sexta-feira, janeiro 21, 2011

MÍRIAM LEITÃO

Nos extremos
MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 21/01/11


Dois economistas me disseram nos últimos dias que o mundo está vivendo extremos. Só um deles falava do clima. Alguns países estão crescendo fortemente, como a China, que não conseguiu desacelerar; outros estão em crise, da qual ainda não se viu a luz no fim do túnel. Alguns, gelados, outros, superaquecidos, economicamente falando.

Mas a vida de extremos, seja no clima, seja na atividade econômica, está afetando a economia. José Roberto Mendonça de Barros, que me falou dos efeitos climáticos, e Armínio Fraga, que me falou dos níveis polares de ritmo da economia do mundo, apontaram para a mesma direção: o aumento da inflação.

Outro economista com o qual conversei, Luiz Roberto Cunha, me falou dos efeitos nos preços da tragédia da Região Serrana do Rio. Ainda que nem tudo vá para os índices, pelo sistema de pesos, os consumidores estão sentindo já os aumentos de preços de alimentos.

Mas como se faz com uma inflação de tão amplo espectro? Basta subir os juros? No clima, às vezes fenômenos diversos se somam. Segundo me explicou recentemente o meteorologista Marcelo Seluchi, a Zona de Convergência do Atlântico Sul produziu um aumento da umidade, a Região Serrana já é normalmente nebulosa, e o Sistema de Bloqueio, outro fenômeno, impediu, por alguns dias, que o que é vulgarmente chamado de frente fria se espalhasse.

Na economia, está assim: a inflação sobe, puxada por fatores externos como a alta de preços de commodities; alguns alimentos aqui sobem - ou caem pouco apesar de ter terminado o período da entressafra, como a carne -; a demanda cresce puxada por salários e crédito farto; os preços dos serviços que não enfrentam competição externa sobem mais fortemente; o governo expande muito seus gastos. Mesmo se fosse um aumento de despesas relacionado a investimento, antes de ser crescimento ele será mais demanda agregada. Mas o aumento foi principalmente de gastos de custeio encomendados no ano passado, com a leniência do Ministério da Fazenda, que não apenas dizia não haver relação entre gasto público e inflação, como mudou números e fórmulas de cálculo das contas públicas para que elas parecessem mais equilibradas do que estão.

Tudo isso se juntou a outro fato: a mudança de governo. Os empresários, pressionados por pedidos de aumentos de salários dos funcionários, que estão sendo disputados por outras empresas, e por elevação de alguns custos, olharam para o Banco Central. A inflação em 12 meses está mais perto do teto do que do centro da meta. Pelo regime de metas, o BC teria que subir os juros. Se ele não subisse, o radar da economia captaria o seguinte sinal: o governo Dilma não está disposto a pagar o preço de manter a inflação baixa. Isso afetaria o clima econômico. O empresário repassaria seus custos para os preços com mais um percentual de expectativa de alta de inflação; o seguinte, na cadeia de produção, também aumentaria. O atacado exigiria mais do varejo. O varejo subiria os preços ao consumidor.

Mais do que ter um efeito de derrubar a inflação no curto prazo, o que o Banco Central está tentando é alterar o ambiente econômico, cujo clima estava mudando na direção de mais aceitação da inflação.

A Fiesp disse que foi um mau começo. O que seria um bom começo? Aceitar que a inflação continuasse subindo numa virada de governo, com dúvida sobre se o Banco Central, que não é autônomo na lei, teria autonomia de fato - como nos dois últimos governos - para perseguir a meta de inflação?

Os juros produzem efeitos perversos na economia. O mais imediato deles é mandar para o câmbio o sinal oposto do que se quer enviar. Ontem, a economista Monica de Bolle disse que o Copom está "entre o câmbio, objetivo que não quer ter, mas que também não pode perder, e a inflação, cujas rédeas não pode soltar. Nem afrouxar." O câmbio em queda ajudou a segurar a inflação, mas derrubar o dólar não é o objetivo do Banco Central. O Relatório de Inflação de dezembro, lembra Monica, disse que não havia pressões inflacionárias vindas de fora. O cenário mudou e elas começaram a vir.

José Roberto Mendonça de Barros lembrou que o Índice da FAO que mede os preços de uma cesta de alimentos está nos mesmos níveis de 2008, na crise de preço de alimentos. Outros medidores têm indicado isso também.

A elevação dos juros no Brasil pode aumentar o fluxo de capitais para o país. O jornal inglês "Daily Telegraph" disse que o presidente do Banco Central brasileiro, Alexandre Tombini, inaugurou sua gestão tomando uma decisão que pode aumentar a inundação de dólares especulativos (hot money). A elevação dos juros pode provocar uma "tsunami" nessa entrada de dólares, diz o jornal. O Brasil não é o único a subir os juros. China e Índia também fizeram, assim como outros emergentes. O problema é que no Brasil os juros já são altos demais, o que faz o país cada vez mais atrativo para o capital que quer vir apenas por curto prazo. Para sair desse sistema de bloqueio, só havendo uma zona de convergência entre a política fiscal e a monetária. Sozinho, o BC não consertará a economia.

Por falar em consertar. Ontem, no texto que escrevi sobre a vida de Ramiro Saraiva Guerreiro, houve um erro. O nome do livro é "Lembranças de um empregado do Itamaraty". Minhas desculpas. Conheço bem o livro e o tempo que ele relata, período que fiz a cobertura do Itamaraty.

PROSTITUIÇÃO INFANTIL

ROGÉRIO L. FURQUIM WERNECK

Sobrecarga fiscal e visão de futuro

Rogério L. F. Werneck

O ESTADO DE SÃO PAULO - 21/01/11

A preservação do atual regime fiscal, que há mais de 15 anos vem exigindo aumento sem fim da carga tributária, põe em risco a sustentação do dinamismo da economia brasileira. Se não for possível conter a expansão do gasto público dos três níveis de governo, o aprofundamento requerido da extração fiscal acabará por sufocar aos poucos o crescimento econômico do País. São conclusões que advêm da análise agregada dos dados. Mas essa perspectiva do problema pode e deve ser complementada por visões mais específicas, microeconomicamente, de como a sobrecarga fiscal, que hoje recai sobre a economia brasileira, conspira contra o futuro do Brasil.

Estima-se que a carga tributária bruta esteja hoje em torno de 35% do PIB. Mas isso é apenas uma média. Há segmentos da economia que arcam com taxação muito mais pesada. A carga fiscal que recai, por exemplo, sobre serviços de telecomunicação e certos produtos importados é muito maior. E deixa patente a deplorável visão de futuro que permanece entranhada no sistema tributário brasileiro.

No Rio de Janeiro, o ICMS onera os serviços de comunicação em quase 43% (alíquota "por fora"). Em São Paulo, em 33,3%. E ainda há de se ter em conta todos os outros tributos que incidem sobre o setor de telecomunicações e acabam repassados, em boa parte, às tarifas. Em 2005, a carga tributária do setor, estimada com base nas contas nacionais, correspondia a mais de 57% do valor dos serviços.

