sexta-feira, dezembro 11, 2009

GOSTOSA

ELIANE CANTANHÊDE

Dia de cão

FOLHA DE SÃO PAULO - 11/12/09



BRASÍLIA - Ontem foi um dia de cão em Brasília, começando pela economia, passando pela política, resvalando no Judiciário e atingindo até o bom senso na área mais falada no mundo neste momento: o meio ambiente.
Não bastasse o resultado do PIB do 3º trimestre, menor que os 2% previstos pelo governo, o que já é um tranco de bom tamanho, houve uma sucessão de decisões, anúncios e gastos que não animam ninguém, muito menos são um bom presente às vésperas do Natal do brasileiro.
Na Câmara dos Deputados, fica-se sabendo que foram necessários três minutos para aprovar um aumento médio de 15% dos funcionários, aumentando a folha de pagamento na bagatela de uns R$ 400 milhões ao ano.
Na crise do panetone, o governador José Roberto Arruda se desfilia do DEM na véspera de ser expulso e por puro cálculo político. Em vez de mea culpa, trata-se de uma nítida tentativa de evitar a expulsão e de manter-se vivo no governo agora e na política depois.
No Supremo, por seis a três, os ministros decidem manter a censura ao jornal "O Estado de S. Paulo", impedido de publicar reportagens sobre a operação Boi Barrica, da PF, que pega de jeito os Sarney. A Corte alega erros técnicos para a decisão. Com certeza tem lá suas razões, mas o difícil é explicar para a opinião pública, seca por transparência e liberdade. "Censura" é uma palavrinha difícil de engolir.
Em meio a tudo isso, lá vem a competente repórter Marta Salomon descobrir o projeto do governo para suspender a cobrança das multas aos desmatadores que passarem a fazer o que tinham de ter feito sempre: cumprir a lei. Além de esdrúxula, a decisão é sobretudo inoportuna. Copenhague corre para um lado, o Brasil, para o outro. Ou o discurso é um, e a prática, outra.
Quanto ao palavrão falado em bom e alto som pelo presidente da República? Sem comentários.

PAINEL DA FOLHA

Meu querido Michel

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 11/12/09


A sugestão de que o PMDB indique três nomes para vice de Dilma Rousseff, feita ontem por Lula, pôs em estado de alerta o comando do partido. Pré-Arrudagate, no qual um dos implicados acusou cardeais peemedebistas de se beneficiarem do propinoduto candango, o presidente jamais havia dito que o PMDB tem “todo o direito” de exigir a vaga, mas não de “impor” o nome. Até então, Michel Temer era quase consenso.

Agora, sobe a cotação do recém-filiado Henrique Meirelles, um estrangeiro na sigla. Mas e se o PMDB “real” não topar? Um petista enfronhado na campanha de Dilma sugere que, com as balas que a PF tem na agulha, não será tão difícil convencer a cúpula da sigla a se sentir “representada” pelo presidente do BC.

Incompatibilidade - Ao defender a lista tríplice, Lula afirmou que “é que nem casamento”. Quem conhece Dilma sabe que a ministra até pode vir a aceitar, em caso de necessidade, mas jamais quis “se casar” com Temer.

Paralelo - Cobrado pela decisão do DEM de preservar o vice de Arruda, José Agripino disparou: “Por enquanto, a acusação ao Paulo Octávio está no mesmo nível da que foi feita a Michel Temer, também citado nas gravações”.

Leva... - A costura que levou Arruda a pedir desfiliação do DEM teve participação direta de Roberto Brant, ex-deputado ‘demo’ que sucumbiu no mensalão petista, e do tucano Pimenta da Veiga, muito próximo do governador.

...e traz - Os primeiros sinais de que Arruda tomaria a iniciativa chegaram pela manhã à cúpula do DEM. Mas o martelo só foi batido quando o governador soube do teor devastador do despacho da ministra Cármen Lúcia contra seu pedido de socorro ao TSE.

À flor da pele - Minutos após comunicar à cúpula do DEM que deixaria o partido, Arruda soube que Paulo Octávio já havia colocado a informação para circular. Irado, pegou o telefone e falou toda sorte de palavrões sobre o vice para os cardeais da sigla.

Aspirinas - À espera da confirmação de Arruda, o deputado ACM Neto resolveu pedir remédio para dor de cabeça.

Fronteiras - O deputado Flávio Dino (PC do B-MA) entrou ontem com uma ação na Procuradoria da República contra o projeto do modelo de partilha do pré-sal, aprovado anteontem na Câmara. Ele reclama que o conceito de “município confrontante” (leia-se, vizinho ao poço) que terá mais recursos dos royalties não existe na Constituição.

Abacaxi - Tirou o sono da cúpula do Senado a notícia de que a Câmara aprovou um reajuste para os seus servidores, mas que a medida precisa do o aval da Casa vizinha para entrar em vigor. Senadores temem por um levante de funcionários da Casa reivindicando as mesmas condições, o que não seria viável depois da promessa de ajuste nas contas pós-crise dos atos secretos.

Estranho no ninho - A passagem de FHC por Washington atiçou diplomatas do eixo tucano-clintonista. Ele esteve com Jeffrey Davidow, ex-número um de Bill Clinton para as Américas, Tony Harrington, ex-embaixador no Brasil, e Roberto Abdenur, ex-embaixador nos EUA, e Thomas Shannon, nomeado por Obama para Brasília.

Time - Em sintonia com o PMDB pró-Dilma, o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, aderiu à ala que defende a chapa de Francisco Rossi contra a corrente serrista de Orestes Quércia na eleição pela presidência do PMDB paulista.

Tiroteio

O dito popular agora virou: “há malas que vão para o DEM”.

Do deputado CHICO ALENCAR (PSOL-RJ), filosofando a respeito do escândalo que atinge o governo do Distrito Federal.

Contraponto

Efeito Durval

O deputado Rodrigo Maia caminhava pelo Salão Azul do Senado, na noite de anteontem, quando chegou uma jornalista que, entre uma pergunta e outra sobre a crise no DEM, contou ao presidente da sigla que voltara ao Congresso pois, na correria do trabalho, havia esquecido a bolsa e agora iria procurá-la.

- Nossa! Com tudo dentro? - quis saber o deputado.

- Tudo: documentos, cartões de crédito, dinheiro, chaves, agenda... - respondeu a desolada repórter.

A despeito da má fase, Maia não perdeu a piada:

- Olha, eu até ofereceria um dinheirinho para o ônibus. Mas, do jeito que as coisas estão, não pegaria bem...

