quarta-feira, outubro 21, 2009

FERNANDO CALAZANS

Os esquecidos

O GLOBO - 21/10/09


Petkovic veio fazer um favor ao futebol brasileiro. Não ao nosso maior campeonato, não ao enfraquecido futebol do Rio, não ao Flamengo — mas ao futebol brasileiro e aos observadores do futebol brasileiro. Aos 37 anos de idade, por incrível que pareça, um sérvio vem ensinar aos brasileiros — jogadores, técnicos, dirigentes, jornalistas — que jogador de futebol tem que saber jogar futebol.
Simples assim, não é?
Eis a sua lição, com a mesma simplicidade do futebol que ele pratica. Isso num momento em que — como já observou muito bem um craque e um crítico do porte de Tostão — os brasileiros estão desaprendendo a analisar futebol, desaprendendo a ver um jogo de futebol, desaprendendo a apreciar o futebol, principalmente o bom futebol. Estamos esquecidos.
E isso é triste, num país que já teve alguns dos melhores times de futebol do mundo, que já teve algumas das melhores seleções de futebol do mundo, que já foi cinco vezes campeão de futebol do mundo.
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À medida que a imprensa, a mídia, desaprende a apreciar o bom futebol, ela vai ensinando errado à garotada que está entrando no estádio pela primeira vez. E o brasileiro vai esquecendo o que é e o que foi seu futebol. E a gente corre o risco de ter o Diego Souza ou o Adriano como craque de um Campeonato Brasileiro (para não falar em Tardelli, em Souza ou não sei mais quem). E a gente corre o risco de ter um Palmeiras, um Atlético-MG, um São Paulo, um Inter e mesmo um Flamengo ou um Cruzeiro como campeão deste campeonato em que até os líderes fracassam em casa ou fora dela.
É o Campeonato Brasileiro dos fracassos. Quem fracassar menos será o campeão. E é isso o futebol brasileiro, pelo menos o daqui de dentro. Se este campeonato ainda tem favorito, para mim continua sendo o Palmeiras — este Palmeiras que não vence há três rodadas, que nos últimos três jogos somou um ponto só, este Palmeiras que perdeu de 3 a 0 para o agonizante Náutico na casa do adversário e que perdeu de 2 a 0 para o Flamengo em sua própria casa. Eis o meu favorito para o título de campeão brasileiro de 2009.
E o que tem o Pet com isso? Aos 37 anos, repito, Petkovic reapareceu no futebol brasileiro, ressurgiu do nada, para nos fazer lembrar o que é futebol, o que é jogar futebol.
E não vai aqui nenhum oba-oba, eu que não sou disso. Petkovic passa longe da lista de maiores jogadores que vi ao longo de muitos anos de estrada e de estádio. Passa longe. Não tenho ideia se, com quase 40 anos, ele vai continuar jogando como jogou contra o Palmeiras. Nem tenho ideia se o Flamengo vai continuar vencendo, por causa dele ou não. Não tenho ideia se Petkovic vai continuar reaparecendo, ressurgindo, ou se vai desaparecer para sempre.
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Eu sei que Petkovic voltou simplesmente para nos lembrar de que jogador de futebol tem que saber jogar futebol. Eis a diferença — simples e única, única e simples — entre ele e os outros jogadores deste Brasileiro. Petkovic sabe jogar futebol. O ato de jogar é simples para ele, é corriqueiro. Não precisa distribuir cotoveladas na cara dos adversários, como vemos em todos os jogos, todas as disputas.
Para Petkovic, é ele e a bola. É o que basta para jogar futebol. A simplicidade do drible, do toque, do passe, do chute. Mas atenção, hein: é simples só para quem sabe. Para quem não sabe, como vemos rodada após rodada, é uma complicação danada.
Só não sei se essa lição tão simples de Petkovic — simples como ele e como seu futebol — será compreendida por todos, jornalistas, dirigentes, técnicos e jogadores. Entre os nossos observadores, há, sim, quem possa entender e interpretar a mensagem do Pet. Mas não são muitos.

GUERRA CIVIL

PAINEL DA FOLHA

Lipoaspiração

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 21/10/09

No relatório que apresenta hoje em comissão especial da Câmara, Antonio Palocci (PT-SP) deve estabelecer que apenas os rendimentos do fundo do pré-sal serão usados em programas sociais. Dessa forma, dará um caráter híbrido ao mecanismo, que passará a ter algumas características de fundo soberano.
O relator está decidido a vetar o uso do dinheiro do fundo para gastos de custeio. Diante de mais de uma centena de emendas que desvirtuavam a aplicação dos recursos, o ex-ministro da Fazenda acolheu somente o pleito de incluir a saúde entre as áreas beneficiadas. Mas o relatório não vai definir o critério de divisão entre cada uma das áreas.



Porta-voz. No almoço de caciques peemedebistas para preparar o jantar de ontem com Lula, coube ao deputado Eduardo Cunha defender que o acordo de apoio à candidatura de Dilma Rousseff inclua a exigência explícita da vaga de vice para o partido.

Toco. De um deputado de Minas sobre o assédio do PT e do PSDB ao ministro das Comunicações, pré-candidato do PMDB ao governo: "Hélio Costa é um lápis de duas pontas que está ficando pequenininho de tanto ser apontado".

