terça-feira, abril 13, 2010

JOSÉ SIMÃO

Serra lança Bolsa Família Adams!
FOLHA DE SÃO PAULO - 13/04/10

E o novo apelido do Rogério Ceni: ROGÉRIO SENIL; diz que tem 37 anos e 47 de goleiro!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
E o novo apelido do Rogério Ceni: ROGÉRIO SENIL. Diz que tem 37 anos: 37 de idade e 47 de goleiro!
E 2012 É HOJE! "Suzana Vieira vai ao cinema com o ex-BBB Serginho." Por isso que o mundo vai acabar. Aliás, depois dessa, o MUNDO TEM QUE ACABAR! Rarará!
E um amigo marcou consulta no urologista e a secretária falou: "O urologista fica ao lado do Habib's!".
Vai levar um toque no Habib's!
E quem disse que a dona Marisa não faz nada? Bando de linguarudos!
Olha a faixa que eu vi em Brasília: "Dona Marisa! Cartas, búzios e tarô". E o lançamento do Serra? Mais conhecida como "A Festa do Aécio" ou "Baile da Terceira Idade do Clube Pinheiros"! E o discurso do Vampiro Anêmico: "Prefiro ter uma cara só".
AINDA BEM! Já imaginou duas daquelas? Aliás, se ele tivesse duas caras, não estaria usando justo essa que ele tá usando! Rarará! E mais: "O Brasil não tem dono". E aí o Sarney gritou: "Mas o Maranhão tem!".
E o Eramos6 revelou o grande projeto social do Serra: BOLSA FAMÍLIA ADAMS! Rarará! E o ex-futuro vice Aécio? Disse que o Brasil precisa da velocidade tucana. Aí, o Serra pediu um minuto de silêncio pelas vítimas do Rio. Que durou um minuto e quarenta e três segundos!
Isso que é velocidade! O Aécio?
E o Lulalelé em São Bernardo: "Eu vou falar com o OBRAHMA". Juro que ele falou. Antes era só piada.
Agora é piada verídica! E sabe o que mais ele falou? "Quem disse que eu não estudei? Só no ABC passei 20 anos!". E a Dilma fica tão grudada no Lula que até assombra. Ops, A SOMBRA! Dilma e Serra, dou um pelo outro e não quero troco!
Nota oficial do Vaticano. "Sejam todas as mulheres informadas de que, deitadas na cama, nuas, enroscadas com alguém, gritar "Oh, meu Deus! Oh, meu Deus! Oh, meu Deus!"
não será considerado prece!". E mais um pra minha série Os Predestinados. Sabe o nome do responsável pela Protecta Vale Controle de Pragas? Edson RATÃO! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
Antitucanês Reloaded, a Missão.
Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que em Salvador, em frente ao Barra Shopping, tem uma carrocinha de cachorro-quente chamada O Cachorro do Lula. Rarará!
Mais direto, impossível!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. Hoje não tem! Motivo: nó na tripa! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza.
Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

PAINEL DA FOLHA

Pé quebrado
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 13/04/10

Menos de duas semanas depois de acertada pessoalmente por Lula, a aliança PT-PDT em prol de um palanque sólido para Dilma Rousseff no Paraná está por um fio. Em público, o pedetista Osmar Dias, que seria o candidato ao governo do consórcio, limita-se a criticar os petistas por lhe negarem Gleisi Hoffmann para ocupar a vice. "Eles só têm um projeto: eleger a senadora. O meu é maior." Dias gostaria de usar a vaga ao Senado para atrair o PP. Chegou a dizer a aliados que o PT quer lançá-lo "ao mar sem boia".
Em privado, o senador vai além. Afirma que, nas atuais condições, prefere abandonar a candidatura ao governo e buscar a reeleição, inclusive apoiando Beto Richa (PSDB), palanque de José Serra no Estado.


Rodo 1. Jaques Wagner (PT) chegou a afirmar em entrevista que estava "fechado" o apoio do PR à sua reeleição na Bahia. No mesmo dia, o partido anunciou que disputará o Senado, com César Borges, na chapa que terá Geddel Vieira Lima (PMDB) como candidato a governador.
Rodo 2. Ao PR interessava aliança na chapa proporcional, mas o PT não queria. Borges também achava que os petistas pretendiam atrapalhar sua reeleição ao Senado colocando outro nome de peso na chapa. "Não venham com Waldir Pires pra cima de mim", avisou a Wagner.
Rodo 3. Já robustecido pelo tempo de TV do PR, Geddel está perto de arrastar também o PPS, para ira do PSDB, que na Bahia apoiará o candidato do DEM, Paulo Souto.
Melhor não. Não foi só para diminuir a zona de atrito com Ciro Gomes (PSB) que a campanha de Dilma enxugou o roteiro da candidata no Ceará. Em Juazeiro, que ela visitaria, o prefeito Manuel Santana (PT) está todo enrolado em acusações de irregularidades em concorrências e superfaturamento de obras.
De mudança. Depois de José Serra afirmar em discurso que seu pai carregou "caixas de frutas para que eu carregasse caixas de livros", e Dilma Rousseff declarar em entrevista que carregou "o piano nestes cinco anos", surgiu em Brasília a expressão "campanha Granero".
Concorrência. Foi colocada para circular no PT a ideia de Antonio Palocci ser suplente de Marta Suplicy ao Senado. Os principais incentivadores são colegas de bancada do deputado, cuja reeleição é considerada segura.
Memória 1. A propósito de polêmica sobre a Constituição de 1988 levantada pelo PSDB no lançamento da candidatura de Serra, o PT lembra que, embora tenha votado contra, uma vez aprovada a Carta, todos os seus parlamentares a assinaram.
Memória 2. Veterano da campanha petista de 1989 conta que o "Olê, olê, olê, olá" foi extraído de grito de guerra do Flamengo, ao qual o compositor Hilton Acioli teve a ideia de somar o "Lula, Lula". Agora, surgiram versões adaptadas às campanhas de Dilma e até do tucano Serra.
Certame. Com um ano e meio de vida, a Fields, de Brasília, desbancou duas agências grandes e ganhou a conta do TSE para as eleições deste ano. O tribunal tem R$ 5,5 milhões para publicidade. A última campanha foi da W. Brasil.
Vou ali e já volto. Desde ontem fora da prisão, o governador cassado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, sem partido, foi aconselhado por amigos a sair de Brasília. Quem o conhece, porém, afirma que ele pode até seguir a recomendação, mas por muito pouco tempo.
Tenho dito. Declaração de despedida do ministro Fernando Gonçalves, responsável pela prisão, há dois meses, de Arruda ao se aposentar ontem do Superior Tribunal de Justiça: "As palavras são de prata, e o silêncio é de ouro". 