O ABILOLADO

DORA KRAMER

Efeitos especiais

O ESTADO SÃO PAULO - 11/12/09


Quem pode o mais pode o menos. Se o presidente Luiz Inácio da Silva tem convicção para propor e condições objetivas para fazer aprovar no Congresso lei tornando a corrupção de "altas autoridades" um crime hediondo, tem também disposição e meios para ajudar na aprovação da emenda popular que veda candidatos "fichas-sujas".

A emenda, agora já com 1,5 milhão de assinaturas, está na Câmara desde 29 de setembro e propõe alterar a Constituição para permitir o veto ao registro de candidaturas de gente que tenha sido condenada pela Justiça em decisão de primeira instância.

Os líderes dos partidos já avisaram ao presidente Michel Temer que não vão mexer com isso porque acreditam na universalidade do direito à presunção da inocência até a condenação transitada em julgado em todas as instâncias, demore o tempo que demorar, tenha isso o efeito que tiver sobre a qualidade da composição do Parlamento.

É mais ou menos como a história do fracasso da reforma política: não mudam aquilo que os favorece.

Tampouco brigam com os fatos que os beneficiam. O mais vistoso em tela, a popularidade do presidente Lula, que faz a quase totalidade do mundo político ficar ao lado dele ou evitar contestá-lo de maneira contundente.

De posse desse capital, o presidente teria força suficiente para enfrentar de forma efetiva o mal da corrupção. Falta-lhe, porém, autoridade moral por ele mesmo solapada na constante e insistente defesa que faz de gente suspeita, na proteção que dá a acusados de faltas graves e no tratamento fidalgo que confere a transgressores comprovados e, não raro, assumidos.

Nessa seara, entretanto, a palavra do presidente está desacreditada por seus atos. Daí a desconfiança com que foi recebido o anúncio do envio ao Congresso do projeto de agravamento de penas aos corruptos dos altos escalões.

Se um dia reivindica tratamento especial para um aliado político cercado de denúncias por todos os lados, no outro considera que "não falam por si" imagens tidas pela Polícia Federal e pela Justiça como provas de corrupção explícita, não há como acreditar na franqueza do gesto de propor penas mais duras para corruptos.

Ainda mais quando o discurso vem sozinho, sem a companhia do compromisso de torná-lo uma ação objetiva no Congresso.

O próprio presidente alimenta a desconfiança de que não fez mais que aproveitar a chance da passagem do Dia Mundial de Combate à Corrupção para se promover. "Pode ser (que a lei) não resolva o problema, mas ajuda a passar à sociedade a ideia de que não há impunidade".

Quer dizer, ele mesmo já reconhece que entra na história com uma proposta provavelmente fadada à inconsequência.

Mas ao departamento de publicidade e incremento do espetáculo do crescimento da popularidade do presidente do Palácio do Planalto isso basta, porque a intenção é "passar à sociedade" a ideia de que Lula é o general desse combate e nada mais.

A questão é que o entendimento do recado não pode ser absorvido como pretendido sem que haja uma atitude diferente daquela que pautou o envio de outras tantas propostas enviadas ao Congresso e lá deixadas no limbo, como a reforma política, para citar apenas a de caráter correlato.

A ausência de atos que sustentem o discurso do "combate à safadeza com o dinheiro público" desqualifica a palavra e reduz o gesto a apenas mais um lance de propaganda enganosa.

Versão paulista

O discurso oficialmente preponderante entre os aliados do governador José Serra é o de que Geraldo Alckmin será mesmo o candidato ao governo de São Paulo.

E, de fato, essa é a linha de trabalho mais visível. Mas há outra que direciona Alckmin para a candidatura ao Senado e ainda aposta em Aloysio Nunes Ferreira, chefe da Casa Civil do Palácio dos Bandeirantes.

Com o seguinte raciocínio: deixar o governo na mão de Alckmin equivaleria a abrir mão da cidadela de poder para o grupo adversário. Em português claro, perder o controle político sobre São Paulo.

Mas, e as pesquisas que dão a Alckmin 60% das preferências? No entendimento do grupo, ganha quem tiver o apoio de Serra.

Qualquer semelhança com o pensamento predominante no PT sobre a relação Lula-Dilma Rousseff não é mera coincidência.

No telhado

Ao pedir que o PMDB indique "três nomes" para ocupar a vaga de vice da chapa de Dilma, o presidente Lula desmancha a esperança acalentada pelo presidente da Câmara, Michel Temer.

Era vidro

Depois da série de desventuras - fraude, questão anulada e gabarito de prova errado - com o Enem, nunca mais se ouviu falar na candidatura ao governo de São Paulo do ministro da Educação, Fernando Haddad, que já foi o preferido de Lula.

DIRETO DA FONTE

Cinema para todos?

SONIA RACY

O ESTADO DE SÃO PAULO - 11/12/09


Lula e Juca Ferreira acertaram. Lançam, semana que vem, o Cinema Perto de Você. O programa vem com linha de crédito de R$ 500 milhões do BNDES para a construção de 600 salas em cidades pequenas e médias. E com uma ressalva: a verba será liberada só para pequenos e médios exibidores.
Mas antes que alguém jogue a primeira fita, o Minc esclarece: o começo da operação não coincidirá com o período de exibição do longa de Luiz Carlos Barreto, sobre a vida do presidente.

Ecumênico

Coisas da vida. O projeto da Camargo Corrêa entregue a Shimon Peres, propondo solução para o problema de água em Israel, foi concebido no Hotel do Vaticano, em Roma. "Tive essa ideia lá", conta Fernando Botelho.
A "pequena" obra, de algo como US$ 3 bilhões, inclui uma "bi-nacional" a la Itaipu, entre Israel e Jordânia.

Olho de lince
Graças ao acordo fechado ontem, em Pequim, por Dirceu Barbano com a agência sanitária chinesa, a Anvisa vai poder inspecionar regularmente as fábricas de insumos que exportam produtos para o Brasil.
Afinal, não é pouco o que vendem para cá: algo como US$ 750 milhões por ano.

Climão

Há dois ministros do TCU na delegação brasileira que está em Copenhague.
Fiscalizando temperatura?

Nanicos, uni-vos

A UNE, que é dirigida pelo PCdoB, disputa a vanguarda do movimento "Fora Arruda" com facções tanto do PSTU como do PSOL.
Já tem gente por ali querendo até invadir os hotéis do vice-Paulo Octávio.

De quem entende

Em tempos que todo mundo tem algo a dizer, no blog, no Facebook ou no Twitter, o site Careerbuilders, de empregos, faz advertência geral: cuidado com o que se diz.
É que tem gente perdendo vaga, mesmo depois de convidado. Simplesmente porque as empresas rastreiam mais referências e acabam achando coisas que não deviam...