É curioso que, nesse quadro de absurda sobrecarga fiscal, o governo ainda esteja em busca da razão primordial pela qual a disseminação do acesso à internet em banda larga avançou tão pouco até agora. É lamentável que o País esteja entrando na segunda década do século 21 com tributação tão escorchante de serviços de telecomunicação, tendo em vista sua crescente importância econômica e social.

Desde a Constituição de 1988, quando passaram a cobrar ICMS sobre tais serviços, os Estados vêm mantendo uma extração fiscal extremada no setor, tirando o melhor proveito possível das exíguas possibilidades de sonegação que lhe são inerentes. No tempo em que telefone era considerado "coisa de rico", ainda havia quem se dispusesse a arguir que essa taxação tão pesada estaria contribuindo para tornar a carga tributária menos regressiva. Mas já não há mais qualquer espaço para esse tipo de argumento.

O quadro mudou da água para o vinho desde a segunda metade dos anos 90. Na esteira da privatização, o acesso ao telefone vem sendo universalizado. Há hoje mais de 190 milhões de aparelhos celulares no País, 82% pré-pagos. É sobre o povão, portanto, que boa parte da sobrecarga fiscal vem recaindo. Por outro lado, as comunicações passaram a abranger uma gama de serviços muito mais complexos que vão muito além da velha telefonia. O que se vê agora é o País taxando pesadamente seu futuro.

A mesma visão de futuro equivocada e arcaica que permanece entranhada na tributação das telecomunicações fica também evidenciada na taxação de certos produtos importados. Basta ver o que vem ocorrendo com dois produtos emblemáticos das novas tendências tecnológicas na área de informática. Os chamados tablets, como o iPad, da Apple, e os leitores de livros digitais, como o Kindle, da Amazon.

Um levantamento recente constatou que, entre 20 países pesquisados, é no Brasil que o iPad é mais caro (O Globo, 9/1/2011). Após a incidência de seis tributos, o produto chega ao consumidor brasileiro 84% mais caro do que nos EUA. Já o Kindle, que nos EUA custa US$ 189, pode ser entregue no Brasil se o cliente estiver disposto a arcar com um frete de US$ 20,98 e encargos fiscais que a própria Amazon estima em nada menos que US$ 199,73. O que perfaz um total de US$ 409,71. São níveis de tributação completamente injustificáveis, fora de qualquer padrão de razoabilidade, advindos de um juggernaut arrecadador que avança como autômato, alheio ao processo de modernização do País.

ROGÉRIO L. F. WERNECK É ECONOMISTA, DOUTOR PELA UNIVERSIDADE HARVARD, É PROFESSOR TITULAR DO DEPARTAMENTO DE
ECONOMIA DA PUC-RIO.

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Caiu na rede
RANIER BRAGON- interino
FOLHA DE SÃO PAULO - 21/01/11

Sob nova direção, a Secretaria de Comunicação da Presidência vai mudar o comando do Blog do Planalto, criado em agosto de 2009 como uma espécie de "diário virtual" de Lula. O editor, Jorge Henrique Cordeiro, responsável por responder com acidez a internautas e ironizar reportagens dos principais veículos de comunicação -sempre em nome do blog-, passará o cargo ao jornalista Roberto Cordeiro.
Desde a posse de Dilma Rousseff, a página amenizou o tom, adotando uma linha mais institucional. O governo admite "mudança de linguagem", mas atribui a troca de comando à praxe administrativa.
Regional Por ordem de Dilma, a pulverização das verbas de publicidade vai continuar. De 2003 a 2010, subiram de 499 para 8.094 os veículos de comunicação que recebiam os recursos.

Vigília 
Inconformada com o gabinete que lhe foi destinado no Senado, Marinor Brito (PSOL-PA) avisou que pretende acampar em frente ao gabinete de José Sarney (PMDB-AP), em protesto. Ela quer espaço maior e mais perto do plenário.

Fumaça 
O Senado oferece em sua página um "guia do parlamentar" que contém a generosa lista de benefícios do mandato. Apesar do avanço da comunicação e de cota específica para gastos com Correios, persiste verba mensal de R$ 960 a cada um para envio de telegramas.

Volta ao mundo
 
Pelo documento, o novo senador também é informado que terá combustível suficiente para percorrer cerca de 250 km por dia com o carro oficial.

Capital 
Tendo praticamente vencido as resistências partidárias à sua candidatura à presidência da Câmara, Marco Maia (PT-RS) divulgou ter recebido ontem o apoio de Paulo Skaf (PSB), presidente da Fiesp. A ala empresarial da Câmara torce o nariz ao petista por sua ligação com o sindicalismo.

Ventos 
Na disputa entre Marta Suplicy (PT-SP) e José Pimentel (PT-CE) pela vice-presidência do Senado, aliados da ex-prefeita contabilizam baixas nos votos que ela tinha e dizem que o adversário voltou a figurar como favorito. A escolha do partido ocorre na quinta.

Lotação 
Um curioso notou: a romaria de políticos no gabinete do vice-presidente Michel Temer (PMDB) é igual ou maior da que visita o articulador político do governo, Luiz Sérgio (PT).

Caneta 
Dilma avisou a aliados que pretende manter Cândido Vaccarezza (PT-SP) na liderança do governo na Câmara, a despeito de pressões de alas do PT para emplacar outro nome.

Curto... 
O presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, descartou ontem a possibilidade de prorrogação por mais três meses do contrato com a TV Assembleia, o que ameaça o emprego de 85 funcionários da entidade que atuam na emissora do Legislativo paulista.

...circuito 
O tucano Barros Munhoz, que preside a Casa, estuda a hipótese de licitar o serviço de operação da TV ou promover uma contratação direta em caráter emergencial -nesse caso, a instituição favorita é a Fundap, mantida pelo governo.

In loco
 
Reunida com dirigentes dos movimentos sociais que cobram ação do Estado na reforma agrária, a secretária de Justiça de SP, Eloísa Arruda, se disse disposta a ir ao Pontal do Paranapanema para ouvir os sem-terra e mediar conflitos do "janeiro quente".
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

Tiroteio
"Nem a oposição está tratando a Dilma com tanta dureza quanto as centrais sindicais. Dá para entender?"
DO DEPUTADO ANDRÉ VARGAS (PT-PR), sobre as críticas públicas de sindicalistas à postura do Planalto na negociação sobre o valor do salário mínimo em 2011.

Contraponto

Logo aliApesar de a Secretaria de Desenvolvimento Metropolitano de São Paulo ter como foco de atuação apenas as regiões da Grande São Paulo, Campinas e Santos, o titular da pasta, Edson Aparecido, tem recebido em seu gabinete prefeitos de várias partes do Estado, com pleitos diversos. Dias atrás, um integrante de um grupo da região de Presidente Prudente -558 a oeste da capital- sacou o seguinte argumento após ouvir o aviso sobre a limitação de atuação do órgão:
-Pedimos pela região "metropolitana" de Prudente!