Na mesma. A despeito da agitação dos últimos dias, continua quase tudo igual entre os tucanos: Aécio Neves pede que o candidato a presidente seja definido até dezembro, José Serra quer levar a decisão para março e, por ora, nenhum dos dois acena com solução intermediária.

Curto-circuito. Se há algo de novo, é a utilidade para Aécio do fio desencapado em que se transformou o presidente do DEM, Rodrigo Maia, que agora atira em Serra um dia sim e outro também.

Passa em casa. O jogador Ronaldo esteve há uma semana no apartamento de FHC em São Paulo. O ex-presidente e o Fenômeno haviam se encontrado em setembro no lançamento do Espaço Minas Gerais. Comentaram que eram vizinhos em Higienópolis e ficaram de tomar um café, que acabou virando jantar. Ronaldo foi com a mulher, Bia Antony, que FHC achou "inteligente e simpática".

Virou moda. O TCU colocará no ar até janeiro um blog para, segundo o presidente do tribunal, Ubiratan Aguiar, dar sua versão dos fatos diante da onda de críticas do governo.

Cofrinho. Depois de elevar de R$ 5 para R$ 15 o valor da anuidade paga pelos filiados, o PT conseguiu arrecadar R$ 1,8 mi para organizar as eleições internas, em novembro.

Voo livre. Após avisar que concorreria ao Senado, Blairo Maggi (PR-MT) enviou ontem recado ao Planalto, por meio do deputado Carlos Abicalil (PT), de que passará a cadeira a seu vice, Silval Barbosa (PMDB), até dezembro. Segundo aliados, ele tem chance de herdar um ministério.

Suplentes. A bancada ruralista tem uma lista extra com mais de 30 nomes que topam apoiar a CPI do MST "em último caso". Trata-se de um grupo de governistas que teme represálias tanto do Planalto quanto de sua base, os produtores rurais. O DEM enviou a relação de signatários para as federações agrícolas.

E o salário... Recém-filiado ao PSC, o senador Mão Santa (PI) agora anda com um recibo a tiracolo para se queixar do valor que recebe da aposentadoria de médico. Ontem, foi parar no Twitter: "É uma vergonha. Depois de 43 anos de exercício da medicina, R$ 3.011 mensais".

Pastel de Belém. Para assumir em definitivo a direção-geral da Abin, o nome de Wilson Trezza ainda precisa ser sacramentado pelo plenário do Senado. Ao invés de peregrinar pelos gabinetes como fizeram os recém sabatinados José Múcio e José Antonio Dias Toffoli, Trezza viajou à trabalho para Portugal.

Tiroteio

"Se 100% da legislação ambiental pretendida entrasse em vigor, o Brasil passaria a ser importador de produtos agrícolas."

Do ministro da Agricultura, REINHOLD STEPHANES , sobre a pressão de ambientalistas para evitar concessões a ruralistas no decreto que fixa o prazo de 11 de dezembro para regularização de terras no país.

Contraponto

Meu nome não é Johnny

Ao abrir uma recente reunião da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, o ex-petista e neotucano Flávio Arns (PR) recomendou expressamente aos colegas de plenário que não pronunciassem o nome completo do ministro da Cultura, João Luiz da Silva Ferreira.
-Ele pediu que a gente não diga João Luiz, e sim Juca. Juca Ferreira- informou Arns.
O senador fez questão de explicar por que estava tão empenhado em atender à solicitação do ministro, arrancando risos dos presentes:
-É que somente a mãe o chama de João Luiz...

RUY CASTRO

A fleuma e a fé

FOLHA DE SÃO PAULO - 21/10/09

RIO DE JANEIRO - Sir Craig Reedie, influente executivo britânico do Comitê Olímpico Internacional (COI), não se impressionou muito com os acontecimentos de sábado no Rio. Para ele, a tragédia ocorrida em Londres a 7 de julho de 2005, um dia depois da escolha da cidade como palco da Olimpíada de 2012, foi pior.
Naquela manhã, quatro homens-bomba ligados à Al Qaeda atacaram os transportes de Londres, explodindo três composições do metrô e um ônibus chope-duplo, matando 52 pessoas e ferindo 700. Era um aviso para que as tropas inglesas se retirassem do Iraque. Duas semanas depois, o imigrante brasileiro Jean Charles de Menezes, confundido com um terrorista, foi morto pela Scotland Yard com 12 tiros na cabeça, no mesmo metrô.
A capacidade de Londres para organizar a Olimpíada não foi posta em dúvida por causa disso. Os nativos continuaram pigarreando, tomando cerveja quente e apostando em corrida de cachorro. A fleuma inglesa pode vir da memória de que não havia grande cidade mais pobre, suja e insegura do que Londres nos séculos 18 e 19 -e, apesar de tudo, sobreviveu-se. Mesmo na 2ª Guerra, com bombas caindo sobre suas cabeças, os londrinos iam ao teatro para rir com "Blithe Spirit", uma comédia de Noël Coward.
Por sorte, ou por falta de, não temos esta fleuma e tendemos a nos desesperar diante de tudo de ruim que acontece em nossas cidades. O Rio tem um problema, certo. Que não é só dele, mas do país -e é bom que vingue logo essa consciência, para o bem do próprio país.
Sir Craig gostaria de saber que, nesta segunda-feira, em Vila Isabel, a poucos metros da área do conflito, calceteiros cariocas refaziam os desenhos de notas musicais com pedras portuguesas que enfeitam as calçadas do boulevard 28 de Setembro. Não é fleuma, mas fé.

