quarta-feira, junho 29, 2011

MÔNICA BERGAMO - MALUF A PÉ

MALUF A PÉ
MÔNICA BERGAMO 
FOLHA DE SÃO PAULO - 29/06/11

O deputado Paulo Maluf (PP-SP) já perdeu dois carros e teve penhoradas ações da Eucatex para pagar indenização ao desembargador Alberto de Oliveira Andrade Neto. Quando era procurador de Justiça, ele conduzia investigações contra o ex-prefeito e foi acusado pelo político de ser "membro do PT de carteirinha". Processou Maluf e ganhou indenização de R$ 100 mil em 2002 -o valor, corrigido, já chega a R$ 300 mil, segundo sua advogada, Simone Haidamus.

TRANCADO A CHAVE

Em fevereiro, Maluf entregou uma Mitsubishi e uma Fiat Dobló para o pagamento. Os veículos foram avaliados em R$ 86 mil. Dois meses depois, a 29ª Vara Cível de SP determinou a penhora das ações na Eucatex para saldar o resto da dívida. A defesa de Maluf, que recorreu ao Tribunal de Justiça, mas não reverteu a decisão, entrou com agravo no Superior Tribunal de Justiça. Diz que os bens do deputado já estão bloqueados por outro processo e, portanto, as ações não poderiam ser penhoradas.

PTB NA ROÇA
O PTB havia marcado a filiação do apresentador e humorista João Kléber ao partido para o dia 6 de agosto, durante o evento em que o presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D'Urso, também ingressará na legenda. Mas, como o artista vai participar do reality show "A Fazenda", da Record, ele pode estar confinado nessa data. O PTB assinará a ficha de Kléber antes do início do programa.

ACORDA, MENINA!

Ana Maria Braga reduziu em 88% o preço de sua mudança do Morumbi para o Jardim Europa. Um dos orçamentos para transportar obras de arte, fotos, enfeites e vasos chineses para a casa nova foi de R$ 232,4 mil. Ela consultou cinco empresas. Fechou por R$ 27,3 mil.

BEM, OBRIGADA

As atrizes Eva Wilma e Karin Rodrigues se encontraram no teatro da Faap, no feriado. Eva, 77, abraçou Karin: "Estamos na idade do "como você está bem ainda", né, amiga?". E Karin, 75: "Estamos na idade do "Como?! Você ainda está bem?'".

O CLÍMAX DE MARINA

A cantora Marina Lima lançou o CD "Clímax" com shows no Sesc Vila Mariana, no fim de semana. A empresária Helena Linhares, a stylist Vanda Jacintho e o DJ Zé Pedro foram à apresentação.

MEMÓRIA VIVA

O DVD "Os Protagonistas dessa História", com depoimentos de jornalistas que atuaram sob a ditadura, foi lançado para comemorar os dois anos do Instituto Vladimir Herzog. Clarice, viúva de Herzog, e seu filho Ivo receberam, entre outros convidados, o jornalista Audálio Dantas e o rabino Henry Sobel, no Memorial da Resistência.

BRUXA

O Conar, órgão que regula a publicidade, arquivou a denúncia do Instituto Alana contra comercial que o McDonald's exibia antes das sessões do filme "Rio". O parecer, assinado por Enio Basilio Rodrigues, diz que "vale a fantasia de trocarmos o nome [do] instituto por outro mais característico -a Bruxa Alana, que odeia criancinhas". E ainda: "Ao contrário dos EUA, aqui o McDonald's não é vício, é aspiração." "Cada vez mais crianças pedirão um brinquedo para o pai e este orgulhosamente dirá: "Sim, eu posso. Queira ou não a Alana"."

BRUXO
O Instituto Alana diz não respeitar mais o Conar. "Até esse voto, reconhecíamos o órgão como um conselho de ética. Mas nos desrespeitam, com difamação e injúria. Isso mostra claramente que a autorregulamentação não é séria", diz a advogada Isabella Henriques, do Alana. O Conar diz que seu relator tem "liberdade plena de opinião", ainda que elas "pertençam só a ele".

EXTRACURRICULAR

Um menino de dez anos foi proibido de frequentar as aulas do colégio Nossa Senhora das Graças, o Gracinha, faltando 20 dias para o término do semestre letivo. A família diz que o garoto passa por tratamento psiquiátrico e que está mais sensível depois que a mãe descobriu ter câncer no ovário. O Gracinha diz que ainda está em tratativas com os pais sobre sua permanência no estabelecimento.

CURTO-CIRCUITO


O paisagista Marcelo Faisal e outros farão pizza hoje, às 20h, para comemorar os 30 anos da Cristal Pizza Bar.

A exposição "On-Off - Experiências em Live Image" acontecerá de 23 a 31 de julho, às 20h, no Itaú Cultural.

O chef Carlos Ribeiro faz nhoque da sorte hoje no restaurante Na Cozinha.

A mostra "Das Diferenças que Coexistem" fica aberta de hoje a 23 de julho na Central Galeria de Arte Contemporânea, em Pinheiros.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA, THAIS BILENKY e CHICO FELITTI

MIRIAM LEITÃO - Encruzilhada


Encruzilhada
MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 29/06/11

A ideia é ruim, mas o pior é a justificativa: a de que se o Pão de Açúcar se juntar ao Carrefour, o BNDES deve dar a maior parte do dinheiro - R$ 2 bilhões - porque isso vai internacionalizar grupo brasileiro e abrir mercado para os nossos produtos. Balela.

Essa ideia é ruim para o consumidor, para o contribuinte e para a economia do País.

O que é desanimador no Brasil é a dependência que até os novos capitalistas têm do Estado. Eles não dão nenhum passo sem que o governo vá junto, não apenas financiando, mas virando sócio. Um capitalismo sem riscos, ou de lucros privados e prejuízos públicos.

Sempre foi assim, mas quando se vê um Eike Batista e um André Esteves, que poderiam ser a renovação dessa velha prática, repetindo os mesmíssimos caminhos que nos levaram a tanto problema no passado, a conclusão é que pelo visto o País vai demorar muito para chegar no verdadeiro capitalismo.

É um disparate completo o BNDES usar o dinheiro de dívida pública ou de fundos públicos para capitalizar uma operação estritamente privada. Ela será boa para o Carrefour, para os Diniz e para o BTG Pactual.

Não é verdade que o Pão de Açúcar será internacionalizado e vai virar um grupo global. Ele vai ter um pedaço de um grupo francês, que será vendido no dia em que a família Diniz quiser vender. O Pão de Açúcar vai deixar de existir como empresa independente e será desnacionalizado.

A família Diniz é dona do negócio e faz o que bem entender - e o que as regras concorrenciais do país permitirem - mas que não se venha com nacionalismos de ocasião. A conversa de internacionalização do grupo não convence.

O BTG Pactual também pode montar a operação que quiser no mercado. O estranho é por que um grupo que tem condições de captar no mercado internacional precisará que o BNDES entre de sócio e dê até R$ 4,5 bilhões para o negócio.

O grande perdedor será o consumidor brasileiro, que tem enfrentado uma concentração cada vez maior do grande varejo. O número de 27% do mercado brasileiro é enorme em si. Mas pode ser até maior. Está se somando bananas e laranjas.

Pequeno varejo de empresas disseminadas pelo interior do Brasil, com o mercado dos grandes supermercados e hipermercados das capitais. Com a lentidão com que o Cade trabalha, no dia em que ele se pronunciar - e ainda mais num negócio que terá como sócio o próprio Estado brasileiro - tudo já estará consolidado.

Nos últimos anos o Tesouro já se endividou em R$ 260 bilhões - incluindo os R$ 30 bilhões deste ano - para financiar o BNDES nas suas operações. E elas fazem cada vez menos sentido. Por que o banco deve fazer seguidas capitalizações, comprar tantas debêntures ou ações do grupo JBS-Friboi, por exemplo?

Por que o Estado brasileiro precisa ser sócio de frigorífico? E pior: um frigorífico que diz - como me disse o presidente do Conselho de Administração do JBS-Friboi, Joesley Batista, no dia 28 de abril - que não pode garantir que a carne que comercializa é livre de desmatamento ilegal.

A empresa contraria a tendência atual do capitalismo no mundo, que é o de ser responsável por fiscalizar sua cadeia produtiva.

O BNDES justifica o fato de ter "enquadrado para a análise" a possibilidade de entrar na operação Carrefour-Pão de Açúcar com o argumento de que vai abrir mercado para o produto brasileiro. Convenhamos. O produto brasileiro terá mais espaço no mercado internacional se houver mais investimento em logística eficiente, se houver redução do Custo Brasil, e se as empresas tiverem boas práticas.

Para a carne brasileira ter maior penetração no mercados europeu não é necessário que o BNDES seja sócio de supermercado francês, mas sim que o setor cumpra regras de rastreamento sanitário. O mercado internacional precisa ser conquistado com uma redução do custo do transporte dos produtos brasileiros e com boas práticas de certificado de origem, rastreamento, comprovações que o mundo atual tem feito cada vez mais.

