quarta-feira, abril 27, 2011

ANNA RAMALHO - Posição


Posição
ANNA RAMALHO

JORNAL DO BRASIL - 27/04/11

Durante a audiência pública da Comissão de Relações Exteriores, no Senado, anteontem, o professor da PUC/SP, Reginaldo Nasser, declarou:

– O Brasil deve ter uma posição mais assertiva, mas sem ser irresponsável, nessas questões do Oriente Médio. O país teria uma importante missão a cumprir naquela região.

Contraponto

No que, o brilhante embaixador Marcos Azambuja imediatamente reagiu. Ele acredita que o Brasil está correto em sua posição. 

Maior tricô

Na mesma audiência da CRE, outro professor, agora da UNB, também reagiu, queixando-se da participação do Congresso Nacional no rumo da política externa. Outro blá, blá, blá, foi instaurado.

Bullying, não

Presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, a deputada federal Liliam Sá (PR) promove amanhã à tarde, na Câmara, um debate público sobre bullying. O palestrante será o Dr. Aramis Lopes Neto, autor do livro 'Diga não ao Bullying' e membro da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Fraude desumana

O desembargador da 9ª Câmara Criminal, Roberto de Abreu e Silva, manteve a condenação do Banco Itaú em R$ 5 mil, por danos morais, a um cliente que vinha sofrendo débito automático mensal de R$ 33,00 em sua conta benefício de pensão previdenciária de R$ 415,00. 

É pouco, Meretíssimo!

Paulo Oliveira não contratou o empréstimo consignado mas pagou por ele vários meses. Esta é a única fonte de renda do lesado. O magistrado afirmou que, além do defeito na prestação do serviço, a situação dos autos é “vexatória, injuriosa, consubstanciando a lesão de sentimento”.

No front social


Depois de temporada brabeira, volta ao batente a querida Amelinha Azeredo Divino, promovendo o coquetel Dia das Mães na Via Flores da Rua Garcia d’ Ávila. Será amanhã. Todo mundo lá, hein!

Elogio imortal


Colhendo os louros do lançamento de seu último livro, 'O Alto Sertão – Anotações', pela Casa da Palavra, a arqueóloga e professora Maria Beltrão recebeu carta escrita a mão do presidente do Senado, José Sarney.

Por escrito

Encantado com a obra, que considerou “um grande trabalho e valiosa contribuição à arqueologia e antropologia brasileira”, Sarney destacou o trecho que menciona especialmente a “Oração contra mordida de cobra”, uma das muitas crenças e hábitos do nordestino, relatadas no livro.

Madame Eike
Pela primeira vez , o designer Fabrizio Giannone vai lançar sua coleção de bijoux para o mercado nacional apenas no Rio de Janeiro. O motivo? Uma parceria com Flavia Sampaio – madame Eike Batista. Vai daí o coquetel será amanhã na Beaux, a clínica da bonitona, na Barra da Tijuca. 

Poderosos amuletos

Durante o 5º Prêmio APTR , que este ano homenageou Bibi Ferreia, Julia Lemmertz, ganhadora do prêmio de melhor atriz do ano pelo espetáculo "Deus da Carnificina", subiu ao palco do Teatro Carlos Gomes com um vestido e um anel que eram da mãe, a também extraordinária atriz Lílian Lemmertz, já falecida. Quis usar pra dar sorte. E deu.

– Apesar dos muitos anos de profissão, muitas peças na bagagem, sempre existe um desafio, algo a aprender. Nem eu me lembrava que tinha feito tantas coisas, disse Júlia em seu agradecimento.

Raspadinhas


Charles Sá e Natale Gontigo lançam, hoje, na livraria Travessa de Ipanema o livro 'Os Mistérios da Vaidade Humana'. 

Marcelo Alves, da Adma Eventos recebe, também hoje, no Vivo Rio o Prêmio Colunistas Promo de Agência de Eventos do Ano de 2010.

O projeto Câmbio encerra sua ocupação no Teatro Glaucio Gill com o Don’t Cry For Me Festival. São quatro shows, sendo um grátis, nos dias 29 e 30 de abril e 1 e 2 de maio. 

Na busca pela perfeição corporal, a artista plástica Noemi Ribeiro idealizou a exposição 'O que te alimenta...', que será aberta ao público, amanhã, na Galeria da Universidade Cândido Mendes, no Centro.

VINICIUS TORRES FREIRE - A nova classe de partidos médios


A nova classe de partidos médios
VINICIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SÃO PAULO
PSD, afundação tucana e agonia do DEM não são a "crise da oposição", mas o fim de um ciclo na política