com SILVIO NAVARRO e LETÍCIA SANDER
Tiroteio
"É irônico que Serra anuncie sua candidatura pregando ensino de qualidade. Em São Paulo, onde estão no poder há 16 anos, os tucanos não conseguiram isso."
Do deputado estadual ROBERTO FELÍCIO (PT), sobre o trecho do discurso do ex-governador, durante o lançamento de sua candidatura à Presidência, dedicado à necessidade de melhora da educação. Contraponto
Anjos e demônios

Durante recente reunião da CCJ da Câmara, o presidente da comissão, Eliseu Padilha (PMDB-RS), chamou a atenção de Luiz Couto (PT-PB) por ter mudado três vezes de opinião numa discussão a respeito de quais quais projetos seriam votados naquele dia. O deputado, que é padre, respondeu com bom humor:
-Não me arrependo do que fiz, pois três é o número da Santíssima Trindade!
Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que acompanhava a conversa, resolveu opinar:
-Bom, já que ele invocou a Santíssima Trindade, acho que é o caso de perdoarmos o padre!

ÁREA DE RISCO

DORA KRAMER

Sábado de aleluia 

O Estado de S.Paulo - 13/04/2010

Fazia tempo que a sorte não se mostrava uma aliada tão fiel dos tucanos como no último sábado, quando, no anúncio da candidatura de José Serra à Presidência da República, até os erros acabaram dando certo.


Traumatizados pela produção de atos partidários anteriores marcados pela discórdia na cúpula, o desânimo nas bases e o desinteresse da militância, os tucanos foram modestos na expectativa e escolheram um local aquém da cerimônia.

Cerimônia? Maneira de dizer. Balbúrdia descreveria melhor o ambiente totalmente estranho ao modo tucano de ser.

Gente amontoada num desconforto de dar dó e, ainda assim, apaixonada e motivada.

Nem tudo, no entanto, foi improviso. Os presidentes de partidos aliados, Rodrigo Maia, do DEM, e Roberto Freire, do PPS, foram os primeiros a bater forte no adversário.

Fernando Henrique Cardoso ficou com a ironia de expor como trabalho de propaganda as obras do governo. "Ouço falar nos discursos, mas não vejo nada."

Antes do início dos pronunciamentos havia uma preocupação entre os organizadores - falsa, viu-se depois - com o atraso de Aécio Neves. Tudo combinado. O mineiro chegou durante o discurso de FH, recebido em delírio da plateia, que pressionou como se não houvesse amanhã nem recomendação da direção nacional: "Vice, vice!"

Os dois, José Serra e Aécio Neves, dançaram conforme pedia a música da ocasião. O candidato alternou uma conversa amena sobre sua biografia com discurso afirmativo de propostas, ressaltando a questão da segurança pública, ponto em que os dois governos anteriores foram absolutamente omissos, e pregou a união do Brasil repudiando o "raciocínio do nós contra eles".

Já Aécio aceitou o desafio e disse que se fosse para discutir o passado o partido estava preparado para expor os fatos, a começar pela recusa do PT a participar do processo de transição democrática. E, a fim de dirimir dúvidas, finalizou: "A partir de hoje, o candidato de Minas é José Serra."

Dito isso, puxou Serra para o centro do palco e encerraram os dois o espetáculo deixando um aroma de puro-sangue no ar.

Ao fim no encontro, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, e o deputado Jutahy Júnior saiam ainda meio aparvalhados, sem acreditar no que tinham acabado de ver. "Esperávamos umas dez pessoas do Amazonas, mas apareceram 150", relatava Sérgio Guerra.

"Da Bahia chegaram ônibus de gente que nem conhecíamos", contava Jutahy.

À noite, já em São Paulo, José Serra checava pelo telefone e via e-mails o efeito do discurso que na opinião dele havia sido positivo, com muitos improvisos, mas queria ter certeza se a impressão interna correspondera à repercussão externa.

Avaliação sucinta do próprio: "Foi tudo na medida. Aécio irrepreensível sob todos os aspectos", com acréscimo provocativo a Fernando Henrique que o chamou de irmão: "Mais adequado teria sido sobrinho." Serra tem dez anos de idade a menos que FH e faz questão de cada um deles.

Arapuca. Se a candidata Dilma Rousseff tiver juízo não cairá na provocação do MST para forçá-la a se pronunciar sobre reforma agrária. Inclusive porque nos termos em que as coisas são postas, com João Pedro Stédile chamando Dilma de "ignorante" no tema, não há um convite racional ao debate.

O que existe é um óbvio desastre anunciado, cuja intenção do MST não é perceptível a olho nu, mas que muito agradará à oposição.

Se o MST não apoiar Dilma, tanto melhor para ela.

Tribos de Marina. Alfredo Sirkis, coordenador da campanha da senadora Marina Silva (PV), diz que neste momento o alvo são três tipo de público: "Os jovens, a classe média iluminista e as mulheres cristãs, em sua maioria pobres."

Crítica e autocrítica. "Os políticos se valorizam além do valor que eles têm" (César Maia).

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Vantagem tributária não ajuda Belo Monte 

Folha de S.Paulo - 13/04/2010

Mesmo que o governo venha a oferecer eventuais vantagens tributárias para quem participar de Belo Monte, a avaliação dentro do consórcio que desistiu do leilão é que o investimento não valerá a pena.

Pode melhorar, mas não resolve, segundo afirma uma pessoa ligada ao consórcio que desistiu de participar da licitação da concessão da hidrelétrica.

Apesar de terem aberto mão do leilão como investidoras, a obra interessa às construtoras.
Em entrevista à Folha, publicada na edição de ontem, ao comentar a desistência das empreiteiras Odebrecht e Camargo Corrêa de participar do leilão, a pré-candidata do PT à Presidência creditou a decisão ao fato de haver muitas obras hoje no país.

"Tem muita obra no Brasil. O pessoal está estofadinho de obras. As empresas hoje têm um leque grande de oportunidades", declarou a ex-ministra.

A ex-ministra Dilma Rousseff está vendo Belo Monte apenas como obra e o olhar tem que ser de investidor, defende-se a fonte que acompanhou negociações no grupo. Como investidores, a conta não fecha, dá retorno baixíssimo, e o risco é monumental, afirma.

A obra, que representa entre 40% e 50% do custo do empreendimento, porém, interessa às construtoras, pois construtora nenhuma abriria mão de uma obra que terá um canal maior que o do Panamá, diz.