Essa operação já nasceu esquisita. O sócio Casino na Companhia Brasileira de Distribuição disse que suspeitava que o Pão de Açúcar estivesse negociando nas suas costas com o Carrefour. O acordo que tem com seus sócios brasileiros impedia a negociação. As suspeitas se confirmaram. E isso é mais uma razão pela qual o banco estatal brasileiro não deveria entrar no negócio.

Mas o mais importante motivo pelo qual não se deve haver dinheiro subsidiado ou de endividamento público no negócio é que ele é ruim para a economia e para o consumidor nacional. O distinto público não tem nada a ganhar com ele.

Os neocapitalistas brasileiros deveriam usar toda a criatividade que têm para fazer negócios longe da sombra do Estado. Em vez disso, confirmam a velha dependência crônica.

A palavra "carrefour" é ótima para nos lembrar que o país está numa encruzilhada: ou vai continuar fortalecendo o capitalismo estatizado sem risco, que é bom apenas para alguns poucos, que concentra a renda e socializa o prejuízo; ou vai incentivar a competitividade, a inovação, a concorrência e as práticas sustentáveis da nova economia.

GOSTOSA

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Construtora investe R$ 300 mi em 12 torres em Santo André
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 29/06/11

A MZM Construtora, de Santo André, investirá R$ 300 milhões em um novo empreendimento na cidade.
Serão construídas 12 torres e 2.016 unidades, em um terreno de 56 mil m2.
O preço dos apartamentos, com dois ou três dormitórios e área de 55 m2 a 75 m2, deverá ficar entre R$ 230 mil e R$ 400 mil.
"Foram lançados poucos imóveis com menos de cem metros quadrados na região. É um mercado com muita demanda não atendida", diz o sócio da empresa Francisco Diogo Magnani.
Na cidade de São Paulo, apartamentos semelhantes custam cerca de 50% a mais, de acordo com Magnani.
"O preço deve atrair pessoas que já estão em Santo André e outras que trabalham na capital, mas que aceitarão viver um pouco mais longe", afirma.
A obra será construída no bairro onde era o parque industrial de Santo André.
"A região virou residencial e passa por um processo de revitalização. Pediremos até algumas mudanças nos nomes das ruas para a prefeitura", diz Magnani, que é fundador da MZM Construtora.
O Valor Geral de Vendas do empreendimento, que terá uma primeira parte lançada em outubro, é estimado em R$ 600 milhões.

HOSPEDAGEM MINEIRA

A rede Accor fechou parceria de R$ 80 milhões com o grupo mineiro Maio/Paranasa para construir um hotel em Belo Horizonte. Será o primeiro da bandeira Novotel na cidade.
As obras começarão no quarto trimestre deste ano e devem ser concluídas no início de 2014.
As duas empresas inauguraram um outro hotel na capital mineira nesta semana e estão com mais quatro em construção. Elas investirão R$ 380 milhões na cidade nos próximos três anos.
Com os seis novos hotéis, as empresas criarão 1.204 apartamentos. A expectativa é atender a demanda gerada pela Copa do Mundo e pelo crescente setor de turismo de negócios.

Circuito Paris... 

Com sede no Rio e filiais em Porto Alegre, Curitiba e Paris, o escritório Carlos Mafra de Laet inaugurou uma unidade em SP.

...Barueri 

O escritório Pires & Gonçalves abrirá outra unidade no segundo semestre, em Barueri, para estar mais perto de clientes.

Novos carros 
A locadora Budget Rent a Car investiu R$ 5 milhões para inaugurar duas lojas, em Macaé e em Campos de Goytacazes (RJ). Ainda em 2011, abrirá outras quatro.

Cresce número de famílias endividadas em São Paulo
O número de famílias endividadas cresceu em junho na capital paulista, para 1,684 milhão.
O aumento foi de 2,7% na comparação com maio e de 11,5% em relação ao mesmo mês de 2010, de acordo com levantamento da Fecomercio, que será divulgado hoje.
O resultado mostra que 46,9% das famílias paulistanas estão com dívidas.
Apesar do aumento, ainda não há motivos para preocupação do mercado, devido ao patamar elevado da confiança dos consumidores, segundo técnicos da Fecomercio.
Em junho, 29,4% dos paulistanos afirmaram estar comprometidos com dívidas por mais de um ano.
Entre os consumidores com contas em atraso, 50,6% disseram estar inadimplentes há mais de 90 dias.

VENDAS NO VERMELHODepois de dois meses no azul, as vendas nos supermercados do Estado de São Paulo voltaram a registrar resultados negativos.
No mês passado, a queda real (descontada a inflação) foi de 9,7% na comparação com o mês anterior, de acordo com a Apas (Associação Paulista de Supermercados).
O resultado, porém, já era previsto pelo setor. "Como as vendas na Páscoa foram altas, já era esperada essa desaceleração em maio", diz Martinho Moreira, da Apas.
Para o setor, a Páscoa é a segunda melhor data, só perde para as vendas do Natal.

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ

MERVAL PEREIRA - Sem convencer

Sem convencer
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 29/06/11
O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, não deixou muitas saudades entre seus colegas no Senado com sua maneira arrogante de agir e suas vacilações políticas. Recentemente, em uma solenidade em Brasília, teve um desentendimento com o senador Antonio Carlos Valadares, do PSB de Sergipe, exigindo que lhe cedesse sua cadeira por se tratar de um ministro de Estado. Valadares não cedeu, e comentou depois que faltavam votos para o petista impor sua vontade.

Derrotado pela segunda vez para o governo de São Paulo, Mercadante ganhou de consolação o Ministério da Ciência e Tecnologia, que era um feudo político do PSB, e agora está às voltas com as críticas de um importante aliado do Planalto.

Ontem, no depoimento da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, onde tentou negar sua participação no episódio do dossiê dos aloprados contra José Serra na eleição de 2006, Mercadante se viu novamente diante de críticas do senador Francisco Dornelles, do PP do Rio.

Ele fez questão de avisar a Mercadante que não apoiaria um pedido de investigação a seu respeito, diferentemente do que fizera Mercadante quando José Sarney e Renan Calheiros, aliados do PMDB, estiveram sob fogo cruzado da oposição e o petista, líder do governo no Senado, piscou.

Na votação para salvar Renan Calheiros da cassação no plenário do Senado, ele se absteve e deu o sinal para que sua bancada seguisse o caminho que aparentemente era o mais fácil para cumprir as determinações do Planalto e não sujar as mãos publicamente.

Não ganhou o reconhecimento de Renan Calheiros, e perdeu credibilidade diante dos seus eleitores.

De outra vez, quando tentou uma manobra mais coerente com seu discurso e anunciou sua renúncia "irrevogável" em protesto contra a defesa do senador José Sarney pelo governo, a direção nacional de seu partido passou por cima dele como um trator, desautorizando-o publicamente, seguindo orientação pessoal do então presidente Lula.

Diante da reação pessoal de Lula, e depois de uma conversa de 5 horas com o então presidente, Mercadante deu o dito por não dito e revogou a irrevogabilidade de seu ato.

A versão de Mercadante, de que fora uma conversa "amiga e franca, relembrando momentos históricos dos últimos 30 anos", segundo versão mais crua vazada por fontes do próprio partido fora, na verdade, um "puxão de orelhas" do presidente Lula em seu pupilo, a quem teria dito: "Não dá para vacilar diante do primeiro embate. As alianças têm duas mãos".

O episódio dos aloprados na eleição de 2006, em que um grupo de petistas comprou dossiês contra José Serra, então seu adversário ao governo de São Paulo, e Geraldo Alckmin, candidato tucano à Presidência, já marcara sua vida política, pois seu principal assessor era o comandante da operação ilegal que ele alega até hoje ter sido montada à revelia.

Pois, como disse o senador Dornelles, "nada como um dia depois do outro". Mercadante, segundo revelação do burocrata petista Expedito Veloso, foi um dos líderes dos aloprados.

Quem se der ao trabalho de ouvir a gravação da conversa de Expedito com amigos petistas no site da revista "Veja", que divulgou a informação, verá que não há dúvida de que toda a operação partiu da necessidade de Mercadante de criar um fato político que levasse a disputa com Serra para o segundo turno, ocasião em que Orestes Quércia, que também financiou o dossiê, o apoiaria em troca de "um naco" do governo.

Expedito Veloso, hoje um assessor graduado do governo petista de Brasília, é didático na sua conversa gravada, e culpa Mercadante pelo fracasso da operação.

Segundo ele, se Mercadante não tivesse mentido dizendo que o dinheiro já estava todo arrecadado, Valdebran Padilha, um dos aloprados que foi a São Paulo juntamente com Hamilton Lacerda para comprar o dossiê, não teria sido preso.

Os aloprados, no entanto, tiveram que ficar quatro dias em São Paulo, e não duas horas como previsto, esperando que o dinheiro chegasse, e essa movimentação teria chamado a atenção da Polícia Federal.

