terça-feira, dezembro 29, 2009

ANCELMO GÓIS

De volta para o ST

O GLOBO - 29/12/09


O STF vai pegar de volta o caso Varig, novela arcaica em que os herdeiros da finada voadora cobram da União uns R$ 5 bi, por perdas na época do congelamento de tarifas.
Em março, a ministra Carmen Lúcia, relatora do processo, aceitou um pedido das partes para que fosse tentado um acordo.

SEGUE...
Na época, o então advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, hoje ministro do próprio STF, apostava numa solução negociada em 60 dias.
Nove meses depois... Nada.
ALIÁS...
Mesmo com o flagelo que se abateu principalmente entre o pessoal do fundo de pensão Aerus, gente que contribuiu a vida inteira e hoje passa grandes dificuldades, o processo de recuperação judicial da Varig, comandado pelo juiz carioca Luiz Roberto Ayoub, tem ganhos importantes.
PARA DESEMBARCAR...
Dos 9,5 mil empregados da velha voadora, 3.490 trabalham hoje na empresa incorporada pela Gol, que já emitiu 3,189 milhões de passagens referentes a 42,8 bilhões de milhas, que pertenciam a clientes da antiga Varig.
Menos mal.
PÉ NO FREIO
A Petrobras já andou mais animada nas negociações para voltar à Fórmula 1.
NOVOS DESAFIOS
O boa praça Luiz Carlos Nabuco resolveu deixar a diretoria da Bradesco Seguros.
“MERCI BEAUCOUP”
A revista Livres Hebdo, referência em literatura na França, cobriu de elogios O enigma de Qaf, do brasileiro Alberto Mussa, que sai lá em janeiro.
O crítico Jean-Maurice de Montrémy diz: “Este livro encantaria Borges e Cotázar”.
RÉVEILLON DO ROMÁRIO
Romário vai passar o réveillon em Búzios com a família e os amigos.
O Baixinho comprou mais de 50 ingressos de uma festa no balneário e os distribuiu a todos que quer à sua volta no ano-novo.
ÚLTIMA HORA
Como brasileiro deixa tudo para última hora, a Polícia Federal receberá até a meia-noite do dia 31 de dezembro pela internet o cadastramento de armas de fogo. O prazo fatal para mantê-las legalmente é o último dia do ano. Quem não registrá-las, estará incorrendo em crime, com pena entre um e três anos de prisão.
ALIÁS...
Mais de três milhões de armas já foram regularizadas e quem ainda não efetuou o recadastramento precisa correr para não ficar ilegal. O registro dá à pessoa o direito de possuir arma
em casa, para defesa, mas não de circular pelas ruas.
VERÃO 2010
O Brasil está na moda. Neste fim de ano e início de 2010, visitam o País Pierre Sarkozy, filho mais velho do presidente da França, Nicolas Sarkozy; a princesa Laila, do Marrocos; os reis Carl Gustaf e Silvia, da Suécia, e a princesa Martha Louise, da Noruega.
A VAGA DE TARSO
A vaga de Tarso Genro, que deixa o Ministério da Justiça no fim de janeiro, está entre três candidatos: Luiz Paulo Barreto, secretário-executivo da pasta; Ricardo Balestreri, secretário nacional de Segurança; e o deputado Jose Eduardo Cardozo.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

XICO GRAZIANO

Delícia antiga

O ESTADO DE SÃO PAULO - 29/12/09

As ceias de Natal, embora mais recheadas, parecem perder qualidade a cada comemoração. Algumas frutas, certas carnes, muitos doces, atrativos na aparência, levados à boca desapontam o paladar. Mais guloseimas, menos sabor. Fenômeno curioso.

Há tempos se discute a qualidade biológica dos alimentos entre os estudiosos da agricultura biológica ou orgânica. Claude Albert, em 1970, apontava o problema do acúmulo de nitratos nas hortaliças e frutas, advindo de fortes adubações nitrogenadas no solo. Em seu livro L"Agriculture Biologique, o ecologista francês relata casos de intoxicação por nitrato em crianças, na Alemanha, alimentadas com purê de espinafre.

Antes dele, o bioquímico André Voisin, conhecido pelo sistema de pastoreio de gado que leva seu nome, afirmava ser a moderna fertilização, baseada em produtos químicos solúveis, fonte de desequilíbrios na composição dos alimentos. A adubação orgânica, ao contrário, ofereceria às plantas sais minerais e elementos nutritivos de forma harmônica. Antiga teoria.

Existe outra explicação. Produtos vistosos e graúdos, especialmente frutas e legumes, normalmente apresentam grande quantidade de água em sua composição, tornando-se mais túrgidos. Isso dilui e rouba sabor do alimento. Elevados rendimentos por área, portanto, promovem volume e peso, mas nem sempre garantem qualidade final da produção. Boniteza engana.

Sistemas intensivos de criação de animais, aqueles onde os bichos permanecem confinados em apertadas baias, superalimentados com ração, também podem afetar a qualidade da carne. Doenças musculares degenerativas, as miopatias metabólicas, descolorem a carne após o abate, trazendo flacidez com exsudação de água. Uma espécie de apodrecimento.

Nada se explica, porém, sem considerar o processo do melhoramento genético. Por meio dele os pesquisadores agrícolas aprimoram espécies e criam variedades normalmente mais produtivas, interessantes para o consumidor. Desde que as gôndolas no supermercado passaram a dominar as vendas, o aspecto visual, a beleza externa, ultrapassou a qualidade intrínseca.

Por essas e outras, os moranguinhos hoje em dia, lindos na vermelhidão, frustram no gosto. Quase sempre a bocada se arrepende pela acidez da frutinha. Os morangos de outrora, doces e macios, ingeriam-se sem açúcar ou mel na tigela. Suas plantas, porém, eram extremamente suscetíveis às pragas e doenças e por isso novas variedades, mais resistentes, sobrevieram da pesquisa para ajudar a produção. Resultado: boas no canteiro da roça, insossas na boca da gente.

Maçãs farinhentas, pêssegos lindos por fora e sem graça por dentro, mexericas sem caldo, escolha sua fruta predileta e verifique como anda seu sabor. Cuidado maior com as frutas importadas, mais caras e frequentemente enganadoras. Há exceções, claro, sempre. Confira a delícia da manga palmer, as fantásticas uvas sem sementes, o perfume da atemóia. Nem tudo está perdido!

Interessante particularidade acomete as frutas. Elas, em geral, amadurecem após serem colhidas. Significa que podem ser apanhadas do pé ainda verdolengas para, depois, chegarem ao consumo no ponto ideal. Assim ocorre, por exemplo, com o mamão, a goiaba, a manga. Mas existe um grupo de frutas que, ao serem colhidas, cessam seu amadurecimento. Nada as tornará apetitosas se no momento da colheita estiverem fora do ponto. Melão, uva e abacaxi apresentam tal característica. Aqui mora um problema.

O caso do melão é sintomático. Como os maiores campos de cultivo se encontram no distante Rio Grande do Norte, as frutas colhem-se ainda verdes - e duras -, capazes de suportar a longa viagem até os centros consumidores do Sudeste. Colhidos maduros - e moles -, os melões poderiam estragar-se, por amassamento, na carga do caminhão. Os comerciantes, portanto, preferem em sua logística garantir o aspecto exterior a assegurar sua doçura. Resultado: anda difícil achar um melão sem gosto de isopor.