Águas claras

Enchente na rua, o Ministério Público do Estado entra com ação. Está acusando a prefeitura e a OAS de assinar contrato sem licitação e superfaturar obras de contenção de águas do Córrego Rincão, em 2002.
O MPE está pedindo devolução de R$ 4,6 milhões.

Na geral

Não é porque Lula vai receber os jogadores do Flamengo, semana que vem, que está satisfeito com o título dos cariocas. Em conversa com ministros pós-reunião, se mostrou irritado com o seu Corinthians e Grêmio.
Ambos teriam entregado o jogo para prejudicar seus rivais regionais.

Ele, o russo

E não será só do Rio que Marc Chagall viverá.
Suas pinturas e gravuras aterrissam em São Paulo, em janeiro. No Masp.

Continência

A história de Marechal Lott, que garantiu a posse de Juscelino Kubitschek, está sendo recuperada.
Ganhará adaptação para cinema, produzida por Jorge Moreno e baseada na biografia O Soldado Absoluto.

Para o carnaval
Sérgio Cabral mandou comprar dois milhões de preservativos masculinos.
Vai gastar R$ 245 mil.

Na Frente

Luiz Felipe Scolari e Fernando Faria de Oliveira, da Caixa Geral de Depósitos, ganham homenagem na Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil comandada por Manuel Tavares de Almeida, segunda. Lula, Dilma e Kassab confirmaram presença.

Mais ajuda para Mário Bortolotto. Angeli, Daniel Galera, Lourenço Mutarelli, entre outros, doaram obras para leilão hoje, no Espaço Parlapatões.

Helena Sicupira assina a edição de moda da Amarello, nova revista de arte, moda e cultura de Tomás Biagi Carvalho.

Jeanete Musatti faz noite de autógrafos. Hoje, na Livraria da Vila da Lorena.

Fafá de Belém se apresenta hoje com a filha, Mariana, no Miss Angola, em Luanda.

Cacilda Teixeira da Costa lança amanhã, na Pinacoteca, seu livro Roupa de Artista.

Assim como Ana Maria Braga e Marcelo Frisoni, Fernanda Torres e Andrucha Waddington não devem passar o Réveillon juntos.

Paula Szutan e Bel Mercês apresentam o curta O Sonho de Titia, hoje, no Centro Cultural Monte Azul.

Antonio Palocci topou fazer palestra sobre desafios da indústria da... moda? Hoje, na Associação Brasileira dos Estilistas.

E o câmbio virou ser humano. Anteontem, Mantega disse que ele anda bem comportado.

GOSTOSA

RUY CASTRO

Apenas para argumentar

FOLHA DE SÃO PAULO - 11/12/09


O Estado de Pernambuco é responsável por 85% da mangaba e da pitomba produzidas no Brasil. Um abençoado acidente geológico fez com que seu território fosse ideal para a exploração dessas frutas, que são boas de comer ou servem de base para sucos e sorvetes e respondem por boa parte da economia pernambucana. Pois vamos supor que, de repente, o Rio, que só produz caju e banana, resolva unir-se a outros Estados que também não produzem mangaba e pitomba e, juntos, comecem uma campanha para que os royalties das ditas frutas destinados a Pernambuco sejam distribuídos por igual entre os Estados. A alegação é a de que Pernambuco não é dono do Brasil, que a mangaba e a pitomba pertencem a todos e que cabe à União socializar a dinheirama gerada por elas.

É o que está acontecendo com os royalties do pré-sal. O governador de Pernambuco, à frente de seus colegas do Nordeste, está sendo vitorioso numa campanha para garfar uma gorda porcentagem dos royalties devidos ao Rio como o Estado produtor de 85% do petróleo brasileiro. Neste momento, o Rio pode ter esses royalties reduzidos de 26,25% para 18%, diferença essa que iria engrossar a fatia já considerável dos Estados não produtores. Nem quero pensar no que aconteceria se o Rio resolvesse avançar nos royalties produzidos pela carne de sol com feijão de corda e manteiga de garrafa, imortal prato da cozinha pernambucana. Ou se fizesse isso com as fabulosas agulhas fritas.

Pelo raciocínio do governador, o fato de Pernambuco produzir os ingredientes que resultaram nessas obras-primas não lhe deveria garantir direitos majoritários sobre elas. Donde a União precisa exigir uma fatia maior dos royalties para comê-los com farinha e distribuí-los entre os Estados não produtores dessas iguarias.

ANCELMO GÓIS

Bolsa champanhe

O GLOBO - 11/12/09


Este Ano da França no Brasil é de explodir o coração e o bolso do contribuinte brasileiro – e não só no que se refere à compra de submarinos e aviões.
François Dossa, da Câmara França-Brasil, mandou e-mail a empresas francesas interessadas em assistir ao carnaval carioca num camarote “regado a champanhe e ao melhor da gastronomia!”, com direito a abater “parte do recurso pela Lei Rouanet”.

PORTO DO AÇU
As ações da MPX caíram ontem 8%. O que se diz é que a queda se deve ao cancelamento do leilão de energia do dia 21 — aparentemente, para não sancionar usinas a carvão enquanto ocorre a Conferência do Clima.
A empresa de Eike Batista participaria com o projeto da usina Porto do Açu, no Rio, avaliado em US$ 4,1 bilhões.
APAGÃO
O programa do PT na TV, ontem, afirmou que “Dilma modernizou o setor elétrico do Brasil”. Há controvérsias.
DUDA É TETRA
O Flamengo foi hexa domingo, e Duda Mendonça obteve seu tetra, também pelo Fla, segunda.
É que o marqueteiro fez a campanha de Plínio Serpa Pinto à presidência do clube e perdeu pela quarta vez no Rio (já havia perdido com Luiz Paulo Corrêa e Benedita, para governador, e com Crivella, para prefeito).
NO MAIS
São bem-vindos os protestos nas ruas dos estudantes de Brasília contra o mensalão do DEM. Mas por que não fizeram o mesmo com o mensalão do PT?
SÓ QUER SER FELIZ
O que se diz é que Adriano, o Imperador, está desde segunda na sua Vila Cruzeiro. Como no funk de Cidinho e Doca, só quer ser feliz na favela onde nasceu.
O artilheiro do Flamengo teria pedido a um primo para sacar e levar para ele R$ 40 mil.
PENA SOCIAL NO FUTEBOL
O novo Código Brasileiro de Justiça Desportiva, aprovado ontem, permite que um jogador de futebol expulso por jogada violenta, por exemplo, faça um acordo para reduzir sua pena com algum trabalho social. Como dar aulas numa escolinha para menores carentes.
SEGUE...
O advogado Francisco Müssnich, que integra o comitê da Copa de 2014, foi o relator do novo código, que vale para outros esportes.
GUITARRA SERGIPANA
Na turnê pelo Brasil com nosso Armandinho, o americano Stanley Jordan ficou tão curioso com a guitarra baiana do brasileiro que foi conhecer a fábrica do instrumento — que não fica na Bahia, mas em Sergipe.
Lá na minha terra, ganhou uma do luthier Elifas Santana. Jordan disse que aprenderá a tocá-la até os shows que fará no Rio, dias 15 e 16, no Posto 8.
AEROAÇO
Sérgio Cabral acertou com a Aeronáutica a construção de um aeroporto em Volta Redonda.
PELADO NA ALERJ
Ontem, na comemoração do Dia Internacional dos Direitos Humanos na Assembleia do Rio, um dos atores que fazia uma performance ficou completamente nu no plenário, com o seu, digamos, mandato de fora.
Ainda xingou palavrões do arco da velha. Tudo sob os olhares estupefatos dos deputados.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