Embora Mercadante afirme que a participação de Lacerda, seu braço direito na campanha, acontecera à sua revelia, Expedito, na conversa gravada, explica o raciocínio político por trás da compra do dossiê, ficando claro que a manobra correspondia a uma estratégia petista para beneficiar Mercadante.

Tanto é verdade que, na gravação, Expedito revela um "trabalho" anterior dos aloprados petistas, a divulgação de dossiês contra a ex-senadora petista Serys Slhessarenko e o tucano Antero Paes de Barros pelo ex-deputado federal Carlos Abicalil, hoje secretário de Educação Especial do MEC, cujo sucesso os levou a arquitetar o plano contra Serra.

E explica a ligação: "O Valdebran (Padilha) foi coordenador financeiro do Abicalil".

O petista já tentara desqualificar a gravação obtida pela "Veja", alegando que Expedito emitira nota negando tudo.

O que Expedito diz na nota é que nunca revelou nenhum nome em seus depoimentos, o que pode ser verdade. Ele só citou Mercadante e os demais envolvidos na tramoia em conversas informais, que foram gravadas e cujo conteúdo ele confirmou ser verdadeiro.

Outra revelação, a de que a atual ministra das Relações Institucionais Ideli Salvatti, então líder do PT no Senado, participou de reuniões sobre o dossiê e ajudou a divulgá-lo extraoficialmente para alguns jornais, é desmentida pela metade.

Ideli admite que participou de reuniões no gabinete de Mercadante, com a presença de diversos dos aloprados, mas alega que o assunto era outro.

Com o governo dominando tão amplamente a Câmara e o Senado, dificilmente o assunto vai render. Resta a reabertura do processo pelo Ministério Público ou pela Polícia Federal, diante das novas evidências.

RENATA LO PRETE - PAINEL

Restos a encrencar
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 29/06/11

A lista dos congressistas mais atingidos pelo sepultamento dos "restos a pagar" de 2009, que Dilma Rousseff ameaça oficializar amanhã, traz figurões da base como os senadores Eunício Oliveira (PMDB-CE), Marcelo Crivella (PRB-RJ) e Magno Malta (PR-ES), todos com emendas acima de R$ 4 milhões na tesoura.
A temperatura subiu ontem no Congresso e pode alcançar grau ainda mais elevado, dado o que se vê no extremo oposto da lista: entre os menos afetados pelo cancelamento de emendas específicas -aquelas que não se juntam às de outros colegas- está a ex-senadora e hoje ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) -justamente a portadora da fatídica notícia.

Argumento 

De Dilma, justificando em almoço com senadores a intenção de encerrar a novela dos "restos a pagar": "É uma questão de credibilidade das nossas ações. Se eu disse que não vou prorrogar [o decreto], como agora vou prorrogar?".

No banquinho 

Do líder do PMDB, Henrique Alves (RN), ao ouvir de Ideli que o Executivo não pagará os "restos": "Antes que a bancada se rebele, me rebelo eu. É um desrespeito à Câmara".

Segura aí 
Correligionário de Orlando Silva (Esporte), Inácio Arruda (PC do B-CE) relatará, no Senado, a medida que cria o Regime Diferenciado de Contratações.

Quem te viu 

Bastou Ideli pedir a deputados petistas "cautela" na votação da emenda 29, fixadora de percentuais mínimos de gastos com saúde, para que alguns deles lembrassem de como a então senadora participou, em 2008, da aprovação do texto por unanimidade.

Sucesso... 
Após dizer a Aloizio Mercadante (PT-SP) que "ninguém deve ser condenado na base de notícia de jornal, mas vossa excelência tentou a cassação de companheiros seus baseado em notícia de jornal", Francisco Dornelles (PP-RJ) foi cumprimentado por colegas dos mais diferentes partidos.

...de público 

Com o depoimento de Mercadante sobre os aloprados ainda em curso, Pedro Taques (PDT-MT) e Álvaro Dias (PSDB-PR) foram os primeiros a se levantar para alisar Dornelles. "Foi brilhante", disse Vanessa Grazziotin (PC do B-AM). Luiz Henrique (PMDB-SC) entregou bilhete ao colega.

Investimento 1 

As diferentes forças políticas que se uniram no apoio à indicação de Luiz Fux para o STF já viram realizadas duas das três expectativas que nutriam em relação ao ministro -a saber, seus votos contrários à aplicação da "ficha limpa" nas eleições de 2010 e à extradição de Cesare Battisti.

Investimento 2 

A terceira expectativa é a de que, quando a hora chegar, Fux seja voto favorável à absolvição dos mensaleiros.

Avó antenada
Durante voo Brasília-Rio, anteontem, Dilma surpreendeu os presentes com detalhados conhecimentos sobre o desenho musical "A Galinha Pintadinha", hit infantil.

Diário Oficial 
Cobrança de João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST, via Twitter: "Dilma, estamos em junho e os diretores do Incra não foram nomeados. Ou seja, a reforma agrária está parada. Poderia informar o que se passa?".

Visitas à Folha
Demóstenes Torres, senador pelo DEM de Goiás, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço.

Silvio Torres (PSDB), secretário paulista da Habitação, visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Valéria Scheide e Marcos Michelini, assessores de imprensa.
com LETÍCIA SANDER e RANIER BRAGON

tiroteio
"Se eu estiver numa campanha e alguém me oferecer um dossiê contra o adversário, é claro que vou querer ver. E vale ressaltar: desse jogo bruto, o PSDB é especialista."
DO SENADOR ROBERTO REQUIÃO (PMDB-PR), dando uma força para Aloizio Mercadante, questionado ontem sobre a ressurreição do caso dos aloprados.

contraponto

Só pensam naquilo

Com o plenário lotado, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado transpirava expectativa antes da audiência em que Aloizio Mercadante forneceria explicações sobre o redivivo escândalo dos aloprados.
Ao receber a palavra para sua exposição inicial, o ministro fez piada com o fato de a sessão ter sido convocada originalmente para tratar do efeito das inovações tecnológicas na economia:
-Eu quero registrar que fico muito feliz ao ver todo esse interesse pela ciência e tecnologia!

ANTONIO DELFIM NETTO - A pergunta

A pergunta
ANTONIO DELFIM NETTO
FOLHA DE SÃO PAULO - 29/06/11
A grande pergunta a ser feita à sociedade brasileira (e, em particular, ao poder incumbente de plantão) é: como vamos proporcionar empregos de boa qualidade a quase 150 milhões de cidadãos com idade entre 15 e 65 anos que viverão em 2030?
Talvez seja bom recordar alguns preliminares:
1) Nossa memória é curta e nosso entusiasmo é grande. Esquecemos que "quebramos" duas vezes nos últimos 16 anos (1998 e 2002) e fomos socorridos pelo FMI para honrar nossos compromissos externos, o que garantiu a continuidade de nossa democracia;
2) Todas as crises que abortaram o crescimento do Brasil nos últimos 50 anos foram produzidas por dificuldades no financiamento do deficit em conta-corrente ou por uma crise de energia;
3) A grande mudança da situação externa não foi resultado de particular melhoria na política macroeconômica. Foi consequência da expansão mundial (da China, especialmente), que aumentou a demanda dos produtos que estávamos preparados para exportar (alimentos e minérios), cujos preços beneficiaram-se, adicionalmente, de um fantástico aumento. Parte importante de tal aumento deve-se à desvalorização do dólar promovida pela política monetária americana.
Tais setores são poupadores de mão de obra. Suas cadeias de serviços são suscetíveis de serem ampliadas, mas absolutamente incapazes de dar resposta à grande pergunta.
É uma grave ilusão supor que nada vai mudar nos próximos 20 anos. A "oferta" de alimentos e minérios está sendo estimulada em quase todos os países, inclusive pela própria China. Não existe, portanto, razão para acreditar que o nosso modelo agromineral-exportador induzido seja bem sucedido no longo prazo.
Além do mais, quem pode garantir que a China manterá, por mais 20 anos, a estrutura política atual (que já dá alguns sinais de fadiga)?
A alegre aceitação dessa "nova" divisão internacional do trabalho (para a China a indústria, para a Índia os serviços e para o Brasil alimentos e minérios) põe em risco o futuro da economia brasileira como necessário instrumento de construção de uma sociedade mais justa, com pequeno desemprego e suficiente emprego de boa qualidade em 2030.
Precisamos aproveitar a oportunidade (os bônus!) dos setores agrícola e mineral (o pré-sal) para nos livrar da trágica dependência externa e impedir que o pré-sal nos leve a outra dependência.
O que precisamos mesmo para responder à grande pergunta é continuar a aproveitar com inteligência os dois "bônus" e dar condições isonômicas a nossos empresários e trabalhadores para que construam o mercado interno que vai assegurar os bons empregos para nossos filhos e netos.