GOSTOSA

JOSÉ SIMÃO

Rio 2016! Vou pegar na tua tocha!

FOLHA DE SÃO PAULO - 21/10/09


Já dizem que o povo vai cheirar aquele pó branco que os ginastas passam na mão


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
Olha o que o Rubinho falou no programa do Galvão Urubueno: "Meu avô foi VICE-CAMPEÃO mundial de bocha". Então é genético. O problema do Rubinho é genético! E se o avô do Rubinho foi vice-campeão de bocha, quem foi o campeão? O avô do Schumacher?
E o Joel Santana foi demitido. Aliás, ele ainda nem sabe que foi demitido. Porque foi demitido em inglês: "You are fired!". ""O quê? Eu tô pegando fogo?" Rarará! E o site Éramos Seis disse que agora o Joel Santana pode se dedicar a uma nova profissão: LESSIONA-SE INGRÊIS! Ou então virar intérprete do Lula. Ou então ser o tradutor do hino da Vanusa para o inglês! Eu adoro o ingrêis do Joel Santana! Money que é good nóis non háve! E diz que ele instruía os africanos em ingrêis. Por isso que foi demitido: "Mais happy days que o jogo tá muito morning". Mais rapidez que o jogo tá morno. "E agora que fui demitido eu já vou windows." Rarará! E o Rio 2016? Já tão dizendo que o povo vai cheirar aquele pó branco que os ginastas passam na mão. Que um grupo funk vai lançar o hit "Vou Pegar na Tua Tocha e Você Põe na Minha Pira".
E as pontes interditadas na marginal Tietê? Carro vai pagar IPTU. Como bem imóvel. Já imaginou chegar no aeroporto? Aeroparto. Vai ser um parto chegar no aeroporto. E na rodovia Ayrton Senna então. Você anda como o Rubinho para chegar na Ayrton Senna. Proponho um kit engarrafamento: geladeira de isopor, jujuba, carregador de celular, esmalte, lixa e uma "Playboy" no porta-luvas. E o Ciro Botelho criou o kit Ai Que Vergonha: camiseta do Fluminense, a cueca vermelha do Suplicy, um DVD com o Joel Santana falando inglês e um boné do Rubinho! É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Santarém, no Pará, tem um balneário chamado Tira Ressaca. E ao lado uma placa: "Ponte sobre o Igarapé Sonrisal". Rarará! Mais direto, impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Engarrafamento": engavetamento de garrafas na marginal. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

ANCELMO GÓIS

País do diploma

O GLOBO - 21/10/09


Acredite. Entre os inscritos para o concurso de gari da Comlurb, a estatal carioca do lixo, 45 têm doutorado; 22, mestrado; 1.026, nível superior completo; e 3.180 chegaram a cursar faculdade, mas não concluíram.
De 7 de outubro até ontem, 109.193 pessoas se inscreveram para a prova.
MAS...
O concurso não exige nem ensino fundamental completo, e a prova é só de esforço físico.
O salário é de R$ 486,10, mais R$ 237,90 em tíquete-alimentação e plano de saúde.
PARANGOLÉS DE OITICICA
A primeira notícia de que todos os parangolés de Hélio Oiticica haviam sido dizimados pelo fogo não se confirmou.
Baixada a poeira das cinzas do incêndio trágico, a família, com calma, lembrou que pelo menos cinco estão a salvo – dois foram emprestados para uma exposição na Bélgica; um permanece na casa de um amigo de Hélio, em Nova York; e dois, na do curador César Oiticica Filho, sobrinho do genial artista.
ACABOU A CRISE?
Os negócios da Losango, a financeira carioca, voltaram aos níveis de antes da crise global.
Reflexo do faturamento de cerca de R$ 20 milhões da rede varejista por crédito direto ao consumidor, em setembro, e dos bons ventos que anunciam um bom fim de ano para o mercado de linha branca, entre outros.
BENÇA, VÓ
Heloísa Helena vai ser vovó. A mulher de seu filho Ian está grávida.
ROSAS FALAM RUSSO
Léo Gandelman, 53 anos, o músico, era todo emoção ontem, em Moscou, terra de sua família, onde tocou pela primeira vez, em nossa embaixada.
No concerto, o russo Igor Grigoriev cantou em seu idioma As rosas não falam, de Cartola.
“HALLOWEEN” É O...
A turma da Sociedade dos Observadores de Saci de São Luiz do Paraitinga, SP, conhecida como “capital da cultura caipira”, realizará do dia 30 agora a 1 de novembro a... “Festa do Saci e seus Amigos”. O lema dos gaiatos é “Aqui é raloím” – um protesto bem-humorado contra o “Halloween”. Apoiado.
MAGO DAS MULHERES
Paulo Coelho foi convidado pela ONU para integrar um seleto grupo de homens famosos de todo mundo em defesa das mulheres contra a violência.
DIÁRIO DE JUSTIÇA
O Superior Tribunal Militar condenou um major-médico do Exército, em Campo Grande, por “crime de libidinagem”.
O militar foi acusado por causa de um caso no hospital local, mas haveriam, diz a denúncia, “outros registros de abusos sexuais onde trabalhara”.
PARIS É UM PERIGO
Dias atrás, um casal de brasileiros – ele com 60 anos, ela com 58 – foi espancado por 12 jovens vândalos na faixa de uns 20, acredite, em pleno metrô de Paris.
O grupo, que provocava a mulher com piadinhas e cutucões, jogou o homem no chão e iniciou um festival de chutes.
SEGUE...
Depois de alguns minutos de agressões, o grupo fugiu. Um chute passou de raspão pelo olho do brasileiro, que por pouco não perdeu a visão.
O casal ficou até depois de 22 horas na delegacia para conseguir registrar queixa.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