Além do baixo valor oferecido no edital, o consorcio queixou-se de não poder usar a energia como quisesse e de haver percentual obrigatório para autoprodutores no Norte e no Nordeste, enquanto a maior parte dos consumidores está no Sul e no Sudeste.
Brasil deve crescer 6,4%, prevê Bradesco 
A economia brasileira terá expansão de 6,4% neste ano, bem mais que o dobro que o país cresceu na média dos últimos 15 anos, que foi de 2,9%. Essa é a análise de Octavio de Barros, diretor de pesquisa e estudos econômicos do banco Bradesco.

No novo cenário macroeconômico realizado pelo banco para este ano, a inflação no país será de 5,5% no IPCA, do IBGE, e de 8,0% no IGP-M, da FGV.

"Caso não haja reação tempestiva do Banco Central, esses números deverão ser revisados para cima. Contudo, consideramos que a política monetária será acionada imperativamente com três aumentos sucessivos da taxa Selic a partir de abril, atingindo 11% até julho e continuando o ciclo em 2011 até um pico de juros de 12,25%", afirma Barros.

A balança comercial brasileira projetada pela equipe de economistas do banco deverá atingir saldo positivo de US$ 18,4 bilhões neste ano.

O resultado do superavit se deve, em grande parte, às commodities e, em particular, ao minério de ferro, cujo preço médio deverá ser reajustado em cerca de 90%, segundo análise do Bradesco.

NO FRASCO

A filial brasileira da Parfums Christian Dior inaugura neste mês dois espaços personalizados dentro de perfumarias de luxo em São Paulo. Trata-se de um móvel com peças desenhadas na França e montadas no Brasil, que será instalado dentro de duas perfumarias, onde profissionais especializados em tratamento e fragrâncias farão atendimento personalizado aos clientes. A arquitetura é baseada em nova imagem, chamada Cosmotic. Segundo Renato Rabbat, diretor do grupo LVMH, a meta é levar o projeto a Rio, Brasília, Salvador e Fortaleza. A ação no ponto de venda foi desenvolvida para alinhar a estratégia da marca no Brasil com o que já existe em lojas de departamentos onde atua no exterior.

NA PASSARELA

Empresários de negócios da moda estarão reunidos no seminário "Construindo Marcas de Sucesso na Moda", que acontecerá nos dias 27 e 28 deste mês, em São Paulo. No evento, organizado pela Folha, os participantes irão conhecer a trajetória de reconhecidas marcas brasileiras, os desafios e as estratégias. Entre os palestrantes estão Márcio Utsch, presidente da Alpargatas, Luís Fernando Justo, presidente da Osklen, e Valdemar Iódice, presidente e diretor de criação da Iódice.

FALSIFICADO

Os paulistanos da classe C são o maior público-alvo dos produtos piratas. Cerca de 90% deles já compraram produtos pirateados, contra 74% dos soteropolitanos, segundo levantamento da consultoria Quorum Brasil, com mais de 400 entrevistas nas duas capitais. CDs e DVDs são os produtos mais comprados. As mulheres dão preferência para roupas e tênis falsificados. Remédios, embora com participação pequena, também aparecem nesse mercado. Os paulistanos também são os que mais incentivam a prática e acreditam no crescimento do mercado pirata. Apenas um terço deste público reconhece ser sua a responsabilidade por esse crescimento -a maioria atribui essa responsabilidade aos governos e às empresas.

REDONDEZA
A Multiplan, de shopping centers, se prepara para iniciar a construção do edifício de escritórios Morumbi Business Center, ao lado do MorumbiShopping, em São Paulo. A estratégia é investir em complexos com edifícios comerciais, residenciais, hotéis e centros médicos no entorno de seus shoppings. O investimento previsto é de R$ 66 milhões.

ESCOLAR 1
A Editora Saraiva entra na área de sistemas de ensino para escolas públicas. A empresa acaba de lançar um sistema de ensino voltado para a rede pública, que oferece material didático e serviços como palestras e plantões de dúvidas. A editora já atuava em escolas particulares.

ESCOLAR 2
A rede de escolas de idiomas Wizard abrirá dez novas unidades em Pernambuco até 2012. O investimento amplia em 10 mil alunos a capacidade da rede no Estado. A empresa tem hoje 16 unidades em Pernambuco e negocia expansão em Fortaleza, Rio, Salvador e Natal.

TERMÔMETRO
A SulAmérica Saúde divulga amanhã o resultado de estudo com profissionais de 160 empresas clientes. Caiu o número de pessoas com pressão arterial alta. Nas mulheres, o índice passou de 12,5%, em 2008, para 9,9%, em 2009, e nos homens, de 30,2% para 25,6%. O estudo foi realizado a partir da avaliação do perfil de mais de 66 mil pessoas.

