quarta-feira, fevereiro 10, 2010

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Verde que te quero logo

O Estado de S.Paulo - 10/02/2010


Em meio às chuvas de São Paulo, Gilberto Kassab ainda encontra tempo para tocar um "pacote verde" na Zona Leste. "São quatro novos "parques do Ibirapuera" - pelo menos em tamanho", adianta Eduardo Jorge.

O secretário explica que estão em fase de mapeamento ou desapropriação - e não entram na conta dos 100 prometidos para 2012.

Maior? Na Penha, com 25 km de comprimento. Por ser área de várzea, pretende-se, com ele, contornar o problema das enchentes naquela região.

Os outros ficarão em Guaianases, Vila Prudente e no entroncamento Itaquera-Penha-São Miguel.

Voando mais baixo
Vem surpresa no anúncio da escolha dos caças da FAB - depois do carnaval.

Nada em relação ao modelo francês e sim quanto ao preço. Alta fonte garante: custará mais que os US$ 2,2 bilhões cogitados no início, mas menos do que se fala.

Surpresa
Marta Suplicy inicia abre-portas para Ciro Gomes.

Anteontem, na posse do diretório municipal do PT, saiu-se com um "é melhor um cabra arretado que um picolé de chuchu".

Leão abre o bocão
Mantega e Otacílio Cartaxo, da RF, apertam o cerco a sonegadores. Vão criar delegacias de grandes contribuintes: no Rio e em São Paulo.

Adubando, dá
A Vale avança na Fosfertil. Está nos finalmentes para a compra da parte da Mosaic e se tornar controladora.

Ninho de gatos 2
Abraçado por Nunes Ferreira e por FHC, Alckmin disse, no mesmo evento, que o ex-presidente "foi generoso" ao lançá-lo agora.
"O Brasil vem em primeiro lugar. Depois vem São Paulo", ponderou, misterioso.

Seja lá o que isso queira dizer.

Com quem andas
E João Sayad, anfitrião do evento, ganhou de um amigo um livro do marxista Terry Eagleton.

Agradeceu o gesto e explicou: "É que vivem me gozando porque vou à missa aos domingos."

Na frente
Dilma perdeu a liderança no carnaval. Se no ano passado a máscara da pré-candidata foi um sucesso de vendas na 25 de março, este ano as mais vendidas são de Lula, Michael Jackson e da zebra.

Mary Carmen Matias, escultora, inaugura hoje a mostra Reflexões, os Caminhos da Forma. No Club Athletico Paulistano.
Depois do barulhão provocado nos EUA, Point Omega, de Don Delillo, sai no Brasil pela Cia. das Letras. Assunto? Pra variar, guerra do Iraque.

Renato Russo vai ganhar homenagem. Serão oito shows no Rio com a participação de Jane Duboc e Banda Catedral.

O Grupo Cozinha da Montanha, de Campos do Jordão, lança a Temporada Gastronômica de Cervejas Artesanais. Com participação de 23 restaurantes.

Não é piada. Será inaugurada em Angra dos Reis, no carnaval, uma ampla loja de barcos e... aviões anfíbios.

MERVAL PEREIRA

Palanques instáveis

O GLOBO - 10/02/10


O predomínio da disputa eleitoral entre o presidente Lula e o expresidente Fernando Henrique Cardoso, nesses primeiros momentos de uma campanha presidencial antecipada propositalmente, denota a falta de lideranças partidárias que possam naturalmente assumir o proscênio do debate político. E esconde problemas internos dos dois principais partidos brasileiros, que concentram as disputas eleitorais nos últimos 20 anos.

Na verdade, nenhum dos dois partidos apresenta candidato que tenha se imposto como liderança inquestionável.

O PT, o caso mais grave, paradoxalmente vem se mostrando o mais bem resolvido, diante da impossibilidade do partido de resistir a uma imposição de Lula, até hoje seu único candidato a presidente da República e cada vez mais o controlador de suas ações.

A escolha da ministra Dilma Rousseff como a candidata oficial, e a até agora bem sucedida estratégia de apresentála ao eleitorado como sua sucessora aproveitandose de uma legislação eleitoral falha e de um Tribunal Superior Eleitoral constrangido diante da popularidade de Lula, subjugou o PT tradicional.

Também aprofundou sua transformação em um partido meramente fisiológico, que se contenta com a expectativa de manter os cargos que ocupa nessa aparelhada máquina do governo Lula, com acenos de um poder ampliado num eventual governo Dilma.

A aparente calma que cerca a candidatura oficial, e o sucesso da estratégia traçada pelo “nosso guia”, no entanto, não conseguem esconder a ebulição que consome o partido e seus aliados por dentro, a começar pela própria candidata, inexperiente em palanques e em administração.

Também a definição do candidato a vice, que deverá ser do PMDB, mas escolhido pelo próprio presidente Lula, estressa a aliança governista.

O presidente do partido e da Câmara, Michel Temer, vai engolindo todos os sapos que lhe enfiam goela abaixo enquanto se consolida como nome consensual do PMDB.

Mas o Palácio do Planalto alimenta a ambição de vários ministros peemedebistas, como o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, na tentativa de conseguir uma chapa menos ligada ao fisiologismo que Temer encarnaria.

É um trabalho de sapa delicado, que pode fazer desandar uma aliança fundamental para o sucesso da operação oficial da sucessão.

O caso de Minas Gerais, onde Lula, na obsessão de ganhar a qualquer custo num reduto fundamental para o PSDB, alimenta a candidatura do vice José Alencar a governador, é exemplar de como o presidente joga pesado e não tem escrúpulos quando se trata de ganhar uma eleição.

Lula tirou da manga a carta Alencar sem se importar com as consequências, como solução para a união do PT e do PMDB, que têm candidatos fortes, mas não conseguem chegar a um acordo que dê um palanque unido para a ministra Dilma.

É improvável, porém, que os médicos liberem o vicepresidente para uma campanha tão desgastante quanto a de governador, em meio a um tratamento contra um câncer no estômago.

Há ainda a pendência não resolvida com o deputado Ciro Gomes, que está sendo obrigado a desistir de uma candidatura à Presidência que persegue com direitos adquiridos na luta política, goste-se dele ou não.

Problemas surgem em vários estados, onde os aliados não conseguem se entender, o mais exemplar deles o Rio de Janeiro, onde o governador Sérgio Cabral conseguiu tirar do páreo uma candidatura petista que o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Faria, tentava construir, mas não se livra do ex-governador Garotinho, já agora procurado pela própria Dilma para a formação de um segundo palanque.

No meio de todas essas costuras, surge a figura do ex-ministro José Dirceu, exercendo um poder dentro do PT que incomoda ao próprio presidente Lula, deixando em seu caminho rastros que ligam a candidatura oficial ao escândalo do mensalão.