DORA KRAMER

“Suposta campanha”

O ESTADO DE SÃO PAULO - 21/10/09


Em defesa da mistificação segundo a qual a recente turnê do presidente Luiz Inácio da Silva pelas obras do projeto de transposição das águas do Rio São Francisco não teve propósito eleitoral, o ministro da Justiça, Tarso Genro, argumenta que se os governadores José Serra e Aécio Neves podem “circular”, Lula também pode levar Dilma Rousseff para vistoriar e fiscalizar.

Por ora, trata-se de “suposta” campanha.

Afinal, são todos pré-candidatos à Presidência da República, atuando em igualdade de condições, pois têm a sorte de ocuparem cargos que lhes dão visibilidade naturalmente. Nenhum deles estaria desrespeitando a legislação, porque as proibições só alcançam candidaturas formais e a partir do momento em que a campanha se iniciar oficialmente.

O governador Aécio concorda – “É legítimo, faz parte do jogo político”, comentou no primeiro dia junto da caravana –, o governador Serra não fala nada a respeito, enquanto o presidente do partido de ambos, senador Sérgio Guerra, marca a posição do PSDB anunciando providências enérgicas.

A oposição já havia tentado balizar a posição da Justiça Eleitoral quando questionou a legalidade do encontro-show que o presidente da República organizou para apresentar Dilma a prefeitos de todo o país, no dia 10 de fevereiro passado.

A baliza dada na ocasião foi agora adotada por Tarso Genro. O Tribunal Superior Eleitoral decidiu que não houve propósito desviante naquela reunião. A corte aceitou o argumento do então advogado-geral da União e agora ministro do STF, José Antônio Toffoli, de que a presença de prefeitos de partidos de oposição (PSDB e DEM) provava o caráter exclusivamente governamental do evento.

Se estava tudo nos conformes, então o governo nada mais fez do que interpretar a decisão como uma licença para prosseguir no mesmo diapasão. Claro que sempre poderia tomar a iniciativa de atuar sob critério mais ético, mas, pelos parâmetros em vigor, seria tolo.

Ministros do TSE alegam que a oposição parece ter feito à época uma representação apenas pró-forma, tal mal sustentada de provas estava a ação.

Quais provas, além do que se passou à vista de todos? O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, acha que o presidente Lula “está testando” a Justiça e o Ministério Público. Engano. O teste ocorreu em fevereiro e o resultado foi o seguinte: enquanto o governo fizer comícios dizendo que governa, deve-se aceitar sua palavra como verdadeira já que não há “provas” de que o presidente esteja usando o cargo e seus instrumentos como palanque eleitoral.

Por mais que exponha insistentemente isso. Explicitando a condição da candidata da ministra que o acompanha, falando que pretende uma eleição plebiscitária, chamando o adversário para a briga, desculpando-se pelo “comício” improvisado.

Golpes de retórica

O presidente Lula anuncia disposição de “fazer qualquer sacrifício” para “limpar a sujeira que essa gente” – os traficantes – impõe ao Brasil. Ponderou, en tretanto, que o combate à criminalidade “leva um tempo”.

Não especificou quanto. Mas certamente levaria bem menos se ele e todas as autoridades presentes e passadas fizessem algo além de falar. Senão, vejamos o que disse o presidente em seu discurso de posse no segundo mandato, em janeiro de 2007, a propósito de ataque do narcotráfico a alvos civis e militares no Rio: “Essa barbaridade que aconteceu no Rio de Janeiro não pode ser tratada como crime comum. É terrorismo. Extrapolou o banditismo comum que conhecíamos”.

Na ocasião, o governador Sérgio Cabral disse ter ouvido do presidente que seria discutida com o então ministro Márcio Thomaz Bastos a elaboração de novas leis “antiterrorismo”. De lá para cá, nada vezes nada, a não ser o aumento de 19 para 21 no número de mortos entre um episódio e outro.

Picadeiro

A direção do programa Pânico na TV não salvou do ridículo o senador Eduardo Suplicy. A foto da cena circula por toda parte e, se tiver se ser usada de alguma forma, será independentemente da exibição do programa.