BRAZIU: O PUTEIRO

VALDO CRUZ - Falso consenso

Falso consenso 
VALDO CRUZ
FOLHA DE SÃO PAULO - 29/06/11

BRASÍLIA - Somos um país de alguns consensos, mas que nunca se materializam e seguem sendo apenas isso, meros consensos gerais. É o caso da eterna e jamais aprovada reforma tributária.
Não há quem não a defenda como uma necessidade nacional, mas cada um a seu modo, voltada quase exclusivamente para sua demanda particular.
Governos topam, mas sem perda de receita. Empresários e trabalhadores se queixam, com razão, da elevada carga tributária e reclamam dos serviços prestados pelo Estado, nunca considerados satisfatórios. Governantes retrucam dizendo que, sem mais impostos, não têm condições de atender demandas sociais crescentes. Aí a conta simplesmente não fecha.
Ciente deste enrosco, Dilma Rousseff encomendou à sua equipe econômica uma reforma tributária bastante enxuta: fim da guerra fiscal entre Estados, desoneração da folha de pagamento e de investimentos e mais incentivos para pequenos e médios empresários.
Muito mais uma minirreforma tributária, mas talvez a possível, voltada a garantir maior competitividade à nossa economia. Algo que já passou da hora, num mundo cada vez mais acossado pelo avanço dos produtos chineses e seus custos baixíssimos.
Ou seja, agora é quase questão de sobrevivência do crescimento nacional em patamares mais elevados num futuro próximo. Caso contrário, seguiremos patinando.
Até aqui, a negociação está mais centrada na disputa entre governadores e Palácio do Planalto. Os primeiros aproveitando a oportunidade para obter vantagens da União. Faz parte do jogo, mas não pode inviabilizar todo processo.
Os atores envolvidos no debate em curso precisam meditar um pouco mais sobre isso e serem menos imediatistas. Inclusive o Planalto, que já poderia ter encaminhado propostas que dependem apenas dele. Foram promessas da candidata Dilma Rousseff.


CLAUDIO HUMBERTO

“Não há documentos. Os documentos já desapareceram”
MINISTRO NELSON JOBIM (DEFESA) SOBRE OS REGISTROS DOS PORÕES DO REGIME MILITAR

PMDB DISCUTE SUBSTITUIR O MINISTRO DO TURISMO 
A cúpula do PMDB já discute, em caráter reservado, a troca do ministro Pedro Novais (Turismo), diante dos sinais de que sua presença no governo constrange a presidenta Dilma, que desde o início do governo evita recebê-lo. Novais ficou conhecido pelo pagamento de despesas de motel com verbas públicas. A nomeação do ex-deputado Flávio Dino (PCdoB-MA) na presidência da Embratur foi o alerta definitivo para que o PMDB iniciasse as tratativas a fim de sugerir outro nome a Dilma.

ESPAÇO 
O PMDB acha mais importante preservar o Ministério do Turismo para o partido a uma luta inglória pela permanência de Pedro Novais.

VEXAME 
Dirigentes do PMDB temem um vexame: Dilma receber Flávio Dino e continuar se recusando a despachar com o chefe dele, Pedro Novais. 

BRIGA REGIONAL 
Flávio Dino, que assume a Embratur nesta quarta, lidera a oposição ao clã Sarney no Maranhão, do qual participa o atual ministro do Turismo.

OBSTÁCULO 
Para substituir Pedro Novais no Ministério do Turismo, o PMDB precisa da concordância do senador José Sarney, e esta é a parte mais difícil.

GOVERNADORES FAZEM GUERRA VELADA POR ROYALTIES 
Uma guerra discreta pelos royalties do petróleo começa nesta quarta em São Paulo. O governador Geraldo Alckmin recebe o capixaba Renato Casagrande e um representante de Sérgio Cabral (RJ) para esboçar o contra-ataque aos governadores que cobram a distribuição imediata da atual exploração. Amanhã, os governadores Marcelo Deda (SE) e Eduardo Campos (PE), encontram o trio do Sudeste em Brasília.

VETO NA BERLINDA 
O Congresso analisará semana que vem o veto de Lula à Emenda Ibsen, que redistribui equitativamente os royalties da atual exploração.

“PETRÓLEO É NOSSO, MAS... 
Sergio Cabral, Geraldo Alckmin e Renato Casagrande acham que seus Estados são donos dos royalties do petróleo e não admitem a divisão. 

... PODEMOS CONVERSAR” 
Como o veto de Lula pode ser derrubado, os governadores do Sudeste aceitam abrir mão dos royalties futuros, mas não da atual exploração.

CÓDIGO FLORESTAL: CONSENSO 
Senadores rascunham o consenso em torno da polêmica Emenda 164, do novo Código Florestal. O texto regulariza as ocupações em topos de morro e beiras de rio. Para evitar brigas, um substitutivo no plenário vai determinar que ao menos 20% das áreas sejam preservadas.

PREMONIÇÃO 
Ao contrário de Sergio Cabral, o delegado Pinho, linha dura titular da 9ª DP (Catete), não quis saber de Eike Batista. Foi convidado por um policial para conhecer o empresário. Recusou. E transferiu o agente.

SÓ FALTAVA ESTA 
O Itaú Unibanco recebeu prêmio de “sustentabilidade” e “qualidade no relacionamento com o cliente”, apesar de ser campeão em queixas ao Procon e Banco Central. ONGs das áreas vão enviar ao International Finance Corporation, dono do prêmio, um dossiê sobre o banco.

ESTÁ EXPLICADO 
O líder da greve dos servidores de Saúde do DF, cuja média salarial é a maior do País, é um quarto suplente de deputado insatisfeito com a falta de “espaço”, a popular boquinha, no governo Agnelo Queiroz (PT).

A JUSTIÇA TARDA... 
O Tribunal de Justiça do DF condenou Aguinaldo Lélis, ex-secretário, e Luciano Fonseca, ex-diretor da Secretaria de Agricultura do governo Joaquim Roriz. Não poderão exercer função ou cargo público até 2016.

PÕE NA CONTA 
A ministra Mirian Belchior (Planejamento) vai representar a União no conselho de administração da Terracap, a Cia Imobiliária de Brasília. A estatal enrolou, enrolou, e esconde quanto ela vai receber por isso, mas em casos assim o jeton chega a R$ 8 mil por reunião mensal. 

ABUSO NO STF 
Foi ainda pior. A advogada Daniela Teixeira teve suas prerrogativas violadas ao ser barrada pelo doentio Cerimonial, na portaria do plenário do Supremo Tribunal Federal, por se vestir de “forma inadequada”: a manga “muito curta” do paletó deixava desnudos 4 dedos do punho.

PRÉ-PALANQUE 
Ciente de que é candidato ao Planalto, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) assedia políticos de Brasília. Tem cercado o senador Rodrigo Rollemberg 

(PSB-DF). 
E já conversou com gente do PDT-DF.

PERGUNTA ALOPRADA 
Mercadante diz que o escândalo dos aloprados é “fantasioso”. Incluindo a montanha de dinheiro apreendida pela PF com seu assessor? 

PODER SEM PUDOR
AMIGO DO HOMEM 
Roberto Busato era presidente nacional da OAB quando encontrou no aeroporto de Brasília Claudio Fontelles, que acabara de deixar o cargo, em meio a uma crise no governo Lula, e embarcava para Buenos Aires em companhia da mulher. Busato observou:
– Você saiu do governo na hora certa, Fonteles.
O ex-procurador-geral da República, católico praticante, concordou:
– Deus é meu amigo!

QUARTA NOS JORNAIS


- Globo: Com R$ 4 bi do BNDES, surge 3ª maior empresa

- Folha: BNDES libera R$ 4 bi para Abílio comprar o Carrefour

- Estadão: Fusão de Pão de Açúcar e Carrefour pode ter até R$ 4,5 bi do BNDES

- Correio: Servidor só pode ganhar até R$ 26.713

- Valor: Diniz busca R$ 3,9 bi no BNDES para megafusão com Carrefour

- Estado de Minas: Uma multa por minuto

- Zero Hora: Piratini reconquista base e aprova reforma na previdência gaúcha

terça-feira, junho 28, 2011

JOSÉ SIMÃO - Ueba! O Ceni levou 5 frangays!

Ueba! O Ceni levou 5 frangays! 
JOSÉ SIMÃO 
FOLHA DE SÃO PAULO - 28/06/11

O Rogério Senil vai comemorar o centésimo frango! Vai abrir uma avícola! Rarará!

