sexta-feira, janeiro 22, 2010
PAINEL DA FOLHA
Em reunião do conselho da Fiesp no início da semana, o presidente da entidade, Paulo Skaf (PSB), discorreu por mais de hora a respeito de suas perspectivas eleitorais. Apesar do 1% registrado na pesquisa Datafolha sobre a disputa pelo governo de São Paulo e da preferência de Lula por Ciro Gomes, ele manifestou aos colegas a avaliação de que, se a campanha reunir volume suficiente de recursos, "dá para ganhar".
O neossocialista Skaf disse ainda que está na hora de empresários, e não sindicalistas, administrarem o país, no que foi apoiado com entusiasmo por Jorge Gerdau, um dos presentes ao encontro.
Esteio
No meio empresarial, os principais nomes engajados no projeto eleitoral de Skaf são Benjamin Steinbruch (CSN) e Josué Gomes da Silva (Coteminas), filho do vice-presidente José Alencar.
Alerta
Com o aumento no tom dos ataques entre tucanos e petistas, foi ouvido no PT que "baixaria afugenta o eleitor", em referência à nota do presidente da sigla, Ricardo Berzoini, e do futuro, José Eduardo Dutra, tratando Sérgio Guerra (PSDB-PE) como "jagunço da política".
Tintas 1
Dutra argumenta que foi Guerra quem "chutou a canela" primeiro ao afirmar que Dilma Rousseff "mente". E minimiza: "A nota deles foi grosseira e virulenta. A nossa tem um toque de ironia".
Tintas 2
Do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), aliado e conterrâneo de Sérgio Guerra: "A escolha da palavra mostra um preconceito tacanho que há muito deveria estar banido do debate político. Grosseria e má educação são elementos inerentes à personalidade da ministra".
Talheres
Na conversa que quer ter com Lula, a cúpula do PMDB levará dois pleitos: que fiquem claras as regras nos Estados onde não haverá aliança com o PT; e que será o partido, e não o presidente, que irá escolher o vice.
Veja bem
Do presidente da Câmara, Michel Temer (SP), após negar que o tema da vice foi debatido no jantar do PMDB: "Sou candidato a deputado federal. Esta questão de vice, inclusive, está me prejudicando eleitoralmente".
Distância
Enquanto sobe a fervura no partido, o ministro peemedebista Hélio Costa (Comunicações) prorrogou a volta das férias para terça.
Interruptor
Uma queda de luz deixou a reunião ministerial de ontem às escuras por 30 segundos. Dilma aproveitou para brincar com o ministro de Minas e Energia: "Lobão, olha o apagão aí!"
Guichê
Em ano eleitoral, o presidente informou ter determinado a Nelson Jobim (Defesa) a criação de um cargo de "autoridade de aeroporto". Na prática, seria uma espécie de gerente nomeado para cada terminal aéreo.
Fatura
Lula encerrou o encontro com seus auxiliares dizendo que "deve" ao vice, José Alencar (PRB), a candidatura ao Senado por Minas Gerais. Afirmou se tratar de uma retribuição aos anos que "roubou" dele como senador eleito no primeiro mandato.
Caso antigo
Apesar da tentativa do PT em "despolitizar" a operação da Polícia Federal sobre desvios na área da saúde da Prefeitura de Porto Alegre, aliados de José Fogaça (PMDB) afirmam que o caso foi descoberto em 2007 pelo Tribunal de Contas do Estado. Fogaça oficializará a candidatura ao governo contra Tarso Genro (Justiça) dia 30.
Socorro
A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), presidida pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO), enviará 130 toneladas de alimentos para as vítimas do terremoto no Haiti.
Tiroteio
O PSDB não deveria se animar tanto com o exemplo chileno porque governa São Paulo há 15 anos e o Alckmin é candidato de novo.
Do deputado PAULO TEIXEIRA (PT-SP), sobre comparações do PSDB entre o fracasso de Michelle Bachelet em transferir votos ao seu candidato, apesar da boa popularidade, e o apoio de Lula a Dilma Rousseff.
Contraponto
Gabinete de crise
O presidente Lula brincou ontem na reunião ministerial que em breve receberá dezenas de ministros entregando o cargo para se candidatar às eleições:
-Eu mandei montar um confessionário! Mas, se alguém tiver dúvida, saiba que sou bom de convencimento. Olha o Orlando Silva!-, disse Lula, sobre a opção do ministro dos Esportes em assumir o posto de autoridade olímpica em troca de disputar as eleições.
Orlando olhou para Geddel Vieira Lima (Integração), pré-candidato ao governo baiano contra o PT, e emendou:
-O Geddel está dizendo que passa ainda hoje lá!
O ministro peemedebista tratou logo de desmentir.
MARCOS SAWAYA JANK
Etanol ? entendendo o mercado e os preços
O ESTADO DE SÃO PAULO - 22/01/10
A principal característica das commodities são as suas incontroláveis flutuações de preços. Salvo no caso do petróleo e derivados, que no Brasil são um monopólio com preços fixados pelo governo, todas as demais commodities vivem permanente volatilidade de preços.
Este é o caso do álcool combustível, o etanol, cujos preços flutuam livremente ao sabor das variações de oferta e demanda. É verdade que, no passado, o governo já controlou os preços do açúcar, do etanol e de várias outras commodities. Há, porém, amplo consenso de que a desregulamentação nos anos 1990 levou a ganhos de eficiência e forte redução de custos de produção, beneficiando toda a sociedade.
Acompanhando o rápido crescimento dos veículos flex desde 2003, que hoje já atinge quase 40% da frota total, o etanol superou a gasolina na preferência dos consumidores e tornou-se um notável exemplo para o mundo de substituição de petróleo e de combate ao aquecimento global. Nos três últimos anos, graças à expansão da oferta e aos baixos preços, somados ao reconhecido valor ambiental do produto, o consumo de etanol cresceu fantásticos 78%, ante apenas 3% da gasolina.
Acontece que no final da atual safra alguns fatores produziram uma alta do preço do produto, confirmando a regra da volatilidade. O primeiro fator, muito comentado, porém de baixo poder explicativo, é a alta do preço do açúcar no mercado mundial, causada por quebras de safra nos principais países produtores, dentre eles Brasil e Índia. De fato, as usinas têm alguma flexibilidade para optar pela produção de açúcar ou etanol, porém a "migração" é limitada pela inexistência de fábricas de açúcar na maior parte das novas unidades e pela falta de capacidade ociosa nas mais antigas.