ELIANE CANTANHÊDE

Esquerda contra esquerda
FOLHA DE SÃO PAULO - 13/04/10

BRASÍLIA - A semana passada não foi das melhores para Lula e para Dilma, que só "abriram a boca para falar besteira", como naquele velho programa humorístico de TV.
Deram a deixa para críticas dos adversários e deixaram desconfortáveis os próprios aliados.
Do alto dos seus 80% de popularidade, Lula desdenhou da Justiça e disse que não se pode ficar refém de um juiz qualquer, enquanto Dilma foi a Minas botar flores no túmulo de Tancredo Neves -que o PT simplesmente se recusou a apoiar em 1985- e aproveitou para lançar o voto "Dilmasia", sugerindo que os mineiros votem nela e no candidato tucano ao governo estadual.
Resultados: 1) o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, teve de lembrar a Lula que o Brasil "não tem soberanos" e que ninguém está acima da lei; 2) o PMDB deu um pulo de chateação com a desfeita de Dilma a seu candidato, Hélio Costa; 3) o PSDB soltou nota e instigou Aécio Neves -tão popular em Minas quanto Lula no país- a lembrar que o PT não só não apoiou Tancredo como também virou as costas à Constituição de 1988 e ao Plano Real de Itamar e FHC.
Mas o desastre final foi quando Dilma, por inexperiência ou por estratégia equivocada, decidiu reacender uma velha discussão e jogar esquerda contra esquerda, ao comparar sua atuação contra a ditadura à de Serra. "Eu não fujo quando a si
Esquerda contra esquerda
BRASÍLIA - A semana passada não foi das melhores para Lula e para Dilma, que só "abriram a boca para falar besteira", como naquele velho programa humorístico de TV.
Deram a deixa para críticas dos adversários e deixaram desconfortáveis os próprios aliados.
Do alto dos seus 80% de popularidade, Lula desdenhou da Justiça e disse que não se pode ficar refém de um juiz qualquer, enquanto Dilma foi a Minas botar flores no túmulo de Tancredo Neves -que o PT simplesmente se recusou a apoiar em 1985- e aproveitou para lançar o voto "Dilmasia", sugerindo que os mineiros votem nela e no candidato tucano ao governo estadual.
Resultados: 1) o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, teve de lembrar a Lula que o Brasil "não tem soberanos" e que ninguém está acima da lei; 2) o PMDB deu um pulo de chateação com a desfeita de Dilma a seu candidato, Hélio Costa; 3) o PSDB soltou nota e instigou Aécio Neves -tão popular em Minas quanto Lula no país- a lembrar que o PT não só não apoiou Tancredo como também virou as costas à Constituição de 1988 e ao Plano Real de Itamar e FHC.
Mas o desastre final foi quando Dilma, por inexperiência ou por estratégia equivocada, decidiu reacender uma velha discussão e jogar esquerda contra esquerda, ao comparar sua atuação contra a ditadura à de Serra. "Eu não fujo quando a situação fica difícil. Eu não tenho medo da luta", disse ela, que optou pela luta armada, enquanto Serra se exilava no Chile.
Dilma se esqueceu de um detalhe que o presidente do PPS, Roberto Freire, ex-partidão, hoje aliado de Serra, tratou de alardear: Brizola (PDT), Arraes (símbolo do PSB), Prestes (PCB), Jango (PTB) e até José Dirceu (PT) também foram exilados. Fugitivos? Será?
Havia vários motivos. Um deles era a avaliação de que pegar em armas provocaria maior radicalização do regime e uma guerra totalmente desigual. Com todo o respeito, foi ou não foi o que aconteceu?tuação fica difícil. Eu não tenho medo da luta", disse ela, que optou pela luta armada, enquanto Serra se exilava no Chile.
Dilma se esqueceu de um detalhe que o presidente do PPS, Roberto Freire, ex-partidão, hoje aliado de Serra, tratou de alardear: Brizola (PDT), Arraes (símbolo do PSB), Prestes (PCB), Jango (PTB) e até José Dirceu (PT) também foram exilados. Fugitivos? Será?
Havia vários motivos. Um deles era a avaliação de que pegar em armas provocaria maior radicalização do regime e uma guerra totalmente desigual. Com todo o respeito, foi ou não foi o que aconteceu?

CLÁUDIO HUMBERTO

“PT é igual a tosa de porco: muito grito e pouco pêlo”
DEPUTADO ALBERTO FRAGA (DEM-DF) EM DURO DISCURSO, ONTEM, CRITICANDO O GOVERNO LULA

DOCUMENTO INTERNO ADMITE: ECT FUNCIONA
A 70% Em documento interno ao qual esta coluna teve acesso, o diretor de Operações dos Correios e Telégrafos, Marco Antonio de Oliveira, conclui que a estatal padece “de um mal generalizado”, referindo-se à sua ineficiência, e por isso iniciou 2010 “praticando um padrão de qualidade em torno de 70% nos principais serviços”, o que significa grave problema em quase uma a cada três encomendas que transporta.

DEVASTADORA
A ECT padece de sucateamento da frota, sistemas de informação ruins e indisciplina operacional, diz o diretor Marco Antonio de Oliveira.

SÓ PIORA
Um dado ilustra bem a deterioração na qualidade dos serviços da ECT: entre 2008 e 2009 cresceram 21,3% as indenizações por extravio.

LONGE DO DF
Em casa após dois meses preso, o ex-governador do DF José Roberto Arruda deve viajar na companhia de sua mulher, Flávia.

PERGUNTA DESCARADA 
Com que cara vai ficar “o cara” depois que Obama descartou um encontro cara a cara com ele, esta semana, em Washington? 

STF PODE ADIAR JULGAMENTO DA LEI DE ANISTIA
Pode faltar quórum à sessão desta quarta do Supremo Tribunal Federal para decidir se a Lei de Anistia, em vigor há 40 anos, pode ser “revista” contra torturadores, sequestradores e assassinos. O ministro Cesar Peluso está em viagem, Joaquim Barbosa adoentado e Dias Toffoli impedido porque se posicionou sobre o assunto quando chefiava a Advocacia Geral da União. Se outro ministro faltar, não haverá sessão.

CHECAGEM
Nesta terça, o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, vai checar cuidadosamente se haverá quórum para o julgamento de amanhã.

RESGATE
O presidente da OAB, Ophir Cavalcante, defende a revisão da anistia, mas “não por revanchismo ou vingança, mas pelo resgate da história”.

TEST-DRIVE
A Câmara dos Deputados vai gastar R$ 4,3 milhões com motoristas terceirizados da locadora Brasfort. Suas excelências detestam dirigir. 

OBAMA’S ENROLATION
O jornalista Howard LaFranchi, do Christian Science Monitor, desfez o mito do “amigável” presidente Barack Obama: “Ele é frio e, ao contrário de George W. Bush, não gosta de laços pessoais com outros dirigentes do mundo. Prefere os grandes discursos no exterior”. Ué, e “o cara”?

RORIZ COMO ALVO
Candidato ao governo do DF, o deputado Aberto Fraga (DEM) vai abrir as baterias contra o rival Joaquim Roriz (PSC). “Ele vai passar a campanha tentando responder as graves denúncias que farei”, avisa.

NO LIMITE DO DELÍRIO 
O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), bateu o martelo: o limite para aposentado com mais de um mínimo é 7%. “Questão de responsabilidade”, diz ele, sem ficar morto de vergonha.

COMEÇOU A BAIXARIA 
Candidato forte ao governo de Goiás, o senador Marconi Perillo (PSDB) denunciou à Procuradoria Geral da República ter sido alvo de um dossiê falso tentando incriminá-lo até com contas no exterior.

VALE LEMBRAR
Dois processos do Ministério Público Federal ainda tramitam contra os pilotos do jato Legacy, no acidente do voo 1907 da Gol, que matou 154 pessoas em 2006. Um por negligência e outro por incompetência.

ELEMENTAR, MEU CARO
Lula acha que o Irã deve ter a bomba só porque outros a têm. Já o primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, agiu com sabedoria: disse que nem o Irã nem qualquer país deve ter armas nucleares. Bingo!

DEMISSÕES A PEDIDO
O ex-secretário de Habitação do DF, Túlio Fernandes, diz que deixou o cargo para retomar a carreira na Polícia Civil e se aposentar em breve. A ex-diretora da Codhab Valeria Machado também pediu para sair.

