quarta-feira, outubro 28, 2009

MUDANÇA

MERVAL PEREIRA

Mulheres e terror

O GLOBO - 28/10/09


Uma das mais instigantes palestras na XX Conferência da Academia da Latinidade que se realiza no Cairo foi a de Mia Bloom, professora de Assuntos Internacionais da Universidade de Geórgia, em Atenas, sobre a crescente importância do papel da mulher no terrorismo.

Os números são reveladores: aumentou de 8, em 2007, para 32, em 2008, o número de atentados suicidas levados a efeito por mulheres no Iraque.

O crescimento da participação de mulheres-bomba não está limitado a um grupo específico, ressalta a professora: esse padrão tem sido repetido não apenas em organizações seculares e nacionalistas, como também entre movimentos religiosos.

O comportamento dos grupos islâmicos terroristas, que inicialmente resistiam a usar mulheres em seus atentados, recusando torná-las mártires, mudou completamente, segundo as pesquisas de Mia Bloom, autora do livro “Morrendo para matar: a sedução do terror suicida”. Mesmo a AlQaeda, no Iraque, está usando mulheres crescentemente em seus atentados.

Segundo ela, a visão tradicional que atribuía a participação de mulheres a outras causas que não políticas, como depressão ou influência de um homem, está completamente ultrapassada.

Os estudos da professora Mia Bloom, que é membro do Council of Foreign Relations, entidade não partidária, com sede em Nova York, considerada a mais influente em matéria de relações internacionais nos Estados Unidos, mostram que “organizações terroristas inovadoras” estão explorando com sucesso os estereótipos ocidentais em relação às mulheres.

A violência feminina, que é vista como “aberrante e desnaturada”, tem se tornado uma maneira de as mulheres contribuírem “para o bem da nação”. Segundo Mia Bloom, as terroristas são mais “letais”, matando em média quatro vezes mais pessoas que os homens, em parte porque não são submetidas a vistorias com a mesma intensidade, e têm mais facilidade para penetrar nos alvos.

Por serem mais valiosas em termos de propaganda, as mulheres-bomba são consider a das cada vez mais uma estratégia vencedora pelas organizações terroristas, e hoje são mais necessárias do que nunca.

Segundo a professora Mia Bloom, os líderes dos movimentos terroristas fazem cálculos de custo-benefício para selecionar táticas, alvos e os operadores que são mais eficientes, e é nesse contexto que eles exploram estrategicamente os estereótipos femininos.

“O ‘útero explosivo’ tomou o lugar do ‘útero revolucionário’, que produzia e apoiava jovens extremistas, à medida que as mulheres crescentemente se tornaram terroristas suicidas”, escreve a professora.

No Iraque, de acordo com fontes militares americanas citadas por Mia Bloom, a Al-Qaeda está utilizando cada vez mais mulheresbomba, porque elas usam normalmente roupas islâmicas longas e negras, que podem esconder explosivos, e são mais difíceis de serem revistadas.

“Se as tropas invasoras dos Estados Unidos ou da Inglaterra revistam uma mulher invasivamente na fronteira ou em pontos de revista à procura de armas ou explosivos, isso vai sem dúvida provocar raiva na população masculina local.

A honra e a castidade de suas mulheres estarão em risco, e a reação negativa vai sem dúvida fazer com que a população civil se volte contra as tropas internacionais”.

Além disso, ressalta a professora, “revistar mulheres invasivamente sempre as coloca em risco, e os militares tendem a abusar de seus poderes”. Ela cita casos ocorridos em Sri Lanka e Turquia, onde revistas levaram à violação de mulheres pelos soldados e, em consequência, elas se alistaram em organizações terroristas.

Mia lembra que há uma série de bem documentados casos de mulheres no Iraque sendo abusadas sexualmente por soldados, individualmente ou na prisão de Abu Ghraib, o que tem encorajado uma propaganda da AlQaeda que atribui essas violações a um objetivo da ocupação, transformando-as em uma política do imperialismo ocidental para humilhar o mundo muçulmano.

“Qualquer abuso das mulheres pode acionar um mecanismo de radicalização e mobilização da população local pelo movimento terrorista, e o aumento da participação das mulheres nessas organizações”, diz ela.

Mas, adverte Mia Bloom, o reverso também é verdadeiro: se as mulheres ficam livres de uma revista rigorosa, tornam-se armas perigosas.

Na análise da professora, “as mulheres-bomba se tornaram a última palavra em instrumento da guerra psicológica — ninguém sabe quando ou onde vão atacar, e é crescente a ansiedade provocada, à medida que mais e mais mulheres explodem pelo mundo afora”.

Mas, mesmo com a participação das mulheres sendo cada vez mais importante para os movimentos terroristas, mesmo naquelas organizações em que elas têm a autoria da maioria dos atentados, raramente há mulheres na liderança, nota Mia Bloom.

Não há uma razão evidente para isso, mas o fato, analisa a professora, é que a participação na violência não cria mais oportunidades para as mulheres daquelas sociedades.

A professora da Universidade da Geórgia acredita, porém, que um fato mais grave está acontecendo no Iraque, à medida que as mulheres estão sendo cada vez mais revistadas por outras mulheres, para evitar constrangimentos, verdadeiros ou artificiais.

Segundo os estudos de Mia Bloom, os grupos terroristas têm se dedicado a recrutar dois novos alvos: crianças, especialmente meninas, e pessoas que ou são obrigadas a se tornarem suicidas ou mesmo não sabem que estão sendo usados para esse fim.

ARI CUNHA

Pré-sal

CORREIO BRAZILIENSE - 28/10/09


O pré-sal entra na riqueza do Brasil. Esconde outros projetos. A novidade chama a atenção de outros povos. José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras, é técnico no assunto. Mantém reserva de inteligência. Realidade mostra que o mundo anda espantado com o clima econômico. Para se colher óleo na zona do pré-sal não há tabela de custos para aumentar o zelo. Equipamentos não existem desenhados. Profundidade grande. Necessidade de novos navios e plataformas diferentes. Difícil manter otimismo. Não dispomos de metais para compor equipamento a 7km de profundidade. Diz a prudência que o assunto não deve sair dos planos. Porém, se ausentar da imprensa, para não desmoralizar ninguém nas eleições de 20l0.


A frase que não foi pronunciada

“Por enquanto, a aliança com o PMDB é poesia. Depois das eleições pode virar prosa.”
» José Dirceu tendo um pesadelo.

Fundo de Garantia
» Presidente manda em tudo, menos na lei. Fundo de Garantia pertence aos trabalhadores. De repente, Lula da Silva abocanha a fatia de dinheiro que sai das mãos dos trabalhadores. Sem informar quando voltará.

Candidato
» Chiquinho Dornas, pioneiro de Brasília, escreve à coluna dizendo que será candidato à Câmara Legislativa. Será candidato pelo Partido Progressista. Conhece problemas da cidade, tem o exemplo dos pais e se prepara rumo à eleição no DF.