No lado da oposição, a liderança nas pesquisas de opinião não consegue fazer com que suas principais forças se unam em torno, se não de um programa, pelo menos de uma liderança.

O governador paulista José Serra, embora lidere as pesquisas desde 2002, depois de ter sido derrotado por Lula no segundo turno, não consegue ver sua liderança respeitada dentro do próprio partido.

Mais uma vez foi confrontado por um adversário interno, o governador de Minas, Aécio Neves, e continua indeciso quanto a disputar a Presidência sem a garantia de apoio cerrado em Minas, o que só aconteceria de Aécio aceitasse ser seu vice.

Com essa indefinição, as demais negociações políticas não vão adiante, e o fantasma de Aécio assombra o futuro da candidatura Serra.

A vantagem nas pesquisas se torna inútil, e vai sendo reduzida com a falta de exposição do candidato oposicionista.

Ainda mais agora, quando as enchentes em São Paulo tornaram-se tema de acirrada campanha petista contra sua gestão.

Há uma evidente distorção na falta de foco das críticas em municípios governados pelo PT que sofrem as mesmas consequências da chuva que a capital de São Paulo, administrada pelo DEM, aliado do governador.

Mas há também uma falta de capacidade dos tucanos de se mobilizarem para defender seu potencial candidato, da mesma maneira que não conseguem defender os avanços alcançados no governo Fernando Henrique.

Ontem, no plenário do Senado, houve uma ação coordenada do PSDB e do DEM de apoio a Fernando Henrique e ataques à candidata oficial, semelhante ao que o PT fazia quando era oposição.

A militância petista é especializada em agitação política, assim como Lula é especialista em palanques eleitorais, e nessas situações extremadas a verdade é a primeira vítima, como nas guerras.

Mas o PSDB já deveria ter aprendido a neutralizar essa maneira de fazer política do PT, ou então estará condenado a perder sempre as eleições.

república FEDORENTA do brasil

PAINEL DA FOLHA

O cerco

Renata Lo Prete

Folha de S.Paulo - 10/02/2010


Às voltas com vídeos e depoimentos que complicam a cada dia a situação de José Roberto Arruda, a defesa do governador do Distrito Federal tem agora um receio extra: no STJ, o inquérito da Operação Caixa de Pandora passará das mãos do ministro "moderado" Fernando Gonçalves, às vésperas da aposentadoria, para as do "linha dura" José de Castro Meira.
Ao incorporar a seu time de advogados o criminalista Nélio Machado, que defendeu, entre outros, o banqueiro Daniel Dantas e o bicheiro Castor de Andrade, Arruda, agora com um pedido de prisão nas costas, deixa claro que sua preocupação já não é mais política.

Termômetro
Pesquisa realizada pós-Vox Populi e pós-CNT/ Sensus por encomenda do PSDB aponta 12 pontos de vantagem de José Serra sobre Dilma Rousseff (PT) no cenário sem Ciro Gomes (PSB) na cédula.

Veja bem
Do marqueteiro Edson Barbosa, responsável pelo programa que o PSB exibirá no dia 18, defendendo a permanência de Ciro na disputa presidencial: "Em 2002, a onda Lula era enorme. Ainda assim, ele precisou de Ciro e Garotinho para derrotar Serra no segundo turno. Um plebiscito entre Dilma e Serra pode comprometer o projeto Lula com um tiro só".

Dinâmica
Entre os tucanos está funcionando assim: cada vez que um serrista diz à praça que Aécio Neves está inclinado a aceitar ser vice, um aecista põe para circular a tese de que Serra está a ponto de desistir da candidatura.

Noivo meu
Depois de um desencontro na véspera, Dilma conseguiu ontem parabenizar Michel Temer, nome mais cotado para vice em sua chapa, pela recondução à presidência do PMDB. A ministra se disse "impressionada" com a repercussão da convenção.

Combinado
Do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), explicando a necessidade de participação do PMDB e dos demais partidos aliados no eventual governo Dilma, a título de formação de uma maioria: "Já que não teremos mais Pelé, vamos pôr em campo cinco Maradonas".

Posso?
Apesar da oposição da família, José Alencar manifestou a seus médicos a intenção de concorrer ao governo de Minas. Por ora, nenhum deles tentou dissuadi-lo.

Martelo
Escrita pelo futuro presidente do PT, José Eduardo Dutra, a resolução sobre tática eleitoral a ser aprovada no Congresso da sigla concede ao Diretório Nacional status de última instância para decidir alianças nos Estados. A menção explícita é vista no partido como um recado para Minas e Pará, Estados onde persiste o impasse com o PMDB.

Sucessão
Assim que deixar o governo, o ministro Alfredo Nascimento (PR) assumirá a presidência do PR, hoje nas mãos do inexpressivo Sérgio Tamer. O objetivo é ter nas negociações eleitorais alguém com trânsito no Planalto.

Tenho dito
Do presidente da Fiesp, Paulo Skaf (PSB), sobre a ideia de integrar uma chapa para o governo paulista encabeçada pelo senador Aloizio Mercadante (PT): "Não considero a hipótese de ser vice de ninguém".

Boquinha
Desalojada do comando da Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante da Câmara, a turma de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) está de olho na de Fiscalização e Controle, que também não é de jogar fora. O PT trabalha contra.

Fios
O PMDB também pressiona para levar a Comissão de Ciência e Tecnologia, hoje da cota dos tucanos, por onde passarão projetos de interesse do Ministério das Comunicações em ano eleitoral. Em troca, o partido topa ceder a de Minas e Energia.

Tiroteio
PT, PSDB e DEM têm em comum a preferência pelo financiamento oculto para ocultar também as retribuições aos doadores depois da eleição.

Contraponto

Me aguardem
Homenageado anteontem com o título de "petista honorário" em cerimônia realizada na Câmara Municipal de Belo Horizonte, o vice-presidente José Alencar recheou de mineirices seu discurso de agradecimento.

-Olha, gente, esse trem não existe, não! O Lula me garantiu que nem ele tem isso!

Diante da plateia atenta, Alencar resolveu mudar um pouco de tom, para gargalhada geral:

-Antes, quando tinha algum problema no PT e eu tentava dar palpite, falavam pra eu ficar quieto porque eu não era petista. Pois agora a conversa vai ser outra!