Como se vê, vários fatores, próprios da agricultura comercial e do processo de industrialização, acabaram roubando parte da qualidade biológica dos alimentos, afetando seu paladar. Trata-se de uma característica da moderna sociedade. Acontece o mesmo com os doces: as grandes fábricas jamais conseguem reproduzir a gostosura dos produtos artesanais. Basta provar um doce caseiro como aqueles de Tatuí. Ninguém os troca por nada!

Frango caipira com polenta, então, nem se fala. Os galináceos de última geração, grandalhões e molengos, custam barato e chegam rápido à mesa das famílias. Assados naquelas televisões de cachorro, até que pegam um gostinho. Mas sua carne dificilmente se presta a uma saborosa galinhada daquelas de encher a boca. O frango amoleceu na granja, mas perdeu sabor na mesa. Isso pra não lembrar o peito de peru, maior na forma assada, porém quase incomível no prato. Reparem: até o cheiro verde perdeu seu odor no tempero!

Fruto da necessidade da produção em larga escala, visando a atender aos crescentes mercados citadinos, os produtos da mesa ganharam produtividade e perderam qualidade. Transportados, armazenados, pré-cozidos, embutidos, encheram-se de aromatizantes, acidulantes, estabilizantes, amaciantes, sabe-se lá mais o que mais. Viraram gororobas insaturadas, obesidade em alta.

As grandes empresas do setor alimentar afirmam assegurar a biossegurança daquilo que processam e vendem. Disso não se duvida. É bem verdade que muita coisa artesanal carrega péssimos atributos. Por outro lado, seguro para o consumo não significa gostoso ao paladar. Puxa vida, anda difícil encontrar uma ceia de Natal apetitosa como antigamente. Saudade da goiabada cascão.

CLÁUDIO HUMBERTO

“2009 foi mais que bom”
LULA, PARA QUEM ÓTIMO NÃO VALE, NO ÚLTIMO CAFÉ COM O PRESIDENTE DO ANO

JOBIM PÕE CARGO À DISPOSIÇÃO
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e os comandantes das três Forças colocaram os cargos à disposição após o secretário de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, exigir a presença de Jobim na cerimônia do Programa Nacional de Direitos Humanos, semana passada. Teria ameaçado chamar os militares de “covardes”. O presidente Lula teve de intervir para evitar uma possível crise.
PASSADO É PASSADO
Jobim disse ao presidente que não iria ao evento para ser coerente com sua opinião de não falar e esquecer o passado.
SOLIDARIEDADE
O brigadeiro Juniti Saito (Aeronáutica) e o general Enzo Peri (Exército) prestaram imediata solidariedade ao ministro Jobim.
EMERGÊNCIA
O almirante Moura Neto (Marinha), que estava no Rio, foi chamado às pressas para discutir como agir em caso de referência aos militares.
SILÊNCIO
O secretário de Direitos Humanos, que tem status de ministro, não respondeu até o fechamento da coluna.
QUER “VOZ” NA VOZ DO BRASIL? PAGUE AO LOCUTOR
É do inevitável programa oficial A Voz do Brasil o radialista pego com a mão na botija cobrando “assessoria de imprensa” de deputados interessados em se promover. Paulo César Viana Otaran cobrou de pelo menos dez parlamentares pela inserção na “Voz”, através de uma empresa de fachada. Os deputados usavam a verba indenizatória, carimbando a propina como “divulgação em rádios”.
RUÍDO CATIVO
Apesar da má vontade da maioria dos ouvintes, o blablablá do longevo programa obrigatório tem certa audiência cativa por inércia.
ECONOMIA DE LETRAS
Entre outras conquistas, Lula saudou ontem a “ascensão das classes D e E”. Nem uma palavrinha sequer sobre a falta que faz a Educação.
PAI-FANTASMA
O americano David Goldman contou ontem nas TVs dos EUA que o filho Sean, 9, ainda não o chama de pai. Se é verdade, alguém o “matou”.
MAGELA NA BERLINDA
O deputado Ronaldo Caiado (DEM/GO) encaminhou ontem (28) ofício ao presidente do Senado, José Sarney, pedindo que não seja assinado o relatório do deputado Geraldo Magela (PT-SP) ao Orçamento da União.
QUEBRA DE DECORO
Caiado alega que o petista descumpriu acordo de repassar as emendas às bancadas estaduais e será quebra de decoro se ocorrer. Criticou a atitude de Magela de retirar as emendas destinadas à Copa do Mundo.
RASPA TACHO
Nesta segunda, já em clima de ano-novo, alguns deputados apareceram em Brasília para conseguir “raspas” do orçamento. O presidente Lula convocou reunião antes de assinar a previsão da gastança.
ENGOV E CAFEZINHO
Os ministros Fernando Haddad (Educação), Edison Lobão (Minas e Energia) e Hélio Costa (Comunicações) superaram a “ressaca” natalina em reunião logo cedo com Lula ontem (28). O ministro Paulo Vannuchi, da secretaria de Direitos Humanos foi sortudo: ficou no fim da fila.
DEM NO GOVERNO
A senadora Rosalba Ciarlini (DEM/RN) é a única candidata do DEM com reais chances de ser governadora. No DF, onde estaria praticamente certa a reeleição de Arruda, o Panetonegate estragou os planos.
MAL-ME-QUER
O senador Garibaldi Alves Filho (DEM/RN) vive um dilema: vai apoiar Lula e Rosalba para o governo potiguar. Não apoia nem por decreto o candidato da atual, Vilma Farias, o vice Iberê Ferreira (PSB).
DISTRAÇÃO
A Sangari do Brasil, que recebeu R$ 12,7 milhões da Secretaria de Educação, jura que foi “erro de um funcionário do governo do DF” ao preencher nota de empenho.
O CNPJ extinto em 2005 seria da Sagari.
PENSANDO BEM...
...ao contrário de certos políticos, tire seu pé da lama: a Mega paga no ano-novo seu maior prêmio: R$100 milhões.

PODER SEM PUDOR
SAIA-JUSTA AMERICANA
Saddam Hussein provocou saia-justa no Senado. João Alberto (PMDB-MA) pediu a palavra, dia desses, para atacar o governo dos Estados Unidos pela invasão do Iraque, e alertar: pode ocorrer o mesmo na Amazônia. Contou que deixou até de beber Coca-Cola e que, se dependesse dele, “essa lojinha de sanduíches” (MacDonald’s) iria à falência. Foi interrompido pelo presidente da sessão, Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO):
– Informo ao nobre senador que se encontra aqui, a meu lado, o senador americano, democrata pela Flórida e ex-astronauta Bill Nelson...
O senador João Alberto não sabia da visita ilustre.

SÓ PAPEL

TERÇA NOS JORNAIS

- O Globo - Obama reforça segurança após ataque da al-Qaeda

- Folha - Empresas do país captam 3 vezes mais no exterior

- O Estadão - Empresas do país captam 3 vezes mais no exterior

- JB - Veto de Lula esvazia política para o clima

- Correio - Escritura ainda é sonho distante nos condomínios

segunda-feira, dezembro 28, 2009

JOSEPH E. STIGLITZ

Muito grande para viver

O Globo - 28/12/2009


Uma controvérsia global está tomando forma: que novas regulamentações são necessárias para restabelecer a confiança no sistema financeiro e assegurar que uma nova crise não venha a eclodir alguns anos à frente? Mervyn King, presidente do Banco (central) da Inglaterra, defende restrições no tipo de atividade que os megabancos podem realizar. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, diverge: afinal, o primeiro banco britânico a falir — a um custo de US$ 50 bilhões — foi o Northern Rock, que estava engajado nos negócios com hipotecas.