Doméstico
» Se optar por pagar plano de saúde ao empregado doméstico, o patrão pode ter abatido o valor no Imposto de Renda. O projeto do senador César Borges já foi discutido na Comissão de Assuntos Sociais. Essa é uma das poucas opções em que a classe média recebe contrapartida.

Sábado
» Mairan Maia é o nome do juiz que obriga o MEC a marcar a prova do Enem para outro dia que não o sábado. Por enquanto, a ordem é voltada para beneficiar 21 alunos de um colégio judaico de São Paulo. O MEC recorrerá e o Ministério Público pode pedir o mesmo direito a outros alunos judeus e da Igreja Adventista.

Vai-volta
» João Talocchi, do Greenpeace, e o deputado Sarney Filho concordam que os projetos de lei que tratam da política de mudanças climáticas são genéricos demais. O deputado Mendes Thame acha que já é um avanço conseguir isenção de impostos para produtos não poluentes. Nesta semana, parte da proposta será votada na Câmara dos Deputados.

Mudanças
» As dificuldades sofridas pelas entidades de ensino comunitário caíram nas mãos da deputada Maria do Rosário. Como as leis não reconhecem a instituição pública, a sugestão é que se regulamente o “comunitário” para que tenha intercâmbio com o Estado.

Denúncias
» Por trás do bate-boca entre Jorge Rachid e Bayma Araújo no Tribunal de Justiça do Maranhão, ficou uma caixa-preta até o momento intocada. A baixaria foi tão grande que o assunto em si precisa ser tratado. A OAB local quis apurar o ocorrido. Poderia ir além.

Números
» No mesmo dia em que o governo anuncia que em 15 anos reduziu pela metade o número de crianças e adolescentes vítimas do trabalho infantil, um garoto de 14 anos morreu atropelado por um trator. Descansava depois da colheita.

Novidades
» Paulo Roberto Yog, secretário nacional de Políticas sobre Drogas, participou ontem da CPI da Violência Urbana. Em foco, as estratégias do governo para combater o uso de entorpecentes. Um dos objetivos mais imediatos é a reestruturação do Conselho Nacional Antidrogas (Conad), com o aumento da participação da sociedade civil.

História de Brasília

O presidente Jânio Quadros e sra. passarão os dias de carnaval em São Vicente, no litoral paulista. A família presidencial deverá hospedar-se no mesmo prédio no qual permaneceram em retiro, após seu regresso da Europa. Em geral, os ministros viajaram para suas respectivas cidades, devendo regressar na quarta ou quinta-feira. (Publicado em 12/2/1961)

JAPA GOSTOSA


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JOSÉ SIMÃO

Zé Mayer! Ou Vai ou Viagra!

FOLHA DE SÃO PAULO - 28/10/09


Esse é o grito de guerra dele; se houvesse antidoping de Viagra, a novela seria suspensa


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! É que um amigo meu foi se casar no cartório de Perdizes e adivinha o nome da escrevente? Claudia CARRASCO! É o que eu digo: não é vocação, é predestinação! Os Predestinados! E um deputado do PMDB se chama Gastão! O resto se chama Ganhão!
E eu tenho uma amiga tão baixinha, mas tão baixinha que foi colocar o O.B. e tropeçou no barbante!
E, com o fechamento da Afundação Sarney, todos os fantasmas voltam pro Playcenter!
E o Zé Mayer que engravidou a Taís Araújo e a Giovanna Antonelli? Se houvesse antidoping de Viagra, a novela seria suspensa. Esse é o grito de guerra do Zé Mayer: "Ou Vai ou Viagra!". Rarará!
E um amigo meu estava chegando no Rio pela Dutra quando viu essa placa de humor negro: "Rio de Janeiro. Queimados. Siga Reto!".
É hoje! Vou ganhar na Mega-Sena! Se eu ganhar, desligo o celular e deixo o recado: "Não posso atender agora porque estou passeando de barco e a maré tá alta".
O que você faria se ganhasse na Mega-Sena? 1) Compro a Ilha de Caras. Convido todos os malas da TV. E cerco a ilha pra nunca mais encherem o saco. 2) Faço vasectomia. Não pago pensão nem pro cachorro. 3) Compro o passe do Cristiano Ronaldo pra ele bater um bolão lá em casa!
E ganhar na Mega-Sena é bom porque você não precisa nem fazer lipo, nem botar peito e nem tirar bunda. Você continua um bagulho, mas todo mundo quer transar com você. Não precisa encolher a barriga na hora de transar. UFA! Só isso já vale a aposta! E um cearense ganhou na Mega-Sena, chegou em casa animadérrimo e disse pra mulher: "Arruma tuas malas que eu ganhei na Mega-Sena". "Boto roupa de inverno ou de verão?" "As duas porque tu vai de vez." Rarará! É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: é duro, mas desce!
Antitucanês Reloaded, a Missão! Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que tem um amigo que chegou da República Tcheca e viu um papel higiênico chamado Grand Finale. Mais direto, impossível! Viva o antitucanês! Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula! O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Manada": um monte de mano em disparada, em direção ao jogo do Corinthians.
O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.

ANCELMO GÓIS

PETRÓLEO À VENDA

O GLOBO - 28/10/09


A petroleira norueguesa StatoilHydro pôs à venda 40% do Campo de Peregrino, na Bacia de Campos, do qual é a única concessionária.
O campo pertencia, originalmente, à canadense EnCana e à americana Anadarko, com 50% cada, até a StatoilHydro comprá-lo das duas. As reservas ali são estimadas em 500 milhões de barris. A produção deve ser iniciada em 2010.
LONGA AGONIA
A Flex, voadora miúda que sucedeu a velha Varig, atingiu seu pior momento de crise.
A empresa não paga o arrendamento de seu único avião há quatro meses. O que se diz é que o arresto é inevitável.
E MAIS...
Fala-se nas salas de embarque que a Varig velha corre o risco de falência próxima.
FILHO DO BRASIL
Virou questão de honra para a produção de “Lula, o filho do Brasil”, de Fábio Barreto, impedir que o filme seja pirateado.
Além de tudo que já se disse, o longa, com estreia prevista para 1 de janeiro, só terá duas cópias em rolo e nenhuma outra digital ou em vídeo. As duas terão uma marca impressa chamada “cap code” e só viajarão acompanhadas de seguranças.
NÃO SE MUDOU
Romário continua na cobertura do condomínio Golden Green, na Barra, leiloada em agosto para pagar dívidas.
O imóvel teria sido arrematado por amigos paulistas do Baixinho e, em seguida, cedido ao ex-jogador.
TEMPOS MODERNOS
Como o Hal do filme “2001, uma odisseia no espaço”, de Kubrick, a nova novela das 19h da TV Globo, “Tempos modernos”, de Bosco Brasil, terá um personagem computador.
Vai se chamar Frank e será dublado por Márcio Seixas.
LINCOLN DO PIAUÍ
Do senador Mão Santa, ontem, para os irmãos Álvaro e Osmar Dias, seus colegas e pré-candidatos ao governo do Paraná:
– De irmão para irmãos. Permitam-me lembrar Abraham Lincoln, que dizia que a casa dividida será facilmente derrubada.
ALIÁS...
Do mesmo Mão Santa, em tarde inspirada, lembrando o falecido senador ACM:
– Deus criou o mundo. Antonio Carlos Magalhães, a Bahia.
DEU NO ‘NY TIMES’
O “New York Times” voltou a falar mal de um aeroporto brasileiro (por que será?).
Depois de eleger o Galeão-Tom Jobim como “pior do mundo”, o “troféu abacaxi” do jornalão dos EUA, ontem, foi para Guarulhos, onde o empresário americano Steven Yankiver teria sido “roubado e maltratado”.
O MEDO DO CARIOCA
Pesquisa do Ibope com 1.358 cariocas, feita para a ONG Rio Como Vamos, mostra que o maior temor na cidade é o de balas perdidas.
“Qual situação mais mete medo no seu dia-a-dia?”, perguntou o Ibope. Resultado: “Bala perdida” (36%), “ser assaltado” (23%) e “sair à noite” (19%).
CHOQUE DE ORDEM
Rodrigo Bethlem, o secretário do Choque de Ordem do Rio, vai mirar nos vips.
Começou ontem um levantamento de puxadinhos nas coberturas da cidade. Vai dar três meses para os moradores se legalizarem. Depois disso, pretende derrubar as obras irregulares.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