AGORA É moda se ocupar da "crise da oposição". Mas ora se trata mais de derrocada do que de crise.
O desmanche ficou apenas evidente devido a acontecimentos como o partido de Gilberto Kassab (PSD), os estertores do DEM-PFL, a afundação da refundação do PSDB, o estupor causado pelo artigo de FHC sobre a desorientação tucana e, enfim, a turumbamba municipal do PSDB paulistano. A crise mesmo começara em 2002, 2003.
Já no primeiro mandato do governo Lula, o PFL (hoje DEM) começou a se desmanchar. Entre um terço e um quarto dos seus parlamentares aderiram aos partidos governistas. O PSDB sangrou menos, mas sangrou. A debandada parecia, ou talvez fosse mesmo, a debandada típica dos períodos de troca de governo.
Poderia ter sido esse o caso se a oposição tivesse algum projeto para 2006. No caso, o projeto poderia ser apenas do PSDB, pois o DEM-PFL jamais conseguiu nem ao menos passar-se uma maquiagem de "direita orgânica".
Mas o PSDB não tinha projeto. Esperava que o governo caísse de podre, mas não teve coragem de dar um piparote na podridão quando a oportunidade apareceu, na crise mensaleira, na segunda metade de Lula 1 (2005-2006). Tucanos e a elite que jamais tolerou Lula não tiveram coragem de enfrentar o lulismo-petismo. Ficaram com medo das ruas.
A oposição não teve o que dizer mesmo em 2006, quando o crescimento econômico era pequeno e o governo estava na lama. Renegou o governo FHC. Não tinha discurso, programa, base social. Não inventou quadros ou lideranças novos. Seus líderes mais jovens e potenciais candidatos a presidente são vácuos em termos intelectuais e políticos.
A oposição teve ainda menos o que dizer depois do "milagre do crescimento", dos anos de PIB melhorzinho (mas inédito), da inflação baixa e da "pax luliana", os variados acordos de Lula, pactos que ofereciam de benefícios sociais vários a grandes subsídios a empresas, passando pela trégua com a finança e pela reorganização da propriedade da grande empresa.
Essa foi a crise. Mas a crise acabou. O que se chamava de oposição praticamente desapareceu. O PSDB e seu possível enxerto marginal, o DEM, correm o risco de se tornarem apêndices da "oposição intestina". Isto é, o grupamento de partidos que cava favores em governos: PMDB, PSB, PDT, PSD, PTB etc.
Apesar do esvaziamento ideológico e político do PSDB, trata-se do único partido relevante que ainda tem trejeitos de oposição: não está no governo e, em tese, ao que parece, não concorda com o modo petista de governar e pensar. Mas, de tão vazio de ideias e conexões sociais e políticas, por ora resta-lhe apenas a esperança de que o governo Dilma dê com os burros n"água. Que perca o controle da inflação e/ou tenha de recorrer a um arrocho forte a fim de evitar tal descontrole. Isso ou uma crise internacional horrível.
A isso chegamos.
Curioso é que o PT também corre riscos nesse processo de cristalização de agências de fisiologia que são os partidos da "base governista". Sob Lula 1 e agora, o PT evitou receber adesistas. Terceirizou o inchaço do governismo por meio de partidos de aluguel. Agora, pode ficar muito menor que o conjunto das suas criaturas, a "nova classe de partidos médios", e que o PMDB.

MÔNICA BERGAMO - CAMINHO DAS ÍNDIAS


CAMINHO DAS ÍNDIAS
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 27/04/11

Paula Braun passou três meses na Índia para fazer o filme "O Sonho Bollywoodiano", que estreia na sexta. "O mais difícil lá é ser mulher numa sociedade patriarcal. Quando saía sozinha era um evento, todos olhavam." Seis meses após o nascimento de Flora, sua filha com Mateus Solano, Paula se prepara para voltar aos palcos.

CRISE NO NINHO
Mais uma defecção bombástica pode explodir no PSDB: Ricardo Montoro, filho do ex-governador Franco Montoro, manifesta extremo desconforto na legenda. Como Walter Feldman, ele também apoiou a eleição de Gilberto Kassab contra Geraldo Alckmin à prefeitura em 2008. Agora, ocupa o cargo de vice-presidente da Cohab.

CAMINHO
"Evidentemente não estamos confortáveis no PSDB. Sentimos falta de conversa e de democracia. Está faltando diálogo. Não sou chamado para reuniões e conversas, para me opor ou para concordar." Questionado se deixará a legenda, ele afirma: "Quero tomar uma atitude prudente. Estou refletindo. Mas que não estou confortável no partido, não estou".

CONSULTA
Franco Montoro fundou o PSDB e é considerado um símbolo do partido, o "pai" de lideranças como FHC e José Serra. E sua família é militante histórica da legenda. "Por isso mesmo, vou fazer consultas, dentro e fora da família, para tomar uma atitude com mais consciência", diz Ricardo Montoro.

PRIMEIRA MÃO

Lula foi avisado em primeira mão que Gabriel Chalita seria lançado pré-candidato a prefeito de SP pelo PMDB. Michel Temer enviou o ministro Wagner Rossi, da Agricultura, para uma conversa com ele em SP. Lula disse, segundo um dos presentes, que enquanto PT e PSDB brigam, o PMDB lança um nome novo e com pouca rejeição nas pesquisas.

EXCLUSÃO

E Chalita está contratando advogados em Brasília para alegar, naJustiça Eleitoral, que está saindo do PSB por sofrer discriminação no partido. Além de ser preterido em cargos no Congresso, ele não apareceu no programa de TV da legenda neste ano.

FOCO
Megafundos de investimentos árabes estão de olho no Brasil. O ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) recebeu anteontem o príncipe Waled Al Mokarrab Al Muhairi, presidente do Fundo Soberano Mubadala, de Abu Dhabi. Ouviu que eles têm US$ 13 bilhões para investir no país, nas áreas de óleo e gás, alumínio, semicondutores, de infraestrutura e aeroespacial.

MAIS AO NORTE
A fotógrafa Bianca Cutait lançou anteontem o livro "9.357 km de Segredos pelo Maranhão"; estavam entre os que foram ao prédio da Fiesp seu pai, o médico Raul Cutait, o maestro João Carlos Martins, o empresário Paulo Skaf e o político Gabriel Chalita.

FESTA NAS BANCAS

A modelo Luisa Moraes e o empresário Mario Bernardo Garnero foram à festa de lançamento da revista "Status", anteontem, na Casa Fasano. A publicação, da Editora Três, volta a circular nesta semana, depois de 24 anos longe das bancas.