O Pânico acabou mesmo salvando o Senado que, com a decisão de não mostrar as imagens, ganhou um pretexto para aceitar as desculpas do senador, arquivar investigação sobre quebra de decoro e se livrar da comparação entre uma sunga condenada e tantas tungas perdoadas.

O que as pessoas sérias do Congresso poderiam começar a pensar é sobre a razão pela qual o Poder Legislativo no Brasil tornou-se tão atraente para programas humorísticos.

Interessado

Registrado em poderoso caderninho do PMDB: Ciro Gomes suspendeu seus ataques à conduta fisiológica do partido. E, se mantiver a candidatura à Presidência da República, tende amenizar cada vez mais o julgamento.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Ainda nem colocamos o nosso time em campo”
O DEPUTADO PRESIDENCIÁVEL CIRO GOMES (PSB) SOBRE A ALIANÇA PMDB-PT, ACERTADA ONTEM

MENSALÃO: JEFFERSON QUER LULA COMO RÉU
O advogado do deputado cassado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, pediu suspensão do depoimento por escrito de Lula no processo do mensalão, como testemunha do cliente. Quer pressionar o Supremo a analisar o recurso transformando o presidente em réu. Luiz Francisco Barbosa insiste que a participação dos ex-ministros José Dirceu, Luiz Gushiken e Anderson Adauto prova envolvimento de Lula.
SUBINDO
Clima de euforia no Planalto, ontem, com uma suposta “pesquisa interna” apontando crescimento de 4% da candidata Dilma Rousseff.
PP JÁ FECHOU
O PP faz doce (ou finge que faz), mas vai cair nos braços de Dilma Rousseff. Mas quer assento na coordenação da campanha.
PTB A CAMINHO
Pelas mãos do líder do Senado, Gim Argello (DF), o PTB corre para o abraço com Dilma: 15 diretórios regionais já estão fechados com ela.
TV PIRATA
Já virou pegadinha na TV: quando a droga do ministro Carlos Holofote Minc (Meio Ambiente) não aparecerá com o governador Sérgio Cabral?
MÉDICOS SERÃO IMUNIZADOS CONTRA A GRIPE
O Ministério da Saúde deverá imunizar contra a gripe suína, com prioridade, médicos, enfermeiros e demais profissionais envolvidos no atendimento à população. A vacinação será no fim de fevereiro de 2010. O Brasil investe pesado em vacinas: serão 72 milhões de doses importadas, ao custo unitário que varia entre R$ 15 e R$ 18, e 40 milhões de doses que estão sendo produzidas no País.
A VOLTA DA GRIPE
A gripe suína voltou forte nos Estados Unidos, que agora escondem os números da doença. A boa notícia é que a letalidade não aumentou.
CAMPEÃO DE AUDIÊNCIA
Não é filme sobre Lula, mas o ministério da Cultura aprovou captação de R$ 2,6 milhões em incentivos para a produção de Trabalhar Cansa.
NA JANELA
A embaixada britânica deu upgrade no alerta na internet, relatando “violentos confrontos entre gangues e ônibus queimados” no Rio de Janeiro.
OLHOS BEM ABERTOS
Ainda não foi licitada qualquer obra para as Olimpíadas de 2016, mas já foram criadas oito “comissões de fiscalização” na Câmara Municipal e na Assembleia Legislativa do Rio e no Congresso Nacional.
OLD BRAZIL
Carta de despedida, em 1969, do embaixador britânico John Russel, revelada na BBC: “O Brasil é horrivelmente mal governado; a corrupção é tão comum que se compra de carteira de motorista a juiz do Supremo.”
SENHORRRES DEPUTADAS...
Para dar certa relevância à sua refiliação ao PMDB, o ex-ministro Sealopra Mangabeira Unger pediu para discursar aos deputados federais, nesta quarta, às 15h30 na Câmara. Periga não haver quórum.
DEIXA COM ELE
Até segunda, 26, o aspone de assuntos internacionais aleatórios do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, vai asponear em Paris, na conferência “Administrando um mundo pós-crise”. Virá em ponto de bala…
VOLARE, Ô, Ô
O presidente da Infraero, Murilo Barbosa, ficará a ver aviões, por sete dias, na Itália, onde pagaremos para que ele conheça “o sistema aeroportuário italiano”. Ele deveria conhecer o brasileiro,
antes.
LIBERDADE DE BUTÃO
O pequeno reino do Butão, na Ásia, tem mais liberdade de imprensa que o Brasil: estamos em 71° lugar, mostra o relatório de 2009 da ONG internacional Repórteres sem Fronteiras. Na lanterna, Irã e Venezuela.
ANP EXTRAPOLA
A Agência Nacional do Petróleo vai extrapolar suas atribuições, caso se meta em exploração, como anunciou. A Lei 9478, que criou a ANP, é clara quanto a isso. Projetos que a alteram ainda estão no Congresso.
CLANDESTINOS
Para o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), o Congresso não pode “facilitar” a vida do MST, que não passa de um “movimento clandestino que promove atos de terrorismo com dinheiro dos contribuintes”, disse.
NESTA DATA QUERIDA
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, faz hoje um mês posto na embaixada. O Brasil vai pagar o bolo?