GOSTOSA

VINICIUS TORRES FREIRE

Juro, dólar e o silêncio dilmiano
VINICIUS TORRES FREIRE

FOLHA DE SÃO PAULO - 21/01/11

Alta de juros deve solapar parte das medidas contra a valorização do real adotadas no final do governo Lula

DESDE QUE ficou "combinado" o aumento de pelo menos 1,5 ponto percentual da taxa básica de juros, o real voltou a se valorizar em relação ao dólar. Ou melhor, firmou-se num degrau mais alto de valorização. Pode ter sido só coincidência, pois o câmbio tem mumunhas.
Ainda assim, excetuadas outras alterações maiores na política econômica ou na economia mundial, a alta contratada da Selic vai compensar parte do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras de outubro passado. No caso dos investimentos de não residentes ("estrangeiros") em renda fixa, o IOF passou de 4% para 6% em 18 de outubro. É verdade que o IOF já havia subido de 2% para 4% 15 dias antes, mas o fato mesmo de ter havido uma rodada dupla de aumento indica que o IOF a 4% parecia inócuo mesmo para os economistas do governo Lula, que são praticamente os mesmos do governo de Dilma Rousseff.
Lembre-se ainda que o governo tomou outras medidas com o fim de reduzir as apostas de queda do dólar, no mercado futuro, uma das quais na prática entra em vigor apenas em abril. No entanto, tal iniciativa tampouco manteve o dólar na casa do R$ 1,70, aparentemente um nível que causa alarme no governo federal. Além do mais, há a ameaça de que o Tesouro, por meio do Fundo Soberano, compre dólares. Isto é, estão ainda apenas engatilhadas algumas das balas contra a valorização adicional do real.
Porém, se a diferença das taxas de juros no Brasil e no resto do mundo pode mesmo influenciar ainda mais a valorização da moeda brasileira, há uma pressãozinha adicional na praça. O mercado na prática por ora acredita que a rodada de aumento de juros iniciada na quarta-feira será de pelo menos dois pontos percentuais, talvez dois e meio, embora a maioria das melhores projeções de economistas de bancos e consultorias ainda esteja na casa de ponto e meio. Mas há cada vez mais contratos apostando na queda do real no curto prazo, e o dinheiro grosso voltou a entrar no Brasil, talvez até devido à boateira que se voltou a ouvir a respeito da possibilidade de o governo tomar outras medidas relativas ao câmbio.
No mais, os fatores mais genéricos, digamos, a influenciar a alta do real continuam onde faz tempo estão. O governo Dilma ainda não fez nenhum anúncio ou deu qualquer indício claro de como vai conter o crescimento do gasto público. Mesmo que os resultados fiscais de janeiro venham "duros", com muito contingenciamento, tal número sozinho não vai fazer o verão da responsabilidade fiscal dilmiana.
O front externo estará sujeito aos solavancos recorrentes da crise da dívida europeia, mas por ora a coisa anda calma, e seria preciso um tropeço feio de um país PIIG para que o real balançasse, o que de resto não seria boa coisa de modo algum.
Os preços das commodities continuam subindo em direção aos recordes de 2008, o que ajuda a reduzir a velocidade do aumento do deficit externo brasileiro, aumento que, muito rápido, poderia ser um alertazinho sobre o fim próximo da valorização do real. O deficit de 2010 foi menor que o da maioria das previsões devido ao aumento do preço das commodities, que exportamos (como minérios e comida).
O silêncio do governo Dilma continua a deixar a praça do mercado meio desnorteada.

ILIMAR FRANCO

Puxando o tapete
ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 21/01/11

Contrariando desejo de renovação da presidente Dilma Rousseff, o governador Cid Gomes (CE) quer manter Roberto Smith na presidência do Banco do Nordeste. Anteontem, entregou ao ministro Antônio Palocci (Casa Civil) documento da bancada do Ceará pedindo por Smith. Nele também indica Cesar Pinheiro, ligado ao senador Eunício Oliveira (PMDBCE), para o Dnocs. O cargo é hoje ocupado por Elias Fernandes, indicado pelo líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN).

Segundo escalão
Está chegando ao final a negociação para dar ao PSC um cargo no governo Dilma. O partido vai ficar com a Secretaria de Habitação ou com a de Programas Urbanos, no Ministério das Cidades. O presidente do partido, pastor Everaldo, conversou ontem com o ministro Mário Negromonte. “Só queríamos isonomia com o PCdoB, que tem 15 deputados e um ministério. O PSC votou quatro anos com o governo e não tem um contínuo”, disse o pastor. O PSC elegeu 17 deputados.

Colômbia
Para entrar no Mercosul, como está sendo negociado, a Colômbia terá que sustar acordos comerciais com os EUA e sair do Pacto Andino. Isso não seria um obstáculo, já que seus principais parceiros comerciais são Venezuela e Brasil.

Um ministério para a juventude
Cerca de 50 entidades, ONGs e movimentos ligados à juventude entregam hoje, na Secretaria Geral da Presidência, uma carta aberta para a presidente Dilma Rousseff. Nela, reconhecem iniciativas do governo Lula mas cobram novas políticas públicas para os jovens. Uma das reivindicações é que a Secretaria Nacional da Juventude tenha “status ministerial”, a exemplo das secretarias de Igualdade Racial e da Mulher.

Agenda conjunta

A ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) procurou o ministro Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário) para propor ação conjunta. É consenso: sem regularização fundiária não dá para reduzir o desmatamento nos assentamentos. 

A briga dos Zés: Serra X Dutra

Começou com José Serra criticando, no Twitter, a situação da economia e o governo Dilma. “Economia brasileira hoje: inflação em alta déficit sideral do balanço de pagamentos nó fiscal carências agudas de infraestrutura Tudo isso produzido no governo Lula-Dilma e deixado para o governo Dilma. Ou não?”. O presidente do PT, José Eduardo Dutra, reagiu com ironia, também no Twitter. “Deve ser por isso que a oposição ganhou a eleição”. E o senador eleito Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) se meteu: “Inacreditável! Para o presidente do PT, a vitória eleitoral absolve erros e falcatruas. É o mesmo padrão que se repete”.

O vice só age por delegação da presidente (Dilma Rousseff). Alguém escreveu: ‘O Michel Temer tem prestígio, mas não
tem caneta’. É verdade. Eu não avanço o sinal” — Michel Temer, vice-presidente

O MINISTRO Antonio Patriota (Relações Exteriores) pediu ontem a Luiz Sérgio (Relações Institucionais) pressa na votação, pelo Senado, de lei que muda a remuneração do Paraguai pela energia produzida pela Usina Binacional de Itaipu. A Câmara já aprovou.

JÁ PASSOU pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado emenda do senador Francisco Dornelles (PP-RJ) que institui o “distritão”, que acaba com eleição proporcional para deputado. 

ANIVERSÁRIO. Na última terça-feira, 18, fez um ano que o ex-presidente Lula da Silva parou de fumar.