AO SOM DE CLAPTON
Eric Clapton desembarca no Brasil em outubro. O guitarrista inglês se apresenta no dia 6 de outubro no espaço da Fiergs, em Porto Alegre, no dia 9 de outubro, no HSBC Arena, no Rio, e no dia 12 de outubro, no estádio do Morumbi, em SP. A última turnê de Clapton no país aconteceu em 2001.

CESTA CHEIA
O São Paulo deve dobrar a arrecadação com a cessão de direitos de transmissão do Brasileirão, que acertou com a TV Globo. Diretores do clube foram informados de que a emissora pagará algo como R$ 70 milhões até 2014, contra cerca de R$ 35 milhões do último contrato.

RETA FINAL
De acordo com um diretor, a assinatura com a TV Globo ontem dependia apenas de "pequenos detalhes".

COMO ESTÁ

E os clubes foram informados por CBF e Globo que não haverá mudanças na forma nem no regulamento dos campeonatos até o fim dos contratos, em 2014.

SÃO PAULO VANZOLINI
Em show que comemorou seus 87 anos, no sábado, Paulo Vanzolini distribuiu "presentes" pela MPB. Disse que Pixinguinha era "pessoa detestável" e que Caetano Veloso "é o maior trapalhão da música brasileira" por ter, segundo ele, cantado uma música sua sem dar crédito, há trinta anos. E se recusou a falar de Toquinho. "Tenho meus problemas com ele."

FRAUDE NA TRILHA

O músico André Moraes afirma que o homem que desviou R$ 128 mil do Ecad recebeu 85% do valor dos direitos autorais pela trilha sonora de "O Homem que Desafiou o Diabo", que Moraes assina. Seu prejuízo, só com esse filme, é de cerca de R$ 15 mil. Moraes acionou gente do ramo e diz que chegou ao paradeiro de Milton Coitinho: ele estaria em Las Vegas (EUA) vivendo com outro nome.

DOBRADINHA
Seu Jorge e Sandra de Sá cantarão juntos no Theatro Municipal do Rio, no dia 17 de maio, em show da ONG Childhood Brasil.

FESTA NAS BANCAS

A modelo Luisa Moraes e o empresário Mario Bernardo Garnero foram à festa de lançamento da revista "Status", anteontem, na Casa Fasano. A publicação, da Editora Três, volta a circular nesta semana, depois de 24 anos longe das bancas.

CURTO-CIRCUITO


A festa beneficente da amFAR, que levanta fundos para pesquisar a Aids, acontece amanhã na casa de Felipe Diniz, no Jardim Europa. Haverá show de Jennifer Hudson.

Lu Monteiro lança coleção de inverno, hoje.

Syomara Crespi e Mariana Berenguer lançam hoje coleções de joias na galeria Luisa Strina. Às 17h.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA, THAIS BILENKY e CHICO FELITTI

MIRIAM LEITÃO - Visão parcial


Visão parcial
MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 27/04/11

O governo tem um diagnóstico parcial da inflação e todos, inclusive o Banco Central, estão incentivando uma perigosa interpretação de que a inflação subiu no mundo inteiro e que o Brasil não está tão mal assim. Parecem não ter entendido que o país tem uma história diferente na relação com esse problema. Não demonstram perceber o risco da reindexação.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e o ministro Guido Mantega estavam completamente afinados, mas quem mudou o discurso foi o BC para afinar o coro com a Fazenda; quando o ideal é que houvesse sim um coro afinado, mas com a Fazenda entendendo mais decisivamente a parte que lhe cabe nesse combate, que só funciona em várias frentes.

Para o ministro da Fazenda, "o Brasil não está mal na foto" quando se trata de inflação. A taxa está no teto da meta e vai superá-la em breve, mas a "foto" que ele se refere é que relativamente a outros estamos bem. Tombini tombou na mesma direção e deu números em transparências que mostravam os outros: Reino Unido, 4%; Índia, 8,8%; China, 5,4%. Vários países com metas explícitas já ultrapassaram a meta. Outros, sem metas, estão com taxas altas.

- A inflação é tema de debate internacional. Nos nossos encontros de banqueiros centrais é assunto recorrente - disse Tombini.

Essa ideia de que se os outros podem, também podemos, elide o fato de o Brasil ter convivido por 30 anos com uma superinflação indexada, e o risco é fortalecer os mecanismos de indexação ainda presentes. Tombini apresentou um mapa-múndi com todos os números e cores para confirmar o diagnóstico de que é um fato mundial. Admitiu que há "outros componentes", como uma inflação de serviços, mas que também seriam "comuns a outros países emergentes", que retomaram o crescimento mais rapidamente e por isso têm uma inflação maior.

O diagnóstico não está errado, mas é parcial. Ao ser parcial, pode errar no remédio. Houve aumento forte nos preços das commodities após a crise de 2008, puxado principalmente pelo crescimento da China e afetado por problemas climáticos. Mas não é só isso que explica a alta de preços. No Brasil, ela foi alimentada com aumento forte do gasto público, incentivo ao crédito e ao consumo que não foram suspensos no momento certo, por motivos políticos. O país já havia saído da recessão, mas o governo por imprudência ou cálculo político manteve os gastos e os incentivos fiscais em 2010.

O ministro Guido Mantega disse que o governo fez "uma redução significativa" dos gatos públicos e deu os números: as despesas aumentaram 19,3% em 2010 e vão aumentar 7,1% este ano. Trocando em miúdos, o que o ministro está admitindo é que num ano em que o país crescia fortemente, ele estava fazendo uma política pró-cíclica, elevando as despesas em quase 20%. Aumentar gasto em ano de crise, faz sentido; mas quando a economia já está acelerada, é uma forma de contratar mais inflação. Em 2011, as despesas serão maiores do que as do ano passado em outros 7,1%. "Não devemos poupar armas, devemos usar todas as armas possíveis contra a inflação, sejam monetárias ou fiscais", disse Mantega. Palavras fortes, mas que não convencem quando se comparam com os dados que eles mesmos divulgam. O governo fará superávit primário porque está arrecadando mais e não por corte de gastos. Apenas o ritmo de crescimento das despesas é que foi reduzido.