O que Brown quer dizer é que tais restrições não impedirão que haja nova crise; mas King está certo ao defender que bancos muito grandes para falir sejam monitorados. Nos EUA, na Grã-Bretanha e em outros lugares, o resgate de grandes bancos respondeu pela maior parte da carga sobre os contribuintes.

Os EUA deixaram 106 bancos menores quebrarem este ano. São os megabancos que representam os megacustos.

A crise é o resultado de pelo menos oito falhas distintas, mas relacionadas: — Bancos grandes demais para falir têm incentivos perversos; se jogam e ganham, ficam com o lucro; se perdem, o custo é do contribuinte.

— Instituições financeiras são muito entrelaçadas para falir; a parte do AIG que custou aos contribuintes americanos US$ 180 bilhões era relativamente pequena.

— Mesmo no caso de bancos pequenos, se eles se usam o mesmo modelo (dos grandes), seu comportamento pode ampliar o risco sistêmico.

— Estruturas de incentivo dentro dos bancos são concebidas para encorajar comportamentos com visão de curto prazo e a aceitação de riscos excessivos.

— Ao calcular seu próprio risco, os bancos não consideram as exigências que imporiam aos demais; e esta é uma das razões pelas quais precisamos de regulamentação.

— Os bancos trabalharam mal no cálculo dos riscos — os modelos que estavam usando eram tremendamente falhos.

— Os investidores, aparentemente menos informados sobre o risco do excesso de alavancagem do que os bancos, pressionaram muito as instituições para que assumissem riscos excessivos.

— Reguladores, que deveriam entender tudo isso e prevenir ações que aumentem o risco sistêmico, falharam.

Também eles usavam modelos furados e incentivos falhos; muitos deles não entenderam o papel da regulamentação; e muitos foram cooptados por aqueles a quem deveriam estar monitorando.

Se pudéssemos ter mais confiança em nossas instâncias regulatórias, poderíamos ficar mais relaxados sobre todos os demais problemas. Mas reguladores e supervisores são falíveis, o que torna necessário que ataquemos os problemas por todos os lados.

A regulamentação tem seu custo, é claro, mas as despesas de uma estrutura regulatória inadequada são enormes. Não fizemos o bastante para prevenir outra crise, e os benefícios de reforçar a regulamentação ultrapassam largamente os custos.

King está certo: bancos que são grandes demais para falir são grandes demais para existir. Se continuarem a existir, deverão fazê-lo na forma que às vezes é chamada de modelo de serviço público, significando que serão pesadamente regulados.

Em particular, permitir aos bancos continuar engajados no comércio de bens é algo que distorce os mercados financeiros. Por que se permitiria que eles jogassem, com os contribuintes arcando com suas perdas? Quais são as “sinergias”? Elas podem ultrapassar os custos? Alguns grandes bancos estão agora envolvidos numa maior parcela de comércio, suficientemente grande (por conta própria ou em nome de seus clientes), de forma que, na verdade, dispõem da mesma vantagem injusta que a de qualquer negociante com acesso a dados confidenciais.

Isto pode gerar lucros mais altos para eles, mas às expensas de outros.

É um campo de jogo desfavorável para pequenos jogadores. Quem não iria preferir um credit default swap garantido pelos EUA ou o governo britânico? Não admira que instituições grandes o bastante para falir dominem este mercado.

Uma das coisas sobre a qual os economistas concordam hoje em dia é que incentivos fazem a diferença. Altos executivos dos bancos são recompensados por lucros mais altos — sejam eles resultado de melhor desempenho (acima do mercado) ou de maior exposição ao risco (maior alavancagem).

Ou estavam fraudando acionistas e investidores, ou não entendiam a natureza do risco e recompensa. Possivelmente, ambos. De qualquer modo, isto é desencorajador.

Dadas a falta de entendimento dos riscos pelos investidores e as deficiências na governança corporativa, os banqueiros não foram estimulados a desenvolver uma boa estrutura de incentivos. É vital corrigir tais falhas — no nível organizacional e da gerência individual.

Isto requer desmembrar instituições muito importantes para quebrar (ou muito complexas para consertar).

Onde isto não for possível, será necessário restringir decisivamente o que podem fazer e impor taxas mais elevadas e exigências de adequação do capital, ajudando a nivelar o campo de jogo. O diabo, é claro, está nos detalhes — e grandes bancos farão o que puder para assegurar que quaisquer novas taxas sejam pequenas o bastante para não ofuscar as vantagens obtidas a partir do apoio recebido com dinheiro dos contribuintes.

Mesmo se a estrutura de incentivo dos bancos for adequadamente consertada, eles ainda representarão um grande risco. Quanto maior o banco, maior a ameaça a nossas economias e nossas sociedades. Não são matérias preto no branco: quanto mais limitarmos o tamanho, mais relaxados podemos ficar sobre este e outros detalhes da regulamentação.

É por isso que King, Paul Volcker, a Comissão da ONU de Especialistas na Reforma do FMI e um número de outros estão certos quando defendem conter os grandes bancos. É preciso um approach múltiplo, incluindo impostos especiais, mais exigências em termos de capital, supervisão mais estrita e limitação do tamanho dos bancos e das atividades que os exponham a riscos.

Tal estratégia não evitará outra crise, mas poderá torná-la menos provável e menos gravosa, se ela vier a ocorrer

JOSEPH E. STIGLITZ é economista.

GOSTOSA

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GEORGE VIDOR

Bom apetite

O GLOBO - 28/12/09



Vontade e disposição para investir em outros empreendimentos de transporte público e infraestrutura urbana no Rio, além da capacidade de levantar no mercado os recursos, não faltam à empresa controladora das concessionárias da Linha Amarela e do metrô. Desses investimentos, o mais provável é a ampliação do metrô da Zona Sul da cidade até a Barra da Tijuca (Zona Oeste).

Tal ampliação seria a solução para viabilizar, econômica e financeiramente, a chamada linha quatro, que está apenas no papel, mas é uma concessão à parte do sistema atual. Pelo contrato em vigor, o concessionário da linha quatro terá de construíla. Da Gávea até a Barra, essa linha percorrerá uma distância equivalente à do Túnel Rebouças, também por dentro de uma rocha. O desafio, em face do elevado custo, será a ligação com as linhas já existentes. Se o concessionário para todas essas linhas for um só, tanto melhor para a realização da obra antes da Copa do Mundo ou dos Jogos Olímpicos.

Os três maiores fundos de pensão do país (Previ, Petros e Funcef) estão entre os sócios principais desse grupo, cujo perfil de investimento é de longo prazo. O apetite se estende a novas concessões rodoviárias no município do Rio (a via expressa que ligará a Barra da Tijuca a Deodoro e a que passará por um túnel na Grota Funda, encurtando a distância entre o Recreio dos Bandeirantes e a região de Guaratiba).

Uma hipótese que não pode ser descartada é a de o metrô e os trens de passageiros no Rio se integrarem embaixo de um mesmo guarda-chuva.