PODER SEM PUDOR
MANUAL DE CAMPANHA
Os candidatos reagem de diferentes maneiras a eleitores que lhes pedem dinheiro. Em Natal (RN), durante a campanha presidencial de 1994, o catarinense Esperidião Amin livrou-se assim de uma “pedinte”:
– Eu queria ajudar, minha senhora, mas vão dizer que é corrupção eleitoral!
A humilde eleitora nem entendeu, mas ele se livrou do encargo.

FODA-SE A LEI

QUARTA NOS JORNAIS

- Globo: Beltrame: governo federal não faz sua parte contra o tráfico


- Folha: Bolsa de SP prevê queda de negócios pós-taxação


- Estadão: Viagem de Lula é 'vale-tudo' eleitoral, diz Gilmar Mendes


- Correio: Crime da 113 Sul: Uma polícia incapaz de dar respostas...


- Valor: Taxação de capital externo descontenta mercado e BC


- Jornal do Commercio: Aumento da conta d’água fica em 8,6%

terça-feira, outubro 20, 2009

AUGUSTO NUNES

VEJA ON-LINE

O ministério dos doidos de pedra

20 de outubro de 2009

O diplomata Samuel Pinheiro Guimarães, 69 anos, bem mais novo que a cabeça, é um casuísmo reincidente. Em 2003, como não era embaixador de 1ª classe, não poderia assumir o comando da secretaria-geral do Itamaraty. Um decreto esperto removeu a exigência, Samuel instalou-se no posto e logo virou um terço de chanceler. Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, e Marco Aurélio Garcia, conselheiro do presidente para complicações cucarachas, ficaram com os terços restantes. Enquanto Amorim viajava e Garcia tramava com Hugo Chávez a invasão da Colômbia ou um ataque de surpresa aos Estados Unidos, Samuel ficou por aqui tomando conta da casa.

Nesta semana, escapou da aposentadoria compulsória com o traslado para primeiro escalão do governo federal. Diplomatas vão para casa aos 70 anos. Ministros não têm idade para encerrar o expediente. Ficam enquanto o presidente quiser. Como Lula gosta muito do nomeado, Samuel estará hospedado até dezembro de 2010 no gabinete do ministro de Assuntos Estratégicos, inventado para que Roberto Mangabeira Unger brincasse de arquiteto do futuro da nação. A escolha de Samuel sugere que o titular do cargo deve ser pinçado entre candidatos ao hospício.

Em 2005, por exemplo, sempre ao lado de Cuba e contra o imperialismo ianque, o secretário-geral conseguiu excluir a prova de inglês dos exames eliminatórios para o ingresso na carreira. No mesmo ano, resolveu que todos os diplomatas prestes a assumir um posto no Exterior, ou de passagem pelo Brasil para um período de reciclagem no Palácio Itamaraty, teriam de ler três livros: ”Pensamento Econômico Brasileiro”, de Ricardo Bielschowsky, “Biografia do Barão de Rio Branco”, de Álvaro Lins, e “Brasil, Argentina e Estados Unidos”, de Moniz Bandeira, com prefácio de Samuel Pinheiro Guimarães. Ele mesmo.

De lá para cá, ninguém escapou da tarefa, cumprida numa sala ao lado do gabinete do chefe. O mestre mantinha a tensão na estratosfera com sucessivas incertas. Em seguida, submetia os alunos a sabatinas orais. Se complicou a vida dos colegas, procurou facilitar a vida dos interessados na profissão que escolheu. O Instituto Rio Branco sempre formou 40 diplomatas por ano. O secretário-geral acha que tudo vai melhorar com fornadas anuais de 400. Ainda não conseguiu emplacar a ideia. Mas continua tentando.

“Ninguém sabe o que vem por aí, porque ele é chegado a soluções meio doidas”, avisou um embaixador aposentado quando soube que Samuel seria o chefão do Itamaraty. O deslocamento para o primeiro escalão do Executivo prorrogou o prazo de validade da frase. Ainda bem que o ministério não existe.

LEVANDO FUMO

JANIO DE FREITAS

Sem um toque especial


Folha de S. Paulo - 20/10/2009


O helicóptero abatido por bandidos no Rio foi um toque diferenciado em fato que não passou de corriqueiro