BRASIU: O PUTEIRO 2

WASHINGTON NOVAES

Clima - as cidades não podem esperar mais
Washington Novaes 
O Estado de S.Paulo - 21/01/11

Postos mais uma vez, de forma dramática, diante da questão das inundações nas áreas urbanas, os habitantes da Grande São Paulo - assim como fluminenses, cariocas, mineiros e outros -, aturdidos, perguntam-se o que se fará, o que os espera, se o que prometem governos e autoridades será capaz de evitar repetições e agravamentos.

O autor destas linhas escreve há pelo menos 30 anos sobre mudanças climáticas e "eventos extremos" - como dizem os especialistas. Constata que tiveram e têm razão os cientistas que advertiram sobre a gravidade progressiva previsível. E vê que, do ângulo do poder, a visão não foi e não é essa: em geral, os desastres são encarados como fenômenos episódicos, excepcionais, sem a gravidade progressiva. Mas essa visão não corresponde ao que acontece no mundo, onde a cada ano centenas de milhões de pessoas são vítimas desses fenômenos e os prejuízos materiais crescem na casa das centenas de bilhões de dólares anuais. Em 2010 foram 950 "catástrofes naturais" no planeta. No Brasil, o balanço de 2010 (Estado, 6/1) é de 473 mortes em 11 Estados, 7,8 milhões de pessoas afetadas pelos desastres em 1.211 municípios, 101,2 mil desabrigados por eles (agora, mais de 700 só na Região Serrana do Rio de Janeiro). O Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) identifica no País 500 áreas de risco e 5 milhões de pessoas expostas.

Talvez uma das maiores evidências desse comportamento possa ser vista nas mais recentes inundações na cidade de Goiás, que é patrimônio cultural da humanidade declarado pela Unesco - e onde se repetiram agora, em grau menor, as enchentes de 2002 no Rio Vermelho. Naquela ocasião, o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Históricos (Icomos), da Unesco, fez uma série de recomendações. Hoje se verifica que nada foi seguido.

Não são diferentes os casos atuais em outros lugares. Já em meados do ano passado o IBGE dizia (Estado, 21/8/2010) que só 6,1% dos municípios acompanhavam índices pluviométricos e adotavam comportamentos compatíveis. Em quase todos a situação era semelhante: bueiros obstruídos, ocupação intensa e desordenada do solo, lixo entupindo a drenagem urbana, etc. Dois meses depois (27/10), este jornal noticiava que o Sistema (estadual) de Previsão e Alertas sobre Enchentes falhara e não previra (duas horas antes, como deveria) o transbordamento de um ribeirão em Americanópolis, com vítimas de morte. Um mês antes, a Prefeitura dissera que a cidade estava "bem preparada para enchentes" (21/9). Mais curioso, na mesma notícia, é as autoridades municipais dizerem: "A atual gestão já encomendou pesquisas que indicam nova temporada de chuvas fortes a partir de dezembro". De fato, neste janeiro, só até dia 11 caíram 221,2 milímetros de chuva, 93% das esperadas para o mês todo, de 239 milímetros (12/1). Melhor nem falar no Estado do Rio, onde, segundo o coordenador da Defesa Civil, caíram na Região Serrana 260 milímetros em 24 horas, ou 260 litros de água por metro quadrado de solo.

E que poderia acontecer, se nos Rios Tietê e Pinheiros se acumulam 4,2 milhões de metros cúbicos de sedimentos e outros detritos, suficientes para encher 350 mil caçambas? Que pensar, se no desassoreamento do Rio Tietê e aprofundamento da calha já foi aplicado mais de R$ 1 bilhão? Só se pode lembrar o que há anos já dizem técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente: com mais de 30 córregos e rios sepultados, sedimentos continuarão a ser carreados para o Tietê, incluindo os depositados nas cabeceiras.

Há poucos dias, o Centro Democrático dos Engenheiros de São Paulo lançou manifesto em que lembra ser a causa principal dos problemas "a ocupação de áreas inundáveis de córregos e rios", isto é, de áreas de inundação natural, periódica e previsível. Para isso contribuíram tanto a especulação imobiliária como populações carentes. E se somaram a erosão, dispersão do lixo, deposição de esgotos. Fora a "desconexão" entre órgãos encarregados de enfrentar os problemas. E esta última, diz o manifesto, é a questão mais grave que precisa ser enfrentada.

Muitas pessoas tentam, em mensagens ao autor destas linhas, expor suas propostas. É o caso do engenheiro naval Geert J. Prange, com 45 anos de experiência - inclusive em projetos de drenagem -, que propõe a "sifonagem de águas pluviais para a Baixada Santista", na tentativa de aliviar a situação da capital, já que "no último verão caíram 720 milhões de metros cúbicos de água". Isso poderia ser feito em tubos de dois metros de diâmetro, ao longo de dezenas de quilômetros. Já o engenheiro Braz Juliano, formado há 62 anos, recomenda que São Paulo estude com atenção o sistema de drenagem profunda da Cidade do México, que está 200 metros acima do nível do mar e para ele conduz, com poços e túneis, desde 1910, o excesso de água. Aqui, diz ele, as águas poderiam ser levadas para a Praia Grande, em direção ao Vale do Rio Juqueri.

São Paulo não pode adiar mais algumas decisões: 1) Implantar uma macropolítica que oriente toda a questão urbana e descentralize ao máximo a administração, de modo a colocá-la o mais próximo possível dos problemas em cada lugar; 2) estabelecer rigor máximo nos licenciamentos, para evitar novos impactos (adensamentos, congestionamentos, poluição, etc.); 3) rever todas as ocupações em áreas de risco e promover o reassentamento dos habitantes; 4) exigir em cada construção um sistema de retenção de água de chuvas (para minimizar o risco de inundações), até para utilização posterior; 5) impedir mais impermeabilização de solo e trabalhar para remover parte do que está feito; 6) aperfeiçoar o sistema de previsão e alerta de eventos extremos; 7) tomar decisões inadiáveis na área de transportes (rodízio mais abrangente? Pedágio em certas áreas, para aumentar a velocidade dos ônibus? Licenciamento de novos veículos só com a exigência de retirar outros de circulação?).

O importante é ter pressa.

ANCELMO GÓIS

Rei da rede social
ANCELMO GÓIS
O GLOBO - 21/01/11

O boa-praça Luciano Huck é o rei das chamadas redes sociais da internet no Brasil. Veja só. Amanhã, completa 30 dias que abriu sua página no Facebook: www.facebook.com/huckluciano. Bateu 1 milhão de pessoas.

Segue...
Somando o Twitter, 3,6 milhões de brasileiros caíram nas redes de Huck.

Economia criativa

A ministra Ana de Hollanda criou ontem a Secretaria da Economia Criativa do Ministério da Cultura. O cargo será ocupado pela socióloga cearense Claudia Leitão.