A ideia de que o atual grupo no poder é inventor de uma nova fórmula econômica atravessou o governo Lula e continua sendo proclamado pela presidente Dilma.

- Nós todos aqui presentes sabemos que o Brasil passou e passa por um novo momento na sua história. Nós mudamos, de fato, os caminhos do desenvolvimento. Quando nós assumimos, de uma forma muito especial, a convicção de que não havia contradição entre desenvolvimento econômico, distribuição de renda e inclusão social, nós mudamos os caminhos que o país tinha traçado até então - disse a presidente.

Isso fica ótimo em campanha eleitoral, mas dado que ela já nos governa há quatro meses pode restabelecer a verdade histórica. Quem dizia que havia essa contradição - e que era preciso fazer o bolo crescer para depois dividir - era o então ministro, hoje aliado do governo, Delfim Netto, nos anos 70. Não foi o governo atual, nem o de Lula, que inventou a inclusão. Basta olhar as estatísticas de redução da pobreza pós-estabilização e qualquer economista constatará que o círculo virtuoso começou na estabilização. A inflação, como se sabe, tem o poder perverso de tirar renda exatamente de quem tem menos. Por isso, não se faz distribuição de renda em meio à inflação alta, o que a torna o grande inimigo de qualquer projeto de inclusão.

Para ficar claro que o governo atual tem a mesma visão partida da história recente do Brasil, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, começou sua explicação com uma série de dados bons que chamou de "conquistas da sociedade brasileira nos últimos dez anos." Então fomos informados de que a virtude começou há dez anos. Pena que esse tempo não inclua um dos momentos importantes do processo que foi a introdução da política de metas de inflação em 1999, na qual Tombini teve participação.

GOSTOSA






MERVAL PEREIRA - Promessas de campanha


Promessas de campanha 
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 27/04/11

A tentativa de transformar a gestão pública em algo mais transparente e acessível ao escrutínio do cidadão comum está no cerne de várias propostas em discussão hoje no país, desde a nova lei de acesso a documentos públicos - que deve ser sancionada pela presidente Dilma Rousseff no próximo dia 3 de maio, Dia internacional da liberdade de imprensa - até a criação do Conselho de Gestão e Competitividade, ligado diretamente à Presidência da República, coordenado pelo empresário Jorge Gerdau.

A eficiência de cada setor governamental será medida pelo estabelecimento de metas a serem cumpridas, como se cada ministério assinasse com a Presidência da República um "contrato de gestão".

Segunda-feira estive na Escola de Políticas Públicas da UCAM falando sobre essas e outras iniciativas que estão sendo tomadas para superar as deficiências de nosso sistema de governança, numa palestra cujo tema era "Déficits da Democracia Brasileira: Transparência no Setor Público e Impunidade dos Crimes de Corrupção".

Citei o livro "Corrupção e democracia no Brasil, a luta pela responsabilização", de Timothy J. Power, diretor do Centro Latino-Americano da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e Matthew M. Taylor, professor da USP, lançado pela editora da Universidade Notre Dame dos Estados Unidos. Os autores afirmam que a corrupção no Brasil é sistêmica e alimentada pela impunidade, afetando a eficácia da gestão pública.

Mesmo que o brasileiro ainda considere a democracia como o melhor sistema político, como mostram diversas pesquisas, a confiança nas instituições está em declínio nas últimas décadas, pois elas não são capazes de identificar os culpados ou de puni-los.

Apesar de tudo, na avaliação dos autores, o país tem tido uma evolução nessa questão desde a redemocratização, com vários sistemas anticorrupção tendo sido criados, como a Controladoria-Geral da União (CGU) ou pela atuação da Polícia Federal e do Ministério Público, cujas funções foram ampliadas na Constituição de 1988. Ressaltei apenas que em muitas ocasiões esses órgãos politizaram suas ações, mas o saldo é claramente positivo.

Também a atuação da sociedade civil, através de várias ONGs, e as denúncias através da imprensa livre têm tornado o combate à corrupção mais visível para a sociedade.

A impunidade, no entanto, continua sendo tão danosa às instituições quanto a corrupção em si mesma, pois corrói a confiança na classe política e no sistema democrático.

Iniciativa para tentar superar essas deficiências está sendo apresentada esses dias em Brasília por Oded Grajew, ex-assessor especial do presidente Lula, um dos criadores do Fórum Social e coordenador da ONG Rede Nossa São Paulo.

A proposta prevê o estabelecimento de um Programa de Metas para todo o País, baseada na ideia de metas de gestão, tornando-a mais eficiente e responsável.

A legislação é inspirada na que foi adotado em Bogotá, na Colômbia, e foi muito importante para que a cidade saísse de uma situação precária em que se encontrava no auge do combate ao narcotráfico.

A proposta de emenda constitucional dá instrumentos para que o eleitor acompanhe de maneira mais objetiva a gestão, e obriga a que o mandatário defenda projetos mais realistas, tenha mais cuidado com a propaganda sem conteúdo.

Repete a experiência pioneira lançada na cidade de São Paulo, que Grajew considera um marco na história da democracia brasileira.

No momento, aliás, o prefeito Gilberto Kassab está às voltas com o não cumprimento de algumas metas apresentadas, muitas das quais, como zerar o déficit de creches, têm mais base no marketing da campanha eleitoral do que na capacidade real de serem realizadas.