O principal fator que explica a alta recente do etanol tem sido pouco comentado: a crise financeira global, que atingiu duramente o setor. No primeiro semestre de 2009, a falta de liquidez no mercado de crédito forçou boa parte das empresas a desovarem grandes volumes de etanol a preços fortemente deprimidos, abaixo dos custos de produção, para poderem se capitalizar. Isso fez o consumo explodir - quase 30% de aumento em relação ao mesmo período em 2008. Em seguida, as chuvas excessivas do segundo semestre fizeram as usinas ficar o dobro de dias paradas em relação ao usual, comprometendo a produção prevista e os estoques para a entressafra.
Pode-se dizer que o etanol constitui hoje um exemplo de funcionamento correto das forças de mercado, gerando ajustes de preços. O principal pilar de sustentação do sistema é justamente o carro flex, que permite ao consumidor a escolha do combustível em função de seus preços relativos e vantagens técnicas e ambientais. Nenhum país no mundo oferece essa possibilidade de escolha de forma tão ampla e benéfica para o consumidor. E, ao escolher, o consumidor força os ajustes de mercado. Portanto, a experiência brasileira é um sucesso tecnológico nacional, da competitividade da cana-de-açúcar à eficiência dos motores flex, que conta com um sistema de formação de preços livres que traz benefícios econômicos, sociais, ambientais e de saúde pública.
E pelo menos dois fatores de melhoria estão em andamento. O primeiro é a retomada do crédito para a formação de estoques reguladores (warrantagem), que não funcionou no ano passado por problemas nos balanços das empresas depois da crise de endividamento e falta de liquidez. O segundo foi a recente aprovação, pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), da entrada de novos agentes e a criação de empresas de comercialização no etanol, até então lamentavelmente proibidas pelas regras vigentes no mercado de combustíveis. A volatilidade de preços vai continuar a existir, até porque, ao contrário do petróleo, a produção de cana depende dos humores do clima. Ela pode, porém, diminuir com a presença dos novos agentes e mecanismos de financiamento, estocagem e comercialização.
Outra variável importante é o comércio exterior. O governo e a indústria estão engajados numa verdadeira cruzada para consolidar o etanol como uma commodity global, que poderá trazer investimentos, empregos, divisas e ganhos para o planeta na questão do clima. O problema é que o mercado de etanol é fortemente protegido no mundo. Os Estados Unidos já estão reconhecendo as vantagens do etanol de cana em relação a outras matérias-primas e a tarifa que incide sobre o produto importado está em debate no Congresso americano e poderá cair até o final deste ano.
Se queremos que o etanol se consolide como uma alternativa energética global, é fundamental que as proteções tarifárias e não-tarifárias sejam derrubadas, inclusive no Brasil, que mantém uma elevada tarifa de importação de 20%, altamente criticada no exterior. Alguns grupos americanos afirmam corretamente que é incoerente o Brasil pedir maior abertura comercial e, ao mesmo tempo, proteger o seu próprio mercado com uma alta tarifa de importação. O pleito do livre-comércio não funciona em mão única. Se somos os mais competitivos do mundo, por que não dar o bom exemplo que nos credencia a pleitear a abertura do mercado norte-americano, de longe o principal mercado consumidor da atualidade?
Em suma, nossos 35 anos de história do etanol tiveram grandes solavancos: da intervenção para o mercado livre, o desenvolvimento do carro a álcool, a volta do carro a gasolina, a inovação dos veículos flex. Hoje as motocicletas, as usinas de bioeletricidade e os bioplásticos. No futuro, os ônibus, os caminhões, os aviões, os hidrocarbonetos de cana e a alcoolquímica. Apesar dos solavancos, este ano causados pela crise financeira e pelo clima, é fundamental continuarmos aprimorando o funcionamento dos mercados e estimulando a mudança tecnológica, a competitividade e a sustentabilidade.
Marcos Sawaya Jank é presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica)
E-mail: msjank@unica.com.br
JOSÉ SIMÃO
Socuerro! São Pedro cuspiu na gente!
FOLHA DE SÃO PAULO - 22/01/10
E a frase que corre no Twitter: São Pedro e São Paulo não se bicam! Isso é briga de santo!
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Direto de Campinas: "Assaltante caolho é preso após bater carro na garagem!".
E sabe como se chama o biólogo que monitora os ovos da larva da dengue? OVANDO! Doutor Ovando Provatti! E sabe por que novela tem intervalo? É para esfriar o pingolim do Zé Mayer! Já tá com 4 filhos e 2 grávidas!
E frase que corre no Twitter: "São Pedro e São Paulo definitivamente não se bicam!". Isso é briga de santo! Sampa virou de novo um parque aquático: o AQUASSAB! Parque aquático com leptospirose. E vocês viram o jipinho do Kassab? Anfíbio! Em vez de resolver o alagamento, ele compra jipinho anfíbio pra bombeiro! É como ter febre e, em vez de tomar remédio, comprar um termômetro. Rarará.
E o Kassab disse que as obras contra enchentes surtiram efeito. EFEITO CASCATA? Rarará! MARginal Tietê e MARginal Pinheiros. Mas ninguém pode reclamar, a Sabesp cumpriu a promessa: água e esgoto na porta de casa. ABUNDANTEMENTE!
E a novela do Manoel Carlos? Devia se chamar MORRER EM VIDA! Só tem desgraça! E adoro os depoimentos: "A minha mulher morreu afogada na noite de Natal, mas aprendi com o sofrimento e hoje já superei, casei com outra 20 anos mais nova!". "Eu nasci corintiano, morrerei sem ver o Timão vencer a Libertadores, mas hoje já superei, virei são-paulino." E o pensamento ecológico do dia: o sonho de toda onça é ter casaco de pele de puta! E a minha Loirebe Camargo saindo do hospital? FABULOSA! Eu sei porque a Hebe saiu fabulosa do hospital: um plantonista do Jacques Janine e uma champanhe Cristal no café da manhã! Ueba! A televisão saiu andando e loira. Em HD!
E piada infame e verídica: paulistano liga pra prefeitura: "Minha casa tá desmoronando, tô morrendo afogado, o que eu faço?". "Ninguém CÁ SABE!". É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que no interior do Rio Grande do Sul tem uma estradinha chamada Passo dos Ladrões! Xi, essa vai dar em Brasília! Ueba! Mais direto impossível. Viva o antitucanês! E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Hoje não tem. Porque uma amiga minha deu um selinho no Lula. E foi pega no bafômetro. Rarará!