MERVAL PEREIRA

Sinal dos tempos

O GLOBO -11/12/09


O historiador americano Henry Brook Adams cunhou a definição de prática política como sendo a arte de “ignorar fatos”. O presidente Lula, provavelmente por intuição, há muito tempo adota esse comportamento, e parece cada vez mais convicto de que sua popularidade inabalável o protegerá até mesmo da sua própria língua. Já se dá ao desplante de falar palavrões em comício e, modestamente, garante que a Conferência do Clima em Copenhague ganhou nova dimensão depois que o Brasil saiu na frente dos países desenvolvidos e anunciou metas de redução das emissões de carbono na atmosfera.

Como a revista inglesa “The Economist” previu, parece que o pecado da “hubris” — que na mitologia grega representa o excesso, a arrogância — está tomando conta do “filho do Brasil”.

O problema climático não constava da pauta de prioridades do governo Lula, e só passou a fazer parte dela quando a senadora Marina Silva colocou-o na agenda da sucessão presidencial, ela mesma saída do Ministério do Meio Ambiente por absoluta impossibilidade de fazer com que a questão ambiental fosse uma política de governo.

Colocada lá ainda no primeiro ministério, Marina não aceitou ser apenas um símbolo, depois de diversas derrotas na tentativa de impor uma agenda ecológica ao governo.

Lula fazia blague com a proteção dos “bagrinhos” e, mais que isso, ele e a candidata oficial à sua sucessão, ministra Dilma Rousseff, consideravam que os ambientalistas atrasavam as obras do PAC e o progresso do país.

Até o último momento o governo hesitou em fixar metas para a redução do efeito estufa, e o “compromisso voluntário” só saiu a muito custo.

Pois agora Lula arvora-se a ecologista pioneiro, em mais um ato explícito de oportunismo político.

Não foi outro o espírito da legislação que enviou ao Congresso supostamente para combater a corrupção no país. Transformar em hediondo os crimes de corrupção não fará diferença alguma se a postura dos governantes continuar sendo de leniência com os corruptos, e a Justiça não os colocar na cadeia.

O Lula que discursou sobre os males da corrupção, afirmando num ato falho que os que mais gritam contra ela geralmente são os mais corruptos, é o mesmo Lula que durante mais de 20 anos perambulou pelo país com a bandeira da corrupção como sua principal arma eleitoral.

Chegou a afirmar que a chegada do PT ao poder central reduziria de imediato a corrupção. Sabe-se hoje que o PT, enquanto se colocava como exemplo de moral e bons costumes, fazia uma política corrupta nas prefeituras para as quais elegia seus filiados, montando um esquema de caixa dois que financiaria as diversas campanhas presidenciais do próprio Lula.

Quando estourou o escândalo do mensalão, em 2005, o ponto mais dramático foi o depoimento do marqueteiro Duda Mendonça na CPI da Câmara, na qual confessou que seu trabalho na campanha eleitoral de Lula em 2002 foi pago em parte com dinheiro ilegal depositado no exterior.

Um depoimento que ligava diretamente o candidato à corrupção de sua campanha eleitoral, da mesma maneira que a formação do caixa dois na campanha para o governo de Minas de 1998 levou o hoje senador Eduardo Azeredo a ser incluído no processo aberto pelo
Supremo Tribunal Federal.

Lula livrou-se do processo do Supremo sobre o mensalão, que identificou uma “quadrilha” atuando a partir do gabinete do então ministro José Dirceu no Palácio do Planalto, por um detalhe político: a oposição ficou com receio de pedir seu “impeachment”, ou pelo menos de tentar ouvi-lo na CPI.

Mas, para quem não tem memória curta, é uma ousadia, que talvez só a “hubris” explique, Lula encher a boca para falar em combate à corrupção.

Sua tentativa de tirar proveito político da acusação contra o governador José Roberto Arruda, de Brasília, que é do DEM, quando se portou de maneira leniente e conivente com os políticos de sua base congressual acusados de participar do mensalão, é um sinal dos tempos em que, incentivados pela impunidade, todos fazem como ele, falam uma coisa e fazem outra, na certeza de que o cidadão comum perdeu o discernimento do que é certo e errado.

É assim que os chamados “movimentos sociais”, os mesmos que ameaçavam sair às ruas não para protestar contra o mensalão, mas para defender o mandato de Lula, agora estão nas ruas de Brasília contra o mensalão do DEM.

Não se mobilizaram também contra Renan Calheiros nem contra José Sarney, apadrinhados de Lula, mas estão indignados com Arruda.

O sinal trocado dos tempos também faz com que o governador do Distrito Federal, apanhado com a boca na botija com direito a vídeo e áudio, ainda tenha forças para reprimir as manifestações contra ele.

E se sinta em condições políticas de tentar se manter à frente do governo, apoiado por uma maioria de deputados distritais envolvidos nas mesmas tenebrosas transações, todos flagrados em vídeo.

E ainda falando em mudar “os hábitos políticos”.

Quando prenderam aquele petista com dólares na cueca, não houve imagens.

Desta vez, temos imagens e som de deputados e jornalista colocando bolos de Real na cueca, nas meias, nos bolsos. E estão todos soltos.

Ao mesmo tempo em que o presidente Lula se mostra indignado seletivamente com a corrupção dos outros, o PT faz uma festa para seus ex-presidentes e consuma a reabilitação de todos os mensaleiros, a começar pelo que está sendo julgado pelo Supremo como o “chefe da quadrilha”, o ex-ministro José Dirceu, identificado como figura “imprescindível” na campanha presidencial de Dilma Rousseff.