DORA KRAMER

Parceiros indóceis

O ESTADO DE SÃO PAULO - 28/10/09


Primeiro foi o PMDB a dar um alto lá no PT, avisando que não aceitaria ser um parceiro submisso e reivindicando condições de igualdade nas decisões e na partilha dos bens eleitorais relativos à eleição de 2010. Ganhou a reserva da vaga de vice na chapa presidencial e a promessa de assento nobre na coordenação da campanha.

Agora é o DEM que não aceita o papel de figurante passivo na aliança com o PSDB, aderindo ao lema segundo o qual não basta se aliar, tem de participar. O partido não chega a ser tão exigente quanto o PMDB com o PT, mas quer um lugar ao sol.

Por exemplo, sendo ouvido sobre a data mais conveniente para o início da campanha propriamente dita e a definição explícita da candidatura. "O PSDB tem o direito de decidir quem será o candidato, mas não pode querer decidir sozinho quando começa a campanha", diz um dirigente.

A tensão existente entre os dois partidos da aliança oposicionista ficou visível quando o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia, deu uma entrevista ao jornal O Globo falando de sua preferência pela candidatura do governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

Esquisito, já que não apenas Rodrigo Maia, mas toda a cúpula do Democratas concorda que o candidato deve ser o governador de São Paulo, José Serra, independentemente da opinião pessoal de cada um sobre Serra.

O que, então, moveu o presidente do DEM? Basicamente, dois motivos: dar uma sacudidela na "pasmaceira" do PSDB e mostrar que quem fala pelo partido é o presidente, não o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab - leia-se também Jorge Bornhausen e companhia -, cuja movimentação andava desconsiderando a existência da direção formal.

E por que "sacudir" o aliado e afirmar posição de comandante do processo? Quatro são as razões. A primeira, pressão das sessões regionais aflitas por definir as candidaturas a governador e senador.

A segunda, arrefecer os efeitos da intervenção do grupo do PMDB liderado pelo ex-governador Orestes Quércia, que tenta convencer o PSDB a privilegiar alianças com pemedebistas nos Estados sob o argumento de que assim será mais fácil impedir a adesão do partido à candidatura de Dilma Rousseff.

A terceira, mostrar ao PSDB que ele não é o senhor de todas as conveniências políticas e eleitorais e que o DEM é um parceiro, não um serviçal. A quarta razão do esperneio de Rodrigo Maia guarda relação com a prevalência de Kassab na condição de ponta de lança da articulação serrista. Briga interna, portanto.

Uma das maiores divergências entre os dois grupos é que Rodrigo acha que a outra ala entregou os pontos muito cedo. Por exemplo, abrindo mão da vaga de vice sem negociar. Por isso, o presidente do DEM agora tenta fazer de conta que o partido reivindica o lugar.

Um jogo de cena semelhante ao que faz o PMDB quando alega que a "maioria do partido" prefere candidatura própria. Na verdade, o DEM trabalha mesmo é com a hipótese da chapa puro-sangue: Serra na cabeça e Aécio de vice.

Mas quer que Serra pelo menos internamente assuma a candidatura, defina uma coordenação de campanha, defina o discurso de campanha, tenha participação mais ativa na política nacional, trabalhe as alianças regionais, chame o governador de Minas para conversar para que, a partir daí, possa haver um trabalho de convencimento coletivo junto a Aécio Neves para fazê-lo aceitar concorrer a vice.

Não seria uma ofensiva com vistas a atrapalhar a vida de Serra. Mas sim com o objetivo de arrumar o quanto antes a vida do DEM, cujo destino mal ou bem, o partido admite, está nas mãos do PSDB. A possibilidade de enfrentar mais quatro ou oito anos de oposição hoje é o maior pesadelo dos democratas.

Como acham que Serra ganha a eleição, pressionam pela definição da candidatura já, com medo de que se repita o ocorrido em 2006 e, diante da hipótese de derrota, na última hora ele desista de ser candidato.

Data marcada

O ministro Marco Aurélio Mello está pronto para apresentar seu voto ao pedido de extradição do italiano Cesare Battisti, feito pelo governo italiano. Será no dia 11 de novembro, dois meses depois do pedido de vista apresentado por ele na sessão de julgamento do
Supremo Tribunal Federal quando a votação estava em 4 a 3 em favor da extradição.

No voto, que deverá empatar o julgamento deixando o voto de Minerva para o presidente do STF, Gilmar Mendes, o ministro Marco Aurélio discutirá dois pontos: a concessão do refúgio e o caráter terminativo da decisão do STF. Na visão dele, a palavra final seria do presidente da República.

Obituário

A Fundação Sarney, que anuncia sua extinção por falta de patrocinadores dispostos a ligar seus nomes àquela pessoa jurídica, padece de um mal benigno: absoluta falta de resistência à ação detergente da luz do dia.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Os atos falhos falam mais do que o discurso (de Dilma Rousseff)”
SENADORA MARINA SILVA (PV-AC), CRITICANDO A PRÉ-CANDIDATA PETISTA À PRESIDÊNCIA

