quinta-feira, abril 29, 2010
ANCELMO GÓIS
Removendo a sujeira
Ancelmo Góis
O Globo - 29/04/2010
Amanhã, às 10h30m, o pintor de paredes Paulo Souza dos Santos, 28 anos, que pichou o Cristo Redentor, vai ajudar a remover as pichações do Túnel do Pasmado, no Rio.
Será no lançamento da campanha que Eduardo Paes iniciará contra os que emporcalham os prédios da cidade. Eu apoio.
Vou apertar...
O juiz Luiz Gustavo Grandinetti concedeu habeas-corpus em nome de Renato Cinco, autorizando a Marcha da Maconha 2010. A ordem é extensiva a todos que estiverem no evento, domingo, às 14h, no Jardim de Alah, no Rio.
Pela decisão, ninguém pode apertar, nem fumar baseado de lá até o Arpoador. Ah, bom!
Crime e castigo A 7ª Câmara Cível do Rio condenou o jogador Luciano Siqueira de Oliveira, revelado no Palmeiras, a pagar R$ 100 mil a Eriberto da Conceição Silva.
Acredite. Por seis anos Luciano viveu na Itália com o nome e documentos de Eriberto, que tinha sido seu vizinho.
Deputado Fasano Vitor Fasano, que foi secretário de Proteção dos Animais do Rio, é filiado ao DEM.
O partido quer que o ator seja candidato a deputado este ano.
As máscaras na Copa Em clima de Copa, Cláudia Leitte embarca semana que vem para gravar seu primeiro clipe em 3D na África do Sul.
Fará dueto, com a estrela sul africana Lira, do seu sucesso “As máscaras”, em versões em português e inglês.
Melão estragado Renata Frisson, a Mulher Melão, que pretende disputar a eleição, começou mal a campanha.
Ontem, fiscais do TRE apreenderam na favela Águia de Ouro, em Inhaúma, no Rio, 19 faixas com propagandas dela, que nesta época são ilegais.
Feijão, arroz... ação As obras estão adiantadas.
Após a Copa, será inaugurado um cinema popular no Carrefour, em Sulacap, Zona Oeste do Rio.
Também no segundo semestre a filial do supermercado francês no bairro do Limão, em São Paulo, terá seu cinema.
Cine Carrefour O projeto de espalhar cinemas pela rede Carrefour é tocado pela Inovação Cinemas, que tem como sócio Adhemar Oliveira, o criativo diretor dos circuitos Espaço e Arteplex.
Ficaram de fora Até amanhã algumas grandes empreiteiras deverão formalizar a intenção de aderir ao grupo que venceu a disputa para construir a usina de Belo Monte.
O leilão dia 19 mostrou, como se sabe, fato inédito: as grandes do concreto ficaram de fora de uma obra orçada em R$ 19 bi.
Problema sem fim Os urubus que assustam pilotos nos pousos e decolagens no Galeão parecem ter se multiplicado nos últimos tempos.
O Sindicato Nacional dos Aeroviários e a Associação de Moradores de Tubiacanga, bairro pegado ao aeroporto, decidiram se unir para pressionar as autoridades (Infraero, prefeitura e estado) a resolverem o problema.
Pancadaria Nos últimos três fins de semana, teve briga na boate Baronneti, em Ipanema. Sábado passado, a pancadaria foi promovida por um grupo liderado pelo filho de um bicheiro.
Ninguém deu queixa.
Festa no Tribunal O TCM enviou projeto de lei número 602/10 para a Câmara Municipal do Rio, criando 50 novos cargos nas categorias de técnico de controle externo, engenheiro e analista de informação.
A casa quer aumentar também o salário de quem tem nível superior e ocupa cargo efetivo.
Se aprovado, passará de R$ 4.658,35 para R$ 8.605,15.
Homenagem Eduardo Eugenio, presidente da Firjan, recebe em Paris, dia 6, no Hotel George V, o título de personalidade do Ano da Câmara do Comércio do Brasil na França.
Alice pirata Os camelôs da rua Uruguaiana, no Centro do Rio, estão vendendo a R$ 20 o DVD do filme “Alice no País das Maravilhas”, de Tim Burton.
Acredite. O piratão é anunciado em 3D e vem com óculos.
DORA KRAMER
Ficha limpa na pressão
Dora Kramer
O Estado de S.Paulo - 29/04/2010
O Congresso Nacional, primeiro a Câmara e, se for o caso, mais adiante o Senado, tem uma chance esplêndida, senão de se reconciliar de todo com a opinião pública, ao menos de amenizar o desgaste de imagem que vem construindo ao longo de uma trajetória de gradativa desqualificação e distanciamento da sociedade.
O Poder Legislativo está, como diz a expressão cara ao senso comum, com a faca e o queijo nas mãos.
Cabe aos parlamentares decidirem se cortam, se lancetam essa ferida aprovando na próxima terça-feira o regime de urgência para o projeto de lei complementar que veta a participação em eleições de candidatos condenados por crimes dolosos graves, ou se deixam tudo como está.
Sem receio de cometer uma enorme injustiça, é de se afirmar com tranquilidade que se dependesse exclusivamente da vontade do colegiado venceria a hipótese, a velha força da inércia.
Inclusive porque é a que vem prevalecendo há muito tempo, considerando que não é de hoje que tramitam propostas no Legislativo para alterar a lei no que tange à presunção da inocência para fins de inelegibilidade.
Essa mesmo de que se trata agora estava celeremente caminhando em direção ao buraco negro do esquecimento. Foi posta convenientemente em pauta no início de abril, sem acordo de líderes, voltou para a Comissão de Constituição e Justiça. Apesar de os partidos de oposição terem apresentado pedido de urgência para votação em plenário, continuou girando no mesmo ponto porque isso só poderia ir em frente com o apoio da maioria dos partidos.
Até então PT e PMDB se recusavam a assinar a urgência. Ontem de manhã parecia que o "deixa que eu chuto" paralisante continuaria quando um grupo de deputados apresentou pedido de vista ao relatório. Manobra protelatória clara.
Quando, no início da tarde, PT e PMDB mudaram de tática e assinaram a urgência. Com isso, o pedido de urgência será votado terça-feira próxima em plenário ? voto aberto ? e, espera-se, o projeto propriamente dito, no dia seguinte.
E o que operou semelhante mudança?
As eleições. Não as de deputados, que não guardam uma relação direta entre o voto dado e o eleito. Mas a de governadores e principalmente de presidente.
Como a oposição vota a favor do projeto ficha limpa, o PT e o PMDB avaliaram que se continuassem contra poderiam acabar prejudicando a campanha de Dilma Rousseff, pois em algum momento os eleitores passariam a cobrar dela uma posição.