Quem fica
Ontem, a ministra também anunciou a permanência do antropólogo José do Nascimento Junior na presidência do Instituto Brasileiro de Museus.

Perfume de Banderas

Antonio Banderas, o ator espanhol que é galã de Hollywood, vem ao Brasil na segunda quinzena de maio divulgar sua linha de perfumes.

É grave a crise
Alô Guido Mantega. Por causa da inflação, o restaurante Nanquim, lugar de comida a quilo para bacanas no Jardim Botânico, no Rio, trocou o filé-mignon de seu estrogonofe por alcatra. A um freguês insatisfeito, um dos sócios disse que o filé está caro (R$40 o quilo). A comida ali custa R$59 o quilo. Ah, bom!

‘GQ’
Em março, estará no mercado por aqui a versão brasileira da famosa revista de moda masculina: a americana “Gentleman’s Quarterly”, conhecida como “GQ”. É uma espécie de Bíblia metrossexual.

Cidade Nova
O grande investidor imobiliário americano Sam Zell, 67 anos, vendeu para o fundo de investimentos Prosperitas sua parte na Bracor. Trata-se de empresa que atua no segmento de terceirização de ativos imobiliários. No Rio, é dona de vários prédios. Um deles é o Edifício Cidade Nova, onde funciona uma dependência da Petrobras.

Grande hotel

A rede de hotéis Othon inaugura em fevereiro seu 22ºhotel no país. Ficará em Pirassununga, interior de São Paulo. O grupo está em cinco estados brasileiros e tem dois hotéis em Portugal.

Férias de Haddad
A assessoria de Fernando Haddad diz que o ministro tinha, no início do mês, acertado sair de férias agora. Mas por conta dos problemas surgidos no ministério ele resolveu continuar trabalhando. 

Um grupo de artistas, entre eles Sílvia Machete e Varandistas, faz show, dia 25, às 19h, no Espaço Acústica, na Praça Tiradentes, em prol das vítimas da chuva no Vale do Cuiabá.

Alexandre Carvalho e Sílvia Fraiha finalizam o documentário Virando Bicho que enfoca vestibulandos.

Ithamara Koorax encerra sexta e sábado temporada no Bar do Tom.

Augusto Martins e Marcus Lima farão as quartas de fevereiro no CCC. Sementeira, Pathisa e Patrícia Veiga estão em liquidação.

Carmelo do Flamengo lança novidades de verão.

Sexta haverá homenagem no Bip Bip a Pedro Caetano e a Nássara, com show de Marina Iris e grupo Coisa & Tal, seguida de roda de samba.

Valei-me, Sto. Antônio
Quem reparou foi o vice Pezão, autor da foto. A Igreja de Santo Antônio, erguida no século XIX, em Friburgo, foi praticamente destruída. Chegou a ser invadida por dois carros. Mas as imagens do Santo e de Nossa Senhora no altar, veja, estão intactas.

Os coleguinhas
Por causa da chuva, “A Voz da Serra”, o jornal que circula há 65 anos em 11 municípios da região, ficou seis dias encalhado.
A Redação do veículo, salve!, não foi afetada, mas distribuidoras e bancas não funcionaram.

Naufrágio no seco

A juíza Luciana Halbritter, da 6ª Vara Cível da Capital, condenou o Iate Clube do Rio e a Real Seguros a pagar indenização de uns R$113 mil a Edna de Albuquerque, que teve seu veleiro danificado ao ser levado para manutenção no clube.

Elevador real
A Beija-Flor cerca Roberto Carlos de regalias. O carro alegórico no qual o Rei desfilará na Sapucaí terá três elevadores — dois dos lados e um no centro. Só para o cantor escolher livremente o lado pelo qual quer subir. A alegoria será a última da escola a entrar na avenida, e falará da religiosidade de RC.

GOSTOSA

FERNANDO GABEIRA

Chovendo na política
Fernando Gabeira 
O Estado de S.Paulo - 21/02/11

É pau, é pedra, é o fim do caminho. O sítio onde foi composta Águas de Março, de Tom Jobim, foi arruinado pela enchente. Pelo menos restou dele uma transfiguração cultural. Mas o que restará não só do sítio de Tom, mas de todos os mortos e casas humildes na imaginação dos políticos brasileiros?

Austrália, Venezuela e Brasil viveram grandes desastres naturais. Três respostas diferentes.

A primeira-ministra Julia Gillard visitou a região e designou o general Mick Slater, que é de Queensland, para coordenar os esforços de socorro e reconstruir a área devastada. Foram 24 mortos, 12 desaparecidos. A especialista Debarati Guha-Sapir, do Centro para a Pesquisa da Epidemiologia de Desastres, na Bélgica, explica assim a performance australiana: "A Austrália é um país com uma infraestrutura melhor, com maior capacidade de alocar recursos e equipamentos para a prevenção e o resgate, com instituições e mecanismos mais democráticos, que conseguem atender toda a sociedade, incluindo os mais pobres, que estão em áreas de mais risco".

O caso da Venezuela é singular. O presidente Hugo Chávez teve papel decisivo e direto. Ele se jogou no trabalho, visitou comunidades, tornou-se o comandante de toda a operação de resgate. Mas utilizou esse esforço para fazer avançar seu projeto de socialismo, a partir da autoritária Lei Habilitante.

Chávez manipulou, politicamente, o desastre natural em duas outras direções. Numa delas, tentou enfraquecer os seus adversários, insinuando que a Igreja Católica não foi solidária o bastante; na outra, focalizou a discussão apenas no destino das vítimas, evitando qualquer tipo de conversa sobre prevenção. Chávez está no governo há 11 anos e já confessou o fracasso no campo da moradia popular.

No Brasil não houve nem a eficiência da resposta australiana, nem a comoção política detonada por Chávez. Aqui o processo de desastres naturais é tratado na cintura, com drible de corpo, empurrando com a barriga, fingindo de morto, enquanto passam as denúncias de descaso e editoriais exaltados.

Chávez é especial, mesmo entre os populistas. Seu impulso de ir às favelas é irresistível. Não é necessário grande protagonismo presidencial. Mas cairemos na velha malemolência se ficarmos apenas nos projetos de reconstrução, que não se concluem e, às vezes, almejam o absurdo de deixar as coisas como estavam antes.

O Brasil precisa rever sua política para desastres naturais. Dada a importância do problema no século 21, não se pode designar sempre alguém de um partido e sempre do Nordeste. Passou a época em que desastre natural era sinônimo de seca, concentrada no sertão. E o tema é grande demais para se tornar feudo de um partido.

Com tanta tragédias, o País ainda não aprovou um fundo especial para amenizá-las. Essa lacuna permite que presidentes sobrevoem as áreas, vertam algumas lágrimas e prometam alguns milhões, quase uma dádiva pessoal. Quem acompanha os desastres sabe que, de milhões anunciados, apenas milhares chegam ao destino, e sem vigilância social na aplicação.