O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
SONIA RACY - DIRETO DA FONTE
| O ano after O Estado de S.Paulo - 22/01/2010 Para falar sobre um ano na presidência, Obama faz dia 27, no Congresso americano, discurso detalhando suas prioridades legislativas. Foi um ano duro, ninguém tem dúvida. Principalmente porque as expectativas eram tão elevadas, quando tomou posse, que nenhum ser humano seria capaz de satisfazê-las. E o preço a pagar foi ver sua aprovação popular, estratosférica, despencar para níveis abaixo dos 50%, com os republicanos no seu pé, atrapalhando iniciativas, batizando-o de "matador de empregos". O cenário muda em 2010? Como prega James Cargill, assessor de Bill Clinton, "é a economia, estúpido". Isto é, os índices de aprovação de Obama só vão subir com a melhora da economia. Parte da "herança maldita" de George W. Bush. Para todas Chico Buarque deixou a timidez de lado. Emprestou todo seu acervo de músicas, fotos e memória para o Instituto Tom Jobim, no Rio. Que, além de catalogar e organizar o material, fará em julho uma grande exposição em homenagem a Chico. Longo, o processo Fábio Barreto, diretor de Lula, o Filho do Brasil, passou por nova cirurgia de quatro horas, ontem, capitaneada por Paulo Niemeyer. Foi recolocada a calota craniana. E também introduzida uma válvula para drenar o cérebro. A esperança é que ele saia do coma em breve. Nacionalismo Economista neoliberal brasileiro fez as contas e descobriu: a Vale foi a empresa que mais "nacionalizou" no Brasil durante a última década. Foram 16 empresas que, juntas, representaram investimentos da ordem de US$ 23 bilhões. Nem a Petrobrás gastou tanto nesse tipo de compra. Talvez o camarada Hugo Chávez tenha feito mais. Mas como cada nacionalização, na Venezuela, é seguida de briga na Justiça, os números não são confiáveis. Boca amarga Recomeça, domingo, a batalha perdida de Copenhague. Carlos Minc discute na Índia, com colegas da China, Índia e África do Sul, um documento comum - que, na Dinamarca, ficou pelo caminho - sobre a forma de contabilizar a redução do carbono. Ao que se sabe, não leva rojões na bagagem. Merecida Alain Ducasse at The Dorchester, em Londres, ganhou a cobiçada terceira estrela do Guia Michelin. A cruz e o credo Eleita, até agora, a frase mais viva do ano: "Estou otimista com a evolução da atividade. Em 2010, nosso setor deve crescer 7%". É o que espera Haroldo Felício, presidente do Sindicato Nacional dos Cemitérios e Crematórios Particulares. Chame a ambulância A PM e o promotor Paulo Castilho se movimentam para impedir que o jogo entre Santos e São Paulo, no dia 7, seja em Barueri. Acham que não há como impedir a briga das torcidas. O lugar tem uma só linha de trem, uma bilheteria e um portão de acesso. De pai para adotado A Ancine avisa: banca passagens aéreas e legendas em inglês para todos os filmes brasileiros que serão "exportados" para os 68 festivais internacionais deste ano, independentemente do tamanho. Até as da megaprodução Besouro que vai a Berlim. DIRETAS ONTEM Rubens Ricupero tirou do baú seu diário dos tempos de Tancredo Neves. O livro deve sair em abril. yes, they can O Bar Brahma criou um "it" para seu carnaval paulista: 24 camarotes corporativos, individuais, dentro do camarote principal. Preço? Módico, de R$ 44 mil a R$ 144 mil por... Dia. Direto do SPFW Ser a Top Number One do planeta não garante pontualidade. Raquel Zimmerman, grande atração do dia, atrasou em uma hora, anteontem, o desfile da Animale. Resultado? Uma plateia educadamente impaciente. Mas bastou pisar na passarela para ser ovacionada. É que a top se atrapalhou, mesmo sem ter grandes exigências, na produção que antecedeu o desfile. Não, não foi por causa da magrela que ganhou para pedalar pelos arredores do Hotel Fasano. Foi cálculo errado do trânsito mesmo. Portanto, a modelo não pedala até Guarulhos hoje, quando volta a NY - para retornar segunda e fotografar novamente. Suas vindas, aliás, parece que vão ser intensificadas. "Este ano, o plano é conhecer pelo menos parte do meu Brasil." Cedo, no Iguatemi, Gloria Coelho arrancou elogios com seu desfile em passarela escorada em placas solares, enquanto Silvio de Abreu, na plateia, escarafunchava o mundo da moda para sua próxima novela. Se depender de assessoria, ele está feito: Alexandre Herchcovitch se colocou à sua disposição. No camarim de Gloria, Wanderley Nunes arriscava definir o conceito de beleza dos desfiles: "São mulheres que descobrem as coisas antes das outras". |
ROGÉRIO L. FURQUIM WERNECK
Dissonâncias
O ESTADO DE SÃO PAULO - 22/01/10
Não é surpreendente que a entrada do ano eleitoral tenha acirrado os ânimos do governo e da oposição. Mas as primeiras salvas do grande embate de 2010, entre partidários da ministra Dilma Rousseff e do governador José Serra, deixaram entrever visões um tanto preocupantes dos rumos da política econômica no País.
Há duas semanas, em estrepitosa entrevista à revista Veja, o senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB, declarou que, caso o governador José Serra vença a eleição, haverá mudanças importantes na taxa de juros, no câmbio e nas metas para a inflação. "Essas variáveis continuarão a reger nossa economia, mas terão pesos diferentes." Quando indagado sobre como transcorreriam tais mudanças, limitou-se a uma resposta lacônica e críptica. "Se ganharmos, agiremos rápida e objetivamente. A forma de fazer será discutida no momento adequado."
Não se sabe bem o que levou o senador Sérgio Guerra a fazer tais declarações nem de onde extraiu tais ideias, que não parecem ser de sua própria lavra. Mas é lamentável que o presidente do PSDB tenha saído de seu caminho para alardear, a essa altura dos acontecimentos, que a oposição está pronta a fazer grandes, rápidas e misteriosas mudanças na política macroeconômica assim que reconquistar a Presidência. Não ocupasse o senador a posição que ocupa no PSDB, seria até possível pensar que estivesse a serviço do "terrorismo eleitoral" de que os tucanos se queixam.