CRIME PETISTA NO SUL
Um caso envolvendo petistas agita Estância Velha (RS): um menor confirmou à Justiça que participou do atentado a tiros contra o jornalista Mauri Martinelli, em 2006, a mando de petistas locais, entre eles um vereador e uma cafetina. Martinelli, que denunciava mutretas, escapou. 
PENSANDO BEM...
...depois de tantas bobagens, incluindo a pregação da desobediência à Justiça, está na hora de tirar a garrafa do gênio. 

PODER SEM PUDOR 
O DEPUTADO QUE SE ACHOU
Presidindo as sessões da Constituinte, Ulysses Guimarães chamava cada parlamentar a votar. Certa vez, quando não se falava em outra coisa senão nas fotos de Milene Macedo, formosa secretária do deputado Samir Achoa (PMDB-SP), publicadas numa revista masculina, lá estava o dr. Ulysses:
– Como vota o deputado Samir Achoa? Deputado Samir Achoa?
Como o deputado não aparecia para votar, Dr. Ulysses insinuou:
– Posso concluir que o deputado Samir achou-a...

GUERRA

TERÇA NOS JORNAIS

Globo: Floresta da Tijuca e Cristo são interditados sem prazo

Estadão: Brasil desafia pressões e garante crédito ao Irã

JB: Cidade ganhou 279 favelas com Cesar

Correio: Justiça solta Arruda

Valor: Pão de Açúcar e Casas Bahia reveem fusão

Jornal do Commercio: IML vai guardar corpos em caminhão

segunda-feira, abril 12, 2010

CHRISTIANE SAMARCO

Entrevista - Aécio Neves
O Estado de S. Paulo - 12/04/2010
'A GRANDE INCÓGNITA É COMO SERÁ A RELAÇÃO DE DILMA COM O PT'

Ex-governador afirma que candidata pode sofrer influência do "PT ideológico e com problemas éticos"

Ex-governador de Minas Gerais que deixou o cargo com popularidade recorde, Aécio Neves perdeu para o paulista José Serra o posto de pré-candidato do PSDB a presidente, mas não cultiva mágoa ou despeito. Certo de que a presidenciável petista Dilma Rousseff "é uma grande incógnita", Ele quer começar a campanha de Serra por Minas Gerais, como pré-candidato ao Senado e sem falar em vice. Os dois vão se reunir neste início de semana para marcar a data. Aécio vai propor dia 19.

"Condicionei meu descanso primeiro ao lançamento da candidatura no dia 10, e agora por mais nove dias", conta Aécio, que só sairá em férias depois de pedir voto aos mineiros. "Acho que a ida a Minas, no início de sua caminhada, tem o simbolismo de demonstrar a proximidade pessoal nossa, e de Minas e São Paulo, nesta eleição", avalia. Ao mesmo tempo, porém, o tucano adverte que não promete vitória a Serra. "Prometo o empenho. Ninguém induz o voto do eleitor, que é livre para fazer suas escolhas", diz Aécio, em entrevista ao Estado. "Vou tentar demonstrar que, para Minas e para o Brasil, a eleição de Serra é muito melhor."

O que o senhor achou do discurso de lançamento de José Serra?

Foi um discurso conceitual. Ele precisava abordar vários temas, fez críticas objetivas à ação do governo - jamais pessoais, o que achei muito positivo. Eu procurei falar antes dele, para superar constrangimentos de setores do PSDB que se atemorizam com a proposta do debate FHC x Lula.

Há razão para temer comparação? 

Ao contrário. Vamos para o embate. O PT comete o equívoco de restringir sua existência aos oito anos de governo Lula. Vamos reconstruir as nossas trajetórias e ver quem contribuiu mais para que chegássemos aonde estamos hoje. Não tenho dúvida de que nós do PSDB sempre tivemos muito mais generosidade para com o País do que o PT. Busquei despersonalizar a disputa, refazer o passado. A partir daí vamos discutir o presente.

Seu discurso de oposição, no lançamento, foi em tom acima do habitual.

Oposição ao PT, porque acho importante que o Brasil saiba qual é e qual foi a postura do PT nos momentos mais graves até aqui. O que me incomoda é ver o PT tentando vender aos brasileiros a ideia de que o Brasil das virtudes e do desenvolvimento foi construído por eles, quando, em vários momentos cruciais, eles preferiram priorizar o projeto partidário ao nacional. Negaram voto a Tancredo, apoio a Itamar Franco, porque Lula já aparecia em posição boa nas pesquisas para presidente, e na construção da estabilidade, no governo FHC.

Seu discurso no lançamento foi para conclamar a militância à luta eleitoral?

Falei com o objetivo de dar coragem aos nossos companheiros para enfrentar este debate no campo que o PT quiser. No campo ético, vamos lá. Se querem falar de privatização, quem pode ser contra a privatização da telefonia ou da siderurgia? Quanto a futuro e propostas para o Brasil, estamos muito mais preparados. E vamos discutir também o presente e o passado.

Mas o senhor não citou o nome da candidata adversária, Dilma Rousseff.

Eu tenho respeito pessoal pela Dilma e acho que esta campanha não pode ser personalizada. Se formos por este caminho, ela perde a essência, se amesquinha. Quero dizer o que o PT no governo representa. Principalmente o PT sem o pragmatismo e a autoridade de Lula, que o enquadrou na manutenção da política econômica atual.

Dilma não terá essa autoridade?

Esta é a grande incógnita. Ela terá que demonstrar durante a campanha como será a relação com o PT, como virá o PT ideológico do Estado máximo e que presença o PT dos problemas éticos terá no governo. Foram todos absolvidos e, no lançamento da candidatura dela, estavam muito sorridentes.

A disputa entre seus aliados em Minas já é sinal de que faltará comando?

Não é demérito. É natural que ela não tenha sobre o PT a liderança que o presidente Lula tem, por sua história, seu carisma e sua alta popularidade. A Dilma terá dificuldades e esta é uma preocupação que permeará a campanha.

Alguns tucanos, especialmente os paulistas, se queixaram da falta de empenho de Minas na última eleição.

Isso é falso. Está na cabeça de um ou outro áulico que não conhece Minas. Recebi um telefonema do governador Alckmin na quinta-feira, para dizer que não se lembra de ninguém que tenha se empenhado tanto na eleição dele como eu. O resultado da eleição você não define. O empenho sim, e este Serra terá. Alckmin e Serra, em 2002, tiveram. Só que disputavam com Lula, que era muito popular. Será que Alckmin teria os 40 e muitos por cento que teve em Minas não fosse o empenho muito grande nosso?

Com o Lula fora da eleição fica mais fácil dar vitória para Serra em Minas?