ANTAQ NOMEIA ACUSADO EM PROCESSO NO TCU
O governo Lula se irrita com o Tribunal de Contas da União, mas bem que o TCU tenta ajudar. Em 2006, apurou indícios de irregularidades e aplicou multa no presidente do INSS, Carlos Bezerra, e em Glauco Alves Cardoso Moreira, procurador, dentre outros. Apesar desse “aviso prévio” do TCU, Moreira foi nomeado na calada do feriadão de segunda (26) procurador-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários.
SEM AVISO PRÉVIO
Há anos procurador-geral da Antaq, o respeitado Aristarte Gonçalves Leite Jr soube pelo Diário Oficial do dia 26 que havia sido substituído.
PLANTANDO, DÁ
Hugo Chávez avisou na TV venezuelana que Lula vai colher soja na Venezuela, cultivada com ajuda do Brasil. Se fosse plantar batatas...
MALA SEM ALÇA
Marta Suplicy tenta empinar a candidatura do Aloizio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo, de olho na vaga para o Senado. Está difícil.
PERGUNTAR NÃO DISCRIMINA
Tudo bem: foro privilegiado para o político não ser “perseguido” por uma autoridade. E quando uma autoridade persegue o cidadão?
O DIA EM QUE MINISTRO DE LULA ESCAPOU DA MORTE
Perdão, Mister Fiel, filme do jornalista Jorge Oliveira, escolhido para a mostra competitiva do Festival de Cinema de Brasília, chega às telas com depoimentos inéditos do presidente Lula e de pessoas como um ex-agente do DOI/Codi. Ele conta com detalhes como o atual ministro da Propaganda, Franklin Martins, escapou da morte quando estava com pessoas da resistência à ditadura em São Paulo, nos anos 70.
POR POUCO
Durante alguns minutos Martins esteve sob a mira das armas dos agentes da repressão, segundo depoimento de ex-sargento do Exército.
HISTÓRIA
O filme conta a historia do operário alagoano Manuel Fiel Filho, militante de esquerda, assassinado nos porões do DOI/Codi, em SP.
MULTIDILMA
Ex-guerrilheira e falsa doutora em Economia, a ministra Dilma agora também se diz “cozinheira” do PAC. Humm...
NOVO NOME?
Novo no Supremo Tribunal Federal, José Antonio Dias Toffoli sinalizou ontem, em seu primeiro despacho, como deseja ser chamado pelos colegas, advogados e funcionários do STF: ministro Dias Toffoli.
OJERIZA À CGU
A Controladoria-Geral da União quer fiscalizar as operações do BNDES com recursos públicos. Assim como a Petrobras, o banco nem quer saber de fiscalização, alegando ameaça de “quebra de sigilo bancário”.
LIXO DA HISTÓRIA
O Brasil vai demorar a recuperar sua reputação, mundo afora, após receber a visita, a convite, do presidente porralouca do Irã, Mahmoud Ahmadinejad – aquele que faz tudo para virar lixo nuclear da História.
O DIA DA CAÇA
Uma ONG sul-coreana quer levar o ditador da Coréia do Norte, Kim Jong-il, ao Tribunal Penal Internacional em Haia por crimes contra os direitos humanos. Logo agora que Lula abriu embaixada lá...
SUPERPROTEÇÃO
O novo advogado-geral da União, Luiz Adams, defendeu as viagens de Lula com a candidata Dilma em campanha, “porque eles não podem governar em uma redoma”. Já governam: nada acontece com eles.
UM DIA, QUEM SABE...
Há muitos mais mistérios do que supõe nossa estupefação, no assassinato do coordenador do grupo AfroReggae, deixado agonizante por PMs que o roubaram no Rio de Janeiro, dia 18.
QUESTÃO DE GÁS
Cotado para uma diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o professor Nivalde José de Castro encontra resistência, após dizer que as termelétricas não teriam preços competitivos.
SEM DÓ DO DÉ
Vereador de Barro Preto (BA), José Hélio dos Santos, o Dé, poderá ser condenado a multa por “propaganda antecipada”. Distribuía camisetas e espalhava que quer ser deputado estadual. E nem tem PAC por lá.
PENSANDO BEM...
no Brasil, certos partidos políticos são um eufemismo para “facção”.

PODER SEM PUDOR
FALTOU ‘SENSIBILIDADE’
O cargo de ministro da Cultura de Itamar Franco inflou o ego do diplomata José Jerônimo Moscardo de Souza, que certa vez achou de criticar a “falta de sensibilidade social” do ministro da Fazenda, Fernando Henrique. No dia seguinte, FHC topou com o espaçoso Jerônimo na antesala do presidente.
– Olá, meu querido! – exclamou o diplomata, de pouca sensibilidade política.
– “Meu querido” uma ova! – reagiu FHC – estou aqui pra pedir a sua cabeça!
Pediu e Itamar a entregou na bandeja: Jerônimo foi despachado para a Unesco. FHC não ficou satisfeito: já presidente, transferiu-o para Bucareste (Romênia), considerado o pior posto da diplomacia na Europa.

O VERME

QUARTA NOS JORNAIS

- Globo: Apreensão de crack sobe 542% em um ano no Rio


- Estadão: Bancos voltam a aumentar os juros


- JB: Rio seguro exige verbas urgentes


- Correio: Apagões em série irritam brasiliense


- Valor: Pacote de Lula tenta pôr fim à disputa do Código Florestal

terça-feira, outubro 27, 2009

AUGUSTO NUNES

VEJA ON-LINE

Sarney precisa saber que o abandono do local do crime não inocenta o criminoso

27 de outubro de 2009

O Brasil precisa reaprender a contar o caso como o caso foi, usar a palavra justa no lugar do eufemismo malandro e enxergar as coisas como as coisas são. Onde parece haver a Fundação José Sarney existe a fachada de uma organização envolvida em incontáveis bandalheiras. O que se apresenta como “impossibilidade de funcionamento” tem cara de queima de arquivo. Segundo o chefe do grupo, ”os doadores suspenderam suas contribuições pela exposição com que a instituição passou a ser tratada por uma parte da mídia”. Conversa de 171. Os parceiros fugiram antes que o camburão estacione no outro lado da rua.

Em junho, a pedido do Ministério Público Federal, a Justiça determinou a devolução ao governo maranhense do Convento das Mercês, expropriado ilegalmente e reduzido a refúgio de pecadores pela ”Madre Superiora”, alcunha que identifica Sarney nas suspeitíssimas conversas por telefone entre o filho Fernando e comparsas de alta patente, gravadas pela Polícia Federal. Em julho, foram reprovadas as contas relativas às movimentações financeiras de 2003 a 2007 e o Ministério Público do Maranhão decidiu intervir.

A Fundação vive de esmolas porque sempre fez questão de manter distância dos cofres públicos, atreveu-se a fantasiar a Madre Superiora sem chances no Dia do Juízo Final. É muito cinismo. Sobram provas materiais de que os diretores da Fundação desviaram fatias consideráveis de boladas extorquidas do governo estadual, do Ministério da Cultura, da Petrobras e da Eletrobras, fora o resto. Acumulam-se documentos que confirmam a chegada de quantias milionárias originárias de empresas fantasmas plantadas em paraísos fiscais no exterior por amigos de Sarney. Pouco importa se a Fundação vai encerrar ou não suas atividades. O abandono do local do crime não encerra o caso, não revoga a delinquência, nem inocenta o culpado.