O professor Marcos Cintra, vice-presidente da Fundação Getulio Vargas e atual secretário de Trabalho da prefeitura de São Paulo, propõe uma alternativa para desonerar a folha de salários sem pôr em risco a receita do INSS. No lugar da contribuição patronal à Previdência (20% sobre a folha para empresas em geral, e 22,5% para instituições financeiras), o professor sugere um tributo do tipo CPMF, com alíquota de 0,61%. Em estudo envolvendo 11 produtos e serviços, ele calculou o impacto desse 0,61% sobre os preços e concluiu que a contribuição se refletiria numa proporção de 1% a 2,4%, enquanto o peso da contribuição patronal de 20% ao INSS tem um peso de 7% a 15,4%.

Nesse sentido, haveria uma considerável diminuição de custos para empresas e até espaço para redução de preços.

O professor Marcos Cintra chama a atenção para o fato de a carga tributária sobre salários no Brasil, que em média atinge 42,5%, ser tão alta quanto a da Dinamarca (42,9%) e muito acima da existente nos seguintes países: Itália (28,1%), Argentina (27,5%), Estados Unidos (24,3%), Espanha (19%) e México (9,1%).

Desonerar a folha de salários é uma iniciativa fundamental para que o país gere mais empregos com carteira assinada. No entanto, hoje a contribuição patronal corresponde a 60% da receita do INSS. O governo chegou a cogitar em substituir essa contribuição por um imposto sobre o faturamento, mas o professor Cintra considera que essa opção nos levaria ao pior dos mundos, pois estimularia a sonegação e a economia informal.

Existe também um pouco desse risco com uma nova CPMF de 0,61%, pelo lado da desintermediação financeira (efetivação dos negócios sem passar pelos bancos), e sempre haveria a tentação dos governantes em elevar a alíquota de 0,61% quando surgissem dificuldades na arrecadação como um todo.

Mas é uma tese que merece ser discutida.

A construção naval ressurgiu no Brasil pelos braços da indústria de petróleo e gás. Inicialmente, foram as encomendas de embarcações de apoio aos campos produtores marítimos, depois a construção de novas plataformas, e agora é a vez também da construção de navios graneleiros ou até de carga geral (contêineres).

A demanda viabilizou o aparecimento de novos estaleiros, e o Rio de Janeiro, que antes concentrava 90% da produção da construção naval, reduziu sua participação relativa. Vários estaleiros fluminenses foram reativados, mas alguns permanecem muito aquém do seu potencial . É o caso dos antigos Ishibrás, no Caju (por falta ainda de acordo entre a Petrobras, que deseja arrendálo, e seus proprietários); Verolme, em Angra dos Reis, por desinteresse do atual arrendatário, o grupo Fels, de Cingapura, em construir navios, pois o estaleiro se especializou em plataformas; e Caneco, em processo falimentar, de modo que os novos investidores só poderão assumi-lo integralmente depois de resolver pendências judiciais e trabalhistas.

São estaleiros que não precisam sair do zero para voltar à plena carga. O Ishibrás, por exemplo, tem um dique seco que possibilita a montagem de navios grandes, de 150 mil toneladas, do tamanho dos que foram encomendados pela Vale à China.

O Verolme tem um pórtico que pode levantar a superestrutura de qualquer navio.

E assim por diante.

Enquanto isso, continuam também na promessa os novos estaleiros projetados para Barra do Furado, no canal que separa dos municípios de Quissamã e Campos, no Norte Fluminense, e para Itaguaí. É o que se chama de perda lamentável de oportunidades.

Se confirmadas as previsões, 2010 será bem melhor que 2009 para a economia brasileira. Felicidades a todos no novo ano!

FERNANDO DE BARROS E SILVA

O caso Abdelmassih


Folha de S. Paulo - 28/12/2009


Vamos começar fazendo três perguntas: 1. Quantas pessoas estão encarceradas hoje no país, em regime de prisão preventiva, sem que ainda tenham sido julgadas? 2. Quantas, entre as pessoas que se encontram nessa condição, chegam a ter seus pedidos de soltura apreciados pelo Supremo Tribunal Federal? 3. E quantas conseguem ver seu caso atendido em apenas quatro meses pelo presidente da mais alta corte do país?
A resposta talvez conduza à conclusão de que o doutor Roger Abdelmassih é um homem de sorte. Ou que pagou os advogados certos. O jornal "Le Monde" tinha razão, mas pegou leve ao dizer que nosso Judiciário é "preguiçoso". Às vezes, só às vezes, é ágil até demais.
O habeas corpus de Gilmar Mendes, que, no recesso da Justiça, libertou o médico acusado de molestar sexualmente pelo menos 39 mulheres, causa óbvio mal-estar. As vítimas (supostas?) depositavam na expertise do doutor a esperança de engravidar -e a situação de vulnerabilidade física e emocional em que foram atacadas, conforme os relatos, confere ao escândalo feição especialmente repugnante.
Os leigos estão cobertos de razão ao manifestar indignação diante da decisão judicial, não obstante suas "razões técnicas". Mendes sustenta que a prisão preventiva não pode representar a "antecipação da pena". Tem sido uma das suas brigas.
Mas podemos inverter o raciocínio e indagar se o Judiciário, refém e cúmplice das chicanas de advogados "influentes", não patrocina, com suas peças intermináveis, um patético teatro da impunidade?
Não há como fugir à evidência revoltante de que, tendo dinheiro e/ ou fama -e advogados a preço de ouro-, o sujeito, não importa o que tenha feito de terrível, cedo ou tarde se dá bem. Sim, sabemos que cabe à Justiça zelar pelos direitos dos indivíduos contra o clamor às vezes cego da maioria. Mas nossa prática jurídica não raro invoca esse princípio para dar guarida aos aspectos mais abomináveis do privilégio

COM CAMISINHA

ELIANE CANTANHÊDE

Lula é eleito "o cara", mas Itamaraty coleciona atritos

FOLHA DE SÃO PAULO - 28/12/09



Elogios externos ao presidente contrastam com críticas a polêmicas diplomáticas

Brasil entrou em impasse na crise em Honduras, recebeu o presidente do Irã e, apesar de elogios de Obama a Lula, trocou farpas com os EUA