Poucos dias após a publicação da entrevista de Sérgio Guerra, o governador José Serra declarou que entendia que "candidato a presidente não é chefe da oposição". E que não pretende "ficar tomando conta do governo Lula". Esse papel seria atribuído aos parlamentares do PSDB. O seu seria "apontar para o futuro".
Se era essa a divisão de papéis acordada, fica mais difícil ainda entender a desastrada entrevista de Sérgio Guerra tentando apontar para o futuro. Seja como for, tal divisão de papéis não vai ser fácil. Não é de hoje que o PSDB se debate com a falta de um discurso econômico minimamente articulado. Sem que o governador José Serra apresente uma proposta econômica bem estruturada, vai ser difícil que a bancada do PSDB no Congresso consiga desempenhar com eficácia o papel que lhe foi reservado.
Mas o que é especialmente preocupante é a visão econômica que vem sendo explicitada na candidatura governista, pela própria ministra Dilma Rousseff. Na semana passada, a candidata apontou a diferença entre os governos FHC e Lula que pretende sublinhar na campanha eleitoral. "Ruim era aquele negócio de corta daqui, corta dali. Em vez de ser choque de gestão, corta investimento, corta consumo; nós estamos em outra." A ideia é vender para o eleitorado a fantasia de que o governo Lula descobriu uma forma de não ter de lidar com limitação de recursos. Há dinheiro público para tudo. Não há necessidade de qualquer esforço de ajuste fiscal. Não há por que tentar aumentar a eficiência na gestão do Estado. Não há por que conter a expansão desmesurada do consumo do governo. Ajuste fiscal é coisa de tucano. O governo Lula "está em outra". E, de fato, está mesmo.
Depois da gigantesca farra fiscal de 2009, o governo parece completamente mobilizado com a ideia de repetir a dose e viabilizar a vitória da candidata governista dando um final apoteótico ao segundo mandato do presidente Lula. E, para isso, mostra-se disposto a tudo.
Não devem ser subestimadas as reais proporções do retrocesso que vem ocorrendo na condução da política fiscal no País. Não se trata apenas de deterioração do resultado primário. O que se vê é um uso cada vez mais amplo de manobras contábeis e enfeites de balanço, tanto do lado da receita como do lado da despesa, com o intuito de escamotear as verdadeiras dimensões da deterioração do quadro fiscal.
E há, ainda, um aspecto particularmente grave, que é o alarmante processo de desconstrução institucional envolvido na reversão de avanços que até pouco tempo pareciam definitivos, como a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e a separação do setor público não financeiro das instituições financeiras federais. Basta ter em mente a disposição do governo para acomodar mudanças na LRF e as relações problemáticas que vêm prosperando entre o Tesouro e o BNDES, envolvendo, entre outras dificuldades, gestão temerária da dívida bruta do setor público.
*Rogério L. Furquim Werneck, economista, doutor pela Universidade Harvard, é professor titular do Departamento de Economia da PUC-Rio
ANCELMO GÓIS
Uma caveira de burro parece impedir o avanço da construção da usina de Marabá, PA, com capacidade para produzir 2,5 milhões de toneladas de aço. Houve um tempo em que se dizia que Lula andava de beicinho com Roger Agnelli, presidente da Vale, acusado de fazer corpo mole no projeto. Superado, digamos, o mal-entendido, agora o Ministério Público local dificulta a licença ambiental.
CAÇA-NÍQUEL E ÓLEO
Cristóbal López, dono de uma rede de máquinas caça-níquel na Argentina e grande amigo do casal Néstor e Cristina Kirchner, negocia a compra de uma refinaria da Petrobras na Província de Santa Fé. Em Buenos Aires, prevê-se que o negócio, de uns US$ 30 milhões, seja fechado estes dias.
FUTEBOL NO HAITI
Ricardo Teixeira, da CBF, estuda uma forma de a seleção voltar a ajudar o Haiti. O país é fanático pelo futebol brasileiro. Em 2004, um jogo da seleção em Porto Príncipe se transformou numa apoteose na história do país.
GIL EM CAMPO
Dois brasileiros emplacaram músicas no Fifa Soccer 2010, videogame licenciado pela entidade máxima do futebol com expectativa de vendas de 16 milhões de cópias mundo afora. Gilberto Gil terá “Emoriô”; Márcio Local, “Soul do samba”.
LAURA NA UNESCO
Maria Laura da Rocha, chefe de gabinete do chanceler Celso Amorim, será a nova embaixadora brasileira na Unesco, em Paris. Hoje, o cargo é ocupado pelo embaixador João Carlos Souza Gomes.
FK PIRATA
Frans Krajcberg, o grande escultor, distribuiu ao mercado brasileiro de artes uma carta indignada em que denuncia um derrame de obras falsas com sua assinatura, “FK”. O mestre avisa que, se encontrar uma dessas cópias em galerias, leilões ou mesmo em residências, entrará na Justiça. Está certo.
ALTO RISCO
Veja só como algumas vezes parece que nem tudo está perdido. A maternidade da Santa Casa de Belém, onde ano passado morreram mais de 12 bebês numa semana, foi palco na segunda de um parto de alto risco. A paraense Maria Gomes dos Santos, de 37 anos e apenas 79 centímetros de altura deu a luz, ao primeiro filho, o bebê Abner de 46 centímetros. Com apenas 33 centímetros menor que a mãe, Abner tem 2 quilos e 375 gramas. Segundo o hospital, os dois passam bem. Que sejam felizes!
AVIÕES NÃO TRIPULADOS
Nelson Jobim embarca estes dias para Israel, onde participará de um seminário só para autoridades da área de segurança no Brasil. O ministro deve aproveitar para fechar a compra dos tais aviões não tripulados.
‘HI, CLIFF’
Cliff Davis, o autor de “I never can say good bye”, sucesso dos Jackson 5, chega ao Brasil amanhã. Fica uma semana entre São Paulo e Salvador.
MARCHINHA GAY
Os gays estão na moda – e não é só por causa do “BBB”. Duas marchinhas gays são finalistas do concurso da Fundição Progresso no carnaval de 2010. “Bom dia”, de Renato Torres, diz: “Se o Conde D’eu/Se o rei de Bagdá/Se negros do Sudão/Por que eu não posso dar?”. Outra, de Joaquim Ledislau, de Pelotas, RS, celebra Clodovil: “Você não morreu, ai, ai/Bicha não morre, se transforma em purpurina”.