Mais de nove meses depois dos primeiros achados nas catacumbas do Senado, José Sarney continua na presidência da Casa do Espanto, Pedro Simon desistiu de convencê-lo a largar o osso, Artur Virgílio já não acha intolerável a presença do chefão no centro da Mesa, Álvaro Dias não tem mais nada a investigar, Eduardo Suplicy trocou o cartão vermelho de juiz do Sarney pela cueca vermelha do Super-Homem, Aloízio Mercadante coleciona rendições em outras frentes, Romero Jucá e Renan Calheiros vão comemorar o reveillon em liberdade. A turma do pântano atravessou impune mais um ano. A oposição não se opõe. O Estadão continua sob censura.

Mas nenhum dos muitos crimes comprovados prescreveu. Os bandidos continuam bandidos, e o Brasil que presta tem o dever de seguir exigindo a punição dos fora-da-lei: a alternativa para a resistência é a capitulação. A dedetização judicial da Fundação deve ser só o começo do trabalho de saneamento moral. A ramificação mais lucrativa prospera longe do Convento das Mercês. Baseia-se no Ministério de Minas e Energia, chefiado pelo cúmplice Edison Lobão. O braço da Justiça deve ser estendido aos porões do Senado, do Judiciário e do ministério controlado por candidatos a um banco dos réus. Se tudo der em nada, o Judiciário terá institucionalizado a absolvição prévia dos pecadores da primeira classe.

A bandidagem federal esbanja autoconfiança por confundir maioria com unanimidade. Tratemos de lembrar-lhe todo o tempo que a espécie dos brasileiros honestos não foi extinta.

VINÍCIUS TORRES FREIRE

QUEM É BOM DE BOLHA

FOLHA DE SÃO PAULO - 27/10/09


FORA DOS EUA E EUROPA, CRESCE DEBATE SOBRE ALTA DE JUROS E DE MEDIDAS PARA CONTER RISCO DE NOVAS BOLHAS FINANCEIRAS


O MEDO DA BOLHA parece complicar por toda parte o debate sobre as "estratégias de saída" da crise. "Bolha" é o nome que se dá de modo impreciso e tentativo a aumentos rápidos e exagerados do preço de ativos como ações ou imóveis, altas que podem ser invertidas ainda mais rapidamente, detonando quebras em cadeia nos mercados.
"Estratégia de saída" é o clichê que nomeia medidas que terão por objetivo reduzir os estímulos às economias hecatombadas pela crise. Isto é, medidas como elevar juros e reduzir gastos do governo a fim de evitar danos devidos ao excesso de estímulo, como inflação de preços e ativos. Governos de diversos países alertam que seus bancos centrais não devem começar a apertar as cravelhas cedo demais, de modo a não abortar a recuperação econômica.
Mas as políticas fiscal (gastos públicos) e, em especial, monetária (de juros) muito frouxas podem não só resultar em inflação de preços de bens e serviços mas em inflação de ativos financeiros e correlatos ("bolhas", outra vez, embora ninguém saiba definir muito bem o que seja uma bolha, até que elas estourem).
Nas economias ainda deprimidas e mais assentadas como a dos EUA e da Europa, essa discussão parece menos intensa que no mundo dito emergente ou nos países mais periféricos. No Brasil, os alertas de fogo começaram no paiol da moeda e da Bolsa. Alhures, a fumaça aparece em lugares mais ou menos diferentes.
Mas é fumaça. O combustível, em toda parte, são políticas expansionistas de gastos e crédito, que têm seu efeito multiplicado pela vastidão de dinheiro barato que os EUA colocaram para rodar no planeta. Na Índia, os "analistas" locais dizem que a inflação está pegando, e que o BC indiano pode adotar medidas para conter a expansão de crédito bancário antes de começar a aumentar sua taxa "básica" de juros.
Na Austrália, na Coreia, em Hong Kong e na Noruega, os preços dos imóveis estariam subindo rápido demais, dada a oferta de crédito barato, dentro e fora do país (os australianos, os "primeiros do G20 a elevarem" os juros depois da crise, dizem que um dos fatores principais da alta de juros foi o mercado de imóveis aquecido demais).
Malásia e Tailândia interferem no mercado de câmbio a fim de evitar a supervalorização de suas moedas. Na vizinhança, há preocupação com o assunto, pois o yuan chinês afunda com o dólar, o que pode prejudicar as exportações e a retomada econômica.
Apesar do zum-zum-zum, há vasta divergência sobre os riscos e os meios de atenuá-los: 1) Pelo mundo, há "analistas" de bancos e consultorias para quem "os emergentes estão caros" (com preços exagerados para moedas, ações, imóveis etc.) e há quem diga o oposto, no mesmo dia, com as mesmas fontes de dados e usando os mesmos truques estatísticos; 2) Ainda há muita autoridade econômica e/ou monetária para quem não se deve tentar furar ou evitar bolhas com instrumentos como taxas de juros (uma arma sem mira para tal tipo de problema).
Mas há muita gente preocupada com bolhas. A relativa simpatia com que (lá fora) foi recebida a taxação de investimentos em carteira indica que algumas ligeiras heterodoxias podem vir a ser praticadas por aí. E algumas outras por aqui também.

O IDIOTA PREPARANDO UM DISCURSO

RUBENS BARBOSA

Assegurar mercados

O Globo - 27/10/2009


Uma das áreas que mais sofre os efeitos das profundas transformações que estamos vendo acontecer em todos os continentes é a da produção de alimentos.

A mudança de clima, as crescentes dificuldades do uso da água nas plantações, o aumento da população e da demanda mundial e a pouca disponibilidade de terra arável na maioria dos países são alguns dos fatores que influem na produção e no fornecimento de alimentos. Se acrescentarmos a isso a volatilidade dos preços das commodities, o gradual empobrecimento do solo, a forte presença da China no mercado e a decisão política de alguns países produtores, sobretudo asiáticos, de proibir a exportação de determinados produtos, como o arroz, temos um quadro realista das incertezas que afetam o setor agrícola mundial.

Fundos de investimento e bancos começaram a antecipar essa situação de potencial desequilíbrio global entre a oferta e a demanda de produtos agrícolas. Não apenas essas instituições financeiras, mas também governos, estão adquirindo terras em outros países, sobretudo na África, e também na Ásia e na América Latina, para a produção de alimentos com o objetivo de reduzir sua dependência da volatilidade do mercado mundial e das importações.

De acordo com o International Food Policy Research Institute, desde 2006 cerca de 20 milhões de hectares foram vendidos ou arrendados, a maior parte em nações pobres da África. Os principais compradores são países do Oriente Médio e da Ásia.

A América Latina, longe desses mercados, ainda está imune a essa tendência. Há mais interesse nos recursos minerais e energéticos, como mostram exemplos recentes de iniciativas da China ao comprar companhias produtoras de cobre e petróleo, do que na compra de terras para a produção agrícola, até porque, na maioria dos países desta região, a venda de terra para governos é proibida, como é o caso do Brasil.

Em virtude dos riscos envolvidos, a preferência crescente por parte dos fundos é por contratos de produção, em vez de compra de terra. Os investidores fornecem a tecnologia e o capital, enquanto os fazendeiros locais, trabalhando em suas próprias terras ou em terras arrendadas, produzem arroz ou trigo a preços fixados.

