais dificilmente serão industriais que constroem fábricas, e sim funcionários demitidos que conectam laptops para trabalhar como free-lancers enquanto tomam café no Starbucks.
Pesquisas demonstraram que, ao longo dos últimos 25 anos, empresas criadas há no máximo cinco anos responderam por todo o crescimento líquido no nível de emprego dos EUA. O desafio atual é que a desaceleração econômica recente está diretamente vinculada a uma desaceleração nas atividades empreendedoras. O número de novas companhias com funcionários caiu em mais de 17% entre 2007 e 2009.
Os indicadores de trabalho autônomo também vêm caindo nos dois últimos anos, e estudo da Administração de Pequenas Empresas mostrou que 65% dos empregos criados por empresas iniciantes entre 1997 e 2008 eram vagas que os proprietários criaram para eles mesmos. Como aponta um dos autores, "criar empresas é criar empregos".
Assim, é nos novos empresários, que muitas vezes são tratados com descaso nas discussões convencionais sobre criação de emprego, que o país deveria concentrar atenções. Revitalizar o espírito empreendedor poderia começar pela dispensa tributária para novas empresas, ligada ao número de empregos criados.
Benefícios de saúde e aposentadoria deveriam ser mais universais, personalizados, acessíveis e portáteis, de modo a que as pessoas com espírito empreendedor se disponham mais a deixar grandes empresas e abrir negócios próprios.
Mais Estados deveriam seguir o exemplo de Nova Jersey e Oregon, que começaram a modernizar seus sistemas de benefícios aos desempregados, para que não apenas atenuem o golpe para os trabalhadores demitidos, mas também os ajudem a encontrar novos empregos, ou criá-los, para eles e outros.
É importante debater redução nas exigências regulatórias para as grandes empresas, ou a criação de linhas ferroviárias de alta velocidade e redes elétricas inteligentes, para tornar os EUA mais competitivos.
Mas na "nova ordem do emprego", a grande lacuna no debate econômico é uma agenda que torne os americanos mais competitivos no plano pessoal. Uma sensação de energia e urgência para adotar essa meta já tarda, caso desejemos reverter a situação econômica.
Compreender e aprender a lidar com essa economia transformada é o primeiro passo para a recuperação. A causa imediata da Grande Recessão pode ter sido a cultura do excesso e da irresponsabilidade, tanto da parte dos cidadãos comuns quanto dos mercados, mas a solução só surgirá quando fizermos pela nossa era aquilo que o New Deal fez nos anos 30: atualizar as políticas econômicas para que respondam a um novo mundo.
Tradução de PAULO MIGLIACCI
ANDREI CHERNY é presidente de "Democracy: A Journal of Ideas" e pesquisador sênior do Center for American Progress.
JANIO DE FREITAS - Em resumo
Em resumo
JANIO DE FREITAS
FOLHA DE SP - 10/07/11
A imagem do Brasil em nada ganharia com a nomeação de quem tem fama de maior desmatador da AmazôniaA RECUSA AO convite para assumir o Ministério dos Transportes deve ser vista como uma gentileza de Blairo Maggi para com o país e, em especial, para conosco. A imagem do Brasil, que a respeito de decência e eficiência administrativas já tem poucos quilates, nada receberia de bom com a incorporação ao governo do político que carrega a fama mundial de maior desmatador da Amazônia. Mas com isso completa-se uma instrutiva exibição de quanto apodrece, à espera das reformas imprevistas, o sistema que nos governa.
Blairo Maggi teve a sensatez capitalista, como confessou, de recusar um ministério importante para "não prejudicar os [seus] negócios". Deixou abertas as hipóteses para os diferentes tipos e causas de danos, à escolha dos habituados a ler sobre negócios ou sobre demissões governamentais. Tanto faz, a recusa tem eloquência por si só.
Mesmo sem hipótese alguma, o processo praticado para a escolha só é possível em um sistema desprovido de todos os princípios: conduziu-o o ex-ministro afastado por falta de condições morais para continuar no cargo. E afastado apenas 48 horas depois de receber da presidente o crédito de expectativa para investigar, ele mesmo, as denúncias que atingiram seu grupo de atividade ministerial.