CLÁUDIO HUMBERTO
MINISTRO ALEXANDRE PADILHA (RELAÇÕES INSTITUCIONAIS), DEFENDENDO A CAMPANHA PETISTA
LULA DÁ US$ 611 MILHÕES POR CADEIRA NA ONU
Só os reinados dos Luíses de França foram tão extravagantes: em busca de uma cadeira permanente do conselho de Segurança da ONU, o presidente Luiz Inácio já perdoou cerca de US$ 611,1 milhões em dívidas de países do chamado Terceiro Mundo – fazendo bonito com o chapéu público ao longo de seus dois mandatos: o arco da bondade vai de Moçambique, na África, aos “companheiros” de Cuba e Bolívia.
PAI DOS POBRES
Foram também anistiados Cabo Verde, Gabão e a endinheirada Nigéria (África) e a Nicarágua. A dívida nigeriana rolava há mais de 20 anos.
CHER AMI
O “preço” da cadeira também inclui os US$ 10 bilhões por 36 caças franceses Rafale. A Índia comprará 126 caças pelo mesmo preço.
VEM AÍ “O PEPINO”
Dilema dos donos dos cinemas: exibir Lula, o Filho do Brasil para não queimar o filme com “os cumpanhêro” ou faturar com fita mais rentável?
ASSIM É FÁCIL
A Bolívia, do amalucado Evo Morales, denuncia a “ocupação militar dos EUA no Haiti”, mas não mandou nem uma folha de coca para ajudar.
NO RS, HAVERÁ ‘LEGÍTIMA DEFESA’ CONTRA INVASÕES
Os produtores rurais gaúchos reagiram ao decreto de Lula que prevê “comissão de mediação” para avaliar invasões de terra antes que os donos possam pedir reintegração de posse à Justiça. Carlos Sperotto, presidente da Federação da Agricultura do RS (Farsul), escreveu a Lula para avisar que recomendará aos produtores, quando invadidos, que usem o legítimo direito de defesa de posse, previsto em Lei.
ESTÁ NA LEI
Segundo os agricultores, o legítimo direito de defesa de posse é previsto no art. 1.210, parágrafo 1º, do Código Civil Brasileiro.
VIDA NOVA
Se não pode mudar de país, mude de sexo: Cuba tem 122 transexuais na fila para a operação. Os que fizeram estão no anonimato.
MANUTENÇÃO
As páginas do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça na internet ficarão indisponíveis neste fim de semana.
DETRAN-DF: R$ 213 MILHÕES
No DF, a fabulosa “Indústria de Multas & Taxas do Detran S/A”, uma das mais rentáveis do País, faturou R$ 213 milhões no ano passado, informa a Secretaria de Planejamento. Em 2008, foram R$ 212 milhões. O Detran não usa a fortuna em campanhas educativas, como diz a Lei.
NEM AÍ
D. Marisa Letícia reapareceu ontem na homenagem aos mortos no Haiti. Menos mal. Mulheres de militares reclamam que a primeira-dama nem sequer telefonou a uma ou outra família. Esperavam dela pelo menos uma visita a familiares enlutados de Brasília. Em vão.
RECEITA IMPROVISADA
Entre os deputados que julgariam o impeachment
do governador José Roberto Arruda e foram afastados pela Justiça, está o suplente Pedro do Ovo (PRP).
Mas fazer panetone sem ovo é impossível.
QUALIFICAÇÃO
O general Floriano Peixoto, comandante brasileiro no Haiti, admirado pelos colegas, teria morrido no QG da ONU se não estivesse em Miami no dia do terremoto. Serviu nos Estados Unidos e fala inglês fluente.
MAIS UMA
Estudos do Ipea mostram que o desemprego entre jovens triplicou e chega a 20% na faixa até 20 anos de idade. Cai por terra mais uma promessa de campanha do presidente Lula, em 2002.
PRISÃO-PRÊMIO
Vera Lúcia Almeida, advogada acusada de matar o marido e também advogado, Valter Nunes de Almeida, cumpre prisão em casa, a pedido da OAB, porque Rondônia não tem prisão adequada para ela.
NO CASH
A embaixada em Berlim extinguiu os pagamentos em dinheiro e cheque, após uma funcionária surrupiar R$ 25,8 mil do caixa. O balcão de atendimento agora tem um cartão de débito. Não foi o primeiro caso.
O VELHO ANO-NOVO
A “propaganda” se repete em todo o País, mas em Sergipe, o Ministério Público Eleitoral representou contra o governador Marcelo Déda (PT), por uso de dinheiro público em outdoors desejando “Feliz Ano-Novo”.
PENSANDO BEM...
os haitianos vão precisar de muita reza caso Lula decida visitá-los.
PODER SEM PUDOR
NEM PALÁCIO, NEM CASTELO
No páreo para a Prefeitura de São Luís (MA), no início da década, os nomes mais cotados eram Tadeu Palácio, prefeito em busca de reeleição (PDT), Ricardo Murad (PSB), gerente metropolitano, e João Castelo (PSDB), deputado federal. Correndo por fora, o deputado Pedro Fernandes (PTB) gravou um jingle gozador:
– São Luís é uma ilha /Pra que murar? /Nem castelo, nem palácio /O povo quer é casa para morar.
SEXTA NOS JORNAIS
- Globo: Brasil reforça ajuda ao Haiti com mais R$ 350 milhões
- Estadão: Chuvas matam mais 8 pessoas na Grande SP
- JB: Órfãos da informação
- Correio: A dor de duas nações
- Valor: Contribuintes renegociam dívidas por lucros na bolsa
quinta-feira, janeiro 21, 2010
MÔNICA BERGAMO
O grupo Fasano, um dos líderes da insurgência contra a lei da Gorjeta, se rendeu. Assinou acordo com o Sinthoresp (sindicato dos garçons) para repassar integralmente a taxa de serviço para os funcionários, descontando apenas 35% desse valor para encargos trabalhistas.
Em julho de 2009, no hotel Fasano, representantes de casas como Antiquarius, D.O.M. e A Figueira Rubaiyat discutiam como pressionar Brasília para barrar o projeto de lei, ainda em tramitação, que regulamenta o repasse da gorjeta -mas com desconto mais apertado, de 20%, para pagar encargos.
SACA-ROLHA 2
Hoje, o grupo Fasano, como grande parte dos restaurantes, acumula processos de ex-empregados que reclamam não só de direitos trabalhistas sobre a taxa de serviço como do desconto de itens perdidos, como copos quebrados e talheres desaparecidos.