Em 2009, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi chamado de "o cara" por Barack Obama e aclamado como "o personagem do ano" pelo jornal espanhol "El País" e "homem do ano" pelo francês "Le Monde", mas a política externa do Brasil tem sido polêmica e duramente criticada à esquerda e, principalmente, à direita no mundo.
Pautada pela corrida por um lugar de liderança no mundo pós-crise econômica, a política externa é elogiada como "ousada" pelos aliados e como "megalomaníaca" por adversários.
Sai de 2009 deixando um rastro de gestos, ações e questões mal resolvidas. Os pontos centrais do ano da diplomacia brasileira atendem por dois nomes de países: Honduras e Irã. Mas é com um terceiro que o Brasil tenta -"infantilmente", segundo a oposição- medir forças: os Estados Unidos.
O Brasil entrou bem na crise hondurenha, encabeçando a grita uníssona internacional contra o golpe de Estado e a favor da democracia, mas atrelou-se excessivamente a uma das partes, a do presidente deposto, Manuel Zelaya, e acabou perdendo as condições de intermediação no conflito.
Sem saída, Lula, o ministro Celso Amorim e o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, tiveram de cair na armadilha criada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que estimulou Zelaya a se abrigar na embaixada brasileira em Tegucigalpa. Zelaya não se fez de rogado. Tomou conta da sede brasileira, com familiares e mais de uma centena de aliados.
O que foi considerado o principal erro do governo, porém, foi ter pedido socorro aos Estados Unidos, mas, quando eles apresentaram a solução para Honduras -acatar as eleições e ir em frente-, o Brasil não aceitou. Recusou-se a reconhecer o eleito, Porfírio Lobo, alongando a crise e colaborando para dividir a OEA (Organização dos Estados Americanos).
No caso do Irã, Planalto e Itamaraty conseguiram trazer ao país num só mês, novembro, os presidentes da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, de Israel, Shimon Peres, e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.
O Brasil tem sido bastante criticado pelos que consideram o Irã uma ditadura sangrenta e por setores internacionais que veem no país um risco nuclear. A crítica aumentou quando o Brasil absteve-se de votar a favor de censura da ONU ao programa nuclear iraniano.
O argumento brasileiro é que a melhor política é a do não isolamento, mas a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, mandou um recado público, criticando os que "flertam" com o regime iraniano.
Provocações, inclusive pela imprensa, marcaram as relações de Brasília com Washington ao longo de 2009, enquanto Obama e Lula trocavam cartas e os diplomatas organizavam a vinda de Hillary e do presidente dos EUA no início de 2010.
As desavenças são muitas: as tarifas americanas ao etanol brasileiro, o fracasso da Rodada Doha de comércio, o desfecho da crise em Honduras, o arriscado jogo brasileiro com o Irã e a desconfiança gerada na América do Sul, Venezuela à frente, com a ampliação de tropas dos EUA na Colômbia.

"Frustração" e "decepção"
Amorim manifestou "frustração" e cobrou "maior franqueza" do governo Obama com a região. Garcia ecoou no Planalto falando em "decepção".
Obama não atendeu ao pedido de Lula de uma reunião com os presidentes sul-americanos, que se reuniram três vezes para discutir as bases colombianas, sem sucesso.
Só na reta final do ano, o Conselho de Defesa da região, integrado por chanceleres e ministros de Defesa, conseguiu algo prático: qualquer acordo militar com terceiros países tem de ser previamente comunicado; tropas de fora da região ficam sujeitas à regra de interterritorialidade; e está sendo criado um banco de dados sobre gastos e armamentos de defesa de cada país.
Enquanto provoca os EUA, o Brasil aprofundou sua aliança estratégica com a França, que tem a forma de submarinos, helicópteros e, possivelmente, de aviões de caça. Além disso, Lula fechou com o francês Nicolas Sarkozy uma proposta comum para a Conferência do Clima de Copenhague.
Como grande vitória do ano, o Rio de Janeiro ganhou de Chicago, Madri e Tóquio o direito de sediar a Olimpíada de 2016. Como principal derrota, o Itamaraty descartou dois fortes candidatos a diretor-geral da Unesco, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) e o atual diretor-adjunto, Márcio Barbosa, para apoiar um egípcio suspeito de racismo. E que, além de tudo, perdeu a eleição.
Numa outra polêmica internacional, o Itamaraty votou contra o refúgio do terrorista Cesare Battisti, mas o ministro da Justiça, Tarso Genro, decidiu o contrário e gerou tensões entre Brasil e Itália. Crise criada, a questão foi parar no Supremo, que a devolveu para Lula. Amorim lavou as mãos.

MARCELO DE PAIVA ABREU

Senhores das finanças

O ESTADO DE SÃO PAULO - 28/12/09


A intensidade da crise em 2008-2009 fez muita gente refletir sobre as suas causas e buscar paralelos na história.

O sucesso do livro de Liaquat Ahamed Lords of Finance ? The Bankers Who Broke the World (The Penguin Press, Nova York, 2009) deve ser explicado neste contexto. Tornou-se best seller, pois, ao menos à primeira vista, parecia encerrar lições sobre a crise atual baseadas no que se passou durante a Grande Depressão.

Bem escrito e com criteriosa escolha de material bombástico, o livro gira em torno de quatro banqueiros centrais que desempenharam papéis cruciais no final da década de 1920 e início da década de 1930, quando a Grande Depressão atingiu duramente as economias desenvolvidas e, em menor medida, a periferia da economia mundial.

Os quatro personagens parecem caricaturais, mas não o são. Montagu Norman, do Banco da Inglaterra, solteirão com inclinações espiritualistas e o padrão-ouro como religião. Benjamin Strong, do Federal Reserve, de Nova York, saúde combalida e propenso a levar em conta o impacto internacional das políticas dos Estados Unidos. Hjalmar Schacht, mago duas vezes: ao promover a estabilização alemã de 1923-1924 e ao escapar absolvido em Nuremberg. Émile Moreau, com participação importante na estabilização do franco, entremeava trocas de insultos com Norman com as delícias da caça em Saint-Léomer, onde era prefeito.

A história de Ahamed é prejudicada pela saída de cena de três dos seus personagens antes de 1931 ? ou seja, antes que a Grande Depressão fosse identificada como realmente grande.

Strong, com péssima saúde desde a juventude, morreu em 1928. Moreau, depois de muitos anos no serviço público, resolveu ganhar dinheiro no Paribas. E Schacht, em episódio de lamentável oportunismo, já namorando a extrema direita, pediu demissão em 1930. Seus sucessores não estavam na mesma liga quanto à competência e, muito menos, quanto a pitorescos detalhes biográficos.

Ahamed, em seu balanço dos fatores que contribuíram para agravar a Grande Depressão ? depois de censurar os políticos responsáveis pelo Tratado de Versalhes ?, arrola os quatro personagens porque teriam insistido em restabelecer o sistema monetário internacional com base no gold exchange standard (o padrão-ouro). É uma avaliação que merece ser qualificada.

O nível fixado de reparações alemãs aos vencedores decorreu, em parte, da frustração da França em relação a garantias políticas sobre futuras iniciativas alemãs que ameaçassem a sua integridade territorial. As críticas, parcialmente fundadas, sobre seu realismo, tiveram como subproduto inevitável a complacência em relação à Alemanha ? colocada na posição de vítima ? e a antipatia em relação à França. Era a posição britânica, de Keynes a Norman.

É preciso muita visão retrospectiva para condenar os quatro banqueiros por sua insistência na volta ao padrão-ouro.

Se tal condenação fosse razoável, deveria ser dirigida aos analistas que sustentaram tal posição em nome da ciência econômica, talvez com posição destacada para Gustav Cassell ? o grande inspirador da volta coletiva ao padrão-ouro nos anos 1920, em seguida às conferências de Bruxelas e Gênova. Nem mesmo Keynes imaginou que a Grã-Bretanha não voltasse ao padrão-ouro: havia controvérsia apenas sobre a paridade a ser adotada.

É claro que os quatro personagens podem ser criticados. Strong, por sua lentidão em furar a bolha especulativa que já dominava Wall Street em 1928. Schacht, por sua complacência com o endividamento alemão em Wall Street e pela sistemática prevaricação quando se tratava de negociar reparações que culminaram na sua renúncia em 1930. Moreau, pela teimosia em relação à manutenção de pagamentos de reparações irrealistas pela Alemanha e pela ineficácia em adotar medidas compensatórias quando a França acumulou importantes reservas em ouro, depois da estabilização de facto do franco. Talvez mais do que todos, Montagu Norman, estumando Schacht e à raiz da decisão equivocada em relação à volta da libra ao padrão-ouro com paridade sobrevalorizada.