E quem é esse cidadão que passa de duradouro ministro da riquíssima área de Transportes a afastado a bem do serviço público, e daí a indicador do novo ministro? Ex-presidente da Suframa, aquela outra usina de escândalos amazônicos, o então recém-eleito Alfredo Nascimento foi surpreendido por um convite de Lula para trocar o Senado pelo ministério poderoso, em razão de um atributo pessoal único. Sua nomeação permitiria a Lula presentear um amigo, por acaso suplente de Nascimento, com uma cadeira de senador. O petista João Pedro até que não se saiu mal, sem que isso sequer atenue o ato e o estado institucional degradante que reduzem o ministério fundamental no continente Brasil, e tão enriquecido ano a ano, a moeda de arranjo partidário-pessoal.
No desarranjo que daí decorreu e enfim eclode, uma estatal obscura desponta como instrumento, só ela, de mais de 20 licitações e contratos já na lista das irregularidades. A Valec teve, porém, os seus dias de notoriedade. Era pequena e esquecida subsidiária da ainda estatal Vale, quando foi reanimada para servir à maior fraude de licitação de obra pública -a da ferrovia Norte-Sul, de US$ 2,4 bilhões para começar.
Desmascarada na Folha, a Valec foi declarada em extinção. Vê-se que sobreviveu para não trair sua utilidade patriótica à administração pública, à política e às empreiteiras.
Assim é o panorama oferecido por um ministério, ainda que só de relance. Não são todos iguais. Mas o dos Transportes nunca precisou adotar o bordão do antes só.
Neste estado de degeneração institucional, não é impróprio que partidos se achem donos de ministérios, grupos de políticos tenham status de donos de partidos, e a Presidência da República seja por eles impedida de escolher os ministros e demais componentes do seu governo. Em lugar da Constituição, regem a chantagem e a extorsão.
MERVAL PEREIRA - Processo pervertido
Processo pervertido
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 10/07/11
As recorrentes crises políticas que temos vivido, com escândalos e denúncias de corrupção em vários escalões do governo, antes de ser uma condenação definitiva do sistema de coalizão partidária que adotamos, é a demonstração de que houve uma "depravação do processo", na análise do cientista político Sérgio Abranches. Em um estudo de 1988, ele cunhou a definição de "presidencialismo de coalizão" para nosso sistema de governo.
Um país heterogêneo como o nosso vai ser sempre multipartidário, tornando inevitáveis os governos de coalizão.
Mesmo que se mude a regra eleitoral, forçando um sistema bipartidário, a realidade não muda, destaca Abranches, lembrando que "os dois partidões serão um aglomerado de facções, e vai ter que haver coalizão dentro do partido que estiver no governo".
Ele destaca que a fragmentação partidária reflete a federação, da mesma maneira que o Partido Republicano do Texas tem pouco a ver com o Partido Republicano de Nova York.
Quando há uma estrutura multipartidária formal, como no Brasil, a coalizão tem que incluir os partidos, e é natural que eles queiram seu pedaço de poder. O processo de formação da coalizão é que tem diferenças essenciais, e nesse caso no Brasil ele tem se corrompido com o passar do tempo.
Em primeiro lugar, lembra Abranches, normalmente a coalizão eleitoral é a coalizão governamental, e raramente acontece uma coalizão depois das eleições, como recentemente na Inglaterra.
"Normalmente faz-se um acordo programático e na campanha eleitoral coloca-se para o eleitor esse programa", destaca Sérgio Abranches.
Para formar um governo de coalizão na Inglaterra, depois de mais de 60 anos, e garantir a primeira vitória dos conservadores em 13 anos, conservadores e liberais tiveram que abrir mão de certos pontos programáticos, e apoiar outros.
Nick Clegg, do Partido Liberal, ficou como um vice-primeiro-ministro responsável por determinadas articulações.
"O que é fundamental é que os partidos façam um acordo de políticas públicas e cada um assuma aquele setor em que seu partido é mais forte", diz Abranches, para lamentar que aqui tenhamos transformado a coalizão em "política de cargos e obras".