Lula é um adversário muito mais difícil. Agora, não prometo vitórias. Prometo o empenho, que será de todos nós. Ninguém fez mais gestos em favor da unidade do partido e demonstrou mais desprendimento do que eu. E não fiz isto com má vontade, contrariado. Apostei em uma proposta, apresentei ao País. Quando vi que o PSDB caminhava em outra direção e que insistir poderia provocar um cisma no PSDB, privilegiei o projeto de País porque acho extremamente importante que este ciclo que está aí se encerre.

O ciclo do PT não foi positivo?

Reconheço virtudes no presidente Lula, mas acho que o PSDB está muito mais preparado hoje para acabar com esse aparelhamento absurdo da máquina pública. E a ministra Dilma, com os méritos que tem, terá que entrar no debate de forma muito clara sobre o espaço desse PT ideológico, estatizante, que aparelha o Estado em razão da filiação partidária, o coloca a serviço de seus interesse, e muitas vezes insinua ações de restrição à liberdade de imprensa e às conquistas democráticas.

E o debate Serra x Dilma?

Esse é bom para nós também porque os nossos modelos de gestão vão estar em debate. Vamos demonstrar que a meritocracia é o antídoto ao messianismo, porque ela te permite dados objetivos de avaliação dos resultados na vida das pessoas. Os que apostam no messianismo, nos discursos e na autoproclamação da própria bondade temem essa comparação. Vamos contrapor esses dois modelos e acho que temos grandes vantagens. Lula será sempre reconhecido pelo Brasil como um presidente extremamente importante em um momento da nossa história. A perpetuação do PT no poder não é boa para o País.

Que vantagem tem o PSDB no embate de perfis Serra x Dilma?

São duas pessoas dignas, com histórias de vida respeitáveis e nós temos que partir deste pressuposto. O Serra resgata a eficiência na gestão pública como instrumento dos avanços sociais e representa uma política externa muito mais afim aos interesses do Brasil, inclusive os comerciais e pragmáticos, e não uma aliança meramente ideológica. Não há hipótese de interromper programas que estão dando certo, mas podemos aprimorá-los.

E a ministra Dilma?

O grande senão que se coloca em relação a ela - e aí é um preço que ela paga exatamente por não ter tido a experiência de comando no Executivo, nem mandato eletivo - é qual será a presença desses setores ideológicos do PT e dos aloprados no seu eventual futuro governo. Ela terá que dizer aos brasileiros exatamente o que pensa de modelo de Estado, das instituições democráticas, da liberdade de imprensa, do aparelhamento do Estado e desse inchaço da máquina pública.

O senhor não promete vitória. Dá para vencer sem derrotar Dilma em Minas? O PSDB nacional diz que não.

Eu disse que não prometo resultado. Felizmente, cada eleitor brasileiro vale um voto, esteja ele no Nordeste, no Sul ou em São João Del Rei. Isto já é um avanço, porque antigamente os líderes indicavam seus sucessores. Eu, acima de qualquer projeto pessoal que possa ter tido, estarei absolutamente engajado na campanha do Serra por duas razões: vejo nele todas as condições de fazer um belo governo e acho fundamental encerrar este ciclo, porque o enraizamento desses setores que estão no governo pode ser muito perverso para o País.

Qual é o significado do convite a Serra para abrir o roteiro de viagens da pré-campanha em Minas Gerais?

É um gesto simbólico, para demonstrar de forma clara que estaremos juntos independentemente da minha posição e da candidatura que eu venha a disputar.

O senhor se refere a dúvidas quanto a seu engajamento na campanha?

Na verdade, esta dúvida está na cabeça de meia dúzia de pessoas que desconhecem a realidade de Minas e não acompanharam a campanha. Serra e o governador Geraldo Alckmin agradeceram o empenho e a forma como atuamos, frente ao adversário Lula, que era muito forte em Minas. A ida de Serra a Minas, no início de sua caminhada, tem o simbolismo de demonstrar a proximidade pessoal nossa, e de Minas e São Paulo, nesta eleição. Mas ninguém induz o voto do eleitor. O eleitor é livre para fazer suas escolhas. Eu vou tentar demonstrar que, para Minas Gerais e para o Brasil, a eleição de Serra é muito melhor.

GEORGE VIDOR

 De escada
O GLOBO -  12/04/2010


O economista José Júlio Senna cunhou, certa vez, uma frase ótima sobre o comportamento das taxas básicas de juros no Brasil: “elas sobem de elevador e descem de escada”. Mas é possível que este ano os juros básicos passem a subir também de escada, com o propósito de acalmar o pessoal do mercado financeiro, impressionado com a trajetória recente da inflação

Os índices de preços já estão recuando e muito em breve estarão rodando na faixa de 0,25% ao mês. A economia continuará crescendo, embora não mais a um ritmo chinês. A fase de rearrumação dos preços relativos, depois de superado o pior momento da crise financeira internacional, parece estar chegando ao fim.

Ainda assim, o mercado financeiro tem alimentado expectativas de uma inflação acima do ponto central da meta (4,5%) em 2010, com previsões já entre 5% e 6%, e será necessário neutralizálas, pois de fato podem fazer a cabeça dos demais agentes econômicos, contribuindo para um ambiente em que todos se acomodem diante de reajustes de preços não justificáveis (o que, temporariamente, pressionaria os índices).

No Brasil, como em várias outras economias, não se deve menosprezar o fator psicológico na composição da inflação.

O crédito facilitado é visto pelos analistas financeiros como um dos propulsores da inflação. Não é uma opinião unânime.

Ernane Teixeira Torres Filho, superintendente da Área de Pesquisa Econômica do BNDES, chama a atenção, em artigo na última “Visão de Desenvolvimento” do banco, que o crédito no país — atualmente correspondendo a 45% do Produto Interno Bruto — caminha para um quadro mais compatível com a realidade da economia brasileira. Chegaria a representar 70% do PIB por volta de 2014, padrão inferior a de países desenvolvidos.

O crédito de longo prazo começa a ganhar importância no Brasil e isso deve favorecer mais a estabilidade da economia do que provocar graves desequilíbrios.

Nesse sentido, seria bem ruim que os juros básicos voltassem a subir de elevador. Se tiverem de subir, que subam de escada.

Nova York talvez não seja um bom termômetro do atual ambiente da economia americana, embora, como centro financeiro do mundo, estivesse no olho do furacão durante a fase mais aguda da crise que jogou o planeta na pior recessão desde o fim da Segunda Guerra. De fato ficou mais fácil por lá reservar lugares em hotéis, restaurantes, apresentações de grupos musicais etc. Mas, numa observação superficial, não parece faltar consumidores nas grandes lojas e nos locais da moda (os preços da maioria dos produtos em oferta continuam a surpreender os visitantes, e não por acaso os Estados Unidos permanecem com o título de templo do consumo).