No Brasil, 75% da produção de frango e 33% da de soja são feitos com base nesses contratos.

Resta saber como essa tendência vai evoluir no futuro. Será uma nova forma de colonialismo? Como reagirão as populações eventualmente deslocadas de seu habitat por companhias estrangeiras produtoras de alimentos? Como reagirão os governos desses países se houver escassez interna de alimentos, enquanto terras produtivas são utilizadas para a exportação? Caso essa tendência se firme e tenha impacto sobre a demanda global, qual o efeito sobre a exportação de produtos agrícolas brasileiros? Se houver um planejamento adequado, essa situação crítica poderá ser aproveitada por países como o Brasil para assegurar contratos a longo prazo em mercados como o do Oriente Médio ou da China, mediante joint ventures com empresas nacionais para produzir o que for demandado por países dessas duas regiões.

Grupos nacionais poderiam associarse a empresas de fora para plantar alimentos ou desenvolver a pecuária para a exportação casada com investimentos no Brasil.

O setor agrícola brasileiro, tão competitivo e com tanta perspectiva de expansão, não pode observar passivamente essas tendências sem, de alguma forma, planejar as próximas décadas. Essa nova forma de negócios é tanto mais perigosa para o Brasil quando se sabe que nossa produção agrícola pode continuar aumentando, mas a infraestrutura (estradas, ferrovias, portos) continua insuficiente, sem muita perspectiva de mudança no médio prazo.

Temos que começar a pensar como assegurar mercados, de forma estável, em um mundo em constante mutação. Valeria a pena explorar a possibilidade de combinar, por exemplo, investimento externo em infraestrutura (portos), com contratos de longo prazo para fornecimento de produtos agrícolas.


RUBENS BARBOSA é consultor de negócios e presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp.

FERNANDO DE BARROS E SILVA

PMDB no paraíso

FOLHA DE SÃO PAULO - 27/10/09



SÃO PAULO - Não haverá mais verticalização nas eleições do ano que vem. Isso significa que um mesmo partido poderá estar com o PT na esfera federal e com o PSDB nos Estados que bem entender, ou vice-versa. O PMDB continua sendo o exemplo mais didático de como, na política brasileira, é possível ser fiel a Jesus e a Judas ao mesmo tempo.
Se o contrato de gaveta que assinou há dias com o PT vingar, o PMDB de Michel Temer estará associado à candidatura de Dilma Rousseff. Ao mesmo tempo, em São Paulo, se a aliança local for adiante, o PMDB de Orestes Quércia estará com o PSDB, apoiando o candidato ao governo de José Serra -eventualmente, o próprio Serra.
Assim, às terças, quintas e sábados, dias de campanha na TV para presidente e deputado federal, o PMDB estará exaltando os feitos do governo Lula. Às segundas, quartas e sextas, dias reservados a candidatos a governador, senador e deputado estadual, o mesmo PMDB estará dizendo que a experiência tucana em São Paulo é um sucesso e o PT representa apenas o retrocesso.
Há quem defenda que esse tipo de liberdade de alianças evita o engessamento artificial do sistema político num país de fato tão heterogêneo. Talvez sim, mas é também uma situação que, multiplicada território afora, vem exprimir a debilidade programática e/ou ideológica dos partidos brasileiros. E não é à toa que o PMDB aparece como grande beneficiário de um arranjo legal que lhe permite coligar-se ao poder central (a Lula, no caso) sem nenhum impedimento para suas várias conveniências regionais.
O maior pecado do sistema eleitoral tem sido a constante mudança das regras do jogo. Pior: ao cabo de tantas voltas e reviravoltas nos últimos anos, o ativismo judiciário terminou por consagrar uma fórmula que serve aos interesses tanto do governo (que pôs o PMDB no bolso) como do PMDB, que continua como sempre esteve nos últimos 25 anos, desde José Sarney: no poder e na oposição ao mesmo tempo.

GOSTOSA


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TODA MÍDIA

Outros consensos

NELSON DE SÁ

FOLHA DE SÃO PAULO - 27/10/09


John Williamson, que cunhou o Consenso de Washington, colega de Pedro Malan, publicou no "Financial Times" o artigo "O Fundo deveria ajudar o Brasil a conter as entradas" de capital (pág. B6). Em suma, defende que o FMI mude sua "abordagem intelectual" e se adapte ao "fim de uma era", anunciado pela ação "substantiva e simbólica" do Brasil.

Depois dos australianos, também o turco "Hurriyet Daily News" publicou análise sobre a medida com que "o Brasil roubou toda a atenção, abrindo debate não só sobre se vai funcionar, mas se outros vão seguir". Lamenta que a Turquia não pode, por estar de mãos atadas, dependente de capital externo e sob risco de elevar juros, ao contrário do Brasil.

Fim do dia, por Valor Online e Brasil Econômico, Bolsa "surpreende" e se "descola da cena externa" de Wall Street, com ou sem a taxação.

ORA FMI, AMEAÇA "WSJ"
O "Wall Street Journal" se voltou em editorial contra conceder mais poder aos "políticos de Pequim e Brasília" no Fundo, como vem negociando o G20.
Questiona não serem "credores de longo prazo" no FMI, como os EUA. Diz que o Fundo "não é uma democracia" e, "se for para virar um banco da ONU, os contribuintes americanos devem parar de pagar por ele". Afinal, "com o FMI de antigamente pelo menos se podia contar na hora de apoiar os interesses geopolíticos do Ocidente".

COMO INVESTIR
O "Telegraph" ouve consultor para avisar que "as empresas planejando entrar no Brasil vão se chocar com a força dos fornecedores locais". Sugere "parcerias" na "corrida pela Copa e pelos Jogos"

ARMAS AOS BRICS
UPI e sites de defesa destacam que um novo estudo "sugere que Brasil, Rússia, Índia e China vão virar líderes econômicos de grande potencial para empresas de defesa" em busca de "oportunidades".

A HORA DE SAIR
O "Los Angeles Times", em editorial, diz que os presidentes da América Latina ainda precisam "saber quando sair". Critica Álvaro Uribe e Hugo Chávez e afirma que "deveriam seguir os modelos maravilhosos de Lula e Michelle Bachelet, que respeitam seus mandatos apesar da popularidade".

O FIM DO MUNDO
Ken Auletta, da "New Yorker", lança no dia 3 "Googlado: O Fim do Mundo como Nós o Conhecemos" (Penguin), em que descreve a revolução que atingiu "jornais, livros, TV, cinema, telefonia, publicidade e a Microsoft". Para divulgação, ele adianta na nova "Fortune" as "dez coisas que o Google nos ensinou", por exemplo, "A paixão vence"

CNN, A ÚLTIMA OU A MAIOR
No "New York Times", "CNN cai para o último lugar entre os canais de notícia", em audiência nos EUA. A emissora "que inventou os canais de notícia" ficou atrás de Fox News, MSNBC e da HLN, antiga Headline News _que é produzida pela própria CNN.
Em blogs de mídia como Romenesko, a notícia negativa era contrastada ontem com um outro levantamento, que deu a CNN como "de longe a maior do Twitter", com seis milhões de seguidores, capitaneados por sua página de "Breaking News", que só perde para celebridades como Ashton Kutcher e Britney Spears.