De acordo com a proposta de Grajew, o presidente da República, governadores e prefeitos, eleitos ou reeleitos, apresentarão à sociedade civil e ao respectivo Poder Legislativo o Programa de Metas e Prioridades de sua gestão, até 90 dias após a posse, que discriminará expressamente: as ações estratégicas, os indicadores de desempenho e as metas quantitativas e qualitativas para cada um dos setores da administração pública direta e indireta por unidades regionais de planejamento e desenvolvimento, observando, no mínimo, os objetivos, diretrizes, ações, programas e intervenções estratégicas e outros conteúdos conexos, apresentados como propostas da campanha eleitoral devidamente registradas no órgão eleitoral competente.

É uma iniciativa semelhante a já adotadas, desde os anos 80 do século passado, por países pioneiros como a Austrália e a Nova Zelândia, mas sem dúvida é uma novidade entre nós, tanto do ponto de vista puramente administrativo quanto político.

O país ainda tem poucas experiências no sentido de tratar o dinheiro público com base em boa gestão, previsão orçamentária e acompanhamento de metas e desempenho, medidas adotadas na maior parte dos países chamados desenvolvidos para tornar o Estado mais eficiente.

Pesquisa do Banco Mundial em parceria com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne os países mais desenvolvidos, mostra que a maioria deles inclui dados de desempenho não financeiro em seus orçamentos, sendo que alguns possuem até mesmo mecanismos formais para premiar os funcionários públicos, com a combinação entre desempenho, metas atingidas e bônus salarial.

A proposta da Rede Nossa São Paulo, no entanto, peca pela tentativa de impor, dentro da emenda constitucional, as metas que considera importantes serem atingidas, assumindo um papel que não é o seu, ou seja, determinar um verdadeiro programa de governo.

Com o agravante de que, entre as propostas, estão algumas promessas que dificilmente poderão ser cumpridas, fugindo justamente ao que pretende combater.

Está na emenda constitucional a promessa de promover a "universalização do atendimento dos serviços públicos com observância das condições de regularidade; continuidade; eficiência, rapidez e cortesia no atendimento ao cidadão; segurança; atualidade com as melhores técnicas, métodos, processos e equipamentos; e modicidade das tarifas e preços públicos que considerem diferentemente as condições econômicas da população".

Um marqueteiro populista não encontraria melhor mote para uma campanha eleitoral.

RENATA LO PRETE - PAINEL


Lé com cré
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 27/04/11

No entorno de Geraldo Alckmin, firma-se a convicção de que José Serra não seria "apenas espectador" da debandada de tucanos rumo ao PSD de Gilberto Kassab. Não que se atribua ao ex-governador a coordenação de todos os movimentos em curso ou, antes disso, a elaboração de um plano para desidratar seu próprio partido. Alckmin e aliados, porém, acreditam que Serra não somente sabe mais do que aparenta sobre as negociações conduzidas pelo prefeito de São Paulo como, em pelo menos alguns casos, foi consultado e pouco ou nada fez para evitar a dissidência.

Run, Forest!
Guilherme Afif passou os últimos dias "fugindo" do palácio. Esperava sobreviver no cargo ao menos até sexta, quando anunciaria com Alckmin investimento de R$ 470 mi de uma indústria japonesa de vidros em Guaratinguetá.

Clipping 

Ontem, antes de ser chamado ao Bandeirantes, o vice dizia desconhecer a degola iminente: "Fico sabendo pela imprensa". Alckmin, por sua vez, sempre se queixou de ter sido informado pelos jornais da saída de Afif para o PSD.

Idas... 
Convidados por alckmistas a integrar a Executiva municipal do PSDB, os vereadores tucanos Adolfo Quintas e Claudinho voltaram a ser abordados por emissários de Kassab para deixar a sigla, o que elevaria a oito as baixas na bancada.

...e vindas 
Mensagem dos novos donos do PSDB paulistano aos secretários tucanos de Kassab: quem se sentir incomodado na prefeitura poderá migrar para o governo estadual. Ocorre que o maior desconforto dos secretários é com os alckmistas.

Limites 
O presidente do PSDB local, Julio Semeghini, nega a intenção de contestar o acordo que prevê apoio do partido à administração Kassab: "Acredito que nossa bancada será respeitada".

Não é por aí 1 
Na longa reunião de anteontem no Planalto, Dilma Rousseff jogou um balde de água fria no entusiasmo da Secretaria da Aviação Civil com o projeto do aeroporto cem por cento privado em Caieiras, na Grande São Paulo.

Não é por aí 2 
Lembrando das dúvidas que pairam sobre a topografia do local e a proximidade, segundo alguns excessiva, com Cumbica, a presidente sinalizou que Viracopos deve ser o foco do governo federal como terceiro aeroporto paulista.

Santinho! 

Com gripe e tudo, Dilma estava tinindo, atalhando falas, cobrando explicações e exortando ministros e demais auxiliares a examinar a situação dos principais aeroportos "in loco", e não "com os olhos da burocracia da Infraero".

Palavra mágica 
Quando alguém ponderou que haverá resistência corporativa na Infraero a muito do que o governo pretende fazer, a presidente respondeu: "Do outro lado estará toda a classe média brasileira".

Veja bem 
Do ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), sobre a precariedade das condições de trabalho na Foxconn em Shenzhen, na China: "A empresa já tem mais de 5.000 funcionários no Brasil. Ela sabe quais são as regras de produção e emprego no país".