ROBERTO DELMANTO JUNIOR

Jurados imparciais e impunidade

FOLHA DE SÃO PAULO - 10/02/10


É preciso trazer ainda maior grandeza ao Tribunal do Júri, cuja competência deveria ser ampliada para julgar outros crimes, como o de corrupção


MERECEU destaque dos jornais norte-americanos uma decisão da Suprema Corte, de janeiro de 2010 (Estados Unidos versus Eric Presley), que, por 7 votos a 2, anulou um julgamento realizado por um Tribunal do Júri do Estado da Geórgia que resultara em uma condenação por tráfico. Isso porque o juiz presidente do Tribunal do Júri, durante a seleção dos jurados, não permitiu a presença do tio do acusado na sala de julgamento, alegando falta de espaço. A defesa protestou.
Afirmou a Suprema Corte americana que a garantia constitucional que assegura a todos um julgamento público, prevista na primeira emenda da Constituição norte-americana, estende-se à publicidade dos atos processuais, inclusive do procedimento da seleção dos jurados, ainda que não pudesse a presença do tio do acusado alterar o julgamento ou afetar essa seleção. Devia o juiz ter de alguma forma acomodado o sujeito.
Essa decisão nos reavivou a memória do que havíamos presenciado há mais de duas décadas quando assistíamos à seleção dos jurados em um Tribunal do Júri em Santa Bárbara, Califórnia.
O advogado e o promotor questionavam publicamente os candidatos a jurado, fazendo-lhes toda sorte de indagações para aferir a sua potencial parcialidade. Indagavam, por exemplo, se tiveram parentes próximos assassinados, porque, tratando-se de um caso de homicídio, uma resposta afirmativa permitiria à defesa recusá-lo por entender que a sua decisão seria parcial. O mesmo para a acusação, que indagava se algum parente próximo do candidato a jurado já fora preso pelo mesmo tipo de crime.
A possibilidade de questionar o candidato a jurado, com vistas ao caso concreto, é saudável e tem clara razão de ser., já que, ao absolver ou condenar alguém, o jurado não tem que dizer as razões de sua convicção, ao contrário do que ocorre, entre nós, nos julgamentos afetos ao juiz togado, que tem que motivar suas decisões.
Sob a ótica da legislação brasileira, esse tema nos chama à reflexão em um momento em que um novo Código de Processo Penal é elaborado. O procedimento adotado no Brasil para a seleção dos jurados é inócuo e insensato, vazio por completo. Procedimento que sempre vigorou entre nós, não só na redação original do Código de Processo Penal, de 1941, como também após a reforma do Tribunal do Júri feita pela lei nº 11.689/08.
Entre nós, embora possam a defesa e a acusação recusar até três jurados sorteados para compor o conselho de sentença, sem dar explicação (artigo 468), a nossa legislação não prevê que as partes façam uma única indagação ao candidato a jurado, ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos. Aqui, as partes têm acesso ao seu nome, sexo, idade e profissão, nada mais.
Ora, se não podem acusação e defesa questionar os candidatos a jurado, como teriam elementos para recusá-los ou aceitá-los, levantar impedimentos, confirmar uma suspeição ou incompatibilidade? Basta lembrarmos o exemplo de um julgamento por aborto, que no Brasil é afeto ao Tribunal do Júri. Saber a posição ideológica do jurado é fundamental, tanto à acusação quanto à defesa.
A situação é de fato constrangedora, havendo, em nome de uma pseudoceleridade, inadmissível sacrifício do direito das partes a um julgamento isento, sobretudo porque, como dito, não explicam os jurados os motivos que os levaram a condenar ou a absolver alguém. É a chamada convicção íntima.
Deparamo-nos, assim, com o absurdo de as partes terem o direito de recusar até três candidatos a jurado sem explicar o porquê, bem como levantar incompatibilidade, suspeição ou impedimento e, ao mesmo tempo, a proibição de fazer-lhes uma única indagação. As recusas dão-se às cegas, aleatoriamente, o que é uma contradição, uma insensatez. Trata-se de questão que diz com cidadania, na medida em que todo cidadão tem o direito de ser julgado por um tribunal imparcial.
E essa fatal contradição continua presente na proposta de um novo Código de Processo Penal (artigo 370), que se encontra no Congresso.
Esperamos que os nossos congressistas levem em conta esse tema, que é de fundamental importância para o nosso futuro democrático, garantindo às partes a possibilidade de publicamente questionar os candidatos a jurado, trazendo ainda maior grandeza ao Tribunal do Júri, cuja competência deveria ser ampliada em nosso país para julgar outros crimes, como o de corrupção e peculato. Não temos dúvida de que, com o júri, a impunidade que assola o nosso país iria diminuir.

ROBERTO DELMANTO JUNIOR, mestre e doutor em direito processual penal pela USP, é advogado criminalista. É autor de "Código Penal Comentado", entre outras obras.

GOSTOSA

JOSÉ SIMÃO

Socuerro! A Madonna e o Vampiro!

FOLHA DE SÃO PAULO - 10/02/10


Carnaval! Cada ano elas estão com o peito maior! O que Deus criou só o silicone segura


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
Anúncio no metrô: "A mais desejada do SP Toró Week, galocha sete léguas". Só a Globo consumiu uma 10 mil! E frase que corre no twitter: "Daqui a pouco vão encontrar o Michael Jackson sob os escombros no Haiti". Rarará!
E Madonna se encontrando com o Serra. A Madonna e o Vampiro! A Madonna tá ficando muito trash: namora com Jesus e se encontra com o vampiro. Veio pedir dinheiro pra ONG! Tá parecendo cunhado chato, só aparece pra pedir dinheiro. Ela devia sugerir um antiolheiras pro Serra. E ela devia fazer um show pras vítimas das chuvas! Hope for Rain Survivors! Em São Paulo chove tanto que a Madonna devia cantar ISLA BONITA! Rarará!
E adorei o nome da nova presidente da Costa Rica: Chinchilla. Um bichinho fofo! Uma pele caríssima! E o presidente de Honduras se chama Lobo. Então é Lula, Lobo e Chinchilla. A América Latina tá parecendo um zoológico!
E uma amiga minha vai pular no bloco Me Atirei no Pau do Gato. E o melhor nome de bloco do Carnaval: no Rio vai sair o Tudo Certo Pra Dar Merda! Rarará!
E a manchete do Twitter "O Corneteiro": "Seca atinge a capital. Faz dois dias que não chove!". Rarará!
E as peladas, hein? As Peladas e as Apeladas! Carnaval 2010! As peladas são as mesmas do ano passado. Só que um ano mais velhas! E cem litros a mais no peito! Cada ano elas estão com o peito maior! Vai precisar luva de beisebol pra pegar no peito delas! E já imaginou se estoura um peito daquele? Se estourar um peito daquele, vai ter luta de gel na avenida. E o que Deus criou só o silicone segura.
Essas peladas eu reconheço pela peladez! A Luma de Oliveira eu reconheço pelo umbigo. E a Monique Evans eu reconheço pela prótese.
A Luma vai sair na comissão de frente porque de costas e de lado tá uma desgraça! Rarará! É mole? É mole, mas sobe. Ou como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece.
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que em Campos Gerais, Minas, tem um boteco especializado em torresmo que se chama Infarto Frito. Ueba! Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Tripulante": companheiro pulando atrás do trio elétrico. Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.