A PIOR DA HISTÓRIA
No Radar de Lauro Jardim, o "Fantástico" teve "a pior audiência de sua história". No blog de Daniel Castro no R7, até a audiência consolidada foi "a pior de todos os tempos". Na coluna de Ricardo Feltrin no UOL, "a recuperação se tornou obsessão da cúpula da Globo", que vai "reformar" o programa.

JORNAIS EM QUEDA
Por "NYT" e outros, "Circulação de jornais nos EUA cai 10%". E o "USA Today" perdeu o primeiro lugar para o "WSJ", mas "é um dos poucos a vender assinaturas on-line, que contam na circulação total". A reportagem do próprio "WSJ" sublinha que seu crescimento de 0,6% se deve às assinaturas do site.

CARLOS ALBUQUERQUE

Mudanças de hábito

O GLOBO - 27/10/09


Ação pessoal contra aquecimento é mais eficaz do que imaginado



Contra as transformações no clima, mudanças caseiras.

Um estudo realizado nos Estados Unidos mostrou que pequenas ações individuais — como não deixar aparelhos em modo standby e trocar regularmente os filtros de ar do carro — são mais importantes do que se imaginava. Segundo a pesquisa, a implementação em larga escala de tais atividades, se acompanhada por intensas campanhas de divulgação, poderia ser capaz de reduzir anualmente as emissões domésticas de CO2 nos EUA em mais de 20%.

Esse valor faria com que o país — historicamente o maior poluidor do mundo — tivesse uma diminuição total de emissões de aproximadamente 7,4% num período de dez anos. O número é superior às emissões totais de um país como a França.

Para os autores do estudo, publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS), tais ações poderiam ser adotadas em curto prazo, com a utilização de tecnologias já existentes e sem “reduções no bem-estar individual”.

Com isso, as autoridades mundiais — que se reúnem em dezembro, em Copenhague, para discutir um novo acordo para substituir o Protocolo de Kioto, válido até 2012 — poderiam ganhar mais tempo para desenvolver políticas de médio e longo prazo para combater o aquecimento global.

Estudo toma EUA como referência

Nos EUA, o uso doméstico de energia respondeu, em 2005, por 38% das emissões de CO2 do país.

As emissões totais americanas (20% do total mundial) só são superadas pelas da China (que responde por 22% das emissões globais de CO2).

“Nós nos concentramos nos EUA não apenas por serem grandes poluidores, mas também por possuírem conhecimento e potencial para reduzir rapidamente essas emissões”, afirmam os autores, que estimam que boa parte desse total de reduções pode ser atingido nos primeiros cinco anos.

No estudo, liderado por Thomas Dietz, do Departamento de Sociologia e Ciências Ambientais da Universidade de Michigan, foram estimados os efeitos de 17 tipos de ações domésticas para reduzir as emissões, “com custo quase zero”. Eles consideram também a capacidade de mobilização e adesão da população americana, baseandose em iniciativas anteriores, como as tomadas no país durante a crise de energia nos anos 70.

Entre essas ações, estão o ajuste dos equipamentos de ar condicionado e calefação, o uso de geladeiras com certificação energética (que consomem menos). Ainda em casa, secagem de roupa ao ar livre em vez do uso de máquinas e até mesmo — para os consumidores abastados como os americanos — a opção por televisores LCD em vez dos aparelhos de plasma.

No carro, trocas regulares de óleo e manutenção da pressão dos pneus são recomendadas, além de ações ao volante, como moderação na velocidade e redução de manobras bruscas, como freadas desnecessárias, que aumentam o consumo de combustível.

Para os pesquisadores, tais ações deveriam ser incentivadas pelo governo através de grandes campanhas de marketing, para garantir a mobilização dos mais avessos. Segundo eles, uma grande oportunidade foi perdida durante o recente pacote de incentivo à economia do governo, que teria subestimado os ganhos da participação popular na redução de emissões do país.

O estudo afirma que tais medidas poderiam ser adotadas também por países como Canadá e Austrália, que possuem um perfil energético similar ao dos EUA. Metade de tais valores poderia ser alcançado também pelos países da União Europeia e pelo Japão, onde o consumo doméstico de energia é bem menos intenso e mais eficiente do que nos EUA.

Porém, um relatório, feito pelo Deutsche Bank, diz que interessados em negócios ligados às mudanças climáticas devem evitar os EUA e investir em países como Alemanha, Austrália, Japão, Brasil e até mesmo a China. Segundo o documento, divulgado ontem, tais países têm políticas “claras e transparentes” nas áreas de energia renovável e eficiência energética. A política americana para o setor foi considerada indecisa pelo relatório, que aponta a Itália como o país mais arriscado para tais investimentos.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO


EDSON LUIZ E IZABELLE TORRES

ELES GASTAM, NÓS PAGAMOS

SIGILOSOS E CADA VEZ MAIS ALTOS

Correio Braziliense - 27/10/2009


Nos nove primeiros meses deste ano, o Planalto gastou quase 10% a mais com cartões corporativos em relação a 2008


Despesas relativas à segurança do presidente Lula, do vice e dos familiares são protegidas de qualquer fiscalização de órgãos do governo federal


Os gastos sigilosos da Presidência da República com cartões corporativos cresceram, em 2009, 9% em relação a todo o ano passado. Até setembro, o Palácio do Planalto desembolsou R$ 5,3 milhões com esse tipo de pagamento, cerca de R$ 1,5 milhão a mais que em 2008. As despesas são inferiores a apenas outros dois anos. Os gastos, que correspondem basicamente à segurança do presidente, seu vice e familiares, não sofrem nenhum tipo de fiscalização dentro do governo. Apesar do aumento identificado na Presidência, a Controladoria-Geral da União (CGU) afirma que houve uma redução no uso do cartão corporativo.

Os dados sobre as despesas com o cartão corporativo começaram a ser conhecidos a partir de 2002. O uso do instrumento pela segurança presidencial ou órgãos de informações do governo, entretanto, é secreto — ou seja, não detalha onde e como foram realizados os gastos. Apesar de ser ligada ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) tem suas despesas contabilizadas fora do Palácio do Planalto. Este ano, a Abin gastou R$ 4,5 milhões em missões sigilosas, cujos valores correspondem a quase R$ 2 milhões a menos que no ano passado. Juntos, a Presidência e a agência consumiram R$ 9,8 milhões. O maior valor já destinado para a Abin foi em 2007, durante a realização dos Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro: R$ 11,5 milhões.