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E a manchete do Twitteiro: "Governo Federal implanta foto de Ideli Salvatti em rede de computadores para espantar os hackers". Rarará!
E este anúncio no dia da Parada Gay: "Rapaz procura outro rapaz que seja parecido com o Brad Pitt no filme "Troia" e que tenha excelente caráter". Ah, peraí, ou é parecido com o Brad Pitt ou tem excelente caráter! Os dois não dá!
E o meu São Paulo? O 5PFC! Levou de cinco do Timão! No dia da Parada Gay! Festival de piadinhas de Bambi! Diz que o time chegou cansado no Pacaembu depois de cruzar a Paulista a pé. E o Rogério Ceni? Ops, Rogério SENIL. O Rogério Chicken! O Rogério levou de quatro. O quinto foi brinde! Rarará!
O Senil vai comemorar o centésimo frango! Vai abrir uma avícola! Vende-se FRANGAYS! Frangays para fregays! Rarará!
E o novo patrocinador do 5PFC agora é aquela lavanderia 5àSec. Isso que é duro: levar cinco a seco! Rarará! E agora o Milan tem o Pato, o Santos tem o Ganso e o São Paulo tem o Frango!
E um amigo meu são-paulino foi pra Parada Gay e arrumou um namorado. Azar no jogo, sorte no amor! Rarará!
E adorei a charge do Amâncio com os hackers invadindo o computador da Dilma na hora que ela tava tomando banho. E gritaram: "FIU! FIU!" Rarará!
E uma senhorinha estava assistindo à Parada Gay quando foi empurrada por um PM e ela disse: "Como você descobriu que eu sou professora?". Rarará!
E o Rogério Senil levou o quinto frango pra livrar o time das velhas piadinhas de levou de quatro. Ou seja, se sacrificou por um bem maior. Rarará! Mas não adiantou porque tão dizendo que ele levou de 4 +1! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
O Brasileiro é Cordial! Mais uma placa do Gervásio na empresa em São Bernardo: "Se eu vir algum acatingado daqui coçando a buzanfa e depois vir me cumprimentar com a mão fedida, vou pegar esse bode cheiroso e jogar ácido sulfúrico na mão até nascer pena e espora de galo. Conto com todos. Assinado: Gervásio". E esta: "Bomba de São João queima casa e carro em Feira de Santana". Qual o nome do bairro? Queimadinha. Rarará.
Nóis sofre, mas nóis goza.

MÔNICA BERGAMO - PASSE LIVRE

PASSE LIVRE
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 28/06/11


 A OAB ameaça tomar medidas judiciais contra a atual gestão do Supremo Tribunal Federal, alegando que ela limita o acesso de advogados aos gabinetes dos ministros. A restrição violaria uma das prerrogativas da profissão, a do livre ingresso a prédios públicos para coleta de provas e informações. Os advogados relatam dificuldades para circular na presidência do STF, consultar autos e receber memoriais.

HORA MARCADA
O STF diz que "não existe dificuldade de circulação" na corte e que desconhece violações às prerrogativas dos profissionais. Afirma que os advogados frequentam livremente as sessões. E diz que basta pré-agendarem audiências que são sempre recebidos pelos ministros.

IRRETRATÁVEL 1
Fernando Henrique Cardoso já declarou que nada muda na sua relação com Tomás, 19, que ele reconheceu como seu filho em 2009. Um exame de DNA mostrou que o jovem não é seu filho biológico. Mas, ainda que quisesse, FHC não conseguiria facilmente mudar a situação jurídica: o reconhecimento de um filho não pode ser revogado. De acordo com o Código Civil, a declaração espontânea de paternidade é irretratável e, por isso mesmo, irrevogável.

IRRETRATÁVEL 2

A jurisprudência brasileira vai além: diz que, se o autor reconheceu o filho formalmente mesmo sendo sabedor da "inexistência de liame biológico", mas deixando evidente a situação de paternidade sócio-afetiva, não pode pretender a desconstituição do vínculo pois essa pretensão se confundiria com um pedido de revogação.

EM TESE

Depois da morte do pai, filhos biológicos podem eventualmente contestar a paternidade declarada. Mas têm que provar que o reconhecimento foi feito mediante coação ou então que o pai estava fora de seu juízo perfeito.

ELE É CRUEL
Elias Andreato dirige a adaptação brasileira da peça "Cruel", do sueco August Strindberg, que teve pré-estreia no feriado. No palco, Reynaldo Gianecchini contracena com Erik Marmo e Maria Manoella. O novelista Silvio de Abreu e as atrizes Vera Holtz e Thaís 00
Os direitos de TV e os patrocínios tomaram o lugar da venda de jogadores como maior fonte de receita do Corinthians, segundo relatório que será divulgado hoje. Em 2007, o time faturou R$ 71,4 milhões (53% do total) com a saída de atletas. Em 2010, essa cifra ficou em R$ 35 milhões, contra R$ 55 milhões vindos da TV e R$ 47,3 milhões dos patrocinadores.

LUZES DA CIDADE

O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) finalmente aprovou o projeto do centro cultural da Nova Luz. A previsão é de que o empreendimento tenha três teatros (um de 1.800 lugares e os outros dois de 600 cada), um restaurante e uma biblioteca. Arquitetado pelos suíços Jacques Herzog e Pierre de Meuron, será a sede da SP Companhia de Dança.

PECHINCHA

Segundo Alckmin, o custo da obra caiu pela metade e sairá por R$ 500 milhões.

MARCHA DOS 100 MIL
A Justiça anulou a decisão em que o cantor Nasi foi condenado a pagar uma multa de R$ 100 mil. Ele teria descumprido proibição de falar de forma ofensiva sobre seu irmão e ex-empresário, Airton Valadão Junior. Nasi pediu uma perícia para provar que não foi o responsável pelas publicações, na internet, que levaram à sentença. Junior vai recorrer.

O RETORNO DE LEA

A modelo transexual Lea T volta hoje ao Brasil. Ela será homenageada na primeira edição do Prêmio Rio Sem Preconceito, que terá show da cantora Bebel Gilberto, a partir das 20h30, no Teatro Oi Casa Grande.

FESTA À MOSTRA

Leon Cakoff, fundador da Mostra Internacional de Cinema de SP, comemorou em casa seu aniversário, neste fim de semana. Foram ao Alto da Lapa dar os parabéns os cineastas Hector Babenco e Laís Bodanzky, a apresentadora Marina Person e o ministro do Esporte, Orlando Silva.

CURTO-CIRCUITO


O Grupo de Mídia SP faz hoje, a partir das 19h, coquetel em sua sede, na Vila Olímpia, para comemorar o dia da mídia e lançar o anuário Mídia Dados 2011.

Amabis lança o CD "Memórias Luso Africanas" em show com participações de Céu, Lucas Santtana eTulipa Ruiz, entre outros. Hoje e amanhã, às 21h, na Sala Crisantempo. Classificação: livre.
A Galeria Impar abre a mostra coletiva "Códigos e Intenções", hoje, às 19h.

"Toquinho - Acorde Solto no Ar", da Coleção Aplauso (Imprensa Oficial), será lançado hoje, às 20h, no MIS (Museu da Imagem e do Som).

Fernando Jaeger abre a exposição "Cor, Materialidade e Sustentabilidade" hoje, no Museu Belas Artes, às 20h.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA, THAIS BILENKY e CHICO FELITTI

DORA KRAMER - Redução de danos

Redução de danos
DORA KRAMER
FOLHA DE SÃO PAULO - 28/06/11

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, comparece hoje (28) ao Senado para falar sobre as acusações de que teria sido o mentor do chamado “dossiê dos aloprados” meio que por sua conta e risco.

Não há uma estratégia montada a partir do Palácio do Planalto nem, em princípio, disposição da bancada do PT de se comportar como tropa de choque.

Os senadores estão prontos a defendê-lo, mas avisam que não será suficiente Mercadante recorrer a evasivas nem alegar que o ônus da prova é de quem acusa ou que a história é requentada.

“Estamos plenamente solidários, mas ele vai precisar ser consistente, contundente e, sobretudo, convincente na demonstração cabal das razões que o fizeram passar incólume por uma CPI e pelo crivo do Supremo”, diz o senador Walter Pinheiro, um dos defensores da tese originalmente levantada por Lindberg Farias, de que a melhor maneira de enfrentar o problema é falar o quanto antes sobre ele.

De preferência na Casa da qual Mercadante fez parte nos últimos oito anos e em ambiente menos acirrado que a Câmara, de onde surgiu o movimento para a reabertura das investigações na Procuradoria-Geral da República e no próprio Congresso.

A ideia de aproveitar um convite feito pela Comissão de Assuntos Econômicos para expor seus planos à frente da pasta e enfrentar logo os questionamentos a respeito da existência de gravações que comprovariam a participação de Mercadante na montagem de um dossiê contra seu então adversário na eleição ao governo de São Paulo (2006), José Serra, é uma óbvia tentativa do PT de esvaziar o movimento dos deputados da oposição.

Antes que o caso ressurja reforçado por fatos novos, ganhe pernas próprias, repita o desastre da estratégia de esconde-esconde recentemente adotada com Antônio Palocci e evolua para caminhos não desejados.

Por exemplo, para a convocação da ex-senadora Serys Slhessarenko e de outros personagens como o ex-diretor do Banco do Brasil Expedito Veloso, o dono das gravações, ou mesmo de integrantes do grupo preso num hotel em São Paulo com R$ 1,7 milhão para a compra do dossiê.