ANCELMO GÓIS

JÚLIA DESFILA

O GLOBO - 10/02/10

Júlia Lira, a rainha de bateria de 7 anos da Viradouro, vai poder desfilar. A decisão foi da juíza Ivone Caetano, da Vara da Infância, Juventude e Idosos.
O Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente tinha questionado a presença da menina, alegando que o posto “tem enorme apelo sexual”.
A JUÍZA...
Ivone Caetano diz que ser rainha de bateria não significa necessariamente erotização. “Dona Dodô, 84 anos, foi rainha de bateria da Portela em 2003”.
VEJA SÓ
O assunto ganhou o mundo. O programa The Clancy File, da CNN, fez uma enquete sobre crianças de biquíni que dançam para um grande público.
Nos países muçulmanos, comenta-se que o pai é louco e a menina está sendo explorada. Na Europa, dizem que o carnaval é uma religião por aqui, e que não há nada de mais.
OUVIDO EM BRASÍLIA
Balança a cabeça de Luiz Felipe Denucci na presidência da Casa da Moeda.
PRESIDENTE DILMA
Antônio Palocci disse a empresários que o governo tem estudos mostrando que Dilma será líder nas pesquisas em março.
A conferir.
PEIXE GRANDE
Seguindo uma tendência de outros países, a Receita terá delegacias voltadas para os grandes contribuintes.
As primeiras passam a operar em março no Rio e em SP.
CRIME E CASTIGO
Ontem, a 3ª Câmara Cível do TJ manteve a decisão do juiz da 48 Vara Cível do Rio que condenou a Rede TV a pagar R$ 100 mil num processo movido por Preta Gil.
Preta foi xingada de “baleia” no programa Pânico na TV!”.
NEGUINHO DAS MULHERES
Neguinho da Beija-Flor, nosso grande cantor e Mulato do Gois “hours concours”, recebeu tantos protestos de mulheres com a letra daquela sua música que diz “melhor que dez muié só mil muié”, que decidiu mudar.
“Agora é ‘melhor que a mulher, só a mulher, só a mulher’...”, conta. Viva Neguinho!
AQUELE ABRAÇO
Pesquisa do site de viagens Mundi mostrou que o valor médio de tarifas de hotel no Rio caiu 2,52% em relação ao carnaval passado (R$ 437 a R$ 426).
Já em Salvador, aumentou 52,92% (R$ 316,5 a R$ 484).
SAPUCAÍ, ADEUS
De Dona Ivone Lara, 89 anos, a grande dama do Império Serrano, primeira mulher a compor samba-enredo, ao “Bafafá On Line”, site de notícias culturais do Rio:
– Cansei da Sapucaí. Está mais para turista que para sambista. Não tenho mais vontade de ir. Não quero ver as coisas que mudaram para pior.
AI, QUE CALOR 1
A OAB-RJ protocolou ontem no CNJ pedido para que os advogados cariocas, neste período de calor intenso, sejam liberados do terno e da gravata.
Faz sentido.
AI, QUE CALOR 2
Em janeiro, o consumo de energia residencial no Rio subiu 16% em relação ao mesmo período de 2009. Culpa do ar-condicionado.

O ESGOTO DO BRASIL

CLÁUDIO HUMBERTO

“FHC busca dar um rumo para uma oposição sem rumo”
AINDA MINISTRO TARSO GENRO, APONTANDO O EX-PRESIDENTE COMO “LÍDER” DA OPOSIÇÃO

TCU MIRA A SEDE DO TSE, CÓPIA DO PC FRANCÊS
O Tribunal de Contas da União determinou ao Tribunal Superior Eleitoral medidas que evitem o sobrepreço na obra de sua nova sede, em Brasília, após constatar irregularidades. Como a coluna mostrou em abril de 2009, o projeto, com o custo inicial R$ 328,5 milhões, é uma cópia do projeto da sede do Partido Comunista francês em Paris, pelo qual Oscar Niemeyer nada pediu. Mas cobrou R$ 5,9 milhões ao TSE.
EXAGERADO
Atolado em dívidas, o Partido Comunista da França alugou parte do prédio monumental de sua sede.
PANDORA 2
Um escândalo com proporções semelhantes ao de Brasília, incluindo mensalão, gravações e etc, está sob investigação no Rio de Janeiro.
ESPELHO MEU
O pedido da OAB de afastamento e prisão do governador José Roberto Arruda, ontem, foi revelado primeiro no site claudiohumberto.com.br.
CAMPANHA SEM LIMITES
Os gastos com aviões, hospedagem, diárias, etc na visita a Governador Valadares foram maiores que as 98 casas inauguradas ontem por Lula.
PETROBRAS AUMENTOU A GASOLINA, INDICA PLANILHA
A Petrobras nega, mas aumentou em R$ 0,08 o preço da gasolina A, o mesmo índice de redução da Cide (Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico), conforme planilhas de monitoramento de preços das refinarias, em poder da coluna. Dia 1º, passou de R$ 2,38 para R$ 2,467241 em Paulínia (SP) e R$ 2,493973, em Goiânia. A Petrobras reduziu a partir de segunda (8), ainda segundo as planilhas.
BEM COM A VIDA
Agora dono de toda Coca-Cola nordestina, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) vive a expectativa do nascimento do primeiro neto.
HONRA AO MÉRITO
Ao substituir Tarso Genro nesta quarta, Luiz Paulo Barreto chega ao topo de sua admirada carreira, no Ministério da Justiça.
CAÇA AOS NAZIS
Criada há sete meses, reúne-se nesta quarta a comissão especial da Câmara que investiga as quadrilhas de neonazistas no Brasil.
PR: NOVO PRESIDENTE
O ministro Alfredo Nascimento (Transportes) assumirá em abril a presidência nacional do PR, o Partido da República. Pesou na escolha sua proximidade com o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff.
ALUNA NOTA 10
Depois da omelete que virou ovo mexido num programa de TV, a ministra Dilma, que é mineira, chamou de Juiz de Fora a cidade de Governador Valadares. Deve ser a “herança maldita” de Lula...
CPI DA CAIXA-PRETA
Reúne-se nesta quarta, pela primeira vez em 2010, a CPI criada para investigar o duto de dinheiro público para o MST. Na gaveta, 109 requerimentos aguardam votação. Outra que deve terminar em pizza.
FALA QUE EU TE ESCUTO
Até assessores do governador do Amazonas, Eduardo Braga, temem falar ao telefone: sua polícia agora tem o sistema Guardião, que pode gravar centenas de ligações ao mesmo tempo, até à revelia da Justiça.
PIZZA DE ABACAXI
Tarso Genro (Justiça) disse ontem que “não deixa um pepino” para o presidente Lula, com o caso Cesare Battisti. Deixou um abacaxi para o respeitável público, que terá de engolir a lorota da “anistia humanitária”.
NOVO CONSELHEIRO
O sociólogo Paulo Sérgio Pinheiro, ex-secretário de Direitos Humanos no governo FHC, integra agora o conselho curador da EBC, estatal de comunicação do governo Lula, no lugar de Luiz Gonzaga Beluzzo.
PÕE NA CONTA
O ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), do finado Fome Zero, recebeu R$ 3 mil do Itamaraty por uma palestra num seminário promovidos por diplomatas da Fundação Alexandre Gusmão.
A MALDIÇÃO DAS “CAIXINHAS”
A ex-vereadora paulistana Myriam Athiê (PPS), o ex-chefe de gabinete e um advogado foram condenados pela Justiça paulista por suposta “caixinha” de uma empresa de ônibus. Os três negam. Cabe recurso.
SONO DOS JUSTOS
Podemos dormir tranquilos, caso o Congresso aprove projeto de lei punindo empresas corruptas. A chance, por fora, é de uns 30%.