DEBELAR HOJE um confronto com bandidos ou entre grupos deles é, para a polícia, nada mais do que amanhã mudar de lugar para fazer a mesma tarefa. Essa é uma das muitas sínteses possíveis da dramaticidade vivida pelo Rio, e em processo de instalação na maioria das cidades mais populosas, pelo país afora. O que fazer, ao menos no caso mais agudo do Rio?
A única resposta de sinceridade inquestionável é simples: ninguém sabe. Porque a pergunta conduz a outra síntese possível da dramaticidade. Para vencer de fato a situação atual, haveria muitas mortes, dado que a bandidagem já constitui verdadeira força armada, destemida e entrincheirada em áreas que a favorecem; se a situação atual não for vencida, haverá cada vez mais mortes, muitas mortes, porque a força da bandidagem aumenta em armas, em extensão dos núcleos onde se aquartela e se autoalimenta para reposição das perdas humanas. Um dilema que ninguém, entre governantes, "especialistas" e políticos, quer admitir.
A admissão seria onerosa. Mais fácil é sair-se com subterfúgios. Lula, repetido por muitos outros: "As obras do PAC acabaram com a criminalidade no Dona Marta", e já estão acrescentadas outras favelas. Os traficantes e os assaltantes foram trabalhar em atividades lícitas? Ou, com moradia eventualmente em outro lugar, continuam assaltando, matando, traficando?
Desastres aéreos têm propriedade excepcional de comover a opinião pública. Os naufrágios com dezenas ou mais de centena de mortos ocorrem no Amazonas com frequência, as mortes no trânsito são dezenas ou centenas a cada dia, mas nenhum exemplo assim causa abalo equivalente ao de um desastre aéreo, digamos, com cem mortes. Por isso, o helicóptero abatido por bandidos no Rio foi um toque diferenciado em fato que, no mais, não passou de corriqueiro, é diário -com 12 mortos, 6 ou 16, 2 ou 9, bandidos reais ou bandidos depois de defuntos, passantes adultos e passantes crianças, e policiais. O anormal, o escândalo, foi o helicóptero.
Não é verdadeira a explicação oficial de que o acontecido no morro dos Macacos "é um problema específico de uma região, de um ponto da cidade muito localizado". Não é. A cada dia acontece algo do gênero em uma parte da cidade. Logo, o problema não está em tal ou qual ponto, está na cidade, agora mesmo começando ou se preparando em uma favela de Copacabana ou do Méier, ou na Linha Amarela, ou no caminho do aeroporto, em um elevado central, em qualquer lugar, de qualquer forma. O que não se sabe é só isso: onde e como. O quando é todo dia.
O sonho também merece o seu lugar: a solução poderia vir de um nível extraordinário de crescimento econômico, com seus frutos voltados não mais para a concentração na minoria ultramínima e, afinal, dirigidos a distribuir-se em proporções sedutoras para a mobilização das camadas sem perspectivas e sem estímulos positivos. Mas sonhos sonhos são.
A realidade que se apresenta ao Rio é a tendência a maior favelização nos próximos anos. Com a atração de maneiras de ganhar algum dinheirinho nos preparativos da Copa de 2014 e na Olimpíada de 2016. E não há o menor indício de que isso fosse pensado em qualquer instância de governo.

BENJAMIN STEINBRUCH

Perseverança


Folha de S. Paulo - 20/10/2009

O melhor a fazer é perseverar nas políticas que deram certo, de apoio ao avanço da economia e do emprego



QUEM VIAJA frequentemente ao exterior sabe que, lá fora, virou moda falar bem do Brasil. São comuns os elogios à resistência da economia brasileira durante a crise global e as apostas na volta do crescimento sustentado.
O festejado economista Jim O'Neill, criador do "acróstico" Bric, previu na semana passada que o Brasil deverá crescer em ritmo anual superior a 5% durante muitos anos. Que Deus o ouça. Investidores dão mostra de acreditar nisso. Bilhões de dólares estão sendo aplicados em ações de empresas brasileiras, o que fez o índice da Bolsa de São Paulo subir cerca de 130% desde o pior momento da crise. O efeito colateral perverso dessa injeção de recursos é a valorização exagerada do real.
O cenário da crise está rapidamente sendo substituído por outro, de retomada. Os melhores indícios dessa nova situação, porém, não vêm do mercado de investimentos nem de antevisões externas, mas da economia real.
Talvez tenha passado despercebido um dado relevante nesse contexto, divulgado pela Fiesp na semana passada. Pela primeira vez desde agosto de 2008 -mês que antecedeu ao desastre da economia americana- a indústria de São Paulo voltou a ampliar, em termos reais, o número de postos de trabalho. Em setembro, já expurgados os efeitos sazonais, houve crescimento de 0,20% no emprego industrial paulista, o que significou mais 14 mil vagas. No país, a reação da indústria também foi forte: contratação líquida de 123 mil trabalhadores em setembro.
Nada é mais importante que o emprego em uma economia. Por isso, vale refletir sobre as razões que levaram o Brasil a essa recuperação na oferta de trabalho enquanto muitos países continuam sem luz no fim do túnel. Entre as lições que aprendemos nesta crise, uma diz respeito à importância do mercado interno, que se revelou robusto e reagiu rapidamente aos estímulos fiscais.
Já dá para afirmar sem receio que milhares de empregos -talvez milhões- foram poupados no país porque houve redução de tributos sobre vários itens, desde automóveis até material de construção e eletrodomésticos. Se os resmungos mal-humorados dos ortodoxos fiscalistas tivessem sido ouvidos, o impacto da crise no consumo interno e em toda a economia teria sido muito maior.
Servem essas constatações também para refrear a ganância fiscal do setor público em todos os níveis. Com a superação da crise, além da volta da carga total do IPI, ressurgem ideias sobre a recriação da CPMF e de outros tributos, inclusive um sobre exportação de minérios. Na área municipal, como noticiou a Folha, São Paulo pretende impor reajustes de até 357% no IPTU, que teriam forte impacto sobre pequenos negócios e sobre o consumo local.
Outra lição é sobre a importância do crédito. Os momentos mais aflitivos da crise interna se deram quando houve o fenômeno que o mercado chamou de "empoçamento de liquidez". Os bancos tinham recursos, mas não os emprestavam, com medo de calote. Passada essa fase, a volta do crédito, embora caro, ajudou a recolocar a economia nos trilhos.
O melhor que se pode fazer neste momento, portanto, é entender as lições e perseverar nas políticas que deram certo, de apoio ao crescimento da atividade econômica e do emprego. Estímulos fiscais e creditícios, dosados na medida das necessidades, permanecem sendo instrumentos importantes para sustentar o crescimento, sem receios conservadores.