Ele lembra que o interesse do clientelismo pelo Ministério da Educação diminuiu por que não se constroem mais escolas, e o processo de seleção de diretores passou a ser mais democrático, normalmente são eleitos pelos professores ou indicados em lista tríplice.
À medida que a universalização do acesso à escola foi conseguida, acabou a influência política, por que há vagas para todos. "Quando as vagas eram poucas, era um instrumento político nomear o diretor de uma escola, porque a matrícula se conseguia através de pistolão".
Também o contingenciamento das verbas transforma o Orçamento em uma ação política, e não técnica, e a liberação de verbas virou instrumento de ação do Executivo para conseguir o apoio de setores partidários.
"Mudar o sistema eleitoral não resolve a questão, não muda a realidade. Tínhamos que fazer pequenas coisas", diz Abranches, uma das quais seria terminar com a coligação proporcional, "que mais perverte o sistema eleitoral", na sua opinião.
Mesmo nesse caso, Sérgio Abranches lembra que o fato de o deputado Valdemar Costa Neto só ter sido eleito por que colocou na chapa do PR paulista o palhaço Tiririca "é um sinal de mudança. O eleitor prefere eleger um palhaço a um corrupto".
Já o advogado João Geraldo Piquet Carneiro, que foi presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, em artigo publicado na revista "Interesse Nacional" de junho, procura demonstrar que, se a partilha de cargos é inevitável no nosso presidencialismo de coalização, pelo menos se deveria dar tratamento diferenciado aos órgãos partilhados, "de modo a assegurar um mínimo de controle sobre o uso de verbas e o desempenho ético".
Isso significaria, defende, "abandonar as formas padronizadas de controle e adotar-se a geometria variável: cada órgão seria fiscalizado de acordo com suas características".
Ele propõe, por exemplo, que se listem os órgãos partilhados segundo sua suscetibilidade à corrupção, levando em conta três fatores:
a) o poder de compra, ou seja, o volume de recursos geridos pelo órgão;
b) o poder de regulação do órgão sobre determinado setor de atividade;
c) a existência de instrumentos de detecção e correção de desvios de conduta.
Piquet Carneiro lembra que em 2003 a Comissão de Ética Pública da Presidência da República fez um estudo desses e colocou a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) como o órgão nº 1 em matéria de risco de corrupção.
Não foi por acaso, portanto, que em 2005 o escândalo do mensalão estourou justamente devido a uma disputa entre grupos políticos do PT e do PTB em torno do controle dos Correios.
"Certamente, hoje, o Ministério dos Transportes ficaria no topo da lista", comenta Piquet Carneiro, para quem, entre as providências de efeito instantâneo, "uma simples seria mudar o critério de composição das comissões de licitações para que passem a ser integradas por funcionários que não pertençam aos quadros do próprio ministério".
Outra providência mais abrangente seria a instituição de pré-requisitos para a nomeação para certos cargos. "Minas Gerais já adotou critério semelhante ao preparar um cadastro de pessoas que poderão ser nomeadas para cargos de confiança. A formação técnica específica e o estágio de adaptação na Universidade de Minas Gerais (UFMG) são requisitos essenciais".
ELIO GASPARI - A exaustão intelectual da nação petista
A exaustão intelectual da nação petista
ELIO GASPARI
O GLOBO - 10/07/11
O comissariado perdeu a capacidade de discutir políticas públicas e um bom exemplo está na saúde
A NAÇÃO PETISTA e o governo da doutora Dilma padecem de exaustão intelectual. Não se trata apenas de desarticulação política, é sobretudo a incapacidade de justificar racionalmente suas posições. Juntam-se meia dúzia de pessoas no Planalto, trocam ideias (se é que são ideias) e tomam decisões desconexas, inexplicáveis. Aqui vai um exemplo.
No dia 27 de maio do ano passado, quando as pesquisas eleitorais informavam que Dilma Rousseff disputava a liderança na campanha presidencial, ela foi ao Congresso de Secretarias Municipais de Saúde, na cidade gaúcha de Gramado, e prometeu "tomar iniciativas logo no início do mandato para regulamentar a Emenda Constitucional 29". Tratava-se de dar vida a um dispositivo que fixa o piso dos gastos da União, Estados e municípios com a saúde pública. Faz 11 anos que a emenda foi aprovada, mas por falta de regulamentação gerou um carnaval.