PODER SEM PUDOR
JAGUATIRICA BIÔNICA
Roberto Valadão, ex-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, era líder da oposição na Assembleia Legislativa do Espírito Santo no fim dos anos 1970, quando fez um levantamento das despesas do governador Eurico Resende e descobriu que ele comprava, mensalmente, cerca de 2 mil quilos de carne para abastecer a despensa da ala residencial do Palácio Anchieta. Valadão foi à tribuna denunciar o fato:
– Pode-se afirmar que a Arena tem no Espírito Santo não um homem que foi indicado ao governo, mas sim uma jaguatirica biônica.

QUARTA NOS JORNAIS

- Globo: O ano da marolinha – Lucro de bancos e desemprego na indústria batem recordes


- Folha: Mínimo em SP sobe acima do previsto


- Estadão: Criticado, Brasil volta a defender diálogo com Irã


- JB: Emprego na indústria tem maior queda em 7 anos


- Correio: Servidor terá tíquete de R$ 304


- Valor: União dará incentivo fiscal à produção de fertilizantes


- Jornal do Commercio: Saúde reforçada

terça-feira, fevereiro 09, 2010

AUGUSTO NUNES

VEJA ON-LINE

FHC merece adversários menos boçais e aliados mais corajosos

9 de fevereiro de 2010

“Para ganhar sua guerra imaginária, o presidente distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos”, constata Fernando Henrique Cardoso já no primeiro parágrafo do artigo publicado no domingo. O que faz o governo Lula para “desconstruir o inimigo”?, pergunta-se linhas adiante. A resposta resume a tática que o pastor ensinou ao rebanho: “Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido”.

Surpreendida pela contundência do ex-presidente, que desmontou com menos de mil palavras vigarices reiteradas há sete anos, a matilha companheira foi à luta, desta vez sem o comandante. Como faz sempre que sabe com quem está falando, Lula achou melhor perder a voz. Enquanto ensaia o que dizer, falarão por ele os sarneys e os dirceus, os jucás e os berzoinis, os renans e os vaccarezzas, as dilmas e as idelis, os tarsos e os mercadantes, os destaques e os figurantes do elenco de filme de terror.

Não falarão por Fernando Henrique os aliados, incapazes sequer de compreender que, mais que um artigo-manifesto, acabam de ganhar a segunda parte do roteiro para a montagem do discurso que, segundo Lula, a oposição não tem. A primeira foi publicadoa há três meses, no artigo com o título “Para onde vamos?”. O texto demonstra que o autoritarismo popular instituído por Lula pode desembocar, num Brasil presidido por Dilma Rousseff, no que qualificou de “subperonismo”.

A previsão foi confirmada em dezembro pela aparição do Programa Nacional de Direitos Humanos. Nenhum tucano associou o artigo ao documento, que pretende chegar ao futuro pela estrada que termina no século 19. Se o horizonte próximo o inquieta, Fernando Henrique se mostra sem medo do passado, título do segundo artigo. Discurso, portanto, a oposição já tem. Falta agora descobrir que tem. Falta criar coragem para pronunciá-lo. Falta o candidato que tem jeito de candidato, modos de candidato, cara de candidato e vontade de ser candidato dizer que é candidato.

Tolerante, bem-humorado, substantivamente democrata, Fernando Henrique merecia adversários menos boçais e aliados mais corajosos. Há algo de muito errado com os partidos de oposição quando um grande governante tem de recordar ele próprio o muito que fez. Há algo de muito estranho quando FHC tenta impedir, sem a solidariedade ativa dos militantes, que se consume outra morte da verdade, sucessivamente assassinada desde janeiro de 2003.

Há mais de sete anos, patrulhas federais se valem da meia verdade ou da mentira grosseira para transformarem em herança maldita um legado de estadista. A cada avanço dos vendedores de fumaça corresponde uma rendição sem luta do PSDB, do DEM e do PPS. A oposição vive comprando como verdades milenares as mentiras que o governo vende. Lula, que precisou do segundo turno até para vencer Geraldo Alckmin, virou um imbatível campeão de votos. FHC, que o surrou duas vezes no primeiro turno, é apresentado como má companhia eleitoral.

Depois da vaia no Maracanã, Lula só testa a popularidade em institutos de pesquisa. Mas ficou estabelecido que ninguém foi tão amado desde Tomé de Sousa. Fernando Henrique anda pelas ruas sozinho entre cumprimentos e saudações da gente anônima,, foi mais de uma vez aplaudido no Viaduto do Chá. O Planalto espalhou que o país inteiro gostaria de vê-lo na guilhotina. A oposição acredita. É o Brasil.

As reações ao artigo escancararam o abismo existente entre a tibieza da oposição oficial e o ânimo combatente dos incontáveis brasileiros inconformados com a Era Lula que se movem e se agrupam na internet. Centenas de milhares de adversários do governo transformaram o artigo em bandeira e se juntaram à ofensiva de FHC. Sabem que não se ganha uma eleição sem confrontos nem se chega ao poder com mesuras. Sabem que disputa presidencial não é concurso de biografias, e que não é possível ser tão gentil com seitas primitivas.

Por tudo isso, aceitaram com entusiasmo o repto do Planalto. Lula quer uma disputa plebiscitária, certo? Por que não começar com um debate público entre Lula e Fernando Henrique? Pelo falatório governista, seria o duelo entre o pai dos pobres e o grande satã neo-liberal. É uma simplificação perigosa. Uma coisa é discursar num palanque, cercado de amigos que agem como meninas de auditório, sob os olhos de plateias amestradas. Outra é expor-se ao contraditório, à réplica, ao aparte. Lula foge de entrevistas com jornalistas independentes como o vampiro do crucifixo. Vai precisar de coragem para enfrentar um adversário que tem razão

CELSO MING

Chega pra lá


O Estado de S. Paulo - 09/02/2010

Ontem, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Tim Geithner, desautorizou uma das mais importantes agências de classificação de risco, a Moody"s, ao afirmar, em entrevista à rede de TV norte-americana ABC, que jamais os títulos de dívida do Tesouro do país (T-bonds, também conhecidos por treasuries) perderão o rating AAA (cotação máxima).