GOSTOSA


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BRASÍLIA - DF

Carimbo conjunto


Correio Braziliense - 20/10/2009



Ao sacramentar hoje o compromisso com o PT para 2010, os artífices da aliança pelo PMDB pedirão algo que confira mais recheio à parceria do que a vice na chapa da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. No acordo pré-nupcial a ser levado à mesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deverá constar uma cláusula de fusão programática para as eleições. Na prática, um aval para que a marca PMDB saia colada à de Lula e Dilma no período eleitoral.

O carimbo conjunto seria um trunfo da ala peemedebista que defende a adesão imediata a Dilma para esvaziar a resistência de grupos do partido reticentes com o fraco desempenho da candidata nas recentes pesquisas eleitorais. E a cereja do bolo do acordo que ainda terá de ser aprovado, em março, na convenção nacional do PMDB.

Divisão// Já irritada com a indefinição do PSDB na corrida presidencial, a Executiva Nacional do DEM não economizou nas críticas à atuação dos tucanos no Congresso. Os “demos” queixam-se de que estão sozinhos na oposição ao governo do PT e de terem assumido sozinhos o fardo de bater em questões como restituição do Imposto de Renda e conflito agrário.

Sem prestígio

Sem cargos no primeiro escalão desde a saída de José Múcio Monteiro do Ministério de Relações Institucionais, o PTB pleiteia a vaga de Marcos Lima na Subsecretaria de Assuntos Legislativos da Presidência. Alas petebistas, que têm 8 senadores e 22 deputados, considera que o partido está subvalorizado na base governista.

Predileto

Primeiro nas cotações para substituir Marcos Lima, o adjunto Neuri Mantovani enfrenta forte resistência à sua indicação. Deputados queixam-se de sua ligação com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), sob bombardeio na Casa e possível alvo de uma CPI por conta da destruição de um laranjal em Borebi (SP), há duas semanas.

Longo adeus



Descontente com a entrega do comando da comissão do Código Florestal à bancada ruralista da Câmara, parte da bancada do PV na Casa enxerga motivos para precipitar o distanciamento do partido em relação ao governo. Os verdes consideram que o governo foi complacente com a eleição de um representante do agronegócio para presidir o debate sobre a legislação ambiental. “Sem alinhar à oposição, queremos assumir uma postura de maior independência diante dessa postura”, conta Edson Duarte (foto), líder do PV na Casa.

Onipotência


Relator da proposta que cria a Petro-Sal, o deputado Luiz Fernando Faria (PP-MG) quer criar um conselho superior para analisar eventuais vetos da estatal a decisões de consórcios encarregados da exploração do pré-sal. O governo é contrário a reduções nos poderes da estatal na gestão dos contratos. As empresas petrolíferas são contra uma Petro-Sal com poderes absolutos. O parecer deve ser lido amanhã.

Tentativa



Advogado de Roberto Jefferson (foto) no caso do mensalão, Luiz Francisco Corrêa Barbosa apresentou ontem, ao Supremo Tribunal Federal, pedido para que o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo, suste o prazo para que as defesas dos 39 réus enviem as perguntas da audiência do presidente Lula, que será ouvido como testemunha. Numa jogada jurídica, Luiz Francisco tenta fazer com que Lula seja ouvido como réu.

Três Ps/ Motivo de angústia no DEM, a demora do PSDB em definir seu candidato ao Palácio do Planalto tem embolado disputas internas nos estados. Pará, Paraíba e Paraná têm tucanos em pé de guerra pela candidatura ao governo estadual. “A definição do nome para presidente desenrolaria o quadro”, avalia o senador Álvaro Dias (PR), concorrente do prefeito de Curitiba, Beto Richa, pela indicação.

Legado/ O senador Mão Santa (PSC-PI) estampou na entrada da Terceira Secretaria do Senado um enorme cartaz amarelo, presenteado pela Sociedade de Ensino Superior do Piauí, com os dizeres: “1000 discursos no Senado”. Sem projetos apresentados, o folclórico parlamentar tem como marca ter chegado ao milhar de pronunciamentos na tribuna.

Bisbilhotice/ Sob risco de ouvir nova reprimenda do corregedor do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP), por ter vestido uma cueca vermelha sobre o terno para um programa humorístico, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) atribuiu à Polícia Legislativa a razão da primeira bronca que levou, ao hospedar simpatizantes do italiano Cesare Battisti em seu gabinete. Queixou-se de que estava tendo sua vida acompanhada pelos policiais.