LULAFOLIA 1
Verba estatal vai chover mais que papel picado no Carnaval de SP. Na terça-feira, o Ministério do Turismo juntou para uma reunião com as escolas de samba patrocinadores faixa-preta como Eletrobras, Petrobras, Correios e Caixa Econômica Federal.
LULAFOLIA 2
Reunidos a pedido do presidente Lula, que prometeu às escolas um investimento em volume nunca antes visto na história do Carnaval paulista, as empresas prometeram generosidade na verba, que ajudará nas despesas das agremiações já neste ano. Uma delas prometeu sacar R$ 2 milhões do bolso.
LULAFOLIA 3
O Ministério da Cultura aprovou autorização para abatimento em impostos no valor de R$ 1,6 milhão para quem se dispuser a patrocinar uma "turnê de lançamento do novo CD" do cantor Carlinhos Brown por dez capitais brasileiras.
LULAFOLIA 4
E o presidente sancionou lei que cria o Dia Nacional da Baiana de Acarajé no calendário de efemérides nacionais, no dia 25 de novembro.
COMEÇAR DE NOVO
O Condephaat (órgão estadual do patrimônio histórico) faz reunião extraordinária hoje para discutir como será a reconstrução dos prédios de São Luiz de Paraitinga, cidade destruída pelas enchentes. Ali, vai decidir se usa técnicas tradicionais como taipa de pilão ou métodos mais modernos.
DOMINGO NO PARQUE
O parque Villa-Lobos vai abrigar o Cirque du Soleil na próxima temporada paulistana, a partir de 19 de fevereiro. Quatrocentas pessoas trabalharão na montagem. São 53 contêineres de parafernália.
TAXISTA FASHIONISTA
Os taxistas credenciados para trabalhar na semana de moda paulista precisam usar roupa social para apanhar passageiros no parque Ibirapuera. "A organização e o sindicato decidiram que eles têm que usar calça social preta e camisa branca", diz o agente de fiscalização da SPTrans, Paulo César.
O PENETRA VEM AÍ
O longa "VIPs", do diretor Toniko Melo, está em fase de finalização e deve estrear em julho. A fita é inspirada na história de Marcelo Nascimento (no filme, Wagner Mouro), o célebre penetra que se passava por Henrique Constantino, dono da Gol, e chegou a dar entrevistas usando a falsa identidade.
JESUS LUZ
"Tô ficando tonto, pessoal!"
"Ah, eu já estou me acostumando [com o assédio]. Mas sempre dá um friozinho na barriga", diz Jesus Luz à repórter Lígia Mesquita antes de discotecar no clube Lions, no centro de SP, e após desfilar pela Ellus na São Paulo Fashion Week, na noite de terça-feira.
Entre o desfile e a festa, o namorado de Madonna viveu mais um dia de popstar. Quando precisou sair do camarim para ir ao banheiro, teve de ser escoltado por seguranças, que o protegeram dos fotógrafos e cinegrafistas. Depois, entre muitos flashes, reclamou: "Tô ficando tonto, pessoal!".
No desfile da Ellus, foi instalado em camarim exclusivo, com champanhe gelado e mesa de comidinhas, como cuscuz. Seus cachos eram alisados pelo cabeleireiro Robert Estevão. "É para abrir o rosto dele, botar o cabelo para trás. Porque ele é lindo, né?", disse a estilista e empresária Adriana Bozon, dona da marca.
No Lions, ele vestia a camiseta gola "V" que usou à tarde no camarim e a mesma jaqueta de couro que usou no desfile. Peterson Ibrahim, que empresaria o Jesus DJ, tira muitas fotos do cliente, a todo momento. "Jesus vai discotecar em Paris e Moscou neste semestre", ele conta. E o cachê para tocar no Brasil, de quanto é? "Não posso falar, mas é algo em torno de R$ 40 mil."
Ontem, Jesus discotecaria no clube Royal, com renda destinada às vítimas do forte terremoto que arrasou o Haiti na semana passada. Pensa em se engajar de vez na causa e ampliar a ajuda? "Penso, mas ainda estou estudando como fazer", diz, ao estilo Madonna.
CURTO-CIRCUITO
O ESPETÁCULO "Cada Um Com Seus Pobrema", com Marcelo Médici, tem apresentação amanhã, às 22h, no Citibank Hall, em Moema. Classificação etária: 12 anos.
ACONTECE hoje para convidados a festa Top Night Mercedes-Benz, às 21h, na Casa Fasano, com exibição de fotos de Luiz Tripolli e discotecagem de Fernando Figueiredo.
O GRUPO 3naMassa faz show hoje, às 20h, no lounge Seda na São Paulo Fashion Week. Classificação etária: livre.
MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO
O Aché Laboratórios, segunda maior farmacêutica brasileira em participação de mercado, retomou seus planos de abertura de capital. Em 2007, em meio ao boom de IPOs (Ofertas Públicas Iniciais, na sigla em inglês), a empresa já anunciava que tinha planos de fazer o seu lançamento inicial de ações.
Naquele ano, os controladores do laboratório chegaram a começar a separar os ativos não farmacêuticos com o objetivo de preparar a companhia para a abertura. Os ativos agrícolas foram retirados da estrutura societária da farmacêutica, controlada pelas famílias Siaulys, Baptista e Depieri. Esse processo já foi concluído.
Mas o projeto de IPO foi suspenso em 2008 com a chegada da crise financeira internacional e agora está sendo resgatado. O registro para a abertura de capital ainda não foi pedido na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) pela Aché. A empresa informa que a oferta de ações ainda não tem uma data prevista.
A companhia deverá encerrar 2009 com um total de vendas brutas próximo a R$ 2 bilhões. Os números do ano passado ainda não foram fechados pela empresa. O faturamento bruto da Aché Laboratórios em 2008 ficou em aproximadamente R$ 1,9 bilhão.
As operações de abertura de capital na Bolsa se aqueceram em 2007, quando a Bovespa registrou 64 novos papéis. Em 2008 e 2009, os processos estacionaram com apenas quatro e seis IPOs em cada ano, respectivamente.
O mercado deve crescer novamente em 2010, de acordo com especialistas. Neste ano, em menos de um mês, as empresas Aliansce Shopping Centers e Multiplus anunciaram suas aberturas de capital.
Indústria do cobre registra deficit em 2009
Termômetro da economia, que fornece produtos para os setores da construção civil, automobilístico, eletrônico e outros, a indústria do cobre continua pessimista em 2010, segundo o Sindicel.