Até aí já havia rolado uma longa história. Quinta-feira, em relatório, a Moody"s avisou que os T-bonds corriam o risco de serem desclassificados em consequência da forte deterioração fiscal dos Estados Unidos.

A Moody"s é uma dessas agências que se encarregam de examinar a qualidade de um título. Seu objetivo é avaliar as condições que tem uma dívida de ser paga pelo devedor no dia do vencimento, de acordo com os termos de contrato.

É perfeitamente compreensível que a mais importante condição que um devedor tem de honrar seus compromissos de dívida seja a saúde de suas finanças. No caso de um país, essa condição é determinada pela robustez fiscal. De acordo com a Moody"s, a relação entre a dívida do Tesouro norte-americano e a receita do governo federal recuará de 429% no ano fiscal de 2010 para 394% em 2020, nível excessivamente elevado que não dá mostras de melhora confiável.

As principais agências de classificação de risco, entre as quais está a Moody"s, têm sido fortemente criticadas por graves vícios de procedimento e por uma série de avaliações desastrosas.

O vício de procedimento é o de que as avaliações dessas agências são pagas por quem as encomenda, ou seja, os próprios interessados na qualidade dos títulos. As coisas são assim desde que esse serviço começou a ser feito e não se vê nenhuma iniciativa para mudá-las.

As avaliações desastrosas ficaram escancaradas a partir de setembro de 2008, quando as autoridades e os próprios bancos passaram a dar tratamento de ativos podres a títulos de dívida cuja excelência havia sido reconhecida até dias antes por essas agências.

Quando vem a público e afirma com todas as letras que o rating dos T-bonds, títulos que o mercado considera como referência (benchmark), pode ser rebaixado por causa das dúvidas sobre a capacidade de solvência dos Estados Unidos, a Moody"s parece empenhada em recuperar a credibilidade que ficou abalada. Rebaixar o T-bond significa reconhecer que centenas de outros títulos públicos e privados, como os da dívida da Alemanha, da Suíça, do Canadá ou da Microsoft (cuja confiança não foi até agora questionada), podem ter qualidade melhor do que a atual referência global.

Mas, se o secretário do Tesouro norte-americano avisa que o alerta da Moody"s é descabido e que jamais os treasuries perderão o selo AAA, mais uma vez as avaliações da Moody"s são duramente questionadas.

E Geithner não deixa de ter a lógica a seu lado porque, apesar da dívida gigantesca e do rombo orçamentário colossal, os Estados Unidos detêm a prerrogativa de emitir a quase única moeda internacional de reserva.

Quer dizer, se houver uma rejeição dos treasuries pelos credores, em última instância os Estados Unidos os resgatarão com emissão de dólares.


Confira

Não se metam - Os representantes de países da União Europeia dentro do G-7 rejeitaram os financiamentos e as regras do Fundo Monetário Internacional (FMI) para resolver o problema da Grécia.

O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäeuble, foi claro: "Esse não é assunto para o FMI."

É uma atitude que parece demonstrar que uma solução está a caminho do interior da União Europeia - apesar das proibições de transferência interna de recursos determinadas pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC). Falta saber o que virá agora.

É A VIDA

NAS ENTRELINHAS

Na hora e no lugar certos

Alon Feuerwerker
Correio Braziliense - 09/02/2010



Com uma parte da elite desconfiada de que o PSDB vai enfiar os pés pelas mãos, as antenas começam a rastrear. Onde encontrar guarida para as demandas não propriamente petistas? Onde buscar proteção contra o jacobinismo? No PMDB, ora

Existe abundante material de análise sobre dois atributos do PMDB, pelo ângulo do desejo petista de continuar no poder. Nada a acrescentar sobre a importância do tempo de TV para a campanha, nem sobre o papel estabilizador na formação e manutenção da base parlamentar. Mas, da maneira como o quadro se desenha, talvez tão importante quanto venha a ser o PMDB no equilíbrio social e político (extraparlamentar) de um eventual governo Dilma Rousseff.

O desastrado — ainda que sincero — Programa Nacional de Direitos Humanos, por exemplo, reacendeu em segmentos da sociedade (Igreja, imprensa, Forças Armadas, agricultura) dúvidas sobre as convicções democráticas do PT. Vejam que não discuto aqui se o PT as tem. Discuto as percepções.

Com o PNDH, o PT marcou um ponto na base fiel e espiritualmente radicalizada. Reendossou, no plano ritual, uma certa utopia basista. Foi como se o Copom, de pé, cantasse a “Internacional” antes de se reunir para, seguindo o hábito, proteger a rentabilidade dos bancos. O problema é que o PNDH abriu larga frente de contenciosos e desconfianças. Talvez na contabilidade eleitoral faça sentido, mas uma coisa é eleger-se, outra é governar. Quem elege é o povo, mas quem pode impedir de governar é a elite.

Daí por que o PMDB talvez esteja diante da maior oportunidade histórica desde quando elegeu Tancredo Neves, no colégio eleitoral em 1985. Vai a caminho de consolidar-se como força política decisiva, e não apenas no parlamento. Se o PT (o PT, não Luiz Inácio Lula da Silva) é incapaz de construir uma hegemonia político-ideológica que deixe confortável o conjunto da sociedade, e se o PSDB não consegue apresentar ao país um líder, um ideário ou um discurso, o nacionalismo diluído e a história antiditatorial do PMDB podem colocar-se como o seguro necessário para a democracia representativa, a economia de mercado e o estado de direito.

Uma certa opinião pública, nascida na segunda metade dos anos 1980 e cultivada nas campanhas “pela ética na política”, movimentos que viram a ascensão do PSDB e do PT como paradigmas de modernidade e pureza, acostumou-se a desprezar o PMDB, desde sempre apresentado como a personificação do atraso. Mas tucanos e petistas chegaram ao poder, os escândalos se espalharam por todo o espectro e o lacerdismo tardio deixou de ter força material. Ainda que, como toda construção ideológica, resista no plano imaginário ou no do simples entretenimento intelectual.

O jogo hoje em dia é outro. Com uma parte da elite desconfiada de que o PSDB vai mesmo enfiar os pés pelas mãos, as antenas começam a rastrear possíveis caminhos para a relação com o poder a partir de 2011. E onde encontrar guarida para as demandas não propriamente petistas? Onde, sem Luiz Inácio Lula da Silva em palácio, buscar proteção contra o jacobinismo? Obviamente que no PMDB, o fiel da balança.