Um ministro à altura dos tempos tem como tarefa criar uma Defesa Civil capaz de responder com treinamento, simulações e planos concretos para cada área. Não pode ter apenas qualidades gerenciais, ao menos na fase de implantação. Precisa de diálogo com a sociedade, para atrair adesão ao projeto.

Tanto na Austrália como no Caribe, a comunicação com a sociedade é vital. É feita pelo rádio e pela internet, mas as práticas modernas aconselham também a desenvolver lideranças locais e dotá-las de equipamento para receber e difundir as mensagens de alerta.

Quando Santa Catarina sofreu o golpe do furacão, as cartilhas do Caribe, colhidas na internet, ajudaram na emergência. Em Santo Antônio de Pádua (RJ) a tempestade arrasou o único hospital, foi preciso tirar às pressas todos os que dependiam de hemodiálise. Com uma lista prévia dos que dependem de certos procedimentos médicos, de quem não pode andar, de asilos, creches, orfanatos, as coisas ficam menos difíceis.

Muitas cidades não têm Defesa Civil. Não há como deslocar forças nacionais com eficácia sem uma correspondência local. Pode-se exigir isso com restrições na distribuição do fundo municipal, caso a cidade resista.

O debate nacional concentra-se muito na definição das culpa e nos caminhos estratégicos, tais como definição de áreas de risco, construção de novas e seguras moradias. Com isso ficou um pouco de lado o debate específico sobre a qualidade da resposta aos desastres naturais. A responsabilização dos políticos, até mesmo com sanções penais, é importante. Também o é a construção de uma infraestrutura adequada.

O problema é o seguinte: vai chover de novo, antes de se construir infraestrutura e os políticos tomarem vergonha. Daí a necessidade urgente de ocupar um novo espaço. A presidente Dilma poderia inspirar uma convergência em torno do ponto específico: resposta aos desastres naturais. Não adianta o governo confessar sua fragilidade à ONU nem desengavetar um projeto antigo. É preciso discutir com a sociedade que corre o risco.

Chávez enveredou pela desapropriação de terrenos e vai decretar o fim do despejo legal por falta de pagamento de aluguel. A ideologia tem uma saída pronta.

A miséria da política brasileira não é politização extrema do desastre natural. Sua tendência é continuar com a cabeça enterrada na areia, discutindo cargos e verbas, até o vendaval passar.

Há um fator permanente na sociedade brasileira: a solidariedade às vítimas No entanto, não há ainda interesse pela prevenção, nem cobertura da imprensa para o tema.

Os desastres naturais obrigam-nos a uma mudança cultural de grande porte. O ideal seria estar à altura da tragédia ou, pelo menos, crescer um pouco diante dela. Toda uma política jaz sob os escombros das recentes tragédias que chamamos de naturais, sabendo que a natureza não existe sem nós.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Há alguma razão...”
SENADOR ÁLVARO DIAS (PSDB-PR) SOBRE SUA PENSÃO RETROATIVA NO VALOR DE R$ 1,6 MILHÃO

BRB: OPERAÇÕES DE R$ 130 MILHÕES SEM LASTRO 
Auditoria no BRB, o banco de Brasília, revelou operações de crédito sem lastro no valor de R$ 130 milhões, através do Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS). A auditoria é do Banco Central, com técnicos do BRB e auditores do Tribunal de Contas do DF. Os beneficiários, ainda protegidos por sigilo, serão denunciados à Justiça. São grandes empresas, sobretudo da área de construção civil.

DUVIDOSOS 
Segundo fontes ligadas à auditoria do BRB, as operações foram lastreadas em títulos duvidosos ou que não poderiam ser aceitos.

DEU BODE 
As operações no BRB teriam as digitais de Antonio José Carneiro, o “Bode”, um investidor mineiro radicado no Rio de Janeiro.

PANDORA 2 
Novo capítulo da Operação Caixa de Pandora, da PF, mira a deputada distrital Eliana Pedrosa (DEM) e a empresa de limpeza Qualix.

ESCAFEDEU 
Deve ser o excesso de trabalho na assessoria do ministro Jobim (Defesa): o deputado federal José Genoino caiu fora do Twitter. 

DF: GOVERNO PAGA REMÉDIO PARA NETOS DE RORIZ 
O governo chefiado por Agnelo Queiroz (PT) no DF herdou a obrigação de gastar R$ 20 milhões só com a compra de Fator 8 Recombinante, medicamento de alto custo para hemofílicos, distribuído gratuitamente em Brasília. Por que o então governador Joaquim Roriz determinou a gratuidade? Dois netos dele têm a doença. Fazendeiro rico, acusado de sempre confundir público e privado, Roriz economiza essa grana.

NOSSO BOLSO 
Cada dose do remédio Fator 8 Recombinante custa R$ 700, por isso a gratuidade provoca a migração de hemofílicos para Brasília.

E-CARIMBO 
Como no Brasil tudo fica no papel, a Presidência da República reservou R$ 22 mil para comprar centenas de carimbos. Faz todo o sentido. 

SOS 
O governador Agnelo Queiroz foi ao serviço médico da Câmara dos Deputados para uma consulta, mas está tudo ok com ele. 

PRESSÃO FRANCESA 
A reunião da presidente Dilma com Lula, a pedido dele, teve um único tema: a compra dos caças (jatos de combate) da FAB. O criador tentou demover a resoluta criatura da decisão de reavaliar as propostas. Lula se comprometeu demais com o presidente francês Nicolas Sarkozy.

GESTAÇÃO DE FACTOIDES 
Na reunião setorial de ontem, a ministra Mirian Belchior (Planejamento) pediu aos dirigentes de órgãos que tocam obras do PAC para informarem os eventos dos quais a presidente Dilma deve participar.

INSPEÇÃO NA PONTE JK 
O engenheiro Filemon Botto de Barros, responsável pelos cálculos do projeto, participa nesta sexta-feira da inspeção que vai determinar se a belíssima ponte JK, de Brasília, precisa ser interditada para reforma.

FUI! 
Dono de seis pontes de safena, o tucano Tasso Jereissati decidiu pegar o jatinho e se consultar em Houston (EUA), depois de receber alta do hospital onde ficou internado por dois dias, em Fortaleza.

ALALAÔ 
Com o adiamento da decisão sobre os caças Rafale, os franceses largaram o pé do Brasil e grudaram nos Emirados Árabes, para tentar vender cerca de 60 aeronaves – os caças viraram “caveira de burro”. 

INSS DE LUXO 
Arquiteto renomado, com consultorias no exterior, Jaime Lerner é um dos nove ex-governadores do Paraná com aposentadoria de R$ 24,8 mil e 13º. O ex-governador tucano Álvaro Dias pediu R$ 1,6 milhão retroativos, por ter “dispensado” auxílio-moradia e verba indenizatória.

DESCULPA DE AMARELO... 
O secretário nacional de Política sobre Drogas (ou Pró-Drogas?), Pedro Abramovay, defende não prender “pequenos traficantes” para aliviar “presídios abarrotados”. Se faltam cadeias, que sejam construídas, ora. 