Abalada por crise e queda na demanda internacional, a indústria brasileira do cobre fechou novembro com deficit de US$ 156,3 milhões na balança comercial. A previsão é que alcance US$ 165 milhões em dezembro.
"Houve um recuo de 15% nas atividades do setor em 2009. Em 2010, teremos dificuldade em elevar os preços dos produtos, que hoje estão 10% abaixo do patamar necessário para ter margens que gerem capital para investimento. Os clientes se habituaram ao atual nível de preços", diz Sérgio Aredes, presidente do Sindicel.
"Fazemos material de acabamento, que só entra depois de levantadas as paredes. Se a construção retoma em nível forte, temos que esperar até o fim do ano para aproveitar", diz.
NOVOS VOOS
A menos de um mês do fim da quarentena que teve de cumprir após deixar a presidência da TAM, em outubro do ano passado, David Barioni Neto se diz dividido entre duas áreas: a de logística e infraestrutura e a de prestação de serviços, duas faces do seu posto anterior. "São minhas especialidades. Ambas têm grande potencial de crescimento no Brasil." O executivo decide seu destino nos próximos dias.
CORTE, COSTURA E NEGÓCIOS
Amir Slama, que deixou a grife Rosa Chá no ano passado e vai lançar em maio uma marca que leva seu nome, recebeu, no início desta semana, em São Paulo, o empresário Boris Provost, diretor de comunicação do WSS Developpement, grupo francês proprietário dos salões de confecção e acessórios de moda Who's Next. Provost veio ao país para negociar parcerias com estilistas brasileiros. "A ideia é trazer estilistas franceses para exporem aqui e ampliar a presença de brasileiros lá", afirma Slama, que é curador do salão Casamoda, de negócios do setor. O estilista se prepara para inaugurar, ainda neste ano, três lojas da sua nova grife Amir Slama, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Nova York.
GARIMPO 1
A Arisp (associação dos registradores imobiliários) contratou Norma Cianflone Cassares, professora da USP e especialista em restauração de documentos em papel, para fazer uma "recuperação de água" na documentação dos cartórios de São Luiz do Paraitinga.
GARIMPO 2
A entidade está investindo cerca de R$ 250 mil nesse processo de recuperação, que abrange mais de 3.000 documentos de registros de compra e venda de imóveis. É um resgate histórico, pois há livros com registros de transações imobiliárias dos séculos 18 e 19.
CELSO MING
O rombo vai aumentar
| O Estado de S. Paulo - 21/01/2010 |
O rombo nas contas externas do Brasil em 2009 foi maior do que o esperado e vai crescer substancialmente tanto em 2010 como em 2011. |
BRASÍLIA -DF
O fim da miséria
| Luiz Carlos Azedo | ||||||||
| Correio Braziliense - 21/01/2010 | ||||||||
O ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias (PT), garante que até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o governo acabará com a miséria absoluta no Brasil. Será o resultado do direcionamento dos gastos sociais para as parcelas mais pobres da população. A “focalização” surgiu como ideia social-liberal, na equipe do ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, para compensar o impacto do ajuste fiscal do governo Fernando Henrique Cardoso junto à população de baixa renda, mas não passou de uma espécie de “amostra grátis”. No atual governo, a “focalização” da assistência social mudou de natureza com a decisão do presidente Lula de estender o programa Bolsa Família a todas as famílias que estavam abaixo da linha de pobreza. Uma espécie de salto de qualidade decorrente da escala. Hoje, há 11,6 milhões de famílias beneficiadas pelo programa, aproximadamente 46,2 milhões de pessoas, ou seja, mais de 25% da população, beneficiadas com R$ 13,1 bilhões. Somam-se a essas pessoas 1,6 milhão de idosos e 1,8 milhão de portadores de deficiência que recebem do governo um salário-mínimo por mês de benefícios, num total de mais R$ 16 bilhões. Sem falar nos 7,6 milhões de aposentados rurais, beneficiados pela Constituição de 1998, que hoje recebem em média R$ 533,20. Brasília, 50 anos// Com a crise do GDF, o pacote de 50 obras prometidas para os 50 anos de Brasília não ficará pronto na data prevista, 21 de abril. Mas o governador José Roberto Arruda (sem partido) quer inaugurar, pelo menos, a nova rodoviária interestadual e a torre da tevê digital no aniversário da capital. Ideia-força Criticar o Bolsa-Família pode dar votos para um candidato em busca de apoio da alta classe média, mas virou suicídio eleitoral para quem disputa eleições majoritárias. Acusado de assistencialista e populista pela oposição, o programa conquistou corações e mentes de uma grande parcela da população até então excluída da esfera de atendimento do Estado, ampliou a renda nas periferias e grotões e praticamente erradicou a fome endêmica no país. Em relação ao presidente Lula, tem o mesmo papel que a carteira assinada e o salário-mínimo representaram para Getúlio Vargas (foto). Banqueiros Pesquisa MCM na banca paulista endossa a política monetária do governo Lula (91% de bom e ótimo), o controle da inflação (88% de bom e ótimo) e a política cambial (65% de bom e ótimo), mas detona a política fiscal (69% de bom e ótimo). Quanto à sucessão de Lula, 59% acreditam na vitória de Serra e 21%, na de Dilma. Caridade O PTB deve desembolsar, em breve, R$ 30 mil para o PT e para o deputado Geraldo Magela, do PT-DF. O dinheiro resulta de uma ação em fase de execução pelo Tribunal de Justiça do DF em que o partido comandado pelo ex-deputado Roberto Jefferson foi condenado por acusar o petista de corrupção e grilagem de terras durante programa eleitoral, em 2004. Magela decidiu doar sua parte na indenização a uma entidade de apoio a crianças com câncer. Vazante Candidato do PT ao governo do Distrito Federal, o ex-ministro dos Esportes Agnelo Queiroz (foto) enfrenta dificuldades para consolidar suas alianças. O PSB discute o lançamento da candidatura do deputado Rodrigo Rollemberg (DF) na próxima segunda-feira. No PDT, também se consolida o nome do deputado distrital José Antônio Reguffe. Aceleração Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), entre 1995 e 2008, a queda média anual na taxa nacional de pobreza absoluta (até meio salário mínimo per capita) foi de -0,9%, enquanto na taxa de pobreza extrema (até um quarto de salário mínimo per capita) foi de -0,8% ao ano. Entre 2003 e 2008, a queda na taxa de pobreza absoluta