Que, por sinal, deu entrevistas classificando de “chocantes” as imagens do mensalão do DEM para, em seguida, confraternizar com os mensaleiros do PT.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Ladrão não é palhaço, é ladrão e tem que estar preso”
PALHAÇO PLIM PLIM, APÓS O ESQUEMA DE CORRUPÇÃO NO GDF SER CHAMADO DE ‘PALHAÇADA’

ARRUDA DEIXA O DEM PENDURADO NA BROCHA
A decisão do governador José Roberto Arruda de deixar o DEM antes do gongo da bancada pegou o partido de calça curta. Alguns dos “demos” queriam ter saído “limpos” da encrenca, expulsando “sumariamente” Arruda, mas o presidente da legenda, Rodrigo Maia (RJ) e ACM Neto (BA), ofereceram-lhe a “chance de defesa”. Ontem, no fim da tarde, se sentiam “pendurados na brocha”.
IMEDIATO
O senador Demóstenes Torres (GO) e o deputado Ronaldo Caiado (GO) queriam expulsar imediatamente o governador Arruda.
BATATA QUENTE
A ideia de Torres e Caiado era de que a expulsão seria a atitude política correta, passando o problema para as mãos de Arruda.
MAIS UMA
Lula enviou ao Congresso uma lei tornando a corrupção crime hediondo. Hediondo será não ter ninguém na cadeia por ela.
EUFORIA
A indústria editorial brasileira está eufórica: nunca na história deste País as editoras venderam tantos livros.
SENADO FACILITA ‘ACESSIBILIDADE’ AO NOSSO BOLSO
O Senado promove entre seus funcionários, há cinco anos, a Semana da Acessibilidade, para tornar menos difícil a vida dos deficientes, mas como o dinheiro do contribuinte é gasto ali com muita facilidade, um grupo vai faturar outra vez um cachê de R$ 300 mil para se fantasiar de personagens da “Turma da Mônica”, criação de Mauricio de Sousa, e se apresentar no evento, que será realizado entre 15 e 18 deste mês.
RÓSEO-NEGRO
Torcedores do Fluminense sugerem que o Flamengo mude suas cores, após a eleição de Patrícia Amorim para presidente: “rosinha-negro”.
CAPITULAÇÃO
A agência de viagens CVC deve vender 60% de suas ações para a empresa americana Carlyle Group.
DESINTERESSE
Há seis anos dormita nas gavetas do Senado um conjunto de projetos anticorrupção apresentados por Demóstenes Torres (DEM-GO).
POLÍTICA É UM TEATRO
Então presidente da estatal Codeplan no governo de Joaquim Roriz, o homem-bomba Durval Barbosa agia com autonomia, em relação ao chefe. Mas, segundo ex-assessores daquele governo, Roriz sabia que Durval financiava o então candidato José Roberto Arruda.
VISÃO DO PARAÍSO
Em sua “análise profunda” sobre a corrupção, Lula concluiu que “às vezes, o corrupto é que tem cara de anjo”. Ainda bem que os mensaleiros são feios como o capeta. Um tem cara de retardado.
A FAMÍLIA NA BOMBA
Carro flex, nada. A presidência da República vai gastar R$ 63,5 mil em 2010 com gasolina comum, para abastecer a frota de nove carros que serve aos seguranças, à filha, genro e neto de Lula em Santa Catarina.
OLHOS PUXADOS NO SUS
Em encontro com o ministro José Gomes Temporão (Saúde), em Pequim, o ministro chinês da Saúde, Chen Zhu, disse que deseja visitar o Brasil, em 2010, para conhecer o funcionamento do Sistema Único de Saúde.
BOLSA-DURVAL
Estrela de um vídeo produzido por Durval Barbosa, enfiando maços de dinheiro numa bolsa, a deputada Eurides Brito (PMDB) reapareceu na Câmara Legislativa do DF com outra enorme bolsa a tiracolo. Humm...
CUT AMESTRADA
No bolso do governo Lula, de onde arranca quase R$ 30 milhões anuais, a CUT desistiu até do velho discurso contra os juros. A última decisão do Copom mereceu apenas uma nota em que a entidade apenas lamenta: “o final de ano merecia uma notícia mais animadora”.
RELUTÂNCIA
A Agência Brasil, de notícias chapa branca, divulgou apenas horas depois de todos os outro veículos, o “merda” que o presidente Lula soltou ontem, segundo ele, “para provocar” a imprensa.
TODO MUNDO NU
É melhor ficar de olho: por R$ 269, em até 15 vezes, pode-se comprar na internet um “relógio-espião”, com microfone embutido de longo alcance, memória de 4GB e armazenagem de até seis horas de vídeo.
PERGUNTA NADA DIPLOMÁTICA
Que tal um asilo... de loucos para o “Zé-mala” de Honduras?

PODER SEM PUDOR
FALTOU À AULA DE TABUADA
O fotógrafo Breno Fortes, do Correio Braziliense, cobria a repressão desproporcional da Polícia Militar do DF contra estudantes anti-Arruda, quarta, quando um PM o ameaçou, engatilhando sua arma calibre 12:
– Vou contar até dez para você sumir daqui!... Um, dois...
Atirou ao pronunciar “três”, mirando os pés do fotógrafo. Errou o alvo, felizmente, mas Breno teve uma reação tão inusitada quanto corajosa:
– Você não sabe nem contar até dez?!
Tomado em fúria, o despreparado policial ficou tentando engatilhar a arma novamente, enquanto o jornalista batia em retirada estratégica.

O ABILOLADO

SEXTA NOS JORNAIS

- Globo: PIB é o pior em 10 anos e mostra recuperação lenta


- Estadão: PIB de 1,3% decepciona e ameaça resultado do ano


- JB: PF mira sigilo de Arruda


- Correio: Arruda deixa o DEM e quer manter governo


- Valor: Crescimento reaquece as receitas dos Estados

quinta-feira, dezembro 10, 2009

EDITORIAL - FOLHA DE SÃO PAULO

Coisas de estarrecer

Folha de S. Paulo - 10/12/2009

Dilma se diz indignada com corrupção do DEM, enquanto o PT tenta reescrever a história de seu próprio mensalão