As repórteres Daniela Lima e Mariana Schreiber mostraram que 12 Estados fingem que aplicam na saúde os 12% determinados pela lei. Entre 2004 e 2008 inflaram suas contas maquiando algo como R$ 11,6 bilhões, dinheiro suficiente para manter por um ano 13 ambulâncias do Samu em cada um dos 5,5 mil municípios do país. Em Minas Gerais carimbaram como investimento em saúde despesas com a construção de casas para funcionários da Assembleia Legislativa. No Rio Grande do Sul, a saúde custeou um programa de prevenção da violência.
Quando o presidente da Câmara, deputado Marco Maia, anunciou sua disposição de votar a regulamentação da emenda, pensou-se que isso poderia ocorrer ainda neste mês. Se alguém objetasse, seria razoável que pusesse a cara na vitrine, até porque o assunto está na gaveta desde o tempo de FHC, Bill Clinton e João Paulo 2º. Nada.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, fez saber a um grupo de parlamentares com quem jantou que o governo teme que o Senado ressuscite o texto apresentado pelo companheiro Tião Viana (PT-AC). Ele propôs que o piso seja fixado em 10% da arrecadação federal, o que significaria R$ 120 bilhões. Atualmente a Viúva federal gasta R$ 70 bilhões, e o governo prefere fazer o cálculo sobre a receita líquida, o que levaria a conta para R$ 80 bilhões.
É possível que Tião Viana esteja errado, mas esse tipo de nó não se desata em jantares, até porque ao longo dos últimos 11 anos os ministros da Saúde jantaram 4.015 vezes.
É comum que os governos não façam o que devem. A exaustão intelectual petista diante da agenda de saúde pública é mais que isso. Trata-se de não fazer nada e de não discutir coisa alguma, nem para dizer que a proposta de Tião Viana era ótima, para o governo dos outros.
PRECAUÇÃO
Por mais astuciosa que tenha sido a iniciativa dos sábios do governo colaborando com a implosão dos cleptoaliados do Ministério dos Transportes, ela foi provocada por um receio de incêndio iminente.
Chegou ao conhecimento do alto comissariado que a Polícia Federalestava prestes a desencadear uma operação pública que incluiria a busca e apreensão de documentos nos gabinetes ou mesmo nas casas dos envolvidos. A investigação da PF prossegue.
OS NERVOS DE TEMER
Às 20h da sexta-feira, dia 1º, o vice-presidente Michel Temer (secretário de Segurança de São Paulo em duas ocasiões) ia no banco de trás de seu automóvel quando o trânsito parou e um segurança percebeu que um cidadão saltara do veículo ao lado, empunhando uma arma.
Ele conseguiu abrir a porta do motorista e ameaçou-o com o revólver. Estavam na avenida Cidade Jardim, em São Paulo.
Na cabeça de Temer, rodou a seguinte cena: o sujeito atira, os seguranças atiram nele. Policiais que estejam por perto atiram em todos. Ficou no susto. Os seguranças imobilizaram o assaltante e o revólver era de brinquedo.
Para quem lida com Temer: na semana seguinte ele narrou o caso a menos de dez pessoas, sem qualquer emoção ou adjetivo.
GATOS
Uma expressão do gosto do presidente Itamar Franco poderia ser ressuscitada pela doutora Dilma. Quando ele via alguma coisa esquisita num papel que lhe levavam, avisava que não o assinaria e explicava com apenas quatro palavras: "Tem gato na tuba."
Poupou a Viúva de muitos dissabores.
CONTÁTICA
Marina Silva fez muito bem ao fugir do PV e está inteiramente certa ao pedir que os partidos políticos mudem suas práticas, mas quando ela se filiou aos verdes (pouco a ver com a cor da ecologia) sabia em que cumbuca estava botando sua biografia.
Para que sua "sonhática" prospere, seria necessário associá-la à "contática", pela qual conta-se o que se vê.