Cuidados 
Na visita que fará amanhã ao Rio, há chance de Dilma se encontrar com José Eduardo Dutra, que se licenciou da presidência do PT para tratar da saúde. Anteontem, Lula procurou tranquilizá-lo. Disse que viajará pelo país "a serviço" do partido.

com FÁBIO ZAMBELI e ANA FLOR

tiroteio

"Feldman está colhendo o que plantou em 2008, quando traiu o partido e Alckmin. Sua raiva ao sair do PSDB é choro de viúva. Um derrotado nas urnas atacando um vencedor."
DE ORLANDO MORANDO, LÍDER TUCANO NA ASSEMBLEIA, sobre o secretário municipal Walter Feldman, que responsabiliza o governador pela crise da sigla.

contraponto

Ladeira acima

Na tentativa de chamar a atenção de Dilma Rousseff com protestos em Brasília, integrantes de associação de ex-funcionários da Aeronáutica empurravam ontem o ônibus que os levara até o Planalto. Alguns reconheceram Alexandre Padilha (Saúde), que passava pelo local, e pediram sua interferência para serem recebidos pela presidente. O ministro se justificou:
-Mas não estou mais nas Relações Institucionais...
Um dos manifestantes logo sugeriu:
-Então pelo menos nos ajude a empurrar o ônibus!

DORA KRAMER - Malha fina eleitoral


Malha fina eleitoral
DORA KRAMER
O ESTADO DE SÃO PAULO - 27/04/11
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ricardo Lewandowski, recebeu ontem e encaminha hoje à Procuradoria-Geral da República e aos tribunais regionais eleitorais informações da Receita Federal sobre as doações de pessoas jurídicas e físicas às campanhas eleitorais de 2010.

Os dados mais relevantes dizem respeito às doações de pessoas jurídicas: de um universo de 20 mil doadores, quatro mil ultrapassaram o limite permitido por lei que é o de 2% do faturamento bruto da empresa no ano anterior à doação. No caso de pessoas físicas, o limite é de 10% do rendimento bruto do contribuinte.

O TSE não revela ainda quais os candidatos beneficiados, mas sabe-se que na malha fina estão campanhas federais e estaduais - de presidente a governadores, senadores e deputados.

Tanto doadores quanto receptores ficam, a partir do momento em que as informações chegarem ao Ministério Público, passíveis de processos. As empresas podem ser multadas no valor equivalente ao mínimo de cinco e ao máximo de 10 vezes a quantia excedente ao permitido por lei.

Além disso, podem perder o direito de participar de licitações e de fazer contratos com o poder público pelo prazo de cinco anos.

Os candidatos beneficiados pelas doações ilegais podem responder a processos por abuso de poder econômico, cuja pena máxima é a cassação do registro da candidatura e consequente perda de mandato com suspensão do direito de se candidatar por três anos.

Nos próximos dias, quando as informações já estiverem em poder da Procuradoria-Geral e dos TREs, será possível conhecer os detalhes do material encaminhado pela Receita ao TSE.

Os processos judiciais demoram, mas não custa lembrar que recentemente houve punições por abuso de poder econômico com a cassação do mandato de prefeitos, vereadores e governadores.

O trabalho conjunto da Receita Federal com a Justiça Eleitoral pode não solucionar definitivamente o problema de ilegalidades nas doações de campanha, mas de todo modo ao menos cria um espaço crítico para a dissolução do nefasto dogma segundo o qual nesse setor a infração é a mãe da necessidade, todos fazem e, por isso, a prática deve ser aceita.

Fogo fátuo. Assunto encerrado: a ideia de se promover uma fusão entre PSDB e DEM está fora de cogitação pelo menos até a eleição de 2012.

Depois que o senador Aécio Neves, inicialmente um defensor da fusão, declarou nesta semana que o melhor é preservar a aliança, mas conservar a independência das legendas, o plano foi abandonado e as especulações devidamente desautorizadas.

A fusão vinha encontrando pesadas resistências no PSDB, notadamente entre os políticos ligados ao ex-governador José Serra devido à rejeição a uma convivência sob o mesmo teto com o ex-presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia, visto como um fator permanente de desestabilização da candidatura Serra durante a campanha presidencial.

Havia também problemas regionais que impossibilitariam a parceria de grupos antagônicos, como os dos deputados ACM Neto (DEM) e Jutahy Magalhães (PSDB) na Bahia, do governador Marconi Perillo (PSDB) e do deputado Ronaldo Caiado (DEM) em Goiás e de Onyx Lorenzoni (DEM) e Yeda Crusius (PSDB) no Rio Grande do Sul. Nenhum deles entregaria nem se submeteria ao comando do adversário.

Isso, para citar só alguns casos, já levaria a nova formação a iniciar os trabalhos em ambiente de pesados atritos.

Nenhuma vantagem, portanto, principalmente para os tucanos cuja crise interna é grave, mas não tão periclitante quanto a situação do DEM.

Os democratas, por sua vez, perderiam o tempo de televisão a ser negociado das eleições e, mais importante, estariam abrindo mão do fundo partidário de R$ 12 milhões até 2010 e de R$ 20 milhões para este ano. Soma considerável para ser desprezada assim de uma hora para outra.

A desistência do projeto de fusão produz um momento de rara unidade no PSDB que enfrenta uma péssima fase em São Paulo fonte de sua principal força política há 16 anos.

POBRE E BURRO

CARLOS MELO - Para compreender o governo Dilma


 Para compreender o governo Dilma
CARLOS MELO

O Estado de S.Paulo - 27/04/11

O governo Dilma notabiliza-se por negar hipóteses e afastar neuroses vinculadas à desconfiança ancestral do que poderia ser "um governo do PT de verdade"; afinal, ao longo do tempo, o voluntarismo e a pirotecnia retórica do partido deram margem a todo tipo de fantasias. Mas para quem se cercou de análises isentas não há surpresas: não é nem poderia ser um governo de malucos; o espaço para aventura é exíguo e os limites do possível, estreitíssimos. A marca do governo está antes no comedimento do que na ousadia.