"AS IMAGENS são estarrecedoras. Muito duras, muito claras". São palavras da ministra Dilma Rousseff a respeito das gravações que flagraram o esquema de distribuição de propinas patrocinado pelo governo de José Roberto Arruda, do DEM, no Distrito Federal. A candidata petista à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se disse ainda favorável a leis mais duras e cobrou agilidade da Justiça quando há "inequivocamente provas de corrupção".
Até aqui, seria difícil discordar. Abundam cenas estarrecedoras na política nacional, sem que a sociedade receba da Justiça respostas compatíveis à gravidade e à extensão dos escândalos que envolvem o patrimônio público.
Dilma, porém, que chegava a uma festa com mais de mil convidados organizada para celebrar os 30 anos do PT, aproveitou a ocasião para ressalvar que não há "provas contundentes" contra petistas que respondem a processo no escândalo do mensalão.
Não é de hoje que o alto comando do PT procura se aproveitar da popularidade de Lula para tentar reescrever a história, apagando crimes a seu favor. Retorna, agora, a fábula de que o mensalão petista, um esquema nacional de compra de apoio político capitaneado pela cúpula da legenda, não passou de recolhimento de "recursos não contabilizados" de campanha.
Ninguém com memória e informação cairia nessa esparrela. Vale recordar o que havia de "estarrecedor" no mensalão petista. A começar pelo uso indevido do dinheiro público.
O Banco Popular é só um -e bom- exemplo. Criado, no Banco do Brasil, para emprestar a pessoas de baixa renda, durante um ano e sete meses, sob a gestão de Ivan Guimarães, conseguiu a proeza de gastar mais em publicidade (R$ 24 milhões) do que em empréstimos (R$ 20 milhões). A empresa que se beneficiou da publicidade, sem que se tenha feito nenhuma licitação, foi a DNA de Marcos Valério.
Seria o caso de recordar ainda outros exemplos "de estarrecer" envolvendo este governo: a procissão de deputados, petistas e aliados, que se formou na boca do caixa do Banco Rural para receber quantias várias de mensalão; o jipe que uma empresa beneficiada por contrato milionário da Petrobras deu de presente a Silvio Pereira, ex-secretário-geral do partido; o dinheiro na cueca com que foi flagrado um assessor do irmão de José Genoino, então presidente do PT; a violação do sigilo do caseiro que denunciou atividades envolvendo Antonio Palocci -a lista de escândalos graves é longa.
Poderia ainda incluir o caso dos "aloprados", quando, na campanha de 2006, um grupo de petistas foi flagrado com malas de dinheiro sujo, numa operação para atingir a campanha tucana.
Se a vida partidária se nivelou por baixo e os costumes políticos estão degradados, o governo Lula, por ação e conivência, é um dos grandes responsáveis. É bom ter isso em mente para que não se realize a profecia de Delúbio Soares, para quem o mensalão ainda iria virar "piada de salão".

O ABILOLADO E A MENTIROSA

ALDO PEREIRA

Obsoleto. Supérfluo. Perdulário. Corrupto

FOLHA DE SÃO PAULO - 10/12/09


Com que eficiência, honestidade e custo o Senado tem cumprido suas funções? Por que não as atribuir à Câmara?

PARA QUE serve o Senado?
As principais funções que a Constituição de 1988 lhe atribui incluem o julgamento de eventuais crimes de responsabilidade do presidente e do vice-presidente da República, bem como de ministros de Estado, juízes da alta magistratura e outras autoridades. Em mais de um século de República, o Senado julgou e condenou apenas um presidente, Fernando Collor de Mello. Embora Collor (hoje senador e aliado dos ex-adversários) tivesse renunciado na esperança de escapar à sentença, em 1992 o Senado lhe cassou os direitos políticos por oito anos.
Outras atribuições do Senado abrangem as de aprovar nomeação de juízes do Supremo Tribunal Federal e outros magistrados e titulares de altos cargos, bem como determinar limites e condições de endividamento federal, estadual e municipal. Funções importantes, sim, mas 1) com que eficiência, honestidade e custo o Senado as tem cumprido? 2) Por que não as atribuir simplesmente à Câmara dos Deputados?
Trabalha para o Senado um corpo de 10 mil funcionários, dois terços dois quais sem concurso, sob denúncias episódicas de favorecimento de apadrinhados, teúdas e manteúdas.
Gastos com pessoal, e outros, excedem neste ano os R$ 2,4 bilhões, ou cerca de R$ 30 milhões por senador. São R$ 200 subtraídos a cada família cadastrada no Bolsa Família.
Parlamentos unicamerais legislam em 14 dos 27 membros da União Europeia: Chipre, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Finlândia, Grécia, Hungria, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Portugal e Suécia. São também unicamerais os Legislativos de dois países associados sem filiação formal, Liechtenstein e Noruega, assim como os de três outros oficialmente reconhecidos como candidatos a filiação: Croácia, Macedônia e Turquia.
A direita argumenta que o regime unicameral não se presta a países grandes e complexos. De fato, a população dos Estados citados acima representa apenas 16% da total na UE.
Já a população somada de apenas três Estados bicamerais -Alemanha, Irlanda e Itália- abrange 30%. Falsa correlação. Na Suíça, nação pouco populosa (sete milhões), o poder Legislativo compete a duas câmaras. Motivo: insatisfações e rivalidades seculares compelem os 26 cantões a complicadas acomodações institucionais (cinco pessoas, por exemplo, exercem o poder Executivo).
Uma razão histórica para a instituição de Câmaras Altas, portanto, era favorecer a coexistência pacífica de comunidades e etnias antagônicas.
Também se instituía Câmara Alta como concessão negociada de algum poder a aristocratas, clérigos, latifundiários e outros opositores da ascensão da soberania popular. Os sistemas bicamerais de Alemanha e Itália combinam em sua origem essas duas intenções.
Nos Estados Unidos, a razão foi a Independência ter desprovido as ex-colônias do poder arbitral do rei. As menos populosas recearam, então, ser dominadas pelas que teriam mais representantes no Congresso. Para prevenir abusos das grandes bancadas da Casa dos Representantes, instituiu-se o Senado, onde os dois votos de cada Estado valeriam tanto quanto os dos demais.
Pode ter havido na Constituição americana alguma influência do bicameralismo britânico, que, aliás, também influiu na Constituição outorgada por Pedro 1º em 1824. Questão intrigante é por que, para prevenir eventual "ditadura da maioria", os constituintes americanos não adotaram dispositivo constitucional mais simples, o de votar leis em dois escrutínios de Câmara única: um de cômputo majoritário simples (maioria de votos do Parlamento pleno) e outro de cômputo qualificado (maioria de votos correspondentes, cada um, a uma unidade da Federação).
Câmara Alta é espécie em extinção. Seu poder declina na maioria dos países europeus bicamerais. Em referendo do último dia 22 de novembro, na Romênia, perto de 80% dos votantes optaram pela abolição do Senado; mais de 80% votaram também pela redução do número de legisladores, de 471 para 300.
Três revisões constitucionais drásticas -em 1215, 1707 e 1832- reduziram a pouco mais que cerimonial o poder da Câmara dos Lordes da Inglaterra. Decréscimo comparável tem ocorrido na Áustria, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Polônia e República Tcheca.
Certo é não haver para nosso Senado nenhuma justificativa histórica como as citadas acima. Resistência à consolidação da democracia, aqui, não provém da nobreza, mas da pobreza -do poder civil.