A preocupação maior, na realidade, é com Serys que, no dizer de um senador petista, está “com a faca nos dentes”.

Não sem razão. O mesmo Expedito Veloso, cujas conversas gravadas apontam a responsabilidade de Mercadante no dossiê contra Serra, contou a ela que o ex-deputado Carlos Abicalil, também do PT, engendrou a montagem de um dossiê envolvendo a então senadora em fraudes do Ministério da Saúde e acabou com as pretensões dela de se eleger a governadora de Mato Grosso.

Além disso, Serys foi alvo de um processo de expulsão que acabou lhe rendendo suspensão de um ano do PT, por ter feito propaganda partidária na eleição de 2010 sem incluir o nome de Abicalil como candidato ao Senado.

O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, senador Delcídio Amaral, não recebeu recado algum do Palácio do Planalto sobre a audiência de hoje e do ministro Mercadante ouviu apenas o desejo de comparecer para se explicar e encerrar o episódio.

O líder do PSDB no senado, Álvaro Dias, no entanto, já avisa que a oposição detectou a manobra, não se satisfaz com o depoimento de Mercadante e vai insistir na Câmara em chamar Serys Slhessarenko, Expedito Veloso e a ministra Ideli Salvatti, agora incluída na história como a pessoa que à época, no Senado, ficaria encarregada de dar publicidade ao dossiê dos ditos “aloprados”.

Agenda positiva
O PT informa: não há a menor possibilidade de a presidente Dilma Rousseff mudar de posição em relação ao sigilo eterno aos documentos oficiais classificados como ultrassecretos.
Ela continua apoiando a restrição do sigilo ao prazo máximo de 50 anos. E para deixar isso patente, o governo começou a trabalhar com a possibilidade de antecipar a votação da Lei de Acesso à Informação para do recesso parlamentar de julho.
A decisão é parte do esforço do governo de sair da defensiva e se pôr ao lado das, assim vistas, boas causas.

RENATA LO PRETE - PAINEL

Enviado especial
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 28/06/11

Dilma Rousseff incumbiu Nelson Jobim de informar aos ex-presidentes Fernando Collor, José Sarney e Fernando Henrique Cardoso (Itamar Franco está hospitalizado) que o governo apoiará o fim do sigilo eterno de papeis oficiais, trabalhando para que os aliados referendem, no Senado, o texto aprovado na Câmara.
Com a intervenção do ministro da Defesa, Dilma pretende acalmar Sarney e Collor, que advogaram publicamente a necessidade de manter certos documentos indefinidamente em segredo. No caso de FHC, trata-se de um gesto político. O projeto deve ser levado antes do recesso à pauta do Senado, onde há maioria favorável à abolição do sigilo eterno.

Meteorologia 1
O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse a Dilma que a votação dos destaques do Regime Diferenciado de Contratações, hoje, será longa, mas terminará sem alterações no texto.

Meteorologia 2 
O líder no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou à presidente que só "desinformados" ainda criticam a MP. Ele chamará Orlando Silva (Esporte) para explicar o texto antes da votação final.

A conferir 

Diante do perigo de afrontar o Congresso às vésperas da votação da LDO, há quem aposte que Dilma pode mudar mais uma vez de posição e prorrogar o decreto dos "restos a pagar". A área econômica é contra.

P.S. 
O PSDB ingressa hoje no Ministério Público Federal com adendo à representação que pede a reabertura de investigação do escândalo dos aloprados. A nova peça trata especificamente da suspeita de participação do ex-deputado Carlos Abicalil (PT-MT), hoje secretário do MEC e à espera de indicação para cargo no Planalto.

Camisa 
Cobrança de Geddel Vieira Lima (PMDB) ao conterrâneo e desafeto José Sergio Gabrielli (PT), via Twitter: "A Petrobras dá generoso patrocínio ao River Plate da Argentina. Por que não ao Bahia e ao Vitória?".

Longa data 1 
No círculo próximo de FHC, há quem sempre tenha manifestado a desconfiança de que Tomás Dutra Schmidt, 19, não era filho do ex-presidente, ao contrário do que sustentava a jornalista Miriam Dutra, mãe do rapaz. O ceticismo se mostrou correto por meio de dois exames recentes de DNA.

Longa data 2 
Confrontado com tal dúvida, FHC, que tem ótimo relacionamento com Tomás, sempre rejeitou a ideia de fazer o teste, ao qual se submeteu agora por desejo dos três filhos.

Previsão de alta 
O governo brasileiro foi informado de que Hugo Chávez, ora convalescendo em Havana, estará de volta a Caracas antes do dia 5, quando se comemora o bicentenário da Independência da Venezuela. Na data, acontecerá a Cúpula da América Latina e do Caribe sobre integração e desenvolvimento. Dilma é esperada.

Novo flanco 1
O DEM prepara mais uma etapa de contestação judicial à criação do PSD. Depois das assinaturas, agora a ideia é impugnar as convenções que o partido deve realizar a partir deste fim de semana. O argumento é que, no papel, não há nem sigla nem filiados que legitimem os encontros.

Novo flanco 2 
O ex-deputado Saulo Queiroz rebate dizendo que o PSD cumpre as determinações do TSE.

Visita à Folha Cláudio Puty (PT-PA), presidente da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, visitou ontem a Folha. Estava com Cláudio Camargo e Julio Moreira, assessores de imprensa.

com LETÍCIA SANDER e RANIER BRAGON

tiroteio


"A intimidade entre Sérgio Cabral e os empresários que investem no Rio de Janeiro e em suas campanhas é tão indevida que foi escondida até o limite do possível."
DO DEPUTADO CHICO ALENCAR (PSOL-RJ), sobre o que se descobriu a respeito do governador na esteira do acidente de helicóptero no litoral da Bahia.

contraponto

Continua no próximo episódio

Em recente jantar na casa de José Sarney, as estrelas eram Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais), que formam o novo "núcleo duro" do governo Dilma. Solícitas, as ministras discutiam demandas específicas de um ou outro parlamentar presente, até que um deles cortou a conversa, em tom bem-humorado, usando o jargão do Congresso para definir um discurso já registrado:
-Eu não vou falar mais nada, senão vocês me "dão como lido" e não me recebem mais no Planalto!

GOSTOSA

MIRIAM LEITÃO - O tamanho da sombra


O tamanho da sombra
MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 28/06/11
Uma Argentina ou dois Chiles. É deste tamanho a economia subterrânea no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco) e a Fundação Getúlio Vargas. Por não ser formal, é difícil medir, mas se pode imaginar o mal que ela faz ao país. Segundo estudo que será divulgado hoje, no ano passado ela foi de R$663,4 bilhões ou 18,3% do PIB.

O novo presidente do Etco, embaixador Roberto Abdenur, explica que para se chegar ao número os economistas têm que usar métodos de aproximação. Umas das formas, diz o economista Fernando Holanda Barbosa Filho, é o cálculo pelo mercado de trabalho. Mesmo os trabalhadores informais entram nas pesquisas do IBGE, como a Pnad, que pega todo o Brasil, e a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que é calculada em seis regiões metropolitanas.

- A economia informal deixa vestígios como os do mercado de trabalho e na demanda por moeda, e nós podemos calcular pelo trabalho informal ou pelo método monetário - diz Barbosa Filho.

Por esses vestígios eles vão calculando. É sempre uma medida imprecisa, por sua própria natureza, mas que tem ficado mais sofisticada. No futuro, vai se tentar incluir a renda do capital e estudos por setor econômico e regiões do país.

A boa notícia é que essa economia que eles definem como subterrânea, que inclui "bens e serviços não reportados deliberadamente ao governo", não tem crescido. Ficou estável no ano passado em relação ao ano anterior como proporção do PIB; na série que começa em 2003, o tamanho dessa economia da sombra caiu de 21% para 18,3%. A má notícia é que mesmo num ano de forte crescimento do PIB, 2010, e num período de maior formalização do emprego, o tamanho dessa economia não caiu, mas ficou estabilizada em torno de 18% do PIB.

Uma das razões, segundo Fernando Holanda Barbosa Filho, é que apesar de a PME mostrar uma queda da informalidade no emprego, o dado nacional não tem mostrado uma queda tão forte.

O economista Luiz Schymura explica que o estudo é ferramenta para a organização da sociedade:

- Entramos nessa empreitada com o Etco porque achamos que esse assunto é pouco discutido. Quando o político usa o caixa dois para cobrir gastos de campanha, a sociedade contemporiza; quando ele põe no bolso é que há uma condenação maior. Combater esse jeitinho brasileiro é uma discussão fundamental no Brasil hoje.

Abdenur explica que o Etco não faz lobby; quer apenas estudar, informar, dar às empresas ou ao setor público instrumentos para se criar um melhor ambiente de negócios no combate à pirataria, à sonegação, à concorrência desleal.

Já foram divulgados números até maiores do que este para a economia informal brasileira, mas o Etco e a FGV acham que melhor do que imaginar um número, é calcular, como eles têm feito.