Os gastos da Presidência da República este ano só são inferiores a 2003 e 2004, quando as despesas totalizaram R$ 5,6 milhões e R$ 6,4 milhões, respectivamente. A média de desembolso do Palácio do Planalto, nos últimos oito anos, é de R$ 4,6 milhões. Segundo fontes da área de fiscalização do governo, uma das justificativas para o crescimento no uso do cartão corporativo são grandes cerimônias, como um encontro que o presidente Lula teve em dezembro do ano passado — as despesas foram contabilizadas em janeiro de 2009 —, com chefes de Estado do Mercosul, Unasul e Grupo do Rio, na Bahia. No caso, o país que recebe dirigentes de outras nações arca com os custos do evento.

Segundo o secretário-executivo da CGU, Luiz Navarro, o governo esperava um crescimento no uso dos cartões em outros órgãos da administração pública com a limitação em 30% dos saques na boca do caixa, mas ocorreu o contrário. “O aumento era natural, mas as comparações mostram que há uma normalidade nesse tipo de pagamento”, diz Navarro. Segundo ele, nos últimos meses, a CGU não tem recebido denúncias sobre irregularidades e os gastos anormais são checados. “Quando acontece, por exemplo, de despesas em finais de semana, fazemos uma apuração para averiguar o que houve.”

Para a oposição, o crescimento no uso dos cartões corporativos vai de encontro a outras determinações de Lula, que atingem diretamente a população. “Esta é a forma de governar do presidente. Enquanto aumenta gastos sigilosos, ameaça atrasar a devolução do Imposto de Renda dos brasileiros e retarda o repasse do Fundo de Participação dos Municípios” diz o líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN). “Um comportamento absurdo que estamos constatando a cada dia”, acrescenta.

Deslocamento
As despesas realizadas com o cartão corporativo pela Presidência da República são basicamente da segurança de Lula, José Alencar e de seus familiares, tanto em Brasília, quanto nos locais onde eles residem ou estejam em deslocamentos. Os gastos variam de aluguel, abastecimento ou manutenção de veículos, compras emergenciais ou refeições dos agentes. Também se utilizam dessa forma de pagamento seguranças à disposição de ex-presidentes da República e parentes próximos.

A CGU não pode controlar o uso do cartão quando os gastos são sigilosos, mas se houver alguma anormalidade, o caso é analisado pela Secretaria Federal de Controle (SFC). Além da Abin e da Presidência, também são secretas as despesas da Polícia Federal e das áreas de inteligência das Forças Armadas.

BRASÍLIA - DF

Contratos de mineração


Correio Braziliense - 27/10/2009




O Ministério de Minas e Energia não sabe como tratará, no novo marco regulatório da mineração, as empresas que detêm direitos sobre reservas minerais mas não as exploram. Uma hipótese em estudo é adotar o novo modelo, que será discutido hoje no ministério, e conceder prazo de 35 anos para a concessionária fazer a extração nas reservas. Recentemente houve um precedente: o governo cassou a concessão de uma mina que estava fechada. As mineradoras são contra a mudança.

A dúvida da equipe do ministro Edison Lobão é se a nova regra poderia ser estendida às concessões antigas, que não têm prazo de exploração, como forma de forçar as mineradoras a explorar suas reservas que permanecem intocadas. Uma análise jurídica foi encomendada para avaliar essa possibilidade. O contrato da Vale com a Petrobras, para exploração de mina de potássio de Taquari-Vassouras, em Sergipe, serve de “case” para o novo modelo.

Fertilizantes

Há, por exemplo, um forte lobby do agronegócio brasileiro para que o ministério casse licenças de mineradoras donas de reservas de potássio e fosfato. Os minerais são a matéria-prima na fabricação de defensivos agrícolas, que hoje são importados e têm custos que flutuam com os humores do dólar. O agrominério, ao contrário do minério de ferro, está com preço ascendente no mercado mundial de commodities. O Brasil exporta agrominério e importa fertilizantes.

Miragem

Deputados familiarizados com a Comissão Mista de Orçamento enxergam nas manobras do governo para inflar a arrecadação de 2010 uma jogada para encaixar as emendas coletivas parlamentares na proposta. Mas desconfiam dos números porque não há garantia de arrecadação de boa parte do dinheiro extra, caso de R$ 6,4 bilhões em depósitos judiciais. Neste ano, as emendas somaram R$ 15 bilhões

Provocação

Há 45 dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouviu, numa reunião do conselho político, que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), apoiou a regulamentação da Emenda 29 quando era ministro da Saúde, ao contrário do atual ministro, José Gomes Temporão. Agora, a turma de prefeitos e deputados que bate bumbo pelos recursos extras para o SUS e quer a regulamentação da emenda na Câmara voltou a repetir a comparação.

Alianças



Apesar da virtual aliança do PDT à candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a senadora cearense Patrícia Saboya (foto) pode não acompanhar a orientação partidária nas eleições. Ela avisou ao presidente licenciado do partido e ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que pode se afastar da legenda para apoiar o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), seu ex-marido, caso ele dispute a Presidência da República.


Rebeldes



Desde a semana passada, quando se reuniu com os presidentes e relatores das comissões especiais que apreciam os projetos do pré-sal, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (foto), do PMDB, e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), tentam enquadrar os relatores dos projetos de partilha do pré-sal, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e da capitalização da Petrobras, João Maia (PR-RN), para evitar grandes mudanças nos projetos. Os dois agiram com autonomia maior do que o governo esperava. Um quer aumentar os royalties de 10% para 15%; o outro, permitir que os trabalhadores acionistas comprem novas ações com dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Elite/ O aumento do salário inicial da Polícia Militar do Distrito Federal aprovado pela Câmara dos Deputados na semana passada, que passou a ser de R$ 4 mil, exacerbou as demandas das corporações de outros estados. No Rio de Janeiro, ex-capital da República, em guerra com o tráfico de drogas nos morros, um policial militar ganha um salário inicial de R$ 900. Em São Paulo, estado considerado o mais rico, o salário é de R$ 1.580.

Candango/ O deputado Ciro Gomes (PSB), que lidera as pesquisas de opinião para a sucessão de Lula em Brasília, vai reunir a militância socialista na quinta-feira, às 19h, no Teatro Dulcina, no Plano Piloto. Candidato a presidente da República, Ciro opera uma sinuosa aproximação com o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz, mas enfrenta resistência dos colegas de partido.

Teatro/ O ex-senador Saturnino Braga foi eleito presidente do Instituto Casa Grande, entidade que administra o famoso teatro de mesmo nome, na Rua Afrânio de Mello Franco, no Leblon. Templo da resistência cultural e democrática durante o regime militar, o Teatro Casa está ameaçado de privatização pela empreiteira que construiu um shopping na área, após acordo entre o governo do Rio de Janeiro e a antiga direção do teatro, devidamente sacramentado pela Assembleia Legislativa.

Clima

Assunto que deve entrar na pauta legislativa é a mudança climática. Os líderes do PT, Cândido Vaccarezza (SP), e do PSDB, José Aníbal (SP), além do vice-líder do PPS, Arnaldo Jardim (SP), afinaram a viola em relação à agenda da Câmara para a questão ambiental, durante café da manhã, ontem, em São Paulo.