Para os peemedebistas, é o “estar no lugar certo, na hora certa”.

Nunca antes na história deste país viu-se o PMDB tão unido. Não é sem motivo.

Claro que Dilma poderia embaralhar o script, sendo ela própria o pós-Lula. Mas esse é um capítulo ainda por escrever. E é preciso saber se o PT vai deixar.

Piada de francês
O agente secreto de certo país europeu (não digo qual é, para não ser politicamente incorreto) desembarca no Tom Jobim, recolhe a bagagem, entra no táxi. E fica em silêncio. Até que o profissional ao volante finalmente faz a pergunta de praxe:

— Para onde vamos, senhor?

A resposta vem na hora:

— Você não acha que está fazendo perguntas demais?

A piada é velha, eu não tenho talento para contar piadas, mas ela serve para ilustrar o comportamento dos governos brasileiro e francês quando questionados por que os negócios militares entre ambos são tão caros, tão mais caros do que o habitual.

A expressão da moda é “interesse estratégico”. Que pode significar qualquer coisa, até mesmo coisa nenhuma. Adequado seria se o país ficasse sabendo de quem é o interesse estratégico e qual o tamanho dele. Mas anda muito difícil hoje em dia em Brasília achar um político que esteja disposto a colocar a mão nessa cumbuca, a destampar o caldeirão. Talvez o patriotismo esteja mesmo em alta na capital. Ou talvez haja muitos interesses estratégicos contemplados.

BENJAMIN STEINBRUCH

Um pouco mais ousado

Folha de S. Paulo - 09/02/2010


Nem o ritmo da economia está tão acelerado nem existe uma pressão inflacionária tão ameaçadora

O BRASIL vai crescer entre 5% e 6% neste ano? Sempre acreditei nisso, mas começo a ter dúvidas. A pressão do mercado e o viés conservador da política monetária indicam que vem aí uma nova rodada de alta dos juros.
Quando sobreveio a crise global, com a quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008, o BC procurou agir com cautela. Levou três meses para se convencer da gravidade da crise. Só em janeiro de 2009 começou a baixar os juros, num momento em que os demais bancos centrais já adotavam taxas reais negativas. Naquela época, a demora do estímulo monetário teve de ser compensada por medidas de política fiscal, principalmente o corte de impostos sobre bens duráveis e a redução do superavit primário do governo. Foram essas medidas que estimularam o consumo e iniciaram o processo de restabelecimento da confiança e a retomada econômica. Se fosse esperar pelo efeito da redução tardia dos juros, o país teria amargado uma recessão.
O viés conservador se manifesta agora novamente. A economia terminou 2009 com crescimento zero, embora a recuperação da atividade fosse nítida no último trimestre. Os estímulos fiscais já estão sendo retirados e serão zerados até o fim de março. Seria o caso, portanto, em benefício da cautela, de manter os juros inalterados até que se tenha maior segurança sobre o ritmo da recuperação. Na verdade, haveria até espaço para uma redução da taxa, hoje a mais alta do mundo em termos reais.
Desta vez, porém, parece que não haverá prudência. A ata da reunião do Comitê de Política Monetária, divulgada na semana passada, mostra que a elevação dos juros pode começar já na próxima reunião do Copom, em 16 de março. Justificativa: haveria uma retomada muito forte da atividade econômica, com riscos inflacionários, que estaria evidenciada no aumento da utilização da capacidade instalada da indústria.
A capacidade instalada poderia ser, de fato, um fator preocupante, se ela desequilibrasse a oferta e a demanda de bens, porque nesse caso haveria pressão inflacionária. Mas tudo indica que a indústria está ainda muito longe desse ponto. Os níveis de utilização de capacidade tiveram queda no início do ano passado, chegando a 78%. Depois, houve aumentos desse índice para até 81% no último trimestre, nível ainda inferior ao do primeiro semestre de 2008.
Além desse fator, no segundo semestre do ano passado prevaleceu uma clara tendência de retomada dos investimentos. Isso vai aumentar a capacidade instalada da indústria no médio prazo, tendência revelada pelo consumo de máquinas e equipamentos no último trimestre, que cresceu 18% em relação ao penúltimo.
Há, portanto, duas constatações: nem o ritmo da economia está tão acelerado quanto prega o mercado amante dos juros altos nem existe uma pressão inflacionária tão ameaçadora provocada pela escassez de oferta. O mercado para exportações continua fraco, e vêm da Europa notícias inquietantes sobre recaídas da crise na Espanha, na Itália, na Irlanda, em Portugal e na Grécia. Ou seja, a tempestade passou, mas ainda não há céu de brigadeiro.
A imposição de freios ao crescimento, portanto, é precipitada. Ainda que houvesse algum risco de a inflação ultrapassar um pouco o centro da meta -vale lembrar que o limite máximo é 6,5% em 2010-, seria recomendável apostar no crescimento. O momento vivido pelo país, de grande prestígio externo e confiança interna, permite um pouco mais de ousadia.

BENJAMIN STEINBRUCH, 56, empresário, é diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, presidente do conselho de administração da empresa e primeiro vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

ARI CUNHA

Movimento católico


Correio Braziliense - 09/02/2010



Uma televisão fazia estudo geral sobre o nascimento do movimento de 1964. Pelo que a história conta, o discurso de Jango na Central do Brasil fez nascer a atuação das senhoras católicas que deu início à luta pela liberdade do povo. O almirante Aragão escolheu data errada para se refugiar no Uruguai. Estávamos numa roda e fomos fazer reportagem sobre como viviam os exilados. O almirante Aragão chegou animado. Fomos almoçar uma parrilhada. Todos os exilados estavam exaustos. No almoço, o almirante Aragão disse: “O que está lá nós derrubaremos com um sopro”. Darcy Ribeiro contou toda história antes de se refugiar no país vizinho. Não queria ouvir patacoadas. E falou em português claro: “Por que o senhor não soprou?” A roda se desfez como corda de caranguejo. Não saiu ninguém atrás do outro. Fomos nos encontrar no Café Sorocaba, onde se reuniam os brasileiros e estavam com o peito feliz.


A frase que não foi pronunciada

“As unhas que o gato usa para pegar o rato ficam escondidas.”
» Manual do araponga.



Paranoá

»
Uma mancha branca na parte norte do Lago chamou a atenção no domingo. Carlos Eduardo Pereira, superintendente de Operações da ETE, explica. O sistema adotado pela Caesb para o tratamento do esgoto é o aerado. Como estava em manutenção, a pouca quantidade de ar para o processamento do esgoto foi compensada pelo aumento do uso de sulfato de alumínio. Formou-se daí a espuma que não causa danos.