BOA LEITURA
Os comissários de obras públicas e os grandes empreiteiros de Pindorama poderiam fazer circular nas suas diretorias um livro que acaba de sair nos Estados Unidos. Chama-se "Railroaded". Conta a história da construção de suas ferrovias transcontinentais, na segunda metade do século 19, e foi escrito por Richard White, professor de Stanford (universidade criada por um dos grandes larápios da festa ferroviária).
É uma crítica devastadora de uma iniciativa habitualmente apresentada como alavanca do progresso do país. Deixando-se de lado o estudo do uso do dinheiro público e as fraudes, "Railroaded" vale como lição, mostrando como quatro grandes empresários criaram um sistema corrupto que deu origem ao que hoje se chama de lobby e acabaram criando custos que inviabilizaram seus negócios, produzindo corporações ineficientes e disfuncionais. As ferrovias faliram e a festa contribuiu para levar a dívida pública americana de US$ 65 milhões para US$ 2,7 bilhões em apenas seis anos, jogando o país em três crises econômicas.
Um consolo para os donos das empreiteiras: nenhum morreu pobre, mas todos os governos que se meteram com eles acabaram tisnados. Até o de Abraham Lincoln.
O e-book de "Railroaded" está na rede por US$ 19,95.
O VÍRUS DO KREMLIN CONTAMINOU O PLANALTO
A postergação dos efeitos da Emenda 29 é apenas um indicador de que o governo perdeu a capacidade de discutir sua política de saúde. A exaustão intelectual vai além. Quando um governo sonda Blairo Maggi para o ministério ao mesmo tempo em que manifesta sua "confiança" em Alfredo Nascimento, o problema não está na bagunça, mas na incapacidade de explicar e discutir o que faz. Essa onipotência inócua, instalada no Kremlin, destruiu um dos grandes impérios do século passado. O PT quer fazer crer que seus cleptoconsórcios têm a ver com o sistema político nacional. Sistemas políticos não geram larápios. Eles são produto da tolerância e da impunidade. Pode-se dizer tudo da doutora Dilma Rousseff, menos que ela não sabe, há tempo, o que acontece com as obras do Dnit, dos estádios, das ferrovias e com as concessões de energia. Seria demais pedir aos companheiros que transformassem o país num grande inquérito policial. Pede-se apenas que parem de tratar a plateia como se ela fosse uma récova de asnos.
FERREIRA GULLAR - Paris de muitos sonhos
Paris de muitos sonhos
FERREIRA GULLAR
FOLHA DE SÃO PAULO - 10/07/11
A Paris que primeiro se impôs à minha imaginação não foi, como no filme de Woody Allen, aquela onde viviam Scott Fitzgerald e Gertrude Stein, mas a de André Breton e Antonin Artaud. A época é a mesma - anos 20, diria - porém, na minha cabeça, não era a mesma cidade a de uns e a de outros, mesmo porque Fitzgerald e Gertrude não eram franceses, mas norte-americanos que para lá se mudaram por razões artísticas ou, melhor dizendo, para se sentirem num mundo imaginário, a que também aspirava Gil, o personagem de "Meia-Noite em Paris".
Já Breton, Artaud, Aragon, Péret eram franceses, parisienses mesmo, ainda que nem todos nascidos ali. A verdade é que a Paris em que viviam era bem mais real do que a dos arrivistas - se podemos falar assim -, no bom sentido.
Mas é, no mínimo, contraditório dizer que a Paris mais real era precisamente a dos surrealistas. É contraditório, mas compreensível, porque a cidade em que nos criamos, todos nós, e vivemos tem sempre um peso de realidade maior que o da cidade que conhecemos pelos livros. Os surrealistas desejavam incutir fantasia na Paris real; Fitzgerald, como Gil, queria viver, como sendo real, na Paris que inventou.
Já pesado demais para esses voos, via, nos surrealistas, mais irreverência e humor do que propriamente surrealidade, mais me divertia do que sonhava, ao ler aforismos como este: ´Bate em tua mãe enquanto ela é jovem´. Quando o li, numa revista francesa, na sala de leitura da Biblioteca Nacional, no Rio, fui tomado por um risinho incontido, que provocou olhares atravessados de outros leitores ali presentes. Só que não consegui me conter e, tomado de um frouxo de riso, saí da sala e fui sentar-me na escadaria da biblioteca. Uma senhora, que subia os degraus, olhou-me espantada - enquanto eu ria e repetia mentalmente: "Bate em tua mãe enquanto ela é jovem".