A alteração tática não significa necessariamente garantia de aprovação: há água aos potes para rolar.
Dote. A vantagem do tempo que terá a candidata do PT em relação ao adversário do PSDB na propaganda eleitoral no rádio e da televisão explica o esforço para fazer aliança formal com o PMDB.
No melhor cenário simulado para Dilma Rousseff, a petista terá 11m37s e José Serra 5m36s; na pior hipótese para ela e melhor para ele, de cada bloco de 25 minutos exibidos três vezes por semana duas vezes ao dia, Dilma ficaria com 9m32s e Serra com 7m41s.
Os tucanos certamente argumentarão que nas duas eleições anteriores em que foram derrotados eram eles a contar a vantagem do tempo maior. Portanto, esse não seria um fator determinante. Agora, pergunte-se se não gostariam de continuar contando com essa primazia. Claro que sim.
E o que pesou para desequilibrar o tempo a favor do PT? O PMDB. Não só por isso, mas também por isso o fato de nem Lula conseguir impor suas vontades ao parceiro.
Falanges. Em matéria de descalabros produzidos na internet a tropa oposicionista é apenas mais discreta que a governista, dado que o way of life petista nesse tipo de batalha antecede ao advento da web.
Mas, do jeito que a coisa anda, logo ou haverá alguma interferência dos comandos a fim de se instaurar a civilidade ou se locupletarão todos numa guerra de extermínio moral.
LUIS FERNANDO VERISSIMO
Uma tradição
LUIS FERNANDO VERISSIMO
O GLOBO 29/04/10
Quando Catarina, czarina de todas as Rússias, convidou o enciclopedista francês Denis Diderot para ser uma espécie de filósofo em residência no palácio Hermitage, em São Petersburgo, estava seguindo uma tradição que começara anos antes com o convite da rainha Cristina da Suécia a René Descartes para ir dar uma sacudida intelectual no seu reino. Anos mais tarde, Frederico, o Grande, da Prússia, também quis ter seu francês e mandou buscar Voltaire para ser seu interlocutor e consultor literário e legitimizar sua pretensão a rei-filósofo, um legítimo produto do Iluminismo.
Descartes, com sua ideia doida de que o homem inventara Deus com a razão que Deus lhe dera, foi hostilizado pelos pensadores locais como já tinha sido combatido pela Igreja na França. Escreveu de Estocolmo para um amigo: “Me parece que aqui as ideias congelam, exatamente como a água”. Foi o frio da Suécia que o matou, embora se desconfie que os médicos da corte, inspirados pelo ciúme que ele provocava, tenham ajudado um resfriado a se tornar mortal.
Denis Diderot ficou dois anos em São Petersburgo. Seu relacionamento com a czarina e sua corte foi no mínimo pacífico e a separação amigável. A visita de Voltaire ao palácio de verão de Sans Souci, perto de Berlim, se estendeu para três anos e foi feliz enquanto durou – ou até Voltaire ser preso a mando do rei quando tentava voltar para casa, acusado de quebra de contrato e corrupção e de ter roubado alguns dos seus poemas eróticos, provavelmente a acusação que mais doeu. Mas é curioso como os três (entre outros, como Rousseau, Condorcet, D’Alembert, que também levaram conselhos franceses a poderosos de outras terras) foram adotados por monarquias absolutas justamente por serem notórios hereges, cuja crítica à ortodoxia religiosa implicava, por tabela, numa crítica a todo poder absolutista, e cujas ideias mais tarde dariam origem às revoluções republicanas. (É de Diderot a frase “A humanidade só será livre no dia em que o último déspota for enforcado com as tripas do último padre”).
Talvez os monarcas intuíssem que mostras de inquietação intelectual e credenciais progressistas os salvariam da onda racionalista que se aproximava, ou talvez apenas quisessem intelectuais iconoclastas aos seus pés, como animais domados. Mas qual era a razão dos intelectuais para aceitarem os convites? Na época não se recusava um bom patrono, ainda mais um patrono como verbas reais, mas mesmo assim... Já era, então, a questão, que atravessaria a História, da relação dos intelectuais com o poder e do poder com os intelectuais. Onde termina o fascinação e a vaidade e começa a cumplicidade, onde termina a admiração e começa a cooptação.
CLÁUDIO HUMBERTO
“Não está prevista sucessão a curto prazo na Venezuela”
O VENEZUELANO HUGO CHÁVEZ, QUE, APESAR DISSO, NÃO É CHAMADO DE DITADOR NO BRASIL
ACORDO PT-PMDB TIRA MENSALEIROS NO PALANQUE
O acordo que PT e PMDB costuram em Brasília prevê a exclusão dos deputados distritais enrolados nos recentes escândalos do mensalão do DEM. Pelo acordo, a ser cumprido especialmente pelo PMDB, será negada legenda a políticos como a deputada Eurides Brito, líder do partido na Câmara Legislativa, que aparece em vídeo metendo maços de dinheiro na bolsa. O acerto objetiva neutralizar resistências no PT.
LULA NO VAREJO
O acordo PT-PMDB é coordenado pelo próprio Lula. Ele tem dito a petistas históricos locais que a vitória no DF “é questão de honra”.
CHAPA FORTE
Como esta coluna antecipou, o candidato a governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), terá como vice o deputado Tadeu Filippelli (PMDB).
“PLOMESSA”
Dilma afirmou a caminhoneiros que “o Brasil não pode voltar à época da roda presa”. Da língua presa, não avisou quando escaparemos.
BEM PASSADOS
Servidores têm aumento retroativo, mas são os aposentados que “vão arrombar o cofre” com reajuste de 7,7%, diz o governo Lula.
UNB: GOVERNO QUER DE VOLTA PAGAMENTO ILEGAL
Professores e funcionários emendaram férias com greve, impedindo o início do ano letivo na Universidade de Brasília, a pretexto de exigir o pagamento, considerado ilegal, do que chamam de “gratificação” – uma espécie de abono pontual, ordenado pela Justiça em 2006, que depois a UnB estendeu de forma indiscriminada. O governo apelou à Justiça para suspender o pagamento ilegal e obter a devolução do dinheiro.
CULPA DO REITOR
O Ministério do Planejamento verificou pagamento indevido ao pessoal na UnB durante uma auditoria à folha de pagamento, a pedido do reitor.
GARANTIA DE MINISTRO
Pode ser difícil obrigar o pessoal da UnB a devolver o que recebeu indevidamente, porém de boa-fé. Mas o pagamento não será retomado.