foi de -3,1%, enquanto na taxa de pobreza extrema foi de -2,1% ao ano. Para acelerar esse processo, o governo pretende ampliar o Bolsa Família para 12,9 milhões de famílias Contrato/ Um contrato de mais de R$ 190 milhões para o fornecimento de 15 mil kits destinados aos telecentros do programa Inclusão Digital, do Ministério das Comunicações, está na mira do Tribunal de Contas da União (TCU). Após representação de uma empresa perdedora, o órgão vai ouvir o subsecretário de Planejamento e Orçamento do ministério, José Maurício Salgado, sobre possíveis irregularidades na fase dos testes de conformidade dos produtos fornecidos. Dendê/ A convite do líder do PP na Câmara, Mário Negromonte, a presidente da Associação das Baianas de Acarajé, Rita Ventura, deve desembarcar em breve com seu tabuleiro em Brasília. A ideia é servir a iguaria ao presidente Lula, fã do apimentado quitute baiano, para comemorar a criação do Dia Nacional da Baiana de Acarajé, 25 de novembro, lei publicada ontem no Diário Oficial. Desplugado/ O deputado Celso Russomanno (PP-SP) quer mudar a lei que impôs o novo padrão de tomadas no país. Apesar de serem mais seguras, Russomanno acredita que façam mal ao bolso do consumidor. Pelos seus cálculos, uma tomada no novo padrão sai em média R$ 4, e cada residência possui em torno de 20 tomadas, o que custaria ao consumidor R$ 80. Ele estima em 40 milhões o número de domicílios com energia elétrica. |
FERNANDO VAZ
O fascínio pela tecnologia
| O Globo - 21/01/2010 |
O progresso da tecnologia e o desenvolvimento do computador — que na verdade é a primeira máquina feita pelo homem sem um uso especifico, que não só armazena informações, mas, e principalmente, comanda o uso de outras máquinas — modificaram profundamente quase todos os aspectos da vida humana, e tornaram mais fáceis, quase corriqueiras, coisas que há até pouco tempo eram reservadas a poucos, cientistas ou profissionais especificos. Hoje é possível, por exemplo, planejar, comprar e simular uma viagem praticamente sem sair de casa, reservando e avaliando os hotéis, aviões, passeios, restaurantes etc. apenas com o auxilio de um pequeno computador portátil; e, durante a viagem, ver e falar com os amigos ou parentes que ficaram. Duas das categorias profissionais mais afetadas por este desenvolvimento são os pilotos de aviões e os cirurgiões. O desenvolvimento da videocirurgia, da tomografia computadorizada, da ressonância magnética e outros métodos diagnósticos, e a incorporação de novas tecnologias como monitores específicos de anestesia, laser, ultrassom, ondas de choque, dispositivos implantáveis, robôs etc. ao ato cirúrgico vieram melhorar muito os resultados das operações, facilitar a sua execução e diminuir o sofrimento dos que a elas se submetem. É coisa quase do passado o outrora tão temido “choque anestésico ou choque operatório”, como era conhecida a morte na mesa de operação. Respeitadas as normas de segurança, estes eventos se transformaram em uma raridade fora dos hospitais de pronto socorro, de trauma ou dos casos realmente desesperados, de pacientes muito graves, sendo que nestes últimos a família quase sempre participa da decisão. Mas, a exemplo do que ocorre com os pilotos dos aviões, para utilizá-las com sucesso é preciso que o cirurgião domine amplamente as novas tecnologias, conheça as suas limitações e tenha a legítima preocupação de utilizálas para o bem-estar do paciente, obtendo os melhores resultados. Temos todos, médicos e pacientes, um fascínio por tudo que é novo, e parece avançado... mas é preciso ressaltar que o compromisso deve ser sempre com o melhor resultado final para o paciente, e não com a nova técnica, pois é isto o que a sociedade espera de nós. No Brasil, como a maioria das coisa novas não ocorre nos hospitais públicos, e de modo geral são sempre dispendiosas, existe ainda um problema adicional que é a necessidade de pagar os investimentos das instituições ou empresas que estão disponibilizando estas novas técnicas, e às vezes esta necessidade diminui o compromisso com o resultado, o que nunca deveria ocorrer. Especificamente na área da urologia, minha especialidade, na última década vimos surgir um tratamento ou aparelho novo quase a cada ano, pois esta sempre foi uma especialidade afeita a novas tecnologias. Aliás, principal razão do seu “desmembramento” da cirurgia geral pelos anos 30 foi o aparecimento dos endoscópios, ainda de vidro, que possibilitavam um diagnóstico mais preciso , mas exigiam um longo período de treinamento de quem os utilizava. Na época, uma nova técnica, mas na verdade apenas o aperfeiçoamento de instrumentos idealizados muitos anos antes, mas impossíveis de serem até então fabricados. Só nos últimos 20 anos, quando já existia a maioria dos métodos diagnósticos mais corriqueiros ainda hoje utilizados, como a ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética, além é claro das endoscopias urológicas, doenças até então praticamente incuráveis, como a incontinência urinária e os problemas de ereção, encontraram soluções relativamente simples e eficientes; e, outras, que já eram tratadas com sucesso, mas com operações, como os cálculos renais e as doenças da próstata ou dos rins, muitas vezes são hoje tratadas em um dia ou mesmo sem internações hospitalares Algumas destas novas técnicas são apenas uma evolução das que já existem, e os cirurgiões urologistas são capazes de aprendê-las em pouco tempo, e obter bons resultados rapidamente. Sem falsa modéstia, é surpreendente a capacidade do médico brasileiro de aprender coisas novas, talvez fruto da improvisação a que todos fomos obrigados a recorrer durante o inicio da vida, trabalhando em hospitais nem sempre bem equipados. Outras são realmente novidades, e que ainda precisam passar pelo crivo do tempo. Nem sempre tudo que é novo é necessariamente melhor, especialmente em um campo tão difícil de julgar como a saúde humana. E, voltando ao exemplo dos pilotos, se o técnico não dominar plenamente a máquina que usa, os resultados podem ser desastrosos. É preciso manter sempre a mente aberta para todas as novidades médicas, utilizá-las com critério, mas sobretudo é preciso lembrar que o paciente, e não a máquina, é a razão da nossa existência. E que o seu julgamento final sobre o resultado do seu tratamento será sempre o resultado obtido, e não o método empregado. |