Ainda assim, ultrapassados os primeiros meses, chega o tempo de superar impressões superficiais e compreender autenticamente esse governo. Em estilo, Dilma nada tem que ver com Lula. A imprensa faz comparações, mas, além de estimular a bile do ex-presidente, pouco acrescenta. As condições gerais do mundo, da economia, do governo e até os atores mudaram bastante. Mesmo Lula, num imaginário terceiro mandato, estaria recorrendo à "metamorfose ambulante" para justificar mudanças de estratégia.

No mundo em que Dilma governa, as relações entre política e economia são distintas. Desde 2008 os pilares ideológicos da liberdade que o mercado julgava ter estão sendo minados. Fragilizado econômica e politicamente pela "exuberância irracional" que produziu, o mercado pagará agora em perda de autonomia e influência, ao menos até que o ciclo se esgote (se é que se esgotará) e fiquem, então, os Estados novamente tutelados pelo cálculo econômico.

Fundamentalistas podem não se conformar e até reagir, instabilidades e incertezas não lhes agradam. Não agradam a ninguém. Mas as lições e as normas dos livros-texto serão questionadas. Nova realidade se impõe: a política recriou asas e, neste momento, tem as rédeas. O processo só não é mais agudo porque a situação fiscal europeia serviu de alerta e freio.

Para governos e políticos, todavia, 2008 foi uma janela de oportunidade que lhes permite, agora, alterar métodos, além do prazer de medir forças. Busca-se retomar o protagonismo perdido, testar elasticidades, tensionar sem romper, estabelecer novos limites. O governo Dilma desfruta, assim, autonomia incomparavelmente maior do que Lula, na maior parte de seus mandatos. E, até porque os tempos são outros, além disso, a presidente exerce o mando de modo mais discreto, porém mais incisivo e menos conciliador que seu antecessor.

Desse modo, ao lado dessa mudança mais geral, uma compreensão mais autêntica do governo exige um olhar também sobre sua composição política estrutural. A variedade e a heterogeneidade de grupos e interesses econômicos ali alojados compreende um todo contraditório, formado por fundos de pensão, bancos, agronegócio, empreiteiras, construtoras, exportadores, parceiros econômicos novos e antigos, centrais sindicais, movimentos populares, funcionalismo e uma miríade de partidos políticos acéfalos e desgastados.

Não há força hegemônica que se imponha sobre as demais, como, no passado, o poder do mercado financeiro definia regras, métodos, instrumentos e até personagens, como Armínio Fraga e Henrique Meirelles. O que é um problema, pois tudo fica mais opaco e indefinido, a volatilidade tende a aumentar e faz o governo caminhar de sombrinha na corda bamba de pressões opostas, de consensos rasos, como "o maior crescimento com a menor inflação". Frase fácil, quase um sofisma; equação de difícil equilíbrio. Embora tão desejável quanto um paraíso de ninfas, é também tão romântica quanto a paz mundial: ninguém é contra. O diabo é fazê-lo diante de dilemas falsos ou verdadeiros: crescer menos e controlar a inflação ou deixar rolar o crescimento, nem que seja à custa de "um pouquinho de inflação"? O câmbio é algoz da competitividade ou bastião da estabilidade? Gastar "menos" ou apenas gastar "melhor"? Ajuste fiscal, cortes de investimentos ou redução dos custos com dívida e reservas?

Tão amplo e variado é o bloco no poder deste governo que as respostas dependem menos de convicção que de viabilidade, coragem para fazer escolhas, habilidade para desgostar parceiros e atenuar consequências. Modelos clássicos como instrumentos únicos parecem viver seu esgotamento, se não prático, ao menos político. A elevação de juros e a apreciação da moeda, por exemplo, deixam de ser as primeiras e certamente não mais serão as únicas ferramentas de combate à inflação.

Num ambiente em que a contribuição de cortes fiscais é ao mesmo tempo dolorosa e limitada, qual alternativa? A politicamente possível. E o possível nem sempre é o tecnicamente correto, o abstratamente desejável. O possível é o produto de um jogo de pressões, de um campo em disputa.

Esse produto, ainda em gestação, não se define por consenso, mas por arbitragens e, no limite, pela crise. Sua ausência e o vácuo criado em razão disso paralisam, ao mesmo tempo que incentivam experiências e/ou paliativos, que só se revelarão paliativos (se o forem) no médio prazo.

Daí as tais medidas macroprudenciais. Daí a escolha de um "Banco Central técnico", não alinhado. Daí a demora na definição de uma agenda reformista clara, viril e concreta. Daí a administração de interesses e contradições. Daí o esticar de cordas, os testes de elasticidade das resistências, a tentativa de harmonizar ou arbitrar diferenças. Daí uma presidente que se recolhe, mexe peças, estuda o tabuleiro. Joga xadrez e esquece o calor do futebol.

Foi-se o tempo de imposições, sejam do governo, sejam dos fortes. Ninguém mais é tão mais forte que os demais. Nesse conjunto de forças fragmentadas e diluídas, a política faz-se muito mais necessária. Ela, contudo, altera ritmos, tempos, movimentos. Exasperam-se os ansiosos. Certo ou errado? Não vem ao caso.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE


Novos tempos
SONIA RACY
O ESTADO DE SÃO PAULO - 27/04/11

A cúpula da Assembleia de Deus, a maior igreja pentecostal do País, decidiu: aceitará que seus pastores se divorciem.

Mas apenas em caso de traição ou por desejo da mulher.