INDIGNAÇÃO PERSISTE
Faixa exposta no Eixão Sul, a maior avenida de Brasília, que corta a capital de Norte a Sul: “Brasília 50 anos: Prisão para os Corruptos”.
NO PT MANDA ELE
A ojeriza de Lula pelo deputado Geraldo Magela (DF) o levou a fechar-lhe as portas para disputar o Senado pelo PT. Preferiu concordar com a aliança que tentará reeleger o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), por quem jamais morreu de amores.
ARRUDA REAPARECE
José Roberto Arruda reapareceu em Brasília, às 18 horas de terça, na clínica do dr. Chico Agulha – de acupuntura, obviamente. Ele próprio dirigia sua camionete Hylux. Embora abatido, já usa a barba no cárcere.
SENADORA GLEISI
Lula bateu o martelo no Paraná: Gleisi Hoffmann (PT) não abrirá mão da candidatura ao Senado nem que a vaca tussa. Assim, se cumprir a ameaça, o senador Osmar Dias (PDT) desistirá de disputar o governo.
NOMENCLATURA
Defensor da CPI do Dnit, o senador Mario Couto (PSDB-PA) é processado por ter chamado o diretor do órgão, Luiz Antonio Pagot, de “corrupto”. Couto avisou então que vai substituir “corrupto” por “ladrão”.
METENDO O BEDELHO
Ao deixar o Hotel Meliá para encontrar Lula, ontem, o seboso tiranete Hugo Chávez declarou que “sua” candidata era Dilma. Só lembrou que não estava em seu quintal quando o indagaram sobre o tucano José Serra: “Não vou opinar sobre assuntos internos do Brasil”. Ah, bom.
VALEI-NOS, SÃO DANIEL!
O doleiro Lúcio Bolonha Funaro, que denunciou ao Ministério Público o que chama de “uma das maiores fraudes financeiras de todos os tempos” na Bancoop, topou uma acareação na CPI com João Vaccari, ex-presidente da cooperativa e atual tesoureiro nacional do PT.
POLUIÇÃO AMBIENTAL
Ontem foi “O Dia da Caatinga”. Talvez só uma coincidência com os “vapores” que o paulista de Pindamonhangaba Ciro Gomes emitiu na imprensa contra meio mundo.
NADA CONSTA
O Grupo Alusa, de energia, construção civil e gás, nega problemas em contratos com a Petrobras. A estatal não comentou a notícia da coluna “por questões contratuais”.
PERGUNTA NO CARTÓRIO
Afinal, a presidenciável petista é Dilma, Wanda, Estela, Luísa ou Norma Bengell?
PODER SEM PUDOR
RESPEITO AO NÉCTAR
Pai do deputado Ricardo Rique (PL-PB), Newton Rique presidia o BNDES e visitou um velho amigo, chefe político do interior. Foi recebido com festa. O anfitrião, homem simples, resgatou um champanhe guardado há anos para aquela ocasião. Mas perguntou, cuidadoso:
– O senhor prefere champanhe misturado com Fanta ou com Coca-Cola?
A elegância de Rique não deixou o amigo perceber a própria ignorância:
– Cabra macho bebe isso puro, sem misturar!
O VENEZUELANO HUGO CHÁVEZ, QUE, APESAR DISSO, NÃO É CHAMADO DE DITADOR NO BRASIL
ACORDO PT-PMDB TIRA MENSALEIROS NO PALANQUE
O acordo que PT e PMDB costuram em Brasília prevê a exclusão dos deputados distritais enrolados nos recentes escândalos do mensalão do DEM. Pelo acordo, a ser cumprido especialmente pelo PMDB, será negada legenda a políticos como a deputada Eurides Brito, líder do partido na Câmara Legislativa, que aparece em vídeo metendo maços de dinheiro na bolsa. O acerto objetiva neutralizar resistências no PT.
LULA NO VAREJO
O acordo PT-PMDB é coordenado pelo próprio Lula. Ele tem dito a petistas históricos locais que a vitória no DF “é questão de honra”.
CHAPA FORTE
Como esta coluna antecipou, o candidato a governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), terá como vice o deputado Tadeu Filippelli (PMDB).
“PLOMESSA”
Dilma afirmou a caminhoneiros que “o Brasil não pode voltar à época da roda presa”. Da língua presa, não avisou quando escaparemos.
BEM PASSADOS
Servidores têm aumento retroativo, mas são os aposentados que “vão arrombar o cofre” com reajuste de 7,7%, diz o governo Lula.
UNB: GOVERNO QUER DE VOLTA PAGAMENTO ILEGAL
Professores e funcionários emendaram férias com greve, impedindo o início do ano letivo na Universidade de Brasília, a pretexto de exigir o pagamento, considerado ilegal, do que chamam de “gratificação” – uma espécie de abono pontual, ordenado pela Justiça em 2006, que depois a UnB estendeu de forma indiscriminada. O governo apelou à Justiça para suspender o pagamento ilegal e obter a devolução do dinheiro.
CULPA DO REITOR
O Ministério do Planejamento verificou pagamento indevido ao pessoal na UnB durante uma auditoria à folha de pagamento, a pedido do reitor.
GARANTIA DE MINISTRO
Pode ser difícil obrigar o pessoal da UnB a devolver o que recebeu indevidamente, porém de boa-fé. Mas o pagamento não será retomado.
INDIGNAÇÃO PERSISTE
Faixa exposta no Eixão Sul, a maior avenida de Brasília, que corta a capital de Norte a Sul: “Brasília 50 anos: Prisão para os Corruptos”.
NO PT MANDA ELE
A ojeriza de Lula pelo deputado Geraldo Magela (DF) o levou a fechar-lhe as portas para disputar o Senado pelo PT. Preferiu concordar com a aliança que tentará reeleger o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), por quem jamais morreu de amores.
ARRUDA REAPARECE
José Roberto Arruda reapareceu em Brasília, às 18 horas de terça, na clínica do dr. Chico Agulha – de acupuntura, obviamente. Ele próprio dirigia sua camionete Hylux. Embora abatido, já usa a barba no cárcere.
SENADORA GLEISI
Lula bateu o martelo no Paraná: Gleisi Hoffmann (PT) não abrirá mão da candidatura ao Senado nem que a vaca tussa. Assim, se cumprir a ameaça, o senador Osmar Dias (PDT) desistirá de disputar o governo.
NOMENCLATURA
Defensor da CPI do Dnit, o senador Mario Couto (PSDB-PA) é processado por ter chamado o diretor do órgão, Luiz Antonio Pagot, de “corrupto”. Couto avisou então que vai substituir “corrupto” por “ladrão”.