Nem todos os surrealistas, porém, eram engraçados. Antonin Artaud, por exemplo, sofria a contradição entre o corpo e o espírito, enquanto Jacques Vaché escreveu: "Vou me aborrecer de morrer cedo". E acrescentou: "Vocês todos são poetas, já eu optei pela morte". E se matou.
Muito diferente deles era Francis Picabia, que pintou "máquinas inúteis", espécie de complicadas engenhocas que não serviam para nada; uma gozação na tecnologia industrial. É dele, também, esta frase encantadora: "As flores e os bombons me dão dor de dentes".
Os surrealistas me faziam rir, às vezes me deslumbravam com seus versos ou suas pinturas, mas nem por isso desejei ir viver em Paris. Aliás, ganhei uma bolsa de estudos mas preferi me casar e ficar em Ipanema. Antes disso, conhecia pessoalmente o poeta surrealista Benjamin Péret, que se havia casado com a cantora brasileira Elsie Houston, irmã de Mary, mulher de meu amigo Mário Pedrosa. E a coisa ficou mais real ainda quando o prenderam ao chegar ao Rio.
É que havia uma ordem de prisão contra ele, emitida nos anos 30, quando foi acusado de atividades subversivas. Fui visitá-lo na prisão e o entrevistei para a revista Manchete. Mal humorado, fez mixar qualquer ilusão que eu alimentasse pelo sonho surrealista. A obra, em geral, é melhor que o autor.
Por isso mesmo, adorei o filme de Woody Allen, que nos mostra uma Paris de sonho, mais surreal do que aquela em que viviam os surrealistas. Trata-se, na verdade, de um conto de fadas: à meia-noite, após as doze badaladas, surge uma carruagem... Não, neste caso, é um automóvel dos anos 20, que vem ao encontro de Gil, numa viela deserta.
Nele estão Scott Fitzgerald e Zelda, sua mulher, para a surpresa e encantamento do rapaz, que sonhava tornar-se romancista, embora fosse um roteirista de sucesso em Hollywood. Eles o levam ao encontro de Gertrude Stein, Pablo Picasso e Salvador Dalí... como, certamente, um dia o desejou o próprio Woody Allen, em sua primeira visita a Paris.
E, naquela tarde de sábado em Botafogo, fomos também, a Cláudia e eu, levados, na sala escura, a viver uma aventura irreal, num tempo outro e mais real do que o que nos esperava lá fora, finda a sessão de cinema. E, de fato, saímos para a realidade da nossa vida que, no entanto, já não era a mesma de quando entráramos no cinema.
CLÁUDIO HUMBERTO
Passos é ‘honesto demais’ para os Transportes
O ministro interino dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, é “honesto demais” para substituir Alfredo Nascimento em definitivo, segundo admitiu a esta coluna um deputado que diz se opor à cúpula do Partido da República. Enciclopédia” do setor, ele conhece todas rodovias e pode citar detalhes de qualquer obra em curso. Mas não é da turma do ex-ministro Alfredo Nascimento no PR, o que o distancia do cargo.
Virtude
Passos também não é da turma de Valdemar Costa Neto (PR-SP), que pode ser condenado a um século de cadeia, no processo do mensalão.
Ingenuidade
No Ministério desde 1973, Paulo Passos virou secretário-executivo, a convite de Lula, para dar feição técnica aos acordos político-eleitorais.
Assim não dá
Casado com Rosa Passos, cantora, Passos é homem simples e, dizem os amigos, jamais compactuou com maracutaias. Por isso não serve.
Xadrez
A pergunta que se recusa a calar, no escândalo de corrupção do Ministério dos Transportes: afinal, o Luiz Pagot ou recebeu propina?