Partido virtual
Que ninguém perca tempo convencendo o PSDB a achar que a internet é importante para divulgar ideias ou se ligar à militância. Nem o site nacional nem o paulista publicou até hoje uma linha sobre sua grave crise interna.

O paulista, recheado de inaugurações e críticas ao PT, registra apenas a eleição de Julio Semeghini para presidir o diretório, ocorrida em 11 de abril - sem dizer que isso foi o estopim da crise. E o nacional traz um texto em que Aécio Neves nega que haja uma guerra interna na legenda. Publicado no dia... 30 de novembro de 2010.

Partido 2

Zé Henrique Reis Lobo tem dito que não há mais espaço no PSDB para pessoas com o perfil conciliador como o dele.

Lobo empenhou-se na tentativa de entendimento entre Serra e Sérgio Guerra, e no acordo que permitiria a participação dos vereadores na Executiva do partido na capital, para evitar que eles deixassem a legenda. Não foi bem sucedido.

Me incluam fora
Apesar de ser considerado forte "prefeiturável" do PT em 2012, José Eduardo Cardozo decidiu: está definitivamente fora da disputa paulista.

Já seu colega Aloizio Mercadante pensa no aviso dado por Dilma: quem sair para se candidatar não poderá voltar.

Sem-teto
Por falar em Dilma, a presidente desistiu de ir ao Vaticano para a beatificação de João Paulo 2°. O que deixou assessores de Michel Temer de cabelo em pé. Escolhido para representar o Brasil, o vice embarca amanhã e sua equipe está tendo dificuldades em conseguir hotel e montar a estrutura necessária. Roma estaria lotada.

A embaixada também?

Pródigo

É quase certa a reintegração de Delúbio Soares ao PT.

Inflamável
O Itamaraty, o Instituto Rio Branco e dois anexos do prédio do Ministério das Relações Exteriores não passaram na avaliação do Corpo de Bombeiros. Terão que ser reformados.

Escondidinho

Milagre: Ronaldo conseguiu passar dias de paz na Páscoa. Não foi assediado na Estrela d"Água, em Trancoso.

Dó menor
Julio Medaglia foi demitido ontem pela manhã da Rádio e TV Cultura, conforme antecipado no blog da coluna. O maestro era responsável pelo programa de calouros de música erudita. E na rádio, mantinha um programa diário. Segundo o maestro, depois de 24 anos de trabalho, a Fundação Padre Anchieta levou um minuto e meio para demiti-lo. "O João Sayad me chamou e me disse: obrigado pela sua colaboração", lamenta.

Sol maior
O que fará o maestro? Pretende tocar seu projeto em São Bernardo do Campo: está formando ali uma orquestra. "Não dependo da Cultura para viver. Machucado hoje, só meu coração".

Ré, mi, fá

João Sayad explica que a TV Cultura colocará no lugar de Medaglia, cinco jovens maestros em novo formato. "Ele fez muito, foi pioneiro e pode voltar". Conta que pediu ao maestro para que apresente um projeto de programa seu para 2012.

Ação entre amigos
Em clima "lá em casa", a coluna presenciou o encontro de Dominguinhos com Lenine, anteontem, no quintal da casa de Mariana Aydar, na Vila Madalena, em São Paulo. Motivo? As gravações do documentário em homenagem ao sanfoneiro, Dominguinhos Volta e Meia.

Dirigido por Felipe Briso e produzido pela Big Bonsai, o longa irá contar a história do compositor e registrar saborosas tertúlias entre o músico e seus colegas "Lenine e Dominguinhos é um encontro de improviso maravilhoso", afirmou Eduardo Nazarian, idealizador do projeto junto com Mariana e Duani. "Se ensaiássemos, não ficaria melhor. Cada um tem sua história, mas ambos têm esse DNA da improvisação em comum", acredita.

Sentados no jardim, antes de entrar no estúdio para gravar quatro canções, os músicos empolgaram os privilegiados que puderam assistir ao encontro e se emocionaram ao lembrar de clássicos de Ary Barroso e Jackson do Pandeiro: "Toda vez que eu encontro com esse homem, lembro de coisas que só ele me faz lembrar. É pura memória", elogiou Lenine. E arrematou: "Dominguinhos fez uma escola. Conseguiu adequar a sanfona não só à música nordestina, mas a qualquer tipo de som. Isso é pura arte".

Bem-humorado e com piadas na ponta da língua, Lenine terminou sua participação concluindo: "Essa é uma turma do bem. Porque sabe celebrar o que é bom".

MARILIA NEUSTEIN

Na frente

Daniel Piza lança em maio Dez Anos que Encolheram o Mundo. Pela Editora LeYa.

Mais uma casa noturna inaugura em São Paulo hoje. O Tonk Club, ao lado do Instituto Tomie Ohtake.

Paulo Mercadante Jr. abre hoje mostra de fotos. No Club Athletico Paulistano.

Bia Doria lança livro dia 3. Na Livraria da Vila do Shopping Cidade Jardim.

A BM&FBovespa abre exposição e lança o livro A História Política do Dinheiro. Amanhã, no seu espaço cultural.

Monica Vendramini e Pablo di Giulio abrem a galeria FASS, com exposição de Jean Manzon. Amanhã, na Vila Madalena. Já a Galeria Marilia Razuk inaugura mostra de Fábio Miguez.

Lu Alckmin lança hoje, por meio do Fundo Social de Solidariedade, cursos de moda. Desempregados receberão bolsa-auxílio de R$ 210 e auxílio transporte.

Ana John discoteca na festa 2meetu. Com direito ainda a pocket de Anna Gelinskas no Dorothy Parker. Hoje.

A brincadeira que circulava no Conselhão ontem era que Moreira Franco apareceu preparado para receber o afago de Dilma: com penteado sem um fio fora lugar.