ALDO PEREIRA , 77, é ex-editorialista e colaborador especial da Folha .
aldopereira.argumento@uol.com.br

DIRETO DA FONTE

Dúvida cruel

SONIA RACY

O ESTADO DE SÃO PAULO - 10/12/09


Jorge Gerdau repetiu ontem, durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o que vem dizendo há tempos: a siderurgia tem hoje uma capacidade instalada 100% maior do que a demanda do mercado interno. E mais: afirma que há sobras no internacional.
Vale então a pergunta: por que Lula pressiona a Vale para investir no setor, se mesmo quem atua nele hoje não acha bom fazê-lo agora?

Dúvida cruel 2

Estranha a demora do resultado da concorrência dos caças FX. A análise técnica, de 15 mil páginas - montada para ser lida de 30 em 30 linhas - está com Lula há dois meses. E, sabidamente, o presidente é favorável ao caça francês.
Semana passada, Nelson Jobim, da Defesa, e Juniti Saito, da Aeronáutica, voaram para Ucrânia com pouso técnico em Paris. Ou será que foram para Paris com pouso na Ucrânia?

Cozy home

Kassab arrumou utilidade para o prédio que abrigava o motel Flash, desapropriado.
Vai virar clínica pública para dependentes químicos.

Lupa na gripe

Mortes causadas pela gripe suína em São Paulo e Campinas estão sendo investigadas pelo Estado caso a caso.
O governo tenta identificar a relação delas com fatores de risco, como doenças crônicas e gestação. Também averigua cerca de 600 casos que evoluíram para cura.

Backing vocal

Gilberto Gil promete acompanhar Marina Silva em todos os eventos públicos dela em Copenhague.

Para maiores

Enquanto isso, Preta Gil prepara um programa para chamar de seu, o Vai & Vem, no GNT. Sobre sexo.

Pretty cash

Julia Roberts disse sim à Lancôme. E, em breve, faz sua estreia como garota-propaganda da marca. Irá dividir os anúncios com as "veteranas" Kate Winslet e Daria Werbowy.
Estima-se que o acordo tenha sido fechado na casa dos US$ 20 milhões.

Por que não, pá?

Cavaco Silva resolveu homenagear Maria Bethânia em janeiro de 2010 com uma comenda especial.
A artista foi escolhida como melhor divulgadora de Fernando Pessoa, tanto no Brasil como em Portugal.

Do crioulo doido


Foi do sambista nato, o gaúcho Paulo Ferreira, tesoureiro do PT, a ideia de "importar" escola de samba de Porto Alegre para animar a festa de 30 anos do partido, terça, em Brasília. Ela passou antes da Beija-Flor.
Não, a escola carioca não tocou o enredo 2010 sobre Brasília patrocinado pelo "panetoneiro" Arruda.

Do crioulo doido 2

E mesmo ante a insistência dos passistas, Dilma evitou sair pulando. Só sorriu, balançou ombros e bateu palmas olhando Eduardo Suplicy tentar acertar seu passo com uma passista de plumas coloridas...

Do crioulo doido 3

Ausência notada. Tarso Genro não apareceu na festa que homenageou os ex-presidentes do PT, inclusive seu desafeto José Dirceu.

Vem, vai... vem

Brad Pitt, o feio, pode dar rasante em... Bonito (MS).
Na virada do ano.

Na frente

A revista Dicta & Contradicta, de Guilherme Rabello, conta com ilustrações (acima) de Alex Cerveny. O volume traz, ainda, ensaios de Oliver Sacks e Luiz Felipe Ponde.

Sem medo de enchentes, Sérgio Cabral foi visto, anteontem, passeando pela rua Oscar Freire. Sem seguranças e sem... sacolas.
Nelson Motta lança hoje, na Livraria da Vila da Lorena, seu livro Força Estranha.

Sai caneta cravejada de esmeraldas e diamantes da Montblanc. Valor? US$ 1,5 milhão.

A turma da moda invade o Palácio das Laranjeiras. Na festa de abertura do Fashion Rio, dia 7 de janeiro.

Ernesto Neto abre, sábado, a exposição Mitodengo. No Galpão Fortes Vilaça

Maria Gadú fecha o ano em alta. Foi eleita pela APCA como revelação da música.

Sugestão de presente de Natal para Kassab: um dicionário exclusivo com o significado da palavra... Caos.

GOSTOSA

KENNETH MAXWELL

Tiger, Salahi e Boyle


FOLHA DE SÃO PAULO - 10/12/09


A DESPEITO dos conflitos no Afeganistão e no Paquistão, dos continuados protestos de estudantes contra o regime iraniano nas ruas de Teerã e da conferência de Copenhague sobre a mudança do clima, para não mencionar a visita do presidente Barack Obama a Oslo, hoje, onde ele receberá o Prêmio Nobel da Paz, as histórias que atraem mais atenção no momento, aqui nos EUA, são o imenso sucesso de "I Dreamed a Dream", primeiro CD de Susan Boyle, as desventuras de Tiger Woods e a saga de Tareq e Michaele Salahi, os penetras no jantar da Casa Branca.
Uma desconhecida de 48 anos de idade que vivia com seu gato em Blackburn, Escócia, Susan Boyle tornou-se sensação internacional do dia para a noite ao se apresentar em "Britain's Got Talent", um programa de TV britânico. Ela não venceu a competição, mas as estimativas são de que o vídeo de sua apresentação tenha sido assistido 310 milhões de vezes na internet.
Seu CD, lançado na semana passada, vendeu 701 mil cópias nos EUA. Foi o lançamento de vendas mais rápidas na história britânica, e chegou ao topo das paradas de sucessos no Canadá, na Austrália, na Irlanda e na Nova Zelândia.
Tiger Woods, 33, é um superastro do golfe. Faturou mais dinheiro com suas vitórias e contratos publicitários que qualquer outro atleta. Tinha, além disso, uma imagem de completa limpeza. Pelo menos até que batesse seu Cadillac Escalade 2009 contra o hidrante da casa vizinha, às duas da manhã. Woods recusou três pedidos de depoimento feitos pela polícia. Mas o jornal "National Enquirer" começou a publicar uma série de reportagens sobre seus casos extraconjugais com garçonetes de bares e recepcionistas de casas noturnas. Até o momento, as empresas que o têm como garoto-propaganda, entre as quais Pepsi, Nike e Procter&Gamble, manifestaram a intenção de continuar a apoiá-lo.
Tareq e Michaele Salahi representam uma nova variedade de pessoas que estimulam o sensacionalismo ao fazer qualquer coisa para conquistar notoriedade na mídia. Eles foram como penetras ao primeiro jantar de Estado de Barack Obama na Casa Branca. Conseguiram ser fotografados com o vice-presidente e postaram as fotos em sua página do Facebook.
Foram até apresentados ao presidente Obama. É verdade que os Obama transformaram a Casa Branca em fulcro das atenções da mídia. Seria reconfortante desconsiderar todas essas coisas, classificando-as como parte da tradicional tolice da mídia na temporada natalina. O problema é que o mundo é um lugar perigoso, e os Salahi conseguiram entrar na festa mesmo sem convite.
KENNETH MAXWELL escreve às quintas-feiras nesta coluna.
Tradução de PAULO MIGLIACCI