- A economia subterrânea é um sintoma. Não adianta apenas combater. É preciso fazer um esforço de institucionalização do país - disse Marcílio Marques Moreira, também do instituto.

Um exemplo aconteceu na Bahia. O Etco firmou parceria com a secretaria de Fazenda do estado e a Microsoft, que desenvolveu programa que consegue cruzar informações para evitar o falso destino; ou seja a empresa declarar que está vendendo para outro estado para pagar menos ICMS.

- Desta forma se faz o trabalho de investigação atrelado à nota fiscal eletrônica. O ICMS é hoje a maior fonte de sonegação através da simulação do destino. O programa pega esse tipo de sonegação, mas o compromisso com a Microsoft foi que isso fosse compartilhado com outros estados. E está sendo mesmo, agora é o Espírito Santo a implantar o sistema - diz Hoche José Pulcherio, presidente do Conselho de Administração do Etco.

Como economia subterrânea eles definem a produção de bens e serviços que sonega impostos, não paga contribuições para a seguridade social, foge do cumprimento de leis e regulamentações trabalhistas e evita custos do cumprimento de normas.

Mas como em parte é um sintoma, o que eles querem é combater através de diversas formas. Uma delas é simplificar o pagamento de impostos no Brasil. O excesso de normas é um incentivo a que se entre na informalidade ou a que uma empresa formal acabe tendo parte de suas atividades na informalidade.

A confusão é exatamente esta. Não há uma fronteira precisa entre formal e informal, entre legal e ilegal no Brasil. Há subdeclaração de renda. O setor formal fornece para o informal, e se beneficia em parte dos preços mais baixos de fornecedores informais. Ao mesmo tempo é prejudicado pelo concorrente que não paga impostos.

Para desfazer essa teia que foi se formando na economia, pela complacência ou pela complexidade das normas do país, o Etco quer usar os estudos da FGV sobre o tema para mostrar o quanto o país perde. E construir coalizões entre empresas e governo que pressionem a economia para a formalização cada vez maior. Foi o que fizeram com o Ministério da Justiça na luta contra a pirataria e com a Receita e o Cade para combater a concorrência desleal no mercado de cervejas.

MERVAL PEREIRA - Verdes e cidadania

Verdes e cidadania
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 28/06/11
Os 20 milhões de votos que a ex-senadora Marina Silva obteve no primeiro turno das eleições presidenciais do ano passado poderão ser canalizados para um movimento que gestará a formação de um partido alternativo ao Partido Verde com vistas à eleição presidencial de 2014.

A ideia que está sendo amadurecida é lançar um movimento cujo conceito seria baseado em duas palavras: "verde" e "cidadania".

Um movimento político que consiga criar uma capilaridade pelo país todo, com a utilização "intensa e audaciosa" dos novos instrumentos de relacionamento social da internet como o Facebook e o Twitter, inclusive como forma de tomada de decisão com a audiência dos militantes, consolidando uma maneira radical de democracia.

Essa "democracia direta" foi proposta à atual direção nacional do PV, mas a maneira centralizada como o partido está organizado favorece a que ele seja dirigido de forma a reduzir, e não a ampliar, a participação de seus filiados.

Na Câmara existiriam cerca de 20 deputados que estariam dispostos a aderir a um novo partido capitaneado por Marina Silva, mas o entendimento é de que não há tempo hábil para registrar um partido para disputar as eleições municipais de 2012.

Tentar fazer um partido novo de afogadilho poria o risco de ele ter os mesmos problemas que hoje justificam a dissidência dos "marineiros".

Depois das eleições de 2012, o grupo de Marina analisará se há possibilidade de mudança do PV, ou se esse movimento dissidente deve criar seu próprio partido com vistas a 2014.

O movimento será constituído por pessoas que sairão do PV, outras que ficarão no partido, pessoas de outros partidos que comungam ideias semelhantes e mesmo cidadãos sem partido, que buscam uma alternativa nova à maneira de fazer política dos partidos atuais.

O movimento vai apoiar o PV onde de fato ele for "verde" e, em outros lugares, vai apoiar candidatos de outros partidos.

Na análise do grupo de Marina, os problemas detectados não são peculiares ao PV, mas resultantes de uma política que é engendrada pelo sistema eleitoral, pelo clientelismo.

Tudo indica que esteja se aproximando um desenlace da crise, provavelmente na próxima semana, mas os seguidores de Marina não querem repetir as divisões tradicionais dos partidos de esquerda, com grupos falando mal dos outros.

Na definição deles, o que existe é uma imensa energia na disputa interna que precisa ser liberada, criando um movimento na sociedade.

Se não houver o acatamento das condições mínimas exigidas, a tendência é abrir a dissidência. Ao mesmo tempo em que querem dar mais algum prazo para ver se "um mínimo de lucidez se abre na cabeça do Penna e de alguns dirigentes", ainda há consultas e reuniões a fazer, um trabalho de preparação do novo movimento, e estudos jurídicos em relação a quem tem mandato, como o deputado federal Alfredo Sirkis.

Ele gostaria de sair para firmar sua posição de solidariedade a Marina, mas ainda estuda os aspectos jurídicos da questão para não correr o risco de perder o mandato. Fernando Gabeira ficou uma época sem partido, e é possível que Sirkis faça o mesmo se a legislação permitir.

O que está acertado é que uma parte vai sair para claramente afirmar a existência de uma dissidência, até como solidariedade a Marina, porque o tratamento que foi dado a ela pela burocracia dominante no PV é considerado "ignóbil".

Quando ela chegou para o PV, definiu que não poderiam continuar existindo executivas provisórias, formadas pela direção nacional em processo de cooptação, teria que haver um processo democrático, com eleições para a escolha de seus diretórios em todos os níveis, desde a base municipal até a nacional.

Depois das eleições, quando Marina obteve 20 milhões de votos, a Executiva Nacional passou cinco meses sem se reunir, como se quisesse esfriar o movimento que levou o Partido Verde a ter esses milhões de votos.

Na primeira reunião que fez, surgiu a proposta de prorrogar o mandato de José Luiz Penna, que já está na presidência há 12 anos e tem uma maioria clientelista no PV.

Essa estratégia de manter as executivas regionais como "comissões provisórias" é uma maneira de controlar as bases partidárias com pessoas da confiança da direção nacional, que podem perder esse poder local com uma intervenção da Executiva Nacional.

A manobra para manter Penna na presidência foi considerada "uma espécie de tocaia" que fizeram para o grupo de Marina, que é minoritário dentro da estrutura burocrática do partido.

O grupo de Marina sentiu-se traído na medida em que não conseguiu impor ao PV uma nova forma de fazer política.

O que está acontecendo no momento é um embate entre os integrantes da estrutura atual do PV e os que querem mudá-la, abrir o partido para a sociedade.

Há ainda divergências conceituais sobre o movimento ecológico e divergências políticas com setores específicos do partido em Rondônia, Amazonas, Mato Grosso e Distrito Federal, que controlam a sigla e não querem que pessoas mais representativas, ligadas a movimentos ecológicos, cheguem aos postos de comando, para continuarem a fazer acordos políticos até mesmo com forças antagônicas ao movimento ecológico.

Em Brasília, por exemplo, o comandante do PV é um amigo do Penna, e, embora Marina Silva tenha ganhado a eleição presidencial lá, as pessoas ligadas a ela são boicotadas, não são chamadas para as reuniões.

Há comunidades no Facebook "Fora Marina". Na semana passada, a assessora jurídica da Executiva Nacional, Vera Mota, de confiança do presidente José Luiz Penna, deu uma declaração dizendo que Marina tinha que ser processada por haver criticado os dirigentes do partido. E em nenhum momento Vera foi desautorizada pelo partido.

Nada avançou, portanto, no sentido de reformular a estrutura partidária. Ao contrário, há uma atitude de hostilidade a Marina, como se a estrutura atual tivesse ficado com medo dos 20 milhões de votos que ela teve.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Penhora aumenta venda de seguros para diretores
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 28/06/11

Executivos brasileiros compraram mais seguros neste ano para se protegerem da penhora de bens decorrente de dívidas das empresas em que trabalham.
O mercado de seguros D&O (de responsabilidade civil para diretores e administradores) cresceu 19,4% no Brasil no primeiro quadrimestre deste ano, ante o mesmo período de 2010, de acordo com a Susep (Superintendência de Seguros Privados).
No período, os prêmios do setor passaram de R$ 53,1 milhões para R$ 65,9 milhões.
A Itaú Seguros é líder do segmento e foi responsável por 39% das vendas nos quatro primeiros meses deste ano, segundo a Susep.
"O aumento ocorreu, em especial, pela adesão dos executivos de companhias de capital aberto, pois os acionistas estão de olho", diz o diretor da companhia Antonio Trindade.
Empresas estrangeiras que querem vir para o Brasil também impulsionam esse crescimento, segundo Vinicius Jorge, gerente da Zurich Brasil, segundo lugar em prêmios no setor.
Nos últimos anos, juízes têm penhorado bens de diretores de empresas para garantir o ressarcimento dos credores, diz Gláucia Lauletta, sócia do escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados.
"Apesar da grande possibilidade de êxito da defesa, é uma decisão que gera insegurança e constrangimento", afirma a advogada.