Desempenho da ECT continua ruim, diz estudo
O brigadeiro José Xavier, vice-presidente de Operações dos Correios, ajeitou a peruca e assinou a nota técnica 113/11 apresentando o Indicador de Desempenho Operacional (IDO), que conclui: continua feia a coisa na estatal que foi motivo de orgulho dos brasileiros. Metas de desempenho não foram atingidas e ainda se verifica uma qualidade no serviço interior aos níveis críticos do primeiro semestre de 2009.
Os campeões
O IDO dos Correios mostrou que o desempenho é melhor no Piauí, em Minas, Paraná e Brasília, ainda que representem “situação de atenção”.
Ovelha negra
Fiel “do contra”, Tereza Otília Casa, irmã da ex-primeira-dama Marisa Letícia, assessora em Brasília o deputado William Dib (PSDB-SP).
Triste fim
Apanhado em grampos ilegais para “furos”, o News of the World, maior tablóide do mundo, praticava um new journalism: o “in extremis”.
Sucessão
Deve estar subindo a “taxa de sucesso” nos bastidores do PR, com a raposa, ops, senador Alfredo Nascimento, escolhendo o próprio sucessor no galinheiro, ops, no Ministério dos Transportes.
Jatinho, nunca mais?
O governador Sergio Cabral prometeu nunca mais voar de jatinho de grande empresário. Na próxima de suas constantes viagens a Paris, ele será visto na fila de embarque do Galeão, como qualquer mortal?
Nem aí
A presidenta Dilma baixou decreto escalando doze ministros para trabalhar pelo êxito da conferência ambiental Rio+20, em 2012. Mas, na primeira reunião, só apareceram cinco. A próxima será no dia 8.
Truco ou troco do PT?
A resposta do PT ao seu envolvimento na ladroagem do DNIT será levantar os oito anos em que o ex-deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS) foi ministro dos Transportes de FHC. Para os elaboradores do dossiê, a promiscuidade com os políticos começou exatamente nesse período.
Tô fora
Apesar da torcida do ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento), o ex-deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) não aceitaria eventual convite para presidir a estatal de ferrovias Valec. Alega razões pessoais.
Pretérito Quase Perfeito
O embaixador do Brasil na República Dominicana, João Solano Carneiro, acaba de publicar o romance “Pretérito quase perfeito”, que pode ser adquirido pela internet (Amazon - Kindle store). Diplomata e músico admirado, ele é pai do ator Mateus Solano, da TV Globo.
Mãezinha querida
O defenestrado Alfredo Nascimento fez tudo para conquistar Dilma: na inauguração do empacado trecho da Transnordestina em Salgueiro (PE), agradeceu “a sutileza e ternura” da então ministra da Casa Civil.
Já vai tarde
O mexicano Humberto Leal Garcia Jr foi condenado à morte, nos EUA, por estuprar, esganar e matar uma garota de 16 anos. No Brasil, ele estaria livre em seis ou sete anos, graças à cumplicidade do “direito penal mínimo”. Ou sumiria num “saidão” de Natal ou do Dia das Mães.
Pensando bem...
...Blairo Maggi nos Transportes é soja...
Poder sem pudor
A mala de Aristóteles
Aristóteles Atheniense, um dos mais admirados juristas brasileiros, certa vez quase viu sua mala explodida, na Câmara dos Deputados, onde participou de um debate sobre nepotismo. Ele concedia entrevistas quando se deu conta de que perdera a mala, encontrada próximo a uma lixeira. Funcionários já haviam acionado a segurança do Congresso, suspeitando que a mala carregasse bombas. Por um triz, Aristóteles não viu sua maleta ser explodida com celulares, óculos e até a inseparável máquina fotográfica.
O ministro interino dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, é “honesto demais” para substituir Alfredo Nascimento em definitivo, segundo admitiu a esta coluna um deputado que diz se opor à cúpula do Partido da República. Enciclopédia” do setor, ele conhece todas rodovias e pode citar detalhes de qualquer obra em curso. Mas não é da turma do ex-ministro Alfredo Nascimento no PR, o que o distancia do cargo.
Virtude
Passos também não é da turma de Valdemar Costa Neto (PR-SP), que pode ser condenado a um século de cadeia, no processo do mensalão.