TODA MÍDIA

Choque

NELSON DE SÁ

FOLHA DE SÕ PAULO - 10/12/09


Por Folha Online e outros, "protesto contra José Roberto Arruda termina em confronto entre manifestantes e Polícia Militar". Na locução de Fátima Bernardes para a "confusão":
"Um grupo de mil manifestantes interrompeu o trânsito numa avenida movimentada, em frente ao Palácio do Buriti, sede do governo. Policiais a cavalo avançaram contra os estudantes. Quem tentou resistir foi agredido. A tropa de choque também atirou bombas de gás lacrimogêneo."

CAVALO
Na home do UOL, "cavalaria da tropa de choque acua manifestantes que protestavam contra o governador"

UM
Por G1, iG e outros, "manifestante tenta se proteger da Polícia Militar do Distrito Federal"

RASCUNHO VS. RASCUNHO
Depois do "rascunho" de países ricos e Dinamarca, noticiado anteontem pelo "Guardian", o mesmo jornal britânico informava ontem que o secretário-geral Ban Ki-moon, em entrevista, "reafirma liderança da ONU nas negociações de Copenhague".
Do "El País" ao "Financial Times", ecoou o dia todo a reação dos "países pobres" e de ambientalistas às "táticas desleais dos Estados ricos".
E o "New York Times" postou, com eco na Folha Online, que "Brasil, África do Sul, Índia e China" estariam elaborando documento em resposta ao dos ricos. "Diz-se", na expressão do jornal americano.


"WP" & SARAH PALIN
A republicana Sarah Palin escreveu no alto da página de opinião do "Washington Post" em defesa do "boicote" dos EUA a Copenhague (acima). Argumenta com o "climagate", a revelação de que cientistas de uma universidade manipularam dados. O texto amplia outro que ela havia postado no Facebook, dizendo que "decisões de política exigem ciência de verdade".
A publicação pelo "WP" foi o que mais ecoou, "sob fogo", segundo o Huffington Post, de críticas como "o "WP" quer acabar ainda mais rápido".


CAPITALISMO DE ESTADO LÁ
Parte de sua série "USA Inc. - O Estado do Capitalismo", o "Wall Street Journal" deu a manchete on-line "Boeing atinge turbulência e o Tio Sam voa para o resgate".
Diz que as companhias aéreas enfrentam recessão, mas a fábrica de aviões produz como não fazia "há anos", com a injeção de bilhões que recebeu do Ex-Im Bank, em "intervenção governamental" do banco criado pelos EUA em 1934 "para lutar contra a Grande Depressão". Anteriormente, o "WSJ" havia questionado o "estímulo de Tio Sam" à GE.

BASTIDORES
Em sua série sobre meandros financeiros, a nova edição da revista do "Valor" mostra "os bastidores das operações com ações da Embraer que levaram o Credit Suisse a pagar R$ 19,2 milhões à CVM para encerrar inquérito"

SÓ BRIC SALVA
O "WSJ" noticiou entrevista do principal executivo da Embraer destacando a previsão de queda de 10% no faturamento em 2010. Já a Reuters ressaltou que o "BNDES deve financiar US$ 1,8 bi em jatos Embraer em 2010". E o cenário externo "frágil" teria como contraponto "o front interno", com encomendas de Azul e Trip.
Ainda no "WSJ", o jornal acompanhou e postou vídeo de um voo do Lineage 1000, "mais caro jato executivo da Embraer", de Hong Kong para Macau, com "uma dúzia de ricos chineses, potenciais compradores".

GOSTOSAS DO TEMPO ANTIGO

CLÓVIS ROSSI

Quando o emergente submerge


Folha de S. Paulo - 10/12/2009

Depois de tanta conversa sobre "potência emergente", aquela foto na capa desta Folha mostrando São Paulo submersa é um choque de realidade.

Puxo pela memória para lembrar se alguma cidade relevante de país que de fato já emergiu ficou submersa e isolada como São Paulo anteontem. Sim, houve episódios graves em várias delas, mas como decorrência de chuvas bíblicas. A de São Paulo foi forte, mas nada que levasse Deus a mandar Noé construir uma arca.
Submerge a cidade que já foi administrada por todas as correntes políticas importantes do país, desde o janismo, o adhemarismo, até as mais contemporâneas.
Antes, no "Jornal Nacional", outra imersão no subdesenvolvimento, propiciada pelo relatório da Human Rights Watch. Mostra um fenômeno: a mesma polícia que não consegue impor padrões de segurança pública ao menos perto de civilizados mata mais do que a polícia da África do Sul, cujos índices de criminalidade são terríveis.
O relatório compara o emergente Brasil com os já "emergidos" EUA: a polícia norte-americana prendeu, em 2008, 37 mil pessoas para cada morte que produziu. No Rio, uma morte a cada 23 detenções. E todo o mundo sabe que a polícia dos Estados Unidos não tem a gentileza de cavalheiros como um dos requisitos para contratar agentes.
Volto alguns dias e revejo imagens do vandalismo no estádio do Coritiba, no domingo. Foi um microcosmo da realidade brasileira: os desordeiros perderam o medo e o respeito à polícia, tal como acontece com a bandidagem. Quando ainda não éramos emergentes, baderneiros e bandidos fugiam à aproximação da polícia.
Agora, a polícia é que tem de proteger-se do ataque dos vândalos, como se viu no estádio.
Se Nelson Rodrigues ainda vivesse, entenderia melhor porque temos complexo de vira-lata.