METENDO O BEDELHO
Ao deixar o Hotel Meliá para encontrar Lula, ontem, o seboso tiranete Hugo Chávez declarou que “sua” candidata era Dilma. Só lembrou que não estava em seu quintal quando o indagaram sobre o tucano José Serra: “Não vou opinar sobre assuntos internos do Brasil”. Ah, bom.
VALEI-NOS, SÃO DANIEL!
O doleiro Lúcio Bolonha Funaro, que denunciou ao Ministério Público o que chama de “uma das maiores fraudes financeiras de todos os tempos” na Bancoop, topou uma acareação na CPI com João Vaccari, ex-presidente da cooperativa e atual tesoureiro nacional do PT.
POLUIÇÃO AMBIENTAL
Ontem foi “O Dia da Caatinga”. Talvez só uma coincidência com os “vapores” que o paulista de Pindamonhangaba Ciro Gomes emitiu na imprensa contra meio mundo.
NADA CONSTA
O Grupo Alusa, de energia, construção civil e gás, nega problemas em contratos com a Petrobras. A estatal não comentou a notícia da coluna “por questões contratuais”.
PERGUNTA NO CARTÓRIO
Afinal, a presidenciável petista é Dilma, Wanda, Estela, Luísa ou Norma Bengell?
PODER SEM PUDOR
RESPEITO AO NÉCTAR
Pai do deputado Ricardo Rique (PL-PB), Newton Rique presidia o BNDES e visitou um velho amigo, chefe político do interior. Foi recebido com festa. O anfitrião, homem simples, resgatou um champanhe guardado há anos para aquela ocasião. Mas perguntou, cuidadoso:
– O senhor prefere champanhe misturado com Fanta ou com Coca-Cola?
A elegância de Rique não deixou o amigo perceber a própria ignorância:
– Cabra macho bebe isso puro, sem misturar!
QUINTA NOS JORNAIS
- Globo: PM ocupa sete favelas da Tijuca sem nenhum tiro
- Folha: BC aumenta juros após 19 meses
- Estadão: Planilha do caixa dois de Arruda cita 'Sarney'
- JB: A crise europeia: A vez da Espanha
- Correio: Viagra genérico está liberado a partir de junho
- Valor: Fundos populares já são superados pela poupança
- Jornal do Commercio: Timbu decide com o Leão
quarta-feira, abril 28, 2010
JOSÉ SIMÃO
Fla e Timão! O clássico da balada
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 28/04/10
Sabe por que o ministro se chama Temporão? Porque só aparece de tempos em tempos!
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
"Ministro da Saúde recomenda sexo contra hipertensão." Aí não é mais hipertensão, é HIPERTESÃO! E o ministro arruma mulher? Rarará! Não adianta só recomendar. De repente o cara é hipertenso, mas não arruma mulher!
E o Blogdobonitão revela o alerta do ministro: "Mas com a mulher dos outros o SUS não cobre!". Então não tem graça. Prefiro continuar hipertenso. E sabe por que o ministro da Saúde se chama Temporão? Porque só aparece de tempos em tempos! E hipertenso é o cara que paga imposto. IPI, IPVA, IPTU e IPERTENSO! Rarará! E a Padrefolia!? Papa aceita renúncia do bispo irlandês. E sabe o que o bispo irlandês pedófilo falou para o papa? "DÁ PRA DEVOLVER O MEU DVD?" Rarará!
E mais uma da minha morenanta predileta, Lucianta Gimenez: "Tem gente que é que nem Maomé, tem que ver pra crer". Maomé, são Tomé, tudo termina em "é" mesmo. BÉÉÉ! E Flamengo X Corinthians? Ronaldo, Roberto Carlos, Vagner Love, Adriano. Se sair gol, não vai ter dancinha, vai ter BALADA! O clássico da balada! Ronaldo e Adriano vão lutar sumô. O clássico do sumô! E o Kaká é tão fino que tem lesão no púbis.
O Romário tem lesão na virilha, o Ronaldinho tem lesão no saco, o outro tem lesão na panturrilha. Mas o Kaká, como é fino, tem lesão no púbis! E um amigo meu foi assistir a Santos e Santo André numa birosca em Vila Margarida, em Santos. E olha a pichação na parede do banheiro da birosca. "Proibido cagar e cheirar.
Sujeito a MURRO E PONTAPÉ." O brasileiro é cordial. Assim como o Ciro. Ops, o TIRO GOMES! Rarará! E a Susan Boyle vai cantar para o papa! Se eu encontrasse com a Susan Boyle, eu diria: "Sou da paz! Leve-me ao seu líder".
Ela não é uma mulher, é uma IPP. Indivídua Portadora de Perereca! Rarará! É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse o outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece. Antitucanês Reloaded, a Missão.
Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanes. É que em Manaus tem um campo de futebol chamado Arranca Dedo! Ueba! Inclui na Copa 2014! Mais direto, impossível. Viva o Brasil! Viva o antitucanês!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro meu óbvio lulante. "Corneta": associação dos cornos que vão pra Copa. Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
ELIO GASPARI
Lula e o risco do pitoresco ao ridículo
Elio Gaspari
O Globo - 28/04/2010
O Nosso Guia precisa pisar no freio de seu desembaraço internacional. Quem viu algumas das expressões de perplexidade no plenário da reunião com chefes de Estado caribenhos, em Brasília, quando anunciou que "depois da Presidência, vou continuar fazendo política" teve uma ideia do efeito que a ligeireza verbal do Grande Mestre provoca em reuniões internacionais. Noves fora a platitude, o que desconcertou parte da audiência foi a utilização de uma reunião desse tipo para um improviso de palanque municipal.
Na política internacional sempre há lugar para personagens improváveis. Alguns, como o Mahatma Gandhi (um "faquir seminu", segundo Winston Churchill) ou Nelson Mandela, um prisioneiro sem rosto nem voz durante 27 anos, tornam-se figuras da história. Outros, como o jovem capitão Muammar Gaddafi, que destronou o rei senil da Líbia em 1969 e, quase septuagenário, ficou parecido com Cauby Peixoto, nas palavras de Lula.
A distância do improvável ao pitoresco é pequena e quase sempre benigna. Do pitoresco ao ridículo é imperceptível, porém maligna. O operário pobre que chega à Presidência de um país de 190 milhões de habitantes é uma história de sucesso em qualquer lugar do mundo. Não se pode dizer o mesmo do monoglota que tem o seu nome oferecido para a Secretaria-Geral da ONU, ou do latino-americano que sai pelo Oriente Médio oferecendo uma mediação desconexa, "risivelmente ingênua", na opinião pouco protocolar atribuída à secretária de Estado Hillary Clinton.