Ingenuidade
No Ministério desde 1973, Paulo Passos virou secretário-executivo, a convite de Lula, para dar feição técnica aos acordos político-eleitorais.
Assim não dá
Casado com Rosa Passos, cantora, Passos é homem simples e, dizem os amigos, jamais compactuou com maracutaias. Por isso não serve.
Xadrez
A pergunta que se recusa a calar, no escândalo de corrupção do Ministério dos Transportes: afinal, o Luiz Pagot ou recebeu propina?
Desempenho da ECT continua ruim, diz estudo
O brigadeiro José Xavier, vice-presidente de Operações dos Correios, ajeitou a peruca e assinou a nota técnica 113/11 apresentando o Indicador de Desempenho Operacional (IDO), que conclui: continua feia a coisa na estatal que foi motivo de orgulho dos brasileiros. Metas de desempenho não foram atingidas e ainda se verifica uma qualidade no serviço interior aos níveis críticos do primeiro semestre de 2009.
Os campeões
O IDO dos Correios mostrou que o desempenho é melhor no Piauí, em Minas, Paraná e Brasília, ainda que representem “situação de atenção”.
Ovelha negra
Fiel “do contra”, Tereza Otília Casa, irmã da ex-primeira-dama Marisa Letícia, assessora em Brasília o deputado William Dib (PSDB-SP).
Triste fim
Apanhado em grampos ilegais para “furos”, o News of the World, maior tablóide do mundo, praticava um new journalism: o “in extremis”.
Sucessão
Deve estar subindo a “taxa de sucesso” nos bastidores do PR, com a raposa, ops, senador Alfredo Nascimento, escolhendo o próprio sucessor no galinheiro, ops, no Ministério dos Transportes.
Jatinho, nunca mais?
O governador Sergio Cabral prometeu nunca mais voar de jatinho de grande empresário. Na próxima de suas constantes viagens a Paris, ele será visto na fila de embarque do Galeão, como qualquer mortal?
Nem aí
A presidenta Dilma baixou decreto escalando doze ministros para trabalhar pelo êxito da conferência ambiental Rio+20, em 2012. Mas, na primeira reunião, só apareceram cinco. A próxima será no dia 8.
Truco ou troco do PT?
A resposta do PT ao seu envolvimento na ladroagem do DNIT será levantar os oito anos em que o ex-deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS) foi ministro dos Transportes de FHC. Para os elaboradores do dossiê, a promiscuidade com os políticos começou exatamente nesse período.
Tô fora
Apesar da torcida do ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento), o ex-deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) não aceitaria eventual convite para presidir a estatal de ferrovias Valec. Alega razões pessoais.
Pretérito Quase Perfeito
O embaixador do Brasil na República Dominicana, João Solano Carneiro, acaba de publicar o romance “Pretérito quase perfeito”, que pode ser adquirido pela internet (Amazon - Kindle store). Diplomata e músico admirado, ele é pai do ator Mateus Solano, da TV Globo.
Mãezinha querida
O defenestrado Alfredo Nascimento fez tudo para conquistar Dilma: na inauguração do empacado trecho da Transnordestina em Salgueiro (PE), agradeceu “a sutileza e ternura” da então ministra da Casa Civil.
Já vai tarde
O mexicano Humberto Leal Garcia Jr foi condenado à morte, nos EUA, por estuprar, esganar e matar uma garota de 16 anos. No Brasil, ele estaria livre em seis ou sete anos, graças à cumplicidade do “direito penal mínimo”. Ou sumiria num “saidão” de Natal ou do Dia das Mães.
Pensando bem...
...Blairo Maggi nos Transportes é soja...
Poder sem pudor
A mala de Aristóteles
Aristóteles Atheniense, um dos mais admirados juristas brasileiros, certa vez quase viu sua mala explodida, na Câmara dos Deputados, onde participou de um debate sobre nepotismo. Ele concedia entrevistas quando se deu conta de que perdera a mala, encontrada próximo a uma lixeira. Funcionários já haviam acionado a segurança do Congresso, suspeitando que a mala carregasse bombas. Por um triz, Aristóteles não viu sua maleta ser explodida com celulares, óculos e até a inseparável máquina fotográfica.
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