As fricções britânicas com a França, já importantes em relação às reparações alemãs, tornaram-se quase insuportáveis quando Norman começou a tentar influenciar Moreau a ajustar a política monetária francesa para que não houvesse pressão sobre as reservas britânicas.

É claro que hoje estamos em outros tempos. Não apenas seria improvável que um governador de banco central passasse dois meses de férias anuais na Côte d"Azur ou no Maine, como num sanatório no Colorado, ou que uma conferência internacional fosse interrompida por conta de eleições em Saint-Léomer.

Os fatores mais importantes para explicar a Grande Depressão de 1929-1933 foram as dívidas geradas pela guerra, incluindo as reparações, e a crença religiosa no padrão-ouro.

Embora existam hoje na economia mundial distorções estruturais de grande importância ? em particular, a acumulação de títulos denominados em dólares em economias emergentes ?, há maior flexibilidade em relação a ajustes de paridades cambiais. Além disso, as lições dos anos 30 sobre vulnerabilidade dos intermediários financeiros e a importância da política fiscal anticíclica foram plenamente absorvidas.

Mesmo que as possíveis lições da história devam ser qualificadas, o livro está repleto de citações deliciosas. A melhor para uso brasileiro é de Norman: "Embora comerciantes e industriais professem real afeição por estabilidade, estão sempre em busca de uma talagada de conhaque na forma de inflação."

Marcelo de Paiva Abreu, Ph.D. em Economia pela Universidade de Cambridge, é professor titular do Departamento de Economia da PUC-Rio

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

ANTONIO PENTEADO MENDONÇA

Uma ferramenta interessante


O Estado de S. Paulo - 28/12/2009
Não é verdade que o seguro de obrigação contratual (GOC) é uma fiança bancária garantida por uma seguradora. O seguro de GOC substitui a fiança bancária porque é mais abrangente e mais barato. Através dele a seguradora garante o cumprimento da obrigação prevista no contrato, o que vai além do pagamento de quantia em dinheiro. Além disso, o seguro não compromete o limite de crédito de seu tomador e costuma custar mais barato que a fiança. A função básica do GOC é garantir o adimplemento da obrigação contratual do contratado. É um seguro específico que leva em conta a realidade do garantido, do segurado e do risco.

Dado o objeto da cobertura, o seguro de obrigação contratual não se baseia no mutualismo, mas na avaliação e na taxação individual do risco específico, do potencial de sinistro, da idoneidade do tomador, da solidez financeira, da garantia oferecida, do prazo de execução, etc.

O GOC foi desenvolvido para garantir o cumprimento da obrigação assumida pelo tomador do seguro em determinado contrato. Até hoje este tipo de apólice, conhecida como "Performance Bond", é a mais comum. Quase que atrelada a ela existe a "Bid Bond" - seguro que garante a entrega da oferta do tomador do "Performance Bond" em caso de vitória na concorrência.

Depois foram criadas variantes destas apólices, com garantias específicas para uma série de outros riscos, nos quais o seguro pode ser mais eficaz do que a fiança bancária. Nesta linha merecem ser citados o seguro de garantia judicial e o seguro de garantia fiscal. Ambos com alto potencial de desenvolvimento, em função do contencioso crescente entre o Estado e as empresas privadas, que necessitam oferecer garantias que não comprometam sua capacidade operacional no prazo de defesa de seus direitos.

Como esta modalidade de seguro não se baseia no mutualismo, é indispensável que o tomador do risco seja avaliado pela seguradora, tanto no que diz respeito à sua capacidade profissional, como em relação à sua capacidade econômico-financeira.

Esta avaliação determinará o grau de garantia a ser dado para a seguradora emitir a apólice. Normalmente, a garantia em favor da seguradora se situa em 120% do valor segurado, o que não significa que não possa ser exigida garantia maior, em função do risco a ser garantido. A razão para isso é simples: emitida a apólice, em princípio só pode ser cancelada quando o contratante der concordância quanto ao encerramento da responsabilidade do tomador. Até lá a seguradora garante o negócio. A contra-garantia que lhe é dada pelo tomador visa ressarci-la do custo com eventual inadimplemento do contrato ou do pagamento do prêmio.

Fora de sua rotina, o GOC só pode ser cancelado por poucas razões, o que amarra a sorte da seguradora à sorte do tomador, independentemente do prazo de vigência da apólice, pois não pode ser cancelada até o cumprimento final das obrigações assumidas pelo contratado.

Por ser diferente da média, a nomenclatura utilizada em suas apólices é específica. É assim que quem contrata o seguro não é o contratante, mas o contratado do contrato principal, ou o "tomador do seguro", que deve executar o previsto no contrato e que oferece como garantia de que honrará a apólice de GOC. Já o segurado, que é quem tem o direito de receber a indenização em caso de inadimplemento da obrigação do contratado, é o contratante da obrigação.

Como este seguro é complexo e envolve estudos para o dimensionamento do risco, do prêmio e das garantias, deve ser contratado através de corretor de seguros que conheça o ramo, saiba quem são as seguradoras que operam e como escolher a melhor para atender as necessidades de cada situação.

Antonio Penteado Mendonça é advogado, sócio da Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas e comentarista da Rádio Eldorado.

CARLOS ALBERTO SARDENBERG

Custo Brasil ou vítimas da legalidade ? 2

O ESTADO DE SÃO PAULO - 28/12/09


Leitoras e leitores continuam abastecendo a coluna com histórias que mostram a dificuldade de viver e trabalhar honestamente no Brasil. Inclusive a dificuldade de quem não é daqui, mas resolveu mudar para cá, trazendo dinheiro e força de trabalho. Gente que ama o Brasil. É a história de uma família holandesa que abre esta série.

Amor difícil

Do leitor Martens: "Mudamos da Holanda para o Brasil ? eu, minha mulher, meu pai de 84 anos e meus dois filhos, de 27 e 28 anos. Você não vai acreditar, mas nos custou R$ 30 mil e três anos para obter o visto de residência.

Em 2005 comprei uma casa e abri uma conta na Caixa Econômica Federal. Transferi dinheiro de minha conta na Holanda para a Caixa, para pagar a casa. O Banco Central brasileiro rejeitou a transferência, pois, como não residente, não poderia ter conta bancária. Se tivesse entrado com o dinheiro numa maleta...

Comprei um carro, pois o aluguel aqui é muito caro. Tentei pôr o carro em meu nome, mas de novo não pude. Não residentes não podem ter carro em seu nome. Resolvi isso. Aí pus uma linha telefônica na casa. De novo, não podia ser em meu nome, mas em nome de um terceiro, sim.

Depois de uma série de problemas, meus dois filhos tiveram o visto aprovado. Mas tínhamos de ir ao consulado brasileiro em Buenos Aires. E um novo problema: o documento internacional de bom comportamento, válido até 10 de dezembro de 2009, tinha de ser confirmado no consulado brasileiro na Holanda! Era 7 de dezembro. Na era das modernas comunicações, meu filho teve de fazer a viagem Buenos Aires-Paris-Amsterdã-Roterdã e de volta.

Mas todos esses problemas não eliminaram nosso amor pelo Brasil. Sei que vão aparecer outros problemas, mas saberemos lidar com eles."

"G" ou "gr"?