... É COMER BARRO 
O Departamento Penitenciário Nacional, do Ministério da Justiça, imobilizou R$ 150 milhões na Caixa em projetos inviáveis nos Estados, que não contemplam as necessidade de abrir mais vagas em presídios. 

NOVO ESTILO 
Mudou o estilo de governo. Sai o BBB de Lula, todo dia na TV, entra “Onde está Wally” de Dilma. Tem que procurar para achar a presidente. 

PODER SEM PUDOR
O PRIMEIRO A CHEGAR 
Prefeito de Colina (SP) nos anos 60, João Paro era sempre o primeiro a chegar a qualquer evento. Até nos enterros. A oposição tentava sempre se antecipar, mas não conseguia. Até que um dia morreu um habitante muito querido na cidade. Os oposicionistas correram para lá e, ao chegarem, não acreditaram. João Paro não estava lá. Até que veio a surpresa: abriu-se a porta do quarto do morto. Três homens terminavam de vestir o corpo. Dois eram da funerária. O terceiro era João Paro.

BRAZIU: O PUTEIRO

SEXTA NOS JORNAIS

 Globo: Governo vetou a inclusão de plano de alerta no PAC
Folha: Dilma vai propor redução de tributo pago para o INSS
Estadão: Minha Casa, Minha Vida sofre com calote e venda irregular
JB: Os primeiros espinhos
Correio: Balançou
Valor: Brasil rejeita controle de preço de matérias-primas
Estado de Minas: Justiça manda abrir provas do ENEM e prorrogar o SISU
Jornal do Commercio: Governo vai reequipar Corpo de Bombeiros
Zero Hora: Três dias numa cadeira

quinta-feira, janeiro 20, 2011

JANIO DE FREITAS

Um voo mais alto
JANIO DE FREITAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 20/01/11

Um dos efeitos do reinício da concorrência para caças da FAB recai nas relações políticas com os EUA

O REINÍCIO, com maior abertura e novas bases, da concorrência para os futuros caças da FAB alcança muito mais do que a recusa ao negócio forçado, e agendado mais de oito vezes pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, com a fábrica francesa Dassault e contra os pareceres dos técnicos militares brasileiros.
A decisão de Dilma Rousseff põe em suspenso também, com a cautela diplomática de não o mencionar, a "aliança estratégica" do Brasil com a França, tal como acertada por Lula e Nicolas Sarkozy. O que, por sua vez, levará a reconsiderações nos desdobramentos práticos da Estratégia Nacional de Defesa, o mirabolante plano armamentista de custo estimado em US$ 40 bilhões (antes da desvalorização do dólar).
Outro efeito do reinício da concorrência -não declarado, mas implícito na abertura a mais concorrentes- recai nas relações políticas com os Estados Unidos. A aceitação de mais concorrentes significa a possibilidade de que a Rússia volte a propor o seu caça Sukhoi.
Tal admissão pelo Brasil contém a recusa ao veto emitido pelos Estados Unidos, e aceito pelo governo Fernando Henrique Cardoso na primeira concorrência dos aviões, quando o russo Sukhoi destacou-se na seleção da FAB. Àquela altura, a contrapartida de incremento no comércio bilateral era dada como parte determinante na concorrência, e também nesse aspecto, contrariando as expectativas, a Rússia fez as melhores ofertas.
Não houve outro jeito: vieram o veto e a curvatura de espinha do governo brasileiro, como no Sistema de Vigilância da Amazônia em que os vencedores franceses foram despachados para escanteio. Agora há um problema adicional para os Estados Unidos, além da soberania aparentemente implícita na atitude do novo governo.
Se o caça russo, testado na primeira seleção por uma equipe da FAB na Força Aérea da Índia, já obteve a preferência, agora há um modelo ainda mais avançado. E neste estaria, como uma das razões da maior abertura da concorrência, a atenção da FAB, considerado que talvez só a China, além dos russos, se disporia a confrontar-se com os principais fabricantes.
Sob aspectos formais e institucionais, é muito positiva a sustação do simplismo com que foram estabelecidas e admitidas a "aliança estratégica" com a França, a escolha dos caças franceses contra o parecer da FAB, e as pressões de Nelson Jobim para conclusão desse negócio de US$ 6 bilhões.
Mereceria o mesmo tratamento o negócio feito com franceses para submarinos nucleares (cinco, ao final) e mais de 20 convencionais, além de um estaleiro e uma grande base no Estado do Rio. Sem concorrência nem sequer para a obra, que já veio entregue no pacote, com a malandragem de praxe pelos governos francês e brasileiro, à empreiteira Odebrecht. Mas esse negócio pôde andar mais depressa, se bem que haja margem para voltar a ele e seus primórdios na região de Sepetiba.

BONDOSOS
Se o Ministério da Defesa acha que há cinco guerrilheiros do Araguaia vivos e com identidade falsas, não precisaria pedir à Justiça que faça a Polícia Federal procurá-los. Diz que um deles trabalhou por 20 anos em uma multinacional, logo, sabe que nome atual tem e seu provável paradeiro.
Além disso, os cinco saíram vivos do Araguaia porque "foram agraciados" por oficiais do Exército, um deles, uma mulher, até levada de avião militar à cidade desejada. Não é crível que esses militares os deixassem soltos para serem apanhados pouco depois. O presente seria completo, com as novas identidades protetoras.
O problema é que também não é crível a história do Ministério da Defesa, ao menos nos termos em que está.

EDITORIAL - O ESTADO DE SÃO PAULO

As centrais ameaçam Dilma
EDITORIAL
O Estado de S.Paulo - 20/01/11

Acostumados aos favores do governo Lula, dirigentes de centrais sindicais cobram mais atenção da presidente Dilma Rousseff e já ameaçam criar problemas, se ela não governar de acordo com sua orientação. "Se Dilma ficar ouvindo seus burocratas, vai ter muito trabalho conosco", disse o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). A ameaça foi feita na Avenida Paulista, na terça-feira, durante manifestação por um salário mínimo superior aos R$ 545 fixados na semana passada pelo Executivo.

Houve reuniões de protesto em 20 Estados. Participaram do comício na capital paulista a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Força Sindical e quatro organizações de menor peso, mas igualmente beneficiadas pelas políticas dos últimos oito anos. Não há surpresa nessa manifestação concertada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou uma borracha nas diferenças que havia entre as centrais, proporcionando a todas uma participação no Imposto Sindical, cooptando os dirigentes e conduzindo o peleguismo a níveis nunca antes conhecidos na história deste país.

A conversão dos sindicalistas em sócios do poder foi facilmente verificável, nos últimos anos, por sua presença na administração federal direta e indireta e também nos fundos de pensão de estatais.

Nada mais natural, portanto, que as manifestações de indignação dos dirigentes sindicais diante do tratamento a eles oferecido até agora pela presidente Dilma Rousseff. Pouco mais de duas semanas depois da posse ela ainda não os havia recebido em seu gabinete - uma atitude ultrajante, com certeza, do ponto de vista desse grupo acostumado à proximidade do poder.