Annette Herster, economista brasileira casada com um geólogo canadense, ambos residentes em Calgary (a capital dos hidrocarbonetos no Canadá), divide seu tempo pelas Américas, pois ela, que se especializou na geopolítica do petróleo, continua tentando decifrar a excessiva obsessão de Washington pelo Oriente Médio na área de energia. Os principais fornecedores de petróleo para os Estados Unidos hoje estão nas Américas (Canadá, México, Venezuela, Brasil e Equador). O Oriente Médio responde por bem menos que 20% das importações americanas, sendo que a Arábia Saudita participa com 11% — a fatia dos demais, somados, não passa de 7%. Com sua política no Oriente Médio, os Estados Unidos têm protegido mais os interesses da China, da Índia e do Japão (efetivamente os que mais dependem da região para suprimento de óleo) do que os deles mesmos.

Annette foi durante muitos anos sócia de Jean Paul Prates em uma consultoria no Rio (no momento ele está se dedicando à secretaria de Energia do Rio Grande do Norte).

Recebi mensagens dos ex-secretários Tito Ryff e Márcio Fortes com certo tom de desapontamento por não ter mencionado na coluna da semana passada o esforço na área de desenvolvimento econômico, já a partir dos anos 90, para tirar o Estado do Rio da espiral negativa. Evidentemente que esse trabalho (para o qual contribuiu um competente segundo escalão nesse setor específico, mantido por sucessivos governadores de partidos diferentes) pavimentou o caminho da recuperação.

A atração de empresas como Volkswagen Caminhões, Guardian, Galvasud, Riopol, PeugeotCitroën e CSA ThyssenKrupp foi marcante, mas por si só não venceu o tremendo ceticismo que havia em relação ao Rio. A visível mudança de clima entre investidores em geral é mais recente, e a intenção aqui foi registrar esse momento. Mas sintamse homenageados todos os que contribuíram positivamente, na administração estadual, para esse processo.

A Reader’s Digest, que edita a revista “Seleções”, vendeu no Brasil, no ano passado, 1 milhão de CDs, o que equivale a 5% do mercado fonográfico. Esse tipo de vendas responde por 60% do faturamento da empresa (a revista é o carrochefe, mas significa 20% do negócio). Luiz Fichman, executivo de 37 anos que dirige a empresa americana no país, espera estender essa experiência pra o comércio eletrônico — não de maneira generalizada, mas com foco em determinados produtos — o que será inédito no grupo, no mundo.

No ano passado, a subsidiária brasileira passou da oitava para a quarta posição na Reader’s Digest.

CARLOS ALBERTO SARDENBERG

A culpa é do governo

O Estado de S. Paulo - 12/04/2010

Chegaram a dizer que o governo gasta pouco em obras de prevenção dos desastres naturais porque é obrigado, por lei, a fazer um superávit primário elevado. Isso, o superávit, é a parte do orçamento que vai para o pagamento de juros da dívida pública com o objetivo de reduzir o endividamento.

Ora, fazer esse superávit, regra introduzida pelo governo Fernando Henrique Cardoso em 1998 e mantida no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, é um dos pilares da política econômica de estabilização, que antes se acusava de neoliberal. De maneira que caímos nisso: tem enchente por causa do mercado que exige do governo o pagamento de juros em vez de investimento público em obras de contenção e saneamento.

É por causa desse tipo de raciocínio que estamos onde estamos. Um governo altamente endividado tem dificuldades para se financiar e paga juros cada vez mais altos. Isso reduz sua capacidade de investimento. Ao contrário, um governo que faz o sacrifício de sanear as finanças e equilibrar suas contas adquire maior capacidade de financiamento e investimento.

Ora, por aqui, o governo se endividou largamente no passado, fez inflação para desvalorizar suas dívidas e gastos e depois aumentou brutalmente a carga tributária. Ou seja, fez dinheiro, muito dinheiro. E onde está a infraestrutura que amenizaria as catástrofes naturais?

Em vez disso, tivemos inflação e calotes. Do Real para cá, a situação foi melhorando, o setor público cada vez mais saneado, mais capaz de gastar de maneira saudável.

De novo, onde estão as obras? No superávit primário? Mas quais foram os gastos que mais cresceram nos últimos anos? Pessoal, custeio, previdência. O governo arrecada mais de 36% do PIB e aplica menos de 3% no superávit primário. Descontado isso, portanto, sobram 33% do PIB, uma receita superior à de qualquer outro país emergente.

Vamos reparar, de novo: descontando o primário, o setor público brasileiro dispõe proporcionalmente de mais recursos do que as nações de desenvolvimento parecido. Nessas, a carga tributária, em geral, não passa dos 22% do PIB. Mesmo assim, não consta que os serviços públicos aqui sejam proporcionalmente superiores.

Ocorre que os gastos são mal administrados. Considere Niterói. A prefeitura e o governo estadual tiveram dinheiro para urbanizar bairros levantados em áreas que se sabia serem de risco. E se sabia não de ouvir dizer, mas com base em relatórios técnicos, alguns feitos para a própria prefeitura.

Assim mesmo, acharam melhor levar para esses bairros avenidas asfaltadas, ruas pavimentadas, redes de água e de luz, centros esportivos e até escolas. Por que fizeram isso em vez de, primeiro, impedir que se levantássem os bairros e, segundo, remover as populações dessas áreas perigosas?

É fácil, não é mesmo? Cada urbanização dessas é uma inauguração, uma festa, um palanque.

Depois, quando vem o desastre, autoridades mandam que as pessoas saiam, mas não oferecem locais razoáveis para abrigá-las. E ainda dizem que as pessoas deviam ter consciência de que estavam em uma área de risco.

Mas como poderiam saber? Moradores mais recentes do bairro do Bumba, em Niterói, contaram que compraram suas casas dentro da lei e que pagavam o IPTU para a prefeitura. Não era isso um sinal de que estava tudo bem?

Eis o ponto: o governo é ruim, os políticos são tão desprovidos de espírito público que um ministro acha natural que mande mais verbas para o Estado em que faz política.

A culpa é deles, não é do superávit primário, nem do neoliberalismo e, muito menos, das chuvas.