Depredação

»
Enquanto os olhos se voltam para a Amazônia, continuam as instalações de empresas químicas nas serras catarinenses. Algumas em áreas de proteção permanente. Órgãos ambientais têm facilitado o acesso das indústrias. Exploração de jazida de fosfato, fábrica de fertilizantes e até produção de ácido sulfúrico. A região montanhosa é o que sobrou da Mata Atlântica na região, onde os rios do estado têm suas nascentes. A natureza não perdoa.

Por amor

»
Trabalhadores do carnaval brasileiro vão receber capacitação. O projeto nasceu no Ministério do Trabalho. Do luthier a costureiras, o projeto é dar mais atenção profissional. A notícia foi muito bem recebida pela população, que até hoje trabalhou como amadora do carnaval e pode trabalhar durante o resto do ano.

Baralho

»
Dilma Rousseff faz esforço para contar com Ciro Gomes no palanque. Passado na casca do alho, o paulista “cearencês” manteve a mesma postura. A resposta foi seca e limpa. “Há chances, mas no segundo turno.”

Padre Cícero

»
Padim padre Cícero participa da Igreja Católica pela primeira vez depois da proibição papal. Foi introduzido na Catedral do Crato. Homenageado por romeiros católicos, nada houve contra a decisão do povo, que se sentiu feliz. A sua presença está restrita à Catedral do Crato.

Lagash

»
Aniversário do primeiro restaurante com pratos árabes, o Lagash criou para os amigos e frequentadores a maior variedade de iguarias. Trata-se de coleção dos cardápios desde a fundação. Os festejos são em homenagem aos frequentadores.

Combate

»
A maneira mais sóbria de conter a propagação do tóxico não deve ser trabalho para a polícia armada. A infiltração está grande. Cargas altas chegam ao Brasil por várias direções. Serviço de inteligência é que deveria estar à frente. As prisões seriam mais fáceis e sem grandes alaridos.

Missão

»
Quando o Congresso se mudou para Brasília, criou a Comissão do Distrito Federal. Não havia apadrinhamento, nem as obras custavam mais do que o Brasil dispunha. A Comissão era controlada pelo Senado. Todas as decisões eram em favor da cidade, que recebia os mais novos moradores. Os legisladores desejavam que sumisse do mapa a bandalheira das outras unidades da Federação.

Haiti

»
Na crise do desespero, o Brasil colocou num avião da FAB o que era mais necessário à população do Haiti. Assim chegaram as primeiras 13 toneladas, recebidas com choro e alegria pelos necessitados. A tropa do Brasil, que lá representa a ONU, sentiu a amizade que eles sempre dispensaram ao contingente brasileiro.

História de Brasília
Pela primeira vez, presto, na vida, um serviço ao governo. Sou integrante da Comissão de Incentivo à Iniciativa Privada em Brasília e aceitei a missão com muito gosto. Quando rejeitei o cargo de tesoureiro, para que fui nomeado no governo passado, fi-lo na certeza de que estava cumprindo um ditame da minha consciência. Hoje, passo a prestar serviço à minha cidade, com satisfação e orgulho, que poucos sabem medir, e a independência de políticos, que todos conhecem. (Publicado em 24/2/1961)

FERNANDO CALAZANS

Alta temperatura

O GLOBO - 09/02/10


Nada mais do que 30 e poucos segundos de jogo, e o Resende meteu um gol no Botafogo, o único time grande que ainda brigava pela classificação na rodada de domingo, última da Taça GB. Susto no Engenhão, vaias da torcida em cima daqueles jogadores de sempre, susto até em quem (como eu) já tinha dado como certa a presença dos quatro nas semifinais. Mas foi apenas isto, um susto.
Logo o Botafogo se recompôs, e a cabeça do Loco Abreu pairou no estádio com três gols em bolas altas, como é o seu forte. Aí já estava resolvida a parada, ainda mais que o Resende teve um jogador expulso logo no primeiro tempo, facilitando mais ainda a tarefa nada difícil do Botafogo. Marcelo Cordeiro e Wellington Júnior fizeram os outros na goleada de 5 a 2.
Então o Botafogo já está preparado? Com Joel Santana, o Botafogo já ganhou, é claro, uma arrumação melhor, já dá ideia de um time de futebol, pelo menos na distribuição em campo. Até onde vai essa melhora, não sei, porque o adversário, como seus pares de menor porte, não permite fazer maiores avaliações.
No fim das contas, estão aí os quatro grandes clubes classificadíssimos para as semifinais da Taça GB, sábado de carnaval e Quarta-Feira de Cinzas, com a folia no meio para não deixar cair a temperatura.
Com um time misto e já classificado, não prestei muita atenção no jogo do Flamengo – nem no jogo do Fluminense –, mas deu para perceber que jogadores lá da Gávea, como Leonardo Moura e Juan por exemplo, continuam levando cartões a torto e a direito, por causa de faltas e atitudes bobas, infantis. Como há também companheiros com privilégios no Flamengo, não sei se a diretoria pode repreender esses jogadores de cabeça pequenina.
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O clássico paulista apresentou a vitória de 2 a 1 do Santos sobre o São Paulo, conquistada no gol feio de Neymar, com o recurso vulgar da paradona na cobrança de pênalti, e com o gol bonito de Robinho. Rogério Ceni acertou depois do jogo, ao dizer que Neymar aproveitasse bastante, porque uma paradona como aquela só pode no Brasil.
Estou lendo aqui uma grande celebração ao Corinthians pela goleada de 4 a 0 sobre o Sertãozinho, que é nada mais do que o 20º colocado no Campeonato Paulista, ou seja, o último, o lanterninha. O Corinthians é um dos líderes de torcida no Brasil, logo depois do Flamengo, como vocês sabem, e times de grandes torcidas, como Flamengo e Corinthians, merecem sempre grandes celebrações da mídia, mesmo quando vencem o último colocado.
Alguma implicância com o Corinthians? Nenhuma. O Corinthians foi, dos times brasileiros, o último que me agradou, no primeiro semestre do ano passado, campeão da Copa do Brasil. Agradou mais ainda do que o Flamengo em sua vitoriosa arrancada para o título brasileiro, quem sabe perdendo apenas para a saga da salvação do Fluminense.
Hoje, o Corinthians não me agrada tanto, mas me agrada, cada vez mais, seu jogador Jorge Henrique. Longe de ser o virtuose dos meus sonhos, Jorge Henrique é um baita jogador, na armação, na marcação, na criação e agora até na finalização. Desta vez, por mais incrível que isso possa parecer, Roberto Carlos também disse uma coisa certa: “Jorge Henrique é um grande jogador, pensa no time”. Joga pelo time, diria eu. Joga no campo todo. E vale, ele próprio, por uma boa exibição do Corinthians, mesmo sem adversário.