No auge da crise financeira de 2008, Lula sugeriu que partisse da ONU "a convocação para uma resposta vigorosa às ameaças", com uma reunião dos presidentes dos Bancos Centrais e ministros da Fazenda dos 192 países-membros da organização. Do presidente do Federal Reserve Bank americano ao ministro das Finanças do reino de Tonga, Otenifi Matoto.
Pode-se entender que o Brasil tenha negócios com a Venezuela e que Nosso Guia e seu comissariado tenham afeto nostálgico por Fidel Castro. Daí a abrir uma embaixada no campo de concentração do "Querido Líder" norte-coreano ou a receber em Brasília o cleptocrata uzbeque Islam Karimov, cuja polícia ferveu dissidentes, vai grande distância.
Toda política externa tem algo de teatral, mas o embaixador Marcos Azambuja ensina, há décadas, que "os diplomatas são produtores de blá-blá-blá, mas não são consumidores". A maior negociação diplomática ocorrida nos quase oito anos de diplomacia-companheira foi a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio. O chanceler Celso Amorim trabalhou pelo seu êxito, deu um drible de última hora na Índia e na China, caiu numa armadilha da delegação americana e amargou um fracasso.
Quando uma diplomacia acredita no próprio teatro, deixa de ser associada a uma política externa e é vista como uma companhia de espetáculos. Sobretudo quando essa diplomacia gira em torno de um personagem-ator. Ainda falta algum chão para que Nosso Guia ganhe um retrato na galeria dos governantes pitorescos, como Silvio Berlusconi ou Boris Yeltsin de seus últimos anos, mas o caminho em que entrou pode levá-lo até lá.
Serviço: nas próximas quatro quartas-feiras o signatário usufruirá o abuso adquirido (expressão tucana) das férias.
CELSO MING
O rombo pesa
Celso Ming
O Estado de S.Paulo - 28/04/2010
Faz seis meses que a encrenca grega atormenta os mercados e as autoridades do mundo inteiro. Cúpula após cúpula, comissão após comissão, os dirigentes europeus produzem notas oficiais em que manifestam intenções, mas não conseguem acabar com o problema.
Ontem, foi um desses dias de turbulência e de impaciência cujo deflagrador foi o rebaixamento da qualidade das dívidas de Portugal e Grécia. As bolsas europeias despencaram, o euro perdeu 1,5% do seu valor em dólares (veja o Confira) e, a despeito dos pronunciamentos em contrário, mais e mais gente passou a temer pelo calote grego.
A solução não se viabilizou até agora aparentemente pela ferrenha oposição da opinião pública da Alemanha. Mais de 70% da sua população é vigorosamente contra qualquer ajuda "a essa gente folgada da Grécia".
Por isso, a chanceler Angela Merkel dispara uma declaração dura atrás da outra com o objetivo de aplacar os demônios germânicos. Tudo se passa como se a atual manifestação da crise devesse se aprofundar a ponto de derrubar a cotação do euro a níveis assustadores para que se possam criar condições políticas para um socorro eficaz à Grécia e a Portugal.
Tudo parece bem mais complicado do que parecia lá por outubro e novembro de 2009, quando esta crise começou a ser percebida. O rombo da Grécia é bem maior do que fora admitido. Em meados do ano passado, seu governo reconhecia um déficit público de cerca de 6,0%. Depois, foi obrigado a revê-lo para 12,7%. E, na semana passada, a Eurostat, organismo encarregado das estatísticas europeias, puxou os números negativos ainda mais para acima, para 13,6%. Essas seguidas revisões levantam a suspeita de que mais esqueletos podem aparecer.
Em segundo lugar, a letra G não está sozinha. No turbilhão estão as demais que formam o acrônimo original Pigs (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha) e sabe-se lá se o contágio não vai arrastar outras mais para a crise.
Esse não é caso de fobia pura e simples. A deterioração das finanças dos países de alta renda, entre os quais estão pelo menos mais três europeus (Reino Unido, Itália e Hungria), pode se transformar na mais nova subprime das finanças globais.
Não é verdade que esses rombos tenham aparecido apenas com a crise dos Estados Unidos. Ela não cresceu apenas porque exigiu novos gastos com socorro aos bancos, com seguro-desemprego e políticas anticíclicas, numa paisagem geral de recessão e de queda de arrecadação.
A atual escalada das despesas públicas começou lá atrás. Nos Estados Unidos tem como causa a cobertura das despesas de guerra do período Bush-2 e a baixa disposição a poupar por parte do consumidor americano. E na Europa está relacionada ao forte crescimento das despesas com seguridade social (welfare state).
O Brasil não pode se fiar no efeito marolinha do ano passado. Se o agravamento da crise financeira global se confirmar, os mercados para o produto brasileiro se estreitarão. E o afluxo de capitais também se reduzirá num momento em que o investimento é cada vez mais vital para garantir a expansão futura. O crescimento do PIB nacional deste ano, da ordem de 5,5% a 6,0%, pode ser considerado garantido. O problema será 2011 em diante.
Confira
Moeda ameaçada
Ontem o euro atingiu sua menor cotação em 12 meses. Você tem acima a trajetória do euro diante do dólar.
Mico grego
O novo rebaixamento da dívida da Grécia deixa o Banco Central Europeu (BCE) em uma sinuca de bico. Se nas suas operações com os bancos continuar aceitando como garantia (colateral) os títulos gregos, como se fossem tão bons quanto os alemães, o BCE perderá credibilidade e essa perda de credibilidade será repassada para o valor do euro. Mas, se não aceitar, afundará de vez a Grécia, depois Portugal, Espanha...
STEVE BALLMER
Oportunidades da computação em nuvem
STEVE BALLMER
FOLHA DE SÃO PAULO - 28/04/10
A nuvem permitirá maior acesso a serviços de saúde e serviços públicos em geral e ampliará para todos as oportunidades educacionais
ESTOU entusiasmado em voltar ao Brasil nesta semana para ver de perto o progresso econômico e social que transformou o país. Desde que a Microsoft abriu aqui o seu primeiro escritório, há 21 anos, o Brasil se transformou em modelo global de desenvolvimento econômico e em centro de eventos internacionais, como a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.
É fácil entender a atratividade do país. Uma democracia forte e estável combinada com um setor industrial avançado, abundância de recursos naturais e um sistema educacional que tem feito enormes progressos nos últimos 20 anos contribuíram para colocar o Brasil no caminho de se tornar uma das principais economias do mundo nos próximos anos.