Consumo de energia cresce nas indústrias em maio
Após a desaceleração da atividade em abril, o consumo de energia das indústrias cresceu em maio.
O Índice Setorial da Comerc, gestora de energia elétrica, registrou em maio alta de 2,4% na comparação com o mesmo mês de 2010. Em abril, o índice havia tido retração de 1,89%.
"Apesar desse aumento, o consumo de energia ainda está abaixo do esperado pelo mercado para o setor industrial", diz Cristopher Vlavianos, presidente da Comerc.
No segundo semestre deste ano, porém, a tendência é de um ritmo maior do consumo nas indústrias.
"Os pedidos para o Natal devem impulsionar a produção das fábricas, o que deverá elevar o consumo de energia", diz Marcelo Ávila, vice-presidente da gestora.
Se essa recuperação se concretizar, o setor deverá atingir a meta prevista para o final deste ano, de 4%.
Os setores que puxaram o crescimento em maio foram mineração, com alta de 9,51% na comparação com o mesmo mês de 2010, eletromecânica, com 7,94%, e alimentação, com 7,19%.
Novos investimentos realizados na indústria de mineração têm impulsionado o consumo no setor, de acordo com Vlavianos.
O aumento dos pedidos de empresas da área de energia, como máquinas e equipamentos para eólicas, foi o responsável pelo crescimento na indústria eletromecânica.

VEREDA TROPICAL
Um grupo de 14 investidores brasileiros e estrangeiros acaba de criar a marca de protetor solar Sol de Janeiro.
Entre eles estão David Haslingden, presidente da Fox Network, e Simon Clift, ex-diretor global de marketing da Unilever.
O lançamento será na semana que vem e a distribuição começará em setembro. A linha contém 12 produtos de proteção solar e pós-sol.
Os investimentos no produto são de R$ 46 milhões, segundo Marc Capra, sócio-fundador da marca e líder do grupo de investidores.
"O produto reúne ingredientes naturais brasileiros, como açaí, castanha e água de coco", diz Capra.
A produção será terceirizada e ficará a cargo da indústria Bio Products.
Capra afirma negociar a exportação do filtro solar para Europa e EUA em 2012.
"O consumo cresce globalmente. As pessoas percebem a importância de se proteger do sol não só na praia, mas todos os dias."

MÃO DE OBRA MIGRATÓRIA

Os trabalhadores brasileiros estão em quinto lugar na lista dos mais dispostos a deixar seu país por um emprego melhor, segundo pesquisa da consultoria inglesa GfK.
O estudo mostra que 41% dos trabalhadores do Brasil mudariam de país nessas circunstâncias.
Em todo o mundo, 27% dos entrevistados afirmaram que deixariam seus países para garantir uma carreira melhor. Os mexicanos ficaram no topo da lista.
Entre os países ricos, o Reino Unido é o que tem a maior porcentagem da população disposta a se mudar (27%). São 7,6 milhões de trabalhadores. O país ficou em 10º colocado no ranking.
A consultoria aponta que, por causa disso, o país pode ter dificuldades para encontrar mão de obra qualificada já no ano que vem.
A GfK ouviu 30,5 mil trabalhadores de 29 países.

Tanque... 
A Ecofrotas venceu licitação para gerenciar o abastecimento de 5.000 veículos da Sabesp.

...verde 
A empresa de gestão de frotas calcula a emissão de gases-estufa por veículo. A frota se torna mais sustentável e reduz custos. A Ecofrotas tem mais de 6.000 clientes corporativos e projeta faturar R$ 3 bilhões neste ano.

Frutos do mar 
A Vivenda do Camarão vai abrir 12 lojas no segundo semestre, em Vitória (ES), Rio Branco (AC), São Luís (MA), Porto Alegre (RS), RJ e SP. Neste ano, já inaugurou nove restaurantes, incluindo lojas no Pará e na República Dominicana.

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ

VLADIMIR SAFATLE - Ricos pagam pouco

Ricos pagam pouco
VLADIMIR SAFATLE
FOLHA DE SÃO PAULO - 28/06/11
Há alguns dias, uma pesquisa veio mostrar o que todos aqueles que realmente se preocupam com reforma tributária no Brasil sabem: os ricos pagam pouco imposto.
Quem recebe R$ 3.300 por mês, leva para casa, descontados Imposto de Renda e Previdência, 84% do seu salário. Já alguém que ganha R$ 26.600 por mês, leva 74%.
Um profissional holandês, por exemplo, pode contar apenas com 55% de seu salário, e mesmo um norte-americano traz para casa menos que um brasileiro: 70%.
Ao mesmo tempo em que descobríamos a vida tranquila dos ricos brasileiros, chega a notícia de que a quantidade de milionários no Brasil aumentou 5,9% em 2010, atingindo a marca de 115,4 mil pessoas com fortuna de, ao menos, US$ 1 milhão.
O que não deveria nos surpreender. Afinal, vivemos em um país onde o processo de concentração de renda está tão institucionalizado que as classes mais abastadas têm um sistema de defesa de seus rendimentos sem par em outros países industrializados.
Dentro de alguns anos, a chamada nova classe média descobrirá que não conseguirá mais continuar sua ascensão social. Entre outras coisas, ela tomará consciência de como seu orçamento é brutalmente corroído por despesas com educação e saúde.
Um Estado preocupado com seu povo taxaria os ricos e as grandes fortunas a fim de ter dinheiro suficiente para criar um verdadeiro sistema público de educação e saúde.
Por que não criar, por exemplo, um imposto sobre grandes fortunas vinculado exclusivamente à educação? Isto permitiria que essa nova classe média continuasse sua ascensão social.
Tal ascensão seria ainda mais facilitada se a carga tributária brasileira parasse de privilegiar o consumo, e focasse a renda. Uma carga focada no consumo, ou seja, embutida em produtos, é mais sentida por quem ganha menos.
Há pouco, um estudo mostrou como o 0,1% mais bem pago no Reino Unido recebia, em 1979, 1,3% dos salários.
Hoje, recebe 5% e, em 2030, deve receber 14%.
Costuma-se dizer que uma das maiores astúcias do Diabo é nos convencer de que ele não existe. Uma das maiores astúcias do discurso conservador é nos convencer, diante de dados dessa natureza, de que conflito de classe é um delírio de esquerdista centenário.
Mesmo que vejamos um processo brutal de concentração de renda institucionalizado e intocado por qualquer partido que esteja no poder, mesmo que vejamos a tendência de espoliação dos recursos de países industrializados por camadas mais ricas da população, tudo deve ser um complô dos incompetentes contra aqueles que bravamente venceram na vida graças apenas a seu entusiasmo e capacidade visionária, não é mesmo?

BANDIDOS

ELIANE CANTANHÊDE - Fome de vitória

Fome de vitória
ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SÃO PAULO - 28/06/11 

O Brasil era o país mais forte, mas a Espanha tinha o melhor candidato.

E quem ganhou foi o brasileiro José Graziano, eleito no domingo diretor-geral da FAO, braço da ONU para alimentação e agricultura, encerrando o longo jejum de vitórias para organismos internacionais da era Lula.

O Brasil foi derrotado para a direção-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), a chefia da Corte de Apelação da OMC, o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e a Unesco, órgão da ONU para educação, ciência e cultura.

Neste caso, abriu mão de candidato próprio em favor de um egípcio esquisitão — que perdeu.

Por isso, Dilma jogou tudo na eleição de Graziano. Patriota se empenhou pessoalmente, Marco Aurélio Garcia acionou sua rede de contatos, as embaixadas se envolveram, a Agricultura se mexeu, a ministra do Meio Ambiente foi despachada para cabalar votos numa reunião na África.

E Lula não foi à votação em Roma, para não levar tomatada pelo caso Battisti e atrapalhar mais do que ajudar.

Com tudo isso, o resultado foi de final de basquete: 92 para Graziano, 88 para Miguel Ángel Moratinos, ex-chanceler da Espanha.

Por que o Brasil era o mais forte? Porque Lula investiu pesado na inclusão de milhões de pessoas e internacionalizou a bandeira do combate à fome e à miséria.

E por que Graziano não era o melhor candidato? Porque, na prática, o Fome Zero nunca existiu. Era um título bonito, uma peça de marketing, um embrulho vazio.

Tanto que virou sucesso internacional, mas mero selinho no canto do real programa de distribuição de renda, o Bolsa Família, filho direto do Bolsa Escola do governo anterior.

Graziano é até bom sujeito, mas o cargo e o momento mereciam um Josué de Castro, presidente do conselho da FAO nos anos 1950 que morreu no exílio em plena ditadura militar.

Esse, sim, passou a vida dedicado ao combate à fome.