"Cuidado, Dilma", advertiu o deputado Paulo Pereira da Silva, referindo-se à manutenção da Tabela do Imposto de Renda. "O FHC começou assim. Não corrigiu a tabela. Foi o primeiro erro dele. Ninguém está botando a faca no pescoço, mas espero que esta seja a última manifestação."

Há bons argumentos a favor da correção da Tabela, mas a truculência do deputado não tem a mínima relação com argumentos e razões. É apenas isso - truculência, reforçada com a invocação do nome de Lula como exemplo para sua sucessora.

Qual a diferença entre o presidente da CUT, Artur Henrique, e seu colega, o deputado Pereira da Silva, mais conhecido como Paulinho da Força?

Em outros tempos haveria rivalidade entre as duas organizações. A CUT, um produto do sindicalismo outrora pregado por Luiz Inácio Lula da Silva, tenderia a apoiar o governo petista. O próprio Lula cuidou de eliminar tanto a rivalidade quanto qualquer diferença em termos de valores. CUT e Força hoje se distinguem quase exclusivamente como siglas. Se existe uma rivalidade, é essencialmente em torno da obtenção de benefícios, como, por exemplo, a fatia do Imposto Sindical.

Nenhuma surpresa, portanto, quando o presidente da CUT repete palavras do presidente da Força. Segundo o dirigente Artur Henrique, a presidente cercou-se de "economistas burocratas", empenhados em "implantar a agenda dos derrotados nas urnas". Em outras palavras, ela estaria disposta a executar políticas propostas pelos tucanos. Para esclarecer sua acusação, o sindicalista citou o ajuste fiscal defendido pela equipe econômica.

A presidente já deveria saber disso. Se tivesse alguma dúvida, teria sido eliminada pelo comentário do presidente da CUT: arrumação das contas públicas é coisa de tucano. Talvez pudesse ter acrescentado: de neoliberal, de direitista, de reacionário.

Ao concordar com um salário mínimo de R$ 545, pouco maior que o proposto no fim do ano, a presidente Dilma Rousseff quis evitar a perda causada pela inflação, só conhecida há poucos dias. O argumento contra um aumento maior foi a necessidade de ajeitar as contas públicas e conter a alta de preços, uma das maiores ameaças aos assalariados. Pressionada e ameaçada pela nata do peleguismo, a presidente Dilma Rousseff dificilmente poderá evitar uma definição, esclarecendo se cumprirá as primeiras promessas de governo ou se manterá com os sindicalistas a relação promíscua escolhida por seu antecessor para o exercício de poder.

ALON FEUERWERKER

Nem sempre é bom
ALON FEUERWERKER
CORREIO BRAZILIENSE - 20/01/11


Serra está sem mandato, será um líder da oposição extraparlamentar. E Aécio vai ser uma referência da oposição no Senado e no Congresso. Natural que ambos procurem ocupar espaço batendo no governo
Coisa normal na pós-derrota, a oposição gasta parte do tempo rosnando ou brigando internamente. Normal porque políticos lutam pelo poder. Se estão no governo, brigam por cargos e posições no governo. Se estão na oposição, brigam por posições e cargos na oposição. 
Na teoria, e à primeira vista, é ótimo para o governo haver duas correntes em formação no PSDB, uma supostamente mais disposta ao diálogo e outra menos. Ou supostamente menos. 
Mas talvez não seja tão bom assim. Na ditadura, por exemplo, a divisão do oposicionista MDB (Movimento Democrático Brasileiro) em autênticos e moderados em nada ajudou o situacionismo quando chegou a hora. As duas correntes juntaram-se para derrubar o regime. 
E ambas vitaminadas. Uma pela mobilização das ruas e pela aura de autenticidade, a outra pela capacidade de composição, de aliar-se a setores da base do governo, de representar a possibilidade de uma transição sem rupturas sérias. 
No fim das contas, Ulysses Guimarães e Tancredo Neves entenderam-se, e deu no que deu. 
Há pelo menos um detalhe a diferenciar o cenário da oposição com Dilma Rousseff do cenário vivido pelo antecessor. Fora um curto período no comecinho do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, tanto Aécio Neves quanto José Serra estiveram sempre e simultaneamente em posições importantes de governo durante os oito anos, o que restringiu a mobilidade e o ímpeto oposicionista de ambos. 
Governador não faz oposição a Brasília. Só faz quando o govermo federal está caindo de podre, o que não é o caso, nem leva jeito de vir a ser. 
Agora a coisa muda um pouco de figura. Serra está sem mandato, será um líder da oposição extraparlamentar. E Aécio vai ser uma referência da oposição no Senado e no Congresso Nacional. Natural portanto que ambos procurem ocupar espaço batendo no governo. Cada um a seu modo, mas batendo. 
Até porque a vaga aberta para a disputa em 2014 é a da oposição. Se tudo estiver pelo menos razoavelmente bem, Dilma irá pleitear mais quatro anos. Se não, o PT sempre poderá recorrer a Lula. Então, quem pensa em construir um caminho alternativo terá de fazê-lo contra Dilma, e não a favor. E desta vez sem os constrangimentos causados por estar governando um estado. 
Por fora corre Geraldo Alckmin, que se movimenta pesadamente neste começo de novo mandato paulista para neutralizar o efeito fadiga de material. Em 2014, os tucanos completam duas décadas de continuidade política e administrativa em São Paulo. Não é bolinho. 

AfãEra completamente desnecessário, pelo ângulo político, o Ministério do Trabalho ajeitar os números do emprego formal no ano passado para atingir a meta de 2,5 milhões de vagas líquidas. 
Os números teriam sido bons de qualquer jeito, com 2,1 milhões de postos de trabalho. E tem outro problema, este técnico. Um valor das estatísticas é a possibilidade de fazer comparações. No afã de agradar sabe-se lá a quem, restou prejudicada a série histórica. 
Uma sugestão: que o ministério passe a divulgar duas séries, pela metodologia tradicional e pela alterada, para não enfraquecer a utilidade dos números. 
Mas no efeito de propaganda a coisa ficou bem, ainda que a manobra tenha atraído atenção para a heterodoxia na manipulação desse tipo de dado pelo ministério. 
Em 2009, segundo as mesmas fontes, o Brasil criou um milhão de empregos líquidos. Nada de mais, a não ser por um detalhe: naquele ano a economia recuou, teve crescimento negativo, segundo os dados finais do IBGE. 
Ano passado, pela metodologia tradicional, o Brasil criou pouco mais de 2 milhões de empregos, numa economia crescendo para além de 7%. 
Eis um desafio intelectual de vulto: alguém explicar por que no Brasil crescimento e criação de empregos são variáveis quase independentes. Como pode um país em recessão criar quase metade dos empregos que cria quando cresce a 7% 
Haja inelasticidade, para usar um termo dos economistas. Os números do Ministério do Trabalho talvez estejam a merecer uma lupa.