Essa transformação não poderia ocorrer em melhor hora. Com o Brasil focado na construção de um futuro melhor, uma nova onda de inovações tecnológicas está criando oportunidades para as pessoas ficarem mais conectadas, produtivas e criativas, estejam em comunidades rurais ou em bairros urbanos.
No centro da mudança está o surgimento da computação em nuvem. Ao combinar o poder de aparelhos digitais inteligentes com a capacidade de armazenamento e processamento de enormes "datacenters", a computação em nuvem está redefinindo a maneira como usamos a tecnologia. Na Microsoft, olhamos a computação em nuvem como uma oferta de novos recursos e experiências que terão impacto positivo na vida das pessoas em casa, na escola e no trabalho.
Uma plataforma que ajudará empresas de todos os tamanhos a transformar ideias brilhantes em excitantes novos negócios, capazes de atingir clientes ao redor do mundo.
Acreditamos que a nuvem dá a um empresário jovem e inteligente em São Paulo, no Rio de Janeiro ou em Recife, com uma ideia de negócio inovadora, a capacidade de competir quase de igual para igual com as maiores empresas globais.
Igualmente importante, a nuvem permitirá maior acesso a serviços de saúde e serviços públicos em geral e ampliará as oportunidades educacionais em todos os níveis da sociedade.
Embora a compreensão do potencial da computação em nuvem esteja só no começo, ela já revoluciona a forma como interagimos. O Messenger da Microsoft, usado por 46 milhões de pessoas no Brasil, é um exemplo de software muito bem-sucedido baseado em nuvem.
Aqui no Brasil, mais de 11 milhões de PCs foram vendidos em 2009. Os PCs hoje têm incrível variedade de tamanhos e configurações, mas com características comuns: são mais inteligentes, poderosos e acessíveis. E oferecem mais recursos do que nunca.
O mesmo ocorre com milhares de aparelhos, de celulares a consoles de jogos, tocadores de música portáteis, sistemas de GPS para carro, leitores eletrônicos de livros e muito mais.
Assim como a nuvem transforma a maneira como usamos essa rica variedade de dispositivos para trabalhar, jogar e se comunicar, também revolucionará a forma como o software é desenvolvido e distribuído.
Um aspecto essencial da computação em nuvem é fornecer base para um software que pode ser acessado instantaneamente de qualquer aparelho e experiências que fluem diretamente de aparelho a aparelho.
Enquanto a computação em nuvem cria novas oportunidades, traz também novas responsabilidades. Mais informações pessoais são armazenadas on-line, e surgem ferramentas mais sofisticadas para analisar o comportamento das pessoas.
Isso significa que as empresas terão de prestar atenção especial às questões de privacidade e segurança.
Na Microsoft, temos a responsabilidade de liderar o movimento para assegurar que essa nova geração de tecnologias seja projetada para dar às pessoas controle sobre suas informações pessoais e seu modo de uso.
Ao longo da nossa história, a Microsoft tem trabalhado em estreita colaboração com consumidores, governos e empresas para compreender os impactos da tecnologia na privacidade. Aqui no Brasil e ao redor do mundo, estamos comprometidos em assegurar a privacidade e a segurança pessoal, com base na transparência e no respeito às leis locais.
Estamos comprometidos com um desenvolvimento aberto dessas novas tecnologias, trabalhando em permanente colaboração com empresas e desenvolvedores de software para garantir que produtos e serviços possam se conectar automaticamente e que as informações possam fluir eficazmente entre sistemas.
Quando se trata de computação em nuvem, estamos todos dentro. Estamos muito animados em trabalhar com nossos parceiros no Brasil para ajudarmos a liberar ideias inovadoras, chave para novas oportunidades e para um crescimento sustentável.
STEVE BALLMER, 54, é presidente mundial da Microsoft.
MÍRIAM LEITÃO
Contágio grego
Miriam Leitão
O Globo - 28/04/2010
A Europa está na linha de tiro. Os economistas ainda não falam que é uma crise do euro, mas já admitem que pode se tornar. O que era apenas um problema grego, ontem virou também português.
Em julho, a Espanha terá que pagar C 24 bilhões. A Itália e a Irlanda não vão nada bem. Não há mecanismo para tirar um país da zona do euro, e isso aumenta o risco de contágio.
— A Alemanha está em pleno processo eleitoral e fica difícil para o governo de Angela Merkel explicar aos eleitores a ajuda a um país que caminha para a insolvência — explicou a economista Monica Baumgarten de Bolle, da consultoria Galanto.
Essa é a razão da demora da ajuda, apesar de a Alemanha já ter anunciado que ajudará a Grécia.
A demora piora um quadro fiscal que já é dramático porque o custo da dívida aumenta. Além disso, novas revisões dos dados gregos têm piorado os indicadores.
Concretamente, a Grécia é um país que tem um déficit de 14%, uma dívida que está atingindo níveis de 130% do PIB e está em recessão. Além disso, tem uma dívida de curto prazo que fica cada dia mais cara.
— Há muita resistência por parte da Alemanha porque o ajuste fiscal que a Grécia tem que fazer para colocar as contas em ordem é muito grande. Precisa gerar um superávit primário de 9,9% do PIB para seu estoque de dívida ficar estável — conta José Márcio Camargo, da PUC-Rio e da Opus Gestão de Recursos.
Fazer o superávit necessário para que as coisas não piorem é impossível por um outro motivo, como lembra Monica.
— Mesmo que eu queira acreditar que é possível, é preciso lembrar que o país está em recessão. O governo diz que a retração será “só” de 2%. Isso já é muito, mas deve ficar bem pior.
Essa é a visão mais otimista que existe — diz.
A dívida de Portugal foi rebaixada ontem pela Standard & Poor’s, que também rebaixou a da Grécia.
O déficit público português saltou de 2,8% para 9,4% em 2009. A dívida foi a 76,8% do PIB. E o país também tem baixa capacidade de crescimento.
— A Espanha tem pagamentos vencendo em julho de C 24 bilhões de euros. O problema da Espanha não é de solvência como a Grécia, é de liquidez — diz Monica.
Ela acha que o abalo que atingiu ontem Portugal pode ser classificado como contágio. E que a Espanha também pode ser vítima de contágio se não houver uma solução a curto prazo para o problema grego. O desemprego espanhol passou dos 20% em março.
José Márcio acha que o pacote de socorro do FMI e da União Europeia terá que ser dobrado para C 90 bilhões em três anos. E lembra que a ajuda terá que ser aprovada no Congresso de cada país.