Planejamento? Pesquisando meus arquivos pessoais, encontro uma entrevista feita para a revista Veja em 23 de maio de 1979, com o então ministro da Aeronáutica Délio Jardim de Mattos. Dizia ele que estava decidido: o principal aeroporto de São Paulo seria o de Viracopos (Campinas) "porque ali os fatores atmosféricos influem menos e há uma serra barrando o crescimento de São Paulo na direção do aeroporto". Informava então que Viracopos seria consolidado e que seria construído "um sistema de transporte moderno", um trem, no canteiro central da Rodovia dos Bandeirantes.

Não saiu nada disso. O principal aeroporto paulista ficou em Guarulhos (Cumbica), inaugurado em 1985, com a promessa de uma linha de trem de São Paulo até lá.

Continua na promessa.

Mais recentemente, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, falou em revitalizar Viracopos (20 anos depois!) e torná-lo um dos principais aeroportos da América Latina.

Anunciou ainda reformas e ampliações em Cumbica e, sobretudo, um terceiro aeroporto na região metropolitana. Aliás, a Infraero e a Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) tinham prazo de três meses para apresentar o projeto desse novo aeroporto.

Sabem quando venceu o prazo?

Em outubro de 2007.

Tudo bem, não é mesmo? O que são dois anos e meio de atraso diante dos 21 anos do trem para Viracopos?

Incertezas. Muito ruído na área do Banco Central. Muita gente dentro do governo insatisfeita com a permanência de Henrique Meirelles e de bronca com a iminente alta dos juros.

NAS ENTRELINHAS

Reflexos imediatos

 Denise Rothenburg
Correio Braziliense - 12/04/2010
 
Se Lula quiser, como disse, ´´matar a coisa no primeiro turno´´, tem que começar tirando Ciro Gomes do páreo. E ele se debate tanto que pode terminar arranhando quem tentar tirá-lo da piscina eleitoral
 
Surgiu no sábado um ponto de convergência entre PT e PSDB: a vontade de escolher o sucessor de Lula no primeiro turno da eleição, em 3 de outubro. O presidente deixou isso claro no evento que soou mais como um ´´olha eu aqui´´ — o tal encontro com sindicalistas no ABC paulista. Foi tudo montado às pressas para não deixar Dilma fora do noticiário no dia em que o PSDB apresentou José Serra como seu candidato a presidente da República, mas Lula conseguiu o que queria: produzir um fato. Conclamou a todos a ´´matar a coisa logo no primeiro turno´´. Os tucanos pensam a mesma coisa. Em conversas reservadas durante o pré-lançamento da candidatura de Serra, a análise era a de que seja em favor deles ou do PT, a eleição se dará no primeiro turno.

Em conversas ontem com os políticos foi possível tirar várias premissas com as quais tucanos e petistas trabalham separadamente, mas com o mesmo objetivo. Uma delas é a de que Ciro Gomes não será candidato. Da parte do PT, a ordem é fazer de tudo para tirar a candidatura de Ciro do ar. A primeira delas é a ida de Dilma Rousseff hoje a Fortaleza, onde receberá o título de cidadã da capital administrada pela petista Luizianne Lins e dará entrevista para rádios. A segunda premissa é a de que Marina Silva não terá 10% dos votos e restringirá o grosso de sua votação ao Acre, insuficiente para levar a disputa a um segundo turno.

Dentro dessa perspectiva, como a transferência de votos de Lula ainda é uma incógnita na cabeça de petistas e tucanos, ambos consideram que vencerá a eleição o candidato que errar menos nesse período. Dilma começou sua pré-campanha por Minas Gerais com o pé esquerdo. Chegou defendendo um parceria com o PSDB de Aécio Neves e Antônio Anastasia. O resultado foi desastroso: quase perde o PMDB e ainda empurrou Aécio mais para perto de seu partido, com um forte discurso em favor de Serra. O ex-governador foi tão incisivo que alguns pensaram que ele abriu a porta para ser o candidato a vice na chapa presidencial de seu partido.

A viagem ao Ceará prevista para hoje também está no rol dos possíveis desastres antes mesmo de ocorrer. A agenda foi alterada cinco vezes. A cidade de Juazeiro do Norte, onde o prefeito Manoel Santana (PT) passa por denúncias de superfaturamento já divulgadas na imprensa local, foi cortada da programação para evitar colocar a imagem de Dilma relacionada a uma prefeitura petista com problemas desse tipo. Para completar, ainda seria considerado uma provocação a Ciro Gomes, que sempre fala de Padre Cícero.

O Ceará é onde Ciro concentra maior votação e transfere hoje grande parte para José Serra, caso fique fora do páreo. É por isso que o estado entrou na agenda de Dilma nessa primeira fase. O PT quer, desde já, tentar agarrar mais uns votos de Ciro e, assim, tornar mais fácil a pressão sobre o aliado PSB contra a candidatura própria à Presidência da República. Ciro reagiu. Na última Sexta-feira, disse a uma TV local, na Bienal do Livro de Fortaleza, que ´´o comportamento de certos setores do PT chega à beira do criminoso´´.

Ontem, o site Ceará Agora trouxe uma resposta dos petistas. O líder de Luizianne na Assembléia, vereador Acrísio Sena, disse que os ataques de Ciro “passaram dos limites da responsabilidade política. Essa forma de agir, cheira à inconsequência no trato das divergências e na delicadeza das relações. Só confirma: a cada dia o deputado se enforca com a própria língua".

É nesse clima tenso entre o PT e Ciro que Dilma chega ao Ceará. Um passo em falso e pode deixar Ciro tão ou mais irritado do que ficou o ex-ministro das Comunicações Hélio Costa, há uma semana. E hoje, o governador do Rio Sérgio Cabral só não entrou nesse grupo porque a viagem ao Rio foi trocada por São Paulo de última hora a pedido do PMDB que não queria ver Dilma no lançamento da pré-candidatura de Garotinho.

Essas confusões indicam que, à primeira vista, Dilma está mais exposta a erros políticos do que o tucano José Serra — até porque ela tem mais palanques do que ele, portanto, mais problemas para administrar. No caso de Ciro Gomes, a tensão está tão grande que o PT começa a sair arranhado nessa operação para tirar o socialista da piscina eleitoral. Para completar esse imbróglio político, vem por aí o confronto de currículos: Dilma nunca participou de uma eleição, nem proporcional, nem majoritária. Também nunca exerceu o comando de estado, nem de prefeitura. É por aí que Serra vai entrar na avenida nos próximos dias, quando for a Minas Gerais levantar louros à gestão do governo Aécio Neves. Até o momento, nesse jogo dos erros, os tucanos levam uma ligeira vantagem. Se vai continuar assim, o tempo dirá. Pelo visto, essa campanha será, como diria Roberto Carlos, repleta de emoções…

LINGUARUDO