Do leitor Mauricio: "Fabrico tintas e vendo no País todo. Recentemente fui notificado pelo Inmetro de Campo Grande de que minha embalagem tinha uma incorreção ? o símbolo de "gramas" referente ao peso líquido do produto estava grafado errado, deveria ser "g", e na embalagem estava impresso "gr". Tive de deslocar um funcionário a Campo Grande para levar a defesa e atestar que solucionaríamos o caso.

Tenho vários casos confusos de cobrança de diferença de ICMS. Cada Estado cria seu sistema, são alíquotas distintas, é impossível acompanhar todas essas legislações.

Já um concorrente importa tudo da Espanha. Suas embalagens nem sequer têm a tradução, não existe químico responsável, os símbolos de transporte de produto perigoso não são aqueles padronizados pelo Inmetro, não consta o CNPJ do importador. E, quando ele revende a outros comerciantes, não tributa a substituição de ICMS nem o IPI. Só rezo para ele não começar a importar da China."

Pagando pelo réu

Do leitor Milton Bulach: "Tinha uma empresa de serviços de consultoria e representação. Em 2002 descobri que ela foi transferida fraudulentamente (assinaturas minha e de minha mulher comprovadamente falsificadas), com registro apenas na Junta Comercial. Fiz o Boletim de Ocorrência, que se transformou em processo criminal.

Foram identificados os réus. O advogado de um deles apresentou um atestado de óbito; o outro sumiu. Mas o juiz quer porque quer ouvir os réus. O processo está suspenso desde 19/3/2009.

Como ainda sou o responsável pela empresa perante a Receita Federal (RF), esta me cobra os impostos devidos pelos réus e as respectivas declarações dos Impostos de Renda anuais. Solicitei ao juiz que emitisse um alvará para a RF cobrar dos réus e isentar-me das dívidas, mas ele não se pronuncia. A Ouvidoria da Justiça não responde e a RF diz que nada pode fazer.

Conclusão: poderei perder meu CPF, conta bancária, passaporte, etc. Não posso abrir nova empresa, pois sou devedor de uma e a Justiça, ora, a injustiça continua aí."

Disfarçando

Do leitor Marco Antonio Nogueira, de Uberaba: "Dias atrás tocou o interfone de casa. A pessoa do lado de fora dizia ser um entregador de talões de cheque. Por precaução fui até o portão, sem abri-lo. Pela grade uma surpresa: um senhor de meia-idade, uma vestimenta muito simples, barba por fazer, numa bicicleta velha, uma caixa plástica na "garupa" com uma toalha (semelhante à dos vendedores de queijo de rua) sobre a caixa.

O senhor confirmou ser o "entregador de cheques", mas questionei sobre a bicicleta, a caixa plástica e a vestimenta. A resposta: "Se não nos disfarçarmos, somos roubados."

Segurança é um dos maiores custos Brasil. Na residência, janelas com grade, cerca elétrica, seguro residencial, alarme na casa, "guarda noturno" na rua. No transporte, GPS, seguros, escolta, caminhão-disfarce, planejamento para sair e entregar cargas. No carro, alarme, seguro, carro blindado. E isso depois de pagar a polícia."

Virando fiscal!

Do leitor Reinaldo: "Eu tive uma saída para enfrentar o custo Brasil. Depois de cansar de viver tenso por constantes fiscalizações de vários órgãos e uma legislação tumultuada, virei fiscal. Pronto! Resolvi o meu problema. Só não sei se essa é a saída para o Brasil, para meus amigos, familiares e para as minhas filhas. Agora, aposto que muitas dessas pessoas que informam a respeito desses problemas são as mesmas que estão dando a aprovação de 80% ao governo Lula. Como se ele não tivesse nada que ver com isso. Como se a falta das reformas tributária, sindical, trabalhista não causasse tantos problemas. Eu, hoje como auditor fiscal de ICMS, mesmo num Estado pequeno tento fazer a minha parte. Porém, sem as reformas estruturais, fica muito difícil."

Cara leitora, cara leitor, tendo histórias como essas, pode enviar para os endereços abaixo. Obrigado.

Carlos Alberto Sardenberg é jornalista. Site: www.sardenberg.com.br. E-mail: Carlos.sardenberg@tvglobo.com.br

HONESTIDADE

FERNANDO RODRIGUES

25 anos de democracia

FOLHA DE SÃO PAULO - 28/12/09


BRASÍLIA - A avalanche de escândalos recentes dá a impressão de que as coisas só pioram na política.
Não é bem assim. O Brasil completa em 2010 seu 25º ano de democracia plena, iniciada com a eleição da chapa de Tancredo Neves (presidente) e José Sarney (vice) depois de 21 anos de ditadura militar.
É fácil lembrar o que deu errado de lá para cá. Escândalo da ferrovia Norte-Sul e hiperinflação no governo Sarney. O impeachment de Fernando Collor. Os casos da compra de votos e de manipulação do leilão da Telebrás durante os anos FHC. O mensalão sob Lula.
Em 2009, houve a lista sem fim de imposturas no Congresso, indo do deputado do castelo às verbas indenizatórias, dos atos secretos no Senado à farra das passagens aéreas. Sem contar o escândalo final em Brasília, o mais imagético de todos -com panetones e vídeos mostrando dinheiro nas meias, na cueca e até uma oração da propina.
Mas a pergunta a ser feita é: esses crimes passaram a existir só durante a democracia ou já eram praticados antes e ninguém tomava conhecimento? Difícil responder, embora um fato seja irrefutável: a transparência agora é maior.
O exemplo mais evidente é o Congresso (sobretudo a Câmara), o mais aberto Poder da República.
Sabe-se quanto cada deputado gasta com gasolina, viagens e restaurante. Nada era conhecido em anos passados. É claro ainda faltam instrumentos de controle à disposição da sociedade. Pouco se sabe do Judiciário e do Ministério Público. Cidades e Estados são instâncias opacas. O país não tem uma lei de acesso a informações públicas.
Mas o saldo tem sido positivo.
Outros escândalos virão conforme a democracia for se aperfeiçoando.
É um processo em andamento. O caminho é longo, mas parece que o Brasil entrou numa rota correta.

ANCELMO GÓIS

A volta de Gigghia

O GLOBO - 28/12/09

Gigghia, o carrasco uruguaio do Brasil na Copa de 1950, voltará a pisar no gramado do Maracanã amanhã.
O autor do segundo gol do Uruguai naquele trágico 2 a 1 vem gravar um depoimento para a TV alemã. A secretária Márcia Lins vai aproveitar para marcar os pés do algoz na Calçada da Fama do estádio.

A III Guerra
Pouco antes do Natal, no Forte do Leme, numa solenidade de entrega de comendas da Liga da Defesa Nacional, o locutor, embaraçado, teve de se desculpar com os convidados.
Anunciou que as medalhas não poderiam ser entregues porque...
o carro (civil) que as transportava havia sido roubado.

Segue...
O Exército, claro, é inocente nesta fatalidade. O roubo só evidencia um dos desafios a serem vencidos pelo Rio em 2010.
A Liga da Defesa Nacional foi fundada em 1916 pelo poeta Olavo Bilac, com outros civis nacionalistas, para apoiar a adesão brasileira à I Guerra Mundial - e, desde então, foi acolhida pelas Forças Armadas.

Classificados
Veja como é bom o momento da economia. Desde julho, a Vale tenta contratar engenheiros com experiência em suprimentos e não consegue nem candidatos.
Os que têm o perfil pedido já estão empregados.