Há um fato que torna o risco de contágio maior: estão todos na mesma zona monetária e têm números fiscais igualmente horrorosos.
Em grande parte, essa piora fiscal ocorreu por causa da crise de 2008, mas já havia, desde antes da crise, um relaxamento perigoso dos parâmetros fiscais.
— Legalmente, não existe nenhum mecanismo para tirar um país da zona do euro voluntária ou involuntariamente.
Nem há previsão de situação em que o país saia, nem de que ele seja expulso — disse Monica O economista Ivo Chermont, da Modal Asset, acha que há uma saída legal, mas que, operacionalmente, ela é praticamente inviável.
— Acredito ser mais fácil o default da Grécia do que o país abandonar o euro e voltar a usar o dracma. Há uma legislação pesada por trás, não é só o Banco Central da Grécia voltar a imprimir a moeda — afirmou.
Isso sem falar no fato de que os bancos teriam ativos em dracma e o passivo continuaria em euro.
Amarrados uns aos outros os países do euro enfrentam a pior crise fiscal da sua história. E tudo é consequência da crise bancária.
A uma crise bancária sempre segue uma crise fiscal.
A Irlanda, por exemplo, tinha um bom histórico de ajuste das contas públicas e redução da dívida/PIB. Está também sob risco por causa da crise de 2008.
— Os bancos irlandeses tiveram vários problemas e seus rombos foram nacionalizados.
Isso piorou os dados fiscais — diz Monica.
A Irlanda viu o déficit praticamente dobrar de um ano para o outro: de 7,3% para 14,3%. A dívida é de 64% do PIB.
Na Inglaterra, o déficit pulou de 4,9% para 11,5%, com a dívida subindo para 51,7%.
Como uma economia forte, com uma moeda forte e só sua, a Inglaterra tem várias vantagens, mas tem uma fragilidade política se nenhum dos três partidos fizer a maioria no parlamento na eleição de maio.
E de onde poderia sair tanto dinheiro para socorrer os países mais encrencados? Mônica diz que pode ser do “New Arrangements to Borrow”, o formato de empréstimo sem condicionalidades: — O Fundo tem US$ 500 bilhões para emprestar por este mecanismo.
Provavelmente, a ajuda do FMI seria dada dentro de um processo de reestruturação das dívidas de alguns desses países.
Será a reestruturação negociada, ou eles decretarão moratória. Mais dia, menos dia.
JOSÉ NÊUMANNE
Turma do sítio de dona Dilma bota pra quebrar
José Nêumanne
O Estado de S.Paulo 28/04/10
Chegaram ao noticiário político os primeiros sinais de que o sítio na internet para divulgar a candidatura oficial da ex-chefe da Casa Civil do governo Lula da Silva Dilma Rousseff (www.dilmanaweb.com.br), anunciado com espalhafato, está aí mesmo é para protagonizar, e não meramente para figurar na campanha presidencial. E, a exemplo de como bradava o Velho Guerreiro Abelardo Barbosa, o Chacrinha, não veio propriamente para explicar, mas, sim, para confundir.
O primeiro indício nesse sentido foi dado por ocasião do lançamento, na revista semanal da televisão Fantástico, da campanha publicitária do 45.º aniversário da Rede Globo. Uma demonstração de que a função da equipe que administra esse endereço eletrônico é disparar contra adversários e inflar a petista foi a acusação de que a monopolista de audiência no meio de comunicação mais popular entre as massas fazia propaganda subliminar do tucano José Serra. Isso porque o total de anos de existência que a Globo completa coincide com o número que o eleitor que quiser sufragá-lo digitará na urna eletrônica. O exagero parece semelhante ao PSDB pedir que o treinador de futebol Zagallo seja proibido de manifestar sua predileção supersticiosa pelo número 13, pública e notoriamente coincidente com o da candidata do PT. Ou ainda que a torcida do 13 Futebol Clube, de Campina Grande, Paraíba, seja emudecida à força em anos eleitorais - no Brasil, de dois em dois. Mas logo o aparente absurdo se dissolveria, já que, numa demonstração de que quem tem concessão precária de um negócio bom e poderoso como televisão, dependendo dos humores dos governantes, tem, sim, medo de ser feliz, a Vênus Platinada mandou para o lixo a campanha e deixou até de servir o bolo de aniversário.
Ainda ecoava nos meios de comunicação a estupefação de alguns inconformados com a intrusão de Franz Kafka em nossa eleição quando a turma do sítio de dona Dilma botou pra quebrar de novo. Ao mesmo tempo que o ex-áulico de Lula Ciro Gomes atira com sua metralhadora giratória na favorita dele, notificando a escassez de seus méritos biográficos, o que não a legitimaria na disputa do cargo mais poderoso da República, os solertes companheiros da célula cibernética decidiram "refundar" a biografia da candidata. Petistas têm notória predileção por esse verbo, na ilusão de que ele, tendo mandado a lógica aristotélica às favas, signifique fundar uma vez mais, o que nunca seria possível. No entanto, como o termo significa apenas e tão-somente afundar mais, fica a permanente impressão enviesada pelo distinto público de que Tarso Genro pretendia aprofundar o partido quando se candidatou a presidente e o governador da Bahia, Jaques Wagner, acusou o presidente da República de torná-la cada dia mais funda. E, nessa "refundação" (essa palavra, como lembra o escritor Alex Solomon, não está registrada no dicionário), enfiaram uma foto da atriz Norma Bengell numa passeata de protesto contra a ditadura entre flagrantes de Dilma menina e Dilma mulher.
Foi aí que a turma do sítio, pilhada em flagrante delito, "refundou" o passado sem brilho da candidata ao tentar fazê-la alçar voo. E terminou acusada de copiar titio Josef Stalin, que costumava eliminar ex-camaradas caídos em desgraça dos verbetes das enciclopédias, dos parágrafos dos livros de história e até das fotografias dos momentos históricos da gloriosa Revolução Soviética de 1917. Oh, que pena! O palpite, contudo, é tão infeliz quanto a tentativa de fazer passar a ainda então belíssima estrela de Os cafajestes pela ilustre prócer no viço da juventude. O "guia genial dos povos" eliminava fisicamente os inimigos e os excluía até das fotografias (não necessariamente nessa ordem). Já a travessa turma do sítio de dona Dilma tentou adaptar a História do Brasil às conveniências de sua campanha para aprimorar os méritos pretéritos da mesma. Só conseguiu, porém, chamar a atenção dos adversários e do eleitorado em geral para as fragilidades biográficas da pretendente ao trono.