É uma brasa
Roberto Carlos, o Rei, que é espada, aderiu à onda metrossexual.
Raspou os pelos do peito.

Fala sério
O coleguinha Guilherme Fiúza, autor do livro "Meu nome não é Johnny", acaba de entregar à Editora Objetiva os originais da biografia do saudoso Bussunda.
Vai fazer muita gente rir e chorar.

OS CANDIDATOS
A Mulato do Gois 2010 esquentam os tamborins para o concurso, que entra no ar dia 1º de janeiro no site da turma da coluna (oglobo.com.br\/ancelmo). Os concorrentes de hoje são Joode André Fernandes, 30 anos, 90kg e 1,86m, representante do Salgueiro; Willians José da Silva, 31 anos, 83kg e 1,78m, da Porto da Pedra; e Paulo Henrique Maciel Ventura, o caçula da disputa, de apenas 17 anos, 79kg e 1,82m, da Portela. Como já foi dito, a novidade este ano é que os eleitores vão poder votar quantas vezes quiserem no seu preferido - no site e também por SMS. Amanhã, serão publicadas aqui as fotos de mais três candidatas a Mulata do Gois 2010. Evoé, Momo!

Faz sentido
Gaiatice de Sérgio Cabral, ontem, depois de receber uma ligação de Aécio Neves, avisando que o substituiria (com a camisa 9... de Posto 9?) no jogofesta de Zico, no Maracanã: - Afinal, o Rio tem dois governadores!

Só Jesus salva
Fábio Leão, ex-policial da equipe de Álvaro Lins preso com o ex-chefe no desmonte da máfia dos caça-níqueis no Rio, virou "irmão em Cristo".
Dia 30 agora, dará um testemunho a 120 detentos beneficiados com indulto de Natal num culto do pastor Washington Souza no Centro Evangelístico Unido, na Tijuca.

Saúde 6,3
Pesquisa do Ibope para a ONG Rio Como Vamos, com 1.358 cariocas, mostra que, nos últimos seis meses, 44% dos entrevistados buscaram socorro no sistema público de saúde.
A todos foi pedida uma nota de 1 a 10 para o atendimento.
A média foi 6,3.

Oi, tchau
A Oi não paga há meses o aluguel do espaço que usa num prédio da Rua Maria Quitéria, em Ipanema, para manter uma antena.
Os moradores já pensam em dar tchau para a operadora.

Jamil na avenida
A Grande Rio, escola de samba do Rio cujo enredo será a própria Sapucaí ("Das arquibancadas ao Camarote no1", menção ao Camarote da Brahma), vai homenagear o saudoso Jamil Haddad em seu desfile.
Jamil era prefeito do Rio em 1984, no primeiro carnaval do Sambódromo carioca. Merece.

GOSTOSA

PAINEL DA FOLHA

Barbeiragem

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 28/12/09

Em laudo a ser divulgado hoje, o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) conclui que um erro de execução na obra tocada pelas empreiteiras OAS, Mendes Jr. e Carioca Engenharia provocou a queda de três vigas do trecho sul do Rodoanel, em Embu, no dia 13 de novembro. O acidente deixou três pessoas feridas, além de destruir dois carros e um caminhão. Segundo o IPT, vinculado à Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, não houve falha de projeto.
O governo paulista decidiu contratar o IPT para participar de todas as provas de carga nas obras de arte (itens como pontes e viadutos, no jargão da construção civil) prontas no trecho sul do Rodoanel.


Coreografia. A despeito da assertividade de Tarso Genro, que a todos tem avisado de sua saída do Ministério da Justiça no início de fevereiro, auxiliares de Lula dizem que o presidente ainda não descartou a ideia do desembarque coletivo, mais para a frente, de todos os integrantes do primeiro escalão que disputarão algum cargo em 2010.

Mais tarde. E Dilma Rousseff ficará mesmo na Casa Civil até o limite para desincompatibilização. "Se antecipar, vai ser do último para o penúltimo dia", diz um colega.

Mais cedo. Já Nelson Jobim, que não é candidato, deve preceder os colegas. Muitos apostam que o titular da Defesa conseguirá aproveitar o verão longe da Esplanada.

Em aberto 1. A Justiça é uma das pastas que podem escapar à regra geral de substituição dos ministros-candidatos pelos atuais secretários-executivos. Mas o deputado petista José Eduardo Cardozo recuou posições na bolsa de apostas para o lugar de Tarso Genro. "A hora dele passou", opina um palaciano.

Em aberto 2. Outro secretário-executivo sob risco de não assumir é o de Geddel Vieira Lima (Integração). Petistas dizem que "até no PMDB" há quem se oponha à ideia, com receio de colocar a pasta a reboque da campanha do atual ministro ao governo da Bahia, onde Jaques Wagner (PT) tentará a reeleição.

Pedreira. A crescente improbabilidade do projeto Ciro-SP torna mais difícil a vida do ex-tucano Gabriel Chalita (PSB). Uma coisa é disputar o Senado puxado por um candidato a governador com o grau de conhecimento de Ciro Gomes e em aliança formal com o PT. Outra é tentar a sorte no barco de Paulo Skaf (PSB).

Seleção natural. Já suficientemente apavorada com os candidatos a deputado federal do DEM preparados por Gilberto Kassab, a bancada federal do PSDB-SP terá de aceitar também o aliado PPS na coligação proporcional.

Outro lado. O deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE) diz que o escândalo que derrubou o correligionário Silvio Costa Filho da Secretaria de Turismo se deu no âmbito do governo de Pernambuco e em nada afeta sua candidatura ao Senado. Muito menos, afirma, guarda relação com suas atividades como presidente da CNI.

Nada feito. O STJ negou recurso do Ministério Público Federal contestando a rejeição, pelo tribunal, de denúncia contra a desembargadora Alda Basto, do TRF da 3ª Região, na Operação Têmis. A Corte Especial entendeu que não houve ambiguidade ou contradição quando decidiu que a acusação de advocacia administrativa carecia de apoio em dados concretos.

Lados. Em março, quando Fernando Grella buscará o segundo mandato como procurador-geral de Justiça de São Paulo, terá como provável adversário Mario Papaterra Limongi, do grupo do antecessor de Grella, Rodrigo Pinho, e do secretário estadual da Justiça, Luiz Antonio Marrey.
com SILVIO NAVARRO e LETÍCIA SANDER

Tiroteio

Gabrielli mente tanto que nem os baianos o reconhecem mais. Ele fala com sotaque de lorde inglês e postura de xeque árabe.
Do deputado JUTAHY JÚNIOR (PSDB-BA), sobre entrevista na qual o presidente da Petrobras disse que, se os tucanos tivessem vencido em 2002 ou 2006, "partes" da empresa teriam sido privatizadas.

Contraponto

Trocando as bolas


Paulo Teixeira (PT-SP) e Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES) participavam de debate na TV Câmara sobre o marco regulatório do pré-sal. O tucano acusava a proposta do governo de "desorganizar o setor". Ao que o petista rebateu, levando o estúdio às gargalhadas:
-O projeto do governo é muito importante. Nós vamos evitar aqui a doença da vaca holandesa!
O apresentador achou por bem lembrar que o mal da "vaca louca", que atingiu países da Europa, não guarda relação com a "doença holandesa", conceito usado para representar a perda de competitividade por parte de países que descobrem grandes reservas de recursos naturais.