Em favor da patota urge lembrar que nisso não é única nem singular. Antes, um solerte servidor da então chefe da Casa Civil do governo Lula tentou plantar no currículo acadêmico dela um mestrado que não defendeu e um doutorado que nem sequer cursou na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O repórter Luiz Maklouf de Carvalho o pegou na mentira com declarações explícitas da direção da renomada instituição acadêmica. E a que foi mestra sem nunca ter sido reagiu ao flagrante com a desculpa de que não concluiu a dissertação porque estava trabalhando. Sim. E daí?
Tenta-se ainda reescrever o currículo de Dilma no documentário, em cartaz em São Paulo, Utopia e barbárie. Seu diretor é Sílvio Tendler, testemunha de que o presidente teria feito uma "brincadeira" entre amigos ao narrar uma tentativa frustrada de assédio a um companheiro de cela no Dops, lembrada por César Benjamin em artigo publicado na Folha de S.Paulo. No filme, de forma menos subliminar que o número dos anos da Globo, ela depõe sobre a própria atuação na luta armada da esquerda contra a ditadura militar de direita no Brasil. De blusa vermelha, a ex-guerrilheira não relembra um fato heroico, só recita teorias que o ministro da Propaganda da República petista, Franklin Martins, defende com mais clareza. Ele e ela não dizem que lutaram pela democracia, mas garantem que resultou da luta de ambos a irreversível implantação de uma mentalidade libertária no Brasil. Terá sido? Sua qualificação como "economista" no filme parece irônica, porque a exibição do filme coincide com a celebração do 80.º aniversário de Maria da Conceição Tavares, notória mestra dos economistas de esquerda no País.
Fatos refundam um passado que áulicos engajados tentam reconstruir, talvez convictos de que Josef Goebbels tinha de fato razão ao atribuir à mentira insistente foros de verdade absoluta.
PAINEL DA FOLHA
Avisa lá
Renata Lo Prete
Folha de S.Paulo - 28/04/2010
Depois de quase três semanas sem aparecer ao lado de Dilma Rousseff (PT), Lula mandou avisar à direção da Força Sindical que estará presente no 1º de Maio -devidamente acompanhado de sua candidata. Se concretizada, será a primeira participação do presidente no movimentado evento da central ligada ao PDT, que no ano passado reuniu 1,5 milhão de pessoas com shows e sorteio de prêmios em pleno território de José Serra (PSDB). A prometida aparição de Lula no 1º de Maio da Força ocorrerá no momento em que parte da central negocia apoiar para o governo paulista o tucano Geraldo Alckmin e não o petista Aloizio Mercadante, a quem o PDT espera indicar um vice.
Boleia
A Abcam (Associação Brasil Caminhoneiro) promete distribuir a seus 800 mil filiados adesivos com a inscrição "Fora Dilma". É resposta ao fato de a candidata ter se reunido com representantes do Movimento União Brasil Caminhoneiro, que a Abcam acusa de ser formado por sindicatos fantasmas.
Veja bemLula vai conversar com o presidente do PC do B, Renato Rabelo, na tentativa de implodir a candidatura de Flávio Dino no Maranhão. Isso devolveria o PT à órbita de Roseana Sarney (PMDB), que buscará um novo mandato.
RadicalDomingos Dutra (PT-MA) iniciou dieta em preparação para a greve de fome que promete fazer caso seu partido decida apoiar Roseana. Há dias o deputado se alimenta de farinha com camarão seco e banana com pão, que fazem o organismo exigir água, diminuindo a fome.
Não encaixaDo presidente do PSB, Eduardo Campos, pondo dúvida a ideia de que o agora ex-candidato Ciro Gomes possa ser integrado ao QG da candidatura de Dilma: "Não cabe um quadro do tamanho dele trabalhar na campanha. Ele vai fazer o quê?".
EraCartaz na porta da sala onde a cúpula do PSB se reuniu para sepultar a candidatura própria: "Agora é Ciro".
Dando um tempoDe um tucano que conhece a vida sobre Ciro: "Ele apoiará a Dilma, claro. Só não pode falar mal do Serra agora porque acabou de falar bem".
Pré-requisitoFrancisco Dornelles (PP) aceitaria ser vice de Serra? "No ato. Basta que seu primo Aécio esteja de acordo", diz um conhecedor dos três personagens.
CírculoAo lado de Aécio e Antonio Anastasia, Serra encontrará hoje em Uberlândia (MG) prefeitos e vereadores de cinco siglas -PSDB, PP, DEM, PTB e PPS. Como não se pode dizer que é campanha, o evento foi batizado de "Encontro de Lideranças do Triângulo Mineiro".
ElevadorAo posar ontem durante visita ao Mercado de Arte, em Feira de Santana (BA), Serra percebeu que era mais baixo do que as outras três pessoas que apareceriam junto com ele na foto. O tucano não teve dúvida: equilibrou-se na ponta dos pés.
FechadoEstá pronto o palanque de Serra no Tocantins: Siqueira Campos (PSDB) sairá candidato ao governo, e a senadora Kátia Abreu indicará um nome do DEM para vice. Os candidatos ao Senado serão João Ribeiro (PR) e Eduardo Gomes (PSDB). E ainda se negocia o apoio de parte do PMDB à chapa.
CabosHermes Chipp foi reeleito para comandar o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). O mandato é de quatro anos. Descrito pelo governo como um técnico de perfil discreto, sua recondução teve o apoio de Dilma.
Visita à FolhaPaulo Godoy, presidente da ABDIB (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de José Casadei, assessor de imprensa.
Tiroteio
"É incrível que Serra prometa criar um Ministério da Segurança, se em quatro anos ele não conseguiu nem mesmo fazer funcionar direito a Secretaria da Segurança em São Paulo."
Do deputado ANDRÉ VARGAS (PR), secretário de Comunicação do PT, sobre proposta anunciada pelo tucano em entrevista anteontem.
Contraponto
Sim e não
Quando ainda era secretário de Desenvolvimento, cargo do qual se desincompatibilizou no final de março para buscar novo mandato como governador de São Paulo, Geraldo Alckmin recebeu a visita de Cesar Perucio (DEM), prefeito do município de Itararé, a 320 km da capital.
Perucio foi direto ao ponto: viera pedir a instalação de uma escola técnica na cidade. Alckmin elogiou a ideia e, igualmente objetivo, perguntou:
-A prefeitura tem algum prédio ocioso para ceder?
-Tem, mas está ocupado- disse o prefeito de pronto.
Diante da inusitada resposta, Alckmin achou melhor não insistir na questão. Ficou de estudar o caso e acabou autorizando a abertura de cursos em Itararé.
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